O único relacionamento que não se desgasta é aquele que nunca existiu.

O único relacionamento que não se desgasta é aquele que nunca existiu.

Nenhum. Não há neste mundo uma única relação que não se desgaste. Todo ser vivo em convívio com outro há de um dia se pegar aqui e ali em franco desconforto. Namoros, casamentos, amizades, convenções familiares, parcerias comerciais, toda relação entre pessoas se deteriora em algum momento. Cabe a nós decidir se cuidamos de reverter esse envelhecimento ou se largamos mão.

Como tudo que vive, tal e qual tudo o que existe neste mundo, a convivência também está sujeita à erosão causada pelo uso, pelo tempo, pelo vento, pelo sol e pela chuva do caminho. Só está livre de todo estrago aquilo que nunca existiu. Intocadas só permanecem as relações idealizadas, habitantes do terreno dos sonhos. Livres do chão barrento e imperfeito da realidade.

Histórias de verdade, vividas por gente verdadeira, têm prazo de validade. Prorrogá-lo é um trabalho a que nem todos se submetem. Uma hora dessas, quem um dia nos foi tão caro se transforma num estorvo, um aborrecimento, uma presença inconveniente. A gente vai vivendo, relevando um engano aqui, uma falta ali. E quando se dá conta, o convívio se tornou difícil, penoso, aflitivo. Nossa máquina íntima grita por óleo na engrenagem, pede a troca de suas peças e água que lhe refresque os motores. Clama por manutenção e reparo.

Todo relacionamento se desgasta mais cedo ou mais tarde. Se existe, está fadado a se deteriorar. Ou jamais existiu de verdade. Nunca houve nem haverá o que fazer a respeito. Uma hora a gente cansa do outro. Não nos cobremos por isso. Antes, perguntemos com honestidade se queremos cuidar do que ainda temos, se vive em nós um desejo sincero de resgatar o que fomos, se nos resta qualquer disposição de encontrar novos motivos para seguir adiante juntos.

Procuremos com empenho nos envelopes puídos de fotografias amareladas, no fundo de gavetas intocadas, nos vãos do sofá, entre as páginas dos livros onde repousam velhas entradas de teatro, passagens de ônibus, bilhetes esquecidos, resquícios de um tempo que por alguma sorte se perdeu. Busquemos em todo canto, dentro e fora de nós mesmos.

Quem sabe nos reencontremos ali e ali achemos os motivos certos para continuar. Quem sabe nos perderemos de vez. Não importa. Juntos ou separados, teremos sido corretos conosco, simples bichos humildes em nosso exercício leal de existir, reconhecer os nossos erros e nos tornar melhores para nós mesmos e para os outros. Sei não, mas eu tenho a impressão de que é por isso mesmo que estamos aqui.

Imagem de capa:  Jullia_L/shutterstock

Razonite: uma enfermidade grave que está se espalhando pelo mundo

Razonite: uma enfermidade grave que está se espalhando pelo mundo

Uma pandemia é uma epidemia descontrolada que se espalha pelo mundo. E é o que está acontecendo com a razonite, que tem se alastrado por todos os continentes de uma forma assustadora.

pandemia de razonite é um problema sério, que afeta cada dia mais pessoas e que põe em risco o bem-estar de toda a humanidade.

O que é a razonite?

Razonite é uma doença altamente contagiosa que causa uma inflamação da razão e disfunções cerebrais sérias, além de um desequilíbrio emocional que torna as pessoas agressivas, intolerantes e impacientes. Sua principal característica é um forte impulso de querer sempre ter razão, custe o que custar.

Pessoas que sofrem de razonite comportam-se de maneira pouco sociável, são provocativas, hostis, com tendências coléricas e insultuosas.

Em estágios mais avançados, o transtorno pode levar à perda de qualquer senso de realidade. A capacidade de comunicação e a empatia do paciente são extremamente limitadas ou completamente perdidas e, não raramente, se registra uma propensão à violência verbal e psicológica ou mesmo física.

Por que a razonite é perigosa?

Porque pode se alastrar, contagiando mais e mais gente e nos colocando numa situação na qual todos achariam que têm razão, atacando uns aos outros e destruindo a si mesmos e tudo que há de bom neste mundo.

Mais problemático ainda é quando a enfermidade atinge pessoas com papel-chave na sociedade, como políticos, jornalistas, professores ou qualquer um que tenha acesso ao poder ou grande influência sobre outras pessoas.

Os principais sintomas da razonite

Quem sofre de razonite costuma apresentar os sintomas listados a seguir:

  • Tendência severa e irracional de querer sempre ter razão.
  • Narcisismo extremo.
  • Agressividade, intolerância e impaciência/nervosismo acentuados sem motivos reais que justifiquem tal comportamento.
  • Perda da capacidade de ver cores, o que faz com que o paciente comece a ver tudo em preto e branco. Até mesmo a capacidade de enxergar vários tons de cinza pode ser extremamente restringida ou suprimida.
  • Problemas de comunicação, com o paciente perdendo a capacidade de argumentar e formar novas frases, o que o leva a repetir todo o tempo a mesma coisa, o que é conhecido na medicina moderna como Síndrome do Disco Arranhado.
  • Também o sistema auditivo do paciente é atingido pela infecção, causando-lhe uma surdez seletiva, que o impede de escutar argumentos alheios, por mais óbvios que sejam, sempre que contradigam sua opinião.
  • Perda de qualquer senso de realidade, fuga para uma bolha de supostas verdades, fatos criados ou torcidos e teorias conspirativas.
  • Vitimismo crônico e mania de perseguição (“quem não concorda comigo tem algo contra mim!”).
  • Teimosia e insistência, com tendência a querer discutir ou mesmo brigar até que o outro ceda e aceite que ele tem razão, perdendo a paciência e insultando quando isso não ocorre.
  • Falta de empatia.
  • Comportamento arrogante para disfarçar suas frustações.

Como ocorre a infecção

A infecção com a razonite ocorre normalmente já dentro de casa, na família, que muitas vezes já tem a enfermidade e a passa para as crianças.

Uma infecção pode ocorrer também mais tarde, em outros meios sociais, como no círculo de amizades, no trabalho ou mesmo numa igreja, seita ou em grupos ideológicos.

Segundo o Instituto Internacional de Pesquisa da Razonite (Razonite International Research Institute), redes sociais como Facebook são hoje o principal canal de infecção da doença. Dr. Robert Stopandthink, diretor do instituto, relata que as redes sociais têm contribuído de uma forma extrema para que esse transtorno se espalhe rapidamente pelo planeta.

“A pessoa, que muitas vezes já carrega consigo uma predisposição para a razonite, entra numa rede social, participa de alguma discussão com pessoas infectadas e passa a pensar e agir como elas, aceitando os delírios de outros enfermos como se fossem seus e querendo ter razão de qualquer maneira, não medindo esforços para isso e se sentindo dono exclusivo da verdade”, explicou Robert Stopandthink.

Razonite é uma coinfecção!

Um dos problemas da razonite é que ela não surge sozinha. Pessoas que se contaminam com esse mal normalmente já tinham o organismo afetado por outras infecções.

É muito comum, por exemplo, que pessoas com razonite tenham se contaminado anteriormente com o vírus vaidadis imbecilis, que causa um excesso de vaidade e egocentrismo anormal.

Estudos indicam que muitos pacientes com razonite carregam também consigo uma bactéria chamada complexus fragilis, adquirida ainda na infância (essa bactéria é normalmente passada aos filhos pelos pais) e que é responsável pelo complexo de inferioridade que igualmente acomete essas pessoas.

Diagnóstico diferencial

A razonite é um transtorno que atinge normalmente pessoas em idade adulta e não deve ser confundida com o comportamento birrento de crianças, mesmo que alguns sintomas sejam muito semelhantes.

Tratamento

O tratamento da razonite é difícil, principalmente porque demora muito até que o paciente perceba que foi infectado (muitos terminam levando toda sua vida sem perceber que têm o transtorno). Tentativas de pessoas próximas ao paciente de alertá-lo sobre seus sintomas claros são ignoradas ou vistas por ele como uma afronta que deve ser combatida.

Indicada como parte importante do tratamento da razonite seria uma psicoterapia, no intuito de ajudar o paciente a reconhecer que sofre da enfermidade e entender quando foi infectado e que estratégias poderiam ajudá-lo a recuperar o tempo e o desenvolvimento perdidos por causa da doença.

Outro tratamento, infelizmente nem sempre eficaz, seria confrontar o paciente com seu comportamento e com as bobagens que anda dizendo e escrevendo por aí. Isso nem sempre funciona por causa da teimosia e da tendência ao vitimismo do paciente (ao ser confrontado com a realidade, ele se sentirá atacado  e tentará assumir o papel de vítima!), mas principalmente por causa do narcisismo, que também é um sintoma comum desse distúrbio.

A terapia mais eficaz é o tratamento de choque: o paciente é trancado em um recinto fechado, sem janelas, juntamente com várias outras pessoas também infectadas com razonite e em estado mais grave que o dele. Depois de passar uns dias batendo boca (e a cabeça!) com os outros, o paciente termina esgotando toda sua energia de “dono da verdade” e tem a chance de perceber que algo está errado, de reconhecer o absurdo do próprio comportamento e, assim, começar a mudá-lo.

Chances de cura

Quanto mais cedo o paciente reconhecer que está afetado pela doença, maiores são suas chances de cura.

Especialistas têm observado que pacientes de idade mais avançada, que não raramente já carregam a razonite consigo por muitas décadas, têm uma maior dificuldade de admitir que estão transtornados, já que os sintomas teimosia e perda do senso de realidade tendem a aumentar com o tempo.

Pacientes terminais

Algumas pessoas que sofrem de razonite se encontram num estágio tão avançado que não têm mais chances de cura. Um diálogo não é possível, qualquer forma de tratamento/ajuda é recusada pelo paciente e insistir pode fazer com que ele parta para a violência.

Nesses casos, Dr. Robert Stopandthink recomenda a isolação da pessoa afetada, devendo-se evitar qualquer forma de contato, já que a vida é muito curta para ficar se ocupando com gente contaminada pelo mal de querer ter razão o tempo todo. Sem falar do risco de se contagiar e se tornar um deles.

O PROBLEMA DO MUNDO DE HOJE É QUE AS PESSOAS INTELIGENTES ESTÃO CHEIAS DE DÚVIDAS E AS PESSOAS IDIOTAS ESTÃO CHEIAS DE CERTEZAS.
Charles Bukowski

Imagem de capa:  Kues/shutterstock

Publicação original deste artigo no site Caminhos em 01 de junho de 2017

A gente precisa saber conviver com os próprios erros e continuar vivendo

A gente precisa saber conviver com os próprios erros e continuar vivendo

Imagem de capa: Marjan Apostolovic, Shutterstock

Às vezes, não adianta praticar o esquecimento. Querendo ou não, somos causa e consequência dos nossos erros. As coisas que podemos mudar, mudamos. Mas certas atitudes não podem ser apagadas, e ficar tentando encontrar porquês é atestado de sofrimento.

Os sintomas variam da culpa até o constante movimento do lamento. Ficamos mergulhados em dias e noites, buscando explicações que não fazem o tempo voltar. Precisamos aceitar que nem sempre teremos respostas. Faz parte da vida encarar situações fora do nosso controle. Experimentar essa ausência de poder, ajuda no amadurecimento emocional. E como estamos afastados dele.

Quando nos deparamos com conflitos internos e arrependimentos, nutrimos o péssimo hábito de questionar tudo e todos. O que deveria ser uma reflexão sadia, como principal ação para seguirmos em frente, acaba se tornando um redemoinho de caos e tristezas. Erros acontecem. Ninguém está imune. Podemos mudar de ideia, podemos pedir desculpas e podemos prometer para nós um novo começo. E que o façamos. Mas, em nenhuma hipótese, podemos ou temos permissão para alterar o passado.

Em vez de concentrarmos esforços por uma reinvenção da história, talvez fosse mais justo abraçarmos o já passado e, a partir de novos ares e motivos, escrever novos capítulos das nossas histórias.

Ninguém é obrigado a ficar refém de uma angústia, de um pesar que mais atrapalha do que ajuda. Isso é nocivo e egoísta. Sair desse ciclo de absurdos exige força de vontade mas, principalmente, escolha. Mudança de comportamento, evolução de sentimento.

A gente precisa continuar vivendo. Mesmo que doa, a gente deve ter responsabilidade com o nosso querer. Do contrário, afundaremos, de novo e de novo, nos erros e despedidas mais injustos ao coração.

Quanto custa salvar uma vida?

Quanto custa salvar uma vida?

Não continue a ler se não gosta de se sentir desconfortável ou desafiado. No entanto, esperamos que continue a ler e que pense sobre isto com cuidado: se salvar uma criança a afogar-se num pequeno lago não implicasse qualquer risco, mas pudesse estragar seu melhor par de sapatos, você estaria disposto a salvar a criança, certo? Então, por que não estamos dispostos a doar o valor desse par de sapatos para ajudar quase 10 milhões de crianças com menos de 5 anos de idade que morrem todos os anos por causas relacionadas à pobreza?

É com essa provocação que o filósofo australiano Peter Singer, considerado pela revista “Time” uma das cem pessoas mais influentes do mundo, inicia o livro “Quanto custa salvar uma vida?” (Editora Campus Elsevier, 2009), em que defende que as ações sociais não são, apenas, responsabilidade do governo e das empresas, mas devem estar presentes no dia a dia de todos os cidadãos.

Para justificar essa ideia, o especialista, que é também fundador presidente da IAB – Associação Internacional de Bioética, cita uma série de argumentos. Entre eles o fato de que existem, hoje, bilhões de pessoas no mundo que vivem, por dia, com menos do que muitos de nós pagaríamos por uma garrafa de água e que, portanto, ajudar ao próximo com o que nos parece insignificante já pode fazer grande diferença no mundo.

Para criar um modo de vida mais desprendido, o filósofo oferece um plano de sete passos que mistura filantropia pessoal (estima o quanto doar e como fazê-lo), ativismo local (como cada um pode atuar dentro da sua comunidade) e consciência política (propõe que os cidadãos estejam atentos às ações do governo e pressionem as autoridades políticas para que foquem sua atenção nas regiões mais necessitadas).

Sabemos que há um sentimento de dúvida que persiste no seu inconsciente quando você doa. Como você pode saber que está doando para as causas certas? Como pode saber que as suas generosas doações de tempo e dinheiro, realmente, têm o tipo de impacto que você quer no mundo? Esse é o papel do Institituto Phi, que ajuda potenciais doadores a descobrirem a causa que querem apoiar e, a partir daí, sugere organizações e projetos sérios que estejam dentro do perfil idealizado.O próprio Singer foi um dos primeiros membros da comunidade de doadores Giving What We Can, o que envolve assumir um compromisso público de doar 10% ou mais do seu rendimento para as organizações sociais que mais ajudem pessoas necessitadas.

Seja combatendo a escravidão ou lutando pela igualdade e os direitos civis, cada geração se destacou por elevar um pouco nosso grau de civilidade. Existem ainda muitas conquistas a serem feitas. O livro de Singer mostra isso e faz um convite: que todos nós aproveitemos a oportunidade de ser a geração que conseguiu erradicar a pobreza extrema do planeta.

 

O Instituto Phi assessora, com metodologia pioneira, pessoas físicas e jurídicas que queiram doar com foco e mensuração de impacto. Em três anos movimentou R$ 11,3 milhões para 207 projetos sociais. Recentemente, lançou seu primeiro e-book “6 coisas que você não deve fazer na captação de recursos”, disponível para download gratuito clicando aqui.

Imagem de capa: Nolte Lourens/shutterstock

Não é necessário ser psicólogo para escutar alguém, basta somente ser um pouco mais humano

Não é necessário ser psicólogo para escutar alguém, basta somente ser um pouco mais humano

Antes de mais nada, repare: OUVIR é diferente de ESCUTAR. Os dois conceitos, que normalmente são tidos como sinônimos, são, em essência, bem distintos.

O ouvir é o simples captar do som através do aparelho auditivo. O escutar é uma arte, é um ouvir regado por nossa atenção. O que ouvimos entra por um ouvido, sai pelo outro; aquilo que escutamos, entra, é codificado, interpretado, banhado por tudo o que conhecemos e fica. O conteúdo que ouvimos passa por um canal em preto e branco, sem filtros, sem significado. O conteúdo que escutamos torna-se colorido pelo fato de entrar em contato com o nosso mundo, nossa personalidade, nossas expectativas e perspectivas.

Que tal uma definição mais aprofundada voltada para a Psicologia?

“Escutar: atitude que revela uma postura mais dinâmica, que exige uma atenção para aquilo que se passa, uma interrogação para o significado mais profundo do que é dito e, ao mesmo tempo, uma certa humildade, pois estarei tentando compreender o que está sendo veiculado.” (Giovanetti)

Ademais, escutar, para além de colorir o conteúdo com nossa própria visão de mundo, é também ouvir, esforçando-nos para entender o que o outro tenta nos passar. Requer empatia, humildade para se deixar de lado, por um momento, e fazer essa tentativa de entrar no mundo do outro.

Recordo, agora, de um vídeo em que Leandro Karnal diz que não conversamos mais, simplesmente trocamos conteúdo. Toda fala contendo uma informação é rebatida automaticamente com outra informação. “Sou de aquário!”; “Eu, de touro”. “Adoro Filosofia”; “Prefiro Sociologia”. “Estou desejando praia”; “Eu queria estar no campo!”.

Não refletimos sobre o que nos é dito, não nos esforçamos para sair da superficialidade do ouvir e responder. Estamos em falta com a escuta, em falta com a humildade, em falta com a empatia.

Bem-vindo à era de Narciso, era dos conectados e ironicamente desconectados entre si.

Inevitavelmente, a solidão e indiferença tomam conta. Não escutamos, mas também não somos escutados, o que fragiliza nossos laços emocionais e faz com que nossas relações sejam artificiais demais para durarem. Somos superficiais em nossos diálogos e solúveis em termos de conexão emocional. Restam-nos o egocentrismo e a vaidade, tão característicos dessa era. Definhamos por dentro.

Os poucos que se salvam são os heróis que vão além da troca de informação, olham nos olhos e dialogam com o outro por inteiro. Esses usam a empatia, para desarmar os indiferentes, e a atenção, para confortar aqueles que já foram demasiado atingidos pela frieza do mundo moderno. Eles – os heróis – já entenderam a diferença entre o ouvir e o escutar e fazem questão de se conectar e de se comunicar com os outros de uma forma mais humana, fazendo dessa arte um costume.

Afinal, não é necessário ser psicólogo para escutar alguém, basta somente ser um pouco mais humano.

Imagem de capa: loreanto/shutterstock

3 opções Netflix que podem te arrebatar ainda hoje.

3 opções Netflix que podem te arrebatar ainda hoje.

Existe algo mais aconchegante do que uma noite de inverno e um filme ou série capaz de nos arrebatar?

Abaixo, separei para vocês 1 filme e 2 séries que chegaram para marcar presença e arrebatar corações na Netflix. Lembro que são estilos diferentes, mas todos me marcaram pelo componente chave: a mensagem emocional e a capacidade de tocar os corações de quem assiste.

Confiram.

Ah…e também temos a LISTA COM 21 FILMES ATUALIZADA. NÃO DEIXEM DE VER!!!

Marcados pela guerra

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Um filme para quem não aceita qualquer resposta.

“Tentando deixar para trás a sufocante e pacata vida de uma cidade do interior, uma jovem (Kristen Stewart) decide se alistar no exército na esperança de ser mandada para o Iraque, onde entraria em contato com uma nova cultura. Ela acaba, no entanto, sendo realocada para Guantánamo, onde se depara com uma rotina de ódio e abuso. Mesmo assim, inicia uma polêmica amizade com um dos presos.”- Adorocinema

Anne with an e (Primeira temporada)

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A órfã Anne é adotada por um casal de irmãos solteiros. Delicada, afetiva e infinitamente imaginativa, Anne vai modificando as pessoas e os corações que a rodeiam. Sua persistência e capacidade de superação, a cada momento, mostram o quando uma pessoa pode ser  capaz de transformar até mesmo os mais preconceituosos e resistentes.

As telefonistas – Las Chicas del Cable

(Primeira temporada)

 

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Na Madri dos anos 20, quatro amigas entram para o mercado de trabalho.

Aqui temos a presença do movimento feminista dando seus primeiros passos, observamos as injustiças do sistema social e vemos o diferencial e o anseio das mulheres que descobrem seu valor como pessoas quando entram para uma empresa, passam a ter maior autonomia e independência- apesar da resistência social.

Quando o assunto é gente, nem tudo vale a pena, querido Pessoa.

Quando o assunto é gente, nem tudo vale a pena, querido Pessoa.

Pela lógica do poema de Fernando Pessoa, eu tenho a alma muito, muito pequena. Uma alma anã, uma miniatura de todas as outras. É que eu acho que não, nem tudo vale a pena nesta vida. Não mesmo. Tem coisa e tem gente que não valem um segundo sequer do nosso tempo. Deus nos livre e guarde!

Vão me perdoar os que pensam diferente, mas eu também acho que não vale a pena investir em discussão inútil. Melhor é concordar que discordamos e pronto. Sigamos em frente, cada um com a sua visão das coisas, cada um em seu caminho diverso. Para mim, nem todo mundo vale a pena. Pronto! Assim como nem tudo o que dizem ou fazem as pessoas que valem a pena deve ser considerado.

É claro que figuras importantes no meu caminho vão me magoar. Óbvio que gente querida vai me decepcionar. Inevitável que bons amigos me deixem na mão uma hora ou outra. Acontece e não vale a pena perder tempo se perguntando por quê. O ser humano pisa mesmo na bola e pronto. Cabe a nós perguntarmos quem são as pessoas que valem a pena – aquelas que a gente compreende, aceita, perdoa – e quem são aquelas de quem devemos manter distância.

Cá entre nós, nem todo mundo vale a pena. É um ou outro. Nós mesmos, que tão bem nos conhecemos na prática, haveremos de reconhecer que não valemos a pena para um batalhão de gente por aí. Do mesmo modo, um batalhão de gente também não vale a pena para nós. Aceitemos sem mais, sem briga nem culpa, e vamos adiante!

Quando se trata de gente, querido Pessoa, nem tudo vale a pena, não. E reconhecê-lo com cuidado e humildade não tem nada de pequeno. Exige uma bruta de uma coragem. O senhor mesmo, de alma tão imensa, desistiu meia dúzia de vezes de sua amada Ofélia e ninguém o acusou de nada por isso. Acontece.

Aceitar que nem tudo vale o sacrifício é meio caminho andado para aprender a escolher e a fazer de tudo por aquilo que realmente tem valor. Dá o maior trabalho! E trabalho bem feito é coisa de gente com a alma enorme. Essa gente que sempre, sempre vai valer a pena.

Imagem de capa:  Dean Drobot/shutterstock

Não há nada mais divino do que o toque entre almas

Não há nada mais divino do que o toque entre almas
“Acredito que se há algum tipo de Deus, ele não estaria em nenhum de nós. Não em você ou em mim, mas nesse pequeno espaço entre os dois. Se há algum tipo de magia nesse mundo deve estar na busca de compreender alguém, compartilhar algo. Eu sei, é quase impossível conseguir, mas quem se importa realmente? A resposta deve estar na busca.”
 
— Antes do Amanhecer, Richard Linklater.

 

O amor é um sentimento ao mesmo tempo extremamente sublime e misterioso. Será obra do acaso, um simples caso episódico, no qual os amantes são apenas marionetes do destino? Será o amor fruto de esforço e trabalho entre duas pessoas que querem ficar juntas e fazer das suas diferenças um caminho sob o qual possam caminhar? Ou talvez sejam ambas as coisas acontecendo ao mesmo tempo? Bom, nesse terreno não há respostas óbvias, tampouco, definitivas.

Desse modo, preocupando-se mais com as perguntas, Richard Linklater constrói em “Antes do Amanhecer” uma das obras mais reflexivas e poéticas do cinema, a qual percorre de um jeito belo aquilo que existe entre duas pessoas e que pode ser chamado de amor.

No filme, conhecemos Jesse (Ethan Hawke) e Celine (Julie Delpy), dois jovens a bordo de um trem que corta a Europa. Ele é americano e está vagando pela Europa após um pé na bunda, ela é francesa e retorna de uma visita à avó que mora em Budapeste. De forma episódica, eles começam a conversar dentro do trem e rapidamente uma química é formada entre os dois. No entanto, Jesse precisa desembarcar em Viena para pegar o seu voo no dia seguinte e, então, convida Celine para passar o dia com ele andando pelas ruas da cidade e ela prontamente aceita. O roteiro aparentemente comum se converte em uma obra profunda e cheia de belezas.

A história se desenvolve completamente por diálogos profundos que se desenrolam de forma tão natural que é difícil não se envolver com os personagens e se imaginar naquela situação. A condução do filme é suave, o que reforça a sua naturalidade, assim como a química presente no casal. Além disso, é impossível não destacar as belezas de Viena, que cria a atmosfera perfeita para o envolvimento e os devaneios de Jesse e Celine.

Os diálogos do filme não são apenas sobre amor, mas sobre tudo que possamos imaginar: política, discussão de gênero, divagações sobre o tempo, relacionamentos, família, morte, religião, sexo, tecnologia, mídia, etc. Todavia, todos são bem colocados, suaves, sem exageros e mergulhados em uma poesia singela e reflexiva, em uma espécie de construção filopoética, que marca a trilogia.

Apesar da conversa girar em torno de temas variados, toda ela se direciona para o amor, afinal, o amor é formado entre duas pessoas e aquilo que as forma. É nesse ponto que o filme é genial, pois o amor não está somente em momentos proeminente românticos, e sim, em tudo que cerca um e outro, em toda conexão que vai sendo construída entre os amantes, em cada detalhe que vai sendo mostrado, nas idiossincrasias que percebemos em alguém, as quais por mais que procuremos não conseguimos encontrar em outra pessoa.

Jesse e Celine são pessoas diferentes, com pensamentos distintos, personalidades fortes, mas cada um consegue expor os seus pensamentos, seus devaneios, suas estranhezas, seus medos e seus pecados de forma tranquila em relação ao outro.

É essa tranquilidade que permite a criação de uma conexão entre os dois, bem como, uma paixão, já que raras vezes encontramos pessoas que nos deixam entusiasmadas e interessadas, como se pudéssemos falar sobre qualquer coisa sem pudores ou medo, alguém que nos deixa de um modo tão confortável que nos sentimos completamente nus.

Embora sejam estranhos, “Flutuando rio abaixo, presos pela correnteza”, como diz o verso do poeta, não existe medo em expor tudo aquilo que pulsa dentro de cada um, cada detalhe mais longínquo, cada medo escondido, cada contradição existente nos seus pensamentos, cada confusão que inunda seus corações e, assim, conseguem estar verdadeiramente ligados, bem como, não escondem os seus conflitos, já que em uma relação sempre haverá poros a ser preenchidos e desníveis a ser lapidados, pois duas pessoas por mais conexão que possuam, sempre serão dois seres singulares, com suas individualidades e diferenças. O filme não vê problemas em mostrar isso, já que são os conflitos que moldam a intersecção que une duas pessoas.

“Mesmo que estivéssemos discutindo, por que todos pensam que conflitos são tão ruins? Muitas coisas boas surgem dos conflitos.”

Esses conflitos surgem em função da individualidade presente em cada um dos personagens, das convicções que os formam e os tornam complexos e únicos. Mas, é essa mesma individualidade que nos encanta e faz com que eles se apaixonem, demonstrando a importância de ser um, antes de ser dois, uma vez que como diz Pessoa, é preciso ser inteiro para ser grande, e poder ter o seu eu completo entregue a alguém.

“Somente se encontrar a paz em si mesma encontrará a verdadeira conexão com os demais.”

Uma conexão que pode ser marcada pelo medo. O medo de conhecer mais profundamente alguém e descobrir que este não é tão inteligente quanto imaginamos ou tão interessante quanto queríamos. O medo que todos nós sentimos de nos machucar, de nos enganar, de não poder voltar no tempo, esse senhor sempre escorregadio e veloz. No entanto, a questão não está em encontrar alguém perfeito, porque essa pessoa não existe, e sim, em estar disposto a romper a barreira do medo, das fobias e dos preconceitos, para estar com alguém que mesmo falhando, jamais desviará a sua taça quando uma lágrima nossa cair.

A história de Jesse e Celine nos mostra que o amor surge inicialmente de um caso episódico, mas a sua manutenção depende da forma como estamos abertos às oportunidades, do esforço que ele nos depreende e, sobretudo, da forma pura e sincera como nos colocamos à frente do outro, com nossas dores, nossas angústias, nossos medos, nossos sonhos e tudo que forma o que somos. Nossas idiossincrasias que nos tornam perfeitos para o outro.

Antes do Amanhecer não é um filme sobre duas pessoas perfeitas que se encaixam perfeitamente. É um filme sobre duas pessoas reais, cheias de conflitos e contradições, inclusive, com elas próprias, que por meio do que são se apaixonam. É um filme que mostra o amor com todo o seu existencialismo e poesia, que demonstra a beleza que existe em conhecer alguém profundamente, todas as suas manias e maneirismos, a beleza de se apaixonar quando se sabe tudo sobre alguém. E, mais do que qualquer coisa, é um filme que demonstra que por mais que existam conflitos e imperfeições, não há nada mais belo e divino do que o espaço que há na conexão entre duas pessoas, que aproxima as distâncias e aconchega as almas.

“Acredito que se há algum tipo de Deus, ele não estaria em nenhum de nós. Não em você ou em mim, mas nesse pequeno espaço entre os dois. Se há algum tipo de magia nesse mundo deve estar na busca de compreender alguém, compartilhar algo. Eu sei, é quase impossível conseguir, mas quem se importa realmente? A resposta deve estar na busca.”

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “PS- Eu te amo”

Encontre alguém que não faça parecer que amar você é um trabalho.

Encontre alguém que não faça parecer que amar você é um trabalho.

Encontre alguém que não faça parecer que te amar é difícil, que você é uma pessoa complicada. Todos nós temos nossos defeitos, alguns mais aguçados e outros menos. Sabemos que a convivência não é fácil e exige de nós algumas mudanças e renúncias, mas isso não tem nada a ver com deixar de ser você mesmo, isso significa oferecer a sua melhor versão.

Acontece que para algumas pessoas essa versão não é suficiente, os esforços não são levados em conta e todos os seus defeitos se sobressaem as suas qualidades que são anuladas pela cobrança e crítica excessiva. Isso desgasta o amor, o relacionamento e a pessoa que se vê cada vez mais como “não merecendo todo esse amor”, todo esse “cuidado” e paciência do outro.

Não estou generalizando, mas o que quero dizer é: Não fique com alguém que transpareça que amar você é trabalhoso demais, que estar ao seu lado não é fácil e que você merece essa “caridade”. Devemos estar ao lado de quem deseja lutar, mas não de quem acha que o relacionamento é um campo de batalha, não há nada mais triste do que perceber que você é difícil de ser amado e que não importa o quanto você tenha disposição em melhorar, nunca será bom o suficiente.

Escuto essas frases geralmente por parte de pessoas que possuem algum transtorno, seja depressivo, de ansiedade e até doenças como a fibromialgia, por exemplo.
– “Nossa, mas é difícil amar alguém que chora né?”
– “Como é difícil amar alguém ansioso, apressado e agitado por qualquer coisa…” ou então: “Nossa, mas como é namorar alguém que sente dor pelo corpo todo? Deve ser difícil hein?”

A verdade é que pra quem ama as dificuldades não são entraves para términos, mas sim são avanços que permitem melhorar e superar cada vez mais as dificuldades do relacionamento. É aí que o amor se fortalece e se firma daqueles que a gente quer pra vida toda, afinal é muito fácil amar o outro quando as coisas vão bem.

Uma pessoa que está ansiosa, ou está depressiva não se resume a choros ou preocupações. Ela é bem mais do que isso. Ela também é riso, é abraço, é colo, é companheirismo, uma pena que nem sempre o outro veja isso e ao invés de ajudar acaba confirmando a ideia do outro ser um “peso” que só se resumi a isso e nada mais.

Todos nós temos defeitos, somos todos imperfeitos buscando alguém que aceite as nossas imperfeições, alguém que seja companhia para as tempestades e que nos incentive a sempre sermos melhores. Por isso, encontre alguém que não faça parecer que amar você é um trabalho. Encontre alguém que o ajude que desperte o seu melhor e que veja as coisas boas e lindas que há em você. Que veja o seu pior lado e que queira continuar ao seu lado porque sabe que não há só espinhos, mas também flores.

Se você estiver procurando alguém perfeito e ideal para amar fique sozinho porque todos nós temos os nossos defeitos, mas isso não é parâmetro para nos definir, isso não é medida para recebermos amor, isso não é entrave para ser amado, por isso fique com quem pareça que amar você é bom e que não tenha medo de segurar a sua mão nas tempestades.

Imagem de capa: AnnaTamila/shutterstock

Ninguém é metade de ninguém. Encontre alguém que te transborde.

Ninguém é metade de ninguém. Encontre alguém que te transborde.

Sem essa de que você é metade e precise de alguém que o complete. Você é inteiro(a); então, deseje alguém que te transborde. Encontre alguém que o ajude a enfrentar as tempestades e que segure sua mão sempre que tudo parecer ir mal.

Então, quando você encontrar alguém que seja abrigo, não o deixe ir. Alguém que não tenha medo de enfrentar os desafios dessa vida com você e que segure sua mão quando tudo estiver mal. Quando encontrar alguém que desperte o seu riso fácil, mesmo você estando bravo, deixe ficar, porque isso é raro.

Alguém que faça valer a pena toda a espera e todas as noites que você chorou por alguém, achando que isso era amor. Quando encontrar alguém que desperte o seu melhor e que acredite em você mais do que acredita que dois e dois são quatro, abrace e não deixe partir, é a vida lhe dando um presente: o amor.

Alguém que ame tecer planos ao seu lado e que tenha orgulho de você. Aquele orgulho bonito que a gente vê nos olhos que brilham ao ver ou falar da pessoa amada.

Encontre alguém que goste do seu cabelo, do desenho da sua boca, do seu jeito e da sua alegria estonteante, mas que ame você pelo seu coração bondoso e a forma como você encara a vida. Alguém que ache bonito o quanto você não perde a fé na vida e no amor, mesmo depois de tantos tombos e tropeços.

Então, quando encontrar alguém para amar, não tenha medo. Quando encontrar alguém que não lhe ofereça migalhas, você terá entendido o quanto merece. Você irá entender que desculpas-clichês, como falta de tempo, não fazem parte de um amor maduro e de um querer constante. Vai entender que quem quer mesmo dá um jeito. O amor não é essa tempestade toda não. O amor também é poesia. Leveza. Pode ser que, às vezes, o amor nos machuque, mas amar também é perdão, assim como é mudança.

Então, encontre alguém que te transborde e que faça a vida ser mais leve e bonita; alguém que ria das suas graças e que goste de fazer nada com você. Encontre quem gosta da sua companhia e que faça questão de ficar sem ter que pedir, sem ter que implorar. Mas, antes de encontrar alguém que o transborde, seja inteiro, ame-se sem medidas e aprenda a gostar das suas loucuras, da sua paixão por comida e de como você gosta de dormir. Goste de você e encontre alguém que te transborde.

Imagem de capa: Syda Productions/shutterstock

Se o outro insiste tanto para que você mude, aceite o conselho e mude mesmo… de parceiro!

Se o outro insiste tanto para que você mude, aceite o conselho e mude mesmo… de parceiro!

Os pedidos de mudança são sutis: primeiro a cor do cabelo, depois o tom de voz e, por fim, a mudança radical no comportamento social.

Mas, como você aprendeu, com a indústria cinematográfica, que para viver um grande amor você tem que mudar seu estilo de vida, aceita todas as condições impostas pelo parceiro que, claro, afirma ser tudo “para o seu próprio bem”.

Em convencer as pessoas de que para ser ter um final feliz, os parceiros precisam sofrer, Hollywood está de parabéns. As pessoas, realmente, acreditam que o amor só é real se for exposto e fantasiado, esquecendo-se que é na rotina que o amor se consolida, não na novidade.

Vamos conversar sério? Antes de ser amor, tem que ser respeito. Ele tem o direito de gostar de rock, mas tem a obrigação de respeitar sua música clássica. Ela tem o direito de levar uma vida fitness, mas tem a obrigação de respeitar sua macarronada de domingo. Ele pode acordar cedo, mas deve fazer silêncio para respeitar seu sono. Respeito sem amor é como fazer dieta sem cortar o açúcar: não adianta!

Verdade seja dita: as pessoas mudam conforme as próprias experiências vivenciadas e não pelo pedido alheio.

Amor não é um objeto que se compra e vai customizando conforme se deseja. Amor é amor! Uma oportunidade de crescimento mútuo para pessoas dispostas a serem felizes e não uma guerra de braço onde vence quem tem mais força.

Quando nos relacionamos temos a necessidade de aceitar e sermos aceitos por aquilo que somos. Sem cobranças, sem brigas, sem neuras. E, a não ser que o outro seja um psicopata em potencial, as diferenças podem (e devem) ser ajustadas para que a relação dê certo.

O principal indicador de amor entre um casal é a capacidade de aceitação das qualidades e dos defeitos, em uma troca de respeito mútuo. Querer colocar o outro em uma “forma de perfeição” é um desrespeito surreal à história de vida que ele traz. É considerar que as próprias verdades são absolutas e que o parceiro não tem valor nenhum no relacionamento.

E, cá entre nós, dessa atitude para o fim da relação é um passo. Simone de Beauvoir afirmava que “quando se respeita alguém não queremos forçar a sua alma sem o seu consentimento”.

Você não sabe o que é melhor para o outro. Encare essa verdade. Um relacionamento feliz é constituído por pessoas que respeitam suas individualidades, seus momentos de solidão e seus espaços. Casais felizes não projetam no outro a obrigação de própria felicidade e, por isso mesmo, dão certo.

Ame sem cobranças, sem moldes, sem medo. Aprenda a amar da forma como quer ser amado e, como dizia Oscar Wilde: “seja você mesmo. Todas as outras personalidades já têm dono”.

Imagem de capa: View Apart/shutterstock

Quando a alma é brega, não há roupa chique dê jeito!

Quando a alma é brega, não há roupa chique dê jeito!

Da boca para fora todo mundo é “gente boa”, quero ver ser boa gente sem fazer barulho, sem criar alarde, sem ganhar nada em troca.

Sorrisos fake andam à solta por aí. E é facílimo cair em suas armadilhas de afetos no melhor estilo bijuteria: brilha muito, mas não tem valor algum!

Que ninguém é santo, todo mundo já sabe. No entanto, o que não falta nesse mundo é gente com vocação para ter duas caras e muitas facetas, cada uma especialista em enganar a quem possa interessar.

Tem gente que vence na vida, apenas no âmbito financeiro, vive cercada de coisas materiais que o dinheiro compra, adquire bens pelo preço que custam, o que nem sempre é garantia de bom gosto, visto que há uma infinidade de coisas vulgares que custam pequenas fortunas.

Tem casas que mais parecem um showroom de shopping de decoração. A pessoa veste sua residência para ornar com o seu desejo de ostentar ao mundo o seu sucesso na vida.

Carteiras ricas em bolsos de gente com alma pobre. A pobreza de alma não pode ser curada com exposições externas de posses. Aliás, essa doença de espírito, agrava-se com o acúmulo de riquezas, posto que vive de alimentar-se da vaidade sem limites que nasce desse círculo vicioso baseado num mantra que se repete sem cessar “Eu mereço! Eu mereço! Eu mereço!”.

A simplicidade é um sinal inequívoco de elegância. Para ser simples é preciso ter essência nobre; não no sentido de pertencer a uma linhagem de gente importante. Na verdade, é exatamente o oposto disso.

A elegância independe de artifícios e ornamentos. A elegância é privilégio daqueles que têm por objetivo principal na vida valorizar as conquistas que não tem valor de mercado.

Quando a alma é brega, não há roupa chique que dê jeito! A breguice da alma transparece até nos olhos. Fica explícita no som contrabandeado dos sorrisos falsos. Expõe-se nos gestos ensaiados daqueles que pensam uma coisa, dizem uma segunda e fazem uma terceira.

Quem tem alma brega de nascença, vai morrer brega. E não há nada que se possa fazer. Porque os pobres de alma, vendem suas almas vagabundas como se fossem joias valiosas. E usam as pessoas como se fossem coisas a seu serviço.

O que fazer com essa gente?! Evite! Evite a todo custo! E, se não for possível evitar, ofereça sua mais genuína indiferença. Porque essas criaturas são loucas por uma plateia. E se não houver audiência, vão procurar outra freguesia para atormentar.

Sendo assim, faça cara de paisagem e sorria genuinamente por ter se livrado dessa mala sem alça. No começo, você pode até achar que está perdendo alguma coisa. Mas, com o tempo vai perceber que tem gente que é igual a pesca em alto mar: quanto mais longe melhor!

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Você não é companhia de fim de festa!

Você não é companhia de fim de festa!

Por medo da solidão, muitas vezes, acreditamos ser merecedores do que a vida trouxer, mesmo que isso inclua relacionamentos abusivos, romances com pitadas de traições e amores com doses de violência. A verdade é que, para algumas pessoas, a ilusão dói menos que a solidão.

No cérebro de um iludido em potencial qualquer atitude serve como “sinal do destino”. Se ele te liga no domingo à noite, ele gosta de você. Se ela te manda um “emotions” com olhos de coraçõezinhos, é porque está apaixonada. Se há um pedido de carona,em um dia chuvoso, a natureza está enviando “sinais” para unir o casal. O grande problema do iludido é que ele, sabe que não é amado, mas age como se não acreditasse nisso.

É preciso entender que relacionamentos de verdade, envolvem pessoas de verdade. Simples assim! Ninguém consegue manter um relacionamento duradouro com pessoas convenientes. Pessoas convenientes reconhecem seu valor apenas quando querem algo, percebem o quão incrível você é quando estão sozinhas e querem sua companhia, somente, quando não tem outra (dói ler isso, não é? Eu sei! Imagine o que sua alma sente, quando você permite que isso aconteça).

Enquanto você se tortura com perguntas do tipo “por que não deu certo?” ou “por que ele não me assume?”, algumas pessoas,simplesmente, são movidas pela paixão, pelo imediatismo e pelo interesse que as companhias lhes oferecem e, assumir um compromisso sério, não está no objetivo de vida delas.

Você precisa entender que a culpa não é sua. O problema das situações mal resolvidas não é seu. Você é inteiro e merece um amor assim. Não foi criado para qualquer um porque, simplesmente, você não é qualquer um!

Você não faz dos outros “steps” de relacionamentos, não cura um amor com outro, nem usa da traição como artifício de defesa. Portanto, não merece que façam isso com você! Respeite-se!

(…)“ Ouça: respeite a você mais do que aos outros, respeite suas exigências, respeite mesmo o que é ruim em você – respeite sobretudo o que você imagina que é ruim em você – pelo amor de Deus, não queria fazer de você uma pessoa perfeita – não copie uma pessoa ideal, copie você mesma – é esse o único meio de viver.” (Moser, Benjamin. Clarice, uma biografia. pág 302 Edição 2013).

Para amar é preciso ser independente emocionalmente e saber que, antes de ser dois, é preciso saber ser um. A própria companhia não deve ser encarada como solidão, rejeição ou fracasso. Ninguém te fala isso, mas estar só é, provavelmente, a melhor fase da vida. É nela que você desenvolve o autoconhecimento, aprende a se amar e cria a própria independência. Oscar Wilde brincava ao dizer que “os solteiros ricos deviam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros”.

Você não é chato, não fala demais, não é complicado. Você não tem um gênio difícil, não é estranho, nem difícil de amar. Reconheça que você é incrível, pare de viver de migalhas, de aceitar convites de fim de noite e de receber mensagens com o entusiasmo de uma criança. A vida acontece quando você entende que merece mais do que estão tentando te oferecer. Como dizia Marla Queiroz: “quero sempre o melhor, porque mereço e não aceito mais migalhas como se fossem um banquete”.

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Às vezes, não querer se envolver é uma forma de não se decepcionar

Às vezes, não querer se envolver é uma forma de não se decepcionar

Quando o assunto é relacionamento, sempre tem alguém que acha que você deveria, sim, ter um namorado. Acontece que as pessoas não entendem o que está por detrás de todo o nosso desinteresse.

Cansamos de encontrar pessoas que, na aparência, no primeiro encontro, no primeiro beijo, mostram-se tão interessantes e, aos poucos, acabam se mostrando insensíveis, como se brincar com o sentimento do outro fosse, de fato, um jogo divertido.

A gente vai cansando dos joguinhos de interesse, de quem se importa mais ou menos; cansamos de perdas e ganhos em uma relação que não tem por que ter perdedores. De gente que parece estar interessada na nossa história, que demonstra querer partilhar uma vida ao nosso lado, mas some na primeira oportunidade e deixa a gente pensando em que ponto falhou – a verdade é que cansamos de nos achar problema.

E, então, no começo, podemos até usar a “desculpa” da falta de tempo e dizer que não queremos nos relacionar com ninguém, mas, depois de um tempo, esse álibi se torna uma filosofia de vida, porque o medo de sofrer novamente é grande e não queremos nos decepcionar mais uma vez. Não queremos levar todo um tempo para, de fato, nos entregarmos e nos envolvermos com alguém que faz promessas e parte na primeira dificuldade.

A gente vai evitando amar e depois ter que se esquecer de sofrer calado na madrugada, tentando entender o que poderia ter feito para que desse certo. Pode ser que, no início, quando ainda estamos com o coração quebrado, não querer nos envolver é uma forma de não nos decepcionarmos novamente, de evitarmos, a todo custo, a paixão, o amor e todo aquele sofrimento por que já passamos. Depois de nos recuperarmos de algumas pancadas da vida, evitamos falar de relacionamento, pensar em se envolver, porque tememos vivenciar novamente todos aqueles enganos.

Mas, depois de um tempo, quando as coisas estão cicatrizadas dentro de nós, percebemos que toda essa pose de “coração de pedra” era a forma mais sincera de nos defendermos das mentiras, de nos protegermos das decepções, porém, não podemos vestir essa armadura por toda a vida, a não ser que realmente desejemos não ter ninguém, a menos que estejamos decididos a não querer um relacionamento.

A verdade é que nada irá nos garantir que o próximo será diferente, que o novo será mágico e bonito. Nada nos oferece a garantia de que não iremos nos decepcionar mais uma vez, entretanto, só saberemos disso se nos arriscarmos e pode ser que todo esse tempo se escondendo seja uma forma de nos fortalecermos e adentrarmos em relacionamentos maduros, sem tentar decifrar o que o outro sente por nós, sem interpretações, porque sabemos que, quando o outro quer, há demonstrações claras.

Sabemos que só palavras não nos convencem mais e que é necessário muita atitude para permanecer ao nosso lado. É preciso mais do que promessas de não partir; é necessário que o outro não decida ir embora no primeiro tropeço, na primeira tempestade.

E, então, esse tempo nos mostra que nunca estaremos prontos, mas sempre estaremos mais fortes e com o olhar mais maduro e pode ser que aí, nessa forma de ver as coisas de outro jeito, eliminaremos muitas decepções de nossas vidas.

Imagem de capa:  HQuality/shutterstock

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