Nós, os hipersensíveis

Nós, os hipersensíveis

Sentimentos exacerbados, dores amplificadas, mente borbulhante, angústia com o que não lhe diz respeito, intuição aguçada, espontaneidade inocente. Talvez você também seja um hipersensível.

Para um hipersensível, diagnosticar-se como tal é algo muito importante. Na verdade, um divisor de águas. Enfim, começamos a nos entender. Não somos exagerados, mimados ou dramáticos, como quase nos fizeram acreditar. Somos dotados de uma característica peculiar e determinante, a qual, por não podermos abrir mão, é necessário que aprendamos a manejar da melhor forma possível.

Mesmo com o passar do tempo, é difícil chegarmos a uma conclusão exata de quanto da hipersensibilidade é “defeito” (negativo) e do quanto é “qualidade” (positivo). Mas, é o que nos adjetiva, nos compõe, nos impulsiona. É, de nós, inerente, irretocável e intransferível. Resta-nos aceitá-la.

Em razão da sensibilidade exacerbada, a dor, para nós, é – de fato – muito mais intensa. Tanto a física, quanto a emocional. A recuperação de uma cirurgia é muito mais penosa e demorada, por exemplo. Os exercícios físicos nos desgastam mais que aos demais. Alguns procedimentos estéticos são um tanto doloridos para nós. Uma gripe tem o poder de nos incapacitar. Entendemos, então, que não podemos servir de parâmetro para muita coisa.

Os sentimentos, da mesma forma, são elevados ao cubo. Efetivamente, uma “brincadeira-verdade” pode nos fazer sentir muito mal. Indiferenças nos entristecem bastante. Grosserias nos destroem. Outrossim, Barulhos excessivos afetam bastante os que sentem demais. Podemos ficar desconcertados com músicas muito altas, máquinas trabalhando ou pessoas gritando.

Muitas coisas que podem não ter grande relevância para a maioria das pessoas, para nós são essenciais, e seria interessante que os que conosco convivem soubessem medir as palavras usadas, lembrar datas marcantes, atentar ao tom de voz, evitar “zoadas-inocentes”, repetir declarações, evitar estressores desnecessários.

Evitamos conflitos ao máximo. Não apenas os que nos envolvem, mas qualquer conflito. Presenciar uma agressão entre estranhos, por exemplo, pode nos fazer sentir muito mal, mesmo. Sentimos os golpes quase como se fossem dados em nós.
Inclusive, qualquer espécie de constrangimento, para nós, reflete-se de forma exacerbada. Presenciar uma pessoa sendo colocada numa saia justa, ou sendo xingada, exemplificamente, nos deixa desconfortáveis também. Os evitamos, então, a todo custo.

Presenciar injustiças nos faz estremecer. Podemos não ter nenhuma relação com a situação, mas não conseguimos nos manter neutros. Se, por alguma razão, não nos envolvermos – de fato – no ocorrido, certamente ficaremos com aquilo “matutando” por tempos dentro do nosso ser.

Empatia também é uma palavra que nos define. Moradores de rua, crianças carentes e pessoas doentes nos fazem murchar. Ver um animalzinho morrer pode acabar com o nosso dia. Até mesmo as tristes e violentas histórias passadas cotidianamente nos noticiários nos fazem muito mal. Melhor manter distância.

O sofrimento alheio nos atinge diretamente. Faz doer nosso coração. Queremos ajudar a todos que vemos necessitar. Não entendemos como podemos viver leve e alegremente em um mundo onde muitos estão passando por grandes dificuldades, das mais diversas ordens. Nossa compaixão, desta forma, é imensa. Às vezes, pode até nos causar transtornos.

Temos a vantagem, por outro lado, de ficarmos bem quando sozinhos. Na verdade, um pouco de solidão é essencial para um hipersensível. Precisamos acalmar a mente, colocar a casa em ordem, dar uma aliviada. O silêncio, nesse ponto, é fundamental.

Expressamos nossos sentimentos com mais facilidade do que os demais. Se estamos tristes ou emocionados, chorar não é problema. Aliás, choramos bastante, às vezes até sem saber exatamente por quê. Talvez, excesso de informação (que nos embaralha, diga-se de passagem). É um alívio, enfim. Uma forma de extravasar o que não cabe mais dentro de nós.

Contudo, também rimos sem fazer cerimônia. Quando algo é engraçado, divertido ou excitante, ora, não vemos porque reprimir nosso sentimento. Somos espontâneos. Nos envolvemos e nos empolgamos com facilidade. Às vezes passamos por inocentes demais.

Também somos intuitivos e, não raro, captamos emoções e sensações dos ambientes. Sentimos quando não somos bem vindos, quando a situação é forçada, quando a intenção não é tão boa assim. Deveriam dar mais crédito aos nossos insights.

Um dos pontos negativos, outrossim, é não esquecermos tão fácil as coisas. Temos uma boa memória. Lembramos por tempos humilhações, desfeitas, indelicadezas, desconsiderações. Não que as fiquemos remoendo, mas, em algum momento, sua ocorrência será recordada (ainda que não necessariamente manifestada).

Somos pensadores profundos. Nossa mente, efetivamente, borbulha (ainda que saibamos que isso nos consome). Procuramos explicações, soluções, inovações. O comportamento humano nos fascina. A dinâmica da vida – e da morte -, igualmente. Vivemos tentando entender o mundo. Buscar o sentido das coisas. Encontrarmo-nos. Conhecermo-nos. Desenvolvermo-nos.

Apreciamos as sutilezas. Um céu estrelado. Um toque leve na nossa mão. Um aroma que surge inesperadamente no ar. Um por do sol multicolorido. Um som que toca o nosso coração. Um poema que parece nos traduzir. Um olhar que nos desnuda. Tudo isso nos fascina.

É trabalhoso. É sofrível. É, muitas vezes, exaustivo. Mas é gostoso. É encantador. Na verdade, essencial. Não saberíamos viver de outra forma, com outra intensidade. Nosso tom é esse. A hipersensibilidade.

Não me intimide, não me assedie! Seja você quem ou o que for!

Não me intimide, não me assedie! Seja você quem ou o que for!

Seja por autoridade, por excesso de intimidade, seja por pura maldade ou somente por vaidade… Não me imprense na parede, nas suas neuroses, carências e crenças.

Eu sou livre por natureza, submeto-me somente a mim e, acredite, foram inúmeras as vezes que eu mesma me intimidei. Me intimidei quando tentei agradar sem ser natural, me coagi quando me coloquei em lugares e situações que não desejava, me violentei quando aceitei regras e condições das quais discordava.

E o caminho para reparar e recolocar a vida no lugar é pedregoso, escorregadio. Nesse tabuleiro, a gente anda quatro casas e antes de comemorar, volta duas.

Portanto, não me ameace! Não imponha condições, não me chantageie, não apele para a pena nem para a admiração teatral. Não me force a não ser espontânea.

Não me constranja exigindo escolhas que não tenho intenção de fazer.
Não me culpe nem me responsabilize por eventuais decepções.
Não me assedie com padrões e formatos.
Não me amedronte, não apele para nenhum tipo de covardia…

Lidar com as questões pessoais já é pressão suficiente para qualquer um, e nem todos os dias são iguais; nem sempre estamos dispostos a matar leões, enfrentar depressões, sufocar reações.

Portanto, nem por um minuto me intimide. Não perca seu tempo tentando me acuar, seja você uma pessoa amada, uma amizade considerada, uma parceria de trabalho, um familiar mais autoritário, um sonho acalentado, uma ambição descontrolada.

Não me empurre contra o nada, não me tire da estrada, não seja você a embaralhar as peças do meu jogo.

Assédio, só o da vida me intimando a não recuar!

Os padrões aprisionam a nossa verdadeira beleza

Os padrões aprisionam a nossa verdadeira beleza

Você não precisa de pernas finas, barriga chapada, cabelo liso e pele perfeita. Você precisa de amor próprio e felicidade.

O que você precisa é se olhar no espelho e gostar do que vê, mesmo sem precisar vestir um 36 porque a garota do instagram postou uma foto nova com a cintura desenhada. Você não precisa fazer dietas malucas e tentar se enquadrar em padrões, porque a tua beleza é singular.

Aprenda a se olhar no espelho e a gostar do seu desarrumado, do seu jeito desastrado de ser e das suas piadas sem graça. Não tenha medo de ser a garota da risada escandalosa e do coração sincero. Não hesite em usar aquele vestido que você comprou há tanto tempo e deixou guardado, porque acredita que “não ficou bom em você”.

Valorize as suas curvas, mas lembre-se, sempre, de que o seu sorriso é a curva mais bonita que há em você. Lembre-se que o seu abraço é confortante e que você sabe ajudar alguém como ninguém.

Não esquece a sua força e a sua coragem, não esqueça a sua história e tudo o que você já suportou para chegar até aqui. Não deixe de lado a sua alma bonita, deixe para trás os medos e todas aquelas palavras que a feriram.

Ame o seu cabelo, seja ele liso, enrolado, crespo, curto, longo ou bagunçado. Ame o seu corpo, sem se importar com os quilinhos a mais, porque isso não define quem você é. Resgate a sua força e a sua coragem, veste a sua melhor roupa, que é a sua alma bonita, e vá desbravar o mundo com sua ousadia.

Você não precisa se comparar com o outro, isso é um erro, e nos leva à frustração. Compare você com o melhor de si, com aquilo que pode melhorar a cada amanhecer. Compare com aquilo que você tem de mais bonito e que de alguma forma se perdeu com o tempo devido ao medo ou às feridas.

Esqueça os seus fracassos e recorde-se da sua coragem em enfrentar qualquer obstáculo. Ame a sua loucura e defenda aquilo em que você acredita. Alimente o seu ego sem precisar de elogios, goste da sua roupa sem precisar que alguém diga que “ficou bom em você.” Extrapole nas cores e combinações, sem ninguém precisar dizer que você “acertou” no quesito estilo.

Autenticidade faz parte do amor próprio; é preciso ousadia para sermos nós mesmos em um mundo de tantas cópias, em uma sociedade que valoriza os padrões e que tenta, a todo custo, encaixar-nos neles. Seja você e aprenda a gostar disso, aprenda a valorizar os seus traços e a realçar a sua beleza, em vez de tentar mudá-la o tempo todo.

Você não precisa de roupas caras para ter estilo, não precisa vestir um 36, ter a cintura fina, o cabelo liso e a barriga chapada. Você não precisa ser alta e ter inúmeros likes nas suas fotos para ser bonita. Você precisa gostar de si e ter amor próprio, que é o caminho mais certo para o outro nos amar, é a porta para não aceitar pouco. É a chave para não desmoronar com as bobagens que escutamos todos os dias de quem não entende nada quando o assunto é “ser você mesmo”. De quem tenta nos derrubar a todo custo com os seus discursos prontos.

Você precisa de amor próprio, de felicidade, sorriso sincero, abraço acolhedor e gente que valorize os detalhes que compõem a tua beleza singular. Você pode ter pernas finas, barriga chapada, pode querer perder uns quilinhos, ter o cabelo enrolado, liso e até querer fazer uma dieta, mudar o corte de cabelo ou comprar uma roupa nova com aquela estampa ousada da moda, mas que todas essas mudanças sejam por você, unicamente por você.
Gostar daquilo que contemplamos no espelho sem precisar se ver pelos olhos dos outros é dessas belezas da vida que dinheiro algum compra e flash nenhum consegue captar e traduzir em uma fotografia.

Pode chorar no meu ombro, mas não se esqueça de mim quando essa dor passar

Pode chorar no meu ombro, mas não se esqueça de mim quando essa dor passar

Faz um bem imenso podermos ouvir, acolher e ajudar a quem esteja precisando de um ombro amigo, de ouvidos atentos ou de palavras de ânimo. Isso nos fortalece e nos torna mais aptos a enfrentar as próprias dificuldades. Mesmo assim, também nos deixa felizes quando se lembram de nós nos momentos de alegria, visto que tanto no fracasso quanto no sucesso podemos ser úteis – isso é reconhecimento, gratidão.

É verdade que devemos praticar o bem de maneira espontânea e desprendida, sem esperar obter algo em troca, para que possamos exercitar nossa capacidade de doação incondicional. No entanto, humanos que somos, também temos prazer em poder ser alguém com quem os amigos dividem alegrias, ou seja, quem nos procura para chorar as dores não deve nos esquecer quando tudo estiver bem.

Nem sempre estaremos sendo egoístas ao pensar em nosso bem estar, em nosso equilíbrio, em nós mesmos, enfim. Caso apenas nos doemos, nos entreguemos, sem receber retorno algum, acabaremos nos cansando, perdendo as forças. Sim, amor que vai se multiplica e alimenta a nossa alma, porém, ninguém foge à necessidade da troca, do vai e volta, da reciprocidade. Nada se sustenta em terreno que somente cede, sem ser reposto, sem ser cuidado, sem ser terreno cheio.

Temos que ter esse cuidado em valorizar as pessoas por tudo o que são e não somente pelo que nelas nos interessa em determinados momentos, pois isso equivale a usar o outro como um objeto qualquer. Quem nos consola também sabe sorrir junto. Quem nos aconselha também sabe contar piadas. Procurar a pessoa apenas quando estiver por baixo poderá acabar culminando na ausência dela quando você mais precisar, porque a gente cansa de ser usado, mesmo que demore.

Tudo tem seu tempo, tudo requer equilíbrio, os excessos nada produzem de positivo, ou seja, sempre será necessário ponderar sobre a intensidade com que nos dispomos a agir, em todos os setores de nossas vidas. Fechar-se ao outro, sem se permitir entregar um nada, é uma das piores coisas a se fazer contra si mesmo, porém, apenas se doar, sem repor as energias com as trocas de que se constituem os relacionamentos saudáveis, nos impedirá de completar a nossa essência com a felicidade a que todos temos direito.

Amigos invejosos

Amigos invejosos

Tendemos a confundir inveja com cobiça. Inveja é não querer que o outro tenha, seja lá o que for: inteligência, amor, dinheiro, um corpo bonito, um cabelo bonito, namorado (a), sorte, sucesso, roupas bacanas, viagens, etc. Cobiça é querer o que o outro tem.

Mas ambas as emoções se misturam porque são frutos do mesmo engano: a ideia de que o outro não merece o que tem e/ou não o fez por merecer.

Outro engano? Negar a presença dessas palavras no vocabulário de nossa própria vida, porque todos nós sentimos inveja e cobiça em algum momento, elas fazem parte da condição humana.

Perceber que um amigo tem o que (supostamente) nos falta mexe com o nosso sentimento de impotência e ninguém gosta de se sentir impotente.

Então, para não lidar com a impotência-nossa-de-cada-dia tiramos o foco de nós mesmos e botamos no outro! Sentimos raiva – ainda que veladamente – do outro e do que ele possui, pois é mais aceitável sentir raiva do outro do que de si.

Seria muito bacana se conseguíssemos refletir sobre as nossas faltas quando a inveja e a cobiça nos assaltam. Seria proveitoso. Quem sabe não conseguiríamos, através de um mergulho pra dentro, transformá-las em ganhos?

Olho grego, pimenta dedo de moça e figa podem ajudar? Podem, mas não impedem que sintam – ou sintamos – essas emoções.

Quem se sente vítima de inveja constantemente também deve experimentar uma pausa para reflexão: será mesmo que “aquela amiga” tem inveja de você ou simplesmente você está com a autoestima baixa e precisa acreditar nisso para se sentir bem?

Acreditar que alguém nos inveja, em alguma instância, é acreditar que somos “merecedores” dessa inveja, que temos algo valioso que o outro não tem. Será que temos mesmo? Se temos, por que precisamos da inveja alheia para validar nosso status?

Sentir-se invejado não deixa de ser um ato narcísico. Mas tudo nessa vida serve como matéria-prima para o autoconhecimento, basta querer! Basta estar atento. Basta estar disposto. Eis a nossa labuta diária: transformar lixo (emoções baratas) em luxo (oportunidade de crescimento).

Mas, pelo sim, pelo não, acredito que um punhado de sal grosso atrás da porta, um patuá no pescoço e um beijinho no ombro para quem anda querendo secar a nossa pimenteira não fazem mal a ninguém.

Tem amor de sobra? Escoe para onde falta.

Tem amor de sobra? Escoe para onde falta.
Buddy bear

Amor é fonte generosa. Multiplica-se, propaga-se, encontra caminhos e maneiras de tocar seu objeto de afeição.

Amor em demasia sempre vem acompanhado daquele apego que gruda, do ciúme que intimida, da dependência que aprisiona. Se há amor sobrando, é preciso escoar, descobrir alternativas, manter saudável o nível e o humor deste amor.

Amor mau humorado resmunga.

Amor em exagero sufoca, afoga, asfixia.

Se já é tarefa árdua tentar equilibrar as trocas de amor, impossível avaliar o que fazer com o amor excedente, o que transborda, que, longe de ser recusado, simplesmente sobra numa relação que não o comporta.

Amor que sobra tem que ser escoado. É imperioso encontrar um caminho diferente, uma forma de distribuição mais justa e coerente, o resgate de afeições esquecidas e carentes desse amor.

Somos seres cercados de amor por todos os lados. Família, amigos, colegas, companhias eventuais, personagens da rotina diária, exemplos, admiradores. Em tudo colocamos ou esperamos amor. Do mais rasteiro ao mais profundo, guardadas as escalas e proporções.

Canalizar para apenas um afeto é sentença de morte e transformação desse amor em outro sentimento, quase sempre oposto. É preciso distribuir, escoar, deixar fluir, sem retenções nem exceções.

Ninguém dá conta de um amor exclusivo e integralmente seu. A oferta faz bem somente para a vaidade, porque na real, esse amor vira um grande e pesado fardo, terminando por ser jogado de lado e trocado por um amor mais leve.

Amor é estrela de várias pontas e quem opta por utilizar a luminosidade de apenas uma em potência máxima, acaba por se sabotar e colapsar o equilíbrio do que deveria ser um sistema claro e justo, queimando e ferindo quem estiver em sua direção.

Quem consegue irradiar amor, não precisa sequer esperar reciprocidade. Ele volta, na medida certa.

Felicidade é saber reconhecer o próprio tempo

Felicidade é saber reconhecer o próprio tempo

Felicidade é não esconder sentimentos em troca de relacionamentos comuns, de uma vida sem vibração e num trabalho que mais parece um piloto automático de chatices sem porquês e explicações. Mas felicidade também não é jogar tudo para alto e imaginar viver uma vida isenta de limites e consequências. Felicidade é, no termo inteiro, saber reconhecer o próprio tempo.

Sim, felicidade é ponto de partida e não linha de chegada. Ainda assim, vivemos diariamente com uma arma angustiante apontada para a alma. O medo que não te deixa seguir. O passado que não te deixa criar presentes. E são obrigações e mais obrigações a serem cumpridas. Normas e regras ditadoras de sentimentos. Desaprendemos a amar. Pouco já não preenche. O quero muito e agora é cada vez mais visto nos sorrisos amarelos, nas fotos filtradas e nas declarações do tipo “como se não houvesse amanhã”.

Talvez, em todo esse processo, estejamos afastando a tal felicidade das nossas vidas. Até o convívio sereno de outrora deu lugar para essa busca incessante e egocêntrica. Pressionados, abrimos um leque de possibilidades com uma das mãos e deixamos ao léu as coisas simples noutra. O cheiro de café saindo, o abraço da saudade, a chuva inesperada no meio do dia e o amor que chega sem coletar o carinho dado. Cadê?

Não adianta cruzar os braços e dizer que o tempo é curto e injusto. Felicidade é saber prezar por momentos mais sublimes e por escolhas que não submetam o coração a um cárcere privado. Felicidade é, antes de qualquer coisa, saber da beleza dos instantes, pois não existe isso de felizes para sempre. A felicidade é, entre uma escolha e outra, a perspectiva e o tamanho da coragem que depositamos por prazeres não extintos em tempo de vida. O importante é a felicidade contida no tempo de nós.

Não é que eu seja indiferente. É que cuidar da minha vida já dá um trabalhão danado.

Não é que eu seja indiferente. É que cuidar da minha vida já dá um trabalhão danado.

Confesso. Eu não estou nem aí para certas coisas. Respeito quem acredita que “o desprezo é o contrário do amor” e outras teses. Mas eu discordo. Desprezar o que não nos serve é um exercício de liberdade, um gesto de amor por nós mesmos e por quem interessa.

Tem coisa e tem gente por aí que não merecem um segundo da nossa atenção. Assim como de quando em vez não se pode ficar indiferente a uma atitude duvidosa, de vez em quando é preciso não ter dúvida de desviar e seguir adiante.

Acho mesmo que o direito de concordar que discordamos é uma das prerrogativas da vida em sociedade. Anda ao lado do nosso dever de respeitar a opinião do outro. E se a opinião do outro me incomodar a ponto de eu querer distância dele, eu mantenho distância e pronto!

Não é que eu seja indiferente, não. É que cuidar da minha própria vida já dá um trabalhão danado! Deus me livre de tentar mudar o pensamento alheio.

Tem dias em que eu bem gostaria de me lançar a uma discussão interminável sobre assuntos polêmicos, ressaltar a diferença entre fatos e impressões pessoais, defender a minha tese de que não é preciso mudar a posição do outro para provar que a minha é melhor que a dele, argumentar que somos diversos e que isso é uma riqueza imensa. Mas não.

Às vezes eu bem quero responder a uma provocação aqui, um insulto ali, uma incorreção acolá, mas aí eu olho as horas, percebo a pilha de trabalho que me espera e deixo para depois. Quem sabe outro dia? Agora não dá. Agora eu tenho coisa mais importante. Agora eu tenho mais o que fazer.

Imagem de capa: Peshkova/shutterstock

Permita-se desistir

Permita-se desistir

Dá-se muita importância ao que se consegue, ao que se alcança, ao quanto vencemos na vida. Livros, filmes, reportagens são dedicadas a louvar as virtudes daqueles que venceram, que saíram da pobreza, que se tornaram famosos, pois jamais desistiram de seus sonhos. No entanto, poucos se lembram de que será preciso que desistamos, que abramos mão de muitas coisas e de algumas pessoas, caso queiramos persistir na busca de uma meta. Permita-se desistir.

Desista de correr atrás de pessoas que não o incluem em nenhum de seus planos, que mal se lembram de que você existe, que colocam seu nome no final de qualquer lista. Não se humilhe por quem não consegue enxergar tudo o que você tem a oferecer. Aproxime-se daqueles que sorriem ao ver você chegar, que se dispõem a ouvir o que você tem a dizer, que respondem suas chamadas, suas mensagens, seu olhar.

Desista de investir naquilo que não tem futuro, de gastar energia e tempo elaborando planos que não condizem com o que você é. Não procure carreiras rentáveis, não se perca em meio a gente hipócrita, que sabe o preço dos seus sapatos, mas desconhece a data de seu nascimento. Invista na sua qualidade de vida, nos sonhos que vão ao encontro do que existe dentro de você, do que faz seu coração vibrar.

Desista de se contentar com pouco, com metades, conformando-se com o que poderia – e deveria – ser muito melhor. Não caminhe por travessias menos coloridas, menos iluminadas, menos especiais, por conta de achar que já está bom. Queira mais, queira inteireza, amplitude, bonança afetiva, amor transbordante, gargalhadas de doer o estômago. Deseje preencher a dimensão exata de seus sonhos mais altos, nada menos do que isso.

Desista de sentir pena de si mesmo, de choramingar pelos cantos, correndo os olhos pelas vidas alheias, enquanto desperdiça os momentos que anseiam por preencher a sua jornada. Não inveje, não se compare com o outro, não se esqueça do que e de quem já está com você, enquanto assiste aos acontecimentos que não são seus com sentimento de derrota. Nunca estaremos derrotados, enquanto vida houver, enquanto pudermos levantar a cada manhã, com tudo ali à nossa frente nos esperando.

Nem sempre estaremos bem, nem sempre poderemos contar com as pessoas, nem sempre conseguiremos conter as lágrimas que insistem em cair. Enfrentaremos dias e noites sem fim, sem luz, momentos de dor e desalento. Teremos perdas inconsoláveis, decepções doloridas, escuridões em que não conseguiremos ver saída. No entanto, caso tenhamos desistido de sofrer por tudo o que era inútil, estaremos fortalecidos junto ao amor com reciprocidade, ao consolo sincero e providencial de gente que ficou de verdade. Porque então teremos feito as desistências que salvam.

No fim das contas a gente conta com poucos, mas esses poucos são os que contam pra gente!

No fim das contas a gente conta com poucos, mas esses poucos são os que contam pra gente!

Dentro da gente há inúmeros aposentos. Uns habitados por muitos. Outros habitados por poucos. Outros absolutamente vazios de outros, mas cheios de nós mesmos. Vamos sendo tecidos, fio a fio, pelas incontáveis conexões humanas que a vida nos apresenta. Somos uma trama de tudo o que vivemos, ainda que tenhamos vivido sós. Mas, os outros… Ahhh… os outros são o nosso tempero, norte e perdição.

Há os que vêm só de visita, aqueles que são deliciosos como um café recém passado numa tarde de chuvinha fina. Há os que duram o tempo de um dia ou dois, aqueles que são maravilhosos como uma viagem surpresa de fim de semana. Há os que permanecem como hóspedes bem-vindos de um país estrangeiro, são aqueles interessantes e instigantes como filmes argentinos. E há os que nos entremeiam e entrelaçam-se a nós pelo resto de nossos dias, são aqueles arrebatadores livros inesquecíveis, daqueles que lemos quando eles ainda eram “proibido” para nós.

E, rendamos a importância justa àqueles que embarcam em nossas vidas, seja de forma meteórica, sazonal ou histórica, com a indecifrável missão de nos desafiar. São os desafetos, os desaforados, os difíceis de digerir. A esses, devemos as mais importantes lições. Sem eles, seguiríamos a vida acreditando em nuvens de algodão doce, coelhos que pintam ovos de chocolate e, até, quem sabe, na bondade inerente ao ser humano.

Ahhh…sim, é fundamental termos fé em alguma coisa, ainda que essa coisa seja a bondade inerente ao ser humano, uma fantasia ou um mistério divino. O único pequeno problema nessa crença é que ela pode beirar a ingenuidade, caso não seja acompanhada de um importante empenho próprio em tomar nas mãos a responsabilidade sobre acertar e errar. Fé sem reflexão é uma máscara sem buraquinhos para os olhos, só servem se você pretende ficar adormecido como se o escuro da noite fosse durar para sempre.

No fim das contas a gente conta com poucos, mas esses poucos são os que contam pra gente. São aqueles que cabem direitinho nas lembranças e no presente e que não nos causam nenhum tipo de aflição ou angústia sobre o futuro. Porque a gente sabe que eles não vão durar para sempre aqui do lado de fora. Mas vão iluminar para sempre o nosso lado de dentro.

Defenda o professor na frente de seu filho e não precisará defender seu filho na frente do delegado

Defenda o professor na frente de seu filho e não precisará defender seu filho na frente do delegado

Não obstante um sem-número de publicações que se prestem a orientar pais e educadores, no sentido de basicamente lhes permitir uma imposição de limites eficientes aos filhos/educandos, a realidade parece ainda tomar o sentido oposto. Tendo como base o tipo de relação comumente estabelecido hoje entre os pais e as escolas, seja na rede pública ou particular, evidenciam-se, na maior parte das vezes, dissonâncias entre família e instituição, extremamente lesivas à formação do aluno.

Exceções à parte, a maioria dos pais comporta-se de maneira defensiva ao tratar de assuntos relacionados ao comportamento dos filhos, como se estivesse de antemão sendo acusada de negligência, ausência ou mesmo impotência nos cuidados com a educação filial. Esse protecionismo inclusive se manifesta na presença dos filhos, o que de imediato já desautoriza a figura docente ao estudante, minando possibilidades de se construir um relacionamento de confiança e respeito entre professor e aluno, bem como entre pais e escola. Nesses momentos, muitos desses pais desfiam um corolário de clichês desprovidos de fundamentos coerentes, tais como: “Em casa, ele não é assim”; “Ele diz que fulano o atrapalha; muda meu filho de lugar.”; “Ele reclama que tal professor implica com ele.” etc. Nem ao menos percebem o simples fato de que o professor é responsável pelos seus filhos por algumas horas semanais.

Verdade seja dita: a grande maioria dos professores seria incapaz de perseguir seus alunos; muito pelo contrário, hoje os docentes são menos perseguidores do que perseguidos – fato que as notícias que abundam na imprensa o comprovam. Há muito vem se instalando, nas instituições escolares, gerações de educadores formados a partir de concepções pedagógicas renovadas e dissonantes, em sua totalidade, com práticas lesivas e/ou baseadas em meros juízos de valor. Além do mais, normas, dispositivos e regulamentações legais – educacionais ou não – seguramente respaldam a manutenção da integridade física e moral dos menores em nossa sociedade.

Nesse sentido, vale uma referência ao desenho “Procurando Nemo”, da Disney, principalmente em razão das ações do pai do peixinho que dá nome à animação. Emblemático desse comportamento é o momento em que, estando no interior de uma baleia com uma companheira, esse pai dirige-se à colega, trocando-lhe o nome com o do filho: “Você não vai conseguir, Nemo!”. Esse ato falho acaba por revelar o aspecto mais lesivo desse tipo de atitude no contexto educacional familiar e que consiste em seu caráter superprotetor. Ao tentar poupar os filhos do confronto direto com os atos praticados e suas conseqüências, os pais impedem-lhes a construção de uma identidade autônoma que deveria norteá-los seguramente frente às complicações inerentes ao seu processo de amadurecimento.

O mundo nos impõe sucessivas situações-problemas, cujas resoluções dependem de nosso equilíbrio na busca por soluções adequadas. Ora, se nos foi negado, desde sempre, o exercício de optar entre uma ou outra saída, por nossa própria conta e risco, como poderemos ultrapassar barreiras que se acumularão ao longo de nossas vidas? É com o se pedíssemos a um aluno acostumado a sempre “colar” que resolvesse uma prova sem o gabarito. Nunca tendo errado e, portanto, refletido e reconstruído ideias próprias, evidentemente não teria repertório nem experiências constitutivas de mínima estrutura para enfrentar o novo – como o que vem ocorrendo entre as novas gerações.

Da mesma forma, ressalta-se que essa superproteção fatalmente se desdobra na tendência a anular-se a identidade dos filhos – aspecto contundente no enredo de “Procurando Nemo”. Em decorrência desse policiamento ostensivo sobre a vida dos filhos, pais e mães impõem seus pontos de vista através de afirmações de caráter perene e indelével: “Você é vagabundo.”; “Você nunca vai gostar de estudar.”; “Você é teimoso.” etc. Sendo assim, os filhos acabam crendo que são assim mesmo e para sempre o serão; ou seja, acomodam-se às imagens que os pais compulsoriamente lhes determinam, isentando-se de perspectivas de mudanças positivas em suas vidas, consequentemente se tornando passivos diante do mundo circundante. Relevante e imprescindível, visando-se à neutralização dessa sistemática nociva, torna-se a cumplicidade dos pais ao impor limites, o que implica, sobretudo, unidade no discurso de ambos. Aos filhos devem ser claras as regras de convivência, sustentadas pelas posturas uníssonas de seus pais – mesmo que não estes morem mais juntos. Isso contribui inegavelmente à formação, nos jovens, de uma personalidade firmada sobre sólidos princípios, que os tornarão menos suscetíveis a seguirem rumos indesejáveis em suas tomadas de decisão vida afora.

Como se vê, educar, além de trabalhoso, requer dedicação extrema e treino constante. Pais devem, portanto, exercitar continuamente sua tarefa educativa, dispondo-se a diárias e contínuas reflexões e autoavaliações, em diálogo constante com o cônjuge e com os filhos, até que se incorporem definitivamente regras básicas do processo educativo, as quais, no caso, consistem na coerência entre o que se diz e o que se pratica; na corresponsabilidade entre pai e mãe e demais educadores; na clara delimitação de regras e limites e no respeito compartilhado diariamente pelos familiares entre si e entre cada um deles e seus semelhantes. Tendo em vista o dia-a-dia caótico de hoje, urge a necessidade de se formarem cidadãos conscientemente autônomos, embora interdependentes, capazes de contribuir à reconstrução e à transformação do mundo, num saudável movimento de constante evolução.

Talvez a felicidade dependa de como você olha a vida

Talvez a felicidade dependa de como você olha a vida

Existe um segredo na vida das pessoas felizes. E eu hoje cedo fiquei pensando nesse segredo.

Talvez o segredo para a felicidade esteja em dançar mesmo quando as pernas doem. Talvez o segredo para uma boa vida esteja em amar sem medida, mesmo com o coração remendado.

Talvez o segredo para as boas coisas esteja em receber de braços abertos o filho que um dia alçou voo, expressando com amor que seu retorno é bem-vindo.

Talvez o segredo para a felicidade esteja no improviso. Na inspiração espontânea, nos planos que se desfazem para anunciarem melhores.

Talvez o segredo para transbordar sorrisos esteja em se permitir de um jeito diferente. Olhando os caminhos da vida com outros olhos.

O segredo para a felicidade pode estar escondido nas pessoas ou nos nossos próprios caminhos, pelos quais passamos, muitas vezes, de olhos fechados.

A felicidade pode estar no olhar do velho amor. Pode estar na voz do amigo que nos conta uma história corriqueira.

A felicidade pode estar na praça do fim da rua. Pode estar escrita nas frases pichadas dos muros da comunidade.

A felicidade pode estar ao alcance dos nossos pés nas calçadas do nosso bairro. No bom dia dos vizinhos dos quais muitas vezes não sabemos os nomes.

Acho que a felicidade bate no vidro do nosso carro ou ônibus e oferece um “drops” de anis com um sorriso terno, todos os dias, mas quase sempre estamos pensando no passado ou no futuro e quando o farol abre, a felicidade fica para trás, sem que a gente se dê conta disso.

Talvez o segredo para a felicidade esteja em nossa capacidade de perdoar, de acreditar em nós e nos outros. Em ter fé na humanidade, sabendo que a fé na humanidade também abriga a fé em nós.

A felicidade talvez esteja assim feito dente-de-leão brotando em todos os cantinhos, esperando um momento para ser vista, para ser soprada sobre nossa vida.

Acho que a felicidade está ao nosso alcance, mas cismamos em não ver isso, pois nos ensinaram que felicidade é coisa de fora, distante e rara. Que felicidade é como uma flor de Edelvais perdida em algum lugar dos Alpes Suíços.

E ao falar de felicidade como não lembrar de Norton Juster, um escritor norte-americano, que em seu livro ‘Tudo depende de como você vê as coisas’ falou de um menino aborrecido que um dia recebeu um presente misterioso da vida que o fez olhar tudo com outros olhos.

Nesse livro, esse menino, chamado Milo, chegou a uma cidade na qual algo intrigante acontecia:

E, porque ninguém mais ligava para as coisas à sua volta, tudo foi ficando cada vez mais feio e sujo e, como tudo foi ficando assim, as pessoas passaram a andar mais e mais depressa e então uma coisa muito estranha começou a acontecer. A cidade começou a desaparecer”.

Talvez o segredo para a felicidade esteja, simplesmente, em conseguir enxergá-la. Talvez a felicidade exista por todo lado, dentro e fora de nós, quase invisível, assim como a cidade visitada por Milo, só esperando para se revelar.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

(Des)apontamentos sobre plágios e apropriações…

(Des)apontamentos sobre plágios e apropriações…

Não ponha as minhas palavras na sua boca com o intuito de torná-las suas. Nem tampouco nas pontas dos seus dedos com o objetivo de assinar por elas.

Não disfarce meus relatos com parcas e maquiadas frases entrecortadas. O que veio de mim jamais terá a sua identidade.

Não ouse aprisionar meu estilo dentro do seu formato inexpressivo.

Ainda que não reconheça os justos créditos, você sabe e sempre saberá que as ideias não lhe pertecem, que foram roubadas, camufladas, usurpadas.

Não se intitule criatura criativa. Criação é outro ofício. Copiar não é criar. Sequer é se inspirar.

Não omita meu nome, não cole o seu por cima, não faça o papel de papagaio repetidor, não apele, não pense que a impunidade é duradoura, que os elogios lhe pertencem.

Eu expresso o que vivo, o que quero viver, o que observo, o que sonho. Expresse você também, do seu jeito. Não trapaceie, não roube, não engane os que acreditam em você.

Plágio é um troço invejoso e infantil. É como abrir o armário alheio, roubar o que agrada, deixar a porta aberta e as coisas esparramadas, disfarçar com alguns acessórios e sair desfilando na rua, aguardando suspiros de admiração.

Originalidade não aceita disfarce. Qualquer tentativa denuncia o impostor.

Vivemos uma era de reconhecimento de valores, de busca por igualdade de direitos, justiça social, luta contra desigualdades. E se apropriar do que é alheio, sejam palavras, argumentos, sentimentos ou mesmo desejos, fica ainda mais feio e inaceitável.

Para você, pessoa CTRL C/ CTRL V , eu desejo fortemente que encontre e desenvolva suas próprias habilidades, ou, ao menos, reconheça, admire e aproveite as criações alheias sem tomá-las para si. Dê um CTRL Z nas cópias mal feitas que espalhou por aí e mostre ao que veio, o que tem de original e interessante para compartilhar com o mundo!

Aprenda a não contar muito com os outros

Aprenda a não contar muito com os outros

Uma ou outra hora, acabaremos nos decepcionando com alguém que pensávamos jamais ser capaz de dar o cano, de não cumprir o prometido, de nos deixar esperando. Muitas pessoas são assim mesmo, falam como se a palavra não tivesse valor algum e pouco sustentam o que afirmam com veemência. A elas, o único compromisso que existe é com os próprios interesses.

Quem nunca ficou esperando inutilmente por horas um amigo chegar ao local combinado? Quem nunca ficou aguardando um telefonema de alguém que prometeu ligar? Quem nunca aguardou um retorno que nunca veio, uma mensagem que nunca chegou, uma visita que nunca aconteceu, uma ajuda que nunca apareceu? Infelizmente, o que não se registra em cartório, hoje, parece ter validade nula.

Nesse contexto, as pessoas que honram o que falam, que cumprem o prometido, que fazem de tudo para poder ajudar, acabam cada vez mais se frustradas, pois são obrigadas a encarar aquilo que jamais teriam coragem de fazer. É difícil a uma pessoa cuja palavra vale muito ter de conviver com quem não honra quase nada do que diz, com quem não cumpre nada daquilo que fica prometendo por aí.

É preciso aprender a contar menos com os outros, a não acreditar em tudo o que dizem, a não depositar muitas esperanças nas promessas alheias, o tempo todo, porque muito do que tomamos como verdade foi dito da boca para fora tão somente. Não se trata de nos tornarmos descrentes com todos, ou de sermos egoístas, mas de uma técnica básica de sobrevivência em um mundo cada vez menos comprometido com honrar o que se diz ou se promete.

Sim, sempre poderemos contar com alguém, sempre haverá pessoas cujos atos sejam afins com seus discursos, mas serão poucos aqueles que estarão dispostos a cumprir com seu papel de amigo, de parceiro, de ser humano, enfim. Infelizmente, a grande maioria dos indivíduos estará ocupada demais pensando em si mesma, vivendo o seu mundinho particular, correndo em volta do próprio egoísmo, dizendo o que queremos ouvir, porém, comportando-se como se ninguém além de si mesmo merecesse atenção.

INDICADOS