Alguns amores, ainda que breves, deveriam ser chamados de ressurreição.

Alguns amores, ainda que breves,  deveriam ser chamados de ressurreição.

Pode acontecer de, após uma longa temporada totalmente descrente da possibilidade de amar, você ser surpreendido(a) com um amor breve, eu digo breve, porque esse tipo de amor já chega na vida das pessoas com um objetivo bem definido, melhor dizendo, uma missão específica: ressuscitar-lhe o coração e trazê-lo à tona, descartando a possibilidade de que ele esteja morto para a capacidade de amar novamente. Serão amores breves e intensos, sim, é preciso ser muito intenso para dar um tratamento de choque e desfibrilar um coração praticamente parado. É que, esse órgão vital, em algumas pessoas, está tão paralisado pela desilusão que parece ter recebido uma dose cavalar de anestesia, algo que beira ao coma. E eis que chega um amor novo, promovendo um choque nesse coração, e ele parece querer entrar em colapso. É que, de uma hora para outra, sem nenhum aviso prévio, ele migrou da apatia para a euforia, e ainda não entendeu o que está acontecendo, mas está amando, literalmente. A sensação que um coração assim experimenta é de ressurreição. Ele agora pulsa forte e rápido, ás vezes, meio descompassado, mas bate feliz. Ele está sendo oxigenado pela paixão, alguém conhece algo que contenha mais adrenalina do que esse sentimento? Essa paixão, ainda que efêmera, fará o seu papel de desintoxicar esse coração dos efeitos nocivos da tristeza e da apatia, trazendo-lhe fôlego, fazendo com que a pessoa perceba-se viva e não apenas existindo, mais viva do que nunca, sentindo-se um(a) adolescente, não importando quantas décadas de vida tenha. A pessoa então passará por uma metamorfose que mescla gratidão e superação, gratidão por alguém ter, de alguma forma, lhe devolvido a capacidade de sentir borboletas no estômago, e superação por perceber que foi capaz de resistir às intempéries da solidão e da desilusão oriundas de amores passados. E a saúde, como um todo, agradece. A pele rejuvenesce, causando espanto em qualquer dermatologista(risos), os olhos somam-se à boca na função de sorrir, a preguiça para exercitar-se desaparece, como num passo de mágica. Entretanto, o sono parece ser a única função do organismo que fica um pouco prejudicada nessa fase, mas nada comprometedor(risos), porém, mesmo a pessoa não dormindo bem pelo excesso de euforia, ela acorda descansada e feliz. A vaidade da pessoa ressurge com força total e a autoestima fica nas alturas. Não importa o espaço de tempo que essa paixão dure, o fato é que ela será eternizada como um processo de renascimento que a pessoa vivenciou. Sentir o coração batendo descompassado, é por si só, uma experiência milagrosa para uma pessoa que sentia-se incapaz de emocionar-se novamente. Por fim, querido(a) leitor(a), eu te desejo infinitas borboletas no estômago, elas são maravilhosas, né?

Imagem de capa: Rock and Wasp/shutterstock

7 razões que levam casais infelizes a continuarem juntos

7 razões que levam casais infelizes a continuarem juntos

Com certeza, algumas vezes, você já deve ter visto muitos casais discutirem repetidamente em seu dia a dia, inclusive faltando com respeito um com ao outro. Vocês concordam comigo que, diante de tal situação, nos perguntamos: por que eles continuam juntos?
As coisas nem sempre são o que parecem em uma relação. Bem sabemos que: “nem tudo o que reluz é ouro”.

Na intimidade, as pessoas costumam ser muito pouco parecidas com o que, na verdade, vemos em seu dia a dia. Por exemplo, se observarmos um casal, a pessoa que parece ser a mais dependente pode ser a dominante dentro da relação e cumprir o papel contrário do que nós percebemos como espectadores.

É verdade que, quando temos problemas ou percebemos situações negativas, nossa parte racional reage evitando tais experiências simplesmente para sobreviver a isso. Mas atualmente já são muitos os estudos que demonstram a raiva e o medo como uma forma de vínculo.

Inclusive, levando em conta os resultados destas investigações, podemos afirmar que, em algumas ocasiões, a raiva pode ser mais poderosa para manter casais infelizes juntos do que a paixão propriamente dita.

Quando temos uma relação, procuramos características que a constituam como uma experiência harmoniosa, mas este argumento sentimental nem sempre é obtido. Partindo do pressuposto de que uma relação difícil é construída e mantida por ambas as partes, hoje vamos contar a vocês quais são as 7 razões que levam os casais infelizes a continuarem juntos.

1. O sentimento de culpa. Há pessoas que permanecem em uma relação pela presença do sentimento de culpa que surgiria se deixassem o parceiro/a. Normalmente, costumam ser situações que despertam um sentimento de pena em relação à outra pessoa.
2. Jogos de poder. Quando existe, em uma relação, uma distribuição desigual de trabalhos ou de qualquer outra situação dentro da mesma, a pessoa que não é tão ativa dentro da relação costuma depender do outro, deixando-se levar emocionalmente. Nesta situação, a pessoa em questão se sentirá perdida sem o outro, o que mantém o papel de comando dentro da relação.

3. Não expressar o que verdadeiramente sente ou pensa. Apesar da imagem que as outras pessoas nos passam, nem tudo o que vemos é “o que parece”. Tire a prova disso com você mesmo.

Você se lembrará de uma infinidade de momentos nos quais tenha se sentido muito doente ou emocionalmente devastado, mas manteve a compostura e neutralidade para não perder o seu emprego, uma relação ou simplesmente para não prejudicar a pessoa que você tem, ou teve, ao seu lado, ou a você mesmo.

Se em uma relação não estamos nos sentindo e atuando de acordo com os nossos valores, ou nosso parceiro não está agindo positivamente, podemos nos sentir frustrados e com raiva de nós mesmos, simplesmente por consentir tal situação. Quando essa raiva é projetada para o nosso parceiro, podemos nos sentir aliviados temporariamente, mas depois dessa explosão voltaremos a agir como de costume, gerando assim um círculo vicioso.

Assim, esconder, disfarçar ou não dizer o que pensamos ou sentimos nos fará manter uma relação, por vezes, “irreal”.

4. Os casais chegam a supostos “acordos”, mas não os expressam formalmente. Fazer acordos que ficam subentendidos entre duas pessoas, mas que nunca chegam a ser conversados formalmente, pode tornar a relação perigosa quando o propósito destes acordos silenciosos é permitir e/ou evitar hábitos como a infidelidade, o excesso de despesas, um mau comportamento… Por isso, é fundamental, uma boa comunicação verbal e não verbal em uma relação, com ambos sendo transparentes e verdadeiros em todos os momentos.

5. Se existem maus-tratos, é porque há uma pessoa dentro da relação que acredita merecê-los. Na maioria dos casos, os adultos são participantes voluntários nas relações, sem se importarem que elas sejam pouco saudáveis, já que podem existir recompensa ocultas para ambas as partes. As razões mais comuns para se justificar continuar em uma relação assim, costuma ser os filhos, as finanças, o tempo investido, a vergonha de se separar, a religião de ambos…

Da mesma forma, se nos encontramos em uma relação na qual existem maus-tratos emocionais, pode ser que um dos membros possa achar que merece ser maltratado. Esta situação poderia mudar se este indivíduo internalizasse a mensagem de que não merece sofrer um abuso emocional por parte de seu parceiro.

Com esta nova forma de sentir e pensar, aprenderá a dizer não e desenvolverá uma autoestima saudável, necessária para superar a situação. Ao final, esta pessoa estará consciente de que nenhuma situação negativa, mal-entendido ou dano cometido, justifica a sua infelicidade.

6. Esperanças e tempo. As coisas podem mudar, é verdade, mas não costuma ser o habitual, principalmente quando a situação de mal-estar já existe por muito tempo.

Há muitas pessoas que preferem se apegar às esperanças e ao passar do tempo, como justificativa para continuarem sua relação. Mas a verdade é que se elas levam muito tempo sendo infelizes, a mudança será mais complicada se não houver um compromisso para alterar a situação e uma atitude ativa de ambas as partes para que isso ocorra.

7. Sentimento de medo e insegurança frente a possibilidade de deixar a relação. Em muitas ocasiões, as pessoas decidem manter a relação que elas já têm, ainda que não sejam felizes, por medo de tomarem uma decisão equivocada ou pela insegurança de não saber como será a vida sem o outro.

As pessoas emocionalmente saudáveis sabem empregar positivamente suas próprias ferramentas.

Quando se está consciente de todas as características e situações emocionais que podem nos levar a arrastar e a manter uma relação negativa, podemos ser capazes de superar o medo de estarmos sós com as nossas próprias frustrações e inseguranças. Conhecer-se é estar consciente de suas barreiras e, o melhor, sentir-se livre para amar e ser amado.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Imagem de capa: Reprodução

Os vampiros que nos espreitam

Os vampiros que nos espreitam

Eu aceito compartilhar a vida, o chocolate, a pipoca, as alegrias, emoções, suores e lágrimas, mas não aceito ser vampirizada.

Da mesma forma, acato pedidos, sugestões, conselhos, provocações, tentações, mas não acato nenhuma violação contra minha vontade.

Ainda consigo oferecer uma palavra, um abraço, alguns trocados, meia hora de prosa, um ombro amigo, uma bronca encomendada, mas não me ofereço para ser sugada.

Há vampiros por toda parte, e, conscientes ou não das suas próprias necessidades e diferenças, espreitam vítimas desavisadas, para garantir um pouco de seu sustento.

Vampiros morais, que confundem com teorias inventadas, longos e apaixonados discursos, como quem prepara um prato requintado, para devorar sozinho depois.

Vampiros éticos, que agem na legalidade das palavras e na obscuridade dos atos. Chupam honestidade e cospem seus mal feitos.

Vampiros capitais, que sugam o que não lhes pertence, usam do que é do outro, gastam, esbanjam, abusam e escondem o que é seu, na sua capa de avareza.

Vampiros emocionais, que sugam, chantageiam, negociam, regateiam, manipulam e descartam sentimentos que nunca fizeram por merecer.

Vampiros vitais, que não medem esforços para imobilizar e ferir suas vítimas, levando consigo a saúde, o ânimo, as esperanças e sonhos de quem lhes servir de alimento.

Eles espreitam e não vacilam. Não pensam nos outros como semelhantes, até mesmo porque realmente não o são. O que os alimenta e fortalece, é justamente o que adoece e mata cada uma de suas presas.

Vampiros podem ser divertidos, sedutores, intelectuais, charmosos, misteriosos. São homens e mulheres que aprenderam outros códigos, cuja fome é de gente, de vida alheia, de sonhos e planos que eles não são capazes de empreender.

Há quem goste de vampiros e gosto não se discute.
Cada um cuida de seu próprio pescoço, essa é a regra.
Porém, e muito cautelosamente, ouso acreditar que não há lugar para nenhum deles na minha vida. Eles que se embrenhem nas próprias trevas, pois que meu mundo, a palavra de ordem é luz!

10 dicas que revelam que você sabe lidar com as suas emoções

10 dicas que revelam que você sabe lidar com as suas emoções

É importante para o ser humano saber lidar com as suas próprias emoções, pois estas são fundamentais para que se sinta bem tanto mental como fisicamente. Para descobrir se você sabe lidar com elas, veja se você possui a maioria das 10 características abaixo:

Não teme coisas negativas – A vida nem sempre é só feita de coisas positivas e por isso é normal que por vezes também haja situações “não tão boas”, e nesses casos é essencial que saiba reconhecer e que esteja preparado para as enfrentar.

Opta por observar de uma forma geral – É essencial que o faça até porque ao encarar as coisas à distância isto faz com a análise seja mais contextualizada e menos influenciadas por questões pessoais e isoladas.

Tem facilidade em colocar-se no lugar do outro – Se você for uma pessoa muito empática é normal que tenha muita facilidade em perceber aquilo que os outros estão passando, até porque já passou pelo mesmo. É também um sinal que de você é uma pessoa bastante madura no que diz respeito às suas emoções.

Não tem medo de chorar – É daquelas pessoas que não tem medo que as lágrimas lhe corram pela cara, até porque não existe nenhum problema em demonstrar os seus sentimentos.

É uma pessoa bem resolvida – Neste caso você demonstra a tudo e todos que a única pessoa que o critica é você próprio, pois tem noção que as coisas mais negativas podem ser muito prejudiciais para si.

Consegue acabar com discussões – Por vezes quando as opiniões não são as mesmas, é normal que existam discussões para ver quem apresenta o melhor ponto de vista e acaba por ‘ganhar’. Se é daquelas pessoas que mesmo tendo a certeza da sua razão, opta por terminar a discussão, pois percebe que aquilo não levará a lugar algum está mais do que visto que tem o controle absoluto das suas emoções.

Expressa os seus sentimentos – Faz questão de expressar os seus sentimentos com outras pessoas de modo a mostrar a segurança que tem com as suas emoções.

Acima de tudo é honesto consigo próprio – Consegue equilibrar os seus sentimentos através da capacidade que tem de entender o que está a acontecer consigo, pois desta maneira é mais fácil resolver os seus problemas e tornar a sua vida muito mais fácil.

Não tem medo de pedir desculpas – É natural que todo o ser humano erre, mas o mais importante é que consiga reconhecer esse erro e admiti-lo, pois quando isto acontece é muito mais fácil para si seguir em frente.

Sabe quando precisa de ajuda – Por vezes existem situações mais difíceis na vida e são nesses momentos que não tem medo de pedir ajuda a que percebe aquilo que está a passar.

Fonte indicada: Sapo

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Querer-te bem nem sempre é querer-te perto.

Querer-te bem nem sempre é querer-te perto.

Vem, pessoa amiga. Senta aqui um instante. É importante. O mundo anda tão cheio de dificuldades e nós não devíamos criar mais uma. Quem se quer bem deve mais é criar facilidades. Suavizar o que puder. Tomar os nós cegos, difíceis, e desatá-los sem mais. Então eu vou direto ao ponto. Não me leva a mal. Aprecio a tua companhia, mas de quando em vez eu preciso ficar só.

Acredita. Eu te quero bem. Quero, sim. Tenho por ti uma mistura rara de sentimentos bons. Mas há um tempo em que careço de solidão. Isto não é gostar-te menos. Não é querer-te mal. É respeitar o meu desejo de, vez ou outra, não querer perto mais ninguém além de mim mesmo.

Não vou mentir. Tu sabes. Toda mentira é ruim. Uma hora ou outra nos volta na cara, no susto. Mentir pode ser inevitável até, mas bom negócio não é nunca. Jamais haverá de ser. Mentira nenhuma presta. Mas a pior delas, a pior mentira de todas, é aquela que esconde o que a gente sente aqui dentro. Quem mente a si mesmo para agradar o outro morre um pouquinho. E mata um tanto também. Fere de morte a franqueza que dá vida a todo amor. Não, tu não precisas disso. Agrado nenhum é melhor que a sinceridade. E antes doer de verdade que agradar de mentira.

Preciso de espaço. Necessito do tempo de esticar as pernas, estender o olhar adiante, caminhar sozinho até ali em frente e voltar aqui para dentro. Nenhuma companhia há de ser boa quando já não faz diferença. Quando estamos perto e é como se não estivéssemos. Quando nos tornamos indiferentes um ao outro. Quando a alma grita que carece estar só e não lhe damos ouvido.

Aqui e ali, há sempre quem nos julgue como monstros egoístas, bichos individualistas, ególatras, egocêntricos e essas coisas. Sempre há. Fazer o quê? No mundo há toda sorte de sabotadores, primos em algum grau das cobras peçonhentas e dos mosquitos transmissores de doenças. Fujamos deles. Esvaziemos os vasos das plantas, eliminemos a água parada, limpemos o quintal, lancemos fora o entulho e a sucata. Se não lhes dermos abrigo, os perniciosos se enfraquecem e somem. Se não lhes dermos ouvidos, os juízes de plantão também tomarão seu rumo.

Sejamos honestos. Sinceros conosco. Decentes com o que sentimos. Vez ou outra, precisamos de espaço.

Assim preservamos o que criamos juntos, o que temos em comum, como um, hoje tão incomum. Tu sabes. Esse respeito por nós mesmos e pelo outro é tão raro! Sabe Deus por quê, preferimos nos anular para agradar o juízo alheio. E se fizermos o contrário somos julgados como aberrações. Deixemos disso. Sigamos para um nível de cumplicidade que dispense salamaleques, afetamentos, frescuras e essas coisas próprias dos amigos da onça. Ou nos afastemos de uma vez.

Não me leva a mal. Eu te quero bem. Mas querer-te bem nem sempre é querer-te perto.

Sou só e gosto assim. Só. Sempre só e sempre à espera de quem venha e entenda minha alma, e compreenda meu coração. À espera de quem ficará o tempo que for porque será livre para ir. E que na hora certa há de soltar minha mão e me deixar só. Bicho feito de trabalho e afeto, em eterno estado de amor e saudade, ternura e solidão.

Imagem de capa: alexkich/shutterstock

É tão fácil resolver problemas que não são nossos

É tão fácil resolver problemas que não são nossos

“A força de um problema tem que ver com a força de que dispomos.” (Vergílio Ferreira)

Acontece com todo mundo: alguém vem contar sobre alguma adversidade que está enfrentando ou sobre alguma situação incômoda por que está passando e conseguimos, então, encontrar as palavras certas de consolo, bem como encontramos soluções para suas dificuldades. No entanto, quando se trata daquilo que envolve nossas próprias vidas, acabamos nos sentindo totalmente sem saída.

Quando nos vemos em meio aos redemoinhos emocionais, como protagonistas das tempestades que devastam as nossas vidas, é como se toda a nossa capacidade de reflexão e de ponderação estivesse presa. Não conseguimos vislumbrar nenhuma forma de nos salvar da tormenta, estagnamos frente aos problemas, que nos parecem insolúveis – e isso nos paralisa.

Muitas vezes, por mero orgulho ou até mesmo vergonha, não nos abrimos com ninguém, pois nos agarramos a falsas ideias de que precisamos ser fortes o tempo todo, de que ninguém tem nada a ver com nossos problemas, de que demonstrar fraqueza é feio, é errado. Tememos nos mostrar em toda a vulnerabilidade que também nos define, pois tememos que o outro venha a usar tudo aquilo contra nós.

Infelizmente, ao agirmos dessa forma, acabamos por nos distanciar de quem faz toda a diferença em nossas vidas, de quem nos ama verdadeiramente, a ponto de ficar junto ali no escuro, procurando a luz de mãos dadas conosco. Perdemos chances preciosas de fortalecimento das relações que construímos e que são imprescindíveis ao nosso caminhar em busca da realização de nossos sonhos.

Da mesma forma que somos capazes de ajudar as pessoas, contribuindo com nossas experiências, também nós podemos receber apoio de quem está enxergando o problema de fora. Saber com quem podemos realmente contar nos poupa de uma travessia dolorosamente solitária pelos percalços a que estamos sujeitos. Quando nos abrimos com alguém, o peso das coisas diminui consideravelmente e torna-se mais fácil visualizar a situação, olhando-a de longe, com e como alguém de fora.

Como se vê, é preciso que tenhamos a coragem necessária a um enfrentamento muitas vezes não solitário do que é nosso, pois, quanto mais sozinhos nos sentirmos, mais intensa será a tempestade emocional. Assim como somos capazes de apoiar a quem precisa, também encontraremos ajuda junto a quem sempre estará pronto a nos estender as mãos, clareando o nosso caminhar. Pedir socorro não é vergonhoso, mas negar ajuda, sim, seria imperdoável.

Imagem de capa: Captblack76/shutterstock

Alcoolismo juvenil: por que nossos jovens precisam se embriagar?

Alcoolismo juvenil: por que nossos jovens precisam se embriagar?

Desculpe falar assim “na lata”, mas álcool é droga, sinto muito. Pior que isso, o álcool é uma droga lícita, aceita, louvada e, muitas vezes, seu uso é incentivado pelos próprios familiares. Para ficar ainda pior, custa extremamente barato. É possível comprar uma garrafa de cachaça em qualquer esquina do Brasil por menos de dez reais.

Beber álcool é um hábito visto com olhos muito pouco críticos, como se fosse algo inofensivo. Aliás, a grande maioria das pessoas acredita que diversão e vida social não são coisas possíveis sem um copinho de birita na mão. Bem… antes fosse apenas um copinho.

As bebidas alcoólicas constituem as drogas legalizadas mais consumidas em nosso país. Brasileiro parece ter absoluta certeza de que festa sem algumas doses, não é festa. Bebe-se antes, durante e depois das refeições, bebe-se para comemorar, bebe-se para relaxar, bebe-se para esquecer. Acontece que essa insanidade coletiva não fica apenas na conta dos adultos; nossos jovens estão adquirindo o hábito de beber cada vez mais precocemente.

Mas afinal, o que pode levar um jovem, em plena melhor fase da vida, com um corpo cheio de energia vital e com incontáveis possibilidades de escolha para passar o tempo e aproveitar a vida, a achar que é uma boa ideia entorpecer o cérebro e matar alguns muitos neurônios afogados em porres de vodka, cerveja e tequila?!

O jovem bebe porque tem acesso, porque tem exemplo e porque desenvolve a crença errônea de que ficar embriagado vai resolver seus problemas de autoestima, timidez e falta de desenvoltura social. Quando está sozinho e pode refletir, o jovem até sabe que o álcool é prejudicial e que aquele efeito entorpecente não há de ser benéfico. Mas, quando está cercado pela turma, a teoria morre afogada no primeiro “shot”.

Por lei, menores de idade não podem comprar bebida alcoólica no Brasil. No entanto, a coisa mais fácil do mundo é sair de um supermercado de ambiente feliz e familiar com garrafas e latinhas, cuja quantidade seria suficiente para deixar de pilequinho a vizinhança inteira. E, se a lei não é cumprida, quem vai se responsabilizar pelo consumo de álcool dos menores? A família, que anda cada vez mais omissa? A escola, que finge que não vê o problema? Os órgãos de saúde, que andam mais trôpegos que um bebum em fim de balada?

Basta dar uma chegadinha em qualquer festinha, barzinho ou balada frequentada por jovens com idade entre 13 e 17 anos para observar a quantidade de meninos e meninas embriagados, andando pelo meio dos carros, completamente desorientados, agarrados a litros de bebida, passados de mão em mão e tragados com desenvoltura, diretamente no gargalo.

Dados inéditos de uma pesquisa sobre o uso de drogas entre os alunos de escolas particulares da cidade de São Paulo revelam que um em cada três estudantes do ensino médio se embriagou pelo menos uma vez no mês anterior ao levantamento.

Uma pesquisa realizada pelo Cebrid (Centro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas) da Unifesp, ouviu mais de cinco mil alunos do ensino fundamental e médio de trinta e sete escolas particulares da cidade de São Paulo; os dados são alarmantes. Entre os estudantes do ensino fundamental (8º e 9º anos), o total dos que se embriagaram ao menos uma vez no último mês é de 24%. Os jovens ouvidos têm entre 13 e 15 anos.

O pileque, ao contrário do que muita gente quer acreditar, não é uma brincadeira inocente. Sua prática, em verdade, é uma consequência imediata do conceito absurdo que beber é uma prática social. Crianças brasileiras crescem assistindo seus familiares entornando copos de bebida nos mais variados eventos.

É por isso que nossos meninos e meninas chegam à adolescência acreditando que ter um copo de álcool na mão é símbolo de status e de maturidade. Acontece que essa crença distorcida pode vir acompanhada de tragédias anunciadas: jovens morrem atropelados por estarem embriagados, jovens atropelam pessoas inocentes por estarem embriagados, crimes de estupro e abusos crescem assustadoramente em ambientes regados a bebida alcoólica.

O uso costumeiro de álcool desencadeia um processo inflamatório no cérebro, alterando as reações químicas e, consequentemente, as ações provenientes de sinapses neuronais. Jovens habituados a beber têm prejuízos de memória, concentração, atenção e podem desenvolver distúrbios de aprendizagem e transtornos de humor.

E é por isso que nós, os adultos, precisamos acordar e entender que é nossa responsabilidade prevenir e proteger nossas crianças dos perigos iminentes que o uso dessa droga lícita pode oferecer. E acontece que campanha nenhuma vai funcionar enquanto as mídias sociais continuarem inundadas de publicidade que associa o consumo de bebida à prazer, poder e liberdade. Nada será suficiente para alertar essa garotada, enquanto ficar alcoolizado for uma prática recorrente em festas familiares.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Aos treze”.

“Foi mal!” Estratégias infantis para escapar das responsabilidades!

“Foi mal!” Estratégias infantis para escapar das responsabilidades!

Alegar ignorância sobre o que quer que seja não pode servir como desculpa para atitudes movidas por desvio de caráter. Caráter é aquilo que forja a essência da pessoa. Diante de uma situação de afronta aos direitos alheios; à proteção à vida; à garantia da liberdade e à defesa da equidade, acende dentro de nós uma luz vermelha; faz soar em nossas consciências um alerta: ISSO NÃO É CERTO! ESSA ATITUDE É DESLEAL! ESSA CONDUTA É DESONESTA! ESSA POSTURA É DESUMANA!

Nossas ações, mesmo as mais singelas ou despretensiosas, revelam muito sobre nós. Ao cruzarmos no caminho com um semelhante tombado por seus erros, numa dessas esquinas quaisquer da vida e, imediatamente, realizarmos um julgamento, deveríamos nos preocupar bastante com o risco da queda. Visto que nenhum de nós está livre de falhar ou de falir, deveríamos ser capazes de olhar para os tombos alheios com um tantinho a mais de coragem para esticar a mão e um punhado a menos de tranquilidade para torcer o nariz e ser tão complacente com os próprios erros.

A desgraça alheia nos assusta, como se fosse uma doença contagiosa. Somos tão despreparadas para trilhar desvios, que escolhemos, sem pestanejar o caminho mais óbvio, confortável e que esteja em sintonia com o que pregam aqueles de nós que parecem ter nascido “com o traseiro virado para lua”! Ainda que o tal caminho nos aprisione num congestionamento de ideias pré-concebidas, é por ele que escolheremos caminhar.

Somos seres estranhos, capazes de nos aventurar em estradas abarrotadas rumo a destinos descolados, onde seremos exorcizados de uma carga de insatisfação, advinda da rotina de um trabalho insano e sem ideal. Carga essa que topamos encarar porque o sacrifício há de nos garantir um punhado a mais de coisas que consumimos vorazmente, na tentativa ridícula de aplacar uma sede que nenhuma coisa consumível é capaz de saciar. E, nos apegamos a essa exaustão emocional como desculpa esfarrapada para justificar todos, ou grande parte, dos nossos erros.

A parte complicada dessa engrenagem é que nada nos sacia! A sede, que não cede, faz de nós criaturas incapazes de enxergar os tantos que deixamos para trás de nós, atropelados por nossa infinita carência de tudo. E quando, por algum descuido tomamos a ousada decisão de olhar para o outro que inadvertidamente derrubamos, é com uma surpreendente facilidade que acreditamos que nossas desculpas merecem imediata aceitação. Efeito automático! Proferimos um sonoro “Foi mal” e nos distanciamos imediatamente do estrago feito.

O fato é que despido de qualquer tipo de retratação, um pedido de desculpa chega a soar ofensivo. É a inequívoca confirmação da falta de compromisso e de respeito em relação a tudo que advém como consequência de uma falta nossa. Um pouco de disposição para ir além das aparências (das nossas, inclusive!), não nos faria mal algum. Imagine que revolucionário seria se a partir de agora, decidíssemos assumir que os outros merecem de nós alguma consideração; e além dela, o nosso genuíno esforço na intenção de reparar os estragos que fazemos.

Afinal, já que sai tão facilmente de nossas bocas o argumento de que “errar é humano”, que fosse incluída na categoria das humanidades, a capacidade de entender que há erros que modificam inúmeras existências ao nosso redor; que há erros que destroem irremediavelmente os sonhos alheios; que há erros que são indeléveis; que há erros que de tão definitivos nos atrelam para sempre às vidas daqueles a quem prejudicamos.

E, sim, é verdade que nenhum de nós está protegido de errar. É da nossa natureza! Também, é bem verdade que, não raras vezes, tropeçamos em nossos enganos de forma absolutamente acidental. Erramos sem querer errar. Também isso é da nossa natureza!

O que parece não fazer parte afinal, da nossa natureza é a gentil delicadeza de nos ver responsáveis pelos danos que causamos. O que precisa começar a compor a nossa forma de agir é alguma coisa mais inteira e mais próxima de nos tornar pessoas em quem se possa acreditar. Que brote dentro de cada um de nós uma força apaixonada que nos tire dessa postura mimada e medíocre, que nos faz acreditar que não importa o que façamos, sempre daremos um jeito de nos livrar da responsabilidade de reparar os estragos. Que em vez da culpa, esse sentimento inútil que reduz tudo a uma autoimolação e piedade de si mesmo, surja em nosso peito uma bravura que nos torne capazes de transformar um tosco pedido de desculpas numa mão estendida e firme na qual o outro possa, de fato, confiar.

Imagem de capa: shutterstock

Cultivar a gratidão muda fisicamente o seu cérebro

Cultivar a gratidão muda fisicamente o seu cérebro

Imagem de capa: Petar Paunchev/shutterstock

Deixando as dietas da moda de lado, todos nós sabemos a fórmula básica para se ter uma melhor saúde física: alimentação saudável combinada com exercícios regulares. O mesmo pode ser dito para a felicidade. Claro, a saúde mental é extremamente complexa, mas um estudo feito por Shawn Achor, pesquisador de Harvard, mostrou que o bem estar no dia a dia pode ser melhorado com uma simples atitude: cultivar a gratidão.

Segundo Achor, “algo tão simples como escrever as três coisas que você é grato todos os dias durante 21 dias em um papel aumenta significativamente o seu nível de otimismo”. O estudo ainda mostra que a gratidão aumenta sua força de vontade, ajuda a mantê-lo calmo e pode até mesmo aumentar a moral de funcionários dentro de uma organização.

Este é seu cérebro sendo grato.

Um outro estudo, de uma equipe de pesquisadores de Universidade de Indiana liderada por Prathik Kini, recrutou 43 indivíduos que sofriam de ansiedade ou depressão. Para metade deste grupo atribuiu-se um exercício simples de gratidão — escrever cartas de agradecimento para as pessoas de seu convívio — e três meses depois todos os 43 exames cerebrais foram submetidos.

Durante a análise dos exames, os indivíduos participaram de uma tarefa de gratidão em que eles foram informados que um benfeitor havia lhes dado uma soma de dinheiro e foram questionados se gostariam de doar uma parte dos fundos para a caridade como uma expressão de sua gratidão. Aqueles que doaram dinheiro mostraram um padrão particular de atividade em seus cérebros, mas que não foi a parte mais interessante dos dados.

O que era? Os participantes que tinham concluído a tarefa de gratidão meses antes não só relataram sentir mais gratidão duas semanas depois de concluírem a tarefa do que os membros do grupo de controle, como também meses mais tarde, de acordo com a análise dos exames cerebrais.

O resultado é interessante para os neurocientistas, mas também é potencialmente útil para o resto de nós. Isso sugere que quanto mais prática você der ao seu cérebro de sentir e expressar gratidão, mais ele se adaptará a essa mentalidade.

Em suma, praticar a gratidão parece gerar um ciclo saudável em seu cérebro. E quanto mais você praticar isso em sua vida, mais feliz e mais bem sucedido provavelmente será.

Ou, como Kini resume a pesquisa: “Quanto mais você praticar a gratidão, mais você desfrutará de seus benefícios psicológicos.”

Publicado originalmente em matheusdesouza.com

Sobre estar onde você está, onde quer que esteja

Sobre estar onde você está, onde quer que esteja

Segue então a pequena história compartilhada pelo mestre americano Ram Dass:

“Um dia eu estava sentado em um hotel no meio dos Estados Unidos e era um daqueles tipos de lugar realmente plásticos, tipo Holiday Inn, e eu cheguei, fui pro meu quarto e sentei, coloquei minha mesa de rituais e você sabe, aquela coisa toda. Eu estava tirando o cardápio e as coisas do lugar e era meio deprimente, e pensei, “bem, mais algumas semanas e estarei com a viagem encerrada e posso ir pra casa”. E então vi a dor que aquele pensamento estava criando em mim.

Então me levantei e saí do quarto, fechei a porta, dei uma volta no hall, retornei, abri a porta e gritei, “Estou em casa!”. Então entrei e me sentei, olhei e, bom, eu não decoraria aquilo particularmente daquela maneira, mas que diabos? Pensei: se não estou em casa no universo, ah garoto, então tenho um problema. Se eu disser “só posso estar em casa aqui, não lá”.

O que é casa? Casa é onde o coração está. Casa é a qualidade da presença. É a qualidade de ser onde quer que você esteja.”

— RAM DASS, via Dharmalog

Gostar menos é gostar mais?

Gostar menos é gostar mais?

Importar-se menos para não demonstrar o que sente é modinha?

Quem inventou isso?

Que ideia é essa de não se expressar pra não parecer “demais”?

E desde quando isso é ruim?

Me perdoem os ditadores dessa regra, mas amar é preciso e demonstrar é uma consequência do sentir.

Que perda de tempo não se expressar por medo!

Meu sentimento não depende do outro. Ele é meu! Minha expressão, meu ser, meu sentir…

Reprimir pode ser cruel e até doloroso, quando na verdade queremos mesmo é que o outro saiba que a gente gosta, que se importa, que pensa, que sente, que lembrou…

A modernidade das mensagens instantâneas está conectando todo mundo de forma rápida, porém superficial…está deixando todo mundo carente e careta! Vamos deixar de ser tão moderninhos… Para assuntos do coração, o bilhete de papel escrito à mão e uma ligação são artigos de luxo e tão orgânicos quanto um beijo na boca!

Temo que de tanto reprimir sentimentos por medo de parecer demais, a gente termine se acostumando com a falta de expressões de carinho. Deixe o outro saber! Vai que ele sente o mesmo?

Diga que gosta, que sente, que ama! Isso é genuíno! É tão nosso, tão natural quanto bocejar… reprimir nunca será forma de expressão. Medo é ilusão e não solução!

Vamos ser mais! Porque miserinha de sentimento ninguém precisa. Vamos transbordar. Melhor ser de mais que de menos. Mais amor, mais demonstração de afeto e dane-se o resto!

Imagem de capa: vectorfusionart/shutterstock

12 curiosidades que você não sabia sobre o Pequeno Príncipe

12 curiosidades que você não sabia sobre o Pequeno Príncipe

O Pequeno Príncipe é uma obra fantástica recheada de milhares de simbologias e significados. Eu diria que cada um de nós se vê retratado em algum ponto da obra. Disfarçado de uma obra infantil, esse diminuto livro (reescrito várias vezes para assim ficar) nos faz pensar profundamente sobre temas universais como o amor e a amizade. No entanto, falar do Pequeno Príncipe e não citar seu autor, o escritor e aviador Antoine de Saint-Exupéry é quase impossível, pois ele mesmo parece estar retratado na obra. Além do mais, muito do que aparece no livro diz respeito diretamente à vida pessoal do autor, um homem apaixonante que conquistou o coração não só de Consuelo, sua esposa, mas também o nosso.

contioutra.com - 12 curiosidades que você não sabia sobre o Pequeno PríncipeAcima: Foto de Antoine de Saint-Exupéry e sua esposa, a salvadorenha Consuelo.

1 – Antoine de Saint-Exupéry, o escritor do Pequeno Príncipe era um conde

O escritor do Pequeno Príncipe tinha um nome longuíssimo: Antoine Jean-Baptiste Marie Roger Foscolombe e tinha um título de nobreza que lhe conferia o status de Conde de Saint-Exupéry. No final das contas chamavam-no de Antoine de Saint-Exupéry ou, para os íntimos, Tonio apenas. Ele era um conde, mas trabalhava como aviador contratado para fazer entregas postais.

2 – A obra O Pequeno Príncipe só existiu por causa de uma pane no avião de Antoine

No ano novo de 1936, o avião que Antoine de Saint-Exupéry pilotava, autor do Pequeno Príncipe, caiu no deserto do Saara e ele passou quatro dias sofrendo de desidratação, fome, e tendo alucinações, até ser resgatado por um beduíno. A ideia para a história do pequeno príncipe surgiu aí.

3- Antoine ficou perdido no Saara porque estava atolado em dívidas

Apesar da sua situação econômica não andar muito boa, Antoine de Saint-Exupéry não resistiu à tentação de comprar um avião. No fundo ele pretendia ganhar um prêmio com ele: o Ministério da Aeronáutica da França oferecia 150.000 francos a quem batesse o recorde de tempo no trajeto Paris-Saigon. No entanto, sua situação econômica ficou tão crítica na época, principalmente depois do gasto excessivo, que lhe cortaram a luz e o gás do apartamento. Pressionado pela situação e querendo ganhar o prêmio a todo o custo, Antoine caiu no Saara, fato que o inspirou a criar o Pequeno Príncipe.

4- Consuelo, a esposa de Exupéry era a rosa do livro O Pequeno Príncipe

A rosa que tanto tosse na história do pequeno Príncipe é Consuelo, que sofre de asma. A rosa é frágil e de personalidade forte, assim como a esposa de Antoine. O relacionamento de Antoine e Consuelo foi marcado por idas e vindas. Assim como o Príncipe, Antoine vivia partindo e voltando para sua esposa e apesar das brigas e diferenças ele demonstrava grande fascínio por ela, uma artista nata, cheia de convicções e bastante enigmática. Para alguns Consuelo era um tipo de Sherazade, pois ela contava muitas histórias acerca de si, a ponto de confundir as pessoas sobre seu passado. Por isso ela era chamada de Sherazade dos trópicos, já que nascera em El Salvador.

5- Antoine pediu sua esposa em casamento horas depois de tê-la conhecido

Em Buenos Aires Antoine conheceu a salvadorenha Consuelo. Ela se encantou com sua figura: um homem de quase 2 metros de altura, audacioso e aventureiro, aviador, com jeito de garotão, que tocava piano. Ele a pediu em casamento naquele mesmo dia, horas depois de tê-la conhecido. Levou-a para voar em seu avião e lá antes de pedir por um beijo pediu-lhe a mão. Notando a negativa de Consuelo em dar-lhe a mão e o beijo ele desligou o avião que caiu em parafuso até que ela resolveu ceder. O beijo aconteceu, mas o casamento somente anos mais tarde.

6- Antoine escreveu uma carta de 40 páginas quando conheceu a esposa

Muito do que se conhece sobre a vida de Antoine se dá pelo fato do escritor em vida gostar de escrever cartas aos mais próximos. Trocou cartas por toda vida com a mãe, com amigos e com a esposa. Quando conheceu Consuelo, arrebatado por uma paixão avassaladora, escreveu uma carta de quarenta páginas para ela.

7- Jung concluiu que Antoine apresentava um forte complexo materno

Em Símbolos de Transformação Carl Jung disse sobre o autor do Pequeno Príncipe: “o complexo materno deste autor foi abundantemente confirmado por informação de primeira mão”. De acordo com inúmeras evidências é provável que Antoine, do ponto de vista da psicologia profunda de Carl Jung, tivesse uma personalidade Puer Aeternus (Eterno Jovem) representada por um arquétipo relacionado com à mudança e à renovação. Conforme Marie-Louise Von Franz, o homem que se identifica com o Puer Aeternus permanece muito tempo na psicologia adolescente “com uma dependência excessiva da mãe” e dentre outras características tem adoração por esportes e atividades que envolvam altura e risco.

8- O esteroide B612 é uma cópia da cidade de Armenia, em El Salvador

A esposa de Antoine de Saint-Exupéry, Consuelo, nasceu na cidade de Armenia em El Salvador, um pequeno país da América Central. Antoine conheceu a terra natal da esposa e tudo leva a crer que a paisagem encontrada no asteroide B612 é a mesma encontrada por quem observa a vista de lá. Da cidade de Armenia pode-se ver três vulcões, dois ativos, o Izalco e Santa Ana e um inativo, o Cerro Verde. Também são encontradas por lá árvores frondosas assim como os Baobás, as Ceibas.

9 – Os asteroides descritos em O Pequeno Príncipe existem de verdade e têm nome

Engana-se quem lê o Pequeno Príncipe e acredita que o autor inventou os asteroides citados na obra. Todos existem e além de serem denominados por seu número, possuem um nome. Somente no caso do asteroide  B612, não podemos dizer o mesmo, pois não se encontra um asteroide com essa nomenclatura, apenas o 612 chamado de Veronika. O asteróide 325 leva o nome de Heidelberga. O 326, Tamara. O 327, Columbia. O 328, Gudrun. O 329, Svea. E o asteroide 330 chama-se Adalberto.

10 – O piloto que abateu o avião de Antoine de Saint-Exupéry era seu fã e leitor

Em 31 de julho e 1944, Saint-Exupéry partiu da ilha de Córsega em um avião Lockheed Lightning P-38 num voo de reconhecimento do território inimigo. Naquele dia Antoine foi derrubado. Horst Rippert assumiu ser o autor dos tiros responsáveis pela queda do avião de Antoine e disse ter lamentado a morte dele. Quando jovem, Hippert, idolatrava Exupéry e já havia devorado todos seus livros, começando por Southern Mail, de 1929, um conto de aventura. Declarou Rippert anos mais tarde: “Eu só soube depois que era Saint-Exupéry. Eu queria que não tivesse acontecido. Todos os jovens da minha geração leram seus livros e nós adorávamos ele”.

11 – O fim de Antoine e do Pequeno Príncipe tem semelhanças

O Pequeno Príncipe desejava voltar para o lugar de onde veio, sem o corpo, ou seja, em espírito. E Saint-Exupéry também tinha um desejo espiritual pulsante e latente. Esse desejo pode levar, inconscientemente, algumas pessoas a desdenhar a vida corpórea, pondo-a em risco, para poder viver uma vida espiritual plena. O corpo de Antoine de Saint-Exupéry nunca foi encontrado depois da queda de seu avião.

12 – A última carta de Antoine chegou após seu desaparecimento

A carta que o escritor escreveu para a esposa chegou duas semanas após seu falecimento e dizia: “Consuelo, eu preciso das suas cartas assim como preciso de pão para viver. Você é meu doce dever, eu gostaria de poder te amparar. Eu só quero dizer que eu te amo. Tenha certeza de que meu amor por você é tão resplandecente quanto a luz do sol”.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Às vezes temos que fazer uma limpa no coração para vivermos em paz

Às vezes temos que fazer uma limpa no coração para vivermos em paz

Vez ou outra, temos que parar. Parar de ligar, correr atrás e todas aquelas etiquetas emocionais de quem fica se culpando por escolhas alheias. Tem gente que não está nem aí para gente, infelizmente. É nessa hora que precisamos fazer uma limpa no coração. Separarmos quem agrega de quem nunca fez um esforço para nos fazer bem.

Ninguém precisa sair por aí excluindo essas pessoas das redes sociais, não. A limpa pode ser bem mais seletiva. É deixar de lado quem finge trazer afetos. É sobre essa gente interesseira, que sugam os nossos sorrisos e sentem uma enorme inveja dos nossos sucessos. Amizades efêmeras, amores esquecíveis. Uma classe de indivíduos vazios e aproveitadores da nossa energia. Gente assim, sinceramente, melhor mantermos bem longe.

A limpa no coração é recomendável de tempos em tempos. É com ela que aprendemos a diferenciar os intensos dos medrosos. Porque não merecemos pouco.

Para vivermos em paz, devemos estar atentos. Com o coração ligado no modo máximo do que significa ser recíproco (a). Aos sinceros de cumplicidade, estejam em casa. Aos apreciadores do “quando me convém”, peguem a próxima saída.

Imagem de capa: ArtFamily, Shutterstock

Amar à Distância

Amar à Distância

Cau e Juliano se amam. Juliano e Cau não se desgrudam. Conversam o tempo todo, trocam mensagens pelo celular o dia inteiro. Deixam recadinhos com frases gostosas e sacanas um para o outro, trocam carinho por horas e horas, e depois ainda enviam longos e-mails comentando suas sensações, seus sentimentos, sua vontade de estar ainda mais juntos. Tanto sentimento, quase despista os dois mil quilômetros que os separam. Cau mora perto do mar, Ju sonha com ele.

Dalton e Ana Clara se amam. Clarinha e Dalton quase nunca se vêem. Pouco conversam, trocam algumas mensagens de texto durante o dia para tomar decisões práticas. Os recadinhos sacanas foram trocados por frases imperativas e não têm mais cheiro de perfume, nem gosto de nada. Assistem TV juntos, por horas e horas, e depois murmuram algum comentário, geralmente sem réplica. Dalton e Ana Clara vivem juntos em um apartamento pequeno no centro da cidade.

Cau e Juliano tinham tudo para nunca se conhecerem, mas pela graciosidade da vida, se encontraram, ao acaso. Dalton e Ana cresceram na mesma cidade, frequentavam as mesmas festas, foi fácil se apaixonar. O amor surge em terrenos improváveis, como uma planta delicada que floresce nas pedras. O desamor, na contramão, é cultivado vagarosamente, em solos óbvios, no descuidado diário.

O distanciamento no amor acontece nas pequenas coisas que deixamos de fazer e dizer, nos consecutivos desencontros, nas noites mal dormidas. O amor se vai de mãos dadas com a admiração. Já um amor em distância física, é alimentado por pequenas delicadezas, por todo e qualquer sintoma da vontade de proximidade. A dificuldade nos ensina a valorizar quem não está por perto, isto é antigo e certo. Ter alguém ao alcance do braço e do abraço, nos lança ao risco de nos acostumarmos.

Cau e Juliano só se tocam em feriados e datas comemorativas. Dalton e Ana Clara também. Há quem duvide do futuro do amor de Cau, Juliano, Dalton e Ana. Mas, no frigir dos ovos, o que importa é que eles se acreditem. Se o amor pega um trem, avião, táxi, e ainda sobe dois lances de escada, porque não poderia vencer o dia de hoje e atravessar a sala para dar um abraço apertado numa hora imprópria? Cau e Juliano não podem fazê-lo, por enquanto.

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