Notas sobre o desapego

Notas sobre o desapego

Tanto se fala sobre a importância de praticar o desapego, os movimentos minimalistas, as pessoas que largam tudo e correm o mundo e bradam orgulhosos feitos no barulho infinito da internet. Eu tenho para mim que desapego é desapego de coisas materiais sim, ou melhor, também. Mas, existe um lado importante sobre o ato de desapegar que me interessa mais. E é preciso saber reconhecê-lo.

Para mim, reduzir a casa a uma mochila e correr o mundo, não é desapego, é aventura. Partir e deixar tudo para trás, não é desapego, é desistência, é fuga. Desfazer-se de muitos bens materiais, não é desapego é praticidade. Desistir sem tentar, não é desapego, é covardia. Entregar nas mãos de Deus, não é desapego, talvez seja fé, ou comodismo.

Desapegar é uma constante busca da tênue linha do que é suficiente, que ora move-se para cá, ora move-se para lá. É seguir tentando, arriscando, criando, sem garantia alguma dos resultados. É aprender a perdoar em silêncio. É desconstruir-se e tornar-se mais inteiro. Desapegar é aprender a viver sem certezas. É deixar ir aquilo que já não nos serve, mas que nos fará falta.

Desapego para mim é viver a dura morte de alguém que ama e seguir acreditando que a vida, mesmo com muita dor, é bela. É viver o luto até secar as lágrimas, sem anestesiar a dor. Desapego é viver uma rejeição e seguir acreditando no seu próprio valor sem desqualificar a escolha do outro. É aprender a suportar um não sem desistir do que se acredita. É desistir do que se acredita. É saber que é preciso enfrentar e ficar até dar a hora de ir e depois saber ir quando essa hora chegar.

Desapegar é ter disponibilidade para escutar o outro, para entender os fatos, para admitir nossas próprias ignorâncias, para admitir erros e mudar de ideias, de valores, de crenças. É estar aberto para viver o novo e desconhecido. É a grande expressão de escolhas feitas com sabedoria, cuidado, amor e dor. Porque se desapegar não te faz sangrar, não é desapego, é descarte.

Quem deixa ir engrandece o mundo.

Pois cresce um pouco mais quem permanece na crise, disponível para si e para os outros, quem tem paciência de desatar os nós, um a um, sem cortar a corda. Quem enfrenta até o fim e consegue dar fim. Quem deixa ir os anos idos e os anos vindos, os amigos, os amores, as dores e as alegrias. Quem se liberta das memórias doloridas, de traumas e repetições, dos medos, dos sonhos não concretizados, dos amores mal resolvidos para viver uma vida escolhida.

Engrandece o mundo quem torna-o mais leve e aprende a deixar ir.

Ilustração: Eva Uviedo

Pessoas úmidas: fuja delas!

Pessoas úmidas: fuja delas!

Algumas pessoas são pesadas como uma esponja cheia de água. São incapazes de torcer e escorrer seus medos, receios e recalques para o ralo.

Fuja delas! A água suja que acumulam nos olhos é capaz de borrar o vestido branco da sua alegria sem que você perceba.

Você pode ofertar uma bandeja de doces coloridos, suspiros, jujubas, beijinhos, sorrisos, piadas, historinhas perfumadas, entusiasmo e elogios: nada altera o jeito turvo com que olham a vida; o tom monocórdico de suas vozes não se altera, a nuvem cinza que habita suas sobrancelhas continua anunciando tempestade mesmo quando a oferta de amizade é azul.

São pessoas tão habituadas à rejeição que não conseguem ofertar outra coisa aos outros a não ser mais rejeição (e/ou olhos de crítica).

Acham que toda alegria é gratuita. Que todo entusiasmo é burro. Talvez nunca tenham lido Mario Quintana, Cora Coralina Vinicius de Moraes.

Pessoas úmidas sentem-se ameaçadas por pessoas que secam suas mágoas ao sol diariamente e transitam levemente junto ao vento.

Geralmente confundem sarcasmo com maldade. Falam mal dos outros para se sentirem superiores – como se isso fosse sanar suas próprias faltas de dores.

E sentem inveja, muita inveja de quem consegue algo que elas não alcançam, jamais tiveram ou terão. Colocam-se, sempre, como vítimas de qualquer circunstância ou situação.

Só conseguem admirar mitos! São incapazes de admirar João, Maria, Filomena, Sicrana e Beltrana – admirar quem está ao alcance das mãos é sentença de morte, certeza de que o vizinho é melhor.

São as mesmas que acham que qualquer pessoa diferente delas é estúpida, boçal e ridícula. São hipócritas. Defendem a causa gay, são contra o racismo e a guerra, mas são incapazes de aceitar um estranho em seus ninhos mofados.

São aquelas que só conseguem enxergar o que perderam (o que falta) e não o que ganharam, o que transborda. Vivem insatisfeitas com alguma coisa, ou, com tudo. Vivem reclamando, falando de problemas, espalhando notícias ruins.

Estão sempre com cara de quem chupou limão, dormiu mal, colocou sal demais na comida ou perdeu o ticket de ida para um lugar chamado “vida”.

Fuja dessas pessoas! Pois elas são capazes de sugar seu prazer de viver com um simples olhar de canto, um balançar de cabeça ou um sorriso amarelado.

Pessoas úmidas, pesadas, são como vampiros: não suportam a luz.

Creia: você não precisa delas.

5 séries que dizem muito mais do que você possa imaginar

5 séries que dizem muito mais do que você possa imaginar

Há tempos a TV mostra ter capacidade e eloquência para tratar de assuntos contemporâneos com a mesma estética e qualidade das grandes produções cinematográficas. Essas cinco séries abaixo, expandiram essa linha entre ficção e realidade mostrando não apenas preciosismo, mas também sinceridade e reflexões mais que fundamentais sobre o comportamento humano.

1. A Sete Palmos (2001 – 2005)

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Toda a trama se desenvolve em torno do mundo da ‘Fisher & Sons Funeral Home’, uma fictícia empresa funeral nos dias atuais em Los Angeles, Califórnia. A série mostra um drama convencional de família, lidando com assuntos como infidelidade, homossexualidade e religião. Ao mesmo tempo, é uma distinta série que aborda com outro prisma o tópico da morte, explorando seus múltiplos níveis (pessoal, religioso e filosófico), não a tratando apenas como um mero ímpeto conveniente para a solução de um assassinato. Cada episódio inicia-se com uma morte – e, naturalmente, de um “cliente” da funerária. Esta morte geralmente dá o tom de cada episódio, permitindo aos personagens refletir sobre suas vidas e infortúnios, de forma iluminados pela morte e suas consequências.

2. Família Soprano (1999 – 2007)

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Tony Soprano é um típico empresário norte-americano de meia-idade; tem uma esposa responsável e que anda dentro da linha, uma filha não muito obediente, um filho chamado Anthony e uma mãe que se recusa a ir morar em um asilo. Nada fora do normal, não fosse o fato de Tony ser também o chefão de uma outra família; a máfia.

3. Penny Dreadful (2014 – 2016)

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Em Penny Dreadful, alguns dos personagens mais famosos e assustadores da literatura mundial, como o Dr. Frankestein e sua criação, o eternamente jovem Dorian Gray e icônicas figuras do romance Dracula, estão todos vivendo nos cantos obscuros de Londres Vitoriana.

4. Dexter (2006 – 2013)

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Valendo-se do fato de ser um expert forense em análise sanguínea e de trabalhar no Departamento de Polícia de Miami, Dexter, de um modo bem meticuloso e sem pistas, mata criminosos que a polícia não consegue trazer à Justiça. A série narra a trajetória de sua vida dupla por meio de flashbacks e, paulatinamente, vai desvelando diversos segredos dos personagens, criando um ambiente de constante suspense.

5. 24 Horas (2001 – 2010)

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A primeira temporada começa e termina a meia noite no dia das eleições presidenciais primárias da Califórnia em Los Angeles. A tarefa de Jack Bauer é proteger o candidato David Palmer de uma tentativa de assassinato e resgatar sua família daqueles que tramam o assassinato, que buscam retaliação ao envolvimento de Jack e Palmer em uma missão do exército americano nos Balcãs.

17 frases que dizem muito sobre nós mesmos

17 frases que dizem muito sobre nós mesmos

1-A escala de sua personalidade é determinada pelo tamanho do problema que você é capaz de tirar de suas casinhas.

2- Antes de ser diagnosticado com depressão ou baixa autoestima, certifique-se de que não está rodeado por idiotas.

3- O objetivo de fazer o ser humano feliz não estava nos planos da criação do mundo.

4- Tudo que você faz na cama é bonito e absolutamente correto se os dois estiverem felizes.

5- O único desvio sexual é uma completa ausência de sexo, o resto é uma questão de gosto.

6-No momento em que uma pessoa começa a pensar sobre o sentido e o valor da vida, pode ser considerada doente.

7-O primeiro homem que insultou seu inimigo, em vez de lhe jogar uma pedra, foi o fundador da civilização.

8- O amor perfeito, eterno e livre e do ódio só existe entre um viciado e a droga.

9-Vivemos em um tempo muito estranho, quando, surpresos, percebemos que o progresso anda de mãos dadas com a barbárie.

10-Quanto mais perfeito parecer por fora, mais demônios tem por dentro.

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11-Sei me defender quando me criticam, mas sou completamente impotente diante dos elogios.

12- Nunca nos sentimos tão vulneráveis como quando amamos, e nunca nos sentimos tão infelizes na hora em que perdemos o amor.

13- O primeiro sinal de estupidez é a total falta de vergonha.

14- As pessoas são mais morais do que pensam e mais amorais do que se pode imaginar.

15- Nós ignoramos a maior parte do que é real dentro de nós, e o que pensamos que é real na verdade é uma ilusão.

16- Cada pessoa normal, na verdade, é normal apenas em parte.

17- Às vezes um charuto é apenas um charuto.

TEXTO ORIGINAL DE INCRÍVEL.CLUB

14 ideias originais e úteis para a decoração da sua casa!

14 ideias originais e úteis para a decoração da sua casa!

Você mora em casa, apartamento, chácara? Mora no interior ou em um condomínio em plena metrópole? Não importa! Se você está pensando em renovar a decoração da sua casa, torná-la mais original e inovadora, nós podemos te ajudar! Com essas ideias criativas e bem úteis seus amigos nunca mais vão querer sair de sua casa!

Confira:

Que tal um frigobar acoplado à sua bancada da cozinha?

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E se você não tem medo de altura… Uma rede-teto!

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Uma porta-estante… Para economizar espaço!

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Sapateiras embaixo da escada.

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Uma estante de livros na escada! Ótima para aproveitar o espaço, e fica lindo!

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Uma área de reuniões.

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Armazenamento numa plataforma.

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A cama é uma gaveta!

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Área de armazenamento de vinho sob as escadas.

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Uma escada como porta!

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Janelas gigantescas!

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Varanda para a sala! Um charme…

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Uma ilha de caixotes de feira para a sua cozinha!

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Mobília toda de paletes!

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Matéria original: Ela e Ele

Minha solidão não é sucata

Minha solidão não é sucata

No dicionário a palavra tem um significado interessante: Estado de quem está só.

Mas, na vida, esse substantivo feminino possui uma palheta de tons e cores praticamente infinita.

Solidão de ideias, de crenças, de pares e ímpares. Solidão não identificada, solidão escancarada, solidão velada, observada, invejada, desprezada, amaldiçoada.

Solidão tem mão pesada. Quando faz carinho, é bruto; Quando cutuca, deixa marca; Quando coça, arranha; Quando bate, nocauteia; Quando domina, enlouquece.

A minha solidão é cíclica, intempestiva, volúvel. Nunca consegui identificar se é regida pelas fases da lua, pelas estações do ano, ou pelas variações do meu humor.

Horas me sinto só de dar dó. Outras, nem sei o que é isso. Mas ela é real e universal. Todo mundo se sente só em algum momento!

O estado de solidão é muito mais do que não andar de mãos dadas, não usar uma aliança, morar sozinho, não ter família ou não ser exatamente uma pessoa popular.

Solidão é viver com a incompreensão, morar com o egoísmo, compartilhar sentimentos com egos inchados e exaltados, ter voz e não ser ouvido, questionar, pedir, suplicar e não ser atendido. Solidão é se reconhecer só justamente quando não gostaria. É ter espaço para mais uma presença, embora acompanhado de ausências.

A solidão mais cruel é aquela que pode contar com uma companhia que não enche o coração. Solidão dolorida, acompanhada mas ignorada.

É a solidão sucateada, vendida por uma promessa de companheirismo, uma condição social, uma vida calculada, desejada, ensaiada, mas de longe aproveitada.

Pensando em tudo isso, de vez em quando eu liberto minha solidão para que sofra, doa e chore, para que eu me lembre e valorize minhas boas e caras companhias, procure por elas, peça colo e carinho, ombros e ouvidos generosos. E dessa forma eu consigo negociar novamente com a solidão. Fazemos um trato cumprido com honestidade. Eu a consolo e ela não me domina.

E, se eu der algum passo da vida e isso for decisivo para fazê-la minguar, vou me despedir respeitosamente, prometendo deixá-la voltar algumas vezes, somente para um café com lembranças do tempo em que éramos inseparáveis.

8 coisas que as pessoas emocionalmente mais “espertas” evitam

8 coisas que as pessoas emocionalmente mais “espertas” evitam

Ser mentalmente saudável inclui ter hábitos e atitudes saudáveis para consigo mesmo e com os outros.

Pessoas mentalmente saudáveis têm maior controle sobre suas emoções, atitudes e pensamentos. Seu comportamento é direcionado para bem-estar próprio e daqueles ao seu redor. Por isso veja aqui se você se encontra no lado certo da moeda

Pessoas mentalmente mais sadias evitam:

1. Achar que alguém irá completá-las

Esse tipo de pessoas não depende de outros para sentirem-se completas, pelo contrário, procuram ser completas antes de procurar alguém para se relacionar. Pessoas saudáveis não se ressentem da solidão e adoram a própria companhia. Gostam tanto que querem dividir sua companhia com alguém especial.

2. Sentir-se vítimas das circunstâncias

Pessoas mentalmente saudáveis se recusam a sentar e reclamar da vida e das pessoas. Ao contrário, estão tão ocupadas construindo suas próprias vidas que não têm tempo para reclamar ou lamentar. Veem os outros como companheiros em um mundo que nem sempre é justo ou fácil.

3. Envolver-se em excesso nos problemas alheios

Os mentalmente saudáveis não se envolvem nos problemas dos outros simplesmente para compartilhar sua dor. Eles se compadecem, e até podem chorar junto – por um tempo. Em seguida buscam ver em que podem ajudar, e o fazem. Porém, sabem que absorver o problema do outro não ajudará ao outro e será péssimo para si mesmo.

4. Tentar agradar a todos

Isso é impossível. Jesus Cristo é perfeito e nunca agradou a todos. Tentar fazer isso é atentar contra a própria sanidade mental. Além de, claro, não ter a mínima necessidade de se fazer. Pessoas mentalmente sãs buscam apenas serem justas e cuidadosas com os outros.

5. Repetir sempre os mesmos erros

Aprender com os erros e não os repetir é fundamental para o bem-estar emocional e equilíbrio de qualquer um e os mentalmente saudáveis sabem disso, por isso assumem a responsabilidade por seu comportamento e não culpam os outros ou as circunstâncias por seus erros e os corrigem tão logo os tenham cometido.

6. Ser imediatista

Não trocam o sucesso em longo prazo por prazeres momentâneos. Sabem esperar, têm paciência e não acham que tudo deve ser quando querem e do modo que querem, como crianças mimadas. Entendem a relação causa/consequência e a lei da colheita.

7. Reclamar

Esse tipo de pessoa sabe que reclamar nunca resolveu nenhum problema. São apenas afirmações para si mesmo de que você não é capaz de resolver um problema ou que é uma vítima involuntária – pensamentos que tiram o poder individual. Ao invés disso, analisam o problema, meditam sobre ele, buscam as soluções e se não puderem resolver tudo, aceitam isso.

8. Permanecer em relacionamentos não saudáveis

Pessoas mentalmente mais saudáveis não têm relacionamentos descartáveis. Elas entendem que todo relacionamento é construído pelas pessoas envolvidas nele. Elas fazem sua parte e até além da sua parte para manter seus relacionamentos e valorizar a pessoa envolvida. Porém, se todos os seus esforços não estão conseguindo fazer com que seu relacionamento seja saudável, elas não se culpa. Elas não se tornan um avestruz que enfia a cabeça na areia. Elsa simplesmente saem do relacionamento doente.

Há muitas atitudes que pessoas mentalmente mais sadias fazem e que beneficiam a elas mesmas e aos outros. Não têm medo de ser o que são e se orgulham em sê-lo. Tomam suas próprias decisões, cuidam de suas próprias vidas e tornam o mundo um lugar melhor com sua presença.

Fonte: Família. 

Imagem de capa: Billion Photos/shutterstock

Nota: Lembre-se, se você se sente perdido em um desses itens, procure ajuda. Na vida seguimos em busca do equilíbrio, mas todos nós podemos nos desestabilizar. A melhor atitude é aquela de sempre tentar perceber os deslizes que nos adoecem e retomar a estrada que nos mantém bem e mais saudáveis.

As explosões ou arroubos emocionais do bipolar _ Como seguir adiante?

As explosões ou arroubos emocionais do bipolar _ Como seguir adiante?

Carta Dezoito.     

As explosões ou arroubos emocionais do bipolar _ Como seguir adiante?

Por Elizete Maria Orletti

Sabemos que, em nossas relações rotineiras, sob as normas de uma comunidade humana, com regras seculares, certos episódios são capazes de nos levar a reações adversas, de apatia ocasional ou de sérias indisposições com determinadas pessoas, motivadas por irritações às vezes sem explicações racionais. Como conseguiremos lidar com tais demandas no dia a dia?

Nos seus contatos usuais, nesta sociedade de valores tão densos e complexos, a bipolar pode ser acometida, quando ocorre a perda de controle de suas condutas habituais, de arroubos de raiva passionais.

-Tais circunstâncias são geralmente imprevisíveis, e têm a prerrogativa de levá-la a circunstâncias de explosões verbais com o sujeito com quem se indispõe, através de sinais evidentes de uma agressividade francamente impressionante, e que revela uma total incompreensão aos atores envolvidos.

Estas comoções súbitas são geradas comumente por uma extrema tensão, em que as diferenças expostas, nesses meros acontecimentos, surgem como se fossem psicóticas expressões selvagens desse ente contrariado, e se sobrepõem aos fatos vividos, deixando aquele cidadão perplexo com o nível alterado de inexatidão em nossos comportamentos.

Aqui se desvela a outra face da moeda da sensibilidade debilitante dessa doença afetiva, que se apresenta, agora, de forma feroz e controversa, sendo que, nas conversações anteriores, essa personalidade se portava como usualmente gentil, passando, rapidamente, a uma expressão cabalmente ofensiva, que exibe, com nitidez, a subtração da estabilidade dos seus suportes psíquicos.

Assim, reagimos de duas maneiras quase que invariáveis: na primeira fase, parece que o desconhecido nos tenha ofendido mortalmente, é como se o universo estivesse conspirando contra os nossos pensamentos, sob a psique abalada pelo transtorno afetivo do humor (TAB), que se manifestam de forma bastante influenciada pelos sentimentos negativos, sendo o nosso desafeto momentâneo o portador de um grau incomum de rejeição à nossa presença naquele ambiente.

Desse modo, se revela uma enorme insatisfação em nossa adolescente Maria M., de instantânea abstração da realidade, e que, quando não é bem processada em sua mente, chega a se transformar em uma contrariedade de polos opostos, de modo a que venha a acumular as suas emoções mal resolvidas, somadas à baixa autoestima.

A seguinte vertente é verificada quando em breve retornamos à veracidade dos fatos e das nossas ações instantaneamente invertidas, e podemos tanto sair abruptamente de cena (em que somos os protagonistas desse verdadeiro show patético que criamos, supostamente por engano, ou denotações irreais).

Ou, ainda, sob o inconsciente imensamente perturbado, nos derramarmos, na cara dura, em pedidos de perdão tardios, e com adicionadas flores do bem, aqui, como os símbolos figurativos das nossas culpas imediatas a serem sanadas, o que nem sempre nos absolve diante daqueles que magoamos.

-Mas nós sabemos o quanto somos carentes da doce cordialidade e, simultaneamente, plenas da mais pura paixão, o que vem a nos garantir convivências raras e tocantes, permeadas de promessas, suscetíveis, infelizmente, de serem modificadas pelas conturbações enfermiças.

Estas são capazes de atuar, inclusive, contra os nossos desejos de acertos, o que chega a ser tóxico para a própria aceitação, quando nos movemos, sem uma compreensão plausível, num universo de relações imaturas, ou como nos casos em que interagimos com pretendentes que não são comprometidos na entrega, devotada e fiel.

-Destaco essa hipótese, amiga, para que você reflita, enquanto é factível, mediante os preocupantes ascendentes nesses tempos líquidos e não permanentes, e, por isso é salutar que estejamos com os amigos e a parentela, que simplesmente nos devolvam esse alento de carinho genuíno, e que transborda, muitas vezes, nessas nossas carências desmedidas, porque os passantes podem não suportar tanto amor.

A cada novo encontro com um semelhante, em cada emoção que corre no nosso sangue primitivo de sobreviventes (da fase de depressão e, principalmente, a de euforia contagiante), nos entregamos inteiramente, pela bandeira globalizada do bem querer explorada por um facebook de acessos distintos a amizades rápidas e sedutoras.

Somos então o carnaval de sensações desorganizadas, sim, mas intensas, procurando um ninho, e uma via cabível para a fusão dessas afeições belas e contraditórias, quando amamos bem, mal, ou demais.

-Gostaria ainda de lhe falar, Maria M., sobre o uso do bom senso nos relacionamentos cordiais com os demais indivíduos, em nossas rotinas, para mantermos os limites saudáveis da boa educação. É importante que você mantenha a essencial condição diferenciada dos seus humores bipolares em níveis suportáveis, pois é no acúmulo de momentos difíceis que pode ocorrer o rompimento dos suportes sensíveis, arduamente construídos por nós, nas relações de trabalho e sociais.

-O problema maior, nesses descontroles aparentemente inevitáveis, é um desgaste com os seres próximos, irmãzinha, e destarte, criarmos afastamentos breves ou constantes, danos muitas vezes irreparáveis e, inclusive, perdas desnecessárias.

-Vamos destacar essa questão, nos referindo às ligações íntimas e duradouras, e que são geralmente quem mais sofrem com essa irracional impaciência de sua parte, e que pode vir a se transformar em uma fúria intempestiva e agressiva.

-Essa análoga atitude pode conduzir a sua bipolaridade aos fenômenos que nos remetem à natureza, quando assistimos ao estouro de uma boiada, em que seus corpos são assustados por um fator exterior qualquer, sem regras, rédeas ou leis que os dominem.

“Destroem-se em minutos, feito montes de leivas, antigas roças penosamente cultivadas:

extinguem-se, em lameiros revolvidos, as ipueiras rasas: abatem-se, apisoados, os pousos; ou esvaziam-se, deixando-os os habitantes espavoridos, fugindo para os lados, evitando o rumo retilíneo em que se despenha a “arribada” – milhares de corpos que são um corpo único, monstruoso, informe, indescritível, de animal fantástico, precipitado na carreira doida.”¹

Nos episódios singulares, envolvendo as dependentes com essas desordens temerárias, essa indisposição com os mais amados traz pode advir do excesso de zelo dos parentes, o que pode sufocar essa jovem, e deturpar as suas percepções temporariamente confusas, ou mesmo mascaradas, através de um desconforto preliminar, uma das vertentes dessa nossa abordagem.

As conexões coletivas e familiares dos que têm os caracteres dessa complexa patologia, jásão demasiadamente caracterizadas pelas inconstantes crises pertinentes  ao problema de saúde apresentado. Quem convive diretamente com esse drama, é capaz de reconhecer as evoluções de seu parente, e é possível discernir, sem margens de erros, o  recolhimento sofrido e involuntário da paciente deprimida, em que fica com o temperamento irritadiço, causando o possível distanciamento com os seus entes queridos.

Tenha fé na sua vida, em Deus, Eliz, novembro de 2015.

_____________________________________

1-CUNHA, Euclides da. Estouro da Boiada, Os Sertões. Editora Record, Rio de Janeiro, RJ, 2000.

Para saber mais:

Cartas a você, amiga bipolar

(lidando com um cavalo indomável)

Elizete Maria Orletti.

[email protected]

A espetacular literatura nórdica em 10 autores

A espetacular literatura nórdica em 10 autores

Desde que a trilogia Millennium de Stieg Larson chegou por aqui, o consumo de livros de assassinato e mistério escritos por autores do norte do Atlântico aumentou consideravelmente. No entanto, é preciso dizer que, ainda que tais livros sejam de qualidade indiscutível, a literatura nórdica não se reduz apenas a romances policiais ou aventuras fantásticas. Nela encontramos também grandes obras sobre questões existenciais, políticas, históricas e mesmo linguísticas.

A presente lista tem o intuito de falar de alguns desses autores que estão fora do hall das “estrelas” escandinavas. O grande problema é que poucos autores que não escrevem romances policiais, ou “Scandi Crime”, como também é conhecido o estilo, são traduzidos por aqui. Por isso, vale a pena, para quem tem facilidade com línguas como inglês ou espanhol, procurarem por eles nesses idiomas. Não é tarefa das mais fáceis, admito, mas vale a pena o esforço, principalmente quando se trata de literatura de primeira. Outra opção é procurar por edições portuguesas (Portugal), pois muitos dos nomes aqui indicados foram publicados em terras lusitanas.

Tomas Espedal

Foto: Jakob Dall

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O estilo de Tomas Espedal (54) é bastante influenciado por Thomas Mann. Segundo ele, seu projeto literário passa pela ideia de descrição de uma família de classe trabalhadora que chega ao fim, exatamente em sua pessoa. Descrever algo que chega ao fim, seja uma família, uma cultura ou um modo de vida. Para ele, escrever não é algo terapêutico – ao contrário, gera crises. “Ler pode ser reconfortante, mas nunca escrever”, disse em uma entrevista ao Louisiana Channel. Espedal possui algo único. Talvez o seu gosto pela linguagem, pelo processo de conhecer algo ou a si mesmo pela linguagem seja o seu maior atrativo. Seus romances possuem fortes tons biográficos, muitas vezes abordando a rotina, os obstáculos e sacrifícios da escrita.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

Sofi Oksanen

Foto: Toni Härkönen

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A escritora finlandesa, hoje com 39 anos, é uma das escritoras que mais lucrou no ano de 2010, entre seus conterrâneos. Tudo graças a “O Expurgo”, seu terceiro romance, que acabou virando filme (Uma Noite de Crime) e ópera, além de lhe render alguns prêmios e de ser publicado em mais de 40 países. Alguns de seus romances trazem elementos históricos e políticos importantes sobre a antiga União Soviética. O estado psicológico das vítimas da guerra, a descoberta do corpo, do sexo e da importância das relações humanas, também são assuntos importantes da sua escrita.

Títulos publicados no Brasil: As Vacas de Stalin (Record, 2013), O Expurgo (Record, 2012)

Gerður Kristný

Foto: Sigtryggur Ari

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Se você é do tipo de pessoa que, sempre que lê ou ouve as palavras “nórdico” e “escandinavo”, já se empolga e pensa em vikings e mitologia, mas que não gosta dos exageros cinematográficos, talvez a poeta Gerdur Kristný (46) seja a sua praia. Seu livro “Blóðhófnir”, por exemplo, é baseado em um poema do Edda sobre a deusa da fertilidade Freyr. Kristný também escreveu livros infantis, histórias curtas e uma biografia. Sua obra, que ela descreve como algo sempre coberto de neve, dialoga particularmente com a tradição islandesa, com sua geografia e clima. Ela trata dos mitos da sua terra com respeito e humildade visíveis em versos muito bem estruturados. Em 2013, Kristný veio até a América do Sul, como convidada do Festival de Poesía de Medellín, na Colômbia.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

Jon Fosse

Foto: Herman Dreyer

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Jon Fosse (57) está entre os dramaturgos mais encenados do mundo. Com diálogos que beiram a poesia, suas peças causam alvoroço por onde passam. O autor norueguês também escreve romances, poemas e livros infantis. É considerado um fenômeno. Já venceu o prêmio Ibsen (o maior prêmio do teatro mundial) e foi por três vezes condecorado com a Ordre National du Mérite (França). Foi professor de Karl Ove Knausgard, sendo responsável, inclusive, de indicar a ele o caminho da prosa.

Títulos publicados no Brasil: Melancolia (Tordesilhas, 2015)

Gyrdir Eliasson

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Gyrdir Eliasson (56), além de escritor, é um importante tradutor islandês. Foi agraciado em 2011 com o Nordic Council Literature Prize pelo livro “Milli Trjánna”, uma coletânea de histórias curtas. Talvez seja reconhecido por seu trabalho como poeta. Seus personagens quase sempre parecem estar em busca da compreensão do mundo e ondes eles podem se encaixar nele.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

Carsten Jensen

Foto: Isak Hoffmeyer

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Nascido na Dinamarca, Carsten Jensen (64) é daquele tipo de autor que não tem pressa. Cada palavra, cada sentença é parte de uma sinfonia maior, que vamos ouvindo e assimilando no decorrer da leitura. O maior exemplo disso é “Nós, os afogados (Tordesilhas, 2015), onde narra de maneira exuberante e grandiosa o surgimento da moderna Dinamarca através de várias gerações de navegadores de uma pequena cidade, em viagens por várias partes do mundo. Jensen também é comentarista político.

Títulos publicados no Brasil: Nós, os afogados (Tordesilhas, 2015)

Dag Solstad

Foto: NTB Scanpix

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Dag Solstad (75) parece ser o queridinho dos escritores que não vêm muita graça no já citado Knausgard. Mesmo Peter Handke, que teve seu livro “Jugoslavia” publicado pela editora de Karl Ove Kanausgard, não hesitou em dizer em uma entrevista do ano passado que preferia o estilo mais arejado do primeiro. Do outro lado do mundo, Haruki Murakami foi responsável por traduzir Solstad para o japonês. Dag Solstad goza de grande prestígio em seu país (Noruega), onde tem o status de maior exemplo literário, principalmente por seu estilo experimental e vanguardista.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

Audur Ava Ólafsdóttir

Foto: Divulgação

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A islandesa Audur Ava Ólafsdóttir (58) é refinada na escrita. Transita bem entre profunda tristeza e cálida alegria, até mesmo com toques de humor. Ela também nos dá comoventes descrições das paisagens da Islândia, escritas de maneira sensível, terna. O tipo de leitura que vai agradar quem procura por algo leve, mas capaz de tocar intimamente.

Títulos publicados no Brasil: Rosa Candida (Objetiva, 2015)

Kjersti Annesdatter Skomsvold

Foto: Fredrik Bjerknes

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A norueguesa de 37 anos ganhou notoriedade já no o lançamento do seu primeiro livro “Jo Fortere Jeg Går, Jo Mindre Er Jeg”, lançado como “Quanto Mais Depressa Ando, Mais Pequena Sou” pela editora portuguesa Eucleia (com uma bela capa, aliás). De lá para cá, Skomsvold vem cativando leitores pelos países onde é traduzida, tanto pela escrita criativa quanto pelo uso da mitologia em contextos interessantes. Uma carreira para se observar com atenção.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

Kjell Askildsen

Foto: Anniken C. Mohr

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Kjell Askildsen (86) é considerado o mestre das histórias curtas. O mais velho dos autores aqui apresentados, publicou seu primeiro romance em 1953 e até hoje continua a escrever. É visto como um escritor de humor negro e bastante cínico, beirando o depressivo. Perfeito para quem gosta de obras com tons de ironia e pessimismo. Askildsen faz jus à impressão de desolação e inverno interior que normalmente se tem ao falar da literatura em língua escandinava. Recebeu diversos prêmios até o momento, incluindo o Swedish Academy’s Nordic Prize de 2009.

Títulos publicados no Brasil: Nenhum

  

“Um sonho de liberdade”: a despersonalização do indivíduo pelo sistema prisional

“Um sonho de liberdade”: a despersonalização do indivíduo pelo sistema prisional

Rousseau certa feita disse que – “A liberdade pode ser conquistada, mas nunca recuperada”. As palavras do filósofo suíço podem soar forte, mas ao questionarmos situações em que há cerceamento de liberdade, podemos perceber o quanto ela faz sentido.

Ao perder a liberdade o indivíduo parece desconectar-se com a essência que o torna livre e, assim, retornar a situação em que se é livre pode ser extramente complexa, seja qual for a situação de falta de liberdade que o indivíduo se encontre.

Essa situação é retratada no filme “Um Sonho de Liberdade” (The Shawshank Redemption) do diretor Frank Darabont, em que um banqueiro é condenado à prisão perpétua após matar sua mulher e seu amante. Esse banqueiro é Andy Dufresne (Tim Robbins), sujeito meio tímido, meio calado, mas extremamente erudito. Com o seu jeito Andy vai aos poucos modificando o lugar, sobretudo, por ajudar Norton (Bob Gunton), o diretor da prisão, com as suas habilidades contábeis. O sujeito tímido também faz amigos na prisão, em especial, Red (Morgan Freeman), o qual é o narrador-filósofo da história.

Na prisão, vamos conhecendo cada personagem e percebemos a humanidade que os forma, de tal modo que rapidamente nos aproximamos deles, bem como, nos acostumamos com as grades e muros da prisão. Como diz Red em determinado momento – “A vida na prisão consiste em rotina e mais rotina” – e, assim, somos transportados para a prisão, como se estivéssemos ao lado de Andy e Red. Esse sentimento de pertencimento não se dá somente pela boa construção dos personagens e pela empatia que sentimos, mas também pelo modo realista que a prisão é retratada, cheia de muros, grades, guardas e escuridão.

Desse modo, a trama desde o inicio busca questionar o sistema prisional e o seu “modus operandi”. Ou seja, de que forma aquele sistema prisional vê os presos e como se busca a restauração dos delinquentes. Já inicialmente, percebemos a maneira que os presidiários são submetidos ao ridículo perante os demais e a violência que sofrem caso “perturbem” a ordem posta naquele local. Esses dois elementos são utilizados como forma de despersonalização e domesticação dos presidiários, a fim de que se acostumem com a prisão e se tornem institucionalizados, como bem observamos no cartão de visita dado pelo Capitão Hedley (Clancy Brown), ao ser indagado por um preso sobre o horário da comida.

“Vocês comem quando nós dissermos pra vocês comerem! Vocês mijam quando dissermos para vocês mijarem e vocês cagam quando dissermos para vocês cagarem. Entendeu, seu pedaço de merda?”

Sendo assim, o indivíduo rapidamente esquece quem é, o que o forma, o que lhe apraz, esquece a sua essência, o seu nome e se converte em um número. Não se trata de um discurso abolicionista em que o indivíduo que comete um crime não deve ser punido e ir para a prisão, mas sim de questionar o modelo prisional que é empregado e a quem ele interessa. O sistema prisional, tanto no filme quanto na vida, organiza-se tão somente pelo regime repressivo, em que o delinquente deve pagar pelo que fez, incluindo, a destituição de sua personalidade.

Não há qualquer compromisso com uma justiça restaurativa que busca reestruturar o delinquente, permitindo não apenas o seu retorno à vida em sociedade, mas também a si mesmo, de modo que possa se sentir como parte do todo e perceba que é importante para o corpo social. Esse modelo pode ser visto como utópico e, portanto, impossível de ser concretizado. Todavia, admitindo essa ideia, passamos a entender que o delinquente não é passível de ser recuperado e, assim, não há importância em qual modelo prisional ele cumpra pena, já que o fim será sempre o mesmo, qual seja, a sua não recuperação.

Ou seja, há um total descompromisso com a restauração dos presos e, assim, a frase proferida pelo diretor Norton ao ser indagado por Andy sobre a possibilidade de o Estado repassar verbas para o investimento na Biblioteca da prisão faz todo sentido.

“Para eles só existem três coisas a se investir em uma prisão: mais muros, mais grades e mais guardas.”

Dessa maneira, a liberdade vai sendo tolhida, até que seja esquecida e não somente pelo óbvio dos indivíduos estarem cumprindo pena, mas, acima de tudo, pela institucionalização que sofrem. A violência física deliberada a que são cometidos os domestica e a violência psicológica os despersonaliza, uma vez que, quando todos são tratados com um “pedaço de merda”, de que adianta o indivíduo possuir um nome ou coisas que possam “fazê-lo” sentir-se um homem?

“O nome dele não importa mais, está morto.”

Mais uma vez, não se trata de vitimizar o delinquente, mas, quando o indivíduo é visto como irrecuperável e merecedor de um tratamento desumano em todos os sentidos, invariavelmente já se torna uma vítima do sistema e, por conseguinte, incapaz de retomar a liberdade. Alguns são incapazes por se tornarem delinquentes piores e outros por esquecerem quem são. Uns por estarem ainda mais inaptos à vida em sociedade, outros por estarem inaptos a si mesmos.

Assim, não há justiça restaurativa, tampouco recuperação e os presídios são cada vez mais “escolas” do crime. Institucionalizado o presidiário se acostuma com o número que carrega e este se torna a sua vida, de modo que se esquece rapidamente que há lugares no mundo que não são feitos de pedras. A prisão se torna sua casa e de tanto ter as asas machucadas, quando livre já não consegue voar. Dentro da prisão, o indivíduo pode ser alguém importante, “Lá fora é só um ex-presidiário com artrite nas duas pernas”, incapaz de viver fora do ninho.

Devemos questionar a quem interessa um sistema prisional que não recupera de modo algum o delinquente, que se preocupa apenas em trancafiá-lo e submetê-lo a violências, mas que é incapaz de implementar cultura, educação, arte, a fim de que haja de fato uma restauração no indivíduo. No entanto, isso talvez seja utopia mesmo, já que em um mundo de prisões invisíveis a regra é estar preso, seja em uma prisão convencional, como Shawshank, seja aqui fora com os muros e grades que brotam a cada segundo. E, assim, o sistema prisional cumpre a sua função: automatiza seres humanos e os tornam incapazes de recuperar a liberdade como atentou Rousseau. Sinceramente, não é bem diferente do que vejo aqui fora.

Americana viaja o mundo e elege Noruega como lugar mais lindo

Americana viaja o mundo e elege Noruega como lugar mais lindo

Em 2012, a norte-americana Christy Woodrow largou o emprego para viajar pelo mundo e compartilhar suas fotos, histórias e dicas de viagens com outros viajantes em seu blog Ordinary Traveler.

Nesses últimos quatro anos, Christy já viajou por mais de 50 países ao lado do namorado Scott Calafiore.

Mas segundo a aventureira, nenhum outro destino do mundo se compara com a beleza da Noruega.

Nas imagens abaixo é possível entender o porquê desta afirmação. E você concorda?

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Outras fotos, dicas e aventuras no blog Ordinary Traveler da nossa viajante!

Matéria original: Catraca Livre

Para ser feliz é preciso aprender a se afastar de certas pessoas

Para ser feliz é preciso aprender a se afastar de certas pessoas

É importante afastar-se daquelas pessoas que nos impedem de crescer e ser felizes, e que nos contagiam com uma série de preocupações que não têm nada a ver conosco.

Afastar-se de certas pessoas melhora a saúde física e emocional. De fato, podemos dizer que para sermos felizes precisamos tomar uma certa distância dos conflitos que são provocados por pessoas que absorvem a nossa energia e anulam a nossa capacidade de reação.

Para sermos livres e nos sentirmos bem, precisamos nos afastar de certas pessoas que provocam destruição emocional, a falta de estabilidade, a incerteza e que adoecem a nossa capacidade emocional e que distorcem a nossa sensibilidade.

Neste sentido é primordial saber que, para conseguirmos fazer isso, precisamos nos preparar para deixar de conhecer aquelas pessoas que acreditávamos conhecer, dando-nos conta de que viver submetidos às suas exigências, julgamentos e comportamentos somente nos intoxica.

O que os demais pensam de você é a realidade deles, e não a sua

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Neste sentido, devemos ser conscientes de que, ao longo da vida, iremos encontrar muitas pessoas que não sabem respeitar nem considerar os sentimentos, os pensamentos, e as crenças dos demais.

Isso faz com que nos sintamos usados como fantoches do mau humor alheio, tendo que lidar com a frustração que deriva dos conflitos internos e externos destas pessoas.

É provável que devido a isso, sintamos que estas pessoas “não vivem nem deixam viver” e que, como consequência, estão freando o nosso desenvolvimento e o crescimento de uma relação que poderia ter sido saudável, mas que está sendo envenenada.

No entanto, pode ser que todo este mal-estar que estas pessoas geram não seja consciente, e que elas estejam afogando os demais sem pensar se o que fazem ou sentem é prejudicial ou não.

Isso ocorre porque eles mesmos estão submetidos a uma espiral que seus próprios problemas criaram, e por isso estão imersos e presos fortemente nesta corrente da qual só se consegue sair com muito esforço e concentração.

Aprenda a se afastar de certas pessoas

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Nem sempre podemos nos afastar fisicamente das pessoas que dificultam o nosso dia a dia, já que, por exemplo, podem ser familiares, companheiros de trabalho ou pessoas muito presentes no nosso entorno.
 
No entanto, estaremos de acordo no fato de que, apesar de às vezes desejarmos a distância física, o que realmente faz a diferença é a distância emocional.

Para isso devemos trabalhar para ter força suficiente para nos mantermos fora da sua capacidade de ação e evitar assim que nos influenciem com seus comportamentos e atitudes direcionados a nós. Mas, como podemos fazer isso?

Aproveite a vantagem que a antecipação lhe dá

Você sabe em que momentos e situações, provavelmente, surgirão as reações da pessoa em questão, por isso aproveite estas intenções e proteja-se com antecedência.

Cuidado com o crédito que você dá aos demais

Não dê crédito a comentários que são apenas mal-intencionados e que você sabe que não acrescentam nada. Para este ponto gostaríamos de compartilhar um tradicional ensinamento que nos oferece a possibilidade de filtrar os comentários alheiros e os nossos próprios:

“O jovem discípulo de um filósofo sábio chega em casa e diz:

– Mestre, um amigo ficou falando de você com malevolência…

– Espere! – lhe interrompe o filósofo – Você passou o que vai me contar pelos três filtros?

– Os três filtros? – perguntou seu discípulo.

– Sim. O primeiro é a verdade. Você está certo de que o que você quer me dizer é absolutamente verdadeiro?

– Não. Eu apenas ouvi alguns vizinhos comentando.

– Então pelo menos vai passar pelo segundo filtro, que é a bondade. Isso que você quer me dizer, é bom para alguém?

– Não. Na realidade não, muito pelo contrário…

– O último filtro é a necessidade. É necessário que eu saiba isso que você tanto quer me contar?

– Para dizer a verdade, não.

– Então, disse o sábio sorrindo – se não for verdade, não é bom, e nem necessário, deixemos que morra somente no ouvido”.

Controle as suas expectativas

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Às vezes esperamos tanto dos demais que somos incapazes de aceitar a realidade como ela é. Neste sentido devemos nos permitir “desconhecer” todas aquelas pessoas das quais esperamos muito, mas que somente nos decepcionam constantemente.

Isso também permitirá que reavaliemos nossas expectativas em relação aos demais, as quais podem ser muito exigentes, muito parciais, e inclusive estar contaminadas por um grande mal-estar.

Uma vez que você conseguir filtrar as más ações, poderá centrar a sua atenção nas suas oportunidades de crescimento e deixará de minar as suas forças como consequência da toxicidade do ambiente.

Mantenha a perspectiva para conseguir a indiferença

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Quando você começar a sentir que saiu da montanha russa emocional na qual estava presa, conseguirá separar as suas preocupações das que foram transmitidas por esta pessoa ou este entorno do qual você está tentando se desligar.

Então você se libertará das inseguranças e das reações desproporcionais que seus conflitos provocaram em você. Uma vez cumprido este ponto na sua mente, você se esclarecerá e estará disposta a expor seus sentimentos, medos e pensamentos.

Este esforço terá um resultado muito rápido assim que nos conscientizarmos da necessidade de nos afastarmos de certas pessoas. A vida é tão curta que não vale a pena nos submetermos a angústias desnecessárias.

Por isso, ame as pessoas que lhe fazem bem e mantenha distância daquelas que fazem exatamente o contrário.

Fonte: Melhor Com Saude

9 Sinais de que você se desconectou de si mesmo.

9 Sinais de que você se desconectou de si mesmo.

Por Gustavo Tanaka

Eu fiquei vários dias sem escrever. No começo eu achei que fosse apenas uns dias de falta de criatividade. Mas depois essa falta de criatividade começou a me incomodar. Não passava. Eu tinha vontade de escrever, mas não estava conseguindo ordenar minhas ideias. Aí eu vi que era um pouco mais sério.

Eu comecei a reler coisas que tinha escrito. Vi que nem me lembrava mais dessas palavras que saíram de dentro de mim. Então eu entendi. Eu havia me desconectado de mim mesmo. Aí eu comecei a olhar para trás e observar como haviam sido meus dias anteriores. Era óbvio. Eu havia me desconectado de mim mesmo e tinha vários sinais que eu poderia ter pescado.

9 Sinais de que você se desconectou de si mesmo
Compartilho aqui alguns desses sinais que mostram que você se desconectou de si mesmo.

1- Você oscila muito o humor

Eu mesclo momentos de muita euforia e de sentimentos de amor e pensamentos elevados, com momentos de dor, sofrimento e pensamentos negativos.

É como se eu perdesse um pouco o controle sobre aquela paz que vem nos momentos em que estou conectado e ela se dissipasse com facilidade. Quando eu me desconecto, o ambiente externo me influencia muito mais.

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2- Você lembra menos dos sonhos

Pra mim esse é um dos indicadores mais óbvios. Quando fico algumas noites sem lembrar dos meus sonhos, sei que estou menos conectado. Quanto mais conectado comigo mesmo eu estou, mais clareza eu tenho dos sonhos quando acordo e mais vezes tenho sonhos lúcidos.

Os sonhos não estão aí por acaso. Eles podem ser a chave para você se lembrar do que precisa fazer e a chave para inspiração para mudar sua vida. Dê mais atenção aos sonhos. Tente se lembrar sempre do que sonhou. Anote os sonhos pela manhã. Perceba como eles são influenciados pelas rotinas que você está levando.

3- Você tem dificuldade para meditar

Quando eu to bem, é muito fácil meditar. Quando estou em paz e completamente conectado, eu tenho vontade de meditar por vários minutos e várias vezes ao dia. Mas é justamente quando temos mais dificuldade de meditar que mais precisamos.

Dizem que Gandhi em um sua viagem de peregrinação pela libertação da Índia meditava quando foi interrompido por um de seus assessores. “Gandhi, precisamos ir. Temos muitos compromissos” E Gandhi respondeu: “Eu preciso de uma hora para meditar”

“Impossível, não temos uma hora para você meditar” “Ok, agora eu preciso de duas horas para meditar” Quando a gente menos medita é quando mais precisamos meditar. Se você está com dificuldade para meditar, talvez precise dar mais atenção a isso. Esse é um bom termômetro para saber quão desconectado você está.

4- Você fica acelerado

Estar acelerado é estar desconectado do momento presente. Eu me acelero quando entro num ritmo de muitos pensamentos ao mesmo tempo. E eu me acelero quando acredito na falsa noção de que estou atrasado e que as coisas têm que acontecer mais rápido e que não vai dar tempo de fazer tudo o que quero, e que vou perder oportunidades, e que não posso parar e que não vou dar conta, e que tudo vai dar errado….ahhhh Às vezes é legal acelerar.

É bom entrar num ritmo de produtividade e fluxo de ideias. Mas não viver acelerado. Não todos os dias. Isso traz ansiedade. Ansiedade é falta de presença.

5- Você se desentende mais com as pessoas

Quando eu me desconecto, eu pareço entender menos as pessoas. A comunicação fica menos clara. Eu sinto que perco um pouco do poder de empatia. De entender qual é a necessidade da pessoa naquele momento. Os seres humanos são muito complexos.

Por trás das máscaras que usam e por trás de comportamentos automáticos de auto defesa, existem pessoas que sofrem e precisam de cuidado. É impossível entender o que uma pessoa precisa sem estar conectado. Quando você está conectado consigo mesmo, é como se conseguisse capturar melhor o que o outro precisa.

Como se a alma dele falasse com a sua. Sem necessidade de verbalização. Sem a pessoa precisar dizer. Você simplesmente sabe. E quando você está desconectado, essa conexão não se estabelece. E o que acontece é que você supões coisas, supõe o que acha que está acontecendo com o outro e não se conecta.

Você age com base em suposições e aí acaba se desentendendo. Quanto mais você está se desentendendo com as pessoas, menos conectado você deve estar.

6- Você percebe menos os sinais do universo

O universo está o tempo inteiro dando sinais, nos direcionando. Dizendo para onde devemos ir. Querendo nos colocar em situações que devemos vivenciar, nos conectando com pessoas, ou nos dando dicas de coisas que precisamos prestar atenção. E quando se está desconectado, esses sinais passam despercebidos.

Eles não acontecem de vez em quando. Acontecem o tempo todo. Em praticamente todas as interações. Basta observar com atenção, confiar nesses sinais e segui-los. Quanto mais você segue, mais eles acontecem. As sincronicidades são as ferramentas do universo para te mover em direção ao que precisa fazer.

Quantas sincronicidades você percebeu nos últimos dias?

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7- Sua intuição falha

Nossa intuição é o nosso principal guia. É o coração que deve nos ajudar nas escolhas e não a mente racional. A mente racional serve apenas para podermos realizar as coisas que o coração direcionou.

O problema é que quando estamos desconectados, a mente racional fica muito mais forte. Quanto mais alto fala a mente racional, mais difícil fica de escutar o coração. E aí a gente acha que está seguindo a intuição, mas na verdade está apenas seguindo a mente racional. Quanto mais conectado você está, mais clara é a diferença entra as duas vozes.

Fica muito fácil saber quando é intuição. E aí a intuição não falha. E quando a intuição está afiada, a vida fica muito legal. É como se você tivesse superpoderes. Superpoderes para adivinhar a resposta certa, para tomar decisões corretamente, para antecipar o que está por vir, para capturar o que está flutuando na nuvem e trazer para o mundo real.

8- Sua saúde fica pior

Você tem vontade de se alimentar de coisas piores. De comer alimentos mais densos, de comidas gordurosas e muito açúcar. Você não tem vontade de fazer exercícios. Você dorme mal e dorme menos. Você tem menos disposição e parece ficar mais cansado.

Talvez esse seja o indicador mais óbvio, mas a gente não olha pra isso direito. Somente quando esses sinais começam a ficar extremamente evidentes é que a gente percebe. Somente quando o corpo começa a gritar. Quando ficamos doentes, quando a pele muda, quando os órgãos parecem não funcionar tão bem.

9- A vida fica em desordem

Quando eu me desconecto, minhas rotinas ficam bagunçadas. Eu acumulo mensagens não lidas, emails não respondidos, correspondências sem abrir. Minhas finanças ficam em desordem e eu perco o controle das minhas contas.

Minha casa fica bagunçada e as vezes até minhas plantinhas sofrem porque eu esqueço de regar. Eu fico confuso, com muita informação na cabeça e pouca coisa sendo realizada. A vida precisa de ordem. Ordem traz clareza. E clareza faz a energia fluir mais livremente. Sem resistência e sem pontos de estanque. Energia parada é o não fluxo.

Esses são sinais que eu observei na minha vida e agora quero prestar mais atenção a eles. A vida está o tempo inteiro nos dando sinais. Nos dizendo se estamos no caminho certo ou se nos desviamos. Aí é só recalcular rota e voltar a se conectar. Quanto mais conectado, mais fácil tudo parece ficar.

Não precisa mudar tudo de uma vez. É uma coisa de cada vez. Um dia de cada vez. Faça seu dia de hoje ficar bom. Tente mudar um pouquinho dessas coisas que estão aqui. Comece a mudar pouco a pouco suas rotinas e logo você vai se sentir conectado novamente… mais rápido que você imagina.

Fonte: Você pode ser feliz

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“Tudo pelo meu filho” e como continuar após uma grande perda

“Tudo pelo meu filho” e como continuar após uma grande perda

Não faltam histórias de mulheres guerreiras que, pelos mais diversos motivos, criam seus filhos sozinhas. E, embora saibamos dessa realidade, a ilustração das mães como “únicas fontes de cuidado e amor” pode ofuscar a participação e o fundamental papel que os pais também têm na criação dos filhos.

O amor verdadeiro não tem sexo, papel hierárquico e nem mesmo precisa acontecer por um dos progenitores de uma criança.  O amor verdadeiro é aquele que é emocionalmente sempre presente, que se alimenta da alegria, mas que também cresce e aproxima ainda mais em momentos de dor. É por ele, e só por ele, que as pessoas são capazes de se transformar e se adaptar aos mais variados e até cruéis golpes do destino.

Assim aconteceu com Rodrigo Leite Segantini, um homem que antes se definia como advogado, mas que a vida tornou, mais do que tudo, “pai”.

Duas grandes e traumáticas dificuldades que envolveram a sobrevivência e a luta pela vida transformaram o Rodrigo: a primeira delas foi o nascimento de seu filho Arthur, que veio de uma gestação complicada e de um posterior parto prematuro e com sequelas que exigiram, na época, um período prolongado em UTI´s, cirurgias e muito cuidado até que Arthur estivesse plenamente bem e saudável para enfrentar a vida; a segunda, 3,5 anos depois, foi um acidente gravíssimo com sua esposa Adriana, e que a deixou em coma por meses. Durante o longo processo de coma, Arthur começou a pedir pelo pai.

Arthur reclamou que sentia saudades de mim – e eu entendi que ele estava me dizendo que estava compreensivelmente sem a mãe e inexplicavelmente sem o pai.

Qualquer pessoa que já passou por uma situação de grave doença e perdas significativas na família sabe como absolutamente tudo muda: mudam as prioridades, muda a rotina, muda a relação com outras pessoas que estão em volta e, o mais forte de tudo, mudam internamente os envolvidos.

Readequei toda a minha vida para ficar com meu filho. Fiz graves e severas mudanças em minha rotina de trabalho e no meu convívio social para poder me dedicar ao Arthur e dar a ele toda a cobertura que ele reivindicou e que precisava enquanto esperávamos pela recuperação da Adriana. Até que a Dri partiu, em julho de 2014.

Por mais próximos que estejam os amigos e outros familiares, nem tudo pode ser sanado por eles e apenas o tempo pode dizer como todos esses sentimentos e vivências serão reorganizados.

contioutra.com - "Tudo pelo meu filho" e como continuar após uma grande perdaRodrigo, ao lado de Arthur, aprendeu a duras penas o significado do que é adaptação.  Ambos enfrentaram a luta pela vida, foram parceiros no luto por perder a presença de alguém amado ainda em vida por causa do coma e, depois com a morte concreta, ambos tiveram que descobrir maneiras de se unir para enfrentar a dor e criar novas maneiras de continuar.

Desde então, eu e o Arthur seguimos sozinhos. Embora seja difícil, não precisa ser triste. Pontuamos nossas vidas com muitas brincadeiras e traquinagens para que a alegria seja polvilhada em cada momento nosso. Inesperadamente, passamos a ser vistos como exemplos, as pessoas se surpreendiam porque, apesar de tudo o que passamos, conseguíamos seguir adiante. Palavras como superação, resiliência, auto-eficiência passaram a ser muito associadas a mim e ao Arthur.

Se para seguirmos precisamos sempre encontrar um sentido, foi o amor que fez com que Rodrigo continuasse.  Certamente esse mesmo amor canalizado pra a construção do futuro de uma criança gerou força motriz para que ele acordasse, dia após dia, e seguisse.

Quando o destino os abraçou para um novo voo em que partilharam suas asas tão feridas, isso os uniu de forma ímpar. Talvez seja essa união pela sobrevivência, quase simbiótica, algo similar a que acontece no começo da vida, período de total dependência de um dos seres em relação ao outro. Aquela fase em que o bebê nem sabe que existe ele e a mãe, pois entende o corpo da mãe como um prolongamento de si mesmo. O tempo, mestre dos mestres, mostra outros caminhos e com certeza vem trazendo novas maneiras de viver com todos voando com suas próprias asas.

Hoje, Rodrigo assumiu com todas as suas forças o papel de super pai e esconde sob a capa os buracos de sua humanidade que ainda luta para administrar frente a tantas mudanças e perdas. É um verdadeiro herói para o filho que fala dele com brilho nos olhos. Aos poucos, certamente, Rodrigo também saberá a hora de revelar suas fragilidades e carências, o que certamente os unirá ainda mais.

contioutra.com - "Tudo pelo meu filho" e como continuar após uma grande perda

Quando estive no hospital, seja por causa do Arthur, seja por causa da Adriana, tudo o que eu queria era ter alguém com quem conversar, para contar o que eu estava sentindo, que pudesse me dizer que sabia que tudo aquilo iria passar. Várias pessoas apareceram em meu caminho com este propósito e algumas até me ajudaram. Mas, no final, eu estava sempre sozinho. Minha proposta é não deixar ninguém sozinho, é estar sempre à disposição para conversar, para trocar ideias e ajudar.

Mas, o que importa, é que hoje eles podem voar juntos não mais porque são vitimas de perdas e sofrimento e sim porque seu voo é calmo e feliz.

Hoje, o Arthur está ótimo! Vivemos grandes aventuras juntos!

contioutra.com - "Tudo pelo meu filho" e como continuar após uma grande perda

Conheçam a página do Rodrigo e do Arthur no Facebook “Tudo pelo meu filho”, curtam, compartilhem seu conteúdo e comentem. Todos estão convidados a seguir essa jornada de amor e superação num espaço onde ninguém precisa ficar sozinho.

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