Polícia recupera último vídeo de corretora antes de ser atacada por síndico: “Filme de terror”

A Polícia Civil de Goiás divulgou nesta quinta-feira (19) uma gravação que, segundo os investigadores, registra os instantes finais de Daiane Alves Souza, de 43 anos, antes de ser rendida no subsolo do prédio onde morava, em Caldas Novas (GO).

Daiane ficou mais de 40 dias desaparecida, até que o corpo foi localizado em uma área de mata na região.

O suspeito é o síndico do condomínio, Cléber Rosa de Oliveira, preso e que confessou o assassinato após a detenção.

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A defesa dele afirmou, em nota, que ainda não teve acesso completo aos documentos adicionados recentemente ao inquérito — especialmente ao relatório final — e que só irá se manifestar depois de analisar todo o material.

A investigação também chegou a prender Maicon Douglas de Oliveira, filho do síndico, por suspeita de auxiliar na ocultação de provas.

No entanto, a polícia informou que descartou a participação dele no crime e que ele deve ser solto. A reportagem procurou a defesa de Maicon, mas não obteve retorno até a última atualização.

O vídeo recuperado pela polícia foi gravado pela própria Daiane no dia em que ela desceu ao subsolo para checar uma queda de energia.

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Ela chegou a registrar outras imagens e enviou parte do que estava acontecendo a uma amiga, mas a gravação que mostra a abordagem do síndico não foi compartilhada naquele momento — e, por isso, não tinha circulado.

De acordo com os investigadores, o arquivo só foi obtido depois que o celular da vítima foi encontrado dentro de uma caixa de esgoto do prédio.

O aparelho foi localizado em 30 de janeiro, durante perícia no condomínio, e o próprio síndico — já preso — teria apontado onde estava. A polícia afirma que o telefone permaneceu no local por 41 dias.

Na reconstrução feita a partir do material, Daiane aparece chegando ao subsolo e caminhando até os quadros de luz.

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Em seguida, Cléber surge na gravação com luvas, aguardando a chegada dela. Para a polícia, o comportamento indica que ele já estava no local com a intenção de atacá-la.

“Ele estava com luvas nas duas mãos e com a capota da caminhonete aberta. Ele posicionou o carro mais próximo ao local onde pretendia render a Daiane”, afirmou o delegado João Paulo Mendes.

Outro ponto ressaltado pela equipe é que os disparos não teriam ocorrido dentro do prédio: a perícia concluiu que tiros ali seriam percebidos na recepção, segundo o delegado André Luiz Barbosa.

A Polícia Científica informou que a arma usada seria uma pistola .380 semiautomática. Os peritos também apontaram que Daiane morreu após ser atingida na cabeça, com indícios de que a execução aconteceu fora do condomínio.

Daiane, natural de Uberlândia (MG), vivia havia cerca de dois anos em Caldas Novas e cuidava das locações de imóveis da família.

Na noite de 17 de dezembro de 2025, um dos apartamentos ficou sem energia e ela desceu para entender o que havia causado o problema. Antes de ir ao subsolo, ainda enviou a uma amiga um vídeo dentro do elevador, já comentando o transtorno.

Segundo familiares, a hipótese de desaparecimento voluntário sempre foi tratada como improvável, porque ela saiu com roupas comuns, deixou objetos pessoais no apartamento e a porta aberta.

A partir dessas informações e das câmeras do prédio, a polícia passou semanas tentando reconstituir o trajeto da vítima, até chegar às prisões em 28 de janeiro.

Cléber e o filho foram detidos no próprio condomínio. Na ocasião, o síndico confessou e indicou onde teria deixado o corpo, em uma área de mata a cerca de 15 km de Caldas Novas.

Mesmo assim, ele não havia detalhado como a corretora foi morta, o que levou a polícia a intensificar perícias no subsolo, no veículo do suspeito e no ponto onde o carro da vítima foi localizado.

Para os investigadores, a recuperação do “último vídeo” foi decisiva para fechar a dinâmica do caso e sustentar a tese de emboscada. “Foi aí que conseguimos comprovar que o crime foi premeditado e cometido mediante emboscada”, afirmou o delegado João Paulo.

A polícia também aponta que havia um histórico de conflitos entre síndico e vítima, com discussões que chegaram à Justiça.

O motivo central, segundo a investigação, seria a administração de seis apartamentos da família de Daiane: a função teria sido exercida anteriormente por Cléber e, depois, repassada a ela, o que teria provocado atritos e acusações de perseguição.

No total, são citados 12 processos envolvendo os dois. Ainda durante o período em que Daiane estava desaparecida, o Ministério Público de Goiás denunciou o síndico por perseguição.

A apuração indica que ele teria usado a posição no condomínio para dificultar a rotina da corretora, inclusive com vigilância por câmeras e situações de constrangimento.

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Gabriel Pietro tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 12 mil textos assinados até aqui.