Depressão atinge cada vez mais crianças no Brasil

Depressão atinge cada vez mais crianças no Brasil

Conhecida por “mal do século 21”, a depressão também pode ser observada em crianças. O estado anormal de comportamento e a perda do interesse em atividades cotidianas podem ser sentidos ainda na fase infantil. Porém, os sintomas podem ser diferentes da depressão apresentada por adultos, fato que dificulta o reconhecimento do distúrbio nessa fase.

Dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) apontam o transtorno como principal causa na incapacidade de conclusão de tarefas rotineiras entre crianças e jovens de 10 a 19 anos.

“A criança que sofre de depressão pode se apresentar mais irritada, mais agitada, inquieta ou irrequieta do habitual. Ela também pode se desinteressar pelas atividades da escola ou de lazer, parecer cansada o tempo todo e, algumas vezes, apresentar perda de sono e alterações de apetite. Estes são sintomas comuns em crianças deprimidas e bastante diferentes dos apresentados pelos adultos”, explica a Anne Maia, psiquiatra e professora da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Segundo ela, nem sempre o quadro de depressão infantil tem relação com algum episódio estressor, mas pode acontecer sem que haja algo pontual.

Para o diagnóstico é fundamental que os pais, professores e parentes mais próximos a criança observem qualquer comportamento incomum, além do desinteresse por atividades de lazer e a falta de reação frente a uma situação em que é contrariada. Assim como outros distúrbios nessa fase, é importante que haja uma detecção precoce para evitar possíveis complicações.

“As abordagens terapêuticas para a criança deprimida devem ser as mais amplas possíveis. Com o avanço nas formulações dos antidepressivos (com menos efeitos colaterais e mais seguros), hoje o tratamento da depressão infantil já é realizado com psicoterapia e psicofarmacoterapia. Conjugadas, essas medidas comprovadamente auxiliam na melhora dos sintomas e do desempenho escolar”, afirma a psiquiatra.

Além do tratamento medicamentoso, a médica acrescenta que o suporte familiar é indispensável na recuperação da criança. Segundo ela, esse apoio e orientação também são medidas de prevenção para eventuais recaídas ou continuidade do problema na fase adulta.

Imagem de capa: anna.danilkova/shutterstock

Fonte: Vert Social

Dica de livro:Livro De Referencia Para A Depressao Infantil 

O câncer terminal de Oliver Sacks gerou sua belíssima carta de adeus

O câncer terminal de Oliver Sacks gerou sua belíssima carta de adeus

“A vida de um homem não é mais importante para o universo do que a de uma ostra”, escreveu o filósofo escocês David Hume.

O escritor e neurologista Oliver Sacks pegou emprestado o título da autobiografia de Hume, “Minha Própria Vida”, para um ensaio no New York Times em que contou de um câncer diagnosticado em 2005 que teve metástase em seu fígado, dando-lhe alguns meses.

É uma belíssima carta de adeus, uma reflexão serena e altiva sobre a morte e o que importa realmente. “Nos últimos dias, tenho visto minha vida como se de uma grande altitude, uma espécie de paisagem, e com um senso profundo de conexão com todas as suas partes”, escreve.

Não é o testemunho de um moribundo. Ao contrário: ele avisa que tem livros para terminar, mas agora há outras prioridades. Não há mais por que discutir política ou o aquecimento global.

“Esses assuntos não me dizem mais respeito; eles pertencem ao futuro”, diz. “Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi”.

O artigo de Sacks:

“Há um mês, eu sentia que estava em boas condições de saúde, robusto até. Aos 81 anos, ainda nado uma milha por dia. Mas a minha sorte acabou – há algumas semanas, descobri que tenho diversas metástases no fígado. Nove anos atrás, encontraram um tumor raro no meu olho, um melanoma ocular. Apesar da radiação e os lasers que removeram o tumor terem me deixado cego deste olho, apenas em casos raríssimos esse tipo de câncer entra em metástase. Faço parte dos 2% azarados.

Sinto-me grato por ter recebido nove anos de boa saúde e produtividade desde o diagnóstico original, mas agora estou cara a cara com a morte. O câncer ocupa um terço do meu fígado e, apesar de ser possível desacelerar seu avanço, esse tipo específico não pode ser destruído.

Depende de mim agora escolher como levar os meses que me restam. Tenho de viver da maneira mais rica, profunda e produtiva que conseguir. Nisso, sou encorajado pelas palavras de um dos meus filósofos favoritos, David Hume, que, ao saber que estava terminalmente doente aos 65 anos, escreveu uma curta autobiografia em um único dia de abril de 1776. Ele chamou-a de “Minha Própria Vida”.

“Estou agora com uma rápida deterioração. Sofro muito pouca dor com a minha doença; e, o que é mais estranho, nunca sofri um abatimento de ânimo. Possuo o mesmo ardor para o estudo, e a mesma alegre companhia de sempre.”

Tive sorte de passar dos oitenta anos. E os 15 anos que me foram dados além da idade de Hume foram igualmente ricos em trabalho e amor. Nesse tempo, publiquei cinco livros e completei uma autobiografia (um pouco mais longa do que as poucas páginas de Hume) que será publicada nesta primavera; tenho diversos outros livros quase terminados.

Hume continua: “Eu sou… um homem de disposição moderada, de temperamento controlado, de um humor alegre, social e aberto, afeito a relacionamentos, mas muito pouco propenso a inimizades, e de grande moderação em todas as minhas paixões.”

Aqui eu me distancio de Hume. Apesar de desfrutar de relações amorosas e amizades e não ter verdadeiros inimigos, eu não posso dizer (e ninguém que me conhece diria) que sou um homem de disposições moderadas. Pelo contrário, sou um homem de disposições veementes, com entusiasmos violentos e extrema imoderação em minhas paixões.

E ainda assim, uma linha do ensaio de Hume me toca como especialmente verdadeira: “É difícil”, ele escreveu, “estar mais separado da vida do que eu estou no presente.”

Nos últimos dias, consegui ver a minha vida como a partir de uma grande altitude, como um tipo de paisagem, e com uma sensação cada vez mais profunda de conexão entre todas as suas partes. Isso não quer dizer que terminei de viver.

Pelo contrário, eu me sinto intensamente vivo, e quero e espero, nesse tempo que me resta, aprofundar minhas amizades, dizer adeus àqueles que amo, escrever mais, viajar se eu tiver a força, e alcançar novos níveis de entendimento e discernimento.

Isso vai envolver audácia, clareza e, dizendo sinceramente: tentar passar as coisas a limpo com o mundo. Mas vai haver tempo, também, para um pouco de diversão (e até um pouco de tolice).

Sinto um repentino foco e perspectiva nova. Não há tempo para nada que não seja essencial. Preciso focar em mim mesmo, no meu trabalho e nos meus amigos. Não devo mais assistir ao telejornal toda noite. Não posso mais prestar atenção à política ou discussões sobre o aquecimento global.

Isso não é indiferença, mas desprendimento – eu ainda me importo profundamente com o Oriente Médio, com o aquecimento global, com a crescente desigualdade social, mas isso não é mais assunto meu; pertence ao futuro. Alegro-me quando encontro jovens talentosos – até mesmo aquele que me fez a biópsia e chegou ao diagnóstico de minha metástase. Sinto que o futuro está em boas mãos.

Nos últimos dez anos mais ou menos, tenho ficado cada vez mais consciente das mortes dos meus contemporâneos. Minha geração está de saída, e sinto cada morte como uma ruptura, como se dilacerasse um pedaço de mim mesmo. Não vai haver ninguém igual a nós quando partirmos, assim como não há ninguém igual a nenhuma outra pessoa. Quando as pessoas morrem, não podem ser substituídas. Elas deixam buracos que não podem ser preenchidos, porque é o destino – o destino genético e neural – de cada ser humano ser um indivíduo único, achar seu próprio caminho, viver sua própria vida, morrer sua própria morte.

Não posso fingir que não estou com medo. Mas meu sentimento predominante é de gratidão. Amei e fui amado; recebi muito e dei algo em troca; li, viajei, pensei e escrevi. Tive uma relação com o mundo, a relação especial de escritores e leitores.

Acima de tudo, fui um ser senciente, um animal pensante nesse planeta maravilhoso e isso, por si só, tem sido um enorme privilégio e aventura.”

Por Kiko Nogueira

Fonte: Diário do Centro do Mundo

Imagem de capa: Reprodução

Nota da página: Oliver Sacks faleceu hoje, 30 de agosto de 2015, aos 82 anos, cerca de 6 meses após a publicação de sua fala.

Se levarmos tudo para o lado pessoal, viveremos eternamente ofendidos

Se levarmos tudo para o lado pessoal, viveremos eternamente ofendidos

Existem aqueles que vivem ofendidos. Longe de se permitirem levar uma existência em sintonia com o próximo, com respeito e harmonia, optam por “bater a cabeça no muro” quase a todo momento.

O mundo talvez tenha confabulado para agir contra nós? De modo algum. O que ocorre é que, neste sutil porém complexo mundo das emoções e das personalidades, existem aqueles que fazem da ofensa um hábito constante.

Longe de ver estas pessoas como focos problemáticos a serem evitados, é necessário entender o que acontece em seu interior.

A hipersensibilidade, a baixa autoestima e a falta de recursos psicológicos faz com que seus esquemas de pensamento sejam muito duros.

Qualquer palavra, gesto ou ação é interpretado como uma ofensa. E está aí a essência do problema. A autoestima baixa coloca problemas onde não existe um. Enxerga ódio onde não existe.

Personalidades que enxergam tormentas quando somente existe a luz do sol. Convidamos a todos a refletir sobre o assunto.

Vivemos ofendidos 24 horas por dias, 7 dias por semana

“É que com você não se pode conversar”. “Você se ofende por nada”. “Você que é impossível, você vai de mal a pior”.

Se em algum momento lhe disseram estas frases, é bem possível que também não tenham gostado de você. No entanto, por trás destas verbalizações se esconde uma realidade.

  • Se aqueles que nos rodeiam possuem problemas para interagir conosco, algo acontece. Se não estão cômodos, se não existe harmonia na comunicação nem o cuidado, é necessário descobrir o porquê.
  • Longe de pensar que “todos que me rodeiam me odeiam”, é necessário mergulhar em uma reflexão profunda e delicada.
  • Devemos retirar cada camada desta cebola que nos envolve para saber o que está em nosso interior.
    A seguir, vamos descobrir o que ocorre com aqueles que se sentem eternamente ofendidos.

Ninguém te ofende, são suas expectativas

É provável que sejam suas altíssimas expectativas que não se ajustam à realidade. De certo modo, todos nós temos uma ideia do que os outros devem fazer. Sobre como deveriam nos tratar e como deveriam reagir diante de certas coisas.

Em primeiro lugar, que fique claro que estes focos citados não são totalmente adequados. Veja o porquê.

  • A única coisa que devemos ter em mente é como queremos que os outros nos tratem. Merecemos respeito e devemos exigi-lo. É uma necessidade pessoal que todos têm.
  • Agora, o que o restante faz, deixa de fazer ou decide não é competência nossa. Cada pessoa é livre para decidir o que deseja e agir como quer, sempre que exija respeito.
    Se ficarmos obcecados se nosso namorado(a) se comporta de tal modo, se nossos amigos fazem isso e aquilo, não nos sentiremos bem.
  • Para avançar com mais tranquilidade e equilíbrio interno, lembre-se de algo: não espere nada de ninguém, espere tudo de si mesmo.

O mundo não está contra você: é você que deve se harmonizar com o mundo

Quem vive eternamente ofendido é como uma pedra ou como um tronco de carvalho. Para compreender isso, tente visualizar o seguinte:

  • Imagine que você é uma árvore diante de um oceano. As águas vêm e vão, o vento às vezes é suave, às vezes intenso. Em certos momentos este oceano te acaricia, mas em outros te golpeia com seus dias de tormenta.
  • Agora, se você é uma árvore grande e firme, esse oceano, suas ondas e os elementos acabaram te derrubando. Em um cenário assim, todo firme, tudo o que aparenta obstinação acaba no chão.
  • No entanto, se é como o ramo flexível do bambu, dançará com o vento e nem a tormenta mais feroz te fará cair. Porque você se adapta, porque não é como uma parede que recebe cada golpe.

Viver eternamente ofendido é propiciar a chegada de mais danos. No entanto, os culpados somos nós.

  • Quem se ofende por nada gera desconfiança.
  • Se você vive sempre ofendido, seus entes queridos deixarão de se sentir bem ao seu lado e se afastarão.
  • Se você somente enxerga ofensas quando te oferecem palavras amáveis, criará distância.

Ame-se um pouco mais e pare o ruído de seus pensamentos obsessivos

O mundo não te odeia. Ninguém está contra você. Não acumule ofensas onde não existem, nem veja atos que nunca tiveram a intenção de lhe fazer mal.

  • Quem não gosta de si mesmo se torna exigente com os demais. Espera, acima de tudo, que o resto lhe ofereça aquilo que ele mesmo não se dá: amor, reconhecimento, respeito.
  • Se não começarmos a trabalhar com o interior projetaremos nossos abismos mais obscuros para fora, até que pouco a pouco, toda a nossa realidade se converte em um inferno.

Não vale a pena. Diga não ao sofrimento inútil e não apague mais incêndios com gasolina. Comece reparando suas feridas e ofereça a si mesmo o amor de que precisa.

Somente quando queremos o suficiente, o mundo começa a avançar de outro modo muito melhor.

Imagem de capa:  Nasgul/shutterstock

Ei, a pessoa que está aí do seu lado foi escolha sua

Ei, a pessoa que está aí do seu lado foi escolha sua

Olhe ao seu redor. Veja a sua vida. Tudo que está no seu entorno foi escolha sua. Tudo. Parece que não, mas você tem um poder imenso: o de escolher.

Você escolheu entre ir e ficar. Entre sorrir e se lamentar. Você escolheu os adornos da sua casa. A área na qual trabalha. Os livros que preenchem suas prateleiras. As roupas que usa. E até quando você não escolheu acabou por fazer uma escolha. A escolha foi sempre sua, por incrível que pareça.

A pessoa que está aí do seu lado também foi uma escolha. Quando vocês se conheceram algo nela te fascinou. Daí vocês se deram as mãos, distraídos, e partiram juntos. Sim, para amar, como bem disse Clarice, há de se ter um certo grau de distração.

Acontece que nesse caminhar distraído muitas vezes seguimos embalados por ilusões acerca do outro. E como uma certa música fala, muitas vezes, a gente se apaixona pelo que inventa do outro mesmo. E depois disso, da desastrosa revelação do nosso engano, é nossa a decisão de partir ou permanecer.

Você pode continuar com o que não te agrada ou mudar. Pode mudar a si mesmo e quem sabe até mesmo mudar o outro (algo raro, mas possível) ou se conformar. Você pode decidir se calar ou falar. Pode decidir se render ou lutar.

Entenda, você não é vítima da má sorte. Essa pessoa do seu lado, assim desse jeitinho, não surgiu magicamente em seu caminho. Você abriu a porta para ela entrar em sua vida. Você permitiu que ela ficasse. Você acreditou que esse era o amor que te cabia na vida e esse seu achismo perpetuou aquela sua primeira escolha. Você está vivendo uma experiência buscada por você.

Tenha em mente que assim como um pássaro não pode deixar de voar ou um lobo não pode deixar de uivar, você como humano não pode deixar de escolher.

Pare e reflita sobre tudo que você acredita ser de seu merecimento. Pare e pense no melhor para sua vida. Escolha ser feliz, não é pecado, viu. Pecado é achar que sofrimento é redenção.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: pixabay.com – CC0 Public Domain.

Afastar-se pode ser uma grande demonstração de amor

Afastar-se pode ser uma grande demonstração de amor

Afastar-se não quer dizer que o outro deixou de ser importante para nós. De fato, pode ser um indicativo de que gostamos demais dele, já que queremos que cresça por si só.

Afastar-se de alguém pode ser uma grande demonstração de amor. Porque nossa presença às vezes não ajuda, e sim o contrário.

Acreditamos que é valioso estar ao lado de alguém mas, e se fosse mais valioso ainda nos afastarmos?

Esta atitude não necessariamente tem que nos fazer sentir mal ou ser interpretada pelo outro como um insulto. Em algumas ocasiões, tomar distância da pessoa que mais amamos no momento adequado pode ser um grande presente.

Afastar-se permite que os outros lutem suas próprias batalhas

O que acontece quando amamos muito a alguém? Desejamos que nada de ruim aconteça a essa pessoa e velamos por seu bem-estar até chega ao ponto em que, se pudéssemos nos colocar em seu lugar, faríamos.

Porém, sabemos que isso não é positivo. Imagine que você está passando por um momento muito ruim onde não consegue erguer a cabeça.

Pode ser que muitas pessoas ao nosso redor nos ofereçam palavras de ânimo, mas isso é tudo: não podem fazer mais nada por você.

Caso alguém tente direcioná-lo, aconselhá-lo e guiá-lo, mantendo sua visão externa, ou inclusive fazendo coisas que você é quem deveria fazer por si mesmo, essa pessoa estaria lhe tirando a grandiosa oportunidade de aprender com uma das muitas experiências que a vida está lhe oferecendo.

Tendemos a fugir de todas as coisas negativas que nos acontecem. Porém, fazer isso evita que tomemos a responsabilidade pelo que ocorre.

Ninguém gosta de sofrer, mas sofrer nos permite crescer, amadurecer e aprender. Sem as coisas negativas, jamais valorizaríamos as positivas; sem o mau, não saberíamos nos dirigir ao que é mais conveniente para nós.

Tentar ocupar o lugar dessa pessoa que tanto amamos, desejar lutar as batalhas dela por ela, é um enorme erro.

Quando o amor nos cega tanto que nos impede de pensar com clareza e observar que as circunstâncias são as que são e podem ser uma grande oportunidade, afastar-se é a melhor opção.

Tomar distância não quer dizer que você não se importa

Existem diferentes crenças que podem nos ajudar a refletir quando pensamos em nos afastar de alguém, em dar seu espaço para deixar de ser um lastro em seu caminho até o crescimento.

Sem nos darmos conta, às vezes manipulamos, coagimos, e tudo porque vemos a realidade de outra maneira. É normal! Cada um, em seu lugar, faz uma coisa diferente.

O importante é permitir que cada um aja como quer, ainda que não nos pareça a maneira mais adequada.

Por isso é tão importante se afastar, ainda que diversas crenças que temos em nossa mente nos incentivem a seguir ao lado dessa pessoa que amamos. Aqui temos algumas delas:

Não posso deixá-lo porque o que você vai fazer sem mim? Isso está evitando que a outra pessoa tome as rédeas da situação, e mais, está lhe tirando valor como se não pudesse solucionar as coisas sem você. Você não é o salvador da pessoa.

Se me afasto, vão pensar que não me importo. Talvez a outra pessoa nem pense isso. De fato, este pode ser um medo que você tem de que os outros o critiquem por não fazer o que consideram “correto”.

Ela precisa de mim, sempre me diz que sou muito importante. Talvez a pessoa que você tanto ama tenha se apoiado tanto em você que depende de você pra se sentir bem e enfrentar a situação.

Você nem imagina o quanto a ajudará a crescer se você se afastar.

As demonstrações de amor têm diferentes perspectivas

Tomamos como certo e verdadeiro tudo o que estávamos fazendo até o momento. Porém, às vezes é preciso questionar as formas de agir e de pensar, tomar novas perspectivas.

Durante muito tempo acreditamos que o fracasso era terrível, até que começamos a encará-lo como um aprendizado; consideramos a dependência como sinônimo de amor, quando o verdadeiro amor é cultivado de forma individual.

Afastar-se de alguém pode permitir que essa pessoa cresça, amadureça e se torne forte. Porque ninguém pode tomar o controle de nossas vidas, exceto nós mesmos.

Não tiremos dos outros a oportunidade de se empoderar. Se eles têm medo, se se apegaram e se precisam de nós porque acreditam que por eles mesmos não conseguem, é o momento de nos afastarmos.

Fonte indicada: Melhor com Saúde

Imagem de capa: Nasgul/Shutterstock

A vida cobra cada etapa mal vivida

A vida cobra cada etapa mal vivida

Hoje acordei mais cansada que o habitual. Levei o pequeno à aula de inglês e dei uma passadinha na igreja. Minha mãe foi junto e pediu autorização para que eu conversasse com o padre da paróquia. Contei a ele meu desânimo, que vem se arrastando por meses, e ele disse para eu procurar um médico _ “pode ser anemia” _ foram suas palavras, e entendi o que queria dizer.

Mal estar a gente sente a todo momento, e é comum atribuirmos a culpa por nossos desconfortos rotineiros a fatos que estão fora do nosso alcance. Então um desânimo poderia ser fruto de um ambiente de trabalho “carregado”, cheio de inveja e maus espíritos. Dito isso, a causa do mal estar não estaria mais em mim, e sim naquilo que não posso controlar, e portanto, mudar.

Estou num período de entressafra, e sei que é passageiro. E embora tenha motivos para me comover, como quando ligo a tevê e me deparo com a tragédia em Mariana, também fico sensível ao colocar meu menino pra dormir e imaginar que no dia seguinte ele estará um dia mais próximo da puberdade, num tempo longe das nossas brincadeiras e afagos tão maternais.

De vez em quando é normal a vida caminhar pesada, carregada de vazios e com uma falta de sentido alarmante. Também acontece do choro irromper as barreiras do bom senso nas horas mais impróprias: o ônibus que não parou, o episódio do “Que Marravilha Chefinhos” em que a garotinha ganhou todas as estrelas, uma música bonita acompanhada de um pôr do sol visto da janela do carro, uma frustração no trabalho, uma indignação na vida.

Ninguém está livre de maus momentos, e de se sentir caminhando com um peso amarrado nas canelas. Alguns períodos são mais difíceis que outros, e nesse processo de sentir, tolerar e passar por isso com um sorriso no rosto e muita paciência com a própria existência nos faz mudar muito também. Aprendemos a aceitar a inconstância dos dias, o vai e vem da esperança, a entrada involuntária do tédio. Vamos percebendo que já podemos suportar melhor as frustrações, que a falta de ânimo não nos derruba mais, que o cansaço pode ser contornado com algumas horas de sono e muito jogo de cintura.

Somos os únicos responsáveis por mudar aquilo que vai mal na gente. E por mais tentador que seja atribuir a razão de nossas mazelas a fatos que não temos controle, isso não resolve. O que resolve é aproveitar esse momento para descobrir que parte da estrada você pegou errado, e tentar voltar nesse trecho pra consertar alguma coisa a partir daí.

Pois na vida não existem atalhos, ou cortar caminho pra chegar mais rápido. A vida cobra cada etapa mal vivida. E pede que você volte três ou doze casas para refazer o que não foi bem feito. Pode ser que você tenha passado por cima de um luto, e agora fica sentindo essa tristeza a conta-gotas e não sabe o que é. Permita-se voltar ao ponto em que a dor doeu mais e recupere a chance de chorar esse choro até o fim.

Não adie a alegria, mas perdoe-se quando encontrar-se num período de entressafra. Quem disse que ser feliz é ser perfeito? Tudo faz parte de nossa humanidade _ alegria, tristeza, tédio, esperança _ e aprender a tolerar os percalços com serenidade também é sinal de sabedoria.

Que usemos esse tempo para aprender algo novo: uma oração, a chance de aprender a meditar, a vontade de se exercitar, a coragem de se apaixonar.
E que dos espinhos surjam marcas de uma pessoa mais amadurecida, que pode florescer em qualquer estação, pois só quem viu seu solo secar pode dar verdadeiro valor à chuva que vai chegar…

Imagem de capa: The Rabbit Hole/shutterstock

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7 características que apenas pessoas realmente sábias possuem

7 características que apenas pessoas realmente sábias possuem

Quanto maior a sabedoria, maior a responsabilidade por si.

1- Pessoas sábias pedem desculpas

Pessoas sábias sabem que tudo que acontece no mundo está em constante transformação, inclusive suas verdades. Elas reconhecem que erram mais do que acertam e, por isso, são humildes ao pedir desculpas.

Quanto maior a sabedoria, maior a responsabilidade pelo entorno.

2- Pessoas sábias nunca humilham

Você não verá uma pessoa sábia humilhando alguém que errou, mesmo que esse erro tenha sido grave, porque a sabedoria reside na necessidade da aprendizagem, reparação e continuidade, mas nunca na destruição.

3- Pessoas sábias não são egoístas

Justamente por ter a clara percepção de que não são seres isolados, e sim parte de um todo muito maior e mais complexo, o sábio entende a complementariedade dos seres. Isso gera  nele um profundo respeito e admiração. Afinal, quem é capaz de direcionar um sincero olhar aquele que está ao seu lado não será capaz de lhe negar a mão.

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4- Pessoas sábias percebem as sutilezas presentes no ambiente onde estão, pois aprenderam que a sabedoria de sua intuição pode ser tão poderosa quanto o que aprenderam nos livros.

Ser sábio é não engessar o conhecimento e permanecer aberto para novas aprendizagens, sejam elas intelectuais ou físicas. Ter boa memória não é ser inteligente. Ser um gênio matemático não é sinônimo de ser sábio. Ter capacidade de driblar o outro usando de um tom de voz mais alto ou de uma boa argumentação está longe de ser sabedoria. A sabedoria reside na capacidade de analisar o que acontece, do sinal mais simples a teoria mais complexa e fazer algo útil e que gere uma melhora para o todo, não apenas para afirmar o seu ego. Não se é sábio pela faculdade que cursou ou pelos livros que leu. Ostentar títulos e jargões costuma, ao contrário de sabedoria, ser disfarce de inseguranças.

4- Pessoas sábias crescem nos momentos de crise

A cada erro uma nova oportunidade de fazer diferente e aprender. O sábio entende suas limitações, sente, sofre e chora como todos nós, mas tenta mais uma vez. Sabedoria também é a persistência de continuar onde muitos desistiram

5- São pessoas dispostas a ajudar

A sabedoria caminha ao lado da gentileza, da alteridade e do altruismo. Entretanto, ao contrário do que pode parecer, o sábio sabe identificar os limites de sua doação pessoal para que não se torne ausente de si.

6- Pessoas sábias são tolerantes

Raça, credo, sexualidade, religião. Ser sábio é transitar por diferentes meios, observar seus costumes, compreender mais e julgar menos.

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7- O sábio não se considera um sábio, mas pode carregar em si o peso da solidão pelo excesso de consciência.

Talvez haja em todo sábio algo de solidão. Ora a solidão “solitude” que permite a reflexão, a meditação e o estudo. Ora, entretanto, a solidão do excesso de consciência do mundo e de tudo o que nele acontece. Há algo de tristeza na sabedoria do sábio. Talvez seja a tristeza carregada pela memória ancestral dos erros da humanidade que custa tanto a aprender que a sabedoria não mora perto e nem ao lado, mas sim, junto do amor.

Sabedoria é amor genuíno: amor por si, pelo outro, pela natureza e pelos animais.

Todas as imagens:  Gajus/shutterstock

Na escuridão sempre há PESSOAS ILUMINADAS que nos guiam

Na escuridão sempre há PESSOAS ILUMINADAS que nos guiam

Em épocas de escuridão, sempre há pessoas iluminadas que nos guiam. São como a luz do sol entrando por uma janela de vidro para nos inspirar, para nos dar esperança nesses momentos em que perdemos o rumo, o ânimo, e o norte das nossas bússolas vitais. São remédio para o coração nos momentos de adversidade.

Temos que admitir: todos nós precisamos de alguém que se preocupe conosco. Podemos amar a nossa independência, a nossa orgulhosa autossuficiência e pensar até mesmo que nós mesmos levamos o sol dentro de nós. No entanto, quando há uma tempestade lá fora, mais cedo ou mais tarde surgem as goteiras da tristeza, as infiltrações do medo, a insônia e esse desconcerto vital que somente o apoio afetivo, a empatia e o carinho podem aliviar.

“Às vezes a nossa luz se apaga e volta a acender através da luz de outra pessoa.”
-Albert Schweitzer-

Mas aqui está um fato curioso: o ponto de vista da psicologia social nos revela que oferecer apoio emocional é uma arte que nem todos dominam. Por mais estranho que pareça, às vezes quem mais nos ama pode nos dar um tipo de atenção desproporcional capaz de gerar em nós um sentimento de dependência, de ineficiência ou fraqueza.

O tipo de apoio mais eficaz é aquele que está sempre presente, mas de uma forma sutil, envolvente e autêntica. Falamos também deste tipo de ajuda em que nenhum dos membros sentirá que está em dívida um com o outro, porque não há “doadores” e “receptores” de afeto, o que há é um vínculo onde existe uma reciprocidade fluida, sutil e maravilhosa.

Propomos que você reflita sobre este tema tão interessante e, ao mesmo tempo, dotado de diversas nuances.

Pessoas que corroem e pessoas iluminadas

Todos sabemos o que é a empatia e qual é o seu impacto em nossas relações do dia a dia. Mas temos certeza de que em mais de uma ocasião, quando você lida com alguém incapaz de se conectar com os outros, alguém com certas nuances agressivas, hostis e até mesmo destrutivas, você costuma dizer que “essa pessoa não tem empatia“.

Simon Baron-Cohen, professor da Universidade de Cambridge e especialista no desenvolvimento da psicopatologia, define estes traços psicológicos usando um termo que vale a pena recordar: “empatia corrosiva”. Segundo ele, este comportamento surge quando alguém não deixa apenas de se “conectar” com o próximo, como também vai corroendo, minando e fragmentando com persistente lentidão quem está por perto. São perfis dotados, efetivamente, de uma certa escuridão.

No polo oposto estão sem dúvida as pessoas iluminadas. Mais do que vê-las como personalidades de grande nobreza e bondade, podemos defini-las como homens e mulheres que “sabem ser e deixam ser”, como facilitadores de harmonia interna, como fiandeiros emocionais que reúnem nossos pedaços rasgados para nos recordar, mais uma vez, o quanto podemos ser belos e importantes.

Características psicológicas das pessoas iluminadas

Assinalamos no início que dar apoio é, na realidade, um tipo de arte que nem todo mundo sabe praticar. Por exemplo, algo que vale a pena recordar é que no momento em que se diferencia claramente o doador do receptor, às vezes podem surgir certos incômodos. O receptor pode se sentir como “devedor” ou se transformar em dependente de um doador que desfruta do seu papel de cuidador.

– As pessoas iluminadas, por outro lado, não assumem em nenhum instante um papel de cuidador: elas são facilitadoras.
– Elas sabem estar sem controlar, sem julgar e sem exercer em nenhum momento uma atenção constante onde a outra pessoa acabe desenvolvendo certa dependência. São especialistas em gerar um verdadeiro crescimento pessoal.
– Elas respeitam espaços, sabem estar presente quando é necessário e proteger a intimidade do outro quando ele precisa.
– Elas são presenças presentes, mas sempre sutis, com a capacidade única para nos lembrar quem somos. Elas se preocupam, trazem positividade, encorajamentos e esperanças para nos sintonizarmos mais uma vez ao burburinho da vida, do otimismo.

Como aprender a dar luz, como oferecer um apoio emocional autêntico

As pessoas iluminadas nos guiam em tempos de dificuldade, nos acompanham em momentos de bem-estar e nos inspiram na cotidianidade do dia a dia. Isso é algo que todos nós sabemos. Mas… será que seríamos capazes de lhes oferecer um apoio com uma qualidade e autenticidade semelhante?

“Se você acender uma luz para alguém, também irá iluminar o seu próprio caminho.”
-Buda-

Acredite ou não, oferecer apoio emocional não é fácil. Fazer isso exige um autoconhecimento muito profundo, uma boa gestão das próprias emoções e uma descentralização desse “eu” para sentirmos empatia em todos os sentidos.

Chaves para desenvolver um apoio real

Há quem consiga empatizar afetivamente com a outra pessoa, mas não chega nunca a desenvolver uma empatia cognitiva. Não se trata, portanto, apenas de “sentir” o que a pessoa que está diante de mim está vivendo, eu devo compreender isso.

– Por sua vez, é necessário desenvolver uma precisão empática. Falamos a capacidade de inferir corretamente o estado mental em que a outra pessoa se encontra. Para isso, é preciso saber fazer as perguntas corretas, não fazer julgamentos em voz alta e escutar com atenção.
– Evitar aumentar a ansiedade da outra pessoa com as clássicas expressões de “isso não é nada” ou “poderia ser pior“.
– Além disso, também temos que ter em mente que quem está realmente mal não quer ouvir as típicas frases de “estou aqui para o que você precisar” ou “pode contar comigo“. Mais do que palavras, essas pessoas precisam de fatos reais, tangíveis e visíveis.

As pessoas iluminadas são de poucas palavras, mas de grandes atos. Elas estarão ao seu lado antes de você pedir e serão capazes de ler os seus pesares e as suas tristezas no seu olhar. Para concluir, o que às vezes entendemos como apoio, na verdade não é tanto. O bom apoio não se baseia somente em dizer o que é correto, mas também em fazer o que é apropriado através de pequenos atos de bondade e de um interesse sincero.

Imagem de capa: Volodya Senkiv, Shutterstock. Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa.

Por um amor que nos transborde.

Por um amor que nos transborde.

“Não procure alguém que te complete. Complete a si mesmo e procure alguém que te transborde.” (Clarice Lispector)

Todos dizem que morreriam por amor, mas quantos são capazes de viver por amor? Sim, porque morrer é uma projeção abstrata de um futuro distante do que se tem agora, do viver hoje. Temos necessidades urgentes – dentre elas, a de amar e ser amado – e que precisam ser supridas desde ontem, ainda hoje e para sempre, sem esse papo de deixar para mais tarde, para depois ou para amanhã. Fácil ficarmos planejando e idealizando um futuro hipotético, enquanto deixamos de enfrentar o que existe ao nosso redor nesse instante.

A pressa insana a que nos entregamos, em meio a jornadas de trabalho estendidas e extenuantes, visando a aquisições materiais, a um consumismo que nos preencha os vazios de felicidade, acaba por nos tornar menos calorosos, absurdamente distantes do contato e da interação com o outro. Preenchemos nossas vidas com objetos de valor e conforto material, ao passo que negligenciamos nossas carências mais íntimas, relegando nossos sentimentos a um segundo plano.

Rodeados de bugigangas tecnológicas e de objetos suntuosos, vivemos vidas vazias, frias e solitárias, uma vez que nos rodeamos de pessoas que foram atraídas tão somente pelas aparências, sob interesses superficiais, arquitetados, isentos de afetividade e de admiração sincera. E, então, lá vamos nós inutilmente suprir essa carência sentimental insaciável com encontros descompromissados, alucinógenos, ansiolíticos, conversas virtuais – mas temos fome é de amor de verdade!

É preciso ouvir essa voz que clama lá do fundo de nossos corações, pulsando desejos, acendendo paixões, acelerando nossos sentidos, pedindo amor verdadeiro, entrega intensa e contato entre corpos suados. Não podemos nos lançar integralmente àquilo que nos rodeará apenas externamente, confortando não mais do que nossa visão e nosso cansaço físico, pois nossa essência alimenta-se de trocas verdadeiras de sentimentos e de emoções. Nossa necessidade de amor é diária, intermitente, urgente.

É necessário gastar considerável quantidade de tempo nos conhecendo, ouvindo tudo o que temos dentro de nós, para que estejamos seguros daquilo que somos e de quem queremos em nossas vidas – e como queremos. Somente assim estaremos prontos a ultrapassar os limites da materialidade fria do mundo ao redor, preenchendo nossa essência enquanto nos encontramos na inteireza de um outro que nos venha acrescentar, enriquecer, transbordar. Não negligenciemos nossos sentidos, nossa carência afetiva, porque amor finca raízes no que é intensamente real e verdadeiro. Porque amor não tolera disparate, exclusão, miudeza.

Enfim, não esperemos que outro traga o que nos falta, mas sim que torne ainda mais especial o que já possuímos dentro de nós. Amor não preenche, extrapola. Amar é para ontem!

Imagem de capa: Ladanivskyy Oleksandr/shutterstock

“É como querer engaiolar um pássaro depois de termos nos apaixonado pelo que nele era voo.”

“É como querer engaiolar um pássaro depois de termos nos apaixonado pelo que nele era voo.”

Tenho pensado em sentimentos e liberdades.
Tenho percebido que a maior liberdade que podemos atingir não vem de uma ação, vem de uma transformação interna de deixar-se ser e sentir.
Deixar os sentimentos fluírem em nós sem medos, sem orgulhos, sem limites.

E sentimento é diferente de emoção.

Emoção é impulso, pede ação. Emoção é reação instintiva, irracional, é fogo de palha, queima rápido, alto, forte e logo apaga.

Sentimento é leveza, é amor, é sopro de vida.
É fogo azul, forte, antigo, constante. Aquece corações e perdura no tempo.

Emoção muitas vezes é ácida.
Sentimento tem PH neutro.

Tenho percebido que liberdade é deixar os sentimentos acontecerem.
E eles têm uma dança própria, um ritmo diferente dos moldes do pensamento. A cabeça quer organizar, explicar, definir, julgar, limitar. O sentimento quer fluir.
Sentimentos não obedecem às regras do mundo.

A gente finge que sim, mas sentimentos não conhecem fronteiras. Eles não escolhem seguir os caminhos mais seguros e conveniente.
O ego quer torna-los concretos, mas sentimentos são pura abstração.

Pensamos que ao definir um sentimento poderemos controlá-lo. E queremos controlar os sentimentos pois temos medo que eles deflagrem as nossas fraquezas e vulnerabilidades e sejam maiores que nós.

É como capturar um pássaro para possui-lo depois de termos nos apaixonado pelo que nele era voo.

Mas e se ao invés de nomearmos, definirmos e limitarmos os sentimentos, nós aprendêssemos a deixa-los transbordar por nossos poros?
E se ao invés de segurarmos um pássaro com as mãos, aceitarmos que ele é belo e bom justamente porque voa?
E se percebermos que o único jeito verdadeiro de amar é deixando o amor existir, simplesmente?

Acho que ao abrirmos as gaiolas da alma, vamos perceber que um amor não termina quando o outro começa, que um sentimento não morre quando a pessoa não está mais fisicamente presente, que um sentimento não nasce só quando o terreno é favorável para isso.

Sentimentos são de dentro para fora, se expandem e povoam diferentes lugares ao mesmo tempo. Independentemente de haver espaço, contato ou permissão. Sentimentos têm raízes em si mesmos.

E que perigo há nisso de se deixar amar e sentir?
Talvez uma lágrima caia em público, um sorriso surja do nada, uma vontade de juntar as mãos do que o mundo definiu como antagonismos. Mas é isso. A coragem é essa.

Nomear e reprimir o que dentro de nós grita é colocar barreiras num rio. Rio que só queria ser doce, que só queria ser ele mesmo, e que de tanto ter sido contido, extravasou todos os limites.

Imagem de capa: Kasetskiy/shutterstock

Gente vazia só enche o saco.

Gente vazia só enche o saco.

Tem palavra que é como cachorro de rua: vem com pulgas. Hoje apareceu uma por aqui abanando o rabo, a língua de fora, o olhar pedinte, e eu deixei entrar. Na verdade é uma expressão japonesa, dessas com significado grandioso, definitivo. “Ikigai”. Alguma coisa como ‘a razão de ser’ de cada um, motivo pelo qual você e eu nos levantamos todos os dias. Boa frase. Esses japoneses têm cada uma!

Já as pulgas que vieram junto são daqui mesmo, adestradas, veteranas dos circos da vida. Saltaram certeiras para trás da minha orelha e agora estão coçando. Estão coçando muito.

É que eu andava distraído, sabe? E como em geral acontece quando a gente se distrai, eu topei de cara com o óbvio doloroso. Seguia esquecido dos meus reais motivos para acordar de manhã. Quando isso se dá, a gente liga o piloto automático. E o piloto automático é burro que só ele. Segue direto para o fim e o fim não é outro senão a bocarra da morte, sem as tantas escalas aqui e ali que alguém há de chamar de vida.

Certo é que todos seguimos sem volta para a morte e por isso viver é só o que nos resta. Mas viver sem saber para quê é perder as escalas, praticar o crime hediondo da estupidez.

Quem esquece ou não sabe por que se levanta todos os dias se torna aos poucos uma odiosa besta. Uma barata bêbada, criatura ridícula, vazia e perdida falando pelos cotovelos, agredindo quem passa perto, batendo em todas as portas à procura de só Deus sabe o quê.

Como todos aqueles que não têm, que abandonam ou desconhecem suas motivações essenciais, quem existe neste mundo sem saber o que faz aqui sobrevive sem desconfiar por quê. Passa a vida nadando em praias que não são suas, engolindo humilhações, maus tratos, grosserias, preconceitos, pontapés, julgamentos descabidos, deselegâncias, tomando toda sorte de água suja. E a ironia é: mesmo ingerindo tanta coisa, pessoas assim continuam vazias.

Faça um teste. Olhe ao redor. Ouça as reclamações em curso. Já viu quanta gente se queixando sem fim? Reclamar é “clamar de novo”. Pedir repetida e infinitamente. Vê quanta gente pedindo de tudo outra vez? Pedem um novo trabalho, novos amigos, amores, estados de espírito. Vivem de eternas súplicas. É claro que podem e devem! A insatisfação é um impulso humano, um direito conquistado. Rogar, requerer, reivindicar. A nós é permitido clamar e reclamar à vontade. Mas não será um problema sério implorarmos a vida inteira por algo que nós mesmos não sabemos o que é?

É certo que há os insatisfeitos produtivos, aqueles que sabem o que querem e não se contentam até encontrarem. Miram o horizonte e vão buscá-lo. Vivem em movimento. Realizam. Palmas para eles! Mas há também os insatisfeitos frustrados, inférteis, infecundos, entrevados em queixas umbilicais. Esses enchem o saco.

Quem reclama sem saber o que quer há de fazê-lo para sempre, até morrer sentado num buraco que só afunda. Em situação bem pior que a do cachorro perseguindo o próprio rabo, porque ao menos o cachorro sabe o que está buscando. Ele quer morder o rabo e ponto. Porque a vida é dele e o rabo coça como as pulgas perversas que me mordem atrás da orelha.

Estar na vida sem saber por que pular da cama de manhã tem outro prejuízo assombroso: faz de nós presas fáceis dos terríveis zumbis sentimentaloides, essas mulas que saem por aí às cegas farejando amor nas sombras, nas sobras e nos restos. “Amooor… amoorrr… eu quero um amooooor, quero um amoooor assim e assado… quero porque quero…” feito tontos completos. Sem opinião, sem a menor ideia do que anseiam da vida, sem critérios, sem saber o que podem dar e o que desejam receber, correndo em busca tão somente de não estar sós. Exigindo tudo sem nada oferecer em troca. Arrastando-se na caçada de corações a devorar na praça de alimentação de um shopping, mortos por dentro, desprovidos de amor próprio, consumidos na busca de migalhas do afeto alheio.

Ignorar nossos propósitos essenciais ou, pior, não tê-los nos torna ridículos produtos manufaturados de uma vida pasteurizada. Figurantes mal pagos de uma cena em que todos têm respostas prontas para tudo. Assim seguimos anestesiados, distraídos, afastados do dever sublime de fazer perguntas e do direito universal de questionar e descobrir por empenho pessoal e sincero. Afinal, para quê perguntar tanto, né? Há inúmeras respostas pré-fabricadas por aí. Mais fácil comprar uma delas no cartão em doze vezes e fingir felicidade na hora da foto.

Abandonar nosso direito a questionar também é viver sem saber por quê. E quem não sabe o que está fazendo aqui perde o melhor da festa: a consciência plena de seus sentidos, o gosto incrível de saber que estamos oferecendo o melhor e recebendo o melhor em troca ou, no mínimo, estamos nos preparando com honestidade para o inesperado que está por vir.

Quem sabe o que quer pode seguir por onde bem entender porque há de sempre retornar à sua intenção sagrada. A quem compreende a potência da vida e o que fazer dela, andar por aí sem esperar nada além do privilégio de acordar no dia seguinte não traz nenhum prejuízo e ainda lhe dá uma vantagem imbatível: receber de bom grado o que vier para lhe fazer bem e descartar todo o lixo que lhe tentarem impor. Porque quem encontra e cultiva uma intenção sagrada se liberta da mendicância emocional. Aprende a valorizar o que tem e a dizer “não, obrigado, isso não me serve”.

Não por nada, não porque possui um poder sobre-humano, mas só porque reconhece aquilo e aqueles pelos quais se levanta todos os dias e dessa intenção se alimenta e por ela trabalha, vai à luta ora com medo, ora tomado de valentias, mas sempre repleto de uma íntima coragem de seguir vivendo, ímpeto valioso construído de gratidão e amor. “Ikigai”.

Benditos japoneses, malditas pulgas. Como coçam, as danadas.

Imagem de capa:  Kues/shutterstock

Tudo tem um limite, até mesmo a bondade

Tudo tem um limite, até mesmo a bondade

Não tome para si o trabalho do outro. Evite insistir além da conta em aconselhar quem não escuta ninguém além de si mesmo. Tenha em mente que o amor também possui limites, requer não, requer concessões, requer reciprocidade.

Infelizmente, os limites que não devem ser ultrapassados, em qualquer situação, são ignorados por muitas pessoas, pois existem indivíduos que não parecem possuir um mínimo de bom senso. Pensando somente em si mesmos e em mais ninguém, eles vão agindo da maneira que bem entenderem, falando sem refletir, julgando sem analisar, machucando sem culpa alguma, delegando a outrem tarefas que são deles. Limites devem ser respeitados, ou sempre haverá alguém sendo feito de trouxa.

Não tome para si o trabalho do outro. É comum, em ambientes de trabalho, ter alguém que costuma folgar e deixar suas responsabilidades para o colega de trabalho. Escondida sob desculpas várias, a pessoa pede ajuda o tempo todo, não para aprender, mas para se livrar de suas obrigações, enquanto o colega faz o serviço para ela. Se não soubermos dizer não, acumularemos tarefas que não são nossas e nos prejudicaremos, enquanto o outro permanece lindo, leve e solto.

Evite insistir além da conta em aconselhar quem não escuta ninguém além de si mesmo. Tentar esclarecer as coisas com quem precisa de ajuda é algo que deveremos fazer, porém, repetir e repetir e tornar a aconselhar, sem que o outro mude uma vírgula de seu comportamento, acabará por nos esgotar e nos desequilibrar. A ajuda é inútil quando o outro não quer recebê-la, ou seja, insistirmos no que não tem futuro fará com que nós mesmos então precisemos de ajuda.

O amor também tem limites, requer não, requer concessões, requer reciprocidade. Quando amar se torna peso, ida sem volta, insistência, vazio e dúvida, é porque os limites da dignidade que o sustenta já se perderam. Amor pelo outro e amor-próprio não se dissociam, mas se complementam e se fortalecem juntos, sem que um se sobreponha ao outro. Ultrapassar os limites do parceiro é desrespeito, desatenção, é desamor.

Teremos é que estar conscientes de que, por mais que já tenhamos ajudado alguém, assim que impusermos algum limite, seremos alvo da sua ingratidão e tudo o que fizemos será esquecido. Porém, se assim não agirmos, estaremos fadados à infelicidade diária, pois esgotaremos todas as nossas forças, esquecendo-nos de nós mesmos nesse percurso. Precisamos, também, ajudar a nós mesmos, ou então sequer conseguiremos ajudar a quem realmente precisa de nosso amor.

Imagem de capa: Hanna Kuprevich/shutterstock

Que o vento leve o que não for leve

Que o vento leve o que não for leve

Às vezes, nas nossas relações humanas, a gente tem que ser mais vista grossa do que acolhida, mais silêncio do que escuta, mais distância do que se deixar invadir por dores que não são nossas.

Temos o costume de achar que ser assim é ser desumano, indiferente, frio. Achamos que se a gente não escuta, não acolhe, não participa da dor do outro, dos problemas de alguém, da carência, estamos sendo egoístas. Mas a verdade é que se fechar e se preservar pode ser uma atitude bastante altruísta.

Ignorar falas carregadas, sair de perto de provocações baratas, criar silêncio onde havia uma inundação de dores e palavras é uma forma de quebrar círculos viciosos, romper uma energia que não está se transformando, mas apenas se propagando.

Porque, às vezes uma pessoa se abre, fala, desabafa para receber ajuda, para se observar de fora, para aprender e mudar de energia. Mas, tantas outras vezes, os desabafos não têm esse tom de mudança, eles são apenas apegos na dor, na vitimização, buscando um ouvido, um coração para fazer ninho e validar ainda mais essa verdade, esse apego.

Se a gente ouve e entra na dança, se absorvemos as lágrimas, se nos amargamos com as reclamações desenfreadas, se nos irritamos com provocações baratas, a gente contribui para que a doença se propague e cresça. Ela ganha força, ganha credibilidade, a maré avança.

Às vezes, as pessoas querem se nutrir dessa forma de atenção, às vezes esse peso que trazem é a forma que elas encontraram para se sentir importantes. Mas esta é uma nutrição fraca, sem vitaminas, não alcança os níveis profundos da alma.

Estes são alimentos junk food pra alma. Saciam por algumas horas, ocupam os buracos das dores, os vazios existenciais, mas não trazem transformação e uma paz mais profunda.

É mais fácil comer um cachorro quente na esquina, é mais fácil não questionar os próprios hábitos e vícios. É mais fácil continuar encontrando um ouvido junk food para alimentar a nossa sina.

A escolha de transformar a forma de ver e de ser no mundo, para ser mais leve, independente emocionalmente e com uma boa reserva de amor próprio, requer aprendizado, consciência, vontade, empenho e atenção constantes.

Nem todos estamos dispostos a empreender esse caminhar. Mas se a gente está, se a gente já sabe se autoconectar e sanar as próprias dores, com ajuda sim, mas sem dependência completa, acho que a gente tem também que impor limites, tem que escolher não se doar sempre, tem que lavar as mãos e fechar os olhos para o que não é nosso. Se a gente vê que escutar não está ajudando, que a troca está sendo desequilibrada, que o que está chegando até nós é apenas lixo existencial sem intenção de ser reciclado, é melhor a gente sair do barco, porque ele está furado.

Algumas vezes a gente não consegue contribuir para que as coisas se renovem e boas energias floresçam. Então que a gente abandone, mesmo que por um tempo, que a gente siga em frente, que a gente deixe o vento levar.

Que o vento leve o que não for leve, e se não houver vento, então que a gente mesmo faça ventar.

Imagem de capa: Yudina_Elena/shutterstock

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