TEM GENTE QUE NÃO SABE AMAR.

O que acontece, todavia, é mais simples do que parece. A resposta é simples, difícil mesmo é nós nos conformarmos com ela.

Josie Conti

Diariamente recebemos uma enxurrada de mensagens, imagens, charges, vídeos, conteúdos infinitos de WhatsApp. Frente a eles, primeiro ficamos chocados. Em paralelo, somos testemunhas das reações de nossos amigos e conhecidos que ficam indignados e, até mesmo desesperados, com o teor do que é transmitido e, quase que imediatamente, replicado.

“Como é possível? Isso é inaceitável! “Ele” não se importa com a vida dos outros?” – estas são apenas algumas das frases que vociferamos ou, no mínimo, pensamos.

Nesse contexto vemos políticos usando doenças para se promoverem, ouvimos chefes de Estado ignorando fatos científicos, ou comprovadamente graves, posto que já foram vivenciados em outras partes do mundo. Ficamos boquiabertos com o negacionismo da Ciência em pleno ano de 2020. Deparamo-nos, ainda, com pessoas que conhecemos e que estão cegas e inacessíveis. Ouvimos saírem de suas bocas argumentos que não foram pensados por elas, apenas repetidos sem qualquer tipo de reflexão. Parece-nos até que essas pessoas, que julgávamos conhecer, se transformaram em réplicas ambulantes de ideias formuladas por mentes mal intencionadas. E ficamos sem entender. Tentamos, mas não entendemos.

O que acontece, todavia, é mais simples do que parece. A resposta é simples, difícil mesmo é nós nos conformarmos com ela.

TEM GENTE QUE NÃO SABE AMAR.

Pessoas que não sabem amar são muito mais comuns do que, à primeira vista, podemos imaginar. Mas elas passam a ser detectáveis quando passamos um tempo maior com elas ou mesmo quando as observamos com olhos um tantinho mais atentos. O fato é que a natureza original de cada um de nós sempre aparece; às vezes demoramos um pouco para perceber, mas ela aparece.

Não sabe amar aquele que é incapaz de se colocar no lugar do outro. Pode ser, inclusive, que a pessoa sequer perceba sua incapacidade. E, é bem provável, em verdade, que caso se desse conta de seu olhar autocentrado, tampouco se importasse com as consequências que seus atos podem acarretar à vida de terceiros.

Não sabe amar aquele que permanece focado apenas em seus próprios interesses, e talvez, até em suas próprias dores, mas que se torna indiferente às necessidades do entorno.

Entretanto, não se enganem. Embora essas pessoas não saibam amar, isso não significa que elas não sejam inteligentes e que, valendo-se do seu intelecto, elas não sejam capazes de mimetizar comportamentos sociais que seriam aqueles que a sociedade espera delas. Uns são mais espertos que outros e interpretam o papel politicamente correto, apenas para caber nas expectativas do outro e, com isso, ganharem sua confiança: fingem ser bons pais, bons cidadãos, bons filhos e filhas.

A verdade, entretanto, é que tudo não passa de uma bem arquitetada encenação. Basta um pouquinho a mais de convivência para percebermos que tudo aquilo que, à princípio parecia de verdade, era apenas mais uma tentativa de se enquadrar socialmente, mais uma aposta em um novo projeto – que, às vezes, somos nós mesmos, os manipulados emocionalmente. Quem não sabe amar reproduz ao longo da vida ciclos infinitos de fracassos, que culminam em uma vida sem valor afetivo e desprovida de humanidade.

Estamos falando de pessoas que, seja por trauma de infância, abandono, carência, abusos, de alguma forma não aprenderam a amar e, por isso, não são capazes de fazê-lo. Ou, em uma situação diametralmente oposta, são pessoas que nunca receberam limites; não sabem o valor de nada; não suportam qualquer tipo de frustração, por terem sido criados em redomas de proteção exagerada, o que também não deixa de ser um tipo de negligência amorosa.

Costumam ser pessoas com humores e estimas bastante frágeis, uma vez que foram criadas sem alicerces que permitissem entender realmente seus próprios sentimentos. Quem dirá o sentimento dos outros então?

Essa falta de bases, mais tarde, faz com que esses indivíduos tentem preencher um vazio imenso que carregam dentro de si com outras coisas: poder, dinheiro, conquistas; coisas, enfim. Na falta da inteligência emocional, usam como recurso a objetificação da vida e das relações, para não entrar em contato com o que poderiam vir a sentir.

Pessoas assim também costumam sentir atração por pessoas afetivas e mais estruturadas, em busca daquilo que não são capazes de conquistar. Mas depois, com o passar do tempo, é possível observar que o que parecia ser atração se transforma em inveja e ressentimento. Afinal, não dá para “encostar” no outro e roubar dele a sua humanidade. E aí, essas “almas desalmadas” e vazias, recorrem aos mecanismos primitivos que têm e passam a sentir ódio daqueles que possuem o que eles não são capazes de ter. Isso te lembra alguém?

E sabe o que eles fazem? Eles destroem, sabotam, tratam o outro e seus interesses com palavras pejorativas, retiram do outro o que poderia lhe causar alento. São, literalmente, perversos; mesmo que nem se deem conta disso. Afinal, não há amor, mas ainda assim existe um certo prazer em tirar do outro o que ele ama e valoriza.

Então, na possibilidade de se deparar com esse tipo de pessoas, sejam elas figuras públicas, pais, irmãos, namorados, vizinhos ou colegas de academia, convém conhecê-las melhor, antes de incluí-las em nosso convívio mais próximo. O tempo mostrará quem de fato são, uma vez que seu comportamento é sempre o mesmo, mudam apenas as vítimas.

E é por isso que temos de aprender a reconhecer esse tipo de gente. E compreender que não nos cabe a tarefa de ensiná-las a amar. Isso seria um erro porque, provavelmente, nossa missão não daria em nada. Reconhecer este comportamento abusivo nos dá a noção clara do seu vazio afetivo. Só assim é que conseguiremos nos afastar ou, se o afastamento não for possível, pelo menos nos defender melhor de todo o mal que elas podem nos fazer.

É, pessoal, tem gente que não sabe amar. Essa é a resposta para o caos em que vivemos. É simples, não é? Aceitemos que o estrago feito por pessoas sem capacidade de sentir empatia, muitas vezes nem é pessoal. O difícil ainda é lidar com isso, e sair inteiro.

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Josie Conti
É idealizadora, administradora e responsável editorial do site CONTI outra e de suas redes sociais. Psicóloga com 19 anos de experiência, teve sua trajetória profissional passando por diversas áreas de atuação como educação, clínica (consultório, grupos pré-cirurgia bariátrica e de reeducação alimentar, acompanhamento de pacientes idosos e acamados em projeto da UNIMED), além de recursos humanos e saúde do trabalhador. Teve um programa diário, o CONTI oura, na rádio 94.7 FM de Socorro. Atualmente realiza vídeos, palestras, cursos, entrevistas, e escreve para diversos canais digitais. Sua empresa ainda faz a gestão de sites como A Soma de Todos os Afetos e Psicologias do Brasil. Possui mais de 11 milhões de usuários fidelizados entre seguidores diretos e seguidores dos sites clientes. Também realiza atendimentos psicológicos online.