Uma das fotos mais marcantes de Elizabeth Taylor no Oscar guarda uma curiosidade de milhões

Há imagens antigas de Hollywood que continuam circulando décadas depois sem precisar de filtros, montagens elaboradas ou qualquer contexto moderno para chamar atenção. Uma das mais conhecidas foi registrada na noite de 7 de abril de 1970, quando Elizabeth Taylor chegou ao Oscar usando um vestido azul-violeta e uma das joias mais famosas já associadas a uma estrela de cinema.

Taylor tinha 38 anos e participou da 42ª cerimônia do Oscar, realizada no Dorothy Chandler Pavilion, em Los Angeles. Naquela edição, ela estava entre as personalidades responsáveis pela apresentação dos prêmios. A cerimônia, dedicada aos filmes lançados em 1969, terminou com Perdidos na Noite (Midnight Cowboy) recebendo o Oscar de Melhor Filme.

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Um vestido pensado nos mínimos detalhes

O visual usado por Elizabeth Taylor naquela noite entrou para a história da moda do Oscar. O vestido de chiffon, criado pela figurinista Edith Head, tinha decote profundo e uma tonalidade que variava visualmente entre azul, lilás e violeta. A escolha ajudava a destacar os olhos da atriz e, principalmente, deixava espaço para a enorme joia pendurada em seu pescoço.

Edith Head dificilmente poderia ser tratada como uma estilista qualquer. Ela se tornou uma das figurinistas mais importantes de Hollywood e ganhou oito Oscars de figurino ao longo da carreira, além de trabalhar com nomes como Grace Kelly, Cary Grant, Paul Newman, John Wayne e a própria Elizabeth Taylor.

Naquele ano, Head ainda exercia uma função especial ligada à cerimônia: 1970 foi seu último ano como consultora de moda do Oscar.

Mas, nas fotografias daquela noite, é difícil olhar primeiro para o vestido.

A razão está bem no centro da imagem.

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O diamante de quase 70 quilates em seu pescoço

O colar carregava o célebre diamante Taylor-Burton, uma pedra em formato de pera com 69,42 quilates. Cartier registra que Elizabeth Taylor e Richard Burton haviam comprado a joia em 1969 e concordado em exibi-la temporariamente na joalheria, onde milhares de pessoas foram vê-la. Na época, tornou-se o primeiro diamante vendido por um valor superior a US$ 1 milhão.

A pedra havia sido encontrada na Premier Mine, na África do Sul, e originalmente fazia parte de um diamante bruto muito maior. Depois de lapidada, tornou-se uma das joias mais reconhecíveis ligadas ao casal. A Christie’s registra que Taylor a usou tanto durante as comemorações do aniversário de 40 anos da princesa Grace de Mônaco quanto na 42ª cerimônia do Oscar.

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Inicialmente, o enorme diamante havia sido montado como anel. O tamanho, porém, tornava seu uso pouco prático. Taylor contou posteriormente que até para ela a pedra era grande demais em um anel, e Cartier acabou criando o colar no qual a joia aparece nas fotografias de 1970.

Não era sequer o único diamante de grandes proporções que Taylor possuía. Sua coleção incluía ainda uma pedra de 33,19 quilates, anteriormente conhecida como diamante Krupp e posteriormente rebatizada como Elizabeth Taylor Diamond. Presente de Richard Burton, o anel seria vendido em 2011 por cerca de US$ 8,8 milhões.

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Richard Burton disputava o Oscar naquela mesma noite

O glamour das fotografias escondia uma situação particularmente tensa para o casal.

Richard Burton concorria naquele ano ao prêmio de Melhor Ator por interpretar Henrique VIII em Anne of the Thousand Days. Seus adversários eram Dustin Hoffman e Jon Voight, ambos por Midnight Cowboy, Peter O’Toole por Goodbye, Mr. Chips e John Wayne por True Grit.

O vencedor foi Wayne.

Foi o único Oscar competitivo conquistado pelo ator, que recebeu a estatueta por sua interpretação de Rooster Cogburn.

Burton, apesar de uma carreira amplamente reconhecida e de várias indicações ao prêmio, saiu novamente sem a estatueta.

Taylor, por sua vez, ainda tinha trabalho a fazer naquela noite. Ela participaria da cerimônia como uma das apresentadoras. A edição de 1970 não teve um anfitrião oficial pelo segundo ano consecutivo; em vez disso, 17 personalidades foram apresentadas como os chamados “Friends of Oscar”. Entre elas estavam Bob Hope, Barbra Streisand, Fred Astaire, Clint Eastwood, Raquel Welch, James Earl Jones e Elizabeth Taylor.

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Uma cerimônia cheia de momentos históricos

Embora as fotografias de Taylor tenham se tornado algumas das imagens mais lembradas daquela edição, muita coisa importante aconteceu dentro do teatro.

Cary Grant recebeu um Oscar honorário, apresentado por Frank Sinatra. John Wayne venceu como Melhor Ator, Maggie Smith levou o prêmio de Melhor Atriz por The Prime of Miss Jean Brodie e Goldie Hawn ganhou como Melhor Atriz Coadjuvante por Cactus Flower. Gig Young venceu como Melhor Ator Coadjuvante por They Shoot Horses, Don’t They?.

Midnight Cowboy foi o principal vencedor entre os títulos mais importantes da noite, conquistando Melhor Filme, Melhor Direção para John Schlesinger e Melhor Roteiro Adaptado para Waldo Salt.

Elizabeth Taylor não concorria a nenhum prêmio naquela edição. Sua presença acabou ficando associada a outra coisa: uma combinação muito particular entre moda, joalheria e a cultura das estrelas que caracterizava Hollywood naquele período.

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A fotografia que atravessou décadas

Vista hoje, a foto chama atenção principalmente pela proporção do diamante, que pode passar despercebida à primeira olhada. Não se trata de um pingente feito para parecer maior na fotografia. A pedra realmente tinha quase 70 quilates e havia custado uma quantia extraordinária já pelos padrões do final dos anos 1960.

O vestido de Edith Head foi planejado de maneira a deixá-la inteiramente à mostra, enquanto o tom azulado da roupa, a maquiagem e o cabelo preso completavam um visual que acabaria reproduzido inúmeras vezes em retrospectivas sobre a moda do Oscar. A British Vogue, por exemplo, ainda registra o conjunto entre os momentos marcantes do estilo de Elizabeth Taylor.

Mais de meio século depois, talvez seja justamente esse detalhe que explique por que a imagem continua causando tanta curiosidade. O enorme brilho no centro da fotografia não é resultado de um efeito acrescentado posteriormente: é o Taylor-Burton, um dos diamantes mais célebres da história de Hollywood, pendurado no pescoço de Elizabeth Taylor durante o Oscar de 1970.

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Gabriel Pietro
Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.