Eu nunca quis você pra mim, eu só queria você por perto

Eu nunca quis você pra mim, eu só queria você por perto

Por Léo Luz

Eu nunca quis te prender. Nunca quis você em casa vinte e quatro horas por dia, a salvo das intempéries do mundo e longe de todas as outras pessoas. Eu nunca te quis submissa ou passiva, muito menos te quis dependente de mim. Nunca foi a minha vontade te afastar dos seus estudos, do seu trabalho, dos seus amigos. Eu nunca quis ser uma sombra assustadora sobre a sua liberdade e sobre a sua independência. Apesar de eu querer você na minha vida, eu não quero você só na minha vida. Nunca passou pela minha cabeça competir com as coisas que você gosta, eu só queria ser mais uma delas. Você ia continuar conhecendo pessoas, fazendo suas coisas, suas atividades, porque eu nunca quis você para mim, eu só queria você comigo.

Enquanto eu dizia que queria compartilhar a minha vida com você, você ouvia que eu queria a sua vida para mim. Eu queria alguém para dividir as coisas ruins e somar as coisas boas, e você achava que eu queria te poupar de tudo, tentar tomar conta da sua vida e resolver todos os problemas do mundo. A minha vontade é essa mesmo, e se eu pudesse, eu te pouparia de todos os perigos e sofrimentos do mundo. Mas eu não posso e não faria isso. Se eu fizesse, você deixaria de ser você. Mas é porque temos opiniões diferentes sobre o que é liberdade.

Para você, liberdade é poder fazer o que quiser, sem ter que dar satisfação ou se preocupar com ninguém. Para mim, não. Para mim, liberdade é saber que, mesmo tendo que dar satisfação ou me preocupar, eu posso fazer o que eu quiser. Assim como a coragem não é a ausência de medo, e sim o controle do medo, a liberdade não é não se prender a ninguém e poder fazer o que quiser. Liberdade é ter a coragem e a maturidade de, sim, abrir mão de fazer alguma coisa para ficar em casa vendo um filme, se você quiser. Liberdade não é a obrigação de fazer qualquer coisa, e sim saber que você poderia fazer qualquer coisa, se quisesse.

Eu queria pegar o carro e fugir pra qualquer lugar com você por dois dias, mas você só achava que eu queria te roubar do seu mundo. Eu queria que você passasse trinta horas na minha casa, e você só se preocupava que havia faltado a algum compromisso e que isso te fazia mal. Eu me propus a encontrar um meio termo — mesmo eu não sendo uma pessoa de meios termos, eu estava disposto a fazer isso. Mas você preferiu não correr o risco. Eu prefiro ter alguém para me ajudar a suportar as coisas ruins, você prefere ficar sozinha e não correr o risco de ver seu perfeito e alinhado trem do planejamento sair dos trilhos por alguns segundos. Mesmo sabendo que as vezes em que eu tirei seu trem dos trilhos foram os nossos melhores momentos juntos. Eu prefiro aumentar os trilhos, você prefere me jogar pra fora do trem.

Eu te propus tratarmos a nossa dor no joelho com analgésicos, e sermos felizes nos momentos sem dor e tentarmos superar juntos os momentos de dor. Você preferiu amputar a perna, se livrando de vez da dor, mas abrindo mão também do lado bom. Eu tentava ver o lado bom das nossas brigas — estávamos nos ajustando. Você sempre via o lado ruim da coisas boas, como quando você me dizia que sentiu saudades, que seus sentimentos com relação a mim eram ambíguos ou quando eu percebia nitidamente uma centelha de paixão por mim nos seus olhos. E a centelha estava lá. Mas você fechava a janela pro vento não aumentar as chamas. Nós poderíamos ter sido tudo o que eu dizia que nós seríamos, porque você nunca entendeu o que eu queria e, assim sendo, recusou a minha proposta de o que você pensava que eu queria. Você teve medo de me oferecer algo que eu nunca quis, você se negou a ser o que eu nunca quis que você fosse. Será que um dia você vai entender o que eu queria e me deixar não ser a sua vida, mas somente estar na sua vida.

Por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas

Por que algumas pessoas não conseguem ficar sozinhas

por Nathalí Macedo

A solidão é uma droga. Essa primeira frase, sozinha, responderia a pergunta aí em cima. Mas, calma, eu juro que esse texto fará algum sentido, nem que seja te mostrar que pode haver textos sem sentido algum, mas que você lerá até a última linha. Vai entender.

É impossível ser feliz sozinho, já dizia o Vinícius, e quem sou eu para discordar? Nada melhor que um corpo quente em noite fria, um brinde com cerveja gelada em domingo de praia, com bons amigos e um bem-querer ao lado, já que ninguém é de ferro.

Eu só não poderia escrever um texto apenas pra te dizer que a solidão é ruim. Preciso, afinal, aprender a fugir do clichê. Acontece que algumas pessoas simplesmente não conseguem ficar sozinhas nunca. Elas precisam de companhia para fazer as refeições, para ir ao cinema, passar os feriados e até pra fazer o número dois – acredite você ou não.

Essas pessoas se recusam à própria companhia. Querem tanto conhecer outras pessoas e outros mundos, que esquecem de olhar o seu próprio mundo. E aí, adeus autoconhecimento.

Mas desfrutar da própria companhia é igualmente necessário – e maravilhoso. Aquela taça de vinho acompanhada da sua música predileta não necessariamente precisa de um brinde. Se você quer ir ao seu restaurante predileto e ninguém quer ir junto, você não precisa comer miojo ou recorrer ao delivery. Vá consigo mesmo. Parece filosofia barata de um forever alone que passa as noites de sexta escrevendo sobre um assunto qualquer, e pode até ser que sim.

Eu gosto da solidão para coisas rasas ou profundas. Gosto de estar sozinha para pensar sobre o sentido da vida ou simplesmente desmanchar as pontas duplas do meu cabelo. Para escutar minha música predileta a todo volume sem fones de ouvido. Pra falar sozinha, andar pelada pela casa, dançar de um jeito que eu nunca dancei em pista nenhuma, a não ser de pijama em cima da cama.

E é por toda essa liberdade solitária que eu não compreendo pessoas que dependem tanto do outro. Que mal saíram de um relacionamento e já estampam letreiros luminosos de “procura-se”, sem sequer se dar o direito de digerir os próprios sentimentos. Vão se atropelando, se apoiando em quem quer que seja, porque, na verdade, não conseguem se valer sozinhos. É triste ver pessoas que simplesmente não sabem lidar consigo mesmas, não conseguem passar um sábado sequer em casa vendo TV e comendo pipoca – sozinhos. Só de vez em quando, pra se descobrir, se conhecer e, acima de tudo, se amar. Depois, volta-se para os amigos e os amores, naturalmente.

Nascemos sozinhos e assim morreremos, disso ninguém duvida. Construir relações bonitas no decorrer da vida é o que há de mais lindo, mas depender delas é o início de uma catástrofe pessoal.

Era uma vez o amor em sua primeira vez.

Era uma vez o amor em sua primeira vez.

Então é isso. Já vão longe a espera, o frio na barriga, a data agendada. Nós conseguimos! Entre sete bilhões de pessoas no mundo, você e eu nos encontramos. Sabe-se lá por obra do quê, de quem, mas nos achamos. Somos dois e cá estamos, cada um em seu canto e a seu tempo dizendo: enfim, nós.

Mas e depois disso? Vem o quê? O que acontece agora que não há mais segredo, que passou o encontro breve depois da espera longa? Agora que passamos da condição de completos estranhos para a de recém-conhecidos tateando no escuro corredor que leva ao coração do outro? O que vem depois da primeira vez?

Você não sabe, não deve ter percebido, mas no instante ligeiro da nossa garrafa de vinho inicial eu saltei várias vezes para um tempo em que jamais estivemos, mas que desde sempre se fez nosso. Vi nossos futuros encontros, nossas próximas vezes, nossos dias seguintes, nossas noites vindouras.

Enquanto estivemos ali, nos descobrindo, apertados a uma mesa pequena e redonda, afastando nossos medos com as pontas dos dedos, como você queria, meu olhar perdido escorregou para longe, deslizou na enxurrada que corria franca com a chuva lá fora. E foi parando nos buracos, nos vãos e nas curvas do que há de vir.

Vi você e vi a mim mesmo nessas paragens, construindo nosso depois de amanhã, multiplicando nossas lembranças. Porque o amor deve ser isso mesmo, né? Esse escandaloso milagre da multiplicação. Vi encontros e partidas, esperas, chegadas. Vi nossos enganos, nossa saudade, nossa alegria do encontro seguinte, nossa paixão avassaladora, nosso amor se acalmando e se deitando em nosso colo, sob a sombra de uma tristeza sempre à espreita, uma sensação de que a qualquer tempo a festa acaba.

Lá estávamos nós, eu vi, namorando o amor de cada um, juntos, certos de que a vida terá sempre uma manhã de domingo preguiçosa para nossos pés cansados do caminho. Lá estavam a Terra girando azul, a manteiga derretendo amarela no pão. E a vida seguindo em preto, branco e todas as cores.

Então o tempo breve que dura uma primeira garrafa de vinho acabou. Meus olhos voltaram do futuro para a presença dos seus e o nosso início chegou ao fim. Passou a chuva, a noite, o café, o piano esperando na sala.

A mim, a nós, não cabe perguntar o que será depois. Porque a resposta é simples: depois da primeira vez vem a segunda. Depois a terceira, a quarta, a quinta e a sexta, os sábados e os domingos, e todas as outras vezes se sucedendo em fila, como eucaliptos num bosque infinito de expectativas. Como a vida que recomeça sempre, ao final de cada encontro que lhe dá sentido e som e fúria. O resto é o nada, o único caminho que a tudo leva.

Sonata de Outono é uma máxima do cinema

Sonata de Outono é uma máxima do cinema

“É preciso aprender a viver. Eu pratico todo o dia. Meu maior obstáculo é não saber quem sou. Eu tateio cegamente. Se alguém me ama como sou posso finalmente ter a coragem de olhar para mim mesma. Essa possibilidade é pouco viável.” (Sonata de Outono; Bergman, Ingmar; 1978)

Falar sobre o cinema do sueco Ingmar Bergman não é tarefa fácil. Desde o início da sua carreira, o cineasta, que começou a dar os primeiros passos no teatro, buscou incessantemente trabalhar os maiores desígnios do ser humano e suas emoções de forma reflexiva. Nem sempre algo confortável para quem assiste. Sonata de Outono absorve muito disso, caracterizando-se assim, uma verdadeira obra-prima da história do cinema.

A trama simples, discorrida em pouco mais 90 minutos, mostra os efeitos da relação das filhas (Liv Ullman e Lena Nynam) e sua mãe (último papel da icônica Ingrid Bergman). Angústias e mágoas crescentes ao longo dos anos dão o tom nos diálogos fortes e repletos de poesia incomum. O suposto descaso da mãe para com as filhas e o ex-marido, e as consequências dessa ausência durante o tempo em que a mãe decidiu priorizar a carreira de pianista internacional. Encontrar paralelos com a realidade de outras famílias não é mero acaso. Bergman constantemente pautou suas produções baseadas não somente nas próprias vivências, como também na daqueles que o cercam. Períodos históricos fizeram parte do cerne do sueco.

Mas voltando para Sonata de Outono, a produção abraça o sentir agridoce das experiências emocionais das personagens. Essa imersão ora dolorosa ora empática, discute e faz o espectador questionar-se sobre o quanto é guardado dentro do ser para não ferir o outro. É conturbado identificar o momento certo para expor verdades, mas, principalmente, Sonata de Outono desconstrói essa noção de que falar a verdade é a mesma coisa que sinceridade. Essa dualidade distinta permeia toda a trajetória do longa que, além de fazer chorar até o mais frio dos corações, serve ainda como um sopro de autoconhecimento. A quebra das expectativas. A subversão da indiferença. A inviabilidade do desamor.

Bergman dirige cuidadosamente. Ele passeia por planos e abre espaço para as atuações de uma vida. Nyman, Ullman e Ingrid Bergman entregam interpretações tão poderosas e carregadas que é impossível desviar os olhos da tela ou sequer pensar em ter a atenção desviada por qualquer outro gesto e fala que estejam fora do filme. Uma fotografia inebriante. Uma trilha sonora composta de êxito.

É claro que existem na filmografia de Ingmar Bergman diversos trabalhos igualmente importantes e até mesmo comentados, mas em Sonata de Outono a assertividade beira a perfeição. Uma obra-prima do início ao fim.

14 sinais de abuso verbal

14 sinais de abuso verbal

Abuso verbal ocorre sempre quando um agressor faz observações ofensivas sobre outra pessoa, no caso, a vítima. As formas mais comuns desse tipo de violência são: questionar a capacidade intelectual da pessoa e zombar de sua constituição física e moral. A principal vítima é a mulher.

As palavras são incrivelmente poderosas: elas podem nos levantar ou nos derrubar, acalmar-nos ou ferir-nos. Pessoas se esquecem disso.

O abuso verbal faz parte de praticamente todos os relacionamentos íntimos e sociais. A convivência acarreta em conflitos, os quais são naturais e, até certo ponto, positivos. Mas a convivência também pode acarretar em confrontos, os quais são sempre esmagadores, negativos. O abuso verbal é um subproduto do confronto.

Abusar verbalmente é diferente de repreender. O abuso verbal tem o objetivo de ofender; a repreensão, de corrigir.

É muito fácil identificar sinais de abuso verbal, uma vez que eles afetam claramente os pensamentos, crenças e emoções da vítima. O difícil é controlar as consequências desses sinais, que indicarão os possíveis sintomas e efeitos colaterais.

Em geral, abusadores usam táticas de intimidação para impor sua força e dominação sobre uma vítima. Durante a experiência de agressão verbal, o abusador costuma implantar ideias e suposições na mente da vítima de tal forma que esta chega a duvidar de seus próprios pensamentos, ou até desacreditar de suas percepções.

Gritos, xingamentos, insultos, julgamentos. Algumas manifestações de abuso verbal são óbvias, mas muitas delas são encobertas e, portanto, menos reconhecíveis.

Existem casos em que pessoas até recebem abusos verbais, mas não chegam a sofrer por eles (pelo menos não conscientemente), assim como há situações – a maioria delas – em que pessoas se sentem extremamente tristes e inferiorizadas por conta disso.

Os agressores desejam que a vítima reaja aos seus ataques, pois essa é a maneira mais evidente de saber que a agressão surtiu efeito. Quando a vítima reage a um abuso verbal, está recompensando quem o praticou.

Muitos seguranças de festas e bares, por exemplo, reagem de forma violenta e agridem clientes que praticaram comportamentos inadequados, sejam eles quais forem, porque esses profissionais aproveitam da posição de autoridade para validar suas reprimendas, mesmo quando são injustas. Esses seguranças querem mostrar serviço, havendo ou não necessidade para isso. Situação semelhante ocorre com policiais em resposta agressiva a criminosos e infratores. Na verdade, esse dilema de justiça existe sempre quando o nível de força e/ou influência é determinado por uma hierarquia.

O abuso verbal pode ser tão doloroso quanto o físico e emocional. Todo mundo já sofreu, sofre e com certeza sofrerá por isso, fato que implica na necessidade de proteção contra esse tipo de violência.

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14 sinais de abuso verbal

Em seu livro Como Enfrentar a Violência Verbal, publicado no meio da década de 90, a autora americana Patricia Evans escreve sobre a natureza dos relacionamentos abusivos e esclarece como responder positivamente em casos de crise. Ela diz:

“Desde que este livro foi lançado, há mais de 20 anos, a incidência de violência verbal só cresceu. Por exemplo, uma em cada três adolescentes americanas é vítima de abuso.”

Tendo em vista o frequente e crescente número de ocorrências de abuso verbal, e considerando todas as suas consequências negativas, torna-se importante compreender os sinais que originam tal agressão. Segundo Evans:

“Se você foi vítima de abuso verbal, certamente já escutou de maneira sutil, e de outras nem tão sutis assim, que a sua percepção da realidade e os seus sentimentos estão errados. A vítima de violência verbal vive num mundo que fica cada vez mais confuso. Muitas vezes, ela não tem testemunha nem conta com alguém que entenda sua experiência. Como consequência, você pode duvidar de sua própria experiência e ao mesmo tempo não perceber que está fazendo isso.”

No livro, Evans lista os 14 sinais que acusam um abuso verbal. Esses sinais são descritos sob as perspectivas da vítima e do agressor, papeis que todos já cumpriram ao menos uma vez na vida, e provavelmente ainda cumprirão outras vezes. Os sinais são:

1. Xingamento

Xingar é uma das formas mais evidentes de abuso verbal, praticada pelo agressor para ferir ou prejudicar sua vítima.

2. Ameaça

Ameaças são expressões diretas de abuso verbal. Na base da submissão, o agressor amedronta ou aterroriza a vítima. As ameaças podem ser tão debilitantes quanto a violência física explícita.

3. Ordenação

É uma forma ostensiva de abuso verbal. O agressor costuma tratar sua vítima não como pessoa, mas como serva que existe para satisfazer seus desejos e necessidades. Quando o agressor ordena, é uma indicação de que ele acredita ter direito de interferir no livre-arbítrio da vítima.

4. Julgamento e crítica destrutiva

Aqui, o agressor mostra plena falta de aceitação da vítima. O agressor acredita que pode julgar a vítima melhor do que ela mesma. Comentários disfarçados de críticas construtivas são, muitas vezes, críticas destrutivas. Além de criticar a vítima pessoalmente, o agressor fala mal dela para outras pessoas a fim de denegrir sua imagem e prejudicar sua reputação.

5. Acusação

Acusações consistem de declarações ou réplicas feitas pelo agressor com o intuito de transferir a culpa e a responsabilidade para a vítima.

6. Banalização

É quando o agressor diz, de várias maneiras, que o que a vítima faz ou pensa é ridículo ou insignificante. Agressores verbais tendem a banalizar os hábitos, interesses e hobbies das vítimas, bem como suas realizações.

7. Negação

Um agressor frequentemente vai negar que tenha sido abusivo com a vítima, e provavelmente irá desconsiderar o fato de que seu comportamento foi inaceitável.

8. Esquecimento

Isso inclui negação e manipulação. Convenientemente, o agressor se esquece de incidentes ou promessas que foram importantes para a vítima. Negar pela simples alegação de “esquecer” pode ir além do esquecimento normal, ao ser um ato abusivo.

9. Retenção

A retenção envolve, basicamente, reter-se da intimidade normal e necessária em um relacionamento afetivo. A vítima de abuso verbal pode sentir isso através de um silêncio prolongado, uma falta de vontade de interagir, ou simplesmente tendo a impressão de que não pode compartilhar suas experiências. Quando a vítima está retida, não há relação íntima, e pouca ou nenhuma troca de sentimentos. Assim, ela acaba se sentindo sozinha e chega a perguntar o que fez de errado para irritar a outra pessoa, no caso, seu agressor.

10. Contrariedade

Neste caso, o agressor opõe-se a qualquer pensamento, opinião ou sentimento da vítima. A realidade de um relacionamento é ofuscada quando as percepções das pessoas são sempre opostas. Contrariar de forma recorrente torna qualquer discussão impossível, já que não importa o que o outro diga, a resposta virá em desacordo. Este é um motivo de briga bastante comum.

11. Desconto

Quando o agressor, de forma abusiva, dá pouco valor aos sentimentos e ações da vítima. Caso ela se sinta magoada por isso, pode ficar mais sensível, e até pensar que suas experiências são produtos da imaginação. Qualquer declaração de desconto por parte do agressor acaba subtraindo o ímpeto da vítima de confiar nos seus próprios pensamentos, crenças e percepções.

12. Bloqueio e desvio

São formas de o agressor prevenir, controlar ou mudar o tópico de uma discussão com a vítima. Um exemplo de bloqueio é quando o agressor se recusa a discutir um problema, enquanto desvia o assunto para outro que sirva aos seus próprios interesses. A vítima tenta se defender e explicar a real necessidade da conversa, mas o agressor foge do tema.

13. Piadas disfarçadas

Quando o abuso verbal é disfarçado de uma piada, simplesmente ela não é engraçada, e ainda machuca. Pode ser um comentário depreciativo dito com um sorriso, mas que na verdade é um ataque à competência da vítima, suas habilidades ou valores. Alguns agressores assustam as vítimas e depois riem sarcasticamente, como se fossem hilários, quando na verdade essa tentativa de susto os fez agir como idiotas insensíveis.

14. Raiva abusiva

A raiva é algo com a qual todas as vítimas e agressores estão familiarizados. A inexplicável explosão de cólera de um agressor pode deixar a vítima completamente indefesa, como costuma acontecer nos casos de abuso verbal precedido de violência física.


Muitas pessoas sofrem de abuso verbal e emocional em segredo durante anos, sem entender o que está acontecendo ou por que elas se sentem tão mal. Além disso, elas não percebem quão facilmente essas formas aparentemente leves de abuso podem ser precursoras para a violência física.

Este livro de Patricia Evans ajuda a vítima a entender como reconhecer o abuso, valida a percepção da vítima do que está acontecendo e oferece sugestões sólidas sobre o que fazer para controlar abusos e proteger-se.

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O que podemos aprender quando estamos na merda

O que podemos aprender quando estamos na merda

por Bruna Grotti

Shit happens. Merdas acontecem. Contingit stercore, em latim. Nas melhores famílias – e nas piores também. A única diferença é a profundidade e a maciez do monte de merda. Uns dias, a gente pisa e mal suja a sola do chinelo. Outros dias, a única coisa que nos resta fazer é abrir os dedos, mais ou menos naquele espírito do clássico “está no inferno, abraça o capeta”. Afundou o pé na merda, abre os dedinhos e deixa ela te possuir.

Pode parecer loucura – e talvez até seja –, mas a merda tem o seu valor. E uma função social pra lá de nobre. Em primeiro lugar, ela é adubo – ou seja, é uma propulsora da fertilidade. E é justamente por isso que não é de se espantar que as melhores ideias geralmente surjam quando estamos na merda. Em segundo lugar, considerando que toda merda nada mais é do que um ex-prisioneiro agora liberto, apesar de fedida, ela é a representação da esperança e da iniciativa. Se ela está descontente dentro de um intestino qualquer, fará barulho até conseguir sair. E é isso que você, cara pálida, deveria fazer toda vez que se sentisse aprisionado – seja por um trabalho sacal ou por um relacionamento sanguessuga.

Mas é que a gente se julga tão superior que tem certeza de que pode controlar a merda. Esteja ela no intestino, esteja na cabeça. Agora é hora de focar no trabalho, depois eu resolvo essa merda. Agora eu quero descansar, depois eu dou um jeito nessa merda. Agora eu tô me divertindo, depois eu penso nessa merda. Mas de nada adianta maturar a merda. Seja dentro do intestino, seja dentro da cabeça, demorar a colocá-la no mundo só vai fazer o processo ainda mais doloroso. Só vai lhe render ou um par de hemorroidas, ou um par de noites mal dormidas. Só vai lhe fazer morrer de constipação ou morrer de desgosto. Só vai fazê-lo sujar as calças na frente da escola inteira e, então, entender que já é tarde demais.

E aí a gente aprende. Quem está na merda invariavelmente aprende. Cedo ou tarde, voluntária ou involuntariamente. A ser mais humilde. A ser mais sincero. A ser mais solidário. A se preocupar mais consigo mesmo. A ser mais comprometido com a própria felicidade. Não há processo de crescimento que não envolva estar na merda, meu amigo. Dar a volta por cima é arte. Estar na merda faz parte.

Nota da autora, que aprendeu essa historinha com uma amiga do trabalho: Era uma vez um passarinho friorento e perdido num pasto no inverno. Eis que uma vaca passa e caga nele. A princípio, ele fica bravo – afinal, está afundado em merda. Mas quando a merda começa a esquentá-lo, ele fica feliz. Tão feliz a ponto de cantar. É quando o gato descobre o passarinho escondido na merda e o come. Morais da história: nem sempre quem caga em você é seu inimigo. Nem sempre quem te tira da merda é seu amigo.

Como encontrar seu propósito de vida

Como encontrar seu propósito de vida

“Eu não faço a menor ideia do que eu tô fazendo com a minha vida”.

Você provavelmente já pensou, falou ou ouviu alguém dizendo essa frase ou alguma variação dela. Essa exata citação é o título de uma excelente comédia nacional dirigida pelo meu xará Matheus Souza. O filme conta a história de Clara (Clarice Falcão), que está indecisa em relação às suas escolhas. A jovem está cursando a faculdade de Medicina por pressão familiar e não por vocação. Sem contar para ninguém o que está sentindo, ela passa a matar aulas no período da manhã. Durante essas aventuras matutinas, Clara conhece um rapaz que a ajuda a encontrar um norte para sua vida. Quem nunca, né?

A verdade é que a maioria de nós não faz a menor ideia do que está fazendo com a sua vida! Vivemos a maior parte do tempo no piloto automático. Mesmo depois de terminar a escola. Mesmo depois de conseguir um emprego. Mesmo depois de quando começamos a ganhar dinheiro! Seguimos fielmente as convenções sociais sem nos questionarmos o que de fato queremos. Sem nos questionarmos qual o nosso propósito de vida.

Entre meus 18 e 25 anos eu troquei minhas aspirações profissionais mais do que minhas cuecas. E, mesmo depois de tirar alguns projetos do papel, apenas aos 26 — depois de me formar na faculdade, fazer uma pós-graduação, ler uma dezena de livros e conhecer 7 países — que defini claramente o que queria para a minha vida.

Essa é uma luta enfrentada por 99% dos adultos. A escola e a faculdade não nos preparam para a vida. Elas nos preparam para executarmos tarefas. Toda aquela criatividade infantil é suprimida no colégio e trocada por coisas que você tem e não quer necessariamente fazer.

“O que eu quero fazer da minha vida?”, “eu não sei o meu propósito”, “não há nada em que eu seja bom”. Tenho recebido muitos e-mails de pessoas entre 40 e 50 anos que viveram uma vida inteira no modo automático e ainda não sabem seu propósito. Parte do problema é o conceito de “propósito de vida” em si. Essa ideia de que temos dons e cada um de nós nasce com um propósito maior e é nossa missão cósmica ir atrás disso. Bullshit. Esse é o mesmo tipo de balela usado na frase “não aconteceu porque não era pra acontecer”. Não aconteceu por culpa de alguém. Será que foi sua?

A verdade é que nossa vida aqui na Terra é limitada. Não sabemos o dia de amanhã, não sabemos quantos anos vamos durar. Então, a pergunta que deve ser feita internamente é: Qual o objetivo de tudo o que eu estou fazendo atualmente? Pense em tudo o que importa pra você. De prontidão eu diria que gostaria de passar mais tempo com as pessoas que amo, ter mais flexibilidade e liberdade com o meu trabalho. Ah, e viajar mais. Opa, quem sabe ter a liberdade de levar meu trabalho dentro de uma mochila para qualquer lugar do mundo. Um computador e acesso a internet. É tudo o que preciso. Pronto, quero ser um nômade digital. E foi aí que aos 26 anos eu me toquei do que de fato queria fazer com a minha vida. E nessa jornada teve um livro que mudou a minha vida. Pesquise por “Trabalhe 4 Horas por Semana”, do Tim Ferriss. Mas não se iluda com o título…

Vamos dizer que você está se sentindo desmotivado, inseguro de si mesmo, sem rumo, sem paixões e não tem claro em sua mente qual o seu propósito de vida.

Não há nenhuma razão para você contemplar o significado cósmico de sua vida enquanto está sentado em seu sofá assistindo algo no Netflix e comendo Doritos. Em vez disso, levante a bunda do sofá e tente descobrir o que realmente é importante para você. Uma das perguntas mais comuns que recebo por e-mail é sobre o que as pessoas devem fazer com suas vidas, quais seus “propósitos de vida”. Esta é uma pergunta impossível de eu responder. Eu não tenho ideia. Quem sou eu para dizer o que é certo, errado ou importante para eles? Não sou um guru, não tenho fórmula mágica, sou apenas um cara de 27 anos que escreve sobre coisas que percebe em seu dia a dia. Ou que aprendeu em algum livro. Acredite: você é o único que pode responder essas perguntas. Nesse caminho você pode encontrar facilitadores como escritores, autores de livros, vlogueiros, coaches, mentores ou professores. Esses caras, como eu, podem te ajudar, mas nenhum deles te dará essas respostas — e se alguém te prometer isso estará mentindo. Você é exclusivamente responsável pelo seu destino.

Se eu tenho um conselho? Saia da sua bolha — o termo pensar fora da caixa já está muito batido e clichê.

Quando estamos em nossa bolha, estamos preocupados exclusivamente em não nos sentirmos desconfortáveis. Por isso muitos tem dificuldades com mudanças. É muito mais fácil ficar na zona de conforto. Esse medo de ficar desconfortável nos torna ansiosos com o pensamento de fazer algo que não nos é conhecido. Aí surge o pavor do fracasso. E se eu largar meu emprego, tentar empreender e tudo der errado? Cara, mas e se der certo?

O medo de falhar nos leva para o buraco negro da procrastinação. Ficamos sentados esperando que o mundo — ou que alguma força cósmica — nos dê o que queremos e, quando isso não acontece, ficamos frustrados.

A partir do momento que você conseguir responder aquelas perguntas, perceberá que a vida é um presente. Vai aprender que nosso bem mais valioso é o tempo. Não é o carro do ano, não é um apartamento na beira da praia. E não digo isso de forma generalista. Quando falo em tempo, me refiro ao tempo que você perde fazendo coisas inúteis e sem sentido. Aquele tempo perdido no trânsito durante o deslocamento para o emprego que você detesta. Coisas que não o levarão a lugar nenhum. Nesse processo você também aprenderá o quão é gratificante fazer a vida das pessoas ao seu redor um pouco melhor. E ficará viciado nisso. Escreverá sobre isso, influenciará outras pessoas. Achará, de fato, seu propósito de vida. Aí, champs, tudo fará sentido.

Por um mundo de sentimentos livres

Por um mundo de sentimentos livres

Sentimento é muito diferente de sentimentalidade.

Será que pouco sentimos? Será que sentimos o que vivemos? Será que apenas sobrevivemos na sentimentalidade? Sentimentalidade, de acordo com o dicionário, é “qualidade ou caráter sentimental”, enquanto sentimento é “o ato de ou efeito de sentir. Concepções completamente distintas, mas que nos levam a crer em perspectivas e práticas, muitas vezes, obtusas. Quando deixamos o medo de expor os nossos anseios sob a desculpa corriqueira da verdade e da honestidade, estamos, de alguma forma, nutrindo condições nocivas ao coração. Porque veja bem, dizer a verdade nem sempre implica honestidade. Verdades são construídas a partir dos nossos próprios argumentos e crenças. Carregar honestidade no peito e nos lábios é nada mais do que abraçar o autoconhecimento que é viver. E como deixamos de viver ao confundirmos o caminhar.

O tempo e as experiências adquiridas deveriam pavimentar afeto nos eus, e não obscurecer, dolorosamente, a nossa capacidade de demonstrar os sentires para o próximo. Mas o egoísmo e a arrogância emocional, dia após dia, tomam conta, adoecem e constroem um pouco mais de frieza para os corações que, no passado, plenos e aquecidos viviam. Isso não pode continuar. O querer pela metade não é assertivo, mas inerte. Seguindo dessa forma, perderemos não somente a oportunidade das mais grandiosas carícias, como também entraremos num estado absoluto de falácias e pouco caso das coisas. Sonhar não é tolice. Querer inteiros não é ingenuidade. Praticar o intenso não é burrice.

Inviável é o coração que, sedento, atende por vaidades. Sentimos pouco quando, covardemente, a escolha é do não viver. Vivamos. Sobreviver é uma prisão sem grades. Por mundo de sentimentos livres, por favor.

5 sinais que o útero dá quando algo não vai bem

5 sinais que o útero dá quando algo não vai bem

Por Stael F. Pedrosa Metzger

O útero é composto de duas partes principais:

A parte saliente, superior, chamada corpo do útero. A parte estreita, mais baixa, chamada colo ou cérvice.

As paredes do útero contêm três camadas: O recobrimento interno, chamado endométrio. A camada muscular média, chamada miométrio. A camada externa serosa, chamada peritônio.

Este órgão fica muito bem escondido, então qualquer problema que surge não é facilmente detectável. Temos que estar atentas aos sinais que ele dá quando algo não vai bem. Visitar o ginecologista pelo menos uma vez por ano e fazer os exames preventivos é importante para a saúde de toda mulher.

Caso sinta algum tipo de desconforto, procure o médico. Não espere muito, pois todos os problemas são mais bem tratados no começo. Fique atenta, observe sempre a roupa íntima, dores ou secreções estranhas, são sinais de que algo não vai bem. Os sinais principais de problemas são:

1. Dor

A dor das cólicas até certo ponto é normal, pois são devidas às contrações uterinas para expulsar o sangue menstrual. Dores fora do período menstrual ou cólicas muito intensas que provocam vômito e prostração é motivo para procurar um médico. Pode ser endometriose (crescimento ou migração de tecido uterino para fora do útero), miomas ou câncer.

Dor (ou ardência) durante a relação sexual também deve ser investigada. Pode significar infecções genitais, endometriose ou doenças sexualmente transmissíveis.

2. Secreções

Ter corrimento vaginal é normal, principalmente para as mulheres em idade fértil. Durante a ovulação há a liberação do muco cervical. Este é límpido, transparente e gelatinoso. Geralmente as secreções normais são assim: límpidas, transparentes e incolores. Só será motivo de preocupação se houver cheiro forte, mudança na consistência e na cor, com rajas de sangue e se forem acompanhadas de dor ou febre, que pode denunciar algum tipo de inflamação cervical. Mulheres na menopausa diminuem as secreções vaginais e crianças antes da primeira ovulação não as têm.

3. Hemorragia ou amenorreia

Se o fluxo menstrual aumentar muito ou diminuir a ponto de não menstruar, é um importante sinal de alerta. Sangramento após a relação sexual pode ser câncer. Procure o ginecologista.

4. Dificuldade para engravidar

Pode ser endometriose, Síndrome dos Ovários Policísticos, disfunções na tireoide ou nas glândulas suprarrenais, DST-Doenças Sexualmente Transmissíveis ou tabagismo. São necessários exames e acompanhamento médico para correto diagnóstico.

5. Hipertrofia uterina

Aumento do volume do útero. O tamanho normal varia para as mulheres que nunca tiveram filhos e as que já têm um filho ou mais. É aceitável entre 40 cm³ como tamanho mínimo e 160 cm³ como tamanho máximo dentro da normalidade. Desconfie de hipertrofia se:

– Aumentar o volume do fluxo menstrual
– Presença de coágulos
– Aumento da frequência urinária
– Retenção da urina
– Prisão de ventre
– Inchaços nas pernas e varizes

O que causa hipertrofia?

Adenomiose. Crescimento de tecido do próprio útero por dentro da parede uterina.
Cistos. Formações benignas que em alguns casos causam dor e atraso da menstruação.
Mioma. É o tumor benigno de maior incidência no sexo feminino. É mais comum em mulheres negras, obesas e as que nunca tiveram filhos. Mulheres que se alimentam com alto índice de proteína animal (carne vermelha) têm duas vezes mais chance de desenvolverem miomas uterinos. Uma alimentação composta de legumes e verduras diminui as chances. Também no grupo de risco estão as diabéticas e as que têm histórico familiar de miomas.
O corpo sabe se expressar quando algo não vai bem. De uma maneira ou outra ele envia sinais. Cabe a nós estarmos atentas. Faça os exames preventivos regularmente e se houver dor, desconforto, mau cheiro ou qualquer outra anormalidade relativa ao seu útero, procure o seu ginecologista.

As montanhas não são grandes, nós é que somos muito pequenos!

As montanhas não são grandes, nós é que somos muito pequenos!

A linha do horizonte nos convida à sensação de infinito, a ilusão do mar sem fim, da grandiosidade e terra que jamais conheceremos. Como visão romântica, é perfeita, talvez a melhor delas.

Mas até a linha do infinito esbarra em um porção de terra em algum momento. As distâncias podem ser imensas, mas alcançáveis e sujeitas à nossa conquista.

Somos pequenos diante de tanta matéria, por isso achamos tudo enorme e fabuloso. Nos assustamos com nossa fragilidade, e inventamos maneiras de nos fortalecer e superar as dificuldades.

Conquistamos montanhas, atravessamos mares, suportamos frio e tempestades, mas ainda não inventamos uma maneira de crescer perante as dificuldades da vida, as que não envolvem pedras nem marés, mas sim aquelas de efeito mais destruidor e poder de fogo mais envolvente e danoso.

Somos pequenos para pedir perdão, menores ainda para perdoar.
Somos mínimos para guardar um passado com lembranças enormes, então passamos a vida expelindo os efeitos desse passado nos outros, queiram eles ou não.

Somos enormes para julgar, monstruosos para condenar, inabaláveis para reconsiderar, inalcançáveis para nos retratar.
E as montanhas que são grandes? Pedras, somente pedras, alheias à nossa vaidade, seguem formando muralhas e desfiladeiros, mas sempre permitindo serem conquistadas.

Ah, se a sensação de fazer as pazes com alguém afastado trouxesse a mesma adrenalina de uma escalada ou da velocidade de um barca rasgando as ondas. Somos pequenos porque não sabemos o que é realmente grande na vida.

A linha do horizonte é realmente gigante, se buscamos as respostas para as questões que nos afligem no final dela.
As montanhas são intransponíveis se as encararmos somente na cara e na coragem.

Mas para tudo há meios e métodos. Até mesmo para as almas raquíticas e mal alimentadas de amor e compreensão.

As montanhas não são tão grandes assim, nós é que somos pequenos demais…

Nem todos que estão do seu lado estão com você

Nem todos que estão do seu lado estão com você

Num mundo de aparências e de segundas intenções, é muito difícil termos a certeza da sinceridade das pessoas ao nosso redor. Muitos procuram manter amizade com quem possa lhes oferecer algo em troca, enquanto outros procuram um parceiro que possa lhes prover economicamente, com conforto material e luxo. Nessa busca pelo glamour, infelizmente se perdem as reais chances de ocorrerem os encontros mágicos que a vida dispõe a todos.

Quem estiver com você vai se lembrar de mandar um bom dia, de vez em quando, importando-se com sua vida sem maldade. Será alguém em quem você confiará, com quem poderá realmente contar, tanto para comemorar as vitórias, quanto para chorar as derrotas.

Quem estiver com você irá saber o momento certo de falar, de se calar, de aconselhar, de opinar, sem que você se sinta ferido ou invadido em sua privacidade. Porque saberemos que ele quererá nada mais do que o nosso bem, sempre, seja nos sorrindo, seja nos alertando com firmeza, trazendo-nos de volta à realidade.

Quem estiver com você enxergará sua presença onde e com quem estiver, e será o mesmo de sempre, em todos os lugares, pois a verdade os unirá cada vez mais. Não se sentirão desconfortáveis, em hipótese alguma, estando sempre à vontade, tanto para se aproximarem, quanto para se afastarem, se necessário. E se respeitarão por isso.

Quem estiver com você entenderá o que está sentindo, ao se aproximar, pois o conhecerá em sua essência, jamais se fazendo de desentendido, para fugir ao compromisso de permanecer ali, nos dias de sol e nas noites demoradas da dor. Ele saberá como agir ao seu lado, de acordo com o que estiver sentindo, pois lerá nas entrelinhas das aparências, porque o conhecerá como gente de verdade.

Quem estiver com você ali ficou e ali permaneceu, mesmo após ter conhecido o seu melhor e o seu pior – isso é amizade incondicional, amor transparente, elo para a vida toda. Ele tolerará as suas falhas e mudanças de humor, pois a compreensão daquilo que você é reforçará, dia a dia, o amor que embasa o encontro entre vocês.

Termos a certeza de que haverá alguém ao nosso lado, com doação sincera e afeto certeiro, fará toda a diferença em nossa jornada. Mesmo que aqueles ao nosso lado se furtem de ali permanecer, quando mais nada pudermos lhes oferecer, quem então estiver conosco nos dará as mãos, mitigando as dores de nossa alma. Desprender-se da ilusão de que os amigos são muitos é o primeiro passo para escolher as pessoas certas e que tornam a vida tão bela de se viver.

Manipulações fotográficas brilhantes de Erik Johansson

Manipulações fotográficas brilhantes de Erik Johansson

O fotógrafo e artista sueco Erik Johansson criou um portfólio de fotografias incrivelmente surreais, usando uma combinação de recursos visuais, fotografias originais e edições no Photoshop.

Johansson começou a pintar e desenhar desce muito cedo, influenciado por sua avó, que era pintora. Ele ganhou sua primeira câmera digital com 15 anos de idade, quando um mundo inteiramente novo se abriu em sua vida. Enquanto estudava fotografia, ele adquiriu forte interesse pelo surrealismo e, por meio de manipulações fotográficas, passou a criar cenários vívidos e surreais.

O sueco transforma paisagens naturais autênticas em fotos maravilhosamente genuínas e complexas, nas quais fantasia e realidade se complementam.

Cada imagem é criada a partir de várias partes de outras fotografias, e todas são manipuladas minuciosamente por Johansson em programas de edição e design (como o Photoshop). As composições do fotógrafo distorcem o mundo natural e desafiam as leis da física.

Por um lado, seu trabalho é inacreditável; por outro, os retoques fazem parecer que as fotos são de fato reais.

O processo de criação adotado por Johansson não é tão simples. Primeiramente, a imagem é desenhada a partir de uma ideia básica. Em seguida, ele planeja tudo o que é necessário para montar o cenário, e identifica quais são os locais adequados para fotografar. Estes locais formam a estrutura para a foto, o que ele chama de “matérias-primas”. Depois, ele adiciona e organiza os materiais que farão parte do cenário, tais como modelos de papelão e tintas, que também são fotografados. A parte final é mixar as fotos. Esse processo todo pode levar semanas ou meses, e funciona, mais ou menos, como a montagem de um quebra-cabeça. Segundo o fotógrafo, esse serviço é bastante divertido, embora ardiloso.

As imagens de Johansson são muitíssimo bem manipuladas. Veja:

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*Site de Erik Johansson

Que o passado nos sirva de impulso

Que o passado nos sirva de impulso

Chega um tempo em que é preciso sair desse discurso de que a vida nos fez isso ou aquilo. A vida não faz nada além de ser vivida, e quem vive essa vida fazedeira que tanto nos ocupa a boca? Como se fôssemos uma engrenagem no meio do mundo máquina o movimento nem sempre nos permite o próprio rumo, nem sempre nos leva aonde queremos, nem sempre vai pelo caminho que desejamos, nem sempre segue no ritmo que suportamos. Temos o movimento de dentro e o movimento de fora para lidar, temos as imperfeições em nossa matéria bruta e falta de manutenção, e mesmo quando funcionamos direitinhos podemos ser afetados pelas ferrugens e complicações da máquina que opera para além de nós – mas da qual inevitavelmente fazemos parte.

Não é fácil, não é simples, não é justo, mas é o que é. Sabidos das nossas possibilidades de encaixe e movimento, tudo o que podemos fazer e continuar nos movendo, continuar seguindo, continuar funcionando e tentando, sempre que necessário, um esforço a mais para mudar as rotas pelas quais somos obrigados a passar e que nos parecem seguir o caminho errado. Em alguns casos, também seremos levados, por fraqueza ou por leveza, ou ainda por maturidade em assumir que o certo que imaginávamos não era tão certo assim, ou que não era o único certo possível.

Certo ou errado, todo o ato se localiza no presente, e este é imprevisível, o olho do caos, mesmo que pareça calmo, se nos dermos conta de que não há nada nunca garantido – o presente é sempre o lugar do inesperado, do acontecimento, do fazer história do nosso passado. O presente é o lugar de todos os tempos, porque nele carregamos as experiências vividas e as expectativas futuras. O tempo, talvez nem seja tanto essa questão de tempo dividido em fazes – acreditamos nessa linha temporal para não enlouquecer. Mas quantas vezes nos pegamos fora da linha, sem ação no tempo, viajando entre suas dimensões do que já foi e do que não foi nunca, do que pode ser e do que será – ou talvez não? Particularmente nos episódios vulneráveis da nossa experiência, essas viagens no tempo podem ser uma fuga involuntária, um refúgio da alma para não perecer no soco seco do vazio ou nos destroços acidentados do pós-guerra entre as escolhas e os acasos que deram errado.

Sempre haverá quem nos diga para esquecer o passado, a aprender com as experiências e a permanecer no presente. Poderia ser se fosse fácil. Mas não é. Somos história, contada e recontada, esquecida e por vezes lembrada, sendo escrita, desenhada, ideia imatura ainda por fazer. Somos em todos os tempos, e não adianta a luta contra as memórias que nos perturbam ou nos acalentam, contra as projeções que nos distraem ou nos assustam. O que do futuro podemos esperar e no presente podemos construir, do passado podemos apenas aceitar, sim, mas não esquecer, não abandonar: o passado está em tudo o que somos. E essa consciência pode ser a salvação em muitas situações.

Em meio às tempestades tão pesadas que não nos permitem sair do lugar, às vezes tudo o que nos resta são as lembranças. Ter amizade pelas memórias não é deixar de viver e desejar reviver aqueles episódios perdidos, não é lamentar o que passou e ignorar o que passa, mas quando não passa o presente mesmo, já intoxicado de virar passado esquecido ou lamentável, as boas memórias podem nos lembrar do que somos, daquilo pelo qual passamos, do que superamos, dos erros que cometemos, dos bons momentos, da simplicidade de algumas alegrias e da alegria das grandes emoções, dos medos que vencemos, das pessoas que conhecemos… as memórias nos contam histórias sobre nós mesmos e nos apresentam como um estranho que podemos ter o prazer em conhecer. Há também ocasião para nos conhecermos com desconfiança e nem tanto prazer assim – e disso vem o desejo de mudança, por si mesmo, e por mais ninguém, para sentir mais prazer no futuro, quando voltando ao passado, voltar a ser apresentado para si.

As memórias podem ter o potencial para nos apartar as dúvidas do presente, quando pensamos que não vamos conseguir, e nos lembramos que tantas outras vezes já conseguimos. Quando nos dizem que não somos capazes (inclusive aqueles que nem sequer nos conhecem) e lembramos que já fomos capazes outras vezes, e que outras vezes realmente não fomos, mas a simples tentativa serviu para nos fortalecer, e lembramos ainda de outras vozes que nos habitam, que já disseram tanto, disseram que sim, disseram que não, mas como disseram é o que importa, é o que nos marca, e há sempre vozes amigas ou sábias que habitam a memória também, vozes que na época podem não ter feito nenhum sentido, mas que no presente ecoam toda a clareza do mundo. Esclarecem a vida.

Vale a pena preservar o passado e resgatar o passado, em seus bons e maus momentos, para nos lembrarmos de quem somos, do que vivemos, de onde estamos e alguns porquês. Para engendrar outros porquês e não deixar a vida passar morna. Vale a pena resgatar o passado, mesmo que ele pareça não guardar nada de bom – para não repetir os mesmos trajetos e trejeitos. Para levar a vida em vez de deixar que ela nos leve, porque quem sabe por onde passou e onde está, não se perde em qualquer caminho.

Contra a cultura do estupro. Pela cultura do amor!

Contra a cultura do estupro. Pela cultura do amor!

Para pensar, sentir, dizer e repetir por aí:

Eu não aceito que o ódio me domine e escravize.

Eu repudio o estupro, a tortura, o fascismo, o racismo e a exploração.

Eu não tolero violência de qualquer tipo, contra quem quer que seja.

Eu rejeito a indiferença, a picuinha e a maldade gratuita.

Eu me recuso a acreditar que a humanidade não tem jeito.

Eu acredito na gente!

E a gente vai dar um jeito.

O AMOR é o único jeito!

E amor é atitude!

Amor se faz na prática.

Eu pratico gentilezas em todo lugar!

Eu respeito e quero respeito.

Eu digo “bom dia”, “boa tarde”, “boa noite”, mesmo quando sei que não vou ouvir resposta.

Eu insisto!

Eu acredito na Educação que começa em casa, se estende na escola, se esparrama nas ruas e invade todos os cantos.

Eu assumo que também erro e encaro a luta de corrigir a mim mesmo primeiro.

Eu me disponho a encarar todo o trabalho que isso vai dar.

Porque eu amo a vida e a vida precisa de gente que ama!

Gente que ama gente.
Gente que ama bicho.
Gente que ama o que faz.
Gente que ama as boas causas.
Gente ama sentir amor.
Gente ama a vida!!!

Chega de velhos hábitos ruins. Chega de medo. Chega de ódio.

Eu tenho mais o que AMAR!

Vamos em frente e vamos juntos!

Sejamos todos pela CULTURA DO AMOR!!!

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