Eu cuido de todos. E quem cuida de mim?

Eu cuido de todos. E quem cuida de mim?

Muitas vezes encontramos pessoas dispostas a cuidar de tudo e de todos, a qualquer hora, em qualquer lugar e sob qualquer circunstância. Guarda a dor no bolso e vai cuidar da dor do outro. Qual ferida esse curador esconde?

Dias e dias passados com aquele parente no hospital, vive cozinhando para várias pessoas, é sempre o primeiro a se oferecer para ajudar em um mudança de casa, na organização de uma festa, no cuidado com as crianças, é “pau pra toda obra”! É aquela mãe que vive só em função dos filhos; nada de fazer as unhas, arrumar o cabelo, comprar uma roupa nova. É mãe com dedicação exclusiva aos filhos. Tem também aquele que faz todo mundo rir, pois se preocupa em manter todos sempre com um alto astral. São pessoas que dedicam-se ao cuidado do outro. Você conhece alguém assim? Então esse texto é para você!

Que se dispor a cuidar das pessoas, dedicar-se, ser solícito, sejam atos admiráveis, disto não restam dúvidas. Estamos precisando de pessoas que se importam verdadeiramente com as outras, pois o mundo está lotado de pessoas egoístas e cheias de si. O problema é quando a dedicação ao outro é tanta que se esquece do cuidado de si mesmo. Além disso, quem precisa receber cuidados, precisa de alguém que esteja em boas condições física, psíquica e emocional. É preciso estar inteiro!

Quando o tempo está sendo ocupado sempre com o outro, deixa-se pouco ou quase nada de espaço para o cuidado consigo mesmo. Ao voltar-se o olhar para o externo, para o outro, desvia-se do olhar para dentro, para si mesmo. Então precisamos iniciar uma autoanálise: O que não pode ser visto? Há algo em mim que estou evitando? O que em mim é tão difícil de encarar? São perguntas que devem ser feitas para que se possa analisar como está sendo o cuidado com a própria vida. Essa vida tão única e passageira.

Por mais que a vida do outro seja muito importante, a própria vida também é. A própria ferida precisa ser cicatrizada. A realização pessoal, a felicidade, o bem-estar, não podem depender apenas do riso do outro, do conforto do outro, da qualidade de vida só do outro. Quando o outro se vai (e as pessoas vêm e vão), precisamos nos perguntar: O que resta de mim? O quanto de mim pode ser preservado? Cuidado? Qual é a minha identidade? Do que eu gosto, minha música preferida, o meu prato especial, meu filme favorito, meu passatempo aos finais de semana… Tudo isso são modos de saber quem somos, do que gostamos e qual a forma que sentimos que estamos cuidando de nós.

Em síntese, precisamos refletir: Gosto de cuidar do outro; isso eu já sei fazer bem. Agora preciso aprender a cuidar de mim, a gostar de mim, a me olhar, a me tratar com carinho e com respeito, a me amar. Eu tenho esse direito!

Photo by Elijah Hiett on Unsplash

O bolo só cresce se o forno estiver bem quente

O bolo só cresce se o forno estiver bem quente

O caderno de receitas de minha mãe traz os primeiros traços de minha letra cursiva que se esforçava para ser perfeita nos primeiros anos.

Eu gostava de copiar as receitas e enfeitá-las com recortes coloridos ou desenhos infantis. Hoje, minha mãe conta com um livro de receitas que é uma relíquia, baú de afeto de sua filha mais velha.

Ao seu lado aprendi a necessidade de untar a fôrma e pré aquecer o fogo. E por mais que quisesse experimentar a gostosura antes do tempo, aprendi que o bolo só cresce se o forno estiver bem quente.

Assim também fui aprendendo o valor da paciência diante das demoras da vida, da necessidade de saber esperar mesmo que isso custe muito esforço.

Pra algumas coisas não há remédio senão esperar. Algumas coisas fogem do nosso controle, do nosso domínio, da nossa condução. Assim como o bolo tem o tempo dele para ficar pronto e não há o que se fazer senão aguardar _ com a porta do forno fechada!_ a vida nos cobra tolerância ao tempo marcado para cada coisa.

No Chile, esperando pelo voo marcado para as 14 horas, só conseguimos decolar às 20 horas. Alguns passageiros aguardavam pelo voo desde a manhã, e o remédio era esperar. Encontramos então formas de fazer isso: lendo, admirando as últimas fotos, jogando um game no celular, conversando… não importa, o importante era conseguir atravessar as horas até o momento certo chegar.

O momento certo sempre traz boas surpresas, mas aprender a aproveitar o hiato entre o desejo e a concretização dos planos é essencial para se viver uma vida satisfatória.

A vida é cheia de demoras e é preciso ter cuidado para não estragar as boas surpresas que estão por vir com nossa ânsia de chegar mais rápido.

É preciso suportar os vazios, os silêncios, a falta de respostas. Nem tudo flui no nosso tempo, seguindo o compasso de nossas vontades, e não podemos atrapalhar o curso natural da vida com nossas urgências e impaciências.

É preciso aprender a lidar com a ausência de sinais. É preciso tolerar o silêncio. É preciso encontrar recursos para atravessar o deserto de respostas. Todos passamos por momentos de aridez, e é assim que crescemos também. Aprendendo a ser forte quando tudo é ausência; conseguindo ser delicadeza quando tudo é solidão; e resistindo com poesia quando tudo é ventania.

Saborear um bolo quentinho, recém saído do forno, com um café coado na hora, é me lembrar de um tempo feliz, em que ficava na cozinha ao lado de minha mãe e sentia o cheiro da massa se espalhando pela casa. Naquele tempo não havia celulares, tablets, netflix ou aplicativos, e por isso a espera pela minha fatia de bolo fumegante era tão celebrada. O tempo era nosso, e os vapores da cozinha nos contavam que a felicidade morava no instante presente, não somente naquilo que estava por vir.

Que as esperas sejam celebradas com a mesma poesia que os pontos de partida e chegada; que o tempo transcorra sereno mesmo que os relógios demorem para acertar a hora desejada; e que a vida tenha sabor de bolo quentinho, que só ficou saboroso porque não foi tirado do forno antes do tempo…

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Tome cuidado com os agiotas do coração!

Tome cuidado com os agiotas do coração!

A gente só dá o que pode, a gente só gasta o que tem. Amor com empréstimo… não sei.

Não quero que o amor chegue para mim na fragilidade, me encontre desprevenida, me pegue no colo, me limpe as lágrimas, me dê uma luz num momento de escuridão.

Não quero que o amor seja a minha salvação.

Não quero um amor que veja a minha fraqueza e a queira e por causa dela encontre um canto no meu coração, um canto mal arrumado, inflamado de outras estórias.

Não quero alguém que surja dizendo que não quer muito, que se sustenta com minhas migalhas e vai ficando por perto, vai se apoiando na minha falta de energia e devagar vai querendo mais, vai exigindo mais, vai me exigindo o amor que eu não estava pronta para dar.

Não quero um ombro para me apoiar, um lenço no momento devido, um ouvido que parece disposto a escutar tudo, essas boas ações, mas cheias de segundas intenções. Acompanhando meus farrapos e esperando que eu renasça na palma daquelas mãos.

Desconfio de quem queira transformar minha merda humana em amor. De quem cria laços com os meus fracassos e quando eu estiver bem, ficará parecendo que selamos um contrato, estarei em dívida de amor com esse ser tão bondoso que ficou ao meu lado nos piores momentos.

Desconfio de quem chega aceitando meu mínimo, o meu pouco entusiasmo, de quem vê no meu momento de fraqueza e solidão uma oportunidade, uma chance de conquistar meu coração.

Fica parecendo amor gratuito, genuíno, ‘que lindo, me vê na pior e me ama assim mesmo!’. Mas pode ser um agiota do coração, com um contrato diferenciado, as prestações começam mais tarde, mas os juros ficam acumulados.

E cria-se o vício, como num jogo de azar, ele se torna a minha danação e salvação. Me diminui para depois me amar. Me gosta pequena, para assim me mostrar a grandeza do seu sentimento. Me joga no chão para depois me dar a mão. E eu me sinto até agradecida! Nem sempre a gente vê…

Mas eu desconfio de quem chega me amando quando estou na merda. Como o amor pode ser mútuo, como pode ser troca boa, quando uma das partes não tem nada para oferecer?

Bom mesmo é quem se apaixona pelo que em mim é força, é brilho, é espontâneo. Quando as minhas portas estão abertas, meu sorriso fácil, minha alma arejada, minha vontade de viver e amar restaurada. Quem chega não para construir minha autoestima, porque esta já fica bem sozinha. Quem chega para compartilhar e somar.

Nos meus momentos frágeis talvez eu não precise de um novo amor, talvez eu não precise desesperadamente sair da solidão, talvez eu só precise de um bom amigo, um travesseiro e me dar um tempo.

Tem horas na vida que a gente não precisa amar, a gente só precisa meditar.

Quando for amar, queira entrar de olhos abertos e de coração restaurado, para depois plenamente mergulhar dos pés à cabeça.

Cresça e apareça

Cresça e apareça

Cresça e apareça. É o que diz o ditado.

O pintinho cresce, quebra o ovo e aparece na casca. A lagarta cresce, rompe o casulo e aparece como uma borboleta dourada. O bebê cresce, sai do ventre e abre os olhos para o mundo.

Eis a lei natural da vida.

Mas nós, claro, teimamos em ignorar prontamente essa lei e em alguns casos tentamos subvertê-la.

Muitas vezes nos negamos a amadurecer (ou simplesmente não conseguimos!), porém, mesmo assim, queremos o sucesso – aparecer, em alguma instância, é ter sucesso, uma vez que o sucesso tem a ver com expansão.

Não existe chave para o sucesso, mas uma coisa é fato: quem perde tempo tentando não se afogar na opinião alheia e amargando o que ainda não conseguiu alcançar no lugar de remar em direção ao que sonha, não cresce.

Ao contrário. Definha, perde energia, se volta para o próprio umbigo, mergulha no limbo da inveja, da autopiedade e da autopunição.

E quem não cresce, não aparece.

Quantas vezes não vemos pessoas aparentemente medíocres ganhando destaque na área em que trabalhamos e ficamos sem entender?

Sorte? Talvez, não. Talvez a pessoa não tenha tanto talento, todavia seja madura. Madura a ponto de não ficar lamentando o que passou ou que ainda não chegou. A ponto de ter foco, concentração, disciplina, coragem, autoconfiança, amor-próprio e atitude. A ponto de não se colocar num pedestal de sal que desmorona quando o primeiro vento da rejeição sopra.

Pare para observar: alguém escuta o que uma criança birrenta diz quando ela está esperneando? Não! Apenas a colocamos de castigo. Mas quando ela cresce um pouquinho e aprende a negociar, escutamos, não é assim que funciona?

Nem tudo é tão complicado quanto parece. Em alguns casos, basta observar (e seguir) a lei natural das coisas e/ou alguns ditados populares – afinal eles não seriam populares se não tivessem um fundo verdade.

Portanto, antes de bater o pezinho porque não “chegou lá”  – como se existisse um lugar chamado lá, né? –  pare de fazer birra. Não adianta fazer birra. É preciso crescer, primeiro, bebê! Só assim a nossa voz será ouvida e, quem sabe, nossos desejos atendidos.

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(imagem: google)

Ela não tinha um coração de pedra, mas um coração resistente a amores fracos

Ela não tinha um coração de pedra, mas um coração resistente a amores fracos

Ela crescera embalada pelos contos de fada, sonhando encontrar um príncipe encantado, para com ele viver feliz para sempre. Felicidade então significava estar com um homem, ter um marido, um lar, filhos, numa vida rodeada de eletrodomésticos de última geração.

E foi assim que se tornou uma adolescente insegura consigo, com a própria imagem, uma vez que teria que parecer interessante a algum rapaz de família. Nesse percurso, foi se esquecendo de si mesma, do que realmente sentia, era e queria, sufocando sua identidade sob aquilo que lhe disseram ser o certo.

Porque estava insegura e vulnerável, entregou-se a homens errados, doando-se sem receber nada em troca, aceitando metades, resignando-se, como se ela fosse sempre a culpada. A vida cor de rosa que havia idealizado ruía diante da frieza, da insensibilidade, da maldade alheia. Ela não se preparara para o mundo em que o “felizes para sempre” era raridade, artigo de museu.

Cada vez mais desiludida, chegou ao fundo do poço, com a cara e a alma quebradas, sentindo-se a pior das criaturas, alguém que não merecia ser feliz. Tentou mitigar a dor em vão, sob o efeito de álcool, tranquilizantes e afins. E porque se esvaziara de si mesma, não criara laços fortes com ninguém com quem pudesse dividir a dor. Na solidão, teve que se enfrentar sem rodeios, ou não sobreviveria.

Sozinha em meio à sua escuridão, para que não se perdesse para sempre, como que por instinto de sobrevivência, passou, lenta e dolorosamente, a voltar os olhos para si mesma. Foi se descobrindo como um alguém, foi se vendo como uma pessoa, dando as mãos ao que havia de melhor dentro de si, pois sempre há, por mais que tentemos enterrá-lo.

Recomeçou, enfim, iniciando a jornada em busca de si mesma e acabou percebendo que poderia, sim, ser feliz sozinha, caso não encontrasse alguém. O amor próprio finalmente tomou conta de seus sentidos e o espelho tornou-se seu aliado, complementando a inteireza de suas verdades mais íntimas. Não, não mais aceitaria migalhas, não mais colocaria a felicidade lá fora, não mais se culparia pela covardia alheia.

Hoje ela ainda não sabe muito bem o que quer, mas tem certeza do que não quer, do que não aceita, do que jamais trará para junto de si. Agora ela se ama e ninguém mais poderá ferir o seu coração. Ela é linda, porque se sente linda e isso basta. Dizem que ela é difícil e fechada para o amor. Ela, porém, apenas tem a certeza e a determinação de não permanecer perto de quem não sabe o que é troca, compartilhamento, cumplicidade.

Ela ainda iria quebrar a cara, óbvio, mas agora saberia distinguir qual era o peso dela naquilo tudo, não mais acumulando somente em si mesma as responsabilidades para o amor dar certo. E ela seria feliz, simplesmente porque ela estava pronta para amar de verdade. Agora ela era alguém de verdade.

A intrigante felicidade!

A intrigante felicidade!

Pode-se levar toda a vida numa perseguição implacável para conquistar e aprisionar a felicidade. A mesma felicidade que se mostra em raros momentos, espontânea e grandiosa, que costuma levar consigo a faixa de “o dia mais feliz da vida de alguém”.

Ser feliz é algo intrigante. Se sou inteiramente feliz, não há nada mais para conquistar, nada mais a aspirar. Somente respirar a felicidade.

Sentir-se feliz já é mais animador. Hoje me sinto feliz! Amanhã, não sei, mas vamos aproveitando o dia feliz.

Perseguir a felicidade como um objetivo, esta é uma tarefa árdua e certamente será preciso provar mais do que se gostaria da salada de frustrações, enganos, decepções e mentiras.

Conquistar a felicidade de vitrine, envernizada e exposta numa atraente moldura, é admitir para si próprio uma vida artificial, dedicada à conquista e manutenção de um determinado público, embora indiferente.

A felicidade genuína é um sopro, um clarão que ilumina melhor a vida, nos faz ver cores, sentir cheiros e sabores, de um jeito especial do que comumente o fazemos.

Mas, viver sem a companhia da felicidade o tempo todo também é produtivo, é instigante!
Provar da mesma comida por muito tempo nos faz desejar outra comida. Andar pelas mesmas ruas nos atiça a curiosidade para outros cenários.

A felicidade inebria. Sentir-se feliz é experimentar a vida em seu formato perfeito. Mas, tão longe andamos da perfeição, que até injusto seria se fôssemos felizes pelo tempo todo.

Melhor acordar todos os dias e perseguir objetivos possíveis, com bom ânimo, força e vontade, ainda que nem todos os dias seja hasteada a bandeira da felicidade, do que se recusar a levantar para a vida enquanto ela não garantir felicidade integral.

Não há garantias de posse, mas que ela existe, existe, ainda que fujona e intrigante.

Vídeos mostram como funciona a psicologia das cores nos filmes.

Vídeos mostram como funciona a psicologia das cores nos filmes.

Elas não atuam, mas falam mais do que os atores. São as cores.

As cores têm significados e podem passar diferentes mensagens em uma peça de comunicação. Mas o uso das cores não está restrito ao design gráfico. Seja na publicidade, cinema, moda ou arte, qualquer área que trabalhe com a parte visual pode usar a psicologia das cores a favor da transmissão de uma mensagem.
Quer ver como isso acontece? Assista o vídeo abaixo, que mostra a psicologia das cores através das cenas de diversos filmes.

E não acaba aí. Não é só em “Divertidamente” que a Pixar trabalha as emoções vinculadas às cores. O vídeo abaixo, chamado ROYGBIV, mostra a presença das cores nas cenas de diversas animações em momentos distintos. O título é um acrônimo em inglês, formado com as iniciais das sete cores do arco-íris: Red (vermelho), Orange (laranja), Yellow (amarelo), Green (verde), Blue (azul), Indigo, Violet (violeta).

Se você quiser estudar o assunto mais a fundo e ver como os filmes seriam se cada cena fosse uma cor predominante, veja o projeto Colors of Motion, no site Cutedrop.

Que tal ver um filme com outros olhos?

Matéria original: Cutedrop

10 coisas que você aprende sendo criada por uma mãe forte

10 coisas que você aprende sendo criada por uma mãe forte

1. Você aprende o valor da independência. Você não precisa de um homem para se salvar ou de alguém para cuidar de você. Você aprende pelo exemplo que é capaz de viver uma vida plena e feliz sem ter de compartilhá-la com outra pessoa. Você aprende que pode construir uma casa, criar filhos, cozinhar e colocar a mesa, tudo ao mesmo tempo e ter ainda uma carreira. Você praticamente aprende a ser uma super mulher.

2. Você aprende o significado do amor incondicional. Você viu a sua mãe sacrificar a juventude dela por você e seus irmãos, mas ela nunca reclamou ou se regozijou sobre o quanto ela estava se dedicando a isso. Ela tinha sempre um sorriso no rosto e foi feliz dando mais e mais de si mesma. Ela ensinou-lhe sobre o amor altruísta e incondicional, e você sabe que esse amor a gente não encontra em qualquer outro lugar.

3. Você aprende a amar a si mesmo. Você aprende a se desviar das coisas que não são para você, você aprende a ir adiante, mesmo quando o mundo inteiro está contra você, e você aprende a acreditar em si mesma quando todo mundo está duvidando de você. Você aprende que uma nota ruim na escola ou as falhas do dia a dia não servem para defini-la; o que define você é como você consegue se recuperar de todos os contratempos e o jeito determinado que você luta para a vida que você quer.

4. Você aprende que você pode ser ao mesmo tempo forte e suave. Mães fortes são geralmente muito sensíveis. O que elas fazem é disfarçar melhor. Mas ela silenciosamente já chorou escondida por causa de algum problema com você ou ficou acordada a noite toda cuidando de você doente e até teve noites que ela não conseguiu dormir porque algo a preocupava.

5. Você aprende que não é fácil ser uma mulher. Você aprende que sua opinião poderá não ser levada totalmente em consideração. Ou que alguém vai considerar que você está brincando, quando você está falando sério. Mas você também vai saber que você pode se destacar na multidão e fazer com que todos ouçam a sua voz e aceitem suas idéias. Você aprende que o que não mata, lhe faz mais forte.

6. Você aprende a nunca olhar para trás. Você aprende a não perder tempo com “o que poderia ter sido”. Você aprende a não ficar se lamentando sobre o porquê da sua vida ter virado de cabeça para baixo. Você foca no que está pela frente e deixa o passado para trás. Você aprende que tudo o que aconteceu fez parte do que você precisava viver, mesmo que nada tenha sido do jeito que você desejou.

7. Você aprende a importância da paciência e da fé. Você aprende que Deus está cuidando de você e das suas lutas e que vai dar tudo certo no final. Você vai passar pelas tempestades e amanhã sempre será um novo dia. Você aprende a ser paciente com a vida, com o tempo, com o sucesso e com os problemas. Você descobre que paciência é sinônimo de força.

8. Você aprende como criar sua própria felicidade. Você pode encontrar a felicidade mesmo numa vida difícil. Você ainda pode ser feliz, mesmo que você esteja carregando o peso do mundo nas suas costas. É sempre possível encontrar algo para sorrir, tudo o que precisamos fazer é olhar mais de perto.

9. Você aprende que ela ainda sabe mais sobre o amor do que você. Mesmo você sendo de outra geração, num mundo “diferente” de quando ela era jovem, mesmo que você não concorde com o que ela pense sobre o amor, se ela não aprova alguém que esteja com você: é melhor ouvi-la. Ela sabe o que está dizendo. Além disso, ela não quer ver o seu coração partido. Você vai odiar admitir isso, mas talvez ela estivesse certa o tempo todo.

10. Você aprende como ser uma boa mãe. Você foi criada por uma mãe que lhe mostrou como realmente dever ser criada uma família, que lhe mostrou que o trabalho duro compensa, que lhe mostrou que você pode amar alguém incondicionalmente. Ela mostrou como ser protetora, amorosa, gentil, compassiva, forte e resistente. Ela estava lhe ensinando através dos exemplos, e mesmo sem você se dar conta: você está seguindo seus passos, um passo de cada vez.

Tradução livre do texto em inglês: “10 things you learn from being raised by a strong mother”.

Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Amanda Jones dedicou os últimos 20 anos para um projeto incrível onde mostra o quão rápida pode ser a vida de nossos bichinhos. Alguns deles não mostram muita diferença, outros começam a mostrar alguns sinais de idade.

Os cães envelhecem mais rápido que nós, e talvez por isso as seguintes fotos podem parecer um pouco tristes, mas também são muito doces. Porém podemos sempre ter conforto em saber que mesmo com os cães idosos, a alegria que recebemos de nossos melhores amigos nunca diminui.

Confira!

 

Briscoe – 1 ano e 10 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Maddy – 5 anos e 10 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Abigale – 5 meses e 8 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Lily – 8 meses e 15 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Maddie e Ellie – 7 e 6 anos; 14 e 13 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Corbet – 2 anos e 11 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Poppy – 1 anos e 7 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Fred – 2 anos e 10 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Cooper – 3 anos e 10 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!
Kayden e Brodie – 11 meses e 5 anos; 7 anos e 12 anos.
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Audrey – 3 anos e 12 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Rufus – 6 meses e 13 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Sydney e Savannah – 16 meses e 5 meses; 10 e 9 anos.contioutra.com - Como os cães envelhecem: um projeto fotográfico fascinante!

Matéria original: Brightside

30 restaurantes com vistas deslumbrantes

30 restaurantes com vistas deslumbrantes

No mundo todo, existem restaurantes com vistas tão deslumbrantes que a experiência visual é tão satisfatória quanto o ato de comer.

Sair de casa para comer faz parte da rotina de muita gente. As pessoas vão a restaurantes por causa da boa comida, do ambiente acolhedor ou do atendimento exemplar. Mas elas também vão por causa das belas vistas nos arredores.

Um restaurante com vista fascinante transforma cafés da manhã, almoços e jantares casuais em experiências inesquecíveis.

Empreendedores engenhosos investem em restaurantes não só para prover alimento, mas também para encantar seus clientes com cenários espetaculares.

Os restaurantes a seguir oferecem perspectivas privilegiadas da natureza em suas mais diversas formas. Eles ficam em regiões distribuídas por todos os continentes, com exceção da América do Sul, que não tem representantes nessa lista.

Confira 30 restaurantes onde é possível se deliciar com a paisagem, além da comida:

1. Asiate – Nova York, EUA

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2. Grotta Palazzese – Puglia, Itália

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3. Skyline – Queenstown, Nova Zelândia

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4. Caldera – Santorini, Grécia

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5. Ithaa Undersea – Rangali, Ilhas Maldivas

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6. Le Panoramic – Chamonix, França

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7. Piz Gloria – Mürren, Suíça

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8. El Farallon – Cabo San Lucas, México

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9. Le Jules Verne – Paris, França

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10. Soho House – West Hollywood, EUA

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11. The Grotto – Krabi, Tailândia

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12. Surocco – Bangkok, Tailândia

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13. Crater Lodge – Ngorongoro, Tanzânia

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14. Ali Barbour’s Cave – Diani Beach, Quênia

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15. Le Café du Jardin – Èze, França

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16. Fangweng – Yichang, China

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17. Hutong – Londres, Inglaterra

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18. Topaz – Istambul, Turquia

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19. Hotel Edelweiss – Mürren, Suíça

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20. La Pergola – Roma, Itália

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21. La Sponda – Positano, Itália

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22. Altitude – Sidney, Austrália

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23. Nautika – Dubrovnik, Croácia

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24. Hotel The Cosmopolitan – Las Vegas, EUA

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25. Dasheene – St. Lucia, Ilhas Orientais

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26. Torre d’Alta Mar – Barcelona, Espanha

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27. Waterfalls – San Pablo, Filipinas

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28. Sky 634 – Tóquio, Japão

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29. Al Mahara – Dubai, Emirados Árabes

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30. Two Oceans – Cape Point, África do Sul

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O Grande Lebowski: O que é um herói?

O Grande Lebowski: O que é um herói?

Às vezes um homem. Não vou dizer herói porque… O que é um herói? Mas, às vezes, um homem é o homem certo para determinado tempo e lugar. Ele se encaixa perfeitamente. Mas, às vezes um sujeito. Às vezes, um sujeito. Quero dizer, perdi o nó da meada. Com uma introdução confusa, inicia-se a história de “O Grande Lebowski” (The Big Lebowski) dos irmãos Coen, filme que, como a própria introdução indica, faz uma verdadeira ode ao absurdo.

A trama narra a história de Jeff Lebowski (Jeff Bridges) ou simplesmente “The Dude” (O Cara), um pacifista, meio hippie, despreocupado com a vida, que divide seu tempo entre fumar maconha, ouvir música e jogar boliche. Vivendo de forma tranquila e relaxada, sem qualquer tipo de preocupação com o amanhã. Essa tranqüilidade só é ameaçada quando “O Cara” é confundido com outro Jeff Lebowski, um milionário, tendo a sua casa invadida por capangas, que o agridem e urinam no seu tapete.

Sentindo-se indignado por ter o seu tapete, o qual compunha perfeitamente a sala, estragado, “O Cara” decide procurar o verdadeiro Lebowski, a fim de cobrá-lo pelo ocorrido. A partir de então, a história que já parecia absurda, converte-se em uma sucessão de acontecimentos bizarros e inacreditáveis, formando uma comédia nonsense, em que o absurdo se faz presente a cada nova cena.

Essa construção dos irmãos Coen, no entanto, não está ali de forma gratuita, fazendo com o que o filme seja analisado com um olhar muito mais profundo. Através dos acontecimentos absurdos vividos por um vagabundo preguiçoso, o filme busca desconstruir de forma ácida a imagem do típico herói americano e do estilo de vida considerado como de sucesso representado pelo “american way of life”.

A própria construção do personagem demonstra isso. Um sujeito que não trabalha, que não se preocupa com o amanhã, que não se move por status, que é considerado um dos homens mais preguiçosos do mundo, que passa um cheque de sessenta e nove centavos, um sujeito tão largado que não necessita nem de um nome, “O Cara”, simplesmente o serve. Ou seja, “The Dude” é um “herói” que foge totalmente ao modelo de herói americano, que trabalha duro, é inteligente, tem raciocínio rápido e é dono do seu pedaço, defendo-o inclusive por meio da violência. “O Cara” quer apenas tomar banho de banheira ouvindo música de baleias sem ser incomodado. É pedir de mais?

Sendo assim, o personagem de Bridges é a única composição que poderia viver as histórias inacreditáveis e hilárias que ocorrem ao longo da trama, buscando, como já disse, destruir a figura do herói americano, sobretudo, em um contexto de guerra (que permeia todo a história dos Estados Unidos), bem como, demonstra a fragilidade ideológica que se iniciou nos anos 90, em que vários elementos da cultura americana são satirizados.

O que se busca com O Grande Lebowski é demonstrar, por meio de uma comédia nonsense, características daquela sociedade americana, como a paranoia criada pelas guerras, o que é caricaturado perfeitamente no psicótico e raivoso Walter (John Goodman), um ex-combatente do Vietnã; a procura pelo sucesso, totalmente desconstruído pelo “Dude”; o esvaziamento de ideologias e o apego a conceitos baratos, algo que se multiplicou ainda mais com o desenvolvimento da internet.

Ao criar a atmosfera confusa do filme, os irmãos Coen questionam até que ponto aquilo que é valorizado pela sociedade americana possui de fato valor. Isto é, o que é um herói realmente como se questiona no início da obra? Será que é o modelo do patriota americano que luta nas intermináveis guerras que o seu país se envolve em busca de mais riqueza e poder? Será que é o empresário burocrata em busca de mais dinheiro e poder? O que é um herói de verdade?

O Grande Lebowski questiona e destrói esses conceitos por meio de uma narrativa niilista que não acredita em nada e desconstrói tudo a sua volta, em um tom pós-moderno, em que os valores sólidos foram derrubados, assim como o muro de Berlim. O tom captado por Joel e Ethan na composição do filme apresenta a tragédia cômica de um homem comum, que não é um herói, é simplesmente “O Cara” e vive diante de um mundo absurdo.

Absurdo representado não apenas pelos acontecimentos inimagináveis, mas, acima de tudo, pela demonstração de um mundo carente de ideologias fortes, de verdades sólidas, de respostas para perguntas que incomodam o homem, como o que é a felicidade e o sucesso. Ou seja, o absurdo representado como uma forma de existencialismo traduzido por meio de um pária, alguém sem nenhum valor social, assim como os heróis beckettianos Vladimir e Estragon, e que, portanto, acabam sendo a melhor representação de um mundo absurdo em que não há um modelo próprio para definir os questionamentos da vida.

Jeff Lebowski, melhor, “The Dude” é, acima de qualquer coisa, a representação da tragédia humana, em que divagamos em busca de respostas que não são encontradas, tentando de algum modo fazer com que sintamos que existimos e para tanto são construídos padrões e até mesmo ditaduras invisíveis que são entoadas como sinônimo de sucesso. Mas o que é um herói? Sem responder, O Grande Lebowski busca apenas desconstruir todos os protótipos da sociedade americana e, assim, demonstrar por meio de uma comédia de erros, cheia de absurdos, a própria tragédia humana em um mundo sem colorido e sem direção.

Dinheiro não corrompe ninguém. Só piora quem é ruim e melhora quem é bom.

Dinheiro não corrompe ninguém. Só piora quem é ruim e melhora quem é bom.

Ahh… como é fácil jogar a culpa no dinheiro, né? “Maldito vil metal!”, repetem aqui e ali. Segundo essa lógica infantiloide, superficial e fantasiosa, a vida só vai entrar nos eixos quando todo o dinheiro desaparecer do mundo.

A corrupção na política? “Só existe por conta das grandes cifras dando sopa!”

O casal que se divorcia e começa a brigar de verdade na hora de dividir os bens? “É porque são ricos. Fossem pobres, separavam e pronto!”

Os velhos amigos que rompem uma parceria comercial? “É porque começou a entrar dinheiro. Maldito dinheiro!”

Quanta balela! Será mesmo assim? Será verdade que o dinheiro nos transforma sempre para o mal? É certo que todos somos corruptos essenciais e só nos falta uma oportunidade para enriquecer de forma ilícita? Será mesmo que uma herança é capaz de separar irmãos? Terá a primeira mala de dólares em nossa frente o poder de nos tornar meros monstros egoístas?

Ou será que tudo já estava ali, predisposto, esperando sua chance de acontecer e o dinheiro era só o motivo que faltava?

Sei não. Mas eu tenho pra mim que ninguém vira um canalha porque ganhou uma bolada. Não é verdade que o fulano se perdeu na vida porque ficou rico, que sicrana se tornou pessoa má depois de casar com um milionário e que beltrano maltrata os empregados porque é cheio da grana. Fulano, sicrana e beltrano serão ruins com ou sem uma fortuna no banco. O que passa é que com dinheiro fica mais fácil ser e mostrar o que a gente de fato é: patife ou benfeitor. Como também, dependendo do caso, com dinheiro fica mais fácil esconder, mascarar, dissimular e essas coisas que uma hora sempre aparecem.

Dinheiro e gente imbecil fazem uma combinação perigosa. Se o sujeito é sórdido, descarado, perverso, ter recursos financeiros só o torna mais calhorda ainda. Porque dinheiro é um negócio muito simples: piora quem já é ruim e melhora quem é bom.

Cheio da grana, quem é mau fica péssimo e quem é bom fica ótimo!

Dinheiro no bolso sem vergonha na cara é a pior pobreza que existe. Quem tem saldo bancário mas não conhece outros valores não vale nada. É tão simples!

Por outro lado, riqueza nas mãos de gente boa é o melhor negócio do mundo. Ajuda a concretizar grandes ideias, realiza projetos, multiplica recursos, divide com quem precisa! Dinheiro e gente decente é uma mistura poderosa. Uma das únicas capazes de transformar esse mundo tão tomado de seres mesquinhos concentrando renda.

Não, o dinheiro não corrompe ninguém. Quem se deixa estragar por ele já estava perdido. E quem tem bom coração só melhora quando enriquece.

Por que será que temos essa mania de criar tantas expectativas?

Por que será que temos essa mania de criar tantas expectativas?

Quando temos um sonho, não um sonho tolo de fantasia, mas um sonho desses que têm o poder de nos levar alguns passos adiante no futuro e nos devolver ao presente, cheios de tesão pela vida e de uma pulsante iniciativa, aí podemos experimentar o sabor indecifrável de viver uma vida que seja extraordinária, uma vida que nos livre da apatia da mediocridade.

Sonhar é absolutamente fundamental para temperar a vida. Temperar a vida. Se a vida fosse um pão, por exemplo, o sonho não seria nem a farinha, nem o sal, nem a água, nem o fermento. O sonho seria aquela porção generosa de açúcar para transformar o pão de sal em pão doce; o sonho seria aquela pitada de alguma especiaria exótica, para transformar o pão do dia a dia, num pão de festa; o sonho seria aquela crostinha irresistível de parmesão ou alecrim. O sonho é o tempero da vida. Sem ele, a vida vira aquela coisa insossa, pastosa, seca, comum.

Mas, também é fato, que não há vida que se sustente só de sonhos. A vida é o presente mais caro, raro e especial que recebemos inteiro nas mãos. O que faremos dela, como a desfrutaremos, se a saborearemos a sós, a poucos ou a muitos, é nossa inquestionável e intransferível escolha.

E, a depender das escolhas que venhamos a fazer, a vida pode ser uma jornada espetacular ou uma soma de incontáveis “bate-voltas” de um lugar sem graça a inúmeros outros lugares sem significado. Nossas escolhas ficam rígidas, enferrujadas e escorregadias quando as despimos dos sonhos e a enclausuramos em arriscadas expectativas.

E, embora as escolhas sejam inerentes à aventura de viver de cada um de nós, em sua trajetória própria, cada escolha que fazemos pode mudar de forma significativa o destino de outros em suas próprias trajetórias, quer sejam outros próximos ou outros absolutamente desconhecidos. Tornamos o outro refém das nossas próprias expectativas quando o incluímos num plano nosso sem considerar o seu direito de escolha.

É como se cada um de nós, nesse imenso planeta, tivéssemos na ponta dos dedos a parte extrema de um fio, ao mesmo tempo delicado e vital. E esse fio tivesse outras milhares de pontas, na extremidade dos quais, outros de nós repousam seus dedos. Assim, é como se a cada mudança de direção, rota ou força impelida em nosso fio, todos os outros tivessem que se reacomodar, reorganizar e trocar de planos.

Mesmo sem querer, tocamos outras pessoas com o que fazemos, sentimos, deixamos de fazer ou deixamos de sentir. E essa conexão, ou desconexão, fica indisfarçavelmente clara quando incluímos o outro nos nossos planos, sonhos e projeções, sem nos darmos ao trabalho de refletir acerca da implicância dessa atitude na trajetória do outro. Parece que fazemos questão mesmo de nos esquecermos que o outro pode não querer fazer parte daquilo; de repente, o nosso sonho construído em torno de alguém pode se desfazer em pedaços porque fomos tão egoístas e simplesmente desconsideramos que o outro tem vontades, tem planos, e, sobretudo, tem seus próprios sonhos.

Que falta de jeito a nossa, em lidar com a realidade quando fazemos da nossa vida apenas um projeto de sonho. Que ingenuidade, projetar fora de nós toda a estrutura de uma obra que deveria acontecer aqui dentro, para depois ser edificada com outras mãos além das nossas; outras mãos que se juntem às nossas de livre e espontânea vontade, simplesmente porque olhou para o nosso sonho e pensou “quero fazer parte disso, esse sonho é meu também”.

Com licença, essa vida é minha. Meta-se com a sua!

Com licença, essa vida é minha. Meta-se com a sua!

Na minha vida há lugar para dúvidas, medos, bobeadas, infantilidades, ressacas. E tudo isso junto e muito mais. Na minha vida há lugar para comemorações, gargalhadas, defesas exacerbadas, abraços sufocantes. E mais, bem mais.

Mas, na minha vida não há lugar para pitaco, fofoca, questionamentos, julgamentos.

Curiosa é a impressão de que minha vida está sempre fora do lugar. Nunca organizada o bastante, jamais assentada em base sólida. Uma vida que flutua e segue à mercê das luas e marés. Assim ela é, mas é minha e de mais ninguém.

Minha vida é uma casa, às vezes aberta à visitação, outras tantas, fechada para limpeza e reparos.

Minha vida é um livro, com partes enfadonhas alternando com capítulos de tirar o fôlego.

Minha vida é uma bicicleta que ganha velocidade nos trechos sem obstáculos mas passa maus bocados nas ladeiras.

Minha vida é um par de óculos cujas lentes só garantem a visão até o grau que suportam. Mais do que isso, embaçam.

Minha vida é uma banda com os instrumentos lutando pela tão sonhada harmonia e ritmo comuns.

Minha vida é um barco que aguenta firme os solavancos das águas e também medita na calmaria.

Uma vida não é diferente de nenhuma outra vida. Estar vivo e encarar toda a bagunça que vem pela frente, eis a arte que vai fazer a diferença entre as vidas.

Mentira seria dizer que uma vida recebeu porção maior ou menor de sorte na vida. A vida já uma sorte, das grandes!

Os amores que colorem a vida podem se demorar mais em uma vida ou em outra, mas, e sem nenhuma dúvida, são os amores daquela vida. Moraram nela com permissão. E, se foram embora por vontade ou por convite, isso é das coisas que fazem parte da vida.

Falando em convite, e é por isso que fala da vida, creio que deveria ser proibida a entrada, permanência, mesmo que furtiva, de uma vida em outra vida sem a devida autorização.

É invasão de propriedade, de privacidade, de personalidade.

As vidas se tocam, se trocam, se compartilham. Mas uma vida não deve ser invadida, nem pilhada, amordaçada ou confiscada.

E, se em qualquer momento da vida essa ameaça parece ganhar vida, este é o momento certo de banir para o mais longe possível, e, para ilustrar, talvez usar a tão famosa quanto eficaz frase: “Meta-se com a sua vida!”

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