25 coisas com as quais você perde tempo demais!

25 coisas com as quais você perde tempo demais!

Esta manhã eu recebi um mail de agradecimento de uma leitora chamada Hope. Ela disse que o nosso blog e livro a ajudaram e motivaram através de um processo de recuperação após um grave acidente de carro ocorrido no ano passado. Toda história de Hope é muito comovente e inspiradora, mas esta linha, em particular,  me fez parar e pensar:

“O momento mais feliz da minha vida ainda é aquela fração de segundo que aconteceu há um ano atrás, quando, como eu me vi esmagada sob o carro, mas percebi que o meu marido e meu menino de 9 anos de idade estavam fora do veículo e absolutamente bem.”

Momentos terríveis como este nos forçam a reconhecer o que é verdadeiramente importante para nós. No caso de Hope era saber que seu marido e filho estavam bem.

No restante de seu e-mail, ela fala sobre como sua família compartilha muito mais tempo  agora, simplesmente contando histórias, rindo com piadas  e apreciando a companhia do outro.

“O acidente nos fez perceber quanto tempo nós tínhamos perdido a cada dia com coisas que não eram importantes.”, disse ela.

É difícil pensar em uma história como a de Hope e não parar e se perguntar: “Quais são as coisas que me fazem perder tempo e nem são importantes para mim?”

Aqui está uma lista de coisas a considerar, talvez algumas delas também não façam tanto sentido em suas vidas:

1. Distrações durante momentos especiais com pessoas especiais. – Preste atenção às pequenas coisas porque quando você realmente sentir falta de alguém serão as pequenas coisas que farão diferença e te darão as “grandes lembranças”. Rir com alguém,  fazer longas caminhadas, deliciar-se com grandes conversas. Separe um pouco de tempo e apenas esteja junto com quem ama.

2. Ocupação compulsiva. – Separe um tempo diário para não estar ocupado. Dedique algum tempo para a inatividade: são nesses momentos que você vai refletir, descansar e recarregar. Não se engane; você não é tão ocupado para abrir mão de alguns poucos minutos destinados a sua sanidade.

3. Pensamentos negativo sobre a sua situação atual – A vida é como um espelho; obtemos os melhores resultados quando sorrimos.Então, fale sobre suas bênçãos mais do que fala sobre os seus problemas. Só porque você está lutando, não significa que você está falhando. Todo grande sucesso requer algum tipo de luta digna para chegar lá.

4. O drama desnecessário em torno de você. – Seja sábio o suficiente para andar longe do que te faz mal. Concentre-se nos pontos positivos e os negativos em breve serão mais difíceis de ver.

5. O desejo de tudo o que você não tem. – Não, você não vai sempre obter exatamente o que você quiser, mas lembre-se: Há muitas pessoas que nunca terão o que você tem agora. As coisas que você toma por etapas superadas são coisas pelas quais alguém está orando. A felicidade nunca vem para aqueles que não apreciam o que já têm.

6. Comparando-se a todos os outros. – a comparação social é o maior  ladrão de felicidade que existe. Você poderia passar a vida inteira se preocupando com o que os outros têm, mas não iria receber nada por isso.

7. Pensando em quem você era ou o que você teve no passado. – Você não é a mesma pessoa que era há um ano, um mês atrás, ou há uma semana. Você está sempre em crescimento. Experiências não param de acontecer. Assim é a vida.

8. Preocupar-se com os erros que você cometeu – Tudo bem se você fracassar; é assim que você ficará mais sábio. Dê a si mesmo uma pausa. Não desista. Grandes coisas levam tempo, e você está chegando lá. Deixe que seus erros sejam a sua motivação, e não suas desculpas. Decida agora que as experiências negativas do seu passado não vão definir o seu futuro.

9. Preocupar-se com o que todo mundo pensa e diz sobre você. – Não leve as coisas tão para o lado pessoal, mesmo que pareça pessoal.Raramente as pessoas fazem as coisas por causa de nós; elas fazem as coisas por causa delas mesmas . Honestamente, na maior parte das vezes você não pode mudar a forma como as pessoas tratam você ou o que elas dizem sobre você. Tudo o que você pode fazer é mudar a forma como você reage e quem você escolhe para estar ao seu redor.

10. O auto-engano. – Sua vida só melhorará quando você aprender a aproveitar as pequenas chances. E a primeira e mais difícil chance que você deve se dar é ser honesto consigo mesmo.

11. Um caminho de vida que não se sente bem. – A vida é para ser apreciado, não suportada. O sucesso na vida é para quem está animado com o caminho que está seguindo. Trata-se de caminhar confortavelmente em seus próprios pés, na direção dos seus sonhos.

12. Definição dos outros de sucesso e felicidade. – Você simplesmente não pode basear a sua ideia de sucesso e felicidade em opiniões e expectativas de outras pessoas.

13. Aqueles que insistem em usar e manipular você. – O que você permitir é o que vai continuar. Dê o máximo que puder, mas não se permiti  ser utilizado. Ouça aos outros com atenção, mas não perca a sua própria voz. 

14. Tentando impressionar a todos. – Uma das coisas mais libertadoras que aprendemos na vida é que não temos que gostar de todo mundo assim como todo mundo não tem que gostar de nós, e isso é perfeitamente normal. Não importa como você vive, alguém vai se decepcionar. Portanto, apenas viva a sua verdade.

15. Todos os medos que te impede. – O medo é um sentimento, não um fato. A melhor maneira de ganhar força e auto-confiança é fazer o que você tem medo de fazer. Atreva-se a mudar e crescer. No final, há apenas uma coisa que faz um sonho completamente impossível de alcançar: Falta de ação com base no medo do fracasso.

16. Duvidando e questionando a si mesmo. – Quando estiver em dúvida apenas dê o próximo pequeno passo. Às vezes o menor passo na direção certa acaba sendo o maior passo de sua vida.

17. Permanecer perto de pessoas que boicotam seus sonhos. – É melhor estar sozinho do que permitir que as pessoas negativas e as suas opiniões o tirem de seu destino. Não deixe que os outros esmaguem seus sonhos. Faça apenas uma vez o que eles dizem que você não pode fazer, e você nunca mais vai prestar atenção à sua negatividade novamente.

18. Pensando o momento perfeito virá. – Você não pode esperar o momento perfeito. Às vezes você tem que se atrever a fazê-lo, porque a vida é curta demais para saber o que poderia ter sido.

19. Band-Aids e correções temporárias. – Você não pode mudar o que você se recusa a enfrentar. Você não pode encontrar a paz, evitando coisas. Lide com os problemas diretamente antes que eles influenciem em sua felicidade. 

20. Julgamentos fechados. – Abra sua mente antes de abrir a boca. Não odeie o que você não sabe. A mente é como um pára-quedas; ele não funciona quando ele está fechado.

21. Erros e omissões de outras pessoas. – Tente ser tolerante com os erros e descuidos das pessoas. Às vezes as pessoas boas fazem más escolhas. Isso não significa que elas são ruins; Isso simplesmente significa que elas são humanas.

22. O ressentimento. – A bondade não deve ser confundida com fraqueza, nem perdão com aceitação. Trata-se de saber que o ressentimento não é o caminho para a felicidade. Lembre-se, você não perdoa as pessoas porque você é fraco. Você perdoa porque você é forte o suficiente para saber que as pessoas cometem erros.

23. Pensamentos de ódio. – Defina um exemplo. Trate a todos com bondade e respeito, mesmo aqueles que são rudes com você – não porque eles são bons, mas porque você é. Faça da bondade um ritual diário; é o que torna a vida mais feliz e mais gratificante a longo prazo.

24. Lamentações– Você não tem que ser definido pelas coisas que você fez ou deixou de fazer. Não se deixe ser controlado por arrependimentos. Talvez haja alguma coisa que você poderia ter feito diferente, ou talvez não. De qualquer forma, é apenas algo que já aconteceu. Deixe o passado imutável atrás de você e siga no momento presente.

25. Cada ponto no tempo é diferente de agora. – Não chore sobre o passado, ele foi embora. Não se estresse muito sobre o futuro, ele não chegou. Faça o seu melhor para se viver agora e fazer dele um momento que vale a pena viver.

É a sua vez …

Quais são as coisas que acabam com o seu tempo?

Por MARC CHERNOFF , via Marc and Angel Hack Life
Traduzido e adaptado por Josie Conti
Do original: 25 Things You Need to Stop Wasting Time On

Imagem de capa: Amelia Fox/shutterstock

A mais linda animação sobre dar de comer a quem tem fome

A mais linda animação sobre dar de comer a quem tem fome

“Há uma arma de destruição massiva que está sendo usada todos os dias, em todo o mundo, sem que seja preciso o pretexto da guerra: essa arma chama-se fome.”
Mia Couto – Conferência de Estoril 

Baseada em uma história ancestral sobre a fome e partilha, este vídeo de animação faz parte da campanha da Caritas “One Human Family, Food for All” e teve a direção de arte de EALLIN.

A “alegoria das colheres longas” nos ensina que quando lutamos para alimentar apenas a nós mesmos, todo mundo passa fome. Mas quando nos concentramos na fome do nosso vizinho, descobrimos que há maneiras de alimentar a todos.

10 verdades sobre o Alzheimer que precisam ser encaradas

10 verdades sobre o Alzheimer que precisam ser encaradas

A página do Facebook Cuidador de Idosos, gerida e com as publicações do médico geriatra  Dr. Márcio Borges, constantemente publica artigos de extrema importância prática e social.

Hoje, além de reiterar a indicação para que os leitores visitem e curtam a página, apresento um texto selecionado de uma das postagens da página.

A autoria é do próprio Dr. Márcio Borges.


10 verdades sobre o Alzheimer


1-Temos 1 milhão e meio de pessoas idosas com Alzheimer no Brasil.

2-Cada pessoa idosa com Alzheimer carrega junto mais 3 familiares que cuidam e estão severamente afetados pela doença. Perto de 6 milhões de brasileiros são diretamente afetados pelo Alzheimer!

3-A cada 5 minutos é feito um novo diagnóstico de Alzheimer no Brasil!

4-A cada dia, perto de 300 novos casos de Alzheimer são diagnosticados no Brasil. 9 mil por mês… 100 mil por ano!

5-Não existe pessoa mais estigmatizada, mais desamparada pela sociedade que a pessoa idosa com Alzheimer. No Brasil, é considerado cidadão de segunda classe pelos nossos gestores e políticos.

6-O Estatuto do Idoso declara no seu artigo terceiro que é OBRIGAÇÃO do Governo Brasileiro, dos governadores e dos prefeitos, JUNTAMENTE, com as famílias, o amparo e o cuidado com os idoso brasileiros. SÓ AS FAMÍLIAS CUMPREM O SEU PAPEL. Nossos governantes…NECA!

7-Apesar da doença de Alzheimer não ter cura, nossas famílias afetadas têm o direito de receber treinamento e capacitação para cuidar melhor de seus queridos idosos familiares. Nossos governantes…NECA!

8-Há evidente descaso dos gestores de saúde do Brasil, em relação às pessoas idosas com Alzheimer. Nossos médicos, enfermeiros, assistentes sociais, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, dentistas e demais profissionais de saúde NÃO RECEBEM CAPACITAÇÃO sobre Alzheimer. Muitos destes profissionais, inclusive, não sabem trabalhar com esta doença e pouco se importam com pessoas idosas com Alzheimer.

9-A doença de Alzheimer já é considerada em todos os países do mundo com A GRANDE EPIDEMIA DO SÉCULO XXI. Daqui a 20 anos, no Brasil, teremos certamente mais de 4 milhões de idosos com Alzheimer! Mais de 12 milhões de brasileiros familiares serão afetados! O Brasil não enxerga a gravidade da situação presente e futura do drama de milhões de famílias brasileiras!

10- Alzheimer não é doença somente da pessoa idosa, é doença que afeta toda a família!

Imagem de capa: Photographee.eu/shutterstock

Não nasci para relacionamentos mais ou menos

Não nasci para relacionamentos mais ou menos

Não sou a favor de fazer promessas em vão. Mas te digo, não nasci para relacionamentos mais ou menos. Se chegar ao ponto do tesão não ser o mesmo, do respeito trocar de uma via de mão dupla para uma estrada em linha reta e do tal amor ficar escondido sob presenças casuais, prometo, desocupo os meus inteiros na manhã seguinte.

Algumas coisas não podem ser consertadas. Certos relacionamentos não foram feitos para durar. Alguns, com muita paciência e entrega, até duram umas boas estações. Mas são exceções, obviamente. Porque querer ficar com alguém é só o início de uma intimidade maior. Uma intimidade que depende da afinidade emocional entre os envolvidos. Vai além dos gostos em comum. E afinidade emocional é sinceridade, cumplicidade e amor mútuo. É quando o mais importante não é quem consegue ficar mais tempo sem dizer o que sente, mas sim quando ninguém precisa deixar de dizer o que está sentindo. Percebe a diferença?

Os meus inteiros não foram feitos para ficarem estacionados num amor qualquer. Se o que busco é um relacionamento composto de reciprocidade, devo ter em mente o momento certo para ancorar nas emoções de alguém e, a partir disso, também necessito estar em paz e sintonia com as minhas próprias intensidades. Espelhar expectativas sem antes cultivar um nível de autoconhecimento é a grande falha dos relacionamentos atuais. Como resultado, promessas e mais promessas vêm sendo quebradas com a justificativa do amor não ter dado conta.

Para relacionamentos mais ou menos, não nasci. Não tenho interesse, não aproveito, não sou a minha melhor versão. Porque não vejo sentido em prometer um amor que não está entregue, transbordando excitação e de mãos dadas com o daqui por diante.

Imagem de capa: jujikrivne, Shutterstock

Os anos, a beleza e a flor

Os anos, a beleza e a flor

O passar dos anos nos traz um olhar mais atento para o mundo. Aprendemos, ou ao menos deveríamos aprender, a valorizar coisas simples e a companhia de pessoas que não busquem o tempo todo ostentar uma posição que não lhes pertence. Desejamos menos aparências e mais do que for real, palpável, passível de ser colocado à prova do tempo e da convivência. Desejamos gente leve e genuína, que nos permita enxergar quem são por dentro cada vez que lhes brota um sorriso no rosto.

Preferimos a força bruta das interações diretas e francas nas quais possamos dizer e ouvir sentimentos nus às bajulações inúteis de amores e amizades fugazes; vazias. Aprendemos a delícia de viver sem máscaras e apreciamos o outro de cara limpa, sem idealizações infantis, sem expectativas irreais. Passamos a gostar de não ter de se esforçar o tempo todo para provar o que não somos, permitindo-nos o choro, a imperfeição e a fragilidade, vez ou outra. Passamos a nos definir mais, não permitindo que alguém que não mora dentro de nós, nos defina por seus critérios e valores que tantas vezes nada tem a ver com os nossos.

O passar dos anos nos traz firmeza, pés no chão e uma percepção mais clara de qual espaço ocupamos no mundo, mas também traz a dura constatação de que, enquanto a alma enriquece e nossos anseios enobrecem, o corpo simplesmente oxida e muda de modo implacável e já não encontramos no espelho a jovialidade e beleza física de outros tempos.

E nessa luta constante entre a decadência física e o brilho interior que se intensifica lá dentro à medida que ganhamos um quilo ou uma ruga a mais, penso na flor Amorphophallus Titanumanos, que floresce apenas duas ou três vezes a cada 40 anos, surgindo gigante, linda e enigmática, como se vivesse longas gestações de beleza e reconstrução de si mesma, e deixo escapar um sorrisinho que diz: me aguardem, os próximos 40 ainda me reservam algumas gestações.

Imagem de capa: Reprodução

O que a infância nos diz sobre corações partidos.

O que a infância nos diz sobre corações partidos.

Quando eu era criança, e eu me lembro perfeitamente disso como se fosse há um segundo, eu não tinha esse medo dos adultos. Eu tinha medinhos bobos, inofensivos mesmo… Como do escuro de um quarto “assombrado”, ou do muro mais alto quando eu tentava pular pra catar goiabas alheias. Medinhos que arrepiavam minha espinha, mas de um jeito delicado, gostoso de sentir, acho que por isso toda criança é sapeca. Cai e aprende sim, mas quer cair de novo porque é delicioso sentir aquela adrenalina no coração e mesmo que se esfole, o carinho da mãe é o melhor remédio.

Na casa da maioria das vovós tem aquela geléia de jabuticaba, aquela almofada com cheiro de naftalina, creme de farmácia e farinha de trigo do bolo que vai ficar pronto daqui a pouquinho. Aquele “daqui a pouquinho” que é uma eternidade aos olhos brilhantes e sinceros de um pequenino. Pés descalços na rua, na terra… E mãos livres passando o barro sem querer no rosto. Picada de formiga, como dói! Mas você aprende que arder a pele é menos dolorido do que arder o coração. Essa máquina pulsante que se esconde dentro do peito, devia arder somente por felicidade: como segurar um filho nos braços pela primeira vez, um amor eterno e sincero, a família com cheiro de pipoca em dia de jogo, o soprar da maresia em um final de tarde na praia, que delícia isso! Mas esse músculo teimoso e solitário, gosta de nos pregar peças, e doer de forma insistente nos fazendo curvar diante do abismo. Mas não é um abismo propriamente dito, aquele buraco escuro e sem fim, mas aquele temido desconhecido, aquela barreira invisível que bate em nossa cara quando tentamos dar o primeiro passo. Esse medo é O MEDO, e não sabíamos sobre ele quando ainda tínhamos joelhinhos tortos e pés descalços.

Quando eu era criança, invisível pra mim era o campo de força do Capitão Planeta e não o meu invisível medo. Cortar o dedo ao descascar uma cenoura para então comê-la crua ( imitando o Pernalonga ), era uma aventura! Amarrar bonecas no barbante e jogar na goiabeira fazendo a coitada “escalar” e irritar a vizinha com isso… Nossa, era meu prazer! Mas depois eu pulava o muro, baixo, e ia dar um beijinho naquelas bochechas rosas que traziam biscoito pra mim mais tarde.

Criança… Eu ainda tenho um pouco dela, e não quero perder, porque é ela que me faz acordar com sede de vida, de amor e de batalha. Alguns dias estamos vulneráveis e viramos “comida de gente”, mas aprendi a não tropeçar nesse tipo de coisa. Aprendi a desviar sem chutar. Cultive amigos, brigue menos, não vale a pena. A raiva é momentânea, estamos sujeitos a ela, mas contar até dez ( que você aprendeu na tabuada ) é mais divertido e acredite, mais proveitoso depois.

Suspiro e agradeço por ter meus olhos infantis… Preciso deles em mim, como você também deveria precisar e conservar os seus. Feche os olhos, sinta o perfume velho da vovó, o cachimbo do vovô, os tombos engraçados e doloridos, as festas de fim de ano, a dor de barriga da Páscoa, o beijo de despedida do primo que demora só um mês pra voltar ( mas é muito ), a escola que era chata mas que você sente muita falta ( confesse ). Cuide da sua vida, do seu interior, dos amores que passam e ficam quando tem que ficar, e por isso, não machuque nunca um coração. Essa é uma lição que poucos costumam seguir, mas esses poucos com certeza possuem a criança em si, juntamente com o coração mais doce do que açúcar queimado na panela.

Imagem de capa: Denijal photography/shutterstock

Sentir-se mal ou triste não torna ninguém mais fraco e sim mais humano

Sentir-se mal ou triste não torna ninguém mais fraco e sim mais humano

Mergulhar na tristeza, sem demora exagerada, traz entendimento e liberta, reorganizando os sentimentos, de maneira a nos trazer de volta a luz da esperança.

Existe uma mania de as pessoas quererem parecer fortes o tempo todo, como se tristeza fosse fraqueza, como se não pudéssemos nos sentir mal de vez em quando. Não somos obrigados a sorrir o tempo todo, isso não existe, ninguém consegue ser feliz desde o amanhecer ao anoitecer. O dia é carregado de surpresas, que nem sempre são boas. Além disso, a gente também fica amuado sem uma razão específica.

Há dias em que a gente acorda mais cabisbaixo, sem ânimo, sem nem saber o porquê daquilo que se sente. Talvez acumulemos tantas decepções e dissabores ao longo de nossa jornada, que chega uma hora em que tudo acaba pesando. Trata-se de uma questão de sobrevivência emocional, pois, caso deixássemos enterrado o que entristece, sem enfrentar e sentir aquilo alguma vez na vida, muito provavelmente iríamos explodir e implodir em algum momento.

Isso ainda fica pior em meio a essa ditadura da felicidade que os meios midiáticos e as redes sociais nos impõem, através de propagandas que atrelam a felicidade ao consumo desenfreado e de postagens de gente feliz, rica, bonita e viajada. Então, como nos é praticamente impossível alcançar aquele patamar material exorbitante veiculado diariamente, acabamos, muitas vezes, sentindo-nos menos capazes, menos afortunados. Sem contar o tanto de batalhas que cada um de nós enfrenta nessa lida cotidiana.

Não adianta, não há pílula, viagem, roupa ou smartphone capaz de afastar de nós a tristeza, a não ser o enfrentamento do que nos abala, para que reelaboremos, dentro de nós, os sentimentos e os afetos que nos constituem a essência. O sofrimento não deve ser temido e sim encarado, sentido, vivenciado, para que o entendamos e consigamos conviver com ele, superando-o aos poucos. É assim que ele nos transforma, tornando-nos mais fortes e seguros quanto ao que necessitamos para continuar prosseguindo.

Às vezes, você pode ficar triste, sim, pode se sentir mal, desanimado e sem vontade de ver ninguém. Mergulhar na tristeza, sem demora exagerada, traz entendimento e liberta, reorganizando os sentimentos, de maneira a nos trazer de volta a luz da esperança. Ninguém é fraco por se sentir triste algumas vezes; trata-se, simplesmente, de uma de nossas características humanas. Não podemos nos demorar na tristeza, mas é essencial vivenciá-la, quando necessário, para que não acumulemos pesos inúteis em meio à esperança que nos motiva diariamente.

Imagem de capa: pathdoc/shutterstock

Não espere conhecer a dor da perda para aprender o privilégio de ter

Não espere conhecer a dor da perda para aprender o privilégio de ter

A gente não tem somente o que se vê, o que se compra, o que se acumula materialmente. A gente junta muita coisa aqui dentro, em nossa carga afetiva: momentos, lembranças, músicas, sorrisos, bem como o que espalhamos por aí.

Soa a clichê, a conversa de botequim, mas valorizar o que possuímos, enquanto ainda o temos, parece ser algo não tão comum. Infelizmente, temos a mania de ficar pensando e lamentando acerca de coisas que não obtivemos e pessoas que não ficaram junto de nós. Enquanto isso, perdemos tempo e gastamos energia com o que não é, deixando de lado o que já é, deixando de aproveitar cada conquista que galgamos, cada pessoa que se mantém ao nosso lado com verdade.

E a gente não tem somente o que se vê, o que se compra, o que se acumula materialmente. A gente junta muita coisa aqui dentro, em nossa carga afetiva: momentos, lembranças, músicas, sorrisos, bem como o que espalhamos por aí. Sim, tudo o que sai de nós na forma de amor se multiplica em nossos corações. É preciso valorizar como nos sentimos e a forma como fizemos os outros se sentirem também. Isso ninguém nos tira.

Se pararmos, mesmo que por alguns instantes, e olharmos à nossa volta e dentro de nós, poderemos perceber o quanto já somos afortunados, o tanto de conquistas e de presentes que a vida nos tem trazido. Aquele amigo que nos ouve, aquele irmão que nos entende, o banho quentinho, o lar que aconchega, o alimento que sustenta, a cama que nos renova. Não teremos tudo o que queremos, mas teremos muita coisa e pessoas que nos bastam, que nos completam, que nos revigoram.

Logicamente, querer mais, de uma forma ética e coerente, nunca será ruim, porque é assim que alimentamos os nossos sonhos, é assim que planejamos o nosso futuro, é assim que a felicidade se torna a cada dia mais próxima. No entanto, jamais poderemos focar tão somente o que ainda são hipóteses, o que ainda é distância e quimera, ou não conseguiremos tranquilizar a nossa essência, junto ao que já faz parte de nossas vidas. Isso nos tornaria incapazes de sorrir com sinceridade.

Muito se fala em gratidão, em agradecer, e é isso mesmo. Quando nos sentimos gratos, nós nos abrimos para tudo de bom que existe vindo em nossa direção, expandindo nossas ações a mais pessoas, ajudando, confortando, fazendo com que o bem alcance o maior número de indivíduos. O ódio fica na gente, mas o amor se espalha e continua se multiplicando, lá fora e dentro de nós. Não deixe para se lembrar dos privilégios lá na frente; desfrute-os aqui e agora, enquanto é tempo. Tempo é já.

Imagem de capa: Olena Andreychuk/shutterstock

Não seja raso. A vida é mesmo profunda.

Não seja raso. A vida é mesmo profunda.

Pare de se sabotar! Há mil e uma possibilidades aparecendo no seu caminho todos os dias e você aí achando que não merece ou que vai dar tudo errado ou, nem percebe. Não adianta nada ter fé na vida e quando a sorte vem a seu encontro, você foge achando que ela não foi feita pra você. Sorte na vida azar pra quem fica. É importante saber reconhecer seus méritos e aceitá-los, deixar a oportunidade entrar e mover-se a ela, aprofundar-se nas experiências, gozar a liberdade de uma vida sem frescura – roubando descaradamente a frase do Jota Quest.

De que vale viver uma vida rasa, na superficialidade das experiências e não gozar dela por completo ? É importante chegar ao fundo do pote sem se sentir frustrado pelo o que não aconteceu. Esgote as possibilidades! Sorte é um presente sem merecimentos. Acontece, e você deve saber reconhecer. Ela pode estar escondida dentro de uma oportunidade como um bônus da vida por você ter tentado. Vai lá e arrisca!

Ainda reverberamos a frequência do medo que afeta diretamente todas as atuações do humano. Ele deixa de evoluir porque o medo paralisa o caminho da ascendência pessoal. Deixam de se entregar aos processos pessoais e amorosos por medo da rejeição, não mergulham nas oportunidades por medo de falharem. Você já experimentou tentar um dia de cada vez ? E quando o primeiro embate surgir, saiba transformar aquilo em aprendizado. Se não foi como pensava , repense.

Percebo certa resistência do humano em aceitar o novo e fazer dele uma nova opção. Entenda que existe um movimento natural e perfeito acontecendo diariamente. Tudo faz um grande sentido no final. Existe beleza e encantamento na vida. Perceba. Permita viver, se apaixonar, se aprofundar, mergulhar nas experiências que a vida oferece. Existe magia na evolução e sabedoria em cada vivência. Não seja raso. A vida é mesmo profunda .

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A solidão é capaz de ensinar aquilo que nenhum relacionamento consegue proporcionar…

A solidão é capaz de ensinar aquilo que nenhum relacionamento consegue proporcionar…

Já tive medo de ficar sozinha, descartada como uma pessoa que não pudesse acrescentar em nada a vida de outra. Mas a solidão me ensinou onde está o tesouro da verdadeira relação à dois.

Carência, desespero ou insegurança, não importa os motivos que levam o ser humano a buscar cada vez mais o aconchego “à dois”, mesmo que seja genérico ou superficial. Nessa trilha pelo plural modo de se relacionar, vamos passo à passo nos esquecendo da nossa essência inicial, bruta, nua e desprendida de qualquer respiro conjugado.

O medo de viver sozinho se tornou crônico, as pessoas se contentam com carinhos inoportunos, porque preferem exaltar o capricho ao invés de fortalecerem primeiramente seus ideais. Como saber o que sentir consigo mesmo, se repetidamente nos entranhamos com uma segunda pessoa? Onde se encontra aquele “brio” impetuoso que faz de nós, seres únicos sem acréscimos de personalidade e defeitos que não nos pertence?

Somente dispensamos de plenitude quando transbordamos em nós mesmos, para então, podermos avaliar onde entraria um agregado de almas para compor nossa existência. Algumas receitas básicas de amadurecimento só obtemos através da nossa própria companhia.

É na solidão que nos encontramos, que nos conhecemos… que resgatamos qualidades encobertas ou libertamos defeitos quase permanentes. Na solidão contamos quantas lágrimas conseguimos dispensar pelo rosto, como também aprendemos a hora de prendê-las.

Sozinhos descobrimos qual cobertor nos aquece, qual palavra basta e descartamos o que nos parece desnecessário. Estar com si próprio é algo desafiador, uma batalha interna…

O momento de solidão pode ser diferente, momentâneo, até mesmo uma passagem nebulosa, mas  que se mostra imprescindível para o autoconhecimento, pois valoriza o encontro pessoal com nossas virtudes e presenteia-nos com uma sabedoria única que nos fará mais encantados pela vida.

Não seja sozinho se isso te deixa triste, contudo, saboreie a solidão no seu mais profundo silêncio.

Quando a gente se encharca de nós mesmos, quando nos reencontramos com a nossa vivacidade interior e aprendemos a lidar com todos os defeitos que respeitamos em nós, estamos prontos para novas etapas, para começos imprevisíveis, e todo tipo de escolhas coloridas que surgirem em nossa frente. Dessa maneira a insegurança acaba, o tédio sucumbe, e a indiferença com a vida não pode mais se nutrir.

Quando aprendemos a nos amar por dentro,  o amor pelo outro será consequência do que emana de mais precioso dentro de nós.

Imagem de capa: Kichigin/shutterstock

9 critérios indicadores do Transtorno da Personalidade Narcisista

9 critérios indicadores do Transtorno da Personalidade Narcisista

Bem diverso da história mitológica de Narciso, narcisistas patológicos não são pessoas que se amam demais. São, ao invés disso, pessoas com baixíssima autoestima, uma autoimagem deturpada e uma mau caráter brutal, mais comum na sociedade moderna do que se imagina. Há quem diga que esse transtorno é epidêmico, tamanha sua incidência na população mundial.

E quem são? Segundo o DSM-V, há nove critérios que indicam a presença de transtorno da personalidade narcisista num indivíduo. Bastariam a presença de 5 para um eventual diagnóstico, feito, obviamente, por profissional qualificado.

Sem banalizar eventuais diagnósticos, saber quais são e o que cada um significa pode livrar você de muita perda material e imaterial. Vale saber!

1. Noção exagerada de importância pessoal não baseada na realidade.

Uma visão inflada de si mesmo é uma das principais maneiras pelas quais narcisistas dão permissão a si mesmos para dominar e controlar os outros. Narcisistas acreditam que suas prioridades, interesses, opiniões e convicções têm mais valor e são mais importantes do que os de qualquer outra pessoa. Nem todos os narcisistas exibem ao mundo sua grandiosidade; alguns, na verdade, dão a impressão de ser muito humildes ou até mesmo tímidos para o mundo exterior, mas, quando estão em intimidade, essa característica vai dominar a convivência.

2. Preocupação com fantasias de sucesso, riqueza, poder, beleza e amor acima do normal.

Narcisistas com frequência têm uma vida repleta de fantasias e quase nunca se satisfazem com o meramente ordinário, por mais satisfatório ou maravilhoso que possa ser. Essa preocupação com a fantasia impede a personalidade narcisística de levar uma vida real e estável. Alimentam desejos de riqueza, fama, poder ou status obsessivamente.

3. Convicção de que é um indivíduo especial e único, e só pode ser comprometido com ou compreendido por pessoas especiais.

Esta ideia é parte integrante de um mecanismo de sobrevivência que os ajuda a lidar com o mundo. Com frequência, eles se definem em função do que consideram suas qualidades especiais e nos informam acerca dessas qualidades tão logo os conhecemos.

4. Intensa necessidade de admiração.

Ame-me, observa-me, preste atenção em mim. Narcisistas tendem a se engrandecer e ser sua própria referência.

5. Sentimento de merecimento.

Regras, regulamento e padrões esperados de comportamento enfurecem os narcisistas, que se julgam tão especiais a ponto de não precisar obedecer às expectativas normais nem respeitar os limites apropriados. Eles podem ficar igualmente atormentados pelo trabalho árduo, por uma doença ou uma lesão. Por outro lado, as regras que são impostas por eles aos outros devem ser sempre respeitadas.

6. Tendência a explorar os outros sem sentir culpa ou remorso.

Dependendo das outras características de sua personalidade, o narcisista pode nos induzir a fazer todo seu trabalho por ele ou, por exemplos, tirar nosso dinheiro, permitir que paguemos suas contas, receber presentes sem nunca dar, cobrar mais por serviços e pagar menos, deixar-nos esperando durante horas em uma esquina, na chuva, sem considerar que esse comportamento é desrespeitoso. Seu sentimento de merecimento transforma esses comportamentos em coisas normais, impedindo que sintam culpa ou remorso.

7. Ausência de empatia significativa.

O narcisista tem muito pouca capacidade de se colocar no lugar de outra pessoa. Sua dor, seus problemas e seu ponto de vista dominam o universo. Talvez nada reflita mais o comportamento do narcisista do que a incapacidade de compreender e identificar-se com a experiência dos outros. Este fato é particularmente verdadeiro quando a pessoa que precisa de compreensão é alguém que o narcisista esteja explorando, ou seja, seu alvo atual (amoroso, de trabalho, familiar ou amigo).

8. Tendência a ser invejoso ou de se imaginar alvo da inveja dos outros.

O narcisista tem dificuldade em se ajustar a um mundo no qual as outras pessoas parecem ter “mais” coisas ou coisas “melhores”. Os narcisistas, com frequência, deixam de reconhecer que são invejosos e transformam o sentimento em desprezo.

9. Arrogância.

Narcisistas com frequência têm uma atitude esnobe com relação às pessoas que eles julgam não estar à altura de seu “elevado” padrão de inteligência, competência, realização, valores, moral ou estilo de vida. Acreditar que o outro é inferior os ajuda a reforçar e inflar a convicção que têm da própria superioridade. Criticar e diminuir os outros os faz se sentir bem com relação a si mesmos. Não raro, são homofóbicos, racistas, preconceituosos de todo tipo, simplesmente porque se acham superiores a um certo grupo.

Lucy Rocha, com observações da Sociedade Americana de Psiquiatria

Às vezes, precisamos lamber o chão para saber que gosto tem a lama

Às vezes, precisamos lamber o chão para saber que gosto tem a lama

Sobre nossa teimosia de nos comportarmos de forma nociva a nós mesmos, o sofrimento extremo que ela pode causar e a chance de libertação que esse sofrimento representa.

Observo, não somente na vida dos outros, mas também na minha própria, que às vezes precisamos sofrer para aprender e mudar nosso comportamento.

Recordo-me de um colega de trabalho que fumava muito, muito mesmo. Qualquer tentativa de conversar com ele sobre isso era imediatamente rebatida, pois ele não queria saber. Ele sofria com o fumo, tossia muito, dormia mal, mas não parava de fumar ou pelo menos reduzia o número de cigarros diários. E dizia que iria continuar fumando e que isso não era da conta de ninguém.

Um dia, caminhávamos juntos, voltando do almoço e tivemos que subir uma escada. No meio da subida, ele parou, se apoiou na parede e depois caiu como uma jaca madura escada abaixo. Eu corri para ajudá-lo e ele estava consciente, mas tinha dificuldade de respirar, sentia-se fraco e reclamava de dor no peito, nas costas e no braço. Chamei uma ambulância e ele foi levado para o pronto-socorro. Fiquei sabendo depois que meu colega, aos 36 anos, tinha tido um infarto.

Um tempo depois, quando ele voltou a trabalhar, me contou a conversa que teve com o médico, que havia deixado claro: se ele não parasse de fumar, não viveria por muito mais tempo. Ele nunca mais tocou em um cigarro e admitiu que morria de medo de passar novamente pelo que passou. Aqui o sofrimento extremo ajudou.

Em outras palavras, ele precisou afundar, ir até o fundo mesmo, e lamber o chão para sentir o gosto da lama. Só assim ele aprendeu, abriu mão da insistência de fumar e mudou seu comportamento nocivo a si mesmo. E esse é só um exemplo de muitos que conheço.

Sei de gente que come, come e come, se entope de gordura e açúcar, engorda, se sente “feia”, tem problemas digestivos, muitas vezes também de pele, sofre com dor nas articulações, mas nada disso basta. Essa gente, mesmo sofrendo, continua comendo e comendo e comendo. Parece que se reluta em aprender enquanto o sofrimento não for grande o suficiente, enquanto a comilança e os abusos não se manifestarem na forma de pressão alta, diabetes ou outras enfermidades.

Tenho um amigo que bebe muito. Na verdade, ele bebe sempre, todos os dias. Uma cerveja no almoço, mais um chope (ou vários!) com amigos antes de voltar para casa, um vinho antes de dormir e assim por diante.

Seu consumo de álcool é extremamente alto e ele sofre com isso. Já teve problemas no trabalho, já teve confusão no trânsito – até atropelou uma pessoa (por sorte, só ferimentos leves) – e tem problemas de saúde por causa da bebida, mas você acha que ele aprendeu? Não, ainda não. Pelo jeito, o sofrimento dele ainda não foi suficiente para isso. Conversar com ele sobre o assunto de nada adianta. Ao invés de reconhecer seu vício e que precisa de ajuda, ele preferiu ir para um terreiro de candomblé para tirar o mau-olhado, já que atribui os problemas que tem à inveja alheia, o que é sempre bem mais fácil que corrigir o próprio comportamento. Parece-me que ele precisa de mais sofrimento para perceber o mal que está fazendo a si mesmo.

É como se fôssemos crianças teimosas, que insistem em brincar com fogo e não param com isso até o dia que se queimam. É como se fôssemos cachorros que adoram roer fios elétricos, só parando no dia que tomam um choque forte e um susto ainda maior.

Sim, insistimos em dar cabeçadas na parede e repetimos comportamentos que nos fazem mal, muitas vezes sabendo que são ruins, mas prosseguimos assim mesmo porque aquilo que nos leva a tais comportamentos ainda é mais forte que o sofrimento causado.

Parece-me que, em certos casos, principalmente quando nosso comportamento nocivo já nos acompanha por muitos anos ou mesmo por toda a vida, precisamos sofrer extremamente para entender que algo precisa ser mudado. Sofrimentozinhos não bastam. O sofrimento tem que ser forte!

O bom disso é que um momento de extremo sofrimento pode ser uma chance de finalmente nos libertarmos de coisas que nos prejudicam, nos aprisionam e nos impedem de viver uma vida saudável e feliz.

O ruim disso é que é perigoso, pois nossa teimosia pode ser tão grande que termine demorando muito até percebermos o problema e, no final das contas, pode ser tarde demais.

O que pode ajudar aqui é manter os olhos abertos, observar-se bem e ter a coragem de “puxar o freio de mão” ainda cedo, antes que a coisa fique feia. Sofrimento extremo pode nos fazer crescer, mas crescemos ainda mais quando somos inteligentes e corajosos o suficiente para reagir a tempo e evitá-lo.

Imagem de capa: Kichigin/shutterstock

Naquele tempo, quando não existia WhatsApp

Naquele tempo, quando não existia WhatsApp

Naquele tempo, quando ainda não existia o whastapp, a gente mandava bilhetinho quando tava afim. Mandava pela amiga que enviava paro o amigo até chegar nas mãos de quem a gente queria. A gente quase não dormia a noite pensando se viria uma resposta e quando vinha, era como se fosse o papel mais precioso do mundo, que chegava a se rasgar de tanto abrir e fechar.

Naquele tempo, a gente mandava cartas com canetas de glitter coloridas e cheia de adesivos tirados da primeira página do caderno. Escrevia sobre sentimentos com desenhos de coração ao lado, e tinha até envelope de cor . A gente ia nos Correios e esperava o carteiro! A gente passou a ter o carteiro como aliado.

Naquele tempo, quando ainda não existia o Facebook, a gente inventava uns questionários malucos com perguntas absurdas pra saber mais da vida do outro. Naquele tempo, quando não tinha foto digital disponível pra ficar olhando o tempo todo, a gente pegava aquela amiga cúmplice e passava na frente da casa da pessoa esperando que ela aparecesse na janela só para trocar uns olhares. A gente passava de novo e de novo e essa esperança nunca terminava.

Naquela época, marcar de beijar era o maior evento do ano. Tinha que ser tudo armado e tinha sempre os amigos para fechamento. Depois de um tempo, quando chegou o sms, nós não tínhamos a confirmação de leitura da mensagem, mas tinha aquele um toque de chamada que queria dizer ” estou pensando em você”!

As coisas mudaram mas uma coisa ainda ficou: o frio na barriga do primeiro beijo, a expectativa dos encontros, e os medos que envolvem em se apaixonar. Modernidades à parte, ainda somos movidos a paixões, atualizando constantemente as formas de comunicar os nossos sentimentos. E que eles jamais se percam no meio dessa velocidade e praticidade de comunicação.

Imagem de capa: MRProduction/shutterstock

Tire o pé. Até a alma que é eterna não vive sem férias.

Tire o pé. Até a alma que é eterna não vive sem férias.

Procuro casa na praia para merecido remanso. Não precisa ser grande, não. Quarto, sala, uma cozinha no jeito, um banheirinho. Perfeito. Carece mais nada. Vou sozinho. Quer dizer, vou com esta alma cansada. Mas ela não conta, não quebra torneira, não suja nada. Ninguém a vê. Não ocupa outro espaço senão aqui dentro. Não quer outra coisa senão descansar, sossegada, pertinho do mar.

Ali no arredor, se tiver uma quitanda, melhor. Minha alma aprecia cheirinho de fruta. Sendo ao lado, a gente caminha até lá, cedinho, comprar abacaxi descascado, laranja, banana, mamão, maçã, lichia. Essas coisas pra comer de manhã, todo dia.

Vizinhança se for tranquila, a gente agradece. Nada contra o barulho da juventude, as festas de madrugada. Mas minh’alma anda esgotada, carecida de quietude. Não por nada, a gente prefere lugar recatado. Um predinho de aposentado, uma vila escondida, com síndica velhinha e guarida.

De frente pro mar é exagero. Decerto seria um encanto, mas a grana não dá para tanto. Se da janela se avistar o poente, pronto. Já tá bom pra gente.

Perto da praia, sim. Pra ir a pé de manhã, pensando na vida, sem hora, sem pressa, sem culpa de nada, sem medo de tudo, e voltar só de tardinha, descalço, cansado, o corpo pesado, os chinelos nas mãos, e a alma aqui dentro dormindo levinha, feito criança no banco de trás, benzida de sal e de sol, de céu e de mar. Em paz.

Em casa nada há de ser mais urgente que banho e jantar. Nosso macarrão com sardinha espirrando no pijama até o sono, enfim, nos levar para a cama.

Em meu sonho, minha alma e eu voltaremos à infância brincar na areia, correr das ondas, fazer castelo, caçar conchinha. Sentir alegria. E amanhã, logo de manhãzinha, vai ser outro dia.

Assim será em breve. Só um tempo na praia tornará esta alma leve. Princesa que vive só, e sozinha será até o fim, trancada numa torre, dentro de mim.

Imagem de capa: crazymedia/shutterstock

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