Traição virtual é traição?

Traição virtual é traição?

A traição não é algo dos tempos modernos, sempre existiu em todas as sociedades. Sempre foi um tema abordado em filmes, livros, novelas e outras artes. Entretanto, o que é novo é a forma de traição: virtual.

Cada vez mais, tanto no consultório convencional quanto no virtual, recebo essa demanda: “Estou traindo virtualmente ou fui traída(o) virtualmente. O que fazer? É considerado traição?”

E na grande maioria das vezes, as pessoas têm dúvidas se um relacionamento extraconjugal virtual é considerado uma traição de fato ou apenas um passatempo “inocente”.

Para algumas pessoas, a resposta parece ser óbvia, entretanto percebo que para a grande maioria, a dúvida impera a ponto de engessar qualquer atitude ou decisão sobre o assunto e não é para menos.

Observo que tal dúvida seja por essas três principais circunstâncias: 1. A traição virtual é relativamente nova, comparada ás traições “convencionais”, existe há menos de 20 anos e, dessa forma, não há um exemplo de como “resolver” a situação; 2.  crença de que enquanto não houver o contato físico, não há traição consumada; e 3. A visão de que o mundo virtual existe totalmente a parte do mundo real.

 
O conceito de traição:

Em uma breve pesquisa pelo significado da palavra “Traição”, encontramos: Ação de trair alguém; perda completa da lealdade que resulta de uma ação traiçoeira.

E essa ação pode acontecer no ambiente de trabalho, social ou em relacionamentos amorosos. Entretanto, nesse texto, falemos de traição na relação afetiva.

Os principais antônimos de traição são: fidelidade e lealdade. 

Principais motivos que levam as pessoas a traírem:

1-Insatisfação com o parceiro e com a relação afetiva e sexual;
2-Busca pela sensação de perigo;
3-Monotonia da relação amorosa;
4-Procura por sensações novas;
5-Controle excessivo do parceiro (a);
6-Falta de habilidades em lidar com as dificuldades da relação;
7-Novas experiências afetivas e sexuais;
8-Ausência de objetivos comuns;
9-Falta de diálogo entre o casal.
 
Consequências da traição:

Estas são diversas, mas se dão de acordo com algumas variáveis, por exemplo: as mulheres tendem a perdoar mais facilmente por questões culturais, dependência afetiva e econômica e para preservar a família. No caso dos homens, na grande maioria das vezes, tendem a não admitirem que foram traídos, pois a sociedade aceita melhor a traição masculina que a feminina.

Entretanto, o fator relevante para as consequências é se a traição tornou-se pública ou se foi confidenciada apenas ao traído (a), nesse caso é mais fácil de se perdoar, enquanto que a pessoa traída publicamente, sente a necessidade de tomar uma atitude perante a sociedade.

 
E a traição virtual?

Diferente da traição que ocorre há milênios, onde qualquer pessoa pode dar sua opinião a respeito do assunto, a traição virtual, por ser um comportamento relativamente novo, há grandes divergências de pensamentos.

Homens e mulheres traem por diversos motivos, entretanto isso não significa necessariamente que não haja amor, mas, certamente, deixa exposto que há um problema na relação e que deve ser revisto pelo casal.

A internet acaba por ser um terreno fértil para a traição, pois permite o anonimato (pode-se criar um personagem), existe uma proteção da pessoa que trai ( deleta-se e-mails e até a outra pessoa facilmente) e, por ser virtual, a imaginação e a fantasia constroem uma relação com  a pessoa do outro lado da tela, totalmente idealizada e que jamais será alcançada num relacionamento real.

Creio que a traição virtual é um tema que deve ser conversado entre o casal. Faz-se importante saber o que os conjugues pensam a respeito do assunto.

Duas perguntas simples, mas que podem abrir para uma grande reflexão: Havendo um relacionamento virtual afetivo com outra pessoa é infidelidade? É considerado traição apenas o contato físico?

Obviamente que a traição não é uma ação adequada e muito menos a melhor forma de resolver os conflitos dos relacionamentos, entretanto não dá para fechar os olhos diante desse comportamento. Em tempos onde a internet proporciona diversos serviços e facilita relacionamentos entre as pessoas, faz-se importante pensar nesse tema.

Proponho que conversem com seus amigos, familiares, parceiros ou cônjuges, tenho certeza de que se surpreenderão com as opiniões diversas sobre esse assunto.

Imagem de capa: WilmaVdZ/shutterstock

Como preparar uma criança para a morte de alguém querido?

Como preparar uma criança para a morte de alguém querido?

Como pais, temos o dever de ensinar nossos filhos que nem tudo na vida são coisas boas e agradáveis. É preciso mostrar-lhes que também existe sofrimento, dor e morte. Para isso, é importante conhecer os processos naturais de uma criança diante da morte e as perguntas que ela se faz em cada etapa da sua infância.

As primeiras perguntas sobre a morte começam por volta dos 4 ou 5 anos de idade e ressurgem mais tarde com intensidade na pré-adolescência.

Entre 4 e 5 anos

A criança começa a se perguntar sobre a morte, mas a concebe como algo reversível, como se o morto tivesse ido viajar e pudesse voltar a qualquer momento. A morte é relacionada à doença e à dor. Junto ao medo diante da própria morte, surge a angústia pela morte/ausência dos pais, quando são eles os falecidos.

Entre 5 e 8 anos

A criança começa a compreender que a morte é um estado permanente, que algumas coisas que desapareceram simplesmente não voltarão; e se interessa por saber o que acontece com quem morre. É nesta etapa que começa a personificar a morte como monstros ou catástrofes naturais.

A partir dos 8-9 anos

A criança entende o ciclo da vida e descobre a obrigatoriedade da morte, bem como o fato de que é um processo irreversível, pelo qual ela também passará. Podem surgir aqui as perguntas sobre o sentido da vida e, se houver uma morte próxima, o temor pelo destino dos que sobreviveram.

As crianças devem participam do velório, funeral, enterro?

Os psicólogos afirmam que é a criança quem deve decidir isso. Se quiser ir, é preciso permitir. Mas jamais obrigá-la a ir.

Após a morte de alguém próximo, é preciso acompanhar e observar a criança e seus hábitos: alimentação, sono, escola, desejo de ficar sozinha etc. Se houver mudanças significativas nestas áreas, é aconselhável consultar um especialista.

Facilite o luto

Conhecer a forma como a criança concebe a morte em cada etapa da infância e usar sempre uma linguagem simples são maneiras de ajudá-la nestas circunstâncias. É preciso evitar explicações complicadas ou que estimulem fantasias equivocadas sobre a morte (de um familiar, de um animal de estimação etc.).

Alguns conselhos

– Não evite falar da morte
– Incentive a criança a expressar seus sentimentos
– Não diga mentiras nem invente histórias sobre a morte
– Responda às perguntas da criança com honestidade
– Não fale além do nível de compreensão da criança

Fonte indicada La Familia. Encontrado em Aleteia.

Imagem de capa: kikovic/shutterstock

A Raposa e o Príncipe, por Antoine de Saint-Exupéry

A Raposa e o Príncipe, por Antoine de Saint-Exupéry

E foi então que apareceu a raposa:

__Bom dia,disse a raposa.
__Bom dia,respondeu polidamente o principezinho, que se voltou,mas não viu nada. Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira…
__Quem és tu? perguntou o principezinho. Tu és bem bonita…
__Sou uma raposa, disse a raposa.
__Vem brincar comigo, propôs o principezinho. Estou tão triste…
__Eu não posso brincar contigo,disse a raposa. Não me cativaram ainda.
__Ah!desculpa, disse o principezinho. Após uma reflexão,acrescentou:
__Que quer dizer “cativar”?
__Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
__Procuro os homens,disse o principezinho. Que quer dizer “cativar”?
__Os homens, disse a raposa, têm fuzis e caçam. É bem incômodo! Criam galinhas também. É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?
__Não, disse o principezinho.Eu procuro amigos. Que quer dizer “cativar”?
__É uma coisa muito esquecida, disse a raposa. Significa “criar laços…”.
__Criar laços?
__Exatamente, disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos. E eu não tenho necessidade de ti. E tu não tens necessidade de mim. Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas. Mas se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás para mim único no mundo. E eu serei para ti única no mundo…

__Começo a compreender, disse o principezinho…Existe uma flor…eu creio que ela me cativou…
__É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra…
__Oh! Não foi na Terra, disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
__Num outro planeta?
__Sim.
__Há caçadores nesse planeta?
__Não.
__Que bom.E galinhas?
__Também não.
__Nada é perfeito, suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua ideia:
__Minha vida é monótona. Eu caço galinhas e os homens me caçam. Todas as galinhas se parecem e todos os homens se parecem também. E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música.
E depois,olha! Vês lá longe,os campos de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil.Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelos cor de ouro. Então será maravilhoso quando me tiveres cativado. O trigo,que é dourado, fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo…
A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
__Por favor…cativa-me!disse ela.
__Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisas
a conhecer.
__A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa
alguma.Compram tudo prontinho nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm mais
amigos.Se tu queres um amigo,cativa-me!
__Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.
__É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olharei para o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto…
No dia seguinte o principezinho voltou.
__Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas então,estarei inquieta e agitada:descobrirei o preço da felicidade!

Antoine de Saint-Exupéry no clássico “O Pequeno Príncipe”

A vida de um ansioso

A vida de um ansioso

Nervosismo, expectativas, preocupações. Quem sofre de ansiedade não leva uma vida fácil. Os dias e as horas demoram a passar e, às vezes, seguem um ritmo diferente das outras pessoas. Apesar de ele mesmo não ser, seja paciente com o ansioso!

Não julgue um ansioso. Ele não faz por mal. E garanto: ele gostaria de viver a vida de acordo com o relógio que as outras pessoas vivem.

É normal ficar ansioso por uma viagem, por um show ou até por uma festa. O ansioso, porém, é aquele que mesmo quando nada está acontecendo, tudo pode estar desmoronando. E, sim, ele precisa daquela resposta agora para poder salvar o mundo.

Não deixe um ansioso esperando. Não diga a ele que você tem algo para contar, mas não pode ser agora. Não o deixe quase entra em pânico ao observar aquele “escrevendo…” no Whatsapp e nada da resposta aparecer. Não peça para esperar sete dias úteis. Não se atrase. Ele com certeza começou a se arrumar uma hora antes do que precisava, justamente para não deixar ninguém esperando. O problema é que ele vai ficar pronto antes e vai ficar esperando. Não importa se forem 40 ou 10 minutos, será uma eternidade.

O ansioso já planeja a vida no primeiro dia do ano. Tem um feriadão em maio. Bom para viajar. Vou precisar começar a organizar tudo logo. Sim, ele acha que todos são iguais a ele e, portanto, não será fácil de achar vaga em hotel, nem assento disponível na janela do avião. É preciso correr! Ok, tudo pronto. Já sei até que roupa vou colocar. Só viajar. Mas espera… Vou ter que esperar todos esses meses ainda? Um verdadeiro horror!

O dia não tem apenas 24 horas quando um ansioso está esperando alguma coisa. E, às vezes, ele fica ansioso até sem ter algum evento programado, é só pelo esporte mesmo. Para o ansioso, a ansiedade é tipo um monstrinho que vai comendo seus órgãos internos um a um. Então, não julgue o ansioso. Ele só faz tudo isso, pois está ansioso para viver estes momentos com você!

contioutra.com - A vida de um ansioso

*Mariana Staudt é jornalista, ariana, apaixonada por sol, verão e praia, por viajar, por fotografar e por escrever. Sou a pessoa mais curiosa que eu conheço e tenho os pensamentos a mil quilômetros por hora.

Fonte indicada:Obvious Magazine

Claudio Naranjo: uma aula sobre a vida

Claudio Naranjo: uma aula sobre a vida

O psiquiatra chileno indicado ao Prêmio Nobel da Paz Claudio Naranjo fala sobre como a vida contemporânea influencia o desenvolvimento dos indivíduos e da sociedade. “O mundo está vivendo sem propósito em parte porque já não se crê em nada”, lamenta.

Esse material foi publicado originalmente pelo site NAMU, espaço que recomendamos sem reservas.

 Reprodução autorizada.

Sobre a alegria grandiosa de viver com alguém, por alguém, para alguém.

Sobre a alegria grandiosa de viver com alguém, por alguém, para alguém.

Viver só, caminhar sozinho por aí, ser livre para levar em frente a própria vida é bom. Eu não reclamo, não. Mas eu confesso: troco todas as benesses de viajante solitário pelos encargos e compromissos, as incumbências e obrigações de viver ao lado de alguém.

Dei de achar que do primeiro instante em que chegamos ao mundo ao segundo exato em que o deixaremos, poucos sentimentos serão tão caros, profundos e bonitos quanto o espanto de sentir amor e se saber amado por alguém.

Tenho pensado no privilégio de seguir a vida caminhando ao lado de outra vida como uma dessas coisas que acontecem a todo mundo, mas que nem todo mundo aproveita. É uma pena. Mas essas ruas vão cheias de gente incapaz de compreender a alegria imensa de viver com alguém, por alguém, para alguém.

Incapaz de entender que amar é ajudar o ser amado a ser quem ele é, e não ter posse sobre ele nem a ele entregar a própria vida, tanta gente por aí estraga e joga fora a graça de viver na companhia de quem faz valer a pena todo esforço que existe.

Eu, não. Eu ainda sonho com o amor sob a forma de uma ave rara, voando livre, circulando o céu sobre minha cabeça até pousar em minha casa do nada, disposta a mudar o rumo de tudo. Ainda sonho em respirar fundo e alçar meu voo em sua companhia, duas almas livres tratando de si mesmas e cuidando uma da outra, buscando o que fazer de bom a quem quiser e souber receber.

Viver com ela, para ela e por ela será então o exercício diário de um amor generoso e simples, gentil e trabalhador. A vida seguindo adiante em nosso dia depois do outro, nossas questões resolvidas em parceria, nossos almoços de avó, nossas conversas na cama entre um cochilo e outro. Nossa alegria se fazendo certa enquanto fazemos amor. E a beleza renascendo entre nós a cada dia, crescendo forte como os nossos filhos, sob os nossos olhos, entre os nossos braços. A beleza bem aqui e logo ali… na frente. E a beleza, a beleza…

Imagem de capa: Nadia Sobchuk/.shutterstock

6 características do sistema de ensino finlandês que fazem toda a diferença

6 características do sistema de ensino finlandês que fazem toda a diferença

Quando falamos em educação de qualidade imediatamente nos lembramos dos países nórdicos. Nos últimos anos, cada vez mais, exemplos de sucesso são listados.

Abaixo, seguem 6 pontos destacados pelo jornalista Paulo Nogueira. Para quem quiser saber mais sobre o assunto, o link para matéria completa consta no final.

1)Todas as crianças têm direito ao mesmo ensino. Não importa se é o filho do premiê ou do porteiro.

2)Todas as escolas são públicas, e oferecem, além do ensino, serviços médicos e dentários, e também comida.

3) Os professores são extraídos dos 10% mais bem colocados entre os graduados.

4) As crianças têm um professor particular disponível para casos em que necessitem de reforço.

5) Nos primeiros anos de aprendizado, as crianças não são submetidas a nenhum teste.

6) Os alunos são instados a falar mais que os professores nas salas de aula. (Nos Estados Unidos, uma pesquisa mostrou que 85% do tempo numa sala é o professor que fala.)

Os tópicos listados acima são parte da matéria: Por que o sistema de educação da Finlândia é tão reverenciado

Imagem de capa:  Michal Knitl/shutterstock

Será que a gente sabe mesmo o que diz, quando diz que quer saber a verdade?

Será que a gente sabe mesmo o que diz, quando diz que quer saber a verdade?

Que a verdade é um conceito relativo, a gente já sabe. Ou, pelo menos, já ouviu falar, certo? Que é quase humanamente impossível passar pela vida inteira sem contar umas mentirinhas, a gente também já sabe. E se não sabe, é bom começar a saber… porque pior que a mentira, só mesmo a sua prima exótica: a hipocrisia.

Hipócrita, segundo o dicionário, é aquele que demonstra uma coisa, quando sente ou pensa outra, que dissimula sua verdadeira personalidade. Aquele que oferece, quase sempre por motivos interesseiros ou por medo de assumir sua verdadeira natureza, qualidades ou sentimentos que não possui; fingido, falso, simulado.

Isso posto, podemos inferir que o hipócrita é um mentiroso com requintes de aperfeiçoamento na arte de enganar. A mentira, por si só, não se sustenta. Depende de muito esforço mental de seu mentor para continuar a ser algo remotamente palatável.

Já a dissimulação é uma artimanha sofisticada que a gente acaba comprando por um preço muito mais alto do que vale. O dissimulado é uma espécie de aranha com cérebro humano, sabe intuitivamente porque tece sua teia; mas, diferente do animalzinho de oito patas, sabe exatamente a quem pretende aprisionar.

Enquanto o ingênuo aracnídeo come qualquer coisa que tenha sido capaz de fisgar, o humano tecelão de ilusões escolhe a dedo suas presas. E, caso fique decepcionado com o sabor oferecido, descarta… sem nenhum constrangimento.

Acontece que a gente cai nas histórias mal contadas, engole as desculpas esfarrapadas e finge que acredita nas odisseias inventadas porque é muito menos trabalhoso iludir-se do que arregaçar as manguinhas de um sonho idealizado e mergulhar nas águas perigosas do mundo, em que as pessoas “juram dizer a verdade, nada mais que a verdade”.

A danadinha da realidade sem filtro é, em inúmeras situações, extremamente difícil de encarar. Ouvir a verdade requer da gente uma coragem imensa para enfrentar a experiência de dar de cara com o outro, despido das incontáveis camadas de idealização com que a gente o foi adornando, a depender do grau de nossa dependência desse personagem criado para ser feliz.

Será que a gente sabe mesmo o que diz, quando diz que quer saber a verdade? Será que a gente, no fundo, no fundo, não prefere umas mentirinhas sinceras? Será que a gente vai saber o que fazer com as revelações que exige do outro, num momento de impulsiva independência e bravata?

O que talvez a gente não saiba, ou finge não saber… é que mentiras ou “meias verdades” são como pedaços de cortiça no fundo de um lago: assim que a gente se distrair e esquecer de segurá-las, elas virão à tona.

Quer você tenha dado à vida um ultimato, quer você ande fazendo ouvidos moucos às insinuações do destino, é bom que você entenda que quanto mais tempo você agasalhar uma ilusão, mais frio vai sentir quando ela finalmente resolver ficar nua bem na sua frente. A escolha, como sempre, é completamente sua… completamente sua.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Foi apenas um sonho”.

3 séries psicológicas encontradas na Netflix e que te farão pensar fora da caixinha.

3 séries psicológicas encontradas na Netflix e que te farão pensar fora da caixinha.

Temas polêmicos e tabus. Situações inusitadas. Perspectivas diferentes sobre assuntos que aparentemente poderiam ser banais, mas não são!

As séries selecionadas abaixo trazem momentos de sensibilidade, mas também de forte impacto.

Segue uma lista para quem não tem medo de pensar fora da caixinha. Mas, ressalvo, a primeira e a segunda dicas também precisam de tolerância a cenas fortes. (Observar indicação etária).

Quer mais dicas? Já abra também: 3 opções Netflix que podem te arrebatar ainda hoje.

Black Mirror

Com capítulos independentes e temáticas variadas, a única certeza dessa série é, no final de cada episódio, em frente a televisão, tornar-se um telespectador embasbacado e mexido por sentimentos que vão de asco, inquietação ou até repúdio. Embora pareça ruim, Black Mirror trabalha com um constante “choque de realidade” e crítica absoluta a sociedade contemporânea e suas irracionalidades.

contioutra.com - 3 séries psicológicas encontradas na Netflix e que te farão pensar fora da caixinha.

13 Reasons why

Uma caixa de sapatos é enviada para Clay por Hannah. O jovem se surpreende ao ver o remetente, pois Hannah acabara de se suicidar. Dentro da caixa, há várias fitas cassete, onde a jovem lista os 13 motivos que a levaram a interromper sua vida – além de instruções para elas serem passadas entre os demais envolvidos. (adoro cinema)

Impactante por tratar da temática do suicídio trazendo a perspectiva das pessoas envolvidas. Mostra como a situação evolui e as consequências do ato.

contioutra.com - 3 séries psicológicas encontradas na Netflix e que te farão pensar fora da caixinha.

Atypical

Sam é um jovem autista de 18 anos que está em busca de sua própria independência. Nesta jornada, repleta de desafios, mas que rende algumas risadas, ele e sua família aprendem a lidar com as dificuldades da vida e descobrem que o significado de “ser um pessoa normal” não é tão óbvio assim. (adoro cinema)

Uma série perfeita para quem reproduz preconceitos sem refletir sobre o funcionamento intelectual e emocional de uma pessoa que, por alguma razão, é diferente de nós.

É uma série mais leve que as duas primeiras, mas apaixonante pela dinâmica familiar, processo de inclusão escolar, apresentação do protagonista na adolescência e crítica aos esteriótipos. (além, claro, de ser muito engraçada).

contioutra.com - 3 séries psicológicas encontradas na Netflix e que te farão pensar fora da caixinha.

A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser

A insustentável leveza do ser é umas das obras mais filosóficas da literatura mundial e, sem a menor sombra de dúvida, um clássico. A discussão proposta por Kundera nos deixa sem reação em um primeiro momento, pois essa ambivalência entre a leveza e o peso, talvez, seja a maior incógnita da nossa vida.

Na contemporaneidade, a leveza, ou seja, a ideia de ser livre ganhou destaque. Estar na moda é ser livre, é viver de forma desprendida em relação ao que nos circunda. A liberdade passou a ser vangloriada como uma grande virtude, a virtude daqueles que sabem voar.

Mas será que a leveza é mesmo uma virtude? A felicidade está imbricada à liberdade? O ser leve é aquele que não cria vínculos, não carrega malas, pois os vínculos trazem pesos que o impedem de flutuar pela vida. Para o ser leve não há quem lhe diga o que fazer ou não fazer, o certo ou errado; é livre para expor seus pensamentos, sentimentos e desejos.

O ser leve dança com destreza, ri da vida, afinal, não existe algo que o prenda, que o impeça de falar e de fazer o que lhe apetece. Por isso, a leveza era vista por Parmênides (filósofo grego) como positiva. O ser só é completo, quando possui a liberdade para ser o seu eu sem restrições, sem peso.

Assim, a leveza é vista de forma positiva, como uma espécie de ser lúdico que passeia pela vida. De fato, é preciso ter leveza para sonhar, enxergar o inimaginável, arriscar, experimentar. Pois,

“Pelo fato de a vida ser, relativamente, tão curta e não comportar “reprises”, para emendarmos nossos erros, somos forçados a agir, na maior parte das vezes, por impulsos, em especial nos atos que tendem a determinar nosso futuro.”

Se olhado sob essa perspectiva, o peso é negativo (era assim que Parmênides o via). Entretanto, o que é a vida, senão um caminhar de mãos dadas? O peso vem quando nos relacionamos, mais que isso, quando nos permitimos ser tocados. O peso está em tudo o que nos move, nos liga. O peso é a voz do outro que ecoa dentro de nós.

O peso nos faz terrenos, fracos, impedindo-nos, muitas vezes, de fazer, de dizer. Mas é esse mesmo peso que nos aproxima dos outros, do ser amado, e dá sentido à vida. O peso nos aproxima do chão, permite que olhemos nos olhos do outro e possamos sentir a dor que o aflige.

“Mesmo nossa própria dor não é tão pesada como a dor co-sentida com outro, pelo outro, no lugar do outro, multiplicada pela imaginação, prolongada em centenas de ecos”

O amor, assim, está no campo do peso. Tudo o que amamos nos traz um peso, já que, quando amamos algo, destinamos uma força enorme para segurá-lo. Não somente uma pessoa, mas também uma causa, à qual nós nos dedicamos tanto, que é impossível viver sem a sua existência.

O peso nos dá sentido e nos guia na neblina. Mas, como peso, traz consequências negativas: choro, tristeza, e, por vezes, prende-nos, sufoca-nos, como num beco sem saída. Dessa forma, qual o melhor caminho?

“Quanto mais pesado o fardo, mais próxima da terra está a nossa vida, e mais ela é real e verdadeira. Por outro lado, a ausência total de fardo faz com que o ser humano se torne mais leve do que o ar, com que ele voe, se distancie da terra, do ser terrestre, faz com que ele se torne semi-real, que seus movimentos sejam tão livres quanto insignificantes. Então, o que escolher? O peso ou a leveza?”

A leveza, por si só, torna-se insustentável, pois, à medida que nos elevamos, uma responsabilidade nos é colocada (e responsabilidades tiram a leveza). A responsabilidade de ser livre impõe decisões sem nenhum apoio, sem nenhuma ajuda, sem importância aos outros.

O peso, por sua vez, nos faz terrenos, dramáticos, necessários, importantes. Como já dito, é preciso sonhar e arriscar, isto é, ser leve. Mas é preciso ser importante, fazer com que alguém te porte para dentro (importe) e divida a dor que faz parte da vida.

A leveza e o peso são contraditórios e complementares. A vida necessita dos dois. A leveza para voar, sonhar, rir; o peso para amar, importar, chorar. Pois, como diz Machado:

“Enquanto uma chora, outra ri; é a lei do mundo, meu rico senhor; é a perfeição universal. Tudo chorando seria monótono, tudo rindo cansativo; mas uma boa distribuição de lágrimas e polcas, soluços e sarabandas, acaba por trazer à alma do mundo a variedade necessária, e faz-se o equilíbrio da vida.”

***

Quer saber mais sobre o livro?

A insustentável leveza do ser- Sinopse

Lançado em 1982, este romance foi logo traduzido para mais de trinta línguas e editado em inúmeros países. Hoje, tantos anos depois de sua publicação, ele ocupa um lugar próprio na história das literaturas universais: é um livro em que o desenvolvimento dos enredos erótico-amorosos conjuga-se com extrema felicidade à descrição de um tempo histórico politicamente opressivo e à reflexão sobre a existência humana como um enigma que resiste à decifração o que lhe dá um interesse sempre renovado.

Quatro personagens protagonizam essa história: Tereza e Tomas,Sabina e Franz. Por força de suas escolhas ou por interferência do acaso, cada um deles experimenta, à sua maneira, o peso insustentável que baliza a vida, esse permanente exercício de reconhecer a opressão e de tentar amenizá-la.

Imagem de capa: Reprodução

10 pequenas histórias de amor que te farão pensar, sorrir e chorar (Parte 2)

10 pequenas histórias de amor que te farão pensar, sorrir e chorar (Parte 2)

Link para as 10 primeiras histórias- Parte 1

São histórias que não só fazem pensar, mas que aquecem nossos corações e nos fazem sorrir.

Esperamos que elas façam o mesmo por você.

11. Minha cachorra da raça labrador tem 21 anos. Ela mal consegue ficar em pé, não pode ver, não pode ouvir, e não tem força suficiente para latir. Mas isso não a impede de abanar o rabo enlouquecidamente cada vez que eu entrar na sala. MMT

12. Hoje eu e meu marido completamos 10 anos de casados. Recentemente, por contenção de gastos, nós optamos não comprar presentes. Entretanto, quando acordei essa manhã, encontrei flores selvagens arranjadas por toda a casa. Penso que, no total, eram mais de 400 flores. Todas foram colhidas por ele e sem gastar um centavo. MMT

13. Hoje, meu namorado do ensino médio, que eu pensei que nunca veria outra vez, me mostrou as fotos de nós dois. Ele as manteve em seu capacete do exército enquanto estava no exterior durante nos últimos 8 anos. MMT

14. Tanto minha avó de 88 anos quanto sua gatinha de 17 anos estão cegas. Minha avó possui um cão-guia que a leva onde precisa. Mas, ultimamente, ele passou a guiar a gatinha também. Quando ela começa a miar, o cão-guia encosta na gatinha e ela passa a segui-lo até a sua comida, caixa de areia ou mesmo para o lado da casa onde ela tira uma sesta. MMT

15- Há poucos dias, da janela da minha casa, assisti horrorizada a meu filho de 2 anos cair na parte funda da piscina. Incrivelmente, antes que eu pudesse reagir, nosso labrador, Rex, saltou atrás dele, agarrou-o pelo colarinho da camisa, e o puxou para a parte rasa onde ele conseguia se virar. MMT

16- Hoje, pela 16a. vez, meu irmão doou células de medula óssea para ajudar a tratar o meu câncer.  Há pouco meu médico me informou que o tratamento parece estar funcionando. “As células cancerosas têm sido drasticamente reduzido nos últimos meses.” MMT

17.Outro dia eu estava voltando para casa com o meu avô quando, de repente, ele fez uma súbita inversão de marcha e disse: “Eu esqueci de pegar flores para sua avó. Eu vou parar no florista. Só vai levar um segundo.” O que há de tão especial no dia de hoje, que você tem que comprar suas flores?”, perguntei. “Não há nada de especial especificamente hoje”, meu avô disse. “Cada dia é especial. Sua avó adora flores. Elas colocaram um sorriso em seu rosto.” MMT

18. Hoje, eu reli a carta de suicídio que eu escrevi, na tarde de 02 de setembro de 1996, cerca de dois minutos antes de minha namorada aparecer na minha porta e me dizer: “Eu estou grávida.” De repente, eu senti que tinha uma razão para viver. Hoje ela é minha esposa. Estamos casados desde então, e a minha filha, que já tem quase 15 anos, é a mais velha com 2 irmãos mais novos. Tenho relido a minha carta de suicídio ao longo do tempo como um lembrete para ser grato – Eu sou grato porque tive uma segunda chance na vida e no amor. MMT

19. Após um longo período de internação, voltei a escolha. Tenho cicatrizes e queimaduras no rosto sofridas em um incêndio na minha casa. Hoje, e todos os dias nos últimos dois meses, tenho encontrado uma rosa vermelha junto ao meu armário. Eu não tenho ideia de quem chega mais cedo na escola e a deixa para mim, mas ela sempre está lá. MMT

20. Hoje foi o aniversário de 10 anos do falecimento de meu pai. Quando eu era criança, ele costumava cantarolar uma melodia curta enquanto eu estava indo dormir. Quando eu tinha 18 anos, enquanto ele descansava em sua luta contra o câncer em uma cama de hospital, os papéis foram invertidos e eu cantarolava a melodia para ele. Eu não ouvia essa melodia há anos. Ontem, entretanto, meu noivo  começou a cantarola-la para mim. Segundo ele, sua mãe costumava canta-la para ele quando ele era um garoto. MMT

Imagem de capa:  Maria Okolnichnikova/shutterstock

Via: Marc and Angel Hack life , Traduzido e adaptado por Josie Conti

Do origina: 60 Tiny Love Stories to Make You Smile

Você já quis fugir de tudo?

Você já quis fugir de tudo?

Algo tem me consumido. Uma vontade louca de ir-me ao ermo, lançar-me à rua como quem lança panfletos, como quem grita verdades, ainda que ninguém escute.  De espalhar-me por aí, como que não tivesse pecados e levinho, levinho, seguisse com o vento, bandeando-se para qualquer lado.

Queria dividir-me por aí como quem já não se cabe mais, tem de si a contento. Tornei-me pequeno pra mim mesmo. Queria envolver-me em um papel bonito e enviar-me de presente pra todos os meus amigos. Tornei-me grande demais para caber nos meus sonhos.

E assim fico, batendo a porta da rua e voltando. Esqueci o embrulho, esqueci o lixo, esqueci a lista, esqueci o agasalho e eis, que de esquecimento em esquecimento, fazendo a porta da rua de leque, nunca saio. Há sempre algo minúsculo me prendendo.

Quartas não são dias bons para ir, tardes tarde demais para ir, o mar longe demais pra alcançar, ainda que ele também se estire em minha direção. E assim, algo tem me consumido. O que é mesmo que me prende aqui? Porque não deixo a porta escancarada e saio, deixando para dentro todos os esquecimentos? Porque não lanço-me para cima como uma pilha de cartas sorteadas no programa da TV de domingo?

Paro por um segundo, só decidindo que direção seguir, só me perguntando-me pra onde quero ir. Direita ou esquerda? Já fora do portão. E então me lembro que foi aqui o lugar em que sempre quis estar. Foi para cá que eu fugi. Algo tem me consumido. Não sei o que se faz da vida depois que se é feliz. Como um cão atônito ao ver o carro que perseguia simplesmente parar.

Crônica: Ermo
Diego Engenho Novo
Imagem de capa: frankie’s/shutterstock

O cansaço mental

O cansaço mental

Por

Graças a nossa poderosa mente pensamos, sonhamos, criamos, projetamos, associamos ideias, desenhamos, planejamos, geramos expectativas, imaginamos e recordamos. O pensamento pode ser benéfico ou nocivo, positivo ou negativo, necessário ou inútil, insípido ou criativo, elevado e sublime ou destruidor e desagregador. Muitos pensamentos são desnecessários. Alguns surgem como tempestades que nos açoitam. Se não administramos bem toda a atividade da nossa mente, o cansaço mental se torna nosso companheiro inseparável.

É uma fadiga que provoca dispersão, preguiça, falta de atenção e de clareza; além disso, diminui nossa capacidade resolutiva. Por outro lado, quando inspirada e motivada, a mente nos revitaliza e gera pensamentos criativos que despertam energia e força. Num estado criativo, os pensamentos são práticos, poéticos e manifestam beleza. A mente está aberta e pode ver o extraordinário no que aparentemente é banal.

Infelizmente, esse estado mental não costuma durar muito. Acabamos por afundar numa atividade mental estéril e esgotante. Cada pessoa gera cerca de 50.000 pensamentos por dia, muitos dos quais repetitivos e mecânicos. Outras vezes dá voltas e mais voltas ao redor de coisas que não podem ser mudadas. São pensamentos normalmente referentes ao passado. Não levam a lugar nenhum e esgotam.

Quando se vive em uma linha de pensamentos desnecessários e debilitantes, faz bem levantar algumas questões que ajudem a desativar esse mecanismo repetitivo e levem a uma reflexão mais produtiva e estimulante. Por exemplo, o que motiva a pensar no que se está pensando? O primeiro passo é encontrar o propósito, porque isso permite perceber a inutilidade desse pensamento e mudar de rumo.

Outra prática aconselhável é tentar não usar em demasia os verbos no condicional, tanto no passado quanto no futuro. Por exemplo: “Se estivesse aí naquele momento, essa desgraça não teria acontecido”. “Se tivesse tido a tempo essa informação, teria vencido o caso.” “Quando tiver o diploma serei mais respeitado pelo chefe.” “Quando mudar, ficarei melhor”. Como o passado já foi, e o futuro ainda está por vir, esse tipo de pensamento não é útil, enfraquece e exaure. É tão importante aprender a transformar como a não criar esses pensamentos sobre temas que não podemos mudar ou não dependem de nós para que mudem. Dessa maneira se mantém mais a concentração e se tem mais clareza para tomar as decisões certas.

Não se trata de deixar a mente em branco, mas sim de gerar pensamentos positivos, criativos, inspiradores, benéficos. Dessa forma se consegue um espaço mental fértil. Pensar positivamente não é negar a realidade, mas ser capaz de ver os problemas e ter a criatividade mental para conseguir soluções sem se obcecar nem se ofuscar. As reflexões positivas fortalecem e revitalizam a mente. Costumam ser pensamentos que se baseiam em valores e em apreciar e agradecer pelo que se é e se tem. Uma mente agradecida é uma mente descansada.

Outro aspecto que esgota é nossa extraordinária capacidade de planejar: reuniões, encontros, ações, lugares, horários… Quando as coisas acontecem em sucessão conforme os planos, as pessoas ficam mais tranquilas que quando os imprevistos atrapalham os planos. Quem se aferra a seu plano deixa de perceber os sinais que a hora ou as pessoas dão e quer que a realidade se amolde a suas ideias, em vez do contrário. Ao forçar, ficamos cansados. Às vezes nosso corpo pede por descanso, mas como o plano era outro, forçamo-nos a cumpri-lo.

Em uma sessão de coaching, uma mulher explicava como se obrigava a executar os planos que fizera e os compromissos marcados, forçando-se a cumprir os horários impostos por outras pessoas importantes para ela.Mesmo ciente de que deveria parar, sua mente a fazia prosseguir. Sem parar nem respirar conscientemente nem ouvir. Estava mentalmente esgotada. Às vezes planejamos algo, mas quando chega a hora sentimos que não é o momento, ou não é o nosso momento. É importante parar por alguns minutos para repensar. Esse intervalo cria um espaço mental para abrir um parêntese, enxergar e decidir com mais clareza.

Às vezes o cansaço mental surge das lutas internas entre o que gostaríamos que fosse e o que é, entre falar e se calar, sair ou ficar, entre as decisões tomadas e o que na realidade é feito. Precisamos incorporar práticas para entender de onde surgem tantos pensamentos estéreis, para ouvir e silenciar os ruídos mentais.

Exercitar a mente com pensamentos criativos revitaliza. É como quando se faz exercício físico. Caminhar, correr, nadar ou jogar tênis nos energiza, e se nos cansamos, sentimos que é um cansaço sadio. Por outro lado, se ficamos em pé meia hora sem nos movermos, terminamos mais cansados do que se tivéssemos passado esse tempo caminhando. Acontece algo parecido com a mente: se ela está “parada”, dando voltas num mesmo assunto, ela se esgota mais que quando avança com pensamentos inspiradores, que abrem novos horizontes.

O que se pode fazer para que nosso pensamento seja mais inspirador e revigorante e combater o cansaço mental? Cultivar o pensamento criativo, reflexivo e claro. Como? Por exemplo, fazendo uma viagem a um ambiente natural e observar. Olhar o horizonte que une mar e céu em uma praia; sentir a umidade do solo ou desfrutar das cores das folhas e dos ruídos da natureza em uma montanha. Assim é mais fácil que a mente se acalme.

São situações que ajudam a conter a atividade mental durante alguns minutos e descansar. Trata-se de visualizar um espaço que ajude a renovar o discernimento.

Em um mundo saturado de informações e conversas que provocam ruído mental, emocional e físico, é necessário cultivar espaços internos de silêncio para ficar centrado. Um silêncio criativo, contemplativo e produtivo. Ou seja, que gere positividade e bem-estar, comunicação e sentido e uma quietude na qual o pensamento transformador é gestado. Ainda que estejamos em um entorno ruidoso, podemos criar pensamentos inspiradores assim como quando estamos rodeados de natureza.

Temos a capacidade de criar as reflexões que queremos. Precisamos utilizá-las com mais frequência. Para isso, deve-se controlar a mente, dirigi-la e manter a atenção centrada. Se alguém fica preso em seus próprios pensamentos, não terá poder sobre eles. Quando, observando-os, consegue-se separar-se deles, abre-se espaço, assume-se o controle e pode-se canalizá-los na direção que se quiser.

Para ter poder sobre algo deve-se ver de certa distância. Ao observar um quadro, se colamos o nariz a ele, não vemos mais do que um pedacinho borrado. Se nos distanciamos, podemos abarcá-lo em sua totalidade. Na prática de meditação aconselha-se simplesmente a observar os pensamentos e deixá-los passar. Chega um momento em que a pessoa se dá conta de que são uma criação mental, um filme, que é possível deixar de criar e de acompanhar. Ao conseguir esse domínio, nos conectamos com um estado de calma e clareza que permite criar os discernimentos de qualidade que queremos. Uma boa meditação revitaliza, nos enche de energia, varre a mente de reflexões desnecessárias e abre espaço para a inovação e a renovação mental.

Fonte: El País

Imagem de capa: Jo karen/shutterstock

Dependência Afetiva

Dependência Afetiva

Por Rosana Ribeiro-  Psicóloga Clínica

Uma pessoa é dependente afetivamente quando sua autonomia está prejudicada, quando precisa de algo ou alguém para se sentir segura e tranquila, nas mais diferentes decisões em sua vida, desde as mais simples como que roupa vai usar, ou, até as mais difíceis, como que profissão escolher, se muda de emprego ou não, se continua namorando ou não, se casa ou não, enfim, em diversas situações.

Todos precisamos de uma opinião, em algum momento, a diferença está quando você depende realmente dessa opinião e não consegue seguir o seu objetivo se não for aprovado.

A dependência entra na vida da pessoa como uma muleta, para ser amparada, ocupa um espaço vazio. Ela pode ser de uma pessoa específica, para lhe dizer o que precisa ser feito ou uma droga, um vício, uma atitude de carinho excessiva.

Na verdade, essas pessoas ou objetos têm uma única função para o dependente afetivo: dar a sensação de segurança que precisa para suportar problemas, tensões e dificuldades pessoais ou sociais. A questão é que a segurança não está nas relações que fazemos, não é algo que vem de fora, é algo que existe ou não dentro de nós. Nossa segurança e autoestima são os reguladores de nossa maturidade emocional, no caso do dependente emocional, elas estão prejudicadas.

Nascemos dependentes e ao longo de nosso desenvolvimento humano nos tornamos independentes, o vínculo criado entre os pais, vai dando lugar ao aprendizado e o crescimento emocional, quando isso não acontece, o indivíduo se torna dependente emocional da mãe, cônjuge, amigos ou qualquer pessoa que possa suprir esse vazio. Levy Moreno diz que toda a saúde e doença emocional nasce nas relações, ou seja, são aprendidas durante o desenvolvimento através dos modelos que recebemos, primeiro por nossa família de origem, em segundo, através das demais relações que vivenciamos durante a vida.

Aprendemos a nos relacionar com o mundo pelas regras que recebemos em nossa família. A dependência afetiva, muitas vezes, nasce e é sustentada por problemas no sistema familiar, pelos conflitos pessoais.

Ninguém é dependente sozinho, DEPENDÊNCIA AFETIVA é uma via de mão dupla, se uma criança é dependente afetivamente da mãe, com certeza, a mãe também o é, ambos alimentam essa relação.

A família é quem estimula e acredita em seu potencial, ajudando-a a ter a certeza que conseguirá superar suas dificuldades. Dessa relação, nasce a autoestima e a sensação de segurança pessoal.

Todo o ser humano nasce com uma capacidade de cuidar de si, um potencial que precisa ser estimulado, se não recebe esse estímulo, torna-se dependente. Na prática, acabam por não confiarem em si mesmas e em seu valor pessoal, deixam de oferecer o seu melhor na vida, no trabalho e em seus relacionamentos.

Quando crianças aprendemos com nossos pais a termos responsabilidades e a superar frustrações, isso é realizado através dos limites e das responsabilidades impostas por eles, uma falha nesse processo, podemos modificar nossa condição inata.

Fonte indicada: Psicofaces

Imagem de capa: Dmytro Zinkevych/shutterstock

 

INDICADOS