Pare de se cobrar excessivamente, viver não consta no curriculum

Pare de se cobrar excessivamente, viver não consta no curriculum

Eu tenho um recado pra você, que tem se cobrado constantemente e deixado de viver para si, a fim de viver para os estudos. Pra você, que está deixando morrer sua vida social e que já nem sabe o que é sair e dar umas boas risadas com seus amigos. Pra você, que está rodeada de livros e obrigações, em vez de estar rodeada de pessoas.

Esse recado é pra você, que caiu nas redes do ”Você precisa ser o melhor, ou dar o seu melhor”, fazendo-a ultrapassar todos os limites do seu corpo. Aquela concepção errada em que nos enquadram, de que precisamos abdicar de tudo para chegarmos aonde queremos, quando, na maioria das vezes, com 18, 20, 22 anos, ainda não sabemos se queremos mestrado ou se queremos, sei lá, viajar depois da faculdade. Muitas vezes, aos 18 anos nem sabemos que curso queremos e isso já é motivo para entrar em desespero, pois os pais cobram que façamos alguma graduação e sentimo-nos angustiados ao ver nossos amigos que, desde a infância, já sabiam que queriam medicina, enquanto gostávamos de brincar de bola na rua.

A sua apreciação pela arte, pela música, de nada valem e você precisa gostar de matemática ou ser muito boa em biologia. Desde cedo, essa cobrança com o que devemos ser dentro de um prazo é o que leva muita gente a adentrar na faculdade e não saber lidar com as frustações do meio acadêmico.

Esse recado é pra você que, como eu, acordou e não conseguiu fazer aquele trabalho da faculdade, que trocou um feriado de estudos por um feriado com seriados, e que depois ficou se culpando como quem deveria ter feito algo e não fez. O mundo acadêmico exige responsabilidades e não estudar no feriado não faz de você um preguiçoso, não ter vontade de estudar no domingo não faz de você um irresponsável. Você não é uma máquina, é um ser humano e, embora isso nem sempre nos pareça óbvio e real, temos nossas limitações e o cansaço sempre aparece, sempre vem.

As cobranças sociais não nos preparam para isso, elas apenas nos jogam lá como quem precisa produzir. Você precisa tirar notas excelentes, precisa fazer seu TCC, precisa estudar para o mestrado ou já ir se preparando para um concurso, você precisa ter tantos artigos publicados e seu Curriculum Lattes precisa estar bom o suficiente para alguém olhar e dizer: “Uau”; e tudo isso em um prazo mínimo, em um tempo curto que não nos permite o melhor da vida: viver.

Se você quer seguir carreira acadêmica e pensa tanto na pós-graduação, ótimo, sei que não medirá esforços para atingir seu objetivo, mas não se cobre tanto. É importante ousar, ter sonhos, querer sempre avançar e o ambiente acadêmico nos permite progredir e alçar voo. É um mundo de possibilidades e temos a escolha de não nos tornar prisioneiros. Temos a liberdade de saber dosar as obrigações e de assumir nossos fracassos, não como quem desiste, mas como quem não estava bem no dia em que fez a prova, ou não conseguiu assimilar o conteúdo. Como quem estava com problemas e teve sua atenção dispersa durante a prova. Como quem não entendeu as explicações do professor e tudo bem em tirar um 6.0.

Então, pare de se culpar por não ter tirado um 10 naquela prova para que você tanto estudou, não se culpe por não ter conseguido fazer todos os trabalhos que você tinha programado durante a semana e de pensar sobre por que, um dia ou outro, deixou de estudar para ir tomar um café com um amigo e falar das besteiras da vida.

Pare de olhar em volta e achar que todo mundo está conseguindo render ao máximo, que todos estudam loucamente e que você é quem está ficando para trás, só porque, entre tantos domingos, você não conseguiu estudar em algum deles. Só porque você dormiu enquanto estudava para uma prova, mesmo tendo tomado tanto café para se manter acordado.

O que quero dizer é que viver não faz parte do Lattes. Boas risadas, momentos agradáveis, ver aquele filme que estreou no cinema e deixar de lado as preocupações não nos torna irresponsáveis, mas sim humanos.

Não tem problema acordar no domingo e querer comer pastel na feira logo cedo, em vez de querer terminar sua pesquisa. Não tem problema se você não conseguiu produzir como gostaria no feriado e acabou apenas fazendo um trabalho entre tantos, porque acabou caindo no sono. Não tem problema se não conseguiu escrever nada do seu TCC hoje. É que somos humanos e não temos disposição todo dia, não temos energia o tempo todo e, embora a sociedade e a vida acadêmica exijam constantemente que devemos ler tantos mil textos por semana, que devemos produzir, produzir e produzir, nós nem sempre conseguimos acompanhar esse ritmo; então, aceite pausas. Faça paradas. E isso não tem nada a ver com desistir ou andar para trás. Isso tem a ver com permitir. Permitir-se tomar um sorvete em um domingo à tarde e sair com os amigos no sábado à noite sem culpa. Isso inclui permitir viver longe de se achar problema ou dotado de dificuldades porque não conseguiu varar uma noite estudando ou porque, por algum motivo – provavelmente o cansaço -, você não conseguiu terminar o seu TCC.

Não é normal se culpar por não conseguir estudar depois de um dia inteiro na faculdade, não é normal se culpar por não ter conseguido estudar no feriado ou por não ter aguentado ler durante toda a madrugada. Que essas cobranças não nos aprisionem e que nós possamos conhecer as teorias e dominá-las sem deixar de conhecer a nós mesmos e aos outros, sem perder o controle da nossa vida, deixando que as cobranças tomem a direção.

Você pode saber como se fazem referências nas normas da ABNT e da APA sem precisar consultá-las, pode saber perfeitamente como elaborar um projeto de pesquisa, mas você também precisa saber viver. Precisa saber respeitar quando o seu corpo diz não e quando você está cansada emocionalmente depois de uma semana de provas. Relembrando, viver não consta no Lattes e, ao contrário das teorias e coisas que nos ensinam todo o tempo, viver não segue um manual. Aprenda a sobreviver às cobranças, não mergulhe nelas, a vida é muito mais do que isso.

Sucesso é saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu

Sucesso é saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu

Sabe, às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, de alguém que acredite na gente, que olhe nos nossos olhos e nos faça acreditar que somos mais fortes, que somos capazes de nos superar e que a vida pode ser muito mais do que acreditamos que ela possa ser.

Infelizmente, as pessoas que carregam essa divindade estão escassas e, assim, temos vivido em um tempo de desencontros.

O poetinha dizia que: “A vida é arte do encontro. Embora haja tanto desencontro pela vida”. É estranho como vivemos de forma tão isolada, sendo estranhos que coabitam o mesmo espaço, embora, saibamos quão dura a vida é, sobretudo, quando não se tem alguém para nos ajudar nos momentos mais difíceis.

Por mais durões que sejamos, uma hora as circunstâncias da vida são mais fortes do que possamos controlar e, então, tudo desaba sobre nós, sem que tenhamos tempo sequer para conseguir amenizar os danos que sofreremos com todo o peso que caíra de uma vez em nossos ombros.

Nessas horas é extremamente difícil e ao mesmo tempo triste enfrentar tudo sozinho, de tal modo que ter alguém que possa erguer os braços e nos ajudar a levantar é uma dádiva e uma demonstração da humanidade, que nesses momentos, sinceramente, desaparecem de nós, bem como, a esperança de que possamos sair da depressão que nos encontramos.

Essa mão que nos ajuda a levantar é a mesma que nos traz para perto, nos abraça e olhando em nossos olhos, diz baixinho que tudo ficará bem, porque não estamos sozinhos. Mas, a verdade é que temos preferido viver afastados, porque pensamos que amar alguém que não seja nós mesmos é trabalhoso demais. E quem disse que deve ser fácil?

A vida é sempre dolorosa por si só e mais ainda quando olhamos para o lado e não vemos outras mãos junto às nossas, porque a vida é um caminhar de mãos dadas, para que possamos nos ajudar, porque mesmo quando não caímos, sabemos o que é a queda e o quanto esta é pesada.

Talvez seja difícil perceber que o outro também chora, porque estamos encouraçados pelo egoísmo, mas ele chora, sangra e precisa de ajuda, do mesmo modo que precisamos quando a vida parece não fazer sentido algum, quando tudo dá errado ou quando praguejamos os deuses, porque parece que eles existem apenas para nos ferrar.

Eu sei que você sabe o que é isso, porque eu também sei. Sei que existem noites tão escuras e frias que parecem que não vão acabar nunca. Sei o quanto é difícil enfrentá-las sem ter sequer um cobertor. Assim como, elas se tornam menos sombrias quando temos alguém disposto a oferecer o seu cobertor apenas para que possamos nos sentir mais fortes e capazes de atravessar o vale sombrio.

Como disse, às vezes a gente só precisa de um abraço apertado, porque o mundo para dentro de um abraço, e nesse instante de paz, conseguimos ouvir cuidadosamente cada batida de um coração que mesmo não sendo nosso, bate como se fosse nosso, bate em lugar do nosso, bate pelo nosso.

Nesse instante, somos mais fortes e sabemos que podemos ir a qualquer lugar, porque deixamos de existir apenas em nós, para existir em outro eu. E, no fim das contas, todos nós nos tornamos mais fortes, já que feliz de quem tendo água, pode dar de beber a quem tem sede, pois esta pertence ao homem e mais cedo ou mais tarde, todos a sentiremos e não tendo água, quereremos alguém que a tendo, mate a nossa sede.

Porque sucesso mesmo nessa vida é poder erguer os braços e entre eles ser a ajuda que alguém precisa ou, como disse Emerson, é:
“Saber que ao menos uma vida respirou mais fácil porque você viveu”.

“Muito obrigado”: faz bem para quem ouve, faz bem para quem diz.

“Muito obrigado”: faz bem para quem ouve, faz bem para quem diz.

Todos queremos ser reconhecidos e esperamos gratidão pelo que fazemos, seja no trabalho, nos estudos, seja em casa ou na vida em sociedade. Embora sejamos aconselhados a fazer o bem e a ajudar os outros sem alardes e sem aguardar retorno, acabamos sempre nutrindo uma esperança íntima de recebermos a gratidão alheia, ainda que não explícita, pelo menos demonstrada em simples gestos, como um sorriso ou um brilho no olhar. Mas o que vale é ser grato, porque a gratidão traz uma sensação de bem, de satisfação e, melhor ainda, nunca de forma unilateral.

Infelizmente, a muitas pessoas é difícil demonstrar o quanto são gratas pelo que lhes fizeram, pelas ajudas recebidas, pois realmente não conseguem expressar nada de positivo. Tendo-se perdido no amargor com que construíram suas vidas, já se encontram impossibilitadas de querer sair daquilo tudo com vida. Já não se permitem mais um respirar tranquilo, tampouco um sorriso sincero.

Há, também, quem se sinta grato, mas não consegue expressá-lo, nem por palavras, nem por atitudes. Muitas pessoas acostumaram-se a fechar as portas de sua essência para o mundo lá fora, abafando desejos, engolindo revoltas, enterrando impulsos. Já não conseguem mais contribuir aos caminhos da vida à sua volta com nada daquilo tudo que possuem dentro de si. Sentem-se desinteressantes, incapazes e diminuídas em seu amor-próprio.

Não importam os motivos do não agradecer, importa é sabermos que somente tem a perder quem não cultiva a gratidão como um dos sentimentos norteadores da jornada diária. Sendo a felicidade o nosso propósito maior, estaremos menos fortalecidos nessa busca, caso negligenciemos o reconhecimento sincero por tudo o que a vida e as pessoas nos trazem de bom. A gratidão é combustível e alimenta o fluxo contínuo de nossos sentidos em direção ao que realmente nos reconforta e engrandece o nosso viver.

Por mais difícil que pareça, devemos ser gratos, da mesma forma, a todos os obstáculos e a todas as pessoas difíceis que encontramos pelo caminho, uma vez que trazem aprendizados imprescindíveis ao nosso amadurecimento e à convicção de nossas verdades. Ultrapassarmos os problemas diários nos fortalece e nos ensina a utilizarmos o que temos a nosso dispor em favor de nós mesmos. Tolerar alguém que não nos acrescenta em nada nos torna ainda mais convictos de que não sermos como ele é a melhor forma de encontrarmos nossa felicidade. Tudo é aprendizado.

A gratidão nos torna mais felizes, pois preenche vazios, estende ajuda, alimenta a nossa essência com luz e sabedoria. A gratidão afasta incertezas, combate o desânimo, ilumina a escuridão noturna de nossos fantasmas, pois o bem reflete a si mesmo também em quem o pratica, irradiando sorrisos sinceros, tranquilizando os corações acelerados, sustentando tudo aquilo que é feito com amor e retidão, pois se alimenta da transparência e da sinceridade. Portanto, seja grato e, assim, certamente terá mais chances de ser uma pessoa verdadeiramente feliz.

Quando eu te encontrar, o amor não será breve

Quando eu te encontrar, o amor não será breve

Quando eu te encontrar, o amor não será breve. Não precisaremos ostentar o nosso sentimento em busca de uma aceitação que não seja própria. O tempo concedido será para aproveitarmos cada laço que nos une em busca de algo maior, a cumplicidade. Enquanto o mundo lá fora estiver se perdendo nos maldizeres, estaremos de mãos dadas, de corpo e alma para criarmos um presente que flerta com o futuro.

Quando eu te encontrar, os dias terão novos significados. Decidiremos onde colocar cada beijo e abraço, de forma que tudo caberá na mais alta euforia. Porque somos intensos e não temos medo de expressar sentimentos. Vamos rir, mas também vamos chorar. Mas, em momentos pausados, não esqueceremos os motivos que nos levaram a estarmos juntos.

Quando eu te encontrar, teremos muito a conhecer. Novas canções, filmes e livros. Vamos lapidar os nossos conhecimentos a partir de outras essências e experiências, destacando essa fome de compartilhar carinhos nutridos por quereres, e não obrigações. Uma parceria, crime inafiançável de dois amantes fora da lei.

Quando eu te encontrar, a simplicidade fará morada. Não precisaremos de muito para vivermos. Eu, você e alguns sonhos. A partir daí, a estrada é sem direção definida. Dependerá de muitas conversas, trocas e ouvidos. Calma e paciência para saber absorver e reconhecer o outro. Sem pressa, mas nem por isso acomodados.

Quando eu te encontrar, não iremos nos perder. Não definharemos solidões como nos amores passados. Aquilo tudo foi importante. Caímos. Aprendemos. Mas o nosso encontro trará todas essas decepções e transformará em entrega. Desmedida e reservada para dois. Dois loucos apaixonados ou qualquer outra nomenclatura que quisermos.

Quando eu te encontrar, o amor não será breve. A vida será mais vida, prometo. Perdidos na aventura mais surpreendente de nossas vidas, o destino em quatro mãos. Segure firme, porque quando eu te encontrar, apenas direi – vamos?

Ter um filho é a melhor maneira de fazer o amor durar para sempre.

Ter um filho é a melhor maneira de fazer o amor durar para sempre.

Um dia eu conheci uma moça que era tudo o que eu queria da vida. Mudei de cidade, deixei amigos, larguei o que tinha. Virei minhas certezas de cabeça para baixo e me casei com ela. Naquele tempo eu não fazia ideia, mas hoje eu sei que foi a escolha mais certa entre todas as que fiz e ainda vou fazer.

Não posso reclamar. Nunca fui à Disneylândia, não virei ginasta olímpico, mal sei dar uma estrela, não fiz fortuna. Mas eu conheci a felicidade conjugal. Conheci de perto.

Sim, eu fui um sujeito feliz no casamento. Os descaminhos, as aporrinhações e desconfortos de quem decide encarar uma vida a dois não me fizeram nem cócegas. Adorei ter me casado e recomendo a quem quiser aprender sobre si mesmo, sobre o outro, sobre a vida e essas coisas que se revelam sem mais, nas terças-feiras sem graça, nos domingos de tarde, nos dias de festa e nas noites de gripe, no medo e no êxtase, em hotéis e hospitais, na delícia e na dor, nos instantes de eternidade e na truculência do tempo que passa e não volta. Na vida honesta de um dia depois do outro, eu fui muito feliz no casamento.

Nosso filho João nasceu e cresceu em meio a uma bruta felicidade. A vida era um festejo, uma alegria mansa, um contentamento firme. Ele também conheceu a alegria conjugal na companhia de seus pais.

Depois, como tanto acontece a tanta gente, o casamento foi se cumprindo, se completando, se findando. E acabou. Primeiro eu aceitei, adulto, resoluto. Depois desmoronei. Caí no choro, esbravejei, sofri. E no meio do meu egoísmo, do meu orgulho ferido, não tive o menor respeito por um amor que havia sido grande, enorme, escandaloso. Fui pequeno, rasteiro, vingativo. Um verdadeiro pateta.

Foi difícil. Egoísta como um bebê que berra pela mãe no berço, fiquei magoado e resolvi magoar todo mundo. Joguei merda no ventilador, disse o que não devia, envolvi no meu drama pessoal a família dela inteira, a família que também era a minha. Resolvi sair da vida deles com tudo, com pompa, batendo a porta.

Foi triste. Todo mundo se machucou. Exceto o nosso filho. Nisso, ao menos, ela e eu fomos implacáveis. Nosso menino jamais presenciou, ouviu, assistiu ou teve notícias de qualquer conversa difícil entre os pais. Quando se fez certo o fim, eu aluguei um apartamento e fomos os três, juntos, conhecer “a nova casa do papai”.

Ele entendeu direitinho que dali em diante teria dois quartos, duas camas, dois caminhos de casa e o principal: duas pessoas diferentes que o amariam igual. Para sempre.

Entre todos os nossos enganos no casamento, ter um filho foi o nosso maior acerto. É certo. Foi o nosso jeito de fazer aquele amor grandioso durar para além de tudo. Atravessar o tempo. Crescer vigoroso sob a forma de um menino lindo, forte, bom.

Demorei a me dar conta de que a mãe do meu filho é alguém a quem eu devo amor incondicional para todo o sempre. Levei tempo para aceitar que desejo a ela toda a felicidade que há no mundo. Tanto quanto quero a felicidade do nosso filho.

Dia desses, vivi pela primeira vez uma situação inconcebível poucos anos atrás. Fui buscar o João e o Bob, nosso cachorro, na casa da mãe para o fim de semana. Eles estavam atrasados e ela me pediu para entrar. Eu entrei e lá estava, na sala e no sofá que haviam sido meus, o marido da mãe do meu filho. Um sujeito bom à beça, Graças a Deus. Enquanto o João terminava de se aprontar, sentei e conversamos os três. O casal e eu. Juro: eu senti felicidade. Fiquei feliz por eles, pelo João. Por mim.

Sei aqui comigo, e acho que ela sabe também, que o amor da gente vingou, cresceu, abraçou outras pessoas, deu certo. E fez o mundo melhor. Esse mundo louco e fascinante por onde o nosso menino há de caminhar feliz e amado. Para sempre.

Esses incríveis relacionamentos que duram para sempre

Esses incríveis relacionamentos que duram para sempre

Em tempo de amores instantâneos, solúveis e descompromissados, pode até parecer inadequado ou fora de contexto pensar ou sonhar com uma história que dure para sempre. Afinal, para sempre é tempo demais, não é? E, para ser bastante honesta, cá entre nós… amores-perfeitos são só mesmo aquelas florzinhas graciosas e coloridas que brotam por aí, e olhe que elas nem duram tanto assim.

Mesmo assim, ouso propor aqui uma rebelião. Um levante coletivo em favor dos relacionamentos que esperam da gente um tanto de compromisso, outro tanto de esperança, mais um punhado de dedicação, uma pitada de ousadia e muita, muita disposição para ver além do óbvio, sentir além do modelo formatado e viver uma história que não seja confinada às redes tão traiçoeiras das expectativas.

O amor romântico é um dilema. Nenhum de nós nunca estará pronto, preparado ou concluído para vivê-lo, sem ganhar em seu percurso alguns arranhões, marcas e até profundas cicatrizes. Amar é uma aventura para dentro de nós que explode a gente para fora, em todas as direções, uma viagem cujo destino ignoramos. Uma viagem, cuja paisagem perde importância diante da maravilhosa experiência que é essa indescritível sensação de sentir-se diluído, absorvido, misturado com outro alguém.

Sendo assim, em nome de uma coisa que nos arranque do frio dos dias sem cor, que venham os amores, entre amigos, entre pares, entre irmãos, entre toda a gente. Que o sentimento seja mais importante do que os motivos que o justifiquem. Que a gente perca essa mania de ficar idealizando tanto tudo, a todo momento, a ponto de não ser mais capaz de achar graça numa tarde à toa passada nos braços de alguém. A ponto de perdermos a capacidade de rir até que os olhos lacrimejem. A ponto de não ser mais possível perder o juízo e pôr a razão para dormir por uns minutos, horas ou anos.

Para sempre é só uma definição tola que inventamos para colar uma etiqueta nas coisas que, por nosso decreto e determinação, não podem ter fim. Que tolice! Os fins são maravilhosos! O nascimento de um filho é o fim da gestação! O pôr-do-sol é o fim do dia! O gozo é o fim de uma dança de corpos, e bocas e línguas absortas unicamente no prazer!
Durar para sempre não quer dizer, absolutamente, que seremos perpetuados naquele instante em que o amor nasceu. A gente se transforma em outra gente, a cada dor, a cada alegria, a cada agonia, a cada mínimo segundo de vida acolhida, sorvida e assimilada. Os amores também se transformam. E nessa transformação, a gente vai descobrindo outras possibilidades de sentir, a dimensão do tempo perde completamente a importância.

E, desde que esse amor tenha sido vivido com todos os pequenos e grandes sustos e acomodações da nossa alma, uma hora pode ser para sempre, um dia pode ser para sempre, muitos anos podem ser para sempre, além da vida pode ser para sempre. Porque um amor vivido, ainda que termine, vai viver para sempre dentro da gente!

40 ilustrações críticas que mostram duras verdades do mundo moderno

40 ilustrações críticas que mostram duras verdades do mundo moderno

Marco Melgrati é um ilustrador nascido em Milão. Desde 2008, ele trabalha como freelancer em algumas revistas culturais dos Estados Unidos, Itália e México. Sua frente de trabalho é a mídia digital, mas ele também atua em mídia tradicional e impressa.

O talento refinado e a arte impactante de Melgrati vêm chamando a atenção das pessoas que gostam de ilustrações críticas sobre aspectos sociais relevantes, como a dependência tecnológica, a ganância por poder, a infelicidade no trabalho, guerra e confrontos separatistas e religiosos.

Os desenhos de Melgrati promovem perspectivas poderosas e fazem as pessoas refletirem, com efeito, sobre algumas verdades inconvenientes dos tempos atuais.

Melgrati define seu trabalho como “uma triste verdade sobre a vida moderna”. O objetivo do artista não é deprimir as pessoas, mas conscientizá-las sobre as perfídias do mundo. Melgrati mostra o que, para ele, é um estado lamentável da humanidade nos dias de hoje.

O fenômeno da globalização, a onda de individualismo e a massiva alienação digital são alguns dos problemas referenciados pelo artista.

Alguns dizem que o mundo atual é mais humano do que foi há centenas ou milhares de anos, mas isso não impede as pessoas de sofrer.

Melgrati expõe as problemáticas da vida moderna, combinando, com muita categoria, técnicas de desenho tradicionais com as digitais. Suas ilustrações podem ser comparadas com as de Pawel Kuczynski, Steve Cutts e John Holcroft, que também criticam o lado sombrio da sociedade com inteligência e senso de humor.

Estas observações da vida moderna fazem as pessoas se lembrarem das coisas importantes da vida, mesmo quando ela parece terrível. Os títulos das ilustrações foram criados pelo próprio artista, e ajudam a clarificar as temáticas. Confira:

1. Narcisismo nas redes sociais

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2. Você resolve problemas usando instinto ou lógica?

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3. Use isso melhor

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4. A morte da privacidade

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5. Ame seus inimigos

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6. É hora de deixar o seu emprego

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7. Seja quem você quer ser

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8. O que acontece com a América?

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9. Carma

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10. Política e poder financeiro

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11. Feito por si

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12. Vaidade

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13. Através do amor

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14. Líderes de opinião e influenciadores

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15. Aprender a esquecer

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16. Poderia ser amor

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17. Universo subaquático

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18. A linguagem da nova mídia

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19. Desmatamento: os custos humanos

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20. A guerra está mais próxima do que você pensa

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21. Você não precisa de um milagre para mudar de emprego

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22. Preste atenção!

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23. Um vício fatal: guerra em nome de Deus

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24. Do comunismo ao capitalismo

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25. Verificação da realidade: os perigos do otimismo

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26. A linha tênue entre vida e arte

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27. Teoria de 2012: o fim do mundo

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28. O original é sempre melhor

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29. Quem apoia quem na Síria?

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30. Chefe de indústria

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31. Vício em celular

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32. Formas de lidar com um relacionamento complicado

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33. Festa pesada

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34. Enfrente seus medos

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35. Estranho amor

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36. S.O.S

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37. Mantenha as crianças fora da detenção

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38. A América pode parar a Rússia?

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39. Dança da morte

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40. A morte de um vendedor

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Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma.

Ela ama pessoas acima de intenções, vê sem o filtro dos deuses, abriu a caixa de pandora, liberou os pecados e percebeu que nenhum ser humano é herói ou vilão.

Ela vive na passagem, desfez os nós das posses e ainda acredita no brilho dos olhares.

Não sonha mais com pessoas, não acredita na salvação por outras mãos, sonha com um mundo mais consciente. Quer ser respeitada em suas escolhas, inclusive na de ser solta e espontânea num país que não escuta e respeita o jeito de ser de uma versão pós moderna de mulher, pós uma era, pós conceitos que já não vingam no peito dela.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma. Mulher de lutas, mesmo silenciosas, conta com as próprias mãos e tantas vezes caminha sozinha por não encontrar parceiros de desideologia.

Ela é uma ave de rapina em terras de rinocerontes, traz notícias de outros mundos em suas asas, espalha suas visões do além nos olhares acostumados.

Ela cansa, mas segue sendo presa das próprias experiências. Se usa para entender um mundo sem entendimentos, segue nua, despida de mitos em terras de zumbis agarrados à valores cegos. Acha que o mundo está intoxicado de excesso de sentidos, flerta com a possibilidade de viver sem eles.

Ela é uma criança desarmada sobrevivendo e perambulando num campo de guerras. Distribui gotas de simplicidade nos olhares viciados.

Ela é uma mulher do século XXI, ainda humana, descrente, sobrevivente, desmistificando-se mas ainda despertando mitos nos olhares, paciente com o caos de um mundo que ainda não aceitou a própria morte e justo por isso ainda não renasceu.

Autoconhecimento e estilo – o que eles têm em comum?

Autoconhecimento e estilo – o que eles têm em comum?

Tem muita gente por aí buscando dicas, sugestões, guias e muitas vezes até mesmo “regras” que teoricamente precisamos seguir para entrar em padrões, ou para passar uma imagem pela qual esperamos ser reconhecidos. Você também já fez isso, não? Quando se trata de moda e vestuário, essa tendência fica ainda mais evidente: qual tipo de roupa faz com que eu pareça mais fina, clássica, estilosa, elegante?

A ideia de que a maneira como nos vestimos diz muito sobre nossa personalidade é um fato. Porém, isso não significa que se nos vestirmos como uma estrela de rock, ou como uma hipponga que acabou de sair de Woodstock, vamos realmente transmitir essa imagem para outras pessoas – se não for genuíno, nosso look pode causar estranheza ou mesmo carregar um ar de falta de autenticidade. Isso ocorre porque o processo orgânico e natural é o inverso: na realidade, é nosso interior que tem a capacidade de se  exteriorizar, e o fazemos por meio das nossas expressões psicológicas – nosso humor, nossas crenças, nosso comportamento-, e também pelas expressões físicas e tangíveis – a roupa que vestimos, as músicas que escutamos, o corte de cabelo pelo qual optamos e até mesmo os lugares que frequentamos.

Aonde queremos chegar? Quanto mais nos autoconhecemos, entendemos quem somos, o que nos move, quais são nossas prioridades, medos, alegrias e objetivos, mais conseguimos nos expressar com autenticidade e legitimidade em relação ao nosso verdadeiro eu. E quando nos expressamos de maneira fidedigna ao nosso eu, é natural que desenvolvamos muito mais segurança e conforto nas nossas ações e expressões. Isso quer dizer que toda nossa postura em relação à vida também se altera.

Retornando à ponte que liga personalidade a moda e elegância, nosso nível de conhecimento pessoal é relativo ao que transmitimos. Pra ficar mais claro, aqui vai um exemplo: salto alto é elegante, correto? É o que dizem por aí. Mas imagine as duas situações a seguir. Na primeira, uma mulher vai para uma reunião vestindo um terninho de malha, uma cachecol, uma calça folgada e uma sapatilha; ela precisa se vestir de maneira relativamente formal mas não se sente confortável com o clássico formal, então adaptou o terninho para seu estilo próprio. Na segunda situação ela veste saia lápis, blusa de seda e salto alto; porém, o forte dela não é se equilibrar no salto e ela não se sente bem com aquela saia justa e apertada. Visualize e reflita: com qual look você acha que ela consegue ter mais elegância?

Ser elegante é ter auto estima e confiança para expressar quem você realmente é. É alinhar alma, mente e corpo de modo que todos falem a mesma língua. É acreditar que qualquer reação e transformação acontece primeiro dentro de você. É se conectar com seu interior e permitir que ele se expresse no mundo de fora. Existe uma mensagem budista, doutrina que se concentra pela Ásia e expande para cada vez mais países, que diz “conquistar a si mesmo é uma tarefa maior do que conquistar os outros.” Quando você se conquista e se entende, daí fica fácil mostrar pro mundo quem você é, fica fácil ser elegante não só na sua roupa, mas na sua postura para lidar com a vida e com outras pessoas.

Também da Ásia vem um estilo de roupa que tem se disseminado pelo mundo todo e que tem sido ampliado no Brasil por meio da Calça Thai, a primeira loja online a vender calças tailandesas no Brasil. A Calça Thai acredita na liberdade de expressar seu estilo e atitude com a confiança para ser realmente você. Seu modelo de negócio segue o comércio justo, construindo uma empresa consciente, que utiliza produtos naturais como matéria prima e se preocupa com todos os aspectos da sua cadeia de produção.

”Através da leveza e das cores das nossas calças, todas feitas à mão com tecidos finos selecionados, queremos representar muito mais do que uma peça nova no seu guarda-roupa. O que buscamos mesmo é trazer um novo conceito de estilo de vida, possibilitando todo o movimento que os seus dias exigem, construindo uma jornada leve e responsável e trazendo um novo olhar à indústria da moda.”

Esse texto foi escrito pela equipe da CalcaThai.com que espera que você seja cada vez mais elegante, cada vez mais confortável com seu interior e exterior e cada vez mais você J

A gente se distrai das pessoas

A gente se distrai das pessoas

Se eu pudesse dar um conselho hoje, eu apenas diria: aproveita! Porque a gente se distrai mesmo das pessoas que já foram o centro do nosso coração errante. A gente se distrai delas, seja através do estranhamento calcado diariamente, por decepção violenta, seja porque naturalmente é da gente um dia também se distrair da dor.

A gente se distrai tomando a triste ciência de que tem gente que abusa do afeto. Eu entendo: há gente que aprendeu que as relações são assim, amensalistas, um dando-se para o tomar constante do outro. Há gente que cresceu em lares pouco afetuosos, há gente que foi endurecendo-se pela crueza da vida.

Há gente que foi ficando assim sem perceber, mas a partir do momento que eu percebo, cabe a mim escolher: permanecer ou não nesse tipo de laço, como aquele que sempre perde um pouco mais, como aquele que perdoa mais uma vez a falta de cuidado, como aquele que sempre é sugado para o caos alheio, envolvido por laços que mais parecem embaraços constantes. Eu não posso ser mais essa pessoa para ninguém. Foge-me o tempo, urge-me a pressa de relações mais verdadeiras, de pessoas mais verdadeiras inclusive para si mesmas.

Triste ou naturalmente, a gente também se distrai de quem nessa vida só nos foi amor. Demora um tantinho mais, não vem vestido nas formas ácidas do amargor, mas acontece. A gente se distrai do estar à volta delas tomando um avião, um caminho diferente que só nossos pés compreendem. Então aproveita, ama no tempo da pureza, olha demoradamente enquanto a beleza ainda está lá para ser vista. Porque a vida distrai a gente das pessoas. Das que nos fazem bem e das que não fazem a menor diferença.

Para quem me é benção ou para quem só faz bem para si, eu só digo uma coisa: aproveita. Para a vida ou para a curva distraída que a finda, nós um dia nos distrairemos um do outro. Uns guardo comigo como o bem que também me foram. Outros, apenas como pessoas que se vão entre uma distração e outra.

O amanhã é agora

O amanhã é agora

Lembro do tempo em que eu costumava investir todas minhas energias idealizando meu futuro. Eu começava o dia torcendo para que ele acabasse logo, só assim eu poderia descansar. Passava a semana esperando pelo domingo, só assim eu poderia dormir até mais tarde.

Passava o ano sonhando com as férias, só assim eu teria um tempo de qualidade em família. Felizmente, em agosto do ano passado, esse mecanismo foi interrompido. Infelizmente, isso aconteceu por meio de um tumor maligno que se alojou na minha língua.

O câncer me fez encarar a possibilidade de morrer antes do esperado. A doença, simplesmente, passou uma borracha em meu futuro. Apagou, sem dó nem piedade, tudo aquilo que nem teve a oportunidade de acontecer. E foi só quando me vi assim, desprovida de futuro, que aprendi a viver.

Hoje, vejo que o futuro é feito de muitos “agoras”. É feito de vários “momentos presentes”. O amanhã é uma coleção de “hojes”. Se não for encarado assim, o futuro se torna um lugar muito distante. Passamos a vida planejando o futuro enquanto a riqueza do presente nos escorre pelos dedos.

Condicionamos nossa felicidade a conquistas que ainda não aconteceram enquanto esquecemos de demonstrar gratidão diária pelo que já é nosso. Estamos tão habituados a querer sempre mais que raramente paramos para apreciar o que já está a nossa volta.

Precisamos planejar, sonhar, visualizar o futuro, sim. Isso nos move, renova nossas forças, nos faz ter objetivos. Mas tudo o que for desejado para daqui a algum tempo deve estar aliado ao que é desejado hoje. Objetivos a curto prazo são igualmente importantes.

Planejar o dia de hoje é tão necessário quanto planejar o resto da vida. Pensar em maneiras de aproveitar o presente é um atalho para um futuro brilhante. Até porque o futuro é apenas uma hipótese, uma mera possibilidade. As únicas certezas que temos moram no passado e neste exato momento. Todo o resto é mistério.

O amanhã não existe sem o hoje, mas o hoje existe sem o amanhã. É aí que mora o segredo. É só através do agora que chegaremos ao depois. Só através deste exato momento, chegaremos ao próximo. A consciência do valor de cada etapa nos encaminha para uma vida mais tranquila.

Se conseguirmos saborear o que nos é oferecido nessas vinte e quatro horas, certamente as próximas vinte e quatro virão com algo a mais. Encarando a vida assim, como um conjunto de dias a serem aproveitados em sua essência, a ansiedade da espera por um futuro melhor dá lugar à certeza de que o melhor é o que temos para hoje.

E, assim, se algo der errado, se o tal futuro não chegar, nada terá sido em vão. Cada dia terá sido precioso e valioso a ponto de ter feito a vida valer a pena.

Afinal, a vida é esse amontoado de dias que vai passando sem que a gente perceba. O futuro é esse monte de momentos desperdiçados pela rotina. O amanhã é essa porção de “hojes” jogados fora. O amanhã é agora! O futuro é hoje! A vida é já!

Quando a criança que fomos vem salvar o adulto que estamos tentando ser

Quando a criança que fomos vem salvar o adulto que estamos tentando ser

Eu já fui uma menininha muito medrosa. Tive medo do escuro, da autoridade dos adultos, de pessoas agressivas, de não ser amada, de errar.

Passei grande parte da minha vida de criança acreditando que precisava ser perfeita, que não podia reclamar e, mais do que tudo, que não tinha o direito de ter medo. Alimentava a fantasia de que um dia todo esse medo se transformaria em força, e que a angústia da falta de coragem se transformaria apenas em uma lembrança incômoda. E essa transformação aconteceria assim. Pluft! Como num passe de mágica! Não foi assim.

Cresci frágil, muito frágil aos olhos do mundo. Mas, dentro do meu peito foi crescendo uma outra versão de mim mesma. Uma menina destemida, atrevida, curiosa, atirada e forte foi se desenhando. Um desenho complementar afetivo, constituído por duas meninas numa só. Essa outra, de dentro do meu peito, deu a mão para a menininha frágil e precisou muito dela para não se perder.

Um dia, nós duas fomos visitadas por uma ameaça real. Não era mais um medo infantil, temido pela medrosa, nem mais uma das tantas batalhas ideais tão ansiadas pela corajosa.

Era um turbilhão de pequenos sustos que foram se tornando maiores e mais próximos e mais reais, sensações e acontecimentos a invadir o corpo físico e psíquico, minando a força dominando a alma, minando a fé na própria força e nas belezas da vida.

Nós duas ficamos muito, muito assustadas com tudo isso! Então, aconteceu algo realmente extraordinário. A menininha medrosa encheu o peito de ar, a cabeça de sonhos, as mãos de alegria e disse para a corajosa “Vem, eu vou te ajudar!”

Coisa mais estranha e linda essa. A lógica dos adultos é frágil diante da dor física e do sofrimento psíquico. A alma de criança não as reconhece como ameaça, não as aceita, não as deixa ficar.

E foi assim, desse jeito meio torto e bem bonito que as minhas partes de mim se uniram para me salvar.

E foram tantas experiências avassaladoras e espantosas, surpreendentes e amorosas, inacreditáveis e preciosas. Nós duas, juntas, somos quase, quase imbatíveis.

E depois desse encontro e de tantas batalhas vencidas, nós nos deitaremos na areia, na beira de um mar muito distante e verde azulado, e poderemos chorar e rir, a cura, a vitória, a passagem pelos vales escuros e a chegada aos cumes iluminados. Porque é disso que é feita a vida, do encontro da criança que fomos com o adulto que estamos tentando ser.

E caminharemos sempre de mãos dadas debaixo das estrelas. Porque tudo isso já estava decidido! Já estava escrito. Já era, muito antes de ser! Eu sou um milagre! Todos nós somos!

E acredite, isso não é pouca coisa!

Ela é uma mulher em transição

Ela é uma mulher em transição

Ela não ama mais como antigamente, com o brilho do romantismo ofuscando a submissão, mas ela também não ama ainda de um jeito novo, está numa fase de transição.

Ela ama pessoas acima de intenções, vê sem o filtro dos deuses, abriu a caixa de pandora, liberou os pecados e percebeu que nenhum ser humano é herói ou vilão.

Ela vive na passagem, desfez os nós das posses e ainda acredita no brilho dos olhares.

Não sonha mais com pessoas, não acredita na salvação por outras mãos, sonha com um mundo mais consciente. Quer ser respeitada em suas escolhas, inclusive na de ser solta e espontânea num país que não escuta e respeita o jeito de ser de uma versão pós moderna de mulher, pós uma era, pós conceitos que já não vingam no peito dela.

Ela é uma mulher de tantos ‘nãos’ porque aprendeu a dizer ‘sim’ para si mesma. Mulher de lutas, mesmo silenciosas, conta com as próprias mãos e tantas vezes caminha sozinha por não encontrar parceiros de desideologia.

Ela é uma ave de rapina em terras de rinocerontes, traz notícias de outros mundos em suas asas, espalha suas visões do além nos olhares acostumados.

Ela cansa, mas segue sendo presa das próprias experiências. Se usa para entender um mundo sem entendimentos, segue nua, despida de mitos em terras de zumbis agarrados à valores cegos. Acha que o mundo está intoxicado de excesso de sentidos, flerta com a possibilidade de viver sem eles.

Ela é uma criança desarmada sobrevivendo e perambulando num campo de guerras. Distribui gotas de simplicidade nos olhares viciados.

Ela é uma mulher do século XXI, ainda humana, descrente, sobrevivente, desmistificando-se mas ainda despertando mitos nos olhares, paciente com o caos de um mundo que ainda não aceitou a própria morte e justo por isso ainda não renasceu.

Fabrício Carpinejar: ‘A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando’.

Fabrício Carpinejar: ‘A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando’.
Fotografia: Rodrigo Rocha

Foram algumas tentativas até conseguir me encontrar com ele. Telefonemas, e-mails e uma dose de perseverança. Culpa da agenda sempre lotada com compromissos que variam entre gravações, palestras e lançamentos. Depois de uma verdadeira maratona de trabalho, finalmente conseguimos marcar um almoço num restaurante mexicano em São Paulo, em plena segunda-feira. Uma pequena pausa antes de pegar o voo de volta à Porto Alegre, depois de inúmeros e incansáveis compromissos profissionais. Foi nesse clima de decatlo que o poeta, apresentador, cronista e provocador sentimental Fabrício Carpinejar (43 anos) concedeu entrevista exclusiva à CONTI outra.

Quando cheguei, ele e sua esposa, a advogada mineira Beatriz Reys, já me esperavam. Não foi difícil acha-los, já que eram as únicas pessoas no local. Alguns minutos depois, eram quatro os sotaques à mesa. O mineiro de Beatriz; o gaúcho de Fabrício; o meu, que é uma mistura de nada com coisa nenhuma; e o pernambucano de Duda, amiga do casal que chegou pouco depois. Enquanto minha pessoa física bebia algumas cervejas e aproveitava o tempo entre amigos, a jurídica tentava prestar atenção nos detalhes e procurava não perder pontos importantes da conversa informal. Todo repórter é meio esquizofrênico em ocasiões como essa.

Bia e Fabrício estão passando pelo turbilhão do casamento recém firmado. Muitos compromissos, planos de viagens e as angústias que envolvem todo relacionamento. “Não tem relacionamento sem angústia. Porque esperança já é uma angústia, só que a esperança é uma angústia feliz”, explica Carpinejar.

Os dois vivem uma vida conjugal bem madura, onde medos e apreensões são expostos sem cerimônias, bem como desconfortos referentes à vida a dois. Ao que parece, o segredo deles é o contraste. “O amor é oposição criativa, é adversidade bem-humorada. A gente acaba se aproximando daquela pessoa que teríamos dificuldade de dominar. Por isso que casamos: quando fracassamos no domínio, quando fracassamos em comandar, quando fracassamos em dar as ordens. O amor é um despoder”, justifica.

A primeira coisa que você vai notar ao sentar-se com Fabrício é o fato de que é muito fácil sentir-se amigo dele. Não por fofura ou meiguice, mas por certa cumplicidade humana. Por ele estimular o interlocutor a pensar por caminhos nada convencionais, questionando a seu modo o discurso hegemônico sobre qualquer coisa.

Como exemplo dessa facilidade de estabelecer contato, cito a forte amizade que tem com o cantor e compositor Renato Godá. “Nos conhecemos durante a gravação de um programa de televisão em Porto Alegre. Era um programa ao vivo com outros convidados e quando o apresentador falou meu nome ele interrompeu aos berros – ‘Bah!!! Não acredito, te ouvi no rádio hoje e tentei comprar seu disco, mas não encontrei!’”, lembra Renato. “Achei engraçado ele atropelar o apresentador e sair falando no meio da gravação como se estivéssemos num bar, como tantos que frequentamos depois deste dia”. O músico menciona outra paixão em comum que os uniu: o futebol. “Na noite seguinte ele apareceu no meu show, era um dia de clássico entre Grêmio e Internacional, ele é fanático pelo Inter, mas abriu mão dos ingressos já comprados e apareceu no show com a família. Também sou torcedor fanático e entendi aquilo como uma prova de amor”. Os dois acabaram virando parceiros musicais e algumas dessas composições farão parte do próximo álbum de Renato Godá.

contioutra.com - Fabrício Carpinejar: 'A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando'.

Outra pessoa que sabe bem desse poder de conquista pela espontaneidade, é o escritor Marcelino Freire. “Já bebemos, juntos algumas vezes, para afogar mágoas, revigorar almas. E rir muito. Carpinejar é um dos caras mais espirituosos que conheço. Em viagens que fizemos juntos pelo Brasil, é contagiante, inclusive, vê-lo fazer os outros rirem. Ele gosta de, por onde passa, abrir sorrisos represados. É o poeta do sorriso”. A tirar pelos depoimentos de Marcelino e Renato, o bar teve papel fundamental no desenvolvimento fraternal entre eles. Parafraseando vagabundamente o americano Jack London (1876-1916), não se pode esperar pela inspiração, deve-se procurar por ela no bar. Pelo visto, o mesmo método pode funcionar igualmente com amizades.

Doença Incurável

“O amor é uma doença sexualmente transmissível”, escreveu sabiamente Marçal Aquino. Fabrício Carpinejar concorda. “Eu gosto dessa frase do Marçal, porque traz o quanto que o sexo realmente tem essa vocação de endoidecer almas, de desentortar almas. O amor talvez seja uma ingenuidade readquirida na vida adulta. É quando a gente deixa de enxergar as restrições e os preconceitos e os pré-requisitos para viver inteiramente uma inocência”.

Concorda também que homens e mulheres possuem maneiras distintas de embarcar em uma relação. “Para o homem, o sexo é o princípio do amor”, explica. “A porta da percepção do amor para a ala masculina, é o sexo. Ou seja, ele ficará com quem ele realmente amou se relacionar. Já a mulher pode dar o maior voto de confiança e se apaixonar, não através do sexo, mas pela gentileza, pelo cuidado, pela amizade, pelas outras demandas emocionais”.  Instigador que é, faz questão de dinamitar o mito do homem sexualmente adaptável. “O que uma mulher precisa saber é que o homem não tem arma secreta. Tudo o que ele fez na primeira noite, ele fará nas seguintes. Se ele foi ruim, ele é realmente ruim. Não tem como converter um homem ruim de cama em um bom de cama”, ri.

Hortifrúti Pós-Moderno

O sociólogo Zygmunt Bauman, em seu livro Vida Para Consumo (ZAHAR, 2008), defende que com a avanço da tecnologia, veio o impulso de nos colocarmos voluntariamente em prateleiras virtuais. Comércio regulamentado pelo desejo desenfreado de exposição. Trabalha-se o rótulo enquanto o conteúdo empobrece. Em tempos assim, é fácil se deixar levar pelo superficial e não cuidar do essencial. Sobre o assunto, Carpinejar diz que o que costuma acontecer é o cultivo do próximo marido ou da próxima esposa no facebook. “Tu estás numa relação já mirando a próxima, já trabalhando possíveis candidatos para um outro relacionamento”. Enxerga essa facilidade desmedida como “um desgaste à intimidade, porque sempre tem concorrências imaginárias e invisíveis nas redes sociais”.

Em tempos de extrema pressa e desatenção, “precisamos reaprender a segurar a mãozinha, a olhar nos olhos, a não atropelar o silêncio, a fazer cafuné. Pouquíssimos realizam bom cafuné”, avalia.“Tem casais que não sabem fazer massagens nos pés; tem casais que não sabem coçar as costas um do outro. Podemos fazer uma Universidade do Amor, com essas pequenas técnicas domésticas, abandonadas pela virtualidade”.

Seja nos biscoitos da sorte, nas frases de facebook ou nas linhas tortas da palma da mão que a cigana da esquina traduz com seu braile místico, a fidelidade é assunto em alta. Mas quase sempre a lealdade acaba ficando de fora da conversa. Será medo de saber realmente o que o outro pensa? De exercitar o ato de ouvir o outro, principalmente quando as notícias e confissões tendem a não ser tão animadoras quanto esperamos? A impressão que fica é de que a fidelidade é seletiva em seus parâmetros.

“As pessoas não colocam a lealdade junto da fidelidade porque a lealdade é muito mais difícil de ser exercida. A lealdade é dizer o que está pensando, o que está querendo, onde quer ir, se está feliz ou não”, pondera, antes de continuar. “Lealdade é expor nossas intenções. A fidelidade é apenas proteger as nossas intenções a dois. Ou seja, de repente alguém não trai, mas passa a relação inteira sendo desleal. Lealdade é prestar contas diariamente, do que somos, do que queremos ser e nunca abdicar das confidências, dos segredos, da conversa permanente”, conta.

Fabrício gosta de usar a metáfora fidelidade como jardim, como fachada da casa. Já a lealdade seria como o fundo dela, algo que não se vê. “A lealdade é amar quando o outro não está nos enxergando”, resume. Em suma, com toda a problemática que envolve os romances virtuais e práticos, o sincero gaúcho constata que “é preciso ser fiel e leal na vida real e na vida virtual”.

Sobre a grande popularidade do seu trabalho como cronista, grande parte conquistada justamente na internet, defende que escreve crônica para preparar o público para mais poesia. Já sobre o papel de guru do coração que o sucesso parece querer lhe impor, ele é bem enfático. “Não sou guru do amor. Eu sou um poeta e o poeta mora na dúvida. A dúvida traz muito mais experiência do que a certeza”.

O que mais posso dizer? Apenas que estou na fila de matrículas para a Universidade do Amor, proposta por ele. E ninguém tem dúvidas de quem seria o professor mais requisitado dela.

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