Tem coisas que a gente não faz por mal. Faz por carência.

Tudo bem. Tem hora em que a gente joga no lixo a autoestima, o orgulho, o amor próprio e se pega ardendo de vergonha. Mas quem nunca?

Tem dia em que a gente não pensa. Tenta de novo sabendo que o fracasso é certo, o tombo é anunciado, a ferida vai doer e a cicatriz vai ficar para sempre.

A gente perde um tempo danado procurando lá fora o que está aqui dentro. Perde o bom senso, o pudor, a lucidez. Depois amarga uma ressaca dolorosa, um mal estar que só vai embora quando quer.

Quem já viveu o inferno de descobrir o que todo mundo sabia não esquece a sensação de ouvir uma alma bem intencionada enunciar “eu avisei!”. E se sentiu pior. Quem nunca?

Já pulei no abismo sabendo que ia me arrebentar lá embaixo. E me arrebentei. Você decerto já sentiu uma solidão tão grande que fez parecer pequeno o imenso engano de embarcar na companhia de quem não devia. Apostou suas fichas em quem só aumentaria sua sensação de desconforto, desalento, estranheza. E acabou tão só quanto antes. Mas quem nunca?

Quem nunca fez tão mal a si mesmo achando que era para o bem? Quem nunca quebrou a própria cara nem partiu o coração de alguém sem querer, só para se sentir menos só por um instante?

É errado, é feio, é ruim. Mas é assim. A gente não faz por mal. Faz por carência. Por mais que a gente aprenda, vai ser assim para sempre. Quem nunca?

Imagem de capa: Natalia Lebedinskaia/shutterstock

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André J. Gomes
Jornalista de formação, publicitário de ofício, professor por desafio e escritor por amor à causa.

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