Ter um filho é a melhor maneira de fazer o amor durar para sempre.

Ter um filho é a melhor maneira de fazer o amor durar para sempre.

Um dia eu conheci uma moça que era tudo o que eu queria da vida. Mudei de cidade, deixei amigos, larguei o que tinha. Virei minhas certezas de cabeça para baixo e me casei com ela. Naquele tempo eu não fazia ideia, mas hoje eu sei que foi a escolha mais certa entre todas as que fiz e ainda vou fazer.

Não posso reclamar. Nunca fui à Disneylândia, não virei ginasta olímpico, mal sei dar uma estrela, não fiz fortuna. Mas eu conheci a felicidade conjugal. Conheci de perto.

Sim, eu fui um sujeito feliz no casamento. Os descaminhos, as aporrinhações e desconfortos de quem decide encarar uma vida a dois não me fizeram nem cócegas. Adorei ter me casado e recomendo a quem quiser aprender sobre si mesmo, sobre o outro, sobre a vida e essas coisas que se revelam sem mais, nas terças-feiras sem graça, nos domingos de tarde, nos dias de festa e nas noites de gripe, no medo e no êxtase, em hotéis e hospitais, na delícia e na dor, nos instantes de eternidade e na truculência do tempo que passa e não volta. Na vida honesta de um dia depois do outro, eu fui muito feliz no casamento.

Nosso filho João nasceu e cresceu em meio a uma bruta felicidade. A vida era um festejo, uma alegria mansa, um contentamento firme. Ele também conheceu a alegria conjugal na companhia de seus pais.

Depois, como tanto acontece a tanta gente, o casamento foi se cumprindo, se completando, se findando. E acabou. Primeiro eu aceitei, adulto, resoluto. Depois desmoronei. Caí no choro, esbravejei, sofri. E no meio do meu egoísmo, do meu orgulho ferido, não tive o menor respeito por um amor que havia sido grande, enorme, escandaloso. Fui pequeno, rasteiro, vingativo. Um verdadeiro pateta.

Foi difícil. Egoísta como um bebê que berra pela mãe no berço, fiquei magoado e resolvi magoar todo mundo. Joguei merda no ventilador, disse o que não devia, envolvi no meu drama pessoal a família dela inteira, a família que também era a minha. Resolvi sair da vida deles com tudo, com pompa, batendo a porta.

Foi triste. Todo mundo se machucou. Exceto o nosso filho. Nisso, ao menos, ela e eu fomos implacáveis. Nosso menino jamais presenciou, ouviu, assistiu ou teve notícias de qualquer conversa difícil entre os pais. Quando se fez certo o fim, eu aluguei um apartamento e fomos os três, juntos, conhecer “a nova casa do papai”.

Ele entendeu direitinho que dali em diante teria dois quartos, duas camas, dois caminhos de casa e o principal: duas pessoas diferentes que o amariam igual. Para sempre.

Entre todos os nossos enganos no casamento, ter um filho foi o nosso maior acerto. É certo. Foi o nosso jeito de fazer aquele amor grandioso durar para além de tudo. Atravessar o tempo. Crescer vigoroso sob a forma de um menino lindo, forte, bom.

Demorei a me dar conta de que a mãe do meu filho é alguém a quem eu devo amor incondicional para todo o sempre. Levei tempo para aceitar que desejo a ela toda a felicidade que há no mundo. Tanto quanto quero a felicidade do nosso filho.

Dia desses, vivi pela primeira vez uma situação inconcebível poucos anos atrás. Fui buscar o João e o Bob, nosso cachorro, na casa da mãe para o fim de semana. Eles estavam atrasados e ela me pediu para entrar. Eu entrei e lá estava, na sala e no sofá que haviam sido meus, o marido da mãe do meu filho. Um sujeito bom à beça, Graças a Deus. Enquanto o João terminava de se aprontar, sentei e conversamos os três. O casal e eu. Juro: eu senti felicidade. Fiquei feliz por eles, pelo João. Por mim.

Sei aqui comigo, e acho que ela sabe também, que o amor da gente vingou, cresceu, abraçou outras pessoas, deu certo. E fez o mundo melhor. Esse mundo louco e fascinante por onde o nosso menino há de caminhar feliz e amado. Para sempre.

Esses incríveis relacionamentos que duram para sempre

Esses incríveis relacionamentos que duram para sempre

Em tempo de amores instantâneos, solúveis e descompromissados, pode até parecer inadequado ou fora de contexto pensar ou sonhar com uma história que dure para sempre. Afinal, para sempre é tempo demais, não é? E, para ser bastante honesta, cá entre nós… amores-perfeitos são só mesmo aquelas florzinhas graciosas e coloridas que brotam por aí, e olhe que elas nem duram tanto assim.

Mesmo assim, ouso propor aqui uma rebelião. Um levante coletivo em favor dos relacionamentos que esperam da gente um tanto de compromisso, outro tanto de esperança, mais um punhado de dedicação, uma pitada de ousadia e muita, muita disposição para ver além do óbvio, sentir além do modelo formatado e viver uma história que não seja confinada às redes tão traiçoeiras das expectativas.

O amor romântico é um dilema. Nenhum de nós nunca estará pronto, preparado ou concluído para vivê-lo, sem ganhar em seu percurso alguns arranhões, marcas e até profundas cicatrizes. Amar é uma aventura para dentro de nós que explode a gente para fora, em todas as direções, uma viagem cujo destino ignoramos. Uma viagem, cuja paisagem perde importância diante da maravilhosa experiência que é essa indescritível sensação de sentir-se diluído, absorvido, misturado com outro alguém.

Sendo assim, em nome de uma coisa que nos arranque do frio dos dias sem cor, que venham os amores, entre amigos, entre pares, entre irmãos, entre toda a gente. Que o sentimento seja mais importante do que os motivos que o justifiquem. Que a gente perca essa mania de ficar idealizando tanto tudo, a todo momento, a ponto de não ser mais capaz de achar graça numa tarde à toa passada nos braços de alguém. A ponto de perdermos a capacidade de rir até que os olhos lacrimejem. A ponto de não ser mais possível perder o juízo e pôr a razão para dormir por uns minutos, horas ou anos.

Para sempre é só uma definição tola que inventamos para colar uma etiqueta nas coisas que, por nosso decreto e determinação, não podem ter fim. Que tolice! Os fins são maravilhosos! O nascimento de um filho é o fim da gestação! O pôr-do-sol é o fim do dia! O gozo é o fim de uma dança de corpos, e bocas e línguas absortas unicamente no prazer!
Durar para sempre não quer dizer, absolutamente, que seremos perpetuados naquele instante em que o amor nasceu. A gente se transforma em outra gente, a cada dor, a cada alegria, a cada agonia, a cada mínimo segundo de vida acolhida, sorvida e assimilada. Os amores também se transformam. E nessa transformação, a gente vai descobrindo outras possibilidades de sentir, a dimensão do tempo perde completamente a importância.

E, desde que esse amor tenha sido vivido com todos os pequenos e grandes sustos e acomodações da nossa alma, uma hora pode ser para sempre, um dia pode ser para sempre, muitos anos podem ser para sempre, além da vida pode ser para sempre. Porque um amor vivido, ainda que termine, vai viver para sempre dentro da gente!

40 ilustrações críticas que mostram duras verdades do mundo moderno

40 ilustrações críticas que mostram duras verdades do mundo moderno

Marco Melgrati é um ilustrador nascido em Milão. Desde 2008, ele trabalha como freelancer em algumas revistas culturais dos Estados Unidos, Itália e México. Sua frente de trabalho é a mídia digital, mas ele também atua em mídia tradicional e impressa.

O talento refinado e a arte impactante de Melgrati vêm chamando a atenção das pessoas que gostam de ilustrações críticas sobre aspectos sociais relevantes, como a dependência tecnológica, a ganância por poder, a infelicidade no trabalho, guerra e confrontos separatistas e religiosos.

Os desenhos de Melgrati promovem perspectivas poderosas e fazem as pessoas refletirem, com efeito, sobre algumas verdades inconvenientes dos tempos atuais.

Melgrati define seu trabalho como “uma triste verdade sobre a vida moderna”. O objetivo do artista não é deprimir as pessoas, mas conscientizá-las sobre as perfídias do mundo. Melgrati mostra o que, para ele, é um estado lamentável da humanidade nos dias de hoje.

O fenômeno da globalização, a onda de individualismo e a massiva alienação digital são alguns dos problemas referenciados pelo artista.

Alguns dizem que o mundo atual é mais humano do que foi há centenas ou milhares de anos, mas isso não impede as pessoas de sofrer.

Melgrati expõe as problemáticas da vida moderna, combinando, com muita categoria, técnicas de desenho tradicionais com as digitais. Suas ilustrações podem ser comparadas com as de Pawel Kuczynski, Steve Cutts e John Holcroft, que também criticam o lado sombrio da sociedade com inteligência e senso de humor.

Estas observações da vida moderna fazem as pessoas se lembrarem das coisas importantes da vida, mesmo quando ela parece terrível. Os títulos das ilustrações foram criados pelo próprio artista, e ajudam a clarificar as temáticas. Confira:

1. Narcisismo nas redes sociais

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2. Você resolve problemas usando instinto ou lógica?

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3. Use isso melhor

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4. A morte da privacidade

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5. Ame seus inimigos

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6. É hora de deixar o seu emprego

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7. Seja quem você quer ser

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8. O que acontece com a América?

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9. Carma

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10. Política e poder financeiro

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11. Feito por si

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12. Vaidade

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13. Através do amor

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14. Líderes de opinião e influenciadores

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15. Aprender a esquecer

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16. Poderia ser amor

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17. Universo subaquático

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18. A linguagem da nova mídia

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19. Desmatamento: os custos humanos

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20. A guerra está mais próxima do que você pensa

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21. Você não precisa de um milagre para mudar de emprego

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22. Preste atenção!

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23. Um vício fatal: guerra em nome de Deus

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24. Do comunismo ao capitalismo

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25. Verificação da realidade: os perigos do otimismo

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26. A linha tênue entre vida e arte

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27. Teoria de 2012: o fim do mundo

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28. O original é sempre melhor

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29. Quem apoia quem na Síria?

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30. Chefe de indústria

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31. Vício em celular

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32. Formas de lidar com um relacionamento complicado

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33. Festa pesada

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34. Enfrente seus medos

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35. Estranho amor

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36. S.O.S

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37. Mantenha as crianças fora da detenção

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38. A América pode parar a Rússia?

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39. Dança da morte

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40. A morte de um vendedor

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Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma.

Ela ama pessoas acima de intenções, vê sem o filtro dos deuses, abriu a caixa de pandora, liberou os pecados e percebeu que nenhum ser humano é herói ou vilão.

Ela vive na passagem, desfez os nós das posses e ainda acredita no brilho dos olhares.

Não sonha mais com pessoas, não acredita na salvação por outras mãos, sonha com um mundo mais consciente. Quer ser respeitada em suas escolhas, inclusive na de ser solta e espontânea num país que não escuta e respeita o jeito de ser de uma versão pós moderna de mulher, pós uma era, pós conceitos que já não vingam no peito dela.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma. Mulher de lutas, mesmo silenciosas, conta com as próprias mãos e tantas vezes caminha sozinha por não encontrar parceiros de desideologia.

Ela é uma ave de rapina em terras de rinocerontes, traz notícias de outros mundos em suas asas, espalha suas visões do além nos olhares acostumados.

Ela cansa, mas segue sendo presa das próprias experiências. Se usa para entender um mundo sem entendimentos, segue nua, despida de mitos em terras de zumbis agarrados à valores cegos. Acha que o mundo está intoxicado de excesso de sentidos, flerta com a possibilidade de viver sem eles.

Ela é uma criança desarmada sobrevivendo e perambulando num campo de guerras. Distribui gotas de simplicidade nos olhares viciados.

Ela é uma mulher do século XXI, ainda humana, descrente, sobrevivente, desmistificando-se mas ainda despertando mitos nos olhares, paciente com o caos de um mundo que ainda não aceitou a própria morte e justo por isso ainda não renasceu.

Autoconhecimento e estilo – o que eles têm em comum?

Autoconhecimento e estilo – o que eles têm em comum?

Tem muita gente por aí buscando dicas, sugestões, guias e muitas vezes até mesmo “regras” que teoricamente precisamos seguir para entrar em padrões, ou para passar uma imagem pela qual esperamos ser reconhecidos. Você também já fez isso, não? Quando se trata de moda e vestuário, essa tendência fica ainda mais evidente: qual tipo de roupa faz com que eu pareça mais fina, clássica, estilosa, elegante?

A ideia de que a maneira como nos vestimos diz muito sobre nossa personalidade é um fato. Porém, isso não significa que se nos vestirmos como uma estrela de rock, ou como uma hipponga que acabou de sair de Woodstock, vamos realmente transmitir essa imagem para outras pessoas – se não for genuíno, nosso look pode causar estranheza ou mesmo carregar um ar de falta de autenticidade. Isso ocorre porque o processo orgânico e natural é o inverso: na realidade, é nosso interior que tem a capacidade de se  exteriorizar, e o fazemos por meio das nossas expressões psicológicas – nosso humor, nossas crenças, nosso comportamento-, e também pelas expressões físicas e tangíveis – a roupa que vestimos, as músicas que escutamos, o corte de cabelo pelo qual optamos e até mesmo os lugares que frequentamos.

Aonde queremos chegar? Quanto mais nos autoconhecemos, entendemos quem somos, o que nos move, quais são nossas prioridades, medos, alegrias e objetivos, mais conseguimos nos expressar com autenticidade e legitimidade em relação ao nosso verdadeiro eu. E quando nos expressamos de maneira fidedigna ao nosso eu, é natural que desenvolvamos muito mais segurança e conforto nas nossas ações e expressões. Isso quer dizer que toda nossa postura em relação à vida também se altera.

Retornando à ponte que liga personalidade a moda e elegância, nosso nível de conhecimento pessoal é relativo ao que transmitimos. Pra ficar mais claro, aqui vai um exemplo: salto alto é elegante, correto? É o que dizem por aí. Mas imagine as duas situações a seguir. Na primeira, uma mulher vai para uma reunião vestindo um terninho de malha, uma cachecol, uma calça folgada e uma sapatilha; ela precisa se vestir de maneira relativamente formal mas não se sente confortável com o clássico formal, então adaptou o terninho para seu estilo próprio. Na segunda situação ela veste saia lápis, blusa de seda e salto alto; porém, o forte dela não é se equilibrar no salto e ela não se sente bem com aquela saia justa e apertada. Visualize e reflita: com qual look você acha que ela consegue ter mais elegância?

Ser elegante é ter auto estima e confiança para expressar quem você realmente é. É alinhar alma, mente e corpo de modo que todos falem a mesma língua. É acreditar que qualquer reação e transformação acontece primeiro dentro de você. É se conectar com seu interior e permitir que ele se expresse no mundo de fora. Existe uma mensagem budista, doutrina que se concentra pela Ásia e expande para cada vez mais países, que diz “conquistar a si mesmo é uma tarefa maior do que conquistar os outros.” Quando você se conquista e se entende, daí fica fácil mostrar pro mundo quem você é, fica fácil ser elegante não só na sua roupa, mas na sua postura para lidar com a vida e com outras pessoas.

Também da Ásia vem um estilo de roupa que tem se disseminado pelo mundo todo e que tem sido ampliado no Brasil por meio da Calça Thai, a primeira loja online a vender calças tailandesas no Brasil. A Calça Thai acredita na liberdade de expressar seu estilo e atitude com a confiança para ser realmente você. Seu modelo de negócio segue o comércio justo, construindo uma empresa consciente, que utiliza produtos naturais como matéria prima e se preocupa com todos os aspectos da sua cadeia de produção.

”Através da leveza e das cores das nossas calças, todas feitas à mão com tecidos finos selecionados, queremos representar muito mais do que uma peça nova no seu guarda-roupa. O que buscamos mesmo é trazer um novo conceito de estilo de vida, possibilitando todo o movimento que os seus dias exigem, construindo uma jornada leve e responsável e trazendo um novo olhar à indústria da moda.”

Esse texto foi escrito pela equipe da CalcaThai.com que espera que você seja cada vez mais elegante, cada vez mais confortável com seu interior e exterior e cada vez mais você J

A gente se distrai das pessoas

A gente se distrai das pessoas

Se eu pudesse dar um conselho hoje, eu apenas diria: aproveita! Porque a gente se distrai mesmo das pessoas que já foram o centro do nosso coração errante. A gente se distrai delas, seja através do estranhamento calcado diariamente, por decepção violenta, seja porque naturalmente é da gente um dia também se distrair da dor.

A gente se distrai tomando a triste ciência de que tem gente que abusa do afeto. Eu entendo: há gente que aprendeu que as relações são assim, amensalistas, um dando-se para o tomar constante do outro. Há gente que cresceu em lares pouco afetuosos, há gente que foi endurecendo-se pela crueza da vida.

Há gente que foi ficando assim sem perceber, mas a partir do momento que eu percebo, cabe a mim escolher: permanecer ou não nesse tipo de laço, como aquele que sempre perde um pouco mais, como aquele que perdoa mais uma vez a falta de cuidado, como aquele que sempre é sugado para o caos alheio, envolvido por laços que mais parecem embaraços constantes. Eu não posso ser mais essa pessoa para ninguém. Foge-me o tempo, urge-me a pressa de relações mais verdadeiras, de pessoas mais verdadeiras inclusive para si mesmas.

Triste ou naturalmente, a gente também se distrai de quem nessa vida só nos foi amor. Demora um tantinho mais, não vem vestido nas formas ácidas do amargor, mas acontece. A gente se distrai do estar à volta delas tomando um avião, um caminho diferente que só nossos pés compreendem. Então aproveita, ama no tempo da pureza, olha demoradamente enquanto a beleza ainda está lá para ser vista. Porque a vida distrai a gente das pessoas. Das que nos fazem bem e das que não fazem a menor diferença.

Para quem me é benção ou para quem só faz bem para si, eu só digo uma coisa: aproveita. Para a vida ou para a curva distraída que a finda, nós um dia nos distrairemos um do outro. Uns guardo comigo como o bem que também me foram. Outros, apenas como pessoas que se vão entre uma distração e outra.

O amanhã é agora

O amanhã é agora

Lembro do tempo em que eu costumava investir todas minhas energias idealizando meu futuro. Eu começava o dia torcendo para que ele acabasse logo, só assim eu poderia descansar. Passava a semana esperando pelo domingo, só assim eu poderia dormir até mais tarde.

Passava o ano sonhando com as férias, só assim eu teria um tempo de qualidade em família. Felizmente, em agosto do ano passado, esse mecanismo foi interrompido. Infelizmente, isso aconteceu por meio de um tumor maligno que se alojou na minha língua.

O câncer me fez encarar a possibilidade de morrer antes do esperado. A doença, simplesmente, passou uma borracha em meu futuro. Apagou, sem dó nem piedade, tudo aquilo que nem teve a oportunidade de acontecer. E foi só quando me vi assim, desprovida de futuro, que aprendi a viver.

Hoje, vejo que o futuro é feito de muitos “agoras”. É feito de vários “momentos presentes”. O amanhã é uma coleção de “hojes”. Se não for encarado assim, o futuro se torna um lugar muito distante. Passamos a vida planejando o futuro enquanto a riqueza do presente nos escorre pelos dedos.

Condicionamos nossa felicidade a conquistas que ainda não aconteceram enquanto esquecemos de demonstrar gratidão diária pelo que já é nosso. Estamos tão habituados a querer sempre mais que raramente paramos para apreciar o que já está a nossa volta.

Precisamos planejar, sonhar, visualizar o futuro, sim. Isso nos move, renova nossas forças, nos faz ter objetivos. Mas tudo o que for desejado para daqui a algum tempo deve estar aliado ao que é desejado hoje. Objetivos a curto prazo são igualmente importantes.

Planejar o dia de hoje é tão necessário quanto planejar o resto da vida. Pensar em maneiras de aproveitar o presente é um atalho para um futuro brilhante. Até porque o futuro é apenas uma hipótese, uma mera possibilidade. As únicas certezas que temos moram no passado e neste exato momento. Todo o resto é mistério.

O amanhã não existe sem o hoje, mas o hoje existe sem o amanhã. É aí que mora o segredo. É só através do agora que chegaremos ao depois. Só através deste exato momento, chegaremos ao próximo. A consciência do valor de cada etapa nos encaminha para uma vida mais tranquila.

Se conseguirmos saborear o que nos é oferecido nessas vinte e quatro horas, certamente as próximas vinte e quatro virão com algo a mais. Encarando a vida assim, como um conjunto de dias a serem aproveitados em sua essência, a ansiedade da espera por um futuro melhor dá lugar à certeza de que o melhor é o que temos para hoje.

E, assim, se algo der errado, se o tal futuro não chegar, nada terá sido em vão. Cada dia terá sido precioso e valioso a ponto de ter feito a vida valer a pena.

Afinal, a vida é esse amontoado de dias que vai passando sem que a gente perceba. O futuro é esse monte de momentos desperdiçados pela rotina. O amanhã é essa porção de “hojes” jogados fora. O amanhã é agora! O futuro é hoje! A vida é já!

Quando a criança que fomos vem salvar o adulto que estamos tentando ser

Quando a criança que fomos vem salvar o adulto que estamos tentando ser

Eu já fui uma menininha muito medrosa. Tive medo do escuro, da autoridade dos adultos, de pessoas agressivas, de não ser amada, de errar.

Passei grande parte da minha vida de criança acreditando que precisava ser perfeita, que não podia reclamar e, mais do que tudo, que não tinha o direito de ter medo. Alimentava a fantasia de que um dia todo esse medo se transformaria em força, e que a angústia da falta de coragem se transformaria apenas em uma lembrança incômoda. E essa transformação aconteceria assim. Pluft! Como num passe de mágica! Não foi assim.

Cresci frágil, muito frágil aos olhos do mundo. Mas, dentro do meu peito foi crescendo uma outra versão de mim mesma. Uma menina destemida, atrevida, curiosa, atirada e forte foi se desenhando. Um desenho complementar afetivo, constituído por duas meninas numa só. Essa outra, de dentro do meu peito, deu a mão para a menininha frágil e precisou muito dela para não se perder.

Um dia, nós duas fomos visitadas por uma ameaça real. Não era mais um medo infantil, temido pela medrosa, nem mais uma das tantas batalhas ideais tão ansiadas pela corajosa.

Era um turbilhão de pequenos sustos que foram se tornando maiores e mais próximos e mais reais, sensações e acontecimentos a invadir o corpo físico e psíquico, minando a força dominando a alma, minando a fé na própria força e nas belezas da vida.

Nós duas ficamos muito, muito assustadas com tudo isso! Então, aconteceu algo realmente extraordinário. A menininha medrosa encheu o peito de ar, a cabeça de sonhos, as mãos de alegria e disse para a corajosa “Vem, eu vou te ajudar!”

Coisa mais estranha e linda essa. A lógica dos adultos é frágil diante da dor física e do sofrimento psíquico. A alma de criança não as reconhece como ameaça, não as aceita, não as deixa ficar.

E foi assim, desse jeito meio torto e bem bonito que as minhas partes de mim se uniram para me salvar.

E foram tantas experiências avassaladoras e espantosas, surpreendentes e amorosas, inacreditáveis e preciosas. Nós duas, juntas, somos quase, quase imbatíveis.

E depois desse encontro e de tantas batalhas vencidas, nós nos deitaremos na areia, na beira de um mar muito distante e verde azulado, e poderemos chorar e rir, a cura, a vitória, a passagem pelos vales escuros e a chegada aos cumes iluminados. Porque é disso que é feita a vida, do encontro da criança que fomos com o adulto que estamos tentando ser.

E caminharemos sempre de mãos dadas debaixo das estrelas. Porque tudo isso já estava decidido! Já estava escrito. Já era, muito antes de ser! Eu sou um milagre! Todos nós somos!

E acredite, isso não é pouca coisa!

Ela é uma mulher em transição

Ela é uma mulher em transição

Ela não ama mais como antigamente, com o brilho do romantismo ofuscando a submissão, mas ela também não ama ainda de um jeito novo, está numa fase de transição.

Ela ama pessoas acima de intenções, vê sem o filtro dos deuses, abriu a caixa de pandora, liberou os pecados e percebeu que nenhum ser humano é herói ou vilão.

Ela vive na passagem, desfez os nós das posses e ainda acredita no brilho dos olhares.

Não sonha mais com pessoas, não acredita na salvação por outras mãos, sonha com um mundo mais consciente. Quer ser respeitada em suas escolhas, inclusive na de ser solta e espontânea num país que não escuta e respeita o jeito de ser de uma versão pós moderna de mulher, pós uma era, pós conceitos que já não vingam no peito dela.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma. Mulher de lutas, mesmo silenciosas, conta com as próprias mãos e tantas vezes caminha sozinha por não encontrar parceiros de desideologia.

Ela é uma ave de rapina em terras de rinocerontes, traz notícias de outros mundos em suas asas, espalha suas visões do além nos olhares acostumados.

Ela cansa, mas segue sendo presa das próprias experiências. Se usa para entender um mundo sem entendimentos, segue nua, despida de mitos em terras de zumbis agarrados à valores cegos. Acha que o mundo está intoxicado de excesso de sentidos, flerta com a possibilidade de viver sem eles.

Ela é uma criança desarmada sobrevivendo e perambulando num campo de guerras. Distribui gotas de simplicidade nos olhares viciados.

Ela é uma mulher do século XXI, ainda humana, descrente, sobrevivente, desmistificando-se mas ainda despertando mitos nos olhares, paciente com o caos de um mundo que ainda não aceitou a própria morte e justo por isso ainda não renasceu.

Fabrício Carpinejar: ‘A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando’.

Fabrício Carpinejar: ‘A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando’.
Fotografia: Rodrigo Rocha

Foram algumas tentativas até conseguir me encontrar com ele. Telefonemas, e-mails e uma dose de perseverança. Culpa da agenda sempre lotada com compromissos que variam entre gravações, palestras e lançamentos. Depois de uma verdadeira maratona de trabalho, finalmente conseguimos marcar um almoço num restaurante mexicano em São Paulo, em plena segunda-feira. Uma pequena pausa antes de pegar o voo de volta à Porto Alegre, depois de inúmeros e incansáveis compromissos profissionais. Foi nesse clima de decatlo que o poeta, apresentador, cronista e provocador sentimental Fabrício Carpinejar (43 anos) concedeu entrevista exclusiva à CONTI outra.

Quando cheguei, ele e sua esposa, a advogada mineira Beatriz Reys, já me esperavam. Não foi difícil acha-los, já que eram as únicas pessoas no local. Alguns minutos depois, eram quatro os sotaques à mesa. O mineiro de Beatriz; o gaúcho de Fabrício; o meu, que é uma mistura de nada com coisa nenhuma; e o pernambucano de Duda, amiga do casal que chegou pouco depois. Enquanto minha pessoa física bebia algumas cervejas e aproveitava o tempo entre amigos, a jurídica tentava prestar atenção nos detalhes e procurava não perder pontos importantes da conversa informal. Todo repórter é meio esquizofrênico em ocasiões como essa.

Bia e Fabrício estão passando pelo turbilhão do casamento recém firmado. Muitos compromissos, planos de viagens e as angústias que envolvem todo relacionamento. “Não tem relacionamento sem angústia. Porque esperança já é uma angústia, só que a esperança é uma angústia feliz”, explica Carpinejar.

Os dois vivem uma vida conjugal bem madura, onde medos e apreensões são expostos sem cerimônias, bem como desconfortos referentes à vida a dois. Ao que parece, o segredo deles é o contraste. “O amor é oposição criativa, é adversidade bem-humorada. A gente acaba se aproximando daquela pessoa que teríamos dificuldade de dominar. Por isso que casamos: quando fracassamos no domínio, quando fracassamos em comandar, quando fracassamos em dar as ordens. O amor é um despoder”, justifica.

A primeira coisa que você vai notar ao sentar-se com Fabrício é o fato de que é muito fácil sentir-se amigo dele. Não por fofura ou meiguice, mas por certa cumplicidade humana. Por ele estimular o interlocutor a pensar por caminhos nada convencionais, questionando a seu modo o discurso hegemônico sobre qualquer coisa.

Como exemplo dessa facilidade de estabelecer contato, cito a forte amizade que tem com o cantor e compositor Renato Godá. “Nos conhecemos durante a gravação de um programa de televisão em Porto Alegre. Era um programa ao vivo com outros convidados e quando o apresentador falou meu nome ele interrompeu aos berros – ‘Bah!!! Não acredito, te ouvi no rádio hoje e tentei comprar seu disco, mas não encontrei!’”, lembra Renato. “Achei engraçado ele atropelar o apresentador e sair falando no meio da gravação como se estivéssemos num bar, como tantos que frequentamos depois deste dia”. O músico menciona outra paixão em comum que os uniu: o futebol. “Na noite seguinte ele apareceu no meu show, era um dia de clássico entre Grêmio e Internacional, ele é fanático pelo Inter, mas abriu mão dos ingressos já comprados e apareceu no show com a família. Também sou torcedor fanático e entendi aquilo como uma prova de amor”. Os dois acabaram virando parceiros musicais e algumas dessas composições farão parte do próximo álbum de Renato Godá.

contioutra.com - Fabrício Carpinejar: 'A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando'.

Outra pessoa que sabe bem desse poder de conquista pela espontaneidade, é o escritor Marcelino Freire. “Já bebemos, juntos algumas vezes, para afogar mágoas, revigorar almas. E rir muito. Carpinejar é um dos caras mais espirituosos que conheço. Em viagens que fizemos juntos pelo Brasil, é contagiante, inclusive, vê-lo fazer os outros rirem. Ele gosta de, por onde passa, abrir sorrisos represados. É o poeta do sorriso”. A tirar pelos depoimentos de Marcelino e Renato, o bar teve papel fundamental no desenvolvimento fraternal entre eles. Parafraseando vagabundamente o americano Jack London (1876-1916), não se pode esperar pela inspiração, deve-se procurar por ela no bar. Pelo visto, o mesmo método pode funcionar igualmente com amizades.

Doença Incurável

“O amor é uma doença sexualmente transmissível”, escreveu sabiamente Marçal Aquino. Fabrício Carpinejar concorda. “Eu gosto dessa frase do Marçal, porque traz o quanto que o sexo realmente tem essa vocação de endoidecer almas, de desentortar almas. O amor talvez seja uma ingenuidade readquirida na vida adulta. É quando a gente deixa de enxergar as restrições e os preconceitos e os pré-requisitos para viver inteiramente uma inocência”.

Concorda também que homens e mulheres possuem maneiras distintas de embarcar em uma relação. “Para o homem, o sexo é o princípio do amor”, explica. “A porta da percepção do amor para a ala masculina, é o sexo. Ou seja, ele ficará com quem ele realmente amou se relacionar. Já a mulher pode dar o maior voto de confiança e se apaixonar, não através do sexo, mas pela gentileza, pelo cuidado, pela amizade, pelas outras demandas emocionais”.  Instigador que é, faz questão de dinamitar o mito do homem sexualmente adaptável. “O que uma mulher precisa saber é que o homem não tem arma secreta. Tudo o que ele fez na primeira noite, ele fará nas seguintes. Se ele foi ruim, ele é realmente ruim. Não tem como converter um homem ruim de cama em um bom de cama”, ri.

Hortifrúti Pós-Moderno

O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Vida Para Consumo (ZAHAR, 2008), defende que com a avanço da tecnologia, veio o impulso de nos colocarmos voluntariamente em prateleiras virtuais. Comércio regulamentado pelo desejo desenfreado de exposição. Trabalha-se o rótulo enquanto o conteúdo empobrece. Em tempos assim, é fácil se deixar levar pelo superficial e não cuidar do essencial. Sobre o assunto, Carpinejar diz que o que costuma acontecer é o cultivo do próximo marido ou da próxima esposa no facebook. “Tu estás numa relação já mirando a próxima, já trabalhando possíveis candidatos para um outro relacionamento”. Enxerga essa facilidade desmedida como “um desgaste à intimidade, porque sempre tem concorrências imaginárias e invisíveis nas redes sociais”.

Em tempos de extrema pressa e desatenção, “precisamos reaprender a segurar a mãozinha, a olhar nos olhos, a não atropelar o silêncio, a fazer cafuné. Pouquíssimos realizam bom cafuné”, avalia.“Tem casais que não sabem fazer massagens nos pés; tem casais que não sabem coçar as costas um do outro. Podemos fazer uma Universidade do Amor, com essas pequenas técnicas domésticas, abandonadas pela virtualidade”.

Seja nos biscoitos da sorte, nas frases de facebook ou nas linhas tortas da palma da mão que a cigana da esquina traduz com seu braile místico, a fidelidade é assunto em alta. Mas quase sempre a lealdade acaba ficando de fora da conversa. Será medo de saber realmente o que o outro pensa? De exercitar o ato de ouvir o outro, principalmente quando as notícias e confissões tendem a não ser tão animadoras quanto esperamos? A impressão que fica é de que a fidelidade é seletiva em seus parâmetros.

“As pessoas não colocam a lealdade junto da fidelidade porque a lealdade é muito mais difícil de ser exercida. A lealdade é dizer o que está pensando, o que está querendo, onde quer ir, se está feliz ou não”, pondera, antes de continuar. “Lealdade é expor nossas intenções. A fidelidade é apenas proteger as nossas intenções a dois. Ou seja, de repente alguém não trai, mas passa a relação inteira sendo desleal. Lealdade é prestar contas diariamente, do que somos, do que queremos ser e nunca abdicar das confidências, dos segredos, da conversa permanente”, conta.

Fabrício gosta de usar a metáfora fidelidade como jardim, como fachada da casa. Já a lealdade seria como o fundo dela, algo que não se vê. “A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando”, resume. Em suma, com toda a problemática que envolve os romances virtuais e práticos, o sincero gaúcho constata que “é preciso ser fiel e leal na vida real e na vida virtual”.

Sobre a grande popularidade do seu trabalho como cronista, grande parte conquistada justamente na internet, defende que escreve crônica para preparar o público para mais poesia. Já sobre o papel de guru do coração que o sucesso parece querer lhe impor, ele é bem enfático. “Não sou guru do amor. Eu sou um poeta e o poeta mora na dúvida. A dúvida traz muito mais experiência do que a certeza”.

O que mais posso dizer? Apenas que estou na fila de matrículas para a Universidade do Amor, proposta por ele. E ninguém tem dúvidas de quem seria o professor mais requisitado dela.

Deixe para trás…

Deixe para trás…

Deixe para trás todos aqueles sentimentos que insistem em querer ficar para maltratá-lo. Sentimentos ressentidos, amargos, ressequidos pela raiva que, às vezes, você mesmo tenta segurá-los, cautelosamente, como se fossem água preciosa, dentro de um balde e que cuida para que nenhuma gota se perca.

Deixe para trás, não alimente nem permita que suas lágrimas adubem com vigor as tristezas e decepções que um dia sentiu.

Faça-as perenes, passageiras e pontuais. Retire o ferrão o mais rápido que você conseguir; não guarde e nem espere que esses sentimentos possam lhe tornar mais forte ou que possa ser o antídoto para sua dor.

O antídoto para qualquer dor psíquica é o amor.
O amor que nasce com vigor de suas entranhas, e que deve ser ofertado, generosamente, de forma gratuita.

Mas, cuidado, não se engane! Deixar para trás não é colocar uma pá de cimento sobre o sofrimento. Não é aprisioná-lo vivo, pois ele latejará, continuamente, dentro de você. Como canta Fagner: “Sentimento ilhado, morto e amordaçado volta a incomodar”.

Calar e resignar-se não é a melhor solução. Deixar para trás é caminhar rumo a novos horizontes que se abrem à sua frente; é tomar distância cada vez maior daquela fenda, daquele estrago, que um dia lhe fez mal.

Buscar o entendimento em relação ao acontecido é não esquecer que a abelha, que tem o ferrão, também dá o mel. Procure por ele! O aprendizado de tudo o que lhe aconteceu é o mel: multiplique a sua produção.

Difícil? Sim! Mas quem lhe disse que a vida é fácil?

Viver se aprende vivendo

Viver se aprende vivendo

” – Você é sempre tão feliz?
– Sim… Não! Não sou feliz em algumas manhãs, e tampouco na maioria das tardes…
– Como todo mundo…
– É…”

Esse diálogo acontece em uma das primeiras sequências do filme chileno Glória, louvor rasgado ao que se tem como o mais genuíno poder feminino.

A mulher realmente esplendorosa e absolutamente comum que empresta seu nome ao título e que assume que in.felicidade tem hora, tem um humor que vai do tédio ao curioso ou da euforia à depressão, mas sem nunca se afastar da sua verdade… aparece com uma crueza espontânea seja de corpo desnudo, seja de alma lavada com música, tratada com dança ou viajando pra relaxar. Sem beleza extrema que lhe valha ou desventura que lhe ampare, trata da vida e do cabelo. Às vezes do gato do vizinho… (o bichano mesmo!) Trata de dar risada.

A vida simples dessa personagem já é interessante por si, como o são todas as vidas… Perceber isso, faz de imediato com que o olhar se volte para o próprio percurso. E, independente da fase da vida em que se encontre, surge uma certeza de que a idade melhor é aquela em que se dá o despojamento dos preconceitos e das cismas.

Uma mesma história, corriqueira, como a de tantas mulheres que já casaram, criaram os filhos, separaram e seguem, pode ser contada a partir de vários enfoques diferentes. As inquietações que são levantadas ali, giram, principalmente, em torno de pensar o que é permitido a quem se permite.

Trabalhar, pagar as próprias contas, pensar na felicidade dos filhos, embalar os netos, se fazer presente e yôga e teatro e poder dirigir seu carro e o próprio nariz dão direito a quê? Em que curva, do quadril ou da estrada, a independência de uma mulher derrapa e ela tem que parar? No rodopio na pista de dança? Na iniciativa, no flerte, na sexualidade bem resolvida?… Na busca de afeto?… Dignidade pra envelhecer é coisa velha… o caso aqui é a diversão.

Não por acaso no filme, nenhuma amiga dessa heroína pós-avó e pós-moderna é apresentada… A solidão é típica de quem se separou, mas o que é lindo de se ver é a melancolia abrindo espaço à coragem… de ir pra balada sozinha, de pular de bungee jump ou em um encontros às escuras, ou simplesmente de experimentar o novo. E de novo… É que quem experimenta vai justo acumulando experiência, pra daqui a pouco ou pra nunca mais. Pra cair e pra voar. E, assim, pode escolher. Se o resultado da escolha for vencer ou dançar, aumenta o som e baila! Que a festa sempre continua, liberdade é coisa arisca, mas com trato, faz morada e, no mais dos anos, saber viver é que é a Glória!

::: Esse filme incrível, sensível e poético de 2013 do diretor chileno Sebastián Lelio, que também assina o roteiro impecável, traz a ganhadora do Urso de Prata, Paulina Garcia emprestando seu rosto, cujo a câmera persegue fixamente em cena, à protagonista e imprimindo força `a sua personalidade complexa em gestos e evoluções. O cenário, que dá a dimensão da transgressão em curso e a contextualização de tempo, tem como pano de fundo o Chile contemporâneo, como uma nação latino-americana típica, num histórico de patriarcado e vivendo uma época de panelaços e manifestações, mas onde a verdadeira revolução se faz individualmente, ‘espiritualmente’, na fala de uma personagem, pelas redes sociais. Além disso tudo, outro ótimo motivo para assistir essa pérola, é a trilha sonora deliciosa que passeia pelo Disco dos anos 70, Águas de Março de Jobim, Rita Lee… e, claro… “in your head calling, Gloria!” :::

Estou solteira porque acredito no amor.

Estou solteira porque acredito no amor.

E eu sei que isso pode parecer um tanto contraditório. Mas calma e senta que eu te explico.Também quero deixar claro que não estou querendo dizer que quem está namorando ou compromissado não acredite no amor. Só estou dizendo que eu, Natália, me encontro solteira porque acredito no amor…

Estar solteiro nem sempre é uma escolha. Eu mesma já estive solteira mesmo querendo o contrário. Mas a Vida é isso mesmo… Querer e nem sempre ter. Só que hoje, após tantas situações, eu escolhi não estar em um relacionamento apenas por estar; e escolhi isso com toda a minha alma e coração.

Quando o cara não me tratou com respeito, eu escolhi ficar solteira porque eu acreditava no amor e eu sabia que amor não era aquilo. Quando o cara me proibiu de viver, eu escolhi estar solteira porque eu acreditava no amor e o amor não era aquilo. Quando o cara falou demais de si e não quis me ouvir, quando o cara falou de menos e omitiu que tinha uma namorada… Em inúmero casos, eu escolhi estar solteira porque eu acreditei que o amor estava longe de ser aquilo.

Acontece que muitas pessoas se acostumam com migalhas, com relacionamentos abusivos, com traições e descaso e acham que sacrifício é amor. Aceitam qualquer coisa que lhe oferecem e esquecem do próprio valor.

Não acho que a gente domina nossos sentimentos, mas já dizia Nina Simone: “Você tem que aprender a levantar-se da mesa quando o amor não está mais sendo servido.”. Nós temos toda e total capacidade de fugir das ciladas disfarçadas de “Amor”. Na verdade, nós temos mais que a capacidade de fazê-lo. Nós temos é a OBRIGAÇÃO. Somos responsáveis por nossas escolhas e decisões…

Há algum tempo, eu me apaixonei. Me apaixonei de ficar sonhando acordada e escrever poesias. Paixão é tórrida, uma coisa meio urgente, algo que não sabe esperar. Paixão é igual criança: quer porque quer, deita no chão e esperneia. Eu não tinha olhos pra mais ninguém, essa era a verdade. E eu não tinha como mudar esse sentimento. Fugir do que eu estava sentindo era como fugir de mim mesma. Só que há algo muito bom na paixão: ela por si só é fugaz. O véu da ilusão sempre cai. Paixão é um fogo que não se sustenta sozinho. Ou se transforma em amor ou acaba. Se transforma em amor quando há reciprocidade, conquista contínua, respeito e admiração por quem está ao nosso lado. Mas se o respeito acaba, se a conquista se torna falha, se os argumentos se tornam fracos… até o desejo diminui. A paixão é frágil porque não é construída em cima de alicerces sólidos e sim em cima de desejo, atração, situação… E tudo isso é efêmero. E como é!

O meu coração foi desapaixonando dessa tal pessoa (situação vivida em 2015). Nada mais naquela “relação” me fazia suspirar. O prato que antes me atraía já não mais me era servido. E eu resolvi me afastar daquilo porque eu acreditava no amor e eu sabia que aquilo que eu estava vivendo e sentindo estava longe de ser amor. Era dor, carência e apego. E então eu optei mais uma vez por ficar solteira. Fácil não foi mas foi o que me permitiu cair fora de algo ilusório.

Por ser uma romântica e acreditar no amor, eu tenho me tornado mais exigente. Amor não sobrevive e nunca sobreviveu com falta de consideração, falta de interesse real na vida do outro e muito menos com falta de respeito. Amor não nasce de papo furado nem de sumiços seguidos de aparecimentos repentinos. O amor está na constância. Para haver Amor é preciso sintonia também. Sintonia das ideias. É preciso admirar quem está ao nosso lado. É preciso ser amigo, parceiro, companheiro. Não que eu exija um tipo específico de pessoa para amar. Muito pelo contrário, eu quero mais é que a vida me surpreenda. Mas eu exijo que para estar ao meu lado, o outro esteja não só disposto a receber mas a oferecer também.

Então, quando alguma tia, algum colega ou quem quer que seja me diz: “Nossa, Natália, você é tão interessante, inteligente, legal, bonita… Por que está solteira?”. Eu apenas respondo: EU ESTOU SOLTEIRA PORQUE ACREDITO NO AMOR. E assim permanecerei até que um dia apareça aquele um que faça meu coração acelerar, e as pupilas dilatarem e que sobretudo decida ficar. Até que apareça aquele um com quem eu vou ter tanta sintonia e papo que o relógio perderá a sua utilidade quando estivermos juntos. Até que apareça aquele um que queira receber o tanto que eu tenho a doar mas que esteja disposto a se doar também, inteiramente, com seus defeitos, medos, qualidades e essência. Corpo com Corpo. Mente com Mente. Alma com Alma. Coração com Coração.

Mas enquanto ele não vem, eu sigo solteira. E eu sigo solteira porque eu acredito no amor.

Se você tem a obrigação de pagar suas contas, obrigue-se também a acordar feliz!

Se você tem a obrigação de pagar suas contas, obrigue-se também a acordar feliz!

Primeiro a obrigação, depois a diversão! Uma frase popular e muito repetida aos preguiçosos. A carapuça que serve em quem a coloca.

Mas, via de regra, há muito já se aplica essa regrinha básica. Associamos que a diversão, a alegria de viver são consequências dos recursos que temos, depois de todo o trabalho cumprido, com ou sem qualquer prazer.

Acordamos mau humorados, pensamos nas tarefas do dia, nas pessoas que encontraremos e temos o impulso de voltar para a cama, nos esconder debaixo da roupa de cama amarfanhada.

Nessa hora não somos capazes de reconhecer que por mais um dia abrimos os olhos, estamos respirando, teremos um dia inteiro para desfrutar, ainda que com grandes e pesadas obrigações, alguém lembrará de nós e enviará uma mensagem, uma figurinha, um alô e nós também faremos o mesmo para retribuir, ou não. Que pena.

A vida é cheia de tribulações, os dias repletos de leões para domar – jamais exterminar, as horas de trabalho são injustamente muito mais numerosas do que as horas de ócio ou prazer, mas essa é a dinâmica e nosso mau humor ou indiferença não farão a menor diferença nos prazos ou nas entregas que são de nossa responsabilidade.

No máximo conseguirão interferir nas relações que vamos colecionando vida afora, e, com algum esforço, poderemos ganhar o título de personas non gratas pelas carrancas e palavras atravessadas que lançamos pelo caminho.

Agora, pensando alto e forçando muito a barra para desconstruir essa cultura: E se tivéssemos a obrigação de acordar felizes e gratos todos os dias, da mesma forma que temos de trabalhar e pagar as nossas contas?

Quem não gostaria de conviver com uma pessoa assoberbada de trabalho e ainda assim, bem humorada e radiante, cumprindo suas obrigações, planejando suas diversões, nutrindo bem as suas relações?

Obrigue-se você também!

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