Fique à vontade, mas fique com vontade!

Fique à vontade, mas fique com vontade!

Quantas e quantas vezes não nos perguntamos se o que está em nossas vidas seria mesmo essencial, se tudo aquilo faz parte de nós mesmos ou se apenas nos acostumamos, seja com o emprego, com o parceiro, seja com a moradia, com os amigos. Fariam realmente falta? Não conseguiríamos sobreviver de outra forma?

Costumamos nos sentir bem com aquilo que já está estabelecido, com o que não muda nem traz incerteza, pois o que é cômodo implica, aparentemente, conforto e segurança. Por essa razão, às vezes nem nos dispomos a refletir sobre o rumo que nossas vidas vêm tomando, resistente que somos a mudanças que nos abalem o que parece certo.

E assim seguimos trabalhando, morando junto, presos a rotinas imutáveis, vestindo as mesmas roupas, penteando o cabelo do mesmo lado, comprando os mesmos produtos, frequentando sempre os mesmos lugares. Mal percebemos o quanto esse conforto pode ser desconfortável, o quanto ele nos limita e nos paralisa, mantendo-nos presos no mesmo lugar, afastando-nos de novas experiências para além de seus limites.

Mesmo que possa não ser agradável, refletirmos sobre o que e quem mantemos em nossas vidas nos possibilita tomadas de decisão imprescindíveis ao nosso caminhar, pois não conseguiremos respirar tranquilos, caso não nos desfizermos de muito daquilo que carregamos inutilmente. Tentar olhar para nossas vidas, do lado de fora, como espectadores de nós mesmos, nos tornará mais certos quanto à utilidade das coisas e à qualidade das pessoas ao nosso redor.

Empurrar as horas enquanto trabalhamos, enquanto estamos ao lado de alguém, enquanto vivemos, enfim, faz muito mal, indica vida pela metade, felicidade sufocada, tristeza camuflada, amor fajuto. Significa que estamos ausentes de nós mesmos, passando pela vida mediocremente, sem sorver todos os sabores, sem ver todas as cores, sem alcançar tudo o que poderíamos, tudo o que se encontra à nossa disposição, o dia todo, todos os dias.

Na verdade, já temos dentro de nós todas as respostas de que precisamos. Sabemos muito bem o que nos incomoda, o que nos emperra, quem não nos completa, quem não acrescenta. É preciso, pois, cair fora de onde estamos acomodados desconfortavelmente, desprendendo-nos dos relacionamentos sufocantes, fugindo de gente falsa e de ambientes desarmônicos. Pois é, ser feliz requer uma coragem absurda…

Vaiar não é torcer. É querer ganhar no grito.

Vaiar não é torcer. É querer ganhar no grito.

Pergunte a qualquer especialista em esportes. Não há em nenhum regulamento, de nenhuma modalidade, qualquer linha que reconheça a vaia como “parte do jogo”, “estratégia de competição” ou “recurso utilizado para desequilibrar o adversário”, como querem os seus defensores. Logo, vaiar em competição esportiva não é torcer por um time. É atrapalhar o outro.

E não, não se trata da antiga “pressão da torcida”, tão consagrada entre nós. Quem faz esse tipo de comparação está sendo, no mínimo, desonesto. Na boa e velha participação da torcida, um grupo de torcedores pressiona seu time a ir em frente, dar o seu melhor, superar seus limites. Mas a nefasta inversão de valores transformou a prática legítima de torcer em um negócio desprezível e covarde: em vez de despertar as qualidades daqueles para quem eu torço, eu incentivo o pior daqueles para quem eu não torço. Pura e simples trapaça. Torcida contra a esse ponto é jogo baixo e sujo. Quem vaia o adversário não tem espírito olímpico. Tem espírito de porco. Nada além de palermas querendo aparecer, chamar atenção, entrar no jogo de qualquer jeito.

É tão engraçado. A gente aqui achando que os jogos no Rio de Janeiro ficariam marcados pelos desmandos nas obras, pelo superfaturamento, pela desorganização, pelas ações que escondem moradores de rua em abrigos compulsórios até os turistas irem embora. E olha só que coisa. Pagamos a boca!

As Olimpíadas no Brasil já entraram para a história por outro motivo: como as mais “barulhentas” de todas. É. Por conta sobretudo dos grupos que vão aos jogos vaiar os adversários como mulas no cio, como se isso fosse fundamental para a vitória dos atletas da casa.

E olha que eficiente a trabalheira do povo da vaia: além de não conseguir ampliar nosso baixíssimo quadro de medalhas, seremos reconhecidos no mundo por um duvidosíssimo espírito competitivo. Parabéns aos envolvidos!

Vaiamos a Argentina na abertura do evento, o hino de outros países estrangeiros, os atletas no tênis de mesa, os gringos nas provas de natação e de esgrima. Atrapalhamos francamente o desempenho alheio como se isso fosse bonito ou correto ou “parte da festa”. Em uma das partidas do vôlei de praia, aporrinhamos tanto as atletas tchecas a ponto de uma delas declarar à imprensa: “vocês acham que isso é patriotismo?”.

Não, minha senhora. Não é, não. A senhora está certa. Isso é falta de educação mesmo. Coisa de gente que não conhece os limites. E o pior, meia dúzia de cretinos, bobocas e mimados que acham bonito causar, atrapalhar, encher o saco e só representam o que este país tem de pior. Sinceramente, vão aqui minhas comovidas desculpas por esse povo.

Imagem de capa: REUTERS

O vietnamita que foi considerado um salvador de vidas.

O vietnamita que foi considerado um salvador de vidas.

Tong Phuoc Phuc é um vietnamita que há mais de 15 anos tomou para si o trabalho de sepultar apropriadamente todos os bebês que são abortados em uma clínica de sua cidade. Tudo começou em 2001, quando sua própria mulher ficou grávida. Juntos foram ao hospital e, durante todos os dias que estiveram esperando que o bebê nascesse, ele se deu conta que muitas outras mulheres grávidas entravam em um quarto e saíam sem seus bebês. – “Mas o que está acontecendo aqui?”, se perguntou.

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Depois de um tempo ele finalmente descobriu o que ocorria e ficou com o coração tão dilacerado que não conseguiu evitar o choro. A ideia de que crianças eram abortadas sem a mínima oportunidade de vir a este mundo lhe doía muito e, então, decidiu perguntar se talvez pudesse levar os corpos dos bebês mortos para, ao menos, lhes dar um enterro apropriado.

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O ex-trabalhador da construção civil pegou suas economias de anos e comprou um terreno no topo de uma colina chamada Hon Thom, na cidade de Nha Trang, no sudeste do Vietnã, e começou a sepultá-los, um por um, como correspondia.

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No princípio, sua mulher achou que ele havia enlouquecido, mas Tong não renunciou a sua tarefa auto-imposta e desde então este homem sepultou mais de 10.000 bebês.

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No entanto, o que ninguém sabia até então, era sua verdadeira intenção: gerar consciência para salvar a vida dessas crianças. Dizem que seu cemitério não é só um lugar de tristeza, senão que um jardim feito para tocar o coração das mulheres que estão duvidando de suas gravidezes.

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Assim, as mães que não tinham os meios para dar a luz, foram se aproximando de Tong em busca de ajuda. O homem passou de ser um cavador de sepulturas infantis, a um salvador de vidas.

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O que ele fez? Começou a adotar as crianças com a ideia de que, quando as mães possam (arrumem um trabalho, aceitação da família, etc.), venham buscá-los para então criá-los com dignidade. E, se não retornarem, ele mesmo cria e educa. Hoje em dia, Tong alberga mais de 100 crianças em seu lar.

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Como não é possível lembrar o nome de todos, ele inventou uma forma fácil de chamá-los. Os meninos são chamados de Honra, e as meninas, Coração. No entanto, este pai não trata as crianças como se fossem a de um lar adotivo, ele os vê realmente como seus próprios filhos.

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Criar e cuidar de crianças é obviamente uma enorme tarefa, mas Tong ama seu papel de pai.

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“Continuarei este trabalho até o dia que morra, e espero que meus filhos sigam fazendo o mesmo uma vez que eu já não esteja neste mundo”, assinalou este incrível e bondoso ser humano.

Matéria original: Metamorfose Digital

Acredite, a vida só dá aquilo que a gente consegue carregar

Acredite, a vida só dá aquilo que a gente consegue carregar

Imagine que um dia, ao acordar, você encontre em sua cabeceira um rechonchudo envelope com uma mensagem. Dentro desse envelope, em letras garrafais, toda sua vida futura está descrita em detalhes, sem confetes ou enfeites, com todas as alegrias e tristezas, com todos os acertos e equívocos, com todas as expectativas e decepções.

Então, você lê e relê a carta com bastante atenção e, com certeza, levanta arrasado da cama. Levanta querendo sumir desse planeta para um outro onde não consiga se lembrar das previsões ruins da carta.

Tudo tem seu tempo e é nesse tempo que aprendemos as nossas mais preciosas lições. Com a fraqueza valorizamos a força, com a doença entendemos a importância da cura, com a ruptura nos é ensinado o valor do perdão e do recomeço.

No filme “Dezesseis Luas” o personagem Ethan vai até a casa da nova aluna de seu colégio, Lena, e lá conhece o tio da moça, Macon, um homem enigmático que sentado ao piano pergunta ao jovem quais são seus planos para o futuro. Em pouco tempo, como se hipnotizado, Ethan fala de sua vida toda, a qual terminaria com ele varrendo a calçada de um bar. Uma vida marcada por desencontros e desilusões é o que sai da boca do rapaz. Logo depois ele sai do transe e esquece tudo que disse.

O filme não é um exemplo, pois extrapola na previsão do pior, mas mostra como em determinados momentos ainda somos imaturos para lidar com questões difíceis, questões que poderiam ser superadas em outro ponto da vida. Se ele se lembrasse do que disse com certeza sairia correndo, desnorteado, sem olhar para trás.

Dessa forma se por ventura algo está acontecendo em nossa vida, algo pelo qual não esperávamos, certamente essa situação veio no momento certo, pois somente agora estamos preparados para passar por ela.

Acredito que a vida nos dá apenas aquilo que podemos carregar. Muitas vezes olhamos para trás e pensamos “Nossa, foi difícil”. Contudo, superamos e cá estamos. A mesma coisa podemos dizer para coisas muito boas. Precisamos ter maturidade para aceitá-las também.

No bom ou no ruim é a maturidade emocional que nos fará continuar em frente. Cada coisa a seu tempo pode nos guiar para o melhor. Imagine se aos cinco anos você soubesse de todas as coisas pelas quais passou até agora? Certamente teria perdido noites de sono preocupado não com o bicho papão, mas em como se preparar para o futuro. Entretanto no decorrer da vida imprevistos surgiram, assustaram, deixaram lições, exigiram bastante, mas passaram.

A vida é como é, na hora certa, na medida certa, no ponto exato. Flores nascem em fendas do asfalto, contrariando todas as probabilidades, guiadas por sua natureza instintiva de resistir e florir.

Só depende da gente acreditar no melhor, acreditar que merecemos vencer as dificuldades tirando delas lições para a vida. O ruim, se vier e quando vier, certamente acontecerá quando formos grandes o bastante para lidarmos com ele. O bom também.

Tudo passa e é para frente que a gente vive. Sem previsões futurísticas detalhadas, mas com a certeza de que podemos muito mais do que pensamos poder.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

É possível prevenir a depressão?

É possível prevenir a depressão?

A OMS (Organização Mundial da Saúde) declarou que a depressão, provavelmente, será a doença mais comum em 2030. Existem diversas definições para a depressão em inúmeros segmentos da medicina, não é minha intenção neste texto criar mais uma, apenas vou lhe apresentar uma definição segundo a psicologia analítica comportamental.

Para a psicologia analítica comportamental a depressão é um conjunto complexo de comportamentos emitidos por uma pessoa na interação com seu ambiente, ou seja, é a maneira de interagir com tudo ao seu redor, inclusive e principalmente com as pessoas. Essa interação é marcada por comportamentos denominados depressivos, como por exemplo : choro constante, irritabilidade, alta incidência de reclamações, pouco ou nenhum convívio social, dentre outros.

Por que uma pessoa passa a emitir comportamentos depressivos?
Podemos levantar algumas hipóteses acerca de como uma pessoa pode ter passado a comportar-se de maneira depressiva e o porquê desses comportamentos permanecerem ao longo da vida. Gosto de lembrar que todo caso é único e por isso precisa sempre ser analisado cuidadosamente, porém a literatura nos oferece uma gama de possibilidades a serem investigadas, vamos à elas:

– Redução ou pouco convívio social.
O convívio social é fundamental para que aprendamos infinitas possibilidades de repertório comportamental. Através do convívio com outras pessoas conhecemos diferentes maneiras de encarar a vida, aprendemos com exemplos como resolver nossos problemas, aprendemos também a quem recorrer diante de dificuldades, aprendemos com o outro possibilidades de um viver diferente do nosso.

Quando uma pessoa passa a isolar-se sinaliza que antes o que era prazeroso no convívio com pessoas deixou de ser , esse comportamento precisa ser investigado, algumas perguntas podem ajudar nessa investigação: -O que as pessoas estão dizendo a mim que tem me deixado mal e tem feito com que eu me afaste? Mas como eu tenho me comportado na presença dessas pessoas? Minha presença é agradável e atrai outros ou minha presença é aversiva e tem afastado as pessoas de mim?

Perceba que a interação com o ambiente é uma via dupla? É vai e vem, como você se comporta interfere e como os outros respondem também.

– Redução de atividades do dia a dia
Fazer atividades prazerosas aumenta a probabilidade de continuarmos fazendo tais atividades, pois nos sentimos bem ao fazê-las. Quando uma atividade deixa de ser prazerosa, devemos buscar outra e assim por diante.

Uma pessoa que não é capaz de encontrar outras maneiras de interagir (por falta de repertório comportamental) tende a ficar cada vez mais “parada” em casa ou numa rotina casa, trabalho, casa, trabalho….

O cultivo de uma variedade de fontes de reforçamento ou atividades reforçadoras, seria uma boa prevenção da depressão, em outras palavras, mexa-se , explore lugares, conheça pessoas, aprenda uma atividade nova, ficar parado é um fator de risco para a depressão.

-Perdas
Nosso ambiente é recheado de reforçadores, são relações, pessoas, até mesmo objetos, que reforçam nosso comportamento , nos deixam felizes e nos fazem sempre querer repetir um comportamento em relação a algo. Uma pessoa reforçadora, te deixa tão bem quando você está perto dela que você quer repetir sempre o comportamento de estar junto a ela.

Quando perdemos nossos reforçadores, perdemos também o que fazíamos na presença dele, deixamos de nos comportar, porque a pessoa não está mais lá ou não há mais um emprego, não há mais uma casa…

Perdas importantes costumam ser potencializadoras de comportamentos depressivos,nesses casos é preciso encontrar outras fontes de reforçamento , quanto mais, melhor.

-Histórico de punição prolongado
Depressão crônica pode ser comum a pessoas com histórico de punição prolongada, alguns exemplos são pessoas que sofreram abuso físico ou sexual, pais excessivamente críticos ou exigentes, etc.

Pessoas com esse tipo de histórico podem se tornar excessivamente defensivas, ou até mesmo punidoras de outros, pois aprendeu a punir ao ser punido e pode não saber como conseguir o quer de outra maneira.

Aprender que existem alternativas à punição é um fator importante para quebrar o círculo vicioso.

Estes são alguns fatores que podem desencadear o comportamento depressivo, perceba você que quando citei comportamentos que levam uma pessoa a emitir comportamentos depressivos implicitamente mencionei atitudes que podem prevenir a depressão, vamos recapitular de maneira bem simples:

Para evitar que a depressão se instale devemos procurar sempre manter um convívio social vasto, locais diferentes, grupos de pessoas diferentes. Prestando sempre atenção se somos uma pessoa agradável, se estamos atraindo pessoas para perto ou repelindo –as com nossas atitudes, lembre-se o mundo já esta repleto de chatos, se sua companhia for agradável estará sempre rodeado de pessoas.

Procure fazer atividades prazerosas, mais uma vez eu repito, quanto mais, melhor. Amplie seus comportamentos, aprenda coisas novas todos os dias, conheça novos lugares sempre que possível, e isso inclui aquela visita a casa de um amigo que você prometeu já tem um tempo. Assuma compromissos com as pessoas, ajude pessoas, se disponha a ensinar algo a alguém. Seu emprego está desanimador , reflita como você pode mudar seu ambiente para que ele te dê mais prazer. Atue sobre o mundo , você o transformará e ele a você.

Se você não estiver conseguindo sozinho, busque ajuda profissional, em psicoterapia, um bom profissional irá encontrar com você o que o está mantendo depressivo.

Reconhecer o brilho alheio é uma forma muito especial de brilhar

Reconhecer o brilho alheio é uma forma muito especial de brilhar

Por Sílvia Marques

O brilho das coisas não está realmente nas coisas em si, mas no valor que atribuímos a elas. Somos nós que significamos as pessoas , os objetos , as relações , os lugares , as profissões. O que é liberdade para uns, é solidão para outros. O que para uns é um relacionamento afetuoso, para outros é um relacionamento sufocante. O que pode ser um trabalho instigante para alguns , pode ser muito estressante para outros. O que pode ser considerado tranquilo para algumas pessoas , pode ser visto como tedioso por outros.

Um artigo hoje me inspirou a escrever o atual post. O artigo define o conceito de humildade , diferenciando-a de baixa autoestima. Sim, ser humilde não significa se depreciar. Ser humilde significa reconhecer as próprias virtudes e os próprios defeitos. Mais do que isso: é reconhecer o brilho alheio. É entender que por mais brilhantes que sejamos, as outras pessoas também brilham, também realizam, também fazem coisas importantes.

Valorizar as próprias conquistas , sentir-se feliz por ter construído uma boa carreira , uma boa vida social é um direito de cada um de nós. O problema é não conseguir aceitar que as outras pessoas também realizaram coisas importantes , que as outras pessoas também superaram dificuldades, que também se aprimoraram em algum sentido.

Todo aquele que fica jogando purpurina em cima de si o tempo todo como se fosse melhor do que as outras pessoas acaba virando uma companhia chata. Admitir determinadas virtudes em contextos específicos , ok. Às vezes , faz sentido ressaltarmos alguma qualidade positiva. Mas quem tem a mania constante de se auto elogiar e ignorar o que os outros fazem de bom, vai repelindo as pessoas, sem muitas vezes se dar conta.

Cada pessoa valoriza mais algum setor da vida. Algumas pessoas investem mais na carreira. Outras , na vida familiar. Existem ainda aqueles que querem amor acima de tudo. Existem também os que preferem passar por experiências, estudar , viajar , se conhecer melhor , ter tempo livre.

Quando investimos naquilo que valorizamos e obtemos bons resultados , temos a tendência de achar que as conquistas realizadas pelas outras pessoas , em outros setores da vida , são menos importantes do que as nossas. Se alguém luta para ter filhos e consegue, acho que pessoas sem filhos são infelizes. Mas de repente , para estas outras pessoas ter filhos não era o primordial.

Se alguém luta para ter uma vida materialmente boa , não consegue entender que outras pessoas preferem viver com menos dinheiro e mais tempo. O inverso também ocorre. Quem prioriza liberdade e tempo livre tem dificuldade para compreender a dinâmica de vida de alguém que aspira por status material.

Algumas pessoas tem um olhar mais romântico sobre o casamento. Outras , mais racional. Existem aqueles que não acreditam em nenhum tipo de casamento. Enfim, julgar o sucesso e a felicidade do outro por meio dos nossos valores e prioridades pode ser bem limitador.

O brilho das coisas não está realmente nas coisas em si, mas no valor que atribuímos a elas. Somos nós que significamos as pessoas , os objetos , as relações , os lugares , as profissões. O que é liberdade para uns, é solidão para outros. O que para uns é um relacionamento afetuoso, para outros é um relacionamento sufocante. O que pode ser um trabalho instigante para alguns , pode ser muito estressante para outros. O que pode ser considerado tranquilo para algumas pessoas , pode ser visto como tedioso por outros.

Enfim, é a própria pessoa que pode definir se tem uma vida de conquistas , se tem uma vida feliz. E faz parte da dinâmica emocional de qualquer pessoa , independente dos seus valores e prioridades , aceitar o brilho alheio, se comprazer com aquilo que o outro realizou e o faz feliz. Desmerecer uma conquista alheia , diminuindo o mérito do outro , por falta de alteridade ou por inveja mesmo, apequenas todas as outras realizações maravilhosas que a pessoa fez.

Fonte: Obviousmag

Para elogiar é raro, para criticar formam até fila

Para elogiar é raro, para criticar formam até fila

Não adianta querermos fugir aos olhos alheios, eles sempre estarão ali, à espreita, para nos julgar e, na maioria das vezes, condenar, assim que cometamos algum deslize, seja em casa, seja no trabalho, ou entre amigos. Parece fazer parte da natureza humana a tendência a apontar as falhas das pessoas aos quatro ventos, ignorando tudo o que elas possuem de positivo.

Da mesma forma, costumamos supervalorizar aquilo de que não gostamos em nós mesmos, ao passo que nos esquecemos de prestar atenção em nossas qualidades, o que acaba contribuindo ao desequilíbrio de nossa autoestima. Tomamos como parâmetro os modelos de perfeição estética que inundam a mídia, afastando-nos da necessidade de regarmos a nossa essência com os valores éticos e morais que devem nos sustentar.

Exatamente porque a sociedade cada vez mais se encontra atrelada ao consumismo, ao culto à forma física e à necessidade de visibilidade social, a superficialidade se torna a tônica que permeia todos os aspectos de nossas vidas. Quanto mais se vislumbra o exterior, menos se enxerga o interior, aquilo que os olhos não veem, mas que é essencial nas relações humanas: o que cada um possui dentro de si.

Onde impera a futilidade, destaca-se a inveja, pois aí não há como entender que cada pessoa possui aquilo de que é merecedora, ou seja, iremos querer ter aquele tanto de forma igual, ou então que o outro perca o que possui. Quando nos descuidamos de nossa essência, diminuímos nossa capacidade de admirar as conquistas alheias e de tentar chegar até ali a partir de nossos esforços, pois o imediatismo impera.

É por isso que existem chefes gritando nossas falhas, professores destacando tão somente nossos erros, colegas criticando nosso jeito de ser, pais repreendendo sem elogiar nada, anônimos atrás dos deslizes de famosos. Tudo é superficial, tudo é material, tudo é mercadoria, ou seja, se lá fora não existe afetividade, cá dentro a humanidade esmorece aos poucos, tornando-nos cada vez mais frios, materialistas e incapazes de perceber que o outro possui sentimentos.

É preciso exercitar a capacidade de admirar o outro, enxergando nele qualidades, entendendo que somos humanos e, portanto, imperfeitos. Todos erramos, todos possuímos falhas e são elas que nos ensinam a nos aprimorar, a nos tornar melhores. Somente assim poderemos ver além das aparências, pois é justamente aquilo que não se vê com os olhos que torna as pessoas especiais.

Porque todos somos feitos de amor. Porque todos precisamos amar as pessoas, em tudo o que trazem, por tudo o que fazem, pois é assim que também seremos amados.

Sucesso não vem para quem é inteligente, mas sim para quem se esforça

Sucesso não vem para quem é inteligente, mas sim para quem se esforça

Nós temos uma tendência a acreditar que ter sucesso na vida é coisa para gente muito inteligente. Pessoas que possuem algum dom ou talento especial e que por serem “melhores” que os outros de destacam tanto na vida acadêmica como profissional. Certo? Errado! A psicóloga e pesquisadora da Universidade de Stanford, Carol Dweck, que estuda motivação e perseverança desde os anos 60 garante: focar apenas na inteligência e no talento pode deixar as crianças desmotivadas e como medo de aprender, enquanto ressaltar avanços e persistência irá produzir grandes empreendedores.

Já publicamos aqui no blog sobre alguns estudos conduzidos por Dweck. A pesquisadora reuniu alunos do quinto ano, os dividiu aleatoriamente em dois grupos, e os fez trabalhar em problemas de um teste de QI. Ao final do teste, ela elogiou o resultado das crianças de maneira diferente. O primeiro grupo foi elogiado por sua inteligência: “Uau, isso é realmente uma boa pontuação. Você deve ser muito inteligente para conseguir isso. ” O segundo grupo foi elogiado por seu esforço: “Uau, isso é realmente uma boa pontuação. Você deve ter se esforçado muito para conseguir isso.”

Resultado: à medida que os exercícios propostas foram ficando mais difíceis, as crianças elogiadas pelo seu empenho continuaram confiantes e motivadas para aprender. Já as crianças elogiadas pela inteligência queriam continuar com as tarefas mais fáceis, já que com dificuldade de encontrar soluções para os problemas mais complexos, se sentiam totalmente fora da sua zona de conforto. (Afinal de contas, elas não SÃO inteligentes?)

Em outro estudo, durante dois anos, os pesquisadores visitaram cinquenta e três famílias para registrar suas rotinas. As crianças tinham 14 meses de idade no início do estudo. Os pesquisadores, então, observaram como eram os elogios dos pais: uns enalteciam o esforço, outros os traços de caráter e ainda haviam outros que elogiavam de forma neutra como palavras como “Que bom!”, “Uau!”, “Legal”.

Depois de cinco anos estas mesmas crianças foram entrevistadas, agora com 7-8 anos de idade. A conclusão? Crianças que tinham ouvido mais elogios pela sua persistência eram as mais interessadas em desafios. Para os perserverantes o foco do trabalho deve ser em encontrar os erros cometidos ao longo do processo e em tentar corrigi-los para avançar.

Mas agora vamos ao que interessa, como podemos ajudar nossos filhos a desenvolver a capacidade e o desejo de se esforçarem?

Aqui algumas dicas práticas:

– Fique de olho no tipo de elogio que você está fazendo. Lembre-se dos estudos citado acima. Em vez de enaltecer apenas os resultado, elogie o processo para chegar no resultado. “Que bom que você tentou diferentes estratégias para conseguir resolver isso”, ” Eu vi que você não desistiu mesmo sendo tão difícil .” “Nossa, que boa nota, seus esforços fizeram efeito!”

– Tente estimular nos seus filhos uma mentalidade de desenvolvimento e desejo de aprender – o termo em inglês usado por Dweck é “growth mindset”. Se as crianças acreditarem que o sucesso é resultado direto do quanto são (ou não) inteligentes, a motivação para tentar se esforçar acaba, já que o sucesso está “pre-destinado” para que tentar, então?

– Poder errar é uma benção! Não deixe que eles acreditem que fracassar é algo horrível. Pelo contrário, mostre que o erro nada mais é do que um desafio que deve ser superado. Não há razão para ter vergonha de errar, se o erro nos fará progredir. Além disso, todo mundo falha, fica confuso e se sente frágil em determinados momentos da vida – temos que ensinar nossos filhos a ficarem “numa boa” quando esses sentimentos aparecerem. Eles se tornarão pessoas muito vulneráveis se acreditarem que não podem falhar nunca!

– Conte histórias de sucesso que enfatizem trabalho duro e o desejo de aprender. Ensine ao seus filhos que o cérebro é uma “máquina de aprendizado” -quanto mais você usá-lo, mais forte ele fica.

Ensine aos seus filhos que eles podem ser tão inteligentes quanto eles quiserem.

Matéria original: Tudo sobre minha mãe.

57 comportamentos que identificam relações abusivas

57 comportamentos que identificam relações abusivas

Quando lidamos com parceiros perversos, abusivos, tóxicos- sejam homens ou mulheres- é comum nos depararmos com diversas características que essas pessoas parecem ter em comum, bem como comportamentos repetitivos, previsíveis, como se tratasse sempre da mesma pessoa. Esses comportamentos, quando impostos dentro da relação, podem levar à total destruição da identidade, autoestima, capacidade de funcionar e vontade de viver da pessoa que se submete.

A seguir, vejamos como identificar ALGUNS desses comportamentos e características:

PIROTECNIA AMOROSA – Também chamada de bombardeamento amoroso, consiste em encantar o alvo com inúmeras demonstrações de amor, muitas delas exageradas ou públicas. Os pedidos de namoro, noivado são um show para outras pessoas verem, não um momento do casal. As surpresas são constantes, quase exageradas, deixando o alvo sem saber como retribuir ou agir diante do bombardeamento constante. O mais interessante é que o alvo percebe que as ações exageradas não parecem vir acompanhadas de real profundidade e sentimento. É quase uma intuição que, por não saber explicar, ignora.

DISTRAÇÃO/ILUSIONISMO – Junto com o item acima, nos primeiros dias, talvez meses, a pessoa perversa tende a ser muito atenciosa, presente, interessada, de um modo tão intenso que fará com que seu alvo pense que está “sendo cuidado”; que aquela presença imposta constantemente é um verdadeiro sinal de amor, mas o que na verdade faz é manter seu alvo ocupado o tempo todo, quase sempre com coisas ligadas à relação ou à pessoa perversa, de modo que não tenha mais tempo para si mesmo, para outras pessoas ou para prestar atenção em como a pessoa perversa realmente é.

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TUDO PARA ONTEM – Pessoas perversas fazem planos para o futuro desde os primeiros contatos. Falam em casamento, filhos, morar juntos, adquirir patrimônio, tudo em tempo record. É tudo tão rápido que causa estranhamento em todos, exceto na pessoa apaixonada.

DESLIZES – Pessoas perversas fazem discursos moralistas, como se fossem as pessoas mais corretas do mundo, mas em meio ao discurso, sempre deixam escapar alguma coisa que vai na contramão do que pregam.

CICLO ABUSIVO – É um ciclo ininterrupto que alterna comportamento destrutivo e construtivo, típico de muitos relacionamentos e famílias disfuncionais. A pessoa perversa faz algo bom e logo em seguida algo ruim, desestabilizando o alvo e criando um ciclo vicioso de expectativa e insegurança.

ALIENAÇÃO – O ato de interferir ou cortar de vez as relações do indivíduo com os outros (amigos, família, colegas de classe, trabalho, etc). A ideia aqui é distanciar o alvo de qualquer pessoa que possa lhe servir de apoio.

“SEMPRE” e “NUNCA” – São declarações contendo as palavras sempre ou nunca. Elas são comumente usadas, mas raramente refletem a verdadeira intenção do perverso. “NUNCA mais fale comigo”, para logo estar perseguindo o alvo e encontrando desculpas para continuar o contato.

DESIGUALDADE LEGAL – A pessoa perversa sujeita o parceiro a uma séria de regras que ela não se sente na obrigação de seguir. Por exemplo, o alvo não tem a permissão de manter contato com pessoas do passado, mas a parte perversa pode, o alvo deve respeitar sua família, mas a parte perversa pode desprezar a sua, etc.

RAIVA – Pessoas que sofrem de certos transtornos de personalidade com frequência carregam um sentimento de raiva não resolvida e uma percepção mais aguçada ou exagerada que foram injustiçados, anulados, negligenciados ou submetidos a abuso, refletindo esta raiva sobre aqueles que os rodeiam.

ISCA – Um ato provocativo usado para provocar uma resposta irritada, agressiva ou emocional de um outro indivíduo. Diz algo que sabe que vai causar ira, mas o faz exatamente para ver seu interlocutor desequilibrado. Quando o alvo se desequilibra, a pessoa perversa parece a parte equilibrada.

CULPABILIZAR – O hábito de identificar uma pessoa ou pessoas como responsáveis por um problema, ao invés de identificar formas de lidar com ele. Fazem isso com tanta maestria que seus alvos vivem se sentindo culpados.

PROJETAR – É a prática de atribuir ao outro seus defeitos e maus comportamentos. A pessoa perversa dirá que o outro é mentiroso, promíscuo, agressivo, manipulador e tudo que achar de si mesmo. Às vezes, são coisas bem específicas. Um exemplo, um narcisista conhecido dizia que eu fazia sexo virtual com meu professor. Não entendia de onde aquilo tinha saído até descobrir que era viciado em sexo virtual. Outro narcisista tinha hábito de dizer que as mulheres se vitimizam para que homens paguem suas contas, mas quando em minha companhia, choramingava ganhar pouco para ter cada pãozinho seu pago, ou seja, era um explorador de mulheres.

BULLYING – Qualquer ação sistemática para ferir uma pessoa, aproveitando-se de uma posição de força seja física, hierárquica, social, econômica ou emocional. Pessoas perversas são experts em bullying contra seus parceiros, colegas de trabalho, amigos e familiares. Basta saberem de algo que lhe causa vergonha, que passam a utilizar da forma mais cruel possível.

RACIONAMENTO – O racionamento é um dos comportamentos mais cruéis do parceiro narcisista. Consiste em descobrir o que você mais gosta e simplesmente deixar de fazer ou racionar. Podem ser ações, frases ou palavras. Desta forma você passa a mendigar por aquilo que antes lhe dava em abundância e agora dá quando quer ou não dá. Pode ser de um simples ” bom dia” a comportamentos mais complexos. Se sabe que você gosta ou deseja, vai negar ou racionar.

TRAIÇÃO – envolve-se em relacionamentos românticos ou íntimos com outras pessoas quando já está empenhado em um relacionamento monogâmico com você. Para perversos, isso é bem comum, pois são extremamente promíscuos.

APROPRIAÇÃO – Consumir ou assumir o controle de um recurso ou bem pertencente ou compartilhado com um membro da família, parceiro ou cônjuge, sem antes obter a sua aprovação. Toma posse sem se importar com o que o outro pensa.

EXPLORAÇÃO – É a prática de explorar o parceiro, amigos ou familiares a fim de ter suas contas pagas. Vitimizam-se dizendo que não estão em condições, que precisam de ajuda, para poderem encostar-se. A exploração também se dá quando tomam empréstimos em família acreditando que não têm o dever de pagar, bem como está presente no modo que prestam seus serviços ou contratam serviços para si, tentando sempre tirar vantagem, cobrando a mais ou tentando pagar menos do que o que vale o serviço recebido.

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CHANTAGEM EMOCIONAL – Um sistema de ameaças e punições por trás de uma aparência fragilizada de vítima, utilizado na tentativa de controlar os comportamentos de alguém. Algumas vezes, essa característica também passa a ser do alvo de pessoas perversas, pois crê que, assim, poderá acessar a empatia da pessoa perversa, o que jamais acontece.

SENSO DE DIREITO – Uma expectativa irrealista, não merecida ou inadequada de condições de vida e tratamento favorável vindo dos outros. Se acham mais merecedores do que as outras pessoas. Tratamentos especiais lhes são devidos, mas para os outros, jamais.

FALSAS ACUSAÇÕES – Padrões de crítica injustificada ou exagerada direcionada ao alvo. Você diz: “tal pessoa me paquerava quando eu era adolescente” e a partir daí passa a ouvir por anos que a pessoa foi ou é seu/sua amante. Acusa o alvo de ter feito coisas ou ter tido comportamentos que nunca teve simplesmente porque “suspeita”.

FAVORITISMO – Favoritismo é a prática de dar sistematicamente tratamento positivo e preferencial para um dos filhos, um dos subordinados ou um dos membros dentro de uma família ou grupo de iguais (trabalho) em modo que os outros se sintam inferiores ou menos queridos. Faz isso usando outras pessoas também em detrimento do parceiro amoroso.

FALSO LITÍGIO– O uso de processos judiciais sem mérito para machucar, assediar (especialmente em divórcios) ou ganhar uma vantagem econômica sobre um indivíduo ou organização.

AUTOPROMOÇÃO GENEROSA – É a prática de dar ao alvo uma lista de pessoas que gostariam de estar com a pessoa perversa, bem como uma lista dos defeitos do alvo para, então, dizer que, mesmo assim, deseja estar com ele. “Sou bom por aceitar estar com você, não obstante seus defeitos.”

GASLIGHTING – É a prática de lavagem cerebral e manipulação a fim de convencer um indivíduo mentalmente saudável que ele está ficando louco ou que a sua compreensão da realidade é equivocada ou falsa. Nega-se fatos ou falas como se nunca tivessem ocorrido.

PODA – Podar é o ato predatório de manobrar um outro indivíduo para uma posição que o torna mais isolado, dependente, propenso a confiar e contar somente com a pessoa perversa, tornando-o mais vulnerável a um comportamento abusivo. Fazem isso dizendo que o alvo não é capaz sem sua ajuda ou presença.

ASSÉDIO – Qualquer padrão persistente ou crônico de comportamento indesejável de um indivíduo para com o outro. O comportamento rotineiro de pessoas perversas é um assédio constante.

HOOVERING– Hoovering é uma metáfora tirada de uma marca muito popular de aspiradores de pó nos EUA e Grã-Bretanha (Hoover) para descrever como uma vítima de abuso, ao tentar fazer valer os seus próprios direitos, deixando ou limitando o contato num relacionamento disfuncional, é sugada de volta quando a pessoa perversa temporariamente apresenta um comportamento melhor ou desejável, passando por uma revitimização.

IMPULSIVIDADE – A tendência de agir ou falar com base em sentimentos do momento ao invés de raciocínio lógico. Pouco importa se o que é dito não faz o mínimo sentido. Se precisar se justificar, dirá que disse porque VOCÊ a forçou a agir daquela forma.

ISOLAMENTO IMPOSTO – É uma das primeiras providencias tomadas pela pessoa perversa quando se envolve com um novo alvo. A ideia é distanciar; isolar o alvo de sua rede de apoio, o que inclui amigos e familiares. É muito comum que a pessoa perversa não tenha amigos íntimos e se relacione de forma superficial também com sua própria família e, por isso, não aceita que o alvo tenha relacionamentos mais profundos. Com o isolamento imposto e a alienação, a um certo ponto ficará somente ela e o alvo, o que aumenta seu poder de controle sobre o outro.

MANIPULAÇÃO FLOREADA – É um modo imperceptível de fazer exigências enquanto elogia. Por exemplo, um perverso conhecido dizia à moça com quem estava começando a se relacionar que queria fazer dela sua princesa, sua mulher para toda vida, porque ela era linda especial, mas que “não tinha certeza” que ela o colocaria entre suas prioridades “já que ela tinha muitos amigos e dava muita atenção aos seus familiares”, levando-a a distanciar-se dessas pessoas para ocupar o espaço de “princesa”.

INTIMIDAÇÃO – Qualquer forma velada de ameaça oculta, indireta ou não-verbal.

INVALIDAÇÃO – A criação ou promoção de um ambiente que incentiva o indivíduo a acreditar que seus pensamentos, crenças, valores ou presença física é inferior, imperfeita, problemática ou inútil.

FALTA DE CONSCIÊNCIA – Indivíduos que sofrem de alguns transtornos de personalidade são demasiadamente preocupados com suas próprias necessidades e interesses, às vezes, com a exclusão total das necessidades e preocupações dos outros. Algo que pode ser interpretado pelos outros como uma falta de consciência moral ou egoísmo e nada mais que isso, é na verdade o modo de vida da pessoa perversa.

FALTA DE CONSTÂNCIA DO OBJETO – Sintoma de alguns transtornos de personalidade, a falta de constância do objeto é uma incapacidade de lembrar que as pessoas ou objetos são consistentes, confiáveis e com os quais se pode contar, especialmente quando eles estão fora de seu campo imediato de visão. Constância do objeto é uma habilidade de desenvolvimento que a maioria das crianças não desenvolvem até dois ou três anos de idade. Daí a indiferença com seus sentimentos na ruptura, a falta de confiança quando não está controlando e etc.

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NARCISISMO – Este termo descreve um conjunto de comportamentos caracterizados por um padrão de grandiosidade, o foco egocêntrico, necessidade de admiração, a atitude de auto-serviço (eu me sirvo sempre), falta de consideração e falta de empatia, sendo esta última a característica mais forte e maligna do narcisismo e portanto, essencial para a identificação desse padrão de comportamento. Não existem narcisistas capazes de se colocar no lugar do outro.

DESQUALIFICAÇÃO FLOREADA – a prática de elogiar, inserindo desqualificadores dentro de uma frase, de modo que a parte desqualificadora não seja percebida, mas surta efeito. Exemplo: “Eu amo suas gordurinhas” “Adoro seu corpo, tanto que conheço cada uma de suas 387 estrias” “Minha gorducha linda” “Você é um homem tão bom para mim que passei a amar até o seu péssimo português”. Serve para minar a autoestima do alvo de modo que se esmere para “melhorar” até ter o elogio “completo”.

NEGLIGÊNCIA – Uma forma passiva de abuso em que as necessidades físicas e emocionais de um dependente são desconsiderados ou ignorados pela pessoa responsável por eles. Nas relações tóxicas com pessoas perversas, a negligência vem à tona com frequência quando o alvo tem problemas de saúde, financeiros ou precisa de cuidados.

NORMALIZAÇÃO– Numa relação com perversos, é uma tática usada para dessensibilizar o indivíduo para comportamentos abusivos, coercitivos ou inapropriados. Em essência, a “normalização” nada mais é do que a banalização de coisas que, em sã consciência, não aceitamos como normais; é a manipulação de outro ser humano para levá-los a aceitar algo que está em conflito com a lei, as normas sociais ou seu próprio código básico de comportamento. Ex. Aceitar traição, agressão física, verbal, promiscuidade, poligamia, etc.

JOGOS SEM VITÓRIA – São situações comumente criadas por pessoas que sofrem de transtornos de personalidade, onde eles apresentam duas opções ruins para alguém próximo a eles e as pressiona a escolher entre os duas, assim sempre sairá perdendo. Isso geralmente deixa a pessoa que não tem transtorno de personalidade com um sentimento de “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

COISIFICAÇÃO – A prática de tratar uma pessoa ou um grupo de pessoas como objetos, mantendo-as à sua disposição ou descartando-as de acordo com suas necessidades. No sexo, o alvo também é coisificado no sentido que, após a relação sexual, comportamentos frios e abusivos são restabelecidos do nada, quando minutos antes tudo era maravilhoso, fazendo com que o alvo se sinta usado.

SÍNDROME DE ALIENAÇÃO PARENTAL – Um termo usado para descrever o processo pelo qual um dos pais, geralmente divorciado ou separado do outro progenitor biológico, usa sua influência para fazer uma criança acreditar que o outro progenitor é mau ou inútil.

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MENTIRA PATOLÓGICA – Decepção persistente por parte de um indivíduo para servir os seus próprios interesses e necessidades com pouca ou nenhuma relação com as necessidades e preocupações dos outros. Um mentiroso patológico é uma pessoa que existe apenas para servir suas próprias necessidades ainda que para isso deve lançar mão de mentiras.

VITIMIZAÇÃO – É a prática de assumir uma postura de vítima diante de amigos e familiares, relatando histórias onde aparece como vítima e o alvo como o vilão, de tal forma que as pessoas se compadeçam de si e odeiem o alvo. Para isso, lançam mão de histórias que jamais ocorreram, inacreditáveis quando ouvidas pelos alvo e que normalmente causam muita angústia, sentimento de injustiça e desejo de vingança.

RECRUTAMENTO – A maneira que a pessoa perversa tem de controlar ou abusar do alvo através da manipulação de outras pessoas para que estas inconscientemente passem a defendê-la, falar por ela, “comprar sua briga” ou “fazer o trabalho sujo” que ela deseja contra seu alvo. Essas pessoas são chamadas em inglês de “flying monkeys” que se traduz em “macacos voadores”, que nada mais são do que possibilitadores, facilitadores e colaboradores recrutados pela pessoa perversa.

EXPLOSÃO, RAIVA E AGRESSIVIDADE IMPULSIVA – Elevações explosivas verbais, físicas ou emocionais em uma briga, desproporcional à situação real. Mas atenção, esse comportamento sozinho não indica perversidade, já que acompanhado de culpa e remorso verdadeiros pode indicar Transtorno Explosivo Intermitente, que nada tem a ver com perversidade e pode ser tratado.

SABOTAGEM – A ruptura espontânea da calma ou status quo, a fim de servir a um interesse pessoal, provocar um conflito ou chamar a atenção.

BODE EXPIATÓRIO – a escolha de um indivíduo ou grupo para receber culpa ou tratamento negativo não merecido. A pessoa perversa faz e põe a culpa nos outros.

MEMÓRIA SELETIVA E AMNÉSIA SELETIVA – O uso de memória, ou a falta de memória seletiva com o intuito de reforçar um preconceito, crença ou obter um resultado desejado, utilizando somente aquilo que lhe convêm.

AUTOENGRANDECIMENTO – É um padrão de comportamento pomposo; o hábito de vangloriar-se. Presença de narcisismo ou competitividade projetados para criar uma aparência de superioridade.

VERGONHA – A diferença entre culpa e vergonha é que ao culpar alguém você diz a uma pessoa que ela FEZ algo ruim e ao envergonhar alguém você lhe diz que a pessoa É algo ruim. Por exemplo, um perverso conhecido quando queria envergonhar, dizia que eu era mentirosa diante de todos (vergonha). Na intimidade, dizia que não podíamos ser felizes porque eu mentia muito (culpa). Nenhuma das duas coisas acompanha fundamento ou explicação lógica, sempre, quase sempre, fruto de suposições.

STALKING (PERSEGUIÇÃO)– Qualquer padrão invasivo e indesejável de buscar o contato com outro indivíduo. A pessoa narcisista pratica stalking somente quando é dispensada pelo alvo antes que ela o descarte. Como não aceitam ser deixadas, perseguem. O alvo, normalmente, também pratica stalking ao ser descartado.

TESTE – Forçar repetidamente outra pessoa a demonstrar ou provar seu amor ou compromisso com o relacionamento a fim de demonstrar para a pessoa narcisista o seu valor.

POLICIAMENTO DO PENSAMENTO – Um processo de interrogatório ou tentativa de controlar os pensamentos ou sentimentos de outra pessoa. É uma prática percebida especialmente quando o alvo deseja estar em silêncio ou reflexão.

TRIANGULAÇÃO – Ganhar uma vantagem sobre os “presumidos rivais” ao manipulá-los para que entrem em conflito uns com os outros. Falam mal de uma pessoa para a outra a fim de ver a relação entre elas se deteriorar ou ver pessoas disputando um posto importante na vida da pessoa perversa

SILÊNCIO AGRESSIVO – Método insidioso de violência psicológica que consiste em passar horas ou dias tratando o alvo com silêncio injustificado e punitivo, quase sempre acompanhado de cara fechada e pequenas frases de acusação sem sentindo ou embasamento na realidade. “Você sabe porque estou assim.”

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VISÃO DE TÚNEL – Uma tendência a se concentrar em um único interesse (seu) ou ideia e negligenciar ou ignorar outras prioridades importantes ou todas as circunstancias.

DESCARTE OU SUMIÇO – Como toda relação com uma pessoa com essas características é superficial, independente do tempo que passou, quando ela sentir que o alvo não serve mais aos seus propósitos, ou seja, deixou de ser uma fonte de suprimento narcísico, ela o descartará e desaparecerá sem explicação ou com um arroubo de raiva injustificada que deixará o alvo se perguntando o que fez de errado. Um relacionamento com uma pessoa perversa narcisista jamais termina com uma conversa clara e civilizada; um comum acordo. Ou some ou demonstra ódio para justificar o fim.

P.S. É óbvio que a presença de um desses comportamentos isoladamente não indica perversidade ou transtornos de personalidade. É um conjunto deles que dará sinais claros de que se trata de pessoa perversa/tóxica/abusiva da qual preservar-se é preciso!

Lucy Rocha
Personal Coach

IMPORTANTE! Essa lista de características são fragmentos de textos que estarão presentes num livro a ser lançado em breve. Você pode compartilhar esse artigo livremente, porém:

1 – Conforme lei 9.610/98, que dispõe sobre direitos autorais, a reprodução parcial ou integral desta obra sem autorização prévia e expressa do autor constitui ofensa aos seus direitos autorais (art. 29).

2 – Entretanto, de acordo com a lei 9.610/98, art. 46, não constitui ofensa aos direitos autorais a citação de passagens da obra para fins de estudo, crítica ou polêmica, na medida justificada para o fim a atingir, indicando-se o nome do autor (Lucy Rocha) e a fonte

***

PRECISA DE AJUDA?

Você chegou até o final do texto e se identificou com alguma dessas situações?

Um processo psicoterápico pode fazer a diferença na sua vida nesse momento.

Indicamos: Josie Conti- psicóloga. Saiba mais aqui.

Imagens revelam o que se passa por trás de fotos perfeitas.

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A arte da fotografia nos mostra o quanto uma cena pode ser bonita e reflexiva, porém, você já parou para pensar como são feitas essas fotos?

Essa seleção de imagens mostra como pode ser complicado dar o click perfeito, essas gambiarras possuem os resultados finais incríveis!

Confira:

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Com base em: Imagens revelam o poder da fotografia – MiniLua

Do tamanho da paz

Do tamanho da paz

Do outro lado de mim.
Fernando Pessoa

Um lindo céu azul e um ventinho suave anunciando dias mais frios… assim é o mês de maio. Em junho, são as noites que nos seduzem com a lua firme lá em cima e nós, aqui embaixo, acendendo fogueiras e levantando mastros nas festas juninas. Só de pensar me emociono!

É a vida. É a beleza estonteante da natureza com toda sua diversidade e riqueza: árvores centenárias entregando sua sombra e suas folhas generosamente, flores rompendo o asfalto, arco-íris cruzando nosso céu.

Presentes acessíveis a todos sem distinção de raça, cor, religião ou posição social. Quando iniciados na arte de viver, somos capazes de “chegar às nuvens” com pequenas porções desses presentes.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa compor muitos rocks rurais
E tenha somente a certeza
Dos amigos do peito e nada mais.

Parece universal esse desejo de ter uma casa no campo, um lugar bem tranquilo, com um gramado verde, muitos vasinhos na janela e na porta escrito ”Aqui mora gente feliz”. Um lugar onde é possível viver a medida certa em relação a tudo; harmonizar o movimento com o descanso e a certeza cristalina do que nos faz bem.

Eu quero uma casa no campo
Onde eu possa ficar no tamanho da paz
E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais.

Ficar no tamanho da paz é sentir-se enraizado, é vibrar na frequência das coisas mais simples, é saber excluir os excessos, despojar-se da ganância e aceitar nossa finitude.
É viver uma liberdade criativa, ter uma postura solene diante da vida e silenciar frente aos seus mistérios…

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim
Eu quero o silêncio das línguas cansadas
Eu quero a esperança de óculos
Meu filho de cuca legal.

Do tamanho da paz é ouvir os acordes da natureza, é a certeza da providência divina, do apaziguamento dos pensamentos e a capacidade de não quebrar a corrente do que é bom. A casa de campo é a representação simbólica do instinto de artífice – habilidade de plantar e cultivar com nossas mãos as nossas vidas.

Eu quero plantar e colher com a mão
A pimenta e o sal
Eu quero uma casa no campo
Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé
Onde eu possa plantar
Meus amigos
Meus discos e livros
E nada mais…

Mas será que ainda conseguimos encontrar o caminho e chegar a essa casa de campo? Será que ainda somos capazes de guiar-nos pelos sinais da natureza viva e não pelos modelos frios das máquinas?

Será que ainda há flores em nossos jardins, será que há jardineiras e árvores frutíferas? Com certeza estamos mais refinados em nossas atitudes e nossos jardins/afetos mais sofisticados, mas… e o encantamento?

Onde estão os canteiros para corrermos, como Cecília Meireles, sentindo o gosto de framboesa; onde está aquela rosa que brigava com o cravo, a camélia que caía do galho, e as rosas que não falam mais? Encontramos poucas borboletas e cigarras e uma frequência bem menor de beija-flores vindo beijar uma florzinha .
Neste mês de maio, em que lembramos nossas mães, quero parir uma nova vida. Quero plantar flores na minha alma, quero fazer de mim uma casa no campo, encantada, quero mãos camponesas fincadas nas amizades.

Quero aprender a lição de Zé Rodrix, Tavito e também de Lenine que nos ensinam

… tudo pede um pouco mais de calma
…tudo pede um pouco mais de alma…
… o mundo espera de nós um pouco mais de paciência
…a vida é tão rara…

Pra frente, volver!

Pra frente, volver!

Adoro quando estou na estrada e paro num restaurante com faixa na entrada avisando: Sob nova direção. Algum chip no meu cérebro diz: Melhorou. Deve ser por conta da força do adjetivo. Novo celular. Namorada nova. Apartamento novo. Vida nova.

É evidente que associar novidade à melhoria não passa no teste da razão. Pois o novo não é por obrigação mais vantajoso do que o antigo. O micro-ondas é muito mais novo do que o fogão, mas aquele não esquenta tão bem quanto este. A nova colega talvez não seja tão simpática e eficaz quanto a que se aposentou.

Volta e meia praguejamos contra novidades. Odiamos as ineficientes, as de curta duração. Ficamos fulos quando o plástico substitui o ferro e a civilização do durável dá passagem para o descartável. Mas talvez o novo seja irmão gêmeo da esperança: Emprego novo, nova crônica serão melhores.

Essa esperança é baseada no recorrente desejo de mudar. Dentro de nós também rola assim. Já perdi a conta de quantas mudanças experimentei. Várias deram errado. Em algumas, sem querer, troquei o razoável pelo ruim.

Mas a asa ferida não anula a vontade de voar. Fosse assim, as pessoas só se apaixonariam uma única vez. Jamais voltariam a escrever depois de um zero na redação. Em suma, não pularíamos nem da cama.

Emprega-se agora um verbo chique para a substantiva mudança: reinventar-se. Na minha opinião, apropriado.
Porque o reinventar-se pressupõe que você já se inventou antes. Abraçou o novo que depois envelheceu e você se animou para mais uma transformação.

Gostamos das transformações. Por exemplo, ao assistir a um filme no ponto em que a trama começa a chatear, ocorre uma virada. Descobrimos que o mocinho não é tão mocinho, ou que a mocinha não é ingênua. Nesse momento a história ganha novidade. Mas uma coisa é o cinema. Outra, somos nós.

Pessoas são mais complicadas do que personagens. Os pontos de virada da vida real nem sempre aceleram a cena. Às vezes até retardam o ritmo. Pois em nós não existe roteiro redondinho. Ele vem repleto de pontas soltas. Há a saudade do antigo e o desejo do novo. Grudados, o antigo e o novo nos reinventam.

Não culpe seu próximo amor pelos cacos que o anterior deixou

Não culpe seu próximo amor pelos cacos que o anterior deixou

Os encontros amorosos são especiais e imprescindíveis para que cresçamos e nos tornemos cada vez melhores, pois compartilhar e se entregar nos habilita a olhar para além de nós mesmos. Da mesma forma, temos que aprender também com os desencontros amorosos, com aquelas relações que não dão certo, que nos machucam, pois nem sempre estaremos acertando, mas é preciso continuar tentando.

A grande maioria dos términos de uma relação é desagradável e dolorida, pois implica o enfrentamento de um futuro incerto, pontuado por saudades e arrependimentos. Teimamos, nesses momentos, em ficar imaginando o que poderia ter sido feito para que não se chegasse ao fim – o famigerado “e se…” que não leva a lugar nenhum.

O mais adequado a se fazer será abraçar a dor que vem forte, passar pelo período de vazio e tristeza, perto dos amigos verdadeiros, sorvendo a solidão emocional com a certeza de que aquilo vai passar e de que haverá novos encontros e momentos especiais, enquanto ainda houver vida dentro de nós. Nem fugir da dor, nem se entregar sem luta.

Muitas vezes, após uma forte decepção amorosa, tendemos a nos fechar a novos encontros, tornando-nos ressabiados, ariscos e desconfiados, quando alguém se aproxima mais de perto. Tememos nos entregar de início e por completo, como se estivéssemos vacinados contra a dor do amor. Inútil pensar assim, pois não existe remédio que neutralize o amor – felizmente.

Iremos nos apaixonar de novo, sim, quer queiramos ou não. O coração clama por dividir tudo o que pulsa em sua essência e aguarda pelos encontros verdadeiros. É preciso dar tempo à dor, para que ela se transforme em vontade de recomeçar, sempre, apesar de tudo. A vida segue e existe um bando de gente lá fora que nos olhará com interesse sincero e afeição sem rodeios.

Teremos que nos entregar de alma limpa, deixando para trás o que já não é, como se nunca o tivesse sido, porque o novo sempre vem. Devemos nos livrar dos erros, partindo aos novos encontros renascidos, inteiros e confiantes, pois é covardia jogar o peso de nossas dores no colo de quem não tem nada a ver com isso. O novo amor não tem culpa de nada daquilo que nos aconteceu antes de ele aparecer em nossas vidas. Cabe-nos acreditar que agora será diferente, que finalmente seremos felizes, caso quem esteja vindo se mostre digno e transparente.

Enquanto vivermos, estaremos sujeitos a quebrar a cara, em diversas situações e com várias pessoas. No entanto, nada disso poderá nos fazer desistir de encontrar a pessoa certa, no momento certo, pois é isso que nos ajudará a levantar todas as manhãs com o propósito de buscar e de sentir a felicidade plena do amor verdadeiro.

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