Seis lições que meus filhos, sobrinhos e alunos podem aprender com a eliminação do Brasil da Copa da Rússia:

Quando não for mais possível, estendam a mão ao vitorioso, ainda que com lágrimas nos olhos e aperto no coração.

1. Comecemos pelo óbvio. Futebol é isso, mesmo: um ganha, outro perde, não há relativizações. Não é proibido vencer sempre, mas as coisas simplesmente não funcionam assim.

2. Qualquer similitude com a vida não é mera coincidência, e é por isso que o esporte educa. Entre tantas outras coisas, ensina que a vitória, como o fracasso, tem um componente chamado aleatório, aquela soma de variáveis que não controlamos. A bola pode ter sido bem chutada, mas precisaria de mais tempo que aqueles 90 minutos para entrar no nosso gol. Não deu. Não foi dessa vez.

3. Frustrante? Sim, chegamos a outro ponto. Saibam que viver é frustrar-se várias vezes, continuar acreditando, realizar-se em seguida e topar com outra frustração mais adiante. Fraco se torna quem não sabe acolher esse sentimento. Força não é só disposição para o combate, mas flexibilidade e resiliência diante da derrota. Sucesso não é regra, por isso comemoramos quando ele chega.

4. Meus filhos, lutem até o fim. Não se rendam.

5. Quando não for mais possível, estendam a mão ao vitorioso, ainda que com lágrimas nos olhos e aperto no coração. Ah, perder com elegância é tão bonito quanto ganhar! Perder sem pisar no adversário, como fez o jogador mexicano. Ali, naquele final de jogo, ele não se deu conta de que aquela atitude o fazia perdedor mais uma vez. Ele era derrotado por si mesmo, pela feia deslealdade ao espírito esportivo. Ele não entendeu nada. Meninos, a dignidade é lugar comum que não cai de moda.

6. Por fim, não restrinjam alternativas. Tenham em mente um plano B, C, D…Não deu certo para o Brasil, escolham outra seleção e sigam torcendo. Porque a festa, assim como a luta, sempre pode, deve, tem que continuar.

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Ana Flavia Velloso
Formada em Direito pela Universidade de Brasília, e mestre pela Universidade de Paris I (Panthéon-Sorbonne). Advogada, é professora de Direito Internacional Público no Uniceub-DF. É muito feliz na escolha profissional que fez, mas flerta desde sempre com as letras. Também se aventurou pelo jornalismo quando morava na França.