Nos relacionamentos amorosos, a admiração e a atração física são faces da mesma moeda.

Nos relacionamentos amorosos, a admiração e a atração física são faces da mesma moeda.

Uma parceria amorosa feliz e bem sucedida é composta por uma conjunção de fatores, entretanto, sem dúvida, a admiração ganha um papel de grande relevância nesse contexto. A admiração atua como um verdadeiro oxigênio nos relacionamentos felizes. Criar um vínculo amoroso duradouro e feliz com uma pessoa, sem admirá-la, torna-se impraticável. A admiração é aquele sentimento que te fascina em alguém, algo que faz com que você sinta um orgulho gigante por estar com uma determinada pessoa.

Esse sentimento independe da aparência física, condição financeira ou social da pessoa. Há casos em que esse fascínio surge de imediato, nos primeiros contatos, em outros, poderá surgir após um tempo considerável de relacionamento. Sabe quando você olha para uma pessoa e sente-se um(a) afortunado(a) por estar com ela? Muitas vezes, não conseguimos identificar, com clareza, o que admiramos tanto em alguém, não sabemos ao certo se é o equilíbrio com que ela lida com as adversidades, se é o otimismo que ela carrega na alma, se é o senso de humor contagiante ou se são todos esses atributos somados. Cada pessoa terá, baseado nos próprios valores e história de vida, atributos que serão alvos da admiração dela em outra pessoa. Talvez, a pessoa tão fascinante para alguém, seja alguém que passe completamente desapercebido em qualquer lugar que vá, pode ser que não tenha os atributos físicos tão cobiçados pela a maioria das pessoas, mas, para ele, é a pessoa mais incrível da face da terra. Eu diria que trata-se de uma “luz própria” que a pessoa carrega e que incendeia o coração do companheiro.

Essa admiração atua como um poderoso combustível para a libido de quem sente, isso é indiscutível, a atração sexual transcende aos estímulos visuais, não que estes não sejam importantes, porém, eles não serão suficientes para a manutenção do desejo sexual numa relação estável. A atração física e a admiração pelo parceiro serão sempre faces da mesma moeda e, se essa admiração é recíproca, é incêndio na certa(risos). Não raro, especialmente por parte das mulheres, há uma queda significativa do desejo sexual pelos parceiros à medida em que a admiração delas em relação a eles diminui. Acredito que os homens sejam menos afetados nesse quesito, visto que eles são, no geral, estimulados visualmente, porém, sem dúvida, o desejo deles será mais intenso quando envolvido, também, com a admiração. Creio que a queda da admiração não interfira tanto na libido masculina pelo fato de que eles, no geral, conseguem desvincular os ressentimentos e outros sentimentos negativos da sexualidade, diferente das mulheres que, geralmente, “travam” quando algo está mal resolvido na relação. Deixando claro que aqui não estou generalizando, pois existem homens extremamente sentimentais e mulheres totalmente “práticas” nesse sentido.Também não estou afirmando que todos os fracassos amorosos ocorrem por falta de admiração, mas permanecer ao lado de quem não nos orgulhamos é algo próximo de uma tortura.

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Estudo prova que passar quatro dias na natureza sem tecnologias aumenta criatividade em 50%

Estudo prova que passar quatro dias na natureza sem tecnologias aumenta criatividade em 50%

Psicólogos de duas universidades norte-americanas concluíram que passar quatro dias imerso na natureza e sem contacto com equipamentos eletrônicos aumenta a capacidade criativa e de resolução de problemas em 50%.

“Isto mostra que a interação com a natureza tem benefícios reais e mensuráveis para a resolução criativa de problemas que ainda não tinham sido demonstrados”, disse um dos autores do estudo, David Strayer, professor de psicologia na Universidade do Utah.

Para o investigador, estes resultados provam que “enterrar-se em frente a um computador 24 horas por dia, sete dias por semana, tem custos que podem ser remediados com um passeio na natureza”.

O estudo de Strayer e dos cientistas Ruth Ann Atchley e Paul Atchley da Universidade do Kansas é publicado na revista científica PLOS ONE, da Public Library of Science, e resulta de uma experiência realizada com 56 pessoas, 30 homens e 26 mulheres, com uma média de 28 anos.

Os participantes estiveram, durante quatro a seis dias, em passeios na natureza nos estados do Alasca, Colorado, Maine e Washington, nos quais não era permitida a utilização de aparelhos eletrónicos.

Dos 56, 24 fizeram um teste de criatividade com dez perguntas antes de iniciarem o passeio e os outros 32 realizaram o mesmo teste na manhã  do quarto dia de passeio.

Os resultados foram claros: as pessoas que já estavam há quatro dias na natureza tiveram uma média de 6,08 perguntas certas, enquanto os outros  tiveram apenas 4,14.

“Demonstrámos que quatro dias de imersão na natureza, e o correspondente desligamento da tecnologia, aumenta o desempenho em tarefas criativas e de resolução de problemas em 50%”, concluíram os investigadores, sem esclarecer se o efeito se deve à natureza, à ausência de tecnologia ou à combinação de ambos os fatores.

Os investigadores recordaram estudos anteriores segundo os quais as crianças passam hoje apenas 15 a 25 minutes por dia em atividades de exterior e desportivas, que as atividades recreativas na natureza têm estado em declínio há 30 anos e que, em média, as crianças dos oito aos 18 anos passam mais de 7,5 horas por dia a usar o computador, a televisão ou o telemóvel.

“Há séculos que os escritores falam da importância de interagir com a natureza (…), mas não sabíamos bem, cientificamente, quais os benefícios”, disse Strayer.

Fonte Sapo, do original indicado Jardim do Mundo.

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Gosto de gente sem frescura.

Gosto de gente sem frescura.

Gosto de gente sem frescura. Daquelas que se jogam nas ideias, metem a cara no negócio, no romance ou na loucura. Vivem no mundo da fantasia mas sabem sentir o pé no chão.

Gosto de gente que anima, daquelas que movem e que iluminam.
Essa gente é rara, mas estão se expandindo porque carregam a energia que contagia.

Gente que não faz distinção, que tem elegância na comunicação. Gente da paz e do amor sem ser clichê ou modinha, gente natural ! Sabe mais o quê?! Elas ressoam no nosso ser.

Somos todos esse tipo de gente, mas que ainda veste a couraça de paradigmas – uma roupa antiga . Estas, despidas, vestem-se de luz e sabem vagar entre mundos – possuem senso de liberdade e trazem isso na bagagem.

Essa gente pode ser julgada como louca desvairada, um ser que não se enquadra – que bom! — : Aprenda a enxergá-las com os olhos do coração.

Quando encontrar com esse tipo de gente, mantenha-as por perto. Essa gente é rica daquilo que está em extinção- lealdade, amor e compaixão. Por mais gente que sabe ser natural, real e espontânea. Gente de verdade! Nessas eu me engato .

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Felizes são os que se arriscam

Felizes são os que se arriscam

Uma vez me disseram que o mais importante na vida é ser feliz. Confesso que demorei para entender. Nesse meio tempo, fui em busca de respostas. Ofereceram-me algumas, mas não me interessei. Até que, sozinho, pude perceber que, para ser feliz, é preciso se arriscar.

A vida não segue roteiro, na verdade, a vida é um espetáculo sem ensaios. Por isso, nem sempre nos saímos bem. Muitas vezes, tentamos nos preparar para as oportunidades, como se pudéssemos ludibriar a senhora do tempo, entretanto, aquelas sempre chegam de maneira diferente do que imaginávamos e, sobretudo, quando não esperamos.

Sendo assim, não há como se preparar para o acaso, para o inesperado, pois, se assim fosse, todo o encanto que só este possui seria mortificado. No entanto, ainda que não saibamos o que fazer, não podemos ser reféns do medo e da insegurança. É necessário estar disposto a se machucar um pouco para que se possa sentir o sabor da felicidade.

Acreditar que se pode ser feliz vivendo de forma reclusa, sem envolvimento, sem acreditar no outro e sem esforço, é uma autossabotagem de quem talvez tenha medo do que a felicidade possa lhe provocar. Talvez tenha medo das feridas e dores que pode ganhar ao longo do caminho e, por isso, prefere esperar a vida passar como se nada de especial pudesse acontecer.

Mas, mesmo que demorem, as oportunidades chegam. E, quando chegam, passam depressa. Assim, pelo medo de se arriscar e se machucar, as oportunidades que a vida nos oferece podem passar. E, junto com elas, a chance de ser feliz.

Nunca saberemos como é o final do caminho, se não estivermos dispostos a caminhar. Nele existirão obstáculos, mas é preciso superá-los, mesmo que, ao tentar, caiamos e tomemos tombos. Afinal, o erro faz parte do aprendizado e todos nós somos capazes de suportar alguns baques.

Se não estivermos dispostos a sair da nossa zona de conforto, seremos apenas representações de “eus” sonhados. Criaremos, na nossa cabeça, um mundo de fantasia, enquanto essa fantasia poderia estar fora, sendo tocada, abraçada, beijada e vivida. Para tanto, é preciso se arriscar e estar disposto a cair algumas vezes.

O tempo é difícil para os sonhadores que procuram algo além do trivial. Contudo, mais do que querer, é necessário ter coragem para agarrar as oportunidades que a vida nos dá. Nem tudo saíra como planejado – e quem disse que precisa o ser? As melhores coisas são aquelas que apenas o silêncio da alma consegue descrever.

A vida passa tão depressa, que desperdiçar a chance de ser feliz pode ser o seu maior pecado. Saia da janela e dance na rua, de pés descalços, olhe o céu e escute os pássaros. Sinta o seu coração, entregue-se aos acasos, arrisque-se e seja corajoso para viver as oportunidades que a vida lhe oferece, pois, com o tempo, os quadros mais bonitos tornam-se apenas borrões e até o coração mais sonhador se torna seco e triste.

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A diferença entre amar e estar carente…

A diferença entre amar e estar carente…

Por favor, não confunda amar com carência. Amar é calma, serenidade e encontro. Carência é pressa, posse e desencontro. Nenhum relacionamento dá certo quando mistura-se ambas. O resultado é quase sempre catastrófico e deixa marcas de difícil cicatrização.

Não sei como andam os seus sentimentos. Se estão tranquilos, agitados ou em transição. Mas uma coisa é fato, se você não estiver dando conta deles, fique na solidão. Tire um tempo para você. Não é um atestado de fracasso não amar, longe disso. Na verdade, quem não está amando outra pessoa no momento tem sorte. Sorte porque sabe aproveitar a própria companhia. Porque entende sobre não escolher um suporte só para estar com alguém. Na carência, o primeiro sinal de carinho vira motivo para ser “um amor para vida inteira”. Será? Existe amar nisso?

Com o tempo, o suposto carinho transforma-se nos piores detalhes da carência. O controle constante, a obsessão emocional em ter de volta o que foi cedido, a luta diária para estar perto apenas por comodidade. Relacionamentos tocados na base do “assim que eu quero”. Seja razoável. Amar não é sofrimento. Se dói e incomoda tanto ao ponto de você perde-se de vista, infelizmente, a carência sobrou mais do que deveria. E quando ela permanece, qualquer fuga é confundida com amar.

Presta atenção, amar é saudade. E saudade é saudável. Mas, quando trocada pelos jogos, abusos psicológicos e outras mandingas amorosas, é só você caindo na carência de quem não está dando valor para si. Porque amar é ter, todos os dias, um gosto de tranquilidade ao lado de alguém. É ter o olhar sereno para encarar um relacionamento sem falsas promessas.

Amar é ver a própria sorte sendo duplicada. Pelo amor de você e pelo amor para você. Enquanto isso, estar carente é ter o grande azar de precisar pedir presença sem o comprovante de reciprocidade.

Imagem de capa: Andrii Kobryn, Shutterstock

Quando falar é agredir- Flávio Gikovate

Quando falar é agredir- Flávio Gikovate

Há opiniões discrepantes em relação às pessoas que são muito cuidadosas e delicadas quando expressam seu ponto de vista, especialmente sobre temas polêmicos.

Alguns as julgam falsas e hipócritas, pois escolhem as palavras com o intuito de agradar o interlocutor. Resultado: desconfia-se de sua sinceridade.

Outros, porém, pensam de forma diferente. Acham que são espíritos mais atentos, preocupados em não ser invasivos e grosseiros. Tomam cuidado, sim, porque não gostariam, em hipótese alguma, de magoar a pessoa com a qual estão conversando.

Pode parecer também que o tipo mais espontâneo e sincero é mais veemente na defesa de suas ideias, enquanto o mais delicado tem menos interesse em fazer prevalecer seu ponto de vista, ficando sempre “em cima do muro”.

Embora muitas vezes tais considerações sejam verdadeiras, penso que não é tão simples fazer a avaliação da conduta mais adequada. Esse assunto não só envolve questões morais, mas diz respeito à eficácia da comunicação entre as pessoas.

Sob o aspecto moral, a preocupação com o outro se impõe sempre. Ser honestos e sinceros não nos dá o direito de dizer tudo que pensamos. A franqueza pode ser prejudicial.

Por exemplo, se uma pessoa, ao encontrar um amigo de rosto abatido, falar: “Puxa, como você está pálido! Até parece doente”, estará sendo sincera, mas tremendamente insensível.

A verdade não subtrai o caráter agressivo da afirmação; pelo contrário o acentua.

Na prática, acredito que uma boa forma de avaliar uma ação é pelo resultado. Se o efeito for destrutivo, a ação será nociva, independentemente da “boa intenção” daquele que a praticou.

A tese de que devemos falar tudo o que pensamos é ainda mais indefensável quando o objetivo é facilitar o entendimento e a comunicação.

Indiscutivelmente o ser humano é vaidoso e, se sentir-se ofendido por alguma palavra ou atitude do outro, acabará desenvolvendo uma postura negativa em relação a essa pessoa.

Se alguém iniciar uma frase com expressões do tipo “Você não percebe nada”, “Qualquer idiota é capaz de compreender que…”, elas provocarão uma espécie de surdez imediata.

Não ouviremos o resto do argumento ou então o ouviremos com o intuito de encontrar bons raciocínios para derrubá-lo.

Quando nos expressamos, é preciso ter extremo cuidado com as palavras, pois elas atingem positiva ou negativamente o interlocutor. No processo de comunicação, a recepção é tão importante quanto a emissão dos sinais. Temos que nos lembrar disso se quisermos agir de modo construtivo para nós e para os demais.

O descaso pelo “receptor” indica desrespeito moral e agressividade (voluntária ou não).

Há pessoas que só têm interesse em mostrar como são perspicazes e brilhantes. Querem ficar por cima. Querem ensinar e não aprender. Despertam raiva, não admiração, pois a arte de seduzir caminha exatamente na direção oposta.

Um homem (ou uma mulher) atraente faz o outro se sentir bonito, legal e inteligente. Prefere dar atenção a repetir o tempo todo “Como sou bárbaro e maravilhoso”.

Qual a pessoa que gosta de se aproximar de alguém cujo objetivo principal é a autopromoção constante? Quem atura discursos intermináveis baseados num narcisismo oco? Praticamente ninguém.

O descaso pelo interlocutor é, a meu ver, fruto de um individualismo acirrado e oculta o desejo inconsciente de se dar mal na vida.

Visite a página oficial do autor Flávio Gikovate

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Sou fã das voltas que o mundo dá

Sou fã das voltas que o mundo dá

“Cedo ou tarde, seremos cobrados pelo que fizemos, pelo que dissemos, pelo que criamos ou destruímos, porque ninguém fugirá às mudanças, às rupturas, ao novo, ao fim do dia, ao amanhecer, por mais que isso doa.”

Por mais que nossos pais e a vida tentem nos ensinar, teimamos em nos achar incólumes à passagem do tempo e às cobranças que teremos de enfrentar quando sentarmos à mesa do banquete das consequências. Inúmeros artigos, filmes, poemas, romances, novelas embasam a sua trama na semeadura a que não podemos fugir, na certeza inconteste de que fatalmente ficaremos cara a cara com o resultado das escolhas feitas em nossa jornada. Na natureza e na vida, não se colhe aquilo que não foi semeado, como nos tentaram ensinar desde o jardim de infância.

Ao adolescente, que se acha imortal, raramente projeta o futuro e está em processo de formação, ainda podemos dispensar um olhar mais condescendente pelas escolhas erradas e comportamentos inadequados, mas e quanto aos adultos já criados, estudados e formados, supostamente amadurecidos pelos tombos acumulados e que continuam a ignorar o outro e tudo que o cerca, em vista de seus próprios objetivos? Por que muitos de nós persistimos a errar e errar de novo, pisando vidas alheias, tomando o que não é nosso, traindo a quem nos ama, vendendo nossa integridade em troca de favores?

O pouco caso em relação ao outro desencadeia consequências nefastas, que minam qualquer harmonia desejável entre as pessoas, pois, nesse caso, o alcance do raio das ações estende-se por muito tempo. Quem age de forma antiética acaba, por isso mesmo, desencadeando uma sucessão de cicatrizes, em si e nos demais, tolhendo os direitos de um todo muito mais abrangente, ou seja, o mal acaba se tornando ilimitado, pois se agiganta além de quaisquer domínios. Espanta-nos, pois, o fato de que muitos ajam dessa forma deliberada e conscientemente, a despeito da existência e dos sentimentos alheios.

A invisibilidade de que se reveste o outro, em tudo o que ele é e em como se sente, desencadeia atitudes de intolerância para com tudo o que foge à visão que se tem de mundo, mesmo que distorcida. Tornou-se comum o julgamento agressivo, em tom de repúdio, às escolhas do outro, às escolhas a que todos temos direito, pois a verdade egoísta deve ser a única possível e a única a ser aceita socialmente, para que o caminho se torne livre e mais fácil aos egoístas de plantão.

O poder é mesmo afrodisíaco, como dizem, e deve ser conquistado a qualquer preço, a despeito de quaisquer escrúpulos, apesar de toda ferida que em seu nome é deixada pelos caminhos. Essa busca desenfreada por mandar na vida do outro encontra-se presente, inclusive, na história da humanidade, cujos sucessivos episódios marcam-se pela dominação de povos e consequente aniquilação daquilo que contraria e emperra o estabelecimento de uma verdade homogênea – a verdade dos poderosos tão somente, visando à manutenção do “status quo”.

Ignora-se, nesse contexto, que o tempo costuma desestabilizar o que está instituído, pois a vida questiona sempre, pulsa por não se acomodar, por revelar verdades, por dissolver as incertezas e neutralizar as injustiças sociais. Assim é na vida, assim é em casa, no trabalho, na rua. Nada está posto para sempre, tudo está ainda por terminar – eis o fluxo da dinâmica da vida, que se movimenta à maneira das correntezas, com maior ou menor intensidade, mas de maneira intermitente.

Quando no topo, no poder, seja na política, no trabalho, em qualquer situação, a maioria das pessoas parece se esquecer de que aquela situação é transitória, de que em breve voltará ao seu lugar de origem e terá que conviver novamente, de igual para igual, com aqueles que eram seus subordinados. Quem estava no poder terá, então, que encarar de volta o resultado de suas ações e será tratado pelos colegas de acordo com o que plantou lá de cima. Infelizmente, já poderá ser tarde demais para tentar reatar relacionamentos e amizades que se romperam, para reerguer uma imagem largamente maculada ou para reestabelecer uma dignidade esquecida e ignorada.

Da mesma forma, no dia-a-dia, o tratamento que dispensamos a quem nos rodeia torna-se tão frio e desumano quanto o conjunto de nossas ambições e vaidades, enquanto nos concentramos na perseguição implacável de ascensão e status social. Com esse objetivo, muitas vezes nos aproximamos de novas – e falsas – amizades, consonantes com nossas intenções mesquinhas, distanciando-nos das pessoas que verdadeiramente se importam conosco e nos amam pelo que somos – se bem que o que somos então vai deixando de sê-lo. Quando, e se, percebermos a mentira sufocante a que nos submetemos e precisarmos da ajuda daqueles que sempre estiveram conosco, estaremos fadados a possivelmente estendermos as mãos e encontrarmos um vazio frio e desolador.

Os pais, os professores e os amigos bem que tentam nos ensinar, com paciência e dedicação, a pautarmos nossas ações por valores éticos, dignos, sem perder de vista o fato de que não estamos sozinhos, ou seja, o que fazemos e somos faz parte de um todo que deve estar harmonizado, para o bem comum e coletivo. Felicidade solitária não se sustenta por muito tempo; máscaras costumam cair; a toda ação corresponde uma reação, de mesma sintonia – frases que, de tão repetidas e disseminadas, parecem ter se banalizado. Felizmente, mesmo quando todos já tiverem desistido de nós, a vida persistirá e virá nos ensinar, sem rodeios e sem nos poupar de sofrimento. Cedo ou tarde, seremos cobrados pelo que fizemos, pelo que dissemos, pelo que criamos ou destruímos, porque ninguém fugirá às mudanças, às rupturas, ao novo, ao fim do dia, ao amanhecer, por mais que isso doa. Porque ninguém fugirá ao enfrentamento da verdade daquilo que se é.

Imagem de capa: Reprodução

6 coisas que aprendi com “O Pequeno Príncipe”

6 coisas que aprendi com “O Pequeno Príncipe”

Há mais de setenta anos um homem que via o mundo com olhos encantadores colocou no papel uma história que parecia para crianças, mas que no fundo contava a história dele e de muitos de nós. Não preciso dizer que falo aqui da belíssima obra “O Pequeno Príncipe” de Antoine de Saint-Exupéry.

Curiosamente a ideia para o livro nasceu de uma experiência vivida pelo próprio autor em 1936: o avião que Antoine pilotava caiu no Saara e ele passou quatro dias sofrendo de desidratação, fome, e tendo alucinações, até ser resgatado por um beduíno.

Toda a narrativa do livro de Tonio (apelido carinhoso do autor) é muito ampla e eu vou aqui me distanciar um pouco das citações difundidas dentro e fora da internet para falar um pouquinho do Pequeno Príncipe que existe em nós. Sim, essa singela história infantil não é a história do outro, mas a nossa própria e talvez seja por isso que ela nos toca tão profundamente.

1. Cada um de nós habita um pequeno asteroide

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“Eu aprendera, pois, uma segunda coisa, importantíssima: o seu planeta de origem era pouco maior que uma casa!” _ (O Pequeno Príncipe)

O pequeno Príncipe vivia em um planeta minúsculo, o asteroide B612. O seu planeta era do tamanho de uma casa. No entanto, ouso dizer aqui que ele não era apenas diminuto como uma casa, mas também simbólico como uma.

Por casa podemos entender: 1 – edifício de formatos e tamanhos variados, de um ou dois andares, quase sempre destinado à habitação. 2. família; lar.

Toda casa demanda uma série de cuidados que apenas quem mora nela conhece bem. Toda casa tem uma dinâmica particular. A casa física, com seus cômodos delimitados e a casa emocional, aquela que acolhe nossos entes queridos, requerem um enorme zelo diário e dependem da nossa dedicação exclusiva e constante para se manterem bem.

O comprometimento com a nossa casa é de nossa inteira responsabilidade. Nos portamos com relação a ela assim como o Príncipe em relação ao seu asteroide

Poderíamos então facilmente brincar de imaginar a nossa casa como um asteroide perdido em meio a um mundo de asteroides.

2. Cuide bem dos seus vulcões

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 “Durante o dia, seu trabalho consistia em cuidar dos vulcões para que não entrassem em erupção e em arrancar da terra os frutos de baobá”_ (O Pequeno Príncipe)

Todos os dias o príncipe precisava revolver seus vulcões. Ele revolvia todos os três, até mesmo o adormecido e fazia bom uso de algo que poderia ser prejudicial ao planeta dele.

Todos precisamos revolver nossos vulcões para que eles não explodam. Todos precisamos ter sabedoria e resiliência frente às situações que nos surgem para tirarmos delas o melhor.

As situações encaradas da pior forma possível podem nos levar à ruína. Encaradas da melhor forma possível tornam-se proveitosas. E esse manejo do olhar, sentir e agir é cotidiano. Se largarmos mão, nosso mundo se torna bem pouco agradável.

3. O mal se corta pela raiz

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“Os baobás, antes de crescer, são pequenos”_ (O Pequeno Príncipe)

Outra questão interessante no minúsculo planeta do Pequeno Príncipe é que chegam a ele sementes boas e sementes ruins. As boas são florezinhas e as ruins os temidos Baobás.  Logo, o Príncipe precisa estar atento para arrancar as mudinhas ruins quando ainda são bem pequenas. Se elas criarem raízes podem acabar com seu pequeno planeta.

Os Baobás podem representar tudo aquilo que nos chega de ruim. Aquilo que muitas vezes nos fere, machuca, mas que por alguma razão deixamos brotar em nós. Quando ainda pequenas, as sementes ruins podem ser facilmente liquidadas, mas quando grandes provocam enormes estragos.

Muitas vezes somos acometidos por coisas que nos chegam sorrateiras. Coisas que estavam bem escondidas em nós. Essas coisas podem ser um grande abalo emocional, síndromes e sintomas físicos. Daí precisamos parar tudo para, com muito esforço, cortar aquilo que um dia foi bem pequeno.

Quando somatizamos problemas podemos desenvolver transtornos psicológicos e físicos. Por isso devemos cuidar da nossa saúde física e emocional diariamente. E quando digo cuidar da nossa saúde emocional especificamente me refiro principalmente à interação, boa ou ruim, que temos com aqueles que nos acompanham durante a vida.

4. Algumas coisas só podem ser feitas por você

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“Um carneiro, se come arbusto, come também as flores?” _ (O Pequeno Príncipe)

Na história o Pequeno Príncipe pede ao seu amigo piloto que pinte para ele um carneiro. Mas por que um carneiro e não qualquer outro animal que possa ter um apetite voraz por arbustos?

O carneiro é a representação da vida em todas as suas manifestações. Sejam elas positivas ou negativas. O carneiro é um signo que carrega em si o bom e o ruim. Pode ser organizado ou caótico. Pode ser generoso ou obcecado.

Se prestarmos atenção o desejo do príncipe é que o carneiro liquide todos os seus problemas, representados por arbustos de Baobás, mas ele percebe que o carneiro pode em suma comer sua amada rosa também. Afinal, a rosa pode em alguns momentos ser encarada como um problema.

A vida é assim. Gostaríamos, por vezes, de poder delegar algumas tarefas árduas, no entanto apenas nós podemos escolher o que é bom e o que é ruim para nós. E escolher entre um e outro exige que usemos não apenas a razão, mas essencialmente a emoção.

5. O amor romântico nem sempre é fácil

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“Tenho horror a correntes de ar. O senhor não teria um anteparo?”_ (O Pequeno Príncipe)

A rosa é a representação do amor romântico. Ela é caprichosa e reflete em muitos aspectos a própria mulher de Antoine, a salvadorenha Consuelo. Existem muitas similaridades entre as duas. Consuelo era asmática e ao mesmo tempo delicada e de personalidade forte. A Rosa também vive com suas tosses e precisa ser protegida do vento.

O príncipe faz de tudo para agradá-la, mas em certo momento, exausto e frustrado, resolve largar tudo e partir. O Príncipe parte assim como o próprio Antoine fez inúmeras vezes.

O Pequeno Príncipe enxerga o mundo então através de outros olhos. E dessa forma percebe que o convívio diário com sua rosa, a doação generosa, que por vezes o chateou, fez com que ele tivesse por sua flor um carinho especial.

O amor romântico não é fácil. A convivência diária muitas vezes é uma provação, mas é nela que os laços são tecidos. É nos desafios do dia a dia que cativamos e somos cativados. O príncipe partiu de seu planeta, mas o amor que carregou consigo o fazia se preocupar com o bem-estar de sua rosa, mesmo estando bem distante dali.

No final das contas ele só queria voltar para seu pequeno planeta e dividir com a rosa tudo que havia descoberto sobre o mundo e sobre ele mesmo. De que vale o aprendizado sem a chance de compartilhá-lo com aqueles que amamos?

6. O mundo está cheio de reis, vaidosos, bêbados, empresários, acendedores de lampiões e geógrafos

contioutra.com - 6 coisas que aprendi com "O Pequeno Príncipe"“As pessoas grandes são muito esquisitas”_ (O Pequeno Príncipe)

Existem muitos outros ensinamentos em “O Pequeno Príncipe”. Em suma, quase todos os personagens guardam alguma semelhança com pessoas que conhecemos ou até mesmo conosco.

Nunca existiram tantos reis e vaidosos no mundo como nos dias de hoje. Tantos buscando o poder e vivendo para serem adorados, curtidos e seguidos por aí. Se olharmos bem esse comportamento é apenas uma projeção mental bastante fantasiosa.

Também são numerosos os que se ocupam com coisas sem sentido e esquecem de parar e pensar na própria vida e dar a si um pouco de bem-estar e propósito. Como o acendedor de lampiões, perdido em sua compulsão de fazer o que disseram que devia ser feito.

Outros personagens também comuns hoje em dia são o bêbado e seus vícios e o contador de estrelas que tudo quer. O geógrafo também é abundante mundo afora. Existem muitos especialistas de coisa nenhuma por aí, infelizmente.

Cada qual pode fazer do seu mundo o que desejar. Cada qual pode regar flores e ter jogo de cintura para tornar o viver agradável ou se perder dentre compulsões e contradições. O pequeno príncipe nos ensinou o caminho das pedras. Cabe a nós viver na manutenção constante daquilo que efetivamente pode dar bons frutos e nos manter saudáveis.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: diversas aquarelas da obra “O Pequeno Príncipe”.

Ninguém consegue ferir quem se aceita exatamente como é

Ninguém consegue ferir quem se aceita exatamente como é

Quem se aceita exatamente como é não tenta agradar a todos, impressionar, nem dá valor ao que os outros vão falar, vão pensar, vão fofocar, pois tem certeza de que é muito maior e melhor do que todo mal ao seu redor.

Quando somos crianças, desejamos ser aceitos por nossos pais, no seio de nossa família. Aliás, creio que esperamos a aprovação deles durante toda a nossa vida. Sempre que tomamos alguma decisão, voltamos os nossos olhos em sua direção, para que a concordância deles acalme o nosso coração.

Assim que chegamos à adolescência, queremos ser aceitos pelo grupo de amigos, mesmo quando este é formado por pessoas que não tenham nada a ver conosco. Não raro, somos atraídos por aqueles que são mais ousados e destemidos, ainda que seu comportamento seja indesejável, pois eles espelham tudo aquilo que queríamos fazer, mas não temos coragem. Daí o fascínio pelos mais rebeldes e transgressores.

Quando nos tornamos adultos, ansiamos pela correspondência amorosa de quem amamos, pois desejamos dar certo na vida a dois. No entanto, esse querer jamais poderá ultrapassar os limites de nossa dignidade; caso contrário, acabaremos enredados nas garras de pessoas manipuladoras, egoístas e que não sabem amar de fato. Porque carência alguma poderá nos sujeitar a aceitar qualquer tipo de companhia.

Na verdade, tornar-se adulto requer amadurecer, o que basicamente implica a aceitação de si mesmo. Temos que ter consciência de tudo aquilo que podemos ofertar, não aceitando retorno de menos. Sabermos com clareza quais são as nossas potencialidades e nossas limitações nos ajuda a mergulharmos nos encontros que valem a pena, onde o amor será sempre uma via de mão dupla.

Aceitar-se exatamente como se é liberta, apazigua as inseguranças e torna tudo mais fácil de se enfrentar. Quem se aceita para de tentar a agradar a todos, de tentar impressionar, de dar valor ao que os outros vão falar, vão pensar, vão fofocar. Quando nos aceitamos, temos, então, a certeza de que somos muito maiores do que todo o mal que nos rodeia.
Aceite-se e liberte-se do que não faz falta alguma em sua vida. É assim, somente assim, que tem de ser. Nem mais.

Imagem de capa: Voyagerix/shutterstock

Assuma seu novo amor!

Assuma seu novo amor!

Às vezes acho que existe uma força que age diante dos engates de novos relacionamentos. Parece uma conspiração para que o casal não funcione, uma distração… ou quem sabe seria mesmo uma confirmação? Calma, eu explico.

Você já deve ter passado pela experiência de assumir uma única pessoa na sua vida, fechar as portas para novos contatos e preferir se relacionar apenas com “o escolhido” – (chamarei assim até o final porque acho mesmo que é isso).

Quando este entendimento é concebido e assim define-se o casal, é como se uma força agisse nesse momento e abrisse as portas do limbo, aparecendo, como que do nada, contatos novos e antigos, pipocando por todos os lados! É uma força tão descomunal que é possível até mesmo ressuscitar quem já partiu: Abre-se a tumba dos contatos mortos em vida que você até mesmo rezou na missa de sétimo dia e desejou nunca mais encontrar! Como lidar?

Abrir mão dos contatos é a primeira prova de que você está num relacionamento sério. Este deve ser basicamente o primeiro movimento a se fazer se você deseja mesmo assumir um lance sério com alguém e quer isso em troca. Não vale entrar na relação pra matar carência e deixar os “contatinhos” de stand by.

É importante mesmo fechar as portas e se sentir tranquila. Não é legal manter as aparências com alguém quando se está namorando. Ou você está com esse alguém ou está na curtição. É bom entender isso.Quando estamos mesmo apaixonados, esse movimento até se torna bastante natural, pois não desejamos outro alguém na vida a não ser “o escolhido” . É dele nossos pensamentos, vontades e planos. Nesse sentido, os contatos que ressurgem não serão mais prioridades. Digo MAIS porque certamente um ou outro aí já foi. Importante saber enterrar os mortos.

Mas é verdade que os contatos parecem sentir o cheiro de longe quando a agenda está fechada, quando a placa virou para “fechado”, né não? Fica como se fosse uma corrida para a desistência, de que haverá mais uma chance.

Você pode até ficar surpresa com as propostas que aparecem, até mesmo daquele contato que já estava lá embaixo da sua lista de conversas do whatsapp.

Nesse caso, seja sincera com você e honesta com “o escolhido”. Construa algo sólido, verdadeiro, sem mentiras ou falcatruas. É melhor começar sempre com o pé direito!

Fale logo, abra o jogo e conta o que está se passando, doa a quem doer. “Desculpa, mas não vai dar. Agora estou namorando”, e ponto. É isso menina! Sem muitos rodeios e explicações porque bem provável que nessa história de contatinhos você não deva nada mesmo a ninguém. É bom haver respeito, tanto do contato quanto seu com seu novo amor. Não vamos sacanear nem iludir ninguém, porque esse negócio de mexer com sentimento dos outros machuca de verdade.

Ser leal a uma pessoa é bonito, e acredito que você também quer isso de volta. Faça o que gostaria que fizessem com você. Se o outro não fizer, isso é problema dele que não soube ser de verdade. Mostre sua integridade.

Nada contra a amores livres, cada um faz da sua relação o prato que quiser comer. O importante é ser feliz. É bom existir o entendimento do casal, de como deseja levar sua relação.

Mas se no caso for mesmo uma relação “pinguim”, daquela onde há apenas um único parceiro pra dividir a vida, ser franco é sempre a melhor saída, pois não há nada que gaste mais energia que o tal do “rabo preso”, viver numa situação comprometedora e não ter sossego porque precisa vigiar o telefone pra não aparecer mensagem do fulaninho ou vigiar facebook pra não expor o segredinho… Que feio, que gasto de energia! É bom ser leve, ter consciência e mente tranquilas.

Nesse sentido, se assuma, assuma pros contatos, assuma pro mundo seu novo amor e sejam os dois muito felizes!

*Ah! Este texto também é dedicado aos homens que encontraram as suas “escolhidas “!

Cair em si: o melhor tombo da vida

Cair em si: o melhor tombo da vida

Não aceite qualquer amizade, qualquer sentimento, um amor qualquer de uma pessoa qualquer. Ninguém é qualquer um, nem merece qualquer coisa, muito menos você.

O tempo passa tão rápido e ficamos tão atribulados com nossos compromissos de trabalho, de estudo, de vaidade, de tudo o que não tem a ver com a nossa essência, que, não raro, acabamos nos esquecendo de reservar um tempo a nós mesmos. Acabamos nos esquecendo de que há uma vida toda passando também aqui dentro de cada um de nós.

E, caso negligenciemos todas as nossas necessidades afetivas, quase nada nos resta de verdade. Sim, somos as nossas verdades, tudo o que alimenta as batidas de nossos corações, todos os nossos sonhos, desejos e que constituem aquilo que somos – humanamente somos. Não existe conforto algum, maquiagem alguma, dinheiro algum, capazes de preencher a nossa dimensão afetiva, as carências de nossos sentidos, o horizonte do amor que guardamos aqui dentro.

Somos sentimentos, somos alma, para muito além do nosso corpo e daquilo que vemos e pegamos com as mãos. Necessitamos de troca de energia, de toques de almas, de entendimento e de compartilhamento de olhares, de falas, de essências. Tudo o que é material, por si só, torna-se vazio e inútil, caso não estejamos trocando afetividade com alguém enquanto vivemos. Precisamos de amor e amor não se materializa no que a gente compra, mas existe e se multiplica através de sentimentos verdadeiros.

Assim sendo, sem que reflitamos acerca de nossas atitudes, agiremos, a pouco e pouco, mecanicamente, enxergando tão somente o que está ali na frente e os resultados, o produto final. Então, todo o processo que culminou naquela situação passará despercebido por nós, ou seja, não nos conscientizaremos de que muito do que nos acontece implica a colheita das sementes mal escolhidas e mal plantadas por nós mesmos.

Com isso, aceitaremos, resignados e passivamente, qualquer emprego, qualquer amizade, qualquer sentimento, um amor qualquer de uma pessoa qualquer. Mas ninguém é qualquer um, nem merece qualquer coisa, muito menos você. Temos que prestar atenção em nossas ações, para que possamos agir de acordo com as nossas verdades, para que não aceitemos menos do que a inteireza que estivermos oferecendo. Não podemos nos sujeitar a sermos menos e menores do que toda a integralidade de nossa essência, simplesmente por não prestarmos atenção em tudo o que temos dentro de nós.

Quando paramos e olhamos para dentro de nós, conseguimos perceber e refletir sobre as atitudes que vimos tomando, no sentido de mudar os comportamentos que nos afastam da felicidade e de manter em nossa vida as ações que nos aproximam de tudo e de todos que nos ajudam a sorrir com sinceridade. Isso é cair em si. Isso é o melhor tombo da vida!

Imagem de capa: nd3000/shutterstock

“Gosto que me digam a verdade. Eu decido se ela dói ou não”

“Gosto que me digam a verdade. Eu decido se ela dói ou não”

Quando eu era menina, era comum uma criança ou outra da vizinhança ter um problemão pela frente. Acontecia, vez ou outra, de quebrar uma porcelana de valor afetivo dentro de casa, e éramos tentados a remendar os cacos com super bonder, argila ou mesmo esmalte. Porém, aquilo era uma trapaça, uma forma de nos safarmos dos discursos inflamados, castigos e safanões. E, mesmo que conseguíssemos adiar o encontro com a verdade, cedo ou tarde ela viria à tona, e além de desastrados, seríamos culpados por mentir e enganar. Antes tivéssemos a coragem de varrer os cacos e revelar nosso descuido. O que nossos pais iriam fazer ao serem confrontados com a realidade poderia doer ou não, mas certamente nos libertaria a viver sem culpa, olhando nos olhos, livres de suposições acerca do “desgosto” que fomos capazes de provocar em nossa família.

A mentira “bonita” é muito mais devastadora que a verdade intragável. Por mais que a mentira tenha “boa intenção”: poupar alguém da realidade, proteger, resguardar… ela causa rupturas amargas na confiança, e pode diminuir a fé que essa pessoa tem na vida, nas circunstâncias e nas pessoas.

Há cinco anos, quando comecei o blog, estava passando por um momento delicado na minha vida. Inesperadamente, algumas “verdades” que eu conhecia foram por terra, e me deparei com uma nova realidade, a realidade que me pertencia e que eu sempre tive o direito de conhecer, mas que por “cuidado” tinha sido revestida de mentira e omissão.

Conhecer a verdade _ sendo ela bonita ou não _ não me amargou nem me tornou revoltada ou deprimida. Porém, saber que tinha sido enganada com mentiras e omissão, me afligiu e por um tempo diminuiu minha confiança nas pessoas.

A realidade, seja ela boa, má, fácil ou extremamente dura, é o que há. Ela é nosso fato concreto, e não pode ser mascarada com uma mentira que não reflete aquilo que temos pra hoje. Não podemos manipular a vida de ninguém, editando aquilo que ela deve ou não conhecer, deve ou não lidar, deve ou não enxergar. Não dá para poupar alguém dos fatos de sua própria vida enfeitando a realidade com omissões. Não dá para achar que ajudamos alguém contando a ela uma mentira.

“Gosto que me digam a verdade. Eu decido se ela dói ou não”. Nem sempre a verdade vai nos trazer alívio ou alegria, mas a vida precisa ser vivida com clareza, por mais que essa transparência traga dor. Ainda assim, é uma dor que nos localiza, nos situa, nos confronta com o amadurecimento e aprendizado. Pois tudo está em pratos limpos, às claras, sem manipulações, hipocrisias, omissões e mentiras.

É melhor desapontar alguém com a verdade (nem sempre bonita) do que enganar com uma mentira. Se a pessoa vai sofrer ou não, isso não nos cabe decidir ou controlar. Não podemos agir como deuses, capazes de manipular e conduzir o que foi reservado à vida de cada um. O sofrimento não é só prejudicial, ele também tem seu papel no fortalecimento dos vínculos e no crescimento pessoal. Tentar remediar o sofrimento através de uma mentira é causar uma dor ainda maior.

Sempre tive afeição por aqueles que me olham nos olhos e deixam transparecer o que vai dentro do coração. Quando há respeito, a sinceridade, por mais que doa, estreita os laços e nos ajuda a crescer. Nos situa, dá um chacoalhão na nossa comodidade e nos desperta para a vida. É como um estalar de dedos na nossa cara, dizendo “acorda, Alice!”; nos ensinando que é preciso arregaçar as mangas e lidar com aquilo que nos cabe: nossa vida real e nada mais.

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Imagem de capa: Monkey Business Images/ Shutterstock

Não permita que a covardia dos outros, tire a sua coragem de amar

Não permita que a covardia dos outros, tire a sua coragem de amar

Que amar é um ato de coragem todos sabem, mas que está cheio de falsos corajosos, usando máscaras de apaixonados, poucos.

Infelizmente, os relacionamentos que sempre acreditávamos ser vividos por pessoas corajosas e sinceras, estão minados por pessoas covardes, maldosas e dissimuladas que, para satisfazerem a vaidade do próprio ego, brincam com o sentimento alheio como quem brinca de lego.

Pessoas covardes nunca assumem um posicionamento diante de um conflito pessoal ou profissional. Utilizam-se da desculpa do “bom relacionamento” para jogar dos dois lados e para se manterem em suas zonas de conforto, sejam elas profissionais, sociais ou sentimentais.

Pessoas covardes jogam sujo. Não falam com você, mas falam de você o tempo todo. Julgam suas lutas, suas escolhas, sua vida, mas, nunca enfrentaram uma tempestade ao seu lado.

Pessoas covardes não assumem relacionamentos, com a desculpa de “relacionamentos escondidos duram mais” nunca estão disponíveis, nem prontas para algo sério.

Com desculpas esfarrapadas e pouca criatividade, não dispensam um encontro casual e um romance escondido, desde que não tenha que colocar uma aliança e apresentar o outro como parceiro de vida. Alegam incompatibilidade de gênios, colocam a culpa nos astros, na ex-namorada, no ex-parceiro, na mãe, na parteira, na “química”. Mas, nunca assumem a culpa da incapacidade de amar. Como definiria Sarah Westphal: “sobra covardia e falta coragem até pra ser feliz”.

Gente corajosa é sincera. Diz “que não dá mais” com motivos certos, respeitando a dor e o sofrimento do outro. Pessoas covardes, não. Manipulam seus parceiros, até os mesmos se sentirem culpados de erros que não cometeram, apenas para terem motivos para “desaparecem” no meio da história.

Por sorte pessoas covardes não são a maioria e, a vida, acontece com os transparentes e verdadeiros. Dessas que assumem as conseqüências de seus atos e que permitem que o amor e o respeito prevaleçam na relação.

Pessoas corajosas dão cor à vida. Deixam o amor leve, engraçado, bonito. Confirmando a definição perfeita de Zygmunt Bauman: “sem humildade e coragem não há amor. Essas duas qualidades são exigidas, em escalas enormes e contínuas, quando se ingressa numa terra inexplorada e não-mapeada. E é a esse território que o amor conduz ao se instalar entre dois ou mais seres humanos”.

Que, em nossas vidas, os covardes sejam passageiros e os corajosos eternos. Que sejamos inteligentes para aprender com quem parte e sensíveis para valorizar quem fica. Afinal, “Amar é um ato de coragem”. (Paulo Freire)

Imagem de capa: farfalla81/shutterstock

Tomara que caia

Tomara que caia

Nunca fui uma mulher dessas “femme fatale”, sabe? A minha rebeldia contra alguns dos padrões impostos pelo patriarcado começa desde que me conheço por gente. Minha mãe contava que ainda bebê me incomodava com os laços e fitas com os quais ela insistia em adornar meu cabelo, em cinco minutos arrancava tudo.

Quando garota passávamos as férias na fazenda da minha tia, minha irmã e prima gostavam de fazer coisas mais simples, dormir até tarde, assistir TV, ler Agatha Christe, eu tinha outras ambições: aprender a cilhar cavalos e a cavalgar. Meu primo, três anos mais velho que eu, era entendido do assunto, acordava antes do sol nascer todos os dias para cilhar os cavalos e tocar os bois.

Meu sonho era fazer o mesmo, mas sabendo da minha condição de prima mais nova, da cidade – e menina – aprender a cilhar um cavalo já estava de “bom tamanho”. Ele tentava sair em silêncio para não me acordar. Eu era determinada, antes dele sair, já aguardava ansiosamente. Descia atrás dele, caminhando apressadamente pelo trecho da estradinha de chão que levava até o barracão, me esforçava para acompanhar seu ritmo, ele caminhava com passos rápidos e largos, com andar confiante de quem, desde cedo, conhecia seu lugar no mundo, eu ia ficando para trás, chegava lá embaixo ofegante – e feliz.

Observava atenta enquanto ele ia até o pasto pegar o cavalo, se aproximando devagar do bicho, colocando primeiro o cabresto, depois o freio e ajeitando a rédea. Então ele o trazia para perto do barracão e colocava o pelego e o arreio ou a sela, por último apertava a barrigueira. Decorei a sequência que nunca usei. Às vezes, ele me deixava colocar o freio ou ajeitar a sela, segundo ele, eu era “fracote” e não tinha força para apertar a cilha da barrigueira.

Meu primo não era um guri “ruim”, eu que era teimosa demais (era o que me diziam) e ele sempre me deixava andar no “Campeão”, que teoricamente era o cavalo “mais bravo” que tinha para as meninas. E o Campeão foi meu companheiro de cavalgadas, até hoje lembro daquela sensação, me sentia livre e capaz.

Pois é, posso não ser nenhuma “femme fatale” (será que na “vida real” elas existem mesmo?), mas com os anos aprendi a celebrar minha feminilidade, aprendi que ser mulher vai além da roupagem, é um dom adquirido com a maturidade e as cicatrizes deixadas por uma sociedade que não contempla nossas grandes ambições. Noite dessas quis usar um vestido “fatale” tomara que caia, preto, curto e que há tempos não vestia. Por via das dúvidas (e por ser Curitiba) resolvi levar um casaquinho.

Meus amigos vestiam moletom e camiseta, senti inveja deles, eles estavam confortáveis e ninguém (além de mim) parecia se importar com o que vestia. Os rapazes na balada exibem sorrisos despretensiosos, tênis, moletons e camisetas, e assim como meu primo, pareciam nem se dar conta do conforto e facilidade que desfrutavam pelo simples fato de terem nascido homens. Privilégio é algo difícil de entender porque nunca saberemos como é viver sem os que temos ou na pele daqueles que não têm.

Às vezes sinto que ser mulher é como aquela caminhada de passos ligeiros que fazia tentando alcançar meu primo; em terreno desregular, tropeçando no breu da noite que findava, aliviada quando o sol despontava no horizonte como se fora aliado ajudando a iluminar o caminho. Ser mulher é constantemente se esforçar e sentir-se ficando para trás. É viver desconstruindo padrões, arrancando laços e fitas diante do olhar de reprovação de muitos. Não, claro que não é assim para todas, para a maioria é muito pior. Muitas não têm nem a chance de fazer a caminhada. Eu tenho consciência dos meus privilégios.

Deu calor, resolvi prender o cabelo, o rapaz, um estranho, ao meu lado achou-se suficientemente familiar para dizer “prende o cabelo bem alto que fica gata, hein?”. E quando eu ia tirando o casaco ele também sentiu-se no direito de acrescentar um “agora sim!”. Eu não quero sair de moletom na balada, gosto de usar vestidos, mas quero poder vesti-los sem sentir que serei devorada, e definitivamente sem os comentários de estranhos.

Sim, ser mulher é ter alguém (estranho ou não) constantemente te dizendo o que você deve ou não fazer, como deve ou não se comportar. Vestir-se. Pensar. Agir. Falar. Sonhar. Desejar. E ainda assim sentir-se, de diversas maneiras e em diversas situações, inadequada. É o que aprendi desde cedo, como uma menina-moleca que arrancava laços e fitas diante do olhar reprovador da minha mãe.

Soltei o cabelo, vesti o casaco, resolvi que minha noite já tinha chegado ao fim. No meu tempo de menina já estaria quase na hora de ir cilhar os cavalos. A caminhada, todavia, parece-me longa e escura. Talvez o sol ainda seja aliado, torço para que a luz que brilha no horizonte ilumine nossos caminhos, sigo ofegante e com grandes ambições.” Tomara que caia ” essa moda machista.

Imagem de capa: alex makarenko/shutterstock

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