A gente nunca sabe quando a vida está prestes a mudar para sempre

A gente nunca sabe quando a vida está prestes a mudar para sempre

A gente nunca sabe quando a vida está prestes a mudar para sempre. Você acorda num dia comum sem saber que logo ali na frente algo muito grande está para acontecer, ou toma uma decisão, que parece ser só mais uma entre tantas, e essa atitude altera o curso de sua história de forma definitiva.

A gente nunca sabe se o dia que amanheceu sorrindo irá terminar chovendo em lágrimas, ou se a semana que começou nublada irá desembocar numa sexta ensolarada.

A vida não nos oferece garantias, certezas ou segurança de forma alguma, e é justamente essa possibilidade de surpresas que a torna tão especial.

Outro dia li uma frase de Caio Augusto Leite que dizia: “Os dias mais felizes são aqueles com menos planos na agenda”. E percebi que a felicidade gosta de surpreender; está à espreita de brechas para se revelar; está escondida nos cantinhos dos dias mais acidentais, nas entrelinhas da rotina, no poente das horas preguiçosas.

A felicidade não avisa que vai chegar nem anuncia que aquele momento presente é o momento que jamais iremos esquecer. Poucas vezes temos a consciência de estarmos vivendo um momento carregado de eternidade. Essa noção virá só lá na frente, quando o momento for revisitado em noites carregadas de nostalgia e poesia.

E me vem à lembrança uma festa memorável nos meus tempos de faculdade. Cursando odontologia, nosso dia de clínica foi cancelado devido a um defeito no compressor. Naquela tarde, tivemos uma das melhores festas que nossa turma já viu, a eterna “Festa do Compressor”. Sentados em bancos improvisados no quintal da República Pé de Chinelo, comemoramos à vida e brindamos ao compressor quebrado. Sem planos, sem regras ou restrições, demos oportunidade para a felicidade se cumprir enquanto a festa rolava. A gente não sabia, mas a vida estava prestes a mudar para sempre. E enquanto fotografávamos uns aos outros com nossas câmeras (com filme embutido) e prometíamos nunca mais nos afastar, a eternidade selava nosso encontro. Hoje, cada um daqueles que se reuniram ali, naquela tarde, enfrenta ou enfrentou suas próprias batalhas. Mas saber que aquela festa existiu é entender que uma parte de nós sempre estará lá, naquele quintal, num dia tão especial.

Felicidade é pra gente distraída, privilégio dos que viajam sem culpa e sem compromissos na agenda. É contrato com a simplicidade, com o desarranjo de coisas supérfluas e mãos dadas com uma tarde amena de primavera, bilhetes escritos à mão, cadeiras na calçada e cheiro de bolo quentinho.

A gente nunca sabe quando a vida está prestes a mudar para sempre. Nem sempre conseguimos nos despedir de quem amamos, das ruas onde brincamos, dos sabores que experimentamos. Nem sempre temos a consciência de que aquela será a última vez, e podemos não dar a devida reverência ao que merece ser reverenciado.

É preciso deixar os medos morrerem baixinho, a culpa se extinguir devagarinho e a mágoa se dissipar de mansinho. Só assim estaremos prontos para que a felicidade nos alcance e nos surpreenda. Só assim estaremos prontos para aceitar que a vida mude para sempre e nos leve a construir uma nova história, repleta de sopros de alegria, vapores de eternidade e impermanência do tempo…

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Procuro uma companhia que me procure.

Procuro uma companhia que me procure.

Às vezes, diante de tanta possibilidade do que assistir, eu não sei por onde começar. Se vejo um dos milhares de filmes disponíveis, a tal série comentada. Ainda, falta-me tempo e olhos para acompanhar todas as novas produções e revisar as antigas. Por isso, eu procuro uma companhia que saiba contar histórias. Não quero Shakespeare, nem Machado de Assis, preciso de alguém que não se importe com escolas literárias, apenas, somente, conte o que lhe aconteceu, o que poderia ter acontecido, em troca prometo ser um assíduo espectador.

Procuro uma companhia que saiba sentir a vida. Que veja as coisas mais supérfluas, o mais fútil do ambiente e aponte. Eu preciso de ajuda para reconhecer novas bobagens. Tenho tédio das bobagens repetitivas que invento, ter outra mão para guiar minha cabeça pelo mundo dos bobos. Disso, nós retiraremos as mais profundas revelações brincando. Sentir a vida, segundo meus pensamentos, é voltar a brincar quando as outras crianças cresceram.

Procuro uma companhia que tenha problemas. Que saiba admitir não estar bem e peça um pouco do meu silêncio, me chame para ajudá-la nessas tarefas emperradas do dia. Eu irei, mesmo sem saber tanto, sendo especialista de nada, estarei lá. Vivendo o problema como se fosse meu, ao ver a solução, eu terei um prêmio mais bonito que as medalhas olímpicas; participar da vitória de alguém.

Procuro uma companhia que me deixe estar apaixonado. Não enxergue meu sentimento como se fosse uma doença, não é um convite a cadeia, a uma prisão eterna enquanto dura. Eu fujo desse massacre. Apenas paixão, vontade de ver, de ouvir, de receber respostas e perguntas. Tenho em mente que ninguém é minha propriedade, pois o que eu procuro é uma companhia. Que saiba, também, treinar beijos e toques. É difícil algum sair pronto. E se sair, que permaneça o treinamento, por que parar o que estar evoluindo?

E tenha erros gramaticais, falsos fatos históricos, desconhecimentos necessários. Inteligência não reside nos dados, mas na capacidade de saber que pouco sabe. Não me encantam os doutorados, embora eu os aplauda, prefiro a dissertação sem referências da ABNT, dita com a boca suja de coisas de uma lanchonete.

Procuro uma companhia disposta a fazer feliz a si mesma. Não tenho a pretensão de ser  luz de uma vida. Que tenha amigos, amigas, que saiba passear e conhecer novas pessoas. E ao voltar, no reencontro, olhe para mim como um papel em branco e escreva suas inéditas histórias.

Não tenho ânimo para caçar. Andar por aí, com as armas da conquista carregadas, mirando belos alvos na noite. Já tentei e minha pontaria é péssima. Aceitei minha habilidade de não ser caçador feroz atrás de presas. Ao invés de uma caça cheia de estratégias de guerra, eu prefiro uma coincidência de buscas para que haja encontro.

Porque, no fim, só vale a pena procurar uma companhia que me procure.

Imagem de capa: boonchoke/shutterstock

Olhando para trás, identificaremos os anjos e os demônios na construção da nossa identidade.

Olhando para trás, identificaremos os anjos e os demônios na construção da nossa identidade.

Ninguém nasce pronto, vamos nos construindo a cada dia, enquanto tivermos fôlego de vida.

Vale lembrar que, determinadas construções são, por demais, trabalhosas e cansativas, o que não é diferente em se tratando da construção da nossa identidade.

Nunca saberemos ao certo, o resultado final desse “projeto arquitetônico”, pois, uma parte considerável dessa obra dependerá dos “materiais” que iremos encontrar pela nossa caminhada. Esses materiais são, em parte, as nossas vivências e as pessoas com as quais teremos algum grau de convivência que seja significativo ao ponto de deixar em nós as suas digitais, podendo alavancar o nosso desenvolvimento ou aniquilar o nosso potencial criativo.

Não resta dúvida de que existem muitas águias vivendo como galinha simplesmente porque um dia tiveram o azar de ter tido algum contato com alguém que podou as suas asas.

Isso é mais sério do que possamos imaginar, e preocupante também. Existem multidões de pessoas vivendo infinitamente aquém das suas capacidades porque, em algum momento de suas vidas, elas foram convencidas de que não teriam capacidade de ir além do ponto que chegaram.

São as vítimas fatais das crenças limitadoras, verdadeiros reféns de seres destruidores de sonhos. Vale lembrar que, os destruidores de sonhos estão em todos os lugares, eles trabalham diuturnamente para isso, o que não significa que eles logram êxito em todas as suas investidas.

Esses seres sombrios logram êxito quando proferem suas malditas profecias em ouvidos que, por serem ou estarem vulneráveis, acabam acatando como verdade indiscutível aquilo que ouvem.

Uma vez que alguém ouve uma afirmação negativa e limitadora a seu respeito e não a questiona ou não a rejeita, ela será instalada em sua alma e, provavelmente será cristalizada, tornando-se praticamente uma sentença de morte, exatamente isso: morte do crescimento dela como pessoa.

Entretanto, quando um assassino de sonho lança a sua peçonha em ouvidos críticos, a história é bem diferente, havendo inclusive a possibilidade de o ouvinte sentir-se desafiado e ir além do que imaginava, causando uma enorme frustração naquele que desejava matar os seus sonhos.

Há ainda, um grupo de pessoas que tiveram a infelicidade de ter tido alguma ligação com os castradores de sonhos e que ficaram reféns de suas profecias por um tempo determinado, porém, por alguma razão, inquietaram-se e tempos depois, cortaram os cadeados das suas almas. Elas despertaram e decidiram resgatar aquilo que lhe roubaram.

Isso mesmo, elas ficaram por um tempo adormecidas acreditando não serem capazes de construir seus sonhos, aliás, já tinham até desistido de sonhar. Ao se darem conta da capacidade e do valor que possuem, elas despertaram e posicionaram-se diante da vida trazendo à tona todo o potencial que estava adormecido.

Em contrapartida, em nosso processo de construção como sujeitos, encontramos pelo caminho aquelas pessoas que semeiam sonhos em nossa alma, que delícia… que gratidão. São os nossos coadjuvantes na construção do que temos de melhor como pessoas, não importa a duração do tempo que estiveram conosco, elas deixaram em nós um lembrete de que somos capazes, de que somos merecedores do melhor, de que a dor sempre passa e de que o fato de errarmos não nos tornam incapazes.

São verdadeiros anjos que nos sinalizam que podemos sempre recomeçar, quantas vezes forem necessárias. Existem muitos desses anjos espalhados pela terra, são os verdadeiros porta-vozes de Deus.

Ah, essa corrente do bem não pode ser interrompida, então, cabe-nos reproduzir, de forma multiplicada, aquilo que recebemos dos anjos que cruzaram a nossa caminhada. Sejamos, então, multiplicadores de profecias do bem.

A cada pessoa que nos apresentar uma frase de desânimo, que sejamos capazes de animá-la, se for o caso, usando a nossa própria história de vida e que sejamos sempre bocas que profetizam curas e sonhos na vida daqueles que passarem por nossas vidas. Combinado?

Imagem de capa: Dean Drobot/shutterstock

Quem realmente se ama não se sujeita a qualquer companhia

Quem realmente se ama não se sujeita a qualquer companhia

Com uma frequência maior do que gostaríamos, vemos amigos, conhecidos ou familiares presos em relacionamentos degradantes, nos quais se sentem infelizes, desvalorizados e, mesmo assim, permanecem ali, junto à dor. É como se estivessem viciados em se punirem, porque manter uma vida a dois nesses termos equivale a sofrer castigos diários.

Nenhuma relação é serena o tempo todo, livre de algumas desavenças, pois é assim que os parceiros se reajustam, fortalecendo o que traz ganhos e se libertando do que emperra. Se nunca, nenhuma vez que seja, houver algo a se discutir, é sinal de os parceiros deixaram de prestar atenção um no outro. É sinal de que tudo esfriou, espaçando-os a uma distância confortável, na qual não necessitam enfrentar o que está engolido – uma ou outra hora, a indigestão chega.

No entanto, o extremo oposto também não pode ser tido como normal, uma vez que ninguém, em sã consciência, é capaz de viver e de sobreviver com mínima saúde mental, caso passe os dias brigando com o parceiro ou clamando para que sua presença seja notada. Ninguém merece estar acompanhado e, ainda assim, sentir solidão. Ninguém merece conviver com quem só critica, só reclama, só cobra, sem nada ofertar em troca. Porque todos merecemos amor de verdade.

Por isso, antes de nos lançarmos a um relacionamento, é necessário que tenhamos bem claro, dentro de nós, tudo aquilo que aceitamos e não aceitaremos nunca; tudo o que merecemos e o que ninguém mereceria; caso contrário, poderemos trazer, para junto de nós, o que nem deveria passar por perto de nossas vidas. Temos que saber exatamente o tanto que somos e temos e podemos oferecer, para que não nos conformemos com retornos ínfimos, incompletos, menosprezíveis.

A gente tem que se bastar, completando-nos, amando tudo o que existe aqui dentro. Somente assim seremos capazes de nos relacionar sem pendências, sem que procuremos no outro o que nos falta. Caso deixemos alguns vazios em nossa essência, poderemos tentar preenchê-los com o pior que o outro tem a oferecer, porque então nos sujeitaremos às migalhas alheias. Seja inteiro, seja amor-próprio, para que não aceite menos do que a verdade completa.

Imagem de capa: Yuliya Yafimik/shutterstock

Eu não quero e nem aceito um amor mais ou menos

Eu não quero e nem aceito um amor mais ou menos

Para algumas pessoas o fato de estar solteiro (a) é um grande problema. Ainda não entendo a lógica da nossa sociedade que entende que ter alguém é necessariamente sinônimo de felicidade.

Nessa minha vida de solteiro (a) já escutei tantas coisas e percebi que o desespero das pessoas para que eu tivesse alguém em minha vida era tão grande que tentavam me “empurrar” qualquer coisa e esperavam que eu aceitasse.

Quantas vezes não passaram o meu telefone para alguém que eu mal conhecia, tentaram marcar encontro com casais e no final sobrava eu e esse alguém, também solteiro (a). Não tinha assunto, não tinha nada. Apenas a vontade de sair correndo e ir embora daquela cilada. As pessoas achavam que estavam te ajudando, mas a verdade é que eu nunca pedi ajuda.

Você diz que está bem e feliz assim e elas entendem isso como desculpas. Medo de se envolver ou qualquer coisa do tipo. Não aceitam que alguém pode sim estar feliz sem necessariamente estar com alguém. É por isso que essa gente irá cansar de passar o meu telefone, de tentar marcar encontro e de dizer que eu estou escolhendo demais. Quem nunca ouviu um “você vai acabar ficando sozinha (o) desse jeito?” Eu apenas gostaria de entender o que leva alguém a pensar que desespero é sinônimo de amor. Que aquela ânsia em ter alguém irá fazer com que eu encontre alguém para partilhar a minha vida.

Eu não estou escolhendo, porque escolher implica em ter opções e ultimamente eu não tenho tido interesse algum em conhecer alguém. Já tive confesso. Mas a gente cansa de conhecer pessoas superficiais, que pensam na academia, no corpo malhado, prometem mil coisas, mas não conseguem assumir um compromisso. Não conseguem honrar as suas palavras e apenas nos mostram que não vale a pena se envolver.

Corações de pedra – como dizem por ai – também se apaixonam e talvez estejam calejados de tanto acreditar e tentar novamente. O fato de estar bem sozinho (a) não implica que não quero ter ninguém, mas que simplesmente não quero e não aceito um amor mais ou menos. Não quero viver qualquer história por medo de “ficar sozinho”. Amor é compromisso, amor é algo leve, nobre e bonito e eu não aceito qualquer coisa.

Deus me livre viver de migalhas, sofrer com a indiferença de quem está ao meu lado apenas fisicamente. Não quero isso para a minha vida, um amor mais ou menos que não sabe se você é de fato o amor da sua vida, alguém que ignora as suas falas de saudade e que sempre demonstra não estar tão interessado (a). Não quero um relacionamento redes sociais que posta fotos com textão, mas que pessoalmente dispensa o toque físico, os beijos e abraços. Amor sem respeito, sem cuidado, amor sem carinho sem compromisso. Não quero não, obrigada.

Imagem de capa: Joana Lopes/shutterstock

A vida une os corações certos na hora certa.

A vida une os corações certos na hora certa.

“Algumas coisas, por mais impossíveis e malucas que pareçam, a gente sabe, bem no fundo, que foram feitas para um dia darem certo.” (Caio Fernando Abreu)

Existem pessoas que nasceram uma para a outra. Existem pessoas que se destinam e que se afinam, complementam-se e se completam, entregam-se e se transbordam. O amor sempre vem, às vezes na hora errada, mas então não morre, apenas se guarda e espera o momento certo de se instalar para sempre em vidas que não mais se separam.

Nós nos enganamos com muitas coisas, até quanto ao que é ou não amor de verdade e, por essa razão, acabamos, muitas vezes, expulsando de nossas vidas o que jamais deveríamos. Por egoísmo, por não abrir concessões, por medo, sabe-se lá, por ainda nos prendermos a uma visão idealizada de um relacionamento a dois.

Não existe felicidade que não seja intermitente, ninguém é feliz vinte e quatro horas por dia. Da mesma forma, não existe relacionamento tranquilo o tempo todo, todo dia, o dia todo. Precisamos nos ajustar ao outro, que vem de outras histórias, aparando as arestas e solidificando o que agrega e soma. Sem que haja discordâncias, ninguém consegue se acertar com o outro.

Fato é que, enquanto não estivermos abertos para o preenchimento amoroso, não conseguiremos ser inteiros e nos doar na medida exata das necessidades que o amor requer. Enquanto carregarmos inseguranças, medos e incertezas, não haverá terreno sólido que sustente a inteireza de que se constitui o sentimento amoroso.

Por isso é que muitos parceiros acabam se desencontrando, ainda que se amem, porque não estão prontos para se lançar à imensidão afetiva do encontro amoroso, em sua magnitude. O amor não aceita menos do que tudo, do que inteireza, integralidade, inteireza e verdade plena. Terrenos inseguros e incompletos não são suficientes para que se superem as tempestades que devem ser enfrentadas juntas, de mãos dadas.

No entanto, ainda que se separem e se distanciem por um tempo, até que amadureçam e estejam prontas e preparadas para vivenciar sem medo tudo o que o amor irradia, nada poderá separar por muito tempo duas pessoas que se amam verdadeiramente. A vida sempre haverá de unir os corações certos na hora certa. Para muitos casais, o para sempre existe de verdade.

Imagem de capa: goodluz/shutterstock

A dor silenciosa dos enteados quando o pai ou a mãe se separa.

A dor silenciosa dos enteados quando o pai ou a mãe se separa.

Hoje me veio à cabeça esse tema, me peguei pensando sobre as possíveis feridas emocionais dos enteados que, mediante a separação dos pais/mães das madrastas/padrastos vivenciam um verdadeiro luto, considerando que, no geral, a ruptura é de caráter permanente.

Obviamente, é de conhecimento de todos a fama negativa associada aos padrastos e madrastas, como é óbvio, também, que todos sabem da existência de pessoas que exercem com excelência esses papéis. E é sobre esses últimos que me refiro.

Não raro, muitas crianças e adolescentes são oriundos de um contexto de rejeição ou ausência paterna/materna, então, acontece de receberem, por meio da união de um dos genitores, a figura do pai ou mãe. Considerando que o vínculo afetivo é construído na convivência e que é facilitado quando os adultos estão predispostos e interessados nessa construção, é indiscutível que esse afeto seja real e significativo na vida de muitas pessoas que, embora não possuam vínculo genético, percebem um ao outro como pai/mãe/filho.

E que ocorre quando uma união se desfaz? É fato que o sofrimento se instala na vida de todos os envolvidos. O casal sofre, e muito, por mais que ambos tenham optado pela separação e por mais que o amor tenha morrido ou esteja soterrado sob os escombros da mágoa e do ressentimento. Esse sofrimento poderá durar uma semana, um mês, um ano ou uma década. Mas eles acabam se refazendo e se reestruturando, enfim, a vida segue.

Quanto aos filhos biológicos do casal, eles sofrem muito também, afinal terão que passar por uma readaptação no que se refere à rotina de convivência familiar, porém, eles continuarão tendo contato com os pais, e se isso não acontecer será por irresponsabilidade, negligência ou insensibilidade dos adultos que, não compreendem que a paternidade/maternidade não é uma condição que pode ser anulada no cartório juntamente com o casamento.

E como ficam os enteados no contexto de separação? Ficam como cartas fora do baralho, lamentavelmente. A eles, restam, simplesmente engolir o choro e mascarar a dor da ausência de quem exercia o papel de pai ou mãe. Mascarar, sim, considerando que, talvez, dependendo do contexto, eles nem terão a liberdade de chorar essa perda. Quando o padrasto ou madrasta arruma as malas e sai de casa, no geral, eles não farão questão de voltar para ver o “ex” enteado, sem contar que, ainda que tivessem tal interesse, talvez encontrassem a barreira imposta pelo(a) ex, pai ou mãe da criança ou adolescente. Então, ali estará uma criança ou adolescente que, não raro, já veio de uma rejeição por parte de um dos pais biológicos que deixou sequela, tendo que enfrentar, outra vez, um abandono.

Sem visita nos feriados, sem passar as férias juntos, nada disso. Sem falar que tem toda uma rede relacional da família do padrasto/madrasta que ela terá que dizer adeus: primos, avós, tios e etc. Seguramente, trata-se de um luto. Infelizmente, a imaturidade e o egoísmo daqueles que construíram um vínculo matrimonial e inseriram essas crianças nele, não permitirão que eles levem em consideração a dor e as sequelas nas vidas daqueles que não tiveram opção de escolha. E as consequências desse descaso poderão resultar, dentre outros malefícios emocionais, em adultos desconfiados e com muitas dificuldades para estabelecerem vínculos, pois terão como norteadores, as experiências traumáticas, nas quais aprenderam que o amor é algo que pode surgir e desaparecer sem aviso prévio, sendo assim, é melhor não confiar nele.

Imagem de capa: Yuriy Golub/shutterstock

Só deixe entrar na sua vida quem tiver sido convidado

Só deixe entrar na sua vida quem tiver sido convidado

Não deixe qualquer um ultrapassar os limites de sua dignidade, nem permita que tudo aquilo que você possui de melhor e mais bonito seja mal usado por quem não reconhece o seu valor como pessoa, como ser humano, como alguém que não merece receber menos do que oferece.

Nossa vida é nosso maior presente, nossa mais perfeita dádiva, por isso deveremos sempre tentar torná-la recheada de momentos memoráveis com gente do bem. Atravessaremos desertos áridos, escuridões desesperançosas, porém, tudo de bom e de verdadeiro que levarmos conosco nos ajudará a voltar ao prosseguimento de nossos passos rumo à realização de nossas metas e planos de vida.

Nos momentos de calmaria e de mansidão é que necessitaremos nos cercar de pessoas verdadeiras, valorizando os momentos especiais, as conquistas que já são nossas, os amores que já possuímos lá fora e dentro de nós, firmando as certezas amorosas em nossos corações, fortalecendo-nos para as tempestades que virão. A qualidade daquilo que mantivermos junto à nossa essência determinará a força que teremos frente a cada tombo vida afora.

Daí a necessidade de cuidarmos bem de nossos jardins, escolhendo com sabedoria e tenacidade cada semente a ser plantada, regada e colhida com amor e consciência, na medida do possível, uma vez que nem sempre poderemos raciocinar com clareza. Porém, quando percebemos que vários dissabores podem ser evitados, à medida que nos afastamos de gente ruim e de ambientes pesados, somos capazes de acolher quem realmente merece e de fechar as portas a tudo e a todos que nada de bom têm em si.

Não deixe qualquer um ultrapassar os limites de sua dignidade, nem permita que tudo aquilo que você possui de melhor e mais bonito seja mal usado por quem não reconhece o seu valor como pessoa, como ser humano, como alguém que não merece receber menos do que oferece. Ame muito, mas jamais se perca de si mesmo nesse percurso, pois é o amor próprio que nos sustentará durante cada rejeição sofrida, dia após dia.

A gente sofre muito e passa por contrariedades diversas, enquanto vamos construindo nosso caminho com verdade e amor, porque há muitas pessoas que optam pelo caminho mais fácil da mentira e da corrupção do que se é. Não é fácil mantermos os nossos princípios em meio a tanta mentira e maldade, portanto, não podemos permitir que nossa jornada se fragilize por conta de gente intrometida e maldosa. Convidemos as pessoas certas para o nosso viver e somente a elas ofereçamos guarida afetiva, pois é assim que a gente amanhece com esperança, a cada novo dia.

Imagem de capa: Zoran Matiq/shutterstock

Por que você tem tanto medo?

Por que você tem tanto medo?

Por que você tem tanto medo?

Medo de viver, medo de arriscar, de botar a cara pra bater. Da onde vem esse medo todo? Quem te ensinou a ser assim? Querida, a vida está aí para ser vivida. A gente vai tomar muito rola, vai quebrar a cara muitas vezes, mas faz parte. A gente levanta, sacode a poeira, e continua andando.

O que não pode é ficar parado, sem se mexer, estagnado na vida. Isso não. Isso é inaceitável.

Eu já sofri. Já botei minha confiança em quem só me decepcionou, já perdi noites de sono pensando no que não deveria, já apostei todas as minhas fichas em projetos que não deram certo, já quebrei a cara muitas vezes. E, pelo o que tudo indica, vou quebrar muito mais ainda. Já errei muito também.

Mas cara, faz parte. A vida é isso. A vida é errar e errar e errar mais uma vez, até aprender. Uma hora você aprende e pronto: aí sim você cresceu. Mas quem tem medo de errar, quem tem medo de sofrer, quem tem medo de gritar “Olha, eu to aqui”. Nunca vai sair do lugar. Já dizia Projota: quem tem medo de sofrer não merece o melhor da vida.

E não merece mesmo; a vida ta aí pra quem arrisca.

Perde o medo, vai em frente, vai de cabeça erguida. Não deu certo? Paciência. Você tem a vida inteira pra tentar de novo.

Mas tenta.

Porque quem não tenta não sai nunca do lugar.

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Imagem de capa: acervo pessoal da autora

De nada adianta cativar se não for para cultivar

De nada adianta cativar se não for para cultivar

Existem pessoas que são especialistas em cativar, seja com sorriso, com palavras ou até mesmo com atitudes. Pessoas que no começo da conquista se mostram as melhores. Pessoas que nos fazem acreditar que dessa vez irá ser diferente. Mas de nada adianta cativar se não for para cultivar.

De nada adianta dizer palavras bonitas se as atitudes demonstram o contrário. Mandar flores para conquistar e depois mostrar espinhos, como quem fere com aquilo que diz e faz.

O que importa se ele (a) decora aquela poesia nos primeiros encontros e parece realmente interessado (a) em você, se depois de um tempo acha bobagem os seus sonhos e ignora as suas dores. Cansei de ver pessoas se machucando por acreditarem novamente que iria dar certo.

“Ah mais no começo ele(a) era tão diferente”

No começo era romântico (a), era interessante, era charmoso (a), era educado (a). No começo era interessado em conversar e depois mal conseguia ouvir você reclamar que estava com dor de cabeça.

De que adianta cativar? Se depois a flor murcha, as palavras tornam-se mentiras e o coração apaixonado fica machucado. Eu sei que no momento da conquista queremos parecer as melhores pessoas do mundo e porque não manter isso e oferecer ao outro a sua melhor versão? Isso não implica em deixar de ser você, mas vestir uma máscara apenas para “enganar” o outro e fazê-lo acreditar que você é assim é um grande erro. Um erro que não dura muito tempo, um erro que não leva ao compromisso e talvez (pensando alto aqui) seja justamente essa a intenção de muitos. Cativar, encantar, mostrar quem você realmente é para o outro desistir. Esse prazer em saber que alguém nos deseja, nos quer por perto mesmo o outro não estando nem um pouco interessado é dessas coisas estranhas da vida que talvez eu nunca consiga entender. Não entendo quem cativa com a intenção de ir embora, quem faz o sentimento brotar sabendo que irá partir a qualquer momento. Quem finge, mente e engana apenas para se sentir desejado.

Por isso, de nada vale cativar senão for para cultivar. No início da conquista – fase boa- as coisas são realmente mais intensas. Estamos empolgados em mostrar ao outro que vale a pena. Em mostrarmos o nosso melhor lado, o problema está em deixar isso morrer ou simplesmente fingir apenas para conquistar. Brincar com o sentimento alheio e com as suas expectativas não é certo. Seja você, sempre você. Mostre apenas aquilo que você pode continuar oferecendo ao outro. Não invente que gosta de tal música ou que adora aquela banda só para agradar. Não finja gostar de comida japonesa e que tem paixão por futebol se você detesta os dois. Pare de tentar se encaixar em padrões, de tentar ser aquilo que você acha que o outro espera, porque na maioria da vezes, o outro espera apenas que você seja você.

Imagem de capa: View Apart/shutterstock

Você já agradeceu hoje? A poderosa energia da gratidão.

Você já agradeceu hoje? A poderosa energia da gratidão.

Você já agradeceu hoje? “Mas agradecer ao quê”? Ora, agradecer por você estar aí em pé, sentado, deitado, respirando, caminhando, ter dormido esta noite numa cama confortável, com um teto sobre a sua cabeça, ter tomado banho, até quentinho, ter feito as três refeições do dia, ter tomado água limpa, ter dinheiro para pagar seu transporte, ter o seu transporte, seu trabalho, seus ganhos, seu talento, sua inteligência, sua saúde, sua voz para comunicar , sua audição, poder enxergar, ter discernimento, inteligência, um filho, que está na escola e com saúde, ter amigos, família, pelas bênçãos que chegaram e àquelas que estão a caminho… Você já agradeceu?

É hábito reclamar. É necessário trocar reclamação por gratidão. Quando percebemos que nossas realidades são resultado da nossa vibração mais dominante passamos então a ter o senso de responsabilidade. Isso é o princípio da física- ação e reação. Além disso, a gratidão desbloqueia o fluxo da abundância, conecta com o coração e com a energia mais poderosa do universo: o amor.

Passamos a ter olhos mais amorosos para a vida, e entender que é preciso agradecer por aquilo que se tem e aquilo que está a caminho, como algo já concreto em nossas vidas. A gratidão garante o que é bom e traz sempre o que pode ser melhor.

Pessoas que reclamam costumam ter a vibração baixa e dessa forma a vida delas se torna bastante bagunçada já que interagem assim com o campo quântico. A vibração dominante delas é a da reclamação e naturalmente pessoas se afastam. Ninguém consegue conviver com um reclamão. Elas acabam ficando bastante solitárias. É importante trocar este hábito para ter acima de tudo, qualidade de vida.

Não começar frases com “ai”, por exemplo… Essa interjeição acompanhada da reclamação sintoniza com uma vibração que não favorece o campo vibracional. Perceba o lado positivo das coisas. Seja mais responsável por aquilo que você emite, pela realidade que você cria.

Se te perguntarem como você está, esteja bem. Como vai a casa, as finanças a família? vai bem…

Pense antes de expor seus problemas e perceba se realmente vale a pena expor sua vida e sintonizar nesta vibração;

Agradeça! Encontre motivos para agradecer. Eu entendo que muito mais fácil reclamar, porque o ato de reclamar tira toda a responsabilidade de quem reclama. Trocar a reclamação por gratidão te torna uma referência e luz na Terra. São tempos em que mais pessoas precisam seguir as boas referências de condutas.

É preciso lembrar da gratidão, dos elogios, dos olhares amorosos e sorrisos. Importante agradecer até mesmo quando a situação não é agradável. Sempre há o que agradecer. E isso não é ser otimista, é agir com inteligência, porque dessa forma o universo pode trabalhar a nosso favor. Ele pode refletir aquilo que estamos emitindo, não tem erro. O universo vai sempre nos dar de volta aquilo que estamos vibrando em maior dominância. Se você está vibrando a gratidão, o amor, a compaixão, o universo responde em chuva de bênçãos.
Agora, se você só reclama, acha tudo ruim, ou que nada dá certo, se prepara para a avalanche de coisas negativas que chegarão até você. Isso não é Deus te punindo é você mesmo criando a suar própria realidade.

Por isso é importante ser dono da própria realidade, comandar a própria vida dentro da responsabilidade. Somos co-criadores a todo momento. Estamos com o pincel e tinta na mão. Que tela você quer pintar hoje?

Comece o dia agradecendo que eu tenho certeza que seu dia será diferente, muito mais positivo, harmonioso, amoroso e repleto de abundâncias.

Imagem de capa: Kitja Kitja/shutterstock

Sobre as palavras: elas podem matar ou ressuscitar os sonhos de uma pessoa.

Sobre as palavras: elas podem matar ou ressuscitar os sonhos de uma pessoa.

Se tivéssemos a real noção do poder que as palavras possuem, acredito que pensaríamos muito antes de pronunciá-las. Não seria nenhum exagero a afirmação de que, dependendo do contexto, uma simples palavra poderá definir o futuro de alguém. Por trás de muitas trajetórias bem sucedidas, nas mais variadas perspectivas, existe, além de muita atitude, um repertório de palavras encorajadoras e de afirmação. De modo análogo, existem muitas palavras aniquiladoras que contribuíram para as trajetórias fracassadas. Não raro, nos deparamos com pessoas que nada possuem do ponto de vista financeiro ou intelectual, porém, suas mentes estão recheadas de sonhos que funcionam como uma bússola para elas. Se esses sonhadores, por alguma razão, compartilharem seus sonhos com pessoas opressoras, eles estarão correndo um sério risco de assassinar o que carregam de mais sagrado: a crença em si mesmos. As palavras, tanto as encorajadoras, quanto as castradoras, poderão vir de qualquer pessoa, entretanto, vale lembrar que os efeito delas serão mais potencializado quando vindas de alguém que possua algum vínculo significativo com o receptor. Diante disso, é imprescindível que a família nuclear, especialmente os pais, estejam atentos às palavras que são dirigidas aos filhos, principalmente às crianças. Essa vigilância com o que falam precisa ser exercitada em tempo integral, especialmente nos momentos em que a paciência esteja por um fio. Embora sem a intenção de machucar e comprometer a autoconfiança dos filhos, esse poderá ser o resultado diante de um momento de estresse elevado. Uma vez que uma afirmação destrutiva foi proferida pelos pais, a criança poderá acolher a mensagem como sendo uma sentença irrevogável, visto que ela não possui a devida imunidade psicológica e emocional para elaborar o que ouviu. E aquele velho ditado popular define bem o que acontece em se tratando de palavras que machucam: “quem fala, esquece, mas quem escuta, guarda”. Certamente, cada um de nós já sentiu o peso das palavras mal ditas, literalmente, nos sinalizando de que não somos bons o suficiente para tentarmos algo que gostaríamos de realizar. Felizmente, também, temos a sorte de termos guardado no baú da alma, um repertório de palavras bem ditas e benditas que nos fazem acreditar que, querer, pode, sim, ser sinônimo de poder. Costumo dizer que existem pessoas com perfis de águias vivendo como galinhas, isso devido às crenças limitantes que absorveram, inclusive por meio das palavras que ouviram ao longo da vida. Afinal, como alguém vai ter condições de acreditar em si mesmo ou de sonhar, se desde o nascimento escuta frases do tipo: “você não dá conta”, “isso não é pra você”, “isso é muito bom para ser verdade”, “você é burro”? Infelizmente, nem todas as pessoas tem a consciência do poder das palavras, então, saem por aí usando a própria amargura e o pessimismo para destruírem os sonhos alheios. E existem pessoas que tem, sim, plena consciência do poder das palavras e usam isso com a finalidade específica de destruir a motivação dos outros, agem de forma dolosa mesmo. Felizmente, existem, também, espalhadas pelo universo, pessoas que, quando abrem a boca, são capazes de promover uma verdadeira ressurreição nos sonhos que já foram sepultados. Sorte de quem encontrá-las pelo caminho. Mas podemos fazer parte desse time de pessoas que curam, encorajam, fortalecem e ressuscitam sonhos…a escolha é de cada um.

Imagem de capa: Joana Lopes/shutterstock

É melhor ficar sozinha do que investir em alguém que não te reconhece

É melhor ficar sozinha do que investir em alguém que não te reconhece

Chega uma hora que só querer não adianta. É preciso mais, muito mais. Se não está bom para você, o melhor a ser feito é deixar pra lá.

Não tem essa de ficar investindo numa pessoa como se não houvesse amanhã. Não faz sentido entregar tudo de você para alguém que não te reconhece. Vai ver a pessoa não está na mesma sintonia, acontece. Deixar ir não é desistir. Deixar ir é saber o valor que você tem.

Devemos respeitar os nossos limites. Ainda que não seja tarefa fácil, é importante sabermos valorizar a nossa jornada. As saudades que já sentimos, os amores que já vivemos, as despedidas que já atravessamos. Todas essas experiências nos trouxeram aprendizados. Não podemos ignorá-los por alguém que está conosco com meios sentimentos. Quantas vezes não achamos que valia a pena entrar de cabeça em uma relação para depois nos darmos conta de que um lado era mais intenso do que o outro? Você pode chamar isso de criar expectativas, e talvez seja. Mas também pode se tratar de alguém que entende do próprio interior. Um alguém que não faz chantagens, que não esconde emoções e que não desperta inteiros somente para depois cortá-los pela metade.

Não custa nada entendermos um pouco mais sobre nós antes de acenarmos afetos para outra pessoa. Responsabilidade emocional não é brincadeira. Ninguém está com tanto tempo assim para perder e, muito menos, com tanto amor sobrando. Porque todos temos uma cota de paciência e, às vezes, o amor também entra nessa balança do até onde vai.

É importante agirmos com sinceridade. Ninguém é obrigado a retribuir o amor de alguém. Não pode ser um fardo amar alguém. Se for assim, pare. É melhor ficar sozinha do que investir em alguém que não te reconhece. Pode doer no começo, mas passa. Ah, passa.

Imagem de capa: Maladie d’amour (1987) – Dir. Jacques Deray

Eu não tenho problemas em perdoar, mas sim em confiar de novo.

Eu não tenho problemas em perdoar, mas sim em confiar de novo.

Há quem diga que perdoar é esquecer. Eu discordo totalmente dessa frase. Para mim perdoar é lembrar sem sentir mágoa, rancor, ou sentir que aquilo que te feria continua a doer. É difícil e leva tempo, mas quando conseguimos sentimos uma paz imensa.

Depois de muitos tombos em amizades eu fiquei um tanto que calejada. Tenho medo de confiar novamente, de partilhar meus segredos, de contar as minhas loucuras. Quantas pessoas passaram pela minha vida e se mostraram ser amigos de verdade daqueles que a gente conta tudo e no final esse alguém usa de mentiras para lhe magoar. Quantas vezes achei que a pessoa que partilhava o dia a dia comigo era mesmo meu amigo, mas na primeira oportunidade provou ser o contrário. Doeu muito perceber tudo aquilo e por mais que doesse eu sabia: Era preciso perdoar. O perdão liberta não quem precisa ser perdoado, mas quem precisa perdoar.

Depois de muito tempo eu compreendi: Ninguém está livre de errar. Mas confesso que alguns errinhos nos deixam com um pé atrás. Mentiras destroem qualquer relacionamento seja ela qual for desde aquela ocultada no preço que você gastou no mercado até de onde você estava quando o (a) seu companheiro (a) te ligou. Mentiras são como analgésicos, no momento do ápice, do problema, quando você não consegue dizer a verdade, por medo de doer, você vai lá e solta aquela mentirinha inofensiva a princípio. No momento as coisas até acalmam, mas logo volta a doer e ás vezes até mais do que antes.

Nunca fui aquela pessoa que tem uma dificuldade imensa de perdoar, mas tenho sérios problemas em confiar novamente. Sou pé atrás, tenho receio de me magoar novamente. Já dei tantas “chances” e oportunidades e sinto que as pessoas não valorizaram nenhuma delas. Continuam na promessa do “eu vou melhorar” ou “isso não irá acontecer novamente”, mas na primeira oportunidade estão lá fazendo a mesma coisa de sempre. Eu desculpo e perdoo como quem precisa disso para não se machucar ainda mais, porém confesso: Demoro a recompor a confiança.
Penso que se as pessoas prezassem mais pelas amizades e por mantê-las as coisas seriam mais fáceis. A verdade é que não medimos nossas atitudes e as proporções delas na vida do outro. A sensação que tenho é que as pessoas sabem que no final eu irei perdoar. Elas se asseguram na ideia de que independente do que aconteça eu não irei virar a cara, deixar de falar, tratar mal esse alguém e assim por diante. E é se ancorando nessa “bondade” vista por muitos por aí que algumas pessoas escolhem pisar na bola um milhão de vezes e simplesmente mostram ao mundo que: Não querem mudar.

Depois da mentira, depois do engano, depois da traição, depois das falsas promessas é difícil confiar novamente, é difícil dizer que agora as coisas vão ser diferentes quando o outro continua fazendo tudo exatamente igual. Acredito que o que precisamos para confiar novamente não são palavras, mas sim atitudes que nos mostrem e nos deem a segurança de que: vale a pena confiar novamente.

Imagem de capa: Antonio Guillem/shutterstock

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