Kelly Brook construiu boa parte de sua carreira diante das câmeras, primeiro como modelo e depois como atriz e apresentadora. Décadas depois de começar a trabalhar com moda, a britânica voltou a chamar atenção por um motivo curioso: suas proporções passaram a ser comparadas a resultados de pesquisas científicas sobre quais características físicas são percebidas como mais atraentes.
A história acabou popularizada de maneira simplificada, com a afirmação de que pesquisadores teriam determinado que Kelly possui o “corpo perfeito”. A realidade é um pouco diferente. Não existe um estudo científico que tenha examinado especificamente a modelo e chegado a essa conclusão.
O que existe são pesquisas sobre percepção de atratividade corporal cujos resultados posteriormente foram associados às medidas atribuídas a Kelly.
O que o estudo realmente descobriu
Uma das pesquisas mais citadas nesse contexto foi publicada em 2012 na revista científica PLOS ONE. Conduzido por pesquisadores ligados às universidades de Newcastle e Northumbria, no Reino Unido, o trabalho reuniu 80 participantes heterossexuais, 40 homens e 40 mulheres, com idade média próxima dos 19 anos.
Os voluntários utilizaram um programa de modelagem tridimensional para modificar corpos virtuais. Era possível alterar dezenas de características até chegar à aparência que cada participante considerava ideal para si e para um parceiro.
Entre as mulheres, o corpo feminino criado como ideal apresentou índice de massa corporal (IMC) médio de 18,9 e relação cintura-quadril de aproximadamente 0,70. Os homens chegaram a resultados bastante próximos ao montar o corpo feminino que consideravam ideal, com IMC médio de 18,8 e relação cintura-quadril de 0,73.
Os pesquisadores concluíram que tamanho corporal e formato do tronco desempenhavam papéis importantes na percepção de atratividade daquele grupo estudado.
Isso está longe, porém, de estabelecer um padrão universal de beleza. A amostra era pequena e composta por jovens adultos caucasianos, além de refletir preferências registradas em um contexto cultural específico.
Outros trabalhos científicos também indicam que tanto o IMC quanto a proporção entre cintura e quadril podem influenciar julgamentos de atratividade. Ao mesmo tempo, essas preferências podem variar de acordo com população, ambiente e exposição cultural.
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Como Kelly Brook entrou nessa história
Com o passar dos anos, sites e publicações começaram a comparar os resultados dessas pesquisas com as proporções divulgadas de Kelly Brook. A semelhança entre alguns números ajudou a criar a afirmação de que a britânica teria o corpo feminino mais próximo daquele considerado ideal pela ciência.
Foi daí que surgiram manchetes dizendo que pesquisadores haviam escolhido Kelly como a mulher com as “proporções perfeitas”.
Essa interpretação deve ser vista com cautela. Kelly não participou do estudo de 2012, e os autores não avaliaram seu corpo nem a apontaram como referência de perfeição. O trabalho científico tratava de percepção de atratividade entre os participantes, não de encontrar uma celebridade que representasse seus resultados.
Há ainda outra pesquisa frequentemente misturada a essa história. Publicado em 2010, um estudo que contou com Devendra Singh, então ligado à Universidade do Texas em Austin, analisou respostas cerebrais masculinas diante de diferentes proporções entre cintura e quadril. O trabalho mostrou que alterações nessa relação podiam influenciar a atividade de regiões ligadas à recompensa, mas novamente não tinha Kelly Brook como objeto de estudo.
Uma carreira iniciada ainda na juventude
Nascida em Rochester, na Inglaterra, Kelly Anne Parsons, conhecida profissionalmente como Kelly Brook, iniciou a carreira de modelo ainda jovem e posteriormente ampliou sua atuação para televisão, cinema e rádio.
Entre seus trabalhos no cinema estão filmes como Uma Saída de Mestre, de 2003, e Piranha 3D, lançado em 2010. Ao longo da carreira, também apareceu repetidamente em listas de celebridades consideradas atraentes por revistas britânicas.
Nos últimos anos, passou a dedicar maior espaço à apresentação e ao rádio. Em 2025, participou ainda da edição britânica do reality I’m a Celebrity… Get Me Out of Here!.
Na vida pessoal, Kelly mantém um relacionamento com o modelo e ator italiano Jeremy Parisi desde 2015. Os dois se casaram na Itália em 2022.
Padrões de beleza mudam com o tempo
A associação entre Kelly Brook e pesquisas sobre atratividade ganhou força justamente por contrariar a ideia de que apenas corpos extremamente magros podem representar um padrão considerado desejável.
A própria literatura científica, entretanto, mostra que não existe uma fórmula capaz de determinar objetivamente o corpo feminino perfeito.
Um estudo publicado na PLOS ONE em 2016, por exemplo, observou que participantes escolheram níveis diferentes de gordura corporal quando avaliavam aparência saudável e quando avaliavam atratividade. Os autores apontaram que fatores culturais e a exposição a imagens idealizadas na mídia podem interferir nessas escolhas.
Pesquisas anteriores também encontraram diferenças entre populações e até alterações nas preferências depois que participantes eram expostos repetidamente a imagens de corpos maiores ou menores.
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Por isso, a famosa classificação de Kelly Brook como dona do “corpo perfeito segundo a ciência” funciona melhor como uma comparação entre suas proporções e resultados de determinados estudos de atratividade do que como uma conclusão científica propriamente dita.
O que os estudos permitem afirmar é que certas relações entre cintura, quadril e tamanho corporal foram consideradas atraentes pelos grupos analisados. Transformar esses resultados em uma medida definitiva de beleza, ou atribuí-los diretamente a uma celebridade, vai além do que as pesquisas demonstraram.
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