Há silêncios que constrangem. Há silêncios que constroem…

Há silêncios que constrangem. Há silêncios que constroem…

Imagem: CREATISTA/shutterstock

Silêncio no elevador, constrange. Você está descendo nesse veículo de utilidade indiscutível e, de repente, o elevador para no 12 andar e entra o seu vizinho, que você conhece, mas não muito. E entre o 12 e o térreo fica estabelecido um silêncio constrangedor. Parece uma viagem incômoda e comprida.

Instintivamente você se encolhe contra a parede, olha para o chão que, naquela hora te falta, e descobre o cachorro. O cachorro te tira do constrangimento abanando o rabo, interessadíssimo na sua pessoa, bem no momento em que a porta se abre e você sai esbaforida, como bezerro liberto da estrebaria, dizendo “até mais.” Até mais NUNCA, se for possível.

Silêncio no consultório não constrange. O médico já te examinou, já fez o diagnóstico, você já sabe que daquilo não vai morrer, e então, ele se volta para o computador, para fazer as anotações em sua ficha, e te esquece. Você fica ali, muda, enquanto ele digita calado, mas o silêncio é um conforto íntimo, uma oportunidade de xeretar, olhando em volta, e conferir porta-retratos com a imagem da esposa, dos filhos,e da última viagem que eles fizeram para Cancun.

Silêncio no consultório do dentista não constrange. Você chega, mal diz boa tarde, e já vão colocando na sua boca aberta aqueles ferros que te impedem de fecha-la. Se em boca fechada não entra mosquito, em boca aberta não sai som. Sem som não há palavras. Sem palavras há silêncios. Um silêncio que te é lícito e que você pode desfrutar de olhos fechados.

Silêncio na fila do banco não constrange. Barulho de conversas alheias, também não. Todo mundo paradinho na fila, trocando o peso nas duas pernas, olhando fixamente para a frente e para o painel, de quando em quando apenas o barulhinho da campainha chamando o próximo, o próximo, o outro próximo,quando de repente, a dona Maria avista o seu Joaquim,e de longe começam a trocar notícias.

Seu ouvido ouve, ele foi feito para ouvir, mas nem o silêncio anterior e nem o barulho te constrangem. Em fila de banco, no silêncio a gente aproveita para pensar, e no barulho, a gente aproveita, para fazer laboratório e aprender sobre o ser muito humano.

Silêncio no decorrer de uma visita, que te visita e não tem o que falar, constrange. A pessoa é querida, é amável, é prestativa, é atenciosa, mas nem é tão sua amiga, e vem te visitar, e não tem nada para falar. Não preparou o script. Não ensaiou coisa nenhuma. Você que está em casa, desprevenida, fica esperando que ela tenha o que dizer, já que se deu ao trabalho de vir, mas ela não diz.

-“Eu só vim para te ver”, ela diz quando chega. E você não sabia que era para levar a declaração ao pé da letra. Ela só veio te ver. Não veio para conversar.

Esse silêncio constrange. Constrange porque você não está preparada para tanta plenitude e se obriga a inventar um assunto qualquer para escapar do silêncio entre duas pessoas que não têm nenhuma intimidade, sentadas no mesmo sofá. Da sua casa. Como se fosse uma viagem de ônibus, ou de avião.

Aliás, silêncio no ônibus ou no avião, mesmo que seja entre duas pessoas sentadas lado a lado não constrange. Fala quem quer, dá prosseguimento quem gosta.

Silêncio entre amigas, também não constrange. Se essa amiga que vem te visitar, for muito, muito amiga, o silêncio não constrange. Vocês podem tranquilamente dividir o silêncio, ou ligar a TV e assistir um programa onde só o apresentador fala, desde que, de vez em quando vocês possam sorrir, ou gargalhar, ou até chorar. Se a intimidade for muita, podem até dormir.

O silêncio entre amigos, muito amigos, é conexão. É raro, mas acontece e quando acontece é muito bom.

Silêncios virtuais constrangem ou não. Você está no maior papo em tempo real com uma pessoa. De repente, silêncio. Nem tchau, nem dá licença, nem preciso ir. Nesse caso, constrange. A gente rola a conversa para cima, pensando: será que falei alguma coisa errada?

Mas se o papo for entre duas pessoas cuja amizade seja à prova de web, alguém que você já conhece, convive, e confia, dá para pensar: foi atender à porta, as crianças chegaram, o wifi caiu, depois falamos mais. A confiança te isenta de projeções ruins.

Silêncio entre namorados lógico que não constrange. Namorados não dependem de sons, eles falam com as mãos, com os olhos, com o toque, com a língua, com a boca, com o cheiro. E não raro, no meio de uma longa conversa, o silêncio pode ser introduzido com essa frase poética:

– Amor, cala a boca e me beija…

Ai você obedece e beija. Nesse caso, não… não constrange.

Você quer apenas namorar ou viver um grande amor?

Você quer apenas namorar ou viver um grande amor?

Imagem: GlebStock/shutterstock

Vejo inúmeras pessoas dizendo que estão fartas de relacionamentos furtivos – ou de ficar sozinhas – e que tudo o que mais desejam é namorar.

Sempre que escuto isso, penso: será que essa pessoa quer namorar ou viver um grande amor? Porque pode existir diferença, sim, entre essas duas coisas.

Claro que existem namoros que surgem de grandes amores (ou os promovem), porém muitos deles são baseados na simples necessidade de ter alguém ao lado para amenizar a solidão, para o desfrute de uma boa companhia, para jantar, viajar, ir ao cinema, atender as convenções sociais, manter certa regularidade (ainda que morna) sexual.

Mas a vida, meus caros, como não me canso de dizer, é uma dama caprichosa: ela nos dá o que achamos que merecemos. Ou melhor, o que achamos que queremos.

Eu, particularmente, sempre quis viver grandes e arrebatadores amores e, felizmente, fui (sou) presenteada com muitos deles. No entanto, para se viver um grande amor é preciso um bocado de coragem (e sorte!). É preciso ter namorado muito, muito, muito – e por muito tempo – consigo mesmo.

Somente depois de ter se apaixonado pelos próprios erros e qualidades, ter se desiludido com as próprias falhas, ter rompido consigo mesmo em rompantes de raiva e depois ter se reconciliado; somente depois de ter achado charmosos os próprios defeitos, ter dado boas gargalhadas do disco da Shakira em meio aos da Billie Holiday e ter odiado a maneira como se comportou naquela situação X; somente depois de ter se colocado para fora de casa, de ter praguejado o dia em que nasceu, ter achado as próprias roupas cafonas e a imagem embaçada no espelho tenebrosa e ter se perdoado por tudo e por nada; somente depois de ter se dado trégua é que abrimos caminhos para um grande amor.

Ou seja, somente depois atravessar esse mar de fogo – viver um namoro complexo e pulsante consigo mesmo, com todas as etapas de um relacionamento – estamos aptos a viver, ou melhor, a experimentar e partilhar a alegria de um grande amor.

Quem nunca namorou consigo mesmo jamais viverá um grande amor. Pode até se deliciar com paixões instantâneas, mas um grande amor, duvido.

Quem não conhece a própria dor não pode (não sabe) como acolher a dor do outro. Quem nunca enfrentou a solidão, encarando-a nos olhos, é incapaz de ofertar conforto e amparo. Quem nunca se perdoou por suas falhas jamais perdoará as alheias. Quem nunca conseguiu se aceitar não é capaz de aceitar outrem – e sem aceitação não existe amor.

O amor, o amor de verdade, só acontece quando damos mais do que temos. Quando ultrapassamos nossos limites, quando sentimos medo, porém continuamos; quando entendemos que podemos viver sem o outro, mas escolhemos sua companhia; quando entendemos que ninguém pertence a ninguém e que ninguém está no mundo para atender a nossas necessidades e expectativas e que o ciúme não é sinal de amor ao outro, mas de autopreservação, ou seja, amor-próprio (leia: egocentrismo, egoísmo); quando deixamos de sentir a diferença como ameaça e passamos a desfrutar da possibilidade de crescimento que ela proporciona; quando aceitamos e acolhemos o outro em suas faltas do mesmo modo que desejamos ser aceitos e acolhidos; quando morremos juntos para o que fomos e para o que poderíamos ter sido e nos dissolvemos num só corpo, num só gozo, em pleno abandono.

Abandono. Essa palavrinha parece não combinar com o amor, não é? Todavia, o amor só é possível quando praticamos o abandono – inclusive e principalmente de velhas crenças acerca de nós mesmos e do mundo.

Somente depois de termos aprendido esses movimentos é que a nossa terra estará arada para sorver o delicioso fruto chamado “grande amor”.

Dia desses li por aí: “amor não é aquilo que te deixa em paz, calmo, feliz e tranquilo; o nome disso é Rivotril” – ou, acrescentaria, “um simples namoro”.

Não existe amor sem crescimento, sem expansão, sem abandono, sem mudança, sem medo. E mudar dói. Requer coragem. Amar bagunça a vida, não tem jeito. Namorar, só por conveniência, às vezes ajeita. Não existe certo, nem errado, trata-se apenas de uma escolha.

Portanto, cuidado com o que deseja, porque seu pedido pode se realizar: você deseja (somente) namorar ou viver um grande amor?
Lembrando que: é preciso ter se perdido de si umas não sei quantas mil vezes para se perder na estrada de um louco, grande e lindo amor.

Seja lá para que lado for, vá na fé! E boa sorte!

FALANDO NISSO

Ao escrever este texto lembrei-me da receita do grande poetinha Vinicius de Moraes, “Para viver um grande amor”

Amigos reais e amizades virtuais: uma mistura que pode dar muito certo!

Amigos reais e amizades virtuais: uma mistura que pode dar muito certo!

Imagem: dramalens/shutterstock

Todas as pessoas que você tem adicionadas nas Redes Sociais são suas amigas no mundo aqui fora, o chamado “mundo real”?! É claro que não, né? E quer saber…isso é ótimo!

A explicação é até bastante simples: aquelas pessoas que formam o seu time de amigos do peito constituem a sua rede de relacionamentos formada por elos mais fortes.

São, normalmente, pessoas mais parecidas com você, com interesses em comum, valores mais próximos e, muitas vezes com padrões de instrução bem semelhantes que vestem a tal camisa de amigo íntimo.

É claro que isso não é uma regra. Assim como tudo na vida, há amizades intensas e belíssimas que nascem de encontros absolutamente improváveis. Mas, exatamente por serem encontros extraordinários, estes não são os mais comuns.

A internet é uma poderosa ferramenta de aproximação entre indivíduos que, sem essa ajudinha, jamais chegariam a se conhecer.

E é bem verdade que se você deu um passo além com alguns de seus contatos, evoluindo para conversas privadas, por exemplo, é porque aquelas pessoas, em especial, aparentemente possuem algo em sua forma de se mostrar, expressar e comunicar que o atraíram de alguma forma.

Quando um contato virtual evolui para além dos posts, curtidas e cutucadas, há uma boa chance dessa relação de elo frágil vir a ser uma amizade cheia de possibilidades e, em alguns casos – por que não? -, virar um relacionamento afetivo e até amoroso.

Estar online, segundo pesquisadores da universidade de Toronto*, oferece aos indivíduos 33,4% mais chances de ampliar o círculo de amigos. Isso é claro, se o tal indivíduo não permanecer 24 horas por dia abduzido para dentro da tela de um smartphone, certo?

Quando as amizades virtuais surgem por meio de um bem-vindo efeito colateral das relações reais, elas acabam por agregar valor aos níveis de socialização.

Um bom exemplo disso são as solicitações de amizade que vêm por meio de “amigos dos amigos”; neste caso há uma oportunidade bem grande de ocorrer uma migração da tela para um encontro ao vivo.

E tudo bem se as amizades virtuais não fizerem um upgrade de elo frágil para elo forte, porque a vida também é feita de encontros menos intensos e mais leves. É importante ter a mente aberta para ampliar horizontes.

Conhecer pessoas diferentes de você é uma forma bastante saudável de mudar o foco e abrir o olhar para novos interesses e jeitos de interpretar a vida. É na interação que a gente se transforma. E transformar-se é uma das coisas mais saborosas que podemos fazer por nós mesmos, ainda que seja, em primeira instância, de forma virtual.

*Asur, S. , Huberman, B. A. (2010). Predicting the future with social media. In Proceedings of the IEEE/WIC/ACM International conference on web intelligence and intelligent agent technology (Vol. 1; PP. 492 – 499). Toronto, Ontario, Canada; ACM.

Nossos filhos não são depósitos dos nossos sonhos

Nossos filhos não são depósitos dos nossos sonhos

Imagem: Dusan Petkovic/shutterstock

Muitas vezes, esperamos que os filhos se tornem alguém que nós queríamos ser; desejamos que eles cursem a faculdade que nós queríamos ter feito, ou seja, transferimos aos filhos a responsabilidade de viver o que nós não vivemos quando tivemos nossa chance.

Os filhos são nosso legado, a perpetuação de quem fomos; através deles teremos a continuidade de nossa existência e de nosso amor, que nutrirão em suas mais doces lembranças. São nossos bens mais preciosos, a razão de nosso viver, o combustível que nos fortalece na luta diária, amor incondicional e verdadeiro.

Natural, portanto, querermos sempre o melhor para eles e termos orgulho do que são, de suas conquistas, da pessoa em que aos poucos vão se transformando.

No entanto, tendemos, muitas vezes, a nos concentrar demais nas suas vidas e, com isso, paramos de prestar atenção em nós mesmos, no que somos além deles. Assim, acabamos por projetar nos filhos tudo aquilo que é nosso: nossos sonhos, nossos projetos, nossas verdades.

Criamos expectativas em relação a eles que, na verdade, são expectativas nossas em relação a nós mesmos. Esperamos que os filhos se tornem alguém que nós queríamos ser; desejamos que eles cursem a faculdade que nós queríamos ter feito; ou seja, não raro transferimos aos filhos a responsabilidade de viver o que nós não vivemos.

É difícil e doloroso olharmos para trás e encarar o que não tivemos coragem de fazer, o que não tínhamos como pagar, o que não nos foi permitido por nossos pais, o que não se disse, não se viveu, não se realizou. Como não queremos que nossos filhos sofram, como nós, o gosto amargo dos arrependimentos que teimam em nos perseguir, acabamos, sem perceber ou querer, extrapolando os limites de uma orientação sadia, impondo-lhes escolhas que cabem somente a eles.

Para muitos de nós, pais, é quase impossível conformar-se resignadamente com o fato de que a vida é deles, os sonhos são deles, os erros – incontestavelmente imprescindíveis – serão deles também.

Nossos filhos são pessoas que pensam, agem e vivem de forma autônoma, possuem os próprios sentimentos, os próprios sonhos e desejos. Carregam as verdades que construíram de acordo com o que sentem, com a forma como lidam com o mundo à sua volta, e não necessariamente – raramente, na verdade – seguirão caminhos iguais aos nossos ou aos que queremos.

Lançar-se-ão ao mundo, desfrutarão as alegrias, enfrentarão os dissabores, entregar-se-ão às paixões, munidos de toda bagagem emocional acumulada à maneira deles e, por mais que não se perceba ou não pareça, sempre haverá muito do pai e da mãe ali em meio ao que os filhos carregam vida afora.

É natural nos preocuparmos com as suas escolhas, pois muitas vezes enxergamos as consequências futuras com negatividade e queremos, a todo custo, evitar-lhes frustrações. Não é fácil, por exemplo, assistir calmamente aos filhos optando por profissões pouco rentáveis, apaixonando-se por quem não nos agrada, vestindo-se de uma maneira que nos choca, ouvindo músicas que ferem nossos ouvidos.

Nesses momentos, cabe aos pais perceberem se eles estão confortáveis e felizes com aquilo, se não estão prejudicando outrem, porque nada deve importar mais do que o bem estar e a felicidade deles. Caso não estejam escolhendo caminhos ilegais, antiéticos ou autodestrutivos, é preciso deixá-los conviver com as escolhas que fizeram e com os resultados delas, por mais que isso doa.

Quanto mais vivermos a vida de nossos filhos como se fosse a nossa própria vida, menos estaremos preparados para vê-los crescer e conquistar independência, seja a financeira, seja a emocional. É natural e sadio orgulhar-se das conquistas e de quem os filhos se tornaram, porém, pais que dependem tão somente disso para a satisfação pessoal estarão irremediavelmente fadados a sucessivas quebras de expectativas.

Pautar a própria vida pelas medalhas, diplomas, desempenho escolar e troféus dos filhos é despedir-se aos poucos de si mesmo, é fugir ao autoconhecimento, que deve ser diário e que depende de olhar para si mesmo como alguém que pensa, age e possui vontades e anseios só seus, intransferíveis. Depositar nossos sonhos na vida de nossos filhos, para exibi-los como prêmios, é sobretudo injusto, pois lhes retira o direito de serem o que são, de respirarem o próprio viver.

Na verdade, não existem regras, manuais ou instruções que nos indiquem seguramente como criar os filhos, principalmente porque cada pessoa sente e reage de uma forma diferente ao que encontra pela frente. Não fosse assim, irmãos criados pelos mesmos pais seguiriam o mesmo caminho, fariam as mesmas escolhas, o que inclusive não ocorre nem com irmãos gêmeos.

Saber ponderar e diferenciar a orientação da imposição, o interesse da intrusão, o conselho da ordem expressa ao lidar com nossos rebentos é tarefa árdua, mas imprescindível para que consigamos vê-los se tornarem o que querem, buscando a felicidade e lutando com segurança em meio aos reveses da vida.

Tudo o que fizemos pelos nossos filhos estará sempre ali com eles, guardado para ser usado na hora certa, com a sabedoria que lhes permitimos desenvolver com nossos exemplos de vida. Inegavelmente, sempre teremos orgulho do que eles são, porque então nos veremos nos seus olhos e teremos a certeza de que jamais morreremos em suas memórias.

O problema da expectativa é que ela nasce na gente, mas morre no outro

O problema da expectativa é que ela nasce na gente, mas morre no outro

Imagem: View Apart/shutterstock

Ninguém lida bem com o fim do amor. Mesmo que você seja o supra-sumo do autocontrole, você acaba sofrendo. Seja por criar expectativas demais em relação à outra pessoa ou por matar um sonho dentro do peito.

A dor nos faz prometer que nunca mais iremos amar e que seguiremos à risca, o que a nova geração nos ensina: “aconteça o que acontecer, não se apegue!” Mas, como nem tudo acontece como planejamos, a vida sempre traz surpresas e, no amor, não seria diferente.

Todos nós já sofremos desilusões, aprendemos com elas e seguimos em frente. Somos a soma dos nossos aprendizados. O problema é que, enquanto alguns endurecem para o amor, outros morrem em nome dele. Há pessoas que não sabem viver um amor tranquilo. Acreditam que o amor precisa ser vivido em potência máxima e com a intensidade de um furacão.Criam expectativas no primeiro encontro e se recebem um convite para um jantar já é motivo suficiente para planejar a festa do casamento.

Criar expectativa é cruel. Tanto para quem sente, quanto para quem a recebe. Vamos a um exemplo clássico: não são raras as vezes em que encontramos pessoas bacanas, mas que deixam claro que não querem um relacionamento sério (o que, aliás é um direito delas). Mas, os passionais de plantão sempre acham que o outro irá mudar de opinião, da noite para o dia e, quando percebem que isso não irá acontecer, se frustram e começam a denegrir a imagem do outro, dizendo que ele não presta. Alto lá!

A pessoa é um excelente profissional, bom filho, paga seus impostos em dia, é gentil com todo mundo e não presta porque não quis um relacionamento sério? Pera aí! Ele deixou isso claro no começo. Quem gerou falsas expectativas foi você.

É preciso ser mais realista e viver o presente, para não corrermos o risco de desacreditar no amor porque nossas expectativas não foram correspondidas. Primeiro porque somos responsáveis por nossos atos e não pelos dos outros. Entenda que as pessoas agem conforme suas próprias vontades e não conforme queremos. Segundo porque amor é um sentimento muito sério para ser sentido no primeiro encontro. Amor é sentimento sagrado e precisa de tempo para ser consolidado.

Esqueça essa história de que “só o amor basta”. Não basta não! Amor “água com açúcar” foi feito para o cinema. Na vida real amor inclui divergências, cumplicidade, rotina, admiração e respeito. Amor real passa pelo tédio, sofre influência familiar e tem rotina sim! Nenhum relacionamento está imune a discussões e isso faz parte da união.

A mãe dele irá implicar com você em algum momento, os amigos irão dizer que você é ciumenta, o pai dela irá te odiar e o irmão dela irá te ameaçar de morte até vocês ficarem amigos e assistirem futebol juntos. Normal! Com o tempo, tudo isso acaba e as duas famílias viram uma (ou não, mas tudo bem). O importante é não deixar o amor morrer pela idealização de algo que não existe.

Expectativas intoxicam a alma de angústia e ansiedade e nos fazem prisioneiros dos próprios sonhos. Liberte-se e entenda que a vida não costuma seguir regras para cumprir o destino e, quer saber, ainda bem! O amor costuma caminhar no sentido oposto das expectativas para provar a você que nem tudo está sob seu controle.

Não crie expectativas, crie força. É melhor estar
seguro de si, do que ferido de frustrações.

Pesquisas apontam: quem passa menos tempo no Facebook é mais feliz

Pesquisas apontam: quem passa menos tempo no Facebook é mais feliz

Imagem: oneinchpunch/shutterstock

O Facebook me intoxica. Me intoxica com reclamações de pessoas que não conheço. Com fotos de comidas que às vezes parecem vômito. Com vídeos de animais sendo maltratados. Com frases que nunca foram escritas por Clarice Lispector, Fernando Pessoa, Caio Fernando Abreu ou Mario Quintana.

Me intoxica com seu patrulhamento – sempre tem um pentelho para dizer que você não deve pensar, postar ou escrever algo – e com a avalanche de informações misturadas que se encontram ali: bons artigos, boas músicas, resenhas, vídeos interessantes.

Se eu fosse clicar em todos os artigos que me chamam a atenção, ou fosse escutar num só dia todas as boas músicas que os bons amigos indicam, não faria outra coisa da vida.

Portanto, não são apenas os sem-noção que colaboram para a minha intoxicação. Os com-noção (e excelentes postagens) colaboram, e muito, porque sempre fico com a sensação de que perdi alguma coisa quando não clico ou não leio algo que supostamente acharia interessante.

Além disso, as mensagens inbox. Às vezes simplesmente não estamos com saco (nem tempo) para começar uma conversa por ali e o truque de não visualizar para o outro não ser notificado não surte o menor efeito, pois ele percebe que você está online (uma vez que posta ou curte postagens alheias) e subentende que você não leu sua mensagem porque não quis. E entre o seu direito de não querer responder e o sentimento de rejeição do outro nasce a sua culpa e o julgamento do outro de que você é arrogante, metido, insensível ou sei lá o quê.

As notificações em avalanche, os convites para aplicativos malas, a inserção forçada em grupos que nada tem a ver com a gente, as páginas que nunca curtimos, mas que nos são entubadas, as brigas políticas e a perseguição dos “politicamente-corretos” – tudo isso me intoxica.

No entanto, o que mais me intoxica é a sensação de que a minha vida, em alguns momentos, está menos interessante do que a vida do meu vizinho que está sempre viajando para lugares paradisíacos e, claro, postando muitas fotos; frequentando festas badaladas, bares, shows e restaurantes incríveis, comendo comidinhas refinadas e de chefes famosinhos em plena segunda-feira, indo a exposições interessantíssimas em plena quarta-feira, enquanto eu, pobre de mim, estou derretendo no calor do Rio de Janeiro e tentando escrever um novo livro.

Desde que li uma matéria que dizia que pessoas que passam menos tempo no Facebook são mais felizes passei a diminuir minha frequência na bolha azul.

” O Facebook ativaria um poderoso processo de comparação social. “Os indivíduos tendem a postar informação, fotos e anúncios que fazem com que suas vidas pareçam sensacionais. Exposição frequente a esse tipo de informação pode levar o outro a sentir que sua vida é, em comparação, pior”. Saiba mais

O resultado do meu afastamento virtual foi surpreendente. Não me comparar com ninguém (quem nunca?) me trouxe uma sensação de que a minha vida vai bem, obrigada, sem tamanho. Quando viajo, então, passo semanas sem entrar. E é tão bom desfrutar do que temos (o presente) e não do que não temos (a vida dos outros).

Quando nos concentramos em nós, nas nossas vontades, necessidades, vivências e aprendizado – e não no que devemos ser para o outro; no que queremos que outro pense de nós – há uma diminuição de ansiedade quase palpável (e tempo de sobra para aplicar em coisas que realmente nos são caras).

As famosas selfies não me incomodam. Algumas até me divertem. Gosto de ver meus amigos se sentindo bonitos em tempos onde quase todo mundo odeia a própria imagem – sim, porque para postar uma selfie a pessoa tem que estar se achando linda na foto.

Aliás, nunca consegui concordar completamente com os analistas de plantão que garantem que o excesso de fotografias em redes sociais é sinônimo de narcisismo crônico e/ou produto de uma sociedade narcísica. Ok, existe esse componente, isso é inegável, mas fecho com Ítalo Calvino, em seu conto A aventura de um fotógrafo, no livro Amores Difíceis (Editora Companhia de Bolso):

“ Somente quando põem os olhos nas fotos parecem tomar posse tangível do dia passado, somente então aquele riacho alpino, aquele jeito do menino com o baldinho, aquele reflexo do sol nas pernas da mulher adquirem a irrevogabilidade daquilo que já ocorreu e não pode mais ser posto em dúvida. O resto pode se afogar na sombra incerta da dúvida”.

Ou como aponta em outro trecho:

“ É só você começar a dizer a respeito de alguma coisa: ‘Ah, que bonito, tinha era que tirar uma foto!’, que já está no terreno de quem pensa que tudo o que não é fotografado é perdido, que é como se não tivesse existido, e que então para viver de verdade é preciso fotografar o mais que se possa, e para fotografar o mais que se possa é preciso: ou viver de um modo o mais fotográfico possível, ou então considerar fotografáveis todos os momentos da própria vida. O primeiro caminho leva à estupidez, o segundo, a loucura”.

Penso que a mania de fotografar tudo-o-tempo-todo, inclusive a si mesmo – além do advento dos telefones com máquinas digitais – tem mais a ver com uma necessidade de se esquivar do sentimento de transitoriedade (e do que é efêmero) do que qualquer outra coisa.

Voltando ao assunto inicial: por que não abandono a bolha azul se ela me intoxica tanto? Porque tem o humor de páginas como Artes Depressão, boas dicas dos amigos,  a sensação de que estou próxima de pessoas que não vejo há anos por morarmos em cidades diferentes, pela ótima ferramenta que é para divulgação do meu trabalho e, também, por ser uma boa distração em noites de insônia não produtiva.

O segredo, aprendi, é dosar – assim como se bebe água junto à ingestão de bebida alcóolica para não passar mal depois, se deve passar menos tempo no Facebook para não enjoar dos outros e de si mesmo.

Não precisa vir em um cavalo branco, só não seja um cavalo

Não precisa vir em um cavalo branco, só não seja um cavalo

A maturidade de saber que a vida não é fácil nem nunca será, por mais que lutemos e nos comportemos eticamente, acabará por nos proteger de criarmos ilusões fantasiosas sobre um mundo de faz-de-conta, bem como de aceitarmos qualquer um em nossas vidas.

Contos de fadas são passados e repassados às crianças, pontuados por finais felizes e harmoniosos para sempre, fazendo com que o imaginário de todos se recheiem com a possibilidade de viver uma vida cor de rosa, como aquelas das princesas da Disney. Esperar pelo príncipe encantado, no entanto, é permanecer na infância, tal qual uma garotinha insegura que espera um super herói que a proteja do mundo, da vida em si.

Não existe felicidade eterna, simplesmente porque ser feliz é um objetivo, não uma constante. A felicidade é o caminho que percorremos enquanto tentamos realizar nossas metas, enquanto ultrapassamos obstáculos, vencemos dores, sobrevivemos às perdas mais duras. Ninguém é feliz o tempo todo, uma vez que, caso alcançássemos a satisfação plena e última de nossa vida, o amanhã nem teria mais sentido.

O mais saudável é sorver os momentos felizes que encontramos em nossa jornada, esparsos, mas intensos; breves, porém mágicos. Com todos é assim, ou seja, esperar que o outro nos traga o que supostamente nos falta só nos servirá como prolongamento de decepções. O outro também vem com felicidade a ser procurada, com sonhos e ideais ainda distantes, portanto, não será capaz de ser um escudo, uma muralha que nos livre de passar pelo que é só nosso.

Tendo consciência de que ainda haverá muito a ser vivido e conquistado, seguiremos mais conformados com a incompletude que nos serve como motivação a jamais parar no mesmo lugar, a prosseguir, trôpegos que seja, mas seguindo em frente. Assim, ninguém esperará por um príncipe encantado que venha suprir as carências de ninguém, pois seremos fortes o bastante para entender que somos nós os atores principais do roteiro de nossas vidas.

A maturidade de saber que a vida não é fácil nem nunca será, por mais que lutemos e nos comportemos eticamente, acabará por nos proteger de criarmos ilusões fantasiosas sobre um mundo de faz-de-conta, onde a felicidade é plena e as pessoas são cordiais e transparentes. Da mesma forma, esse equilíbrio não nos permitirá aceitar em nossas vidas pessoas que trazem somente dor e sofrimento, subtração, agressão e covardia.

Porque, então, estaremos prontos tanto para receber o que fizemos por merecer, quanto para fechar as portas de nossa essência a tudo aquilo que entristece e a todos que tentarem nos diminuir e tentarem fazer com que nos sintamos menos gente, menos pessoa, menos amor. E sorrir com a alma é o que nos manterá confiantes e seguros, rumo ao que faz o nosso coração vibrar.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena da animação “Enrolados”

Quando uma tempestade emocional começa a se formar… o melhor que se pode fazer é desaguar!

Quando uma tempestade emocional começa a se formar… o melhor que se pode fazer é desaguar!

Imagem: Eugenio Marongiu/shutterstock

Somos ensinados desde muito cedo a conter o que sentimos. A despeito das inúmeras movimentações em favor da liberdade de gênero, da humanização baseada na equidade e do empoderamento, há ainda meninas que são educadas para servir, agradar e obedecer; e há meninos que são educados para engolir o choro, ser o macho alfa e nunca fraquejar.

É preciso que a gente não se distancie do fato essencial de que, homem ou mulher, somos seres em infindáveis processos de construção e desconstrução; a vida está sempre a nos desafiar com perguntas inéditas, becos escuros, alegrias de tirar o fôlego, perdas inesperadas…

Poxa vida! Desde o nosso primeiro respiro, até o nosso último suspiro, nossos percursos terão sido tão diversos a cada dia – a cada minuto, até -, que seria um enorme desperdício se tentássemos nos resumir a uma única definição.

Há dias em que acordo mansa com uma disposição ilimitada de abraçar as dores alheias, pronta para ser resguardo de tantos quantos precisarem de mim. Mas há dias, em que acordo com a força de um furacão, não tenho parada, quero a falta de freio dos dias apaixonados, quero sair por aí. Nesses dias, não posso ser colo que acolhe, mas posso ser a mão forte que iça do buraco e tira da pequenez da dor aquele que se encolhe.

Assim sou e assim é você; a mãe que é só amor; o rapaz abandonado que é só saudade; a moça que acabou de descobrir em si uma beleza que lhe era negada; o idoso que se revela numa dança ou num encontro de amor; o bebê que depende cem por cento de cuidados; até aquele cão que foi abandonado porque não foi capaz de permanecer filhote. Somos tão mutantes quanto as lagartas que se transmutam em lindas borboletas ou apagadas mariposas.

Quem é que pode saber o que exatamente lhe reserva o dia, a semana, o mês, a vida? É de pedacinho em pedacinho de histórias escritas, rabiscadas e desenhadas que vamos nos descobrindo a cada pouco, a que viemos, o que nos move e o que nos rouba a vontade de prosseguir.

E se for dia de chuva mansa e miudinha, aproveitemos o solo fecundo para semear. E depois, aguardemos que o fogo do sol dos desafios que nos sacodem, faça florir o que um dia foi semente. E se uma tempestade emocional começar a se formar… o melhor que se pode fazer é desaguar. Deixar escorrer para fora e por todos os lados aquilo que já não se pode conter. Às vezes é preciso estar vazio para ser capaz de receber.

Depois de uma tempestade o ar fica menos denso, o céu se abre, até os escombros encerram em si alguma beleza. É nessa hora que acontece aquele intervalo mágico de trégua. Depois da tempestade a gente sabe que o pior já passou e que agora é erguer a cabeça, não de orgulho, mas de esperança, e abrir o peito para outras águas que certamente hão de nos visitar.

Checklist só para mulheres

Checklist só para mulheres

Não tenha medo de baratas. Elas são rápidas demais. Tenha medo do que fica e se instala. Escolha um medo inteligente e desafie-o até vencê-lo.

Faça listas de tarefas todos os dias. Se sobrar alguma tarefa do dia anterior, que seja essa a primeira da lista do dia seguinte. Há um poder de persuasão em listas que você não imagina.

Se ficar presa no elevador, use a imaginação ou use o celular.
Use qualquer subterfúgio que te faça esquecer que você está enclausurada numa caixa de aço. Aguarde o resgate. Quando a porta abrir, não tenha pressa de sair.

Use essa mesma fórmula para todas as situações conflitantes: permita-se abstrair-se do problema. Saia devagar. Sem pressa.Sem estardalhaços. A pressa pode provocar algo pior do que o conflito.

Não use batom vermelho sem ter certeza de que os seus dentes permanecerão brancos. Eles costumam se vingar de nós. Coma alface, mas deixe o verde clorofila para o estômago. Se destacar os olhos com maquiagem, esqueça a boca. Um briga com o outro.

Se houver uma única calça no seu armário que seja de índigo blue. Está se sentindo velha, antiga, baranga, brega, carta fora do baralho? Vista um índigo, sente-se no sofá, e vá destruindo toda a extensão da coxa com buracos estratégicos.

Uma calça destruída, uma havaiana, e um Rayban, transformam toda a sua percepção. Não se esqueça da bolsa. Grande, enorme! Linda,como você.

Use lingerie na rua, mas durma sem ela. A sua ginecologista agradecerá. Seja boazinha: trate bem o seu cachorro. O seu gato. As suas plantas. E todos os seres inferiores. A maneira como você os trata,fala muito sobre quem você é.

Leia todas as bobagens que aparecer, mas saiba identificar um texto primoroso e nunca mais o dispense. Quando quiser que te amem, conte as lutas. Quando quiser que te odeiem, conte os sucessos. Quando quiser que te esqueçam, não conte nada.

No trabalho, sorria para todos, ou quase todos, mas deixe as gargalhadas fora do ambiente corporativo. Tem gente no trabalho que conta piadas, só para você gargalhar, e não ser promovida: “ela é ótima, mas aquela gargalhada…”

Nunca escolha a sogra para reclamar do seu marido. Nunca escolha o seu marido para reclamar da sogra. Melhor escolher a sua mãe para reclamar dos dois. Não permita que mais ninguém, além de você, fale mal do seu marido ou da sua sogra.

Jamais fale mal do seu marido para os seus filhos. Você pode trocar de marido, mas os seus filhos só têm um pai. Esse que você lhes deu.

Defenda os seus filhos da maledicência do mundo. E do primo “dedo duro.” E da tia fofoqueira. E do padre. E do pastor. E dos irmãos da igreja. Não embarque nessa desventura: sessão descarrego do seu filho adolescente. Ouça, sem acusar.

Se você acusar os seus filhos, ou sequer der munição aos seus acusadores, quem irá defende-los? Depois procure conhecer a verdade dos fatos, para só então corrigi-los, na justa medida.

Você não pode dizer que se conhece, antes de ler o seu horóscopo maldito. Ele lhe dará o retrato da parte escura que você esconde tão bem, mas tão bem, que até ignora. Para que você saiba como Deus tem feito um bom trabalho na bruxa que habita o seu porão.

Reduza a bagagem a cada ano. Simplifique. Celebre a alegria de arrastar uma bagagem leve. Que a viagem pode ser pesada.

Experimente um corte curto e ousado pelo menos uma vez na vida. Cabelos crescem. A ousadia fica.

Visite o dentista se você prefere o branco. Os dentes amarelam todo ano. Visite o psicólogo se você só usa preto ou branco. Você não é piano para dispensar as cores do arco-íris.

Se sentir a auto-estima nas alturas, tome cuidado com a supervalorização e seus equívocos. A soberba precede a queda. Li na Bíblia e experimentei na vida real. Não recomendo.

Não vá a restaurantes caros apenas para fotografar aquela mixaria de comida e postar nas redes sociais. Vá apenas se a comida for farta e boa. Nesse caso, não fotografe. É coisa de novo rico, ou de pobre querendo parecer rico.

Você não precisa de profundidade em assuntos técnicos. Deixe isso para o técnico. Mas precisa entender um pouco do que está acontecendo no mundo, já que você vive nele.

Não esqueça de ligar o farol do carro quando for para a estrada.
Proteja-se contra a indústria das multas. Não esqueça de desligar as luzes da casa quando sair do ambiente. A conta diminui, e o planeta agradece.

Não perca o controle sobre os seus pensamentos. Escolha o que deseja pensar. Como a Bíblia ensina: “traga à memória o que te pode dar esperança.”

Os botões das tristezas recorrentes e acostumadas devem estar desligados e assim permanecer. Tristezas são como alguns hóspedes indesejáveis: se der moleza, elas se instalam. Se deitam em nossa cama. Se apoderam da nossa vida. Roubam a nossa inteligência.
Maltratam o nosso coração. Nos matam de morte anunciada.

Por hoje é só, amanhã tem mais.

Assuma o que você diz, mas não se sinta responsável pelo que o outro entende

Assuma o que você diz, mas não se sinta responsável pelo que o outro entende

Imagem: pio3/shutterstock

Existem indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todos agissem pensando neles, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles.

Sempre que expressarmos nossa opinião sobre algo, haverá quem se sentirá ofendido, quem discordará agressivamente, quem permanecerá em silêncio, quem distorcerá cada palavra, assim como quem concordará. Cada pessoa tomará o que dissermos à sua maneira, de acordo com o que possui dentro de si, e usará nossos dizeres tanto com boas quanto com más intenções. Isso serve para nos levar a tomar cuidado com o que e para quem dizemos o que sentimos.

Jamais poderemos conhecer com profundidade todos que estarão à nossa volta e, mesmo aqueles que pensamos conhecer de fato, em algum momento poderão fazer mau uso de nossas palavras, usando-as contra nós, para que possam continuar mentindo em meio ao jogo de interesses egocêntricos que pautam as suas vidas. Geralmente, quem se sente ameaçado por nós, sabe-se lá por conta de que loucura que se passa pela sua mente doentia, tentará nos difamar e sujar a nossa imagem. É só isso que querem: ver os outros se ferrando.

Da mesma forma, existirão indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todo mundo agisse pensando neles, no que eles sentirão, pensarão, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles. Sentem-se perseguidos pelo universo, enxergando conspirações em qualquer roda de conversa, lamentando supostas tramoias que usam para atingi-los. A estes, portanto, tudo o que dissermos soará a perseguição.

Infelizmente, muitos de nós nos sentimos mal ao saber que magoamos os sentimentos de alguém sem ter essa intenção. Por mais que saibamos que não era aquele o nosso propósito, mesmo que tenhamos a certeza de que não dissemos nada de mais, ficaremos chateados por ferir o outro. Cabe-nos, nesses casos, conversarmos com a pessoa, para que o entendimento entre as partes supere rusgas inúteis, principalmente quando existe carinho nessa relação.

Como se vê, conviver é um exercício diário, uma vez que lidaremos com pessoas que vieram de lugares diversos, cujos sentimentos passaram por experiências únicas, tornando-as, na maioria das vezes, inesperadas em suas ações e reações. Vale mantermos nossas verdades firmes e seguras, para que não nos tornemos vulneráveis às afetações e à maldade de gente que mal sabe o tanto de história que carregamos aqui dentro.

No mais, quem nos ama pelo que somos jamais acreditará em qualquer um que tente nos denegrir, ficando junto, oferecendo o seu melhor. E essa gente com quem podemos contar é que valem – e assim sempre será – cada suor e cada lágrima de nossos dias.

Despertar

Despertar

Imagem: Nick Starichenko/shutterstock

Em tempos de crises econômicas, de desastres naturais e de criminalidade exacerbada, entre tantas outras tristezas pelo mundo afora, muitas vezes desatentarmos para o milagre que é viver, para quantas coisas maravilhosas temos a oportunidade de sentir e realizar, bem como que, apesar e acima de tudo, precisamos andar para frente, evoluir. É preciso despertar.

É urgente que despertemos, todos
Despertemos para a vida, de verdade, não de leve, de faz de conta…
Que paremos de nos entorpecer com problemas que na maioria das vezes só existem nas nossas cabeças
Que cessemos a focalização na parte negativa das coisas, dos fatos, das pessoas
Que deixemos o que não nos faz bem de lado
Que assopremos para longe qualquer sentimento que nos leve para baixo.

Precisamos sair do círculo vicioso que sempre leva a crer que não vale a pena mudar, que demanda muita energia ser alegre e estar em paz.
Temos é que parar e olhar quão bela, de fato, a vida é
Quantas maravilhosas possibilidades ela nos apresenta diariamente
Como a natureza é perfeita
O quanto são maravilhosas as coisas julgadas “normais”, como ter saúde, ter alimento, ter família, ter trabalho, ter amor.

E não é “ser feliz por nada”
Bem pelo contrário: é “ser feliz por TUDO”
Tudo o que somos, o que vemos, o que vivemos e o que podemos
Basta que liguemos o botão da percepção que anda meio desligado nos últimos temos…

Urgentemente também necessitamos buscar “ser”
Deixar o “ter” um pouco de lado, ele quase nada nos acrescenta
O consumismo desenfreado nos faz perder um pouco a noção das coisas
Nos faz ansiosos, insaciáveis e frustrados cada vez mais.
Emergencialmente carecemos buscar meios de nos aperfeiçoar “por dentro”
Ser lindos, fortes e poderosos interiormente
Encontrar nosso equilíbrio

Viver a verdade de que não estamos aqui por nada, mas para evoluir
E, para tanto, precisamos adotar uma postura ativa
Efetivamente ir atrás de tal aprimoramento.
E um bom começo é realmente sentir como é sensacional estar vivo.
Ter a chance de estar aqui, vendo tanta coisa, sentindo tudo isso
Inquestionavelmente, possuímos, todos, a oportunidade de experimentar, cair, levantar, usufruir e se deleitar com tantas coisas…
Só precisamos nos dar conta. E com urgência.

Juno Moneta – a deusa do dinheiro

Juno Moneta – a deusa do dinheiro

Juno era a deusa romana do casamento, a esposa de Júpiter e rainha dos deuses. Corresponde à deusa Hera na Mitologia Grega. Era a protetora do Estado e tinha diversos epítetos e funções.

Juno, como padroeira do casamento, era invocada nos casamentos para garantir a felicidade duradoura, além de ser protetora das funções e atributos femininos.

Um desses epítetos era Juno Moneta (a Avisadora), que a tornava protetora dos recursos do Tesouro e deusa da moeda e da prosperidade. Moneta era venerada no cimo norte do Capitólio, em Roma. E em seu templo era cunhado a moeda do Estado. Moeda, em sua etimologia, vem do grego moneres, que significa “única”.

Contava-se que, durante a guerra contra Pirro, temendo que o dinheiro lhes viesse a faltar, os Romanos pediram conselho a Juno. A deusa respondeu-lhes que jamais teriam falta de dinheiro se orientassem as suas guerras com justiça. Como agradecimento por esse conselho, decidiu-se que a cunhagem da moeda se faria sob os auspícios da deusa. Seu rosto hoje aparece nas notas de reais e em moedas.

As festas entre os dias 21 a 24 de Junho (nome do mês em sua homenagem), eram consagradas a Juno, e nelas se acendiam fogueiras para espantar maus espíritos e assim obter uma colheita próspera no ano seguinte. Essas festas foram mascaradas pelo cristianismo e permanecem como as famosas festas juninas.

Juno, assim como Hera, era a Grande Mãe celeste, capaz de criar tempestades e assim trazer chuvas para a terra, propiciando o plantio e a colheita. Com isso, observa-se que os romanos entendiam que o dinheiro era um princípio feminino em sua origem. Uma energia de troca, que gera prosperidade.

Além disso, aliar a deusa do casamento ao dinheiro, simboliza que uma união feliz e harmoniosa é fonte de prosperidade.

Com o advento do Patriarcado, o dinheiro passou a ter uma função masculina, remetendo a poder e não mais a uma troca onde ambas as partes se beneficiam. Deixando de ser um doar e receber, passou a ser fonte de exploração e disputas.

Contudo, é importante ressaltar que Juno presidia a castidade feminina para o casamento. Com isso ela não se harmonizava com a deusa do amor e sexualidade feminina, a exuberante Vênus. A sociedade romana (assim como a grega) estava em um estágio pré-patriarcal e os indícios do patriarcado já se faziam notar em sua Mitologia.

Isso fica claro na separação entre matrimônio, sexualidade e prazer femininos. Denotando que a sexualidade feminina era ameaçadora para o Estado e um patriarcado em início de vigência. Juno, assim como Hera, era uma divindade pré – helência, uma Grande Mãe que foi rebaixada ao papel de esposa ciumenta, vingativa e separada de seu próprio prazer. Seus ataques de ira ciumenta culminavam em tempestades.

Divindades mais antigas associadas a tempestade, como a yorubá Iansã, tinham uma sexualidade exuberante e não se submetiam a homem nenhum. Eram donas de seus destinos e escolhiam com quem iam se relacionar.
As tempestades eram causadas pela sua personalidade arrebatadora e passional e não por crises de ciúmes.

Com o advento do patriarcado o casamento passou a ser moeda de troca e as associações e relações sexuais não visavam mais o prazer, mas títulos, status e acumulação de bens. A sexualidade feminina com o subsequente prazer precisou ser refreada, pois é através do prazer feminino, do Eros, que a relação amorosa se estabelece.

Além disso, em sociedades matriarcais, a legitimidade dos filhos vinha através da mãe. Ao passar para o nome do pai, o controle para assegurar a paternidade começou a afetar diretamente o poder do homem e a capacidade de passar seus bens materiais para seus herdeiros legítimos. Por essa razão foi necessário refrear os desejos femininos.

Juno, assim como a grega Hera, foi rebaixada e ferida. Destituída da sexualidade, do prazer na relação, ela foi condenada a um casamento abusivo com Júpiter que a traía constantemente e ela permanecia fiel ao seu lado. Todas essas informações apresentadas afetam diretamente a forma como lidamos com o dinheiro.

Com esse texto quero propor uma reflexão: De que forma você enxerga o dinheiro? Como um fim ou como uma consequência de um trabalho de alma?

Não importa se você é homem ou mulher, como anda a sua relação com o feminino? O dinheiro para você é uma forma de obter poder sobre os outros, ou é uma forma de troca e de obter prosperidade tanto material quanto espiritual?

Um meio para que você possa realizar coisas que vão aumentar seus valores espirituais e como indivíduo, ou apenas para acúmulo de bens que muitas vezes não são usados?

Como você lida com a sua sexualidade? É reprimida? É uma forma de aprofundar a relação e obter prazer para ambos? Ou é uma forma de controle e auto afirmação? Como você lida com o prazer? Você tem prazer na vida ou apenas vive para ganhar dinheiro e ser produtivo?

A forma como você enxerga o dinheiro e a sexualidade pauta a sua crença sobre abundância e prosperidade. Mais do que nunca precisamos rever esses conceitos, para que a verdadeira prosperidade nos alcance. Para que entendamos que não estamos isolados um do outro e que também somos parte da natureza, e que a riqueza de recursos naturais é a nossa maior dádiva.

Discutir a relação não é coisa de mulher, é coisa de casal

Discutir a relação não é coisa de mulher, é coisa de casal

O senso comum costuma atribuir às mulheres uma maior necessidade de atenção, por conta de sua tendência a serem mais sensíveis e românticas, entre outros. É como se os homens fossem naturalmente mais fortes e emocionalmente mais frios. Na verdade, isso tudo é decorrente de aspectos culturais, que atribuem esta ou aquela característica a gêneros, com base se sabe lá onde, e, assim, tais atitudes são cobradas socialmente.

Por conta desses rótulos limitantes, muitas vezes se disseminam ideias que atribuem determinadas características e comportamentos aos homens e às mulheres separadamente, delimitando o campo de ação de cada um e, consequentemente, limitando-lhes a possibilidade de viver com mais intensidade. Isso porque, se já nos dão uma lista do que é permitido, muitas coisas que queríamos provavelmente ficarão de fora desse rol estanque.

Nesse contexto, é comum haver homens fugindo à famosa D.R., não se vendo na obrigação de parar para conversar sobre o relacionamento com as parceiras, simplesmente porque “esse blá blá blá é coisa de mulher”. Na verdade, tudo o que envolve conversa demorada sobre sentimentos parece provocar repulsa nos parceiros, uma vez que, segundo se diz, homens são mais racionais, objetivos, práticos, sem tempo para nem paciência analisarem a forma como as pessoas sentem as coisas dentro de si.

Na verdade, o amor não fecha portas, mas sim as abre. O amor não carrega pendências, ele as alivia. O amor não diminui, posto que amplia horizontes, alarga os sentimentos, consola, compadece, resolve o que atrapalha, supera, amansa e acalma o que desanda. Fugir ao enfrentamento das verdades que precisam ser estabelecidas e dos incômodos que necessitam de ajustes implica desvalorizar o poder conciliador do amor sincero.

Discutir a relação com ponderação e sem elevação de ânimos sempre será saudável e importante ao amadurecimento dos sentimentos, para que a dinâmica dos relacionamentos se fortaleça e não caia na mesmice que o cotidiano teima em imprimir à vida a dois.

Não se trata de coisa de mulher e sim de uma prática que deve ser exercitada, para que possamos nos demorar em tudo aquilo que o outro possui e nos encanta, e nos chama, e nos transforma em pessoas melhores, exatamente por conta da certeza de termos encontrado o amor de nossas vidas.

Imagem: Tatevosian Yana/shutterstock

O afeto é revolucionário

O afeto é revolucionário

Imagem: Tatevosian Yana/shutterstock

O mundo nunca foi uma maravilha. Sempre houve miséria, desigualdade, egoísmo, exploração de homens e da natureza, preconceitos de diversos modos, enfim, uma série de atrocidades que apenas nos desumaniza e nos desintegra enquanto humanidade.

Lutar contra essas arbitrariedades, buscando de algum modo modificações, sempre foi algo extremamente difícil, uma vez que existe todo um sistema que corrobora para que isso ocorra e o ser que se rebela contra tudo isso é tão somente um grão que compõe o mesmo sistema.

As mudanças tornam-se ainda mais difíceis na medida em que a razão é utilizada para justificar tais atos e isso, infelizmente, é recorrente na história. Diante disso, o desânimo e a desistência na luta por modificações se tornam quase que inevitáveis.

Entretanto, desistir é apenas sucumbir à força racional que justifica tanta miséria. É preciso ir além da racionalidade e atingir a afetividade, já que o afeto, em tempos de egoísmo sombrio, é o maior ato revolucionário que podemos ter.

Antes de prosseguir, é necessário esclarecer que esta não é uma ode à irracionalidade. A razão é extremamente importante, mas ela possui limitações, as quais o afeto desconhece. Além disso, como dito, ela pode (e recorrentemente é) ser utilizada como um forte instrumento de manutenção de poder.

Basta observar que vivemos em um período extremamente racional, porém, a miséria social só faz aumentar, estamos cada vez mais tristes e sozinhos, conectados com o mundo e distantes da vida, cercados de muros de concreto e isolados pelo medo. Então, nem sempre a razão é a melhor saída e, parece-me, que nesta quadra da história tem nos faltado afeto, pois é ele que permite que a sensibilidade – tão rara, mas essencial – exista.

Ao sair do campo racional, o qual tende a nos prender em nós mesmos, tornamo-nos mais sensíveis para com o mundo. O que o outro faz e sofre torna-se alvo também dos meus pensamentos e, consequentemente, das minhas ações.

É o afeto, a sensibilidade, que permite que enxerguemos para além do que simplesmente está exposto visivelmente aos olhos. Isso ocorre porque a racionalidade está preocupada em explicar, já a sensibilidade está preocupada em entender.

Sabemos bem disso, afinal, quando não estamos nos sentindo bem, o que mais queremos é alguém disposto a apenas nos entender, e, “curiosamente”, o que mais recebemos são explicações racionais sobre o que estamos sentindo.

Essa visão instrumentalmente racional das coisas, seja no campo social, seja no campo individual, não permite que as situações sejam modificadas, justamente, por estar destituída da capacidade de sentir aquilo que os olhos da razão sempre tendem a normalizar e padronizar. No entanto, toda vez que se faz isso, desconsidera-se as particularidades presentes naquela problemática (social ou individual).

Exemplificando isso, se nós olharmos para alguém que vive em condição sub-humana, de miséria, apenas com olhos racionais instrumentais, provavelmente, nós iremos explicar aquela condição pelo sujeito estar fora do mercado de trabalho ou algo do tipo; do mesmo modo, caso alguém do nosso convívio social esteja passando por um momento difícil, sentindo-se deprimido e completamente para baixo, o mais trivial de se ocorrer é essa pessoa ser chamada de “fresca”, de “mole”, de “fraca”, por ficar choramingando por “idiotices”.

Todavia, são essas “idiotices” que, em geral, a razão não alcança, pois são nelas que se encontram os sentimentos das pessoas – os seus sonhos, seus desejos, seus sofrimentos, suas frustrações, seus problemas, suas decepções, suas alegrias, suas dificuldades, suas lutas – e estes dependem de um olhar afetuoso, sensível e poético para ser compreendido.

Ao olharmos com afeto, podemos enxergar que por trás de alguém vivendo na sarjeta da rua ou na sarjeta da mente, há um ser humano que necessita desesperadamente de alguém que tente compreendê-lo nas suas entrelinhas.

Como disse, em tempos de egoísmo sombrio e quase absoluto, de valores degradantes para o ser humano e mecanização da vida, o afeto é revolucionário, porque ele é capaz de quebrar a barreira racional que divide os seres humanos em compartimentos individuais e dar conexão a nossa existência.

Apesar das dificuldades, ele consegue sim mudar realidades – porque quando a partir de um olhar afetuoso se modifica uma vida, uma situação, o mundo já está mudando – já que é consertando o homem que a gente conserta o mundo. Albert Camus disse: “Eu me revolto, logo existimos”.

Estou convencido de que essa revolta está no afeto, porque, quando isso ocorre, mais do que singularmente, nós existimos de forma plural e humana. E essa sempre será a maior das revoluções.

Imagem de capa: Adolescente americana Jan Rose Kasmir oferece flor aos soldados americanos da Guarda Nacional durante o protesto anti-Vietnã, 1967.

Fotografia: Marc Riboud.

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