A escolha do coração

A escolha do coração

Das escolhas que fazemos na vida, algumas fáceis outras mais complexas, talvez a mais desafiadora de todas seja a escolha do coração. Escolher com o coração requer desapego dos antigos padrões, requer criatividade e transformação. Para escolher com o coração precisamos aprender a abrir mão do que nos foi ensinado pelos nossos pais, mestres e amigos, com muito carinho, mas que não nos serve.

Quanto mais tenho caminhado, amadurecido e aprendido, mais entendo que é muito fácil cairmos nos antigos padrões, no que esperam de nós, em escolher a trilha mais percorrida. Muitas abordagens da Psicologia tentam explicar porque temos a sensação de estarmos sempre repetindo os mesmos padrões de comportamento, como se nossa vida fosse um eterno “déjà vu”. Estudos na neurociência se aproximam da explicação lógica, hoje existem técnicas eficientes de reprogramação cerebral e ressignificação de traumas. Mas, para mim, leiga, curiosa, entusiasta, a única mudança vem mesmo de aprender a escolher com o coração.

A escolha do coração é uma escolha difícil porque ela é única, intransferível, individual. Conselhos e experiências alheias não se aplicam, pois ninguém, além de você mesmo, pode fazer essa escolha. E não se engane, a tendência é sempre voltar para a trilha mais percorrida, para os antigos padrões, é voltar a cair na mesmice. E na mesmice, não há crescimento.

Cresça.

Percorrer o novo é desconfortável, pois os caminhos não percorridos nos levam à lugares por poucos conhecidos, nos demandam desapego, uma grande dose de fé e um caminhar titubeante já que esse caminho desconhecido ninguém nunca nos ensinou a percorrer.

Percorra.

A escolha do coração é uma escolha difícil, porém fiel. Fiel à minha história e luta, leal à pessoa que me tornei, aos valores que me empenhei em manter e aos que abri mão, é uma escolha fiel às minhas renúncias. Para cada escolha, muitas renúncias.

Renuncie.

Escolher com o coração é fazer diferente, é honrar o caminho que nossos pais e os pais de nossos pais percorreram, aprendendo através de seus erros, aprimorando seus acertos. Escolher com o coração é escolher sem precisar se justificar, é abandonar a razão e desafiar as lógicas que te convencem a ficar, que te convidam a voltar para o caminho já percorrido, é ser visto por muitos como louco.

Enlouqueça.

É certo, repetir é muito mais fácil do que criar. Escolher com o coração é um pedido para que criemos: nossa própria história, nosso próprio destino, nosso caminhar; e que refaçamos nossos votos, reforçando os desejos de nosso coração, todos os dias, a cada obstáculo, desafio, a cada convite para ficar, para voltar, para não se perder.

Perca-se.

A escolha do coração é uma escolha salgada banhada de suor e lágrimas. A escolha do coração é solitária e vulnerável. É desconfortável. É aquela que te desestabiliza, sem promessas nem garantias. Escolher com o coração é correr riscos.

Arrisque-se.

Mas, escolher com o coração, traçar seu próprio caminho tem muito a ver com exemplo e legado. O legado das nossas escolhas, de como escolhemos criar nossa história, daqueles que escolhemos para compartilhar nosso caminho, da nossa caminhada única e irrepetível. E esse é o único legado que vale a pena deixar para o mundo.

Escolha.

Imagem de capa: Angela Waye/shutterstock

Nós somos infinitos

Nós somos infinitos

Você já se sentiu invisível? Sozinho? Como se você não existisse, por mais que fizesse força para existir? Pois é, a invisibilidade ou melhor, a solidão, é um problema que parece ser inevitável em algum momento da vida e, mais ainda, para qualquer indivíduo que se sinta deslocado do meio social.

Esse problema aparece no livro e filme “As Vantagens de Ser Invisível” de 2012, escrito e dirigido por Stephen Chbosky. A trama acompanha a vida de Charlie (Logan Lerman), um garoto tímido, inseguro e extremamente sensível, marcado por vários acontecimentos que o tornaram ainda mais preso dentro de si, entrando no ensino médio sem saber como se portar, mas desejando ter um alívio de todas as dores que carrega silenciosamente.

Sem conseguir se enquadrar, a situação de Charlie só começa a mudar quando conhece Patrick (Ezra Miller) e Sam (Emma Watson), dois formandos que acabam recebendo Charlie no seu grupo, sobretudo, a partir do momento em que percebem que ele é muito mais parecido com eles do que parece. Ou seja, Charlie é um desajustado, um invisível, e por possuir essa condição consegue perceber mais profundamente as pessoas, assim como, sofre as consequências de estar sempre à margem do que é considerado o padrão. Ao seu modo, todos do grupo sofrem as consequências por serem diferentes do convencional e compartilham da solidão que ferve em Charlie.

A partir disso, Charlie começa a melhorar, não tem mais crises, e sente-se vivo, forte, como se as coisas definitivamente fossem mudar. Sem mais dores, sem mais lágrimas, sem tanta angústia, sem uma solidão que o tornava tão perdido. Agora, havia pessoas que o compreendiam, que o aceitavam como ele era, que o admiravam, que o amavam. Não eram os sujeitos mais descolados ou populares, mas eram os mais sinceros, os que carregavam uma verdade que fazia Charlie se enternecer e esquecer que estamos sós no mundo, que nascemos sozinhos e partiremos da mesma forma.

Essa consciência da finitude talvez assustasse Charlie, ainda mais por ser um indivíduo tão sensível para com o mundo e as suas dores, não à toa, um sujeito apaixonado por literatura. Da mesma literatura vem duas frases sobre a solidão, a primeira de Hemingway, que diz: “Mesmo quando estava entre a multidão, estava sempre sozinho” e a segunda de Exupéry: “Você não se sente sozinho aqui no deserto? No meio da multidão também nos sentimos sozinhos”. Em ambas, a solidão não é um mal de quem está só, mas um mal de quem está rodeado por pessoas, mas não consegue em momento nenhum perceber-se ouvido, existindo, deixando de ser invisível. Era essa a solidão carregada por Charlie, Patrick e Sam.

A solidão pela inadequação e pela falta de compreensão para com os seus problemas, as suas dores. E, nesse ponto, a obra se torna tão próxima de nós, porque quantas vezes estamos rodeados de pessoas, mas nos sentimos sozinhos, como se não existisse qualquer abertura cognitiva para que pudéssemos expressar os nossos sentimentos, os nossos desejos, as nossas dores?

Não é preciso ser tímido ou passar por experiências tão fortes e impactantes como as de Charlie, para se sentir sozinho no meio da multidão, porque todos possuem os seus demônios e precisam de alguém que os ajude a exorcizá-los; embora, para aqueles que carregam uma sensibilidade maior dentro de si, isso seja ainda mais penoso. Mas, o fato é que todos precisamos de alguém que nos ajude a permanecer na superfície, afastando-nos dessa terrível dor de estar sozinho no mundo, sendo esmagado pela finitude.

Assim, “As Vantagens de Ser Invisível” é uma obra que não se comunica apenas ao público adolescente, porque ela fala do homem e sua relação com um mundo, que na maior parte do tempo é indiferente, que faz sofrer, mas que também pode ser bonito. Ele fala da solidão do homem, da dificuldade que possuímos em nos comunicar e de como isso nos torna afastados e finitos. E, sobretudo, da importância de ter alguém aberto o bastante para tocar nossa alma, bem no fundo, nos tornando grandes e vivos, porque quando isso acontece, desconhecemos a solidão, o tempo torna-se apenas um detalhe singelo e nós…ah! “Nós somos infinitos”.

Imagem de capa: Reprodução

“A vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas”, por Içami Tiba

“A vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas”, por Içami Tiba

Se você abre uma porta, você pode ou não entrar em uma nova sala. Você pode não entrar e ficar observando a vida. Mas se você vence a dúvida, o temor, e entra, dá um grande passo: nesta sala vive-se! Mas, também, tem um preço… São inúmeras outras portas que você descobre. Às vezes curte-se mil e uma. O grande segredo é saber quando e qual porta deve ser aberta. A vida não é rigorosa, ela propicia erros e acertos. Os erros podem ser transformados em acertos quando com eles se aprende. Não existe a segurança do acerto eterno.

A vida é generosa, a cada sala que se vive, descobre-se tantas outras portas. E a vida enriquece quem se arrisca a abrir novas portas. Ela privilegia quem descobre seus segredos e generosamente oferece afortunadas portas. Mas a vida também pode ser dura e severa. Se você não ultrapassar a porta, terá sempre a mesma porta pela frente. É a repetição perante a criação, é a monotonia monocromática perante a multiplicidade das cores, é a estagnação da vida… Para a vida, as portas não são obstáculos, mas diferentes passagens!

Por Içami Tiba

Imagem de capa: Reprodução

10 formas de ajudar seu filho a ser mais solidário no futuro

10 formas de ajudar seu filho a ser mais solidário no futuro

Que mãe não gostaria de ver seu filho vivendo em uma sociedade mais justa e equilibrada?

Como em muitos lugares isso ainda não é possível, penso que devemos levantar as mangas e despertar dentro de nossos filhos esse desejo de “um mundo melhor” .

Utopia? Por que não? A utopia pode NÃO nos levar à “paz mundial” (dando uma de Miss Mundo agora! rs), mas ela nos faz caminhar em direção a ela. E quando caminhamos, nos movimentamos. E mesmo que pouquinho, esse movimento contribui para uma transformação.

E toda transformação social, acredito eu, vem de um desejo pessoal, incentivado pela família, pela escola ou por um movimento. Acredito no poder das mães. E dos pais também, claro. Somos sim grandes agentes transformadores. Se todas as mães e pais educassem suas crianças no mais amplo sentido possível, talvez a nossa sociedade estivesse melhor.

Sempre digo aos meus filhos que o mais importante é ter um bom coração. E toda situação de conflito que acontece aqui em casa, na escola ou onde quer que estejam, analisamos juntos a apartir desse olhar. Acredito que a solidariedade traz benefícios para o mundo, mas acima de tudo faz um bem “danado” para nós. Vamos plantar hoje essa semente!?

10 formas de ajudarmos nossas crianças a serem mais SOLIDÁRIAS:

1. Nada ensina mais que o exemplo, portanto sejamos aquilo tudo que desejamos aos nossos filhos: que eles sejam respeitados, então devemos respeitar hoje as pessoas. Que eles estejam seguros no trânsito, então que não passemos no sinal vermelho de dia ou de noite. Que eles tenham saúde, então vamos nos alimentar com qualidade nas próximas refeições.

2. Solidariedade horizontal. Todo ano as crianças separam uma sacola de brinquedos para doar. E doamos. Portando, uma ação é feita. Mas de que forma isso aconteceu? Que sentimentos e que valores guardaram as crianças nessa ação? A solidariedade vertical é aquela em que doamos algo que não precisamos, para alguém que precisa. É uma relação de cima para baixo. Do “grande” para o “pequeno”. Por isso, chamada vertical. Devemos tomar cuidado com ela para não despertarmos um sentimento de superioridade nas crianças. Esta solidariedade vertical é aquela que deve ser praticada pelo Estado, é dever dele garantir o direito que todas as crianças possuem de brincar, como no exemplo acima. Já a solidariedade horizontal, esta sim é positiva para a educação dos nossos filhos. Porque é por meio dela que mostramos às nossas crianças que todos nós fazemos parte de uma sociedade, e que se todas as crianças estivessem na mesma linha, com seus direitos garantidos, hoje moraríamos em um lugar justo e tranquilo. Portanto, ajudar dessa forma (solidariedade horizontal) não é apenas dar aquilo que não nos serve, é fazer cumprir os direitos que TODOS nós possuímos, porque não somos nem maiores e nem menores que ninguém.

3. Cuidado com o que for doar: Não se pode misturar a ação de “doar” com o pensamento “jeito de se livrar de coisas quebradas e inúteis”. Isso não combina. A gente doa a roupa que não serve mais porque está pequena, por exemplo, e não porque está furada. A gente doa a televisão antiga porque compramos uma nova, e não porque ela se quebrou. Quem tem coragem de doar uma boneca ou um carrinho quebrado para uma criança que pouco possui? Pois eu já vi muito isso! Quando participava da coleta de brinquedos para doar à crianças carentes em um centro social, muitos brinquedos recebidos para doação vinham completamente sem chance de ser usado. Então, enquanto ajudo as crianças a separarem os brinquedos vou refletindo com eles: “vocês gostariam de ganhar isso?”.

4. Aprender com o outro. Somos solidários, por exemplo, ao ouvirmos uma pessoa mais velha contar suas histórias. Doamos nosso tempo, e a pessoa revive momentos, às vezes especiais, guardados na memória. E isso faz bem para ambos. Estimular a criança a conversar com os mais velhos (avós, bisavós, por exemplo) faz bem, porque ela aprende a escutar, a ser amigável, solidária e acima de tudo, aprende que toda pessoa tem algo a nos ensinar.

5. Cofrinho para o natal: é uma ideia concreta que incentiva o sentimento de solidariedade nas crianças. Durante o ano, podemos fazer um cofrinho para que todas as pessoas da casa ( e por que não as visitas que se sentirem motivadas) possam dar as suas contribuições. O objetivo é muito pessoal, vem de cada família. Talvez comprar uma roupa bem bonita para uma criança de um orfanato, ou participar do “Natal solidário dos Correios”, cujo objetivo é dar uma resposta às cartas das crianças (muitas em situação de vulnerabilidade social) que escrevem ao Papai Noel e, se possível, atender aos pedidos de presentes feitos por elas.

6.Participar de uma ONG: outra ideia concreta! Levar as crianças a participarem de qualquer ação coletiva e solidária! Seja no clube, na escola, na igreja, em uma ONG ou centro social. Agir e ver outras pessoas agindo, trabalhando juntas por outras pessoas, é uma lição de vida e um exemplo nobre, que deveria ser vivido com frequência.

7. Oferecer ajuda: Lembram do primeiro tópico, “nada ensina mais que o exemplo”? Pois bem, ajudar as pessoas no dia a dia é um exercício de cidadania. Abrir a porta do carro para alguém entrar, ajudar uma pessoa a pegar algo que deixou cair no chão, “segurar” a porta do shopping ou do elevador para facilitar a entrada de outras pessoas, ajudar a “tirar” a mesa após o almoço e jantar, levar seu lixo até o lixo e não deixar em lugares públicos…. Todas estas e outras ações diárias são notadas pelos nossos filhos que passam a seguir os nossos exemplos. Vamos, então, fazer coisas boas. Quantas oportunidades temos todos os dias de ajudar alguém?

8. Ser solidário com um amigo na escola: Incentive seu filho a ajudar algum colega na escola. Isso é um ótimo exercício de solidariedade, afinal eles terão a oportunidade de mudar uma situação desagradável real e se sentirão orgulhosos. Como? Converse com ele sobre bullying, e o encoraje a ser solidário com um alvo. Ou ainda, diga que uma ideia legal é ajudar um colega novo na escola a conhecer e interagir com os grupos já existentes. Ou, quem sabe, até incentivá-los a fazerem uma campanha beneficente (recolher agasalhos no frio para doar, ou uma campanha para trocar livros entre os alunos), ideias não faltam!

9. Sempre se colocar no lugar do outro: esse é um exercício que faço a todo momento com as crianças e comigo mesma. Afinal, a gente erra e muito. Pior do que errar, é não ver que errou, então vamos refletir?! Adoro quando acontece uma briguinha com as crianças aqui em casa! Seria loucura? Não, eu explico. Dá para pegar a criança, botar ela no sofá e falar: Hoje vamos conversar sobre mordidas? Até dá, afinal nada é impossível! Porém, não existe hora mais oportuna e eficiente para EDUCAR do que após um conflito! Os conflitos são canais, pontes para o aprendizado de muitos valores, portanto devemos aproveitar. “Filha, você acabou de morder seu irmão, e eles está bravo: você gostaria que ele fizesse isso com você? Dói e isso não se faz”. Ajudar a criança a refletir sobre sua ação é importante desde pequenos, mesmo que no comecinho da infância eles estejam preocupados demais consigo próprio. Vale a pena essa prática!

10. Há perigo em ser solidário? Esse dilema é grande em mim, e gostaria da opinião de vocês, mamães! Como esse assunto de solidariedade e ajudar o próximo é muito vivo nos meus filhos, às vezes meu marido e eu passamos por “apuros”. O último exemplo foi no final do ano. Estávamos de férias em Campinas, quando a noite, um moço nos abordou no carro para pedir dinheiro. (Antes de continuar, tenho uma confissão! Eu dou dinheiro no semáforo! Sei que tem os seus milhares de pontos negativos, que é ruim para eles, mas meu coração aperta e por um segundo eu penso “em não vou dar” e quando vejo, o troquinho já está dado e eles já estão fazendo joia para as crianças no carro). Voltando ao exemplo, nesse noite, quando vi o moço se aproximando tive um mau pressentimento e disse ao meu marido: “Não abra a janela!”, com um sinal e um sorriso disse ao moço que não tinha dinheiro. Por sorte o sinal abriu e seguimos. Eis que meu filho indaga: por que não ajudamos aquele homem? Eu disse que não tinha nenhuma moedinha e disfarcei. Agora eu pergunto mamães, como ensinar as crianças a noção do perigo, da violência que é real, sem deixar de lado a grandeza do doar, de ser solidário? Qual é a medida certa? Como queremos que eles se relacionem, quando aquele conselho “não converse com estranhos” é dado? Dilema grande, afinal eles são pequenos ainda para eu contar coisas reais que acontecem. Explico que o mundo está cheio de perigos, que algumas pessoas podem fazer mal a outras e que tem até gente grande que pega crianças. Mas não vou além. Acho cedo ainda mostrar o lado cruel do mundo.

Afinal, o mundo tem mais gente boa do que má, e crescer com essa certeza deixa a criança mais positiva no futuro (volto nesse assunto em outro post, prometo!!).

Fonte indicada: Super Mammy

Imagem de capa:  mateuszkt/shutterstock

20 das melhores e mais emocionantes frases de Martin Luther King

20 das melhores e mais emocionantes frases de Martin Luther King

Martin Luther King Jr. foi um pastor protestante e ativista político estadunidense. Tornou-se um dos mais importantes líderes do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, e no mundo, com uma campanha de não violência e de amor ao próximo.

Abaixo, confira 20 de suas melhores frases:

“O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons.”

“No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos.”

“Suba o primeiro degrau com fé. Não é necessário que você veja toda a escada. Apenas dê o primeiro passo.”

“Se um homem não descobriu nada pelo qual morreria, não está pronto para viver.”

“A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.”

“O perdão é um catalisador que cria a ambiência necessária para uma nova partida, para um reinício.”

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“Aprendemos a voar como os pássaros e a nadar como os peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos.”

“Se não puder voar, corra. Se não puder correr, ande. Se não puder andar, rasteje, mas continue em frente de qualquer jeito.”

“Eu tenho um sonho. O sonho de ver meus filhos julgados por sua personalidade, não pela cor de sua pele.”

“Se alguém varre as ruas para viver, deve varrê-las como Michelângelo pintava, como Beethoven compunha, como Shakespeare escrevia.”

“A injustiça num lugar qualquer é uma ameaça à justiça em todo o lugar.”

“Uma das coisas importantes da não violência é que não busca destruir a pessoa, mas transformá-la.”

“Mesmo se eu soubesse que amanhã o mundo se partiria em pedaços, eu ainda plantaria a minha macieira.”

“Não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Que tal mudarmos o mundo começando por nós mesmos?”

“O que afeta diretamente uma pessoa, afeta a todos indiretamente.”

“Não permita que nenhum homem o faça descer tão baixo a ponto de sentir ódio.”

“Nunca se esqueça que tudo o que Hitler fez na Alemanha era legal.”

“Não ficaremos satisfeitos enquanto um só negro do Mississipi não puder votar ou um negro de Nova York acreditar que não tem razão para votar.”

“Se eu puder ajudar alguém a seguir a diante, alegrar alguém com uma canção, mostrar o caminho certo, cumprir meu dever como cristão que é divulgar a mensagem que Cristo deixou, então minha vida não terá sido em vão.”
(Do último discurso de Martin Luther King)

Frases via Pensador

Imagem de capa:  kropic1/shutterstock

O tal do amor à primeira vista

O tal do amor à primeira vista

Essa coisa de amor à primeira vista sempre me fascinou. Desde os tempos em que a minha leitura favorita era os contos de fada, me impressionava aquele primeiro encontro em que o tal do príncipe via a princesa e, imediatamente, sabia ser ela o amor da sua vida. A gente nem virava a página e já estavam eles, assim, apaixonados.

Nos filmes que eu via isso também era lugar comum e não posso negar que aquelas histórias me encantaram e ajudaram a construir a minha parcela deste imaginário feminino que faz com que a gente espere sempre, mesmo sem querer, o famigerado príncipe encantado.

Pior que isso, tantas informações equivocadas, veiculadas pelos contos de fada e pelos filmes água com açúcar que adoramos assistir na adolescência, nos fazem acreditar que não só encontraremos o tal príncipe, logo ali , pronto, mas que seremos capazes de transformar sapos em príncipes e, isso tudo, só com um beijinho sequer. Ah , o poder transformador do amor…

E seguimos assim, acreditando que todo aquele que chega até nós, é, sem dúvida alguma, o nosso príncipe. Nem que pra isso tenhamos que mudar o seu mau gosto escancarado para se vestir, o gosto musical duvidoso, a falta de hábito de leitura, aquele dançar desengonçado, fora alguns arrobos de total falta de educação, mas que nós, detentoras do infinito poder transformador do amor, seremos capazes de modificar com a mesma facilidade que é fazer abóboras virarem carruagens.

Por tudo isso,  estou mesmo convencida de que existe o tal do amor à primeira vista. Pois ao segundo olhar, mais detalhado e atento, toda essa paixão cairia por terra em menos de dois capítulos ou cenas. Acontece que a gente vê aquilo que deseja e é por este desejo que nos apaixonamos, assim num primeiro momento, numa olhadela rápida, focada naquilo que a gente quer ver.   O tempo, senhor da verdade, se encarrega de nos devolver a sanidade e nos mostrar quem o outro é de fato e lá se vai, ladeira abaixo, o tal do amor à primeira vista. Mas ainda assim é possível que algo bom e mais duradouro permaneça. Desde que você esteja disposta a aceitar o outro  da maneira que ele é, com tantas imperfeições quanto você e na mesma busca pelo encontro consigo mesmo, só possível quando há aceitação.

Então, esquece isso de amor à primeira vista e dê um bom e atento segundo olhar, que pode trazer algumas decepções, mas , ao menos será mais verdadeiro. Sem essa de querer transformar sapos em príncipes, o que, além de muito trabalhoso e desgastante, é coisa de fada madrinha. E, fada madrinha, pelo menos até onde eu sei, nunca chegou ao final da história com um grande amor e a legenda “viveram felizes para sempre”.

Imagem de capa: Reprodução

“Porque eu sou do tamanho do que vejo”, uma reflexão de Fernando Pessoa

“Porque eu sou do tamanho do que vejo”, uma reflexão de Fernando Pessoa

Releio passivamente, recebendo o que sinto como uma inspiração e um livramento, aquelas frases simples de Caeiro, na referência natural do que resulta do pequeno tamanho de sua aldeia. Dali, diz ele, porque é pequena, pode ver-se mais do mundo do que da cidade; e por isso a aldeia é maior que a cidade…

“Porque eu sou do tamanho do que vejo
E não do tamanho da minha altura.”

Frases como estas, que parecem crescer sem vontade que as houvesse dito, limpam-me de toda a metafísica que espontaneamente acrescento à vida. Depois de as ler, chego à minha janela sobre a rua estreita, olho o grande céu e os muitos astros, e sou livre com um esplendor alado cuja vibração me estremece no corpo todo.

Sou do tamanho do que vejo!”Cada vez que penso esta frase com toda a atenção dos meus nervos, ela me parece mais destinada a reconstruir consteladamente o universo. “Sou do tamanho do que vejo!” Que grande posse mental vai desde o poço das emoções profundas até às altas estrelas que se reflectem nele e, assim, em certo modo, ali estão.
E já agora, consciente de saber ver, olho a vasta metafísica objectiva dos céus todos com uma segurança que me dá vontade de morrer cantando. “Sou do tamanho do que vejo!” E o vago luar, inteiramente meu, começa a estragar de vago o azul meio-negro do horizonte.

Tenho vontade de erguer os braços e gritar coisas de uma selvageria ignorada, de dizer palavras aos mistérios altos, de afirmar uma nova personalidade larga aos grandes espaços da matéria vazia.

Mas recolho-me e abrando-me. “Sou do tamanho do que vejo!” E a frase fica sendo-me a alma inteira, encosto a ela todas as emoções que sinto, e sobre mim, por dentro, como sobre a cidade por fora, cai a paz indecifrável do luar duro que começa largo com o anoitecer.”

Bernardo Soares, semi-heterônimo de Fernando Pessoa
Em “Do livro do Desassossego”

Imagem de capa:  lassedesignen/shutterstock

Os quatro fantasmas, crônica de Martha Medeiros inspirada em Irvin Yalom

Os quatro fantasmas, crônica de Martha Medeiros inspirada em Irvin Yalom

Leiga, totalmente leiga em psicanálise, é o que eu sou. Mas interessada como se dela dependesse minha sobrevivência. Para saciar essa minha curiosidade, costumo ler alguns livros sobre o assunto, e acabei descobrindo, através do escritor Irvin Yalom, as quatro principais questões que assombram nossas vidas e que determinam nossa sanidade mental.

São elas:
1) Sabemos que vamos morrer.
2) Somos livres para viver como desejamos.
3) Nossa solidão é intrínseca.
4) A vida não tem sentido.

Basicamente, isso. Nossas maiores angústias e dificuldades advêm da maneira como lidamos com nossa finitude, com nossa liberdade, com nossa solidão e com a gratuidade da vida. Sábio é aquele que, diante dessas quatro verdades, não se desespera.

Realmente, não são questões fáceis. A consciência de que vamos morrer talvez seja a mais desestabilizadora, mas costumamos pensar nisso apenas quando há uma ameaça concreta: o diagnóstico de uma doença ou o avanço da idade. As outras perturbações são mais corriqueiras. Somos livres para escolher o que fazer de nossas vidas, e isso é amedrontador, pois coloca responsabilidade em nossas mãos. A solidão assusta, mas sabemos que há como conviver com ela: basta que a gente dê conteúdo à nossa existência, que tenhamos uma vontade incessante de aprender, de saber, de se autoconhecer. Quanto à gratuidade da vida, alguns resolvem com religião, outros com bom humor e humildade. O que estamos fazendo aqui? Estamos todos de passagem. Portanto, não aborreça os outros e nem a si próprio, trade de fazer o bem e de se divertir, que já é um grande projeto pessoal.

Volto a destacar: bom humor e humildade são essenciais para ficarmos em paz. Os arrogantes são os que menos conseguem conviver com a finitude, a liberdade, com a solidão e com a falta de sentido da vida. Eles se julgam imortais, eles querem ditar as regras para os outros, eles recusam o silêncio e não vivem sem os aplausos e holofotes, dos quais são patéticos dependentes. A arrogância e a falta de humor conduzem muita gente a um sofrimento que poderia ser bastante minimizado: bastaria que eles tivessem mais tolerância diante das incertezas.

Tudo é incerto, a começar pelo dia e a hora da nossa morte. Incerto é o nosso destino, pois, por mais que façamos escolhas, elas só se mostrarão acertadas ou desastrosas lá adiante, na hora do balanço final. Incertos são nossos amores, e por isso é tão importante sentir-se bem mesmo estando só. Enfim, incerta é a vida e tudo o que ela comporta. Somos aprendizes, somos novatos, mas beneficiários de uma dádiva: nascemos. Tivemos a chance de existir. De se relacionar. De fazer tentativas. O sentido disso tudo? Fazer parte. Simplesmente fazer parte.

Muitos têm uma dificuldade tremenda em aceitar essa transitoriedade. Por isso a psicoterapia é tão benéfica. Ela estende a mão e ajuda a domar nosso medo. Só convivendo com esses quatro fantasmas – finitude, liberdade, solidão e falta de sentido da vida – é que conseguiremos atravessar os dias de forma mais alegre e desassombrada.

Imagem de capa: kramynina/shutterstock

 Martha Medeiros no livro Doidas e Santas

 

Se não for para ser assim…

Se não for para ser assim…

Se não for para caminhar ao seu lado, fazer planos, somar sorrisos e entender um pouco mais um do outro, qual é o sentido? Não existe isso de amor perfeito, mas é possível acrescentar a nossa melhor versão para que ele seja de verdade.

Se não for para ser assim…

Se não for para te escutar quando transborda, quando me conta – empolgada, histórias sobre o seu passado e presente, melhor nem deixá-la entrar.

Se não for para acreditar nos carinhos, no seu cuidado comigo e no seu constante desejo de viver novos instantes na minha companhia, melhor nem sentir vontade de te abraçar.

Se não for para confiar em você, para segurar a sua mão com certeza e para abrirmos uma cerveja no domingo, melhor nem sair de casa.

Se não for para nos admirarmos em silêncio, para dançarmos sem uma música específica e para nos desligarmos do mundo com algum filme fora de cartaz, melhor nem dizer que a sorte está conosco.

Se não for para ser assim…

Se não for para viver um bocado ao seu lado, corrigir o futuro, esticar as pernas no presente e amar a cada toque um pouco mais, qual é o sentido? Quem sabe, talvez o amor perfeito não seja um estado utópico, mas um conjunto de intensidades daqueles que o sentem.

Se não for para ser assim, cheio e tranquilo, melhor nem dizer que te amo.

Imagem de capa: Loucamente Apaixonados (2011) – Dir. Drake Doremus

Os sonhadores permanecem jovens

Os sonhadores permanecem jovens

Os sonhos são como as frutas…

Se ainda estiverem verdes, requerem de nós a paciência contemplativa de saber esperar; se estiverem maduros, esperam de nós a determinação ousada de se arriscar a colher; mas, se já passaram ou estiverem fora de época, eles nos ensinam que, algumas vezes, é preciso, simplesmente, deixá-los ir.

Para olhar para os sonhos de forma tão racional, é preciso estar maduro, assim como os frutos que já podem ser colhidos. Para permanecer com a capacidade de sonhar e colher os sonhos, estejam eles na época certa de colheita ou não, é necessário deixar repousar na alma a leveza de uma certa imaturidade benigna.

Os sonhadores permanecem jovens, a despeito dos anos de vida colecionados e vividos. Contrariando as engrenagens de um mundo que vive correndo atrás de melhores resultados, de mentes práticas e resolutas. Os sonhadores subvertem as regras sisudas e lógicas. Os sonhadores ousam acreditar numa existência menos árida e mais amorosa.

E é por isso que sonhar requer o cuidado da semente, mesmo antes que ela encontre no seio da terra fecunda, a chance de brotar. Há que se ter o afeto e o desapego na medida certa, para que as primeiras folhinhas não desistam de romper a fibra das horas de espera, e tampouco sejam sufocadas pela ansiedade de não saber honrar o tempo e, por isso mesmo, sorrir para ele e deixa-lo cumprir seu curso.

É preciso oferecer aos sonhos a aragem cálida das lágrimas de olhares emocionados, ou a correnteza de libertação dos prantos em rios, tão necessários para lavar a alma dos inevitáveis medos, das perdas, e das despedidas.

E assim, depois de lavados e libertos de todo o peso das bagagens que carregam os ensinamentos benditos, os sonhos devem ser estendidos para que sequem apenas o suficiente, no calor dos risos e das alegrias. É preciso que eles sejam invadidos pelo fogo de todas as coisas lindas, pelas quais pudermos nos apaixonar.

Iluminados, úmidos de vida e estufados de um pulsar que não mais se pode conter, os sonhos haverão de florir. E as flores haverão de ser tão coloridas e cheirosas, que todas as limitações em volta, acabarão por verem na própria imagem desbotada, algo que já foi esquecido. Elas ficarão quietinhas e obedientes e desistirão de nos apertar o peito.

E nesse silêncio de contemplação e júbilo, finalmente nascerão os frutos. Doces, tenros e cheios do caldo da fé em nossa capacidade de transformar experiências reais em fantasias possíveis. Fantasias coletivas, que transmutem esse mundo que anda tão hostil num lugar mais seguro e confiável. Um lugar onde ainda seja possível simplesmente sonhar!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme Queen of the Tearling

Seis chaves para ser feliz, segundo a Universidade de Harvard

Seis chaves para ser feliz, segundo a Universidade de Harvard

Parece cada vez mais claro que a nova febre do ouro não está ligada a ficar milionário ou encontrar a fonte da juventude eterna. O tesouro mais cobiçado de nossos tempos é a felicidade, um conceito abstrato, subjetivo e difícil de definir, mas que está na boca de todos. A felicidade é até objeto de estudo da prestigiosa Universidade Harvard.

Alguns dos estudantes de psicologia dessa universidade americana têm sido um pouco mais felizes há vários anos, não apenas por estudar numa das melhores faculdades do mundo, mas também porque de fato aprenderam com um curso. Seu professor, o doutor israelense Tal Ben-Shahar, é especialista em psicologia positiva, uma das correntes mais presentes e aceitas no mundo e que ele próprio define como “a ciência da felicidade”. De fato, Ben-Shahar diz que a alegria pode ser aprendida, do mesmo modo como uma pessoa aprende a esquiar ou a jogar golfe: com técnica e prática.

Com seu best-seller Being Happy e suas aulas magistrais, os princípios tirados dos estudos de Tal Ben-Shahar já deram a volta ao mundo sob o lema “não é preciso ser perfeito para levar uma vida mais rica e mais feliz”. O segredo parece estar em aceitar a vida tal como ela é; isso, segundo Ben-Shahar, “o libertará do medo do fracasso e das expectativas perfeccionistas”.

Embora mais de 1.400 alunos já tenham passado por seu curso de Psicologia da Liderança, ainda seria o caso de fazer a pergunta: será que alguma vez temos felicidade suficiente? “É precisamente a expectativa de sermos perfeitamente felizes que nos faz ser menos felizes”, ele explica.

Seguem os seis conselhos principais do professor para ajudar as pessoas a se sentirem afortunadas e contentes:

1.Perdoe seus fracassos. E mais: festeje-os! “Assim como é inútil se queixar do efeito da gravidade sobre a Terra, é impossível tentar viver sem emoções negativas, já que fazem parte da vida e são tão naturais quanto a alegria, a felicidade e o bem-estar. Aceitando as emoções negativas, conseguiremos nos abrir para desfrutar a positividade e a alegria”, diz o especialista. Temos que nos dar o direito de ser humanos e perdoar nossas fraquezas. Ainda em 1992, Mauger e seus colaboradores estudaram os efeitos do perdão, constatando que os baixos níveis de perdão estão relacionados à presença de transtornos como depressão, ansiedade e baixa autoestima.

2.Não veja as coisas boas como garantidas, mas seja grato por elas. Coisas grandes ou pequenas. “Essa mania que temos de achar que as coisas são garantidas e sempre estarão aqui têm pouco de realista.”

3.Pratique esporte. Para que isso funcione, não é preciso malhar numa academia até se cansar ou correr 10 quilômetros por dia. Basta praticar um exercício suave, como caminhar em passo rápido por 30 minutos diários, para que o cérebro secrete endorfinas, essas substâncias que nos fazem sentir-nos “drogados” de felicidade, porque na realidade são opiáceos naturais produzidos por nosso próprio cérebro, que mitigam a dor e geram prazer. A informação é do corredor especialista e treinador de easyrunning Luis Javier González.

4. Simplifique, no lazer e no trabalho. “Precisamos identificar o que é verdadeiramente importante e nos concentrar sobre isso”, propõe Tal Ben-Shahar. Já se sabe que quem tenta fazer demais acaba conseguindo realizar pouco, e por isso o melhor é se concentrar em algo e não tentar fazer tudo ao mesmo tempo. O conselho não se aplica apenas ao trabalho, mas também à área pessoal e ao tempo de lazer: “É melhor desligar o telefone e se desligar do trabalho nessas duas ou três horas que você passa com a família”.

5. Aprenda a meditar. Esse simples hábito combate o estresse. Miriam Subirana, doutora pela Universidade de Barcelona, escritora e professora de meditação e mindfulness, assegura que “no longo prazo, a prática regular de exercícios de meditação ajuda as pessoas a enfrentar melhor as armadilhas da vida, superar as crises com mais força interior e ser mais elas mesmas baixo qualquer circunstância”. Ben-Shahar acrescenta que a meditação também é um momento conveniente para orientar nossos pensamentos para o lado positivo; embora não haja consenso de que o otimismo chegue a garantir o êxito, ele lhe trará um grato momento de paz.

6. Treine uma nova habilidade: a resiliência. A felicidade depende de nosso estado mental, não de nossa conta corrente. Concretamente, “nosso nível de felicidade vai determinar aquilo ao qual nos apegamos e a força do sucesso ou do fracasso”. Isso é conhecido como locus de controle, ou “o lugar em que situamos a responsabilidade pelos fatos” – um termo descoberto e definido pelo psicólogo Julian Rotter em meados do século 20 e muito pesquisado com relação ao caráter das pessoas: os pacientes depressivos atribuem seus fracassos a eles próprios e o sucesso a situações externas à sua pessoa, enquanto as pessoas positivas tendem a pendurar-se medalhas no peito, atribuindo os problemas a outros. Mas assim perdemos a percepção do fracasso como “oportunidade”, algo que está muito relacionado à resiliência, conceito que se popularizou muito com a crise e que foi emprestado originalmente da física e engenharia, áreas nas quais descreve a capacidade de um material de recuperar sua forma original depois de submetido a uma pressão deformadora. “Nas pessoas, a resiliência expressa a capacidade de um indivíduo de enfrentar circunstâncias adversas, condições de vida difíceis e situações potencialmente traumáticas, e recuperar-se, saindo delas fortalecido e com mais recursos”, diz o médico psiquiatra Roberto Pereira, diretor da Escola Basco-Navarra de Terapia Familiar.

Imagem de capa: Shyvoronkova Kateryna/shutterstock

Por PATRICIA PEYRÓ JIMÉNEZ
Fonte: El País

Filho predileto

Filho predileto

FILHO PREDILETO

Certa vez perguntaram a uma mãe qual era seu filho preferido,
aquele que ela mais amava.
E ela, deixando entrever um sorriso, respondeu:
“Nada é mais volúvel que um coração de mãe.
E, como mãe, lhe respondo: o filho predileto,
aquele a quem me dedico de corpo e alma…
É o meu filho doente, até que sare.
O que partiu, até que volte.
O que está cansado, até que descanse.
O que está com fome, até que se alimente.
O que está com sede, até que beba.
O que estuda, até que aprenda.
O que está com frio, até que se agasalhe.
O que não trabalha, até que se empregue.
O que namora, até que se case.
O que casa, até que conviva.
O que é pai, até que os crie.
O que prometeu, até que se cumpra.
O que deve, até que pague.
O que chora, até que cale.
E já com o semblante bem distante daquele sorriso, completou:
O que já me deixou…
…até que o reencontre…

Poema atribuído a Erma Bombeck

Imagem de capa:  LightField Studios/shutterstock
Fonte: Senado Federal

Quero saber o que desejas ardentemente.

Quero saber o que desejas ardentemente.

Não me interessa saber o que fazes para ganhar a vida. Quero saber o que desejas ardentemente, se ousas sonhar em atender aquilo pelo qual o teu coração anseia. Não me interessa saber a tua idade. Quero saber se arriscarás parecer um tolo por amor, por sonhos, pela aventura de estar vivo. Não me interessa saber que planetas estão em quadratura com a tua lua. Quero saber se tocaste o âmago da tua dor, se as traições da vida te abriram ou se te tornaste murcho e fechado por medo de mais dor! Quero saber se podes suportar a dor, minha ou tua; sem procurar escondê-la, reprimi-la ou narcotizá-la. Quero saber se podes aceitar alegria, minha ou tua, se podes dançar com abandono e deixar que o êxtase te domine até às pontas dos dedos das mãos e dos pés, sem nos dizeres para termos cautela, sermos realistas, ou nos lembrarmos das limitações de sermos humanos. Não me interessa se a história que contas é verdade. Quero saber se consegues desapontar outra pessoa para ser autêntico contigo mesmo, se podes suportar a acusação de traição e não traíres a tua alma.

Quero saber se podes ver beleza mesmo que ela não seja bonita todos os dias, e se podes buscar a origem da tua vida na presença de Deus, quero saber se podes viver com o fracasso, teu e meu e ainda, à margem de um lago, gritar para a lua prateada: Posso! Não me interessa onde moras ou quanto dinheiro tens. Quero saber se podes levantar-te após uma noite de sofrimento e desespero, cansado, ferido até aos ossos, e fazer o que tem de ser feito pelos filhos. Não me interessa saber quem és e como vieste parar aqui. Quero saber se ficarás comigo no meio do incêndio e não te acovardarás. Não me interessa saber onde, o quê, ou com quem estudaste. Quero saber o que te sustenta a partir de dentro, quando tudo o mais se desmorona. Quero saber se consegues ficar sozinho contigo mesmo e se, realmente, gostas da companhia que tens nos momentos vazios.

Fonte “O Convite”, de Oriah Mountain Dreamer
Agradecemos à Elisabete Mitiko Watanabe pela indicação da autoria correta.

Imagem de capa: brickrena/shutterstock

Fugidinhas

Fugidinhas


De vez em quando escapo da atmosfera da minha própria vida. Fujo sorrateira para tempos onde já estive ou ouso inventar. De vez em quando sumo da minha realidade para viver outros mundos.

Parece loucura, mas faz parte do processo de existir permitir que fantasias se somem à nossa realidade como parte do que somos também. Talvez isso nos torne pessoas menos enrijecidas, mais suaves e felizes.

Alguns dias são mais puxados que outros. Aquela segunda feira, que desperta amarga e confirma que a semana não trará ventos de simplicidade, também pode ser invadida, se você permitir, por pensamentos soltos, sonhos de felicidade, desejos de superficialidade.

Eu preciso pensar no oceano azul esverdeado das últimas férias enquanto instrumento o canal atrésico do meu paciente _ é a única forma de não perder o bom humor diante da árdua tarefa que tenho à minha frente.

Também gosto de saber da fofoca envolvendo Ben Affeck, a babá e Tom Brady; porque, de alguma forma que não sei dizer, isso me ajuda a esquecer um pouco que o Brasil vai mal das pernas, que o Real está cada dia pior, e que a inflação bate à nossa porta com vontade de ficar.

Preciso de um pouco de superficialidade; de descobrir que formato de sobrancelha fica bem num rosto como o meu, ou que tom de base é perfeito para minha pele. Por mais fútil que pareça, essas fugidinhas me ajudam a enfrentar a noção de que o mundo é um lugar injusto, de que milhões de pessoas passam fome, de que muita gente acorda antes das quatro na manhã pra ir trabalhar, de que sou impotente perante a maioria das misérias do mundo.

É preciso dar uma fugidinha de vez em quando. Respirar fundo e mergulhar na alegria que carregamos em pequenas frações dentro de nós. Abrir um a um os diminutos frascos de boas lembranças e permitir que eles exalem calmaria e bem estar na realidade que vivemos. Realidade nem sempre fácil de experimentar e assimilar.

De vez em quando tudo o que a gente quer é pensar num sapato novo, numa bolsa bacana, numa unha pintada de vermelho-Gabriela. São nossas fugidinhas corriqueiras, pequenos agradinhos à alma e ao pensamento.

Meu local de trabalho não é um lugar solar. É sombrio, tem os corredores abarrotados de gente carente e doente, com deficiências no corpo e na alma; as paredes são frias e a beleza, escassa. Para não pirar, aprendi a me resguardar desviando o foco. Quem sabe ouvindo a música do Marcelo Jeneci _ “Temporal” _ cuja melodia me deixa instantaneamente feliz; talvez escrevendo entre um paciente e outro; eventualmente fazendo uma leitura rápida na internet. São pequenices que ajudam a apaziguar a visão da fragilidade humana, e amenizar a impotência diante do sofrimento alheio.

Como eu disse, Marcelo Jeneci e seu “Temporal” tem feito meus dias mais felizes. A melodia é doce, e a letra diz assim:
“O que tem começo, tem meio e fim
Deixa passar o dia ruim
Que a tempestade resolve com Deus…”

Talvez seja isso. Acreditar que mesmo que nem todo dia seja bom, ele passa. Passa e leva embora os tropeços, as sensações ruins, as faltas e falhas. Passa e nos ensina a buscar soluções para superar o que não pode ser modificado, aceitar o que não pode ser consertado, acolher o que não consegue ser remediado. Passa e nos mostra como seguir em frente deixando o pensamento fluir nos momentos em que a vida fica difícil de digerir…

Imagem de capa: Antonio Guillem/shutterstock

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