Um olhar sobre a velhice

Um olhar sobre a velhice

Durante muitos anos o atendimento mais comum para o idoso foi o asilo, um recurso reconhecido pela necessidade de abrigo e proteção por abandono ou inexistência do grupo familiar.

A partir dos anos 70, com a aceleração do processo de envelhecimento no país, vão sendo criados recursos para atender às necessidades e anseios manifestados pelo número crescente de idosos.

Tanto os recursos institucionais, como os comunitários se dirigem à integração do idoso na sociedade. A partir do momento em que o idoso fica dentro de casa, ele perde a iniciativa, a capacidade de fazer novas relações, a criatividade desaparece e eles passam a produzir várias doenças físicas e psicológicas.

Para atender esta crescente população idosa, com a promoção da saúde, surgiram aos poucos programas e atividade física e serviços para a terceira idade. Estes grupos têm origem na comunidade e proporciona a ressocialização e o exercício da mobilidade, com opções para que os idosos se sintam independentes e tome suas iniciativas próprias. Abordar-se-á a atividade física no capítulo III.

A família sofreu transformações do ponto de vista sócio-econômico, mas ainda se constitui em um núcleo de apoio e atende às funções de socialização, cuidado, proteção e ajuda econômica para com os idosos.

Quando a idade avança, as condições do idoso o submetem à fragilização e atingido este quadro, os membros da família devem estimular sua independência, valorizando a capacidade física e intelectual que ele ainda possui.

Até meados do século XX, os psicólogos deram pouca ou nenhuma atenção ao desenvolvimento do adulto na segunda metade da vida.
Grande parte dos estudos da psicologia se concentrava na juventude, baseados na ideia de Sigmund Freud de que a personalidade se forma na infância e permanece relativamente idêntica durante a idade adulta.

Carl G. Jung lançou os alicerces de uma psicologia analítica voltada para a idade adulta ao defender a ideia de individuação, processo que se dá ao longo de toda a vida – e pelo qual nos tornamos os seres humanos completos que estamos destinados a ser. Pois, dizia ele, que nenhum de nós vem ao mundo por acaso, tendo a vida um uma finalidade única.

Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre, mas sim como resultado de eventos ao longo da história de cada um, destacamos estas Teorias Biológicas do Envelhecimento. ( HAYFLICK, 1994:225. )

-Alteração na aparência e nas capacidades das pessoas que envelhecem

1-A pele frequentemente torna-se enrugada, seca e seborréica e aparece ceratose actinica;
2-O cabelo torna-se grisalho e mais fino; a calvície acentua-se;
3-A deterioração dos dentes provoca sua queda;
4-A altura e o peso tendem a diminuir;
5-As cavidades toráxicas e abdominal aumentam;
6-As orelhas alongam-se e o nariz alarga-se;
7-As células adiposas invadem a musculatura e a força
muscular diminui;
8-A postura e altura são afetadas por alterações músculo-esqueléticas;
9-A densidade óssea diminui, influenciada por sexo e raça;
10-Há alteração na absorção, distribuição, excreção e na cinética de ligação de drogas
11-Há perda de células insubstituíveis, principalmente no cérebro, coração e músculos;
12-A musculatura esfriada diminui aproximadamente pela metade aos 80 anos;
13-Há declínio de neurotransmissores como dopamina, noradrelina, serotonina, hidroxilase e acetilcolina; aumento de monoaminoxidase (MAO).

– Alterações na personalidade do idoso

1-Redução da capacidade de controle dos afetos;
2-Irritabilidade;
3-Depressão;
4-Desconfiança;
5-Susceptibilidade;
6-Autoritarismo;
7-Rigidez;
8-Apego ao passado, tendência a idealizá-lo;
9-Misoneísmo (aversão ao novo);
10-Propensão ao isolamento;
11-Misantropia (aversão à sociedade, a outras pessoas e à convivência);
12-Preocupação excessiva com a propriedade e a segurança;
13-Dificuldade de adaptação a situações novas;
14-Conflito habitual com as gerações jovens;
15-Consciência de dificuldades aumentadas na aquisição de conhecimentos;
16-Redução dos interesses;
17-Tendência a ocupar-se repetidamente dos mesmos temas;
18-Recusa em aceitar o envelhecimento e em reduzir seu estilo de vida e suas possibilidades.

Ao considerarmos que o envelhecimento não ocorre baseado em um plano-mestre mas sim como resultado de eventos ao longo da história de cada um, destacamos estas Teorias Biológicas do Envelhecimento. ( HAYFLICK, 1994:225. )

1-Teoria da Exaustão – o corpo contém uma quantidade fixa de energia que é gradualmente dissipada, desenrolada como uma corda de relógio.
2-Teoria da Acumulação – o material deletério que se acumula dentro das células acaba por matá-las com o correr do tempo (ex: lipofuccina ou corpos de hirano). Desenvolve-se tardiamente na vida.
3-Teoria da Programação Biológica – as células são geneticamente programadas para viver por um período específico de tempo, morrendo inevitavelmente após o término desse tempo.
4-Teoria do Erro – com a senescência, alterações ocorrem na estrutura da molécula do DNA (ácido desoxirribonucléico). Quando os erros são transmitidos para o RNA (ácido ribonucléico) mensageiro há um grande desenvolvimento de enzimas de defesa que levam, finalmente, à morte da célula e do organismo.
5-Teoria da Eversão (ligação cruzada) – há uma mudança nas ligações que unem as cadeias de polipeptídeos do colágeno, assim tornando-o menos permeável e elástico e, portanto, menos capaz de manter a vida normal.
6-Teoria Imunológica – com o tempo, há uma redução nos mecanismos protetores do sistema imune, que podem se tornar autoagressivos, levando à destruição dos tecidos corporais.
7-Teoria do “Relógio do Envelhecimento” – diz-se que este “relógio” reside no hipotálamo. O hipotálamo é fundamental para uma variedade de funções endócrinas e cerebrais e a perda de células neste local tem um papel particularmente importante no declínio dos mecanismos homeostáticos com a idade.
8-Teoria dos Radicais Livres – os radicais livres podem causar danos ao DNA. A ligação cruzada do colágeno e o acúmulo de pigmentos da idade são causados por radicais livres (moléculas com elétrons ímpares que existem normalmente no corpo, bem como produzidos por radiação ionizante, ozônio e toxinas químicas.

Recentemente, o cientista Giusepe Attardi do Instituto de Tecnologia da Califórnia e outros pesquisadores na Itália, em artigo na Science, informam ter encontrado um tipo de mutação genética relacionado com o envelhecimento em geral. Esta descoberta poderá comprovar que, pelo menos em termos, a velhice é resultado de mutação no DNA, que acreditam possam ser atribuídas à ação dos radicais livres ou a um cansaço do sistema de auto-reparação das próprias células. (23.10.1999:12.Ciência.JB).

É difícil determinar o início do período final da vida, quer sob o ponto vista médico, quer sob o ponto de vista social.

Se para uns a idade da aposentadoria marca o seu começo, para outros ela é arbitrariamente fixado aos 75 anos. Para outros, ainda, o aparecimento dos primeiros sinais de dependência é que evidencia a entrada definitiva neste tempo de declínio.

Dentre os mitos médicos sobre o envelhecimento há o que diz que a velhice começa aos 65 anos de idade. Esta é a ideia que poderia ser chamada de ‘envelhecimento burocrático’. Com a necessidade de estabelecer um limite exato para a concessão de benefícios e aposentadorias, para a estratificação de dados populacionais e outros é que surgiram os números ‘mágicos’ de 60 e 65 anos de idade para limitar as faixas etárias de adultos e idosos. Por que não 61, 63?

Os maiores efeitos do estabelecimento de uma idade delimitadora parece ser a “comodidade burocrática” e a considerável carga psicológica colocada sobre os indivíduos ao serem rotulados de ‘velhos’ ou ‘idosos’, com todas as consequências pessoais, sociais e culturais que advém disso. (JACKBEL NETO 1996:15)

Ao se desvincular da vida pública para mergulhar num mundo particular e privado, o idoso se vê excluído do espaço mais amplo em que se movia até então. Marginalizado, confinado aos estreitos limites para onde a sociedade o expulsa, vai perdendo socialmente uma identidade conhecida para mergulhar numa espécie de limbo.

Agora é um aposentado e deve se retirar para a quietude de seus aposentos, se deixar ver o menos possível e criar à sua volta um silêncio respeitoso seguindo a mesma trilha de todos os outros velhos excluídos. Pode parecer exagerada a afirmação, mas não há qualquer dúvida quanto à realidade: a sociedade rejeita aquele que não mais produz e já não gera riqueza.

É nossa cultura que despreza e agride homens e mulheres envelhecidos, sua memória e conhecimento para aceitar apenas o velho que ainda contribui de alguma forma para o crescimento.
Assim são aceitos políticos, artistas e criadores em geral, porque eles continuam como força atuante e modificadora.

Na velhice, a diminuição do poder aquisitivo, a solidão, a perda de identidade, o não acolhimento da singularidade e da diferença deste tempo de vida, tudo contribui para enfraquecer ainda mais o idoso, já destituído de seus papéis sociais. Na própria família, ele é segregado desde que não seja mais útil e produtivo. Esta violência contra o idoso tem crescido com o pensamento da atualidade, onde só é aceito quem é belo, atraente e rico.

Cada pessoa, ao longo de sua trajetória existencial, vive de modo singular suas mudanças biológicas, psicológicas, intelectuais e espirituais, compondo assim o seu ciclo de vida. E é esta composição que poderá garantir a experiência de envelhecer sem a fragmentação consequente das transformações internas e externas que ocorrem em cada ser, mais acentuadamente, à medida que envelhecem. Durante nossa vida, o corpo vai gradativamente se desgastando, mas a mente tem a capacidade de tornar-se cada dia mais viva e ativa.

O envelhecimento exprime ao mesmo tempo uma ideia de perda e outra de aquisição. Nossa sociedade reserva à juventude o benefício e à velhice o déficit.

Um dos aspectos do envelhecimento, a aquisição, concerne a história de vida do indivíduo, enquanto a perda, – outro elemento que é citado com mais frequência – se refere ao que é mais visível, e surge da dificuldade em discernir o limite entre o envelhecimento normal, o patológico e o patogênico.

O envelhecimento, como processo normal, é a expressão da temporalidade da pessoa, adere à história de sua vida. Envelhecemos como vivemos, nem melhor, nem pior. Trata-se de uma questão de equilíbrio entre aquisição/perda. (JACK DE MESSY,1992:16).

A capacidade do homem de reconhecer a limitação de sua existência e agir em conformidade com essa descoberta pode ser sua maior conquista psicológica. A aceitação da transitoriedade é efetuada pelo ego, que realiza o trabalho emocional que precede, acompanha e segue as separações. Sem esses esforços não se poderia alcançar uma concepção válida do tempo, dos limites e da inconstância das catexias.

Mas a vida, como dizia Rainer Maria Rilke a propósito de Rodin, “está nas pequenas coisas como nas grandes: no que é apenas visível e no que é imenso”. (FERREIRA, 1997 :360.)

A natureza faz lentamente o seu caminho e o corpo vai pouco a pouco se adaptando às limitações inerentes ao tempo vivido. Do velho não se exige a força física e as leis e costumes o dispensam dos encargos que pedem mais vigor. Perdidos os prazeres da boa mesa e do perfeito desempenho sexual, restam possibilidades de substituição por outros prazeres em tempos de urgência e fazeres atropelados.O cuidado com o físico é primordial para a sensação de segurança e bem-estar.

Sendo a vida o solo nutriente da alma, não podemos perder o contato com o contínuo vir-a-ser no estar vivos. Quem fracassar em acompanhar o processo de vida, ficará suspenso, tenso e rígido, olhando para o passado como se fosse a única razão de engajamento. Assim, as pessoas se retiram ou são retiradas do processo vital, fixando-se em recordações com um medo secreto da morte.

Mas a velhice longe de ser passiva e inerte pode ser sempre atarefada e fervilhante, ocupada em atividades relacionadas com o gosto de cada um. Pois a vida não é uma operação passiva e um organismo tem de se abrir e sair em busca daquilo que precisa – tornando a vida um exercício de busca e exploração de todos os possíveis.

Para Alexander Lowen, (1975:50)
“uma pessoa é a soma de suas experiências da vida, cada uma das quais é registrada na sua personalidade e estruturada em seu corpo”.

A leitura do nosso corpo é uma leitura infinita. O registro corporal é, sem dúvida, aquele que fornece as características da pessoa de idade avançada: cabelos brancos, ou calvície, rugas, reflexos menos rápidos, compressão da coluna vertebral, enrijecimento.

E como ninguém existe fora do corpo vivo, é através dele que nos expressamos e nos relacionamos com o mundo à nossa volta. Se somos nosso corpo e nosso corpo somos nós, ele poderá expressar quem somos e dizer de nossa forma de estar no mundo. O corpo é um sistema energético e a energia está envolvida no movimento de todas as coisas, tanto vivas quanto inertes.

Eu nunca quis você pra mim, eu só queria você por perto

Eu nunca quis você pra mim, eu só queria você por perto

Por Léo Luz

Eu nunca quis te prender. Nunca quis você em casa vinte e quatro horas por dia, a salvo das intempéries do mundo e longe de todas as outras pessoas. Eu nunca te quis submissa ou passiva, muito menos te quis dependente de mim. Nunca foi a minha vontade te afastar dos seus estudos, do seu trabalho, dos seus amigos. Eu nunca quis ser uma sombra assustadora sobre a sua liberdade e sobre a sua independência. Apesar de eu querer você na minha vida, eu não quero você só na minha vida. Nunca passou pela minha cabeça competir com as coisas que você gosta, eu só queria ser mais uma delas. Você ia continuar conhecendo pessoas, fazendo suas coisas, suas atividades, porque eu nunca quis você para mim, eu só queria você comigo.

Enquanto eu dizia que queria compartilhar a minha vida com você, você ouvia que eu queria a sua vida para mim. Eu queria alguém para dividir as coisas ruins e somar as coisas boas, e você achava que eu queria te poupar de tudo, tentar tomar conta da sua vida e resolver todos os problemas do mundo. A minha vontade é essa mesmo, e se eu pudesse, eu te pouparia de todos os perigos e sofrimentos do mundo. Mas eu não posso e não faria isso. Se eu fizesse, você deixaria de ser você. Mas é porque temos opiniões diferentes sobre o que é liberdade.

Para você, liberdade é poder fazer o que quiser, sem ter que dar satisfação ou se preocupar com ninguém. Para mim, não. Para mim, liberdade é saber que, mesmo tendo que dar satisfação ou me preocupar, eu posso fazer o que eu quiser. Assim como a coragem não é a ausência de medo, e sim o controle do medo, a liberdade não é não se prender a ninguém e poder fazer o que quiser. Liberdade é ter a coragem e a maturidade de, sim, abrir mão de fazer alguma coisa para ficar em casa vendo um filme, se você quiser. Liberdade não é a obrigação de fazer qualquer coisa, e sim saber que você poderia fazer qualquer coisa, se quisesse.

Eu queria pegar o carro e fugir pra qualquer lugar com você por dois dias, mas você só achava que eu queria te roubar do seu mundo. Eu queria que você passasse trinta horas na minha casa, e você só se preocupava que havia faltado a algum compromisso e que isso te fazia mal. Eu me propus a encontrar um meio termo — mesmo eu não sendo uma pessoa de meios termos, eu estava disposto a fazer isso. Mas você preferiu não correr o risco. Eu prefiro ter alguém para me ajudar a suportar as coisas ruins, você prefere ficar sozinha e não correr o risco de ver seu perfeito e alinhado trem do planejamento sair dos trilhos por alguns segundos. Mesmo sabendo que as vezes em que eu tirei seu trem dos trilhos foram os nossos melhores momentos juntos. Eu prefiro aumentar os trilhos, você prefere me jogar pra fora do trem.

Eu te propus tratarmos a nossa dor no joelho com analgésicos, e sermos felizes nos momentos sem dor e tentarmos superar juntos os momentos de dor. Você preferiu amputar a perna, se livrando de vez da dor, mas abrindo mão também do lado bom. Eu tentava ver o lado bom das nossas brigas — estávamos nos ajustando. Você sempre via o lado ruim da coisas boas, como quando você me dizia que sentiu saudades, que seus sentimentos com relação a mim eram ambíguos ou quando eu percebia nitidamente uma centelha de paixão por mim nos seus olhos. E a centelha estava lá. Mas você fechava a janela pro vento não aumentar as chamas. Nós poderíamos ter sido tudo o que eu dizia que nós seríamos, porque você nunca entendeu o que eu queria e, assim sendo, recusou a minha proposta de o que você pensava que eu queria. Você teve medo de me oferecer algo que eu nunca quis, você se negou a ser o que eu nunca quis que você fosse. Será que um dia você vai entender o que eu queria e me deixar não ser a sua vida, mas somente estar na sua vida.

Por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas

Por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas

por Nathalí Macedo

A solidão é uma droga. Essa primeira frase, sozinha, responderia a pergunta aí em cima. Mas, calma, eu juro que esse texto fará algum sentido, nem que seja te mostrar que pode haver textos sem sentido algum, mas que você lerá até a última linha. Vai entender.

É impossível ser feliz sozinho, já dizia o Vinícius, e quem sou eu para discordar? Nada melhor que um corpo quente em noite fria, um brinde com cerveja gelada em domingo de praia, com bons amigos e um bem-querer ao lado, já que ninguém é de ferro.

Eu só não poderia escrever um texto apenas pra te dizer que a solidão é ruim. Preciso, afinal, aprender a fugir do clichê. Acontece que algumas pessoas simplesmente não conseguem ficar sozinhas nunca. Elas precisam de companhia para fazer as refeições, para ir ao cinema, passar os feriados e até pra fazer o número dois – acredite você ou não.

Essas pessoas se recusam à própria companhia. Querem tanto conhecer outras pessoas e outros mundos, que esquecem de olhar o seu próprio mundo. E aí, adeus autoconhecimento.

Mas desfrutar da própria companhia é igualmente necessário – e maravilhoso. Aquela taça de vinho acompanhada da sua música predileta não necessariamente precisa de um brinde. Se você quer ir ao seu restaurante predileto e ninguém quer ir junto, você não precisa comer miojo ou recorrer ao delivery. Vá consigo mesmo. Parece filosofia barata de um forever alone que passa as noites de sexta escrevendo sobre um assunto qualquer, e pode até ser que sim.

Eu gosto da solidão para coisas rasas ou profundas. Gosto de estar sozinha para pensar sobre o sentido da vida ou simplesmente desmanchar as pontas duplas do meu cabelo. Para escutar minha música predileta a todo volume sem fones de ouvido. Pra falar sozinha, andar pelada pela casa, dançar de um jeito que eu nunca dancei em pista nenhuma, a não ser de pijama em cima da cama.

E é por toda essa liberdade solitária que eu não compreendo pessoas que dependem tanto do outro. Que mal saíram de um relacionamento e já estampam letreiros luminosos de “procura-se”, sem sequer se dar o direito de digerir os próprios sentimentos. Vão se atropelando, se apoiando em quem quer que seja, porque, na verdade, não conseguem se valer sozinhos. É triste ver pessoas que simplesmente não sabem lidar consigo mesmas, não conseguem passar um sábado sequer em casa vendo TV e comendo pipoca – sozinhos. Só de vez em quando, pra se descobrir, se conhecer e, acima de tudo, se amar. Depois, volta-se para os amigos e os amores, naturalmente.

Nascemos sozinhos e assim morreremos, disso ninguém duvida. Construir relações bonitas no decorrer da vida é o que há de mais lindo, mas depender delas é o início de uma catástrofe pessoal.

Era uma vez o amor em sua primeira vez.

Era uma vez o amor em sua primeira vez.

Então é isso. Já vão longe a espera, o frio na barriga, a data agendada. Nós conseguimos! Entre sete bilhões de pessoas no mundo, você e eu nos encontramos. Sabe-se lá por obra do quê, de quem, mas nos achamos. Somos dois e cá estamos, cada um em seu canto e a seu tempo dizendo: enfim, nós.

Mas e depois disso? Vem o quê? O que acontece agora que não há mais segredo, que passou o encontro breve depois da espera longa? Agora que passamos da condição de completos estranhos para a de recém-conhecidos tateando no escuro corredor que leva ao coração do outro? O que vem depois da primeira vez?

Você não sabe, não deve ter percebido, mas no instante ligeiro da nossa garrafa de vinho inicial eu saltei várias vezes para um tempo em que jamais estivemos, mas que desde sempre se fez nosso. Vi nossos futuros encontros, nossas próximas vezes, nossos dias seguintes, nossas noites vindouras.

Enquanto estivemos ali, nos descobrindo, apertados a uma mesa pequena e redonda, afastando nossos medos com as pontas dos dedos, como você queria, meu olhar perdido escorregou para longe, deslizou na enxurrada que corria franca com a chuva lá fora. E foi parando nos buracos, nos vãos e nas curvas do que há de vir.

Vi você e vi a mim mesmo nessas paragens, construindo nosso depois de amanhã, multiplicando nossas lembranças. Porque o amor deve ser isso mesmo, né? Esse escandaloso milagre da multiplicação. Vi encontros e partidas, esperas, chegadas. Vi nossos enganos, nossa saudade, nossa alegria do encontro seguinte, nossa paixão avassaladora, nosso amor se acalmando e se deitando em nosso colo, sob a sombra de uma tristeza sempre à espreita, uma sensação de que a qualquer tempo a festa acaba.

Lá estávamos nós, eu vi, namorando o amor de cada um, juntos, certos de que a vida terá sempre uma manhã de domingo preguiçosa para nossos pés cansados do caminho. Lá estavam a Terra girando azul, a manteiga derretendo amarela no pão. E a vida seguindo em preto, branco e todas as cores.

Então o tempo breve que dura uma primeira garrafa de vinho acabou. Meus olhos voltaram do futuro para a presença dos seus e o nosso início chegou ao fim. Passou a chuva, a noite, o café, o piano esperando na sala.

A mim, a nós, não cabe perguntar o que será depois. Porque a resposta é simples: depois da primeira vez vem a segunda. Depois a terceira, a quarta, a quinta e a sexta, os sábados e os domingos, e todas as outras vezes se sucedendo em fila, como eucaliptos num bosque infinito de expectativas. Como a vida que recomeça sempre, ao final de cada encontro que lhe dá sentido e som e fúria. O resto é o nada, o único caminho que a tudo leva.

Sonata de Outono é uma máxima do cinema

Sonata de Outono é uma máxima do cinema

“É preciso aprender a viver. Eu pratico todo o dia. Meu maior obstáculo é não saber quem sou. Eu tateio cegamente. Se alguém me ama como sou posso finalmente ter a coragem de olhar para mim mesma. Essa possibilidade é pouco viável.” (Sonata de Outono; Bergman, Ingmar; 1978)

Falar sobre o cinema do sueco Ingmar Bergman não é tarefa fácil. Desde o início da sua carreira, o cineasta, que começou a dar os primeiros passos no teatro, buscou incessantemente trabalhar os maiores desígnios do ser humano e suas emoções de forma reflexiva. Nem sempre algo confortável para quem assiste. Sonata de Outono absorve muito disso, caracterizando-se assim, uma verdadeira obra-prima da história do cinema.

A trama simples, discorrida em pouco mais 90 minutos, mostra os efeitos da relação das filhas (Liv Ullman e Lena Nynam) e sua mãe (último papel da icônica Ingrid Bergman). Angústias e mágoas crescentes ao longo dos anos dão o tom nos diálogos fortes e repletos de poesia incomum. O suposto descaso da mãe para com as filhas e o ex-marido, e as consequências dessa ausência durante o tempo em que a mãe decidiu priorizar a carreira de pianista internacional. Encontrar paralelos com a realidade de outras famílias não é mero acaso. Bergman constantemente pautou suas produções baseadas não somente nas próprias vivências, como também na daqueles que o cercam. Períodos históricos fizeram parte do cerne do sueco.

Mas voltando para Sonata de Outono, a produção abraça o sentir agridoce das experiências emocionais das personagens. Essa imersão ora dolorosa ora empática, discute e faz o espectador questionar-se sobre o quanto é guardado dentro do ser para não ferir o outro. É conturbado identificar o momento certo para expor verdades, mas, principalmente, Sonata de Outono desconstrói essa noção de que falar a verdade é a mesma coisa que sinceridade. Essa dualidade distinta permeia toda a trajetória do longa que, além de fazer chorar até o mais frio dos corações, serve ainda como um sopro de autoconhecimento. A quebra das expectativas. A subversão da indiferença. A inviabilidade do desamor.

Bergman dirige cuidadosamente. Ele passeia por planos e abre espaço para as atuações de uma vida. Nyman, Ullman e Ingrid Bergman entregam interpretações tão poderosas e carregadas que é impossível desviar os olhos da tela ou sequer pensar em ter a atenção desviada por qualquer outro gesto e fala que estejam fora do filme. Uma fotografia inebriante. Uma trilha sonora composta de êxito.

É claro que existem na filmografia de Ingmar Bergman diversos trabalhos igualmente importantes e até mesmo comentados, mas em Sonata de Outono a assertividade beira a perfeição. Uma obra-prima do início ao fim.

O que podemos aprender quando estamos na merda

O que podemos aprender quando estamos na merda

por Bruna Grotti

Shit happens. Merdas acontecem. Contingit stercore, em latim. Nas melhores famílias – e nas piores também. A única diferença é a profundidade e a maciez do monte de merda. Uns dias, a gente pisa e mal suja a sola do chinelo. Outros dias, a única coisa que nos resta fazer é abrir os dedos, mais ou menos naquele espírito do clássico “está no inferno, abraça o capeta”. Afundou o pé na merda, abre os dedinhos e deixa ela te possuir.

Pode parecer loucura – e talvez até seja –, mas a merda tem o seu valor. E uma função social pra lá de nobre. Em primeiro lugar, ela é adubo – ou seja, é uma propulsora da fertilidade. E é justamente por isso que não é de se espantar que as melhores ideias geralmente surjam quando estamos na merda. Em segundo lugar, considerando que toda merda nada mais é do que um ex-prisioneiro agora liberto, apesar de fedida, ela é a representação da esperança e da iniciativa. Se ela está descontente dentro de um intestino qualquer, fará barulho até conseguir sair. E é isso que você, cara pálida, deveria fazer toda vez que se sentisse aprisionado – seja por um trabalho sacal ou por um relacionamento sanguessuga.

Mas é que a gente se julga tão superior que tem certeza de que pode controlar a merda. Esteja ela no intestino, esteja na cabeça. Agora é hora de focar no trabalho, depois eu resolvo essa merda. Agora eu quero descansar, depois eu dou um jeito nessa merda. Agora eu tô me divertindo, depois eu penso nessa merda. Mas de nada adianta maturar a merda. Seja dentro do intestino, seja dentro da cabeça, demorar a colocá-la no mundo só vai fazer o processo ainda mais doloroso. Só vai lhe render ou um par de hemorroidas, ou um par de noites mal dormidas. Só vai lhe fazer morrer de constipação ou morrer de desgosto. Só vai fazê-lo sujar as calças na frente da escola inteira e, então, entender que já é tarde demais.

E aí a gente aprende. Quem está na merda invariavelmente aprende. Cedo ou tarde, voluntária ou involuntariamente. A ser mais humilde. A ser mais sincero. A ser mais solidário. A se preocupar mais consigo mesmo. A ser mais comprometido com a própria felicidade. Não há processo de crescimento que não envolva estar na merda, meu amigo. Dar a volta por cima é arte. Estar na merda faz parte.

Nota da autora, que aprendeu essa historinha com uma amiga do trabalho: Era uma vez um passarinho friorento e perdido num pasto no inverno. Eis que uma vaca passa e caga nele. A princípio, ele fica bravo – afinal, está afundado em merda. Mas quando a merda começa a esquentá-lo, ele fica feliz. Tão feliz a ponto de cantar. É quando o gato descobre o passarinho escondido na merda e o come. Morais da história: nem sempre quem caga em você é seu inimigo. Nem sempre quem te tira da merda é seu amigo.

Como encontrar seu propósito de vida

Como encontrar seu propósito de vida

“Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”.

Você provavelmente já pensou, falou ou ouviu alguém dizendo essa frase ou alguma variação dela. Essa exata citação é o título de uma excelente comédia nacional dirigida pelo meu xará Matheus Souza. O filme conta a história de Clara (Clarice Falcão), que está indecisa em relação às suas escolhas. A jovem está cursando a faculdade de Medicina por pressão familiar e não por vocação. Sem contar para ninguém o que está sentindo, ela passa a matar aulas no período da manhã. Durante essas aventuras matutinas, Clara conhece um rapaz que a ajuda a encontrar um norte para sua vida. Quem nunca, né?

A verdade é que a maioria de nós não faz a menor ideia do que está fazendo com a sua vida! Vivemos a maior parte do tempo no piloto automático. Mesmo depois de terminar a escola. Mesmo depois de conseguir um emprego. Mesmo depois de quando começamos a ganhar dinheiro! Seguimos fielmente as convenções sociais sem nos questionarmos o que de fato queremos. Sem nos questionarmos qual o nosso propósito de vida.

Entre meus 18 e 25 anos eu troquei minhas aspirações profissionais mais do que minhas cuecas. E, mesmo depois de tirar alguns projetos do papel, apenas aos 26 — depois de me formar na faculdade, fazer uma pós-graduação, ler uma dezena de livros e conhecer 7 países — que defini claramente o que queria para a minha vida.

Essa é uma luta enfrentada por 99% dos adultos. A escola e a faculdade não nos preparam para a vida. Elas nos preparam para executarmos tarefas. Toda aquela criatividade infantil é suprimida no colégio e trocada por coisas que você tem e não quer necessariamente fazer.

“O que eu quero fazer da minha vida?”, “eu não sei o meu propósito”, “não há nada em que eu seja bom”. Tenho recebido muitos e-mails de pessoas entre 40 e 50 anos que viveram uma vida inteira no modo automático e ainda não sabem seu propósito. Parte do problema é o conceito de “propósito de vida” em si. Essa ideia de que temos dons e cada um de nós nasce com um propósito maior e é nossa missão cósmica ir atrás disso. Bullshit. Esse é o mesmo tipo de balela usado na frase “não aconteceu porque não era pra acontecer”. Não aconteceu por culpa de alguém. Será que foi sua?

A verdade é que nossa vida aqui na Terra é limitada. Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos quantos anos vamos durar. Então, a pergunta que deve ser feita internamente é: Qual o objetivo de tudo o que eu estou fazendo atualmente? Pense em tudo o que importa pra você. De prontidão eu diria que gostaria de passar mais tempo com as pessoas que amo, ter mais flexibilidade e liberdade com o meu trabalho. Ah, e viajar mais. Opa, quem sabe ter a liberdade de levar meu trabalho dentro de uma mochila para qualquer lugar do mundo. Um computador e acesso a internet. É tudo o que preciso. Pronto, quero ser um nômade digital. E foi aí que aos 26 anos eu me toquei do que de fato queria fazer com a minha vida. E nessa jornada teve um livro que mudou a minha vida. Pesquise por “Trabalhe 4 Horas por Semana”, do Tim Ferriss. Mas não se iluda com o título…

Vamos dizer que você está se sentindo desmotivado, inseguro de si mesmo, sem rumo, sem paixões e não tem claro em sua mente qual o seu propósito de vida.

Não há nenhuma razão para você contemplar o significado cósmico de sua vida enquanto está sentado em seu sofá assistindo algo no Netflix e comendo Doritos. Em vez disso, levante a bunda do sofá e tente descobrir o que realmente é importante para você. Uma das perguntas mais comuns que recebo por e-mail é sobre o que as pessoas devem fazer com suas vidas, quais seus “propósitos de vida”. Esta é uma pergunta impossível de eu responder. Eu não tenho ideia. Quem sou eu para dizer o que é certo, errado ou importante para eles? Não sou um guru, não tenho fórmula mágica, sou apenas um cara de 27 anos que escreve sobre coisas que percebe em seu dia a dia. Ou que aprendeu em algum livro. Acredite: você é o único que pode responder essas perguntas. Nesse caminho você pode encontrar facilitadores como escritores, autores de livros, vlogueiros, coaches, mentores ou professores. Esses caras, como eu, podem te ajudar, mas nenhum deles te dará essas respostas — e se alguém te prometer isso estará mentindo. Você é exclusivamente responsável pelo seu destino.

Se eu tenho um conselho? Saia da sua bolha — o termo pensar fora da caixa já está muito batido e clichê.

Quando estamos em nossa bolha, estamos preocupados exclusivamente em não nos sentirmos desconfortáveis. Por isso muitos tem dificuldades com mudanças. É muito mais fácil ficar na zona de conforto. Esse medo de ficar desconfortável nos torna ansiosos com o pensamento de fazer algo que não nos é conhecido. Aí surge o pavor do fracasso. E se eu largar meu emprego, tentar empreender e tudo der errado? Cara, mas e se der certo?

O medo de falhar nos leva para o buraco negro da procrastinação. Ficamos sentados esperando que o mundo — ou que alguma força cósmica — nos dê o que queremos e, quando isso não acontece, ficamos frustrados.

A partir do momento que você conseguir responder aquelas perguntas, perceberá que a vida é um presente. Vai aprender que nosso bem mais valioso é o tempo. Não é o carro do ano, não é um apartamento na beira da praia. E não digo isso de forma generalista. Quando falo em tempo, me refiro ao tempo que você perde fazendo coisas inúteis e sem sentido. Aquele tempo perdido no trânsito durante o deslocamento para o emprego que você detesta. Coisas que não o levarão a lugar nenhum. Nesse processo você também aprenderá o quão é gratificante fazer a vida das pessoas ao seu redor um pouco melhor. E ficará viciado nisso. Escreverá sobre isso, influenciará outras pessoas. Achará, de fato, seu propósito de vida. Aí, champs, tudo fará sentido.

Por um mundo de sentimentos livres

Por um mundo de sentimentos livres

Sentimento é muito diferente de sentimentalidade.

Será que pouco sentimos? Será que sentimos o que vivemos? Será que apenas sobrevivemos na sentimentalidade? Sentimentalidade, de acordo com o dicionário, é “qualidade ou caráter sentimental”, enquanto sentimento é “o ato de ou efeito de sentir. Concepções completamente distintas, mas que nos levam a crer em perspectivas e práticas, muitas vezes, obtusas. Quando deixamos o medo de expor os nossos anseios sob a desculpa corriqueira da verdade e da honestidade, estamos, de alguma forma, nutrindo condições nocivas ao coração. Porque veja bem, dizer a verdade nem sempre implica honestidade. Verdades são construídas a partir dos nossos próprios argumentos e crenças. Carregar honestidade no peito e nos lábios é nada mais do que abraçar o autoconhecimento que é viver. E como deixamos de viver ao confundirmos o caminhar.

O tempo e as experiências adquiridas deveriam pavimentar afeto nos eus, e não obscurecer, dolorosamente, a nossa capacidade de demonstrar os sentires para o próximo. Mas o egoísmo e a arrogância emocional, dia após dia, tomam conta, adoecem e constroem um pouco mais de frieza para os corações que, no passado, plenos e aquecidos viviam. Isso não pode continuar. O querer pela metade não é assertivo, mas inerte. Seguindo dessa forma, perderemos não somente a oportunidade das mais grandiosas carícias, como também entraremos num estado absoluto de falácias e pouco caso das coisas. Sonhar não é tolice. Querer inteiros não é ingenuidade. Praticar o intenso não é burrice.

Inviável é o coração que, sedento, atende por vaidades. Sentimos pouco quando, covardemente, a escolha é do não viver. Vivamos. Sobreviver é uma prisão sem grades. Por mundo de sentimentos livres, por favor.

5 sinais que o útero dá quando algo não vai bem

5 sinais que o útero dá quando algo não vai bem

Por Stael F. Pedrosa Metzger

O útero é composto de duas partes principais:

A parte saliente, superior, chamada corpo do útero. A parte estreita, mais baixa, chamada colo ou cérvice.

As paredes do útero contêm três camadas: O recobrimento interno, chamado endométrio. A camada muscular média, chamada miométrio. A camada externa serosa, chamada peritônio.

Este órgão fica muito bem escondido, então qualquer problema que surge não é facilmente detectável. Temos que estar atentas aos sinais que ele dá quando algo não vai bem. Visitar o ginecologista pelo menos uma vez por ano e fazer os exames preventivos é importante para a saúde de toda mulher.

Caso sinta algum tipo de desconforto, procure o médico. Não espere muito, pois todos os problemas são mais bem tratados no começo. Fique atenta, observe sempre a roupa íntima, dores ou secreções estranhas, são sinais de que algo não vai bem. Os sinais principais de problemas são:

1. Dor

A dor das cólicas até certo ponto é normal, pois são devidas às contrações uterinas para expulsar o sangue menstrual. Dores fora do período menstrual ou cólicas muito intensas que provocam vômito e prostração é motivo para procurar um médico. Pode ser endometriose (crescimento ou migração de tecido uterino para fora do útero), miomas ou câncer.

Dor (ou ardência) durante a relação sexual também deve ser investigada. Pode significar infecções genitais, endometriose ou doenças sexualmente transmissíveis.

2. Secreções

Ter corrimento vaginal é normal, principalmente para as mulheres em idade fértil. Durante a ovulação há a liberação do muco cervical. Este é límpido, transparente e gelatinoso. Geralmente as secreções normais são assim: límpidas, transparentes e incolores. Só será motivo de preocupação se houver cheiro forte, mudança na consistência e na cor, com rajas de sangue e se forem acompanhadas de dor ou febre, que pode denunciar algum tipo de inflamação cervical. Mulheres na menopausa diminuem as secreções vaginais e crianças antes da primeira ovulação não as têm.

3. Hemorragia ou amenorreia

Se o fluxo menstrual aumentar muito ou diminuir a ponto de não menstruar, é um importante sinal de alerta. Sangramento após a relação sexual pode ser câncer. Procure o ginecologista.

4. Dificuldade para engravidar

Pode ser endometriose, Síndrome dos Ovários Policísticos, disfunções na tireoide ou nas glândulas suprarrenais, DST-Doenças Sexualmente Transmissíveis ou tabagismo. São necessários exames e acompanhamento médico para correto diagnóstico.

5. Hipertrofia uterina

Aumento do volume do útero. O tamanho normal varia para as mulheres que nunca tiveram filhos e as que já têm um filho ou mais. É aceitável entre 40 cm³ como tamanho mínimo e 160 cm³ como tamanho máximo dentro da normalidade. Desconfie de hipertrofia se:

– Aumentar o volume do fluxo menstrual
– Presença de coágulos
– Aumento da frequência urinária
– Retenção da urina
– Prisão de ventre
– Inchaços nas pernas e varizes

O que causa hipertrofia?

Adenomiose. Crescimento de tecido do próprio útero por dentro da parede uterina.
Cistos. Formações benignas que em alguns casos causam dor e atraso da menstruação.
Mioma. É o tumor benigno de maior incidência no sexo feminino. É mais comum em mulheres negras, obesas e as que nunca tiveram filhos. Mulheres que se alimentam com alto índice de proteína animal (carne vermelha) têm duas vezes mais chance de desenvolverem miomas uterinos. Uma alimentação composta de legumes e verduras diminui as chances. Também no grupo de risco estão as diabéticas e as que têm histórico familiar de miomas.
O corpo sabe se expressar quando algo não vai bem. De uma maneira ou outra ele envia sinais. Cabe a nós estarmos atentas. Faça os exames preventivos regularmente e se houver dor, desconforto, mau cheiro ou qualquer outra anormalidade relativa ao seu útero, procure o seu ginecologista.

As montanhas não são grandes, nós é que somos muito pequenos!

As montanhas não são grandes, nós é que somos muito pequenos!

A linha do horizonte nos convida à sensação de infinito, a ilusão do mar sem fim, da grandiosidade e terra que jamais conheceremos. Como visão romântica, é perfeita, talvez a melhor delas.

Mas até a linha do infinito esbarra em um porção de terra em algum momento. As distâncias podem ser imensas, mas alcançáveis e sujeitas à nossa conquista.

Somos pequenos diante de tanta matéria, por isso achamos tudo enorme e fabuloso. Nos assustamos com nossa fragilidade, e inventamos maneiras de nos fortalecer e superar as dificuldades.

Conquistamos montanhas, atravessamos mares, suportamos frio e tempestades, mas ainda não inventamos uma maneira de crescer perante as dificuldades da vida, as que não envolvem pedras nem marés, mas sim aquelas de efeito mais destruidor e poder de fogo mais envolvente e danoso.

Somos pequenos para pedir perdão, menores ainda para perdoar.
Somos mínimos para guardar um passado com lembranças enormes, então passamos a vida expelindo os efeitos desse passado nos outros, queiram eles ou não.

Somos enormes para julgar, monstruosos para condenar, inabaláveis para reconsiderar, inalcançáveis para nos retratar.
E as montanhas que são grandes? Pedras, somente pedras, alheias à nossa vaidade, seguem formando muralhas e desfiladeiros, mas sempre permitindo serem conquistadas.

Ah, se a sensação de fazer as pazes com alguém afastado trouxesse a mesma adrenalina de uma escalada ou da velocidade de um barca rasgando as ondas. Somos pequenos porque não sabemos o que é realmente grande na vida.

A linha do horizonte é realmente gigante, se buscamos as respostas para as questões que nos afligem no final dela.
As montanhas são intransponíveis se as encararmos somente na cara e na coragem.

Mas para tudo há meios e métodos. Até mesmo para as almas raquíticas e mal alimentadas de amor e compreensão.

As montanhas não são tão grandes assim, nós é que somos pequenos demais…

Nem todos que estão do seu lado estão com você

Nem todos que estão do seu lado estão com você

Num mundo de aparências e de segundas intenções, é muito difícil termos a certeza da sinceridade das pessoas ao nosso redor. Muitos procuram manter amizade com quem possa lhes oferecer algo em troca, enquanto outros procuram um parceiro que possa lhes prover economicamente, com conforto material e luxo. Nessa busca pelo glamour, infelizmente se perdem as reais chances de ocorrerem os encontros mágicos que a vida dispõe a todos.

Quem estiver com você vai se lembrar de mandar um bom dia, de vez em quando, importando-se com sua vida sem maldade. Será alguém em quem você confiará, com quem poderá realmente contar, tanto para comemorar as vitórias, quanto para chorar as derrotas.

Quem estiver com você irá saber o momento certo de falar, de se calar, de aconselhar, de opinar, sem que você se sinta ferido ou invadido em sua privacidade. Porque saberemos que ele quererá nada mais do que o nosso bem, sempre, seja nos sorrindo, seja nos alertando com firmeza, trazendo-nos de volta à realidade.

Quem estiver com você enxergará sua presença onde e com quem estiver, e será o mesmo de sempre, em todos os lugares, pois a verdade os unirá cada vez mais. Não se sentirão desconfortáveis, em hipótese alguma, estando sempre à vontade, tanto para se aproximarem, quanto para se afastarem, se necessário. E se respeitarão por isso.

Quem estiver com você entenderá o que está sentindo, ao se aproximar, pois o conhecerá em sua essência, jamais se fazendo de desentendido, para fugir ao compromisso de permanecer ali, nos dias de sol e nas noites demoradas da dor. Ele saberá como agir ao seu lado, de acordo com o que estiver sentindo, pois lerá nas entrelinhas das aparências, porque o conhecerá como gente de verdade.

Quem estiver com você ali ficou e ali permaneceu, mesmo após ter conhecido o seu melhor e o seu pior – isso é amizade incondicional, amor transparente, elo para a vida toda. Ele tolerará as suas falhas e mudanças de humor, pois a compreensão daquilo que você é reforçará, dia a dia, o amor que embasa o encontro entre vocês.

Termos a certeza de que haverá alguém ao nosso lado, com doação sincera e afeto certeiro, fará toda a diferença em nossa jornada. Mesmo que aqueles ao nosso lado se furtem de ali permanecer, quando mais nada pudermos lhes oferecer, quem então estiver conosco nos dará as mãos, mitigando as dores de nossa alma. Desprender-se da ilusão de que os amigos são muitos é o primeiro passo para escolher as pessoas certas e que tornam a vida tão bela de se viver.

Manipulações fotográficas brilhantes de Erik Johansson

Manipulações fotográficas brilhantes de Erik Johansson

O fotógrafo e artista sueco Erik Johansson criou um portfólio de fotografias incomuns usando arquivos de imagens originais e programas de edição, como o Photoshop.

Johansson começou a pintar e desenhar desde cedo, influenciado por sua avó, que era pintora. Ele ganhou sua primeira câmera digital aos 15 anos de idade, quando um mundo inteiramente novo se abriu para ele. Enquanto estudava fotografia, ele adquiriu forte interesse por arte surrealista, e passou a criar cenários fantásticos.

O sueco transforma paisagens naturais autênticas em fotos maravilhosamente genuínas e intrincadas, nas quais fantasia e realidade se interpõem.

Cada imagem é criada a partir de várias partes de outras fotografias. As composições de Johansson distorcem o mundo natural e desafiam as leis da física. Por um lado, seu trabalho é inacreditável; por outro, os retoques fazem parecer que as fotos são reais.

O processo criativo adotado por Johansson não é tão simples. Primeiramente, a imagem é desenhada a partir de uma ideia básica. Em seguida, ele planeja tudo o que é necessário para montar o cenário, e identifica quais são os locais adequados para fotografar. Estes locais formam a estrutura para a foto, o que ele chama de “matérias-primas”. Depois, ele adiciona e organiza os materiais que farão parte do cenário, como modelos de papelão e tintas, que também são fotografados. A parte final é mixar as fotos. Esse processo pode levar semanas ou meses, e funciona, de certa forma, como a montagem de um quebra-cabeça.

As imagens de Johansson são muitíssimo bem produzidas. Veja:

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Que o passado nos sirva de impulso

Que o passado nos sirva de impulso

Chega um tempo em que é preciso sair desse discurso de que a vida nos fez isso ou aquilo. A vida não faz nada além de ser vivida, e quem vive essa vida fazedeira que tanto nos ocupa a boca? Como se fôssemos uma engrenagem no meio do mundo máquina o movimento nem sempre nos permite o próprio rumo, nem sempre nos leva aonde queremos, nem sempre vai pelo caminho que desejamos, nem sempre segue no ritmo que suportamos. Temos o movimento de dentro e o movimento de fora para lidar, temos as imperfeições em nossa matéria bruta e falta de manutenção, e mesmo quando funcionamos direitinhos podemos ser afetados pelas ferrugens e complicações da máquina que opera para além de nós – mas da qual inevitavelmente fazemos parte.

Não é fácil, não é simples, não é justo, mas é o que é. Sabidos das nossas possibilidades de encaixe e movimento, tudo o que podemos fazer e continuar nos movendo, continuar seguindo, continuar funcionando e tentando, sempre que necessário, um esforço a mais para mudar as rotas pelas quais somos obrigados a passar e que nos parecem seguir o caminho errado. Em alguns casos, também seremos levados, por fraqueza ou por leveza, ou ainda por maturidade em assumir que o certo que imaginávamos não era tão certo assim, ou que não era o único certo possível.

Certo ou errado, todo o ato se localiza no presente, e este é imprevisível, o olho do caos, mesmo que pareça calmo, se nos dermos conta de que não há nada nunca garantido – o presente é sempre o lugar do inesperado, do acontecimento, do fazer história do nosso passado. O presente é o lugar de todos os tempos, porque nele carregamos as experiências vividas e as expectativas futuras. O tempo, talvez nem seja tanto essa questão de tempo dividido em fazes – acreditamos nessa linha temporal para não enlouquecer. Mas quantas vezes nos pegamos fora da linha, sem ação no tempo, viajando entre suas dimensões do que já foi e do que não foi nunca, do que pode ser e do que será – ou talvez não? Particularmente nos episódios vulneráveis da nossa experiência, essas viagens no tempo podem ser uma fuga involuntária, um refúgio da alma para não perecer no soco seco do vazio ou nos destroços acidentados do pós-guerra entre as escolhas e os acasos que deram errado.

Sempre haverá quem nos diga para esquecer o passado, a aprender com as experiências e a permanecer no presente. Poderia ser se fosse fácil. Mas não é. Somos história, contada e recontada, esquecida e por vezes lembrada, sendo escrita, desenhada, ideia imatura ainda por fazer. Somos em todos os tempos, e não adianta a luta contra as memórias que nos perturbam ou nos acalentam, contra as projeções que nos distraem ou nos assustam. O que do futuro podemos esperar e no presente podemos construir, do passado podemos apenas aceitar, sim, mas não esquecer, não abandonar: o passado está em tudo o que somos. E essa consciência pode ser a salvação em muitas situações.

Em meio às tempestades tão pesadas que não nos permitem sair do lugar, às vezes tudo o que nos resta são as lembranças. Ter amizade pelas memórias não é deixar de viver e desejar reviver aqueles episódios perdidos, não é lamentar o que passou e ignorar o que passa, mas quando não passa o presente mesmo, já intoxicado de virar passado esquecido ou lamentável, as boas memórias podem nos lembrar do que somos, daquilo pelo qual passamos, do que superamos, dos erros que cometemos, dos bons momentos, da simplicidade de algumas alegrias e da alegria das grandes emoções, dos medos que vencemos, das pessoas que conhecemos… as memórias nos contam histórias sobre nós mesmos e nos apresentam como um estranho que podemos ter o prazer em conhecer. Há também ocasião para nos conhecermos com desconfiança e nem tanto prazer assim – e disso vem o desejo de mudança, por si mesmo, e por mais ninguém, para sentir mais prazer no futuro, quando voltando ao passado, voltar a ser apresentado para si.

As memórias podem ter o potencial para nos apartar as dúvidas do presente, quando pensamos que não vamos conseguir, e nos lembramos que tantas outras vezes já conseguimos. Quando nos dizem que não somos capazes (inclusive aqueles que nem sequer nos conhecem) e lembramos que já fomos capazes outras vezes, e que outras vezes realmente não fomos, mas a simples tentativa serviu para nos fortalecer, e lembramos ainda de outras vozes que nos habitam, que já disseram tanto, disseram que sim, disseram que não, mas como disseram é o que importa, é o que nos marca, e há sempre vozes amigas ou sábias que habitam a memória também, vozes que na época podem não ter feito nenhum sentido, mas que no presente ecoam toda a clareza do mundo. Esclarecem a vida.

Vale a pena preservar o passado e resgatar o passado, em seus bons e maus momentos, para nos lembrarmos de quem somos, do que vivemos, de onde estamos e alguns porquês. Para engendrar outros porquês e não deixar a vida passar morna. Vale a pena resgatar o passado, mesmo que ele pareça não guardar nada de bom – para não repetir os mesmos trajetos e trejeitos. Para levar a vida em vez de deixar que ela nos leve, porque quem sabe por onde passou e onde está, não se perde em qualquer caminho.

Contra a cultura do estupro. Pela cultura do amor!

Contra a cultura do estupro. Pela cultura do amor!

Para pensar, sentir, dizer e repetir por aí:

Eu não aceito que o ódio me domine e escravize.

Eu repudio o estupro, a tortura, o fascismo, o racismo e a exploração.

Eu não tolero violência de qualquer tipo, contra quem quer que seja.

Eu rejeito a indiferença, a picuinha e a maldade gratuita.

Eu me recuso a acreditar que a humanidade não tem jeito.

Eu acredito na gente!

E a gente vai dar um jeito.

O AMOR é o único jeito!

E amor é atitude!

Amor se faz na prática.

Eu pratico gentilezas em todo lugar!

Eu respeito e quero respeito.

Eu digo “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, mesmo quando sei que não vou ouvir resposta.

Eu insisto!

Eu acredito na Educação que começa em casa, se estende na escola, se esparrama nas ruas e invade todos os cantos.

Eu assumo que também erro e encaro a luta de corrigir a mim mesmo primeiro.

Eu me disponho a encarar todo o trabalho que isso vai dar.

Porque eu amo a vida e a vida precisa de gente que ama!

Gente que ama gente.
Gente que ama bicho.
Gente que ama o que faz.
Gente que ama as boas causas.
Gente ama sentir amor.
Gente ama a vida!!!

Chega de velhos hábitos ruins. Chega de medo. Chega de ódio.

Eu tenho mais o que AMAR!

Vamos em frente e vamos juntos!

Sejamos todos pela CULTURA DO AMOR!!!

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