Do que você tem medo: do amor ou de vivê-lo?

Do que você tem medo: do amor ou de vivê-lo?

Somos seres intensos. Consideramos nossas dores maiores que as tragédias shakespearianas, nossos medos mais assustadores que um filme de terror e nossos amores mais bonitos que os romances de Nicholas Sparks. E, tudo isso, para camuflar uma única verdade: temos medo de amar.

Sim, temos medo de amar. Somos, na verdade, medrosos em potencial de tudo aquilo que envolve o coração. Temos medo de entregar à alma a quem não quer recebê-la. Medo de arrumar a vida, para quem não tem a intenção de ficar. Medo de usar “nós” para quem só sabe usar “eu”.

A verdade é uma só: amor é um ato de coragem. Tem que ser muito corajoso para deixar alguém entrar na sua vida e virar ela de pernas para o ar. Tem que ter muito “peito” para enfrentar o mundo por alguém que não tem o seu sangue. Tem que ser muito decidido para fazer as escolhas certas, já que a cada escolha feita, uma renúncia será aplicada.

Caio Fernando Abreu dizia que “tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém, que a gente ama e dizer uma coisa terrível, mas que tem que ser dita. Tem que ter coragem de olhar no fundo dos olhos de alguém que a gente ama e ouvir uma coisa terrível, que tem que ser ouvida.”

Não existe uma vacina contra o amor. Estamos, todos os dias, correndo o risco de nos apaixonarmos por pessoas diferentes, em situações inusitadas e nos mais diferentes lugares. Porém, para sermos merecedores da felicidade, precisamos ter coragem de amar. Precisamos parar de nos torturarmos com perguntas escravistas no estilo: “E se eu for traída?”, “E se ele sumir?”, “E se a ex voltar?”

Entenda: o medo sempre irá existir, mas não é capaz de escrever sua história. São nos atos de coragem que fazemos as melhores escolhas. Note: o medo do mar, não te proíbe de ir à praia. O medo de altura, não te impede de viajar de avião. O medo de engordar, não te impede de comer chocolate. Então, por que o medo da rejeição te impede de amar? “As coisas têm que passar, os dias têm que mudar, os ares têm de ser novos e a vida continua, com ou sem qualquer um.” (Caio Fernando Abreu)

Não escute seus medos, não perca tempo imaginando como poderia ter sido, nem tenha medo de ser feliz. Amor exige coragem e, é melhor arriscar a viver um grande amor, do que perder a vida inteira em relações que te mantém na zona de conforto da superficialidade.

Imagem de capa: vectorfusionart/shutterstock

Humanização canina: Eu mimo demais o meu cachorro e ele retribui com malcriação. Entenda o assunto.

Humanização canina: Eu mimo demais o meu cachorro e ele retribui com malcriação. Entenda o assunto.

Atualmente vem sendo comum entrar em alguns restaurantes, hotéis e até Shoppings e dar de cara com cachorros. Os estabelecimentos entendem que os pets estão cada vez mais fazendo parte da vida dos clientes, ou seja, se aceitamos cães, diminuímos a concorrência e a clientela dispara. Embora essa inclusão seja importante para a correlação entre homem e animal, já parou para analisar se exageramos em alguns pontos?

“Seu direito termina onde começa o do outro”, diz o velho ditado. Enquanto os amantes fervorosos dos animais decidem levantar a bandeira da democracia pet, quem não agrada de pelos, babas e rabinhos abanando, tem criticado a decisão pela maneira deliberada que a exercem. Em épocas bem remotas, o homem e o cão tiveram seus primeiros contatos em uma espécie de mutualismo, onde ambos saíam beneficiados. Enquanto os humanos se aqueciam com seu pelos, utilizavam a força e velocidade nas trações, o pastoreio dos rebanhos e proteção, os animais tinham abrigo e comida. Gratificante poder incluir nossos pets em cada momento que vivemos ao lado deles, mas devemos avaliar até que ponto não estamos exacerbando nesse convívio. Atentamos sempre que, ao se sentirem pressionados, invadidos ou acuados, os cães desenvolvem ansiedade, agressividade, possessão e vícios de comportamento.

Sabemos que cães possuem uma capacidade incrível de aprendizado e são animais sociais que necessitam de interação e de hierarquia para se manterem em harmonia, contudo, extrapolar na convivência e atividades fúteis, podem desencadear problemas comportamentais sérios. Entendemos que festas de aniversários caninas servem para estreitar os contatos entre os pets e seus donos, porém, os cães não compartilham de felicidade e entendimento sobre o que está acontecendo em um ambiente de velas acesas, bater de palmas, música alta e falação. Lembrando que a audição desses animais é superior à nossa, sendo assim, há uma contradição entre os proteger dos fogos de artifício mas submetê-los à festas de aniversários regadas a muito barulho.

Acessórios de Pet Shop são sempre bem vindos até a segunda ordem. Lacinhos e gravatinhas, roupinhas confortáveis e quentinhas durante o inverno e penduricalhos fazem parte do closet desses mascotes, entretanto, o bom senso é amigo no momento em que essa chuva de informações para eles prejudicam suas funções naturais. Sapatinhos, por exemplo, só deveriam ser colocados para tirar fotos ou como via de proteção em casos extremos, pois as patinhas exercem uma grande função de equilíbrio para esses animais. Terminações nervosas que lhes causam prazer ao pisar, sensibilidades em relação a cada passo, como também a serventia que poucos sabem: Cães transpiram pela pata também… Sendo assim, lhes embutir um sapato, estarão privando funcionalidades essenciais de “respiro” nos coxins e bem estar no geral.

Sobre carrinhos de bebês e também para cães. Já devem ter visto por aí uma cabecinha peluda entreolhando as ruas pelo alto de um carrinho, não é mesmo? Luxo, capricho, proteção, até onde vai o critério humano no momento em que passam a tolher as carências orgânicas desses cães?! Animais que só passeiam empurrados sobre rodas desconhecem socialização, perdem a noção de espaço, odores, sem contar que não correm, brincam, descobrem as delícias de colocar as patinhas no chão desfrutando das maravilhas que o mundo oferece a eles. Humanizar não é sinônimo de amor aos animais, humanizar é querer introduzir necessidades e percepções humanas em animais que não precisam e não aproveitam desse universo como nós. Carinho, amor e mimos são bem vindos quando dosados corretamente. Mais que isso, estaremos arrumando um problema que futuramente poderá acarretar em maus tratos ou abandono.

Imagem de capa: Phurinee Chinakathum/shutterstock

Diga-me como você reage quando é contrariado e eu te direi o seu grau de maturidade.

Diga-me como você reage quando é contrariado e eu te direi o seu grau de maturidade.

A capacidade de administrar contrariedades com equilíbrio (e o mínimo de cordialidade) é um dos principais indicativos de maturidade emocional.

Mesmo que a pessoa tenha razão em um argumento, isso não a autoriza a ser grosseira, falar em voz alta ou usar de arrogância. A maturidade emocional está diretamente relacionada a como a pessoa reage à frustração.

Se ela pensa, analisa, pondera e ouve as partes, ela está sendo sensata. Por outro lado, se ela ataca, ou mesmo recua bruscamente, mostra claramente seu medo e insegurança. 

Pessoas emocionalmente imaturas explodem com facilidade, não conversam, não permitem que a outra parte se justifique, agem de maneira a prejudicar quem elas “pensam que as prejudicou” e sofrem de uma poderosa cegueira situacional que as impede de enxergar oportunidades no meio de situações ruins, ou mesmo a partir delas.

A imaturidade emocional pode ser relacionada a uma baixa segurança pessoal, que a pessoa tenta encobrir agindo como um trator que atropela a tudo e a todos, num sistema de “ataque e destrua antes que o outro tenha chance de descobrir minhas fraquezas e meu medo”. Assim como a criança que perde o brinquedo, sua defesa é berrar, espernear e , se puder, até morder, numa cena de total explosão e descontrole.

Outra preferência de pessoas emocionalmente frágeis é o ataque pelas costas, que é a arma mais utilizada por quem tem medo de assumir a responsabilidade até com relação a seus próprios descontentamentos.  É um ato comum em invejosos que preferem destruir o que o outro tem, ao invés de construir algo semelhante para si mesmo.

O invejoso não quer o que o outro tem. Ele não admite que o outro tenha.

Quando somado a características narcísicas e manipulatórias, o imaturo será aquele que reagirá com aparente frieza, mas ardilosa conduta, por meio de emboscadas e discursos conduzidos por meias verdades, provando que, se a defesa pode vir pelo ataque, ela também pode vir através de uma conduta de falsa candura e compreensão.

A maturidade é construída e testada o tempo todo. Somos maduros em algumas situações e imaturos em outras. Entretanto, a tentativa de equilíbrio e busca pela evolução é um fio condutor que costuma trazer bem menos dores de cabeças a quem costuma se perder no poço sem fundo das próprias inseguranças, medos, ciúmes e inveja.

Na próxima vez que você estiver prestes a explodir (não que o outro lado não mereça), pare, pense e reavalie. A maturidade emocional será alcançada quando você permitir que seu cérebro, seus sentimentos e reações emocionais se reequilibrem, numa visão global  da situação e dos prós e contras de uma atitude precipitada.

Enquanto os  imaturos criam inimigos, abrem feridas e passam os dias lambendo o próprio sangue, quem busca uma maior maturidade vai ao encontro de saídas mais sábias- mesmo que elas sejam a total evitação de quem lhes faz mal.

Imagem de capa: Tiko Aramyan/shutterstock

 

 

 

 

A estranha geração dos adultos mimados- Ruth Manus

A estranha geração dos adultos mimados- Ruth Manus

O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram.

Tudo começou com uma colega minha de estágio, há mais de 10 anos, que pediu demissão por acreditar que “não foi criada para ficar carregando papel”. Sim, carregar papel fazia parte das nossas tarefas, enquanto ajudávamos o juiz e os demais servidores públicos com os processos do Tribunal. Acompanhávamos audiências, ajudávamos com os despachos e, sim, carregávamos papéis entre o segundo e o quarto andar do edifício.

Os pais da menina convenceram-na de que ela era boa demais para aquilo. Não importava que nós fôssemos meninas de 19 anos, no segundo ano da faculdade, sem qualquer experiência, buscando aprender alguma coisa e ganhar uns poucos reais para comer hamburguer nos finais de semana. Ela, que tinha a certeza de ser uma joia rara, foi embora, deixando sua vaga vazia no meio do semestre e sobrecarregando todos os demais, inclusive eu, sem nem se constranger com isso.

O tempo passou e, quando eu já era advogada, tive um estagiário de vinte e poucos anos que, três meses depois de ser contratado, solicitou dois meses de férias. Eu nem sequer entendi o pedido. Perguntei se ele estava doente ou se havia algum outro problema grave. Ele me respondeu que não, que simplesmente tinha decidido ir para a Califórnia passar dezembro e janeiro, pois a irmã estava morando lá e ele tinha casa de graça. Eu mal podia acreditar no que estava ouvindo. Deixei ele ir e pedi que não voltasse mais.

Alguns anos depois, ouvi um grande amigo me dizer que iria divorciar-se. Ele havia casado fazia menos de um ano, com direito a uma imensa festa, custeada pelos pais dos noivos. Mais uma vez perguntei se algo de grave tinha ocorrido. Ele me respondeu que “não estava dando certo”, discorrendo sobre problemas como “brigamos por causa da louça na pia”, “não tenho mais tempo para sair com meus amigos” e “acho que ainda tenho muito para curtir”. Me segurei para não dar um safanão na cabeça dele. Aos 34 anos ele falava como um garoto mimado de 16. Tentava explicar isso para ele, mas era como conversar com a parede.

Agora foi a vez de uma amiga minha, com seus quase 30 anos, que me disse que iria pedir demissão pois fora muito desrespeitada no trabalho. Como sou advogada trabalhista, logo me assustei, imaginando uma situação de assédio moral ou sexual. Foi quando ela explicou: meu chefe fez um comentário extremamente grosseiro no meu facebook. Suspirei e perguntei o que era, exatamente. Ela disse que postou uma foto na praia, num fim de tarde de quarta-feira, depois do expediente, e o chefe comentou “Espero que não esqueça que tem um prazo para me entregar amanhã cedo”. E isso foi suficiente para ela se sentir mal a ponto de querer pedir demissão de um bom emprego.

Eu não sei bem o que acontece com a minha geração. O fato de termos sido criados com cuidado e afeto pelos nossos pais, começou a confundir-se com uma espécie de sensação de que todos devem nos tratar como eles nos trataram. O chefe, o colega, o marido, a mulher, os amigos, ninguém pode nos tratar de igual para igual e muito menos numa hierarquia descendente. Se não for tratado a pão de ló, este jovem adulto surta, se julga injustiçado e vai embora.

Acho que o mundo evoluiu e as situações nas quais se tratava alguém com desrespeito são cada vez menos toleráveis, o que é ótimo. Também é ótimo o fato de sermos uma geração que busca felicidade e não apenas estabilidade financeira. É bom termos a coragem de mudar de carreira, de recomeçar, de priorizar as viagens e não a casa própria.

Mas nada disso justifica que a minha geração tenha comportamentos tão egoístas, agindo como verdadeiras crianças mimadas. E o grande perigo é que essas crianças mimadas têm belos diplomas e começam a ocupar cargos importantes nas empresas e no setor público. Vamos nos tornar um perigoso jardim de infância, no qual quem manda não pode ser contrariado e quem obedece também não. Isso não será uma tarefa fácil.

Imagem de capa: Ollyy/shutterstock

Se causa mais dor do que amor, não serve para você.

Se causa mais dor do que amor, não serve para você.

Às vezes, precisamos tomar algumas decisões, por mais difíceis que sejam, por mais que a gente ame demais aquilo que estamos deixando partir. Às vezes, deixar ir é melhor do que deixar que algo permaneça em nossa vida. Recentemente precisei tomar algumas decisões dolorosas, mas necessárias.

Eu sou o tipo de pessoa que ama fazer muitas coisas, gosto da minha rotina cheia de atividades e compromissos. Então, sempre me envolvi com muitos projetos na faculdade e sempre gostei demais de cada um deles. Mas, com todas as obrigações, vieram o cansaço, as dores de cabeça, as dores nas costas, a exaustão, a vontade exacerbada de dormir – era meu corpo pedindo um descanso. Então, por questão de saúde, resolvi deixar alguns projetos que eu amava. Confesso, foi muito difícil. Eu pensei e repensei um milhão de vezes. Algumas vezes, eu pensava: “eu vou aguentar”, mas logo o meu corpo pedia: não permaneça nisso.

Relembrando isso, eu pensei sobre algo que vejo constantemente: relacionamentos esgotados. Amores frustrados e corações partidos. Pode ser que você não aguente mais, que o seu coração esteja gritando pedindo socorro: ”por favor, não permaneça nisso.” Se você mais chora do que sorri, se a indiferença é constante no relacionamento e o diálogo não existe, algo de errado tem, por mais que você se recuse a ver. Você tem certeza de que ama esse alguém, mas, ao mesmo tempo, sabe: isso te faz mal.

Nem sempre o amor é suficiente. Nem sempre amar é o que mantém um relacionamento. É preciso muito mais para que isso nos faça bem. É preciso respeito, cuidado e diálogo, muito diálogo. E, acredite, conversar não é brigar. Pode ser que você, assim como eu relatei na história acima, tenha repensado muito, muito  mesmo e chegue a doer o coração pensar em deixar isso para trás, mas, no fundo, você sabe: é preciso. Às vezes, deixar algo que amamos, mas que nos faz mal, é um ato de amor próprio. É uma forma bonita de nos amarmos e abrirmos caminho para coisas lindas cruzarem a nossa vida.

Amor não combina com dor. Não essa dor que só machuca, fere e gera incertezas. Amor combina com perdão, com mudança e não com comodidade. Por mais que doa, deixe ir, isso não significa que você não irá sentir a dor da partida, mas certamente você verá que fez a escolha certa. Eu sempre esperei estar pronta, sempre prorroguei as minhas decisões. Sempre achava que daria conta, até viajar e ficar 20 dias longe de tudo isso. Nesse tempo, pude repensar o que realmente importava e o que realmente me fazia falta. Então, eu percebi que estava deixando de fazer coisas que eu amava simplesmente porque estava permitindo que outras coisas ocupassem espaço na minha vida. Eu posso gostar de muita coisa, mas estava deixando de viver aquilo que eu sempre quis para minha vida porque achava que, sei lá, era isso que me bastava.

Pense bem, precisamos saber exatamente quem queremos ao nosso lado. Às vezes o tempo e o comodismo nos deixam cegos e achamos ser dependentes de alguém. Confundimos apego com amor e caímos na cilada de aceitar aquilo que nos fere. Quando tomamos algumas decisões, percebemos que deixar algumas coisas para trás é uma forma de abrirmos as mãos para recebermos algo melhor.

Imagem de capa: Iryna Ratskevich/shutterstock

Fique com alguém que viva o amor no presente

Fique com alguém que viva o amor no presente

Não basta ser amor em dias e tempos diferentes. O bom é quando o amor invade duas pessoas na mesma sintonia. É vivê-lo da melhor e mais honesta composição. O amor inteiro vive no presente sem adiá-lo para o amanhã.

Fique com alguém que arranque sorrisos em instantes inesperados. Alguém que saiba despertar felicidades por vocação. Alguém que não deixe de insistir em oportunidades de crescimento para ambos. Porque se o amor é cumplicidade, sentir muito nunca será um desperdício.

Fique com alguém que te reconheça. Alguém que entenda da sua urgência em viver o agora. Alguém que traga intensidades mesmo quando o mundo todo fizer questão de colocar medidas. Porque se o amor é entrega, pressa alguma será um desconforto.

Fique com alguém que transborde energia e confiança. Alguém que não se preocupe com os desamores passados e nas marcas que eles deixaram. Porque se o amor é seguir em frente, começar de novo não será um crime.

Fique com alguém para dividir mais de você e para somar mais do outro. Alguém que entenda a via de mão dupla na qual o amor precisa estar conectado. Porque se o amor é reciprocidade, a troca de sentimentos nunca será um sacrifício.

Não basta ser amor em carinhos e beijos diferentes. A graça do amor é quando ele chega com jeitinho, entrelaçando mãos e respirando poesia. É ter a sorte, o destino e o acaso encaixando no mesmo abraço. O amor inteiro fica no hoje porque não tem medo do amanhã.

Imagem de capa: Oleksandr Medvedenko, Shutterstock

Chorar não é fraqueza, desanimar não é desistir.

Chorar não é fraqueza, desanimar não é desistir.

Tem dias em que eu desanimo e você pode me perguntar o porquê, mas eu não saberei te responder. É apenas desânimo. Um dia ruim que a gente não vê a hora de acabar. Espera ansiosamente o amanhecer para ver se as coisas melhoram. Ultimamente, muita coisa mudou na minha vida – e quem disse que mudança é fácil? É difícil. Dói.

Dói ter que tomar algumas decisões, por mais que elas sejam necessárias. Hoje eu vim aqui pra te dizer que tudo bem você desanimar e não estar bem. Não temos a obrigação de sermos felizes 24 horas por dia. Tudo bem você sentir que hoje o dia não está rendendo e que talvez tudo o que você precise é chegar em casa e dormir. Todos nós precisamos de um tempo a sós com os nossos pensamentos, os nossos sonhos e os nossos planos. É saudável querer tirar um tempo para repensar na nossa vida e traçar outros caminhos.

Hoje é só um dia ruim e não se cobre tanto por se sentir assim. É bonito e respeitoso se permitir sentir. Eu espero que esse tempo sirva como reflexo e impulso para novas coisas e novos rumos na sua vida. Que um dia ruim não seja um entrave para o sucesso de um caminho lindo que você tem pela frente. Que seja apenas uma parada para pegar mais fôlego, a fim de continuar essa jornada. Acredite: Dias melhores virão. A tempestade sempre passa e, com ela, vem a calmaria. Pode ser que aquilo que você tanto espera, tanto deseja, ainda não tenha chegado. Pode ser que você esteja desesperado ou aflito com tantos problemas aparentemente sem solução. Talvez seja a hora de dar uma pausa, repensar em tudo o que tem acontecido e resgatar as suas forças. A gente tem a mania de achar que não consegue, que não é capaz, quando de fato somos fortes até demais.

Chorar não é fraqueza, desanimar não é desistir. Pensar em desistir não é ação, é apenas pensamento. Ter medo não significa ausência de coragem e, acredite, você tem feito muito. Você tem lutado e logo a recompensa virá. Sempre vem. A verdade é que, quando menos se espera, a gente se surpreende. Grandes coisas acontecem. Pequenos milagres diários acontecem em nossa vida e deixamos de perceber isso esperando grandes acontecimentos. Por isso, quando o cansaço e o desânimo baterem, respire fundo e tire um tempo para você. Pode ser que grandes coisas já estejam acontecendo, mas você está tão farto de tudo que não consegue ver.

Imagem de capa: Africa Studio/shutterstock

Sete maneiras inteligentes de lidar com pessoas tóxicas

Sete maneiras inteligentes de lidar com pessoas tóxicas

Por MARC CHERNOFF

A convivência com os altos e baixos de uma pessoa e com sua constante flutuação de humor pode ser um desafio e tanto. Mas é importante ter em mente que esta pessoa temperamental e negativa talvez esteja passando por uma fase difícil da vida – que pode envolver uma doença, um estado de ansiedade crônica, ou mesmo a carência de amor e apoio emocional. Tal pessoa precisa de alguém que a ouça, que lhe dê apoio, e que cuide dela (mesmo assim, seja qual for a motivação deste comportamento temperamental e negatividade, haverá momentos em que você terá necessidade de se proteger disso tudo).

Porém, há outro tipo de comportamento temperamental e negativo: o do indivíduo que usa suas oscilações de humor como pretexto para intimidar e manipular os outros. Esta tendência à flutuação de humor acaba perpetuando um clima propício aos abusos e à infelicidade. Observando esta pessoa com atenção, você notará que a atitude dela é completamente autocentrada. A prioridade dos relacionamentos que ela mantêm estará associada ao modo como as pessoas de seu convívio podem servir para atender às suas necessidades egoístas. É neste tipo de relacionamento tóxico que eu gostaria de centrar o foco, neste texto.

Estou convencido de que ninguém tem o direito de impor suas nocivas oscilações de humor (tais como e-mails com “correntes” de mensagens ameaçadoras) a outrem, sob quaisquer circunstâncias. Portanto, como lidar bem com as consequências nocivas do implacável veneno destilado por estas pessoas?

1. Afaste-se desta pessoa.

Se você convive com alguém que sempre tenta criar um clima emocional destrutivo, não tenha dúvidas: esta pessoa é tóxica. Se o comportamento dela lhe causa sofrimento, e a compaixão, a paciência, os conselhos e a atenção que você lhe dedica não parecem surtir efeito – e, além disso, ela não parece dar a mínima –, é o momento de você se perguntar: “Preciso desta pessoa em minha vida?”

Quando você se afasta de uma pessoa tóxica num determinado ambiente, o ar fica muito mais arejado.

Sempre que a situação lhe permitir, ignore-a e siga em frente com sua vida. Tome uma atitude enérgica, e identifique o momento de dar um basta. Afastar-se de uma pessoa tóxica não significa que você a odeia, ou que você lhe deseje algum mal; isso simplesmente quer dizer que você dá valor ao seu próprio bem-estar.
Uma relação saudável envolve reciprocidade; deve haver espaço para dar e receber, sem que uma das partes esteja sempre doando, e a outra sempre recebendo. Se, por um motivo qualquer, você tiver de conviver com uma pessoa tóxica, leve em consideração os aspectos abaixo.

2. Pare de fingir que o comportamento desta pessoa não é nocivo.

Se você descuidar, a pessoa tóxica poderá recorrer a atitudes temperamentais com o objetivo de receber tratamento preferencial, já que… bem… acalmá-la pode parecer mais uma tarefa mais fácil do que ter de ouvir resmungos. Mas não se engane: no longo prazo, quem vai sofrer com isso é você. Uma pessoa tóxica não mudará de comportamento se estiver obtendo recompensas pelo fato de não mudar. Tome a firme decisão de não se deixar influenciar pelo comportamento desta pessoa. Pare de “pisar manso” quando estiver ao lado dela, e deixe de ser condescendente com seu comportamento agressivo.

O esforço de tolerar uma pessoa negativa, e que sempre cria drama diante das situações, nunca é compensador. Se uma pessoa com pelo menos 21 anos de idade não é capaz, de modo geral, de ter o comportamento de um adulto sensato e confiável, é chegada a hora de adotar a recomendação a seguir.

3. Diga a ela o que você pensa, de modo claro e sem rodeios!

Defenda-se. Há pessoas dispostas a qualquer coisa para obter ganhos pessoais às custas dos outros – furar fila, furtar dinheiro ou bens, praticar bullying, menosprezar alguém ou fazê-lo sentir-se culpado etc. Não tolere esse tipo de comportamento. Na maioria dos casos, estas pessoas sabem que estão agindo de modo errado e, se colocadas contra a parede, tendem a recuar em suas atitudes nocivas. Em muitas interações sociais, as pessoas tendem a tolerar os indivíduos tóxicos, até o momento em que alguém toma uma atitude, e diz o que pensa, com clareza. Você pode muito bem assumir este papel!

A pessoa tóxica poderá usar a raiva como uma estratégia para influenciar você, não lhe dar ouvidos quando você está tentando dizer algo, ou mesmo interromper o que você está dizendo, e começar a dizer coisas negativas a respeito de algo a que você dá valor. Se você disser claramente o que pensa, e enfrentar diretamente este comportamento temperamental, ela poderá ficar surpresa, ou mesmo chocada, por você ter invadido o “território” dela. Seja como for, é importante ser claro e direto, sem fazer rodeios.

Se, ao relacionar-se com esta pessoa, você jamais fizer qualquer referência a este comportamento tóxico, corre o risco de enredar-se nas manipulações dela. Por outro lado, se você contesta abertamente estas atitudes, ela poderá eventualmente se dar conta do impacto negativo de tal comportamento. Por exemplo, você pode dizer:
 “Você parece zangado(a). Tem algo te incomodando?”
 “Você parece entediado(a). O que eu estou dizendo soa desnecessário pra você?”
 “Você está me aborrecendo com seu comportamento. Era esta a sua intenção?”

Frases diretas como estas podem desarmar a pessoa, caso ela realmente esteja usando seu comportamento temperamental como um modo de manipulação. Tais comentários podem também servir de porta de entrada para que você possa ajudá-la, caso ela esteja realmente enfrentando um problema sério.

Ainda que a pessoa lhe pergunte: “O que você quer dizer com isso?”, e negue a própria atitude, pelo menos você a alertou que este comportamento já é um problema bem conhecido de todos que a cercam, e que não é somente uma estratégia que ela pode usar para manipular os outros sempre que quiser.

Mas se ela continuar negando, talvez seja o momento de…

4. Ser mais enérgico(a).

A sua dignidade poderá ser ridicularizada e violentamente atacada, mas ninguém poderá tirá-la de você, a menos que você permita. Trata-se, aqui, de encontrar energia para defender os limites do seu território.

Deixe muito clara a sua recusa a insultos ou a atitudes de menosprezo. Para ser sincero, nunca tive bons resultados no enfrentamento com uma pessoa realmente tóxica (o pior tipo de gente que existe), enquanto ela me agredia. A melhor reação que já tive foi a seguinte frase, dita em tom irritadiço: “É uma pena que você tomou meu comentário de modo pessoal”. Uma estratégia muito mais eficaz foi abortar a conversa, num tom de “delicadeza nauseante”, ou de modo simplesmente abrupto. A mensagem será clara: não haverá recompensa para as “alfinetadas” desta pessoa, e você se recusa a participar de um jogo de manipulações.

A pessoa realmente tóxica tende a envenenar todas as pessoas ao redor; se você o permitir, será afetado por este veneno. Se você já recorreu à argumentação, e isso não surtiu efeito, não hesite em afastar-se desta pessoa e ignorá-la, até que ela perceba a necessidade de mudança de atitude.

5. Não tome este comportamento tóxico de maneira pessoal.

O problema é deste indivíduo, não seu. LEMBRE-SE DISSO.

Há grandes chances de que esta pessoa tente insinuar que, de algum modo, você é quem agiu errado. E, já que o sentimento de culpa tende a ser um peso considerável para a maioria das pessoas, a mera insinuação de ter feito algo errado poderá abalar sua autoconfiança e minar sua determinação. Cuide para que isso não aconteça com você.

Lembre-se: se você não toma nada de maneira pessoal, isso lhe dá uma enorme liberdade. A maioria das pessoas tóxicas age de modo negativo não apenas com você, mas com todos ao redor. Mesmo quando a situação parece ser de natureza pessoal – mesmo que você se sinta diretamente insultado(a) –, em geral, isso não tem nada a ver com você. As coisas que esta pessoa diz e faz, e as opiniões dela não passam de um reflexo dela própria.

6. Exercite a compaixão.

Há momentos em que vale a pena demonstrar empatia pela pessoa tóxica que claramente está enfrentando situações difíceis, ou sofrimentos por causa de uma doença. Não resta dúvida de que algumas destas pessoas estão, de fato, angustiadas, deprimidas, ou até mesmo doentes mental ou fisicamente; ainda assim, é preciso distinguir entre problemas legítimos e a maneira como esta pessoa o trata. Se você seguir justificando e relevando atitudes de uma pessoa pelo fato de ela estar angustiada, fisicamente doente, ou mesmo deprimida, isso servirá de estímulo para que ela use a própria circunstância infeliz como um meio para atingir os fins.

Há alguns anos, trabalhei como voluntário num hospital psiquiátrico para crianças. Atuava como orientador para Dennis, um garoto que recebera o diagnóstico de transtorno bipolar. Às vezes, Dennis se revelava um menino difícil, e, no momento em que seus conflitos vinham à tona, xingava a todos, com palavras obscenas.

Ninguém nunca o advertia sobre suas explosões; àquela altura, eu tampouco fazia isto. Afinal, ele é clinicamente “louco”, e não tem controle sobre isso, não é mesmo?

Certo dia, levei Dennis a um parque, e começamos a brincar com uma bola. Uma hora depois, ele teve uma de suas crises, e começou a me xingar. Em vez de ignorar, eu lhe disse: “Pare de me agredir, e de me xingar. Sei que você é um menino legal, e que pode ser bem mais legal do que está sendo agora”. Ele ficou de queixo caído, e tinha uma expressão atônita no rosto. Segundos depois, voltou a si e me disse: “Desculpe por ter sido agressivo, sr. Marc”.

A lição que tirei deste episódio: não é possível “ajudar” uma pessoa por meio do perdão incondicional a tudo que ela faz só porque ela tem problemas. Há muita gente passando por extremas dificuldades, mas que evita envenenar as pessoas com quem convivem. Só é possível agir com verdadeira compaixão quando se consegue impor limites. No longo prazo, uma postura de excessiva tolerância e condescendência não é saudável nem sensata para nenhuma das partes.

7. Reserve um tempo para si mesmo(a).

Caso você tenha de viver ou trabalhar com uma pessoa tóxica, e não lhe restar alternativa, lembre-se sempre da importância de reservar um tempo para si mesmo, para descansar e recarregar as baterias. Viver sempre o papel de um “adulto centrado e sensato” diante de uma pessoa temperamental e tóxica pode ser uma tarefa exaustiva; se você não tomar cuidado, este veneno pode infectá-lo. Lembre-se que mesmo as pessoas que estão enfrentando problemas legítimos e doenças clínicas conseguem compreender que você também tem problemas – o que significa que você também pode “sair de cena”, sempre que for necessário.

Você merece este distanciamento. Para poder refletir em paz, livre de pressões externas e de comportamentos nocivos. Sem ter de resolver quaisquer problemas, lutar pela preservação de seu território, ou agradar a ninguém. Há momentos em que você precisa simplesmente achar um tempo para si mesmo(a), longe do mundo agitado em que vive – mundo em que o tempo individual de cada pessoa não é uma prioridade.

Imagem de capa: Ana Blazic Pavlovic/shutterstock

Do original: 7 Smart Ways to Deal with Toxic People, de MARC CHERNOFF.

TRADUZIDO exclusivamente para CONTI outra pelo tradutor e revisor LUIS GONZAGA FRAGOSO

A arte de incomodar…

A arte de incomodar…

…ou como irritar os outros na atualidade sem fazer esforço. Hoje isto não é nem um pouco difícil. Tenha conteúdo, pense, reflita, saiba o que você quer de sua vida, se dedique a sua carreira com esmero, seja gentil e cordial com as pessoas, tenha caridade e ideologia. Com estes atributos é certo que você vai irritar muitas pessoas especialmente os que são superficiais, os que não sabem o que querem da própria vida, os que se entregaram à preguiça, os acomodados, os que não querem ter educação ou o mínimo de cordialidade.

As ideias de bondade, de tolerância, liderança, de sucesso trouxeram em conjunto com o esoterismo e com a distorção do pensamento do cristianismo a convicção de que é possível agradar a tudo e todos, basta querer. Milhares de livros de autoajuda prometem as chaves para fazer amigos, influenciar pessoas, como ser popular, treinamentos e condicionamentos para que o mundo esteja a seus pés na hora desejada.

Tudo bem que só não funciona, muito embora isto alimente financeiramente e ideologicamente várias seitas, cursos, toda indústria do faz de conta que se pode ser super…

Lembro que incomodei muito meus colegas no ensino médio, quando aos 16 anos comecei a ler Freud. Também lembro do celeuma em família quando decidi pela psicologia. Lembro quanto incomodei colegas de profissão quando fui estudar a fundo saúde mental para tratar pessoas com depressão, e do quanto incomodei quando fui chefiar um serviço de desintoxicação de dependentes químicos dentro de uma penitenciária.

Agir incomoda, pensar diferente irrita, e ter certezas sobre a existência é para muitos inaceitável.

Por vivermos em uma sociedade de pensamento hegemônico, massificada, de educação bancária com o padrão da ruptura da criatividade torna-se natural e necessário ao bom convívio que as pessoas se nivelem por baixo. Para que ser diferente se posso ser um nada coletivo, prestar um concursinho e virar um burocrata?

Muita gente vai ficar irritada ao ler este artigo. Especialmente os que abandonaram na vida seu dom, sua vocação genuína e se entregaram.

Outros vão se sentir aliviados, especialmente os que têm sofrido de certa dose de discriminação por que têm seguido a sério sua vocação. A individuação é um caminho solitário, árido e difícil.

Individuar exige a ruptura com o senso comum, com a alienação, dedicação, persistência, obstinação.

E buscar o sentido de vida, individuar incomoda muito muita gente. A evolução acentua naturalmente as diferenças e isto traz muitas pedradas e o sentimento de exclusão e incômodo.

Faz parte do caminho. Basta ler a biografia dos inventores, das pessoas notáveis ou a dos religiosos que você encontra isto lá. Duas dicas fundamentais: procure ter autoconhecimento, saber exatamente quem você é e o que quer; circule, tente expandir as fronteiras dos relacionamentos, isto ajuda a sobreviver.

Jorge Antônio Monteiro de Lima, analista, pesquisador em saúde mental, psicólogo

Fonte indicada: Diário da Manhã

Imagem de capa: baranq/shutterstock

Publicado na CONTI outra com autorização do autor.

Ela ainda não sabe o que quer, mas tem certeza do que não quer mais

Ela ainda não sabe o que quer, mas tem certeza do que não quer mais

Ela é quieta, contida, talvez seu olhar transmita distância, solidão. Mas ela fervilha por dentro, tem planos, constrói castelos e viagens, prestando atenção a si mesma. Ela já se decepcionou demais com as pessoas e, por isso, hoje ela coloca sua vida no topo de suas metas. Não é egoísmo, é retomada, é volta, é reconstrução.

Ela pode até passar por nós despercebida, parecendo alguém comum, que segue a vida como uma outra pessoa qualquer. Ela é quieta, contida, talvez seu olhar transmita distância, solidão. Mas ela fervilha por dentro, tem planos, constrói castelos e viagens, prestando atenção a si mesma. Ela já se decepcionou demais com as pessoas e, por isso, hoje ela coloca sua vida no topo de suas metas. Não é egoísmo, é retomada, é volta, é reconstrução.

Ela já acreditou em pessoas que não devia; já amou homens que não a queriam; já se calou diante da tirania alheia; já se esgotou, doando-se a quem não repartia. Ela foi fundo, porque sempre foi inteira. Ela amou demais, porque sempre foi verdadeira. Ela se abriu integralmente, porque sempre foi intensa. E, por isso mesmo, já enfrentou dissabores, colheu ingratidão, chorou sozinha, conhecendo o pior lado de um ser humano, ainda que tenha sempre ofertado o seu melhor.

Ela contava com os outros, dependia de algumas pessoas, plantava esperanças em terrenos duvidosos, porque seus sentimentos nunca foram nada além de certezas e seu amor nunca fora menos do que tudo. Não conseguia entender quem não se entregava, quem não se comprometia, quem não vivia verdades. Não podia aceitar que pudessem querer o mal do outro, somente por maldade mesmo. Para ela, cada um recebia o que merecia – mas por que nela doía, sendo que nunca machucava ninguém?

Às duras penas, muitas coisas ela teve que aprender pela dor, sofrendo o retorno ingrato de quem não a valorizava, inclusive batendo de frente com o vazio de quem nunca era capaz de deixar de lado a si mesmo em favor de ninguém, além de si próprio. Muitas lágrimas e noites em claro acumulou, até que começou a jornada ao encontro de si mesma e de seu coração. Passou a escutar o que seus sentimentos diziam, passou a demorar-se nos próprios sonhos, passou a agir sem ter que esperar pela boa vontade alheia.

Hoje, ela ainda carrega muitas dúvidas e incertezas, porém, já tem claro dentro de si tudo aquilo que não quer mais, quem não receberá sua confiança, quem não merecerá o seu melhor, quem não ficará junto. Porque ela sabe o tanto que lutou para chegar até ali, bem como quem caminhou ao seu lado nesse percurso. Ela está tranquila, pois nenhuma dúvida poderá ser maior do que a convicção que ela possui quanto ao que não poderá mais fazer parte dela. E é assim que aqueles olhos imensos carregam uma imensidão de sonhos a ser preenchida com sentimentos sinceros e gente de verdade, mesmo que sem alarde, afinal, hoje ela não precisa mais provar nada para ninguém.

Imagem de capa: Hvoenok/shutterstock

As coisas não mudam por dois motivos: ou é medo ou já é tarde demais

As coisas não mudam por dois motivos: ou é medo ou já é tarde demais

A hesitação em agir muitas vezes acaba culminando no desperdício de oportunidades únicas, que já terão ido embora quando resolvermos abraçá-las. Demorar-se demais nas dúvidas pode nos impedir de avançar na hora certa, de aproveitar o melhor momento, de optar por quem seria verdadeiro.

Mudar algo lá fora e mudar algo dentro de nós são tarefas muitas vezes difíceis e assustadoras. A gente gosta do que é certo, do que já está estabelecido, do que é constante. A gente até força e se ilude com o que supostamente já está ali do lado, com quem permanece faz tempo, com o que somos desde cedo. A zona de conforto é deveras cômoda e muitos não ousam questioná-la, pois isso requer uma coragem absurda.

Fato é que nunca teremos certeza absoluta quanto às tomadas de decisão que assumiremos vida afora, uma vez que a escolha implica, em si, também uma renúncia. Quando optamos por algo, deixamos para trás alguma coisa e assim nos questionaremos quanto à possibilidade de o que preterimos ter sido o que deveríamos ter mantido. Jamais teremos cem por cento de certeza sobre nossas escolhas, sobre o que devemos guardar e o que necessita ser jogado fora.

E dá medo. Medo de desistir de algo ou de alguém que merecia um pouco mais de insistência. Medo de ficar dando chances à mesma pessoa inutilmente, tendo outro alguém esperando somente uma chance nossa. Medo de partir para um emprego mais afim com nossas habilidades, porém incerto quanto à remuneração. Medo de mudar o corte de cabelo ou sua cor, de usar jeans rasgado, de opinar numa reunião. Medo de se arrepender.

E, por mais que nos alertem, por mais que nos sintamos incomodados, bem lá no fundo, por mais que o que não muda não nos anime, chegará um momento em que a dor por não mudar será insuportável. Teremos, então, que tomar uma atitude, caso desejemos sobreviver, seguir em paz, voltar a sorrir com verdade. Ou isso ou vivemos pela metade, sufocados, à margem da totalidade de sonhos que nos aguardam ali pertinho, sonhos nossos, mas que dependem de nossa coragem.

Infelizmente, a hesitação em agir muitas vezes acaba culminando no desperdício de oportunidades únicas, que já terão ido embora quando resolvermos abraçá-las. Demorar-se demais nas dúvidas pode nos impedir de avançar na hora certa, de aproveitar o melhor momento, de optar por quem seria verdadeiro. E então a lamentação será dolorosa, enquanto sentimos o que deveria estar junto se esvaindo por entre nossas mãos. E então será tarde demais. Como dói o tarde demais…

Temer errar não é de todo mal, pois o medo, muitas vezes, protege-nos e alerta-nos aos descaminhos que devemos evitar. Mesmo assim, precisaremos evitar nos acomodarmos junto ao que e a quem nada trazem de bom, nada acrescentam, em nada ajudam. Mais vale um caminho de lutas em busca do que nos faz feliz do que um repouso paralisante junto a incertezas que incomodam. Vamos ser felizes agora, que o depois demora muito.

Imagem de capa: Angelo Cordeschi/shutterstock

É muito barato ser feliz

É muito barato ser feliz

Hoje eu acordei estranha, meio fora de mim, angustiada e sem querer viver o dia de tanta coisa que eu tinha pra fazer. Cheguei no trabalho meio atordoada, sem conseguir me concentrar direito em nada, cada hora começava uma coisa e não terminava.

Vi o stories da minha melhor amiga que está viajando o mundo de bicicleta e comecei a chorar. Às vezes a gente acorda mesmo com uma angústia sem sentido, mas dá pra transformá-la em outra coisa ao longo do dia.

Chorei meio contida, mas chorei. Chorei por prestar atenção na letra da música que eu escutei pra malhar essa semana, pra você ver a profundidade da sensibilidade que eu estou ( a música é Heading Home do Gryffin – vamos ouvir e chorar juntos mentalmente de mãos dadas).

Saí pra almoçar e resolver umas coisas na rua. Coloquei a música no repeat e fui andando. Entrei numa rua que eu nunca tinha passado e me surpreendi com as casinhas coloridas, uma do lado da outra. Botafogo tem dessas surpresas.

E beleza, eu tinha que passar por essa rua hoje pra pegar uma encomenda, mas fiquei me perguntando por que a gente não se arrisca e não se permite se perder de vez em quando pra encontrar alguma coisa nova.

Fui andando e observando tudo em volta e tudo virou poesia de repente. Eu me encantei com todos os ângulos da rua, das pessoas, das cores.

Resolvi almoçar num lugar diferente, pedi uma taça de vinho branco. Por que não? Nada como apreciar nossa própria companhia. O dia tá lindo, ainda tenho meia hora pra voltar pro trabalho (aliás, estou escrevendo este texto no restaurante de esquina e olhando para uma palmeira toda verde lá no fundo em contraste com o céu azul. Meu deus vocês precisam ver isso).

Estou aqui pensando por que a gente não se permite fazer essas coisas de vez em quando. Dar um tempo, almoçar num lugar diferente sozinho, andar por novas ruas ouvindo música. A gente fica muito preso a uma rotina, mas a verdade é que podemos mudar o rumo das coisas todos os dias. E eu nem to falando de uma forma radical, não. Que seja pra tomar um sorvete no meio da tarde, mas é preciso estar totalmente entregue, sentindo cada colherada como se fosse o melhor momento da vida, degustando o presente sem pressa, só vivendo e sentindo um calorzinho no peito e o corpo todo arrepiado. Sabe aquele momento que você sabe que é feliz? Você sente e sabe, de alguma forma, que aquilo é a felicidade, pura e simples. Você sabe que vai lembrar daquele momento com saudade.

Eu geralmente me encanto com tudo e quem ta em volta me acha doida, porque eu olho pra qualquer coisa e me apaixono instantaneamente e choro e pulo e grito. Sei lá, por ver a palmeira em contraste com o céu, por exemplo. E ninguém entende. E deve ser um saco viver sem ter esses vislumbres instantâneos.

É muito barato ser feliz. Mas o que custa caro é a gente não se permitir sentir isso. Sei lá, parece que a gente se sente culpado por ser feliz. Tem tanta merda acontecendo no mundo, as pessoas estão super ansiosas e depressivas, por que eu vou me permitir ser feliz?

Mas sentir isso é a única forma de olhar pra trás e ter certeza de que a vida valeu a pena. A vida sempre vale a pena, aliás. E estar presente é a melhor forma de transformar o mundo, porque você consegue fazer as coisas que acredita sem se importar com o resultado e sim com o processo. Essas são ações mais puras e verdadeiras. São elas que mudam o mundo. Ou as pessoas, o que dá no mesmo.

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10 verdades que não deixam de existir, mesmo que sejam ignoradas.

10 verdades que não deixam de existir, mesmo que sejam ignoradas.

Por mais que tentemos nos enganar, a verdade, dura e certeira, baterá a porta. Nesse momento, o impacto de realidade que receberemos será proporcional ao tanto de verdade que fomos capazes de aceitar ao longo do tempo. A verdade não deixa de existir quando é ignorada.

As frases abaixo,  no mínimo, merecem alguma reflexão.

Tem alguém na porta. Você vai abrir?

1- Ter razão em um argumento não te autoriza a ser um cretino.

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2- Faça o que fizer o seu dia continuará tendo 24 horas. A sua vida, entretanto, será abreviada se você passar cada minuto desse tempo estressado e trabalhando.

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3- Sentir inveja é normal e humano, fazer o mal intencionalmente já é outra coisa.

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4- Você não é o que você tem, mas pode virar escravo disso bem fácil.

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5- 0 sucesso costuma vir depois de vários fracassos e o fracasso também pode voltar depois do sucesso. Seja humilde!

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6- Toda vez que você diz um sim querendo dizer não, acumula “nãos” para si mesmo.

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7- A inveja é um dos sentimentos mais destrutivos que existe. O invejoso prefere ver um “objeto” destruído do que sabe-lo possuído por outra pessoa.

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8- Nem todo mundo é bom. Você sabe disso. Mas você não é tão bom e nem tão esperto quanto pensa que é. Lide com isso.

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9- Pensar e fazer não são a mesma coisa. Uma pessoa ocupada não é necessariamente uma pessoa é produtiva. A vida precisa de um pouco de organização.

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10- Você não consegue controlar o que acontece com você na maioria do tempo, mas pode se esforçar para administrar melhor como lida com isso. Isso se chama inteligência emocional.

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6 características do assédio moral no trabalho- e como reagir

6 características do assédio moral no trabalho- e como reagir

Durante cinco anos da minha vida trabalhei como psicóloga diretamente em um órgão regional chamado Centro de Referência em Saúde do Trabalhador- CEREST. Lá, dentre outras coisas, uma das grandes demandas que recebíamos era a de profissionais que sofriam assédio moral no ambiente de trabalho. O assédio, entretanto, pode ser complexo e cheio de sutilezas. Como ele acontece ao longo do tempo, não é fácil identificá-lo, classificá-lo e, muito menos, provar que ele acontece. Para desmistificá-lo e ajudar as pessoas a identificarem seus sinais, listo abaixo sua definição e uma sequência de características que são frequentes em ambientes onde existe assédio. Em seguida, dou algumas orientações sobre como a pessoa que está passando por isso deve proceder para se fortalecer e reagir:

DEFINIÇÃO

O assédio moral é revelado por atos e comportamentos agressivos que visam a desqualificação, desmoralização e a desestabilização emocional do ofendido, tornando o ambiente desagradável, hostil e pernicioso, não raramente desencadeando na vítima um mal psicológico e físico.-  GUEDES, 2003.

CARACTERÍSTICAS

1- O assédio é realizado por profissionais despreparados para o cargo. Embora não seja regra absoluta, normalmente o assediador é um superior hierárquico. Entretanto, o assédio também pode acontecer entre colegas e de subordinados para a chefia;

2- A principal característica do assédio moral é a HUMILHAÇÃO E/OU PERSEGUIÇÃO DIRETA- ou INDIRETA- sofrida pela pessoa.

3-  É necessário que haja REPETIÇÃO dos atos do assediador, uma vez que situações isoladas não caracterizam assédio.

4- Por HUMILHAÇÃO podemos entender atos que INTENCIONALMENTE:

  • usem de brincadeiras (racistas, sexistas) e outros comentários fora de contexto e que visem denegrir a imagem do colaborador;
  • usem de ironia e descaso como ignorar um trabalho feito, desmerecer a inteligência, a formação, ou mesmo a presença do colaborador no ambiente de trabalho;
  • a não delegação de  trabalho ou delegar funções que estão aquém ou muito além do cargo para gerar constrangimento ou isolamento. Ex: Colocar o colaborador de castigo;
  • desvalorizar sofrimento físico ou emocional, mesmo mediante atestados médicos (dizer que a dor é frescura, que quem tem depressão não dá risada, etc);
  • não permitir que a pessoa fale ou que se defenda em uma argumentação;
  • punições desproporcionais às normas de conduta utilizadas pela empresa;
  • tom de voz alto, agressivo, depreciativo;
  • a alteração de horários do colaborador para isolá-lo dos colegas e impedir que socialize;
  • não permitir folgas, tratar de forma diferente do grupo;
  • pressão por cumprimento de metas com humilhações para quem não as atinge (dancinhas da garrafa, entre outras).

Nota: os tópicos acima não abrangem todas as possibilidades de humilhação e servem como exemplos para que a pessoa identifique alguns tipos de comportamentos que podem ser utilizados para humilhação e/ou perseguição.

5- A constância de situações de humilhação cria um isolamento progressivo do colaborador. Muitas vezes, os outros colegas de trabalho, embora presenciem as cenas, não apresentam posição ativa e de defesa do humilhado, gerando um sentimento ainda maior de injustiça e abandono. (na maioria das vezes o silêncio, tanto do abusado quanto dos cúmplices, está relacionado ao “medo de perder o emprego).

6- Progressivamente acontece uma fragilização emocional da pessoa que sofre o assédio e o aparecimento de quadros ansiosos e depressivos (ou mesmo outros quadros psiquiátricos, caso a pessoa possua propensão). Além dos quadros psicológicos, é comum o aparecimento de doenças psicossomáticas associadas que podem progredir até o afastamento do colaborador.

Nota: quanto mais doente fica a pessoa, mais o ciclo de destruição é alimentado, pois a fragilização é a prova de que os atos perversos estão surtindo todo o efeito desejado.

COMO REAGIR

Pense que você deve procurar ajuda primeiro perto das pessoas mais próximas e, só depois, se não houver opção, procurar outras esferas.

  • Informar-se sobre o tema- é importante que você saiba exatamente o que está acontecendo para poder argumentar e se defender. Às vezes sentimos que há algo errado, mas não sabemos explicar. Procure, pesquise, veja outras pessoas que já passaram por isso e tente entender um pouco mais sobre como elas agiram e quais as suas opções;
  • preste atenção se o alvo do assédio é apenas você, se é o grupo todo ou se é cíclico e, de tempos em tempos, o assediador escolhe uma pessoas para perseguir;
  • se for possível, fale com o seu superior direto: mesmo que o assediador seja o superior, é importante que um acordo de convivência seja buscado. Se isso não for possível, é possível falar com outras pessoas da empresa? O gerente de RH, por exemplo?
  • Procure um responsável do Sindicato de Classe ou do Ministério Público do Trabalho: os profissionais dessas áreas, quando disponíveis para atendimento ao público, podem oferecer informações valiosas e atuar diretamente com intervenções na empresa;
  • Busque apoio em profissionais de saúde mental, serviços de referência em saúde do trabalhador, famílias e amigos: aumentar a rede de apoio é fundamental. Lembre-se que você não tem que resolver nada sozinho e que aceitar ajuda é fundamental;
  • Em caso da necessidade de procurar ajuda jurídica, provavelmente o profissional pedirá provas. Mediante as sutilezas do assédio, é importante que a pessoa pense na possibilidade do depoimento de testemunhas, logo, procure estar sempre perto de outras pessoas no trabalho para que elas presenciem o que acontece com você. Guarde emails que podem indicar tratamento depressiativo, desvio de função, dificultação da escala de folgas, entre outras coisas.
  • Ou seja: INFORME-SE, ACEITE AJUDA- TRATE-SE- REAJA

Para finalizar, gostaria de lembrar que o assédio também é obra de um sistema que se torna perverso. Normalmente existe conivência das pessoas do entorno ou da direção para que aqueles atos continuem acontecendo. Por esse motivo, é fundamental que as pessoa reajam de maneira global. Se diversas pessoas reagem, tiramos uma única pessoa da posição de vítima e colocamos a força em um grupo que reivindica seus direitos de respeito e trabalho. Pensem nisso!

Imagem de capa:  pathdoc/shutterstock

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