Troca de olhares é o segredo do afeto entre cães e donos, comprova pesquisa

Troca de olhares é o segredo do afeto entre cães e donos, comprova pesquisa

Que o cachorro é o melhor amigo do homem a gente já sabe. A novidade é que esse laço de amizade pode ser fortalecido ainda mais, segundo pesquisa recente. Publicado na revista Science, o estudo indica que a troca de olhares entre cães e seus donos é o que alimenta a felicidade de ambos.

Para estudar o assunto, o veterinário japonês Takefumi Kikusui e sua equipe colocaram trinta cachorros juntamente com seus donos em uma sala durante trinta minutos. Eles então observaram a troca que ocorria: olhares, carícias e conversas cheias de afeto.

Os pesquisadores mediram, antes e depois do experimento, a quantidade de oxitocina da urina dos bichos e dos donos. Você pode não saber, mas a oxitocina é um hormônio liberado, por exemplo, quando estamos apaixonados. Por esse motivo, é conhecido também como o “hormônio do amor”. O resultado a que os cientistas chegaram surpreende: quanto mais troca de olhares ocorria entre eles, mais oxitocina o cérebro de ambos produzia.

Para entender se o mesmo ocorria com outros animais, os pesquisadores repetiram o experimento com lobos criados em cativeiro. O nível de oxitocina, no entanto, não aumentou.

Em um terceiro experimento, o veterinário borrifou o hormônio no focinho de outros cachorros e colocou-os novamente em um ambiente com seus donos. Dessa vez, com mais duas pessoas desconhecidas. Alguns cães, estranhando a situação, ficaram paralisados olhando para seus donos e, novamente, ambos produziram mais oxitocina.

“Esses resultados respaldam a existência de um circuito de oxitocina que se autoperpetua na relação entre humanos e cachorros, de uma maneira similar à que ocorre com uma mãe humana e seu filho”, disse a equipe de Kikusui.
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A pesquisa, no entanto, ainda precisa ser aprofundada. Segundo especialistas, o experimento com lobos, por exemplo, tem de ser feita com animais mais socializados, treinados para olhar nos olhos dos humanos. Outro ponto questionado foi que os cachorros que tiveram o focinho borrifado com oxitocina eram todos fêmeas.

Para os donos, entretanto, o estudo foi apenas a comprovação científica do que já era sabido. Afinal, quem está sempre lá, fazendo festa, quando você chega em casa no final do dia?

Os olhos de um animal têm o poder de falar uma língua única

Os olhos de um animal têm o poder de falar uma língua única

Por Valéria Amado

O poder de um olhar transcende muito além do sentido da visão. Por incrível que pareça, os nossos nervos ópticos estão intimamente ligados ao hipotálamo, essa estrutura delicada e primitiva onde se localizam as nossas emoções e a nossa memória. Quem olha sente, e isto é algo que acontece também com os animais.

Se os olhos são a janela da alma, então algo me diz que os animais também a têm, porque eles sabem usar essa linguagem que não necessita de palavras como ninguém: é o idioma do afeto e do respeito mais sincero.

Todos nós, em algum momento da nossa vida, já experimentamos o seguinte: ir adotar um cachorro ou um gato e estabelecer de imediato uma conexão muito intensa com um deles só de o olhar nos olhos. Sem saber como, eles nos cativam e nos conquistam. No entanto, os cientistas dizem que existe algo mais profundo e intrigante do que tudo isto.

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Os olhos dos animais, uma conexão muito antiga

Os cachorros e os gatos são dois dos animais habituados há muitos anos a conviver com o ser humano. Já não surpreende a ninguém a forma tão sábia, e por vezes atrevida, que eles têm de interagir conosco. Eles nos olham nos olhos fixamente e são capazes de expressar desejos e necessidades através de todo tipo de carinhos, gestos, movimentos do rabo e vários tipos de cumplicidades.

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Temos harmonizado comportamentos e linguagens para nos compreendermos, e isto não é um ato casual.  É mais um resultado de uma evolução genética onde espécies diferentes se acostumaram a conviver juntas para benefício mútuo. Algo que também não nos surpreende é o que nos revelou um interessante estudo realizado pelo antropólogo Evan MacLean: os cachorros e os gatos são bastante capazes de ler as nossas próprias emoções só de nos olharem nos olhos.

Os nossos animais de estimação são mestres dos sentimentos. Eles podem identificar padrões gestuais básicos para os associar a uma determinada emoção e raramente falham. Além disso, este estudo também explica que as pessoas costumam estabelecer um vínculo com os seus cachorros e gatos muito parecido com o que criam com uma criança pequena.

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Nós os criamos, entendemos e estabelecemos um laço forte como se fossem membros da família, algo que, por incrível que pareça, foi proporcionado pelos nossos mecanismos biológicos depois de tantos anos de interação mútua.

As nossas redes neurológicas e a nossa química cerebral reagem do mesmo modo como se estivéssemos cuidando de uma criança ou de uma pessoa que necessita de atenção: liberamos oxitocina, o hormônio do carinho e do cuidado. Por sua vez, os animais também agem da mesma forma: nós somos o seu grupo social, a sua família, os humanos amáveis com que eles compartilham o sofá e as sete vidas de um gato.

A biofilia, a conexão com a natureza e os animais

O mundo é muito mais bonito visto através dos olhos de um animal. Se todas as pessoas tivessem a excepcional habilidade para se conectar com eles deste modo, “recordaríamos” aspectos que antes eram inatos e que agora esquecemos devido à agitação da civilização.

A nossa sociedade está agarrada ao consumismo, à exploração exagerada dos recursos, e isto fere o planeta Terra que os nossos netos deveriam herdar com a beleza do passado, com os seus ecossistemas intactos, com a sua natureza tão bela, viva e reluzente, e não com tantas fraturas quase impossíveis de recuperar.

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Quando ter um animal significava sobreviver melhor como espécie

Edward Osborne Wilson é um entomologista e biólogo norte-americano conhecido por ter criado o termo “biofilia”. Esta palavra define o amor por todos os seres vivos que, em geral, é algo que a maioria das pessoas que gostam de animais já experimentou. Segundo o cientista, a afinidade que estabelecemos com os nossos animais tem a sua origem nos primeiros períodos evolutivos da nossa espécie.

  • Ao olhar nos olhos de um animal nasce dentro de nós, de forma inconsciente, uma ancoragem emocional e genética. O ser humano estabeleceu um tipo de vinculação muito íntima com certos tipos de animais, sendo o cão um dos mais relevantes nessas épocas remotas, onde a nossa máxima prioridade era sobreviver.
  • Uma das teorias de Edward Osborne é que as pessoas que contavam com a companhia de vários cachorros nos seus grupos sociais tinham mais chances de viver mais tempo, em comparação com aqueles que não dispunham deste vínculo.

As pessoas que eram capazes de conquistar um animal, de domesticá-lo e de construir uma relação de afeto e respeito mútuo estavam muito mais unidas à natureza, aos seu ciclos, a esses segredos sobre encontrar mais recursos para seguir em frente: água, caça, plantas comestíveis…

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É possível que nos dias de hoje os nossos cachorros já não sejam mais úteis para conseguir alimento. No entanto, para muitas pessoas a proximidade e a companhia de um cachorro ou gato continua a ser imprescindível para “sobreviver”. 

Eles nos dão carinho, doses imensas de companhia, aliviam sofrimentos, conferem alegrias e nos recordam todos os dias por que é tão reconfortante olhá-los nos olhos. Eles não precisam de palavras, pois a sua linguagem é muito antiga, muito básica e até maravilhosamente primitiva: o amor. 

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Não deixe de desfrutar dos seus olhares, veja o seu reflexo neles todos os dias e você vai descobrir tudo o que há de bom em você.

Às vezes, as coisas não dependem de tempo, mas sim de uma atitude

Às vezes, as coisas não dependem de tempo, mas sim de uma atitude

Dizem por aí, aos quatro ventos, que o tempo é o senhor da razão, que ele põe as coisas em seus lugares e mostra as verdades, mas isso não significa, de modo algum, que devemos nos comportar como meros espectadores de nossas próprias vidas. Somos os protagonistas de nossa jornada, ou seja, o tempo nos mostrará não o que ele fez e sim o que nós mesmos fizemos de nossas vidas.

Precisaremos nos afastar de certos conflitos e situações problemáticas para podermos recobrar nossos sentidos e buscar soluções em vez de fugir ao que nos incomoda, sem tentar intervir no que pode e deve ser mudado. Temos que enfrentar as situações que nos afligem como sujeitos ativos, analisando nossas responsabilidades, assumindo nossa parte e mudando para melhor o que em nós for negativo.

Temos uma enorme influência na vida de quem nos rodeia, pois não vivemos isolados do todo. O que fazemos reflete em tudo e em todos que se encontram à nossa volta. Postarmo-nos como público passivo, como se estivéssemos em frente ao que não tem a ver conosco, ao que não recebe nossa interferência, é cômodo, porém estéril, vazio de sentido. Dessa forma apenas limitamos e neutralizamos o melhor que temos dentro de nós e que merece ser compartilhado.

Em diversas situações, teremos tomar uma atitude imediata, de forma segura e nem sempre simpática, para que não percamos pessoas, para que não sejamos injustiçados, para que não nos desrespeitem, para que não abusem de nossa solicitude, para que sobrevivamos, enfim. Mesmo que doa, é assim que evitamos arrependimentos futuros e lamentações sobre o que poderíamos ter dito, ter feito, ter vivido.

Saber que o tempo contribuirá à verdade e à justiça é preciso, mas tendo a certeza de que fizemos a nossa parte em contribuição ao que virá. Porque ficar assistindo à passagem do tempo, aguardando providências sobrenaturais, sem agirmos, fará com que o que nos aguarda esteja impregnado pelas nossas omissões e covardias. E assistir ao tempo perdido traz muita tristeza, muitos arrependimentos, além da impotência frente ao que já é tarde demais. Como dói o tarde demais…

Os médicos, os psicólogos e os anjos

Os médicos, os psicólogos e os anjos

Dentro de cada um de nós há milhares de partículas vivas ansiando cada qual por alguma coisa. E esses inúmeros anseios que nos habitam, ora têm motivações coincidentes, ora discordam completamente. No fundo, somos unidades vivas caóticas perambulando por aí. E, na maior parte das vezes, apenas cruzamos uns com os outros, sem que nossos olhares se encontrem, sem que nossas almas se toquem.

Cada um de nós trava suas batalhas diárias e pessoais, sabendo muito bem e exatamente onde é que dói, onde é que o prazer acontece, onde é que se é indiferente, onde é que já não se sente mais nada. Há partes de nós que se quebram, que adoecem que carecem de cuidados.

Não raras vezes somos despertos por uma dor incomum, ou uma reação do corpo exagerada. E quando esse sintoma é físico, aqueles de nós que contam com uma existência minimamente organizada, levam essas impressões àqueles outros de nós que se dispuseram a aprender a ver, considerar, compreender e buscar a cura para as misteriosas disfunções orgânicas.

Quando o corpo dói, ou não funciona como deveria, procuramos os médicos. E é lógico que esperamos que essa pessoa, academicamente formada para curar, nos examine e ausculte e apalpe e sonde, até que se descubra o que é que afinal há de errado conosco fisicamente. Mas, na verdade, também esperamos que por dentro desse especialista em doenças, haja um ser humano que nos considere algo além de um organismo vivo.

Esperamos ser enxergados além da ferida visível, da dor aguda ou crônica. E muitas vezes, inclusive, nos esquecemos que aquela pessoa ali na nossa frente é também alguém que dói, que adoece, que tem lá suas mazelas. O fato de serem médicos não os imuniza, não concede a eles nenhum superpoder. Mas, somos sempre tão distraídos em relação às relações humanas, não é?

Ahhhhh, mas a coisa pode ficar ainda um tantinho mais complicada. A dor física, em todo caso, é aquela imperfeição tolerada. Afinal, somos feitos de carne e osso! A doença do corpo é permitida, é reconhecida. Muitas delas, mobilizam milhões de pessoas em campanhas envolvendo lacinhos cor-de-rosa, troca de fotos de perfil nas redes sociais e tudo o mais. A doença física é perdoada, desde que não seja contagiosa é claro! Mas… o que dizer daquela outra? O que dizer das doenças que não se resolvem com cirurgias, antibióticos ou curativos?

Até que ponto estamos preparados para acomodar em nossos espaços aqueles de nós que teve a infeliz ideia de ter uma dor psíquica. Até que ponto estamos dispostos a admitir que a esquizofrenia, a bipolaridade, a depressão e tantos outros transtornos são tão reais quanto o diabetes ou a hipertensão? Quantos de nós está preparado de fato para admitir-se doente, quando a doença é invisível? Quantos de nós entende a nobreza e profundidade da missão assumida por um psicólogo? Quantos de nós é capaz de entender que a Psicologia é uma ciência, e como tal precisa ser olhada, assumida e respeitada?

A busca por ajuda psicológica deveria acontecer com a mesma naturalidade que acontece a busca por um analgésico quando nos dói a cabeça, o nervo ciático ou a unha encravada. Tratar a dor psíquica não deveria ser considerado supérfluo ou secundário. Admitir ter a dor psíquica não deveria vir acompanhado do peso e do estigma de “não ser normal”. Até quando vamos fazer de conta que os males psicológicos são menos importantes, ou menos incapacitantes? Até quando vamos fechar os olhos para o número alarmante de suicídios que acontecem, mas são abafados, escondidos, ignorados?

As maiores e mais devastadoras tragédias acontecem assim, no silêncio, nas verdades veladas, nos “não-ditos”. E, já que temos por coincidência o mesmo chão para pisar e o mesmo planeta para habitar, tenhamos a sabedoria para entregar aos médicos o corpo adoecido e aos psicólogos os nossos descabimentos, angústias e ferimentos internos. Quem sabe assim, abrindo mão de certezas congeladas e ideias pré-concebidas, não acabemos por descobrir em nossas costas humanas as asas de um anjo. Pois anjos podemos ser todos nós… os médicos, os psicólogos, e até mesmo, os anjos, desde que tenhamos a sabedoria de abrir mão das tolas crenças cristalizadas.

Quem sofre de dependência precisa de um médico. Não de um amor.

Quem sofre de dependência precisa de um médico. Não de um amor.

Pode até ser. Pensando bem, o amor pode até provocar dependência. A gente vicia nesse negócio de querer bem, de pensar em alguém com carinho, de amar a si mesmo. Aí não tem jeito. Difícil viver sem. Concordo, o amor acostuma a gente bem. Mas eu concordo só até aí. Depender de um sentimento bom e pautar suas ações por ele é sinal de nobreza. Agora, condicionar esse sentimento a outra pessoa e dela precisar para ser feliz, carecer da presença de um ser humano livre e independente e dele se ocupar a ponto de anular a própria vida é caso para tratamento médico.

Com exceção dos nossos filhos, “dependentes” de seus responsáveis por motivos óbvios, e dos pais, avós, parentes, amigos próximos de quem cuidamos na velhice, Deus nos livre das pessoas afeitas a depender das outras em nome de seu pretenso amor. Peço a Ele que nos afaste de declarações desesperadas como “eu não vivo sem você” e inunde de amor próprio o coração de quem costuma fazê-las por aí. Deus nos livre!

Depender do amor de alguém é reduzir o sentimento amoroso à condição de uma droga, uma substância química escravizadora, muleta que a gente usa para atravessar a vida, porcaria que nos ilude e nos arranca o poder de escolha. Coisa que nos vicia, aprisiona e mata devagar, com toda sorte de sofrimento e dor.

Eu tenho a impressão de que o amor não é nada disso, não. Amar liberta, não prende. Encoraja e não acovarda. É saúde, não doença. Virtude e não vício. Amor não faz mal jamais. Quem acha que amar também machuca, como no caso do amor não correspondido, confunde o amor com o fato de ele por acaso não ser correspondido. Confunde o seu amor com a falta de amor do outro. Mistura amor e frustração. Não entendeu nada! Ou anda viciado na droga barata do amor dependente, tóxico, rasteiro e daninho.

Sentir amor é outra coisa. Nada a ver com a sensação de posse que se tem sobre um carro, uma casa, uma coisa. Gente não tem escritura, nota fiscal, recibo. Não se pode comprar. Amar independe da retribuição do outro, dispensa reciprocidade. Se fizer mal, deixa de ser amor. Quem ama e não se sente amado tem no mínimo duas opções: ou segue amando o ser amado assim mesmo ou vai amar em outro canto, vai amar outras pessoas, outros projetos, outros destinos. Porque a sua alegria nasce do sentimento de amor. Não de pessoa nenhuma. Precisar de outro alguém para sentir amor é dependência. E um ser dependente necessita de tratamento médico. Não de alguém a quem chamar de “seu”.

Imagine o quanto seria ridículo alguém lhe dizer “eu amo você mas só se você me amar de volta, ok?”. Péssimo! Você ama ou não ama, ué! Ama porque amar é bom. Não porque sabe que o outro vai amar você também. Isso é conversa fiada! Deixar de amar por não se sentir amado é outra coisa. Compreende-se. Já transformar o sentimento amoroso em toma-lá-dá-cá, deixar que o desejo de reciprocidade se transforme em dependência e chamar a isso tudo de amor é sério. Depender de alguém para sentir amor é caso de tratamento médico. Só se cura com terapia, vergonha na cara e amor próprio, doses cavalares de amor próprio na veia.

Os avós nunca morrem, apenas ficam invisíveis

Os avós nunca morrem, apenas ficam invisíveis

Por Valéria Amado

Os avós nunca morrem, tornam-se invisíveis e dormem para sempre nas profundezas do nosso coração. Ainda hoje sentimos a falta deles e daríamos qualquer coisa para voltar a escutar as suas histórias, sentir as suas carícias e aqueles olhares cheios de ternura infinita.

Sabemos que é a lei da vida, enquanto os avós têm o privilégio de nos ver nascer e crescer, nós temos que testemunhar o envelhecimento deles e o adeus deles ao mundo. A perda deles é quase sempre a nossa primeira despedida, e normalmente durante a nossa infância. 

Os avós que participam na infância dos seus netos deixam vestígios da sua alma, legados que irão acompanhá-los durante a vida como sementes de amor eterno para esses dias em que eles se tornam invisíveis.

Hoje em dia é muito comum ver os avôs e as avós envolvidos nas tarefas de criança com os seus netos.Eles são uma rede de apoio inestimável nas famílias atuais. Não obstante, o seu papel não é o mesmo que o de um pai ou de uma mãe, e isso é algo que as crianças percebem desde bem cedo.

O vínculo dos avós com os netos é criado a partir de uma cumplicidade muito mais íntima e profunda, por isso, a sua perda pode ser algo muito delicado na mente de uma criança ou adolescente. Convidamos você a refletir sobre esse tema conosco.

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O adeus dos avós: a primeira experiência com a perda

Muitas pessoas têm o privilégio de ter ao seu lado algum dos seus avós até ter chegado à idade adulta. Outros, pelo contrário, tiveram que enfrentar a morte deles ainda na primeira infância, naquela idade em que ainda não se entende a perda de uma forma verdadeiramente real, e onde os adultos, em certas situações, a explicam mal na tentativa de suavizar a morte ou fazer de conta que é algo que não faz sofrer.

A maioria dos psicopedagogos diz de forma bem clara: devemos dizer sempre a verdade a uma criança. É preciso adaptar a mensagem à sua idade, sobre isso não há dúvidas, mas um erro que muitos pais cometem é evitar, por exemplo, uma última despedida entre a criança e o avô enquanto este está no hospital ou quando fazem uso de metáforas como “o avô está em uma estrela ou a avó está dormindo no céu“.

  • É preciso explicar a morte às crianças de forma simples e sem metáforas para que elas não criem ideias erradas. Se dissermos a elas que o avô foi embora, o mais provável é a criança perguntar quando é que ele vai voltar.
  • Se explicarmos a morte à criança a partir de uma visão religiosa, é necessário incidir no fato de que ele “não vai regressar”. Uma criança pequena consegue absorver apenas quantidades limitadas de informação, dessa forma, as explicações devem ser breves e simples.

É também importante ter em conta que a morte não é um tabu e que as lágrimas dos adultos não têm que ficar ocultas perante o olhar das crianças. Todos sofremos com a perda de um ente querido e é necessário falar sobre isso e desabafar. As crianças vão fazer isso no seu tempo e no momento certo, por isso, temos que facilitar este processo.

As crianças irão nos fazer muitas perguntas que precisam das melhores e mais pacientes respostas. A perda dos avós na infância ou na adolescência é sempre algo complexo, por isso é necessário atravessar essa luta em família sendo bastante intuitivos perante qualquer necessidade dos nossos filhos.

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Embora já não estejam entre nós, eles continuam muito presentes

Os avós, embora já não estejam entre nós, continuam muito presentes nas nossas vidas, nesses cenários comuns que compartilhamos com a nossa família e também nesse legado verbal que oferecemos às novas gerações e aos novos netos e bisnetos que não tiveram a oportunidade de conhecer o avô ou a avó.

Os avós seguraram as nossas mãos durante um tempo, enquanto isso nos ensinaram a andar, mas depois, o que seguraram para sempre foram os nossos corações, onde eles descansam eternamente nos oferecendo a sua luz, a sua memória.

A presença deles ainda mora nessas fotografias amareladas que são guardadas nos porta-retratos e não na memória de um celular. O avô está naquela árvore que plantou com as suas próprias mãos, e a avó no vestido que nos costurou e que ainda hoje temos.

Estão no cheiro daqueles doces que habitam a nossa memória emocional. A sua lembrança está também em cada um dos conselhos que nos deram, nas histórias que nos contaram, na forma como amarramos os sapatos e até na covinha do nosso queixo que herdamos deles.

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Os avós não morrem porque ficam gravados nas nossas emoções de um modo mais delicado e profundo do que a simples genética. Eles nos ensinaram a ir um pouco mais devagar e ao ritmo deles, a saborear uma tarde no campo, a descobrir que os bons livros têm um cheiro especial e que existe uma linguagem que vai muito mais além das palavras.

É a linguagem de um abraço, de uma carícia, de um sorriso cúmplice e de um passeio no meio da tarde compartilhando silêncios enquanto vemos o pôr do sol. Tudo isso perdurará para sempre, e é aí onde acontece a verdadeira eternidade das pessoas.

No legado afetivo de quem nos ama de verdade e que nos honra ao recordar-nos a cada dia.

Você conhece pessoas que te cansam? Leia isso!

Você conhece pessoas que te cansam? Leia isso!

Imagine comigo:

Exemplo 1: Você acaba de levantar, está com a mente repleta de planos, o telefone toca e é aquela amiga que vai te segurar na linha por mais de 40 minutos enquanto conta, com detalhes, tudo o que fez na noite anterior, para matar a barata que encontrou no banheiro.

Exemplo 2: Você está no trabalho afundada em atividades e aquele seu colega resolve que é uma ótima hora para te visitar para reclamar da vida.

Exemplo 3: Depois de dizer 3 vezes que está ocupada, a mesma pessoa continua te contando coisas que você simplesmente não quer ouvir.

O que esses 3 exemplos têm em comum?

Falta de empatia e baixa auto-crítica. Você dificilmente conseguirá encerrar os assuntos sem que a pessoa fique chateada com você- uma vez que ela não consegue entender que está sendo inconveniente- e muito menos percebe que o assunto pode não te interessar.
É claro que amigos de verdade estarão dispostos e terão mais paciência pra ouvir as pessoas que querem bem, o problema com “as pessoas que cansam” é o excesso de demanda e a falta de “time“.

Abaixo, um texto do Luiz Marins que fala sobre isso. Se não resolve o problema, ao menos é solidário.

Pessoas que nos cansam – por Luiz Marins

Diga a verdade: há pessoas que nos cansam e muito!

São pessoas que exigem atenção o tempo todo, que querem ser elogiadas o tempo todo, que desejam ser bajuladas o tempo todo. Quanta canseira essas pessoas nos dão!

São chefes, colegas, amigos e amigas que necessitam de atenção, que demandam holofotes sobre si mesmos, que fazem alarde sobre tudo o que fazem, que se dizem as pessoas mais ocupadas, mais sofredoras, mais injustiçadas, mais inteligentes, mais tudo!

A necessidade de elogios, de reverências, de atenção são a sua marca. Ou elas estão em evidência ou não participam, não vão, não recomendam, ignoram. Quantas vezes somos obrigados a conviver com pessoas assim nas atividades comunitárias, clubes de serviço, associações, sindicatos, clubes, no trabalho, etc.

Elas estão em todos os lugares e o seu desejo de aparecer, de serem admiradas e bajuladas não tem limites. Elas não percebem a canseira que dão às outras pessoas que têm que pensar nos detalhes de citar primeiro o nome delas, de colocá-las na primeira fila, de elogiar tudo o que fazem, o que dizem e até o que pensam. Do contrário, não contem mais com o dinheiro dela, com a colaboração dela, com o seu “inestimável apoio”. Conheço mesmo mães, avós, amigas que se não elogiarmos a sua receita como sendo a melhor que já comemos, elas se sentem ofendidas.

(…)

Pense se você não é esse tipo de pessoa com exageradas demandas de atenção e elogios e que se irrita todas as vezes que não é citada, elogiada, colocada em evidência.

Seja generoso com o passado, mas aprenda com ele

Seja generoso com o passado, mas aprenda com ele

Quando a gente escolhe levar uma vida consciente, precisamos ficar sempre refletindo, analisando, tentando entender se cada passo que damos está de acordo com o que acreditamos ou é apenas a decisão mais automática.

Acho a melhor maneira de levar a vida e não conseguiria ser de outro jeito. Mas dá trabalho. É um exercício diário e nem sempre simples. E a gente aprende todos os dias. Testa umas coisas, dá errado e aprende. Testa outras e dá certo. Fala uma bobagem, alguém explica que está errado. Lê mais um pouco, conversa com outras pessoas, revê conceitos, muda de ideia…

Tudo isso é maravilhoso e louvável. Como dizia um professor meu quando eu reclamava que não estava conseguindo aprender algo novo: “Consegue sim. Quando nasceu, você não sabia nem andar”.

A gente vai aprendendo, e evoluindo. Então é normal a gente lembrar de atitudes e atos nossos do passado e se envergonhar. Ou ficar pensando: se eu não tivesse feito tal coisa, estaria bem melhor hoje.

Mas precisamos ter a humildade e a generosidade para reconhecer que naquela época a gente não sabia que estava errado, que fizemos o melhor de acordo com o conhecimento que tínhamos na época. Não adianta nadar ficar se martirizando.

Por outro lado, ficar grudado em ideias antigas, sem se abrir pra aprender e evoluir, por ter muitas certezas, é um erro maior ainda. Reconhecer um erro do passado é um bom sinal de que temos senso crítico e que estamos melhorando a cada dia.

Mudar é lindo. Aprender é uma das nossas maiores dádivas. Não vamos desperdiçá-la.

Fonte indicada: Minimalizo

Sem sentido

Sem sentido

“O mesmo bar, a mesma lâmpada, a mesma carne, mas todos em vibração, os sentidos multiplicados, intensos, elétricos, o coração quase parando de espanto, o espanto de ter encontrado no meio do deserto uma palmeira, uma palmeira de olhos claros, camisa verde, mãos brancas. Ter encontrado um cravo branco entres os caixotes de lixo atapetando a rua. Ter encontrado o espaço do silêncio dentro de um grito. Ter encontrado um ponto de apoio para o cansaço. Você não me vê, eu não te vejo, mas tenho o coração pálido, as mãos suspensas no meio de um gesto, a voz contida no meio de uma palavra, e você não vê o meu silêncio nem meu movimento dentro dele.” (Caio Fernando Abreu – A chave e a porta)

Agora eu gostaria de te encontrar pela primeira vez, como se nunca antes fosse. Como se fosse nunca. Como se fosse para sempre esse nunca, meio fim de mundo e nascente de tudo. Explosão de existências simples de existir demais. Eu não faria perguntas. Apenas diria, dizeres inocentemente imperativos de desejo: “Me fale sobre você” – “Como?” – Talvez perguntasse, como quem somos, nesse mundo cheio de interrogações precisas e cheias de respostas, perdidos que ficamos diante de interrogações infinitas e sem pretensões – impontuais – “Fale apenas, sobre você” –

Eu responderia: “com silêncios ou poesia, com ruídos ou gritos, com metamorfoses ou métodos, à escolha, a sua escolha, sem defesas ou objetivos, sem as expectativas por quem quer saber, sem… um vazio de interesse de quem é inteiro e sabe – não se define”.

E você me acharia louca, talvez, e, quem sabe, amasse a loucura depois. Seria como se fosse, nunca, quando nos permitimos amar a loucura: eu amo sempre, você ama depois. Eu não sei o que viria, se seriam os êxtases do sopro ou as paixões das histórias, eu não gostaria de responder, nem de perguntar.

Poderíamos falar simplesmente, como pessoas que se conhecem e se desconhecem nas próprias palavras sem saber o porquê, e se perguntam, e se dissolvem nas perguntas, e se enchem de dúvidas, e se esvaziam de tudo, e tão desamparadas de si se encontram, um ao outro, um no outro. Seria, como se fosse nunca, assim como seria, se fossemos infinitos apesar de tudo, apesar dessa totalidade que nos tolhe de existir – a busca.

Nós não teríamos caminhos ou protocolos, não teríamos sequer uma vida, a não ser uma vida – uma só. E saberíamos o quanto os sentidos não fazem sentido, assim como saudades e amor e vida. E sem sentido nós saberíamos viver – a vida: uma só, mesmo que fossem, vidas infinitas, mesmo que seja, uma só.

Então poderíamos rir e falar. Poderíamos rir e calar. Poderíamos nos entregar ao silêncio dos gestos e dos olhos tagarelas sem desconcerto. Poderíamos ser canções inteiras de ontem e melodias seculares, poderíamos ser do amanhã e depois, ou de agosto. Não precisaríamos fazer sentido, e sem sentido, seriamos inteiros, como somos e não sabemos, como somos e não admitimos, como somos nos encontros que recusamos por ousarem em demasia à dentro – perto demais. Temos medo do escuro que guardamos para amanhã. Ou depois. Nunca conhecemos a luz.

Mas eu amo sempre, e eu penso, enquanto bebo com a lua, que nós poderíamos, não sei como, não sei quando, termos nos conhecido assim, sem perguntas, sem pretensões. Ter sido apenas, como ser é impossível, esse instante de gente que somos, sem medo dos julgamentos, saberíamos: nos entendemos. Como eu sei que nos entendemos, embora você não entenda.

É perto demais e os olhos se confundem com lágrimas. É perto demais e parece que vamos nos consumir. É perto demais e a luz parece uma escuridão desoladora. Mas é dia. O sol nasce à meia noite e teremos sempre a lua como companhia. Enquanto o tempo vai eu penso, em vão, eu nunca fui muito de agir a não ser só, talvez, com a lua, e você, esse movimento violento, foi tão longe – um cometa. Perto demais – eu tive que sair de cena para não ver apagar até o fim. Eu te queria infinito.

Agora, nós poderíamos, e eu vejo, porque gosto tanto do alternativo e do descontínuo, do psicodélico e caótico irregular – de. É como o tempo nosso. Esse desencontro todo – um encontro sustenido. Um ruído insuportável se na linha. Uma harmonia irresistível se. Todo o memorável é desobediente. Por trás das armaduras despedaçadas, por trás dos remendos e das ruínas, é certo, somos inteiros como se fosse nunca e a primeira vez. Não fazemos sentido.

Se apega, sim

Se apega, sim

Estamos vivendo de amores líquidos, tão destoantes quanto areia em ampulheta. Com tempo marcado. Data de validade. E pra completar, com uma lista de regras a seguir. Pode se aproximar, mas não tanto. Pode sair, mas todo dia é desespero. Pode elogiar, mas sem agradar demais para não demonstrar interesse. Ahh, que preguiça.

Não se trata de acorrentar a alma. Porém, encher o coração de cadeados só o faz sufocar. Deixe de lado essa história de que pra ser feliz é preciso ser distante. Existe uma grande diferença entre ser cauteloso e desapegado. É fato que um pouco de cuidado não faz mal a ninguém, mas desinteresse? Isso sim é de doer. Eu quero mais é me abastecer de tudo que o amor pode oferecer, sem me afogar; mas sem medo nenhum de me molhar. Que graça tem em viver de gotinhas, afinal? Olha o tamanho desse mar, chega tão longe que os olhos nem conseguem acompanhar. Que desperdício seria ficar apenas molhando os tornozelos.

Sem ter medo da duração. Que seja um ano ou um dia, mas que tanto os 365 dias ou as 24 horas sejam bem vividas. Também não digo que se deve sair por aí procurando o-amor-da-vida-eterno. Contudo, é importante abandonar essa redoma de vidro que estamos criando. A geração do “pega, mas não se apega”, contornada de recados prontos. Melhor seguir para o lado da esperança, sem receio em dar o melhor às tentativas. Permitir sentir e se dar a chance de errar, e vez ou outra, quem sabe, acertar.

Que história de praticar o desapego é essa, aliás? O dito popular é sobre quem tira mais fotos sorrindo com garrafa na mão, quem se diverte mais com o sofrimento do ex. Também é sobre quem superou primeiro ou melhor, quem nunca chegou a se importar. Agora me pergunto: qual o prêmio? O que se ganha com toda essa competição? Amor próprio, me dizem. E nisso sou obrigada a discordar. O amor próprio não é resultado da ausência de qualquer outro. No fim das contas, esse desespero em mostrar o quanto nos amamos e não precisamos de mais ninguém só está fazendo a gente se tornar escravo da nossa própria vaidade.

Livre-se de amores mal resolvidos, experiências não vividas e momentos facilmente esquecidos. Se apega, sim. Se apega porque não há desculpa no mundo que justifique um coração que ama sem coragem. Se apega porque o ambiente para fumantes sufoca, mas não sentir sufoca muito mais.

Se apega, vai.

Pegue todos os seus estilhaços e monte um belo vitral

Pegue todos os seus estilhaços e monte um belo vitral

De todos os acolhimentos necessários, de todos os lugares que você já esteve e se sentiu à vontade, nenhum deve ser mais confortável que a sua própria companhia.

Agora o silêncio não o assusta mais. Não faz com que deseje outra presença. Não desperta o medo. É o silêncio de quem aprendeu a olhar para dentro e sorrir. A maturidade de quem compreendeu que, para se doar é preciso primeiro pertencer a si mesmo. Com todas as colagens das experiências passadas, com todos os recortes que um dia sangraram fundo, com tudo aquilo que permitiu que, a consciência da descoberta aflorasse e falasse mais alto que qualquer outra voz.

Quem aprecia a própria companhia não sente necessidade de justificar as escolhas. Isso não é nenhuma ofensa ao amor. Muito pelo contrário, é uma forma de louvá-lo em sua forma mais genuína: o amor-próprio. O amor-próprio é fruto de uma escavação constante nos labirintos do ser. Se você aceitar o que descobrir de si, vai brotar amor em tudo que é canto.

Todos caem e se estilhaçam. Somos porcelanas, tão frágeis e, de vez em quando, não é pecado recolher-se com algum ferimento grave, ficar dias sem espiar o mundo lá fora, apenas deixar que as emoções circulem e depois se despeçam.

Acolher-se nesse estágio de “pausa”, onde nada parece colar, e o mundo fica tão desbotado e sem graça, com vista para o nada, é demonstrar que esse amor é legítimo e veio para ficar, pois não permite a visita da autossabotagem, e você não se engana dizendo que “está tudo bem” nem topa frequentar lugares para agradar amigos ou quem quer que seja, quando tudo o que se quer é mergulhar na paz do próprio abraço.

De tanto estilhaçar, você montou um belo vitral. Aprendeu a respeitar o seu tempo interior, não renegando aqueles pedacinhos que demoraram para colar. Não enganando a imagem que, de vez em quando, ainda chora no banheiro depois de mais uma queda feia.

De tanto estilhaçar, você aprendeu a aceitar que cada caco também é você, que a espera também é acessório da vida, que desmontar-se faz parte da experiência ontológica. Agora, você aceita e brinca com a sua própria companhia, ri de si mesmo, se abraça por dentro porque já compreendeu que “felicidade é só questão de ser”; e ser é experimentar os extremos, constantemente. Ser é descobrir-se todos os dias; vendaval e calmaria. Um defeito aqui, uma qualidade acolá e não deixar que isso o impeça de ser feliz. É apenas mais uma faceta desse ser complexo que o habita, é mais uma demonstração de força nesse emaranhado todo que o fazem único e especial.

Imagem de capa: Castelo de Chapultepec– México

Que a felicidade NUNCA vire rotina

Que a felicidade NUNCA vire rotina

Sempre me aterrorizou a frase: “que a felicidade vire rotina”, ela é tenebrosa. É impossível ter uma rotina de felicidade, somos seres humanos, adoecemos, choramos, ficamos cansados, entediados, perdemos pessoas queridas. Não quero nunca que a minha felicidade vire rotina, porque se virar, ela já deixou de ser felicidade!

Rotina é aquilo que fazemos todos os dias por obrigação. É o despertador tocar todos os dias às 6:30 para nos levantar da cama, é ir trabalhar de cabelo desarrumado e só se sentir produtivo depois do terceiro cafezinho. Rotina é chegar em casa cansado e comer lasanha congelada por preguiça de preparar o jantar. E não, isso não é felicidade, não tem como ser. E sabe o que mais é rotina? Aquela mensagem de “bom dia” por obrigação, o almoço de domingo que deve sempre ocorrer no mesmo restaurante, os dias programados para se encontrar, o beijo na testa de boa noite.

Calma, não estou dizendo que não se podem haver mensagens de bom dia, almoços de domingo planejados, beijos na testa. Só quero alertar sobre o peso que tudo isso pode ter, e o quanto a repetição pode estar ligada com esse desejo de tornar a felicidade rotina. Não devemos tornar a felicidade parte das obrigações diárias, as relações não podem se tornar obrigações.

E o que é então a felicidade? Para mim, ela tem tudo a ver com leveza. Felicidade tem a ver com a leveza do carinho sem esforço, do afeto sem obrigação, do abraço que vem de graça. As mãos que se tocam por vontade, e não por necessidade, as conversas com propósito de matar a saudade, e não por hora marcada. Felicidade é estar bem para fazer o que se quer sem se preocupar com o que é exigido de você. Felicidade é liberdade, não rotina.

Não dá para ter leveza o tempo todo, nos aborrecemos, as coisas saem do nosso controle. E já temos aqui a rotina nossa de cada dia para ocupar esse papel, não precisamos colocar a felicidade no meio disso. Que deixemos a felicidade livre para vir quando tiver que vir, assim como as pessoas que nos rodeiam, que podem nos trazer a leveza necessária somente se as deixamos livres. Que e felicidade seja livre!

A vida não precisa ser só trabalhar, pagar contas e morrer

A vida não precisa ser só trabalhar, pagar contas e morrer

A gente é muito cobrado o tempo todo.

O
TEMPO
TODO.

Tem que ir bem na prova, tem que passar de ano, tem que entrar numa faculdade boa, tem que fazer um curso renomado, arranjar um bom emprego, ter um bom currículo, ganhar mais que os seus amigos.

Eu, pessoalmente, nunca entendi essa pressão toda em arranjar um bom emprego aos 20 e tantos anos de idade.
A gente é ensinado que sucesso na vida é ter um cargo alto, numa empresa reconhecida, com vários subordinados.
E a gente cresce acreditando fielmente nisso.

E daí se você vai se tornar uma pessoa depressiva, mega competitiva e materialista? Se você tá ganhando dinheiro é isso que importa, né?

Não.

A vida não deveria ser só estudar, trabalhar, ganhar dinheiro e morrer.
A gente não nasceu nesse mundo maravilhoso cheio de lugar diferente, pessoas singulares, comidas exóticas pra viver num escritório, todos os dias das 9h as 18h.

Eu, por exemplo, me considero uma pessoa muito bem sucedida.
Nunca trabalhei em multinacional, pedi demissão de todas as empresas em que entrei e nunca ganhei nenhum salário de dar inveja.
Mas me considero muito melhor sucedida do que todos os meus amigos de terno e gravata que recebem mais de 5 salários mínimos por mês.
Eu já pulei de paraquedas, já dei aula de inglês pra monges no interior da India, já fui pra países que a maioria das pessoas nunca nem ouviu falar, faço trabalho voluntário, já mochilei completamente sozinha sem direção, já morei em vários países, já fui roubada e fiquei sem dinheiro nenhum em outro continente sem ninguém pra me ajudar.
Isso não conta como experiência?
Isso não deveria ser perguntado em entrevistas de emprego?

Vocês não são os currículos de vocês.
Vocês não são as empresas multinacionais que vocês trabalham.
Vocês não são o salário que vocês ganham.
Vocês são o que vocês vivem.
As pessoas que vocês conhecem.
Os livros que vocês lêem.
Os lugares que vocês vão.
As experiências que vocês têm.

Gente, vai trabalhar como garçonete, juntar dinheiro e viajar o mundo.
Vai fazer trabalho voluntário.
Vai escrever um livro, mesmo que não seja publicado.
Lute por uma causa que você acredite, mesmo com o mundo inteiro te achando louca por isso (nessa eu sou profissional).
Vai plantar uma árvore, seila.

Louco é quem, aos 20 e tantos anos, está preso no trânsito indo trabalhar. Vendo as mesmas pessoas. De frente pro mesmo computador.

Essa busca toda por sucesso profissional é pra que?
Você realmente precisa de todo esse dinheiro que você ta ganhando?
O que vai te acrescentar na vida uns zeros a mais na conta do banco?
Você se acha uma pessoa superior por ter estudado na GV, ou na Insper?
Por trabalhar no Itaú?

E, a não ser que vocês tenham que ajudar financeiramente em casa, não digam que o problema é dinheiro.
Como eu já falei em um outro texto que eu publiquei aqui, eu passei dois meses mochilando pela Ásia com o salário que eu ganhei em um ano de estágio.
E ainda sobrou.
A gente não precisa de todos esses excessos que a gente acha que precisa.

Chegamos aos 60 anos.
Ricos.
Morando no jardins.
Com um apartamento de 300m².
Com faxineira todos os dias para lavar nossa louça e estender nossas camas.
Com o carro do ano.
Com filhos nas aulas de inglês, alemão e espanhol.
Achando que todo o nosso propósito na vida foi alcançado.

Mas chegamos infelizes.
Depressivos.

Realização pra mim não é dinheiro.
Realização são histórias pra contar.
Realização é sentar num bar com amigos e beber uma breja gelada, sem me preocupar no trabalho que eu deixei de fazer hoje porque eu tava sobrecarregado e não sobrou tempo.

Vão atrás do que faz o coração de vocês vibrar.
A gente é muito novo pra se preocupar com aposentadoria e hipoteca.

Caixão não tem gaveta, o que vocês ganharem em vida não vai ser levado depois que vocês morrerem.

O que se leva dessa vida é a vida que se leva.

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10 Filmes distópicos que vão abrir sua cabeça

10 Filmes distópicos que vão abrir sua cabeça

Distopia pode ser entendida como uma realidade construída a partir de critérios degradantes observados na sociedade, estes podem estar estabelecidos ou em características potenciais. Ou seja, é a construção de uma sociedade contra-utópica, a qual nega a visão positivista de que o progresso e o desenvolvimento tecnológico proporcionariam ao mundo um desenvolvimento humano imensurável.

Dessa maneira, a distopia tem como função primordial evidenciar a decadência humana em diversos âmbitos, contrariando a ideia supracitada de um futuro melhor. A sua importância reside na lupa sociológica que traz à tona problemas percebidos na sociedade, mas que, muitas vezes, são deixados de lado, acarretando problemáticas ainda piores.

MATRIX (1999)

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Criado pelos irmãos Wachowski, o filme cheio de efeitos especiais, revolucionou o cinema na virada dos anos 2000. A trama gira em torno de Thomas Anderson (Keanu Reeves), um programador de computadores solitário que vive atormentado por constantes pesadelos, nos quais se encontra conectado por cabos a uma imensa rede de computadores contra a sua vontade. Com a ciclicidade dos seus pesadelos, Anderson começa a duvidar da sua realidade, até que encontra Morpheus (Laurence Fishburne) e Trinity (Carrie-Anne Moss), tomando conhecimento de que vive na Matrix, uma realidade construída pelo sistema de computadores que domina o mundo e de que é Neo, o messias capaz de salvá-los do domínio da Matrix. Bebendo de fontes filosóficas como Platão e Jean Baudrillard, o filme dos Wachowski questiona o estado de dominação em que vivemos e como estamos submetidos a realidades construídas pela perspectiva do status quo, sobretudo, em relação aos valores que atribuímos por meio da publicidade e do consumo. É uma obra que requer atenção e vai muito além das cenas de ação, proporcionando reflexões pontuais sob o estado de dominação e condicionamento que nos encontramos.

LARANJA MECÂNICA (1971)

O filme de Stanley Kubrick, baseado na obra homônima do escritor inglês Anthony Burgess, se passa em uma Londres distópica, em um futuro não determinado. Encontramos, então, um jovem chamado Alex (Malcolm McDowell) e sua gangue de “drugues” que pratica todos os tipos de violência, desde pequenas brigas a espancamentos, estupros e assassinatos. Movidos por puro prazer, ou seja, sem motivações aparentes para cometer tamanha violência, os jovens saem todas as noites praticando o que chamam de “ultraviolência”. Esse comportamento não se reduz a gangue de Alex, sendo praticado por outras gangues formadas por jovens. A obra procurar problematizar a questão da liberdade, de que modo a violência pode ser praticada, seja física ou psicológica e debate a formação de indivíduos “bons” através do condicionamento e do adestramento. Construído com as belas mãos de um dos gênios da sétima arte, o filme é extremamente reflexivo, filosófico e perturbador.

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FILHOS DA ESPERANÇA (2006)

O futuro distópico criado pelo diretor mexicano Alfonso Cuarón é apontado por muitos como a melhor ficção científica do século XXI. A obra é adaptada do livro da escritora britânica P.D. James e se passa no ano 2027 em um mundo marcado por poluição, super urbanização, terrorismo, guerras civis, isto é, extremo caos. Além disso, há 18 anos as mulheres inexplicavelmente se tornaram inférteis, aumentando o medo e a falta de perspectiva. Diante do caos instalado, o único governo que se mantém de pé é o britânico, que governa de forma autoritária, sobretudo, em relação aos estrangeiros que fogem dos seus locais de origem e tentam entrar no país. Com esse contexto, o filme aproxima-se muito da realidade, principalmente, no que tange à crise dos refugiados que atravessamos, mostrando de forma crua e dura essa realidade. No meio desse turbilhão, encontramos Theo, um burocrata sem qualquer fé na humanidade que tem a missão de proteger uma mulher grávida, levando-a para um local seguro onde possa ter seu bebê. Com ótimas atuações, um roteiro muito bem construído e uma fotografia (Emannuel Lubezki) que reforça o estado caótico daquela sociedade, Filhos da Esperança é um filme triste, mas, ao mesmo tempo assustadoramente profético e, portanto, imperdível.

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EXPRESSO DO AMANHÃ (2013)

Baseada em uma HQ francesa, o filme do diretor sul-coreano Bong Joon-Ho, se passa em um futuro não tão distante em que, após uma tentativa mal sucedida de impedir o aquecimento global, o mundo é tomado por uma nova era do gelo. Os únicos sobreviventes desse novo ambiente estão a bordo de um grande trem em movimento. Essa nova sociedade é marcada por uma forte estratificação social, em que os pobres ficam na parte de trás vivendo em condições sub-humanas, e os mais ricos se localizam no resto do trem vivendo de modo confortável. Cansado dessa situação, Curtis (Chris Evans) decide liderar uma revolução que pretende derrubar a ordem estabelecida, no entanto, terão que enfrentar todo o poder de fogo de que dispõe a elite do trem. Trabalhando temáticas como a luta de classes (o motor da história), desigualdade social, exploração das classes dominantes, autoritarismo e discussões sobre a aplicação do positivismo na manutenção do status quo, Expresso do Amanhã é um filme que demonstra a crueldade e o egoísmo do ser humano. O roteiro bem elaborado garante uma trama bem desenvolvida e reflexões sociais que não devem passar despercebidas.

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BLADE RUNNER (1982)

Baseado no livro “Do androids dream of electric sheep?” do escritor americano Philip K. Dick, o filme dirigido por Ridley Scott, nos seus bons tempos, se passa no ano de 2019 em uma sociedade marcada pela poluição, problemas climáticos, consumismo, superpopulação e discrepâncias sociais. Nesse futuro distópico são criados robôs mais fortes e ágeis que os seres humanos e se equiparando a estes em inteligência. Esses robôs são chamados de replicantes e eram utilizados em outros planetas para exploração ou povoamento. No entanto, quando um grupo de replicantes mais evoluídos provoca um motim, em uma colônia fora da Terra, eles se tornam ilegais no nosso planeta, sob pena de morte. A morte deles fica a cargo, então, de uma força especial da polícia – os Blade Runners – no qual se encontra Rick Deckard (Harrison Ford) que tem a missão de matar um grupo de replicantes liderados por Roy Batty (Rutger Hauer). Considerados por muitos como o melhor filme de ficção científica já produzido, Blade Runner é uma obra dura que mostra um futuro sombrio, onde sempre chove e poucas vezes vemos o sol. No entanto, o ponto alto do filme consiste nos seus questionamentos sobre a essência do “ser” humano ao confrontar os humanos com os replicantes, além de questionar o valor da vida. Profundamente poética, a obra de Scott é bela e reflexiva, contando, ainda, com uma das cenas mais belas do cinema.

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V DE VIGANÇA (2005)

Baseado em uma série de romances gráficos (Graphic Novel) de Alan Moore, o filme narra a história de uma Inglaterra futura governada por um governo autoritário, o qual tem como seu chefe o chanceler Adam Sutler (John Hurt). O regime autoritário governa de forma fascista, prendendo, torturando e matando todos aqueles que se opõem ao governo, assim como, todos que são julgados como párias, como negros e homossexuais. Além da coerção física, o governo também se utiliza da mídia para promover o adestramento e a alienação das pessoas, de modo que estas se mantenham subservientes à vontade do Partido. A realidade se modifica quando um homem mascarado, intitulado “V” (Hugo Weaving), começa a promover atos terroristas contra o governo, a fim de libertar o povo da alienação e do condicionamento promovidos pelo Estado. Com várias referências ao clássico “1984” de George Orwell, o filme de James McTeigue, com roteiro dos irmãos Wachowski, tem uma trama que se desenvolve bem, conjugando bem o mistério ao redor de V com as reflexões sociológicas do filme e, acima de tudo, deixa a mensagem de que a força de ideais é muito mais forte que homens.

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1984 (1984)

A adaptação do clássico de George Orwell para as telonas feita por Michael Radford mostra uma Londres controlada por um governo autoritário, o “Partido”, “personificado” na figura do Big Brother (Grande Irmão) que tudo sabe e tudo vê. Nessa sociedade vigiada, os indivíduos têm as suas vidas controladas totalmente pelo Partido, sendo proibido qualquer ato de oposição, bem como, pensar e se relacionar. Praticar qualquer ato que não seja permitido pelo partido implica o cometimento de crime e é exatamente isso que faz o protagonista da história Winston Smith (John Hurt). Sujeito perspicaz, Winston percebe as manipulações do Partido, como, por exemplo, a manipulação contínua da história e do vocabulário que vai diminuindo pouco a pouco, levando ao que chamam de “novilíngua”. Assim, começa a pensar de que modo pode modificar aquela realidade, ao mesmo tempo em que se envolve com Julia (Suzanna Hamilton), uma jovem que compartilha dos seus pensamentos. O filme não consegue abarcar a totalidade da magnífica obra de Orwell, mas cumpre sua missão ao retratar a alienação dos indivíduos que não conseguem enxergar os absurdos cometidos pelo Partido e mostra as principais idéias do livro, como a dominação por meio da dor, do controle das informações, da comunicação (“teletelas”) e da língua.

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ENSAIO SOBRE A CEGUEIRA (2008)

O filme do diretor brasileiro Fernando Meirelles é baseado na obra homônima do Nobel José Saramago. Na história, inexplicavelmente as pessoas começam a se contaminar com uma doença, a cegueira branca. Com o surto o Estado decide colocar todas as pessoas contaminadas em uma espécie de quarentena. No entanto, essa quarentena se parece mais com uma prisão, em que as pessoas doentes são abandonadas a própria sorte, sendo tratadas de modo desumano. Nessa “quarentena” há, todavia, uma mulher que apenas finge que está cega, uma vez que não quis abandonar o marido que cegara. Ela, a “mulher do médico” (Julianne Moore), representa a esperança da humanidade, isto é, a responsabilidade de ter olhos quando os outros os perderam, já que a obra é uma crítica ao modo mesquinho, egoísta e individualista que levamos a vida, preocupando-se apenas com nós mesmos, sem o mínimo de compaixão. O filme, ainda, crítica formas autoritárias de governo, como o que se instala após a epidemia, além de, obviamente, demonstrar de forma crua a miséria humana, a precariedade da vida, derrubando as cortinas e mostrando o que realmente somos. Assim, como 1984, é um bom filme, tendo agradado o próprio Saramago, mas não se equipara à magnífica obra do portuga.

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FAHRENREIT 451 (1966)

Adaptação do livro homônimo do americano Ray Bradbury, o filme se passa em um futuro próximo, no qual temos um Estado totalitário em que os bombeiros não têm a função convencional que conhecemos, mas sim de queimar qualquer tipo de material impresso, uma vez que para o Estado a literatura é fonte primária e propagadora da infelicidade. Nesse contexto, conhecemos Guy Montag (Oskar Werner), um bombeiro que após presenciar um caso em que uma mulher preferiu ser queimada junto com sua biblioteca ao invés de continuar viva, começa a questionar os fundamentos da sociedade em que vive. O longa do francês François Truffaut nos mostra de que modo o conhecimento que é proporcionado através da literatura é essencial para a libertação das pessoas, bem como, mostra de que modo os dominantes cerceiam de todos as formas o acesso do individuo ao conhecimento, tornando-o alienado e subserviente a ordem estabelecida. Um bom filme de uma das grandes obras da literatura mundial.

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Brazil (1985)

Em algum lugar do século XX, conhecemos uma sociedade governada por um sistema autoritário, burocrático e tecnocrático. Nada é feito de forma direta e simples. Todas as coisas devem seguir ritos, processos e um emaranhado de papéis. A vida das pessoas é movida através dessa burocracia, de tal modo que um simples erro na produção de um dos sem número de papéis pode destruir a vida de uma pessoa. Com tanta burocracia e tecnologia, a sociedade é extremamente caótica e desigual, em que de um lado temos pessoas gastando dinheiro consumindo coisas inúteis e de outro vemos lugares sujos e desestruturados. Todos esses ingredientes formam uma bela distopia, no entanto, não da forma com estamos acostumados. Terry Gilliam nos apresenta um mundo caótico e pragmático por meio de uma comédia ácida e nonsense, na qual temos o protagonista Sam Lowry (Jonathan Pryce), um burocrata, que cansado desse mundo, busca refúgio nos seus sonhos ao mesmo tempo coloridos e bizarros. Com influências de Kafka e Orwell em sua composição, Brazil é um filme que retrata uma sociedade caótica, autoritária e alienada, em que números são mais importantes do que pessoas. Não é um filme tão fácil, mas é único em sua composição escrachada de um sistema alienante e opressor, além de contar com Robert De Niro em um papel bem estranho e engraçado.

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