Um brinde a todas as vezes que formos capazes de dizer SIM!

Um brinde a todas as vezes que formos capazes de dizer SIM!

Para cada “não” que às vezes a gente é obrigado a dizer, ou ouvir… abrem-se à nossa frente inúmeros possíveis “sins”, prontos para serem ouvidos, ditos, sentidos e vividos.

O final das coisas, dos capítulos ou das histórias, muitas vezes é rigorosamente necessário para que a gente tenha a oportunidade de ter novos começos.

E quantas vezes, depois que a gente acha que o mundo vai terminar em lágrimas é que não acabamos aprendendo a sorrir de um jeito novo, por uma nova causa ou como consequência da libertação de esforços que foram vãos, em lugares onde já não podíamos mais permanecer, onde já não éramos bem-vindos.

Dizer “sim” significa alargar o peito e ampliar o olhar para além daquilo a que já estávamos acostumados. Dizer “sim” é mostrar ao mundo que estamos vivos, afinal de contas, e que é na vida que estamos interessados.

Um “sim” não pode ser dito com reserva ou timidez. Ele tem que jorrar de dentro da gente com a energia necessária para reconhecer caminhos inéditos e transmutar em possibilidades aqueles sonhos ousados, para os quais a nossa antiga versão julgava não estar pronta.

É nessa hora que cabe um suspiro no lugar da respiração contida, um salto no lugar do passo incerto, um mergulho no lugar de permanências amedrontadas na beirinha de algum lugar, com medo de se molhar.

A terra do “sim” é ampla e cheia de espaços antes nunca visitados. É preciso estar disposto a caminhar descalço, sentir o chão e abrir mão do lugar confortável da falta de ambição afetiva.

É aqui, na afirmação de um gesto de desapego das dores agasalhadas, que tem início a nossa jornada de transformação.

A distância pode ser imensa, entre esse ponto de partida e o lugar onde almejamos aterrissar. Não tem importância… Porque depois de darmos o primeiro passo para longe das negações, não há nada que nos possa fazer querer olhar para trás.

Um brinde a todos as vezes que formos capazes de dizer SIM! Um brinde à nossa coragem de desembrulhar os sonhos, um a um, para que eles possam caber inteiros na nossa vontade de ir mais longe, mais alto e mais fundo nessa maravilhosa experiência que é estar de corpo e alma onde quer que estejamos, desde que seja este o lugar onde escolhemos estar.

Imagem de capa meramente ilustrativa- foto reprodução do filme “La La Land”.

Quem se importa de verdade compreende suas razões e respeita seus lutos

Quem se importa de verdade compreende suas razões e respeita seus lutos

Quando perdemos algum ente querido, somos consolados por um número grande de pessoas. Vestimos nossa dor de preto e isso parece anunciar aos demais que lidamos com uma larga perda. Já, os nossos lutos cotidianos, enfrentamo-los silenciosos e, muitas vezes, nem mesmo temos a chance de exteriorizar o quanto estamos sentidos e marcados por dentro.

Esses lutos que acontecem no dia-a-dia comumente se dão sem alardes e quase ninguém aparece com um pote de sopa ou com uma palavra amiga na ponta da língua para nos consolar por causa deles. Apenas os que nos amam de verdade, aqueles que se importam, são capazes disso. Isso porque quem verdadeiramente se importa percebe nossas dores sem que precisemos dizê-las.

Outro dia em um consultório médico, conversando sobre planejamento familiar, explicitei a minha vontade de ter um segundo filho aos quarenta anos. O médico arregalou os olhos e me disse que uma gestação nessa idade era possível sim, contudo exigiria muita atenção, pois meus óvulos não seriam mais tão jovens.

Percebi que o tempo tinha corrido desenfreado frente aos meus olhos. Naquele dia vivi calada o luto pelos filhos biológicos que eu não teria. Um por um, todos esmaeceram frente aos meus olhos e eu senti naquele momento, e por mais alguns dias, a dor de não os ter como um dia sonhei.

Doeu muito, mas não me vesti de preto. Não andei pelas ruas com os olhos inchados. Não tive pesadelos. Tive apenas uma dor no peito. Uma dor silenciosa que foi notada por bem poucos.

Lutos cotidianos não são frescura, não são mimimis, não são supérfluos. Eles doem e sangram emocionalmente como feridas de verdade e precisam de nossa atenção e compreensão para poderem parar de sangrar e cicatrizar.

Eu diria que a dor emocional pode ser comparada à dor física, mas ela não apresenta marcas explícitas, o que muitas vezes faz com que essa dor fique por um longo tempo em nós. Cientistas da Universidade Purdue de Indiana, nos Estados Unidos, afirmam que a dor emocional dói até mais que lesões físicas. E eu concordo com eles.

Certa vez Fabricio Carpinejar disse em um texto seu que a morte de um anseio/expectativa/plano é como um livro de poemas que escrevemos com carinho e dedicação, mas que acabamos perdendo em algum canto.

A morte de um relacionamento, de um sonho, de uma carreira, de uma amizade, de uma expectativa, também é assim, frustrante e inquietante. A morte do que poderia ter sido e não foi é uma morte dolorosa, sem rituais físicos, o que parece tornar a dor em nós ainda maior.

Na vida, aqueles indiferentes a nossa dor, dispensados de qualquer obrigação social pela morte do que não se pode efetivamente ver, recordarão nosso livro de poemas (vide anseios) perdidos e dirão que fomos nós os culpados pela sua perda. Dirão, com um tapa em nossas costas, que nossos poemas (vide sonhos) pouco valiam.

Em contraponto, os que nos amam de verdade, sentarão ao nosso lado, com um punhado de papel branco nas mãos, e dirão, carinhosos, que somos capazes de reescrever nosso sentir tão bem quanto antes e nos lembrarão, com ternura, dos bonitos versos que nunca devemos nos negar a reescrever.

Com o passar dos anos, aprendemos a viver nossas dores e a escutar nossos lutos, mas principalmente, aprendemos que em momentos de fragilidade e dificuldade apenas os que se importam pra valer são capazes de compreender nossas razões e de respeitar nossos silenciosos lutos diários.

Devemos ficar ao lado desses e guardá-los para sempre no melhor de nós.

Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Ninguém é tão precioso assim para ser carregado nos ombros

Ninguém é tão precioso assim para ser carregado nos ombros

Se algo em sua rotina te desconforta, te aperta o peito, te exige tantas adaptações que fazem você nem se reconhecer mais direito, talvez seja hora de desafrouxar a alma e mudar o roteiro.

Se há mais choros do que sorrisos, já é um grande motivo para repensar tudo. Se há mais discussões do que abraços, desate os laços. Se está mais complicado do que simples, não se preocupe em entender, deixe para trás, se há muita luta, desfaça tudo e sinta o alívio de seguir em frente.

Se você teve que engolir muitos sapos, conter os gritos, guardar as mágoas, esquecer das risadas, vomite tudo, despeje tudo, abandone, deixe as bagagens, desapegue-se dos velhos cartões postais de sua história e queira começar um novo livro.

Se pesa demais e sempre, dispa-se. Se a vida sempre está melhor nos momentos de solidão. Se fica mais leve quando você só tem que lidar consigo mesmo, se a dor que você anda sentindo não está fazendo ninguém evoluir, não traz conversas profundas, auto-observações, vontade de mudar pelo amor, daí pode ser que você está apenas repetindo um círculo vicioso, pode ser que sua vida tenha entrado num looping do eterno retorno que já não renova muito as energias, é um movimento estagnado. Aí, talvez você vá precisar de um tanto de coragem, sensatez e ousadia para colocar o corpo e a alma fora de um destino reprisado.

Ninguém é tão precioso assim para ser levado a tiracolo. Ninguém é tão importante assim que mereça um atraso no seu caminho existencial. Ninguém é tão dependente assim que não pode encontrar o próprio sustento emocional, ninguém é tão limitado assim que não pode achar as ferramentas para a própria evolução e maturidade.

Não cabe mais ninguém nos seus ombros cansados, caberia sim alguém ao seu lado, de mãos dadas. Não cabem vozes duras ofuscando seus pensamentos livres, não cabem âncoras na sua vontade de navegar, não cabem verdades irrefutáveis e inflexíveis nos seus olhos cheios de amor à vida.

Não dá para carregar alguém no lombo e ainda ser guiado para um lado que você desconfia, por valores que você desacredita. Você é o senhor do seu destino, você já sabe como renovar suas energias, você se equilibra sozinho. E não dá mais para ficar tentando balancear pessoas que se acostumaram a viver acoplados e dependentes.

Perto de você, cabem pessoas que vêm para compartilhar, para dar e receber, para ensinar e ouvir, para entender, aceitar e respeitar. Não é sendo convencido, não é se desconstruindo inteiro para poder ficar ou entrar numa história que você encontrar amor e paz.

Bem no fundo (ou talvez já no raso), você bem que já sabe por onde quer voar.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças

Marido lê diário para lembrar esposa com alzheimer sobre história de seu amor

Marido lê diário para lembrar esposa com alzheimer sobre história de seu amor

Jack Potter é um inglês que mesmo aos 90 anos lutou diariamente para que o amor entre ele e sua esposa não fosse esquecido.

Phyllis e Jack foram casados por mais de 70 anos e tudo estaria muito bem, não fosse por um detalhe. Phyllis tem demência e é acometida por uma severa falta de memória. Para evitar que as memórias dos dois fossem apagadas, Jack a visitava todo o dia na casa de repouso onde ela vivia e lia para ela trechos do diário que ele guardava desde que se conheceram.

Parece cena de filme, mas não é. Ou melhor, também é. É que a história do casal inglês lembra em muita coisa o livro “Diário de Uma Paixão”, de Nicholas Sparks, que mais tarde virou filme.

“Eu me lembro como se fosse ontem da primeira vez que a encontrei – ela veio até mim e me tirou pra dançar”, disse Jack, em entrevista ao tablóide britânico Daily Mail. “Ela era uma excelente parceira de dança e era mais velha que eu – eu a achei maravilhosa e continuo achando.”

A reportagem original é de 2013 e até o momento a reportagem não descobriu nada sobre a atual situação do casal. Seja como for, o carinho e dedicação de Jack fica como exemplo para cada um de nós.

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A inteligência é afrodisíaca

A inteligência é afrodisíaca

O termo “afrodisíaco” remonta à deusa grega Afrodite, divindade atrelada ao amor como um todo, sendo atribuído a quaisquer substâncias tidas como estimulantes sexuais. Não existe comprovação científica de que haja relação entre o consumo delas e o aumento do apetite sexual, porém, o termo já se incorporou ao vocabulário popular, uma vez que é usado para caracterizar alimentos, produtos e características pessoais que incitam a libido das pessoas.

Não dá para explicar direito o que nos atrai, o que realmente nas pessoas nos chama a atenção, mexendo conosco, com nossas emoções. Após termos uma certa convivência com alguém, muitas vezes acabamos sentindo algo a mais, sendo atraídos para além de mera amizade. Outras vezes, já na primeira vez que conversamos com uma pessoa, nós nos sentimos atraídos, sem conseguirmos explicar o motivo de fato.

Embora também possamos ser atraídos apenas visualmente, só de ver alguém que nos chame a atenção, mesmo de longe, ainda que nem tenhamos ouvido a sua voz, os sentimentos mais intensos, que nos embaralharão os sentidos, ocorrerão quando estivermos diante de alguém com quem possuímos certa convivência. Mesmo que apenas nos esbarremos com a pessoa pelos corredores da empresa e conversemos futilidades, a atração não se explica racionalmente.

Sem que precisemos recorrer a dados de pesquisa ou a argumentos científicos, certo é que a inteligência é um poderoso afrodisíaco, ou seja, pessoas inteligentes, intelectuais, escritores, acabam por se tornar atraentes para muitas pessoas. Alguém que transmita sabedoria e cultura, ainda que não possua atributos físicos, irá atrair muitos olhares, irá derreter corações por onde passar, simplesmente porque conteúdo não acaba, conhecimento ninguém nos tira – conhecimento atiça a libido.

Assim, a inteligência se nos apresenta como uma força inerente, que não envelhece, como se fosse algo que vem junto com a pessoa e ali ficará para sempre. É algo líquido e certo, pois transmite segurança, proteção e, portanto, atrai. Pessoas inteligentes conseguem buscar soluções, resolver problemas, rir de si mesmas, o que faz toda a diferença em qualquer tipo de relacionamento. Pessoas inteligentes assim permanecem com a passagem do tempo, que não lhes rouba o que possuem de mais precioso.

Enfim, a inteligência é algo com o que sabemos que poderemos contar, sem data de validade, algo permanente e imutável, algo que somente se amplia. E apenas quem é inteligente o bastante se coloca no lugar do outro, entendendo o que o compromisso afetivo requer, o que fere o semelhante, o que alimenta o amor verdadeiramente compartilhado, para além dos lençóis e das aparências vãs.

Imagem: Nejron Photo/shutterstock

Ensine para a sua solidão qual é o lugar dela

Ensine para a sua solidão qual é o lugar dela

Imagem: Orla/shutterstock

A solidão não se comporta bem nos encontros. Fale por ela antes que seja tarde. Ela tem necessidade de justificar sua condição, por vezes tímida, acuada, mas, em outras, até mesmo agressiva e mal educada.

Podemos ser solitários, mas jamais seremos somente isso. Solidão é uma condição complementar, não primária. Se ela tomar a voz em todas as decisões, acabará por nos soterrar e nos fazer dignos de piedade.

Todo mundo tem uma parcela de solidão na vida. Passatempos solitários, opiniões solitárias, sonhos, principalmente sonhos, adoravelmente solitários. Solidão não é virtude nem defeito. Só que é perigosa porque quer crescer e tomar um lugar e uma voz que nos afasta de tudo e todos.

É bacana conviver amistosamente com a solidão, Por vezes é melhor companhia e ainda nos conforta e aquieta. Mas jamais pode ela nos afastar do que precisamos ou queremos.

Quando a solidão encontra a carência, ela devora. Se for com a indiferença, ela repele. Com o amor – e por mais que ela tenha vontade de se entregar – ela vacila. Sabe que pode vir a ser o seu fim. É hora de entrar em cena e tomar o controle das decisões. O amor chega, pede para ficar, mas dificilmente entra em luta com a solidão.

Amor é janela aberta, solidão é portão trancado. Se não se passa sequer do portão, jamais se saberá a vista que a janela oferece.

Mas, por gratidão ou educação, é sempre bom lembrar as contribuições da solidão em cada vida. Momentos únicos para tentar decifrar os códigos de convivência, instantes de lembranças mágicas, ideias nascidas do silêncio. Má a solidão não é. Um pouco devoradora, talvez.

Se estiver bem educada e ensinada a ter seu próprio lugar, as chances de que cresça além da conta diminuem muito, e, com sorte e um pouco de amor, é possível que ela ignore as ameaças à sua sobrevivência e se transforme em outra coisa, uma pequena e saudável escapada, por exemplo.

Quem não te valoriza é que sai perdendo

Quem não te valoriza é que sai perdendo

Imagem:  fizkes/shutterstock

Não é fácil, mas teremos que saber que, se o outro vive sem nós, também poderemos muito bem respirar sem ele, longe dele, bem longe. Quem não nos valoriza mal sabe o que está perdendo.

Já notou que, não raro, ficamos prestando atenção justamente em quem costuma não nos dar muita atenção, remoendo o que não somou, não retornou, não aconteceu, deletando quase que instantaneamente tudo de bom que nos acontece e esquecendo aqueles a quem somos importantes? Que coisa doida essa mania de guardarmos aqui dentro o que deveria estar lá fora, ao passo que deixamos lá longe de nossos pensamentos tudo e todos que nos chamam para junto de si.

É quase que impossível termos um dia em que somente aconteçam coisas ruins, em que somente sejamos desprezados, esquecidos e deixados de lado. É claro que, em meio a um dia marcadamente difícil, alguém foi gente conosco, alguém disse algo bom, algo positivo ocorreu ali do nosso lado. Porém, ao fim do dia, o que nos sobra de mais pesado, ocupando quase que a totalidade da gente, parece ser sempre o que não aconteceu, as palavras agressivas que ouvimos, as pessoas desagradáveis que nos encheram a paciência.

Cansados após um dia extenuante, acabamos por deixar que a parte negativa das horas preencha toda a nossa essência, enquanto lembramos e relembramos tudo o que nos desgostou, todos que nos desapontaram, como se um dia ruim determinasse que nossa vida fosse ruim. Por mais que sejamos alertados para a necessidade de resgatarmos nossos melhores momentos e nossas mais belas lembranças, o que foi ruim e nos magoou muitas vezes ganha o espaço mais importante dentro de nós.

É preciso que nos forcemos e nos esforcemos, no sentido de não deixar que essas porradas que a gente leva nos derrubem demoradamente, pois é a forma como enxergamos as coisas que irá nos tornar mais aptos a dar o devido valor ao que merece nossa atenção e a saber com quem deveremos gastar nossas energias. Não é fácil, mas teremos que saber que, se o outro vive sem nós, também poderemos muito bem respirar sem ele, longe dele, bem longe. Quem não nos valoriza mal sabe o que está perdendo.

É assim mesmo, teremos que seguir, prosseguir, continuar acreditando que há algo melhor por vir, amanhã ou depois, porque merecemos, porque fazemos por onde, porque somos gente do bem, porque é o que nós queremos. A vida não é fácil, nunca foi nem nunca será. Ninguém é feliz o tempo todo e merdas acontecem. Ainda assim, como é bom viver, melhor ainda quando não desistimos de sorrir, junto de quem gosta da gente e sem machucar ninguém nesse percurso. Vivamos!

Não coloque palavras na minha boca!

Não coloque palavras na minha boca!

Coisa irritante é ter que lidar com gente que adora distorcer o que a gente fala. A convivência vai ficando muito complicada quando o outro pega o que dizemos e passa no seu próprio moedor mental de repertório, tempera com suas próprias emoções, e usa a nossa fala em seu próprio benefício.

Nessas circunstâncias o que pode ser feito é ouvir a si próprio atentamente, antes de aceitar de forma condescendente o que vem do outro, por meio de suas opiniões e crenças prontas.

Além disso, é bom enfiar na cabeça uma coisa: se outro estiver a fim de dar um nó cego naquilo que você falou não há Nossa Senhora Desatadora de Nós que dê jeito.

Feita a reflexão, você estará quase pronto para o próximo estágio, que é aceitar serenamente que uma coisa é o que você fala, outra coisa é o que o outro entende, e outra coisa, ainda mais perturbadora é o que o outro escolhe entender.

A interpretação alheia acerca de nossas exposições é uma verdadeira caixinha de surpresa, dentro da qual tanto pode vir uma joia valiosa, quanto um cascalho desgastado por toda aquela água que tinha para rolar debaixo da ponte, e que já rolou.

E o que tem de gente que faz questão de não entender o que dizemos é de arrepiar o umbigo, bem naquele lugarzinho que a gente se esconde quando também faz questão de deturpar falas alheias em nosso próprio benefício. Afinal de contas, pisar na bola não é privilégio de ninguém, certo? E todo mundo tem seus dias de ver o mundo lá de cima ou lá de baixo.

É, colega, como diria a minha avó “Tudo o que sobe, um dia há de descer!” – sem exceção -, tirando os níveis de canalhice no mundo. Sim, porque esses sobem verticalmente na velocidade da luz.

Mas… Supondo que você tenha feito um voto em benefício da honestidade, lealdade e justiça. E que venha honrando esse voto. Baseado nessa honra recém-conquistada, você escolheu praticar aquelas maravilhas todas sobre as quais sempre discursou com tanta desenvoltura e considera-se apto para dizer ao seu semelhante próximo o que lhe vai na alma.

Então você escolhe bem as palavras, dá uma boa polida nelas e revela seu coração e sua mente para aquela pessoa difícil, com a qual é um desafio gigante manter uma conversa. Tudo devidamente organizado em pensamento, você abre as comportas. É sua tentativa de “limpar ruídos na comunicação”.

A criatura fica ali imóvel, uma caricatura malfeita da Monalisa. Não dá nenhuma pista para te ajudar a entender se o seu discurso de peito aberto foi ou não foi compreendido. Nada. Silêncio total. É nessa hora que você decide encurtar o papo que, a essas alturas já virou um constrangedor monólogo.

Fim de “conversa”, cada um toma seu rumo e vai cuidar da sua vida. Você até procura esquecer que foi solenemente ignorado. Supera.

Até que, um belo dia, você é surpreendido por uma espécie de filme ruim, desses que só passa na Sessão da Tarde. E vê, estarrecido, saírem da boca do seu outrora interlocutor, aquelas palavras que com tanto esforço você compartilhou, só que deformadas.

O que era “não” virou “talvez”, o que era “talvez” virou “sim”, o que era “sim” virou “sei lá”, e o que era “sei lá” virou lá qualquer outra coisa sobre a qual você não faz a menor ideia de origem ou significado.

Numa hora dessas, a primeira melhor coisa que se pode fazer é manter silêncio. O silêncio é a resposta mais justa que podemos oferecer àqueles que fizeram de nossas palavras tecidas em sentimentos, trapinhos distorcidos, sem nenhum constrangimento.

A segunda melhor coisa? A ausência. Dê seu melhor sorriso, limpe dos pés a poeira do ressentimento e saia de cena. Deixe o desonesto manipulador falando sozinho. Ele merece!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Antes da meia noite”

A gente só muda quando a gente se encontra

A gente só muda quando a gente se encontra

Imagem: Mathisa/shutterstock

Recentemente, eu fui indagado por um amigo de que eu tinha mudado bastante, na verdade, de que eu fui a pessoa que mais mudei desde o ensino médio.

Prontamente o respondi dizendo que mais do que mudado, eu havia me encontrado. Aliás, há outra saída estando em um universo em constante transformação?

Em “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, lá paras tantas, Machado argumenta que nós estamos em constante mudança, o que ele chama de edição. Estamos sempre nos transformando em uma nova edição, como se fôssemos um livro que a cada ano passa por uma revisão.

E conforme as edições vão se alterando, nós adquirimos novos gostos, novos hábitos, novas experiências, assim como, deixamos de lado coisas que na edição atual já não possuem tanta importância ou significado.

Eu acredito que não há como não mudar com o passar do tempo. Somos expostos a situações e vivências que pouco a pouco modificam o que somos. Mas, antes que alguém pense de forma errônea, não me refiro a mudanças que alteram substancialmente a nossa essência, e sim, a metamorfoses que nos tornam ainda mais próximos do que somos intimamente.

O que ocorre é que não raras vezes silenciamos o que sentimos, deixando de modo abafado o que há de mais intrínseco e subterrâneo ao nosso ser. Para que isso venha à tona, precisamos passar por situações dolorosas, na maioria das vezes, para que sejamos obrigados a olharmo-nos no espelho totalmente despidos e, assim, percebamos que a realidade que se apresenta não está de acordo com a parte que não pode ser refletida.

Entretanto, nem sempre é uma situação específica (ou situações) que nos obriga a repensar a nossa vida. Às vezes, como disse, é a própria passagem do tempo, com a sua força inexorável, que nos leva a esse “choque de realidade”, uma vez que só o tempo traz a experiência necessária para que compreendamos alguns pontos-chave da nossa existência.

E não é que ela resolve tudo, até porque não há como. Mas, a experiência nos mostra que na vida nada é tão simples, que toda escolha tem uma consequência, e, sobretudo, que fugir daquilo que somos (por qualquer motivo que seja), só nos fará infeliz.

Para mudar, se tornar uma edição revisada, não são necessários grandes acontecimentos no mundo externo, porque a verdadeira mudança acontece internamente, quando sentimos que a pessoa que somos hoje reflete muito melhor o nosso interior do que em edições anteriores.

É claro que cada fase possui a sua importância, contudo, se as nossas experiências servem muito mais para nos aproximar de outros universos do que nosso, é preciso repensar o que o tempo, na sua complexidade e magnitude, tem nos ensinado, já que como diz o poeta – “A gente só muda quando a gente se encontra” – e ser forasteiro de si mesmo é uma das maiores tristezas da vida.

A vida está com mais pressa do que nunca

A vida está com mais pressa do que nunca

Imagem: Jacob Lund/shutterstock

Passa como um trator por cima das horas, indecisões, dos suspiros e divagações.

Se você se sente confortável alimentando dúvidas e ponderações como quem vai todos os dias à praça para oferecer milho aos pombos, é bom lembrar que a vida passará tão tediosamente quanto essa rotina escolhida.

Se, por outro lado, você está confiante em pegar a vida no laço, fazer dela o que planeja e sonha, é possível que ela corresponda na mesma intensidade ou até mais, portanto, é importante ter onde se segurar quando os trancos vierem.

A vida responde às nossas provocações, mas vem com pressa, com urgência, e não costuma tolerar intenções desgovernadas, blefes, ameaças ou trotes. Bem tratada e respeitada, sorri e retribui sorrisos. Enganada, não há quem a alcance e a faça mudar de rumo.

Pense bem na aposta que está fazendo com a vida. Ela como parceira, corre para você; Como rival, te atropela.

A pressa é estratégica. Ela passa voando, nada a faz parar. Quem souber aproveitar, desfrutar, multiplicar, sequer vai sentir a velocidade. Quem preferir arrastar, frear, deixar no ponto morto, provavelmente irá carregar o peso do tempo nos ombros.

Em algum lugar da vida de cada um de nós há uma amizade, um afeto, uma figura do passado, de algum lugar distante precisando muito de um pouco da vida que podemos oferecer. E se, ao invés de tentarmos inutilmente brecar o tempo, nós o usarmos para esses resgates, reaproximações, companhias e recordações? A vida sabe o quanto isso é importante e nos brinda com momentos inesquecíveis.

E, por fim, se ela pudesse nos dar dicas de como aproveitá-la melhor, certamente diria para largarmos para trás o tempo gasto com futilidades e inutilidades, e nos agarrarmos nos mágicos momentos de convivência e troca com quem amamos e admiramos.

Aí sim, a vida vem e oferece uma garupa na sua moto, para a aventura de passar pelo tempo com muita vida!

Amor não precisa de discurso para existir. Precisa de atitudes.

Amor não precisa de discurso para existir. Precisa de atitudes.

Imagem: Antonio Guillem/shutterstock

Primeiramente, deixe-me lhe perguntar: você já viu Gandhi, Mandela, Madre Teresa de Calcutá ou Martin Luther King falando do bem que fizeram à humanidade? Não, né?! E sabe por quê? Porque eram pessoas do bem e sabiam que para melhorar o mundo não precisavam de plateia, nem de um discurso avassalador, mas de ações. E assim fizeram.

Agora, vamos ao ponto que quero chegar: quantas vezes você recebeu palavras no lugar de ações como forma de suprir um erro cometido? Quantas vezes você ouviu quer um “nunca mais farei isso” depois de ter sido magoada de forma surreal? As palavras têm esse encanto mesmo. Não foi à toa que terras foram colonizadas e nações enganadas por políticos. A comunicação seduz e tornou-se uma arma para quem a sabe usar.

A questão aqui é: há uma grande diferença entre atitudes e palavras e as pessoas precisam, urgentemente, aprender isso. Notem, quem muito promete e muito “jura de pé junto” é porque precisa afirmar uma verdade que foge da normalidade. Usam os argumentos para convencer as verdades que suas atitudes não provam. E isso envolve todos os relacionamentos sociais: profissionais, familiares e amorosos.

Do que adianta ouvir “ eu te amo” se não foi apresentada como namorada? Do que importa um “eu sou fiel”, mas não assume o relacionamento e só sai com você no final da festa? Às vezes, um “estou na portaria te esperando” tem mais a dizer do que todas as vezes que ele disse que estava com saudades.

Eu sei que fomos ensinados a acreditar que o verdadeiro amor é estar junto todos os dias, fazer pequenos sacrifícios, não querer mais ninguém…. e blá blá blá… mas amor é muito mais complexo que isso.

Amor é quando você recebe um convite para jantar, do cara mais lindo do universo, mas por opção, permanece fiel ao seu parceiro. Porque você o respeita e o ama.

Amor é quando ele não quer continuar a relação e você deixa ir. Porque entende que amar implica em deixar livre e que, do nosso lado, só deve ficar quem quer.

Amar é aprender a valorizar o “bom dia”, “estou indo aí” e o “você está melhor” mais do que o “eu te amo”. Entendendo que há uma grande diferença entre o amor verbalizado e o comprovado.

Entenda que um anel de brilhantes não é prova de amor. Um “eu te amo” escrito pelo esquadrão da fumaça não mede sentimento e um convite para jantar não significa que ele te leva a sério.

Essas coisas não são nada perto das gargalhadas diárias, do respeito mútuo e da cumplicidade que apenas um verdadeiro amor pode oferecer. Então, desencanta aí e acorda para vida! É muito show para pouca plateia nessa relação.

É fato que cada um ama do seu jeito, mas sempre deve haver coerência entre palavras e atitudes. Às vezes, há muito mais verdade no silêncio que nas declarações de amor em praça pública. Mas, cabe a você, decidir qual é o seu padrão de beleza.

Da coragem de permanecer

Da coragem de permanecer

Imagem: nd3000/shutterstock

“Contato é todo tipo de relação viva que se dê na fronteira, na interação entre o organismo e o ambiente, é um processo contínuo de reciprocidade em que homem e mundo se transformam. O contato acontece no diferente, é o reconhecimento do outro, o lidar com o outro, o que eu sou, o diferente, o novo, o estranho. O contato acontece na fronteira eu-outro, conhecido-desconhecido, velho-novo, todo contato é dinâmico e criativo.”
Perls, Hefferline e Goodman, no livro “Gestalt-terapia”, 1997.

Para a Gestalt-terapia, o contato é a maneira mais autêntica e criativa de transformação do homem. Os anos de estudo e vivência me ensinaram que contato tem muito mais a ver com permanência do que com brevidade. Também aprendi que permanecer, em tempos de relacionamentos líquidos, é uma arte que nem todos dominam.

Em tempos de quantidade e muitas escolhas, onde tudo se faz tão efêmero, permanecer pode ser a mais autêntica prova de celebração do encontro, de honrar o que é diferente, novo, e tudo aquilo que nos incomoda ou fascina no outro.

Aprender a permanecer tem sido, para mim, um grande aprendizado e um ato de coragem. É dar ao outro o benefício da dúvida, mesmo sabendo que as dúvidas me desestabilizam, tornam-me vulnerável, apesar de me engrandecerem. Duvidar nos transforma, enquanto as certezas nos engessam. Paralisados, tentamos manter o controle e garantias de que não sofreremos grandes danos – esse controle, por si só, já é sofrimento. Então, quando você tiver apenas certezas, vá embora.

Permanecer é aprender sobre ser paciente e observar. Ficar, enquanto as dúvidas assolam os corações medrosos. Sim, ficar dá medo. Mudanças dão medo. E, se na dinâmica do encontro, temos poucas certezas, a única garantia que temos é a de que entrar em contato com o outro significa mudança.

Mas permanecer é também uma escolha que nos convida ao crescimento e nos aufere autonomia. É confiar que temos a capacidade de distinguir o que é saudável do que nos faz mal; que teremos a coragem de partir, se ou quando necessário; que teremos a capacidade de superar as possíveis dores e de sobreviver às consequências de nossas escolhas. É saber que ficar não é uma escolha permanente. E, enfim, entender que as cercas que criamos para nos proteger não mantêm os outros para fora, mas nos aprisionam dentro de nossa mesmice e pequenez.

É importante lembrar que permanecer não é uma desculpa para viver de pequenas doses ou de metades, pois o ato de permanecer deve ser usado com prudência e amorosidade. Os gestaltistas alertam: o contato só se dá na fronteira. Ou seja, ele não é unilateral. É fundamental que exista reciprocidade, ainda que o desequilíbrio na troca seja saudável. Portanto, permanecer é suportar, mas não é suportar tudo desmedidamente.

E, se essa matemática tão ilógica, que nos faz escolher ficar ou partir, ainda é um mistério, uma coisa é certa: permanecer é uma escolha pessoal e solitária. Devemos escolher sozinhos, da nossa maneira, com o que podemos, sem garantias nem certezas. Devemos escolher ficar ou partir pelo nosso próprio bem e não pelo bem do outro. E entender que o outro também tem essa liberdade de escolha solitária. Portanto, é inútil tentar dosar igualmente ou tornar lógica essa fórmula.

E, mesmo que haja tantos riscos e incertezas, se queremos mudar e evoluir, eventualmente precisamos desenvolver coragem e paciência para ficar. Ficar é aprender a enxergar, no outro, uma escola, entendendo que os riscos não podem ser calculados e, mesmo assim, valem a pena serem vividos. E se (ou quando) eu sofrer, é bom me lembrar do que me fez ficar, que vem do melhor de mim, daquilo que me torna mais autêntica e, portanto, melhor para o outro e para o mundo.

Na liquidez que escorre entre os dedos e os medos daqueles que escolhem partir, a grandeza dos relacionamentos transborda nos corações de quem tem gana e coragem, dos que fazem questão, que celebram os encontros e desencontros, que se colocam disponíveis, entram em contato e, apesar de tudo, por causa de tudo, permanecem.

Não tenho tempo para quem finge se importar

Não tenho tempo para quem finge se importar

Imagem de capa: Jacob Lund, Shutterstock

Não é de hoje que observo essa sua falta de empatia. O falso discurso de dizer que se importa comigo e com os outros. É muito cômodo vir falar de amor e pregar o cada um por si. Sinceramente, não tenho tempo para quem finge se importar. Porque quem se importa, cuida. Não atravessa o respeito e nem escolhe agir de mentira.

Senta aqui, você precisa entender de uma vez por todas. Você pode dizer o que for, mas não tenho culpa dos seus medos. Também não tenho responsabilidade pelas lágrimas já vividas no passado. Todos, em algum momento, passamos por experiências que nos fizeram um pouco menos do que somos hoje. Mas agora é um novo dia e, ao contrário da sua entrega dos pontos, prefiro pensar e querer ser mais. Mais de amor, mais de carinho. Dessa forma, querendo ou não, permito que a minha vida esteja aberta para quem quiser chegar. Fico de prontidão para entender e cuidar de quem é importante, de quem me quer bem. Você deveria tentar, é de graça.

Eu sei que o medo está presente. Sei que, no fundo, você age na ofensiva porque não sabe defender-se. Pensa que é você contra o mundo quando, na verdade, é você contra si. Esquece isso. É sempre tempo de reaprender. E essa conversa é mais uma oportunidade para que perceba, o abraço não acabou. Se quiser, todos os instantes podem ficar para trás. Quem sabe possa finalmente ter o tão esperado final feliz. Depende de você. Minhas mãos estão lavadas e o meu coração está descansado.

Ainda assim, não vou forçar. É direito primeiro respeitar os caminhos escolhidos por cada um, mesmo que eles não incluam uma estrada em comum. Apenas não esqueça, não tenho tempo para quem finge se importar. Nunca tive. Porque quem se importa, vive para somar. Não poupa, não importando o tombo, cada afeto que o coração pode oferecer.

Nem sempre quem volta encontra o que deixou

Nem sempre quem volta encontra o que deixou

Nossa vida é feita de escolhas, nem sempre doces, nem sempre amargas. Muitas vezes, nossa escolha implicará termos que deixar para trás algo que já é certo, que faz parte de nossa jornada, para que possamos caminhar em outras e novas direções. Essa tomada de decisão nunca será fácil e, quando envolver o desapego, o abrir mão de, aí tudo se tornará pior, pois o que decidirmos poderá mudar as coisas, sem que possa haver volta.

Ninguém está livre de, repentinamente, ver-se diante de alguma proposta tentadora de emprego, de estudo, de ser convidado para iniciar novos projetos em algum lugar bem distante, em outra cidade, em outro país. Da mesma forma, ninguém está livre de se sentir entediado e insatisfeito com a vida que leva, ambicionando uma vida outra, totalmente oposta ao que tinha até então. Seja por conta de propostas ou de sonhos pessoais, certo é que a vontade de mudar pode surgir a qualquer instante.

Nesses momentos, muitos de nós estaremos diante de um grande dilema, uma vez que nas oportunidades talvez não possa caber ninguém mais além de nós, ou seja, teremos que optar por aceitar ou não uma nova jornada, mas deixando para trás um parceiro, um lar, amigos, toda uma vida anterior. É como se fôssemos começar do zero, embora nossas vidas já estivessem preenchidas, inclusive nossos corações. Assim, aceitar o novo significará uma ida solitária, somente com nós mesmos, nada nem ninguém mais.

A questão é que não temos o dever de esperar pelo outro, enquanto ele fica lá longe realizando seus sonhos, sem nós, por tempo indeterminado, que então passivamente assistimos, como meros espectadores, do outro lado da telinha, às conquistas que poderíamos – e deveríamos – estar desfrutando junto, a menos que assim o desejemos. A distância física demorada acaba por provocar o afastamento emocional, o arrefecimento da carga afetiva, porque simplesmente a gente se acostuma tanto com a presença quanto com a ausência. Isso é sobrevivência.

Como se vê, quanto mais vivermos, mais escolhas teremos pela frente, mais renúncias, ganhos e perdas acumularemos, pois é assim que a vida age, chacoalhando, incitando, promovendo o novo, mas quase nunca de uma forma tranquila. Optar sempre será doloroso, simplesmente porque, ao escolher algo, alguma coisa será preterida. É preciso que tenhamos clareza quanto à importância real de tudo e de todos que fazem parte de nosso caminhar, para que não deixemos para trás justamente aquilo que nos alimenta a alma.

Como dizem, a fila anda, e anda tanto para quem vai lá na frente, quanto para quem está no final dela. Podemos ir, sim, mas, quando voltarmos, possivelmente nada mais será como antes.

Imagem: Olleg/shutterstock

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