Fotos de recém-nascidos costumam ser examinadas por parentes em busca de semelhanças: o nariz do pai, os olhos da mãe, o formato do rosto da avó. Nessa história, porém, o detalhe mais importante não estava na expressão engraçada da bebê, mas em uma discreta mudança de cor percebida por alguém do outro lado da tela.
O pai estava com a filha recém-nascida nos braços quando ela fez uma careta que chamou sua atenção. Divertido, ele fotografou a cena e publicou a imagem nas redes sociais para compartilhar com amigos e familiares.
Como era de esperar, a publicação logo recebeu comentários bem-humorados. Algumas pessoas brincaram com a expressão séria da menina e tentaram adivinhar como seria sua personalidade no futuro. Uma das mensagens dizia que ela cresceria rebelde e acabaria se casando com um homem pobre e sem tatuagens.
O pai se divertia lendo as respostas até encontrar uma observação que destoava das demais.
Um detalhe nos olhos mudou o rumo da história
Um usuário, que afirmou ser pediatra, reparou que os olhos da recém-nascida pareciam amarelados. Ele explicou que a tonalidade poderia ser resultado da iluminação da fotografia, mas também seria compatível com icterícia neonatal.
A recomendação foi direta: caso a pele e o branco dos olhos estivessem realmente amarelados, a criança deveria ser examinada por um profissional de saúde.
Diante do alerta, o pai decidiu não esperar. Levou a menina para uma avaliação médica e, segundo o relato que circula nas redes, os exames confirmaram que ela estava com icterícia. A condição foi identificada cedo, permitindo que a equipe médica acompanhasse os níveis de bilirrubina e adotasse o tratamento indicado.
O material compartilhado online não informa o nome da família, o hospital, o nível de bilirrubina encontrado nem o tratamento realizado. Por isso, não é possível determinar com precisão o perigo que a criança enfrentava. Ainda assim, o alerta feito na fotografia tinha fundamento médico: o amarelamento da pele e da parte branca dos olhos é o principal sinal visível da icterícia neonatal.
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O que provoca a coloração amarelada
A icterícia aparece quando há acúmulo de bilirrubina no sangue e nos tecidos. Essa substância amarelada é produzida durante a renovação natural das hemácias, as células vermelhas do sangue.
Nos primeiros dias após o nascimento, o fígado do bebê ainda pode ter dificuldade para processar e eliminar toda a bilirrubina produzida. Por isso, algum grau de icterícia é frequente nessa fase, especialmente entre crianças prematuras. Na maioria dos casos, a alteração é leve e desaparece com o amadurecimento do organismo.
A coloração costuma começar no rosto e pode avançar para o tórax, abdômen, braços e pernas conforme os níveis aumentam. Em bebês de pele negra ou parda, a mudança pode ser mais difícil de notar na pele; o branco dos olhos, a região sob a língua e a parte interna das bochechas podem facilitar a observação.
A fotografia pode levantar uma suspeita, mas não confirma o diagnóstico
Luzes amareladas, filtros e configurações da câmera podem alterar a tonalidade da pele e dos olhos. Uma fotografia, portanto, não permite diagnosticar icterícia nem determinar sua intensidade.
Na maternidade ou no consultório, a equipe pode usar um aparelho colocado sobre a pele para realizar a medição transcutânea da bilirrubina. Dependendo do resultado, é necessário colher sangue para saber com maior precisão a quantidade da substância e decidir se o bebê precisa de acompanhamento ou tratamento.
Pressionar suavemente a testa ou o nariz em um ambiente bem iluminado pode deixar a tonalidade amarela mais perceptível por alguns segundos. Esse teste caseiro serve somente como observação. Uma pele que parece normal após a pressão não descarta o problema.
Quando a icterícia exige mais atenção
Em muitos recém-nascidos, a icterícia surge por volta do segundo ou terceiro dia e melhora gradualmente durante as semanas seguintes. A situação merece avaliação rápida quando aparece nas primeiras 24 horas de vida, torna-se mais intensa, alcança braços e pernas ou permanece por tempo prolongado.
Dificuldade para acordar, recusa das mamadas, sucção fraca, irritabilidade incomum, choro agudo e diminuição da alimentação também são sinais que não devem ser ignorados. Urina escura ou fezes muito claras podem indicar outras alterações que precisam ser investigadas pelo pediatra.
Quando a bilirrubina alcança níveis muito elevados e permanece sem tratamento, ela pode atingir o sistema nervoso. A complicação mais temida é a encefalopatia bilirrubínica, conhecida como kernicterus, capaz de provocar danos cerebrais permanentes, alterações auditivas, dificuldades motoras e paralisia cerebral. Felizmente, esse quadro é raro e pode ser evitado com identificação e tratamento adequados.
Hepatite, cálculos biliares e tumores, citados em algumas versões da história, não são consequências típicas da icterícia fisiológica do recém-nascido. Essas doenças podem provocar icterícia em outros contextos, mas o principal risco da hiperbilirrubinemia neonatal grave é neurológico.
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Como funciona o tratamento
A conduta depende da idade do bebê em horas, da idade gestacional, do nível de bilirrubina e da presença de outros fatores de risco. Grande parte dos casos exige somente acompanhamento e atenção à alimentação, pois mamadas adequadas ajudam o organismo a eliminar a substância.
Quando os níveis ultrapassam os limites considerados seguros, o tratamento mais utilizado é a fototerapia. O bebê permanece com a pele exposta a uma luz especial, geralmente azul, que transforma a bilirrubina em compostos eliminados com maior facilidade. Os olhos são protegidos durante o procedimento, e novos exames verificam se os níveis estão diminuindo.
Em situações raras e muito graves, pode ser necessária uma exsanguineotransfusão, procedimento que substitui parte do sangue do bebê para reduzir rapidamente a concentração de bilirrubina. Expor a criança diretamente ao sol em casa não substitui a fototerapia e pode causar queimaduras, superaquecimento e outros riscos.
Ao perceber pele ou olhos amarelados em um recém-nascido, a orientação mais segura é entrar em contato com o pediatra ou procurar uma unidade de saúde, principalmente quando a alteração aumenta, surge logo após o parto ou vem acompanhada de sonolência e dificuldade para mamar.
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