Tio que cuidará de trigêmeos que perderam mãe, avó e tia para Covid-19 recebe doações

Apesar de muito jovens, os trigêmeos Pedro, Paulo e Felipe, de 5 anos, já vivem um drama que abalaria as estruturas de qualquer pessoa. Em poucos meses, eles perderam o pai, a mãe, a avó e a tia.

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Apesar de muito jovens, os trigêmeos Pedro, Paulo e Felipe já vivem um drama que abalaria as estruturas de qualquer pessoa. Em poucos meses, eles perderam o pai, a mãe, a avó e a tia.

O pai dos trigêmeos, Renato Santos, faleceu em um acidente em um acidente de trânsito há cinco meses. Depois disso, a tia, Karina Angélica Faria, de 33 anos; a mãe, Ana Paula Faria, de 37 anos; e a avó dos trigêmeos, Valentina Peres Machado, de 66 anos, faleceram com diferença de 8 dias, em decorrência da Covid-19.

Ana Paula com os filhos no colo — Foto: Arquivo Pessoal
Trigêmeos no colo do pai que morreu em acidente — Foto: Arquivo Pessoal

Ana Paula, Karina e Valentina moravam e foram sepultadas em Parisi, cidade onde o pai dos trigêmeos, Renato Santos, sofreu o acidente cinco meses atrás.

O vendedor Douglas Junior Faria Amaral, de 26 anos, que é irmão de Karina e Ana Paula, falou sobre a dor de perder três familiares para a Covid-19 em tão curto espaço de tempo.

“Fiquei sem chão. Não conseguia acreditar que estava passando por aquilo. Foi terrível enterrar minhas duas irmãs e minha mãe uma atrás da outra, sem poder vê-las pela última vez. Pegaram os corpos, colocaram em um caixão e enterraram”, disse o rapaz ao G1.

Trigêmeos à esquerda, e mãe e filhas à direita — Foto: Arquivo Pessoal

Apesar de ainda estar tentando lidar com o luto, Douglas decidiu assumir os cuidados dos trigêmeos junto com sua esposa, Luana Amaral.

“Minha vida sempre foi muito organizada e planejada. Eu não tinha planos de ter mais filhos. É uma responsabilidade gigante, mas minha esposa me olhou, disse que eram meus sobrinhos e decidimos que iríamos tratá-los como filhos. Hoje vejo que, realmente, os três tinham que ser nossos”, diz Douglas, que tem uma filha bebê de 1 ano e sete meses.

Douglas, o tio, acompanhado da esposa e dos sobrinhos trigêmeos — Foto: Arquivo Pessoal

A história dos trigêmeos, que perderam quatro familiares em um curto espaço de tempo, virou notícia no país todo e acabou sensibilizando muita gente. Com isso, Douglas começou a receber muitas doações para ajudá-lo a criar os sobrinhos.

“Recebemos muitas doações de alimentos. Ganhamos tijolos, azulejos, pia e materiais para usarmos na construção do quarto e do banheiro dos meninos. Pedreiros e eletricistas se ofereceram para trabalhar de graça, um arquiteto também vai fazer o projeto sem cobrar nada. Além disso, um site está fazendo uma vaquinha online”, diz o vendedor, que mora em Votuporanga, no interior de São Paulo.

“Recebi até uma ligação de um morador dos Estados Unidos. Ele viu a reportagem no G1, entrou em contato conosco e nos enviou uma ajuda. Olha onde a história chegou, é uma coisa surreal. Ficamos muito felizes em sentir todo esse amor. O ser humano é muito bom. Precisamos acreditar nisso”, conta Douglas, que sonha em conseguir uma bolsa de estudos para os trigêmeos e afilhados.

“Estudo é tudo. Me preocupo muito com isso, porque estudei em escola pública. Sei como funciona. Meus sobrinhos também precisam de um apoio psicológico. Eles estão abalados com tudo que aconteceu. Um deles até mudou muito de comportamento. Ele era muito tranquilo antigamente”, afirma.

Depois de acolherem os trigêmeos Pedro, Paulo e Felipe, que ficaram órfãos aos 5 anos, Douglas e a esposa, Luana Amaral, tentam conseguir a guarda dos meninos na Justiça.

“Conversamos com um advogado. O pedido de guarda provisória deve estar para sair, mas a permanente demora um pouco”, conta.

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Redação Conti Outra, com informações de G1.
Foto destacada: Arquivo Pessoal.

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