Texto em defesa dos INTENSOS

Eu começo com um apelo: não julgue os intenso! Não escolhemos ser assim, mas é a nossa condição para existir. Sentimos tudo de forma ampliada. O que talvez você não saiba é que mergulhamos nas dores do mesmo modo que enfiamos a cara nas paixões. Nesses momentos, a gente se arrebenta por inteiro. Nem tudo se resume a borboletas no estômago, nossas dores são mais cruéis; nossa saudade, mais visceral.

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Eu começo com um apelo: não julgue os intenso! Não escolhemos ser assim, mas é a nossa condição para existir. Sentimos tudo de forma ampliada. O que talvez você não saiba é que mergulhamos nas dores do mesmo modo que enfiamos a cara nas paixões. Nesses momentos, a gente se arrebenta por inteiro. Nem tudo se resume a borboletas no estômago, nossas dores são mais cruéis; nossa saudade, mais visceral.

Está em nosso DNA esse modo de sentir, somos movidos a entusiasmo, sem espaço para o morno. Somos ritualísticos. Eu, por exemplo, se vou a uma viagem romântica, arrumo as malas ao som de uma trilha sonora, dançando em frente ao espelho, rodopiando pelo quarto; minha idade mental despenca para a pré-adolescência, e eu amo absurdamente sentir tudo aquilo. É a redenção, eu me arrepio, eu flutuo.

Somos vistos como destrambelhados, inconsequentes ou algo do gênero, mas somos apenas pessoas que se entregam sem reservas ao que nos seduz. Quando nos apaixonamos, é de corpo e alma, não pensamos nas consequências. Somos capazes de embarcar para outro estado com o coração saindo pela boca para nos jogarmos nos braços de quem nos enfeitiça.

Não aceitamos nada por conveniência, a alma precisa pulsar junto com os hormônios, e com o coração. Sim, é de perder o fôlego mesmo, o negócio não é brincadeira. Não existe essa história de abraço frouxo, de beijo sem sal, a gente sai tatuando o corpo e a alma do outro, enquanto somos carimbados também. Tudo com a devida reciprocidade, que fique bem claro.

Nós, os intensos, temos pavor da ideia de dividir a vida com alguém sem paixão. Deus nos livre e guarde de beijos com gosto de isopor. Um beijo para nós tem muita coisa envolvida: cheiro da respiração, calor das mãos, temperatura da pele… saliva doce, doce mel, mel de uruçu…é bruma leve das paixões que vêm de dentro.(Ah, Alceu Valença, você me arrebenta).

Os nossos arrepios sempre começam pela alma.

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Photo by Andrea Piacquadio from Pexels

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Sou uma mulher apaixonada por tudo o que seja relacionado ao universo da literatura, poesia e psicologia. Escrevo por qualquer motivo: amor, tristeza, entusiasmo, tédio etc. A escrita é minha porta voz mais fiel.