O verdadeiro charme das pessoas: seus traços de loucura

O verdadeiro charme das pessoas: seus traços de loucura

Deleuze disse certa feita que “O verdadeiro charme das pessoas reside nos seus traços de loucura”. Algo parecido diz o suíço, Alain de Botton, o qual fala que “As pessoas só ficam realmente interessantes quando começam a sacudir as grades de suas gaiolas”. Essas ideias referem-se ao que há de belo no ser humano, não em sua superficialidade, e sim, nas suas entranhas, no seu interior.

A loucura citada pelos filósofos pode ser traduzida como as idiossincrasias que formam uma pessoa. Ou seja, tudo aquilo que ela possui de único e insubstituível. As características peculiares, as quais nos tomam o pensamento e nos fazem sentir saudade. Aquilo que quando vemos parecido em alguém, automaticamente nos faz lembrar a pessoa. Todavia, é bom que se diga parecido, porque as idiossincrasias são únicas e singulares, de modo que se torna impossível buscar em outros lugares, o que apenas o ser carrega dentro de si.

Por isso, Deleuze afirma que só amamos de verdade uma pessoa quando percebemos a sua loucura. A bem da verdade, é extremamente difícil encontrar pessoas que demonstrem a sua loucura e outras capazes de percebê-las. A maior parte de nós prefere viver de acordo com a normalidade, seguindo as regras, os padrões, se adequando e, portanto, sendo igual. Dessa forma, os traços de loucura, as idiossincrasias, são sufocados, quando não, mortos, pois acreditamos que a demonstração das nossas longitudes é um disparate sem tamanho, uma verdadeira “loucura”.

Sendo assim, acabamos nos tornando completamente iguais uns aos outros e, por conseguinte, desinteressantes, já que, como dito, o que nos faz enxergar alguém de um modo diferente e se sentir atraído está naquilo que percebemos de singularmente novo e que nos faz perceber que será inútil procurar em outros lugares aquilo que sabemos onde encontrar.

É por isso que existem pessoas insubstituíveis em nossas vidas, porque elas guardam dentro de si uma espécie de magia que se reverbera no encanto das suas peculiaridades. Entretanto, sentimos enorme dificuldade em perceber isso como a maior beleza que existe nas pessoas. Acreditamos que são defeitos, coisas que devem permanecer ocultas, mas as idiossincrasias significam intimidade, entrega, libertação, desejo e poesia. É o que permite que as lembranças sejam criadas, que a saudade se instaure, porque convenhamos, saudade do absolutamente igual não possui rosto.

Sabe, o que eu acho é que temos medo de descobrir que as nossas loucuras são maravilhosas, que não precisamos de tralhas para nos destacarmos, precisamos sacudir as grades e assumir o que somos, demonstrar sem medo as nossas “imperfeições” e enxergar no outro as suas coisas simples, bobas e unicamente maravilhosas, porque é sempre magnífico quando as águas saem do subterrâneo e explodem na superfície e, então, nos tornamos rios profundos de loucuras idiossincraticamente belas, como um quadro pintado na lucidez de um sonho.

7 elementos que todo casal precisa além do amor

7 elementos que todo casal precisa além do amor

Em um relacionamento é fundamental aceitar o outro, com suas qualidades e defeitos, e não pretender mudar a pessoa. A mudança somente será consentida se for construtiva para ambos.

O ingrediente principal para todo relacionamento é o amor. Se uma das duas pessoas tiver dúvidas com relação aos sentimentos, o mais provável é que, em algum momento, o casal termine por se separar.

Mas, apesar do amor ser o elemento mais importante para qualquer relação, outras coisas também são necessárias para poder construir algo forte, estável e, principalmente, feliz.

A arte de amar vem acompanhada de uma série de complementos que são necessários para aprender a conviver de uma forma saudável e conseguir um projeto de vida juntos.

Conhecer estes elementos, apropriar-se deles e aplicá-los no relacionamento, é uma das melhores formas de fortalecer o amor e se assegurar de que a relação será duradoura.

Como sabemos que quando o assunto é amor surgem muitas dúvidas sobre o que é e não é correto, hoje iremos compartilhar 7 elementos fundamentais que todo casal precisa além desse sentimento.

1. Confiança e amor nos casais

Um das maiores qualidades que um casal pode ter é a confiança. Este ingrediente é a chave para alcançar a felicidade própria e da outra pessoa. Quando ambos colocam em prática este sentimento, a relação se nutre de tranquilidade e não existem razões para se preocupar com aqueles momentos onde os dois não estão juntos.

Não deixar as preocupações de lado e pensar em todos os momentos em uma possível traição, gerará uma tensão na união e, pessoalmente impedirá você de desfrutar de forma plena cada uma das experiências.

2. Aceitação

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Aceitar é uma coisa e pretender mudar a pessoa é outra. Cuidado! Com frequência as pessoas dizem aceitar os defeitos de seu companheiro, mas de uma forma ou de outra estão esperando uma mudança.

É muito importante aprender a aceitar, tanto as qualidades quanto os defeitos. Ninguém é perfeito e, em certos momentos, existem coisas que simplesmente foram parte da personalidade da pessoa.

Logo, caso se trate de uma mudança construtiva para ambos, será bem-vinda, sempre e quando isso não implicar reprimir ou fazer algo que na verdade um dos dois não quiser.

3. Comunicação

Um dos grandes pilares para ter sucesso em um relacionamento é manter uma boa comunicação. Sempre e em qualquer momento é necessário falar de forma aberta, dizer o que se sente, o que se sonha e todas aquelas inquietudes que vão surgindo conforme a relação avança.

A comunicação também deve abranger o tema da sexualidade, que é um campo fundamental no qual ambos devem se sentir cômodos.

4. Compromisso

“Nos bons e nos maus momentos”. Assim deve ser o compromisso ao aceitar compartilhar a vida com outra pessoa. Sem importar o bom ou o ruim que as coisas estão dentro e fora da relação, deve existir a garantia de que os dois estão dispostos a superar tudo, mas juntos.

5. Respeito

Toda união duradoura está consolidada sob este importante valor que assegura uma convivência saudável. Sem o respeito simplesmente não pode haver amor e o mais provável é que as emoções negativas predominem.

É muito importante saber controlar as situações de incômodo ou raiva entre ambos, que tendem a ser os momentos nos quais podem usar palavras ofensivas. Cuidado! Sempre pense com a cabeça fria.

6. Saber perdoar

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Nenhuma relação é perfeita e em qualquer momento podem chegar provas importantes por causa de erros. É correto perdoar?

O perdão é uma coisa que não se concede a qualquer um e é difícil fazê-lo de coração. Em um relacionamento é muito importante perdoar, porque faz parte do crescimento e da experiência para ambos.

Porém, existem ações que custam ser perdoadas e que talvez demonstrem que não vale a pena continuar a relação. Nestes casos o melhor é se desprender, pelo menos por um tempo, para curar as feridas.

Não é legal fingir perdão e reprimir sentimentos somente pelo medo de ficar sozinho. Temos que aprender a dizer adeus no momento certo. Antes de tudo deve estar o bem estar pessoal.

7. Lealdade

Uma relação que sofre com a infidelidade carece de um ingrediente fundamental, a lealdade. Este elemento está muito ligado à confiança, mas é importante enfatizá-lo porque é o que garante a conservação da confiança.

A traição dói, destrói e cria um caos no relacionamento. Por isso, a maioria das relações termina no momento em que um dos dois decide cair na infidelidade.

Pare de sofrer, isso não faz de você uma pessoa melhor

Pare de sofrer, isso não faz de você uma pessoa melhor

Toda a minha dor será recompensada. A vida colocará cada um no seu lugar, especialmente todos aqueles que me traíram. Preciso sofrer porque assim algum dia terei recompensa. Agora talvez não aproveite a vida, mas um dia essa oportunidade chegará porque o universo ou Deus sabe todo o mal pelo qual passei. Toda a tristeza que sofro é útil, porque as pessoas boas sofrem e são as que mais ganham no fim das contas.

Talvez estas frases lhe sejam familiares, poderíamos dizer que fazem parte de um discurso repetido ao longo de anos. É um discurso tão popular que, com certeza, todos já o tivemos como tentação alguma vez, ou até já o adotamos como sendo próprio. É a crença de que a felicidade será uma recompensa pelo nosso sofrimento, não pelas ações que fazemos de forma ativa e agradável. É a herança emocional de nossas raízes judaico-cristãs. Quem é bom sofre, por ele e pelos outros.

No âmbito clínico da psicologia existe um grande percentual de pacientes depressivos com esta ideia totalmente irracional ativada em tudo o que fazem nas suas vidas. É o que se conhece como a “falácia da recompensa divina”, que nada mais é do que acreditar que nossas “boas” ações deverão ser recompensadas por um agente mágico e irracional.

Suas atitudes são mais poderosas do que o que você chama de karma

Não é preciso esperar as oportunidades, é preciso criá-las, aproveitá-las e tirar o máximo de cada uma delas. Isso requer vontade, determinação e firmeza. Nesta vida é preciso colocar limites aos abusos: aquilo que os outros cometem para com você e os que você aplica a si mesmo.

A dor e o desânimo fazem parte da vida, e aceitá-los lhe dará saúde emocional para saber tolerá-los e enfrentá-los, para evitar que se transformem em um sentimento crônico e disfuncional. Contudo, às vezes adotamos o sofrimento como uma autêntica forma de vida.

contioutra.com - Pare de sofrer, isso não faz de você uma pessoa melhor

Nos instalamos na queixa e na vitimização porque sentimos que a vida não cumpre o princípio da reciprocidade, já que às vezes quando damos um abraço ela nos devolve um soco. Como se a vida estivesse à mercê de nossos desejos, como se a vida não fosse uma fonte de eventos imprevisíveis e arbitrários com base em suas próprias leis, estranhas e indecifráveis.

Se na verdade o karma fosse mais poderoso que nossas ações justas e corretas, as pessoas ruins e que manipulam constantemente estariam sofrendo com relação às que recebem o dano e não o contrário. Basta você olhar ao seu redor para perceber que o mundo está muito longe de ser justo e de recompensar os que sofrem. Então, como agir?

Sofrer não nos torna necessariamente mais fortes

Pensar que se você passar por maus bocados e sofrer a vida irá lhe devolver todas as coisas boas que você precisa e merece é pensar que se eu pego um papel e digo que é dinheiro poderei comprar qualquer coisa com ele. É uma crença de certa forma delirante e destrutiva que impomos a nós mesmos, como se sofrer fosse uma espécie de benção.

Muitas pessoas se assustam quando as coisas estão calmas e andam bem. Estão em constante estado de alerta e insatisfação, como se esta fosse a atitude que fosse lhes trazer mais benefícios. Como se pensar constantemente nas coisas ruins que podem acontecer trouxesse uma maior felicidade futura.

“Precisamos ser sofredoras, sensíveis, pouco seremos perdoadas pelo senso crítico e pela sátira. Fomos feitas para sofrer e nos compadecermos dos outros e sermos piedosas. E sofrer não nos torna mais fortes, mas normalmente nos enfraquece. Assim como a pobreza, que em vez de nos provocar uma justa ira, ressentimento e espírito revolucionário, o que faz é nos tornar mais fracas, nos tira a capacidade de reagir e vai nos tirando as forças.”
-Marta Sanz-

contioutra.com - Pare de sofrer, isso não faz de você uma pessoa melhor

Dentro da perspectiva sistêmica da psicologia, analisa-se o apego desta forma de pensar e agir, que com freqüência tem sua origem em mensagens de dentro da própria família. O castigo não ensina nada para as crianças se não for acompanhado de uma prática construtiva.

A criança precisa entender que para remediar alguma coisa que tenha feito errado, precisa reparar o que estragou ou fazer alguma coisa positiva que compense essa atitude, de forma imediata e contingente à conduta indesejada. Se simplesmente a castigamos para que sofra, ela entenderá que a reparação do dano reside na resistência do sofrimento que o castigo lhe impõe. Internalizamos desde crianças que sofrer passivamente é o correto.

Substitua o castigo autoimposto por atitudes valiosas

Se você deseja algo melhor para a sua vida, use as estratégias e habilidades que você possui para que isto aconteça. Esperar sentado que o mundo identifique a sua dor para recompensá-lo por ela é uma falsa ideia.

Muitas vezes a depressão se baseia nessa sensação de impotência aprendida: pensamos que nada que fizermos irá melhorar as coisas, porque isso nunca aconteceu desse jeito antes. É hora de pensar em quais foram suas estratégias anteriormente. Se você tinha uma atitude passiva diante das adversidades e jogava a toalha diante da menor dificuldade ou se as enfrentava de forma ativa.

O sofrimento costuma trazer mais sofrimento, é uma questão de inércia. Enfraquece nosso sistema imunológico, que já não tem energia para as situações de perigo real, pois constantemente nos situamos em um plano de alerta, desconfiança e tensão.

Uma dor interior que desejamos que algum dia mude, quando a única forma de melhorar é não esperar que as coisas aconteçam para nos recompensar apenas porque estivemos sofrendo. Se você deseja incentivos, precisa ir em busca deles. A tristeza e a falta de ação são viciantes. Pare de sofrer, isso não faz de você uma pessoa melhor, só causa dor a si mesmo e às pessoas que se preocupam com você.

Muita gente precisa de ajuda, sim, mas também existe muita gente folgada

Muita gente precisa de ajuda, sim, mas também existe muita gente folgada

Muitas vezes, a verdade é bem cruel e difícil de ser aceita até mesmo pelas pessoas mais fortes, uma vez que existem situações que ninguém sabe como enfrentar. Mesmo assim, saber a verdade sempre nos trará mais chances de poder lidar com aquilo tudo de forma mais acertada. Ainda que não pareça, as pessoas são bem mais fortes do que se pensa.

Em casos específicos, como quando uma doença fatal acomete alguém idoso, uma criança, alguém cujo conhecimento da real situação não ajudará em nada, poupá-los talvez seja o melhor a fazer. Entretanto, caso ainda haja esperança, ainda exista alguma saída, temos que conhecer os caminhos a serem enfrentados, para que nossos passos não se enganem.

Infelizmente, existem indivíduos que se fazem de incapazes, mostrando-se sempre fracos e impotentes, de forma conveniente, para que as pessoas à sua volta tomem as decisões que deveriam partir deles mesmos. É muito cômodo, afinal, isentar-se de qualquer responsabilidade frente aos problemas que surgem, pois, assim, a zona de conforto permanece intacta.

É comum, nesse sentido, presenciarmos situações em que um dos irmãos esteja sempre fora da discussão de problemas familiares, em que um dos cônjuges esconda do parceiro atitudes inadequadas dos filhos, como se a algumas pessoas fosse impossível contar a verdade. Isso porque se quer poupar o outro, que é julgado como fraco, incapaz, ou seja, um inútil nesse aspecto.

No entanto, um dos maiores desfavores que poderemos fazer em relação a alguém é deixá-lo de lado nas tomadas de decisões que o incluam, pois, caso os resultados o desgostem, ele poderá culpar todos os demais, menos ele mesmo, pelo que ocorreu. Poupar o outro da verdade implica, em muitos casos, poupá-lo de crescer, de amadurecer, de responsabilizar-se por sua própria vida.

Sempre haverá pessoas mais prontas e centradas, com capacidade de tomar decisões com ponderação e equilíbrio, porém, isso não significa que somente quem seja mais apto deva carregar em seus ombros o peso de tudo. Temos que dividir as bagagens indigestas, apoiando e ficando junto com a verdade, pois seria injusto agir de forma contrária. No fim das contas, não tem por onde, por mais tentemos fugir e nos esconder, a verdade sempre nos encontrará. Lidar, portanto, com ela, de forma clara e transparente, é o que nos tornará menos vulneráveis aos tombos que a vida dá.

Teste: que país combina mais com o seu jeito de ser?

Teste: que país combina mais com o seu jeito de ser?

Você já teve a sensação de ter nascido em uma época ou lugar errado?

Esse teste, através de pistas deixadas por suas escolhas, é capaz de indicar qual o país que mais combina com o seu jeito de ser, modos e educação.

Lembre-se que materiais assim não possuem comprovação científica. Entretanto, quem faz, jura que dá certo.

 

Cuide só da sua vida e despreze a do outro. Tá aí um belo jeito de PIORAR o mundo.

Cuide só da sua vida e despreze a do outro. Tá aí um belo jeito de PIORAR o mundo.

Não nos iludamos. Essa história segundo a qual “o mundo seria melhor se cada um cuidasse da própria vida e deixasse a do outro para lá”, minha gente, não passa de uma frase de efeito velha, superficial e boboca. Fosse assim, tão simples, seria bom. Mas não é.

A premissa é correta. É isso mesmo. Cada um de nós que assuma suas próprias questões e não atrapalhe as dos outros. Mas tem gente pervertendo esse princípio faz tempo. Tem, sim. Gente exagerando, distorcendo. Tem gente aí achando que cuidar da própria vida é dar as costas ao outro, ser indiferente, onipotente, irrefutável e até torcer para que o resto se escafeda. Sim, há quem entenda “cuidar da própria vida” simplesmente como “os outros que se danem!”.

Acontece que ninguém precisa se danar para que a minha vida seja boa. Para que você e eu sejamos felizes, ninguém precisa ser infeliz. Para que nos sobre o que queremos, não é preciso faltar a ninguém. Tem pra todo mundo!

Os gênios egocêntricos que compraram a verdade vão me desculpar, mas é certo que nós só chegamos até aqui, é óbvio que só sobrevivemos às pragas e guerras e pandemias e outros perrengues porque, em certas horas, cuidamos uns dos outros, sim!

Se cada um de nós tratasse tão somente de sua própria vida e o outro que se danasse, o mundo já teria acabado. É que tratar o outro como a razão de todos os nossos males é uma bruta burrice, sabe? Porque “o outro” também somos nós. Assumamos!

“O outro que se dane”, né? Muito bem. Só tem um detalhe: se isso acontecer mesmo, se todo aquele que seja “o outro” se danar, quem é que sobra? Em que momento dessa loucura toda o ser humano esqueceu de que é um animal gregário, comunitário, coletivo, alguém que vive pelo outro, com o outro, para o outro?

Somos sete bilhões de pessoas no planeta. E se todo mundo inventar de agir feito uma besta autocentrada, a cada vez que você disser “o outro que se dane”, seis bilhões, novecentos e noventa e nove milhões, novecentos e noventa e nove mil e novecentas e noventa e nove pessoas vão desejar que VOCÊ se dane também. Porque você também é “o outro”.

Sei lá, eu só acho que a gente devia cuidar uns dos outros, sim. Um tiquinho, só. Você e eu deveríamos torcer um pouquinho mais um pelo outro. Não simplesmente dar as costas para o mundo e sobreviver no “cada um por si”.

Cuidar de si mesmo de forma a não atrapalhar o vizinho e, quem sabe, ajudá-lo. Por que não? Já tem pessoas fazendo isso aqui e ali. Tem, sim. Repare. Gente que ajuda quem precisar sem invadir, importunar, aborrecer. Gente que se faz saber estar ali para quando preciso mas não precisa chamar a atenção de ninguém.

Nesse caso não é intromissão, bisbilhotice, pitaco. É só questão de sobrevivência. Quem sabe uma hora a gente aprende? Sem querer me meter na sua vida, eu acho que você também devia pensar nisso. Ahh… devia, sim.

A linha tênue entre estar apaixonado e ter vergonha na cara

A linha tênue entre estar apaixonado e ter vergonha na cara

Há um samba que diz assim “a educação vem de berço e a bondade também. A vergonha da pessoa não se compra em armazém.” E, acredito, que não há quem discorde. O pior sentimento é a vergonha. Vergonha trava, paralisa, traz medo e, no amor, consegue ser ainda pior.

A vergonha tem duas vertentes: a boa, considerada defesa, pois leva o indivíduo a repensar em seus atos antes e depois de cometê-los. E a ruim, que faz o homem recuar diante de certas situações e sentir-se indigno de algumas coisas. No caso dos relacionamentos amorosos a vergonha deveria ser encarada como uma defesa, mas nem sempre é assim, já que há pessoas que não sentem vergonha de expor suas vidas ao ridículo.

Acredito que cada um ame de um jeito. Há quem faça declarações de amor em público, há quem atravesse o Rio Nilo a nado para ficar com quem se ama e há, também, aqueles que amam em silêncio. Porém é preciso considerar que toda forma de amor só é válida desde e for recíproca, do contrário representa mais uma história masoquista do que um romance de sessão da tarde.

Acredito no amor, em reconciliações e em histórias que recomeçam depois de anos separados, mas há pessoas que transformam o romance em um roteiro policial: perseguem, insistem e imploram o amor do outro como uma condição de continuar a viver.

Nesses casos, confesso que tenho vontade de embrulhar o bom senso para presente, chegar nelas e dizer “toma, é seu!” Talvez assim, elas entenderiam que amor e o autocontrole caminham juntos.

Perder o bom senso é perder o autocontrole, a sanidade. É esquecer que amor também precisa de medidas. É engolir a vergonha e se humilhar por migalhas de atenção por quem não merece nem seu bom dia. Como dizia Albert Camus: “Não é nenhuma vergonha ser-se feliz; vergonhoso é ser feliz sozinho.”

Amor é simples. Complicado é prova de física, levantar peso, trabalhar três períodos e sentir vergonha de, um dia, ter corrido atrás de quem nunca se importou com você.

Descubra qual é o seu traço de personalidade predominante em 2 minutos

Descubra qual é o seu traço de personalidade predominante em 2 minutos

Este teste vai revelar seu traço de personalidade predominante em dois minutos. Embora esse tipo de material não tenha comprovação científica e deva ser encarado como entretenimento, não há quem não goste de espiar os resultados de suas escolhas.

Ah, e quem fez jura que deu certo!

Aproveitem a brincadeira e nos contem nos comentários se gostaram dos resultados.

Relacionamentos verdadeiros são para os fortes !

Relacionamentos verdadeiros são para os fortes !

É fácil sair na noite, se encantar e se entregar para uma pessoa diferente por semana.
É simples “curtir a vida adoidado”, não se envolver verdadeiramente com ninguém, não criar vínculos, ser “do mundo”…
O complexo, o difícil, o que exige jogo de cintura, inteligência emocional, planejamento e dedicação, é ter um relacionamento verdadeiro. Isso, sim, é para os fortes!

É fácil sair na noite, se encantar e se entregar para uma pessoa diferente por semana (quando não por dia)!
É simples se encontrar com alguém de vez em quando, sair para jantar ou fazer um programa especial, falar apenas sobre coisas legais, mostrar o melhor de si, e, depois, voltar para a sua casa, os seus problemas e a sua vida, com todos os desdobramentos que ela tem…

É descomplicado “curtir a vida adoidado”, não se envolver verdadeiramente com ninguém, não criar vínculos, ser “do mundo”…
Ou, até mesmo, dar “uma escapadinha”, uma “puladinha de cerca”, uma “arejada na relação” (!)…
E, por ser fácil, simples e descomplicado, QUALQUER UM consegue!
O complexo, o difícil, o que exige jogo de cintura, inteligência emocional, planejamento e dedicação, é ter um relacionamento verdadeiro.

Dormir e acordar com a mesma pessoa, todos os dias, ano após ano, enfrentando contas para pagar, problemas no trabalho, crises existenciais, filhos doentes, mudança de entendimentos, de estilos de vida e de aspirações…
Isso, sim, é para os fortes!

E uma das grandes verdades no que diz respeito a relacionamentos amorosos, é que “o amor, somente, não basta!”
Quem dera ele desse conta do recado, resolvesse todos os contratempos, todos os desafios e desgostos que surgem ao longo da jornada de um casal…

Na adolescência (geralmente), ou na fase inicial da “paixão”, quando percebemos que amamos – e somos amados – “de verdade”, que o sentimento é profundo, sincero e correspondido, achamos que pronto, estamos resolvidos na vida! Tiramos a sorte grande! Acabou-se a procura, as angústias, os conflitos. Só que não…

Cada pessoa, além de única e indecifrável até para ela mesma, é um ser em constante evolução e transformação.
Todos vamos nos descobrindo e nos melhorando ao longo da vida. Não permanecemos sempre os mesmos, não tem jeito.
E o amor, nesse contexto, tem que se reconstruir junto com cada um dos envolvidos e com o relacionamento em si, dia após dia. Ele precisa se atualizar, se reinventar, se redescobrir. E esse é um trabalho sem fim…

Aprender a sobreviver sem o frio na barriga, a ansiedade pelo encontro, as borboletas no estômago e os pés nas nuvens que existiam lá no começo…
Aprender a resistir a TPMs, maus-humores (e maus-hálitos) matinais; à falta de grana (ou de vontade) para sair, viajar, mudar os ares; à falta de tempo e ao cansaço do dia-a-dia; às mudanças de sonhos, projetos de vida e ambições que podem surgir…

Sem contar a reviravolta completa na rotina, no tempo, nos planos e na energia que a chegada dos filhos – para quem os tem – certamente traz no pacote…

Relacionamentos verdadeiros – aqueles que não existem apenas para se ter uma “imagem social”, que dispensam válvulas de escape e “escoros”, e que não traduzem apenas conformismo e acomodação de seres descontentes – são, definitivamente, para os fortes!

Mas saber que se tem alguém para te abraçar no fim daquele dia difícil, para te acalentar quando aquele projeto não deu certo e para te fazer rir de si mesmo quando se fez uma besteira…
Alguém que te conhece suficientemente para respeitar suas particularidades, aceitar suas imperfeições e compreender suas incertezas…

Alguém que sempre vai estar ao seu lado, que se preocupa realmente em te cuidar, que compra os teus devaneios e se empenha, sinceramente, para te ver feliz…
Alguém que, enfim, te ama por tudo – e apesar de tudo – o que você é, de fato, sem máscaras, sem estimulantes, o tempo todo, e apesar do tempo…

Isso, definitivamente, não tem preço, não tem definição e faz tudo valer a pena!
Sinceramente, na minha opinião, só não quer um relacionamento verdadeiro quem ainda não o experimentou…

Com você uma noite pode ser a vida inteira

Com você uma noite pode ser a vida inteira

Pode ser que o tempo não nos faça justiça. Pode ser que, entre um carinho e outro, até fiquemos encostados por um silêncio extenso. De todo jeito, registro aqui a minha parcela de querer. Deixo, por cima dos ombros, os versos entregues em comunhão desse sorriso que transborda no amanhecer seguinte. É pela dança que tivemos, pela noite que passamos.

Enquanto isso, vamos desfrutar do nosso melhor. Porque pode ser que o amanhã nem dure. Pode ser que encontremos caminhos distintos e não compartilhemos mais o mesmo par de pernas. Pode ser que, inclusive, cobremos espaços onde não seriam necessários colocarmos pontos. Não importa, penso. Fundamental é mantermos, como naquela melodia sintomática, a simplicidade dos abraços. Eu desbravando novos indícios e você transparecendo outros começos. É pela escolha que fizemos, pela saída que não imergimos.

Cá pra nós, não há medidas em nossos instantes. Pode ser que mais à frente, cuidemos para que os segundos sejam contados na ponta dos lábios. Pode ser que cataloguemos, cada uma das noites, em grau de importância e intensidade. Pode ser que, indo ainda mais adiante, prestemos tributos calorosos em quartos enumerados mundo afora. É pela mão que tocamos, pela brevidade que asseguramos.

Com você uma noite pode ser a vida inteira. E mesmo que não seja, estivemos, por uma noite, desafiando todos os encontros que poderiam terem sido e não foram. Dançamos no silêncio. Fomos. Somos. Com você o tempo ganhou uma nova configuração.

Não sou tudo o que vês, nem vês tudo o que sou

Não sou tudo o que vês, nem vês tudo o que sou

Sou muito mais que um invólucro físico, mais que um sorriso que se transmite felicidade e empatia. Por trás do meu rosto e em meu coração, encontram-se essas cicatrizes que você não pode ver, mas que também me definem.

Desta maneira, não me julgue apenas pelo que você vê, nem pense que me conhece apenas por ouvir o que os outros dizem de mim. Uma pessoa é formada por seu passado e seu futuro, além de por seus sonhos. Por isso, não se deixe levar pela simples aparência.

Hoje em nosso espaço, convidamos você a refletir sobre seu passado, suas cicatrizes escondidas e as máscaras cotidianas que todos nós utilizamos para escondermos determinadas coisas.

As máscaras que utilizo para esconder parte do que sou e do que sofro

Já ocorreu com você de ter dias em que não sabe como fingir que todo está bem, enquanto que por dentro você só sente tristeza? A sociedade, nossa educação e o dia a dia nunca viram com bons olhos esse alívio emocional que algumas pessoas têm em determinadas ocasiões.

Chorar em público mostra uma imagem de debilidade e uma preocupação que não é bem aceita por quem o rodeia. Por isso, sempre precisamos de espaços privados. Além disso, não é fácil falarmos dos nossos sentimentos, não é algo simples nem cômodo.

Por isso, também é comum que guardemos determinados sentimentos para nós mesmos, e que para não afrontá-los os escondemos.

  • As pessoas, geralmente, carregam muitas máscaras ao longo do dia. São máscaras que permitem que nos adaptemos ao dia a dia, ao trabalho, a nossas relações sociais.
  • Entretanto, por debaixo delas muitas vezes escondemos nossas vulnerabilidades, nossas decepções e as perdas não assumidas que acabamos camuflando com falsos sorrisos.
  • Por isso, às vezes nos vemos dizendo para nós mesmo “estou muito bem, sou feliz, as coisas estão perfeitas”. E, na verdade, nos vemos obrigados a fazermos isso porque não é a toda pessoa que lhe interessa nossas lutas internas, nossos pesares.

Agora, ainda que seja verdade que todos eles são mecanismos de defesa que utilizamos de maneira habitual, seria adequado também que não nos vejamos obrigados a “usar tantas máscaras”.

Quanto menos camuflagem e menos máscaras, mais livres seremos.

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Liberto-me das máscaras para mostrar minha liberdade e autenticidade

Pode ser que muitos se atrevam a julgar você pelo que veem. Entretanto, são suas crenças e seu mundo particular, e como tais, isso não o define como pessoa. Não tem nada a ver com você.

Lembre-se sempre de que as críticas o afetam apenas o quanto você permite.

Devemos ser nós mesmos os nossos próprios juízes e a única pessoa com direito de julgá-lo. O mais importante é nos sentirmos bem, em equilíbrio com tudo o que vivemos. Tranquilos cada vez que nos olhamos no espelho, assumindo nossos erros, vivenciando as experiências.

  • Se nos limitarmos a esconder cada dia nossas emoções e preocupações, cedo ou tarde isso irá emergir e nos incomodar. A máscara cairá e nos trará essa sensação de frustração, de rancor não resolvido. Não vale a pena.
  • Quanto menos máscaras, maior a liberdade. Permite que você diga “sou tudo o que vês”, ainda que, em certos momentos, sempre guardemos algumas coisas para nós mesmos.
    Há cicatrizes que não são visíveis, há feridas que ainda estão abertas e que nos impedem de virar a página. Mas, como dizem, se você ver que nada acontece, talvez seja melhor mudar a página.
  • Com isso, queremos dizer que existem momentos em que o mais aconselhável seria mudar. Deixar para trás determinadas situações, determinadas pessoas…
    Quando nos vemos livres e desapegados, nasce a autêntica liberdade. Prontos para começar de novo, para curar as feridas, para se encher de novas ilusões que poderão, com o passar do tempo, tornarem-se o motor de sua vida.

“Não sou tudo que vês, nem vês tudo o que sou”. Que fique claro que somente nós nos conhecemos em toda nossa essência, mas sempre será mais saudável nos mostrarmos ao mundo com plenitude e liberdade, da forma mais sincera possível.

Mostre-se de acordo com seus valores, seus pensamentos e emoções. Fale com assertividade e mostre-se sem máscaras, ainda que, em algumas ocasiões, você se veja obrigado a dizer verdades que doam.

Não importa. Tudo isso o ajudará a se sentir muito melhor. Atreva-se a por isso em prática!

Para bom entendedor, uma mensagem visualizada e não respondida, basta !

Para bom entendedor, uma mensagem visualizada e não respondida, basta !

A sociedade atual necessita da aprovação do outro em tudo. A validação do outro em nossas atitudes serve para nossa autoafirmação. A tentativa de provar algo para os outros é tão patética que faz com que as pessoas se mostrem felizes quando na verdade não estão.

Para Nietzsche “as pessoas que não sabem amar a si mesmo buscam constantemente a aprovação alheia e sofrem quando são rejeitadas. Para quebrar essa dinâmica, devemos admitir que não podemos satisfazer a todos”.

No mundo virtual a situação consegue ser pior: uma mensagem visualizada e não respondida é o mesmo que receber um murro na boca do estômago. Primeiro porque essa atitude é uma grande falta de educação, segundo porque o cérebro manda, quase instantaneamente, a seguinte mensagem para o coração: “eu avisei, seu trouxa”.

A verdade é que, se por um lado os aplicativos ajudam as pessoas a se conectarem, por outro conseguem destruir os relacionamentos em segundos. Quando uma mensagem não é respondida, a pessoa entra em uma área de pressão social e psíquica surreal, tentando encontrar justificativas para tal atitude alheia.

Nesses casos, é necessário analisar duas situações: a primeira é que ser independente em atitudes e nos relacionamentos é uma necessidade. Como afirma Martha Medeiros: “independência é aceitar a si mesmo antes da aprovação alheia. É defender a própria verdade e ter humildade para mudar de opinião caso seja surpreendido por melhores argumentos.

Ser independente é preferir ao cinema com alguém, mas não perder o filme por falta de companhia. É vibrar quando lhe abrem um champanhe, mas não deixar de comemorar sozinho se a sua alegria basta para o brinde. Ser independente é fazer tudo o que se gosta junto de quem mais se gosta, incluindo a si mesmo.”

A segunda é que as pessoas precisam trabalhar para sobreviver, portanto ,não dá para ficar respondendo mensagens toda hora.
Concordo que responder uma mensagem no prazo de (até) 24h é, no mínimo, educado, mas, se isso não acontecer, aceite que a pessoa não quer conversar com você. E, caso não saiba, ela tem direito a isso.

Aceitar que as pessoas tem liberdade de escolhas é ser coerente e não permitir que as próprias atitudes sejam desagradáveis e invasivas.

Visualizar uma mensagem e não responder é a forma sutil de dizer “não”. E, admita, você também já fez isso várias vezes…

O coração da gente é onde moram os que vivem para sempre.

O coração da gente é onde moram os que vivem para sempre.

E se aquele avião não tivesse caído? Se o pouso fosse tranquilo, os passageiros voltassem para casa, a vida seguisse sem mais?

Se o caminhão não perdesse o controle no asfalto molhado, não saísse de sua pista. Se os carros na mão contrária seguissem seu percurso sem percalço e chegassem a seu destino sem surpresa.

Se a notícia indesejada não viesse e o amigo querido estivesse ainda aqui, trabalhando, vivendo, pagando as contas, fazendo das suas, pensando na gente, habitando este mundo como qualquer um de nós.

Se a criança vingasse na barriga da mãe e hoje corresse pela casa, fazendo graça, puxando o rabo do gato, evitando a hora de dormir.

Se o homem bom não saísse de casa no mesmo instante em que uma alma perdida decidiu sair por aí disparando sua arma. Se a velha senhora não atravessasse a rua na frente de um carro apressado, chegasse ao mercado e voltasse à casa em tempo de fazer sua sopa, cujo aroma aqueceria a alma de uma vizinha que chora sua solidão.

Se a tarde não tivesse acabado, a festa não tivesse passado, a manhã não findasse tão cedo, a noite não amanhecesse tão rápido.

E se aquela moça linda se salvasse do mal que a levou de repente, e acordasse na cama do hospital sem entender nada, varada de fome, sob o olhar de apreensão e ternura da família que a esperava rezando, agarrada com força à sua fé.

Sua gente a olharia tão cheia de amor, diria “que susto!” mal vendo a hora de voltar todo mundo para casa, tocar a vida em frente. E seria uma tardinha linda, de brisa mansa ventando esperança. A vida sorrindo como criança que brinca num parquinho, girando, girando…

Dói. E não fosse o coração da gente, generoso, aberto, abrigando tanta coisa e tanta gente que passou, doía muito mais. Ahh… doía, sim.

E eu que não sou nem a rainha da Inglaterra, vou sorrir sem vontade por quê?

E eu que não sou nem a rainha da Inglaterra, vou sorrir sem vontade por quê?

Em terra de gente falsa, quem tem coragem de dizer a verdade causa uma revolução. E em terra de gente corajosa, quem é falso não dura muito tempo. Até porque, manter um personagem fictício, com um sorriso congelado no rosto, exige da pessoa uma fleuma digna de Rainha da Inglaterra, não é não?

A rainha Elizabeth, essa rainha-mãe que ainda vive e detém o maior título da monarquia do Reino Unido, logo no início do seu reinado teve uma espécie de espasmo involuntário nos músculos da face, tudo porque vinha de uma maratona de visitas a inúmeras cidades da Austrália – na época em que esse país ainda não era independente.

A pobre da rainha não conseguia nem dormir por causa dos tremores na bochecha. E o médico disse a ela que o único jeito era ela parar de sorrir. Só que ela não podia parar de sorrir. Tinha que acenar e sorrir; sorrir e acenar, qual uma boneca de corda.

A moça, recém-entronada, vivia às voltas com a dura tomada de consciência acerca do pouco poder que exercia e do quanto a coroa sobre sua cabeça era, além de um enorme peso, um adorno difícil de carregar.

Embora fosse, e ainda seja, sem nenhum questionamento, “a rainha”, Elizabeth não apitava nada sobre acordos políticos, decisões econômicas, ou coisa alguma. E ainda não apita. Tudo o que diz respeito ao Reino Unido é pensado, gerido e decidido pelo Parlamento Inglês. Elizabeth é um símbolo do poder, mas não decide nada de fato. Para decidir por ela, existe a figura forte e poderosa do Primeiro Ministro.

E o que é que você que está aí lendo esse texto e eu que estou aqui escrevendo temos a ver com a rainha Elizabeth? Na prática, absolutamente nada. Em tese, vivemos o mesmo dilema: passamos uma boa parte da vida a sorrir e acenar, acenar e sorrir. E se não fizermos nada a respeito disso, vamos acabar com espasmos na bochecha. Porque sorrir mecanicamente é extremamente cansativo, além de ser vazio e pobre em significado real, com o perdão do trocadilho.

E a coroa? Pense na coroa como algo que simbolize tudo aquilo em sua vida que tenha valor verdadeiro. Caso tivéssemos mesmo que carregar nossas conquistas sobre a cabeça, certamente escolheríamos aquelas que não se pode “coisificar”. Caso contrário, certamente, acabaríamos por abdicar da coroa sob seu peso insuportável.

Sendo assim, talvez seja mais sábio e inteligente refletir sobre as inúmeras vezes em que sucumbimos à nossa gula por poder, vaidade ou adulação alheia. Talvez seja mais esperto da nossa parte, cairmos “na real” e entendermos que não há nenhum trono a nos esperar ao final do dia. Não há nenhum Primeiro Ministro para legislar em nosso nome.

Aproveitemos a nossa maravilhosa vida plebeia e paremos de infligir a nós mesmos, o roteiro de personagens ilusórios de poder. Deixemos as coroas e acenos para os nobres de nascença. E vivamos apenas pela nobreza de caráter. Essa, sim, coloca em nossas mãos a posse de nossa própria vida e nos torna senhores de nossas escolhas, de nossos encontros e de tudo aquilo que nos faz ter um orgulho danado da pessoa de verdade que estamos nos esforçando para ser.

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