Profecia Autorrealizadora: quando você mesmo produz todas as desgraças que espera

Há alguns minutos abri meu editor de textos para me aprofundar em uma frase que escrevi semanas atrás e, ao começar a digitar, resolvi mudar o alvo. Conversaríamos sobre a noção de que a forma como enxergamos o outro diz muito a nosso respeito, porém, saltou-me aos olhos a necessidade de falarmos sobre as “benditas” profecias autorrealizadoras e a forma como elas interferem em praticamente tudo que acontece em nossas vidas.

Sabe aquele relacionamento que no fundo você tinha certeza que daria errado e deu? Aquela vez em que você poderia jurar que seria traído e de fato foi? E o emprego do qual tinha certeza que seria demitido e, por final, acabou sendo? Poderíamos fazer uma enorme lista das milhares de previsões que você magicamente realizou acerca da sua vida até o dia de hoje. Trago uma notícia: você não previu o futuro, simplesmente fez com que todas essas coisas acontecessem.

Na psicologia há um nome para o fenômeno supracitado: profecia autorrealizadora. O nome é de certa forma autoexplicativo: eu imagino que algo irá ocorrer e, sem perceber, me comporto de forma a concretizar minhas expectativas. Isso mesmo, você destruiu grande parte da sua vida e é importante saber disso.
Vamos a alguns exemplos para que tudo fique mais claro?

Lembra da traição ou término do relacionamento ao qual nos referimos há pouco? Então. Muito provavelmente, após ter essa certeza surgido de algum lugar e adentrado sua cabeça, você se tornou um namorado insuportável. Parou de deixar sua namorada respirar. Começou a fiscalizá-la. Questionava a todo momento. Somente a sensação de estar sendo traído já te deixava desconfortável e, sem que notasse, não mais conseguia gostar dela e trata-la bem como há algum tempo. Resultado: ela não suportou e, por isso, optou por terminar o relacionamento (de repente até conheceu alguém legal nesse meio tempo).

Com o emprego pode ter sido parecido. Na certeza de que seria demitido passou a trabalhar tenso e ansioso, tendo uma queda na produtividade e um aumento na taxa de erros. Suspeitava que algum dos seus colegas estivesse de alguma forma te sabotando por ter inveja de você e, do dia para a noite, não conseguia mais confiar em ninguém que estava ali: você não era mais o mesmo. Rendendo pouco e interagindo mal com os demais colaboradores, tornou-se um peso à empresa.

Assustado? Se acalme, reconhecer um problema que está ao seu alcance corrigir costuma ser bastante importante!

Fiscalize-se. Verifique se, sem querer querendo, não está se comportando de forma a levar seu destino justamente para onde suas previsões mais pessimistas apontam. Pergunte a si mesmo: “o que estou fazendo hoje torna mais ou menos provável que “tal coisa” ocorra? ”. Corrija o percurso enquanto houver tempo. No final de tudo você perderá seu poder de prever o futuro, porém, deixará de, dia a dia, desgraçar sua vida.

Imagem de capa:Photographee.eu/shutterstock

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Diego Caroli Orcajo
Desde muito cedo interessado por todas aquelas histórias que mais ninguém desejava ouvir, sempre soube que todos poderiam ir muito mais longe do que acreditavam ser possível. Atua como Psicólogo Clínico na cidade de Águas de Lindóia, interior de São Paulo. Para mais informações e agendamentos entre em contato pelo email: [email protected]