Amélie Poulain: o propósito da vida

Amélie Poulain: o propósito da vida

Construído em tom de fábula pelo cineasta Jean-Pierre Jeunet, o filme “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain” percorre, através da perspectiva de uma jovem sonhadora, Amélie Poulain (Audrey Tautou), o caminho que leva às belezas da vida. Cheio de nuances, o filme nos leva por uma viagem intimista, lúdica e poética sobre o real sentido da vida e sobre a necessidade de enfrentá-la, por mais que seja dura, solitária e cruel.

Criada sem praticamente nenhum contato social e afeto, Amélie se torna introspectiva e, na tentativa de fugir de uma realidade que se apresenta extremamente cruel e escura, cria um mundo de fantasias, onde as coisas são muito mais interessantes e coloridas.

Esse tom lúdico é reforçado pela bela fotografia criada por Bruno Delbonnel, cheia de cores vivas, sobretudo o verde e o vermelho, assim como a trilha sonora. Outro fator que influencia na beleza e na atmosfera do filme reside nele ter sido filmado em locações parisienses, o que permite mostrar as belezas e idiossincrasias de Paris.

Sendo assim, Amélie sente enorme dificuldade em relacionar-se mais profundamente com alguém, não por falta de afeto, mas por timidez e dificuldade de encarar um mundo diferente do seu. Os traumas causados na sua infância, pelos seus pais, os quais representam o mundo exterior, impedem, portanto, Amélie de encarar a realidade de um mundo que parece lhe assustar.

“Isso se chama encarar a realidade. Mas isso Amélie não sabe fazer.”

Se, de um lado, as dificuldades de relacionamento são um problema para Amélie, de outro o seu isolamento lhe permitiu viver todas as suas estranhezas e “imperfeições”, dando-lhe um caráter único e uma personalidade autêntica, contrariando a padronização a que nos submetemos e que acaba por tolher o que possuímos de único e mais bonito.

A idiossincrasia da nossa heroína permite que ela tenha um olhar mais íntimo sobre o que a cerca, desenvolvendo, assim, uma perspectiva ao mesmo tempo melancólica e poética, que percorre os detalhes mais simples e suaves das situações, bem como a faz percorrer um caminho próprio à sua felicidade, a qual não se constitui em grandes coisas ou lugares comuns e sim em pequenas coisas que, na maioria das vezes, passam despercebidas, mas guardam belezas únicas para quem consegue percebê-las.

“Destino estranho esse de uma moça privada de si mesma. Mas tão sensível aos encantos discretos das pequenas coisas da vida.”

No entanto, por mais que essa constituição torne Amélie uma personagem tão bela e encantadora, a sua solidão e isolamento a impede de viver a realização do que há de mais divino na vida, a saber, as relações humanas, o que só é possível a partir do momento em que estamos dispostos a imergir em mundos diferentes.

Obviamente, criar laços é muito mais difícil para Amélie, já que, ao ser privada do convívio com outras crianças e criar o seu universo, passa-lhe a existir um medo intrínseco de encarar um mundo tão desacolhedor para os sonhadores.

O medo que Amélie sente é o mesmo que sentimos, acima de tudo, se possuirmos uma constituição sonhadora como a sua, a qual, por mais que não se queira, coloca-nos em uma posição de estranhos no ninho. Entretanto, é preciso coragem para romper o medo de encarar um mundo que é duro, principalmente com quem parece não se adequar muito bem a ele, para podermos ir além de nós mesmos e ter laços com pessoas reais, de carne e osso, que fazem parte de um mundo triste e, portanto, podem nos decepcionar, chorar e fazer retornar ao conforto do nosso mundo; mas também fazem parte de um mundo belo, cheio de amor e poesia e, assim, podem trazer muito mais alegria e ternura ao nosso coração.

Dessa forma, é preciso coragem para romper os muros da covardia, pois a vida é sofrimento, a felicidade é apenas lacuna. Todavia, essas lacunas só são percebidas se estivermos atentos às raras oportunidades que a vida nos oferece. Não em grandes acontecimentos, mas nas entrelinhas, nas sutilezas, nos pequenos detalhes, aos quais Amélie era tão atenta, embora lhe faltasse coragem para agarrar as oportunidades, já que:

“Oportunidades são como a corrida da França. Esperamos muito, depois ela passa rápido. Então, quando o momento chegar, é preciso pular o obstáculo sem exitar.”

Faltava a nossa heroína, portanto, coragem. Coragem para encarar o mundo exterior, a realidade, os outros. Coragem para sair do seu mundo e mergulhar em mares obscuros de outros “eus”. Coragem para se arriscar, para cair, para se machucar, para se ferir. Coragem para não ter uma vida que não passe de rascunhos. Coragem para não ter uma vida de lembranças guardadas apenas em uma caixa velha. Coragem para renunciar ao direito inalienável de estragar a própria vida.

O tempo passa muito depressa e, como é dito no filme, de repente, sem nos darmos conta, já temos cinquenta anos. Assim, é preciso estar atento aos pequenos detalhes que guardam a magia de um mundo que, na maioria das vezes, parece tão frio.

Estar atento aos detalhes em que ninguém presta atenção, as pequenas coisas que podem fazer um coração feliz, como entregar uma caixinha com brinquedos guardada há quase cinquenta anos ou ajudar um senhor cego a atravessar a rua, mostrando-lhe cada detalhe que há muito tempo ele não vê.

Amélie nos mostra o lado lúdico e poético da vida, as pequenas belezas que deixamos passar, a ternura que ainda existe no mundo, a essência daquilo que realmente possui valor. Mas, acima de qualquer coisa, mostra-nos que a vida é única e não comporta reprises, de modo que precisamos ser corajosos para vivê-la, para senti-la naquilo que ela possui de melhor, sabendo que não possuímos ossos de vidro e, portanto, podemos suportar os baques que a vida traz, pois, se há magia no mundo, além de enxergá-la, é preciso buscá-la, sobretudo a maior magia de todas, os laços humanos, antes que o coração se torne seco e quebradiço e as emoções do presente sejam apenas pele morta das emoções do passado.

Para você, o meu próximo amor

Para você, o meu próximo amor

Essa carta é para você, o meu próximo amor. Durante muitas noites fiquei imaginando como você seria. O seu jeito, sorriso, gostos. Coisas bobas se comparadas ao mais importante que é amar. Mas não são superficialidades para mim. Nunca foram. Reconhecer você além do sentir é tão importante quanto. Saber dos teus trejeitos, do som da sua gargalhada, dos autores que gosta de ler, das músicas que te aquecem, dos filmes que te fizeram alimentar um novo olhar para o mundo. Tudo isso são potenciais descaminhos para o nosso querer. É disso que tratam os inteiros, a oportunidade de vivenciar essas experiências a dois.

Tenho consciência da realidade. Não dá somente para imaginar as ditas qualidades, afinal, ninguém é perfeito. No entanto, defeitos não me assustam. Sei muito bem sobre não ser um poço de virtudes. Acordo de mau humor se for muito cedo, a minha alimentação não é das mais variadas e tenho pouca paciência para assuntos pequenos. Então não se sinta responsável ou menor por possíveis chatices. De certo que, de algum modo, com ambos querendo, encontraremos uma sintonia torta e engraçada para manter o amor. Daremos muitas risadas no futuro, enquanto tomamos um vinho no parque. Aliás, você bebe? Não é exatamente primordial, mas seria mais interessante em alguns momentos se bebesse.

Sobre riquezas, não tenho e tampouco planejo muitas. Gosto de simplicidade. Mas entendo que é ruim ter percalços na hora de pagar as contas. Não posso prometer, mas posso ser sincero quando escrevo me esforçar para isso não atrapalhar o nosso amor. Espero que também partilhe dessa aventura. Porque apesar da comodidade em ter ótimos benefícios, é nos riscos que encontramos motivos para impulsionarmos o desejo de sermos mais. Quero sempre ser mais. Aceitar a inexistência das mudanças é o declínio de qualquer espírito.

E teremos grandes dias. Viveremos em longas conversas. Aprenderemos quais carinhos agradam mais o outro. Buscaremos essa cumplicidade quando a maioria dos relacionamentos procura exigências. É claro que poderemos vir a ter discordâncias, mas sei que o tempo compartilhado será generoso para o diálogo, pois assim resolveremos lacunas. Nada de aparar arestas para, depois de discursos amenos, o egoísmo fazer morada. Porque o tipo de amor que imagino ser o mais próximo do orgânico inclui ouvir, admirar e respeitar os anseios do outro. Não se trata de estar certo e errado. Amores regidos por essa prática, dizem adeus.

Enfim, estou aqui, despido daquele traje protetor usado quando não se quer ser magoado. Não há imunidade para quem quer sentir. Ou você sente ou não sente. Escolhi o primeiro caminho depois de muito tempo permitindo-me uma jornada sobre autoconhecimento. É importante, sabe? Reservar alguns silêncios para si. Mas está na hora, quero criar novos e intensos instantes com você, o meu próximo amor. Estou esperando. Não tenha pressa. Compreendo caso o relógio não marque o mesmo horário de chegada, mas transbordo sorrisos quando imagino o nosso horário de partida.

Com carinho,
do coração.

As invasões fotográficas do ilustrador brasileiro Lucas Levitan

As invasões fotográficas do ilustrador brasileiro Lucas Levitan

Lucas Levitan, ilustrador brasileiro, tem uma imaginação fértil que inventa situações e histórias alternativas para tudo o que vê. Em sua série de imagens chamada Photo Invasion, ele invade fotos de usuários do Instagram usando ilustrações de desenhos animados criativas e divertidas.

Natural de Porto Alegre, Lucas Levitan saiu do Brasil em 2005 para fazer um mestrado em arte e design na Universidade de Artes de Londres. Ele havia programado ficar um ano no país (o tempo de duração do curso), mas acabou se apaixonando pela cidade e cultura londrina, e lá permaneceu. Desde então, Levitan já trabalhou como cineasta, artista plástico, designer e ilustrador. Hoje, ele atua como diretor de criação freelancer em publicidade.

A inspiração do projeto Photo Invasion surgiu de uma experiência de quase morte. Enquanto Levitan caminhava tranquilamente pelas ruas de Londres, um tijolo despencou do quarto andar de um prédio em construção e se espatifou no chão, passando a 10 cm de sua cabeça. Naquela ocasião, o brasileiro sentiu imensa gratidão pela vida, e concluiu que ainda tinha muitos projetos para pôr em prática antes de morrer. Foi daí que nasceu o Photo Invasion.

Esse projeto, iniciado em março de 2014, une duas paixões de Levitan: ilustração e fotografia.

Em entrevista para o jornal Correio Braziliense, ele afirma:

“Comecei fazendo ‘invasões’ em minhas próprias fotos, mas vi que interagir em fotografias de outros é mais divertido. O Instagram me ajudou a caçar imagens e encontrar ‘vítimas’ de todo o mundo.”

O projeto é simples, mas inquisidor. De maneira lúdica e engenhosa, o ilustrador faz intervenções nas fotos de estranhos que o inspiram. Mas Levitan não é um ladrão. Ele faz questão de creditar as pessoas cujas fotos ele invadiu. Seus objetivos são meramente artísticos, e os resultados, há de se dizer, são extraordinários.

Os contextos das fotos originais que Levitan se inspira fazem ainda mais sentido quando o ilustrador adiciona seus desenhos. Às vezes, as circunstâncias são completamente alteradas, mas, na maioria dos casos, as ilustrações enriquecem o conteúdo.

A interação criada por Levitan em seus personagens dá a impressão de que as fotos são frames de desenhos animados, por sinal, muito engraçados.

De fato, o brasileiro uniu destreza, oportunismo e efetividade para criar essas ilustrações. Veja a seguir:

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*Mais informações

Minhas vizinhas

Minhas vizinhas

Não importa! Não importa mesmo quem mora mais perto, em que direção, o quanto de distância, ou qualquer outra coisa do gênero.

O que vale é que elas são minhas vizinhas e, com certa frequência, me visitam. Fico a imaginar a casa delas… Dona Tristeza deve morar em uma casa cinza, apertada, janelas bem trancadas e sem alpendre.
Dona Alegria, por sua vez, deve ter uma casa toda ensolarada, com janelas azuis, vasos de flores nas paredes, amplas varandas. Nas varandas, periquitos, passarinhos, cachorro, gato e uma rede bem rendada.

Dona Tristeza, quando me visita, vem com uma mala pesada e vai entrando sem pedir licença. Pouco fala, pouco se explica. É cheia de rodeios, não se revela. Faz questão de avisar que está chegando, pois arrasta seus chinelos fazendo um barulho irritante. Tem uma peculiaridade: geralmente chega à noite, quando o sol, há muito, já se pôs. É de uma mudez e de uma teimosia…
Prende-me em sua energia, afasta-me de todos e de tudo e leva-me a lugares que sempre evito explorar.

Dona Alegria parece-me mais tímida e é muito respeitosa. Sempre espera por um sinal, um gesto, um convite para se aproximar. Nunca vem sozinha; sempre lhe acompanha um cheirinho de alecrim, um calor gordinho, uma fita de filó que enlaça nossas mãos. Quando percebo, já estou rodopiando na sala, apaixonada por tudo que existe ao meu redor. São muitas horas, dias, meses em que somente falo bobeiras, sorrio à toa, canto bem alto, telefono para os amigos e faço mil planos com o tempo futuro, que sempre é recebido como um querido amigo.

Não sei como chegar à casa delas: se viro à esquerda ou à direita do meu coração, apenas elas é que sabem me encontrar. Confesso que, por muito tempo, quis decifrá-las, conhecer suas origens, compreendê-las para dominá-las.

Conseguiria, assim, levantar muros bem altos, colocar câmeras a fim de detectar e evitar a visita indesejável da vizinha Dona Tristeza. Ansiava, no entanto, por descobrir a casa da Dona Alegria, pois construiria uma chaminé que levasse uma fumacinha branca de boas vindas ou, então, o cheiro de um café passado e coado na hora.

Hoje estou em paz. Recebo-as, igualmente, porque sei que as duas têm muito a me ensinar. Vivo os arredores dessas emoções procurando não afugentá-las, dando a cada visita a maior consideração, pois, somente assim, tenho a possibilidade de me conhecer melhor e ser a pessoa que hoje sou.

Do público ao privado: a “americanização dos espectadores”

Do público ao privado: a “americanização dos espectadores”

Os hábitos e gostos dos consumidores condicionam sua capacidade de se converterem em cidadãos. O seu desempenho como cidadãos se constitui em relação aos referentes artísticos e comunicacionais, às informações e aos entretenimentos preferidos.

O cinema, por exemplo, sofreu mudanças, com a conversão das salas de projeção em templos, lojas de videogames ou estacionamentos e com a disseminação do vídeo, assiste-se filmes em casa. Assim, há uma nova relação entre o real e o imaginário, uma situação distinta do fenômeno fílmico entre o público e o privado, uma reorientação do cinema em relação à cultura nacional e transnacional e o surgimento de espectadores multimídia.

Há uma diversificação de gostos e cidadania com o predomínio da ação espetacular sobre outras modalidades dramáticas ou narrativas e, pela possibilidade de que subsistam cinematografias nacionais em meio a esta reorganização transnacional e multimídia da produção e dos mercados audiovisuais.

Entre muitas mudanças, a transferência da cena política para os meios eletrônicos é o processo que preserva de modo mais apolítico o que a política tem de ação. Porque é uma ação teatralizada.. Há um deslocamento semântico do que se entende por política e o herói político dos meios de comunicação de massa.

Canclini faz uma crítica à incapacidade das políticas para absorver o que está acontecendo na sociedade civil, uma vez que passados quarenta anos da apropriação da cena pública pelos meio eletrônicos de comunicação, hoje em dia, os principais formadores do imaginário coletivo, os ministérios de cultura se dedicam às belas artes, não se preocupando com a cultura popular tradicional – os meios que movem a sensibilidade das massas. São estes cenários de consumo que formam o que poderíamos chamar de bases estéticas da cidadania.

Os aparelhos ideológicos do Estado carecem de áreas institucionais dedicadas ao vídeo e a informática, e o que resta do cinema e da produção televisiva. (…) A cultura contemporânea vive esta tensão entre a modernização acelerada e as críticas à modernidade. “Os questionamentos mais radicais e lúcidos dos anos noventa à sensibilidade, ao pensamento e ao imaginário pós-industriais são hoje formulados principalmente pelos que atravessaram a experiência tumultuosa de rupturas, renovações e desenganos da segunda metade do século XX.” ( p. 249)

As sociedades civis aparecem cada vez menos como comunidades nacionais, i.e. unidades linguísticas, territoriais e políticas, para manifestarem-se como comunidades hermenêuticas de consumidores, ou seja, grupos de pessoas que compartilham gosto e pactos de leitura em relação a certos bens ( gastronômicos, desportivos, musicais), os quais lhes fornecem identidades comuns.

Não se pode todavia, generalizar as consequências sobre a cidadania desta participação crescente através do consumo. “As críticas apocalípticas ao consumismo continuam sublinhando que a organização individualista dos consumos tende a que nos desconectemos, como cidadãos, das condições comuns, da desigualdade e da solidariedade coletiva.” ( p. 262)

Canclini concorda em parte com esta visão, mas não deixa de apoiar a expansão das comunicações e do consumo por gerarem associações de consumidores e lutas sociais, ainda que em grupos marginais, melhor informados sobre as condições nacionais e internacionais.

O autor conclui com uma mensagem otimista de resgatar as tarefas propriamente culturais de sua dissolução no mercado ou na política, a partir de uma reflexão sobre o real e a distinção entre globalização e modernização seletiva, para que se possa reconstruir um multiculturalismo democrático a partir da sociedade civil e do Estado.

Dia dos Namorados é uma merda

Dia dos Namorados é uma merda

Me diz, para que serve o Dia dos Namorados? Quando chega o fatídico dia 12 de junho é uma correria de amores. Amores com pressa de presentear, celebrar e reafirmar os casos do coração. Mas é tudo passageiro. Não passa de um dia no ano para angariar likes e declarações públicas de quem diz saber amar. Sabem mesmo?

Todos já caímos nessas armadilhas consumidoras e repletas de ego. Afinal, é o dia perfeito para massageá-lo. E mesmo os solteiros que dizem não se importarem, sentem uma pequena vontade de terem os mesmos afagos recebidos. É uma merda, vai. Passar 24 horas rodeadas de carícias explícitas sem ganhar um beijo, um abraço ou um bombom que seja, dá dorzinha de cotovelo. A playlist do dia contempla do sertanejo das antigas até baladas pop de décadas atrás. Os comportamentos são variados, claro. Há quem ligue para ex. Há quem vasculhe a lista de amigos em busca daquele relacionamento casual de outrora. Mas por quê? Por que esse dia cretino representa algo quase primitivo nas nossas entranhas? Estamos fazendo certo? Estamos celebrando o amor por outra pessoa e, perpetuando, tempos a fio, o afeto e o respeito? Porque isso sim é romantismo. Não adianta preencher para depois esvaziar. O amor deve transbordar. Já para os solteiros, a lição é semelhante. Carência num dia para uma suposta independência amorosa no outro? Francamente.

Dia dos Namorados é uma merda. Ao invés de presentes, o mercado deveria disponibilizar uma apostila sobre assunto, com níveis básico, intermediário e avançado. Imaginem só:

Básico: Aprenda a lidar com o dia 12. Não é carnaval ou dia do casamento.

Intermediário: Parabéns por passar pelo básico. Você está no caminho certo.

Avançado: Poucos chegam até aqui. O conteúdo é feito em tempo real.

Ah, mas vamos falar sério agora. Independente dos signos, ascendentes e infernos astrais, o dia serve para autoconhecimento. Esteja solteiro (a) ou num namoro, a merda é ser capaz de compreender o próprio emocional. Sem isso, pode ter buquê de flores ou inúmeros flertes nos bares, o dia será nada menos que uma manifestação momentânea da nossa imaturidade de amar.

“O mundo da gente começa a morrer antes da gente”

“O mundo da gente começa a morrer antes da gente”

Dona Fernanda é vizinha de minha mãe e se prepara para mudar-se para um asilo.

Nunca se casou nem teve filhos. Está com oitenta anos e teve poliomielite na infância. Os sobrinhos não podem acompanha-la diariamente e, por isso, a opção mais adequada é o asilo.

Depois de passar pelo luto inicial, ela agora se organiza para deixar sua casa e tudo o que ela representa.

Pouco a pouco vai se despedindo dos objetos que compõem sua vida e abrindo mão da independência que tinha para assumir uma nova versão de si mesma, talvez a última.

O mundo de dona Fernanda aos poucos vai morrendo, e ela tem que ser corajosa para permitir que esse mundo se despeça dela antes do fim.

Enquanto somos jovens, recomeçamos inúmeras vezes, e de repente estamos em outro mundo, bem diferente do anterior, sem nos darmos conta disso. Viramos a página e seguimos com novas histórias, paisagens, amigos, amores. Mudamos o corte de cabelo, fazemos um regime, tatuamos uma frase no antebraço, nos apaixonamos por uma banda que ninguém nunca ouviu falar.

O mundo da gente se transforma, mas também morre. E quanto mais velhos somos, maior a sensação de que esse mundo está se despedindo.

Dona Fernanda sabe que essa é provavelmente sua última viagem. Olha as porcelanas na sala de visitas e decide com quem ficará a sopeira pintada à mão que foi presente das bodas de seus pais. Não queria ter que se desfazer de suas memórias, mas sabe que a partir de agora terá que carrega-las somente no pensamento. Nas histórias que contará aos que forem visita-la. Nas conversas que terá com suas companheiras de asilo. Nos sonhos que a acordarão no meio da noite fazendo-a acreditar que ainda está em casa.

Aos poucos tem aprendido a desapegar-se e aceitado seguir com menos bagagem…

Há uma frase de Eliane Brum que diz: “é preciso dar lugar à morte para que a vida possa continuar. É para isso que criamos nossos cemitérios dentro ou fora de nós. Em geral, mais dentro do que fora.”

Assim, acredito eu, é preciso sepultar nosso mundo que não existe mais, para que a vida flua como um rio abundante, permitindo que o antigo dê lugar ao novo.

Talvez dona Fernanda precise sepultar sua vida anterior para que possa acariciar-se gentilmente daqui pra frente. Para que possa renovar o olhar a si mesma, adoçando com algumas gotas de afeto a relação que tem com a pessoa que se tornou.

Ao perceber que nosso mundo se despede, talvez devêssemos cuidar mais de nós mesmos.

Cuidar de nós mesmos é pisar com delicadeza no solo novo que quer surgir e ser paciente com as plantinhas imaturas que começam a despontar. É regar com carinho as mudinhas recém colhidas e ser grato pela possibilidade de começar um novo jardim.

Que cada um encontre aquilo que acaricia a sua alma, e que o tempo novo traga a esperança de dias regados com tolerância e amor próprio. Que venha o cheiro de café recém coado para nos lembrar que mesmo que a vida recomece o tempo todo, algumas coisas permanecem trazendo conforto independente da dança dos dias. Que venha sabor de comidinha caseira e lençóis limpos sobre a cama. Que venha saudade estampada no porta retrato e motivos para sorrir ao se lembrar daquele sorriso na fotografia. Que haja paz e encontro, fé e aceitação, cuidado e amparo _ na forma de um abraço sincero ou chá de erva doce ao cair da noite.

Torço por dona Fernanda. Em silêncio oro para que aceite sua mudança e acaricie seus pensamentos. Que ela possa continuar caminhando, mesmo que a estrada se apresente mais dura daqui pra frente. Que ela não perca a doçura, ainda que seus dias sejam mais amargos.

E que saiba encontrar recursos para prosseguir, pois o mundo se despede a todo momento, mas a gente tem que continuar…

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A Fada do tempo veio me visitar…

A Fada do tempo veio me visitar…

Era uma vez uma mãe apressada, muito apressada, aliás como todas as mães.

Ela fazia muitas coisas ao mesmo tempo: trabalhava, estudava, cuidava da casa, dos filhos, dos bichos e até (de vez em quando, é bem verdade) dela mesma.

As tarefas eram muitas, todos os dias e quanto mais ela fazia, mais apareciam coisas ainda por fazer.

Ela corria pra um lado, corria pro outro e estava sempre cansada.

Tão cansada que começou a trocar tudo: colocou suco pro gato, ração no prato, guardou a roupa na geladeira e ao se despedir da filha na porta da escola, ao invés de lhe dar um beijinho, abraçou o porteiro.

Tudo estava muito confuso e ela continuava cansada.

Mas não podia parar, pois o tempo era seu mestre e sempre fazia com que acordasse cedo e dormisse o mais tarde que pudesse.

Afinal, eram muitas coisas pra dar conta.

Tudo o que ela mais queria era que o dia fosse mais longo, tão comprido que ela pudesse tirar uns momentinhos para descansar.

Um belo dia, de tão cansada, sentou na porta de casa para amarrar os sapatos e adormeceu.

Quando acordou, se deu conta que as coisas estavam um pouco diferentes, tudo parecia mais devagar.

Os minutos demoravam a passar, a noite parecia não chegar, os ponteiros do relógio mal saíam do lugar.

Ela então, pensou: -Finalmente vou ter todo o tempo que precisar!

E começou a sua infindável lista de tarefas: arrumar a casa, ajudar as crianças na lição de casa, preparar o almoço, dar banho nas crianças e levá-las na escola, dar mais um jeito na casa, ir para o trabalho, voltar, contar histórias para as crianças e coloca-las para dormir, etc, etc, etc.

Como o tempo passava devagar, ainda deu tempo de arrumar o cabelo, fazer as unhas, preparar o relatório, lavar a louça do jantar e colocar toda a roupa no lugar.
No final daquele dia interminável, quando foi se deitar, percebeu que o cansaço ainda estava por lá.

No início ficou confusa, não entendia como em um dia tão longo não havia tirado nem uns poucos momentos livres para descansar ou, simplesmente, ver a vida passar.

Foi então que a Fada do tempo, a mesma que havia feito o feitiço para o tempo parar, apareceu e disse: – O tempo, passe ele depressa ou devagar, não é capaz de nos transformar.
Na verdade, ele é um mero coadjuvante no tipo de vida que insistimos em levar.

Somos nós, independente do tempo que temos, que decidimos quando e como parar.

E por mais incrível que pareça: parar pode ser a única maneira de continuar!

Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras

Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras

No Mundo da Ciência, é comum ouvirmos dizer que tudo é energia, o que não seria diferente em nós e para nós.

O artigo trata de uma experiência feita em algas, e com o resultado, a doutora e terapeuta Olivia Bader Lee, sugere que o mesmo pode se aplicar aos humanos.

A equipe de pesquisa da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, fez uma interessante descoberta mostrando que as plantas podem absorver fontes de energias alternativas de outras plantas.

Essa descoberta pode causar um grande impacto no futuro da bioenergia, eventualmente fornecendo a evidência de que pessoas absorvem energias de outras, da mesma maneira.

Membros da pesquisa biológica do Professor Olaf Kruse, confirmaram pela primeira vez que uma planta, Chlamydomonas Reinhardtii, não apenas realiza a fotossíntese, mas também tem uma fonte alternativa de energia, que pode absorver de outras plantas, conforme publicado no site Nature.com.

contioutra.com - Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras

As flores precisam de água e luz para crescerem, e as pessoas não são diferentes.

Nossos corpos físicos são como esponjas, absorvendo o ambiente a nossa volta.

“É exatamente por isso que há pessoas que se sentem desconfortáveis onde há um certo grupo com mistura de energias e emoções”, disse a psicóloga e terapeuta Dr. Olivia Bader Lee.

Plantas produzem a fotossíntese a partir do dióxido de carbono, água e luz. Em uma série de experimentos, Professor Ola Kruse e sua equipe, cultivaram a alga microscopicamente pequena, Chlamydomonas Reinhardtii, e observaram quequando expostas à falta de energia, essas plantas de células únicas podem absorver energia de vegetais ao redor.

A alga ‘digere’ as enzimas de celulose, tornando-as pequenos componentes de açúcar, sendo então transportados para células e transformados em fontes de energia.

“Essa é a primeira vez que esse comportamento é confirmado em um organismo vegetal. Essas algas poderem digerir a celulose, contradiz todos os livros anteriores. Até certo ponto, o que estamos vendo é plantas se alimentando de plantas”, diz  Professor Kruse.

Dr. Bader Lee diz que quando os estudos sobre energia se tornarem mais avançados nos próximos anos, nós poderemos ver toda essa ação sendo traduzida também para os seres humanos.

Bader Lee complementa: “O organismo humano é bastante similar à uma planta, que suga, absorve a energia necessária para alimentar seu estado emocional, e isso pode energizar as células ou causar o aumento de cortisol e catabolizar, alimentar as células dependendo da necessidade emocional.”

contioutra.com - Ciência perto de comprovar que pessoas absorvem energia de outras

Finalizando, Dr. Bader fala da conexão do homem com a natureza, que se perdeu durante os anos mas que está se reencontrando novamente, afirmando que o ser humano pode absorver e curar através de outros seres humanos, animais e qualquer parte da natureza. É por isso que estar perto da natureza é frequentemente tonificante, curativo e energizante para tantas pessoas.

Ao contrário do que pensam muitos ‘cientistas’ da idade moderna, que clamam conhecer tudo, se existe o Mundo Espiritual, ele não é separado da Ciência, e sim separado da ciência reduzida do homem.

Por conta de inúmeros relatos de pessoas com capacidades ‘paranormais’ para o padrão moderno do mundo, pesquisadores da Universidade de Granada, na Espanha, conduziram um estudo sobre o fato de pessoas que afirmam verem a aura de outras, conforme publicado no site MedicalXpress.

O fenômeno neuropsicológico ‘Synesthesia’, é uma condição na qual um padrão cognitivo leva a outro, misturando seus sentidos. Dessa maneira, as pessoas que possuem essa capacidade, podem ver ou até mesmo sentir o som, ouvir um cheiro, ou associar pessoas a um tipo de cor ou música.

Vemos que não se trata apenas de uma suposição, mas algo sendo descoberto pelos cientistas e afirmado por outros, o que há milênios se sabia nas culturas orientais, por exemplo.

Sendo assim, o nosso campo áurico pode tanto afetar quanto ser afetado não só por pessoas ao nosso redor, mas também por objetos, já que conforme afirma a Ciência, tudo é energia.

O BioField Global, fala detalhadamente sobre os nossos corpos mais sutis, do conhecimento dos antigos hindus, e do aprofundamento dos estudos da aura com o auxílio da moderna tecnologia.

Talvez o amor não seja tão complicado: Procura-se Amy

Talvez o amor não seja tão complicado: Procura-se Amy

Pode o amor ser sustentado apesar das experiências passadas? Apesar da cultura pré-estabelecida que nos fora ensinada desde novos? Procura-se Amy, clássico noventista (1997) de Kevin Smith dialoga sobre essas questões com o típico humor negro presente na sua vasta filmografia. Estrelado por um Ben Affleck – ainda em início de carreira, Joey Lauren Adams e Jason Lee, a produção busca refletir os descaminhos do conservadorismo e da liberdade sexual de uma geração que, mesmo propagando um suposto respeito e conhecimento acerca das escolhas, na verdade, transparece de forma latente a prepotência e as dúvidas de uma vida.

Procura-se Amy é um daqueles filmes que melhor consegue capturar a essência das relações afetivas. Amizade e amor caminhando lado a lado por um ponto de vista totalmente próximo da realidade, e não na medida rotineira e preguiçosa da maioria das produções hollywoodianas. Pouquíssimo conhecido pelo grande público, mas muito apreciado pela crítica especializada, o longa traça algumas semelhanças com todo esse material romântico já visto nos cinemas, mas sem perder a honestidade e legitimidade de apresentar algo fresco. E consegue. Affleck vive Holden, um jovem descolado e, no entanto, preso a crenças conservadoras. Até que conhece Alyssa, papel de Lauren Adams, bonita, divertida e com uma sintonia perfeita para ele. Mas é lésbica. Alyssa quer apenas ser amiga de Holden. No meio disso, Banky, encarnado por Segel, questiona se realmente vale a pena ser amigo de uma mulher que ele não vai nutrir qualquer relacionamento sexual. E nas piadas sexistas, repletas de diálogos vorazes e perceptivos, Kevin Smith vai delineando essa jornada. Desconstruindo tabus, criticando uma sociedade contemporânea sugada de preconceitos machistas e não por menos, sem se esquecer de contar a história de amor apresentada na premissa.

Referência na cultura pop e também sendo o trabalho que alavancou o status de Kevin Smith como um dos cineastas mais perspicazes e autênticos do cinema americano, Procura-se Amy foi feito para quem acredita na saída da zona de conforto. Que é possível entender os pormenores das relações emocionais sem cair nos clichês afirmativos. Um trabalho de autoconhecimento fundamental para o abandono da imaturidade que insistimos em perpetuar. Talvez o amor não seja algo tão complicado, mas para reconhecer a sua amplitude, antes de tudo, o coração necessita conversar francamente com o bom senso. Faz parte do pacote.

Onde mora o amor?

Onde mora o amor?

Pergunta fácil? Responda você…

Se o amor mora nos sonhos e devaneios, as vertigens podem ser intensas.

Se se aloja no desejo de sempre agradar e nunca decepcionar, já nasceu fadado a perder o desafio.

Se escolheu viver à sombra de outro amor, recolhendo sobras e raras oportunidades, viverá mendigando o mínimo para não perecer.

Se nenhuma outra alternativa lhe restou a não ser viver escondido, platônico, camuflado, então nem de amor poderá ser chamado, já que lhe falta coragem para assinar seu nome no coração de outro amor, temendo a rejeição que jamais saberá o poder que exerceu.

O amor não pode morar em locais sombrios. O amor não cabe em becos sem saída, em servidões que não levam a lugar algum. Um movimento em falso e já se perdeu o amor.

O amor precisa de claridade, de espaço, de muito ar, de perfume, de portas abertas, janelas escancaradas, caminhos e trilhas, curvas e ladeiras, uma cadeirinha de balanço na entrada.

O amor que mora dentro de corações corajosos, encontra facilmente as luzes para seguir caminho. Se uma porta lhe é fechada, ele segue adiante e não se detém tentando forçar passagem onde não é bem-vindo.

O amor generoso mora em vários lugares e deixa um pouco de si por onde pousa. É o amor de quem deixa saudades.

A moradia do amor é onde ele guarda seus pertences, seus desejos e anseios. O amor que mora sozinho, acaba por se tornar egoísta e cheio de manias. Já mostra dificuldades em compartilhar a casa e as emoções.

O amor da gente sempre escolhe um lugar para morar, e, mesmo que vá mudando e se adaptando ao longo da vida, é importante nunca perde-lo de vista, saber seu endereço, e lembrá-lo sempre e sempre de que vez ou outra não há mal algum em passar um tempinho na casa onde nasceu, só para descansar, se curar, ou planejar a próxima viagem.

Era uma vez uma menina que tinha medo do escuro

Era uma vez uma menina que tinha medo do escuro

Dentro de cada uma de nós existe uma menina que tem medo do escuro. Às vezes o escuro está fora, às vezes mora dentro de nós. Nem sempre é causado pela falta de luz. Muitas vezes, inclusive, sentimo-nos ofuscadas pelo excesso de luminosidade que cega. Essa luminosidade excessiva que vem do brilho artificial de modelos impossíveis ou cobranças descabidas.

E, tanto faz se tivermos sido meninas quietinhas, tímidas e obedientes. Ou se a nossas versões infantis tiverem sido encarnadas por garotinhas rebeldes e travessas. Era no silêncio de nossos quartos, quando ficávamos a sós com nossos sonhos e desafios, é que entrávamos em contato com nossas coragens e fraquezas, com nossas estratégias para enfrentar esse mundo que exige tanto de nós e nos protege tão pouco dos inúmeros perigos. As coragens aprendidas na solidão que vem do medo, viram passes de liberdade quando nós as compartilhamos umas com as outras.
Meninas passam a vida cortejando a coragem. Meninas crescem tendo de provar que são fortes, sem perder a doçura; que são inteligentes, sem perder a feminilidade; que são ousadas, sem perder a inocência. Meninas são desafiadas a superar inúmeros obstáculos para alcançar seus objetivos, sempre sendo questionadas, postas à prova, testadas.
Meninas ficam cada vez menos vulneráveis, a cada vez que uma de nós enfrenta e descarta um relacionamento abusivo; a cada vez que uma de nós vence e supera uma barreira aparentemente intransponível de preconceito e subjugo; a cada vez que uma de nós não se rende às circunstâncias e inventa um novo caminho; a cada vez que uma de nós abre espaço para que tenhamos os mesmos direitos à liberdade, à segurança a sermos donas do nosso corpo, do nosso destino e do nosso prazer.
Quanto mais teremos de ser corajosas para refutar os rótulos que insistem em nos impor? O tempo que for necessário, até que todas nós estejamos livres dos medos que aprendemos a engolir, digerir e incorporar. Nenhuma de nós está mais interessada nessa imagem impossível de parceira exemplar, capaz de tolerar toda espécie de afronta ou deslize porque cabe à mulher a harmonia da família. Nenhuma de nós precisa mais de relacionamentos estáveis e respeitáveis para se sentir digna e íntegra. Nenhuma de nós pode mais aceitar essas reduções e limitações, porque em aceitando, estaremos jogando no lixo anos de luta, resistência e enfrentamento para nos garantir o direito de ser mulher, dona de seu nariz, independente e muito feliz, obrigada!
Aquela menininha que mora dentro de nós e que tem o direito, inclusive, de sentir medo, crescerá em coragem, à medida em que formos nos dando conta de que as inúmeras atribuições que teimam em cobrar de nós são escolhas. Temos o direito de escolher ser ou não ser mães; ter ou não ter relacionamentos sérios, divertidos, enrolados, ou seja lá o que for; ficar à vontade com nossos corpos lindamente originais e imperfeitos; acreditar que o amor ou qualquer outra forma de afeto é legítima se nos trouxer alegria.
E um dia, de tanto cortejar a coragem, veremos o medo diminuir, esmaecer, diluir-se em nossos incontáveis mergulhos, e voos e saltos que escolhermos dar em busca de nos encontrarmos ou de nos perdermos. Um dia, o mundo há de compreender que nosso maior desejo é sermos livres para dizer sim, não ou talvez, a depender de nossa vontade, necessidade ou disposição. Porque dentro de nós habitam todas as mulheres do mundo, cada uma com suas histórias e sonhos. Mas, sobretudo, com o peito cheio de orgulho por ter conquistado tantas coragens ao longo da vida, graças a cada pequeno medo que foi acolhido, compreendido e superado.

Gordinho ou magrinho, esperto ou trouxa, namore quem lhe faça sentir amor

Gordinho ou magrinho, esperto ou trouxa, namore quem lhe faça sentir amor

Ahh… que bom seria se houvesse receita para essas coisas! “Namore um gordinho porque ele faz piada quando você está triste…”. “Escolha um ‘trouxa’ porque ele lava a louça que você larga na pia…”. “Prefira um desencanado porque ele não liga se o seu cabelo está sujo…”. Com todo o respeito às idealizações sem mais, aos sonhos doces de cada hora, às esperanças inocentes, eu acho mesmo é que a única condição para namorar uma pessoa é um pouco mais simples que isso: a gente precisa sentir amor por ela.

Pouco importa se é gordinho ou se é magrinho, branco ou preto, mulher ou homem. Vale é o fato desse alguém despertar em você um sentimento de amor! Quer dizer que o coração dele se aproximou do seu. Que as suas humanidades se encontraram, suas dores se cruzaram, suas alegrias se sorriram. Quer dizer que alguém, finalmente, mexeu de um jeito bom em alguma coisa aí dentro de você e lhe provocou amor. Pronto! Só o que lhe resta é ver no que vai dar. Se não der em nada, paciência. Já valeu o fato de ter sentido amor.

Porque, você sabe, amor é coisa que a gente sente sem dar a mínima para a lógica burocrática do “primeiro você se apaixona e só depois você ama…”. Balela! Coisa mais chata esse negócio de reduzir o amor a um sentimento que só vem com o tempo! Como cansam os gênios com mania de explicar o amor e enchê-lo de regras!

Agorinha ainda eu senti amor aqui perto, na rua, por uma total desconhecida. Ela tirou um saquinho plástico do bolso e recolheu o cocô que o cachorro dela havia feito na calçada. Aí vem o especialista enfadonho e determina: “o que você sentiu por ela foi simpatia, não foi amor!”. E eu respondo: “a simpatia é minha e eu dou a ela o nome que eu quiser!”. Inclusive amor.

Não, eu não quero namorar a desconhecida do cachorro. Mas seu gesto educado fez nascer em mim um sentimento de amor. E isso não é pouco. Tivesse de escolher uma namorada entre a melhor pessoa do mundo e aquela que me faz sentir amor, é certo que eu ficava com a segunda opção.

Sensação amorosa é uma pista de ouro. A gente segue o que o coração indica. Serve tanto na hora de se aproximar quanto no instante de se afastar de alguém. Ouvir as palavras mudas do sentimento, partir para onde elas sopram, seguir nossa intuição amorosa é fazer o que o coração orienta. E o coração sabe das coisas. Mais do que qualquer especialista, ele sempre acerta quando diz que estamos sentindo amor.

E sentir amor, ainda que seja um fiozinho amoroso de nada, é a única coisa que vale na hora de escolher namorar alguém. Seja gordinho ou magrinho, esperto ou trouxa, branco ou preto, rico ou pobre, homem ou mulher.

Não existe melhor calmante do que o abraço que afasta os medos

Não existe melhor calmante do que o abraço que afasta os medos

Abraçar e receber um abraço pode ser o melhor remédio, o mais poderoso, o que acalma, rompe inseguranças e afasta os medos que nos paralisam.

Que bonito é sentir um abraço que nos preenche dos pés à cabeça, que nos acende o coração, que nos faz fechar os olhos, com que nos sintamos nas nuvens e que nos completa no mais profundo do nosso ser.

Por quê? Porque um abraço é um gesto que afasta os medos, que recompõe, que constrói vínculos, que relaxa e ajuda a manter a calma. O calor que transmitimos através de um abraço sincero é comparável ao calor do lar porque, no final das contas, trata-se de sentir que você está em casa, em uma casa de carne e osso.

Um abraço, o melhor remédio para as dores da alma

Seja o que for que estivermos passando, sentir o calor de alguém de quem gostamos através de um abraço é essencial para a nossa melhora em um mau momento e para que possamos sentir bem-estar. Algo muito simples, mas às vezes complicado de encontrar.

“Um breve abraço pode secar muitas lágrimas, uma pequena palavra cheia de amor pode nos encher de felicidade, e um pequeno sorriso pode mudar o mundo. São estas pequenas coisas as que constroem nosso mundo enchendo-o de paz e de amor…”

O abraço é um super poder que todos nos possuímos, um grande remédio para curar as dores de uma alma machucada por uma realidade difícil, por um desengano, um abandono ou uma traição.

Por isso, sempre que pudermos, devemos fazer uso do melhor ansiolítico ao nosso alcance, um deleite do amor, um feitiço, um encontro entre dois corpos que se unem em carinho, companhia e calor.

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Os abraços que acabam com todos os nossos medos

Há uma verdade na qual duas almas se abraçam e se oferecem segurança para fazer frente aos obstáculos, para promover uma grande força diante da vida, para assentar as bases sólidas de nossos sorrisos.

Estes abraços que nos ajudam a dizer à adversidade que ela não vai conseguir nos machucar, que nos afastam da solidão e que nos enchem de alegria. Estes abraços que são dados com tanta força que parecem que querem nos romper mas que, na realidade, estão nos recompondo.

Sem dúvida, o abraço é uma conexão especial que oferece ao tempo a sintonia que o detém, que transmite a mensagem que cura, que é a melhor terapia para renovar os sentimentos, acalmar as emoções, e nos comunicarmos com os demais e com nós mesmos.

Fundir nossos corpos em um abraço nos ajuda a sermos mais pacientes, a nos relaxarmos e a nos sentirmos queridos, o que contribui para o fortalecimento de nossa autoestima, de nosso amor próprio e de nossa capacidade de resistir diante das dificuldades e dos medos.

Abraçar a si mesmo é imprescindível para sobreviver

Você já aliviou as suas tristezas algumas vez através de um auto-abraço? Você já deu calor a si mesmo? Parabenizou-se por suas conquistas? Este abraço íntimo e próprio é indispensável para estarmos bem nutridos, para tirarmos as armaduras, nos afastarmos do frio e trabalharmos a arte do amor próprio nos aproximando da autenticidade.

“Através dos auto-abraços nos abrimos a nós mesmos, nos vinculamos desde dentro ao exterior e somos capazes de nos comovermos. É simples, se você se abraçar, abraçará a sua vida.”

Assim, poderíamos dizer que se nos abraçamos, nos amamos, e se nos amamos, nos reconhecemos. Esta é a base de nossa construção, nos envolvermos em nossos braços para liberarmos nossas emoções e nos aproximarmos de tudo de bom que há na vida.

Porque graças ao auto-abraço podemos nos proteger do falso amor, da dependência, da idealização excessiva e de tudo aquilo que nos empobrece, nos enfraquece e derruba a nossa valentia e nossa bondade.

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Um abraço que faz com que as tristezas se afastem do corpo

Em muitos momentos de nossa vida os abraços são os que fazem a diferença. Como se costuma dizer, é preciso fazer menos perguntas aos olhos tristes e oferecer mais abraços, pois às vezes é apenas isso que nós precisamos.

Quando uma pessoa está para morrer, não se arrepende de ter abraçado tanto, de ter amado alguém ou de ter transmitido energia e carinho. Nestes momentos nos arrependemos de ter descuidado das pessoas que amamos, de termos trabalhado tanto e de não ter oferecido amostras de carinho todos os dias.

Esta é uma grande lição: é preciso abraçar mais, pois abraçar e receber um abraço em um momento de necessidade é a vitamina que energiza nosso corpo e nossa mente. É algo do qual nunca iremos nos arrepender.

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