Amar é desapegar na medida certa

Amar é desapegar na medida certa

Por Marcela Alice Bianco e Juliana Santos

Dependência emocional, ciúmes, possessividade, controle e desconfiança! Quantos dos nossos relacionamentos são marcados por essas características tão destrutivas? Qual seria a origem de tantos males? Por que muitas vezes não conseguimos viver formas mais livres e genuínas de amor? Por que nos custa tanto o desapego, tão necessário às relações saudáveis?

O Psiquiatra suíço, C. G. Jung sabiamente afirmou que “as grandes decisões da vida humana estão, em regra, muito mais sujeitas aos instintos e a outros misteriosos fatores inconscientes do que a vontade consciente, ao bom-senso, por mais bem-intencionados que sejam”. Assim, para entendermos esta questão precisaremos ir a fundo nos aspectos que permeiam o relacionamento humano.

Há muito tempo as pesquisas em neurociências empenham-se em desvelar os meandros das relações humanas. Hoje, já é sabido que nosso cérebro executa sua plasticidade a partir das interações que nos proporcionaram, e das que fomos capazes de fazer ao longo de nossa vida. Ou seja, nosso futuro não é um fato isolado, mas uma consequência daquilo que oportunamente nos foi possível aprender e apreender desde que fomos concebidos, somados às nossas capacidades individuais. Assim, quando se trata de entender as relações, nos é necessário considerar o modo como estas são construídas desde a nossa infância.

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Somos essencialmente sociais e subjetivos! Quando bebês, carregamos dentro de nós um instinto de ligação e formamos com nossos cuidadores uma importante relação de apego. Ao mesmo tempo, eles também se ligam a nós. Este elo que se forma, fundamental ao cuidado e à proteção da vida, poderá oferecer ao indivíduo um senso de segurança, que lhe garantirá a sobrevivência psíquica, ainda que em ambientes ameaçadores.

As relações de apego são essenciais para a ativação e estimulação das nossas capacidades e habilidades, potencializando o crescimento humano. As primeiras interações são primordiais para que a criança crie registros de memória de segurança ou insegurança diante do mundo que a cerca. Esses vínculos poderão marcar o tom emocional que daremos aos fatos por toda a nossa trajetória de vida, influenciando nosso comportamento, nossa percepção da realidade e expectativa do futuro, em geral de maneira inconsciente.

Quando o cuidado ocorre na medida certa, crescemos com uma base segura e confiante! Serão sólidas nossa autoestima, independência e autonomia. Consequentemente, nos relacionaremos com os outros de maneira mais leve, harmoniosa e saudável.

Mas, esse carinho e proteção na dose ideal, não é tão fácil assim de acontecer. No nosso nascimento estamos condicionados à biografia dos nossos pais, à nossa genealogia e ao nosso self social e cultural. E no caminho da evolução humana temos encontrado inúmeros desafios para a realização plena dessa medida certa do cuidado.

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Dominados por uma cultura predominantemente patriarcal, desde cedo impomos regras para a expressão do amor. Tendemos a ditar o que é certo e errado, a traçar curvas de normalidade para os comportamentos, enquadrar e organizar as experiências humanas em padrões morais, estéticos, herméticos e racionalizados. O conhecimento e o relacionamento por meio da experiência dos sentidos e das sensações, mais ligados à experiência do matriarcal, ficam negligenciados e, por consequência, perdemos o contato com nossa essência e com os caminhos do amor verdadeiro.

Nesta continuidade histórica, podemos nascer em famílias despreparadas para oferecer essa relação de apego seguro, porque elas mesmas não vivenciaram tais experiências na construção de suas personalidades, levando à diante um ciclo contínuo de transmissão intergeracional de insegurança.

Muitas crianças sobrevivem hoje em lares devastados pela insuficiência de amor, nos quais prevalecem as relações de poder, de insegurança ou de indiferença. São envolvidas nas agressões, nos limites rígidos, nos descontroles, vícios, ciúmes, possessões, processos depressivos, choros contidos, isolamentos, distanciamentos afetivos e em tantos outros processos desumanizantes. Flagelos à alma ainda indefesa e em desenvolvimento, que fazem com que o amor e a capacidade de amar, cresçam minguados, confusos e solitários, precisando sempre testar a realidade do momento para determinar o próximo passo.

Crianças que vivem em ambientes assim, usurpam inadequadamente o uso de sua função intuitiva afim de proteger-se antecipadamente das consequências desestruturantes dos momentos de insegurança, negligência e terror, pelos quais passam. Elas aprendem que para sobreviver, é preciso se defender dos monstros que moram dentro e fora delas. Estas feridas emocionais podem perdurar pela vida inteira (veja também 5 feridas emocionais da infância que podem persistir na idade adulta).

Repetidas experiências de desamparo, provenientes da pessoa por quem a criança investiu energia, afeição e confiança, resultarão na incapacidade de ligar-se satisfatoriamente a outras figuras de apego ao longo da vida.

Segundo a psicóloga clínica Ana Maria G. Rios, “falhas nos relacionamentos interpessoais levam a dificuldades de criação de um sentimento de unidade e continuidade de si mesma na criança, sentimento este que constrói sua narrativa de vida através do passado, em direção ao futuro“.

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Fixada num comportamento egocêntrico, quando adulto, possivelmente verá diante de si dois caminhos: ou não se apegar mais a ninguém ou investir em relacionamentos afetivos marcados pela dependência, pelo ciúmes, possessividade, carência e controle. O Outro deverá viver, sintonicamente, atendendo seus desejos ou necessidades, caso contrário, estes adultos se desestruturam, vivenciando uma verdadeira experiência de luto, ou confusos, agem agressivamente na tentativa de reverter a situação e manter a pessoa amada por perto.

As feridas da infância são assim projetadas nas relações atuais, tanto porque não há outro repertório a ser usado pela pessoa, quanto porque a nova relação também constitui terreno fértil para a reconstrução do afeto e de novas conexões e caminhos neuronais, agora mais saudáveis e equilibrados. Cada novo amor é uma nova chance de aprender a amar e ser amado!

Assim, aqueles que se veem envolvidos em relações perturbadoras, dependentes e desestruturantes precisam amadurecer o afeto dentro de si! Rever, reajustar e ressignificar as primeiras relações de apego. Compreender quais as vias seguras e saudáveis para a vivência e expressão do amor. Porque se sufocarmos ou destruirmos o Outro por causa do nosso medo da solidão e do desamparo, também sufocaremos e destruiremos nossos próprios potenciais de humanização, autonomia, independência e segurança sobre as próprias bases, sobre os próprios pés.

Precisamos de apego para aprender o desapego! Para amar é preciso “desapegar na medida certa”!  Nem demais e nem de menos! Se amar é “Ser com o Outro”, há de se ter espaço para a expressão das individualidades e isto implica liberdade, segurança e confiança. Seja e deixe o Outro Ser! Só assim permitiremos que tanto nós quanto o Outro possa se sentir feliz, seguro e realizado. Para que o amor e o encontro sejam o que têm de ser:  um momento de plenitude e estímulo aos nossos potenciais de realização humana.

Para que o amor seja nosso antídoto e não nosso veneno. Para que ele permita a transformação e não a estagnação. Para que ele seja a luz que ilumina o nosso caminho e não as trevas que nos lançam na escuridão.

Para que através do amor possamos reconhecer o que há de melhor no Outro e em nós e assim, nos libertemos dos grilhões patriarcais da nossa história pessoal e de toda humanidade.

Para que as novas relações não sejam uma reprise dos nossos primeiros vínculos desajustados e insuficientes, mas que sejam nossa verdadeira salvação!

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Biografia

Bowlby, J. (1990). Apego e perda. São Paulo: Martins Fontes. (Trabalho original publicado em 1969).

COZOLINO, L. The Neuroscience of Psychoteray: Healing the social brain. WW Norton & Company, 2010.

JUNG, C. G. Obras Completas. 7ª Edição. Petrópolis: Vozes, [1971], 2011, v. XVI/1

RIOS, A.M.G. Resiliência na infância. In: ARAUJO, C.A.; MELLO, M.A.; RIOS, A.M.G. (Orgs) Resiliência: Teoria e Práticas de pesquisa em Psicologia.  São Paulo: Ithaka Books, 2011, p. 42-67.

WHITMONT, E. C. A busca do símbolo: Conceitos básicos de Psicologia Analítica. São Paulo: Cultrix, 2008.

Autoras

contioutra.com - Amar é desapegar na medida certaMarcela Alice Bianco 

Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae. CRP: 06/77338

 

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Juliana Pereira dos Santos – Psicóloga, especialista em Psicologia Clínica Junguiana. Aprimoranda em Psicopatologia e Psicologia Simbólica pelo Instituto Sedes Sapientiae e Coach formada pela Sociedade Brasileira de Coaching. CRP: 06/ 108582

O olhar adulto, Rubem Alves

O olhar adulto, Rubem Alves

Foi ele mesmo que me contou, como confissão de cegueira, dando depois permissão para que eu relatasse o milagre desde que não revelasse o santo. Médico, chegou a seu consultório com seus olhos perfeitos e a cabeça cheia de pensamentos. Eram pensamentos graves, cirurgias, hospitais, e os doentes o aguardavam na sala de espera.

Entrou o primeiro paciente que se submeteu mansamente à apalpação médica. Terminada a consulta, escrita a receita, no ato de despedida ele fez um elogio: “Doutor, que lindas são as orquídeas na sua sala de espera!”

Meu amigo sorriu embaraçado, com vergonha de dizer que não havia notado orquídea alguma na sala de espera e que, portanto, nada sabia da beleza que o doente notara. Teve vergonha de revelar sua cegueira. Entrou o segundo paciente. Ao final da consulta, sem conseguir conter o que sentia, observou: “São maravilhosas as orquídeas na sua sala de espera, doutor!” Novamente o sorriso amarelo, sem poder dizer o que não sabia sobre as orquídeas que não havia visto.

Veio o terceiro paciente e a coisa se repetiu do mesmo jeito. Aí o doutor deu uma desculpa, saiu da sala, e foi ver as orquídeas que o jardineiro colocara na sala de espera. Eram, de fato, lindas. Mas aí veio o agravante, pois o paciente, não satisfeito com a humilhação imposta ao doutor cego, observou que, na semana anterior, a árvore dentro da sala de consulta, plantada num vaso imenso, num canto, não era a mesma que ali estava, naquele dia. Mas o doutor cego de olhos perfeitos não notara a presença da árvore naquele dia nem a presença da árvore na semana anterior…

Ah! Você se espanta que tal cegueira possa existir! Mas eu lhe garanto que é assim que funcionam os olhos dos adultos em geral.

Lá vão pelo caminho a mãe e a criança, que vai sendo arrastada pelo braço – segurar pelo braço é mais eficiente que segurar pela mão. Vão os dois pelo mesmo caminho, mas não vão pelo mesmo caminho. Blake dizia que a árvore que o tolo vê não é a mesma árvore que o sábio vê. Pois eu digo que o caminho por que anda a mãe não é o mesmo caminho por que anda a criança.

Os olhos da criança vão como borboletas, pulando de coisa em coisa, para cima, para baixo, para os lados, é uma casca de cigarra num tronco de árvore, quer parar para pegar, a mãe lhe dá um puxão, a criança continua, logo adiante vê o curiosíssimo espetáculo de dois cachorrinhos num estranho brinquedo, um cavalgando o outro, quer que a mãe veja, com certeza ela vai achar divertido, mas ela, ao invés de rir, fica brava e dá um puxão mais forte, aí a criança vê uma mosca azul flutuando inexplicavelmente no ar, que coisa mais estranha, que cor mais bonita, tenta pegar a mosca, mas ela foge, seus olhos batem então numa amêndoa no chão e a criança vira jogador de futebol, vai chutando a amêndoa, depois é uma vagem seca de flamboyant pedindo para ser chacoalhada, assim vai a criança, à procura dos que moram em todos os caminhos, que divertido é andar, pena que a mãe não saiba andar por não ter olhos que saibam brincar, ela tem muita pressa, é preciso chegar, há coisas urgentes a fazer, seu pensamento está nas obrigações de dona de casa, por isso vai dando safanões nervosos na criança, se ela conseguisse ver e brincar com os brinquedos que moram no caminho, ela não precisaria fazer análise…

A mãe caminha com passos resolutos, adultos, de quem sabe o que quer, olhando para frente e para o chão. Olhando para o chão, ela procura pedras no meio do caminho, não por amor ao Drummond, mas para não dar topadas, e procura também as poças d’água, não porque tenha se comovido com o lindo desenho do Escher, de nome Poça d’água, uma poça de água suja na qual se refletem o céu azul e os ramos verdes dos pinheiros, ela procura as poças para não sujar o sapato. A pedra do Drummond e a poça d’água suja do Escher os adultos não vêem, só as crianças e os artistas…

 

A mãe não nasceu assim. Pequenina, seus olhos eram iguais aos olhos do filho que ela arrasta agora. Eram olhos vagabundos, brincalhões, que olham as coisas para brincar com elas. As coisas vistas são gostosas, para ser brincadas. E é por isso que os nenezinhos têm este estranho costume de botar na boca tudo o que vêem, dizendo que tudo é gostoso, tudo é para ser comido, tudo é para ser colocado dentro do corpo. O que os olhos desejam é realmente comer o que veem. Assim dizia Neruda, que confessava ser capaz de comer as
montanhas e beber os mares. Os olhos nascem brincalhões e vagabundos – veem pelo puro
prazer de ver, coisa que, vez por outra, aparece ainda nos adultos no prazer de ver figuras. Mas aí a mãe foi sendo educada, numa caminhada igual a essa, sua mãe também a arrastava pelo braço, e quando ela tropeçava numa pedra ou pisava numa poça d’água, porque seus olhos estavam vagabundeando por moscas azuis e cachorros sem-vergonha, sua mãe lhe dava um safanão e dizia: “Olha pra frente, menina!” “Olha pra frente!” Assim são os olhos adultos. Olhos não são brinquedos, são limpatrilhos.

Servem para abrir caminhos na direção do que se deve fazer. Assim eram os olhos daquela minha amiga que os usava para cortar cebola sem cortar o dedo, até que, um dia, o olho que mora dentro dos seus olhos se abriu e ela viu a beleza maravilhosa do vitral translúcido que mora nas rodelas de todas as cebolas, e ela tanto se espantou com o que via que pensou que estava ficando louca…Coitados dos adultos! Arrancaram os olhos vagabundos e brincalhões de crianças e os substituíram por olhos ferramentas de trabalho, limpa-trilhos. Assim, eram os olhos daquele meu amigo médico: não viam nem as orquídeas nem as árvores que estavam dentro do seu consultório. Seus olhos eram escravos do dever. E ele não percebia que as coisas ao seu redor eram brinquedos que pediam aos seus olhos: “Brinquem comigo! É tão divertido!Se vocês brincarem comigo, eu ficarei feliz, e vocês ficarão felizes…”

Rubem Alves
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Imagem de capa: Volodymyr Tverdokhlib/shutterstock

O amor é um filme que você já viu antes, mas esqueceu o final.

O amor é um filme que você já viu antes, mas esqueceu o final.

Eu vi a mim mesmo ali, começando de novo, esperando você em nosso primeiro encontro. Enxuguei nas calças o suor das minhas mãos e abri a porta, senti meu coração bater depressa. Vi você chegar, linda… linda, e ficar por aqui.

Ouvi nossas conversas de madrugada, revivi nossas saudades de todo dia. Provei outra vez o gosto ruim das incertezas do início e das distâncias entre nós, feito caqui amarrando na boca.

Revivi nossos almoços na manhã da tarde, nossas conversas sem mais, nossas angústias divididas sobre a mesa.

Sonhei outra vez os mesmos sonhos improváveis. Você e eu e os nossos numa sala de espera de aeroporto, aguardando o embarque para qualquer lugar bonito. Você passeando em cima de um camelo, fazendo mais belo um deserto inteiro só por estar ali. Vi o meu orgulho aplaudindo seu sucesso, seus discursos de formatura, sua ascensão profissional. Lamentei sua expressão cansada de quem volta do trabalho tarde da noite e ajudei como pude, esperando acordado a sua chegada.

Dei de novo o que tinha para dar, o melhor do que tenho, e já nem lembro o que recebi. Não importa. O amor há de ser isso mesmo, esse dar sem saber o que virá, sem esperar em troca. Essa oferta sem mais, essa certeza de amar e não saber se será correspondido. Se for, muito bem. Se não for, a gente capricha no amor próprio e vai em frente, procurar a nossa turma.

Eu vi de novo todas as nossas lembranças, as que aconteceram e as que nunca se realizaram. Vi você chegar do nada e mudar tudo, ora sorrindo ensolarada, ora chorando devastada. Eu vi você sentindo medo e sentindo amor. Vi você doente e rezei uma vez mais por sua saúde.

Eu fiz tudo isso de novo. Faria para sempre. Vi você chegar e vi você ficar. Assisti a tudo se passar assim, tão bonito, e a desaparecer tão breve, como mensagens que se apagam em segundos, somem sem deixar pistas. Eu também vi você partir.

E lá pelas tantas vi você voltar a seu mundo seguro, blindado. Para junto de quem a fez acreditar que as escolhas acabaram. Para longe de mim. Eu vi.

Eu vi você chegar, vi você estar e vi você passar. Vi tudo isso logo ali… na vida que segue sempre. A vida sempre segue e a gente segue com ela. Vai sentindo amor aqui e ali. Vai vivendo nosso filme que começa para acabar, que acaba para começar de novo. A gente vai vivendo.

Imagem de capa: vvvita/shutterstock

A maldade – Flávio Gikovate

A maldade – Flávio Gikovate

A maldade pode ser definida como um ato que provocará um dano indevido e intencional em outra pessoa. Trata-se de uma ação e não de reação.

As ações maldosas visam a obtenção de um benefício; podem derivar da associação do sexo à agressividade ou serem motivadas pelo desejo de autoafirmação.

Para mais informações sobre Flávio Gikovate

Site: www.flaviogikovate.com.br
Facebook: www.facebook.com/FGikovate
Twitter: www.twitter.com/flavio_gikovate
Livros: www.gikovatelojavirtual.com.br

Esse blog possui a autorização de Flávio Gikovate para reprodução deste material.

Imagem de capa: Reprodução

Transtorno psiquiátrico não é deficiência de caráter

Transtorno psiquiátrico não é deficiência de caráter

Portadores de transtornos mentais sofrem de doença psiquiátrica; não são malucos, não são fracos, preguiçosos ou dissimulados. O transtorno mental requer tratamento médico, acompanhamento psicológico e uma rede de apoio estável. Requer, inclusive – e, talvez principalmente -, a adesão do paciente. Se o portador do transtorno não estiver disposto a acatar as orientações dos médicos e terapeutas, não compreender que o uso dos medicamentos – caso sejam prescritos – é inegociável, o manejo da doença torna-se praticamente impossível.

Em inúmeros casos, amigos e familiares dispostos a oferecer apoio e acolhimento, deparam-se com a resistência da pessoa doente em aderir ao tratamento, comparecer às sessões de terapia e tomar os remédios prescritos, conforme as orientações médicas. É preciso compreender que, além da doença, há traços de personalidade inatos, que podem favorecer a administração do transtorno, ou mesmo agravá-lo.

Ocorre que os males mentais trazem junto consigo muitas ideias pré-concebidas e discriminação. Os pacientes muitas vezes temem e até recusam o diagnóstico, por medo de serem rotulados e estigmatizados. Não são raros os casos em que as pessoas afetadas buscam ajuda, começam o tratamento, mas o abandonam. A interrupção terapêutica acaba ocorrendo porque os resultados custam um tempo para serem percebidos, o ajuste nas dosagens de reguladores de humor, ansiolíticos e antidepressivos depende de muita perseverança e podem gerar desconfortos iniciais, relacionados aos efeitos colaterais dos medicamentos indicados. Para agravar o quadro, o paciente não raras vezes sofre discriminação por parte de pessoas que deveriam ajudá-lo a administrar a doença e persistir no tratamento.
Ter um transtorno mental não deveria ser motivo de vergonha ou constrangimento, não é sinal de falha de caráter; é ter de lidar com uma doença complexa, constituída de fatores orgânicos e ambientais. A doença mental pode advir de predisposição genética, traumas na infância, situações extremas de estresse, desgaste físico e emocional; além de alterações ambientais e químicas cerebrais.

Indivíduos acometidos por transtornos de humor, quadros depressivos, ansiedade ou distimia (mau-humor crônico), sofrem alterações comportamentais importantes que provocam queda de desempenho em todas as esferas da vida: não conseguem cumprir com rotinas de trabalho, destroem relacionamentos afetivos, abandonam os estudos e sofrem com a dor de uma autoimagem distorcida e rebaixada. Tudo isso acaba acontecendo porque o transtorno psiquiátrico interfere na capacidade de concentração, na fluidez de raciocínio, nos níveis de energia física e, também, nos recursos de memória. Pesquisas recentes apontam a depressão como a segunda causa mais recorrente de invalidez no mundo.

Infelizmente, uma grande parcela da sociedade ainda pensa que só em casos de doenças mentais muito graves é que se deve recorrer a uma consulta psiquiátrica; quando a realidade é que a Psiquiatria é uma especialidade médica responsável pelo diagnóstico e tratamento de doenças que causam sofrimentos terríveis, e que geram interferências no comportamento, suficientes para arruinar a vida sentimental, laboral e social de um indivíduo.

Ainda há falsas crenças que reforçam a ideia de que depressão e tristeza são a mesma coisa; que transtorno bipolar é coisa de gente que não sabe o que quer, e que ansiedade é sinônimo de imaturidade. Ainda há quem acredite que alguém que teve a coragem de falar em suicídio está querendo chamar a atenção, e que quem quer se matar não avisa.

O fato é que os transtornos psiquiátricos são doenças tão fatais quanto os mais agressivos tipos de câncer. A diferença é que ninguém é julgado por ter câncer. Já o indivíduo depressivo, compulsivo ou ansioso é visto como alguém em quem jamais se poderá confiar.

Viver com transtornos mentais já seria um peso enorme sem essa carga injusta de posturas preconceituosas. Uma vez diagnosticados, os pacientes que forem fiéis aos tratamentos, podem conquistar de volta suas vidas, podem se sair muito bem profissionalmente, podem ter relacionamentos estáveis e reconquistar condições de vivências plenas e felizes.

Os rótulos impostos aos portadores de distúrbios psiquiátricos são, para dizer o mínimo, cruéis. Eles tiram da pessoa a perspectiva de lutar por objetivos e planos para uma vida futura satisfatória. O preconceito é muito mais letal do que a própria doença. O preconceito exclui, marginaliza e afasta o doente das oportunidades de tratamento e cura.

Existem inimigos concretos e terríveis a serem combatidos: a grande maioria da população portadora de doenças mentais não pode contar com atendimento psiquiátrico e psicológico de qualidade; não tem acesso a medicamentos, atendimento ambulatorial ou internação. O SUS (Sistema Único de Saúde), destina apenas 2% de seus recursos à saúde mental.

Resolver essas questões, tão graves, depende de amealhar recursos financeiros, contar com a mobilização da sociedade e com a implementação de políticas públicas eficientes na área da saúde. No entanto, o combate à estigmatização depende apenas da nossa vontade em abrir a mente e entender que o sofrimento psíquico é real e é tratável. Há casos incontáveis de pessoas que lutaram bravamente para vencer os desafios da doença e conquistar condições para retomar suas rotinas sociais, afetivas e de trabalho. E, mesmo assim, sofrem com a intolerância de pessoas que insistem em transformar o doente psiquiátrico em sua própria doença, negando-lhe a chance de seguir adiante. Comecemos, portanto, a curar nossas petrificadas e pré-concebidas certezas. Esse já seria um excelente começo!

Imagem meramente ilustrativa: cena do filme “As Faces de Helen”

As feridas do círculo familiar são as que mais demoram para sarar

As feridas do círculo familiar são as que mais demoram para sarar

Não podemos permitir que um passado familiar disfuncional e traumático afete o nosso presente e o nosso futuro. Devemos ser capazes de superá-lo e nos curarmos para sermos felizes.

As feridas geradas no círculo familiar causam traumas, carências profundas e vazios que nem sempre conseguimos reparar.

O impacto decorrente de um pai ausente, uma mãe tóxica, uma linguagem agressiva, gritos ou uma criação sem segurança e afeto trazem mais do que a clássica falta de autoestima ou os medos que é tão difícil superar.

Muitas vezes a dificuldade para resolver muitos destes impactos íntimos e privados está em um cérebro que foi ferido muito cedo.

Não podemos nos esquecer de que o estresse experimentado ao longo do tempo em idades jovens faz com que a arquitetura de nosso cérebro mude, e com que estruturas associadas às emoções sejam alteradas.

Tudo isso traz como consequência uma maior vulnerabilidade, um desamparo mais profundo que leva a um risco maior na hora de sofrermos de determinados transtornos emocionais.

A família é nosso primeiro contato com o mundo social, e se este contexto não nutre nossas necessidades essenciais, o impacto pode ser constante ao longo de nosso ciclo vital.

Vejamos a seguir, detalhadamente, por que é tão difícil superar estas feridas sofridas na época mais inicial de nossas vidas.

A cultura nos diz que a família é um pilar incondicional (embora, às vezes, erre)

O último cenário em que alguém pensa que vai ser ferido, traído, decepcionado ou até abandonado é, sem dúvida, no seio de sua família.

No entanto, isso ocorre com mais frequência do que imaginamos.

Estas figuras de referência que têm como obrigação dar-nos o melhor, oferecer confiança, ânimo, positividade, amor e segurança às vezes falham voluntária ou involuntariamente.

Para uma criança, um adolescente e até para um adulto, experimentar esta traição ou esta decepção no seio familiar supõe desenvolver um trauma para o qual nunca estamos preparados.

A traição ou a carência gerada na família é mais dolorosa do que a simples traição de um amigo ou companheiro de trabalho. É um atentado contra a nossa identidade e nossas raízes.

A ferida de uma família é herdada por gerações

Uma família é mais do que uma árvore genealógica, um mesmo código genético, que ter os mesmos sobrenomes.

– As famílias compartilham histórias e legados emocionais. Muitas vezes estes passados traumáticos são herdados de geração em geração de muitas formas.
– A epigenética nos lembra, por exemplo, que tudo que acontece em nosso ambiente mais próximo deixa um impacto em nossos genes.
– Assim, fatores como o medo, o estresse intenso ou os traumas podem ser herdados entre pais e filhos.
– Isso faz com que, em alguns casos, sejamos mais ou menos suscetíveis a sofrer de depressão ou reagir com melhores ou piores ferramentas diante de situações adversas.

Ainda que estabeleçamos distância de nosso círculo familiar, as feridas seguem presentes

Em um dado momento, finalmente tomamos coragem: dizemos “chega” e cortamos este vínculo prejudicial para estabelecer uma distância da família disfuncional e traumática.

No entanto, o simples fato de decidirmos dizer adeus a quem nos fez mal não traz, por si só, a cura da ferida. É um princípio, mas não a solução definitiva.

Não é nada fácil deixar para trás uma história, dinâmicas, lembranças e vazios.

Muitas destas dimensões ficam presas à nossa personalidade, e inclusive em nosso modo de nos relacionarmos com os demais.

As pessoas com um passado traumático costumam ser mais desconfiadas, têm mais dificuldade em manter relações sólidas.

Quem foi ferido precisa, além disso, se sentir reafirmado; anseia que os demais preencham estas carências, por isso muitas vezes se sentem frustrados porque poucas pessoas lhes oferecem tudo de que precisam.

Podemos chegar a questionar a nós mesmos

Este talvez seja o mais complexo e triste.

A pessoa que passou grande parte do seu ciclo vital em um lugar disfuncional ou no seio de uma família com estilo de criação negativo pode chegar a ver a si mesmo como alguém que não merece ser amado.

A educação recebida e o estilo de paternidade ou de maternidade em que fomos criados define as raízes da nossa personalidade e nossa autoestima.

O impacto negativo destas marcas é muito intenso; assim, muitas vezes a pessoa pode ter dúvida sobre a sua própria eficácia, sua valia como pessoa ou até se é digno ou não de cumprir seus sonhos.

Nosso círculo familiar pode nos dar asas ou pode arrancá-las. Isso é algo triste e devastador, mas verdadeiro.

No entanto, há algo de que nunca podemos nos esquecer: ninguém pode escolher quem serão seus pais, seus familiares, mas sempre chegará um momento em que teremos a capacidade e a obrigação de escolher como vai ser nossa vida.

Escolher ser forte, ser feliz, livre e maduro emocionalmente é algo essencial, daí a necessidade de superar e curar nosso passado.

Imagem de capa: altanaka, Shutterstock.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa.

A vida é um sério caso de recomeços

A vida é um sério caso de recomeços

No momento em que um amor encontra o seu desfecho, outro surge. E nesse breve intervalo, tudo pode mudar. Permita-se recomeçar, você merece. A vida está aí para isso, para agarrarmos novas felicidades com tudo o que tivermos em mãos e corações.

Reinicie-se. Não dependa das circunstâncias para que seja feliz novamente. Se a vida é realmente um sopro, cabe a você escolher como respirar essa oportunidade. Todos temos os nossos pontos fracos, mas isso não implica em não tentarmos mudar. A cada manhã temos uma nova janela para deixarmos o sol entrar, para encontrarmos uma nova vista, substituindo aquela que já não nos preenche mais. É sobre sermos seletivos e responsáveis com os nossos sentimentos. Podemos. Devemos, melhor dizendo.

Se o amor sorriu novamente, por que não aproveitá-lo? Por que esperar o pior por causa de um passado que já não é mais presente? Recrie-se. Faça parte da sua própria construção para novos instantes. Acredite, toda e qualquer forma de você, ainda é amor. Repare-se mais, feche-se menos. Saiba identificar os seus instintos e promessas. Alegre-se nas falhas e tente de um jeito diferente. Você não desiste fácil, não?

Precisamos aceitar que a vida não é uma questão de transbordar um sentido claro e de respostas únicas. Pelo contrário, a vida é quase sempre um punhado de dúvidas e sentenças subjetivas. Mas isso não é ruim ou pesado demais para os nossos ombros. Talvez seja um novo amor surgindo, não sei. De certeza mesmo, fica sobre o fim não ser exatamente definitivo. É só um novo caminho nascendo diante de você.

Imagem de capa: magic4walls

Segurar alguém a seu lado não é amor. É prisão domiciliar.

Segurar alguém a seu lado não é amor. É prisão domiciliar.

Ahh… moça. Se eu pudesse fazer alguma coisa. É triste, mas eu posso nada daqui para frente. Agora é consigo mesma.

Já lhe disse o quanto me dói assisti-la, tão brilhante, deixar-se amarrar por um sujeito vil disfarçado em pele de bom homem, o marido que comprou de seu pai o seu termo de propriedade e agora manda em sua vida, controla seus passos, vigia seus movimentos. Alguém que exige a sua presença em casa quando ele chega, que escolhe as suas companhias, que a exibe aos amigos e vassalos como uma caça aprisionada, um objeto comprado com vantagens, uma escrava que o teme e obedece. É triste, mas quanto mais perfeita você for, mais aumentará o poderio de seu dono, orgulhoso de poder cortar-lhe as asas quando queira.

Precisando, eu repito o que penso sobre alguém que em vez de amar a sua esposa sobre todas as outras mulheres do mundo, em vez de ajudá-la a ser o que ela nasceu para ser, em vez de celebrar a sua existência, prefere puni-la pelo simples fato de achar que ela o faz parecer inferior só porque decidiu ser o que ela realmente é. Prefere cobrar dela as coisas que ele tampouco faz. Em cínica e cruel deliberação, decide jogar nas costas dela a responsabilidade por sua própria incompetência como amante, parceiro, cúmplice. Então se põe a castigá-la por ter falhado ele mesmo como alguém que devia caminhar ao lado dela e defendê-la, protegê-la, tomar suas dores, ajudá-la a voar.

Repito o quanto precisar: é triste assisti-la morrer aos poucos, moça linda, na companhia de um tremendo idiota. É triste vê-la ali, logo ali… ao lado de sua filha, na mesa de um café, protelar o quanto pode o retorno para sua casa, sua prisão, para junto de um algoz ridículo e tacanho que a fez, à força, acreditar que você não tem mais escolha.

Se eu pudesse, moça, tiraria você daí. Abriria a porta da rua e a deixaria fugir. Como em minha antiga fantasia de destrancar as gaiolas dos passarinhos durante a noite. E imaginar as caras de seus proprietários patetas pela manhã, surpreendidos pela verdade óbvia de que não são donos de nada, muito menos de uma vida que nunca foi nem nunca há de ser sua.

Hoje é o dia da independência, moça. Você sabe. Pensei nisso cedinho. E pedi aqui comigo a Deus que lhe mostre o caminho da sua. Quem sabe Ele manda uma equipe de anjos conciliadores dar um jeito nisso. Ajeitar as coisas. Dar-lhe forças para reagir e fazê-la acreditar que sim, que você tem escolha. Que quem manda na sua vida é você e mais ninguém.

Se eu pudesse fazer alguma coisa, moça, eu faria. E faria de novo, de novo e de novo. Mas agora é consigo mesma. E a mim só me resta torcer por você.

Imagem de capa: siam.pukkato/shutterstock

Arrogância, uma definição de Mario Sérgio Cortella

Arrogância,  uma definição de Mario Sérgio Cortella

Arrogância é o orgulho desviado. Algumas vezes se confunde arrogância com orgulho. Uma pessoa orgulhosa, se ela é inteligentemente orgulhosa, não é arrogante. Orgulho é a satisfação de fazer algo, orgulho de alguém, de uma obra, do resultado obtido, da família que se constrói, da casa que se tem, de um sucesso. Isso é diferente de arrogância. Porque arrogância é a postura de alguém que entende que aquilo que fez ou aquilo que tem é superior a qualquer outra coisa. Sentir orgulho de ter conseguido algo é absolutamente diverso de sentir-se arrogante, isto é, arrogar-se, colocar-se numa posição superior.

Quase sempre esse orgulho desviado, essa ideia de um orgulho que ficou maximizada, torna-se um vício, que é a arrogância. Há ainda outro nome: soberba. Caracteriza a pessoa que se coloca acima, aquela que costuma dizer, em várias situações, : “Você sabe com quem está falando?” Ou a que gosta de ostentar, seja o cargo, a propriedade, a autoridade. Aí, não é algo que dê orgulho. Fazendo um trocadilho meio estranho, mas verdadeiro, dá engulho.

Dá ânsia imaginar pessoas que, por causa do lugar onde estão, daquilo que possuem, do estudo que conseguiram, sejam capazes de ter soberba e arrogância, em vez de usar a vida para partilhar e ficarem orgulhosos daquilo que conseguiram.

Melhor pensar como os chineses, e gosto de retomar esse antigo ditado, “quando a partida de xadrez termina, o peão e o rei vão para a mesma caixinha”…

Mario Sérgio Cortella no livro Pensar bem nos faz bem-vol2

A geração de pessoas que se sabotam emocionalmente

A geração de pessoas que se sabotam emocionalmente

Aí você conhece uma pessoa que parece incrível. Vocês conversam sobre tudo, fazem todos os passeios imagináveis, viram madrugadas em confissões e gargalhadas e têm uma química nunca antes vista na história da humanidade. Tudo parece perfeito, até que aquela pessoa começa a sumir, deixando você sem entender o que aconteceu. Você tenta respeitar o espaço, deixa a pessoa respirar, até que um dia, por não entender o que teria acontecido de errado, você chega com a pessoa e pergunta o que houve. E aí ela diz que não tem como continuar porque não quer se envolver.

Você acha aquilo estranho: afinal, se não queria se envolver, então por que dizia que era uma sorte grande ter te encontrado? Se não queria se apegar, então por que dava bom dia todo santo dia? E por que se preocupava em ser uma pessoa tão carinhosa mesmo tanto tempo depois de as primeiras transas terem acontecido? Nada disso faz sentido, não é mesmo?

Você fica sem entender o que aconteceu, vai investigando, até que a pessoa diz ou que teve um/uma ex que deixou traumas ou que gosta muito de um outro alguém, mas esse alguém não sente o mesmo por ela.

Nessa hora, você pode se sentir como se não fosse uma pessoa boa o suficiente para fazer com que esse alguém que você gosta deixe para trás os traumas e o passado. Você pode sentir um forte sentimento de rejeição, capaz de abalar até a mais inabalável das seguranças. Mas de uma coisa você precisa ter a mais absoluta certeza: tudo isso não é problema seu. Você não tem culpa se a pessoa que você gosta é uma das milhares de pessoas que se sabotam.

Se o outro prefere ficar se sabotando, é problema dele. Se ele não quer se permitir viver uma experiência que seria completamente diferente de tudo o que ele já viveu antes, é problema dele. Você não tem nenhuma culpa ou responsabilidade pelas escolhas das outras pessoas, independentemente de quais sejam elas.

Infelizmente, vivemos em uma geração de pessoas covardes, que se envolvem, mas depois ficam afastando os envolvimentos porque preferem ficar se escondendo atrás dos seus traumas. Eu já fiz isso, você também já deve ter feito. E sabe por que tanta gente faz isso? Porque é mais fácil ficar em uma zona de conforto de auto-piedade, reclamando que os traumas deixaram marcas ou dizendo “Ninguém me ama, ninguém me quer”. Mas tudo isso não é problema seu, amig@: é problema da pessoa. É problema dela se ela só se permite se apegar a sentimentos tão pequenos de mágoa, rancor, egoísmo e pena de si mesma.

Todos nós somos imperfeitos, mas nem as suas piores imperfeições justificam que alguém faça isso com você: se envolva, te trate como se fosse ser algo para valer e depois decida ir embora sem dar explicações. Mas, se essa pessoa quer sair da sua vida, deixe que ela vá embora. Você não merece alguém tão covarde.

Do outro lado da mesa

Agora, se você que está aí do outro lado se identifica com o perfil do covarde, pense no que você está fazendo com a sua própria vida. As pessoas são diferentes. O trauma que você teve com uma não necessariamente vai se repetir com outra. Cada um é de um jeito, e, consequentemente, as experiências que você terá com cada pessoa serão diferentes. Pense em todas as pessoas legais que você deixou passar pela sua vida por esse medo de se envolver. Até quando você vai ficar se sabotando por puro medo?

Eu sei que ninguém está dentro de você para saber o que você está sentindo. Ninguém está aí dentro para saber o quanto aquela rejeição te doeu e você tem todo o direito de sofrer o quanto achar que tem que sofrer. Mas pense comigo: se você não está preparado para se envolver, então não prolongue as coisas. Não tenha atitudes que deem brechas para que o outro crie expectativas. Quer beijar? Beije, mas deixe claro que você só quer o beijo. Quer transar? Transe, mas seja sincer@ e diga que você só quer isso. Quer só uma companhia para não se sentir sozinh@? Ok, todo mundo tem suas carências, mas deixe tudo bem claro para a outra pessoa. Será uma escolha dela se ela decidir ficar com você mesmo nessas condições. Mas ela precisa saber o que, de fato, está acontecendo.

O problema não é você viver o seu luto, mas sim iludir a pessoa e sumir do nada, sem dar nenhuma explicação, fazendo com que ela pense que o problema é com ela, que ela fez algo de errado. Seja uma pessoa adulta o suficiente para assumir as consequências dos seus atos.

Inclusive a de talvez, daqui a algum tempo, estar aí se remoendo porque não deixou que a Júlia ou o João entrassem para valer na sua vida e te mostrassem que o presente e o futuro podem ser completamente diferentes do passado.

Texto de Ana Paula Souza
Fonte indicada: Lado M

Imagem de capa: Alena Ozerova/shutterstock

Não perca a capacidade de se encantar

Não perca a capacidade de se encantar

“Minha mãe achava estudo a coisa mais fina do mundo. Não é. A coisa mais fina do mundo é o sentimento.” (Adélia Prado)

O amadurecimento nos traz muita coisa boa, pois é somente com o passar do tempo que conseguimos entender muito daquilo que nos agoniava quando jovens. Passamos a aceitar que o tempo da vida não é o mesmo da gente e que nem tudo – ou quase nada – ocorre exatamente como desejamos. Infelizmente, o amadurecimento torna muitas pessoas céticas demais, descrentes e incapazes de colorir o mundo lá fora, mesmo que de maneira boba.

Quando crianças, temos a capacidade de acreditar nas coisas e nas pessoas, de imaginar o melhor em tudo o que existe, porque tudo é tão novo, tão real. Crianças precisam tocar, sentir, ver e ouvir, encantando-se com cada nova descoberta, com cada nova amizade, com cada viagem, cada pedacinho de jardim. E então a gente vai crescendo e nada mais parece ter aquele viço, como se já conhecêssemos tudo e nada pudéssemos esperar de ninguém.

Talvez seja este o maior problema que existe no mundo de hoje: a incapacidade de se encantar. A vida adulta nos cobra tempo demais, apaga as ilusões, colocando-nos frente a frente com a dor da decepção, a dor das perdas, a dor da morte. A finitude do mundo lá fora acaba por nos invadir os sentidos, tornando-nos frios e sérios. Afinal, é feio adulto rir à toa; parece bobo quem é otimista demais; quanta imaturidade em se divertir com pouco.

Na verdade, confundir amadurecimento com carranca é um desserviço à saúde mental de qualquer pessoa, porque nada mais ensurdecedor aos sentimentos do que o mau humor, o pessimismo, a cara e o coração fechados. É preciso se encantar com o que há lá fora a ser vivido, experimentado, sentido. É preciso manter aqui dentro os sonhos de uma vida melhor, junto a gente do bem. É preciso acreditar no amor verdadeiro, em gente de verdade.

Perdemos tanto tempo atrás do que está exposto nas vitrines e nos apelos midiáticos, que acabamos nos esquecendo de olhar tudo o que existe ao nosso redor e pode ser desfrutado de graça, como um sorriso sincero, um bom dia com gosto de amor, um amigo que nos pergunta se estamos bem. Não, jamais poderemos nos permitir perder a capacidade de nos encantar. Afinal, é assim que a gente se eterniza.

IMagem de capa:  Yuganov Konstantin/shutterstock

Função Transcendente

Função Transcendente

Jung define, em Natureza da Psique (1998), função transcendente como “união de conteúdos conscientes e inconscientes”.

Em geral, o consciente e o inconsciente raramente estão de acordo no que se refere a seus conteúdos e tendências. A consciência do ego sempre busca a satisfação imediata e a fuga de sua imagem idealizada, enquanto que o inconsciente busca a realização da totalidade que engloba aspectos sombrios e tem o seu tempo para realizar.

Essa oposição entre ego e inconsciente Jung explica que se deve ao caráter complementar entre os dois.

Esse conflito possui uma função que é gerar tensão, afim de promover energia e movimento, uma vez que a tendência da consciência é se manter no mesmo estado, ou seja, a inércia.

Sobre essa relação Jung (1998) diz:

“A razão desta relação é que: 1) os conteúdos do inconsciente possuem um valor liminar, de sorte que todos os elementos por demais débeis permanecem no inconsciente: 2) a consciência, devido a suas funções dirigidas, exerce uma inibição (que Freud chama de censura) sobre todo o material incompatível, em conseqüência do que, este material incompatível mergulha no inconsciente; 3) a consciência é um processo momentâneo de adaptação, ao passo que o inconsciente contém não só todo o material esquecido do passado individual, mas todos os traços funcionais herdados que constituem a estrutura do espírito humano e 4) o inconsciente contém todas as combinações da fantasia que ainda não ultrapassaram a intensidade liminar e, com o correr do tempo e em circunstâncias favoráveis, entrarão no campo luminoso da consciência.”

O processo de consciência é uma aquisição recente na história da humanidade. Os povos primitivos não apresentam essa distinção de consciência do ego de forma tão acentuada.

Os conteúdos da consciência apresentam uma qualidade de pensamento dirigido, que é a base do pensamento moderno.

Pensamos de forma dirigida, linguística, para os outros e falamos a outros, ou seja, é a exteriorização da ideia formulada, passível de comunicação.

Mas quando não pensamos de forma dirigida, os pensamentos deixam de seguir uma linha reta, mas eles flutuam. Seria uma espécie de “ato voluntário interior”, ou melhor “um jogo automático de ideias”. Este pensamento não requer esforço e afasta da realidade para fantasias do passado e futuro.

Esse pensamento fantasioso é a natureza do inconsciente.

Portanto, temos já na estrutura da linguagem de consciente e inconsciente uma diferença marcante, porém complementar.

Sobre a consciência Jung (1986) diz:

“A natureza determinada e dirigida da consciência é uma aquisição extremamente importante que custou à humanidade os mais pesados sacrifícios, mas que, por seu lado, prestou o mais alto serviço à humanidade. Sem ela a Ciência, a técnica e a civilização seriam simplesmente impossíveis, porque todas elas pressupõem persistência, regularidade e intencionalidade fidedignas do processo psíquico.”

Mas a qualidade dirigida da consciência também tem desvantagem, que é a repressão dos elementos psíquicos que parecem ser, ou realmente são incompatíveis com a consciência, ou são capazes de mudar a direção preestabelecida e, assim, conduzir o processo a um fim não desejado pela consciência.

A consciência determina a direção do caminho escolhido e desejado. Esta determinação é parcial e preconcebida, porque escolhe uma possibilidade particular, à custa de todas as outras. A consciência é limitada e com um julgamento que se baseia, por sua vez, na experiência, isto é, naquilo que já é conhecido. Via de regra, ele nunca se baseia no que é novo, no que é ainda desconhecido e no que, sob certas circunstâncias, poderia enriquecer consideravelmente o processo dirigido. É evidente que não pode se basear, pela simples razão de que os conteúdos inconscientes estão a priori excluídos da consciência (Jung, 1998)

Como, por exemplo, no caso dos problemas dos tipos psicológicos, a consciência se identifica com uma função se torna unilateral, reprimindo as funções que consideradas como “desagradáveis”. As outras funções que proporcionam aumento de consciência se tornam sombrias e com um funcionamento autônomo. A consciência, via de regra, consegue desenvolver duas funções, a principal e uma primeira auxiliar.

O ego, para trabalhar com as funções menos desenvolvidas (incluindo a inferior), precisa abrir mão do controle, do julgamento e do preconceito e isso só se dá por meio de um conflito grande.

Contudo, inconsciente e consciente tendem a se unir e buscar a complementaridade (principalmente na segunda metade da vida).

Essa busca de complementaridade e união, Jung observou na alquimia simbolizado pela operação alquímica denominada coniuctio.

Essa operação consiste no casamento alquímico. É a união do princípio masculino (Rei, solar, vermelho), com o princípio feminino (Rainha, lunar, branca), e é a meta da Opus alquímica e do processo de individuação.

Todo processo de aumento de consciência passa pela separação do ego e dos conteúdos inconscientes (caracterizado pela inflação egóica) e pela posterior união de ambos.

Dessa união surge um novo elemento que une ambos, que se expressa por meio de um símbolo. Esse novo elemento é a função transcendente.

Nos contos de fadas, a função transcendente aparece como o filho que resulta da união do Rei e Rainha.

A função transcendente aparece na resolução do conflito e tem como objetivo a integração dos conteúdos inconscientes na consciência.

Os símbolos podem ser expressos nas imagens encontradas na mitologia, contos de fadas, alquimia e religiões.

Temos de lutar constantemente para não condenar os conteúdos do inconsciente, e reconhecer a sua importância para a compensação da unilateralidade da consciência.

A tendência do inconsciente e a da consciência são os dois fatores que formam a função transcendente. É chamada transcendente, porque torna possível organicamente a passagem de uma atitude para outra, sem perda do inconsciente (Jung, 1998).

O símbolo é a expressão do inconsciente (como vemos nos sonhos, por exemplo), que é assimilável pela consciência dirigida. Com ele a consciência consegue “digerir” o conteúdo psíquico.

No processo de psicoterapia, o analista pode servir como função transcendente para o paciente durante a transferência. Transformando assim a relação analítica em simbólica.

Nesta função do médico está uma das muitas significações importantes da transferência: por meio dela o paciente se agarra à pessoa que parece lhe prometer uma renovação da atitude; com a transferência, ele procura esta mudança que lhe é vital, embora não tome consciência disto (Jung, 1998).

É importante ressaltar que a psique tem função auto reguladora. A reação do inconsciente ao pensamento dirigido da consciência é a reação a atitude unilateral, que pressupõe uma inflação, pois o ego evita situações que não são agradáveis, e isso é legitimo até certo ponto, pois evita conflitos desnecessários. Contudo, se afastar demais dessa ação reguladora afeta os instintos e nos afasta de nossa capacidade criativa.

A função transcendente é criativa, é a solução não aguardada, a solução mágica, que não deve ser encontrada pela disposição egóica, mas pela colaboração da consciência com o processo de regulação inconsciente.

Para finalizar, a função transcendente tem como objetivo unir a consciência e o inconsciente. O se debruçar da consciência sobre o material fantasioso do inconsciente exige coragem. O cuidado, a confrontação e a integração dos conteúdos que deveriam ser conscientes traz a ampliação da consciência, mas com isso conflito e desistência do controle do ego.

Conforme Jung (1998):

“E mesmo quando se tem suficiente inteligência para compreender o problema, falta coragem e autoconfiança, ou a pessoa é espiritual e moralmente demasiado preguiçosa ou covarde para fazer qualquer esforço. Mas quando há os pressupostos necessários, a função transcendente constitui não apenas um complemento valioso do tratamento psicoterapêutico, como oferece também ao paciente a inestimável vantagem de poder contribuir, por seus próprios meios, com o analista, no processo de cura e, deste modo, não ficar sempre dependendo do analista e de seu saber, de maneira muitas vezes humilhante. Trata-se de uma maneira de se libertar pelo próprio esforço e encontrar a coragem de ser ele próprio.”

Imagem de capa: Reprodução

Referências Bibliográficas:

JUNG, C.G. A Dinâmica do inconsciente, Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 1998.

JUNG, C.G. Símbolos da Transformação, Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 1986.

JUNG, C.G. Tipos Psicológicos. Ed. Vozes, Petrópolis, RJ, 1991.

Eu não mudei, você que me julgou antes de me conhecer realmente

Eu não mudei, você que me julgou antes de me conhecer realmente

Só conheceremos alguém de fato após convivermos de perto, no dia-a-dia, atravessando jornadas ao seu lado, não somente em momentos prazerosos, mas, principalmente, durante tormentas e tempestades.

É muito interessante a forma como muitos de nós costumamos levantar pré-julgamentos sobre os outros antes de realmente os conhecer de fato. Baseando-nos tão somente em aparência, no que os outros nos falam, no pouco que sabemos, muitas vezes simpatizamos ou não com as pessoas, bem antes de nos aproximarmos efetivamente delas.

Não raro, acabamos, após a convivência, gostando de algumas pessoas que, a princípio, não nos tinham causado uma boa impressão, pois elas vão se mostrando alguém maravilhoso, por trás daquela aparência tímida, introvertida ou mesmo rude. Da mesma forma, o tempo acaba também por revelar um lado, de algumas pessoas, ao qual não tínhamos atentado, um lado que não nos agrada, um lado que assusta e decepciona.

Isso porque só conheceremos alguém de fato após convivermos de perto, no dia-a-dia, atravessando jornadas ao seu lado, não somente em momentos prazerosos, mas, principalmente, durante tormentas e tempestades. As convenções sociais, as regras de convivência, os ambientes de trabalho, ou até mesmo a necessidade de aceitação, impõem que as pessoas sejam mais comedidas, porém, ninguém suporta sufocar suas verdades por muito tempo e o que somos acaba aparecendo, uma ou outra hora.

Por mais que demore, as pessoas traem a si mesmas, quando teimam em agir em desacordo com o que carregam dentro de si. Aquilo que nos movimenta o respirar, aquilo que nos compõe a essência, tudo o que pulsa em nossos sentidos e que nos sustenta afetivamente não conseguirá ser oculto, abafado ou sufocado enquanto quisermos. Ninguém consegue ser feliz atuando e fingindo e mentindo vinte e quatro horas por dia. Um dia a máscara cai.

Por isso é que não podemos nos antecipar ao curso do tempo, rotulando ou tirando conclusões precipitadas sobre as pessoas, sem ao menos sabermos minimamente sobre suas vidas. Julgar sem conhecer sempre será um erro, pois as pessoas possuem muito a oferecer, de bom e de ruim, e poderemos estar sendo injustos ou ingênuos, quando nos precipitarmos e rotularmos alguém precocemente. Aguardar sempre será melhor, pois todos mostramos a que viemos, por mais que demore, por mais fingimento que carregarmos. A verdade sempre aparece.

Imagem de capa:  LightField Studios/shutterstock

Quem não é feliz sozinho, nunca será feliz a dois

Quem não é feliz sozinho, nunca será feliz a dois

Sinceramente, não sei o que te ensinaram sobre “momento a sós”, “amor próprio” e “liberdade”, mas acredite, nenhuma das definições tem seu significado aliado à solidão.

É, no mínimo, curioso analisar a forma como as pessoas se comportam diante da própria companhia. Enquanto alguns a valorizam, utilizando o tempo em prol do autoconhecimento, outros correm dela na velocidade da luz.

A maior parte das pessoas, para não dizer todas, tem uma experiência ruim de relacionamentos anteriores para contar. São histórias de traições, de abusos sentimentais, de amores não correspondidos que, além de deixarem algum tipo de bloqueio na forma de se relacionar, faz com que a solidão seja vista como um monstro destruidor de sonhos.

Chega a ser engraçado, mas as pessoas se envolvem com pessoas tóxicas, geram expectativas gigantescas e, quando frustradas, comparam todos no mesmo nível de imperfeição, como se ninguém valesse mais a pena. Entenda: melhor ser surpreendido por coisas boas, do que não correspondido com expectativas geradas.

Embora as pessoas não carreguem letreiros dizendo se são, ou não, boas companhias, há sinais que deveriam ser levados a sério: Se ela nunca respeitou limites, provavelmente, não respeitará os seus. Se ele não foi fiel a nenhuma namorada, você não será a primeira.Se ambos comportam-se como propriedades particulares um do outro, a probabilidade de conviverem em sociedade, sem ciúmes, é nula. Resumindo: apaixonar-se esperando que o outro mude, é o mesmo que querer um abdômen sarado e não gostar de treinar.

Acredito que grande parte das frustrações amorosas comece na desvalorização da própria companhia. Quando há a associação do “momento próprio” com a solidão, instaura-se um conflito interior, levando as pessoas a se sentirem inseguras e carentes. Quer a verdade nua e crua? Não é da solidão que você deveria ter medo, é de não gostar da própria companhia.
A partir do momento em que a própria companhia começa a te incomodar é sinal de que seus valores sobre amor e respeito estão distorcidos e, provavelmente, irá aceitar qualquer relacionamento que a vida te oferecer.
Gostar da própria companhia é saber que você vale muito e que “qualquer coisa” é muito pouco para você. É entender que pessoas leves, promovem relacionamentos sadios e que, pessoas neuróticas, relacionamentos abusivos.

Gostar da própria companhia é estar pronto para um relacionamento de verdade, com pessoas inteiras e dispostas. E, sobre as “metades que se completam”: esqueça. Primeiro, que todos somos inteiros e, segundo, que há coisas muito mais interessantes para se dividir do que o amor próprio.

Imagem de capa: Balaguta Evgeniya/shutterstock

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