A sorte tem o riso solto. Sorria que ela sorri de volta.

A sorte tem o riso solto. Sorria que ela sorri de volta.

Que sorte a nossa! Viver num mesmo tempo, debaixo do mesmo céu, acima do mesmo chão. Com todos os milhões de anos da Terra, tanto canto na história para termos existido, olha que coisa, viramos gente logo aqui, logo agora. Que sorte!

Podíamos ter surgido em qualquer ponto na antiguidade, em tantas eras passadas, tantas épocas idas. Eu ali na pré-história, você acolá no Egito antigo. Mas não. Somos gente de um só tempo. Gentis contemporâneos de sorte. Que sorte a nossa!

Um mero deslize da Criação e teríamos sido estranhos na idade da pedra lascada, descobrindo o fogo em outros braços. Uma mudança à toa nos planos da existência e seríamos soldados de tropas inimigas em guerras antigas de pau e pedra, rivais cegos de ódio e medo em disputas de solo, carrancudos senhores feudais enterrando dinheiro nos fundos da casa, broncos de ganância, obscuros um ao outro para sempre.

Mas estamos aqui, bichos de um mesmo tempo. Não mais sisudas criaturas de outra era, almas desencontradas em desengano e desespero. Somos seres que riem e sonham juntos. E você sorri tão bonito! Mais bonito que o meu sonho mais bonito.

Que sorte, meu Deus, que sorte a nossa! Se o amor é para todos, entre todos estamos nós. Sortudos que só, vivendo cada um a sua vida, em caminhos separados num só tempo. Sofrendo as mesmas penas, assistindo às mesmas guerras, correndo os mesmos riscos. Amando o mesmo amor bonito que vive em cada um. Percebendo no caminho que a vida é mesmo um escandaloso privilégio.

Até que enfim nossas vias se cruzem, nossos passos se encontrem. E nossa sorte grande seja um amor enorme. Uma sorte conquistada, uma fortuna infinita. Partida feita de chegadas. Jogo que se joga a favor do outro. Que sorte a nossa. Que sorte!

Por que você se foi? O acompanhamento Psicológico no Luto.

Por que você se foi? O acompanhamento Psicológico no Luto.

“A gente prepara, com carinho e alegria, a chegada de quem a gente ama. É preciso preparar também, com carinho e tristeza, a despedida de quem a gente ama.” (Rubem Alves)

Quando alguém que amamos se vai, ou com a ameaça de perda iminente, nasce uma angústia avassaladora; várias incertezas e perguntas sem respostas. Isso dói. Corrói. Por que você se foi? O enlutado se pergunta e, dificilmente consegue resposta. Os esforços para compreender a perda são grandes, contudo, as respostas nem sempre são satisfatórias. As conclusões, por vezes, são formadas por pessoas próximas e ora do próprio esforço de pensamento. Mas o fato é que a morte faz parte da vida, porém também faz parte das questões as quais nem sempre estão ao alcance de uma compreensão lógica.

Com duração variável, o sofrimento intenso é, muitas vezes, paralisante. O que não significa que seja patológico, podendo ser algo natural em decorrência do forte vínculo que foi estabelecido. Por um tempo (o tempo do luto) é esperado que isso aconteça e, é importante que aconteça, inclusive. Não dá para depositar expectativa no tempo como remédio único para cicatrizar feridas, reparar danos e solucionar questões difíceis. No entanto, com o tempo, tem-se a possibilidade e o espaço necessário para que se possa ir elaborando melhor as dores. O tempo é um espaço possível para que coisas que pareçam gigantes possam se diluir neste espaço e tornarem-se mais acessíveis.

Quando o acompanhamento psicológico é indispensável?

Chega um momento (com um tempo relativo e particular) em que a vida precisa seguir. É preciso lembrar-se de que, embora alguém importante tenha ido, a própria vida é também muito importante.

Nem sempre o acompanhamento psicológico vai ser necessário, pois é possível lidar com a dor e seguir com as atividades habituais, sem grandes desordens. No entanto, a morte é potencialmente um evento traumático, que pode romper com o equilíbrio das estruturas psíquicas e emocionais. Merece atenção. Além disso, diante da vida agitada da maior parte das pessoas e com as limitações que cada um tem para lidar com o sofrimento (próprio e o do outro), não há espaço para compartilhar a dor da perda. Passa-se por cima. Faz-se um esforço desmedido de não entrar em contato com os conteúdos que estão latentes. Ficando dessa maneira, superficialmente “tudo bem”. Deste modo, os sentimentos conflitantes, por ora adormecidos, podem vir a agravar o luto, tornando-o uma depressão etc. E é aí que o acompanhamento psicológico torna-se imprescindível.

A psicoterapia é também um espaço para o auxílio na significação da morte, na legitimação da dor e para uma escuta empática da perda conflituosa. Um profissional pode proporcionar o acolhimento necessário a essa fase complexa da vida, que é a morte.

Simone de Beauvoir apaixonada

Simone de Beauvoir apaixonada

Engana-se quem pensa que Jean-Paul Sartre foi o amor maior ou o único amor essencial de Simone de Beauvoir. O escritor americano Nelson Algren despertou na escritora uma paixão arrebatadora que durou mais de uma década e a inspirou a escrever diversos livros.

Tão imensamente triste quando o amor se transforma numa poeira incômoda nos olhos. Uma poeira que não é outra coisa senão o resquício do que não foi, o que deveria ter sido; um grão de promessa não cumprida.

Tão imensamente desolador quando duas criaturas que se amam feito bicho se olham, mas não conseguem se perceber porque tudo o que desejam ver é o amor do outro e tudo o que temem é perder esse amor.

Tão imensamente insano e estúpido mastigar raiva, engolir frustração e depois vomitar falsa altivez quando tudo o que se quer é boiar como uma rã no ventre de um crocodilo após uma tarde de fomes saciadas.

Petite, Frenchie, Rã, Simone; Marido, Precioso Amado, Crocodilo, Nelson. Estes e outros apelidos amorosos de Simone de Beauvoir e seu amante americano Nelson Algren podem ser encontrados na biografia romanceada deste louco amor “Beauvoir Apaixonada” (Editora Verus), de Irène Frain (tradução de Marisa Rosseto).

Segundo Frain, seu livro é um romance inspirado em fatos reais, embasado em documentação de arquivos preexistentes: “Agi como o produtor de um dossiê, reunindo o máximo de elementos que se encontravam disponíveis ou documentos inéditos que eu mesma busquei com afinco para reconstituir o quebra-cabeça dessa relação fascinante”.

No decorrer das 334 páginas de “Beauvoir Apaixonada”, Nelson Algren sai da condição de “amante tímido” a que muitas vezes fora relegado para ser apresentado ao leitor como de fato parecia ser: grande escritor, sedutor irresistível, dotado de um humor devastador e admirável e ardente amante. Já Simone é apresentada não como o ícone que conhecemos, mas como mulher apaixonada que, igualmente a qualquer outra, soluça de desespero quando sente que está perdendo o remo da própria vida ao mergulhar nos olhos daquele que parece ter engolido a sua alma. Mulher apaixonada que chora por 48 horas seguidas quando seu amor se despede e sobe num avião e, em outra ocasião, escreve: “O que é longe? O que é um voo de 24 horas se você realmente quer ver o homem que ama?”

contioutra.com - Simone de Beauvoir apaixonada
Beauvoir Apaixonada- 334 páginas- Editora Verus

“Petite, como você pôde me desejar tanto tão depressa, tão rudemente e intensamente, na primeira noite, como jamais nenhuma mulher desejou um homem antes?” – escreve Nelson, após o primeiro encontro amoroso do casal em Chicago.

“Senti que minha vida me abandonava, minha velha vida com suas preocupações, suas fadigas, suas lembranças desgastadas (…) Eu não sabia que podia ser tão arrebatador fazer amor. O passado, o futuro, tudo o que nos separava morria ao pé da nossa cama. Que vitória!” – anota Nelson num de seus rascunhos.

As cartas foram, sem dúvida, o palco onde esse amor, atravessado pela distância (ela morando em Paris e ele em Chicago) e pelo relacionamento de Simone com Sartre, respirou:

“Meu querido, o quer que eu faça, quer eu trabalhe ou esteja bebendo algo, quer esteja sozinha ou com outras pessoas, você sempre está em meu coração” – dizia Simone numa das primeiras missivas.

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Mais adiante, quando os laços pareciam indestrutíveis, escreveu:

“Não lhe darei trégua à noite, quero me assegurar de que você me ama realmente (…) É uma mulher completa que o deseja. Agora, não sou nada mais que esse ardente, orgulhoso, impaciente e feliz desejo de você”…

Foi na época em que viveram esse amor maior que o mundo, um amor de bicho, amor de criança que, Simone de Beauvoir, escreveu seus famosos livros “O segundo sexo” e o premiado “Os mandarins” (que conta a história do casal) e Nelson Algren alcançou fama e reputação com o premiado “O homem do braço de ouro” e “Chicago, City on the Make”.

Além dos encontros e desencontros amorosos do casal ao longo de catorze anos – bem romanceados, diga-se de passagem, por Irène Frain, que soube amarrar a narrativa com diversas reviravoltas e diálogos plausíveis e verossimilhantes – “Beauvoir Apaixonada” conta, também, com curiosidades como a repercussão negativa do livro “O segundo sexo” nas ruas de Paris na década de 50, a história das lendárias fotografias de Simone nua no banheiro, detalhes da traição consentida de Simone (seu marido Sartre chega a pagar passagens para que ela se encontre com o amante), bem como o ciúme que a imperatriz do existencialismo sentia de uma das amantes de Sartre, Dolores, a quem chamava carinhosamente de Maldita.

contioutra.com - Simone de Beauvoir apaixonadaNelson e Simone parecem ter se amado sem nunca ter se entendido. Amaram-se com a força e a virulência da peste, mas botaram tudo a perder por pura incapacidade de abrir mão do que foram antes de se tornarem rã e crocodilo um para o outro. Botaram tudo a perder por medo: medo de perder o amor do outro.

Acontece. É triste, mas acontece nos “romances com embasamento na vida real”.

Mais triste do que a impossibilidade de viver uma história a dois quando o amor é pungente? Somente a sensação de ter sido enganado. Confesso que chorei copiosamente lendo as páginas finais. Eis um trecho:

“No fim de seu livro, ela declarou que, agora que conhecia as leis da vida, tinha a impressão de que o mundo era uma promessa não cumprida. “Eu fui enganada”, concluía. Nelson teve a mesma convicção: ele tinha sido enganado. Não pela existência, mas por ela. Nunca mais lhe deu um único sinal de vida. Exceto pela imprensa. (…) No entanto ele não destruiu as cartas de Simone. Nem as fotos. (…) Ela tampouco destruiu as fotos ou as cartas dele. E conservou na mão o anel [ofertado por ele na primeira noite de amor] na mão”.

Sobre os efeitos colaterais do amor, Simone dissertou no capítulo A apaixonada, de “O contioutra.com - Simone de Beauvoir apaixonadasegundo sexo”:

“Esse sonho de aniquilamento é, na verdade, uma ávida vontade de ser. Em todas as religiões, a adoração de Deus confunde-se para o devoto com a preocupação de sua própria salvação; a mulher entregando-se inteiramente ao ídolo, espera que ele lhe dê a um tempo a posse de si mesma e a do universo que nele se resume”. Aliás, ela abre esse capítulo com uma observação para lá de interessante:

“ A palavra ‘amor’ não tem em absoluto o mesmo sentido para um e outro sexo. E é isso uma fonte dos graves mal entendidos que os separam. Byron disse, justamente, que o amor é apenas uma ocupação na vida do homem, ao passo que é a própria vida da mulher”.

Ah o amor! O amor e seus equívocos. O que será que impediu, de fato, que Nelson e Simone tivessem consciência de que a história que viveram talvez tenha sido a única coisa verdadeira que experimentaram? Ou será que eles sabiam disso, mas achavam que só amor não bastava?

***

contioutra.com - Simone de Beauvoir apaixonadanota: as fotos nuas de Simone de Beauvoir foram feitas em Chicago, por Art Shay, amigo de Nelson Algren e, segundo o fotógrafo relatou anos mais tarde, “Nelson estava ausente”. Os cliques se deram no banheiro da casa de uma amiga de Shay e Simone não se importou quando se percebeu sendo fotografada: “ela estava morrendo de calor, segundo ele, e queria de qualquer jeito tomar banho. Como em Wabansia [ casa de Nelson] só havia uma pia para se levar, ele telefonou a uma amiga e lhe pediu que emprestasse seu apartamento para que Simone se refrescasse. A amiga teria concordado e saído, deixando as chaves do apartamento debaixo do capacho (…) Uma vez lá, percebendo que Simone tinha deixado a porta do banheiro aberta (…) ele aproveitou para fotografá-la enquanto enquanto ela se penteava , depois de já ter se lavado. Ela teria ouvido o barulho do disparador e, longe de ficar ofendida, teria caído na risada: “Safadinho!”…

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imagens: google.

matéria publicada originalmente em Obvious.

Fotógrafo capta imagens esplêndidas de bailarinos nas ruas de Cuba

Fotógrafo capta imagens esplêndidas de bailarinos nas ruas de Cuba

O fotógrafo Omar Robles tem mais de 200 mil seguidores no Instagram, e esse número só tende a crescer, já que a sua nova série de fotografias com alguns dos melhores bailarinos do mundo nas ruas de Cuba é nada menos do que hipnotizante.

“Aqui estão alguns dos melhores bailarinos do mundo”, escreveu Robles no seu blog. “Talvez seja porque o ritmo e o movimento correm no sangue afrocaribenho, mas isso se deve sobretudo à escola russa de dança que é parte da sua formação.”

“Os cubanos lutam muito para permanecerem em cena. No entanto, muito parecido com os bailarinos, eles se esforçam com uma capacidade de resistência e elegância que eu nunca vi antes. É exatamente por isso que bailarinos cubanos têm sido sempre tão grandes e por tantas gerações. A resistência simplesmente reside em seu sangue”, conta o fotógrafo.

Vem ver:

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Fonte: Razões para Acreditar

Observar e Absorver: a vida precisa de sentido e empatia

Observar e Absorver: a vida precisa de sentido e empatia
https://www.facebook.com/ObservareAbsorver/?fref=ts

O que é necessário para vivermos? Quais as coisas que, mediante a esse mundo moderno, realmente precisamos para termos uma vida plena e calorosa? Pode parecer controverso dedicar reflexões tão abrangentes numa época da qual o capitalismo é dominante, onde o dinheiro e os bens materiais surgem no horizonte a fim de suplantar todos os desejos e anseios da sociedade. Talvez seja uma discussão realmente teórica e pouco importante. Talvez. Mas como nos comportamos ao encararmos diariamente o ódio, a intolerância e os maldizeres de um corpo social construído para menos sentir? Adentramos nesse abismo emocional quase que corriqueiramente e sequer percebemos. E isso é preocupante. Eduardo Marinho é um homem comum. Simples. Sem posses. Veio de uma família afortunada. Estudou nos melhores colégios. Um dia, largou tudo. Disse que queria encontrar o sentido da vida. Marinho ainda o busca, mas hoje, com sorrisos e as mangas arregaçadas, consciente das suas escolhas. Também fundamental e de peito aberto para observar e absorver assuntos e sentires pouco próximos da maioria. Estas são apenas algumas das linhas desconstruídas e conversadas no documentário Observar e Absorver, dirigido por José Marques Carvalho Junior (também conhecido como Junior Sql) e disponível na íntegra, gratuitamente, no Youtube.

A simplicidade flerta na vida de Eduardo Marinho em todos os momentos mostrados no vídeo. O cronista das ruas e das artes, na verdade é um cidadão do mundo – não no sentido territorial, mas naquele imerso nos questionamentos sobre a vida e sobre as importâncias de quem não sente medo de viver. Marinho vive. Ele não sobrevive. O que começou com algumas conversas gravadas dos seus dias de trabalho expostas nas redes sociais, tomou proporção até chegar nesse documentário legítimo, sincero e por que não, carregado do mais inciso amor? Sim, inciso amor. Um sentimento que desperta proximidade e não restrito no plano das ideias. Marinho atua, dia após dia, através do seu próprio eu, de forma a interagir e definitivamente interferir para mudanças. Fala de tudo. Sente mais ainda. E as pessoas param e ouvem. Ouvir aqui é diferente de escutar. Ouvir é colocar o coração para fora, sem medo, despido dos velhos hábitos e personagens caricatos oriundos da infância. É sinestesia abarrotada de vontade. Vontade de evoluir e de ser alguém melhor para uma sociedade melhor. Sem pretensões e campos comportamentais utópicos. Porque para que exista uma real mudança no coletivo, primeiro precisamos mudar a nós mesmos. Permitir-nos sair dessa zona de conforto e comodismo que nos encontramos quando, contrariados por egocentrismos, batemos. Excluindo os mais fracos. Virando os olhos para mais pobres. Fazendo piada com quem é diferente do nosso convívio. Se faça a seguinte pergunta; quantas vezes eu perguntei para alguém hoje “tudo bem?”. Mas não na forma de cumprimento, mas de interesse. Daquela estampada e disposta de empatia para ouvir e conversar. Não importa o assunto. Não importa a resposta. A experiência pura e simples do amor começa assim, em pequenas atitudes e preocupações com o próximo.

Observar e Absorver demanda escolha. É romper todas as barreiras de quem você é hoje, abrindo espaço para algo novo ser lapidado, mas sem previsão de término. Tudo isso com mais e mais empatia. Pelas palavras, pelas pessoas, pela poesia e por todas as coisas que nos cercam. Cada qual no seu próprio tempo, sem dúvida. Esqueçamos aspirações políticas e disseminações de verdades universais que reprimam o direito do outro. Todavia, fazendo da vida um caminhar para ser feliz consigo e, consequentemente, contaminar todos ao redor. Sorrindo e abraçando novos patamares. “Ser dois e ser dez e ainda ser um”, compuseram Herbert Vianna e João Barone.

Por que uma brasileira largou tudo para divertir crianças refugiadas pelo mundo?

Por que uma brasileira largou tudo para divertir crianças refugiadas pelo mundo?

“Estão tão traumatizadas que mal conseguem brincar”, relata Alessandra Luiza de Morais, que deixou seu playground em Nova York para trabalhar em campo de refugiados na Grécia

A brasileira Alessandra Luiza de Morais, de 49 anos, se define como brincante. A profissão de Lele, como é conhecida, é justamente brincar com crianças de todas as idades. Mas nos últimos meses, se sua atividade seguiu sendo a mesma, o cenário e a situação dos meninos e meninas do outro lado do jogo mudaram drasticamente.

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Em uma semana, ela estava em Nova York, onde mora há 14 anos, com as várias crianças que participam do grupo de brincadeiras que ela mantém no quintal de sua casa ou em algum parque da cidade americana. Em outra, ela estava em um campo de refugiados na Grécia, brincando com crianças sírias que chegaram até lá de bote, depois de presenciarem todo tipo de atrocidades.”Elas já haviam perdido tudo. Não queria que perdessem também a infância.”

Com a ideia de ajudar crianças a continuar sendo crianças mesmo diante dessa situação, Lele criou o “Child Rescue Project”. Após uma campanha de financiamento coletivo, ela foi até o campo de refugiados de Eko para brincar com as crianças sírias – e arrancar umas risadas delas.

Antes de embarcar para inventar brincadeiras, dessa vez com refugiados na Áustria e provavelmente na Turquia, Lele conversou com a BBC Brasil sobre as surpresas (boas e ruins) de sua experiência e a luta para “garantir o direito de brincar às crianças de quem isso lhes foi roubado”.

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Como você foi parar na Grécia? Já tinha algum envolvimento com a causa dos refugiados?

Não, não tinha. Mas desde setembro do ano passado, quando comecei a ver fotos das crianças sírias mortas após se afogarem na travessia, passei a acompanhar essa crise, a coletar doações, a me envolver – especialmente com Calais (cidade na França que abriga campo, conhecido como “A Selva”, com imigrantes que tentam entrar na Inglaterra), que passou a abrigar mais e mais famílias. Fiz contatos e resolvi ir trabalhar com as crianças de lá, mas acabou não dando certo.

Por quê?

Porque o campo foi desativado e as famílias, inclusive as crianças que estavam sozinhas, foram expulsas, se dispersaram. Mas não mudei de planos. Por meio de uma ONG que conheci (a Lighthouse Release), decidir ir para o campo de Eko, no norte da Grécia.

Como você viabilizou a viagem?

Ia bancar tudo sozinha, mas uma amiga achou que poderíamos fazer um financiamento coletivo, especialmente para comprar material. Acabou sendo um sucesso. Pedimos US$ 3 mil, mas conseguimos mais que o dobro. Quando vi, pensei “Gente, tudo isso? Não vou dar conta de levar tanto brinquedo e giz” (risos). Mas foi lindo ver essa generosidade.

E chegando lá na Grécia?

Eu e uma amiga que foi comigo alugamos um carro e quando fomos chegando perto do acampamento, vimos um sinal luminoso. Eko era um posto. O acampamento era em um posto de gasolina. Foi meu primeiro choque.

Como você foi recebida?

Cheguei lá e fui conversar com dois espanhóis que já estavam trabalhando com as crianças, entre outras coisas. Eles chegavam lá, colocavam os brinquedos no chão numa espécie de tenda, e entrava uma manada de crianças. Segundos depois, elas começavam a disputar os brinquedos e a se bater.

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Por quê?

Essas crianças são incríveis, são uns amores, mas elas são uma panela de pressão. Nem tem como ser diferente, né? Tem tanta coisa por baixo, estão tão traumatizados, que mal conseguem brincar, qualquer coisa já saem na mão.

Como você reagiu?

Passei meu primeiro dia lá no campo controlando briga, tentando acalmá-los. Morri de tristeza. As crianças choravam o tempo todo. Os voluntários, que eram fantásticos, estavam exaustos, claro.

E depois desse dia meio traumático, como foi?

No dia seguinte, pedi para a Clara (a voluntária espanhola) para eu começar o dia e ela topou. Não sabia exatamente o que fazer, mas sabia que tinha de ser uma coisa amorosa, calma, para lidar com a energia desses meninos, algo alegre, mas sem ser explosivo. Então, fui pegando as crianças pela mão, duas por vez. Pegava, abraçava, beijava e levava para a dentro da tenda e falava de um jeito bem tranquilo para elas ficarem sentadinhas. Fizemos uma roda e peguei um livro de histórias e fui tirando umas mágicas do bolso. Foi dando certo… olhei para a Clara e ela estava chorando, nunca tinha visto os meninos tranquilos daquele jeito.

Não teve disputa por brinquedos?

Num primeiro momento, não teve brinquedo. Só depois fomos distribuindo, aos poucos. Levei alguns piões do Brasil e foi a coisa mais linda que aconteceu. Achei que ia ter de ensiná-los a jogar. Dei um giz para cada um ir pintando o seu e, quando olhei para trás, eles estavam todos jogando pião, brincando, rindo, numa alegria…

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Eles já conheciam pião?

Não fazia ideia disso, mas sim. Sem querer, conseguimos levar para eles a melhor memória que eles tinham do país deles. Uma memória que não tinha nada a ver com a guerra na Síria, tinha a ver com tempos felizes, era uma memória alegre. Eles estavam muito empolgados, fazendo algo que tinham aprendido na cidade, na escola, no quintal deles. Foi incrível. Não teve uma briga sequer. Fiquei muito emocionada. É incrível ver como a brincadeira une, acalma, põe a criança em contato com ela mesma.

Por que você achar que brincar é uma prioridade para essas crianças refugiadas?

Para elas é ainda mais urgente, porque elas perderam tudo o que tinham. Vivem a falta de tudo. Não têm casa, não têm o lugarzinho deles, a caixinha debaixo da cama. Por isso mesmo que é preciso dar continuidade à infância deles, reinventar o espaço da brincadeira mesmo em um lugar completamente adverso. Brincar é um direito deles. Tanta coisa já foi roubada deles. Isso não pode ser roubado também.

As brincadeiras também os ajudavam a esquecer um pouco da tragédia, não?

Sim, vendo eles brincar, a gente nem imagina pelo que passaram até ali. Nos intervalos, eu usava uma Polaroid que havia levado para fotografar as famílias. Um menino me levou até a tenda dele e só estava o pai. Perguntei da mãe. Ele apontou para o céu. Fiz um sinal com a mão, perguntando “como?” E ele fez um som com a boca; “bum!” Você engole seco, abraça a pessoa, demonstra todo o seu amor.

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Mas você conseguia se segurar?

Sabe, quando eu estava com as crianças, claro que eu eu ficava superemocionada com as histórias, mas não sentia vontade de chorar – mesmo nos momentos mais difíceis. Com as crianças, era como se eu fosse que nem elas. Só que à noite, quando ia pro hotel, chorava sem parar. Pensava que eu tinha uma cama, um banho quente… os meninos não tinham nada disso. Voltar para Nova York também foi difícil. Voltar para sua vida real, não ter mais como estar com as crianças.

E como ficou sua vida em Nova York, seu grupo de brincadeiras?

Resolvi desativar meu playgroup por pelo menos um ano, para me dedicar ao Child Project Refugee. Me dói muito porque faço isso desde que cheguei aqui, há 14 anos. Quando comecei, inclusive, meu inglês era igual ao deles, falava como uma criança de 3 anos (risos). Mas na Grécia me deu um click, porque pela primeira vez eu estava fazendo o que eu queria quando saí do Brasil: brincar com crianças do mundo, assegurar essa cultura da criança.

Quais os próximos destinos?

Neste mês, embarco para a Áustria, passarei algumas semanas com as crianças refugiadas de lá. Depois, devo ir para a Turquia e para Líbano. E também tenho projetos de brincar com crianças em situações delicadas, não necessariamente envolvendo guerra, como em um projeto que devo participar na Índia.

E a Grécia?

Eu mal posso acreditar, mas o campo Eko não existe mais. Os refugiados foram retirados de lá e levados para um campo militar, onde não podem cozinhar, não há escola e as condições são péssimas. E lá ONGs estrangeiras também costumam ser proibidas. Eu vi como funcionam esses campos quando visitei um assim no norte da Grécia (o campo de Alexandreia). Mas vou voltar para Grécia no segundo semestre.

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Você mantém contato com os refugiados que conheceu lá?

Sim, com alguns eu me comunico ainda, especialmente por WhatsApp, como com a família que ganhou um celular para a esposa falar com o marido, que estava na Alemanha. Uma mãe de cinco crianças, que atravessou sozinha da Síria até a Grécia. Nunca vi uma mãe naquele estado de esgotamento, me disse que não dormia, com medo de os meninos saírem da barraca no meio da noite.

O que você aprendeu no começo do projeto que vai repetir ou evitar nessa segunda fase?

Uma das coisas que quero repetir é o projeto de troca que fiz entre crianças de uma escola aqui de Nova York com crianças sírias. Umas fizeram desenhos para as outras – foi incrível. Agora quero fazer vídeos também. Porque quero mostrar para as crianças que todos são iguais. Aquela pessoa sofrendo é parte de você. Você não quer isso, porque vai sofrer também.

Quero manter esse contato entre elas, porque toda criança tem dentro dela a compaixão, tem senso de igualdade, de justiça. E vai perdendo quando cresce, quando passa a achar que ter um carro te faz melhor. Eu acho que esse intercâmbio de desenho ou vídeo mantém esse valor original que vive dentro das crianças. As mensagens eram lindas, com frases como “Vocês são as pessoas mais corajosas desse mundo, estamos orgulhosos…”

Você percebe diferença entre as crianças sírias, brasileiras, americanas?

Bem, o que eu percebi logo de cara quando cheguei aos Estados Unidos foi que as crianças daqui já tinham uma perda, não sabiam brincar sozinhas, não podiam pular corda, tudo era perigoso. Normalmente, as brincadeiras aqui têm de ter um propósito. Fiquei chocada quando um menino me contou que no pega-pega aqui, quem for pego tem que falar uma palavra com a letra que o pegador fala. Gente, o verdadeiro brincar não tem propósito. No meu grupo, eu só brinco, não fico querendo ensinar nada.

Mas em geral, meninos e meninas de todo o mundo são muito parecidos, porque a linguagem da criança é sempre o brincar. Sempre fico observando. Os meus professores sempre foram as crianças.

Fonte: Ultimo segundo

Você é um psicopata? Faça o teste e descubra

Você é um psicopata? Faça o teste e descubra

Diferente do que se acredita, psicopatas nem sempre dão indícios óbvios de que não são como o resto das pessoas. Algumas características ou escolhas sutis fazem a diferença e definem o traço comportamental.

Para confirmar de fato a hipótese é necessário se consultar com alguns profissionais. Mas existem testes genéricos que podem dar algumas dicas. Em um vídeo da série “Big Think”, no Youtube, o psicólogo Kevin Dutton, da Universidade Oxford, na Inglaterra, faz algumas perguntas que ajudam a entender melhor o conceito e o que diferencia um psicopata.

Dutton sugere dois cenários. No primeiro, você está na plataforma e o trem que está chegandoperde o controle. Cinco pessoas estão amarradas nos trilhos, prontas para morrer. No entanto, há um interruptor que você pode apertar para fazer com que o trem vá para outra direção, salvando as cinco vidas. O único problema é que nos trilhos da rota alternativa há uma pessoa amarrada.O que você faria: deixaria o trem acabar com cinco vidas ou uma só?

A segunda opção, apesar de sacrificar uma vida, acaba sendo a mais plausível. Feito o exercício mental, o psicólogo sugere um segundo cenário: dessa vez, não há um interruptor para mudar o caminho do trem e as cinco pessoas estão amarradas aos trilhos. Porém há uma pessoa grandona que você não conhece na sua frente. Caso você empurre o sujeito nos trilhos, ele provavelmente morreria, mas conseguiria parar o trem de alguma forma, salvando as cinco vidas presas ali.

É aqui que as coisas ficam complicadas. Ambas as escolhas envolvem encerrar ou salvar a vida de alguém, mas a primeira situação é um dilema impessoal, pois envolve o pensamento racional. Já na segunda, o dilema se torna pessoal, no qual é necessário usar a empatia. Querendo ou não, você pensará sobre o que fazer, como isso pode afetar os envolvidos e, claro, o que os outros pensarão de você por tomar uma determinada decisão.

O que Dutton sugere é que no primeiro cenário, independente de você ser um psicopata, provavelmente salvaria cinco vidas em vez de uma só. Mas no segundo cenário, o psicopata não teria problema ou dilema algum em empurrar uma pessoa nos trilhos. A falta de empatia é o que entrega e define o psicopata.

Um brinde às mulheres diretas

Um brinde às mulheres diretas

Texto de Daniel Bovolento

Ela entra sem bater portas e vai direto ao ponto: ou isso ou aquilo. Numa prova de múltipla escolha com ela você não teria opção nenhuma, teria que rebolar um pouco pra dar à ela uma boa justificativa, na lata. Enquanto você fica em cima do muro, ela dispensa os meio-termos: tem pavor de gente indecisa, de se esconder atrás de motivos, de venerar os rodeios. Se você é labirinto, ela não brinca. Aprendeu que não vale a pena bancar Teseu e muito menos o Minotauro. Esses personagens ela deixa pra mitologia grega e eles não cabem nas histórias que ela quer contar.

 

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10 coisas que a sua irmã mais velha jamais vai admitir para você

10 coisas que a sua irmã mais velha jamais vai admitir para você

Ser a filha mais nova é ter mais de um pai e de uma mãe. As irmãs mais velhas também se transformam em mães e vivem dizendo aos mais novos o que fazer. Isso gera brigas, discussões e muita rebeldia. Mas e se olhássemos para este tipo de situação de um outro ponto de vista?

Se você é a mais nova, existem muitas coisas que a sua irmã mais velha enfrentou e que não quis dividir com você. O Incrível.club revela alguns detalhes dessa ’posição social’ de algumas pessoas dentro das famílias que talvez possam te ajudar a entender algumas razões que as levaram a se comportar de um jeito específico.

1. A educação dela foi mais severa que a sua

A primeira filha e a única na família durante muitos anos. Os pais estavam apenas começando a ’carreira’ de pais e tudo era novo. Não sabiam exatamente o que e como fazer. Sempre pensando nos riscos de errar. Tudo isso faz surgir uma série de normas e mais controle. Quando você, a filha (ou o filho) mais nova aparece, os pais já sabem como lidar com as diferentes situações e se tornam muito mais flexíveis.

2. Ela sempre escutou «Você é a irmã mais velha»

A irmã mais velha deve ser mais inteligente e sensata, ainda que queira fazer birra. Deve ser capaz de chegar a um acordo e sempre escuta que é ela a que deve ter mais responsabilidade.
A responsabilidade por um outro e pequeno ser que acaba de chegar e em cuja presença é proibido fazer barulho. A responsabilidade de levar a pequena diabinha ao jardim de infância. Depois, a responsabilidade de ajudar uma criança que teima em se atrasar na hora de se arrumar para ir à escola. Em seguida, a responsabilidade por uma adolescente que cabula aula. É muita responsabilidade para uma pessoa só.

3. Ela tentava ser um bom exemplo para você

Sua irmã mais velha se viu obrigada a agir de uma maneira diferente na frente dos amigos. Ainda jovem, teve de aprender a encontrar um equilíbrio nas decisões e nos atos, como se fosse adulta, porque sabia que tinha de ser um exemplo (ou era isso que os pais sempre lhe diziam). Pode-se dizer que não apenas ela era uma influência na sua educação, como você na dela. A sua presença a obrigava a repensar a sua personalidade constantemente.

4. Às vezes, era difícil para ela lidar com a sua atitude mal humorada

Era a sua irmã que te ajudava a resolver os problemas com os pais, na escola, nas brigas com os amigos, e em outros casos, muitas vezes passando para você a experiência dela. Talvez isso parecesse chato e irritante, e te deixava de mau humor, mas ela sempre tentava não dar importância a isso para continuar te ajudando e te protegendo.

5. Ela sabia que você tinha de errar

Sua irmã te dava conselhos e dividia com você a sua experiência. Não obstante, ela entendia que você tinha de passar por algumas situações complicadas e aprender com elas. Nessas horas, ela apenas observava, não se metia, deixava que a vida te mostrasse o caminho. Mas ela sempre esteve ao seu lado para te consolar nos momentos difíceis.

6. Ela ajudava os seus pais a te entender

Muitas vezes, ela tinha de agir como intermediária, até mesmo quando você não tinha razão. Ela sempre se colocava do seu lado, te defendia e explicava aos seus pais os motivos do seu comportamento, porque se via refletida nele.

7. Ela se preocupou quando você cresceu e começou a namorar

Quando você se transformou em uma adolescente, a sua irmã mais velha te deu conselhos sobre como tratar os meninos, como passar maquiagem e como se vestir. Respondeu às perguntas que você não queria fazer aos seus pais. Por um lado, ficou feliz ao ver os seus olhos apaixonados, mas, por outro, se preocupou porque alguém podia machucar o seu coração.

8. Ela teve de ser cruel

Às vezes, parecia que a sua irmã mais velha não dava a menor bola para os seus problemas, que tirava sarro de você porque isso lhe dava prazer. Acontece que ela usava esta conduta para te motivar. Isso sempre te deu mais força e te fez seguir em frente.
9. Muitas vezes ela se sentia completamente perdida
Sua irmã mais velha teve de assumir diferentes papéis: professora, amiga, guarda-costas. Ela jamais estudou para assumir tantas funções, mas sempre encarou o desafio, pelo amor que sempre teve por você.

10. Ela sempre está disposta a te ajudar

Sua irmã mais velha fica super feliz por saber que ela é a primeira pessoa a quem você vai pedir ajuda em uma situação de emergência. Ela sempre está disposta a resolver os seus problemas, como se eles fossem dela.

Ela é a maior influência na formação da sua personalidade. O amor entre vocês ultrapassa qualquer limite da natureza. Muito mais que parentes, vocês são amigas. Para sempre. Ame ela de volta, você não vai se arrepender.

Um golpe do destino: Quando o doente é o profissional da saúde.

Um golpe do destino: Quando o doente é o profissional da saúde.
Title: DOCTOR, THE • Pers: HURT, WILLIAM / PERKINS, ELIZABETH • Year: 1992 • Dir: HAINES, RANDA • Ref: DOC069AK • Credit: [ TOUCHSTONE / THE KOBAL COLLECTION ]

Por Marcela Alice Bianco e Bruna Arakaki
Cine Sedes Jung e Corpo

Um golpe do destino (Direção de Randa Haines 1991, EUA), conta a história de Dr. Jack, um exímio cirurgião que, ao descobrir em seu próprio corpo, um câncer nas cordas vocais passa de médico à paciente de uma maneira bastante abrupta. Esse evento trará para ele enormes mudanças em sua personalidade, vida pessoal e na forma como exerce sua profissão e cuida de seus doentes.

Logo no início da trama Dr. Jack nos é apresentado como alguém tecnicamente exemplar em sua especialidade, mas como uma pessoa fria, emocionalmente distanciada de seus pacientes, arrogante e com um humor ácido e insensível. Considera apenas as questões técnicas que envolvem os procedimentos cirúrgicos, mas negligencia drasticamente os afetos e a natureza humana de seus pacientes.

É muito comum que nossas primeiras impressões sobre o personagem nos cause irritação e repulsa em relação ao seu comportamento.  O mesmo acontece quando vemos na mídia ou em nossas próprias experiências posturas arrogantes, negligentes e de descaso vindo de profissionais da saúde. Porém, não nos damos conta que tais condutas podem refletir um processo de adoecimento, o qual damos o nome de Síndrome de Burnout. Uma das dimensões caraterísticas dessa síndrome é a despersonalização, ou seja, o desenvolvimento de uma insensibilidade emocional em que o profissional passa a tratar seus pacientes de maneira massificada, fria, sem considerar seus aspectos individuais e emocionais. Este é justamente o comportamento que evidenciamos em Dr. Jack. Portanto, antes mesmo do diagnóstico do câncer nas cordas vocais, já poderíamos dizer que o personagem estava doente. Seu distanciamento dos pacientes seria então um mecanismo defensivo inconsciente para negar os aspectos emocionais com os quais ele não saberia lidar.

Admitir o conteúdo patológico de tal atitude impessoal, nos ajuda a buscar também em nós uma atitude mais humana em relação ao personagem. Sua frieza em relação aos pacientes, faz com que nós também tenhamos dificuldades em nos aproximar empaticamente de Jack, negando sua própria subjetividade e julgando-o de maneira irrepreensível. Pensando nos profissionais da saúde da vida real, tais ações desencadeiam uma rede sucessiva de descaso, incapaz de recuperar um sistema de saúde funcional e promotor da cura em todos as direções.

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Portanto, é de extrema valia que passemos a considerar que por trás de todos profissional da saúde encontra-se um paciente, ou seja, em algum lugar do curador também habita um ferido.

Historicamente, a visão cartesiana que separou o corpo (res extensa) da mente ou psique (res cogitans) fez com que também fossem separadas a razão da emoção, havendo uma subordinação da segunda em relação a primeira. Passou a ser mais importante dissecar, dividir, analisar, discriminar, ordenar, etc., do que que compreender algo dentro de uma função simbólica e integrativa. Um sintoma passou a ser visto como algo isolado, que necessita ser entendido em seu desenvolvimento para que seja controlado ou extirpado. Neste caso, perde-se a capacidade de entender o sintoma e o processo de adoecimento dentro de um contexto mais amplo e vivencial, capaz de abarcar a vida emocional do paciente, seu contexto social, sua biografia e seus recursos de enfrentamento.

Tanto a Psicossomática quanto a Psicologia Analítica têm se esforçado para romper com esta visão dualista do ser humano, buscando uma compreensão mais ampliada e simbólica dos fenômenos que incidem sobre o humano. Para ambas as abordagens corpo e psique são vistos como fenômenos integrados, que se inter-relacionam e produzem manifestações de maneira simultânea frente aos desafios que o organismo enfrenta na sua relação com o ambiente externo e interno.

Portanto, é com esse olhar que buscaremos compreender a vivencia de Dr. Jack, buscando o símbolo que se encerra por trás da sua jornada existencial.

Numa visão analítica, poderíamos dizer que Dr. Jack encarna, especialmente, o lado negativo da figura mítica de Esculápio ou Asclépio, deus grego da medicina e da cura. Na versão mais corrente do mito, o nascimento desse deus é marcado pela morte da mãe, o que faz com que seu pai o leve para ser criado pelo centauro Quíron, que o educou nas artes da cura e da caça. Esculápio se torna o maior curador e cirurgião de seu tempo, passando a desfiar a lei divina quando consegue ressuscitar os mortos. Como punição, o deus é fulminado por um raio mortal lançado por Zeus contra ele.

Em uma análise parcial deste aspecto do mito, podemos pensar que o trauma do luto da mãe e do abandono do pai que Esculápio sofre em tão tenra idade, fez com que ele encontrasse dificuldades no desenvolvimento pleno da sua função afetiva, ligadas a experiência com o materno e com o feminino. Em compensação com o centauro Quíron, desenvolve de maneira hipertrofiada suas funções cognitivas, pautadas na lógica e na técnica. Tal fato torna-o extremamente habilidoso, mas também gera uma vivência onipotente que o fez ignorar as leis da natureza. Assim, ele desafia as leis da vida e da morte, ressuscitando os mortos. Sua inflação egoica fez com que ele cometesse uma infração tida como gravíssima e que leva a sua própria finitude.

A trama não nos conta nada sobre a infância de Dr. Jack que nos dê pistas do que o levou à personalidade que demostra no filme. Todavia, fica claro o afastamento do médico de sua função afetiva e dos aspectos do feminino/materno relacionados com o cuidado e com o acolhimento, sendo a mesma compensada por uma atitude egoica de onipotência, frieza, agressividade e distanciamento emocional. Cabe aqui ressaltar que, tais características acabam por ser estimuladas e privilegiadas na própria formação profissional.

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A postura unilateral de Dr. Jack não o leva a morte concreta, como no caso de Esculápio, mas a doença que o acomete traz esse risco e também a necessidade de uma morte simbólica, de uma transformação que o tire de uma posição uniliteral e onipotente para uma atitude de mais integrada e empática em relação as pessoas e a si mesmo.  E, não houve outra maneira de fazê-lo, do que levando Dr. Jack a experimentar justamente o seu oposto: a sensação de impotência que sua doença lhe causou e o tratamento frio que ele mesmo passa a receber de seus colegas de profissão.

Dentro do referencial da Psicologia analítica temos que, esse aspecto do ferido que existe em cada curador, precisa encontrar espaço, ser trabalhado e vivenciado para que o profissional possa ajudar seus pacientes.

A figura mítica de Quíron nos ajuda no entendimento deste processo ao falar do arquétipo do Curador Ferido. Conta o mito que, Quíron era um centauro, ou seja, um ser metade homem e metade cavalo. Era inteligente, bondoso, excelente conhecedor das artes da cura e reverenciado por ser professor e tutor. Acontece que, em determinada ocasião, esse personagem é ferido acidentalmente por uma flecha envenenada, que o torna portador de uma ferida incurável e dolorosa. Simbolicamente, este mito nos conta que todo curador tem dentro de si uma limitação, uma dor, uma fragilidade e que quando este se torna consciente de sua própria ferida é capaz de compreender empaticamente a dor do outro, auxiliando de maneira mais integrada na sua recuperação da saúde.

Inicialmente Dr. Jack acredita que não precisa haver troca com seus pacientes e que ele não será tocado emocionalmente pela subjetividade dos mesmos. Ele se percebe como um guerreiro protegido pela sua armadura técnica de cirurgião. Porém, é sua própria doença que o toca. Ele é atingido por ela de maneira inesperada e brutal, assim como o centauro Quíron, passando a estar no exato lugar (concreto e simbólico) em que se encontravam seus pacientes.

Assim, compreendemos a doença de Dr. Jack como um símbolo que permitiu a integração e o resgate da sua função afetiva e uma ampliação da consciência que o transforma como pessoa e como médico.

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Neste ponto traremos dois aspectos que consideramos importantes neste resgate da subjetividade: a relação de Dr. Jack com os aspectos relacionados à emoção e ao feminino e o papel da comunicação.

Sobre esses aspectos, destacamos algumas figuras centrais e sua relação com Dr. Jack: a esposa, a médica que o atende inicialmente, sua nova amiga, o colega médico que tinha uma postura mais humanizada no tratamento com os pacientes e a enfermeira que se recusa a cantar durante as cirurgias.

Nota-se, que a relação com a esposa é marcada pela mesma hierarquia que ele desenvolve na profissão, o que gera silêncios, distanciamento e frustrações para ambos. Assim, mais uma vez percebemos a polarização entre feminino e masculino, razão e emoção, evidenciada aqui no relacionamento homem e mulher. Tal fato vai tornando a comunicação cada vez mais deficiente entre ambos, eclodindo numa série de desentendimentos e conflitos.

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Ao perceber os primeiros sintomas, Dr. Jack é encaminhado para uma médica tida como muito competente em sua especialidade. Ocorre que, ela tem para com ele a mesma postura fria e indiferente com a qual ele age quando em seu papel de cirurgião. Ela funciona para ele como um espelho de sua própria identidade, fazendo com que saia da inconsciência em que se encontrava, para começar a compreender os prejuízos de suas atitudes no tratamento com seus pacientes, especialmente no que diz respeito a comunicação e a troca.

O colega médico é inicialmente hostilizado e tido como motivo de piada entre os demais profissionais. A consideração que tem para com os gostos e para a personalidade de seus pacientes é tida como fútil e desnecessária. O fato dele conversar com os pacientes já sedados durante o procedimento cirúrgico é visto como uma loucura.

A enfermeira auxiliar se recusa a cantar e participar do distanciamento emocional percebido durante a cirurgia do paciente que tentou o suicídio acontece. Sua voz se cala diante da cena.

Todos esses personagens nos dão pistas importantíssimas sobre a questão da comunicação. E neste caminho, podemos tratar do simbolismo das cordas vocais.  Parte do nosso corpo que nos permite a emissão de palavras que tanto podem acolher quanto agredir, transformar ou reprimir, ou seja, importante meio de expressão da empatia, da troca e do aprendizado comum da humanidade. É através de uma mesma língua que nos identificamos como pertencentes à uma mesma cultura, sociedade e à um mesmo povo. É a capacidade do uso da linguagem, entre os outros aspectos, que nos torna humanos. Além disso é a região da garganta que liga o corpo a cabeça, o irracional/emocional ao racional/mental.

A comunicação de Dr. Jack era inadequada, ineficiente, agressiva e desmedida. A mesma é interrompida pela cirurgia e pela doença. Fazendo com que ele precisasse encontrar meios alternativos para se comunicar e especialmente, escutar o que os outros tinha para lhe dizer sobre ele mesmo.

Cabe lembrar que, quando retoma a capacidade da fala, sua primeira expressão fala do amor e da importância da ligação afetiva dele com sua esposa. O que ele diz é: Eu te amo!

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Mas, não é com a esposa que Dr. Jack faz sua viagem de transformação. É através da relação de amizade que ele constrói com uma paciente em tratamento de câncer no mesmo hospital, que Dr. Jack será confrontado em suas inadequações e iniciado na vivência como paciente. Sua amizade com June se começa em um momento onde a comunicação de Jack traz problemas e ela o mostra como é estar do outro lado do cenário, ou seja, como é ser paciente. A amiga representa a ponte entre as polaridades razão e emoção, médico e paciente, curador e ferido, masculino e feminino, vida e morte numa nova dimensão. E, é a partir dessa vivência emocionante e integrativa que ele consegue sentir uma liberdade que nunca tinha experimentado. Uma liberdade que o tira das amarras da repressão e da defesa e o coloca num novo patamar de relacionamento com os outros e consigo mesmo.

Ele pede então para que o colega médico, de quem antes desdenhava, o opere. A enfeira que se recusava a cantar, entoa agora sua música preferida. Ele conversa com o coração do paciente em que realiza a primeira cirurgia ao voltar à pratica médica. A comunicação é restabelecida em todos as direções. Como pedido por sua amiga June em uma carta, Dr. Jack “abaixa o braço”, saindo de uma relação hierarquizada, onde ele estava acima e o outro abaixo, para uma relação horizontalizada que permite a troca, a valorização e a confiança mútua.

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Dr. Jack se despe de sua persona de cirurgião e agora consegue vivenciar a magnitude de sua personalidade total, restaurando o eixo ego-self.

Entrar em contato com a própria doença fez com que Dr. Jack pudesse ver seus pacientes sob um novo olhar, sendo este mais sensível, próximo e empático. Para além das mudanças como profissional da saúde, sua personalidade também passa por uma grande transformação, com resgate da função afetiva em todas as suas relações.

Ele percebe que, em nenhum momento, entrar em contato com seus sentimentos e agir empaticamente com seus pacientes, invalida ou prejudica sua atitude médica de cirurgião. Pelo contrário, quando Dr. Jack consegue se sintonizar com a dor de seus pacientes e reconhecer sua subjetividade. Ele não apenas os compreende em uma nova dimensão, mas valida sua experiência, trazendo o apoio e o conforto tão essenciais para a superação de uma doença ou situação de fragilidade. Para além do acolhimento, isto gera a possibilidade de assimilação pelo paciente da sua experiência, tantos em termos emocionais quanto cognitivos. Fazendo isso, o profissional desperta no paciente suas próprias forças curativas, ou seja, seu curador interno.

A transformação do médico é tão intensa que ele também se transforma como mestre e tutor de seus alunos (mais uma vez uma referência à Quíron). Ele muda drasticamente sua didática, fazendo com que os jovens médicos experienciem concretamente como é estar no lugar do paciente, como é estar internado, passar por procedimentos invasivos, sentir sua intimidade exposta, perder sua autonomia e tornar-se em algum grau dependente.

Mas, a questão é:  como conseguir ser empático e também conseguir ajudar o outro, mas sem identificar com o paciente, a ponto de ficar paralisado por sua dor ou tomado por sua angustia? Neste sentido, Jung falava da importância da relação dialética entre o profissional da saúde e seu paciente, ou seja, uma relação que permite que a personalidade de ambos seja expressada e considerada em sua integridade; um relacionamento que permite a troca, mas sem a perda dos papéis que ambos possuem na relação.

Como diz Jung: “conheça todas as teorias e domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana”.

Sair da posição de Curador onipotente pode ser um alívio para o profissional, pois, isso o retira de uma postura heroica e onipotente e, assim, ele passa a compartilhar a responsabilidade com toda a equipe de cuidado, incluindo o paciente e sua família.

Por fim, precisamos compreender que a cura não é só sarar da doença, mas dar um passo em direção ao seu desenvolvimento como pessoa, compreendendo o que este evento simbolicamente representa no próprio caminho de individuação. E é fundamental que os profissionais da saúde façam suas próprias jornadas, buscando o autoconhecimento, a ampliação da sua consciência e mantendo acesa a chama do curador ferido que carregam dento de si.

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Bibliografia sugerida:

BIANCO, M. A. E quando o curador está ferido? Propondo uma abordagem simbólica para Síndrome de Burnout. Revista Jung e Corpo, Ano XIII, n. 13, 2013.

GROESBECK, C. J A imagem arquetípica do médico ferido. Revista Junguiana, São Paulo, v.1, p. 72-96, 1983.

GUGGENBÜHL-CRAIG, A. O abuso do poder na psicoterapia e na medicina, serviço social, sacerdócio e magistério. Rio de Janeiro: Achiamé, 1978/2.

GUGGENBÜHL-CRAIG, A. The emptied soul: on the nature of the psycopath. Spring Publications, 1999.

JUNG, C. G. A prática da Psicoterapia: Contribuições ao problema da psicoterapia e à psicologia da transferência. In Obras Completas. 7ª Edição.  Petrópolis: Vozes, [1971], 2011, v. XVI/1.

RAMOS, D. G. A psique do corpo: A dimensão simbólica da doença. São Paulo: Summus, 2006.

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Este texto foi produzido pela Comissão Organizadora do Cine Sedes Jung e Corpo com base nas reflexões realizadas durante o evento realizado em novembro de 2015, com os comentários da Professora e Psicóloga JunguianaMaria Helena Baltazar e das Psicólogas convidadas Fernanda Monteiro Balthazar e Flávia Sayegh.

Reproduzido na Conti outra com autorização.

O Cine Sedes Jung e Corpo é uma atividade extracurricular do curso Jung e Corpo: Especialização em Psicoterapia Analítica e Abordagem Corporal do Instituto Sedes Sapientiae de São Paulo.

É um evento gratuito e aberto ao público geral organizado pelos professores do curso em conjunto com ex-alunos e ocorre todas as últimas sextas-feiras dos meses letivos do curso.

Para maiores informações acompanhe o Blog do Cine Sedes Jung e Corpo

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11 imagens que fazem os adultos terem um verdadeiro orgasmo

11 imagens que fazem os adultos terem um verdadeiro orgasmo

Para conseguir o orgasmo, adulto gosta é de SEX0? Você pode pensar que sim, mas tem muitas outras coisas que podem deixar um adulto bem próximo do clímax. Ver imagens que remetem a algumas dessas coisas pode já ser o suficiente sem você nem precisar viver.

Imagine chegar em casa e ver que está tudo organizado e não há louça suja? Ou ter o alívio de todas as contas do mês pagas? Só de pensar eu tenho certeza que já deu até um alívio!

Confira agora algumas imagens que remetem a esses momentos que deixam um adulto praticamente vivendo um momento de êxtase, do tanto que são boas.

1 – Contas do mês pagas, nada mais gostoso do que isso
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2 – Aquelas roupas passadinhas e dobradas na gaveta
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3 – Geladeira cheia depois da compra do mês
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4 – Casa limpa e arrumada
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5 – Chegou a encomenda
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6 – Soneca pós-almoço
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7 – Transação aprovada
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8 – Promoção de cerveja
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9 – Casa lotérica sem fila
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10 – Pia sem louça suja
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11 – Poder dormir até tarde
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E aí, se identificou com essas conquistas? Certamente você até sentiu alguns arrepios só de ver essas situações, imagina se puder vivê-las. Se você ainda não chegou nessa fase, pode guardar as imagens que com certeza ainda vai dar muito valor a isso.

Matéria original: Fatos Desconhecidos

Não traga de volta para sua vida o que não estiver fazendo falta

Não traga de volta para sua vida o que não estiver fazendo falta

Certas coisas e determinadas pessoas saem da nossas vidas muitas vezes de uma maneira desagradável e abrupta, de forma a nos deixar desolados de início e sem entendermos o porquê daquilo tudo. No entanto, com o passar do tempo, percebemos que fomos, na verdade, agraciados com aquelas perdas, pois caminhamos mais felizes e tranquilos sem o peso delas em nossas vidas.

Por essa razão é que não podemos nos desesperar quando algo nos acontece, pois, no calor das emoções, tendemos a achar que tudo conspira contra nós, que perdemos sempre, que tudo está piorando. Embora seja difícil, aguardar as respostas que teremos lá na frente é o mais sábio a se fazer, afinal, muitas vezes, ganha-se quando aparentemente se perde.

Não traga de volta aquela amizade que nunca aparecia, a não ser que você a procurasse; que cobrava muito mais do que ofertava; que nunca mostrava interesse pelo que você passava, sentia, queria, por quem você era realmente. Relacionamentos devem ser recíprocos, ou o peso sobrecarregará os nossos passos, tolhendo-nos um caminhar sereno, lúcido e agradável. Deixe pra lá as ausências que nos tornam mais leves.

Não traga de volta aqueles hábitos que lhe faziam mal, que atrapalhavam os seus dias, a sua saúde, o seu equilíbrio interior. Seja o cigarro, seja a antecipação de problemas, seja o pensamento negativo ou a autopiedade, caso tenha se afastado disso, mantenha-se firme e distante de comportamentos que em nada eram úteis. O tempo deve correr sempre em nosso favor e precisamos lutar para isso. Deixe pra trás o que diminuía suas chances de ser feliz.

Não traga de volta erros que machucaram, mesmo que já cicatrizados. Não volte a incorrer nas mesmas atitudes que foram lesivas; a acreditar em esperanças que nunca se realizaram; a enxergar com olhos condescendentes pessoas que não merecem nada do que você tem a oferecer. Nem tudo e nem todos merecem uma segunda chance e ter consciência disso nos poupará recair em dissabores de que já tínhamos nos livrado.

Não traga de volta quem nunca fez questão de estar ao seu lado, quem roubou dias, meses ou anos da sua vida, iludindo e alimentando promessas vãs, somente sugando sem somar, sem trazer, sem doar, sem praticar o retorno afetivo de nada. Encare a sua responsabilidade sobre o que lhe acontece de ruim e negue-se a receber em sua vida gente que não vale a pena. Deixe em seu passado os vampiros emocionais.

Sempre que passamos por rupturas em nossas vidas, dói muito, uma desolação que demora a passar. Mas passa, pois o tempo cura e traz verdades, mesmo aquelas que teimamos em ignorar. Portanto, aprendamos, com a dor, a seguir adiante, sem querer de volta o que dói e machuca, pois temos que ser merecedores da felicidade com que sonhamos, livres das amarras que obstruem o nosso viver e nosso sorrir.

Artista transforma fachadas de prédios em obras de arte cheias de vida

Artista transforma fachadas de prédios em obras de arte cheias de vida

O artista francês Patrick Commecy transforma fachadas de prédios monótonos em cenários hiper-realistas coloridos, dando um toque de vivacidade nas comunidades por onde passa.

Commecy e sua equipe de designers e pintores preenchem paredes de prédios cinzas com desenhos que reanimam esses estabelecimentos, fazendo com que as pessoas tenham um bom motivo para contemplá-los.

O francês trabalha com essa técnica de muralismo desde 1978. É um dos profissionais mais referenciados quando a demanda é pintar muros e paredes para fins artísticos.

As obras de Commecy são feitas em contrato com prefeituras e donos de residências e pontos comerciais. O projeto é intitulado A.Fresco: um trocadilho que faz referência à técnica de artistas renascentistas que pintavam igrejas, castelos e fortalezas.

Quem mora em lugares cheios de prédios cinzentos sabe como é desanimador andar na rua e olhar para esses arranha-céus. No entanto, para quem habita os bairros com a arte de Commecy, um simples olhar é capaz de salvar o dia. Seus murais hiper-realistas chamam a atenção de qualquer transeunte, por mais distraído que esteja.

Os personagens nas pinturas de Patrick são baseados em pessoas reais; elas desempenham um papel significativo nas comunidades onde os murais são produzidos. Todos os prédios artisticamente modificados ficam na França. Essa ideia seria muito bem-vinda em cidades monocromáticas como São Paulo.

Com muito esmero e sensibilidade, Patrick e sua equipe transformaram positivamente a estética de construções diversas, valorizando certas regiões francesas bucólicas. Estes prédios, antes tediosos, foram redesenhados com humor refinado. Veja:

1. Renaissance 

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2. Au fil de Loire

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3. Les Dolto

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4. Aquarium

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5. Café de l’Aqueduc

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6. Le Café des Acteurs

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7. Chochemerle

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8. Roméo et Juliette

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9. L’Arbre aux Oiseaux

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10. Vive la Récré

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11. La Galerie V

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12. Tableaux d’Eyzin-Pinet

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13. La Guinguette

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14. Juliette et les Esprits

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15. Cinéma Cannes

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16. La Fée Verte

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17. Stars’s Kisses

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18. Cinéma Le Vallois

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19. Les Guides de Chamonix

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Um segundo de amor é viver de olhos abertos

Um segundo de amor é viver de olhos abertos

Escrever sobre o amor nunca foi uma imposição. O que para alguns seria uma responsabilidade mensurada em descrever o indescritível, para mim, nada mais é que exprimir e transbordar algo permissível de tato. Escrevo amor porque acredito. E por acreditar não poderia escrever ao menos que o vivesse. Hoje, não apenas o vivo, como também o reconheço. Mesmo no seu curto espaço, a vida sorriu. Expressão larga, mãos acolhedoras e lábios adocicados de poesia. Ela tem nome, sobrenome e coração. Interessante é a densidade do romance a dois. Nada de tragédias clássicas ou histórias sedutoras para o público emocionar-se e lotar plateia. É sentimento sadio, cuidadoso e cúmplice dos instantes. Fez-se carinho numa noite, encheu de felicidade e abraços no dia seguinte.

Nada se compara com a paz de poder dizer sem precisar falar. Quando você encontra essa sinestesia afetuosa e o respeito sincero, tenha certeza que, coisas boas acontecem. Vai além dos modismos baratos e da necessidade de não estar só. Pois, diante dos gestos, a simplicidade faz moradia. Querer deixa de ser uma oportunidade à espera da reciprocidade. Vivemos para amar. Se não fosse dessa forma, qual seria o sentido? Tendo em mente tamanho pulsar, sigo contente, esperançoso e novamente capaz de sonhar junto. Já nem preciso recorrer de vocabulários e inspirações imaginadas. Liberto-me de qualquer amarra no encontro do amor. Deveria ser assim para todos. Porque por mais que exista o frio na barriga e o medo da queda, um segundo de amor é viver de olhos abertos.

Minha alma sabe que, apesar dos riscos e indícios passados, talvez fosse melhor deixar seguir e adestrar os próximos passos. Mas não sou bom em medir nós dois. Nem quero. Prefiro saborear o novo de novo. Afinal, se a sorte acenou, tenho mais é que aproveitá-la e segurar com ternura os seus dados. Quem sabe até consiga escrever o que é o amor.

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