Consolar é ouvir sem julgar

Consolar é ouvir sem julgar

Todos precisamos ser consolados em alguns momentos, mas sabemos consolar? Às vezes temos muito internalizadas certas forma de consolar que não são corretas, e hoje analisaremos o que significa, de verdade, a palavra consolar.

Estar presente nos momentos difíceis

Todos passamos por momentos difíceis nos quais sentir-se sozinho não será nada bom. No entanto, olhe ao seu redor! Tem muita gente que se importa com você, você também está disponível para elas? Não apenas devemos querer que as pessoas estejam sempre dispostas a nos ajudar, mas nós também precisamos estar dispostos para qualquer coisa que possa acontecer, a qualquer momento, de forma imprevisível.

contioutra.com - Consolar é ouvir sem julgar

Sejam amigos ou alguém da família, precisamos estar ali para eles, e “estar ali” não significa estar apenas presencialmente. Significa muitas outras coisas:

  • Saber ouvir a outra pessoa, mesmo quando você também tiver problemas. Chegará a sua vez e alguém ouvirá você e o apoiará.
  • Apoiar o que a outra pessoa expõe sem criticar, sem julgar e sem tentar manipular.
  • Ter uma mente aberta frente ao problema que você estiver ouvindo.
  • Se a pessoa está deprimida ou em estado de tristeza muito profunda, sempre que ela precisar esteja ali para ela.
  • Interesse-se pelo seu bem-estar, por saber se você pode solucionar os seus problemas.

Todos gostamos de ser ouvidos, mas ouvidos de verdade. Portanto, se você está disposto a consolar alguém, que seja de verdade, ouça-o com sinceridade e interesse-se pelo seu bem-estar.

A amizade é estar ali em cada momento do dia, com os braços abertos, esperando tanto os bons quanto os maus momentos.

Às vezes nos sentimos desconfortáveis quando consolamos alguém, pois é tudo que podemos fazer. A impotência começa a aparecer e inclusive você se sente um pouco inútil. Isto é consolar? Como posso ajudar de verdade?

Estar ao lado de alguém também é ajudá-lo

Como bem dissemos, nos sentimos inúteis, impotentes, por não sabermos ajudar de verdade. Pensamos que estar ali ao lado de alguém, apenas ouvindo e consolando, é não fazer nada. Você se engana. Você está fazendo muito.

Quando alguém tem um problema ou está passando por um momento ruim, você não pode interferir nisso. A dor de cada um deve ser vivida pela própria pessoa. Ninguém pode assumir o seu lugar, ninguém pode superá-la, salvo a pessoa que a sofre.

É uma coisa que precisamos começar a internalizar, para aprendermos a compreender as diferentes reações das pessoas. Pois muitas querem descarregar falando, enquanto outras preferem fazê-lo em silêncio.

Em certas ocasiões, o silêncio é o grito mais forte que a pessoa dá para pedir ajuda.

Aprenda a acompanhar alguém

Tanto se uma pessoa quiser falar, como se quiser se manter em silêncio, mantenha-se ao seu lado. Você só precisa acompanhá-la, ela só precisa saber que tem em você um braço que irá segurá-la se ela cair. Esse braço que a ajudará a se levantar não significa que a libere da dor, mas sim que lhe dará forças para continuar lutando e enfrentando a dor.

É evidente que não temos como saber o que a outra pessoa está passando e, mesmo que pareça absurdo o que ela estiver contando ou o que ela estiver passando, precisamos tentar criar uma empatia e usar a compreensão. Pare de dizer à pessoa que sofre que tudo vai passar, que é apenas um momento ruim… Pare de criticar, de dizer como ela é boba e que para você tudo é tão claro.

contioutra.com - Consolar é ouvir sem julgar

Não julgue, porque talvez no dia de amanhã você esteja passando por um momento similar. Você será consciente que talvez seja uma bobagem, mas você estará sofrendo mesmo que se negue a isto.

“Não devemos julgar a vida dos outros, porque cada um sabe da sua própria dor e da sua própria renúncia. Uma coisa é supor que se está no caminho certo; outra é supor que esse caminho é o único”

Consolar não implica julgar, e sim acompanhar

Aprenda a estar presente para os outros, a consolar sem julgar a forma como pensam, o estão passando, o que estão sofrendo. Apenas acompanhe-os na sua dor. Faça com que saibam que se fraquejarem, você estará ali para oferecer um apoio.

Faça-os compreender que tudo é uma experiência, para o bem ou para o mal, e que cedo ou tarde a situação será algo que já ficou no passado e já foi superado.

Por: Raquel Etérea

“O que eu quero e sobrequero”

“O que eu quero e sobrequero”

“Viver amanhecendo é aprendizado que não posso perder de vista.”
Pe. Fábio de Melo

“O que eu quero e sobrequero” é uma expressão de Guimarães Rosa e que tomo emprestada para falar do meu maior desejo .

Se uma fada madrinha aparecesse com sua varinha de condão, e me desse a possibilidade de realizar um desejo, não teria a menor dúvida e rapidamente responderia, inspirada na música “Tocando em frente” de Almir Sater e Renato Teixeira:“O que mais quero é tocar em frente a minha vida com valentia e ser feliz sem muitas garantias”.

O que mais quero é não ser o meu maior obstáculo, frente às lições do caminho, e ter coragem – seguir em frente apesar dos medos.

O que mais quero e sobrequero é ser como o velho boiadeiro, que leva sua boiada (todas as experiências boas e ruins) sem pressa, com um sorriso, forte e feliz, aceitando e aprendendo com cada passo e escorregadela que vier dar pelo caminho.

O que eu quero é não recuar frente às manhas da vida, manter-me firme e não permitir que a descrença more dentro de mim.

O que eu quero e sobrequero é não produzir pensamentos catastróficos constantemente, para que a paz possa vir em meu auxílio e ritmar o meu coração.

É encontrar um velho boiadeiro que me ajude quando nada sei e que eu também possa, com minha experiência, ser um velho boiadeiro para quem por mim passar.

O que eu quero e sobrequero é não me afastar de Deus e guiar-me sempre por Sua Palavra.

Tocar em frente e compor a própria história, sei bem que nenhuma fada irá me proporcionar, pois essa estrada é um processo de construção particular, intenso e profundo, que se faz continuamente por meio do autoconhecimento .

Cumprir a vida é ser estrada; viver intensamente cada passo dado, não se fechar às possibilidades do caminho, ter um olhar mais generoso para com as pessoas e saber lidar com a própria verdade.

O que eu quero é aprender a amar para poder pulsar e que, antes de morrer, eu saiba viver, pois “cada ser em si carrega o dom de se ser capaz e ser feliz”.

O Profeta, de Khalil Gibran: um filme de animação sobre a liberdade

O Profeta, de Khalil Gibran: um filme de animação sobre a liberdade

O filme de animação “O Profeta, de Khalil Gibran” é baseado no best-seller “O Profeta”, escrito nos anos vinte pelo poeta libanês Khalil Gibran e traduzido em mais de 40 línguas.

A história traz uma mensagem de paz, amor e fraternidade. No filme, uma coleção de nove histórias fala-nos de Mustafa, um poeta preso porque aquilo que escreve é considerado perigoso e rebelde. O poeta explica a uma jovem, Almitra, que uma prisão não consegue roubar a liberdade a um pensamento livre.

De acordo com Selma Hayek, o cinema de animação permite maior fidelidade à mensagem de Gibran:

“Através da arte, da música e da poesia, podemos exprimir melhor uma ideia. O filme fala da liberdade e a animação deu-nos a liberdade de ser mais fieis à mensagem.”

Este filme resultou de um trabalho especialmente inspirado, em que participaram nove dos melhores profissionais independentes do mundo, reunidos neste projeto pelo realizador de “O Rei Leão”, Roger Allers.

Abaixo: Trailer do filme “O Profeta”
Estreia em cinema dia 28 de abril

Onde existe verdade, ali repousa o amor

Onde existe verdade, ali repousa o amor

Há quem o encontre prematuramente, no despertar da puberdade; há quem o receba na maturidade dos anos e há quem o espere pela vida toda. Não importa onde ou em que fase da vida estamos, o amor sempre se destacará em meio a nossas prioridades e jamais nos cansaremos nem desistiremos de achá-lo e de desfrutar de tudo o que ele traz, suas dores e alegrias, os encontros e desencontros, o sim e o não. Tão infinito em sua completude, tão contraditório em si é mesmo o amor, necessário e vital como o ar que respiramos, combustível do pulsar de nossos sentidos.

Mais difícil do que encontrá-lo, no entanto, é conseguirmos mantê-lo vivo dentro de nós e de quem nos rodeia, demorá-lo o suficiente para que não enfraqueça sob o peso amargo do dia-a-dia célere e frio a que nos lançamos, para que não se perca por entre as cobranças, as expectativas frustradas, o enfrentamento dos dissabores, do preconceito e das dificuldades financeiras; para que não se torne surdo às madrugadas insones à beira do berço, aos pedidos de socorro estampados nos olhos dos filhos, aos gritos mudos das carências do parceiro, à libido amortecida pelas contas a pagar ao fim de cada mês.

Mais difícil ainda é lembrar-se de reacendê-lo continuamente, com palavras gentis, cumplicidade no olhar, vidas entrelaçadas, corpos e almas que se tocam, mãos estendidas quando se pede ajuda, ouvidos atentos quando se pede compreensão, sinceridade quando se requer opinião. É preciso dormir e acordar o amor, afagá-lo, abastecê-lo, dar-lhe a devida atenção, porque ele não sobrevive somente do que aconteceu, do que foi dito e feito tempos atrás, e sim do que existe aqui e agora, das verdades que caminham em nossas vidas diariamente.

O amor não aceita desaforo, violência, desamparo, vaidade, preconceito ou orgulho. Não se prende a bens materiais, aparências, beleza física vazia, tampouco a desprezo. Não suporta ser esquecido, maltratado, cobrado, nem se rende a perfumes, flores e outros presentes, se isentos de sinceridade. Amor não se compra, amor não se ludibria, amor não se corrompe. É forte o bastante para resistir à dor, à doença, às cicatrizes no corpo e na alma, embora sucumba, mesmo que lentamente, à traição e à mentira, à dissimulação e ao abandono.

Não se ama sendo o que não quer ser, falando o que não tem fundamento em si, agindo contrariamente aos impulsos, sobrepondo o outro a tudo o que é seu. Porque o amor brota de dentro de nossas verdades para sair à procura de onde houver arrebatamento sincero. Enquanto não formos inteiros, completos e reais, não estaremos prontos para o amor, para o encontro com o outro, pois não seremos dignos de receber de ninguém o que não estivermos dispostos a dar em troca.

Não estaremos preparados para compartilhar amor pleno, caso ainda não tenhamos certeza de quem somos, do que e de quem queremos, caso ainda não sejamos honestos por inteiro. O amor é preenchimento, jamais solidão. É afirmação e aceitação, é avidez por viver e respirar com liberdade, mantendo-se sempre a postos, dentro e fora de nós. No entanto, só irá e virá ao encontro daquilo que for verdadeiro e somente pousará junto de quem for leal a tudo o que define a própria essência, de quem não mente para si mesmo.

Porque então o amor saberá que ali terá menos chances de sofrer a dor de ser esquecido e menosprezado, ali se intensificará e multiplicará. Porque então poderá ser verdadeiro, como todo e qualquer amor tem de ser, como diz o nosso poetinha, infinito enquanto durar. E que assim se preencha toda a dimensão dos nossos sonhos…

Por que deveríamos desligar o roteador wi-fi durante a noite?

Por que deveríamos desligar o roteador wi-fi durante a noite?

Devido à poluição eletromagnética, nosso corpo pode apresentar diferentes problemas de saúde, por isso, deveríamos restringir seu uso, por exemplo, desligando o wi-fi quando não o estivermos usando.

As novas tecnologias revolucionaram o mundo e ampliaram as possibilidades de comunicação, trabalho, lazer e qualquer outra coisa que pudermos imaginar.

Nesse contexto, a conexão sem fio à internet se tornou essencial, já que permite acessar a muitas outras ferramentas de grande utilidade.

O wi-fi se tornou indispensável nos lares, ambientes de trabalho, escolas e muitos outros espaços em que se oferece a conectividade para aproveitar todas as oportunidades que a internet oferece.

No entanto, existem algumas desvantagens que muitas pessoas desconhecem e que, inclusive, podem estar influenciando nosso estado de saúde.

Muitos especialistas o estão classificando como “inimigo silencioso” e seu principal argumento são os níveis de radiação que emite.

Neste artigo, queremos descrever em detalhes quais os seus perigos e o que se pode fazer para reduzir ao máximo o risco.

Quais os perigos ocultos da tecnologia wi-fi?

contioutra.com - Por que deveríamos desligar o roteador wi-fi durante a noite?

Apesar de já terem sido divulgados muitos documentos sobre os perigos da radiação que os dispositivos móveis e outros aparelhos emitem, muitas pessoas ainda ignoram o tema ou não tomam plena consciência dos riscos.

Ainda que já há várias décadas a tecnologia tenha chegado para ficar, é necessário muito mais tempo para compreender exatamente a influência que tem no organismo humano.

Até agora, foram realizadas várias investigações científicas que analisaram o impacto das ondas eletromagnéticas sobre a atividade cerebral e os sistemas do corpo.

Existem provas que sugerem que está relacionada à aparição de cânceres e outros tipos de doenças de difícil tratamento.

contioutra.com - Por que deveríamos desligar o roteador wi-fi durante a noite?

Em um relatório destinado ao público, conhecido como Bioiniciative, são resumidas cerca de duas mil pesquisas internacionais que relacionam a exposição prolongada às radiações eletromagnéticas com certos tumores.

Além disso, poderia ser uma causa de episódios contínuos de dores de cabeça, hiperatividade ou má qualidade do sono.

Realmente, quem trabalha com esse tipo de equipamento segue recomendações estritas de segurança, cuja finalidade é diminuir os efeitos negativos da radiação sobre o corpo.

A preocupação cresce com a exposição das crianças, que são mais suscetíveis aos danos, porque estão em pleno processo de crescimento.

Pensando nisso, países como Inglaterra, França e Suécia já começaram a retirar o wi-fi das escolas, museus, bibliotecas e de outros lugares públicos, com o objetivo de regular o consumo dessa tecnologia e buscar outros sistemas que permitam desfrutar da web através de conexões elétricas.

Que medidas posso tomar para diminuir o impacto negativo do wi-fi?

A fim de diminuir os impactos negativos dessa tecnologia, existem várias medidas que você pode levar em conta:

  • Desligue o roteador durante a noite ou quando ninguém o esteja usando. Se o dispositivo se encontra localizado na cozinha ou quarto, transfira-o o quanto antes para outro local, menos frequentado.
  • Pergunte sobre a instalação de rede via cabo, incluindo a de telefone. Ainda que os telefones sem fio sejam mais práticos, sua radiação também tem efeitos danosos.
  • Utilize os aparelhos móveis e computadores apenas em um determinado período. De toda forma, evite tê-los no quarto.
  • Desfrute de mais tempo ao ar livre, realize exercícios físicos e leia os jornais e revistas em papel, ao invés dos digitais.

Até o momento, não existe nenhuma entidade ou sistema de controle permanente e confiável que permita aos consumidores saber dos perigos aos que estão expostos de acordo com o nível de radiação.

O agravante é que a poluição eletromagnética está crescendo a passos largos em pouco tempo, e não se sabe a que níveis chegará em alguns anos.

Em países como o Japão e Estados Unidos, já está sendo desenvolvido outro tipo de tecnologia móvel que não implique no uso de ondas eletromagnéticas.

Estima-se que sejam necessários cerca de 30 anos para que se decida alertar sobre os efeitos que esses aparelhos têm no corpo humano.

A superexposição aos mesmos é algo que não se deve ignorar e que, ainda que pareça que se pode fazer pouco, cada um pode tomar suas próprias medidas para diminuí-la.

Para concluir, como consumidores desse tipo de tecnologias, devemos nos precaver e utilizá-las com mais responsabilidade.

Apesar de podermos realizar milhares de coisas todos os dias graças ao wi-fi, não se deve esquecer que também acarreta várias consequências.

Animação mostra como só o amor é capaz de promover mudanças.

Animação mostra como só o amor é capaz de promover mudanças.

“The Present” é um curta metragem feito por Jacob Frey.

história é baseada em uma HQ (história em quadrinhos) brasileira, feita por Fábio Coala.

Com mais de 50 prêmios e com a participação em mais de 180 festivais de cinema, o curta mostra a mudança na vida de um adolescente após ganhar um presente da mãe.

Assista e entenda o motivo de tantas premiações:

Você já faxinou sua mente hoje?

Você já faxinou sua mente hoje?

Tem gente que acumula quinquilharia. Tem gente que acumula pérolas. Qual acúmulo é melhor? Nenhum dos dois!

Acumular, no dicionário: v.t e p. 1. pôr(se) em cúmulo ou montão; amontoar(se). 2. Ajuntar(se), reunir(se).

Tem gente que acumula lixo, lembranças, vontades, mentiras, frustrações, quilos, papéis, poeira, objetos, medos, ilusões, projetos, desejos, sonhos.

Porém esses acúmulos são apenas sintomas, efeitos colaterais, de outros dois acúmulos: passado e futuro. E são totalmente prejudiciais à saúde.

Quem não consegue se desapegar do que passou, de histórias que não deram certo, de lembranças boas que não voltam mais, de projetos que fracassaram, de mágoas antigas, de velhos traumas, adoece.

Quem não consegue se desapegar do futuro e está sempre pensando como será a vida daqui a 5, 10 ou 20 anos, que esquece o presente para pensar e batalhar incessantemente o futuro, também adoece.

Os efeitos nocivos de acúmulos de passado e futuro geralmente são os mesmos: solidão, medo, depressão, aumento de peso, dificuldade para dormir, dificuldade para se relacionar, fobias, angustia, insatisfação, ansiedade, doenças.

Nossa consciência só entende a linguagem do AGORA, mas como o AGORA é algo desconhecido – portanto, ameaçador – a mente, que é identificada com o ego, cria estratagemas de defesa contra esse corpo estranho chamado AGORA: acumula passado e futuro.

De acordo com o pesquisador e professor de espiritualidade contemporânea da Universidade de Cambridge, Eckhart Tolle, autor do livro best-seller “O poder do agora”, “para permanecer no controle a mente trabalha o tempo todo para esconder o momento presente com o passado e o futuro. Assim, a vitalidade e o infinito potencial do Ser, que é inseparável do Agora, ficam encobertos pelo tempo e a nossa verdadeira natureza é obscurecida pela mente”.

Segundo Tolle, todo sofrimento deriva da incapacidade de viver o momento presente:  “O sofrimento varia de intensidade de acordo com o nosso grau de resistência ao momento atual”.

Claro que planejar o futuro é saudável e maduro. Evidentemente que lembrar coisas boas que passaram faz bem. Porém, condicionar a maioria das ações (pensamentos e emoções) ao passado e ao futuro não é saudável.

Nas palavras do escritor: “ Não há nada de errado em estabelecermos metas e nos empenharmos para conseguir bens. O erro existe em usar isso como um substituto para o sentimento de vida, para o Ser. O único ponto de acesso para isso é o Agora”.

E acrescenta: “Toda negatividade é causada pelo acumulo de tempo psicológico e pela negação do presente. O desconforto, a ansiedade, a tensão, o estresse, a preocupação, todas essas formas de medo são causadas pelo excesso de futuro e pouca presença. A culpa, o arrependimento, o ressentimento, a injustiça, a tristeza, a amargura, todas as formas de incapacidade de perdão são causadas pelo excesso de passado e pouca presença”.

Portanto, proponha-se a uma faxina mental diária. Vigie seus pensamentos. De nada adianta jogar papéis velhos, frascos de perfume, roupas e objetos na lata do lixo e continuar vestindo antigos personagens e investindo em roteiros invisíveis e imaginários.

De nada adianta fazer dieta e malhar para perder peso se o acumulo de peso for reflexo de acúmulos emocionais de passado (mágoa) e futuro (medo). De nada adianta sonhar com um trabalho melhor, mas estar apegado à ideia de um trabalho perfeito que acabou – ou à ideia de um trabalho maravilhoso que ainda não chegou. De nada adianta querer viver um grande amor se a mente está presa num relacionamento que fracassou ou na promessa da chegada de um príncipe no futuro.

Quanto mais vigiarmos nossos pensamentos, quanto mais tomarmos as rédeas da nossa mente, quanto mais impedirmos que a nossa mente fique vagando em lembranças que não servem para nada e hipóteses relacionadas ao futuro, mais conectados com nossas verdadeiras necessidades ficamos, mais criativos, abertos e entusiasmados nos tornamos.

É quando estamos distraídos que as boas surpresas da vida acontecem.

MEU CANAL

Venha tomar um café comigo no meu canal do YouTube Dois Cafés e uma água com gás, espaço onde falo sobre comportamento, literatura, arte, cultura, moda e o que mais der na telha.

(imagem: google)

Velhas certezas só me enchem de novas perguntas.

Velhas certezas só me enchem de novas perguntas.

É… nem sempre as coisas vão para onde a gente quer. Nem sempre a vida acontece como você e eu desejamos. Nem sempre.

Preciso confessar a você que essas velhas certezas só me enchem de novas perguntas. Amigos verdadeiros nunca faltam mesmo? Amor de verdade não acaba? Só uma mãe entende um filho? O perdão é um privilégio das almas elevadas? Quem sabe? É que eu tenho a impressão de que as verdades de cada um nunca foram, assim, tão absolutas, austeras, esbanjando sisudez. As minhas, pelo menos, andam de tênis. Caminham por aí, pisam nas poças, mudam o percurso, tropeçam, voltam, seguem de novo.

Você sabe. Nem sempre é tudo tão ruim nem tudo tão bom. E nem sempre conseguimos escapar de um macambúzio mais ou menos.

Não, nossos melhores parceiros não são infalíveis. Hoje nos dão a mão, amanhã nos dão de ombros. Porque ninguém é perfeito, sabe?

Nem sempre um dia duro termina em sono tranquilo, nem sempre a noite é amiga calma, ouvinte dos nossos sonhos, vigiando tesouros profundos enquanto dormimos profundamente.

Quer saber? Nem sempre a segunda-feira é ingrata e nem a sexta, um alívio.

Nosso complexo conjunto de exigências, nossos preconceitos e nossos pavores nem sempre dão um tempo e nos libertam para fazermos escolhas simples que num pulo se transformam em monstros, os mesmos que na infância viviam debaixo da cama e agora pulam medonhos sobre nosso colchão.

Uns chegam aqui, outros partem ali. E nem sempre você e eu surgimos a tempo do olá e do adeus. Como nem sempre lembramos datas importantes. Porque nem sempre nos importam as datas que para os outros têm alguma relevância.

Nem sempre somos de todo sinceros, nem sempre a verdade nos sobra e a mentira nos falta. Paciência. Fazer o quê? É assim que é. Os caminhos se perdem, o relógio atrasa, a bateria acaba, a vista cansa, as pernas hesitam, os pés tropeçam, as mãos tremelicam, a cabeça roda, o coração se acinzenta, as expectativas despencam do alto e a alma chora baixinho.

Depois passa. Quase sempre passa. E quem chora agora há de amanhã se flagrar nadando num lago tranquilo de ternura e esperança, com pedras de rancores e pecados no fundo, repousando inúteis sob o limbo do esquecimento.

Mas também nem sempre a gente esquece.

E o amor, ah… o amor, sob a forma daquele estado de entrega tranquila que vem apaziguar uma paixão tumultuosa, nem sempre chega. Nem sempre. Nem sempre.

Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura

Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura

Ekkachai Saelow é um fotógrafo de casamentos que captura os momentos mais emblemáticos de seus clientes e os transforma em pequenos detalhes.

Ele é especialista na criação de miniaturas lúdicas de casais felizes. Para fazer isso, Ekkachai retira as pessoas de seus quadros originais e as insere em um ambiente de pequena escala, aplicando um efeito fotográfico conhecido como tilt-shift.

Marido e esposa são posicionados, juntos, em cenários diminutos, e interagem entre si e com o ambiente de forma divertida.

Após realizar as sessões de fotos, o fotógrafo tailandês usa apenas Photoshop para redimensionar o ambiente, fazendo de seus clientes pequenos seres animados.

Há algo incrivelmente romântico nessas representações minimalistas de casais apaixonados. Como se saíssem de um desenho animado, duas pessoas unidas pelo amor conjugal trocam experiências afetivas que certamente nunca esquecerão.

Ao olhar para esses casais com seu matrimônio representado de forma lúdica, as pessoas reconsideram a ideia de um ensaio fotográfico tradicional de casamento.

As fotos são divertidas e exploram a interação dos personagens com seres vivos e recursos como carros, motos, robôs, plantas, árvores e animais.

Confira alguns casais transformados em miniatura pelo fotógrafo tailandês:

contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura

contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura

contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura contioutra.com - Fotógrafo de casamentos transforma casais em miniatura

Stranger Things faz os anos 80 novamente serem respeitados

Stranger Things faz os anos 80 novamente serem respeitados

Até recentemente, o cinema dos anos 80 era motivo de controvérsias discussões entre fãs e críticos. Existia uma bolha emocional e descabida sobre a qualidade das produções sentenciadas e que marcaram gerações. Mas felizmente tudo isso está indo por água abaixo com a nova série original da Netflix, Stranger Things.

Criada pelos gêmeos Matt e Ross Duffer, o programa dividido em oito capítulos não apenas ressuscita o espírito colorido, desbravador e científico da década, como também passeia pontualmente por referências dos clássicos que moveram multidões aos cinemas trazendo sorrisos, lágrimas e muitos sonhos. Para se ter uma vaga ideia, Stranger Things engloba, por exemplo: A Chance (1983), E.T. (1982), O Enigma de Outro Mundo (1982), Os Goonies (1985), Conta Comigo (1986), Chamas da Vingança (1984), Os Fantasmas Se Divertem (1988) e Amanhecer Violento (1984). Os irmãos Duff não negam o mega pacote de inspirações que, dos mais recentes, ainda incluem Super 8 (2011). De J.J.

contioutra.com - Stranger Things faz os anos 80 novamente serem respeitados

Abrams passando por Stephen King, Steven Spielberg, John Carpenter e outros, a série determina um novo frescor para o gênero que mesclava o protagonismo narrativo juntando crianças, adolescentes e adultos em tramas ficcionais, mas sempre respaldadas nos conhecidos valores que nos tornam mais humanos. No cerne principal, a amizade. E desse laço afetivo e inconfundível, grandiosos desenvolvimentos muitíssimos bem construídos pela dupla. Todos os personagens de Stranger Things carregam a sua própria importância e ritmo. Há momentos para diversos núcleos serem conduzidos e envolvidos na trama principal. Particularmente, além de retirar do limbo cinematográfico os nomes de Winona Ryder e Matthew Modine, o maior trunfo da série encontra-se na química dos jovens garotos que são: Lucas (Caleb McLaughin), Mike (Finn Wolfhard), Dustin (Gaten Matarazzo) e Eleven (Millie Bobby Brown). É espantosamente divertido e cativante presenciar o poder de atuação dos garotos.

contioutra.com - Stranger Things faz os anos 80 novamente serem respeitados

No fundo, é quase impossível não sentir certa nostalgia e fácil identificação com Stranger Things. Porque ao longo dos oito episódios, apesar da estética oitentista muito bem retratada, fotografada e estilizada, a série consegue ir além dos muros da Netflix. Ela determina a oportunidade perfeita para a aproximação de uma nova geração carente de produções simplórias no seu orçamento, mas ricas em imaginação e sentimentalismo. Afinal, essas foram algumas das características básicas que fizeram dos anos 80 uma década no cinema a ser revisitada com frequência. O purismo e a sinceridade na construção e concepção de um trabalho mágico, com cores, formas e laços. Laços por escolha e não obrigação. Stranger Things é a obra-prima que faltava para os anos 80 serem novamente respeitados.

12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

Priscila Doneda, do MdeMulher

Se você considera a Netflix uma de suas melhores amigas e não se importa em chorar bastante enquanto assiste a um bom filme, separe a pipoca e o lencinho e confira a seleção abaixo!

1. À Procura da Felicidade (2006)

Baseado em uma história real, o filme conta a vida de Chris Gardner (Will Smith), um pai de família que enfrenta uma crise financeira ~daquelas~ e, como se isso já não fosse o bastante, ainda é abandonado pela esposa no momento mais difícil da vida.

Ao lado do filho de cinco anos, o protagonista mostra ao telespectador que o sucesso é resultado de muita determinação, persistência, trabalho e, acima de tudo, paciência.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

2. A Vida é Bela (1997)

O filme se passa na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial, e conta a história do judeu Guido (Roberto Benigni) e do pequeno Giosué (Giorgio Cantarini). Sem notícias da esposa, pai e filho são levados para um campo de concentração nazista. A emoção fica por conta das histórias que Guido inventa para que o menino acredite que tudo não passa de uma grande brincadeira, a fim de proteger o herdeiro do terror que os cercava por todos os lados.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

Veja também:

21 filmes perfeitos para ver na Netflix (lista atualizada)

3. Amor Além da Vida (1998)

A família de Chris Nielsen (Robin Williams) e Annie (Annabella Sciorra) é abalada quando os filhos do casal morrem em um acidente. Anos depois, Chris também morre e a sua alma vai para o que é conhecido como o Paraíso. Lá, ele descobre que a esposa cometeu suicídio e que, por isso, eles nunca mais se encontrariam.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

4. As Vantagens de Ser Invisível (2012)

Baseado no romance homônimo aclamado pela crítica, o longa conta a história de Charlie (Logan Lerman), um adolescente que tem grandes dificuldades com o convívio social. Apesar disso, ele encontra amigos tão deslocados quanto ele, Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson).

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

5. Diário de Uma Paixão (2004)

Um dos filmes românticos mais queridinhos do público já completou dez anos e vai virar série de TV. A história de amor entre Noah Calhoun (Ryan Gosling) e Allie Hamilton (Rachel McAdams) se passa nos anos 1940 e é contada por um senhor (James Garner) a sua colega residente do lar de idosos (Gena Rowlands).

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

6. Marley & Eu (2008)

Apesar do tom de comédia, o filme toca o coração de quem tem ou já teve animais de estimação. No longa, John (Owen Wilson) e Jennifer Grogan (Jennifer Aniston) estão começando a vida de casados e, indeciso sobre a sua opinião em relação à paternidade, John resolve presentear a esposa com Marley, um labrador.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

7. O Impossível (2012)

Baseado em uma história real, o drama conta as experiências de uma família de sobreviventes que teve suas incríveis férias na Tailândia interrompidas depois que o local foi atingido por um enorme tsunami. Maria (Naomi Watts) e Henry (Ewan McGregor) se separam depois do desastre (ela com um dos filhos do casal e ele com dois) e ficam sem saber o paradeiro do restante da família.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

8. O Menino do Pijama Listrado (2008)

Durante a Segunda Guerra Mundial, um oficial nazista (David Tewlis) é enviado para trabalhar em um campo de concentração e sua família se muda de Berlim para Auschwitz. Seu filho, Bruno (Asa Butterfield), de 8 anos, começa a se sentir muito sozinho na nova residência, até que conhece Shmuel (Jack Scanlon), um garoto da mesma idade que fica do outro lado de uma cerca eletrificada, sempre vestindo um pijama listrado. O que Bruno nem imagina é que o novo amigo é um judeu aprisionado.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

9. Para Sempre Alice (2014)

A Dra. Alice Howland (Julianne Moore) é uma renomada professora e pesquisadora. Quase sem perceber, ela começa a se esquecer das palavras e a se perder pelas ruas de Manhattan. Aos 50 anos, Alice é diagnosticada com Alzheimer e a doença serve para colocar em prova o amor de toda a sua família.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

10. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (2003)

Dirigido por Tim Burton, o filme retrata a vida de Edward (Ewan McGregor/Albert Finney), um sonhador que adora contar histórias fantásticas, incluindo personagens mágicos e situações mirabolantes. Quem não gosta muito de ouvir as narrativas é seu filho, Will (Billy Crudup), que acaba se afastando do pai e volta a reencontrá-lo em seu leito de morte.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

11. Um Amor Para Recordar (2002)

Baseado no best seller homônimo de de Nicholas Sparks, o filme é considerado, ao mesmo tempo, drama e romance e, apesar de contar a história de adolescentes, serve para todas as idades. Landon Carter (Shane West) é um jovem irresponsável que acaba punido pelo diretor da escola por uma de suas travessuras. Durante o castigo, ele se aproxima de Jamie Sullivan (Mandy Moore), filha do pastor da pequena cidade em que moram. Com o convívio, eles acabam se apaixonando um pelo outro, mas Landon não imaginava que Jamie guardasse um segredo tão grave sobre a sua saúde.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

12. Up – Altas Aventuras (2009)

Sofrendo com a morte de sua esposa, Carl Fredricksen é um velho vendedor de balões que acaba de passar por mais um trauma: está prestes a perder a casa em que sempre viveu com Ellie. Depois de atingir um homem com sua bengala, o idoso é considerado uma ameaça pública e é forçado a ir para um asilo. Para fugir da situação, ele enche milhares de balões e faz com que a sua casa literalmente voe para a América do Sul – mais especificamente, para um local onde ele e Ellie sempre quiseram morar.

contioutra.com - 12 filmes da Netflix que vão fazer você chorar

A minha alma precisa de férias!

A minha alma precisa de férias!

Texto de Nathalí Macedo

Acordei um pouco cansada. Cansada de segurar o choro, de contar as novidades, de sorrir para parecer que está tudo bem. Cansada de ser forte.

Dormi nua. Tirei as roupas e as máscaras junto com elas, mas precisei de as voltar a colocar pela manhã; umas calças meio rasgadas, uns sapatos confortáveis e um disfarce de pessoa feliz, feliz a tempo inteiro. Alguém que tem a obrigação de ser agradável.

Passei a pensar demasiado sobre o mundo. Isso é um pouco arriscado porque passamos a entender demais e uma vez desvendadas certas coisas, não dá para voltar atrás. Talvez a ignorância seja mesmo uma bênção, não nos apercebermos da crueldade com que eventualmente o mundo é capaz de nos tratar.

Acordei um pouco cansada das minhas próprias escolhas. Apenas por hoje não quero decidir absolutamente nada (açúcar ou adoçante, kizomba ou rock’n roll, bom dia ou foda-se?).

Não quero ser compreendida. É só mais uma obrigação que dá imenso trabalho. Apenas por hoje, não me vou esforçar para ser amada ou para agradar aos outros. Que nada seja dito ou pensado a meu respeito: hoje só me resta existir.

Acordei um pouco perdida em relação aos smartphones, às pessoas, à confusão urbana que estranhamente se confunde com a minha própria confusão. Não vou escolher uma playlist: toquem o que quiserem. Não vou pensar sobre as pessoas: sejam exatamente o que quiserem. Hoje, apenas por hoje, não quero conclusões.

Quero passar despercebida, como numa capa de invisibilidade mágica. Quero quase não existir até conseguir ajustar-me a esse medo de ser eternamente desajustada. Não quero prazos ou compromissos ou sorrisos ou explicações. Apenas por hoje quero coexistir passivamente e sem qualquer indício de indignação. A minha alma precisa de férias.

*Fonte: Site Entenda os homens

Confiança é um cheque em branco ao portador

Confiança é um cheque em branco ao portador

Confiança é uma entrega, um compartilhamento, um passe livre.

Confiança é uma cerca derrubada, acesso liberado, um cheque em branco ao portador.

Onde a confiança mora não há vaga para o ciúme. Na casa da confiança não há trancas nem grades. A luz é farta e explicações não são necessárias para iluminar dúvidas ou incertezas.

A confiança sempre busca por outra igual. Quando se engana, lamenta, sofre, quebra em mil pedacinhos. E só se cura e se renova por meio outra prova de confiança.

A confiança é boa mas não é boba. Ela segue dando a corda necessária pelo caminho, mas, se em algum instante a corda se rompe, também ela se rompe e fecha acessos com as mais variadas restrições.

O cheque em branco pode se transformar em prejuízo, mas, de onde saiu o primeiro, dificilmente virá um segundo. Não é de bom gosto brincar com a confiança alheia.

Quem não é de confiança, desconfia até dos próprios pensamentos.

Confiar é se jogar de olhos fechados. O contrário disso é tensão, é medo. É entregar uma chave mas não largar o chaveiro.
A vida sem confiança é um jogo perdido. As bolas para fora sempre serão em maior número, e a verdade desconfiará dos pontos ganhos.

Se na vida está faltando a companhia da confiança, é tempo de convidá-la a entrar, ainda que, para que ela de fato entre e se instale, seja preciso pedir que alguém saia e não volte mais.

De todas as formas de se relacionar consigo mesmo, com as pessoas e com o mundo, se há uma companhia que não pode ser dispensada, é da confiança.
Ela sozinha despeja incertezas, ciúmes, paranóias, neuroses, desculpas e decepções.

Ainda que novas chances possam ser dadas, só terão valor se vierem acompanhadas de uma dose generosa de confiança. Na dúvida, não assine o cheque.

O Velho, O Mar e a Nossa Luta pela Vida

O Velho, O Mar e a Nossa Luta pela Vida

Achamos que somos capazes de entender a vida em sua plenitude, mais que isso, de controlá-la. Fazemos planos, nos preparamos, criamos expectativas e quando esperamos receber aquilo que tanto esperávamos, somos surpreendidos com as suas peripécias. A vida e o seu universo infinito de possibilidades que ansiamos por entender com a nossa finitude. Triste destino do homem, lançado ao mar apenas com a roupa do corpo e sua sorte. Lançado a um mar revolto que deve ser enfrentado.

Debruçando-se sobre essas complexidades, Ernest Hemingway escreveu aquela que é considera por muitos a sua obra-prima: “O Velho e o Mar” (The old man in the sea). O livro narra a história de um velho pescador, Santiago, um homem frágil ou nas palavras do próprio Hemingway “magro” e “seco”. Um homem simples e sem posses, sem estudos, que vive sozinho e é visto como destituído de sorte. Esse velho, então, se lança ao mar a procura de peixes, no entanto, essa “viagem” ganha contornos inesperados, sobretudo, quando ele consegue fisgar um peixe enorme, como mais de seis metros e este é destruído gradativamente pelos tubarões enquanto retorna para a costa.

A história simples do livro pode parecer banal, entretanto, Hemingway constrói uma obra extremamente filosófica, metafórica e poética que se comunica a todos os seres humanos. O Velho representa a fragilidade do ser humano, a sua precariedade, a sua finitude, a sua solidão, a sua angústia. Por outro lado, representa também a alma sonhadora que nos mantêm vivos e que espera sempre algo mais da vida, que vai em busca da essência das coisas, da alegria, das felicidades.

O mar representa a imensidão de um mundo que pouco conhecemos. A grandiosidade em que não se sabe o início ou o fim, na qual se sabe malmente a parte na qual estamos inseridos. O mistério das coisas ocultas que nos são apresentadas sem prefácio. O perigo que precisa ser enfrentado.

Assim como o Velho, precisamos encarar a imensidão do mar, ainda que saibamos que ele é enorme e que nós somos pequenos demais para sermos vistos enquanto navegamos por ele. Mas, não podemos passar a vida em uma cabana, precisamos sair e enfrentar o mundo. O problema é que por mais que sejamos atentos e experientes, o mar sempre arruma novas formas de nos surpreender, de tal maneira que devemos estar preparados para lidar com o que acontece após as tempestades ou o ataque dos tubarões, pois nunca saberemos nos defender de modo satisfatório ou teremos armas hábeis para lutar contra o desconhecido. O importante é lutar de acordo com as possibilidades e se manter forte, para que após a luta tenhamos força e coragem para prosseguir.

Santiago se lançou ao mar a procura de peixes, foi sozinho, em um pequeno barco, do mesmo jeito que nós nos lançamos no mar da vida, em solidão, navegando a procura do nosso destino ou de fazê-lo, e muitas vezes, quando o encontramos, como o Velho encontra o seu grande peixe, temos que continuar lutando para mantê-lo, contra os tubarões, até que por vezes não reste nada e nós tenhamos que retornar à costa, descansar e preparar-nos melhor para que da próxima vez consigamos trazer o peixe inteiro para casa.

Obviamente, não é fácil resistir aos ataques ferozes de seres que querem roubar os peixes que arduamente conseguimos pescar. Todavia, isolados no mar, só contamos com as nossas forças e a luz do farol que algumas vezes conseguimos enxergar, a qual mantém a esperança mesmo quando a lua aparece e tudo se transforma em uma grande escuridão. Sendo assim, a possibilidade de vida está em sempre continuar lutando, mesmo quando as forças pareçam se esvair ou a luz do farol demore a aparecer.

Como lembra Santiago – “Um homem pode ser destruído, mas não derrotado” – e, assim, sempre haverá novas formas de recomeçar e de aprender a lidar com as dificuldades que a vida nos impõe. Aprender a descobrir novos caminhos a partir das quedas e de encontrar na carcaça do peixe a sorte que nos espera.

“A sorte é coisa que vem de muitas formas. Quem sabe reconhecê-la?”

No mar nunca se sabe que ventos soprarão, tampouco o que há nele. Não sabemos em que momento o grande peixe que esperamos aparecerá, nem qual o melhor momento de atacá-lo, bem como, sempre nos faltam as armas corretas para pegá-lo e ajudar a enfrentar os inimigos que aparecem para nos atrapalhar e levar o peixe embora. Em meio a todas essas dificuldades e à solidão que não empresta um cobertor para aquecer a espinha, o desespero e o desânimo às vezes são inevitáveis, afinal:

“[…] que pode um homem contra eles, no escuro, sem armas?”

No entanto, por mais que as vicissitudes da vida sejam do tamanho do oceano e a nossa força e entendimento dela sejam do tamanho de um esquife, quase imperceptível em meio ao todo, em solidão que só tem como ouvido o próprio mar, o homem, mesmo magro e seco, deve continuar a lutar contra os tubarões e permanecer remando, já que os ventos que sopram do mar só são às vezes nossos amigos e ele é largo demais para que possamos navegá-lo totalmente.

É preciso aceitar a complexidade da vida e saber que por mais que lutemos, algumas vezes sem explicação tubarões aparecem e levam o nosso peixe. Talvez isso aconteça porque não estamos realmente preparados para ter o peixe, de modo que precisamos nos preparar melhor para usufruí-lo. Talvez os tubarões sejam as dificuldades que nos fazem mais fortes, que nos mostram que mesmo sem armas podemos lutar. Talvez sejam os mistérios que o mar possui e que jamais conseguiremos entender.

Seja como for, o homem tem o seu destino no mar, lutando para se manter firme e continuar a navegar mesmo quando o mar pareça escasso de peixes e cheio de tubarões, porque por mais que o mar seja bravo com o pescador, para os que conseguem lutar e manter a esperança, nele também há calmaria, assim como, nuvens que se amontoam ante os alísios e patos bravos que se desenham contra o céu, pois se o universo tem um destino de felicidade, mesmo com as mãos feridas é preciso continuar lutando para encontrá-lo.

INDICADOS