Ninguém fica onde não existe reciprocidade

Ninguém fica onde não existe reciprocidade

Uma das maiores razões do sofrimento humano é a ideia de que possuímos certas coisas e determinadas pessoas, como se fossem nossas. Muitos de nós achamos que o emprego, o cargo, a mesa de trabalho e seus objetos, o parceiro, o amigo são posses, são nossos por direito e ninguém há de mudar isso. Ledo engano.

O que temos de nosso, na verdade, é tão somente aquilo que temos dentro de nós, aquilo que nasce conosco, nosso corpo, nossa mente, nossos sentimentos, vá lá alguns objetos que compramos, nossa vida tão somente. Tudo o mais faz parte do mundo, dos momentos, de segmentos de nossa jornada e, por isso, não têm obrigação de permanecer conosco.

Tudo e todos que estão junto de nós ali permanecerão enquanto for propício, enquanto estiver servindo a interesses, sejam eles de que natureza forem, mesmo que por amor. Podemos ser demitidos a qualquer hora, podemos deixar de amar e deixar de ser amados a qualquer tempo, poderemos ter nossos pertences roubados, nosso cargo exonerado, nossa posição questionada. Como dizem, nada é, tudo está.

Muitas vezes, nosso amor vai embora porque não havia mais nada de bom aqui conosco e algo o interessou em outra morada. Nossos amigos se afastam porque a vida em si distancia as pessoas que não se esforçam por manter laços. Perdemos o emprego porque não correspondemos ao que esperavam de nós. Pode ser nossa culpa, pode nem ser, o que importa é entender que não temos controle ou poder algum sobre o que está fora de nós. Ou regamos, cuidamos e nos importamos, ou não manteremos junto aquilo que for mais precioso e quem faz a diferença em nossas vidas, porque ninguém fica onde não existe reciprocidade.Na verdade, ninguém rouba o nosso parceiro, ninguém tira o nosso emprego, ninguém destrói as nossas amizades, simplesmente porque certas coisas e determinadas pessoas a gente não perde, pois, na verdade, nunca foram nossas de fato. O que sai de nossas vidas apenas estava conosco, mas não era algo aqui de dentro, não nos pertencia, ou nem mesmo nos esforçávamos por mantê-lo. Sim, muitas de nossas perdas são consequência direta da maneira como nos comportávamos em relação a elas.

Cabe-nos, portanto, sermos o melhor que pudermos, dar o que temos de bom, compartilhar o que for mais verdadeiro, onde e com quem estivermos, sem achar que somos donos do que nos rodeia. Assim, nos momentos em que perdermos o que parecia certo, teremos consciência de que fizemos o que tinha de ser feito. Ao final, o que e quem ainda permanecer em nossas vidas será tudo aquilo de necessitamos para que possamos ser verdadeiramente felizes.

Gente feliz de verdade dá valor ao que tem.

Gente feliz de verdade dá valor ao que tem.

De repente a gente se dá conta de que não queria estar em outro canto do mundo, nenhum outro, senão exatamente onde está.

A gente sabe que existem tantos destinos, novos prazeres, outras companhias. Mas eles esperam. Se não esperarem, não tem problema. A gente não dá a mínima. Nem liga porque, quando sente que está onde quer estar, é como se nada mais existisse.

Nem sempre acontece. Nem sempre essa impressão calma e forte nos dá o ar de sua graça. Mas quando ela vem, dá na gente uma certeza boa: o que temos e onde estamos valem mais do que todo o resto que a vida tem.

Em grupo, em família, em casal ou na mais sincera solidão, não importa. Nessas horas, aqui dentro, a gente sente estar no lugar certo. Aqui, onde estou agora, é tardinha e eu sinto alegria. Não quero a manhã azul na praia mais linda, a companhia da gente amada, não quero a noite de lua sorrindo na praça da infância nem o friozinho e a bebida quente da cidade mais alegre do meu país quando entra o inverno. Não agora. Depois, quem sabe? Neste instante, quero só o que já está aqui, meu aqui e agora, morada tranquila de tudo o que virá.

Nessa hora a gente sente que a felicidade deve ser isso mesmo. Esta impressão humilde e certa de que não troca por nenhum outro o lugar onde está. Sensação honesta de que não há no mundo outro canto como este aqui, onde estamos e onde queremos estar.

Venham, horas vazias, dias cheios, noites de dor. Podem vir! Eu encaro e suporto. É que eu sei onde a minha felicidade mora. A toda hora, em qualquer canto, quando a tristeza que me visita não mais tiver o que me ensinar, eu peço licença, fecho os olhos e vou voando até lá.

Por que a abertura das Olímpiadas despertou em alguns de nós um sentimento bom de brasilidade?

Por que a abertura das Olímpiadas despertou em alguns de nós um sentimento bom de brasilidade?

Uma noite em que o Brasil virou o foco das atenções para bilhões de pessoas espalhadas pelos mais diversos pontos do planeta. Era uma noite em que a festa do esporte olímpico ganharia as telas de TV a partir do nosso país. Uma noite em que exibiríamos para o mundo a nossa interpretação, ou pelo menos de alguns de nós, do que é receber em solo brasileiro aqueles que dedicam suas vidas a incontáveis horas de treino, anos de disciplina e uma vida de compromisso ao esporte, fazendo dessa missão quase um sacerdócio.

Diante de nossos olhos, quer tenha sido ao vivo ou pela pequena tela, um espetáculo de criatividade, de respeito à nossa história, e de integração entre as muitas vertentes culturais que fazem de nós um povo diverso, cheio de cores externas e internas, reveladas por uma gente que anda vivendo um enorme conflito de identidade; uma gente que vem sendo bombardeada por ondas de descaso político e corrupção nos mais diversos níveis; uma gente que merece ser valorizada em sua incrível força diante de tantas adversidades e inseguranças.

Fomos surpreendidos por uma cerimônia que não reproduziu a imagem clássica de Atenas, a força de Pequim, nem a tecnologia de Londres. Fomos arrebatados por uma festa calorosa e exuberante, durante a qual demos um importante recado universal sobre a destruição de nossas riquezas naturais, em decorrência de um comportamento que revela a falta de consciência planetária sobre a finitude dos recursos da natureza e a irresponsabilidade diante da criminosa emissão de poluentes na atmosfera. “Outros países fazem suas cerimônias olhando para o próprio umbigo, mas nós estamos aqui para dar um recado ao mundo. Uma mensagem para o futuro”, explicou Fernando Meirelles, diretor de Cidade de Deus, aclamado filme que retrata a vida em uma favela carioca.

O Maracanã exibiu ao mundo um Brasil cheio de orgulho e de garra, um Brasil que por alguns momentos guardou na gaveta a tristeza pela enorme crise econômica e política que nos assola. O Maracanã foi palco de uma demonstração de talentos valiosos e diversos. Fomos agraciados pelos versos de Drummond, na voz de nossa ilustre Fernanda Montenegro; e os versos nos tocaram sobremaneira, talvez porque nos identifiquemos com a flor do poeta que “É feia. Mas é uma flor. Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio”. Assim somos nós, o povo brasileiro, precisamos furar o asfalto do descaso público, estamos exaustos de aturar o tédio estampado na cara dos políticos corruptos, somos omissos diante do nojo que alguns de nós teimam em ter por outros de nós menos favorecidos economicamente e lutamos para não sucumbir ao ódio, diante de tanta iniquidade.

E tudo isso é realmente muito grave e sério. E aqui ninguém está acreditando que essa suposta euforia de festa seja capaz de nos fazer esquecer que temos uma montanha de problemas a resolver e um exército de monstros reais a enfrentar.

Mas aquele era um momento de festa! E, por mais revoltante que seja a nossa situação, quem é de nós que permite que a crise em que fomos mergulhados ofusque o brilho das nossas merecidas conquistas? O destino desse país é nossa responsabilidade, de cada um de nós. E vamos lutar para que possamos ter orgulho dessa terra, não apenas na cerimônia de abertura das olimpíadas. Mas, temos o direito de celebrar nossos talentos e nossa capacidade de fazer uma festa que não foi a mais cara, nem a mais pomposa, nem a mais sofisticada; mas a foi, sem dúvida nenhuma, a mais alegre, criativa, leve, afetiva e contagiante cerimônia já vista em todos os tempos.

Se a sua intenção foi a melhor, não se lamente mais

Se a sua intenção foi a melhor, não se lamente mais

Se você se lamenta todos os dias pelo que aconteceu é porque essa pessoa tão valiosa que você leva dentro do peito está tentando fazer com que você a escute e deixe-se curar. Se isso acontece é porque ela sabe que, para poder virar a página, você precisa se perdoar e entender que, apesar do que saiu errado, sua intenção foi a melhor e isso também tem seu valor.

Na verdade, você não pode ter esse peso na sua consciência durante muito mais tempo, já que não é bom para você e, além disso, você não merece isso. Lembre-se outra vez de que as consequências de uma ação têm que se materializar, mas não têm que ser eternas.

Você já sofreu o suficiente e, embora não fosse o que você queria, você também ouviu críticas, talvez sentiu um pouco de vergonha e pode até mesmo ter sofrido um julgamento moral derivado dessas atitudes. No entanto, são coisas que têm que acontecer: quando enfrentamos nossas decisões corremos o risco de errar e nem toda a boa vontade do mundo exclui a possibilidade do erro.

A importância da intenção: “Eu apenas queria…”

É verdade que agir com a alma cheia de bondade é subestimado e que algumas pessoas usam a chamada “boa intenção” como escudo para esconder sua covardia ou inventam desculpas que as paralisam. No entanto, outras pessoas realmente se sentem mal porque algo que elas não esperavam aconteceu, pois sua intenção foi dar o melhor.contioutra.com - Se a sua intenção foi a melhor, não se lamente maisOu seja, chegou um ponto em que você se lamenta uma e outra vez por como as coisas aconteceram e esses “eu apenas queria…” ou “não era minha intenção” são frutos de um sentimento de culpa que o oprime desde então. Essas duas frases são o símbolo da frustração de alguém que tentou colocar o coração em algo e, no entanto, saiu com ele aos pedaços.
Você sente uma pressão no peito e um arrependimento, não interessa que a pessoa afetada tenha lhe perdoado e que agora a situação não o machuque tanto, mas sim que a sua moral foi atingida: não tem mais importância pensar que você queria dar o seu melhor e que você gostaria de voltar atrás para mudar as coisas. No entanto, a solução reside em outra direção.

Atreva-se a dar o passo na direção do perdão

A única saída possível se você quiser sair de onde está é perdoar a si mesmo, por isso, se você está convencido de que quer deixar de se sentir mal, você tem que se atrever a fazê-lo. Apenas dessa maneira você conseguirá fazer com que essa preocupação saia da sua cabeça e que tudo seja concluído.

Faz bem que você não se lamente mais por algo que não pode mudar e que já ficou no passado, precisamente porque nas suas boas intenções reside a possibilidade de voltar a começar, de descobrir que ninguém é perfeito, e muito menos você, ainda que gostaríamos que fosse assim.contioutra.com - Se a sua intenção foi a melhor, não se lamente mais
Ter cometido um erro não lhe converte numa má pessoa, nem um fracasso tem que ser o juiz do restante das emoções que você tem nesses momentos: tenha confiança em si mesmo, valorize-se e mais ocasiões irão surgir para que você demonstre que não é sempre que se perde, mas sim que você às vezes também ganha. Reflita sobre isso: os erros não o definem, mas ajudam convertê-lo em quem você realmente é.

Que dar o melhor de si siga sendo um remédio diário

Para finalizar, vou dizer por que penso que você tem que libertar a sua consciência disso que o está machucando: simplesmente por que acredito que precisamos de pessoas que se deixem guiar por um coração humilde e cheio de bondade, ainda que os resultados não estejam sempre do seu lado.

Precisamos dar o melhor de nós às pessoas que queremos que estejam conosco todos os dias, estar ali se precisam de nossa companhia e dar a mão quando elas precisarem de algum conselho. E se errarmos? Nesse caso poderemos nos perdoar eticamente e seguir vivendo em paz, depois de termos assumido as consequências das nossas atitudes.contioutra.com - Se a sua intenção foi a melhor, não se lamente mais
É verdade que muitas vezes parece que o que importa realmente não é a intenção, mas sim o que se faz porque definitivamente é o que temos certeza de que é real. Mas às vezes esquecemos que a boa vontade move montanhas e que sem ela não se moveria uma pedra. Por isso, não se castigue mais e dê a si mesmo uma outra oportunidade: não é sempre que você tem que perder.

Matéria original: A Mente é Maravilhosa

Sobre o amor que não acontece todos os dias

Sobre o amor que não acontece todos os dias

Obrigado por sorrir comigo. Por despejar carinho sem a necessidade de cobranças, desejando não mais que a reciprocidade de um amor tranquilo.

Obrigado por dividir conversas sobre a vida. Fala-se dos sonhos, dos planos e vontades em estarmos juntos, mas sem a perda da individualidade. Para ter um amor que soma, que é sadio, ambos escolhemos deixar o passado para trás em busca de um caminho novo.

Obrigado por mostrar-me o quanto é gostoso sentir saudade. Porque nessas pequenas pausas entre nós, a ausência é apenas uma palavra. A nossa felicidade não é medida pelo tanto que passamos, mas pelos instantes que saboreamos com sinceridade.

Obrigado por acreditar novamente no amor. Sim, ele não acontece todos os dias, mas bastou um sorriso e uma canção para que viesse ao nosso encontro.

Obrigado por permitir-se estar ao meu lado. É liberdade amar nós dois.

“Só quero o amor das grandes paixões
Ser como crianças no parque de diversões
Aquele amor que em menos de um instante
Faz a vida girar numa roda gigante”

Para um amigo que partiu

Para um amigo que partiu

Escrever é tentativa de aproximar o longe, trazer para perto aquilo que não mais se vê.

Depois de concretizado o fato, concretiza-se a ausência minimamente imensa, desmedida em suas múltiplas extensões, porque a ausência sentida é tanto maior quanto menor o detalhe silenciado: o telefonema sem maiores importâncias que também respondemos com certa “desimportância”; o cigarro dividido; as horas mudas e a certeza inequívoca da presença do outro quando for necessário.

Perder alguém que se ama é verbo no gerúndio, crime continuado. O fato não pertence a uma data, o fato pertence aos dias e a rotina modificada.

A morte de alguém que se ama não é sentida no dia de sua partida, no dia sentimos o choque e o antagonismo de se estar vivo, porque é na morte que está a materialização e a certeza da vida. No dia da morte observamos a vida, depois é que se experimenta essa partida carregada de nãos e silêncios.
Depois da morte vive-se os dias que continuam exatamente iguais, com uma pequena grande diferença: todas as somas carregam em si uma secreta subtração.

O que é felicidade? Como ser feliz?

O que é felicidade? Como ser feliz?

Imagem: Captblack76/shutterstock

Será que existe algum passo a passo para se obter a felicidade? Será que, ao seguir o que está escrito em um livro bem elaborado, posso chegar ao estado supremo de felicidade? Será que, se eu acompanhar aquela celebridade, que me parece feliz, eu consigo aprender o seu segredo? Será que existe um curso para se aprender a ser feliz? Como ser feliz com algumas coisas ruins também acontecendo?

Você já reparou quantos posts, artigos, cursos, palestras e pesquisas estão sempre nos sendo apresentados, para que possamos achar o caminho da felicidade? É vendido, e isso não é de agora, o desvendar do segredo do alcance da felicidade. Em muitos casos, é sistematizado em uma fórmula, um passo a passo “Divino” para o alcance de um estado superior.

Mas será que existe tal estado e tal fórmula para seu alcance?

Primeiramente, existe um estado em que tudo é perfeito, em que não existe desapontamento, dor, tristeza, medo, raiva, rancor e outros estados negativos?

Essa pergunta requer uma análise profunda. Eu tenho a minha resposta, mas ela não necessariamente é a sua também. Para ficarmos cada um com o nosso pensar sobre isso, não vou respondê-la.

Existindo esse estado, é possível mantê-lo, a todo momento, no nosso dia a dia, em nossa vida?

Novamente, essa é uma pergunta pessoal. É uma busca ligada à filosofia, psicologia, teologia, religiões, terapias e outras formas de explicar o mundo e de se conectar a um estado supremo.

Mas a primeira pergunta que deveríamos fazer é:

O QUE É FELICIDADE PARA MIM?

Faça-a.

Perceba a sua resposta, se ela é puramente material (adquirir coisas: casa, emprego, dinheiro, viagens, pessoas); emocional (estar alegre, rir, não ter problemas e nem preocupações); espiritual (estar no estado supremo, conectado a Deus, estar na natureza), e se ela lhe parece alcançável, ou seja, se é possível nessa vida – no ambiente que você está – isso ser encontrado.

Veja que se a fórmula é Ter, então provavelmente você passará a vida buscando ter mais, e cada vez mais, sem uma satisfação ou contentamento com o que possui atualmente. A felicidade sempre estará em um acontecimento futuro.

Se a fórmula é Estar, ou seja, você estar num momento sem problemas, sem deveres, sem trabalhos, sem afazeres, sem preocupações, sem dores ou tristezas; logo, você está mais para um desejo de morte. O mundo está acontecendo nesse momento e você não o mudará por causa da sua vontade interna – a questão, aqui, é se identificar ou não com tudo isso.

Se a fórmula for Ser, então você está interessado em algum tipo de busca, em algo longe, em algum presente Divino, uma vez que está colocando a sua felicidade para QUANDO isso acontecer (e isso pode acontecer ou não). Colocamos, dessa forma, a nossa felicidade em um patamar muito distante, longe de ser alcançado. É como se estivéssemos colocando o nosso troféu de felicidade lá naquela última prateleira da estante, onde ela fica bonita, mas de onde não é possível retirá-la.

Uma outra questão é que o conceito de felicidade também varia conforme vamos crescendo. Quando éramos crianças, a felicidade poderia ter sido brincar com os amigos ou aquela torta de chocolate. Quando viramos adolescentes, a felicidade poderia ser estar com aquela garota ou garoto. Quando nos tornamos adultos, ela pode se tornar termos um emprego bem remunerado, uma casa ou filhos. Quando nos tornamos idosos, a felicidade pode ser acordar um dia após ter dormido bem, ou não sentir nenhuma dor.

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Após essa reflexão, novamente, o que é felicidade para você?

Perceba que, quanto mais longe você colocar a sua felicidade, mais difícil estará deixando a sua vida. Sua ideia de felicidade pode ser estar bem daqui a 10 anos, ou estar bem nesse exato momento. Sua felicidade pode ser nunca mais ficar triste ou ficar contente nesse exato momento.

Perceba, também, que uma vida perfeita - sem dor, traumas ou tristezas -, conforme é vendido pela psicologia do positivismo ou da autoajuda, é querer uma ilusão. Pela teoria Freudiana: sem a infelicidade, a frustração e o trauma, não haveria cultura. Mas, apesar disso tudo, deve existir um momento ou local em que podemos estar bem, independentemente do que esteja acontecendo ao nosso redor. Essa pode ser a verdadeira fonte da felicidade.

E nós temos, ainda, uma série de reflexões para fazer sobre esse tema.

“Todos os desejos são de felicidade. Este é o objetivo de todo desejo, não é? Ainda assim, quantas vezes o seu desejo conduz você ao seu objetivo?
Você já pensou sobre a natureza do desejo? Ele significa alegria amanhã e não agora, não é? A alegria não é nunca amanhã. É sempre agora. Quando você está cheio de alegria, como você pode ter desejos? E como você pode estar alegre neste mesmo momento se você tem desejos? O desejo aparece para te levar à felicidade. Na verdade, ele não pode. É por esta razão que ele é maya.” (Sri Sri Ravi Shankar)

Esse texto não pretende esgotar o tema. Na continuação dele, abordaremos mais filosofias de felicidade.

Até a próxima,

Virgilio

Tem gente que não quer ser ajudada

Tem gente que não quer ser ajudada

Uma das coisas que mais nos infelicitam é vermos pessoas de quem muito gostamos sofrendo, passando por dificuldades, tristes e com problemas para viver em paz. Não conseguimos estar bem, caso haja alguém muito próximo de nós enfrentando situações difíceis. Por isso é que nos dispomos a ajudar, a acolher, na tentativa de amenizar a dor alheia, para que possamos também seguir mais tranquilos.

No entanto, muitas vezes nos sentimos impotentes, incapazes de oferecer algum tipo de consolo, de ajuda, pois parece que nada será capaz de poupar o outro da tempestade que assola a sua vida. Quando há muita afetividade envolvida, torna-se ainda mais penoso adentrarmos a escuridão de quem amamos, com a força necessária para que o reergamos e o retiremos de lá.

Infelizmente, existem pessoas que, embora clamem por ajuda, por uma solução, por algum remédio que lhes cure, que lhes clareie os passos, que lhes expulse daquele estado de tristeza e comiseração, na verdade não querem receber ajuda, não irão aceitá-la, pois já se acostumaram com a tristeza e dela fizeram seu meio de vida. Sofrem muito, mas não conseguem conceber algo que não traga dor e tristeza.

Como diz o senso comum, o perigo de tropeçar reside na possibilidade de se apegar à pedra, ou seja, a gente se acostuma com tudo, até mesmo com o que faz mal. Isso porque, para podermos ser resgatados de nossas misérias emocionais, teremos que querer nos livrar delas, porque não dependerá somente da ajuda alheia, mas em muito necessitará do nosso próprio empenho, de nossa força de vontade.

Enfrentar a dor implica enfrentar os nossos medos, os nossos erros, as escolhas equivocadas que acumulamos, as pessoas erradas que trouxemos para nossas vidas, tudo, afinal, que é fruto do que nós próprios fizemos, porque assim o quisemos. Ninguém enfrenta o mundo lá fora sem antes encarar a si próprio de frente, assumindo a responsabilidade que lhe cabe nessa bagunça toda em que se encontra.

Portanto, é nosso dever tentar ajudar a quem precisa, porém, é nossa obrigação perceber se realmente nossos esforços estão surtindo ou não algum efeito. Muitas vezes, teremos de nos afastar desse tipo de pessoa, para que não gastemos energia inutilmente, para que não sejamos nós tragados para dentro das ventanias que não são nossas. Negar ajuda é imperdoável, mas deixar de ajudar quando o outro não estiver pronto para o enfrentamento será providencial, para que talvez ele se conscientize do que precisa e para que nós próprios fiquemos inteiros, para podermos ajudar a quem realmente esteja o querendo.

Síndrome da conversão: quando a dor emocional se transforma em dor física

Síndrome da conversão: quando a dor emocional se transforma em dor física

Para algumas pessoas ainda é difícil entender como questões psicológicas podem interferir realmente na saúde de um indivíduo, e essa falta de noção é mais perigosa do que imaginamos, afinal é por causa dela que deixamos passar algumas questões que, se trabalhadas, poderiam nos garantir uma vida de melhor qualidade.

A síndrome da conversão, por exemplo, é capaz de levar o paciente para o centro de emergências de um hospital. Pessoas vítimas dessa síndrome acabam apresentando sintomas típicos de pacientes com problemas neurológicos, psiquiátricos e cardíacos.

Crises epiléticas; dificuldades respiratórias; incapacidade de andar e falar; bloqueios de visão, audição e fala. Em um primeiro momento o médico pode acreditar que esses sintomas representam um acidente vascular cerebral (AVC) ou, ainda, que o paciente ingeriu drogas, machucou a cabeça de alguma forma ou é epilético.

Após solicitar uma série de exames neurológicos, o médico vai perceber que não houve um episódio de AVC ou epilepsia. Além disso, o paciente não se acidentou nem ingeriu drogas. É comum, nesses casos, que o quadro seja diagnosticado como uma crise histérica nervosa.

Os mecanismos que nos fazem literalmente converter dor emocional em dor física ainda não são totalmente esclarecidos pela ciência, até mesmo porque os meios de ação do cérebro humano são extremamente complexos e não totalmente desvendados ainda.

Antigamente esses sintomas físicos sem explicação biológica eram descritos como uma histeria típica das mulheres. Os médicos de alguns séculos atrás culpavam o útero pela conversão de dor emocional em dor física, mas o fato é que homens também são vítimas desses casos, e agora, finalmente, isso já é aceito sem muita resistência.

O fato é que o termo “histeria” deixou de ser utilizado há pouco tempo, na era da psicoterapia moderna, e a palavra “conversão” passou a ser adotada para definir esses casos.

Conversão

A palavra “conversão” cumpre exatamente o seu papel ao deixar claro que se trata realmente da transformação, da conversão de uma dor psicológica em uma dor física. A coisa é tão séria e tão comum que as estimativas são de que pelo menos 25% da população mundial experimentou ou vai experimentar os sintomas dessa síndrome.

É preciso deixar claro que essa transferência do campo emocional para o físico não acontece por vontade do paciente nem pode ser induzida. Esse processo, na verdade, acontece de maneira inconsciente, ainda que os sintomas físicos sejam facilmente delineados. Converter emoções não verbais e às vezes até inconscientes em dor física é uma forma bizarra de mente e corpo se conectarem.

Tratamento

Todo tratamento que envolva questões psicológicas exige do médico, do terapeuta, do psicólogo e dos outros profissionais envolvidos boas doses de empatia, que é a capacidade de se colocar no lugar do outro e analisar muito bem aquilo que se diz. Um paciente com a síndrome da conversão não deve ouvir frases como “isso é apenas coisa da sua cabeça”, que acabam diminuindo a importância do sofrimento do paciente, como se bastasse força de vontade para resolver o caso.

Frases como essa realmente podem interferir no tratamento, e de maneira bastante negativa. O ideal é mesclar o tratamento médico, feito por um psiquiatra, com o tratamento terapêutico, geralmente realizado por um psicólogo. Esse segundo profissional geralmente recorre à terapia cognitivo-comportamental (TCC), que é uma técnica moderna e bastante eficaz de tratamento, demonstrando sucesso em pacientes que tratam depressão e ansiedade.

Em alguns casos, a síndrome requer também fisioterapia, quando os danos físicos são mais intensos e afetam habilidades motoras. Em casos ainda mais severos, quando o paciente apresenta alterações neurológicas, a família acaba se envolvendo com a recuperação de maneira ainda mais intensa, ajudando em tarefas como banho e troca de fraldas.

Alguns pesquisadores acreditam que os sintomas da síndrome de conversão aparecem em pessoas com condições medicais que não foram previamente diagnosticadas. Como a síndrome ainda é pouco conhecida, há material insuficiente publicado sobre ela, sendo difícil prever as consequências em longo prazo.

Se no passado a síndrome já foi considerada exclusiva das mulheres, cientistas modernos já comprovaram que a condição não tem nada a ver com o gênero, sendo possível, portanto, que tanto homens quanto mulheres possam apresentar os sintomas da conversão.

No entanto, há um fator externo que pode facilitar o aparecimento da síndrome. Em países onde a cultura reprime manifestações emocionais de tristeza, sexualidade e até mesmo alegria, as pessoas são mais suscetíveis a apresentar esses sintomas.

De qualquer forma, a síndrome da conversão precisa ser encarada como uma dor crônica, uma doença ou um trauma – jamais como “frescura” ou “algo da sua cabeça”, de novo, apenas por uma questão de empatia. Diminuir o sofrimento psicológico é uma forma muito negativa e cruel de atrapalhar o tratamento.

Essa questão de empatia vale para tudo, mas nos casos das outras doenças psiquiátricas também é fundamental. Da mesma forma que não faz sentido dizer a um diabético que o diabetes é uma “coisa da sua cabeça”, é errado dizer para uma pessoa em depressão que ela precisa ter força de vontade para reagir.

A conversão pode estar ligada a diversos traumas emocionais ou experiências de estresse extremo, como a morte de uma pessoa ou um caso de demissão. Transformar essa dor psicológica em uma dor física é um mecanismo do próprio corpo humano, que talvez divida o peso de um trauma com o resto no corpo para não sobrecarregar o lado emocional.

Fonte: All That is Interesting/Abby Norman
Via Mega Curioso

Um dia a gente aprende que o lugar de pessoas tóxicas é bem longe da nossa vida

Um dia a gente aprende que o lugar de pessoas tóxicas é bem longe da nossa vida

Falar de pessoas tóxicas é algo muito complexo, pois elas não têm uma característica padrão. Muitas vezes, elas parecem aos olhos do mundo ótimas pessoas, dando apenas aos mais próximos a chance de conhecê-las profundamente.

Dessa forma, quando ficamos um longo tempo próximos de alguém que tem o poder de nos intoxicar, é comum que comecemos a ter dificuldades de discernimento, falta de ânimo, problemas psicológicos e físicos devido a somatização de problemas. Problemas que, à princípio, poderiam ser até mesmo pequenos, mais que se avolumaram devido ao contato com uma ou mais pessoas tóxicas.

Assistindo ao filme “Refém da Paixão”, um filme o qual indico, é possível notar que a protagonista, Adele, interpretada por Kate Winslet, vive um esgotamento mental com reflexos psicológicos, esgotamento que a impede de cuidar de sua casa, de amparar seu filho de forma mais ampla e de dirigir até um simples mercado. É como se o peso de pequenas coisas tivesse se acumulado nos braços dela, até que um dia Adele foi soterrada por tudo que carregava.

Na trama Adele é divorciada e vive sozinha com o filho adolescente. Vive triste e deprimida, no entanto, em determinado ponto da narrativa, o ex-marido senta em frente ao filho e admite que Adele foi, no passado, a mulher mais feliz que conheceu. Que ela era apaixonada pela vida. Era deslumbrante e mágica e que ele, em um momento de fraqueza, ciente das dificuldades pelas quais Adele passava, resolveu cair fora.

Adele confiou em alguém que de alguma forma não a amparou quando ela mais precisava e quando fazemos isso, quando confiamos em pessoas próximas que não tem a intenção de nos ajudar, o sofrimento é certo. Adele achou que havia do outro lado um companheiro ajudando-a a tirar a água do barco furado em que estava, quando na verdade não havia ninguém. E quando ela se deu conta disso já era tarde.

Eu mesma já tive em meu passado pessoas tóxicas ao alcance de uma mão. Demorei muitos anos para entender o mal que eu estava me fazendo ao permitir que pessoas assim pudessem opinar ou partilhar de minha vida. Demorou muito tempo até que eu percebesse que as sementes plantadas em nós por pessoas tóxicas nunca são fortuitas.

Uma pessoa tóxica vai sentar ao seu lado e tentar provar que você não é capaz, vai torcer para você ser demitido, vai desejar que você seja tão vulnerável quanto ela. A pessoa tóxica vai te desmerecer e desmerecer aqueles que te amam de verdade. Vai sempre olhar para você e enxergar as piores coisas. A pessoa tóxica vai fingir que está ao seu lado, mas na verdade ela vai ser a primeira a puxar seu tapete quando você se desequilibrar.

Certa vez recebi de uma pessoa tóxica um presente, era um conjunto de seis copos de vidro, no entanto na caixa vieram apenas cinco. Desempacotei os copos e notei que eram copos diferentes. Eram de um vidro muito fino, como se tivessem sido soprados. Na primeira vez em que fui lavá-los, um dos copos se partiu em minha mão, cortando meus dedos. Por fim entendi porque a caixa viera com apenas cinco. Certamente a pessoa também quebrara um dos copos, talvez assim como eu, mas ao invés de dispensá-los, resolveu delegar aquela dor a outro, no caso a mim, embalando-a na forma de um presente bonito.

Não aceite nada de pessoas tóxicas, até mesmo as boas intenções não são tão boas assim. Não aceite conselhos. Não atenda ligações ou responda mensagens. Não conte suas aflições a uma pessoa tóxica. O melhor a fazer é tomar distância delas. Viva sua vida da melhor forma possível, tenha fé na luz que existe em você, seja paciente com seus tropeços e acredite na força de seus passos. Todos nós caímos e todos nós temos a capacidade plena de nos levantar. Mas para isso precisamos, antes de mais nada, manter longe aqueles que fingem nos ajudar, que fingem nos amar, que fingem se importar conosco.

Só merecem estar ao nosso lado aqueles que nos amam de verdade. No filme o amor cura Adele. Na vida o amor de pessoas sinceras e o amor-próprio também nos cura.

Deixemos que as pessoas tóxicas sejam apenas uma vaga lembrança em nosso passado. A vida se encarrega do resto.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

27 imagens que vão deixar qualquer perfeccionista fascinado.

27 imagens que vão deixar qualquer perfeccionista fascinado.

Para muitas pessoas, ser alguém perfeccionista com suas coisas é algo muito complexo, que leva tempo, paciência e principalmente muito trabalho.

Algumas pessoas podem considerar ser perfeccionista um tipo de TOC, no qual a pessoa não consegue ficar sossegado quando vê algo fora do lugar, desorganizado ou até mesmo fora da sequência, querendo deixar tudo com a simetria perfeita, cores iguais e linhas idênticas.

Nesse post temos algumas imagens que vão deixar qualquer pessoa perfeccionista fascinada.

Compartilhe com aquele seu amigo que gosta de ver tudo organizado e bonitinho 🙂

contioutra.com - 27 imagens que vão deixar qualquer perfeccionista fascinado.

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Matéria original: Criatives

Pokemon Go segundo Nietzsche, Huxley e Bradbury

Pokemon Go segundo Nietzsche,  Huxley e Bradbury

No século XIX Nietzsche anunciou a morte de Deus, colocando, portanto, fim a um modelo de vida que pudesse ser estruturada por uma via religiosa. A bem da verdade, a dupla revolução burguesa do século dezoito, a saber, Revolução Francesa e Industrial, já havia derrubado os resquícios da sociedade feudal. No entanto, coube a Nietzsche dar o golpe de misericórdia, sendo que este não somente definhou aquela estrutura de pensamento, como também colocou em xeque o próprio modelo racional de perceber o mundo, que vivia com os positivistas o seu auge.

O sonhado progresso previsto pelos positivistas e todos entusiastas da modernidade não aconteceu, pelo menos não em um sentido que promovesse a evolução social de forma diretamente proporcional ao desenvolvimento tecnológico, isto é, proporcional às condições materiais. Sendo assim, a solidez dessa modernidade foi paulatinamente encontrando seu ponto de fusão e se liquefazendo, implicando, consequentemente, a confirmação do prenúncio de Nietzsche, no qual teríamos um futuro em que nem a religião, nem a razão seriam capazes de dar uma sustentação sólida à existência humana.

Posto isso, chegamos ao período pós-moderno ou a modernidade líquida como prefere Bauman, em que encontramos um mundo sem referências sólidas, no qual vivemos sem algo que proporcione sentido a nossas vidas. Nesse mundo do absurdo que não possui grandes propósitos, para lembrar Beckett, os indivíduos sentem-se desconfortáveis diante de uma liberdade infinita que caminha para o nada, já que, segundo Nietzsche, os homens sentem enorme dificuldade em viver sem ter algo em que possam apoiar a sua existência, o que ele chamava de muletas existenciais.

Percebendo a problemática e indivíduos desesperados por algo que possa proporcionar algum sentido a suas vidas, o mercado criou uma solução: a sociedade de consumo. O consumismo, assim, se tornou a grande base de sustentação existencial e os shoppings os templos de adoração de um novo fundamentalismo. Como a sustentação proporcionada através de coisas é frágil, novas coisas sempre devem ser criadas, a fim de manter os fiéis cativos aos templos de adoração, muito embora, a mídia não se esqueça da sua função catequizadora.

Nesse processo, encontra-se o Pokémon GO, mais uma ferramenta criada pelo mercado para manter acesa a fé das ovelhas. Obviamente, a ferramenta trata-se (ou deveria tratar) apenas de um jogo, uma forma de lazer. Entretanto, o modo desesperador como muitas pessoas ao redor do globo têm se relacionado com algo que é “apenas um jogo”, confirma a insustentabilidade da nossa existência e os meios frágeis que temos buscado para empreender um sentido a ela por meio dos artifícios da sociedade contemporânea, assim como, problemas típicos do nosso tempo como a solidão e o isolamento.

Esse comportamento leva ainda a outros questionamentos, como a questão do tempo, afinal, nós vivemos na era da correria em que ninguém possui tempo para nada, tampouco, para alguém. Como pode haver, então, tanto tempo disponível para se dedicar a um jogo? No mínimo paradoxal. Para Aldous Huxley, esse paradoxo é explicado pela própria estrutura do Admirável Mundo Novo, ou seja, os mecanismos criados dentro da sociedade têm como função elementar a massificação dos indivíduos, tornando o controle social mais fácil, posto a transformação da humanidade em uma grande manada.

Dessa maneira, há a necessidade de um gozo perene, o qual, em uma sociedade sem referências, passou a ser encontrado, como já dito, na sociedade de consumo. Nela, a fragilidade existencial passa a ser “fortificada” por meio da padronização, da adequação, da alienação e, quando isso não for suficiente, há ainda o “soma” que resolve todos os problemas, como o Pokémon GO, que além de proporcionar estabilidade emocional, ainda pode tornar o indivíduo alheio ao que acontece.

Essa fuga de uma realidade não querida é ressaltada também por Ray Bradbury e seus mundos distópicos, como Fahrenheit 451 e O Homem Ilustrado, em que uma série de artifícios, como televisões “interativas”, “superdesportos”, “parques de destruição”, etc., é criada para acalmar os espíritos e eliminar o desejo de pensar. Em outras palavras, instrumentos que acabam se tornando a finalidade de vidas totalmente automatizadas e sem qualquer senso crítico.

Enquanto ferramenta, não existe problema algum com o jogo, a questão se direciona ao modo como nós temos nos comportado. Ou seja, a forma como nós temos transformado instrumentos em finalidade e coisas no sentido de vidas. A forma como estamos cada vez mais dependentes do mundo virtual e alheios ao que acontece na vida real, buscando sempre fugir da dor da existência e das problemáticas relacionadas a ela. Mais uma vez, não há problema em si com o jogo ou com quem venha a jogá-lo, e sim ao modo como temos nos relacionado com coisas, como se fôssemos zumbis a procura de alimento.

Em um contexto líquido como o nosso, de falta de referências e fragilidade dos laços humanos, é necessário reavaliar de que modo temos através desse modus vivendi conseguido melhorar as nossas vidas e o quanto essa barafunda tecnológica-consumista tem nos permitido ter acesso de fato ao mundo. Sei que com todas as ressalvas ainda haverá a possibilidade da não associação do “fenômeno” Pokémon GO com o nosso contexto social, de tal maneira que só me resta lembrar Orwell e a transfiguração da realidade pela linguagem, em que “Guerra é Paz”, “Escravidão é Liberdade” e “Pokémon GO é Vida”, mesmo que seja em bolhas chamadas a partir de agora de pokebolas.

O universo conspira a favor de quem não conspira contra ninguém

O universo conspira a favor de quem não conspira contra ninguém

Mesmo que não sejamos muito religiosos, mesmo que não acreditemos em forças sobrenaturais, em energias cósmicas, em misticismo algum, ou em qualquer coisa que não se possa materializar, é impossível não percebermos que manter os pensamentos em ordem e sintonizados positivamente faz um bem imenso. Inegavelmente, o bom humor e o otimismo nos deixam com mais vontade de dar certo e com mais esperança de que tudo corra bem.

Se compararmos como fica o mundo à nossa volta quando estamos felizes e quando estamos tristes, veremos nitidamente o quanto é importante tentarmos nos afastar de pensamentos e de atitudes negativas. Ninguém, além de nós mesmos, é capaz de nos tornar mais fortes, mais decididos, mais seguros diante de tudo o que acontece. Ter alguém que nos facilite essa travessia é imprescindível, mas deverá partir de nós a iniciativa de seguirmos confiantes.

Nossa jornada é extensa e, em muitos momentos, dolorosa, pontuada por decepções, perdas e quedas bruscas. Há até quem diga que a felicidade aparece de vez em quando, em meio às tempestades, muitas vezes sem percebermos. Outros dizem que ser feliz é um estado de espírito. Alguns relacionam a felicidade ao conforto material. De uma ou de outra forma, todos estamos buscando realizar nossos sonhos para alcançar essa tal felicidade.

Não importa, na verdade, se acreditamos ou não em forças sobrenaturais, em providência divina, em vida após a morte, se frequentamos ou não algum culto, mas sim a forma como vivemos, a maneira como tratamos os nossos semelhantes, os meios que utilizamos para atingir os nossos objetivos, os cuidados que temos com aqueles que nos amam verdadeiramente, nossa capacidade de entender o outro e o mundo além do nosso próprio umbigo. Nada nos definirá com mais precisão do que nossas atitudes, nossa vida, o que somos no dia a dia.

Quando nos tornamos pessoas amargas, vingativas, pessimistas e invejosas, mesmo que por pouco tempo, tudo fica mais difícil, descolorido, nebuloso, pesado. É como se algo nos impedisse de enxergar o raiar de um novo dia, de uma nova chance. Quando somos tomados por sentimentos negativos, acabamos nos tornando nosso pior inimigo, pois então não seremos capazes de aprender, de refletir com clareza, tampouco de vislumbrar soluções ao que nos angustia. O amor se anulará e a dor se estenderá além de nós, atingindo inclusive a quem nos ama com sinceridade.

Como se vê, não dá para fugir aos clichês e à sabedoria popular, que tão bem nos aconselham a manter o otimismo, a cultivar nosso amor-próprio e os relacionamentos que nos tornam pessoas melhores e mais felizes. Bobagem ficar perdendo tempo com gente à toa, pois elas cairão uma ou outra hora. Bobagem ficar remoendo o que não deu certo, sendo que há um montão de novas oportunidades à nossa frente. O tempo, afinal, encarrega-se de colocar as coisas e as pessoas em seus devidos lugares, acreditemos ou não em bruxas, pois a vida sempre conspirará em nosso favor, se assim o merecermos. E você merece.

5 Sinais de que é hora de mudar sua vida

5 Sinais de que é hora de mudar sua vida

Você está vivendo o seu pleno potencial e felicidade? Parece uma tarefa difícil, mas nós somos voltados para cumprir um propósito e, naturalmente, desenvolver-nos para sermos felizes. Durante nossa rotina, podemos perder a noção do nosso caminho e prioridades.

Veja se as situações abaixo se encaixam no seu estilo de vida atual. Pode ser assustador fazer uma total mudança e perseguir suas paixões originais, mas uma vez que você começar a se mover para esse objetivo, vai encontrar-se sendo impulsionado para ele.

É melhor tentar e não ter sucesso do que nunca tentar. Você será assombrado por aquilo que poderia ter sido. Mesmo se não for imediatamente e de grande sucesso, você vai aprender mais do que se não tivesse tentado. Você também vai sentir uma satisfação mais profunda e sensação de crescimento feliz.

1.Você é muitas vezes invejoso
Como você compara sua vida com as dos outros, encontra-se cobiçando elementos de suas vidas. A inveja é uma emoção feia, e nunca saudável. Busque o motivo pelo qual você quer o que a outra pessoa tem. Você está colocando as posses dos outros cima das suas ou valorizando seus bens? Em qualquer situação, depois de reconhecer seus sentimentos e motivações, você tem duas ações.

Você decide se isso é algo que você realmente deseja em sua vida ou não. Se quiser, canalize a sua inveja em inspiração e trabalhe para um efeito similar. Se não, se concentre em seu caminho e objetivos individuais.

2.Você nunca sai de sua zona de conforto ou quebra a sua rotina
A vida começa verdadeiramente no limite de sua zona de conforto. Temos de praticar as coisas nas quais ainda não somos bons, e nos aventurarmos em situações com as quais não estamos familiarizados, a fim de crescer. Desafiar-nos desta forma é difícil, mas só por um momento.

Se você pode enfrentar os sentimentos estranhos e possíveis constrangimentos, vai perceber que se adaptará rapidamente. O medo do que poderia dar errado é altamente exagerado.

Você sempre pode ir devagar, dando pequenos passos para construir confiança.

3.Você não sabe qual é sua verdadeira paixão e não como convidá-la à sua vida
Uma vez que você percebe que está apenas sobrevivendo, pode ser bastante chocante. Para iniciar a prosperar, é hora de começar a experimentar. Comece com seus pontos fortes, pontos fracos, e interesses. Faça o que puder para mudar a sua rotina e valorizar as competências que usa.

4.Suas férias são tudo
Férias devem ser um tempo para descanso. Se você começar a precisar de uma fuga periódica de sua vida e responsabilidades, pode precisar mudar a sua vida para que não fuja mais dela. Tomar medidas para aproveitar a vida o mais rápido possível.

A vida é sempre uma bênção e um evento para ser apreciado, trabalhe sobre as coisas em sua vida que você tenta esconder durante suas férias. Se você melhorar sua satisfação geral com sua vida, vai realmente desfrutar das suas férias, e não apenas usá-las como uma fuga.

5.Em momentos de introspecção, você sabe que não está seguindo seu verdadeiro caminho
Tente este exercício simples, mas poderoso. Anote suas três principais prioridades e as três coisas nas quais você mais foca-se atualmente. Como as duas listas alinham-se? Se você não está passando seu tempo em atividades ou metas que são importantes, então não está vivendo de uma maneira que te faça sentir-se realizado. É fácil ser pego nas metas outros ou se distrair.

Faça mudanças em sua vida, então você estará gastando mais tempo nas coisas que quer. Se você não tem certeza do que quer fazer, tenha o tempo para explorar as possibilidades.

Conheça novas pessoas, experimente novas atividades e mude a sua rotina. Você nunca vai descobrir o que não sabe, se continuar fazendo as coisas que sempre fez.

Fonte: XTreino

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