Patrimônio sagrado

Patrimônio sagrado

Eu já não chamo vocês de empregados, pois o empregado não sabe o que seu patrão faz; eu chamo vocês de amigos, porque eu comuniquei a vocês tudo o que ouvi de meu Pai.
João:15;15

Achei muito interessante a colocação do professor e psicanalista, Gilberto Safra, de que os amigos guardam a nossa memória; são guardiões do nosso Ser.

Concordo, plenamente! Quantas vezes, surpreendemo-nos com a fala de um(a) amigo (a) de infância, que relata um acontecimento onde estávamos presentes e de que não nos lembrávamos mais? Como é bom! Resgatamos, ganhamos de volta algo precioso sobre nós e que havíamos perdido.

Porém, no dia a dia, vivendo tão preocupados com as tarefas assumidas, não há tempo para uma conversa, no meio da tarde, com as pessoas que amamos. Postergamos esses momentos para quando tivermos um pouco mais de folga. No entanto, somos guardadores de inúmeros rebanhos de memórias de pessoas queridas e, se não as narramos ou não damos a devida escuta à fala do outro, quando uma delas vem a falecer ou se distancia, é que percebemos a perda desses patrimônios vividos.

Posso dizer que tenho uma experiência triste a esse respeito.

Após um tempo da morte de meu pai, arrumando alguns de seus documentos, a frustração foi enorme ao constatar que o conheci tão pouco… Muitas perguntas ficaram no vazio… Quais eram seus sonhos, seus medos, suas alegrias… Quem era esse homem que me carregou no colo e que foi o meu chão por tantos anos?

Sei quando ele nasceu, porém não sei quais eram as circunstâncias em que seus pais viviam; sei que se casou com minha mãe, que teve quatro filhos, entretanto não sei o que ele pensou naquele exato momento em que viemos ao mundo.

E assim acontece com aquelas pessoas amigas que conviveram ou convivem conosco e com as quais pouco conversamos.

Tenho saudades dos diários que escrevi, das cartas de amor que mandei, dos bilhetinhos deixados nas casas de minhas amigas, dos álbuns que trocávamos umas com as outras, para que se deixasse escrito algo sobre nós, acrescido por uma bela poesia.

Porém, quase mais nada existe! As cartas, queimei-as; os diários, num determinado momento, pareceram infantis, rasguei-os e joguei fora; o álbum, felizmente, tenho guardado com muito carinho.

Crescer tem dessas bobeiras! Acreditamos que a primazia tem de ser a racionalidade, o afeto é coisa pequena e, assim, não mais o valorizamos.

Iniciei, recentemente, um diário e quero nele marcar todos os momentos vividos e os sentimentos que me acompanham.

Que insensatez seria deixar passar sem registro certos tesouros!

Como não registrar o céu azul deste mês de maio, a lua cheia que despontou toda orgulhosa nesta noite? E que bem cedinho ela ainda permanecia no alto, com toda a sua majestade?

A vida é bela, os amigos são valiosos e não quero ficar impassível frente a esses patrimônios .

Assim me decidi…

Imagem de capa:  Vasilyev Alexandr/shutterstock

As feridas de uma criança que sofreu violência física e/ou emocional

As feridas de uma criança que sofreu violência física e/ou emocional

Por Lilian Marin Zucchelli e Marcela Alice Bianco

“Um simples barulho diferente no portão era motivo para que o coração acelerasse. Para que a boca ficasse seca e as mãos trêmulas. Os pensamentos percorriam as memórias do passado e lá encontravam cenas de medo, agressão, descontrole e terror. Era possível ainda ver os olhos daquele que deveria proteger, embebidos na raiva e na frustração. Era possível ainda ouvir no coração as palavras rudes, cruéis e descontroladas ecoando pelas paredes dos cômodos da casa. Era possível sentir o vento da cinta saindo para fora do passador da calça em direção ao pequenino corpo. Sentir o tapa, a força das mãos, o verdadeiro mal que saía pelos poros daquele que deveria cuidar. Quando não estava possuído por tal gênio, era bom, calmo, confiável. Mas, quando estava dominado por algo que, talvez nem mesmo ele conhecesse o nome e a origem, aí era possível sentir a vida por um fio. Impossível não chorar, impossível não temer. Era briga de poder para qual ainda não se tinha tamanho para enfrentar. Só restava esperar, que o barulho do portão fosse daqueles dias calmos e silenciosos. Só restava esperar que não fosse preciso ficar quietinha para não cutucar o gênio mal. Só restava sentir que havia uma única fagulha de controle sobre a próxima cena. Prever, antecipar, suportar a ansiedade, se esconder nas veredas da fantasia… esperar passar o tempo… para poder crescer e se transformar numa pessoa boa e capaz de não repetir a história”.

(Memórias de uma vítima da violência na infância)

Um documento divulgado pela UNICEF em 2014 sobre a violência infantil, intitulado “Ocultos a plena luz: uma análise estatística sobre a violência contra as crianças” (traduzido) revelou sérias informações sobre a questão dos maus tratos e dos abusos contra menores.

Entre os alarmantes resultados deste levantamento temos que, 06 em cada 10 crianças pelo mundo sofrem castigos corporais regularmente pelas mãos de seus cuidadores. Além disso, 1 em cada 3 estudantes entre 13 e 15 anos sofrem com atos de intimidação constantes e 1 a cada 3 adolescentes entre 15 e 19 anos ao redor do planeta (84 milhões) já foram vítimas de algum tipo de violência emocional, física e/ou sexual.

O relatório enfatiza que, independentemente do tipo de violência que tenham sofrido ou das circunstâncias em que ocorreram, a maioria das vítimas permanece em silêncio e não busca ajuda.

Tristes consequências de um ciclo de violência que assola as vidas de crianças, jovens e de famílias por todo nosso mundo e que se perpetua devido a repetição de um padrão patriarcal negativo, embasado na punição e no abuso do poder, em detrimento da afetividade e do controle emocional.

A violência não é só física! Bater em uma criança é um ato de covardia. É bater em alguém que não tem a mesma força para se defender e por isso fica humilhado e rendido. O adulto abusa do “poder” que ele acredita exercer diante de uma criança indefesa e sem força de reação adequada para impor-se contra quem “manda” na relação.

Mas, não é só a violência física que machuca. Palavras e atitudes podem ferir muito mais e, mais profundamente. Podem causar danos irreversíveis no desenvolvimento da personalidade de uma criança. Menosprezar, xingar, humilhar, ignorar, imprimir medo, coagir, negligenciar (seja a própria criança ou outro membro da família) é tão violento quanto uma surra de cinta. Não deixa marcas visíveis, mas fere a alma, a autoestima e autoconfiança.

Quando, por exemplo, um pai ou mãe chama seu (sua) filho (a) de burro (a) porque não está indo bem na escola, só está fazendo com que ele (a) acredite que realmente é burro (a), incapaz e que nunca irá conseguir aprender nem fazer nada certo na vida. A criança acredita, pois, os pais são seu primeiro contato com o mundo. São as pessoas em quem ela deveria confiar, se espelhar e de quem deveria receber carinho. Nós nascemos totalmente dependentes do mundo que nos cerca, vivenciamos o mundo e aprendemos sobre através das relações com nossos pais e cuidadores e, assim, vamos nos desenvolvendo e adquirindo (ou não) recursos próprios para enfrentar a vida adulta.

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Colocar a criança em situação humilhante, menosprezá-la ou tratá-la com desdém certamente provocará danos tão brutais quanto o uso da violência física. A violência não ensina a criança os motivos pelos quais deve apresentar um comportamento esperado. Ela só ensina a criança a ter medo das reações agressivas do adulto e, portanto, a obedecer para evitar que o trauma se repita novamente.

A violência psicológica faz com que a pessoa se sinta desvalorizada e diminuída perante os outros. Crianças que sofreram abusos psicológicos podem desenvolver inúmeros problemas de saúde física e emocional e que podem se estender para a vida adulta: baixa autoestima, sintomas de ansiedade, depressão, instabilidade emocional, chupar dedo, gagueira, enurese noturna, transtornos alimentares, uso de drogas, problemas em controlar impulsos e raiva, comportamentos antissociais e até pensamentos suicidas.

Segundo James Hollis, “quando a criança é oprimida, ela vivencia a imensidão do Outro jorrando através de frágeis fronteiras. Por não possuir o poder de escolher outras circunstâncias de vida, por não possuir nem a objetividade de identificar a natureza do problema como Outro, e por não possuir os elementos necessários a uma experiência comparativa, a criança reage de forma defensiva, tornando-se sensível ao ambiente e “escolhendo” a passividade, a co-dependência ou a compulsividade para proteger o frágil território psíquico. A criança aprende variadas formas de acomodação, pois a vida é vista como inerentemente opressiva para um eu relativamente impotente”.

Assim, quando vítima do abandono e do carinho insuficiente, a criança poderá passar toda a vida em busca de um modelo mais positivo e protetivo para se relacionar. Pode sentir o mundo como um lugar inseguro e permanecer presa num padrão ansioso e inseguro diante de tudo e de todos.

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A criatividade, as vias saudáveis para a obtenção de afeto e prazer podem permanecer bloqueadas, determinando a personalidade durante a infância e por toda a vida adulta. Reflexos das primeiras experiências traumáticas sem elaboração e resolução que permanecem fazendo refém a criança interior.

A vivência do descontrole emocional dos adultos com que convive, não ajuda a criança a aprender a regular seus próprios afetos e reações. De acordo com Sauaia, “é frequente que experiências traumáticas rompam limites e causem sintomas como: hipersensibilidade a som, luz ou toque; sensação de estar sem pele; falta de habilidade para filtrar estímulos; descrições de estar “vazando” ou “sendo invadida”; tendência a ser vítima novamente e vulnerabilidade a mais traumas”.

Assim, quando adultas, essas crianças feridas poderão acabar se engajando em relacionamentos que reproduzam o mesmo padrão disfuncional da infância, repetindo o ciclo de abuso e violência compulsivamente. E nessas relações poderão se tornar adultos violentos e abusadores. Portanto, crianças maltratadas poderão se tornar pais que maltratarão seus filhos.

Ou seja, o adulto vive, inconscientemente, reflexos do passado. Sua personalidade e forma de viver e se relacionar com o mundo ressoarão as experiências positivas ou negativas vividas na infância, especialmente através do relacionamento com os pais e cuidadores.

Na experiência da violência infantil a criança vê sair do armário e de debaixo da sua cama o verdadeiro Bicho-Papão na figura assombrosa dos seus cuidadores e protetores. E se, nem eles poderão protegê-la, a quem caberá tal grande tarefa?

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Pesa aqui o enorme papel social que nós todos temos em relação às nossas crianças! Seja através da educação, das denúncias e de toda e qualquer tentativa de assegurar os direitos da infância e da adolescência garantidos pela lei, é necessário romper com os duros ciclos de abuso de poder e punição.

 

Precisamos encontrar saídas baseadas na ótica da empatia, do afeto e do cuidado. E começar a cuidar, não só daqueles que sofrem com as agressões, mas também dos agressores e cuidadores ineficientes.

Segundo o Psiquiatra Junguiano Carlos Byington, “o modelo vivencial de formação da identidade no início da vida, baseado nas vivências e relações emocionais primárias, pode ser visto como o meio mais fecundo de aprendizado durante toda a existência”.

Dentro da perspectiva simbólica proposta por ele, todos os aspectos da nossa vida possuem uma função estruturante para o nosso processo de individuação. Assim, cada função pode se desenvolver tanto na sua polaridade positiva, corroborando para a ampliação da consciência, quanto negativa, fixando-se no inconsciente e manifestando-se de maneira destrutiva, sombria e descontrolada.

O poder no seu aspecto destrutivo, perpetua a violência, a insegurança e a desorganização psíquica. Porém, no seu aspecto positivo e construtivo, auxilia no estabelecimento de limites, oferece contorno e segurança à criança que pode então ter uma base de hierarquia, ordem, organização e respeito que levará por toda a sua vida.

Para Sauaia, “a criança necessita que o adulto sirva como um parâmetro organizador de sua experiência com o mundo através do estabelecimento de limites claros e coerentes. Exercita, assim, a aprendizagem da espera e a capacidade de suportar frustrações, construindo sua socialização e organizando seu mundo intrapsíquico”.

Portanto, precisamos ensinar quem cuida a educar e se relacionar com amor, respeito e equilíbrio emocional com as suas crianças. Precisamos desenvolver nos cuidadores essa capacidade de envolver-se e acalentar.

O adulto que grita, bate, espanca, humilha e abusa também tem grandes chances de ter sido uma criança ferida que não encontrou o amor e a dignidade em sua história de vida.

Referências Bibliográficas

Byington, C. A. B. A construção amorosa do saber: O fundamento e a finalidade da Pedagogia Simbólica Junguiana. São Paulo: Linear, 2011.

Hollis, J. A passagem do meio: Da miséria ao significado da meia idade. São Paulo: Paulus, 2008.

UNICEF – OCULTOS A PLENA LUZ: Un análisis estadístico de la violencia contra los niños. Acesso em: http://www.unicef.es/sites/www.unicef.es/files/informeocultosbajolaluz_0.pdf

Sauaia, N. M. Eros e Poder – Resiliência e Violência. Núcleo Espiral: um trabalho de prevenção com crianças vítimas de violência. Disponível em: http://www.nucleoespiral.org.br/img/artigoErosePoder.pdf

Autoria

contioutra.com - As feridas de uma criança que sofreu violência física e/ou emocionalLilian Marin Zuchelli – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana pela PUC-SP. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Institiuto Sedes Sapientiae. CRP: 06/23768

 

contioutra.com - As feridas de uma criança que sofreu violência física e/ou emocionalMarcela Alice Bianco – Psicóloga Clínica e Psicoterapeuta Junguiana formada pela UFSCar. Especialista em Psicoterapia de Abordagem Junguiana associada à Técnicas de Trabalho Corporal pelo Sedes Sapientiae. CRP: 06/77338

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A morte é o assunto mais importante da vida

A morte é o assunto mais importante da vida

Por Tatiana Nicz

“E se um dia ou uma noite um demônio se esgueirasse em tua mais solitária solidão e te dissesse: “Esta vida, assim como tu vives agora e como a viveste, terás de vivê-la ainda uma vez e ainda inúmeras vezes: e não haverá nela nada de novo, cada dor e cada prazer e cada pensamento e suspiro e tudo o que há de indivisivelmente pequeno e de grande em tua vida há de te retornar, e tudo na mesma ordem e sequência – e do mesmo modo esta aranha e este luar entre as árvores, e do mesmo modo este instante e eu próprio. A eterna ampulheta da existência será sempre virada outra vez, e tu com ela, poeirinha da poeira!”. Não te lançarias ao chão e rangerias os dentes e amaldiçoarias o demônio que te falasses assim? Ou viveste alguma vez um instante descomunal, em que lhe responderías: “Tu és um deus e nunca ouvi nada mais divino!” Se esse pensamento adquirisse poder sobre ti, assim como tu és, ele te transformaria e talvez te triturasse: a pergunta diante de tudo e de cada coisa: “Quero isto ainda uma vez e inúmeras vezes?” pesaria como o mais pesado dos pesos sobre o teu agir! Ou, então, como terias de ficar de bem contigo e mesmo com a vida, para não desejar nada mais do que essa última, eterna confirmação e chancela?

Friedrich Nietzsche

Quando meu pai me contou que havia sido diagnosticado com câncer, a primeira coisa que passou pela minha cabeça foi: “fodeu!”(perdoem a palavra, não encontrei sinônimos à sua altura). Em seguida fui tomada por um sentimento, que até então não conhecia, uma tolice extrema que me trouxe muita frustração. Como nunca havia pensado que meu pai morreria um dia?

Não me considero uma pessoa super inteligente, mas achava que já conhecia todas as minhas burrices, geralmente as confrontava nos cálculos complexos das aulas de Matemática ou de Física. Eu nunca fui boa em calcular nada. Mas essas eram burrices que eu já sabia identificar e estava acostumava a lidar, essa frustração já me era familiar. Mas, se sou “burra” para matemática, emocionalmente me sentia mais inteligente, por isso, quando soube do diagnóstico do meu pai fui acometida por um sentimento de burrice emocional que não me era familiar e confesso que foi muito difícil lidar com toda essa frustração.

A doença do meu pai me trouxe uma sensação de analfabetismo emocional profundo, me senti tola, entrei em contato com a imensa desconexão que existia em mim de processos tão naturais e importantes da vida, como a morte. Sim, já havia perdido avós e tios, a morte todos nós sabemos o que é, mas atualmente ela foi tão banalizada que provocou desconexão. Então, mesmo conhecendo a morte, considero que andava pela vida totalmente desatenta do fato de que a vida é de fato finita, de que somos tão insignificantes diante da morte, percebi que entendia muito pouco sobre perspectiva.

Claro que em se tratando do meu pai, algumas coisas contribuíram para tamanha desconexão, ele era um cara que falava de bem estar o tempo todo e fazia tudo conforme o protocolo. Meu pai era um “bon vivant” no melhor sentido da palavra e levava sua saúde e bem estar à sério. O diagnóstico dele contrariou todas as recomendações médicas para longevidade. Antes disso eu nunca tinha visto meu pai ficar doente ou tomar algum tipo de remédio.

 

Depois do dia em que ele mencionou a palavra “câncer”, passei dias à fio dormindo e acordando com esse sentimento tão frustrante que resolvi chamar pelo nome: burrice. Uma ingenuidade muito diferente da inocência bonita que possuem as crianças, uma tolice aguda. Com o tempo fui absorvendo e aprendendo a lidar com essa frustração, comecei a buscar as raízes dessa desconexão e foi então que descobri que não estava sozinha.

O fato de saber que não estava sozinha em meu analfabetismo não me trouxe algum tipo de consolo, muito pelo contrário, contribuiu para que eu me sentisse ainda pior. Eu já sabia que a burrice isolada (no caso em mim) seria muito mais fácil de tratar, o maior problema da humanidade está nas burrices generalizadas.

Enquanto passei a ficar mais atenta entendi que a situação era mais grave do que eu pensava. De alguma maneira a medicina, a ciência e as próprias religiões se encarregaram de nos afastar de processos tão essenciais como a morte e isso é muito perigoso. Eu já havia entrado em contato com isso olhando para o nascimento, na maneira fria como os partos atualmente são conduzidos, mas curiosamente nunca tinha pensado o mesmo sobre a morte.

Foi no Zen Budismo que encontrei algum tipo de consolo para essa minha “solidão”, o tempo da prática de Zazen se inicia e encerra com uma batida seca na madeira e uma voz dura que nos alerta: “O assunto mais importante da vida é a morte”. As práticas de Zazen (40 minutos de meditação sentada) me trouxeram mais serenidade e sabedoria para enfrentar a morte.

Hoje tenho feridas e mágoas muito profundas sobre maneira como o tratamento do meu pai foi conduzido, para com a forma como a medicina se aproximou das máquinas e se afastou do ser humano. A morte é o assunto mais importante da vida e, no entanto, nos falta bom senso e coragem para falar sobre ela.

Conforme o tempo passava e a doença ganhava força, eu ficava mais incrédula com a maneira como a possibilidade tão real da morte (não) era abordada. De todos os médicos que trataram meu pai apenas um soube abordar o tema com humanismo, ele conduziu a última cirurgia e conversou com a família sobre morte. Fora ele, nenhum médico soube falar de morte, ninguém falou de maneira clara com o paciente ou com a família sobre nada, principalmente, ninguém soube preparar o paciente para essa (tão real) possibilidade e conduzir de maneira humana essa batalha da morte contra a vida. Se para o paciente, amigos e familiares o processo de negação era bem compreensível, para os profissionais da saúde acredito que não.

Eu testemunhei incrédula e impotente verdadeiras “atrocidades” durante o processo todo em que estive em contato direto com os profissionais da saúde. Se os médicos e enfermeiros não sabem falar de morte, quem saberia? Me dei conta de que existe uma profunda desconexão nesse tema, muita hipocrisia e um grande descaso para a maneira como a vida humana é tratada. E essa ferida, tenho certeza, vai levar muito tempo para cicatrizar.

Um olhar mais atento e descobri que os médicos não estão sozinhos, acho que os religiosos lideram o topo da pirâmide. Talvez seja por isso que tenhamos nos desconectado ao longo dos séculos. As religiões ocidentais, muito diferentemente das orientais, separaram a morte da vida, nos levando à um apego excessivo para com a vida. A morte é um tabu. As pessoas nas Igrejas rezam pela cura, todo mundo fala em milagre e cura, ninguém menciona a morte.

 

O que sei hoje é que “Deus está com você” não consola ninguém na hora da morte e “Deus vai te curar!” menos ainda. Por favor não me peçam para colocar minha vida nas mãos de ninguém, nem de Deus. Quase dois meses de hospital e os padres e madres visitavam todos os dias, todos prometiam a cura através da vontade de Deus, ninguém falou em morte. E eu ficava cada vez mais incrédula da humanidade diante de tudo que estava vivendo. “A morte é o assunto mais importante da vida!”. E não existe verdade ao falar sobre ela.

Eu sei, é certo, ninguém quer morrer, nosso DNA é programado para lutar pela vida, nenhum ser vivo deseja morrer. Não é natural aceitar a morte de maneira passiva. Ninguém deseja morrer. Nem uma célula de câncer deseja morrer. Nem quem acredita no paraíso quer morrer para chegar nele. E qualquer pessoa, independente de credo ou religião, sofre ao perder alguém que ama. Isso é certo. Mas, mais certo que isso, é o fato de que ninguém sobrevive à morte. A morte é sagrada. O assunto da morte precisa ser abordado, com cuidado e respeito.

Certo dia, enquanto me escondia para que meu pai não me visse chorando, sentada no sofá, fazendo aquele constante exercício de absorver e respirar, respirar e absorver (para não desmoronar). O médico dele que passava por ali se aproximou e, entre algumas palavras de conforto, me aconselhou: “Devido ao histórico de doenças raras de seu pai e sua mãe, acho que você e seus irmãos deveriam fazer um aconselhamento genético”. Boa coisa que eu já estava sentada.

Pausa.

Por um breve momento lembrei-me daquele sentimento de burrice que me acometeu, o fator genético hereditário tampouco era algo que me havia ocorrido. Levei tempo para processar essa informação.

Nesse caso, penso, talvez a minha ignorância seja mesmo uma dádiva. Não basta tudo que vivi com minha mãe e meu pai, era a minha vez. Hoje tenho em minhas mãos uma escolha de enfrentar o conhecimento e quem sabe conformar-me com um diagnóstico que pode colocar fim à vida da maneira como hoje conheço. Tenho a escolha de reviver o pesadelo de tudo que a medicina, a tecnologia, a ciência e a religião não fizeram pelos meus pais.

Ou não.

Ou posso escolher viver na ignorância. Porque, independente de qualquer diagnóstico, a morte chega para todos. Ninguém deveria desejar viver eternamente. A finitude da vida é de fato a sua maior invenção.

Então optei pela burrice. Decidi transformá-la em uma burrice sábia, em minha aliada, na certeza de que, independente de meus genes bons e ruins, eu viverei cada dia como se fosse o último.

Hoje nada que faço é sem propósito: eu aprendi a amar com propósito, trabalhar, contar histórias, viajar, escrever, comprar, me alimentar e até beber com propósito, tudo que faço hoje é em profundo estado de gratidão e celebração, com sentido.

 

É preciso celebrar a vida todos os dias. E sei que quando eu me deparar com a morte novamente, ela me despertará milhares de novos sentimentos que novamente me convidarão à viver esse sentimento tão estranho que é a frustração. Mas fiz com a morte um acordo, independente de quanto tempo leve para a gente se cruzar novamente, em profundo respeito que tenho por ela, ela não me pegará mais desavisada. Eu não me esquecerei dela, hoje ela já me é familiar, hoje vivo cada dia como se fosse o último, pois um dia ele certamente será.

A tradução do vídeo:

“Não existe nada radicalmente errado em adoecer ou morrer. Quem te disse que iríamos sobreviver? Quem te deu a impressão que iríamos continuar eternamente vivos? E não podemos dizer que seria bom se seguíssemos vivendo pela simples demonstração de que se seguíssemos vivos nós nos “superpopularíamos”. Portanto, quando alguém morre é de fato honrável, pois ele está abrindo espaço para os outros. Se pudéssemos indefinidamente adiar nossa morte, nós não iríamos prolongá-la indefinidamente porque em algum momento nos daríamos conta de que não seria essa a maneira como gostaríamos de sobreviver. Para que mais teríamos filhos? As crianças nos dão a chance de sobreviver de maneira distinta, como se estivéssemos passando a tocha, para que não precisemos carregá-la eternamente. Há certo momento em que precisamos parar e dizer: “agora é a sua vez de trabalhar”. É o arranjo mais impressionante da natureza, nos permitir perpetuar nossas vidas através de outros seres e não somente através de nós mesmos. Porque a vida em si é renovada e através desse novo indivíduo e através da maneira como cada novo ser descobre a vida, nos recordamos de como é fascinante olhar as coisas simples da vida através do olhar de uma criança. Porque elas enxergam tudo de uma maneira que não está relacionada à sobrevivência e ganho. Quando atingimos um ponto em nossas vidas onde passamos a olhar para tudo como modo de sobrevivência ou ganho, então as formas e os arranhados do caminho deixam de conter magia em si. Então, quando isso se esgota e não conseguimos mais ver magia no mundo, nós não estamos mais preenchendo os propósitos do jogo da natureza e, portanto, ela segue seu curso. Dessa forma, morremos para abrir espaço para o novo; que traz em si uma maneira única e renovada de enxergar o mundo, para que a natureza seja sempre um jogo no qual manter a chama acesa sempre valerá a pena.” Alan Watts

Imagem de capa: patronestaff/shutterstock

Hábitos antigos que você deveria colocar em prática hoje

Hábitos antigos que você deveria colocar em prática hoje

Nossos avós faziam, você também pode fazer. Confira alguns hábitos do passado que fazem bem para nós e para o meio ambiente.

Muitas pessoas acham que o passado é algo chato e sem muita importância; outros, já pensam nele de forma saudosista e até tentam revivê-lo. Odiando ou amando, uma coisa é certa: podemos encontrar muitas dicas valiosas de como viver uma vida mais verde e com mais qualidade seguindo alguns hábitos praticados e aconselhados pelos mais velhos. Vamos a eles:

Ande mais

Nossos avós andavam bem mais do que a gente para fazer coisas simples do dia a dia. Tente fazer as pequenas tarefas sem a necessidade de ir de carro. Caminhar é bom para o corpo e para a mente. Se para você é impossível encaixar esse hábito durante o seu dia, tente depois do expediente. Caminhar melhora a sua pressão arterial, aumenta a sensação de bem-estar e afasta a depressão.

Cozinhe mais em casa

Cozinhar é algo que muitos consideram uma perda de tempo, principalmente tendo todas as facilidades dos serviços de delivery. Entretanto, cozinhar pode ser algo relaxante e prazeroso. Além disso, é um hábito que pode ser saudável, pois você escolhe os ingredientes e controla o modo de preparo. Dê uma chance para o “faça você mesmo”. Procure receitas rápidas e práticas. Transforme esse momento do seu dia em algo especial.

Cuide de um jardim

Tudo bem, muitos não têm espaço para ter um super jardim como nossos avós tinham. Mas uma planta ou flores em um vaso já fazem diferença. Qualquer coisa que você cuide e veja crescer já contribui para o seu bem-estar. O objetivo é ter um hobbie terapêutico, que te ajude a tirar a cabeça do trabalho e dos problemas. A horta vertical, fazendo uso de garrafas PET, é uma boa dica para quem não tem espaço. Fica super bonito e você ainda ajuda o meio ambiente, reutilizando em vez de descartar. Saiba como fazer.

Escreva cartas

Nós sabemos: faz bastante tempo que você não pega uma caneta e um papel e escreve uma carta pessoal para alguém importante e a coloca no correio. Todos sofremos do mesmo mal: a preguiça de escrever cartas quando se tem e-mail. Nossos avós faziam sempre, eles não tinham escolha. Mas nós temos. Pense que escrever uma carta hoje em dia demonstra atenção. E convenhamos: é bem mais gostoso receber uma carta no correio do que abrir um e-mail. Além disso, parar para escrever uma carta pode ser algo bem relaxante.

Faça mais uso de remédios naturais

Resfriado, tosse, dor de garganta? Por que não tentar remédios naturais primeiro, como nossos avós?

Cuide de suas roupas. Conserte-as quando necessário

O que pensamos quando vemos um furo em uma blusa é:
Jogar fora;
Simplesmente não usar mais.
Isso é uma perda de dinheiro e também uma agressão ao meio ambiente. Nos tempos dos nossos avós, remendar e reutilizar era muito comum. Adotar esse hábito é algo que tem muito a ver com sustentabilidade, com consumo responsável. Há também espaço para a criatividade: quando não dá mais para remendar, transformar uma peça em outra ou dar uma outra utilidade a ela também é uma boa solução.

Aproveite mais o sol

Moramos em um país tropical. E temos boa parte dos dias ensolarados e com bom tempo para secar a roupa naturalmente, no varal, como nossos avós. Utilizando menos a secadora, diminuímos o gasto com energia. Além de ser bom para o nosso bolso, também é bom para o meio ambiente, pois reduzimos nosso impacto sobre ele. De forma geral, tente ser mais consciente a respeito do usos de seus eletrodomésticos.

Utilize as coisas até que elas se acabem

Nossos avós não trocavam de TV assim como trocamos de camiseta. Eles usavam até todos “pifarem”. Ainda se tentava mandar para o conserto. Assim, quando não tinha mais jeito, comprava-se outra. É esse pensamento que devemos ter. Comprar menos e utilizar até quando puder. Sabemos que é difícil, pois as coisas hoje são feitas para durarem menos. Mas resista. Pelo menos, você não estará contribuindo para aumentar o tamanho de nossos aterros.

Recorra à cozinha na faxina

Sim, é verdade. Nossos avós encontravam na cozinha soluções para a sujeira. Recorriam muitas vezes ao fermento (bicarbonato de sódio) e ao velho conhecido vinagre.

Fonte indicada: Ecycle

É covardia cair fora do relacionamento já na primeira dificuldade

É covardia cair fora do relacionamento já na primeira dificuldade

O amor verdadeiro vence, dura e eterniza. Amor é arma pacífica, força afetiva, bem que espalha e se firma como verdade, a despeito do que vem contra.

Diz a sabedoria popular que tudo o que vem fácil, vai fácil. E é assim mesmo, parece que as coisas que conseguimos mais facilmente não têm o mesmo sabor do que é obtido com muito esforço e dedicação. Quando passamos em um vestibular ou em um concurso, quando somos aprovados em uma entrevista de emprego, quando construímos uma casa demoradamente, compramos um carro, economizando cada centavo, tudo isso nos dá uma sensação gostosa de realização e de vitória.

Da mesma forma, nossos relacionamentos se fortalecem em decorrência de todas as dificuldades, de todos os obstáculos, por meio de cada entrave que conseguimos ultrapassar, cada superação, pois o que fica, então, é cada vez mais verdadeiro. Amizades que vencem desentendimentos, desencontros e momentos de desgaste são para a vida toda. Amores que se redefinem, que aparam arestas, que vencem os desencontros, as inseguranças e o orgulho se mantêm acesos.

Não raro, vemos casais cujos pais desaprovam a relação tornarem-se cada vez mais unidos, o mesmo ocorrendo com amigos, ou qualquer relação que seja. Temos o ímpeto de vencer, de superar, de sobreviver. Temos a necessidade de responder aos anseios do que corre dentro de nós, do que sonhamos, do que nosso corpo e nossa alma pedem. Fomos feitos para durar, para viver o que nos cabe, para gostar de quem quisermos, para amar quem nos arrepia a pele, para sermos felizes.

Na verdade, o amor possui uma força sem precedentes, capaz de romper preconceitos, clarear as dúvidas mais difíceis, unir o que jamais se imaginaria, provocar o que nunca se pensaria, tornar realidade os sonhos mais impossíveis, as loucuras menos plausíveis, as utopias menos concebíveis. Ele vem com tudo, arrebata, permeia, torna-se força e razão de existir. Quanto mais se tenta contê-lo, maior é a dimensão que ele alcança. O amor verdadeiro vence, dura e eterniza. Amor é arma pacífica, força afetiva, bem que espalha e se firma como verdade, a despeito do que vem contra.

Constantemente, com uma frequência muito maior do que gostaríamos, a vida colocará em xeque tudo aquilo em que acreditamos, de modo a tentar abalar as nossas certezas, deslocando-nos de nossa zona de conforto. São as provas de vida, as quais teremos que ultrapassar, para que tudo o que nos restar se torne ainda mais nítido e forte, pois será aquilo em que nos agarramos e nos salvou enquanto atravessávamos as escuridões das nossas noites traiçoeiras. E sempre sairemos vivos enquanto amor de verdade houver, amor lapidado, suado, sofrido e enraizado em nossa alma.

Imagem de capa: Andrey_Popov/shutterstock

Fique com quem seca tuas lágrimas e não com quem as multiplica

Fique com quem seca tuas lágrimas e não com quem as multiplica

Muitas pessoas acabam confundindo “lutar dignamente por algo que vale a pena” com “lutar feito trouxa por algo que nunca trará coisas boas”. Na ânsia de querer manter por perto o que pensamos ser nosso, perdemos a noção exata de nosso próprio valor.

Ninguém, em sã consciência, gosta de sofrer, de chorar, de amargar decepções, porém, há quem se prenda ao que faz mal, ao que suga, ao que diminui, por muito tempo. O normal seria que valorizássemos tudo o que nos faz sorrir, no entanto, na prática, muitas vezes nos aproximamos de algo ou de alguém que nada mais faz do que nos tornar infelizes.

Talvez por ser uma tendência humana querer o que é mais difícil, as pessoas acabam confundindo “lutar dignamente por algo que vale a pena” com “lutar feito trouxa por algo que nunca trará coisas boas”. Na ânsia de querer manter por perto o que pensamos ser nosso, perdemos a noção exata de nosso próprio valor, em favorecimento de quem não nos oferece nada de bom.

Parece que não adianta tentar explicar para algumas pessoas o quanto elas sofrem à toa por conta de pessoas dispensáveis e de coisas supérfluas, como se, ali, envoltas no calor de suas tempestades, nada mais fizesse sentido fora daquela dor a que infelizmente se acostumaram e tomaram como parte integrante de suas vidas. Porque a gente se apega facilmente, inclusive ao que machuca.

Anos de sofrimento não são capazes de clarear os pensamentos de muitos que acham que não conseguirão sobreviver longe de quem nem junto está, longe do emprego que nem crescimento traz, longe de lugares onde sua presença não faz falta alguma. O medo rouba sonhos, rouba o raciocínio, rouba vida. Medo do novo, do que não é certo, do que foge ao que posto está.

Há um mundo tão imprevisível à nossa volta, que tentamos manter certa segurança por perto, nas amizades, nos amores. Infelizmente, nesse percurso, muitos de nós acabamos segurando, não raro forçosamente, justamente o que não faria falta alguma e, inclusive, o que nos impede de seguir em frente em busca de nossa felicidade. Por isso é que há pouco reconhecimento e gratidão em relação a quem realmente merece. Por isso é que há tanta tristeza nesse mundo.

A partir do momento em que cada um refletir sobre o tanto que possui a oferecer, o tanto que tem de humano dentro de si, jamais haverá tanta gente se aproveitando de quem não merece. Quando sabemos o nosso valor, ninguém consegue nos ludibriar, ninguém entra no nosso coração sem oferecer reciprocidade. Falta amor no mundo, mas falta, principalmente, amor-próprio. Só se amando é que se tem certeza do que significa felicidade genuína, bem longe de quem só sabe anular sorrisos. Ame, mas ame-se também.

Imagem de capa: Novikov Alex/shutterstock

Tempos idos, tempos vindos…

Tempos idos, tempos vindos…

Não quero adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto;
e velhos, para que nunca tenham pressa.
Oscar Wilde

É de manhã e um friozinho brincalhão procura a poeira que a chuva levou e, como não a encontra, rodeia meu rosto, brinca com meus cabelos e eu acolho-o ordenando aos meus sentidos que se abram, sem reservas, ao nosso visitante.

O Sol também vai chegando mais tímido, afastando, vagarosamente, o escuro da madrugada, deixando entrever o azul que deseja manifestar sua beleza.

São 6 horas da manhã. Tranco portas, janelas e deveres… Vou, assim como o vento, buscar novos horizontes, inalar a imensidão do Céu…

Paz e felicidade, assim me defino neste momento!

Há tempos, saboreio uma sucessão de dias maravilhosos, porém, hoje, especialmente, há uma fusão de fragmentos de tempo presente com tempo passado.

Contrariando, no pensamento, o movimento do carro e as regras, desato o cinto de segurança e retrocedo para dias mais remotos, época em que eu era criança e viajava com meus pais e irmãos para a cidade de Santos.

Uma aventura longa e repleta de prazeres…

Desde o momento do acordar (de madrugada), à primeira parada para o café no Posto Castelinho; o almoço em São Paulo na casa dos nossos tios e, depois, a descida pela Serra do Mar, com seus túneis e curvas sinuosas, onde se desacelerava o carro e aceleravam os corações ao vislumbrar a primeira aparição do Mar!

O sorriso de meus pais, ainda jovens, explicando o caminho, o cheiro da maresia, o barulho das ondas arrebentando nas areias, aos poucos, reacende meu corpo e traz inúmeras emoções!
Intensa e incontrolável ansiedade para esse encontro com a areia do Mar e com as águas do mundo.

A pá, o rastelinho de madeira, o balde de plástico ¬- apetrechos necessários para ¬levantar nossos castelos – e o jogo de enterrar os pés na areia selaram minha união definitiva de amor com o Mar…

Abro as janelas do carro porque a alegria não se contém, piso no acelerador, aumento o volume do som e com o vento roçando em meu rosto, vou extasiada para esse reencontro!
Eu e o Mar… O Mar e Eu…

A cada novo encontro, o mesmo Amor.

Imagem de capa: Stas Walenga/shutterstock

Se você ficar sozinho, pega a solidão e dança

Se você ficar sozinho, pega a solidão e dança

Em tempos de rede, tornou-se extremamente difícil ficar sozinho. Digo mais, estar sozinho revestiu-se de um significado muito negativo, como se a solidão trouxesse à tona algo ruim que queremos esconder e/ou não lembrar. Entretanto, se ficar sozinho produz um incômodo perene em nosso ser, o problema não está na solidão, e sim, em nós.

As relações humanas são fundamentais para que possamos nos desenvolver individualmente e coletivamente, ou como diz Exupéry, é o maior luxo que podemos ter. Contudo, para que consigamos usufruir plenamente de qualquer relação, é preciso que sejamos inteiros, o que significa dizer, que precisamos nos conhecer, estar em harmonia com as nossas entranhas, ter na solidão uma parceira de dança.

Essa solidão que promove a máxima socrática do “conhece-te a ti mesmo” é também chamada de solitude, e difere da solidão patológica (a que afasta o ser do mundo) por promover o encontro com o nosso eu despido de qualquer máscara, subterfúgio ou proteção que usamos na vida social. Encarar a si mesmo em meio a tantas pessoas nem sempre é uma tarefa fácil, até por isso, a solitude torna-se fundamental no processo de introspecção, autoanálise e descobertas que fazemos.

Ter um tempo só para nós, em que possamos investigar as nossas longitudes, vasculhar os nossos pensamentos, lavar os nossos avessos, é imprescindível para que a nossa casa esteja minimamente arrumada. Nesse processo, encaramos monstros que insistimos em não confrontar, refletimos sobre o modo como estamos levando a vida e o que queremos dela, como temos nos portado nos nossos relacionamentos, conseguimos olhar de modo mais maduro e crítico para os nossos fracassos ao passo que direcionamos as coordenadas para novos sonhos, além de descobrir coisas maravilhosas acerca do nosso eu que sequer imaginávamos.

Ou seja, a solitude consegue nos levar a um grau muito maior de autoconhecimento e, consequentemente, de felicidade, já que quando se é um forasteiro de si próprio é impossível ser feliz. Da mesma forma, ela permite aumentar as cores dos nossos olhos, iluminar a nossa alma e, assim, enxergar mais belezas no mundo que nos cerca.

No entanto, encarar-se sem nenhum tipo de “proteção” é uma experiência que a maior parte de nós procura desesperadamente escapar. Isso se dá porque temos medo, como disse, de encontrar algo que nos desagrade ou nos faça sofrer. Mas, ao buscar o prazer inevitavelmente esbarramos na dor. Portanto, se quisermos descobrir o que somos, o que queremos e, desse modo, razões muito mais fortes para viver e ser feliz, não há como também não sofrer e enfrentar os nossos monstros.

Encarar a nossa “natureza selvagem” não é fácil, mas permanecer sendo um completo estranho de si também não traz nenhum benefício, já que, se ao estarmos sozinhos sentimo-nos sempre incomodados e tristes, é porque de tanto não nos “encontrarmos”, acabamos nos tornando terra seca para que as nossas próprias belezas consigam florescer. É apenas quando nos sentimos em harmonia com a nossa solidão, que conseguimos romper a solidão do outro e nos conectar, pois, como diz o poeta: “Enquanto não atravessarmos a dor de nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um”.

Nota: O título do texto faz parte da letra da música “Três Dias” (autoria de André Dahmer e Marcelo Camelo).

Imagem de capa: Anmar/shutterstock

Por um mundo com amores mais maduros

Por um mundo com amores mais maduros

Querendo ou não, o amor não se sustenta sozinho. Ele precisa de maturidade para ser leve e recíproco. Cair nessa conversa de que o amor funciona só na base do “eu te amo” é, além de desgastante, um completo desconhecimento dos próprios sentimentos.

Ninguém pode ou deve criar vínculos sem ter a sensibilidade de reconhecer-se. Os defeitos, as lacunas, as metades. Cada desamor vivido foi uma ponte de aprendizado. Na ausência deles, como viver no amor? Não se vive. Para caminhar no amor é requisito básico estar em contato consigo. É entender que na posse não existe possibilidade alguma de duas pessoas ficarem juntas.

Mas maturidade vem com o tempo. Vem com as perdas e desencontros. Só quem já passou por esses desvios do amar sabe como identificar o amor. E esse amadurecimento emocional anda ausente no mundo atual. Os relacionamentos presentes estão desconexos demais. É uma onda crescente do que é permitido e não permitido expressar, ser. Então, já inconformados, amores se vão.

Os julgamentos amorosos são os piores. Há sempre um pitaco para cada término, para cada início. O amor ganhou ares de dramaturgia, onde o mais importante é opinar em vez de viver. Trocamos o “vamos construir algo juntos” por um “eu preciso mais”. O que fere não é individualidade dos amantes, mas o egoísmo de prontidão para endurecer corações.

Por um mundo com amores mais maduros. Com amores mais dispostos e cientes das próprias escolhas. Pois, quando sentido em comum acordo, o amor é um capítulo contínuo, escrito na base dos gestos e respeitos. Dizer que ama não é lá uma fala tão essencial assim se você souber quais sentimentos nutrir e depositar na outra pessoa.

Imagem de capa: All About Anna (2005) – Dir. Jessica Nilsson

Enquanto ninguém via

Enquanto ninguém via

Quem me viu montada num monociclo, a roda girando em torno de um círculo, a cara pintada de extravagância, o corpo trajado de excêntrico, a garganta cantando absurdos, pensou que demandava atenção. Mas não. Não sou espetáculo ou atração. Não via o caminho e pensei, não pensei, dei voltas procurando a saída, não vi o desvio, desviei por natureza, instinto. Minha esperteza é cega, só sabe sentir. Minha esperteza é cética, não acredita em si. Eu vejo demais e nego, quero alguém para me desmentir. Eu não quero ter razão.

Quem me viu tecendo trechos de vida em textos, embaralhando palavras, violando discursos, pensou que eu queria ser entendida. Mas não. Não sou teoria ou abstração. Não tenho explicação, não me explico, não me justifico. Não há para quem ou para quê, não me limito, não há motivo para que se especializem em mim. Nem matéria de estudo nem filosofia. Não. Sou carne, bicho, falo, palavro, como um pássaro canta, um cachorro late, um sapo coaxa, como um leão ruge, uma pedra se cala.

Quem me viu trocando os passos, tropeçando em meios fios, rasgando os sapatos, furando os bolsos, fazendo e desfazendo as malas, pensou que eu estava entorpecida. Mas não. Eu estive doente de sobriedade. Enferma de coerência. Certezas coléricas. Confiante em placas e mapas escusos, em informações obscuras, em orientações cínicas, como todos os mapas e placas são escuros, informações obtusas e orientações clínicas. Precisei rachar a testa no espelho para ver meu reflexo vermelho nos destroços, como só os destroços vermelhos poderiam mostrar meu reflexo.

Quem me viu através do espelho, não me viu, diante do espelho, por trás de cataratas de estereótipo pensou que eu estava amarga. Mas não. Eu sou ácida, como sempre fui e nunca, porque sempre estive, nunca fui doce. Não vivo de opostos, não estou do outro lado e nem aí. Nem me contento com as fantasias assaltando vitrines de desejos nem com as minhas, eu quero fato, quero existir. Eu não sou sobrevivente. É absurdo! Eu sei. É absurdo querer mais do que isso, sobreviver, querer mais do que isso, lutar para sobreviver e nada.

Essa ambição de querer existir, de querer ser fato, de querer ser e não porque amanhã não serei mais. Arrogante, essa ambição de querer ser livre e não querer os vestidos de festa, ou a casa no campo, ou os filhos sadios, ou o almoço de domingo, ou dar satisfação. Eu sei, é presunção, querer presença bruta. Mas, tanto faz, eu ou você, que modestamente insiste em sobreviver, iremos juntos, vulgares e sublimes, de pés juntos, insolentes e humildes, retrato defunto do que fomos e do que não fomos de qualquer vida que passou.

Imagem de capa: Vitalii Vitleo/shutterstock

Lembra? da vida que se perdeu…

Lembra? da vida que se perdeu…

Às vezes paro para observar como temos vivido nos dias de hoje e o que me vem à mente são pessoas em suas matrix numa realidade em fast motion.

É tudo tão urgente, é tudo tão rápido, tão abundante e raso – as conversas, as trocas, o jeito de sentir a vida. Me parece que os olhos e o coração não conseguem dar conta de reter as sensações de situações e pessoas que atravessam as nossas vidas.

Vejo encontros que passam e não deixam nem lembranças na pele, historinhas que acontecem e depois de duas semanas já se dissolveram totalmente, foram parar no universo das coisas que se perderam e nunca serão procuradas, foram substituídas por uma versão mais atualizada.

E, no entanto, temos uma ânsia por acumular essas coisas e esses momentos que dificilmente serão reacessados. A gente não vai lembrar das viagens, a gente vai se esquecer dos papos, das transas, das amizades repentinas que fizemos, vamos esquecer o nome da capital daquele país do leste europeu e o sabor da uva do vilarejo do Uruguai – se é que não era na Argentina.

Vamos esquecer de olhar as 500 fotos que tiramos num pôr do sol do pacífico. Não há mais álbuns de memórias, nem fora e nem dentro da gente. A gente não senta mais no sofá numa tarde de domingo para folear a nossa vida e sentir um pouquinho de nostalgia. A gente não precisa sentir nostalgia, todos os amigos de infância estão no nosso facebook, as nossas melhores fotos estão no instagram, as músicas da nossa infância e adolescência estão remixadas no spotfy.

Pra que parar, se há tanto para viver, se o mundo ficou pequeno, se os encontros são fáceis? Pra que deixar o celular de lado numa tarde, se as maiores novidades do dia estão nele? E precisamos consultar a nossa própria existência.

A gente não questiona mais, as nossas filosofias vêm prontas em cápsulas nos documentários da netflix. Dizem que devemos ser veganos, comer orgânico, e a gente se adapta, começa a seguir uma nova dieta, mas a gente nunca coloca a mão na terra, não observa o crescimento natural do alecrim, a gente não tenta entender o que é preciso fazer para que uma semente vire muda.

Nos dizem que devemos ser criativos, pois foi descoberto na universidade de Harvard que pessoas criativas são mais felizes, e a gente, então se adapta, cria um espacinho na nossa agenda já tão atribulada e começa a fazer dança, pintura ou arriscar uns versos que ilustram bem a nossa falta de profundidade. Só que a gente não fecha os olhos e deixa uma energia diferente nos desconstruir, a gente não coloca as mãos nos vincos da madeira, a gente não olha nos olhos de uma tela em branco, a gente não silencia e deixa que a poesia venha.

E ainda, por nossas frustrações diárias, por nossas dores e sensações mais difíceis de entender que foram varridas pra debaixo do tapete, a gente procura se espiritualizar. Aprendemos frases feitas, entramos nos grupos dos chás, lemos os mantras do despertar de consciência.

Assim não precisaremos realmente nos acessar, criamos mais um monte de
patuás para virar escudo de nós mesmos, para colorir a nossa bolha protetora.

A gente pega assim tudo sem maturar, sem esperar que germine e crie raízes e chegue até a alma. A gente vive tudo sem adentrar, a gente tem medo de se desestabilizar, tem medo de ficar perto de gente que nos faz questionar, tem medo de amar de verdade, tem medo de mostrar coisas nossas que desconhecemos, tem medo de ficar pra trás, de não curtir o momento, de perder tempo tendo que percorrer inúmeras veredas de autoconhecimento.

Perdemos o tesão de sermos ousados e corajosos, perdemos a audácia de arriscar a pele e o coração, perdemos a vontade íntima de analisar as nossas próprias frustrações. Perdemos o tesão de tocarmos as pessoas com verdade, de ver as coisas fora do nosso umbigo, de nadar num mar sem ter que lembrar de fazer um selfie.

A gente perdeu.

Imagem de capa: kryzhov/shutterstock

Sobre deixar ir embora o que precisa ir

Sobre deixar ir embora o que precisa ir

Enquanto aguardo a lavadora terminar o ciclo básico – lavar roupas a noite nos deixa com uma sensação insuportável de vigília – penso nos ciclos que não terminam, que se multiplicam, transformam, perduram… Penso nas decisões tomadas que não duram nem o tempo de um café esfriar, nas promessas que não resistem nem às pré-lavagens das ideias,  nos “nunca mais” que deixam de existir por qualquer apelo, na eterna resistência em fechar os ciclos da vida.

Podemos nos comparar com as roupas colocadas em lavadoras? Será que elas, as roupas, se debatem tão sofridamente quanto nós para enfrentar as passagens de ciclos?

Enquanto estamos na fase do molho, a mais quentinha e confortável, os sentimentos ainda estão se acomodando e penetrando nas nossas vidas, ainda sem intenção definida, somente rodando e misturando-se ao todo. É quando nada nos faz mal e toda novidade parece bem intencionada e há de nos oferecer emoções novas e felizes, como assim achamos que será para todo o sempre. Passada a mágica, vem a lavagem, a dura tarefa de perceber as impurezas e falhas do que antes recebemos de tão bom grado. E esse é um ciclo que pode parecer interminável, muito embora seja tão rápido quanto aceitamos. As emoções resistem, encontramos argumentos e desculpas para reter as manchas, nos apegamos fortemente aos cheiros que nos levam aqueles instantes que queremos a todo custo reter e não deixar que escoem; nos agarramos a cada sujeirinha com se fosse a nossa única forma de nos reconhecer – como nas relações que fracassam e imploramos que haja uma explicação que seja, por mais absurda, que justifique toda a camada de ressentimento que ali se instalou, e, desapareça numa piscada de olhos, porque encontramos a resposta… ou criamos, ou inventamos..  E, a cada sacolejada, mais confusão e falta de rumo.

Sorte de quem tem amigos que são pérolas de amaciante aliviando o rebuliço da vida. Amigos geralmente tentam nos mostrar o que está mais do que evidente, mas são tão generosos que entendem quando ainda não estamos preparados para mexer naquela mancha gigantesca e preferimos ficar cutucando um pinguinho de ferrugem que nunca nos fez mal e provavelmente jamais fará. Amigos sabem que o importante é estar por perto quando resolvermos encerrar o ciclo, aceitarmos a ferrugem, e partirmos para a guerra contra a grande mancha!

E, finalmente, um dia a gente realiza que é momento de mudança, que do jeito que está não dá para ficar. Então ensaiamos o fechamento do ciclo, fazemos promessas e metas, e, começamos a deixar descer pelo ralo toda a água que não serve mais para nutrir qualquer coisa que viva em nós. Deixamos ir para longe a água suja, as lágrimas, os fiapos, os suores.  Às vezes a gente se arrepende e corre para tampar o ralo. Mas já é tarde e então é preciso aceitar, deixar ir, fechar o ciclo e começar tudo novamente, de alma limpa, a cada lavagem mais batida, mas pronta para uma nova jornada.  Ai de nós se não fossem os ciclos… Talvez estivéssemos ainda rodando e nos afogando nas mesmas águas.

Imagem de capa:fantom_rd/shutterstock

Generosidade Mental, por Mario Sérgio Cortella

Generosidade Mental, por Mario Sérgio Cortella

Em vários momentos, nossa sociedade caminha em direção ao egoísmo mental. Isto é, aquele que algo possui, seja intelectualmente, seja como propriedade, guarda para ele, não quer passar adiante.  O que é um sinal de tolice. Afinal de contas, uma das regras fundamentais na história da humanidade foi a cooperação. Nós estruturamos, nos últimos 400 anos, uma sociedade com uma ideologia extremamente competitiva. Não que a competitividade não deva ter o seu lugar, mas ela não pode se sobrepor à colaboração como a principal maneira de sobrevivência da humanidade.

A colaboração, a capacidade de cooperar, de atuar junto, sempre foi decisiva na trajetória da espécie humana para que nós pudéssemos sobreviver, ainda mais uma espécie como a nossa, que é fraca do ponto de vista físico. Nós não corremos tanto, não ficamos tantos dias sem comer, temos que beber água com frequência, não temos um corpo que nos proteja das interpérires. Ou nós cooperávamos na nossa trajetória evolutiva ou não teríamos conseguido chegar aonde chegamos.

Portanto, a cooperação é a maneira mais direta da nossa força de vivência e a generosidade mental é aquela que nos traz para um campo muito positivo no quem quem sabe reparte, quem não sabe procura.

Mario Sérgio Cortella no livro Pensar bem nos faz bem-vol2

Imagem de capa: altanaka/shutterstock

Como saber se alguém te ama de verdade

Como saber se alguém te ama de verdade

Existem muitas definições do o que é o amor. Há quem diga que o amor e o ódio são dois lados da mesma moeda, e não há muita diferença, pois o amor pode se transformar em ódio e o ódio pode se transformar em amor. Há quem diga que o amor é tudo que existe, e ainda existem aqueles que acreditam que o único amor que existe é o amor de mãe, assim como aqueles que infelizmente não acreditam no amor.

Mas de todas as definições, a que mais me chamou atenção e que jamais me esquecerei, foi aquela que li no livro O Monge e o executivo, que dizia: “O amor é o que o amor faz”. É incrível como essa pequena frase diz tudo por si só. No vídeo abaixo o P. Fabio explica justamente o significado de amar verdadeiramente, onde ele separa o amor da utilidade, confira:

O vídeo acima foi um achado do site Mundo interpessoal. Para ler a transcrição de tudo o que o Padre Fábio disse, clique aqui.

Imagem de capa: Kirikannikar Sukphaibun/shutterstock

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