Agora, com você, tudo faz sentido

Agora, com você, tudo faz sentido

Imagem de capa: Eka Miller, Shutterstock

Tenho uma confissão a fazer e a melhor forma de começá-la é sendo honesto. Agora, com você, tudo faz sentido. Não precisei quebrar a cabeça para descobrir isso. Foram necessários apenas uns poucos goles de você para que, no mais tardar dos nossos momentos, descobrisse que deveríamos ficar juntos.

Tem gente que fica fazendo contas de quantos amores teve, de quantos noites dividiu a dois. Outros competem por carinhos demonstrados e por sacrifícios feitos para ficar com alguém. Ainda existem aqueles que, na mais cara de pau, pesam prós e contras em busca do amor ideal. E nessa matemática inexplicável esperam, dia após dia, encontrarem um tipo de amor que não é real. Relacionamentos embutidos de quem dá mais sempre acabam antes mesmo de começarem. Mas é o tempo líquido em que vivemos, onde analisamos atitudes e ignoramos pensamentos. Cadê o tempo de conhecer? Cadê a coragem de perde-se em encontros para ouvir a outra metade?

Felizmente, sorrimos na mesma fala. Aprendemos que a vontade importa mais do que qualquer outra intensidade compartilhada. É quando você segura a minha mão e os nossos dedos encontram o entrelace natural. É, ainda, quando caminhamos olhando para um presente em comum, para um futuro conversado por dois. Tenho certeza que é assim que a cumplicidade acontece. Não duvido dos nossos planos, não desacredito dos nossos carinhos.

Houve uma época, não muito distante, que talvez eu concordasse com esses amores que vêm e vão. Daqueles sem laços e compromissos. Daqueles feitos para durarem sob efeito de beijos aleatórios. A grande diferença dos opostos e de nós é bem simples. Os opostos se cansam e nós no permitimos. Agora, com você, tudo faz sentido. Acredite, estamos apenas no começo do nosso amor.

15 livros para mudar sua vida

15 livros para mudar sua vida

Imagem:  Pressmaster/shutterstock

Aposto que você já ouviu alguém dizer a frase “esse livro mudou minha vida”. O livro certo no momento certo não tem preço. Com o investimento de algumas horas e alguns reais você tem a oportunidade de adquirir conhecimentos que os autores levaram anos para descobrir.

Também imagino que você já tenha ouvido que aqui no Brasil “o ano só começa após o Carnaval”. Embora essa mentalidade venha mudando, ainda há muita gente que leva isso consigo. Não sou a pessoa mais carnavalesca do mundo — meu negócio é rock, bebê —, mas não julgo e tampouco me incomodo com os foliões. Cada um faz o que bem entender da sua vida, não é mesmo?

A única coisa que me deixa ligeiramente incomodado nessa época do ano é justamente a galerinha do contra. Pois eu tenho uma novidade pra vocês: reclamar do Carnaval no Facebook não fará com que ele acabe mais cedo ou com que as pessoas deixem de se divertir.

Então, agora que esclareci isso, que tal você que não vai para a Avenida aproveitar esses dias de forma produtiva? Fiz uma lista com 15 livros que algum dia me fizeram encher a boca para falar: “Esse livro mudou a minha vida!”. Quem sabe te ajude em algum objetivo específico. São publicações altamente recomendadas para empreendedores e profissionais criativos. Alguns são novos, outros clássicos atemporais. Alguns desafiarão sua veia empreendedora, outros seu status quo pessoal. Tem autoajuda, biografia e até romance.

Agora é com você! Boa leitura!

1 – Trabalhe 4 Horas por Semana, Tim Ferriss

Não se engane pelo título. A obra é um misto de filosofia de vida e manual do empreendedor do futuro. A premissa básica do autor é eliminar, simplificar e automatizar tudo. Não há limites. O objetivo é trabalhar de forma mais eficiente possível para liberar tempo para coisas mais relevantes. Para coisas que te empolguem. Apesar de os relatos apresentados por Tim serem de experiências vividas nos Estados Unidos, a grande maioria das dicas pode ser aplicada em qualquer realidade.

 2 – Na Natureza Selvagem, Jon Krakauer

Talvez você já tenha assistido o filme com a atuação impecável de Emile Hirsch, a trilha sonora sensacional de Eddie Vedder e a direção de nada mais nada menos que Sean Penn. Esta obra é sobre a viagem e evolução de uma alma humana. É um daqueles livros que você tem que ler no momento certo da sua vida para conseguir absorvê-lo. Tive a sorte de lê-lo no início de minha vida adulta, de modo que a história real de Christopher McCandless, o jovem recém-formado em Direito que largou tudo para viver em meio a natureza selvagem do Alaska, me ensinou, de certa forma, a ser mais desapegado das coisas materiais e a viver com menos.

 3 – Como Fazer Amigos e Influenciar Pessoas, Dale Carnegie

Lançado em 1937, o clássico de Dale Carnegie é tão útil hoje como era quando foi publicado. Isso acontece porque Carnegie tinha uma compreensão da natureza humana que nunca será ultrapassada. O sucesso financeiro, segundo o autor, é 15% de conhecimento profissional e 85% “da capacidade de expressar ideias, assumir a liderança e despertar o entusiasmo entre as pessoas“. Ele enfatiza técnicas fundamentais para lidar com as pessoas sem fazê-las se sentir manipuladas. Um livro para se ter na cabeceira.

 4 – O Poder do Hábito, Charles Duhigg

best-seller de Charles Duhigg é mais do que apenas um livro sobre por que fazemos o que fazemos. Esta obra foi responsável por me tirar da inércia e me ajudou muito em meu trabalho como produtor de conteúdo. É um manual contra a procrastinação. Você já se perguntou por que cada vez mais as pessoas bem sucedidas tem falado sobre seus hábitos? Duhigg nos ensina as origens biológicas dos hábitos e como usar a psicologia e a biologia evolutiva para desfazer os maus e substituí-los com novas rotinas que irão alimentar o seu sucesso.

 5 – Roube como um Artista: 10 Dicas sobre Criatividade, Austin Kleon

Este livro revolucionou como eu vejo o processo criativo. De acordo com a teoria de Austin Kleon, nada é realmente original. Porém, novamente, não se engane com o título. O roubo das ideias, neste caso, não significa plágio. Este pequeno livro (levei pouco mais de 1hr para lê-lo) é um manual sobre como beber em diferentes referências para lapidar suas ideias e ser mais criativo. É mais uma obra para se ter na cabeceira. Altamente recomendado para produtores de conteúdo e profissionais de marketing em geral.

 6 – Como Encontrar o Trabalho da Sua Vida, Roman Krznaric

Não é um manual para encontrar um novo emprego — mais uma vez: não se engane pelo título. Roman Krznaric certamente lhe inspirará a descobrir diferentes lados do seu próprio eu. Recomendo fortemente este livro àqueles que se sentem perdidos e estão procurando uma vida melhor e não sabem por onde começar. A obra é um incentivo para tentar novamente e seguir em frente. Muito inspirador!

 7 – Steve Jobs, Walter Isaacson

Steve Jobs dispensa apresentações. Com base em mais de quarenta entrevistas com o fundador da Apple, realizadas ao longo de dois anos — bem como entrevistas com mais de 100 membros da família, amigos, adversários, concorrentes e colegas —, Walter Isaacson escreveu uma história fascinante da intensa vida de Jobs. Sua biografia nos mostra a personalidade de um empreendedor criativo cuja paixão pela perfeição revolucionou várias indústrias.

 8 – On The Road, Jack Kerouac

Jack Kerouac não é uma leitura fácil. Seus parágrafos enormes e sem vírgulas podem cansar os desavisados. Agora, se você não se importa com isso e adora a ideia de pegar a estrada e sair por aí, vai tirar alguns ensinamentos do espírito livre de Kerouac e a geração beatnikPS: Ao contrário de “Na Natureza Selvagem”, o filme inspirado no livro é uma bosta, então não assistam! Haha!  

9 – A Mágica da Arrumação, Marie Kondo

Mais um livro sobre desapego, sendo que este vem diretamente da cultural oriental. Esse livro muda vidas! Sério! É definidamente um manual da arrumação. O livro fez tanto sucesso mundialmente que Marie Kondo se tornou uma “guru da organização”. Suas dicas são libertadoras e, claro, é totalmente indicado pra você que é bagunceiro…

10 – Elon Musk, Ashlee Vance

O sul-africano Elon Musk é considerado um dos maiores empreendedores contemporâneos. O cara está por trás de nomes como PayPal, SpaceX, Tesla e SolarCity. Musk quer salvar nosso planeta com seus carros elétricos e enviar humanos para o espaço. Podemos dizer que ele é a versão real do Homem de Ferro interpretado por Robert Downey Jr.

11 – O Homem que Venceu Auschwitz, Denis Avey

Este não é apenas um livro sobre a Segunda Guerra Mundial. O Homem que Venceu Auschwitz é uma verdadeira aula de empatia, algo que está faltando para a humanidade atualmente. A obra conta a história real de um soldado britânico, prisioneiro de guerra, que se infiltrou no campo de concentração de Buna-Monowitz, conhecido como Auschwitz III, ao ouvir falar da brutalidade no tratamento dos prisioneiros. Lá, fica amigo de um judeu. Emocionante, no mínimo.

12 – Criatividade S/A, Ed Catmull

Talvez você nunca tenha ouvido falar em Ed Catmull, mas certamente conhece a Pixar, estúdio de animação responsável por Toy Story cujo um dos confundadores é um tal de Steve Jobs. Pois bem, Ed também é um dos cofundadores. Eu recomendo este livro a qualquer pessoa que esteja iniciando ou gerenciando uma empresa; A qualquer pessoa que esteja trabalhando em qualquer atividade criativa; Para os fãs da Pixar ou da Disney; E para quem gosta de um livro bem escrito.

13 – Zen e a Arte da Manutenção de Motocicicletas, Robert M. Pirsig

Todo empreendedor deve ler esse livro. E sabe o que é mais interessante nisso? Não é um livro de negócios. Este livro fala da essência de se fazer o bem exclusivamente pelo propósito de fazer bem. Suas reflexões e percepções sobre como pessoas e tecnologia se relacionam continuam atuais mesmo depois de décadas — foi originalmente lançado em 1974. A narrativa é incrível e é uma excelente opção para quem quer se inspirar com uma leitura que não seja técnica.

14 – Em Águas Profundas: Criatividade e Meditação, David Lynch

O cineasta David Lynch descreve seus métodos pessoais para trabalhar ideias e os imensos benefícios criativos que experimentou com a prática da meditação. Foi minha primeira experiência de leitura sobre o assunto e senti uma paz absoluta apenas em lê-lo — altamente recomendado para quem quer desacelerar.

15 – TED Talks: O Guia Oficial do TED para Falar em Público, Chris Anderson

O nome é autoexplicativo, né? Ninguém no mundo entende melhor a arte da ciência de falar em público do que Chris Anderson, a cabeça por trás do TED Talks. Se você tem dificuldades para se comunicar em público — mesmo que seu objetivo não seja palestrar —, vale muito a pena ler este livro.

Os benefícios do conhecimento diversificado

Este ano, tente ler livros que vão além de negócios. Não tenha medo de ler um romance que possa inspirar você a viajar, como “On The Road“, por exemplo. Ou de aprender um pouco sobre empatia e relações humanas com “O Homem que Venceu Auschwitz” por julgar que se trata apenas de mais um livro sobre a Segunda Guerra Mundial.

Seu mundo se expandirá quando você ler sobre diferentes pessoas, lugares e princípios. Lembre-se que a inspiração pode vir de maneiras e de fontes inesperadas. Talvez você aprenda isso em “Roube como um Artista“.

Um desses livros pode a mudar sua vida. Eles mudaram a minha.

Publicado originalmente em matheusdesouza.com e reproduzido em sua coluna da CONTI outra com autorização.

Escolhas e experiências

Escolhas e experiências

Imagem de capa: Poprotskiy Alexey/shutterstock

Quando um jovem pretende se casar, ouvem-se comentários frequentes de amigos ou parentes para que espere um pouco mais e aproveite a vida. Que seria melhor usufruir o momento com experiências, evitando assim, um arrependimento ulterior. Imagina-se que a quantidade de experiências irá determinar a qualidade de uma existência.

Mesmo com tais recomendações, observa-se um grande número de pessoas que tiveram “experiências” e permanecem em um estado de descontentamento beirando o patológico.

Não seria arbitrário afirmar que viver em constantes buscas ou investidas pode representar uma profunda ausência de sentido na vida. Seria viver com opções, mas não ter energia para mensurar suas diferenças e pesar suas escolhas.

Uma vida de longa caminhada e poucas pairagens, que nos direciona ao mesmo ponto de partida, como uma compulsão à repetição. Tornamo-nos andarilhos, de porta em porta, sem saber o que buscamos do outro lado. E neste labirinto emocional, falsamente acreditamos estar adquirindo experiências que nos levarão a um lugar melhor.

Quando brota a certeza do que queremos, as buscas se tornam inócuas. A partir de uma análise pessoal podemos chegar a conclusões do que realmente desejamos e queremos; não é incomum que em determinados momentos desejamos, mas não queremos. Entretanto, quando reunimos esses dois vetores – o desejar e o querer – instala-se a experiência da busca ou a noção de certeza. Assim escolhemos um grande amor ou tomamos as decisões que acreditamos serem importantes.

Para conhecer o amargo da vida, basta um leve trago. Não precisamos do segundo gole ou embriagarmo-nos para ter certeza ou experiência. O relato amargo do passado pode se tornar o ar puro do futuro, quando a partir do gosto amargo aprendo a medida certa do adocicado. A experiência é sutil, e não uma roda da vida incessante que nos impõe um caminho expiatório sem retorno.

Alguns sofrimentos em nossas vidas têm as nossas impressões digitais a partir da dificuldade em priorizar nossos caminhos. O silêncio faz-se fundamental para ouvir o ruído que sinaliza o que queremos e desejamos. A habilidade para perceber esses sinais não está associada a um treinamento ou experiência, e sim a cultivar sensibilidades para identificar as tendências internas.

Experiência de vida nem sempre é uma condição essencial para nossas escolhas. Para usufruir de um grande amor, não é necessário conhecer todas as amantes. O cultivo da certeza dos nossos desejos pode ser uma opção para errarmos menos em nossos caminhos.

O presente

O presente

Imagem: Olga Danylenko/shutterstock

Minha irmã Lucíola pertence à legião do/s caçadores de caçambas. Também é do clube dos observadores de conteúdos destinados à reciclagem. Segundo ela : As pessoas costumam jogar fora coisas interessantíssimas. Na minha opinião às vezes minha irmã erra feio ao se apaixonar por mesas bambas, cadeiras com pés de ferrugem, abajures improváveis. Já a apelidei Madre Tereza de Calcutá dos Objetos, pois ela acredita que as coisas sofrem com a rejeição e merecem um novo acolhimento. Imagina se livrar de uma imagem de São Jorge só porque ele perdeu a espada, ela se indignou certa vez.

Outro dia, de supetão, Lucíola perguntou por uma palavra que eu tivesse dúvida do significado. Puxei pela memória e lá veio: ambrosia. Ela foi para o quarto e voltou segurando 4 robustos volumes do Dicionário LELLO Universal Luso-Brasileiro, organizado pelo português João Grave (1872-1934) e pelo brasileiro Coelho Neto (1864-1934). Editado e impresso na cidade do Porto, Portugal. Procure aí, ela disse. E orgulhosa acrescentou: Eu achei na lixeira aqui do prédio.

Daí foi orgia para os olhos. O LELLO em questão traz ilustrações, a maioria gravuras, em cada página. Trata-se de um dicionário enciclopédico inspirado no precursor e colega francês Larousse Universal. É o tipo de trabalho que merece o nome de obra, tamanho o esforço de seus criadores, tamanho o prazer de seus leitores. Consultei a palavra ambrosia: Substância deliciosa com que se alimentavam os deuses do Olímpio. Manjar delicado. Tornava imortais aqueles que a absorviam.

Resolvida a palavra, eu e minha irmã passamos à rodada de conjecturas. Por que alguém jogaria na lixeira do prédio a joia rara? Fizemos um brainstorm:1) Porque é uma pessoa burra 2) Porque quer desapegar 3) Porque não tem espaço 4) Porque casou com alguém alérgico a papel velho 5) Porque o dicionário era da mãe que morreu 6) Porque é um gênio que sabe todas as palavras de cor 7) Porque consulta dicionários online mais práticos e imediatos.

Como a vida sempre surpreende é provável que o motivo do descarte não corresponda a nenhuma das alternativas acima. De qualquer forma, para a Lucíola o descartador funcionou como papai noel antecipado ofertando sem custo o belo dicionário. Mas o melhor veio quando eu já estava indo embora. Minha irmã num gesto magnânimo disse: Pode levar. É seu!

Deixamos o abraço para depois, o beijo para depois, sem saber que o depois pode não chegar para nós.

Deixamos o abraço para depois, o beijo para depois, sem saber que o depois pode não chegar para nós.

Imagem: Stock-Asso/shutterstock

Deixamos aquele abraço para depois, o beijo de saudade pra amanhã, deixamos pra dizer o quanto estamos sentindo falta daquele alguém para outra hora, deixamos o almoço em família pra outro dia e decidimos não ligar para aquele alguém hoje – melhor deixar para amanhã.

Deixamos a saudade pra amanhã, o eu te amo, o pedido de desculpas, o perdão, a oração e a gratidão para depois. Esperando que o depois sempre virá. Afinal, estamos ocupados demais, preocupados com outras coisas e o hoje não nos oferta tempo. Deixamos para depois.

O problema é: quem nos garante que ele chegará? Quem pode afirmar que amanhã você terá como ligar e dizer: estou com saudade de você? Quem pode garantir que o “eu te amo” não ficará guardado, que o abraço, o beijo, o pedido de desculpas, o perdão não ficarão para trás?

Quantos “eu te amo” enterrados pelo medo, quantos pedidos de desculpas enterrados pelo orgulho, quantas falas de saudade enterradas pela falta de tempo? Quanto perdão deixado para amanhã, sem sequer se imaginar que o amanhã não chegaria? O tempo de amar é hoje, é agora. O tempo de perdoar é hoje, é agora

Deixamos tudo para amanhã, na certeza de que o outro estará lá e de que nós estaremos aqui, sem saber que o amanhã pode não chegar para nós. O mais triste disso tudo é que nós nos sabotamos, deixando para sermos melhores amanhã, para reconhecermos que erramos quando falamos em um tom mais alto com alguém que amamos.

Eu me saboto quando sinto saudade e não digo, quanto amo e não demonstro, quando quero falar com Deus, mas deixo para depois. Quando acho bonito, mas não elogio; quando admiro, mas não falo; quando falho com alguém que amo e, por orgulho, não reconheço, ou quando deixo para depois perdoar as feridas dos outros em mim.

Quando deixo uma amizade acabar por bobeira ou fico alimentando mágoa por muito tempo, à espera de que, depois, um dia, ela se cure. Deixo, com isso, perderem-se os amigos, os amores, as oportunidades, e a possibilidade de ser melhor.

Deixo partir a saudade, como se ela não existisse; o “eu te amo”, como se o amor nunca morasse em mim, e faço do orgulho uma casa na qual eu me refugio. Não deixe para amanhã o amor que você pode oferecer hoje. Não deixe aquele “estou com saudade” engasgado, não deixe para perdoar depois.

Se soubéssemos o quanto o hoje é importante em nossas vidas, não viveríamos tanto em função do passado, pensando que o amanhã é quem pode curar nossas dores, pensando que o amanhã pode solucionar nossos problemas e que o hoje é apenas um dia de calar nossos sentimentos e dar voz ao nosso orgulho.

Nós nos enganamos ao pensar dessa forma, pois o hoje é tempo de restaurar e de viver, é a possibilidade que temos de fazer novo, de mudar o rumo e de mostrar o quanto as pessoas que fazem parte de nossa vida são importantes. O hoje é tempo de perdoar aquele amigo e de dizer o quanto sentiu sua falta; o hoje é tempo de esquecer o que nos faz mal e fitar nossos olhos naquilo que nos faz bem.

É tempo de reconhecer quem nos apoia e quem está sempre torcendo por nós; é tempo de ecoar os “eu te amo” e de dizer o quanto a comida da sua avó é boa ou como aquele bolo de cenoura da sua mãe ficou maravilhoso. É tempo de agradecer e de se achegar a Deus.

Hoje é o dia de amar, portanto, não espere o dia dos namorados, o dia das mães, o dia dos pais, ou o Natal para dar aquele abraço apertado que sufoca, para comprar algo que agrade e dizer o quanto você ama esse alguém.

É por esses e outros motivos ser que eu não sou muito fã de datas e deve ser por isso que gosto mesmo é de surpreender de forma despretensiosa, como quem se lembrou do namorado porque foi ao supermercado e comprou o seu chocolate favorito, como quem estava com saudade e deixou um bilhete pra ler assim que chegar do trabalho. Como quem, antes de sair de casa, deixa um recado apoiado ao ímã de geladeira, dizendo o quanto ama a sua mãe e lhe desejando um bom dia de trabalho.

É tão simples, mas a gente complica e deixa tudo para amanhã. Deixa para amar e perdoar como quem deixa uma conta para pagar depois. Não deixe para o final de semana, não espere os aniversários, não deixe para as datas comemorativas. Tem muito a se fazer hoje, tem muito o que amar hoje, tem muito o que perdoar hoje. Temos muito que nos achegar a Deus hoje, temos muito tempo para orar hoje. O tempo disso tudo é hoje e não amanhã, afinal, o amanhã pode não chegar.

A beleza das coisas está dentro da gente

A beleza das coisas está dentro da gente

Algumas pessoas apreciam ver o Ipê florido. Outras, simplesmente amaldiçoam as suas flores caídas pelo chão. A beleza das coisas está dentro da gente.

Não dá para explicar direito o porquê de termos nossas atenções voltadas para certas pessoas, determinados momentos, como se nossos olhos fossem mecanicamente atraídos para aquilo que nos encanta. Não há, porém, nada de mecânico naquilo que enxergamos como belo, posto que se carrega de sentidos, de essência, de olhares de nossa alma.

A capacidade de se encantar, de olhar a tudo e a todos com olhos do bem, com o filtro da leveza e da compaixão, é um dos maiores presentes que podemos nos dar. E depende somente de nós encontrar o que é positivo, o que é belo, o que perfuma, mesmo em meio a dias traiçoeiros, ainda que a vida estiver teimando em dizer não. Enxergar o óbvio, sim, é mecânico e acaba por robotizar os nossos sentidos.

São tantos afazeres repetitivos e isentos de emoção pontuando nossa jornada; são tantas pessoas insípidas e ásperas atravancando os nossos passos, que, não raro, sentimo-nos propensos a embarcar nessa toada célere e fria do cotidiano entediante. Ainda mais com as contas se acumulando, as decepções se amontoando, os amores se evaporando, tudo parece tomar os contornos crus e inertes do desencanto.

Nesse contexto, quem muito sorri é tido por bobo, quem ama demais é tido como trouxa, quem é verdadeiro é tido como louco. Ser comedido é a ordem do dia, enquanto que o muito, o demais, soa a espetáculo, a insensatez, a desequilíbrio. A frieza e ponderação extremadas, o desapego total e o descomprometimento com o outro acabam por ultrapassar os limites da convivência minimamente harmônica, abrindo as portas ao egoísmo e ao pessimismo frente a quem ousa ter esperança.

Que não percamos nossa capacidade de nos encantar, de sentir prazer com o que estiver ali à frente, com o que temos junto a nós, com a vida enfim. O nosso olhar, a maneira como encaramos a vida é que determinará o tanto de felicidade que encherá os nossos corações. Em tudo o que acontece há lições, oportunidades e crescimento. Todas as pessoas possuem algo especial, mesmo que sejam exemplos de como não devemos ser.

Porque algumas pessoas apreciam ver o Ipê florido. Outras, simplesmente amaldiçoam as suas flores caídas pelo chão. A beleza das coisas está dentro da gente.

Um pai que chora não se afoga nas próprias lágrimas.

Um pai que chora não se afoga nas próprias lágrimas.

Imagem de capa: Moonassi

Nasci no Pará, sou filho de gente pobre e com pouco estudo. Neto de cidadãos não civilizados, corre, nas minhas veias, o sangue do índio, negro, caipira, ribeirinho. É tanto sangue correndo que, às vezes, faltam-me veias de chegada.

Surgi num casamento que fracassou antes de eu me dar conta de que existia casamento. Meu pai se embebedava demais, minha mãe fugira comigo e, quando captei essa história toda, eu já era menino maiorzinho.

Na minha infância, chamei meu padrasto de pai. Era o maior homem do mundo, mas ficou pequeno e coube numa morte.

Ele partiu, deixou uma casa e um filho para a minha mãe criar. Meu irmão tinha apenas três anos. Eu sete.  Mamãe, vinte e cinco. Sem o ensino médio, era suprema administradora pessoal (ou empregada doméstica) na casa de uma das vizinhas. Quem mandava no chão e nas louças, preparava os cardápios, uma profissional de alto escalão.

Haveria pessoa mais forte do que esta? Carregando dois filhos, dois lares e um salário mínimo sobre os ombros, com equilíbrio mutante?

Morávamos numa imensa casa de dois cômodos. Eram uns dez metros quadrados e, como eu tinha pouco mais de um metro, sobravam vários pra ocupar. Ali, naquele palácio de madeira antiga (ou velha?), vi minha mãe chorar.

Contida, sugava as lágrimas que desciam. Dormíamos todos na mesma cama. Fingi continuar meu sono. Fechei os olhos, ouvia o soluço dela, com leve dizer baixinho para si mesma.

“Mas vou vencer.”

Eu não sei, até hoje, qual a vitória que naquela madrugada Mamãe queria.  Mas, por vezes que as disputas pareciam me derrubar, eu também deitei no meu quarto sozinho, chorei e disse que iria vencer.

Se um dia eu for pai, quero ser como minha mãe nessa noite.

Um pai que se deita, sente o peso do cotidiano, fala baixinho, enquanto a família dorme. Vive para não interromper os sonhos de quem ele ama.

Na humanidade que tem. Amanhece o dia, levanta-se da cama e, elegantemente, gargalha. Um pai que chora não se afoga nas próprias lágrimas.

 

Inspirado em O Filho Que Quero Ter de Vinicius de Moraes e Toquinho.

 

A vida pede mais abraço que razão

A vida pede mais abraço que razão

A vida pede um pouco mais de você para o outro. Pede que saiba escutar mais e dizer menos. Pede, ainda, que traga partes de você para acrescentar e não diminuir quem quer que seja.

Em todos os momentos que escolhemos dividir, apontar e julgar outras pessoas, na verdade passamos longe de qualquer afeto comum. Porque nem sempre estamos dispostos a entender opiniões diferentes, sentimentos diferentes. As coisas hoje andam tão rápidas e mutáveis e quase não nos sobra tempo para olharmos para dentro de nós e percebemos que, passadas as decepções, gentilezas ainda são o melhor caminho.

Enquanto o mundo obriga mais racionalidade, precisamos manter o espírito acolhedor, livre e sereno. Nada de repelir, instantaneamente, carinhos e sorrisos vindos na direção contrária. Economizar querer para proteção deixa a vida sem sabor. E mesmo nos dias agridoces, existem sim, histórias e relações únicas a serem aproveitadas.

O “não quero” não serve mais. O “daqui a pouco” é muito tarde. Ah, e o “amanhã”, no amanhã tudo pode mudar. Não guarde metade de você se pode ser inteiro hoje. Dê bom dia aos vizinhos, sorria na fila do pão, ofereça um lugar aos que mais precisam. É também, de suma importância, acreditar na felicidade compartilhada. Um estado pleno de cuidado, respeito mútuo e sincronia.

A vida pede mais paciência que urgência. Pede que saiba reconhecer quais os instantes fazem bem para o corpo, para a mente. Pede, ainda, que seja você de verdade todos os dias, sem máscaras.

No fundo, a vida pede mais abraço que razão. E abraçar é tão bom.

Obs: Título retirado da canção homônima do cantor e compositor Tibério Azul

Imagem de capa: A Teoria de Tudo, 2015 – Direção: James Marsh

E se a dedicação evolui para sufocamento?

E se a dedicação evolui para sufocamento?

Imagem: GaudiLab/shutterstock

Era tão fofo aquele cuidadinho inesperado, um bilhetinho no meio dos papéis, o chocolate preferido, a mensagem displicente durante o dia…

Até que começaram as questões. Por que não há reciprocidade? Será que não é suficiente?

Então a dedicação avança mais um passo e passa a tentar controlar horários, porções, conversas, intenções. Quer adivinhar, se antecipar, surpreender, invadir, se apoderar.

Essa é a dedicação que saiu do compasso, perdeu o encanto, virou escrava. Tanto se deu que já nem sabe porque tanto faz. E sufoca, incomoda, constrange.

Dedicação que evolui para sufocamento é resfriadinho que vira pneumonia. O tratamento é longo, agressivo e pode deixar sequelas.

Cuidar do outro é gostoso. Se deixar cuidar é melhor ainda. Mas, se não há medidas, a coisa sai do controle. Sempre haverá um controlador e um mimadinho, um tirano dedicado e um folgado escorregadio. Sem equilíbrio, a dedicação vira obrigação. Ou, sufocamento.

Tem gente que não gosta de mimos. Talvez porque não goste de os oferecer. Tem gente que gosta surpreender o tempo todo. Mas aguarda também a sua vez.

Importante é entender que tipo de relação se tem. E que dose de dedicação soma forças. Muitas vezes, deixar livre é mais saudável do que fazer várias interferências diárias, marcar território, se fazer lembrar.

É importante ser esquecido um pouco. É saudável não estar o tempo todo transitando nos pensamentos alheios. Senão a saudade não vem, o falta que não faz falta.

Todo mundo gosta de marcar seu território, deixar um pedacinho seu, uma assinatura. Porém, isso só funciona se a dose for muito bem calculada e espaçada. Caso contrário, a dedicação perde a paciência e parte para o sufocamento. E essa é uma das mortes mais dolorosas de uma relação.

“Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio?”

“Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio?”

“O mundo não será destruído por aqueles que fazem o mal, mas por aqueles que os olham e não fazem nada. ” Albert Einstein.

Na primeira metade do século passado, Bertolt Brecht lançou um questionamento que parece hoje estar ainda mais atual. A problematização vinha através da seguinte frase: “Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio? ”. Bom, talvez alguém diga que isso só se aplica à época, devido a segunda guerra e ao crescimento do fascismo. Entretanto, os que assim pensam, infelizmente, estão enganados.

Um dos pontos que levam à atualidade das palavras de Brecht está na crise dos refugiados. Fugindo de guerras, da fome, da miséria, da destruição, milhares de pessoas oriundas, sobretudo, da África e do Oriente Médio, se lançam em “aventuras” nada hollywoodianas, na tentativa de chegarem a algum lugar em que possam empreender uma dose de dignidade e humanidade em suas frágeis existências.

Nessas aventuras épicas, principalmente no Mar Mediterrâneo ou “Mar das hipocrisias”, milhares desses sonhos de uma vida melhor caem e imergem no mar, afundando até que não haja mais oxigênio suficiente para mantê-los vivos. Não adianta gritar ou pedir socorro, não há salva-vidas neste território. É preciso seguir à risca a lei do “cada um por si e ninguém por todos”.

Para os que conseguem chegar, existe um aparato afetivo formado por arame farpado, grades e armas em punho para proteger as fronteiras. Esses elementos formam os campos de refugiados, lugar destinado a todos que decidiram fazer uma “trip” pela Europa e conhecer os encantos do velho mundo, ainda que ele não seja o único destino dos turistas, digo, refugiados.

Perdoem o tom irônico, mas não há como ser diferente uma vez que vivemos a pior crise humanitária desde a segunda guerra mundial e, além disso não ser pauta constante de discussões, há ainda o endurecimento normativo em relação à entrada de imigrantes nos principais polos receptores dos mesmos.

Prova disso foi a condenação do fazendeiro francês “Cedric Herrou” ao pagamento de uma multa de aproximadamente 10 mil reais por ter ajudado migrantes a cruzar a fronteira vindos da Itália e recepcioná-los em sua fazenda que fica na região de “Tourrettes-sur-Loup”, na Riviera Francesa. A região é emblemática, pois também foi utilizada por judeus para fugir da perseguição nazista durante a segunda guerra mundial.

De forma corajosa, Cedric não nega as acusações e diz ser seu dever ajudar os migrantes que correm muitos riscos ao tentarem atravessar a fronteira sozinhos. O grande problema é que o ato extremamente humano do fazendeiro é ilegal. No entanto, nem sempre o que é legal é humano. Existem inúmeras provas disso ao longo da história, inclusive, o holocausto nazista.

Desse modo, no momento em que há o desrespeito a leis que tratam outros indivíduos como “lixo humano”, há de se considerar que o mais correto a se fazer é desobedecer às leis, como fez Cedric e como fez Gandhi na sua luta pela liberdade na Índia. Aliás, é de Gandhi a frase que calha bem ao argumento citado: “Quando uma lei é injusta, o correto é desobedecer”.

Outra frase do “Bapu” completa com enorme verdade o raciocínio: “A pobreza é a pior das violências”. Os migrantes fogem da pobreza, seja ela material, seja ela espiritual. Não há humanidade na guerra, na violência, assim como, não há beleza na fome, na miséria, em crianças que morrem por falta de um pedaço de pão.

Apesar de saber disso, o Ocidente vira as costas para esse problema, como se não fosse em nada responsável por vários desses males. Todavia, essas potências que hoje endurecem as suas leis e aplicam sanções a sujeitos que ainda possuem na sua constituição a capacidade de se colocar no lugar do outro, são as mesmas que exploraram e exploram as regiões das quais os migrantes fogem. Ou seja, são responsáveis por roubar o pão, mas não são para dividir os mesmos. Lógica egoísta e desumana para um mundo egoísta, desumano e desigual na mesma medida.

E, dessa maneira, os migrantes, refugiados, “turistas”, chegam do outro lado do mar e embora não encontrem a mesma pobreza material das terras que fugiram, encontram uma pobreza espiritual mesquinha que desnutre ainda mais o sonho de encontrar a humanidade que tanto procuram.

Se na segunda guerra aqueles que escondiam e protegiam os judeus em suas propriedades estavam sob enorme risco de morte por praticar atos ilegais; hoje, pessoas que protejam e ajudem outras que não estão saindo dos seus lares por vontade própria, e sim, por ansiarem por uma vida que seja mais do que não estar preocupadas o tempo inteiro se uma bomba vai explodir nas suas cabeças ou se conseguirão ter mais um dia de vida sem se alimentar, podem ser condenadas ao pagamento de multa ou coisa pior.

E, assim, a história se repete, nós não aprendemos com os nossos erros, novas “Anne Frank” estão morrendo e o nosso mundo cada vez mais globalizado, se torna igualmente mais desumano. Posto isso, eu refaço a pergunta: “Que tempos são estes em que é preciso defender o óbvio? ”

Descrição imagem de capa: Ilha de Lesvos, Grécia – 29 de outubro de 2015. Imigrantes sírios / refugiados chegam da Turquia em barco pelo mar com água fria perto de Molyvos, Lesbos em um bote sobrecarregado, após fugir da guerra na Síria.

Crédito de atribuição editorial de imagem: Nicolas Economou / Shutterstock.com

O amor está no ar! Ou melhor, está na rede!

O amor está no ar! Ou melhor, está na rede!

Imagem: dramalens/shutterstock

Você já parou para pensar o quanto a internet mudou a forma como as pessoas se relacionam? E isso inclui os relacionamentos. Hoje são inúmeros os meios para conversar com seu crush, com o seu namorado ou com o seu marido. Diante de tantos meios, a comunicação se torna cada dia mais importante e é preciso manter espontaneidade, sinceridade e paciência em todos os meios em que ela acontece na relação.

E isso muda a forma como a nossa ansiedade aumenta e a nossa expectativa também sempre que há um novo pretendente na área. Ver quem se interessou pelo seu perfil? Esperar por uma mensagem enviada? Verificar se ele está online? Ficar imaginando se ele combinou no site ou no app só com você ou se está falando com muitas outras pessoas? Monitorar o Facebook? Muitas são as ferramentas dessa nova realidade para alimentar inseguranças e ansiedade.

A culpa é da tecnologia? Não! A culpa é de nós mesmas que estamos usando esses meios para buscar evidências e fatos sempre desconfiando das pessoas que estamos conhecendo. Vemos tudo o tempo todo e, ao mesmo tempo, não vemos nada! Nem tudo o que parece é. Criamos evidências e traçamos uma personalidade do crush com base em seu acervo digital. Medimos a atenção e disposição dele para engatar um relacionamento por tempo de resposta das mensagens. E na verdade, o que isso quer dizer? Não quer dizer nada! Muitas vezes, é só o jeito de ser daquela pessoa que talvez tenha uma rotina mais agitada e não fique tão atento às mensagens de quem quer que seja durante o horário de trabalho, mas compense dando a maior atenção do mundo para você quando está em casa ou em algum ambiente mais tranquilo para engatar uma conversa.

Muitas vezes o fato da pessoa ser mais concisa em suas respostas não necessariamente quer dizer que ela não esteja a fim de conversar com você. Talvez ela seja só direta! Ou seja, será que não estamos criando sinais que não querem dizer absolutamente nada? Talvez esse seja um meio de criar defeitos, achar problemas e não dar uma chance para ver com clareza o que a pessoa realmente é e dar tempo ao tempo para ver o que ele realmente quer com você. A tecnologia já nos ajuda a pular uma etapa para começar um relacionamento. Por exemplo, os sites e apps de relacionamento ajudam a encontrar pessoas com interesses em comum, projetos parecidos e isso já facilita muito, mas não ache que isso faz com que você só se depare com pessoas que pensam exatamente igual a você ou que sejam perfeitas, pois nem você e nem ninguém é.

Calibre suas expectativas e, se rolar um bom papo, marque um encontro e vá disposto a achar uma pessoa normal e que se está lá é porque também está interessada em você. Basta fazer esse encontro fluir com naturalidade, ser sincera e estar aberta para o novo. Afinal, como é que você costuma planejar a sua vida? Você sabe exatamente quais são os acontecimentos e as pessoas que entrarão nela? Você conhece todas as etapas do processo para realizar os seus sonhos? E no amor não é diferente. Aliás, é tudo muito menos previsível e é exatamente isso que torna tudo tão especial! Afinal, o que torna uma pessoa importante na sua vida é ser surpreendida e se encantar pelo que ela é e isso tende a acontecer justamente por vocês serem diferentes.

A moça que achava ser feliz por ter um “marido adestrado”

A moça que achava ser feliz por ter um “marido adestrado”

Adoro ouvir rádio no carro. Vou variando entre algumas emissoras de música, notícias e trânsito! Confesso que muitas vezes canto alto, outras tantas falo sozinha, outras muitas tantas dou risada das coisas que ouço e – é claro! -, não faltam momentos em que fico absolutamente indignada com as notícias que chegam.

Outro dia, ouvia eu uma reportagem sobre o comportamento de homens e mulheres nos relacionamentos. Dizia a entrevistada que homens e mulheres têm formas diferentes de se comportar, principalmente no que se refere a expressar afeto.

Lá pelas tantas, foram sendo incluídos comentários de ouvintes acerca do assunto. Foi então que eu fiquei completamente estarrecida por um depoimento que ouvi. Uma moça, de 32 anos, um ano e meio de casamento dava dicas de como havia feito para “treinar o marido”.

Preciso confessar (mais uma vez!), que eu nunca havia pensado em maridos como “seres treináveis”. Na minha incauta cabecinha treina-se cães, cavalos, já vi até boi treinado… Mas marido?!

Fiquei com muita pena da moça que afirmava que depois de três anos de namoro, mais três de casados o tal “marido adestrado” havia aprendido a lembrar das datas importantes, havia aprendido a comprar flores, e – pasmem! –, havia aprendido a levá-la para passear.

Puxa vida! Eu não sou nenhuma especialista em aconselhamento matrimonial. Aliás, acredito sinceramente que essa história de conselho para melhorar a relação é uma coisa bem esquisita.

Penso que, a relação entre duas pessoas é para ser experimentada a quatro mãos, duas almas dispostas e muitos ensaios e erros. É música que se toca de ouvido, por puro prazer. É salada de frutas que a gente vai aprendendo a combinar.

É claro que a vida não é cor de rosa! É claro que há de haver turbulências! É claro que leva tempo para um casal ir encontrando seus próprios jeitos de lidar com as delícias e também com os azedumes um do outro.

O que eu acho – acho não, tenho certeza! – é que se você precisar treinar o outro para que esse outro caiba nos seus sonhos de felicidade, talvez seja mesmo melhor adotar um cachorro.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Sr e Sra. Smith”

 

Se você não aprender a dizer não, a vida dirá não para você

Se você não aprender a dizer não, a vida dirá não para você

Quantas vezes você disse sim querendo dizer não? Não precisa responder agora, mas acredito que muitas vezes. Eu posso responder por mim que já fiz bastante isso e me arrependi amargamente por cada não que calei em mim.

Eu, assim como você, fiquei com medo de magoar pessoas queridas, de decepcioná-las. Fiquei aflita pensando na reação de alguns ou na represália que poderia sofrer por ser fiel a minha verdade.

Muitas vezes eu disse sim, pois não queria me sentir culpada pela frustração, estresse ou tristeza do outro. Não queria ser a responsável pelo pesar de uma pessoa querida, mas ao chegar em casa quem estava se sentindo frustrada, triste e estressada era eu.

Às vezes, dizer um não é tão difícil que parece que dentro da gente acontece uma luta entre o que a gente quer realmente dizer e o que a gente acha ser o mais bonito a dizer.

Então, é comum que a gente caia na tentação de dizer sim só para agradar. De aceitar o que vai contra nossos valores, pela simples razão de achar que esse sim fará com que o outro nos aceite e ame mais.

Não, o outro não vai nos amar mais pelos nossos sins. Eu diria que é o contrário. Quem nos ama de verdade continua a nos amar pelos nossos sins e, especialmente, pelos nossos nãos.

O oportunista, o falso, o manipulador, o aproveitador, baterão em retirada quando suas vontades não estiverem mais sendo satisfeitas. Quando nosso sim deixar de alisar seus inflados egos. Apenas eles, os que fingem se importar, deixarão de ter qualquer  estima por nós quando não formos coniventes com suas vontades. E isso não é mal.

Quem nos ama de verdade busca compreender nossas razões. Nos respeita e entende que temos nossos limites e que abusar deles é abusar do que há de mais íntegro em nós.

Um ótimo exemplo de alguém que não soube dizer não pode ser encontrado no filme “Na Natureza Selvagem”. Nele, Christopher McCandless, um jovem filho de pais ricos, se forma na universidade de Emory como um dos melhores estudantes e atletas de lá. Porém, em vez de embarcar em uma carreira prestigiosa e lucrativa, ele escolhe livrar-se de seus pertences e parte para o Alasca.

O caso de Christopher é emblemático. Ele disse não para si repetidas vezes durante a vida (para agradar aos pais), até que não aguentou mais e, literalmente, decidiu sumir. Pegou suas coisas e foi para o Alasca. No entanto, não teve lá a orientação ou experiência de vida necessária para se manter. Talvez, se Chris tivesse dito sim para si muitos anos antes, ele pudesse ter tido um contato mais íntimo com a natureza e, munido de conhecimento prático, o desfecho de sua história fosse outro.

Não permita que os outros digam o que é certo ou errado para você. Respeite seus valores. Negue o que te parece incorreto, incerto, suspeito, de mau gosto ou não apropriado.

Diga sim para você e aprenda a dizer não para os outros, sem medo e sem culpa. Do contrário, como no caso de Christopher, pode ser que em determinado momento, lá na frente, a vida diga não para você.

Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

A única coisa que muda na vida é a mudança

A única coisa que muda na vida é a mudança

Imagem: Zastolskiy Victor/shutterstock

Quanto você está disposto a arriscar para fazer da vida algo verdadeiramente novo? Essa resposta determina o lugar em que você estará no futuro. Se você não estiver disposto a arriscar nada, o futuro te encontrará no mesmo lugar em que o presente te encontra hoje.

Não há outra maneira de mudar, senão aceitando o risco da mudança. Eu sei disso e você sabe. Mas escrever e ler sobre isso não muda absolutamente nada. A única coisa que muda a vida é a mudança. A mudança pede atitude de quem percebe a oportunidade de virada, encara o desafio, e faz o que precisa ser feito, correndo os riscos que nela estão embutidos, mesmo sabendo que pode, eventualmente, quebrar a cara. Ou não.

Essa incerteza só se transforma em certeza quando pagamos para ver, mas muita gente prefere se manter na ignorância, e lá na frente, no meio das suas histórias de vida, relembrar “daquela vez” que teve a chance de fazer algo revolucionário e optou por não fazer absolutamente nada.

Por que é tão difícil mudar mesmo quando não estamos satisfeitos com a nossa trajetória?

Porque sabemos que a mudança, por pequena que seja, em alguma medida, não tem volta. Nenhum relacionamento, profissional ou sentimental, ficará aberto, aguardando a volta daquele que decidiu experimentar a mudança. No momento em que se tira o pé de um terreno, fica um espaço que será imediatamente preenchido por alguém que estava de olho naquilo que era seu.

Você entrega, ele pega. Você abre a mão, ele fecha em torno daquilo que te pertencia. Você desiste, ele decide tentar. E ai, acabou-se o que era doce. Ou amargo. Melhor nem olhar para trás e seguir em frente, de maneira estoica e resoluta porque se titubear, e quiser voltar, será apenas para descobrir que não tem volta.

A vida tem uma engrenagem própria que depende de nós para ser colocada em movimento, mas, uma vez que o movimento tenha sido deflagrado, as consequências são automáticas porque envolvem todo o conjunto de possibilidades humanas à nossa volta.

Ninguém consegue ser alguém sozinho. Cada cargo, cada função, cada prerrogativa, cada papel que desempenhamos relacionam-se indiretamente com outras pessoas, com outras instituições, que se introduzem na história segundo as suas conveniências, e por causa disso, a partir do primeiro momento da nossa mudança, podemos esperar uma reação em cadeia que fecha o espaço que ocupávamos de forma irreversível.

No entanto, sem sombra de dúvidas, essa é a vida em plenitude. Vida é risco. Não um risco bobo, mas calculado, inteligente, cheio de planos, de projetos, de tensões que nos impulsionam para a frente, e que nos mantém vivos e não apenas sobreviventes.

Conversando com um amigo médico, ele me disse que, de acordo com uma dessas pesquisas sobre saúde mental, para manter-se saudável o indivíduo precisa deflagrar pequenas iniciativas ao longo da vida, mesmo que elas não pareçam desejadas.

Muitas vezes entramos num círculo vicioso, numa vida acostumada que não nos faz felizes, mas nos imobiliza, por absoluta falta de vontade de tentar algo novo.

Se estamos de férias, vamos sempre à mesma praia. Se frequentamos um restaurante, pedimos sempre o mesmo prato. Se trocamos de carro, adquirimos o mais novo, da mesma marca. Se fazemos um programa de domingo, escolhemos o circuito que tão bem conhecemos e optamos pelas mesmas tarefas que já nos fizeram tão bem, mas que hoje são apenas banais.

E assim, a vida fica engessada em torno de escolhas que, há muitos anos, nos trouxeram alegrias novas, mas hoje se configuram de maneira automática, sem o brilho da novidade de vida.

Nessa hora, a pesquisa mostra, é preciso inovar nas pequenas coisas. Apenas uma pequena mudança de rumo, já é suficiente para arejar e trazer um pouco de frescor a uma rotina embolorada por atitudes velhas.

Thoreau foi um filósofo americano que combatia com ousadia todas as vidas mornas. É dele esta frase: “ É só quando esquecemos todos os nossos conhecimentos que começamos a saber.”

Esquecer os nossos conhecimentos envolve coisas tão simples como desistir do macarrão chinês que você come há mil e oitocentos anos, sempre que vai ao mesmo restaurante, e pedir um prato diferente, em outro restaurante chinês que você nunca frequentou.

Ou deixar de jogar futebol na tarde de sábado para pescar com aquele amigo que te convida sempre, e você nunca aceita. Vai que você gosta. Vai que a paz em torno do riacho te seduz. Vai que pescar seja a sua praia, e você nunca soube. Sem tentar, você nunca saberá.

Entre mudanças radicais e mudanças sutis, fique com aquelas que não te aleijam, que não te matam, que não te paralisam.

Se você tem medo, pavor, desespero, quando pensa em mudanças, talvez seja melhor optar por mudanças sutis, mas perceba que em todas há um risco calculado. E mesmo assim, mude, porque mudar é a única maneira de viver. Bem pode ser que pequenas mudanças te preparem para grandes mudanças.

Quem não muda nada, vive pouco, ou quase nada. Come dos mesmos sabores, sente os mesmos cheiros, vê as mesmas paisagens, ouve as mesmas melodias, sente os mesmos sentimentos, experimenta os mesmos tatos e contatos. Sempre há tempo para mudar.

Quanto mais avançada for a idade de um homem, mais ele deveria introduzir mudanças em sua vida. Afinal, na morte que espreita os nossos últimos dias, os cheiros não existem, os sabores não são percebidos, a paisagem não nos afeta, a alegria e o prazer não nos alcançam, e, portanto, a mudança não cabe. E se cabe, não dependerá mais de nós. Teremos outra capacidade de percepção. Mas enquanto temos esta, vamos buscar a mudança porque ela é a característica mais marcante dos seres vivos.

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