Que eu ame sem possuir, acompanhe sem invadir e viva sem depender

Que eu ame sem medo, sem reservas, sem posse. Que eu seja companhia, sem invadir espaços que não me cabem. Que eu possa viver sem dependências, sem migalhas, sem mendicância afetiva.

Marcel Camargo

Que eu sinta, que eu sinta muito. Que eu seja sentimentos e que eles ultrapassem limites, alcançando as pessoas, os ambientes, a vida em si. Que eu possa transmitir intensidade e clareza, no afeto ou desafeto, para que não me machuque, nem machuque ninguém em meu caminhar.

Que eu seja energia, que eu seja energia boa, positiva, vibrante, e que o exemplo de meus passos aliviem a dor alheia, para que eu possa trazer luz a quem precise e para que eu possa absorvê-la quando eu necessitar. Para que eu ajude na cura do outro, na minha, que eu salve e me salve.

Que as vibrações de amor acompanhem minha jornada, meus compartilhamentos, meus acolhimentos e minhas ações, a fim de que nenhuma tempestade que eu provoque atinja quem não tem nada a ver com minha escuridão. Que eu jamais traga para as minhas quedas quem não escolheu as sementes que eu mesmo plantei.

Que eu ame, ame muito, ame sem medo, sem reservas, sem posse. Que a liberdade em mim traga para o meu convívio somente quem queira realmente ali estar, ali viver, ali morar. Que eu resida no outro, com verdade, e seja guarida, amparo, reciprocidade, para que ninguém perca tempo ou gaste sentimentos inutilmente ao meu lado.

Que eu seja companhia, que eu seja companheiro sem invadir espaços que não me cabem, sem intromissões naquilo que não me diz respeito, sem julgar aquilo que não faz parte de minha história, aquilo que não vivo de dentro. Que eu dê as mãos com firmeza e segure a barra junto, com cumplicidade, com presença, de corpo, alma, sentimento.

Que eu possa viver sem dependências, sem migalhas, sem mendicância afetiva. Que eu me baste antes de me relacionar, que eu seja inteiro antes de me entregar, que eu seja verdade antes de oferecer minha essência, minha frequência, minha alma, para que eu não me sufoque sob o peso de cobranças merecidas, para que eu não me perca em meio a vazios que deixei para trás.

Que o mal não fique em mim, passe reto, passe longe, longe dos olhos, longe do coração. Que eu seja paz, calmaria, tranquilidade, para que não transborde meus próprios fantasmas sobre ninguém, para que eu não desconte minha raiva no outro, tampouco desequilibre a harmonia lá de fora. Que haja também harmonia aqui dentro de mim e que as nuvens não pairem por tempo demais sobre os meus jardins.

Que eu tenha fé, que eu tenha uma esperança inequívoca e inabalável em meu coração, para que eu possa atravessar os precipícios, os abismos, as noites sem fim, os dias traiçoeiros e as dores, com resiliência, com esperança no amanhã, no porvir, na claridade das próximas estações. Que eu não deixe de acreditar no melhor das pessoas e que eu sempre esteja convicto do melhor que houver em mim.

Que eu me perca e me encontre e volte, que eu retorne mais forte, mais leve, mais gente de verdade. Que eu chore sem medo, sem reticências, para que me esvazie da dor e me preencha novamente de busca, de vontade, para esperançar, percebendo tudo o que ainda existe por aí me esperando, vindo ao meu encontro. Encontros mágicos!

Que seja assim, para mim e para você também.

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Photo by Eneida Nieves from Pexels

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Marcel Camargo
"Escrever é como compartilhar olhares, tão vital quanto respirar".É colunista da CONTI outra desde outubro de 2015.