Em nossa própria companhia

Em nossa própria companhia

Uma das mais deliciosas e tardias descobertas dessa vida, talvez seja a de “descobrir-se”. Demoramos, às vezes, muitos anos até nos darmos conta de quem de fato é essa misteriosa pessoa que habita o nosso próprio corpo.

Imersos em experiências de convívio, vamos desempenhando incontáveis papéis, a depender de quem esteja à nossa volta, à nossa frente ou ao nosso lado. Vamos nos moldando aos outros, a fim de criar em nossa personalidade variados contornos. Somos uma pecinha curvilínea de quebra-cabeça. E cada uma de nossas curvas, pontas ou reentrâncias encontram contato nas curvas, pontas e reentrâncias de outros alguéns.

Inúmeras vezes acabamos por nos sentir como aquela pecinha que caiu da caixa e ficou perdida num canto qualquer. Perdemos o encontro com o resto da paisagem que nos completava e conferia a nós um sentido, uma utilidade, uma presença necessária.

E é nesses momentos de desencaixe que temos à nossa frente a possibilidade de parar de perseguir a caixa perdida. É essa a experiência maravilhosa que a vida nos oferece para que abandonemos esse lugar de “peça útil” para nos redescobrirmos em outras vivências.

Livres do entorno que nos submete, podemos experimentar uma vida literalmente fora da caixa. O curioso é que ficamos perdidos diante da liberdade. Aquela sensação de entrar num vagão do metrô e não ter nenhuma pessoa ali dentro. Onde sentar? Será que eu ficaria melhor ao lado da janela, de frente para o trajeto ou de costas? Diante da falta de outros que nos sirvam de referência, tendemos a um primeiro instante de desorientação.

Puxa vida, mas passados uns pouquíssimos minutos nos damos conta da sorte inesperada que tivemos. Ninguém no vagão do metrô! O vagão naquele momento é só nosso. Ninguém sentado de forma egoísta nos bancos preferenciais – sem ter nenhuma necessidade de estar sentado ali -, ninguém usando aquele perfume invasivo que dá dor de cabeça, ninguém falando ao celular “no viva voz” (ninguém merece!). Ninguém no vagão de metrô!

Assim acontece com os momentos de solitude que pontilham a nossa aventura nessa vida. A perplexidade da falta de contenção pode tirar de nós a riqueza da experiência. Esse momento, que era uma oportunidade rara de autocontemplação e autoconhecimento acaba sendo desperdiçada numa ansiedade quase automática por companhia.

Ainda há uma crença estúpida e limitante que julga aqueles, e principalmente aquelas, que sentam sozinhas numa mesa de restaurante ou no boteco da esquina para apreciar um vinho, ou uma prosaica cervejinha, ou ainda, um singelo suco de abacaxi com hortelã. Ainda há quem olhe penalizado para alguém que entra sozinho numa sala de cinema ou teatro. Ainda há, e sempre haverá uma falsa ideia de que estar a sós é sempre triste. Não é!

Estar em nossa própria companhia pode ser tão ou mais maravilhoso do que estar cercado de gente. Há beleza na solitude. Há uma escolha bonita e corajosa por trás das pessoas que viajam sozinhas por aí, por trás das pessoas que aprenderam a curtir o próprio silêncio numa tarde que se passa na companhia de lindos livros e filmes inesquecíveis, por trás das pessoas que caminham sozinhas num fim de tarde na praia. Sendo assim, não custa nada a gente, da próxima vez, aceitar a sorte do vagão vazio e mergulhar nessa instigante viagem para dentro de si.

E quando a “lei do retorno” falha?

E quando a “lei do retorno” falha?

E perto dos seus 40 anos você fez tudo o quê “deveria” ser feito. Constituiu uma carreira sólida com muito estudo, dedicação e afinco. Encontrou o amor da sua vida, construiu uma linda família, guardou um pouquinho de dinheiro, cultivou as velhas amizades e fez novos amigos, ajudou instituições filantrópicas, adotou cachorros e gatos das ruas.

Sim, você fez tudo como manda “o figurino”. Semeou o bem, o amor e cuidou dos seus próximos, mas, de repente, não mais do de repente, vem a vida e mostra que tudo pode ruir em questão horas, minutos ou segundos e você perde o chão, o norte e o rumo que vinha seguindo há algum tempo. A crença de que você estava seguro pelo universo por semear o bom e realizar o bem, despenca de uma hora para outra.

A vida está longe de ser uma ciência exata, um cálculo matemático que se soma, subtrai e divide-se e lá está a resposta exata do problema. Viver requer mais de nós, não há respostas prontas. Antes de escolher um caminho ou tomar uma decisão não sabemos o resultado dessa questão.

A vida requer mais de nós do que sermos bons e seguirmos o manual do politicamente correto. Viver muitas vezes foge ao controle, do programado e do esperado e sim, a lei do “retorno’’ falha, mas e daí?

Podemos estar vivos, mas cheios de frustrações. O dinheiro não atravessa o mês como deveria. O emprego finda. Os amigos se ausentam. O amor esperado não corresponde, familiares partem e a saúde pode faltar.

Viver é uma aventura todos os dias.
A plenitude que tanto buscamos durante a vida reside em momentos, num sorriso, num abraço, num desejo realizado.

Essa viagem chamada vida pode ter um brilho diferente se conseguirmos tocar as outras almas que nos acompanham nesta aventura, seja com palavras ou ações, pois precisamos de companheiros nessa difícil jornada para dividirmos experiências, dores e alegrias.

Possivelmente a lei “do retorno” falhe muitas e muitas vezes, mas podemos ir nos ajustando à vida e funcionando conforme as exigências desta, pois estamos só de passagem.

Desejo a todos que aqui estão, uma vida! A vida do jeito que ela é, cheia de desafios, de incertezas e de imprevistos.

A “lei do retorno” falha, mas que nunca deixemos de acreditar em nós mesmos, no amigo que está ao lado, na providência divina, num amanhã melhor, pois estamos só de passagem. Façamos o melhor que pudermos para que essa experiência que se chama vida não passe em branco, em bege ou em preto: a vida pede cores, criatividade e renovação constante.

6 séries para quem gosta de Psicologia e comportamento humano (5 você encontra na Netflix)

6 séries para quem gosta de Psicologia e comportamento humano (5 você encontra na Netflix)

Há diversas maneiras de criar listas. Podemos buscar tópicos e preencher com conteúdo encontrado, revisões especializadas e que já foram pesquisados por outros, ou podemos priorizar uma abordagem pessoal e trazer uma perspectiva de indicação como a que fazemos para nossos colegas e amigos mais próximos. A lista abaixo traz 6 séries selecionadas por mim e baseadas em dois critérios únicos: eu as ter assistido e serem realmente indicáveis do ponto de vista qualitativo e psicológico.

O que eu quero dizer com isso é que os tópicos abaixo estão longe de completar todas as séries do gênero. São elas uma coletânea pessoal que deixo como quem empresta aquele livro adorado porque quer que as pessoas queridas passem pela mesma experiência de leitura. Espero que as dicas sejam úteis! 🙂

1- Six Feet Under

(essa é a única que não está no Netflix, mas vale a busca em outras redes)

Apesar de não estar no catálogo da Netflix, não há como falar em séries que abordam a complexidade do comportamento humano sem mencionar com louvores Six Feet Under  (A Sete Palmos ou Sete Palmos de Terra). A série, criada por Alan Ball e produzida pela HBO, certamente é uma das séries de maior aprofundamento psicológico dos personagens que já foi produzida. Ao longo de 5 temporadas, conflitos familiares, de orientação sexual, racismo, religião, escolhas de vida e, principalmente, a relação do homem com a sua própria morte são apresentados com excelência. Detalhe, a família que é o centro de toda a trama é dona de uma casa funerária.  Se você não tiver tempo de assistir mais nenhuma série e tiver que escolher entre todas, que seja essa!

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2- Bates Motel

Psicólogos e amantes da psicologia ficarão com os queixos caídos ao acompanham  a relação entre mãe e filho nessa série que mostra a juventude de Norman Bates, o personagem principal do filme Psicose de Alfred Hitchcock. A relação simbiótica e sexualizada, a privação social…um verdadeiro tratado de psicanálise.

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3- Lie to me

(Atualmente fora do catálogo Netflix)

“O personagem principal, Dr. Cal Lightman (interpretado pelo ator Tim Roth), é auxiliado por sua parceira Dr. Gillian Foster (Kelli Williams), que juntos detectam fraudes, observando a linguagem corporal e as Micro expressões faciais, e usam esse talento para assistenciar na obediência às leis com a ajuda do seu grupo de pesquisadores e psicólogos. O personagem Dr. Cal Lightman é baseado em Paul Ekman, notável psicólogo e expert em linguagem corporal e expressões faciais.”- Wikipédia

Não dá para negar que o trabalho do protagonista no reconhecimento  das linguagens corporais é exagerado para padrões hollywoodianos, entretanto a série nos faz pensar a cada minuto no quanto nós deixamos de observar como deveriamos todas as mensagens que são transmitidas por nossos interlocutores. Só isso já faz valer, mas para além disso, a trama é deliciosa. Infelizmente a série foi cancelada e parou na terceira temporada.

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4- Dexter

(Atualmente fora do catálogo Netflix)

“Baseada na obra de Jeff Lindsay, “Darkly Dreaming Dexter”, a série tem como protagonista um especialista forense em amostras de sangue, que trabalha para o Departamento de Polícia de Miami.

Ele também é um assassino serial que mata as pessoas que a polícia não consegue prender. A dupla identidade tem de ser escondida de todos, incluindo sua irmã e companheiros de trabalho.” Minha Série

A série Dexter tem uma fórmula e os capitulos giram em torno dela. É necessário ter estômago para acompanhar o comportamento de assassinato e esquartejamento que ele realiza com as vítimas. Para o espectador a maior riqueza está em ver com clareza como o funcionamento cerebral e julgamento moral de um sociopata é diferente. A pegada hollywoodiana, muitas vezes, nos leva a sentir empatia com relação ao personagem- fato, porém, questionável.

Quem assiste tem seus valores morais colocados em cheque o tempo todo.

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5- Mad Man e

6- Breaking Bad

Categorizo as duas séries, com enredos distintos, mas com comportamentos que levam o espectador à aspectos comuns….

“Em ambas vemos um protagonista amoral que faz o que quer e sem peso na consciência para atingir os objetivos almejados.  Enquanto em Mad Man, o publicitário galã abandona a família, vive na riqueza, bebe, não vai ao trabalho e troca de mulheres (descartando as anteriores), sem nenhum escrúpulo; em Breaking Bad, Walter, o protagonista, cria um laboratório de metanfetamina para conseguir dinheiro rapidamente e prover a família antes que morra de uma doença grave que o aflige e que, teoricamente, justifica seus atos. Embora em ambos os casos haja algumas cenas de aparente consciência parcial, elas são sempre infinitamente menos relevantes que a busca do prazer imediato e realização dos desejos. Quem segue Breaking Bad, por exemplo, percebe o prazer que o professor sente ao assumir o poder, ao ter sua fórmula reconhecida pela qualidade e ao “dar as cartas” em tudo o que segue fazendo.

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Mad Man

 

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Breaking Bad

Ao assistir cenas de séries assim, o espectador projeta em seus personagens a possibilidade de fazer o que bem quer  e sair-se bem ao mesmo tempo em que não tem que lidar com a consciência de usar pessoas ou mesmo sentir culpa. Afinal, em algum momento vimos Walter sentir real remorso por fornecer drogas e destruir vidas com isso?

No fim, a projeção está relacionada com a não admissão ou aceitação de sentimentos  e comportamentos tidos como “menores” em si mesmo, sejam eles egoísmo, ciúme, traições, ambição, indiferença ao próximo. Sendo assim, ou eu culpabilizo ou admiro um outro pelos desejos que na verdade existem dentro de mim.”- Falo mais sobre isso aqui.

É isso, pessoal. Espero que alguma dessas indicações gere boas horas de entretenimento.

Nota final adicional: Existem outras dezenas de séries que poderiam ser mencionadas (Criminal Minds,The Mentalist , Hannibal, entre outras) mas há uma em especial que vem se revelando incrível no que se refere a crítica social e comportamento humano: é Black Mirror. No final de cada episódio, em frente a televisão, encontramos um telespectador embasbacado.

Prestem atenção, ainda, em títulos como 13 Reasons why, e Atypical, que foram adicionados posteriormente ao catálogo Netflix.

A Poesia é um lugar de encontros. Da mediação do impossível.

A Poesia é um lugar de encontros. Da mediação do impossível.

Há certamente em cada livro, em cada texto, uma ideia principal e outras adjacentes. Creio neste princípio. Que por vezes é um título, uma palavra, uma expressão, uma insignificância ou outra coisa qualquer.

A literatura é enquanto expressão humana da ideia de beleza e harmonia, um jogo no seu sentido etimológico, um jogo de signos, significados e referentes, um jogo de símbolos como o é a linguagem, portadora da esperança de comunicação entre os seres.

E todo o jogo (o ludo) é assim; a ilusão da verosimilhança, o escondermos algo enquanto agentes ativos (escritores) para que o leitor (agentes passivos) o descubra.

Com ativos e passivos apenas pretendo referir uma categoria que embora à primeira vista possa ser distinta, na verdade não o é, porque o leitor reescreve o livro que lê a partir da leitura pessoal e intransmissível que dele faz, a partir do seu grau de conhecimentos, a partir do seu afeto e emoção, a partir do seu distanciamento inicial, a partir do seu espanto de descobrir, página a página, o seu cerne, aquilo que os ingleses designam “core”.

Ora, para que a comunicação efetivamente resulte através dos textos entre o emissor e o receptor é necessário que o receptor entenda (e sinta), os códigos linguísticos emitidos. E é aqui que o crítico como agente mediador, conhecedor da técnica ou técnicas utilizadas bem como da história e da crítica, literárias, deve intervir no sentido de “iluminar” a substância do texto.

Que autores há no texto e de que forma são revelados explicitamente ou de forma implícita, através de epígrafes, indicações claras, modos obscuros, interrogações, é a matéria sob a qual gosto de questionar um texto poético. Compreender é apreender o movimento, caminhar lado a lado com o texto, de acordo com as suas dúvidas e propostas.

Por outro lado o texto é orgânico, vivo corpo violento de sede e fogo, mutável assim mesmo, e embora os seus limites se delimitem através do que diz e através da forma ou do gênero como o diz, essa sua marca de água, regenerativa, evanescente, revela-se a partir das leituras que dele fazemos, sempre outras, diversamente outras, no contexto tridimensional do registo humano no universo; tempo, espaço e perspectiva.

E é então este estar em perspectiva, dentro e fora do texto enquanto privilegiada testemunha, a escutar as ligações que no mesmo florescem, a tarefa atenta e impossível da mediação; um lugar de encontro(s), um lugar de amor.

Hirondina Joshua é uma autora moçambicana que tive o privilégio de “conhecer” através das plataformas digitais enquanto ainda preparava o lançamento do seu primeiro livro de poesia entretanto já lançado; “Os ângulos da casa”.
Aqui se falará brevemente desta obra.

Com prefácio de Mia Couto e patrocínio da Fundação Fernando Leite Couto, de apoio às primeiras obras de poetas moçambicanos, este livro é um excelente indício de uma autora com uma linguagem própria e inimitável como bem refere Mia Couto no seu sensível e emotivo prefácio, pois “a poesia já estava nela”.

Comecemos pois pela estrutura do livro uma vez que o mesmo poderá dividir-se em três partes, cada uma com uma singular epígrafe pelo que esta breve crítica seguirá o mesmo modelo, a partir de uma epígrafe geral de Fernando Pessoa, sustentada pela ideia de viagem com uma versão errática da autora.

Assim, a primeira parte do livro com a epígrafe de Eduardo White, não por acaso um excelente poeta moçambicano de referência, revela a casa (ou a alma) como território onde afluem as memórias e completam o círculo da existência; vida e morte.

Porém, esta casa é uma casa interna, a alma, um lugar edificado onde o corpo habita com os seus sentidos, daí os percebidos ângulos (através da visão), isto é, os espaços compreendidos entre a arquitetura dos materiais e das linhas que compõem a estrutura da mesma, sendo esta uma forma inteligente do sujeito poético se interrogar a si mesmo.

Este aspecto socrático de auto conhecimento percorre a primeira parte do livro pelo que a autora utiliza verbos sensitivos (ver, sentir, pensar) e substantivos relacionados com a estrutura material da casa (sala pequena, quartos, escadas, parede, varanda, aréola).

A interrogação e a inquietude do sujeito poético, reconhecendo-se e desconhecendo-se nos “ângulos da casa” e a partir dos mesmos, sob o método de observação revela igualmente uma poesia perto da sua maturação.

Devido à economia desta crítica breve destaco apenas dois poemas de entre os demais, embora a homogeneidade percorra todo o livro; poema 3 (página 15) ou o poema da página 21.

A segunda parte do livro (páginas 25 a 66) com epígrafe de Mia Couto traduz a ideia de lugar, onde a casa ou a alma, habita.
E este lugar povoado de sensações, memórias, descobertas, indagações, conduz-nos enquanto leitores para uma geografia africana, “o alto-mãe que há em mim” porque “minhas primeiras letras foram o céu e o chão”.

Esta convocação ao universo natural lembra-nos por vezes Manoel de Barros sem o sentido disruptivo e transgressor da sua poesia quanto ao significado.

Hirondina Joshua nesta segunda parte da viagem fixa precisamente esse lugar através dos elementos naturais; “planta, sol, vento, flor” onde a sua alma (a sua casa) se fixa na medida dos afetos e memórias; “visto na epiderme a gestação nua da raça”.

A terceira via ou viagem inicia-se com uma epígrafe de Herberto Helder que nos diz que as casas são rios fulgurantes que silenciosamente caminham para algo que não existe “como uma secreta eternidade”.

Veia, pulmão, medula, boca, carne, mandíbula são substantivos que refletem um sentido orgânico à última parte desta viagem poética e naturalmente convergem e divergem do poeta epigrafado num despojamento do seu sentido.

Veja-se por exemplo o poema (página 82) que começa assim; “encheram as mãos e as cabeças” cujo sentido se inscreve na lógica de representação herbartiana, belíssimo poema que fere e nos convoca para a dor do mundo “…as mãos sanguinárias eram limpas”.

E plenamente a viagem conduz-nos a uma cerimônia simples de iniciação através da palavra e do signo como instrumento para se ser e se estar.

Em resumo, trata-se de uma primeira obra cuja coesão e heterogeneidade trazem ao universo da poesia, uma outra forma de respirar.
Termino com o poema que fecha e abre o livro.

“Quando digo céu
abre-se um céu diante de mim
a fala abre-se diante do céu
eu abro-me na fala.
Quando digo céu
algo transforma-se em céu
sem eu me aperceber
fico céu
e neste espaço largo
não consigo me perceber outra coisa
nem coisa alguma;
logo: estou um céu.
Digo céu
e torno ao início:
início com um sol
depois pego no outro astro.”

César Pires 2016

O surpreendente sabor do inusitado

O surpreendente sabor do inusitado

Inusitado. Você chegou aguçando todos os meus sentidos. Alguns deles, nem sabia que existiam. Veio falando sobre sonhos e de um mundo que não é faz de conta. Mostra, a cada gesto, o universo a ser contemplado pelos nossos sorrisos. É irresistível não pensar na possibilidade de um querer de dois. Poderia ter sido um simples convite, mas você fez questão de abrir novos horizontes para um coração sedento por quero mais.

O inusitado surge daquilo que, mesmo inconsciente, desejamos. Seria uma espécie de chamado ao mundo, onde depositamos toda a reciprocidade que carregamos. Ele, por sua vez, resolve retribuir da forma mais sincera o carinho confiado. Se isso não é um sinal claro da comprovação quase espiritual do gosto doce que a vida tem, então já não há mais nada a ser vivenciado no tempo adiante. Você é desses sabores raros. É essa luz visível e calorosa que não deixa dúvidas sobre um viver mais sereno e cristalizado.

E desde que nos encontramos, qualquer possibilidade de negação caiu por terra. Nessa dança mútua de prazer e admiração, somos os sortudos perante outros relacionamentos que pecaram por não conseguirem trilhar a mesma intensidade. O gosto deles é amargo enquanto o nosso destila o equilíbrio de quem sabe aproveitar os mais diferentes sabores.

De hoje em diante, você soma num eu antes inconformado por essa falta de taticidade para arrebatamento e respeito. Mas isso é passado. Aqui estamos, errantes e dispostos a entrarmos em estado de amor. Porque o surpreendente sabor do inusitado veio com você e duas colheres, uma de calmaria e outra de tempestade.

Eu te odeio por te amar

Eu te odeio por te amar

Não me arrependo do tanto de mim que entreguei a ti, das declarações que te fiz, do amor que despejei em forma de textos, em forma de beijos, em forma de lágrimas.

Não me arrependo dos planos que criei sozinha aqui na minha mente. Me imaginava com você nos mais diversos lugares. Companhia, companheiro. Mas aos poucos fui vendo que existia apenas um lugar na sua vida que me cabia. E isso doeu em mim, lá na alma. Perfurou, dilacerou. Eu sangrei. Ninguém viu.

Não me arrependo de ter lutado por você quando você me pediu para eu desistir. Não me arrependo de ter lhe confiado a minha alma. Eu sempre senti que você valia a pena. Logo eu, que sempre fugia e desistia quando começava a me envolver. Com você eu fiquei. Eu fui além. Me atirei sem temer o precipício. Eu errei. Me quebrei.

Eu costurei meu coração só para poder continuar a te amar. Você não viu mas eu sei que sentiu que o meu sentimento era maior e além do gostar. No fundo, você não queria aceitar que eu te achava magnânimo demais, elevado demais, grandioso demais, diferente dos outros. Eu queria tanto que você se enxergasse da forma como eu te enxergava. Esse foi o meu maior fracasso. Você não queria aceitar o fato de que merecia ser amado. E talvez por isso você tenha quebrado o nosso acordo e me machucado. Assim você me daria motivos para eu sentir por você o que você sente por si mesmo: descrença. E agora é só isso o que sinto. Por você.
Pelo mundo. Pelo tudo. Que hoje é nada.

Você também não viu, quando adormecia ao meu lado, que eu te olhava pedindo muito a Deus para que você não me machucasse um dia. Você não viu. Deus não me ouviu. O mundo não parou quando você jogou por terra tudo que nós éramos ou que eu imaginava que éramos. Somente eu perdi o chão. Me enchi dos sentimentos mais corrosivos que alguém poderia sentir, na tentativa de me desvencilhar. Acho que tudo teria sido mais fácil se você nunca tivesse existido. Mas eu não sei se sua inexistência seria de fato o melhor pra mim.

Eu te expulsei de todas as formas possíveis na esperança de te apagar, mas no fundo, bem lá no fundo, tive esperança de você voltar. Mas você não volta, mas você não volta, mas não volta e eu já nem sei mais como eu consigo me manter aqui de pé, fingindo não ter mais sentimento enquanto na verdade existe um sentimento a me dominar: eu te odeio, eu te odeio por te amar.

Por um amor contagioso, mas nunca infeccioso!

Por um amor contagioso, mas nunca infeccioso!

Se é para ter cuidado, se imunizar, contribuir com o destino, incrementar a sorte, que seja por um amor contagioso, vibrante, avassalador, febril. Aquele tipo de amor que revira o estômago, faz o coração perder o compasso e alma sonhar em cores e perfumes.

Um amor contagioso arrebata a vida, acolhe os amigos, é adotado pelas famílias, se integra e espalha, deixando sementes, criando raízes.

Fortalece as relações ao invés de ameaçá-las.

Adiciona seu toque individual e é reconhecido por isto.

Divide interesses, busca os pontos de contato. E se não forem muitos, cria novos, em nome do amor.

O contágio é saudável, a conquista é em doses crescentes, sem exageros nem intervalos demasiado grandes.

Um amor que contagia pela verdade, desde a incubação.
Esse é o amor que a gente espera inocular, inalar, absorver. E esse é o amor que a gente precisa oferecer, se estiver com a imunidade em dia.

O amor infeccioso é um tipo perigoso, que já chega destruindo defesas, separando elementos que antes conviviam bem, enfraquece e abate.

Esse tipo não é raro e geralmente se instala como uma gripe, derrubando todas as defesas.

O amor que infecciona é aquele que maltrata, que não se compadece com a dor, com o sofrimento, com as feridas expostas. Ele fica porque encontrou ambiente confortável, a despeito do mal estar do seu hospedeiro.

E vai minando as forças, se alimentando do que não lhe pertence, comprometendo a integridade e a sanidade de quem caiu de amores e permitiu o contágio.

Se for impossível evitar o amor doente, o contágio e a infecção, que a busca pelo combate à doença e reconquista da imunidade seja uma prioridade, uma real questão de sobrevivência e cura.

Uma vez restabelecidos, estaremos em plena forma para os bons e contagiantes amores que pairam no ar!

“Olho por olho e acabaremos todos cegos”

“Olho por olho e acabaremos todos cegos”

Rubem Alves dizia que todos nós queremos falar, mas ninguém quer ouvir. Percebo que essa incapacidade de escutar tem piorado com o passar do tempo. Temos vivido de forma completamente individualista, de maneira que pouco importa o que o outro acha ou pensa sobre o que quer que seja, pois só conseguimos ouvir a nossa própria voz. Tornamo-nos, assim, autofalantes, pois na medida em que nos preocupamos em tão somente falar, deixamos de escutar uns aos outros e, portanto, nos transformamos em falantes e “ouvintes” de um único som, o qual ecoa de dentro do nosso vazio.

Sendo assim, o individualismo tem retirado toda a nossa capacidade de olhar as situações em perspectiva, uma vez que não vivemos sozinhos, mas antes, em comunidade, de tal maneira que passamos a coordenar o mundo a partir das nossas vontades, nossos desejos, nossas análises, nossas compreensões. Ou seja, tudo passa a girar em torno de nós mesmos, posto que acreditamos ser a última bolacha do pacote e que, portanto, nada que venha do olhar do outro deve ser considerado.

Essa cosmovisão individualista e egocêntrica apenas faz com que nos afastemos mais ainda, formando verdadeiras ilhas afetivas, isoladas em seus mundos. Essa cegueira cria uma resistência perante tudo aquilo que é diferente, por todas as coisas que não se coadunam com o que pensamos, como se fôssemos incapazes de dialogar, de imergir no mundo de idiossincrasias que forma o outro.

Por isso estamos tão tristes e solitários, presos em nossos muros de indiferença, mergulhados em depressões e afogados pela ansiedade. Estamos doentes porque preferimos cegar e nos isolar dentro da nossa zona de conforto a enxergar que existem outras vidas além das nossas, que as pessoas possuem sonhos diferentes, preferências políticas distintas, sexualidades diferentes, mas todos somos, acima de qualquer coisa, humanos e, portanto, devíamos buscar o que há de gente em nós, o que há de ser nesse “animalzinho” que somos.

No entanto, preferimos ser rotuladores, preferimos ficar com os nossos conceitos fechados, axiomas indiscutíveis, a tentar buscar novas perspectivas, novas visões, novos caminhos, uma ressignificação de nós mesmos, do outro e do universo. Preferimos nos fechar, ficar doentes e morrer desnutridos de amor, a abrir mão de um egoísmo mesquinho que nos transforma em escravos da nossa própria condição miserável.

Será que acreditamos que estamos no caminho certo? Um caminho de mudez no olhar, secura na alma e lágrimas na boca? Um caminho em que é preciso defender o óbvio, lembrando Bertolt Brecht. Talvez, porque apesar de tudo, é difícil ser a mudança que desejamos no mundo. É difícil, sobretudo, nos despimos do véu de ignorância, preconceito, intolerância, individualismo e em seu lugar sermos capazes de perceber o óbvio: que não estamos sozinhos, nem precisamos estar, porque na estrada da vida, para quem procura, há sempre lugares em que podemos nos encontrar, silêncios para que possamos ouvir e doçura para perceber a poesia presente nas singularidades de cada um.

Podemos ser a cura do outro, o outro pode ser a nossa cura, para isso é preciso sair da ilha, a fim de que enxerguemos que nessa luta que nos encontramos, estamos todos afundando em um mar de individualismo doentio, triste e silencioso, pois na medida em que deixamos de escutar o outro, as nossas vozes já não significam nada, além da demonstração da nossa cegueira, pois como disse Gandhi: “Olho por olho e acabaremos todos cegos”.

Eu o amei até que minha dignidade disse: “não vale a pena”

Eu o amei até que minha dignidade disse: “não vale a pena”

A dignidade é a fronteira pessoal e emocional que serve como um protetor psicológico.

Dependendo de onde tivermos esse limite, nossas relações pessoais e sociais gozarão de uma melhor saúde, de um melhor equilíbrio.

Nossa dignidade nas relações afetivas não deve aceitar que nos rebaixemos nem façamos concessões. No momento em que começamos a ceder e a fazer uma renúncia atrás da outra, esse tecido excepcional e valioso se romperá.

Se pensarmos bem, iremos nos dar conta de que são poucas as vezes em que paramos para analisar essa dimensão tão íntima e tão importante.

Não o fazemos, em primeiro lugar, porque nos educaram com a ideia de que, se amamos alguém, devemos dar tudo em troca de nada por essa pessoa.

Às vezes é muito complicado pode ver onde começa a verdadeira reciprocidade e onde termina a fronteira na qual se abre essa chantagem oculta, discreta, mas voraz, em que nossas emoções são manipuladas.

É importante levar isso em conta e proteger nossa integridade pessoal. A seguir, vamos propor que você reflita sobre as seguintes dimensões.

A dignidade é o respeito que você sente por si mesmo

“Te amei até que minha dignidade disse: não é para tanto”. Se essa frase faz sentido para você, alguma vez se lembrará do processo interior no qual nos damos conta de que o amor, às vezes, tem um limite, que se chama precisamente “dignidade”.

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Dignidade e autoestima

Os seres humanos constroem a própria autoestima ao longo de sua vida. O modelo por meio do qual somos educados tem, sem dúvida, uma grande importância, mas acreditemos ou não, não é determinante.

E isso ocorre por muitas razões. Todos passamos por experiências que, de um dia para o outro, podem romper muitas dessas fortalezas interiores que nos protegiam.

– Um trabalho em que nossos direitos são violados.
– Uma relação pessoal complicada.
– Um acidente, uma perda traumática, uma decepção…

São muitas as causas que podem fragmentar o equilíbrio de nossa autoestima. Com isso, queremos dizer acima de tudo que, às vezes, acreditamos que somos invulneráveis.

Pensamos que nada pode quebrar nossa força, que podemos tudo. No entanto, acreditamos nisso porque estamos em nossa zona de conforto.

No momento em que fatores externos nos fazem perder essa sensação de autocontrole, perdemos tudo.

Relações nas quais nos “jogamos” com os olhos fechados

Sabemos que há amores aos quais nos entregamos com os olhos vendados e com o coração batendo forte. São saltos para o vazio que fazemos livremente porque assim o queremos, porque assim o sentimos.

Tudo isso seria justificável, desde que não puséssemos em jogo nossa dignidade. Há relações afetivas em que, às vezes, não vemos os limites. Damos tudo sem esperar nada. Qualquer esforço é pouco para fazer o outro feliz.

– Até que, um belo dia, nos damos conta do profundo vazio que sentimos em nosso interior. Não é que algo nos falte, é que tudo vai mal; nada está em sintonia e toda a energia é direcionada a apenas uma pessoa.

Enquanto isso, a outra se alimenta apenas de migalhas, e essa pessoa é você.

Há momentos de nossas vidas em que vale a pena sermos corajosos e arriscar. No entanto, leve em conta: é preciso arriscar tendo várias coisas bem seguras: sua autoestima, sua dignidade e seu direito de ser feliz.

No momento em que alguma dessas coisas falta, devemos tomar uma decisão.

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Seus pensamentos lhe dão poder

Quando você se encontrar numa situação emocionalmente complexa e desejar fortalecer sua dignidade, verbalize as frases seguintes.

Se você refletir sobre estas linhas, interiorizará uma série de pensamentos capazes de despertar uma emoção em você: a da coragem, da valentia.

Anote:

– Ninguém pode nem deve me dizer como devo ser feliz.
– Quem ama de verdade não submete, nem obriga.
– Um bom parceiro fortalece nossa autoestima, nunca a destrói.
– Quem gosta de você se preocupa a cada dia com seu bem-estar.
– Conviver exige saber formar uma equipe. Quem se dedica apenas a pensar em si mesmo não sabe conviver.
– Tenho o direito de expressar meus pensamentos, de dizer o que quero e o que não quero.
– Dizer “NÃO” a algo não é ser egoísta: é defender a própria dignidade.
– Mereço ser amado.
– O verdadeiro amor começa por amar a si mesmo. Se nesses momentos tudo o que me cerca me faz acreditar que não valho nada, é porque algo vai muito mal. Devo reagir.
– Posso e devo controlar minha realidade. Não tenho por que me submeter ao que os outros queiram ou desejem.
– Não sou obrigado a agradar e a gostar de todo mundo.
– Sou uma pessoa bela, corajosa, e tão digna de ser feliz como qualquer outra. Ninguém deve cercear minha vida ou meus desejos.
– Defenderei as pessoas que amo acima de tudo. No entanto, também exijo que elas me respeitem, me defendam e me valorizem como mereço.

Para concluir, a dignidade pessoal é um assunto pendente ao qual deveríamos prestar mais atenção. Ela nos confere a felicidade de que todos deveríamos desfrutar a cada dia.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

O amor na vida real é bem melhor do que os contos de fada.

O amor na vida real é bem melhor do que os contos de fada.

Já vi muitas pessoas suspirando de amores quando acabam de ver um filme de romance e dizerem: “Isso só acontece na ficção, na vida real não é bem assim” – em tom de desapontamento.

Realmente, a realidade é bem diferente dos filmes romanceados que vemos por aí. E, na maioria das vezes, esse é o nosso problema, porque idealizamos demais algo que foge do certo e errado, algo que não se enquadra em padrões e, como conseqüência, estamos sempre nos decepcionando quando o assunto é esse tal do amor. Idealizamos um amor que está longe de ser e de acontecer, porque ele não segue essa lógica idealizada. Na vida real, o amor enfrenta o medo, encontrando, como bloqueio, as diferenças e a insegurança.

Nem sempre o cara vai levá-la para um jantar à luz de velas e o primeiro encontro será perfeito, daqueles que você chega em casa suspirando e corre contar às amigas. Nem sempre ele vai ligar incansavelmente, até você atender, logo depois do primeiro encontro. Talvez, na realidade, as coisas sejam um pouco diferentes. Talvez vocês se conheçam comendo um “dogão”, lambuzando-se de sorvete e rindo de coisas bobas em uma noite qualquer. Talvez ele vá de bicicleta vê-la e não meça esforços para arrancar um riso seu.

Pode ser que o cara não seja o mais desejado pelas mulheres, não tenha tantas curtidas nas fotos, deteste academia e não abra mão de assistir a um jogo de futebol no domingo à tarde. Talvez ele seja aquele que a beija na testa enquanto esperam o elevador, que a leva ao cinema para ver aquele filme que você tanto quer e a deixa escolher o sorvete do Mc Donald’s.

Talvez ele seja aquele cara simples, com o coração gigante, que a encanta a cada dia, que a abraça quando você está triste e que sussurra em seu ouvido: “eu estou aqui com você”.

Pode ser que ele seja o homem que a olha como quem admira e, depois, diz o quanto você está linda, como quem espera o seu sorriso tímido disfarçado de amor. Aquele cara que olha nos olhos sem medo do silêncio, sem medo do que possa vir depois, e que encare as tempestades com você.

Talvez ele seja o cara que ame a sua paixão por comida e sabe que a levar para comer um lanche com muita batata palha é o certo para fazê-la feliz. Talvez ele não seja um príncipe, como nos contos de fadas, e tudo não aconteça tão rápido quanto nos romances, mas é que, na realidade, as coisas são diferentes.

Talvez ele seja o grande amor da sua vida, um amor que não se enquadra nos seus padrões. Pode ser que ele seja o cara que realmente a deixa à vontade para ser quem você é, aquele que dá a liberdade para soltar a sua risada escandalosa, e a deixa à vontade para contar aquela piada sem graça de que ninguém ri.

Pode ser que você esteja idealizando demais, vivendo de menos, esperando muito e se decepcionando em dobro, deixando de ser feliz com quem realmente faz você feliz. Saia dos padrões, liberte-se dos status e permita-se, afinal, o novo é bonito e não assustador como parece.

O amor, na vida real, é mais bonito do que o de conto de fadas; não nos garante finais felizes e nem um príncipe encantado, mas nos garante um coração disposto a amar, faz-nos amadurecer e melhorar tanta coisa em nós, que é bonito ver a evolução de nós mesmos com o tempo e com o outro.

O amor, na vida real, permite-nos pisar em terra firme e, ao mesmo tempo, alçar vôo, como quem deseja viajar no mundo do outro. O amor dos contos de fadas, dos filmes romanceados, tem a sua trilha sonora, mas como é bonito se reinventar e poder escolher a nossa própria melodia.

Quer saber? Ela vale a pena

Quer saber? Ela vale a pena

Pode ser que ela chegue numa sexta-feira ensolarada ou mesmo em um sábado de chuva. Pode ser que ela apareça daqui a alguns minutos, esbarrando com você naquela esquina da qual sempre passa. Ou pode ser que ela leve uma vida inteira para entrar na sua vida. De qualquer forma, não importa. Se ela sorrir com jeito, for sincera nos gestos e trouxer desejos puros no coração, não a perca de vista. Ela vale a pena. Ela é amor da cabeça aos pés, acredite.

Quando conhecê-la, dispa-se dos medos passados. Ela não precisa disso, pois já sofreu o suficiente nos desencontros de outrora. Seja honesto da primeira até a última conversa de cada dia. Ela quer saber que o seu coração almeja sentimentos sólidos e não euforias líquidas. Ela não liga para o seu signo e ascendente porque, nos verdadeiros cruzamentos da vida, quem traça os caminhos dos relacionamentos são as escolhas que fazemos. Ela quer reciprocidade em tempos de amores econômicos. Claro, ela também sente medo. Ela também ainda aprende a lidar, diariamente, com todas as decepções que nenhum emocional merecia suportar. Mas ela é forte. Logo, ela precisa que você também seja. É atitude não só nos encantos distribuídos, mas nos planos propostos. Ela quer carinhos e a excitação de noites inesquecíveis. Aprender novas artes, comer pratos diferentes e viajar para paisagens incomuns a maioria.

Ela gosta das canções que você escuta. Ela acolhe histórias que você já leu e também aquelas que nunca ouviu falar. Ela admira essa sintonia naturalmente concebida entre vocês. Não se trata de um encanto passageiro, mas de instantes inteiros e dispostos à luz do mundo. Percorrer essa vivacidade é o que faz dela alguém especial. Nada de comparações e suposições sobre amores desgastantes. Ela não quer isso.

Pode ser que ela já tenha chego. Pode ser que, algum dia desses, ela tenha surgido diante do seu coração e acenado gentilmente. Pode ser até que ela tenha dito tudo o que você precisava saber para reconhecê-la. Ou pode ser que ela estivesse, durante uma vida inteira, procurando justamente você. De qualquer forma, não importa. Se ela te viu sorrir, ser sincero nos gestos e tendo trago desejos puros no coração, acredite, ela não o perderá de vista. Porque, para ela, você vale a pena. Você é amor da cabeça aos pés, ela acredita.

Você já parou para pensar se é mais luz ou escuridão?

Você já parou para pensar se é mais luz ou escuridão?

Há pessoas para as quais olhamos e desconfiamos que, em seu íntimo, estão circundadas por “trevas”. Há outras que, ao contrário, olhamos e vemos luz. Estas são uma inspiração à nossa evolução. O equilíbrio, pois, é sempre possuirmos em nosso interior a maior quantia possível de luminosidade, e isso pode ser conquistado se nos abrirmos verdadeiramente ao Amor.

Há pessoas para as quais olhamos e desconfiamos que, em seu íntimo, estão circundadas por “trevas”. Seu modo de agir nos dá pistas de que, diferentemente do que pode aparentar, dentro do seu coração rolam soltos o pessimismo, a desesperança, os conflitos. Muitas vezes, apenas confusão. Confusão por não se compreender. Confusão por não se ajustar. Confusão por não se encontrar.

Por não saber nem por aonde começar. É uma guerra interna. A pessoa, com ela mesma. E é uma briga perdida, pois não há como uma parte dela sair vencedora e a outra perdedora. Enquanto houver conflitos internos, sempre haverá perdas. Perdas que, em sua maior parte, são pessoais e intransferíveis.

Há outras pessoas que, ao contrário, olhamos e vemos luz. Elas iluminam onde passam. Sensibilizam corações, amolecem calosidades da vida, tornam nosso dia melhor, nossos problemas menores, o ambiente mais leve… São um convite ao autoconhecimento, ao auto=resgate e à iluminação, às vezes, sequer sem nada fazer diretamente. Pode ser um colega, um terapeuta, ou até mesmo um desconhecido.

Há pessoas que, assim que as vemos pela primeira vez, já constatamos que são pura iluminação. Muitas vezes, basta apenas a sua presença para nos levantar. Conviver periodicamente com elas, trocar ideias, ouvir suas lições, então, pode significar a mudança do rumo das nossas vidas. São sempre bem-vindas, a qualquer pessoa, a qualquer lugar.

Todavia, a maioria dos seres humanos não é nem tanto escuridão, nem tanto luz. Oscilam entre um e outro. Ora uma porcentagem maior deste, ora daquele. E o equilíbrio, diversamente do que possa parecer, não é a divisão perfeita entre ambos. Uma vida equilibrada virá quando formos mais luz. Nem que seja mais luz apenas para nós mesmos, o que já é uma conquista e tanto!

Como, então, deixar que a luminosidade prevaleça? Ele, como sempre: O AMOR. Simples e solenemente o Amor. Mas que tipo de amor, amor por quem? O Amor mais genuíno e puro possível, sem gênero, sem destinatário, sem medida, sem descrição. Aquele que vem da fonte divina e inesgotável, que está sempre à disposição de tudo e de todos. Aquele que é possível acessar sozinho, a qualquer hora, em qualquer lugar.

Aquele que basta fechar os olhos, colocar as mãos no peito e sentir. Aquele com o qual basta silenciar um pouco a mente (quase sempre tagarela demais) e se conectar. Conexão com aquilo que se acredita ser superior a tudo e a todos (o nome não importa). A força motriz. A energia vital universal. O grande espírito. A divindade.

É aquele sentimento que gera, de repente, uma alegria genuína simplesmente por se existir. Que ocasiona um desejo simples e profundo de bem querer a todos, indistintamente. O sentimento que não julga, não questiona, não busca comprovação científica e nem reconhecimento alheio. Ele apenas existe para ser sentido. Para conectar. Para iluminar…

Se pararmos para pensar, veremos que, no fundo, tudo se resolve com ele – o Amor -, sem maiores procuras e divagações: conflitos internos, externos, vazios existenciais, perdimentos, ansiedades, tristezas, angústias, desilusões…
Ele preenche espaços vagos, cura feridas, apaga a dor, acalenta o coração sofrido, une as pessoas, acaba com os conflitos, traz paz ao planeta.

Vale a pena darmos uma chance a ele na nossa vida. Simples assim: parar, silenciar, conectar, sentir. Sem estudos ou técnicas complicadas. Só nós e a nossa disposição, a nossa vontade e a nossa predisposição à iluminação, que nos é inerente, não tenhamos dúvida! A escuridão, pois, vai ficando, pouco a pouco, para trás…

Abrir-se ao Amor, permitir-se, entregar-se: isso pode mudar o mundo! Começando com o nosso mundinho particular. Expandindo, depois, mesmo sem querer, para o entorno. Porque, sim: chega uma hora em que ele transborda. Não cabe mais apenas no nosso peito. E é automática a sua ligação com os todos os amores expandidos das outras pessoas. E assim surge a luz! Aquela que cada um nós e o planeta tanto precisam…

Você age sem pensar ou pensa demais e não age?

Você age sem pensar ou pensa demais e não age?

Por mais estranho que pareça, o que mais tem é gente nesses extremos. Ou faz e só depois pensa. E, em geral, se arrepende. Ou pensa tanto, que não faz. Não sai do lugar. Não tenta. Não arrisca.
Qual é o certo? É o seu certo! Isso mesmo! O que é correto para você?

Arrisco dizer que o que mais abre espaço para resultados satisfatórios é aprender a ouvir o coração. E, para ouvi-lo, é preciso silêncio por algum tempo. Talvez alguns minutos, horas ou dias. Porém, não muitos dias senão a história pode desandar…

Entrar em sintonia com a sua intuição, ou sabedoria interior, é o que te faz agir sentindo ao invés agir pensando, pois agir permite estar por inteiro na experiência. Presente no acontecimento. Acordado para o aqui e agora.

Porque quando você age sem pensar, pode até estar sentindo, mas muito provavelmente é um sentimento precipitado, agitado, distorcido, embaçado. Pode até acertar, mas será muito mais por estatística do que por consciência.

E quando você pensa tanto que não faz, desperdiça vida. Você se atola no seu medo e passa seus dias derrapando. Injeta uma energia absurda, mas não sai do lugar. E cansa. E se frustra. E desanima. E, muitas vezes, desiste da felicidade que estava muito mais perto do que você acreditou.

Não é a toa que os grandes mestres de todos os tempos recomendam, sobretudo, respirar. Menos a toa ainda é o dito popular que sempre nos lembra: Tá nervoso? Respira fundo e conta até 10! Esse conselho é de uma sabedoria tão simples e tão eficiente, tão óbvia e tão cientificamente comprovável, que muita gente ignora.

Porque o simples parece que descomplica. Mas o mundo está abarrotado de gente que só complica as coisas e não percebe isso! Afinal, o complicado parece mais dramático. Cabe mais o lugar de vítima ou de herói. Só que gente-vítima é chata demais. E gente-herói é fake demais.

Nesses extremos, falta autenticidade. Falta espontaneidade. Falta essência e coração!

Então, chega de gastar energia por nada! Seja desperdiçando energia agindo desgovernadamente ou pensando excessivamente. Isso não conecta você ao que você pode viver de melhor, de mais transformador, de mais verdadeiro.

Portanto, seja lá o que for que precise decidir agora ou depois, apenas pare e respire profundamente. Em seguida, aprenda a se fazer algumas perguntas e ficar em silêncio para ouvir a sua resposta, aquela que vem de dentro, da sua sabedoria:

“Qual é a melhor atitude a tomar? Qual é a escolha mais digna? Qual é a ação mais íntegra que posso ter? O que exatamente eu faria?”
Relaxa, porque as resposta virão! E se estiver demorando muito, pode apostar que é você quem não está ouvindo por causa da zoeira interna que tem feito! Fale ainda mais baixo. Sussurre. Silencie. Medite.

E o mais importante: ouça seu coração!

Eu só precisava de alguém que me fizesse acreditar de novo no amor.

Eu só precisava de alguém que me fizesse acreditar de novo no amor.

Eu achava que não precisava de ninguém. Depois de tantos tombos e feridas, fechei-me para esse tal do amor. Na verdade, eu não sabia que eu precisava, após tantas histórias e fracassos, de alguém que tivesse paciência comigo, que entendesse as minhas feridas e a parede que criara em meu coração. Alguém que visse os meus bloqueios como algo que pudesse ser destruído, que não entendesse as minhas grosserias e falta de romantismo como falta de sentimento, mas como medo. Medo de me machucar, de novo.
Eu só precisava de alguém que olhasse para mim por alguns segundos e que sussurrasse ao meu ouvido o quanto eu estava linda, que gostasse do meu pijama velho, do meu cabelo desarrumado, que adorasse a decoração nova que fiz no meu quarto.
Eu só precisava de alguém que se preocupasse com os meus problemas, não a ponto de resolvê-los, mas que se importasse com a minha dor. Que, ao olhar para o meu passado e minha história, entendesse o porquê de tantas barreiras.

Eu só precisava de alguém que se lembrasse do meu chocolate favorito quando fosse ao supermercado, que achasse graça no meu sono exagerado e nessa minha paixão por comida.
Eu só precisava de alguém que me abraçasse bem forte, como quem diz: “Eu te protejo”. Alguém que fizesse os meus domingos tediosos mais alegres e que tornasse um filme dublado engraçado e divertido. Alguém que me mandasse um verso bonito que leu num livro qualquer.
Alguém que entendesse que não sou esse coração de pedra que dizem e que, ao me conhecer, enxergasse o melhor de mim, sentindo saudade quando eu tivesse que partir.
A verdade é que eu almejava por alguém que entendesse o meu medo de me apaixonar novamente, mas que fizesse com que eu me apaixonasse num piscar de olhos, daqueles sentimentos que, quando a gente vê, já foi. Uma companhia boa daquelas que faz o tempo voar. Alguém que adorasse o fato de ficar deitado comigo, olhando paro céu, para as estrelas ou para a parede velha do meu quarto, planejando um futuro, mesmo que distante. Eu só precisava de alguém para compartilhar os meus segredos, contar como foi o meu dia e que não achasse os meus sonhos uma bobagem.

Como eu queria alguém que se orgulhasse de mim, que vibrasse com as minhas vitórias e que adorasse brincar com o meu cachorro. Eu só precisava, de alguma forma, saber que alguém não iria desistir de mim na primeira dificuldade e que, mesmo com todos os bloqueios que criei, não iria desistir de mim na primeira briga ou me abandonar no primeiro problema. Eu só precisava de alguém que tropeçasse nesse tal de amor, que esbarrasse em mim e me abraçasse, como quem diz: “esse foi o melhor tropeço da minha vida”.
Eu queria ter o meu tempo respeitado; na verdade, eu só precisava de alguém que me fizesse me arriscar e que me desse coragem para tentar o novo. Na realidade, eu só precisava de alguém que me fizesse entender o porquê de nunca ter dado certo com ninguém antes. Logo eu, que achava não precisar de ninguém, depois de tantas dores e de quase desacreditar do amor, hoje me vejo tão bem ao lado de um alguém que, ao invés de espinhos, trouxe flores.

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