O que te leva a conviver com pessoas que te cansam?

O que te leva a conviver com pessoas que te cansam?

Existem pessoas que nos cansam ou somos nós que temos dificuldade de apontar limites e dizer “não”?

Muitas vezes toleramos comportamentos que consideramos desagradáveis de pessoas próximas por um simples motivo: medo de desagradar, medo de perder afeto.

No texto “Pessoas que nos cansam“, de Luiz Marins, o autor narra uma série de comportamentos que ele considera deselegantes e cansativos:

“São pessoas que exigem atenção o tempo todo, que querem ser elogiadas o tempo todo, que desejam ser bajuladas o tempo todo. Quanta canseira essas pessoas nos dão”.

Perguntas: 1) será que as tais “pessoas cansativas” querem mesmo elogios e bajulação ou isso é uma conclusão prévia baseada em achismo? 2) será que não existe do outro lado da linha uma pessoa que tem necessidade extrema de agradar por puro medo da rejeição?

Sim, porque convenhamos, nada, absolutamente nada, nos obriga a manter relações com as pessoas. Toda e qualquer relação nasce de uma escolha e de um desejo mútuo.

Por que permanecer ao lado de uma pessoa que cansa nossa beleza?

Se estamos nos expondo a relações cansativas, relações que não nos agregam valor algum, relações unilaterais, é porque o problema está conosco, não com o outro. A escolha de permanecer ao lado de alguém ou não é nossa.

De mais a mais, tudo na vida é uma questão de ponto de vista, de perspectiva. O mito da caverna de Platão nos ensina isso há milhares de anos, mas teimamos em esquecer a lição.

Friedrich Nietzsche também apontou a mesma lição ao dizer “e aqueles que foram vistos dançando foram julgados insanos por aqueles que não podiam escutar a música”.

Uma pessoa que está infeliz, insatisfeita com a própria vida; uma pessoa deprimida, desiludida, tenderá a achar que aquela que está feliz, bem resolvida e repleta de entusiasmo está querendo aparecer, chamar atenção.

Bem como uma pessoa feliz, bem resolvida e entusiasmada, tenderá a achar que a mal resolvida, desiludida e deprimida é alguém que gosta de se fazer vítima.

Pessoas tímidas, por exemplo, costumam achar que pessoas extrovertidas são ruidosas demais, falantes demais, exibicionistas demais. Já as extrovertidas costumam achar que pessoas tímidas são chatas, caretas e dotadas de baixa autoestima.

Ou seja? Em ambos os casos as conclusões podem estar erradas.

Infelizmente temos o olhar viciado e muitas vezes só conseguimos enxergar o outro através da nossa lente pessoal, do nossa concepção de mundo, de nossos valores e necessidades. Logo, se o outro é (pensa, age) diferente de mim ele é errado, desajustado, cansativo, equivocado, inadequado.

Deixar o outro, seja ele quem for, ser como ele é, pode, consegue e deseja ser, sem prejulgá-lo, é um exercício muito bonito e necessário em tempos de intolerância.

Olhar o rabo do macaco ao lado e sentar no próprio é fácil, difícil é ter coragem de olhar para o próprio rabo e remover os piolhos da longa cauda.

Um amigo (ou colega) está exigindo mais atenção do que você pode dar? Se ele é seu amigo de fato, se existe afeto entre vocês, que tal dizer a ele a verdade, explicar seu momento com delicadeza e generosidade, apontar o excesso do amigo, ao invés de mandar indiretas nas redes sociais? Será que você tem coragem de dizer a verdade ou morre de medo de ser rejeitado? Se morre de medo de dizer a verdade e ser rejeitado, excluído, quem tem afinal um problema, o amigo que deseja atenção ou você?

No caso de uma pessoa não tão próxima, que causa aborrecimentos com seus excessos, aborrecimentos apontados por Marins: já parou para se perguntar por que você mantém essa relação? Qual gozo extrai dela? Será que você não mantém essa relação somente porque necessita se sentir solicitado (obtém prazer disso) e/ou supostamente superior por ser/agir diferente?

Confesso que o número de compartilhamentos do texto de Luiz Marins me causou certo espanto. Ao que tudo indica, centenas de milhares de pessoas estão convivendo com “pessoas cansativas” ignorando o fato de que a escolha de manter tais relações é delas e que o outro não está no mundo para agradá-las, tampouco elas estão no mundo para agradar ninguém.

Ciência revela que a oração tem efeitos curativos contra doenças

Ciência revela que a oração tem efeitos curativos contra doenças

Dr. Andrew Newberg, diretor de pesquisa no Hospital de Thomas Jefferson e Medical College, na Pensilvânia, liderou o estudo, em que scanners de cérebro de ressonância magnética, mostrou que há poder na oração.

O estudo também constatou que a oração é muito semelhante a um treinamento físico para o cérebro.

“Quando você olha para a maneira como o cérebro funciona, parece ser muito facilmente capaz de participar de práticas religiosas e espirituais… só faz sentido, se Deus está além de acima e estamos aqui abaixo, nosso cérebro é capaz de se comunicar com Deus,” disse Christian Post Newberg.

Em um de seus estudos, Newberg tinha pacientes idosos com problemas de memória, eles rezaram todos os dias durante 12 minutos por oito semanas. Os resultados da ressonância apareceram positivo e dramaticamente diferente, após a conclusão do experimento. Além disso, os resultados de teste revelaram que o benefício da oração, na verdade podem formar o cérebro.

Em 2012, o The Huffington Post informou que Newberg realizou um outro estudo, que as formas em que a oração e meditação afeta o cérebro humano. Sua pesquisa mostrou que quando uma pessoa é dedicada à oração, há um aumento da atividade nos lobos frontais e a área da linguagem do cérebro, conhecida para se tornar ativo durante a conversa. Verificou que o cérebro, orar a Deus é semelhante como falar com as pessoas.

Para realizar este estudo, os participantes com um corante radioativo inofensivo injetado enquanto eles estavam em profunda oração ou meditação. Corante emigrou para diferentes partes do cérebro em que o fluxo de sangue era o mais forte.

Newberg chegou à conclusão de que, independentemente da religião, a oração cria uma experiência neurológica entre pessoas.

Obrigado aos que aqui deixaram inteiros

Obrigado aos que aqui deixaram inteiros

Por todos os afetos depositados sem resquícios de cobranças. Do carinho intuitivo, da conversa branda e do abraço fora de hora. Não mediram, em nenhum momento, o quanto poderia ser entregue.

Porque amizade não é jogo de cartas. Amor não é corrida. Família não é cárcere. Aos que entenderam, desde o início, a gratidão. Essas facilidades perceptíveis nas relações atuais, descarte. A vida precisa de mais inteiros. Gestos como os seus, onde a bondade permanece para acolhimento. Julgamentos egoístas são proibidos por corações arejados.

Em tempos de trocas, quem fica reconhece o importante. Sortudos ou dispostos? Um pouco dos dois. Sentimos num tempo diferente. Prezamos pelas palavras passionais e por esses momentos cintilantes de felicidades compartilhadas.

O mundo nos faz acreditar que nada acontece ausente de interesses. Talvez seja verdade até um certo ponto, pois as únicas ambições que visualizo são sobre os agradecimentos plenos. Das mãos em paz, do peito aberto e da alma em movimento somatório.

Nunca foi possível ser menos que isso. E temos, mais uma vez, oportunidades claras para engrandecer os carinhos deferidos. Obrigado aos que aqui deixaram inteiros. A vida ficou mais vida.

Não quero ter razão, quero ter paz para viver tudo que sou

Não quero ter razão, quero ter paz para viver tudo que sou

Todas as vezes que destruíram meus sonhos, eu os refiz. Um por um. Costurei todas as partes, colei todos os cacos, pintei todas as lacunas, até que, contente, os vi refeitos.

E quando não foram os meus sonhos, mas eu a ser diminuída. Sangrei minhas dores, chorei minhas feridas, mas cuidei de cada uma delas para, depois de tudo, me ver ainda mais forte.

Pois, não sou de vidro, para me quebrar e morrer no piso da desesperança. Não sou de pano para que me façam de trapo e pano de chão. Não sou de ferro, para virar faca e espeto.

Eu sou de carne. Sou de carne, osso e sentimento. E chorei por dentro todos os gritos que me forçaram os ouvidos. Estremeci pelas acusações grosseiras. Pela falta de amor. Mas não caí, pois não sou castelo de cartas que se desfaz com um sopro, tão pouco um de areia que pode ser estupidamente pisoteado.

Tenho paciência de sobra, mas o tempo me ensinou que é melhor tomar distância de quem não me estima.

Sigo então meu caminho, reconstruindo meus alicerces em outros cantos. Cantos gentis nos quais borboletas não apenas voam, mas dançam.

Não tenho mais medo de buscar no mundo novos caminhos. Não tenho mais medo de me fazer bonita e soltar meu coração, como quem solta um cão encoleirado, em um grande parque repleto de flores lindas e selvagens.

E quando permito que meu coração corra de um lado para o outro, animado e exultante, esqueço das coisas ruins e sigo em frente.

Se me gritam ao longe, como quem grita uma blasfêmia. Faço que não é comigo. Não dou mais bola para quem ofende. Quero distância dos que gostam de ser os donos da verdade. Não quero ser dona de nada, nem de ninguém. Fui despertada de um sonho por um príncipe que saiu para comprar cigarros e não voltou. Os contos de fada não me cabem mais.

Por favor, não me chamem de princesa. Eu cresci. Virei rainha de mim. Não vivo mais nesse reino no qual um rei profano perambula na barriga das pessoas. Não quero ter razão. Quero ter paz para viver tudo que sou.

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Feliz por um dia – Ita Portugal

Feliz por um dia – Ita Portugal

Vou andando do meu jeito, visto que viver é emergente, eu quero mais é quebrar tabus, arregaçar as mangas, abrir as portas e soltar todos os meus vocábulos junto com o meu coração.

Quero é dizer do que gosto, de quem gosto. Repetir a dose, exagerar no gole, não fazer corpo mole e assumir meus sentimentos.

Quero que se dane a formalidade que me exige andar de salto alto, corpo ereto, copos, talheres e pratos no mesmo alinhamento. Quero mesmo é dar adeus à frescura que me deixa entalada na roupa de festa e me faz beber vinho em pequenos goles, para não entornar. Que me exige dar risadinhas no canto da boca e fazer poses para ficar bem na foto.

Quero sai por ai. Andar descalça. Cumprimentar os passarinhos. Sorri para as flores e gargalhar com as crianças. Quero falar de amor para que todos possam ouvir. Ter liberdade de ficar em silêncio. Falar quando for necessário. Aconselhar meu coração. Sonhar com dias melhores. Cantar sem rima. Escrever sem motivos. Chorar sem razão. Amar sem restrição.

Romper o óbvio. Sair do prumo. Soltar o remo e navegar. Colher flores para dar de presentes. Tricotar verdades. Descartar as mentiras. Dizer bye bye para a tristeza. Não ser levada a sério. Não servir de exemplo. Não dar conselhos. Quero acordar na lua. Tocar o céu. Passear pelas nuvens, pelo menos nos sonhos.

Quero um dia maior para viver com vontade. Um coração mais largo para caber tanto amor. Por favor, não me fale de regras, técnicas, normas. Perdi essa aula por pura teimosia.

Quero viver, aventurando-me na ousadia de fazer um belíssimo espetáculo, sem nenhum script. Sem nenhum diretor que me exija tanta disciplina. Quero é suportar minhas loucuras e me completar com o resto de alegria possível.

Afinal, o que buscamos nas redes sociais?

Afinal, o que buscamos nas redes sociais?

Primeiramente, assumirei a premissa de que todos (ou a grande maioria) que estão lendo esse texto possuem algum tipo de perfil ativo em alguma rede social.

Bom, feito isso quero também deixar claro que não busco repetir mais do mesmo, sobre como nos distanciamos das pessoas a nossa volta e nos centramos nas superficialidades da internet. Acho que isso todo mundo já ouviu, concordou em certa medida, e depois rolou um pouco mais a página do feed de notícias buscando mais novidades.

O que eu quero é falar sem julgamentos, e tentar ao menos entender um pouquinho o que a gente tanto busca e nunca encontra. É assim que vocês se sentem também? Buscando algo que é tão difícil de encontrar? Pensando bem, não deve ser só isso, acho que também encontramos alguma coisa sim, e é nisso que deveríamos focar para entender melhor como as coisas funcionam. Se nada encontrássemos, era só desligar o computador, o celular, o tablet e ir “viver a vida real”, mas a gente sabe muito bem que não é assim que a banda toca.

Fato mesmo é que gostamos das redes sociais, e muitas vezes não é muito legal ou fácil admitir isso. E o que elas nos proporcionam que nos fascina e nos provoca desprezo? Acho que o desprezo é mais fácil de caracterizar, e já caiu no senso comum nosso de cada dia, inclusive já falei sobre ele ali no começo do texto. E o que fascina? O que fascina talvez seja a possibilidade, não de encontrar algo novo, mas de nos encontrarmos.

Essa possibilidade que nos é o tempo todo apresentada de que, se a gente procurar bem, encontraremos um texto, uma imagem, uma foto, algo que nos represente, seja lá o que isso quer dizer.

Nos encontramos através do outro, através do compartilhamento das mesmas ideias, opiniões, imagens. Nos vemos nas redes sociais como espelhos. As imagens engraçadas que mandamos aos amigos, os vídeos fofinhos de cachorros, os textos com os quais nos identificamos.

Você percebe agora onde quero chegar? Estou pensando na possibilidade de que nos apaixonamos tanto pelas redes sociais porque estamos desesperados por nos encontrarmos, por nos enxergarmos. Claro, queremos ser vistos pelos outros, mas também queremos ser vistos por nós mesmos, e precisamos do olhar do outro para fazer isso.

O que você anda compartilhando? O que te dá prazer observar nas redes sociais? Pense nisso, talvez te mostre algumas respostas, tanto sobre suas relações, quanto sobre você mesmo.

Uma pessoa só dá certo com outra quando se acerta consigo mesma.

Uma pessoa só dá certo com outra quando se acerta consigo mesma.

Não, isto não é uma tese. Não é um artigo científico nem um ensaio acadêmico. É só uma impressão pessoal que alguns gênios vão chamar de “falsa premissa”. Acontece. Eu nem ligo: até que me provem o contrário, sigo achando que uma pessoa só pode dar certo com outra depois de se acertar consigo mesma.

Sentir amor por alguém sem amar a si mesmo tem cara de um engano daqueles, cheiro de encrenca, tudo para dar errado. É passar a carroça na frente dos burros, trocar as bolas, meter as mãos pelos pés. Posso até gostar ainda mais de mim porque tenho amor por fulano ou por beltrano, mas o meu amor por mim mesmo chegou primeiro. Já existia antes de expandir e se tornar amor pelo outro.

Pensemos: quando surge alguém interessante no meio do povo, quando aponta ali na frente a pessoa por quem a gente sente um sei lá o quê, uma alegria, uma intuição boa e decide ver no que vai dar, qual é o próximo passo? A gente se cuida, ué! A gente se apronta, se apruma, se quer bem e dá à tal pessoa motivos para ela nos querer também.

Sei não, mas eu tenho aqui pra mim que o primeiro benefício do sentimento amoroso por alguém é acordar ou fecundar em nós algum tipo de amor próprio. Quem ama quer viver bem, quer ser pessoa melhor, esparramar sua alegria para quem estiver perto. Assim, em meio a sua festa, apresenta ao outro as condições mínimas para ser amado também. E isso é coisa de quem tem apreço por si mesmo, prática de quem se gosta e se respeita.

Cá entre nós, como pode dar certo um amor em que um dos dois não se gosta ou, vá lá, gosta mais do outro que de si mesmo? Não pode! Amar é reconhecer em alguém um sentimento que é seu não é de hoje. Mesmo sem saber! Sei de gente que parecia não se gostar nem um pouco, mas aí encontrou quem lhe gostasse e reaprendeu a gostar de si mesmo para depois gostar do outro.

Vê por aí quanta gente se desdobrando pra chamar a atenção da pessoa “amada”? Quanto engano! Quanto tempo jogado fora! Quer despertar amor em alguém? Goste-se e dê a ele motivos para gostar de você. E isso não se pede a ninguém. Isso cada um faz a si mesmo.

Como ser sua melhor versão

Como ser sua melhor versão

Desde o nosso nascimento aprendemos pela observação e repetição. Observamos nossos pais e mestres, repetidas vezes, até aprendermos. Aprendemos a andar, aprendemos a falar, aprendemos um punhado de coisas, vamos para a escola, somos testados, adquirimos conhecimentos e quase nada sabemos sobre como nossos pensamentos se organizam em nossa própria mente.

Aprendemos as normas sociais, aprendemos a concordar com coisas que não entendemos bem, firmamos compromissos particulares e mentais com outras pessoas e, muitas vezes, deixamos esquecidos os compromissos que deveríamos ter firmado conosco.

De acordo com o livro “Os quatro compromissos” de Don Miguel Ruiz, os antigos toltecas, povo que no passado habitava a atual região do México, acreditavam que nós podemos mudar nossa forma de pensar e melhorar nossa qualidade de vida nos comprometendo em honrar quatro compromissos básicos.

Esses quatro compromissos são simples, contudo exigem grande empenho para serem colocados em prática. Mas digo por mim que, apesar dessa quebra de padrões mentais ser trabalhosa, pensando na possibilidade de uma nova vida repleta de bem-estar, felicidade e amor, vale muito a pena tentar aplicá-la:

1 – Seja impecável com sua palavra

Resumidamente esse compromisso trata da ideia de não voltarmos nossas palavras contra nós mesmos (ex: sou feio, sou burro, sou indigno) ou contra os outros com depreciações ou fofocas, pois as palavras são poderosas e quando acreditadas ficam em nós.

2 – Não leve nada para o lado pessoal

Precisamos ter muito clara a ideia de que quando alguém fala de nós está no fundo falando dele mesmo. Freud já nos contou isso ao citar “Quando Pedro me fala sobre Paulo, sei mais de Pedro que de Paulo”. Isso é muito real. Não devemos absorver os insultos dos outros como se fossem pessoais e, se o fizermos, é bom prestarmos atenção em nosso processo mental, pois nesse caso, em algum momento da vida, tomamos o que foi dito como verdade, mesmo sem o ser.

3 -Não tire conclusões precipitadas

Não devemos criar respostas em nossa cabeça para o que não está muito bem explicado. Sempre que possível, quando temos dúvidas, devemos perguntar abertamente. Sejamos claros, exijamos clareza, mas nunca devemos concluir pelos outros. Cada cabeça, uma sentença e nenhum de nós é adivinho para saber o que está acontecendo, exatamente, na vida do outro.

4 – Sempre dê o melhor de si

Esse compromisso me faz lembrar de uma palestra do filósofo Mário Sérgio Cortella na qual ele fala, dentre outras coisas, sobre a importância de fazer o nosso melhor com aquilo que temos. De acordo com Cortella, resumidamente, dando nosso melhor nos tornamos meio e não fim para um processo de melhoria que se estende para além de nós. Quando damos o nosso melhor, respeitando nossas capacidades, neutralizamos qualquer tipo de veneno emocional ou culpa por não termos feito o que poderíamos fazer.

É importante lembrarmos que todos temos padrões mentais e que quebrá-los não é algo compulsório, ou seja, quebrar padrões exige bastante determinação, mas é muito importante para o nosso bem-estar.

Afinal de contas, é da nossa mente que nasce o conceito que fazemos acerca de nossas capacidades e limitações. E é esse conceito que, comumente, determina, de forma inconsciente, até onde podemos chegar na vida.

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Ainda não estou preparado para desistir do amor

Ainda não estou preparado para desistir do amor

Vejo luzes na cidade. Percorro ruas e, nelas, os amantes vindos de todos os lugares. Amores de muitas cores e sentimentos ainda mais expansivos. Mas como fica o coração que desistiu do amor? Em duras quedas, assumiu um estado de acomodação. Não acredita. Não escuta. Não sente. Perdeu o cintilar das palavras e dos sentidos que elas almejavam. Relacionamentos instantâneos e passíveis de solidão. Uma pena. Agora, os concretos que formam grandes metrópoles, perdem-se nos abraços não dados e nos beijos contabilizados.

Mas viver é um salto para a libertação. É preciso coragem, paciência e doses inteiras da mais legítima disposição. Porque contrariar esse sentimento quente é navegar em mares mornos. A graça do encontro é o súbito nascer de novo que ele desperta. Nos olhares acolhedores, nos sorrisos transparentes e nos carinhos em tom maior. Mas incomum aqui, o respeito. Reciprocidade do primeiro instante em diante. Sem economia para dizer o que se sente. Sem freios para sentir o que se diz. Enquanto isso, a vida reluz oportunidades.

Tão logo seja o gesto revolucionário, os intensos agradecem. Não seria uma questão amena da falta, mas do derramar sem querer ausência. E assim os indivíduos românticos nascem, crescem e somam. Corroborados pela vontade, não necessitam pedir. Naturalmente, o amor acontece. Benditos os frutos incumbidos sob essa efervescência. Os que bebem do ritmo inebriante, descompassado e tateável da troca. O amor sereno. O amor novo de novo.

Continuo enxergando brilho nos futuros amantes. Ainda não estou preparado para desistir do amor. E desconfio que esse dia nunca chegará. Porque, apesar dos golpes sofridos num passado já interrompido, é no toque cálido dos lábios futuros que a tranquilidade haverá de ser residente. Nada como outras mãos resilientes para reconhecer felicidade por detrás dos caminhos postos à luz de todos. Luzes no escuro.

Anos dourados

Anos dourados

Nossa destinação é de glória.
Guimarães Rosa

Podemos pensar a vida como uma meada, ou um novelo de fios de lã que nos é entregue assim que nascemos. Não sabemos de que tamanho é esse novelo; sua metragem é o grande mistério!

O que precisamos é aprender “vagarosamente” a lidar com esse fio tão precioso e singular: aprender a ser “tecelões”. Fazer uma obra de arte.

Nos primeiros anos de vida, nossos pais, avós, professores e tantos outros sentam-se ao nosso lado, dão-nos suas mãos, seu colo e sua atenção para que aprendamos os primeiros pontos deste tricô/vida.

Somos ainda rígidos, um tanto desajeitados, mas com ensaio e erro vamos tricotando o engatinhar, o andar, o falar, ler, escrever, brincar… Nessas primeiras carreiras, os pontos saem bem apertadinhos, por isso ficam marcados para sempre em nossas memórias.

São anos de pura sensação, de inconsciência profunda e nem sequer passamos a nos interrogar para que aprender tudo isso.

Ah! Com certeza esses são os “anos dourados” , pois o fio que tecemos está coberto do pózinho do pirilimpimpim, dos beijinhos na bochecha e das cantigas de ninar.

Mas vamos em frente, que o trabalho vai ficando cada vez mais interessante e instigante! Chegamos, assim, à “danada da adolescência” (para os pais, é claro!).

Agora o fio vai ficando mais frouxo, soltando-se com mais facilidade do novelo e acreditamos que esse fio não se acabará nunca e que é bem resistente. São anos de pura emoção.

Muitas pessoas vão entrando nessa ciranda do tricô, várias mãos vêm ao nosso encontro e várias vozes dizendo como devemos laçar o fio. A confusão instala-se. Às vezes, as carreiras ficam molhadas por nossas lágrimas, às vezes, trêmulas por conta dos excessos, ou então, por sonhar acordados, acabamos dando laçadas a mais em nosso tricô/vida.

Pensando bem, esses são os ”anos dourados” , pois o fio está banhado no fogo das paixões. Após todo esse “frisson”, o ritmo não diminui, mas muda e o tom sobe uma oitava.

Ao atingirmos a maturidade, trabalhamos bastante, constituímos família, fazemos novos amigos e perdemos outros. Sentimo-nos desbravadores e acreditamos que temos braços e dedos ágeis para muito mais. Esses são tempos de pura ação.

Entendemos que é hora de sermos ousados e eficientes e o ponto – tricô tem que ser trocado pelo ponto- meia; afinal, precisamos fazer o pé- de- meia!

Ah! Com certeza esses são “os anos dourados”, pois o fio está banhado de realizações, de poder aquisitivo, de amigos novos e antigos, e de medo também. E o medo não é aquele que nos faz amarelar?

O relógio anda, marca horas, dias e anos; há momentos felizes e momentos de tristeza e assim vamos nós. Até que chega um tempo em que nosso olhar torna-se mais atento, querendo entender que novelo é esse e como fazer para espichá-lo.

São anos de muito pensamento e introspecção. É o pôr do sol chegando para o tecelão e com ele o dourado da estação mais dourada – o outono. São esses, então, os verdadeiros “anos dourados”.

E assim vamos vivendo, tecendo sonhos, realizações, ilusões… Sempre aprendizes, sempre virgens frente às novas possibilidades que estão por vir.

É linda esta tecelagem, mesmo com suas imperfeições. Lembranças brotam em cada ponto que lá está.

Anos dourados são, pois, todos os anos da nossa vida, todas as carreiras tecidas, vividas e compartilhadas. Quando compreendemos que este fio é o grande presente que recebemos do nosso Pai do Céu, nos damos conta de que ele é dourado em toda a sua extensão, pois é divino. Por conta dessa verdade e por sua origem tão sagrada é que comemoramos com muita alegria o nosso aniversário.

Imagem de capa: As Moiras, com o fio da vida. Alegoria, por Strudwick (1885).

Preparo minha vida ou um café?

Preparo minha vida ou um café?

As histórias se repetem tanto que às vezes até cansa. Têm dias que fazemos as malas para estar ao lado de alguém que só estava de passagem, outros dias, escolhemos uma bolsinha de mão para passear com alguém que já estava disposto a plantar raízes no chão.

São tempos difíceis, por isso decidi deixar tudo claro. Não vou pedir que assine um contrato, mas espero que ao menos tire alguns minutos para me ler. Eu não quero gastar toda a minha energia em algo prestes a acabar. Se for apenas por diversão, tudo bem, eu gosto de me divertir, mas peço que me avise pois não quero que apenas se divirtam comigo. Se é por um dia, então senta aqui, deixe eu te preparar um café. Com açúcar? Adoçante? Quer saber?! não responda. Não precisamos nos conhecer tanto assim, deixe o mistério no ar.

Tudo bem se você já estiver planejando o voo, podemos aproveitar enquanto suas asas continuam fechadas. Quer um cigarro? Uma tragada ou duas depois do café e não nos vemos mais. Não me importo se tiver que ser assim, mas não esquece de me contar seus planos. Não deixe que eu fique planejando aqui e ao sair para te mostrar, você já foi.

Eu não ligo se você veio me encontrar com a passagem de volta já comprada e guardada no bolso. Mas me mostra, me deixa ver pra que hora está marcada só pra eu me organizar melhor. Se o café estiver demorando, eu posso usar a máquina de expresso, me diz o quanto tem de pressa.

Porém, se por acaso, se por um descuido da rotina, você seja alguém que goste de ficar, então se aconchega aqui. Deixa eu te contar uma história. Tenho uma muito boa sobre quando era criança. Na verdade, é meio longa… mas parece que temos tempo. Aproveita e me conta quando conseguiu essa cicatriz no queixo. Senta aqui ao meu lado, me deixa decorar seu rosto enquanto você fala como foi o seu dia. Agora está chovendo lá fora e não temos como sair. O que não nos afeta em nada já que não tínhamos planos para ir a lugar algum. Bom ver suas malas aqui bem aos lados da minha.

A noite está fria, mas nada como um coração seguro para esquentar. Ah, e um chá! Nunca gostei de café.

 

A gente sobrevive, sim, mas nem sempre volta a ser inteiro

A gente sobrevive, sim, mas nem sempre volta a ser inteiro

Apenas sobreviveremos nesse mundo caótico e violento de hoje, caso consigamos manter a fé e a esperança de que dias melhores virão, de que ainda é possível confiar nos seres humanos. Mesmo assim, existem momentos tão devastadores na vida da gente, que nos machucam fundo na alma, tornando-nos mais fortes, porém menos inteiros.

Às vezes, a vida nos tira o que ou quem temos de mais precioso, trazendo-nos uma perda por demais dolorosa e pungente e cujas marcas estarão impressas em nossa alma enquanto vivermos. Poderemos até voltar a sorrir, a sonhar, a ser alguém que segue em frente, mas a carga das cicatrizes enraizadas estará ali, silenciosamente nos cutucando por dentro, não o tempo todo, mas sempre presente.

A saudade de um filho que partiu, o sofrimento de um ente querido que agoniza, a perda de tudo o que foi conquistado, às duras penas, por conta de fenômenos naturais, um evento que deforma e mutila, um desemprego que perdura por anos a fio, uma traição descomunal de um amor, de um amigo, de um sócio, por exemplo, aniquilam nossa autoestima, devastam nosso emocional, deixando marcas indeléveis.

O pior disso tudo é que hoje se cobra muito uma felicidade explícita, um sorriso frequente, como se fôssemos obrigados a estar bem o tempo todo. Logicamente, não poderemos nos abrir sempre e para quem quer que seja pois, a maioria das pessoas nos pergunta como estamos por mera formalidade, porém, forçar um estado de espírito que não condiz com o que realmente estamos sentindo nos faz muito mal.

Daí a necessidade de construirmos um relacionamento sincero e saudável com as pessoas que nos são caras, pois as lembranças felizes e especiais nos servirão como alento e motivação para que retomemos as forças, no sentido de continuarmos a acordar com o propósito de buscar a felicidade, ainda que sigamos incompletos. Se nada será como antes, pelo menos aquela parte de nós que sobreviveu terá a certeza de que o amor verdadeiro é mais forte do que tudo, protegendo-nos contra a demora exagerada nas escuridões de nossa alma.

Seja uma mulher livre

Seja uma mulher livre

Se eu pudesse te dar só um conselho, eu diria: Seja uma mulher livre.

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Seja dona do seu próprio destino.
Saiba o que você quer e corra atrás disso.

Seja uma mulher livre.
Não espere aprovação dos outros para fazer o que você está afim.
Se te der vontade, faça.

Mulheres livres não se abalam com julgamentos, elas sabem que quem as julga não entende nada sobre o que é ser ela. Ninguém nunca entenderá.

Ligue a música no talo e dance sozinha no quarto.
Aprenda a cozinhar seu prato preferido, e prepare um jantar a luz de velas apenas para você.
Termina de ler aquele livro que você deixou esquecido na cabeceira.
Seja uma boa companhia para você mesma.

Se não está afim de ir a algum lugar, não vá.
Não precisa arranjar desculpa, simplesmente fale que não está afim.
Você não precisa se explicar para ninguém.

Abre mão de quem não te faz bem.
Sabe aquela amiga que só sabe reclamar da vida e falar mal dos outros?
Sabe aquele ex-namorado que até hoje se diz arrependido?
Perdoe-os, mas abra mão deles.
Aprenda a não mendigar amor de ninguém.
Se não te fez bem, deixe-os ir.

Tenha ideais e não os traia.
Defenda o que você acredita.
Mesmo que você o faça sozinha.

Mas também esteja aberta a mudar de opinião.
Mulheres livres estão abertas a ouvir e considerar opiniões diferentes das suas.
Só não muda de opinião quem está morto.

Não deixe de fazer nada por falta de companhia.
A sua melhor companhia será sempre a sua própria.
Não seja de ninguém, e não chame ninguém de seu.
Você é completamente sua e ninguém nunca mudará isso.

Mulheres livres contagiam.
Elas tiram o melhor da vida.

Saiba receber um elogio.
Se alguém te disser que você é linda, agradeça.
Nunca negue elogios.
Não tenha vergonha de se achar linda.

Não abaixe a cabeça para injustiças.
Não aceite que sejam machistas ou desrespeitosos com você.
Não tenha vergonha de fazer um escândalo.

Tenha personalidade, não mude seu jeito de ser porque ele não agrada algumas pessoas.
O pior erro que podemos cometer é querer agradar a todos.

Não precisa querer se auto afirmar o tempo todo.
Você não precisa provar nada pra ninguém.

Também não queira ter sua vida resolvida aos 20 anos.
Não se desespere por não estar em um emprego tão bom quanto os seus amigos.
Você não é seus amigos.
Você é você e tem seu próprio caminho a trilhar.
Não se compare aos outros.

Sério.
Não se compare aos outros.

O mundo não precisa ser uma competição.

Mulheres livres são mais bonitas.
Ser livre nada tem a ver com a aparência física.
Mas sua liberdade transparece.

Mulheres livres intimidam.
Não há nada mais aterrorizante que uma mulher livre.
Homens não sabem lidar muito bem com elas, eles não estão acostumados com isso.

Mulheres livres não aceitam nada a menos do que elas merecem.
Não adianta, nem tente.
Elas sabem muito bem o que elas podem ter e não vão se acomodar com menos que isso.

Que sejamos livres, então.
Livres para ir onde quisermos.
Para fazer o que nos der vontade.
Livres de amarras, livres de julgamentos.
Por mais mulheres livres.

O mundo é nosso.

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Mesmo que pareça tolo e sem sentido, eu ainda brigo por sonhos

Mesmo que pareça tolo e sem sentido, eu ainda brigo por sonhos

Sonhei que o Estado era laico e formado de bom senso. Não havia sequer um único lugar, onde crenças imperavam acima do respeito ao próximo. Cadeiras estavam vazias porque entendemos a religião como movimento de fé, e não como uma fé que movimenta.

Sonhei que o crime maior era a falta da empatia. Deixamos de lado os assassinatos, a hipocrisia e o oportunismo vazio do individual. É no coletivo, na partilha de gestos e sentimentos que, no mais absurdo dos casos, geramos entendimento entre os cidadãos.

Sonhei que a falta de educação não era um problema físico. Não eram necessárias paredes de concreto para conceber conhecimento. Podíamos escolher quando e onde absorver e construir um pensamento crítico, cultural e espirituoso. Todos livres e sem seguidores de uma doutrina egocêntrica.

Sonhei que o amor era espaço a céu aberto. Fora da jaula dos gêneros, cores e sabores. Desde que se amasse, pouco importavam legendas e outras descrições encomendadas por tradicionalismos passados.

Sonhei, inclusive, sobre as diferenças. Elas não eram nada além de características biológicas, hereditárias e consequentes da natureza que nos cerca. No fundo, todos éramos acometidos por cumplicidade.

Sonhei e continuo sonhando. E mesmo que pareça tolo e sem sentido, persisto. Sigo munido dos versos e laços afetivos que não podem ser esvaziados por uma noite mal dormida.

Por isso ando com o coração de olhos abertos. Porque é nele que encontro sonhos pelos quais é imperativo acreditar.

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