Você é o último amor da minha vida

Você é o último amor da minha vida

Acho que já deu, você não acha? Já tivemos a nossa cota de amores ao longo da vida. Se eles não aproveitaram, que sorte a nossa. Agora somos um do outro. A partir de hoje, você é o último amor da minha vida.

O passado foi o nosso primeiro encontro e, apesar de não termos percebido naquele momento, ali começou o que viria a ser esse amor todo. Estávamos cada um em uma outra história, em um outro abraço. Seguimos acreditando ser para sempre, mas esquecemos que o para sempre só funciona se visto por dois. Laços foram desfeitos e resolvemos focar nas vidas dos nossos. Fizemos o certo, fizemos o que podíamos. Mas a conta não batia. Ainda que sobrasse amor para os outros, e o nosso? Não havia um nome, mas não era ausência.

Felizmente, a vida tem sempre razão. Amor leva tempo e encontros requerem sorte. Foi quando, numa tarde sem expectativas, o nosso presente sorriu. Trocamos histórias e experiências pelos olhos do outro. A felicidade finalmente pousou na nossa janela sem a intenção de ir embora. Tratamos logo de acabarmos com as desculpas. Chegou a hora. É você, sou eu.

A minha mão fica bem na sua. O meu coração é tranquilo perto do seu. Você é o último amor da minha e não posso sequer discordar disso. O amor com você é tudo, menos um sonho. Na verdade, vejo cada sentimento futuro alinhado em nossos dias. Sinto paz, sinto imensidão.

Eu te amo.

*O texto acima é uma celebração ao amor para minha mãe, que está casando de novo e passa muito bem.

Imagem de capa: Bogdan Sonjachnyj, Shutterstock

A gentileza é intuitiva, ser egoísta é uma escolha

A gentileza é intuitiva, ser egoísta é uma escolha

Ao contrário do que muitos pensam, a gentileza não é uma escolha, e sim um instinto natural do ser humano. É o que indicam as pesquisas científicas feitas sobre o assunto até agora. E mais: como aponta o Science of Us, as pessoas aprendem a ser egoístas e escolhem o ser em determinadas situações.

Um dos principais exemplos é um experimento realizado em 2012 por professores da Universidade Harvard, nos Estados Unidos. Com o objetivo de descobrir se a natureza humana é egoísta ou gentil, os pesquisadores recrutaram universitários e os dividiram em grupos de quatro. Cada estudante recebeu uma quantia de dinheiro e teve a opção de separar um pouco do valor para ser multiplicado e distribuído entre o restante dos participantes. Os participantes ganhariam algo mesmo sem compartilhar, mas apesar da tentação de ser egoísta, a maioria das pessoas escolheu por contribuir com o restante.

A gentileza vai além: um estudo realizado por psicólogos da Universidade Yale, nos Estados Unidos, afirma que o primeiro instinto das pessoas é cuidar e salvar os outros. Os pesquisadores entrevistaram várias pessoas que tinham se arriscado por desconhecidos. “A maioria das pessoas acredita que somos instintivamente egoístas, mas nossos experimentos mostram que quando as pessoas dependem de seus instintos, elas são mais cooperativas”, explicou o psicólogo David Rand, de Yale, em entrevista ao Nautilus.

Os pesquisadores sugerem ainda que o egoísmo aparece quando as pessoas param para pensar antes de tomar uma atitude. Ou seja, a gentileza faz parte do instinto, o egoísmo é uma escolha.

Domine seus sentimentos ou alguém fará isso por você

Domine seus sentimentos ou alguém fará isso por você

Somos ímpares e amamos de forma singular. Há quem defina amor como tempestade, outros como calmaria. Há quem prefira viver com ciclones no estômago, enfrentar turbilhões de sentimentos e perder o controle das situações, enquanto outros preferem a tranquilidade de um amor seguro. E tudo bem! Na verdade, a teoria e forma de amar pouco importam, o que realmente, faz diferença é saber diferenciar um amor que te proporciona paz de um amor que te tira ela.

Amar virou um objetivo de vida. O medo da rejeição, da solidão e de encarar a própria companhia faz com que pessoas incríveis aceitem “qualquer forma de amar”, tornando-se escravos de um sentimento que deveria ser libertador. Gustave Le Bom, psicólogo e sociólogo francês, dizia que “o homem que não sabe dominar os seus instintos, é sempre escravo daqueles que se propõem satisfazê-los”.

Romantismo à parte, as pessoas precisam entender que essa teoria de que nossas emoções são incontroláveis e dominam nossa mente é tão ridícula quanto fraca. Se pensarmos na situação que gerou a emoção, somos capazes de controlar até a dor (e isso não é brincadeira). Resumindo: as emoções dão sentido a nossa vida, mas o controle sobre elas nos dá equilíbrio.

Quando somos capazes de entender nossas emoções e utilizá-las de forma sadia, somos capazes de discernir entre relacionamentos bons de relacionamentos doentios e, isso, já é uma grande coisa.

Saber identificar a maldade alheia, não se envolver com quem não está disposto a amar e dominar os próprios sentimentos são atitudes de quem reconhece o próprio valor e, sabe que, poucas coisas, valem a sua paz.

Você pode se sentir carente, mas isso não te dá o direito de implorar a presença de alguém. Você pode amar muito, mas não pode obrigar o outro a sentir o mesmo. Respeito, limites e bom senso são desenvolvidos no silêncio da alma e não na gritaria do corpo.

Amor é paz. Indiferente da teoria que deram ou da falta de ar que ele traga. Enquanto você for controlado pelas emoções, sua vida será uma montanha russa e seus relacionamentos estarão fadados ao fracasso, já que conviver com pessoas desequilibradas e inconstantes é insuportável.

Ser sensível é diferente de ser carente. Ser impulsivo é diferente de ser corajoso. Falar o que pensa é diferente de ser sincero. Lembre-se que ou você domina os próprios sentimentos ou alguém fará isso por você.

Imagem de capa: MillaF/shutterstock

Não guardo mágoas, mas não sofro de amnésia

Não guardo mágoas, mas não sofro de amnésia

Não precisamos esquecer o mal que nos fizeram, mas sim retirarmos dele forças para que não mais nos façam o que tanto nos magoou, para que não mais sejamos enganados, passados para trás, traídos, diminuídos, nunca mais.

Nossa sobrevivência e lucidez emocional em muito dependerá daquilo que resolvermos guardar dentro de nós e de tudo o que estivermos mantendo junto a nossas vidas. Quanto mais peso, quanto mais mágoa, quanto maior a dificuldade em sorrir, menos forças teremos para buscar a felicidade que tanto desejamos. Prosseguir sempre implicará deixar para trás o que for inútil, mesmo que doa, de início.

Tentar dar certo, no amor, na amizade, na profissão, é necessário, porém, jamais poderemos nos estender além dos limites de nossa dignidade nesse caminho. Não somos acostumados a perder, em nenhum setor de nossas vidas, pois queremos sempre acertar e fazer as escolhas certas. No entanto, isso não pode, em hipótese alguma, impedir-nos de desistir de coisas, de pessoas, de situações que não mais se sustentam.

Infelizmente, seremos surpreendidos negativamente em muitos momentos de nossa jornada, porque simplesmente nem todo mundo nos entenderá, nem todo mundo pensará como nós, nem todo mundo trará retorno por tudo o que oferecermos. Seremos mal entendidos, nossas palavras serão mal interpretadas, usarão nosso melhor da pior forma. Amargaremos muitas decepções e de quem mais amamos, de quem menos esperávamos.

Logicamente, ficaremos muito magoados e juntaremos raiva e mágoa à decepção, pois, num primeiro momento, perderemos o chão e nada parecerá fazer sentido. Com o tempo, porém, será necessário digerir, aos poucos, as mágoas que carregamos, no sentido de torná-las cada vez mais distantes, menos pesadas, menores, até que se transformem em lições. Sim, lições de tudo o que deveremos evitar e de todos de quem deveremos nos distanciar.

Por essa razão é que não precisamos esquecer o mal que nos fizeram, mas sim retirarmos dele forças para que não mais nos façam o que tanto nos magoou, para que não mais sejamos enganados, passados para trás, traídos, diminuídos, nunca mais. Juntar mágoa paralisa e enfraquece, mas transformar cada experiência em fortalecimento emocional é o que nos tornará mais aptos a enxergar em cada novo dia uma nova chance de ser feliz.

Imagem de capa: Tanya Shatseva/shutterstock

Não gaste mensagens com quem não te responde, não gaste palavras com quem não te escuta

Não gaste mensagens com quem não te responde, não gaste palavras com quem não te escuta

Sentimento não se cobra, não se mendiga, não se compra. Amizade requer amor e carinho, é sentimento verdadeiro. As pessoas que gostarem de nós não precisarão ser lembradas de que existimos, pois já estaremos guardados em seus corações.

O tempo é cada vez mais precioso, uma vez que a vida moderna nos enche de compromissos com tudo aquilo que não nos dá prazer. Por isso mesmo, os momentos que temos para desfrutarmos sem responsabilidade agendada deverão sempre ser preenchidos com sorrisos sinceros, com gente de verdade, onde consigamos ser alguém querido e amado com verdade.

Infelizmente, tudo o que é mais difícil e longínquo parece acabar prendendo mais a nossa atenção do que aquilo que já é certeza e serenidade. Quantos de nós não sofremos por alguém que não nos ama? Quantos de nós corremos atrás da amizade de quem já comprovou, pelas atitudes, que não nos quer tão bem assim? Quantos de nós ficamos sonhando com o que jamais será, menosprezando tudo o que já é?

Mantermos planos, sonhos, ambicionando galgar degraus mais altos, não é ruim, pois é assim que a gente conquista e vence os obstáculos da vida. No entanto, esse percurso jamais poderá ser construído através de procedimentos antiéticos, tampouco às custas de perdas das quais nos arrependeremos. Não podemos nos esquecer de quem sempre caminhou ao nosso lado, de quem ficou junto, mesmo quando nada tínhamos a oferecer, ou nos veremos num lugar bem alto, mas solitário e vazio.

Já existe muita coisa fazendo parte de nossas vidas. Já há alguém que gosta de nós, com amizade sincera. Já estamos conseguindo sobreviver às tempestades, porque sobrevivemos a 100% de nossos piores dias. Quem foca tão somente o que ainda não possui não terá tempo de aproveitar os momentos prazerosos que pode ter junto a quem está ali pertinho. E mais, se ficarmos olhando somente para o alto, não conseguiremos nos desviar dos buracos à nossa frente, ali embaixo.

Sentimento não se cobra, não se mendiga, não se compra. Amizade requer amor e carinho, é sentimento verdadeiro. As pessoas que gostarem de nós não precisarão ser lembradas de que existimos, pois já estaremos guardados em seus corações, ao passo que outras pessoas nunca serão parte de nossas vidas. É preciso aceitar essa dinâmica, bem como o fato de que nunca seremos unanimidade, pois assim seremos poupados de jogar tempo e energia pelo ralo.

Imagem de capa: Sergey Edentod/shutterstock

Rigidez mental: Quando sua forma de pensar te impede de crescer

Rigidez mental: Quando sua forma de pensar te impede de crescer

Por Tales Luciano Duarte

Albert Einstein disse que “a mente que se abre a uma nova ideia nunca retorna ao seu tamanho original.” No entanto, abrir a mente é um exercício complicado, muito mais do que gostaríamos de admitir.

Na verdade, já começamos a construir a rigidez mental a partir do nascimento. Cada aprendizagem abre novas portas, mas também fecha outras.

À medida que crescemos e formamos nossa própria imagem do mundo, já estamos cheios de estereótipos, preconceitos e crenças que são muito difíceis de remover. No entanto, a rigidez mental não se refere apenas às ideias, mas, acima de tudo, a maneira de pensar.

A rigidez mental nos torna prisioneiros, pois diminui nossa capacidade de adaptação, criatividade, espontaneidade e positividade. Nos prendemos a velhos padrões que nos impedem de crescer intelectualmente e emocionalmente.

Na verdade, as pessoas rígidas mentalmente são aquelas que:

– Pensam que só há um “modo adequado” de fazer as coisas.

– Assumem que a sua perspectiva é a única correta e que o resto das pessoas está errado.

– Não estão abertas à mudança porque isso as assusta.

– Se apegam ao passado e recusam se mover.

Mas, se há alguma coisa que caracteriza pessoas com rigidez mental, é o desejo de ter razão a todo custo. Elas não percebem que este desejo é extremamente prejudicial porque a possibilidade de estarem erradas e cometerem erros é, justamente, a principal ferramenta de aprendizado e crescimento.

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Nós não podemos crescer, não podemos realmente assimilar novos conhecimentos, seja a nível intelectual ou emocional, se não nos dermos conta de que o que sabemos ou cremos pode estar errado ou, pelo menos, ser insuficiente.

Na verdade, uma das principais características das pessoas que têm uma certa flexibilidade mental é serem capazes de perceber que decisões erradas não são “más decisões”, e sim que qualquer decisão é boa se for seguida por uma outra decisão: a de vermos o lado positivo disso.

Flexibilidade mental é justamente saber que qualquer decisão que tomamos, sempre abre diante de nós um mundo de possibilidades.

Portanto, a flexibilidade mental consiste em estarmos dispostos a aceitar a possibilidade de equivocar-nos, não ter medo dos erros e tentar entender e abraçar as coisas novas ou pontos de vista diferentes dos nossos.

A Rigidez Mental como resistência inconsciente

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A pessoa que desenvolve uma maneira muito rígida de pensar, de certa forma, está se protegendo. De fato, a rigidez mental pode também ser entendida como uma resistência psicológica. Em certo ponto, pois quando uma ideia vai contra ao que se pensa, a pessoa experimenta uma sensação estranha que lhe confunde, paralisa e faz com que se feche às razões.

Assim, muitas pessoas simplesmente rejeitam o argumento, sem analisar. No entanto, a boa notícia é que, quando isso acontece, é porque algo no seu interior se dá conta que há um problema, algo precisa ser resolvido, embora o processo seja doloroso.

De fato, em muitos casos, perceber que algo que você acreditava cegamente por anos não é verdade, ou pelo menos não é toda a verdade, pode causar uma dor enorme que pode dar lugar a uma crise existencial.

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A boa notícia é que a flexibilidade mental é uma habilidade que pode ser desenvolvida e aprendida.

1. Concentre-se em suas emoções.

Quando você está tentado a rejeitar completamente uma ideia, observe como você se sente. Se você se sentir desconfortável com o que você ouve, é provável que a rigidez em sua maneira de pensar esconda uma resistência inconsciente.

Pergunte a si mesmo de que tem medo. Se você responder honestamente, irá descobrir muitas coisas. Na verdade, quanto mais medo você perceber que sente, mais será capaz de iluminar essa resistência.

2. Alimente o desejo de crescer.

A curiosidade continua sendo uma das ferramentas mais poderosas que temos à nossa disposição para crescer como pessoas.

Em vez de aceitar as velhas ideias, pergunta-se: “Por quê?”. Se começar a se questionar sobre tudo que você sempre deu como certo, não só encontrará respostas novas como também descobrirá um novo mundo, muito mais vasto.

3. Desenvolva empatia.

Em muitos casos, você provavelmente não concordará com as ideias, as formas de pensar e atitudes dos outros. No entanto, em vez de rejeitá-los de imediato, tente se colocar no lugar deles para entender de onde vêm esse ponto de vista.

Se você rejeitar o que não sabe ou não gosta, você será a mesma pessoa de antes, mas se você tentar entender o outro, terá caminhado um passo além e crescerá.

4. Abrace os erros.

Ter certa flexibilidade mental significa não ter medo dos erros, significa estar disposto a aproveitar as novas oportunidades, mesmo que isso signifique se equivocar.

Trata-se de entender a vida como um contínuo aprendizado, onde cada erro não é um passo atrás, mas sim um passo a frente em nossa evolução, pois nos permite desfazermos velhos padrões já enraizados.

5. Não busque a verdade absoluta.

Toda vez que assumimos uma verdade como um fato imutável, significa que paramos de olhar nessa direção e, portanto, começamos a morrer um pouco todos os dias nessa área. Assim, é importante não se prender a uma única maneira de ver as coisas e manter uma mente aberta.

O mais importante para se livrar da rigidez mental é não buscar a verdade absoluta, simplesmente, porque ela não existe.

Quem se afeiçoa à ferida, nunca se cura

Quem se afeiçoa à ferida, nunca se cura

Sabe quando você era criança e ficava cutucando o machucado e ele nunca sarava? Pois é, depois que crescemos, muitas vezes, fazemos o mesmo.

Veja bem, quem se afeiçoa à ferida nunca se cura. Quem se prende ao que traz sofrimento acaba sofrendo para sempre. A vida é feita de ciclos nos quais passamos sim por dores, no entanto, devemos passar e não ficar nelas.

Quem volta para a mesa onde o amor não está mais sendo servido, se alimenta de ingratidão. Quem visita àqueles que trancaram as portas, encontra indiferença. Quem se torna marionete das vontades dos que não se importam, acaba órfão de si.

Deixa a tua ferida sarar. Sem uma morosidade mórbida ou ansiedade louca para isso. O tempo é um ótimo remédio. Deixa ele agir. Deixa ele curar as dores.

É comum que nos afastemos de algumas situações e depois de um tempo, mais fortalecidos, decidamos voltar ao passado para acertar as coisas. Mas ao voltar, comumente, percebemos que por mais evoluídos que possamos estar, existe ali uma situação tóxica que, em momento algum, nem no passado, nem no presente, nem no futuro nos trará qualquer tipo de contentamento.

Algumas pessoas e situações não valem a pena. Alguns caminhos não levam à lugar algum. Nem todos sabem amar. Alguns vivem de fazer sangrar corações. Outros de menosprezar e entristecer. Alguns até mesmo sentem prazer em usar pessoas como se fossem coisas.

Deixa o tempo soprar tuas feridas! Levanta e segue em frente.

Mostre-se assim bonita e curada. Não adia a tua felicidade cutucando dores que te fazem lembrar de situações tristes e pessoas vazias de amor.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain.

Canalhas também envelhecem!

Canalhas também envelhecem!

Eu cresci aprendendo que devemos sempre respeitar pessoas idosas e concordo com isso. Concordo porque devemos respeitar qualquer ser humano, independentemente de sua idade ou de qualquer outra coisa. E devemos respeitar também suas limitações e incapacidades. Então, do mesmo jeito que devemos respeitar a inocência e a falta de experiência de vida das crianças, devemos respeitar também a fragilidade de pessoas idosas.

O que não devemos fazer é transformar pessoas idosas em pessoas automaticamente boas e transformar todos os vovôs e vovós deste mundo em santos, pois não são, não todos.

Já não me agrada a forma como costumamos falar dos idosos, como se eles fossem gente diferente, uma espécie à parte, como se os “velhinhos” não fossem nós amanhã e como se nós não fôssemos o passado deles. O idoso é gente como todo mundo, gente que foi jovem e envelheceu, do mesmo jeito que todos nós vamos envelhecer – se tivermos a sorte de (sobre)viver até lá. O idoso não é gente diferente, é gente igualzinha a nós, só que em outra fase da vida.

Uma pessoa idosa estudou e trabalhou, pagou impostos e viveu sua vida dentro de suas possibilidades. Ela não caiu neste mundo já como pessoa de idade avançada. Ela foi criança, adolescente, foi jovem, atravessou a meia-idade e viveu com tudo que se tem direito.

Se uma pessoa viveu uma vida egoísta, se só pensou em si e nas próprias vantagens, talvez com mau-caratismo e safadeza, essa trajetória de vida não se anula porque avançou a idade. Seu caráter não melhora simplesmente porque ela envelheceu.

Eu era criança quando presenciei duas brigas. Primeiro de uma mulher com outra, essa outra já idosa. A briga foi feia, a mais jovem gritou com a idosa e a xingou de um monte de coisas, até que a idosa começou a chorar e foi embora.

Aí começou outra briga de outras pessoas com a mulher por ela ter sido tão dura com a “coitada da vovozinha”, acusando-a de não ter respeito pelos anciãos. A mulher ficou uma arara e berrou: Canalhas também envelhecem!

Escutei aquilo e nunca esqueci, pois fazia sentido para mim. Se alguém viveu sua vida como um canalha, por que ele deixaria de ser canalha na velhice?

É claro que realmente o avanço da idade pode contribuir para que a pessoa amadureça, já que, afinal de contas, o tempo nos ensina muita coisa. As cabeçadas que damos contra a parede e os cascudos que tomamos da vida também.

A experiência de vida pode sim suavizar muita gente, torná-la mais serena, mais responsável, mais autocrítica e até mesmo mais dócil, mas também há o contrário, com gente amargurando um pouco mais com cada ano que passa, gente que luta contra a natureza da vida, que não aprende com as porradas tomadas e insiste no caminho egoísta, que não desapega, que envelhece sem se livrar da carga inútil que colecionou por aí, as mágoas, a inveja, o ciúme, o orgulho, a ganância, a avareza e mais meio mundo de coisas que não prestam para nada.

Tem gente que não aprende, que não suaviza, que insiste em espalhar na velhice os mesmos venenos que espalhava no passado ou mesmo veneno pior, muitas vezes escondido atrás da máscara de “velhinho indefeso e frágil”.

Sim, os canalhas envelhecem, assim como os idiotas, os hipócritas, os fofoqueiros, os trapaceiros, os falsos, os bandidos, os perversos, os narcisistas, enfim, todos mesmo.

Como já disse, tem gente assim que consegue melhorar, que aprende e amadurece. Nunca devemos esquecer disso. Alguém que foi muito mau-caráter no passado pode ter amadurecido, reconhecido os próprios desvios e se tornado uma pessoa boa. Envelhecer também renova, sempre que estamos abertos para isso.

Mas isso não é automático, não é todo mundo que envelhece que se torna bom. Muitos idosos por aí aprontam e aprontam muito. Tem gente idosa que não vale a dentadura que tem na boca.

Como disse no início, devemos respeitar os idosos porque devemos respeitar todos os seres humanos. E devemos respeitar também suas limitações e incapacidades. Assim, devemos ter sim cuidado com sua fragilidade, relevar seus problemas de saúde, mas isso não significa que devemos santificar idoso algum. Temos o direito de criticá-los e de não concordarmos com seu comportamento e temos o direito de dizer isso a eles, mesmo que devamos sempre dar um desconto por causa da idade avançada e maneirar na intensidade.

Se alguém se comporta como um canalha, para mim ele é um canalha, tanto faz sua idade. E não acho que só envelhecer seja suficiente para melhorar o caráter de ninguém. “Canalhas também envelhecem” continua fazendo sentido para mim.

Imagem de capa: OneSmallSquare//shutterstock

Não tenho tempo para odiar quem me odeia, prefiro amar quem me ama

Não tenho tempo para odiar quem me odeia, prefiro amar quem me ama

Por Valéria Amado

Quem investe grande parte de seu tempo alimentando sentimentos negativos contra quem o odeia se esquece de algo muito mais importante: de amar aqueles que o amam de verdade. O ódio e o rancor são dois inimigos fortes e persistentes que costumam criar raízes muito profundas em muitas mentes. Porque na realidade são armadilhas em que nós mesmos acabamos ficando presos por essas emoções tão negativas e tão autodestrutivas.

Frequentemente, costumam dizer que “o ódio é o contrário do amor” quando, na verdade, isso não está completamente certo. Odiar é um exercício privado, porém escancarado aos outros em que se entrelaçam diferentes emoções: desde a ira, passando pela humilhação, até a aversão. Estamos então perante um instinto muito primitivo que, por sua força e impacto em nosso cérebro, pode fazer com que deixemos de priorizar aquilo que realmente é importante, como nosso próprio equilíbrio ou as pessoas que amamos.

Não tenho tempo para chateações ou rancores, ainda menos para odiar quem me odeia, porque o ódio é a morte da inteligência e eu estou muito ocupado aqui, amando aqueles que me amam.

Tanto Aristóteles quanto Sigmund Freud definiram o ódio como um estado onde o sentimento de violência e aniquilação costumam estar presentes. Martin Luther King, por sua vez, falou dessa emoção como uma noite sem estrelas, algo tão obscuro em que o ser humano perde, sem dúvida, toda sua razão de ser, sua essência. Fica claro que estamos perante a parte mais perigosa do ser humano e, por isso, convidamos você a refletir sobre esse tema.

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O ódio não é cego, sempre tem uma razão

O ódio não é cego, possui sempre um foco muito concreto, uma vítima, um coletivo ou até mesmo alguns valores que não são compartilhados e perante os quais alguém reage. Carl Gustav Jung, por exemplo, falava em suas teorias sobre um conceito que não deixa de ser interessante: ele o chamou de sombra do ódio ou a cara oculta do ódio.

Segundo essa teoria, muitas pessoas chegam a depreciar outras porque veem essas pessoas com determinadas virtudes que, em si mesmo, são carências. Um exemplo seria o homem que não suporta que sua mulher triunfe no campo de trabalho ou o companheiro de trabalho que nutre sentimentos de ódio e depreciação por outro quando, na realidade, o que existe nas profundidades de seu ser é a inveja.

Com isso, podemos ver claramente que o ódio nunca é cego, e sim que responde a razões que para nós são válidas. Outra amostra disso pode ser vista no interessante estudo “Anatomia do ódio cotidiano”, publicado em 2014 na revista americana “Association for Psychological Science”. O estudo tentou revelar quais eram os ódios mais comuns do ser humano e em qual idade passamos por esse sentimento pela primeira vez.

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O primeiro dado relevante é que o ódio mais intenso é gerado quase sempre por pessoas que são muito próximas a nós. A maior parte dos entrevistados declarou que, ao longo de suas vidas, havia odiado com intensidade algo ou alguém 4 ou 5 vezes.

-O ódio se concentra quase sempre em familiares ou companheiros de trabalho.
-As crianças costumam experimentar o sentimento de ódio aos 12 anos.
-O ódio apareceu nesse estudo como algo muito pessoal. Uma pessoa depreciava um político, um personagem ou um determinado modo de pensar, mas o ódio autêntico, o mais real, costumava se projetar quase sempre em pessoas muito concretas, dos círculos mais íntimos de relação.

Odiar é a morte do pensamento e da liberdade

Já havia dito Buda, o que te dá raiva te domina. Aquilo que desperta em nós o ódio ou o rancor nos faz reféns de uma emoção que, acreditemos ou não, se expande com a mesma intensidade e negatividade do que sentimos. Pensamos em um pai de família que chega em casa carregado de rancor pelo seus chefes e que dia e noite comenta com sua esposa e seus filhos todo seu desprezo e sua aversão. Todas essas palavras e esse modelo de conduta são absorvidos de forma direta pelos outros.

Em um mundo cheio de ódio, devemos nos atrever a perdoar e a ter esperanças. Em um mundo habitado pelo ódio e pela desesperança, devemos nos atrever a sonhar.

Também sabemos que não é tão fácil assim apagar o fogo da raiva em nosso cérebro. Parece que dar o perdão para quem nos fez algum dano ou nos humilhou é um sinal de fraqueza, mas ninguém merece uma existência dominada pela raiva. Sobretudo se assim descuidamos do mais essencial: nos permitir ser felizes e viver em liberdade.

Vale a pena então refletir sobre as seguintes dimensões.

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Como se libertar das armadilhas do ódio

O ódio tem um circuito cerebral muito concreto que se adentra nas áreas responsáveis pela tomada de decisão e pela responsabilidade, se alojando no córtex pré frontal. Assim como falamos no início, o ódio não é cego, portanto podemos racionalizar e controlar esses pensamentos.

-Desapegue desse rancor falando com a pessoa responsável e explicando o porquê do seu mal estar e da sua dor de forma assertiva, mas respeitosa. Coloque suas emoções em palavras tendo bem claro que, muito possivelmente, a outra parte não te entenda e não compartilhe da sua opinião.
-Depois desse desapego e de ter deixado clara sua posição, coloque um ponto final, um adeus. Liberte-se desse vínculo de incômodo mediante o perdão sempre que for possível, para que desse modo o círculo se feche com você fora dele.
-Aceite a imperfeição, as discordâncias, o pensamento oposto ao seu. Não deixe que nada perturbe sua calma, sua identidade e ainda menos sua autoestima.
-Apague o ruído mental e a voz do rancor e acenda a luz de emoções mais enriquecedoras e positivas. Valerá a pena: o amor dos seus e a paixão por aquilo que te faz feliz e te identifica trará muito mais alegria.

É um exercício fácil que deveríamos praticar a cada dia: o desprendimento absoluto dos ódios e rancores.

Imagem de capa: Khomenko Maryna/shutterstock

As 10 Regras do Silêncio

As 10 Regras do Silêncio

01 – Devemos ficar em silêncio se não tivermos nada de válido a dizer.

02 – Devemos ficar em silêncio depois de termos dito educadamente o que pretendíamos.

03 – Devemos ficar em silêncio até chegar à nossa hora de falar.

04 – Devemos ficar em silêncio quando nos provocam.

05 – Devemos aprender no silêncio a escutar a voz de Deus.

06 – Devemos ficar em silêncio quando a ira nos toma.

07 – Devemos ficar em silêncio quando nos falam, para que fique na nossa mente o que nos é dito.

08 – Devemos ficar em silêncio quando nos sentimos tentados a falar mal de alguém.

09 – Devemos ficar calados quando nos sentimos tentados a ferir com palavras ou a criticar negativamente.

10 – Devemos ficar em silêncio o tempo suficiente para pensarmos, antes de darmos uma resposta.

(Autor Desconhecido)

Porque você deve gastar seu dinheiro em experiências e não com coisas

Porque você deve gastar seu dinheiro em experiências e não com coisas

A maioria das pessoas está em busca da felicidade.

E há economistas que pensam que a felicidade é o melhor indicador da saúde de uma sociedade.

Sabemos que o dinheiro pode fazer você mais feliz, e apesar de que suas necessidades básicas estejam atendidas, isso não necessariamente faz de você uma pessoa mais feliz. Assim, uma das maiores questões é como alocar o nosso dinheiro para esse propósito, este que é (para a maioria de nós) um recurso limitado.

Há uma hipótese muito lógica que a maioria das pessoas faz quando está gastando seu dinheiro: que, porque um objeto físico vai durar mais tempo, ele vai nos fazer mais felizes por mais tempo do que uma única experiência como um concerto ou suas férias. De acordo com pesquisas recentes, verifica-se que esta suposição é completamente errada.

“Um dos inimigos da felicidade é a adaptação”, diz Dr. Thomas Gilovich, professor de psicologia na Universidade de Cornell que estuda a questão do dinheiro e felicidade por mais de duas décadas.“Nós compramos as coisas para nos fazer felizes, e nisso somos bem sucedidos. Mas só por um tempo. Coisas novas são excitantes para nós no início, mas depois nos adaptamos a eles”.

Então ao invés de comprar o mais recente iPhone ou um novo BMW, Gilovich sugere que você vai ter mais felicidade se gastar dinheiro em experiências como a ida à exposições de arte, fazendo atividades ao ar livre, aprendendo uma nova habilidade ou viajando.

As descobertas de Gilovich são a síntese de estudos psicológicos realizados por ele e outros pesquisadores para o paradoxo de Easterlin, que constatou que o dinheiro compra a felicidade, mas só até certo ponto. Como a adaptação afeta a felicidade, por exemplo, em um estudo foi pedido às pessoas que fizessem um auto-relato de sua felicidade com os seus principais produtos materiais e suas compras experienciais. Inicialmente, a percepção de felicidade com essas compras foram classificadas como iguais. Mas ao longo do tempo, a satisfação das pessoas com as coisas compradas caiu, enquanto que a sua satisfação com as experiências que haviam investido subiram.

É contra-intuitivo que algo como um objeto físico que você pode manter por um longo tempo não mantê-lo tão feliz enquanto uma experiência (resultado de um evento único) faz. Ironicamente, o fato de que uma coisa material estar sempre presente é justamente o fator que joga contra, tornando-o mais fácil de se adaptar no nosso dia-a-dia. Ele desaparece no fundo e torna-se parte do novo normal. Mas, enquanto a felicidade de compras materiais diminui ao longo do tempo, as experiências tornam-se uma parte intrínseca da nossa identidade.

“Nossas experiências são uma parte maior de nós mesmos do que são os nossos bens materiais”, diz Gilovich. “Você pode realmente gostar de seu produto material. Você pode até pensar que parte de sua identidade está ligado a essas coisas, mas mesmo assim elas permanecem separadas de você. Por outro lado, suas experiências realmente são parte de você. Nós somos a soma total de todas as nossas experiências.

Um estudo conduzido por Gilovich ainda mostrou que, se as pessoas têm uma experiência que dizem ter impactado negativamente a sua felicidade, uma próxima vez que têm a oportunidade de contar sobre isso, sua avaliação sobre a experiência sobe. Gilovich atribui isso ao fato de que algo que poderia ter sido estressante ou assustador no passado pode se tornar uma história engraçada para contar em uma festa ou ser vista como uma inestimável experiência de vida.

Outra razão é que as experiências compartilhadas nos conectam mais a outras pessoas do que o consumo compartilhado de produtos. É muito mais provável que você se sente mais ligado a alguém que tirou férias com em Bogotá como você do que alguém que também comprou a mesma TV 4K.

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Casais agressivos criam filhos frágeis

Casais agressivos criam filhos frágeis

A agressividade tem muitas faces e maneiras de se projetar. Nem sempre aparece de forma explícita ou óbvia, como o confronto direto. A negligência em relação aos sentimentos do outro é uma forte representação de agressividade. A indiferença é uma forma poderosa de se agredir alguém. A ironia, ilustrada por comentários e posturas ácidas e depreciativas, pode ser tão impactante, quanto uma porta batida na cara. Muitas vezes, palavras ditas “em voz de veludo”, encerram críticas com alto poder de destruição. E, no calor da raiva, somos capazes de nos machucar tanto, a ponto de não haver conserto para os estragos deixados para trás. Somos adultos, enfim; e, neste caso, é de se supor que sejamos capazes de administrar conflitos; sobretudo quando eles fazem parte da construção de um relacionamento a dois. Mas… e se no meio desse fogo cruzado, além das trincheiras emocionais, houver uma criança, ou duas, ou mais… frutos diretos desse relacionamento? Será que é justo envolvê-las nessa confusão? Não! Não é justo, não é certo, e pode trazer consequências desastrosas ao seu desenvolvimento!

CRIANÇAS TÊM “ANTENAS” PODEROSAS

O tom que rege o relacionamento de um casal reverbera por toda a casa e mina a saúde emocional de toda a família. Quando um casal se perde um do outro e a convivência deixa de ser alegre, comprometida, leve e prazerosa, muda sensivelmente o clima ao seu redor. Mudam os olhares, a modulação da voz, a natureza gestual, muda tudo. O clima fica tenso, os diálogos menos frequentes, a maneira de tratar o outro perde a polidez afetiva; desanda e azeda. Com o passar do tempo, o casal que se perdeu, caso não tome consciência disso, corre o risco de se habituar a essa rotina áspera, sem brilho e sem vida. Isso é tão triste, quanto comum. E se esse casal tiver tido a iniciativa de procriar, acrescentando filhos a essa família, corre o risco maior de incluir essas crianças num modelo equivocado de relação. As crianças costumam ser visceralmente ligadas às alterações emocionais de seus pais. Portanto, quando a relação desses adultos adquire um caráter beligerante e pouco cuidadoso, no aspecto amoroso, os filhos são afetados diretamente, e podem vir a manifestar queda no desempenho escolar, alterações no comportamento; e, até problemas de saúde; crescem ansiosos e frágeis.

CONFLITOS SÃO INEVITÁVEIS

Não há nesse mundo, casal que nunca tenha se desentendido. Seja por terem pontos de vista diferentes, ou porque projetam expectativas além da conta um no outro, ou porque a vida vai desgastando o afeto, ou mais de mil outras razões possíveis. Dividir a vida com alguém não é tarefa fácil, nem descomplicada; requer compromisso, empenho, lealdade, amor, companheirismo e compreensão, para dizer o mínimo. A vida a dois configura uma realidade muito diferente da aura de paixão emocionante que costuma unir duas pessoas. A relação vai se transformando; o casal vai aprendendo a interpretar-se, ouvir-se, olhar-se. E é só com um olhar atento e uma postura aberta para essa transformação que a relação consegue sobreviver às inúmeras crises que são inevitáveis. A questão não é “nunca discutir”; a questão é discutir de forma respeitosa e com o objetivo de dar passos à frente, não de destruir o outro, ou de ver “quem pode mais”. Os conflitos, quando vividos de forma amorosa e madura, levam o casal a um patamar mais elevado de conhecimento e parceria; e passam aos filhos uma importante lição: discordar do outro não significa deixar de amá-lo.

NUNCA NA FRENTE DAS CRIANÇAS

E, se há formas positivas de administrar conflitos, há também lugares adequados para dar-lhes espaço. O casal precisa compreender que suas diferenças fazem parte do universo dos adultos, é assunto de gente grande; e, portanto, não deve, de jeito nenhum, ser um espetáculo cuja plateia são os filhos. As crianças não sabem como lidar diante de uma briga entre seus pais; ficam aflitas, inseguras, incomodadas e desconfortáveis. Intimamente, sentem-se responsáveis pela situação; e, o pior de tudo: não podem tomar partido e, não fazem a menor ideia de como fazer aquilo parar. Essa impotência gera ansiedade e dá às crianças uma bagagem cujo peso está além de sua força para carregá-lo.

O QUE SE PASSA NA CABECINHA DOS PEQUENOS

Até os cinco anos, por exemplo, as crianças são, ainda, atingidas pela angústia de sequer entender exatamente sobre o que os pais divergem, já que seu repertório, de vocabulário e de experiências, é insuficiente para interpretar as demandas dos adultos. Crianças de qualquer idade são afetadas pelo medo da separação; criam fantasias a respeito; sofrem a angústia diante da hipótese de perder o convívio com um dos pais. Crianças um pouco maiores, inevitavelmente fazem julgamentos, tendendo a dar razão para um ou outro. Só que esse sentimento gera desconforto, porque se o julgamento é da esfera da razão, a relação afetiva com os pais é profundamente emocional e carregada de simbolismos de dependência e cuidado. Sendo assim, ao escolher um dos lados, a criança sente que abandonou o outro.

VIVER AOS BEIJOS E ABRAÇOS NÃO É SINÔNIMO DE AMAR VERDADEIRAMENTE

Muito mais importante do que demonstrações físicas de afeto, é a criação de uma atmosfera de confiança, cuidado afetivo e atenção carinhosa. Há casais que vivem numa verdadeira montanha-russa; protagonizando brigas cinematográficas e reconciliações teatrais. Esse relacionamento instável e pontuado por extemos, pode incutir nos filhos a crença equivocada de que o amor é isso, esse descompasso, esse padrão exagerado e sem harmonia. Amar verdadeiramente alguém é ser capaz de incluir os carinhos físicos nas horinhas corriqueiras do dia-a-dia; e, aliar essas demonstrações explícitas de afeto a posturas de acolhimento e atitudes menos intempestivas nos momentos de conflito e divergência. O contato físico é elemento importante na constituição de uma relação baseada no desejo legítimo e confesso de incluir o outro e os filhos no espaço afetivo familiar.

PROMOVER BONS DEBATES

Uma coisa precisa ficar clara em relação ao comportamento dos pais: mesmo quando não estão fazendo nada, os pais estão ensinando algo aos filhos; atitudes ensinam muito mais do que discursos, sobretudo se o discurso for um sermão da montanha que se repete com frequência. Debater diferentes pontos de vista, com tranquilidade e respeito pelo outro, é uma das mais valiosas lições que um casal pode dar a seus filhos. É fundamental fazer esse exercício e colocar esse hábito em prática no ambiente familiar. Usar o momento das refeições – quando é tão importante o encontro de todos – para debater opiniões divergentes e coordenar as diversas interpretações acerca de um assunto ou conceito, é proporcionar aos filhos a oportunidade de compreender que as diferenças podem ser elementos de soma; e, não de divisão.

NÃO É FÁCIL, MAS NÃO É IMPOSSÍVEL

É bom que se esclareça… Ninguém aqui está propondo uma vida em tons pastéis, nem uma reprodução daquela família feliz que aparece nos comerciais de margarina. Nada disso! Mesmo! A proposta é parar, pensar e refletir. O que é que se ganha numa briga, depois da qual um sai amargurado e o outro com a garganta ardendo? O que pode haver de positivo numa relação em que um quer subjugar o outro a todo custo? Qual é a vantagem de fazer da própria casa um campo de batalha? A vida nesse nosso mundo conturbado já anda bastante hostil, para que transformemos também o nosso lar num espaço de disputas de poder, não é, não? E os filhos… Ahhhhh… Os filhos são compromissos amorosos que assumimos voluntariamente para a vida inteira. Sendo, assim, cuidemos de oferecer a eles um ambiente onde se possa aprender o que nenhuma escola é capaz de ensinar: as divergências são também formas de amar, quando incluem demonstrações genuínas de interesse, cuidado e respeito!

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Nunca é tarde para fazer o que você ama

Nunca é tarde para fazer o que você ama

Fazer o que você ama lhe dá força, ajudando a definir e construir a si mesmo como pessoa, como alguém que é capaz de traçar seu caminho todos os dias, com liberdade e plenitude.

Isso é algo que todos nós sabemos. No entanto, também sabemos que nem sempre é fácil fazer aquilo que realmente amamos. O trabalho, as obrigações familiares e, em algumas ocasiões, até o peso da rotina, limitam estes nossos desejos internos.

Na vida é preciso manter um equilíbrio adequado. Jamais devemos descuidar das pessoas que amamos, mas é importante lembrar que nós também somos importantes.

E que se deixarmos de fazer aquilo que amamos, pouco a pouco iremos nos afastar da nossa identidade.

Quem disse que é tarde demais para fazer o que você ama?

É muito provável que, em algum momento, você tenha passado pela seguinte situação: querer fazer uma mudança na sua vida e ouvir de alguém, quase sempre um familiar próximo ou um amigo, que “você já é velho demais para isso.”.

Você deve se lembrar de que a única pessoa que tem o direito de dizer o que você deve fazer em cada momento é você mesmo. Você pode escutar as palavras dos demais com paciência e respeito, mas a decisão final sempre será sua.

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A melhor idade é a que você tem agora

Não pense duas vezes. Não existe uma idade melhor ou uma idade na qual alguém perde o direito de iniciar coisas novas em sua vida. Nunca é tarde para o que nos faz feliz, e isso é algo que devemos ter muito claro em nossa mente.

O pior arrependimento que podemos ter é chegar à terceira idade sendo conscientes de que a nossa vida foi uma “vida não vivida”.

Dizem que cada etapa da vida tem as suas características e suas experiências para viver e descobrir. Não há dúvida nenhuma disso, mas mesmo com toda a nossa experiência acumulada, ainda devemos estar abertos para aprender ainda mais. Quanto mais experiências, mais sabedoria, e maior vontade de seguir vivendo você terá para fazer o que ama.

Os que nos dizem que “é tarde demais”

Em algumas ocasiões, quando pensamos em fazer algo que realmente queremos ou algo com o que sempre sonhamos, nos encontramos com algum muro social.

Os muros sociais não são mais do que preconceitos, pensamentos limitantes que impedem o crescimento pessoal alheio sem motivo.

Leve em conta que quem tenta impedir que você faça algo que deseja podem ser as pessoas mais próximas do seu círculo social, e elas o fazem porque têm medo de perdê-lo, temem romper este vínculo que você tem com eles para sair da sua zona de controle.

Pode ser que você sonhe em fazer uma viagem, escolher um determinado curso na faculdade ou seguir uma carreira não convencional, ou simplesmente priorizar a si mesmo, saindo um pouco mais, passando um tempo com seus amigos, fazendo o que você gosta.

Fazer o que você ama nem sempre se traduz em mudanças extremas. Na verdade, na maioria das vezes são as ações menores do cotidiano que nos trazem a tão sonhada felicidade.

Os que dizem que é tarde demais para fazer algo atacam a nossa autoestima. Eles nos fazem acreditar que o nosso trem já passou, e que a vida, para nós, se reduz a sonhar com tudo que poderia ter sido e nunca foi. Não permita que isso aconteça.

Fazer o que você ama sem causar danos a outras pessoas

A chave é simples: você pode fazer aquilo que desejar, sempre que suas ações não machuquem as pessoas que você ama (e também as pessoas que você não conhece).

O que isso quer dizer? Devemos levar em conta que, às vezes, pequenos atos podem trazer consequências não desejadas. Não se trata, por exemplo, de querer dar a volta ao mundo gastando todas as economias. Nem de descuidar de nossos filhos. Tudo tem um equilíbrio, e é possível encontrá-lo.

Fazer o que você ama com liberdade, em plenitude, e beneficiando os outros durante o processo, é a melhor coisa que você pode obter. Pense, por exemplo, nas pessoas que finalmente voltam à universidade depois de vários anos para obter a formação acadêmica com a qual sempre sonharam.

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Algo como isso nos enriquece por dentro, e faz com que nos sintamos orgulhosos. E alguém que se sente bem consigo mesmo pode fazer os demais mais felizes.

Fazer o que você ama não deveria ser complicado, e ninguém deveria impor barreiras, nem mesmo você. Acreditemos ou não, quem mais limita o nosso próprio crescimento pessoal somos nós mesmos.

Estas são as formas como fazemos isso:

  • Através das atitudes limitantes, pensando que somos velhos demais para fazer certas coisas.
  • Ter medo do fracasso, de cometer erros.
  • Temer o que os outros possam dizer de nós ao fazermos aquilo que desejamos em um dado momento.
  • Pensar que não vamos conseguir, que não somos bons o suficiente para certas coisas.

Devemos ser valentes, ter coragem e lembrar sempre que nunca é tarde para ser feliz. Nunca é tarde para voltar a amar, para fazer uma viagem ou para adquirir novos conhecimentos e habilidades.

Sempre que a ilusão e a imaginação forem fortes, sempre que tivermos saúde e otimismo, nada nem ninguém pode nos impor limites.

Não corra atrás de quem nem está te esperando

Não corra atrás de quem nem está te esperando

“Sempre deveremos tentar realizar os nossos sonhos, porém, gastar energia com o que não nos recebe, com quem não nos dá as mãos, com aquilo que não tem futuro, é inútil e sem serventia alguma.”

Uma das maiores dificuldades dos seres humanos é lidar com a rejeição. E, embora tenhamos que enfrentar inúmeras negativas vida afora, parece que nunca estaremos preparados para digerir com sensatez os momentos em que nos dizem não. Querer ser aceito em tudo e por todos, entretanto, é nocivo à autoestima e ao aprimoramento pessoal.

Temos necessidade, ao longo da vida, de que nos aceitem, de que sejamos aprovados, pelos pais, pela família, pelos amigos, pela sociedade, uma vez que somos seres gregários e nos relacionamos todos os dias com as pessoas à nossa volta. A criança anseia pela aprovação por parte dos pais, ao adolescente é imprescindível a aprovação dos amigos, e assim vamos procurando sempre nos encaixar no mundo com harmonia e aceitação.

Impossível, porém, alcançarmos a unanimidade, pois jamais agradaremos a todos, nem que usemos de falsidade para tanto. O perigo, nesse contexto, é exatamente nos perdermos de nossas verdades, na tentativa de sermos aceitos pelas pessoas, vivendo algo em que não acreditamos, tão somente para ficar junto de quem achamos ser fundamental em nossas vidas. Esquecemos, assim, que nunca nos trarão para suas vidas aqueles a quem não somos o bastante.

Mesmo que tentemos adotar uma postura de autossuficiência absoluta, de que não nos importamos com a opinião de ninguém, no fundo nos incomodaremos com a rejeição, seja em casa, no trabalho, seja na vida social. Importa, no caso, a forma como lidaremos com as negativas, principalmente refletindo sobre a real importância daquilo que não conseguimos, pois, muitas vezes, supervalorizamos coisas e pessoas que não fariam falta alguma em nossas vidas.

É preciso perceber quando chegou a hora de desistir de correr atrás daquilo que jamais alcançaremos. Sempre deveremos tentar realizar os nossos sonhos, porém, gastar energia com o que não nos recebe, com quem não nos dá as mãos, com aquilo que não tem futuro, é inútil e sem serventia alguma. Desistir requer coragem e sabedoria, portanto, dimensionar com clareza a relevância do que queremos nos será vital.

Refletirmos sobre nossos ideais e sobre aquilo que vimos fazendo de nossas vidas deve, por isso, ser um exercício diário e constante, para que consigamos enxergar a nós próprios, no sentido de prezar pela nossa dignidade, sempre. Humilhar-se por algo ou por alguém nunca deve ser tomado como alternativa possível, muito pelo contrário. Devemos, sim, valorizar o que somos, o que temos, para que nossas verdades se fortaleçam junto à dignidade que nos alimenta, que nos fortalece, que nos torna felizes e aptos a recomeçar sempre que a vida disser não.

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