Muitas pessoas preferem não enxergar os sinais que antecedem uma decepção amorosa.

Muitas pessoas preferem não enxergar os sinais que antecedem uma decepção amorosa.

As decepções amorosas, em sua maioria, são permitidas ou até mesmo buscadas por suas vítimas.

Nos contextos relacionais, as pessoas estão o tempo todo mostrando como são e como estão, o problema é que os apaixonados ignoram todos os sinais possíveis que possam configurar como desapontamentos sobre o que elas idealizam a respeito da pessoa amada.

Parece haver uma recusa em ler e interpretar os sinais emitidos pelo parceiro provavelmente pela possibilidade de alguma constatação que seja prejudicial à imagem dele.

Partindo do princípio de que, quem procura acha, muitas pessoas optam por não fazer nenhuma investigação acerca do outro, bem como atribuem sempre uma justificativa a qualquer fato negativo que apareça relacionado ao parceiro.

É o famoso medo da verdade. Há casos em que são evidenciadas coisas graves sobre a conduta do(a) namorado(a), porém, a pessoa nutre a crença de que o mesmo mudará e será diferente com ela.

Creio que todo mundo conhece alguém que se relaciona ou se relacionou com uma pessoa cujo passado amoroso foi totalmente reprovável, onde essa pessoa enganou, mentiu, feriu, traiu etc. e que acredita piamente que a postura dessa pessoa será totalmente diferente na relação atual.

Por mais dissimulada que uma pessoa seja, ela não será capaz de representar um papel por muito tempo, uma hora ou outra máscara há de cair. É muito simples, toda pessoa tem um passado que fala por ela, o que não significa que ela tenha que ser uma eterna refém dos seus erros. As pessoas mudam, se arrependem, aprendem, repensam a própria história, tudo isso pode acontecer, porém, essa mudança não acontece com todas as pessoas, poucas passam por esse processo de transformação, outras, terão atitudes reprováveis a vida inteira.

Diante disso não podemos ser tão ingênuos ao ponto de contar com uma transformação de alguém que talvez nem considere como inadequada forma de se comportar diante de algumas questões.

A gente nunca perde por analisar bem a conduta da pessoa com a qual estamos nos relacionando. Existem casos em que a família e os amigos da pessoa percebem o relacionamento como perigoso para a pessoa e a advertem, porém, esta ignora todos os conselhos e ainda vê nessas pessoas uma suposta intenção de prejudicar o seu relacionamento por pura maldade.

Há um ditado popular que afirma que “o pior cego é aquele que não quer enxergar”. É fato que, muitos dos nossos percalços teriam sido evitados se tivéssemos prestado mais atenção aos sinais do comportamento que o outro emitiu, mas optamos por fazer cara de paisagem.

Imagem de capa: shyshak roman/shutterstock

A verdade e a mentira têm um ponto em comum: a consequência

A verdade e a mentira têm um ponto em comum: a consequência

Dizer e ouvir verdades não são atitudes prazerosas. A verdade liberta, mas também fere. Saber que você engordou, que ela teve outros namorados mais interessantes que você e que a sua piada foi sem graça é ter a alma rasgada. Talvez, por isso as pessoas a evitem tanto. Mentem para o médico, para o chefe, para a companheira. Como dizia Oscar Wilde: “Um pouco de sinceridade pode ser bem perigoso, muita sinceridade é absolutamente fatal.”

A verdade é que se tratando da mentira não existem inocentes. Em algum momento, todos já mentiram ou distorceram a verdade. Voluntária ou involuntariamente, a mentira já esteve presente na conversa de alguém ou no diálogo interno com as próprias razões. “Cheguei atrasado por causa do trânsito”, “Não liguei porque perdi seu número”, “Claro que lembro de você”. Essas são apenas algumas das mentiras que as pessoas usam para conviverem, socialmente, uns com os outros.

Nietzche tinha uma visão da mentira mais sutil. Em 1898, escreveu que “a mentira mais frequente é a que se conta para si mesmo; mentir para os outros é relativamente a exceção.” Para o filósofo a mentira não era capaz de ser realizada com perfeição: “podemos mentir com a boca, mas com a expressão da boca ao mentir dizemos a verdade.” Porém, atualmente, as coisas mudaram muito e o ato de mentir sem necessidade e com extrema perfeição acontece diariamente. E é aí que mora o grande problema, pois uma única mentira, coloca em xeque todas as outras verdades.

Os motivos são os mais diversos: mentem para si mesmos quando acreditam serem culpados pela agressividade do companheiro. Mentem quando se culpam pelo relacionamento abusivo que suportam. Mentem quando dizem estar tudo bem, quando na verdade, estão sangrando na alma. Nietzsche afirmava que, para quem sofre, a mentira pode ser um refúgio justificável: “Quem teria razões para se afastar da realidade com mentiras? Só quem com ela sofre”.

Há quem diga que as pessoas usam a mentira como defesa. Mentem por medo de perder quem se ama, ou por medo da separação. Na concepção delas, é melhor acostumar-se com a dor, do que enfrentar a própria vida.

De qualquer forma, mentir não é uma boa opção de relacionamentos. A mentira é enganosa. Tenta justificar, amenizar, acalmar as situações, mas somente de quem a profere. Ninguém mente para preservar o outro, as pessoas mentem para se defenderem ou se justificarem.

As coisas seriam mais fáceis se a sinceridade prevalecesse. Se os “nãos” fossem ditos com mais facilidade e a realidade encarada tal qual ela é. Shakespeare, em Hamlet, dizia “sê sincero contigo mesmo e disto se seguirá, como a noite segue o dia, que não poderás ser falso com quem quer que seja.”

Que sejamos maduros para ouvir e dizer “ não quis te ligar”, “dormi, por isso perdi a hora” ou “não lembro de você, desculpe”. A verdade crua sempre será mais bonita que qualquer mentira produzida.

Imagem de capa: Kl Petro/shutterstock

Nossas digitais ficam tatuadas na alma de quem tocamos

Nossas digitais ficam tatuadas na alma de quem tocamos

Imagine se você tivesse a possibilidade de assistir, num telão, o depoimento de todas as pessoas com as quais você conviveu ou teve algum contato, ainda que breve, mas que teve algum impacto na vida delas. O que você acredita que iria prevalecer, os comentários que expressam gratidão ou ressentimento pela forma com você agiu com elas?

O fato é que nunca teremos a real dimensão do que deixamos, como uma espécie de digital, na alma das pessoas que tocamos com as nossas palavras, com o nosso exemplo, com o nosso olhar e com as nossas atitudes. Nunca saberemos, ao certo, se aquela frase áspera que dissemos num momento de irritabilidade feriu alguém de forma profunda, embora, para nós, tenha sido algo “da boca para fora”. Nunca saberemos a diferença que fizemos quando falamos ao jovem desanimado e que tinha largado os estudos que ainda dava tempo, sim, de recomeçar de onde parou e reescrever a história dele.

Não duvidemos disso, em algumas situações, somos comparados aos anjos na vida de algumas pessoas, que pode ser aquele estranho que nos pede uma informação no meio da rua e que, por alguma razão, nos expõe um pouco da sua dor. Aquela pessoa que te você encontra chorando no meio da rua e que se compadece dela, que empresta seus ouvidos, ainda que por um breve instante e que despede-se dele dizendo algo como: “não se sinta culpado por algo que não dependia somente de você”. Talvez, uma frase dessa tenha o poder de retirar daqueles ombros um peso terrível.

São tantas vidas que cruzam o nosso caminho, não é? Vidas que deixam um pouco de si e levam um pouco de nós, nas palavras de Antoine de Saint- Exupéry. Acontece de lembrarmos de algumas pessoas, e, imediatamente, o sorriso nos vir aos lábios e a nossa alma emanar aquela gratidão gostosa. Essas pessoas, embora nem sempre tenham a consciência disso, deixaram em nossa alma uma “tatuagem” que nunca será apagada. Suas digitais ficaram em nós, em forma de gratidão ou de encantamento.

Existem, também, aquelas pessoas que deixaram em nós, uma tatuagem que lutamos para apagar, uma marca nada bonita. Lembrar dessas pessoas é o suficiente para entristecer o nosso semblante e nos deixar angustiados. Certamente, nem todas elas terão a consciência do estrago que fizeram na vida de alguém, afinal, já afirma o ditado popular: “quem bate esquece”.

Se fosse possível tirar uma radiografia da nossa alma, lá estariam registradas um monte de “digitais”, boas e ruins. Estariam tatuados os abraços curadores, as frases que motivaram, os olhares acolhedores os sorrisos encorajadores e os perdões liberados e recebidos. Seriam encontrados, também, as digitais malignas, dos tatuadores perversos. Sobre as últimas, talvez elas não possam ser apagadas, mas podem, perfeitamente, ficar embaçadas em meio às digitais do amor e da benevolência que ficaram em nós. E, caso elas sejam maioria, corra em busca de pessoas iluminadas que possam deixar as digitais delas em você, ainda dá tempo. Misture-se às pessoas benevolentes, contagie-se com generosidade delas e seja, também, um tatuador de almas, distribua o amor que recebeu. Distribua com a certeza de receber de volta, de forma multiplicada, sim, o amor é assim: multiplica-se sempre que é dividido.

Seja o motivo da gratidão de alguém, seja o motivo da oração, seja a razão do riso que surge apenas porque você apareceu nas lembranças dele. Em última hipótese, se entender que não tem nada de edificante para dizer a alguém, oferte o seu silêncio, ele pode valer ouro em determinadas circunstâncias. Gratidão!

Imagem de capa:   Stone36/Shutterstock

O problema não é odiar na Internet. É não amar na vida.

O problema não é odiar na Internet. É não amar na vida.

Pensemos juntos. Não foi a Internet que inventou os haters, essa gente com o cérebro do tamanho de uma ervilha que dedica seus dias a buscar o que odiar por aí. Ela existe desde sempre. No primeiro dia do mundo já tinha alguém por aí insultando, perseguindo, manipulando, ofendendo e fazendo todas essas coisas próprias dos cretinos. Isso não é de hoje.

As redes sociais apenas amplificaram o expediente e facilitaram o trabalho dos odiadores, sobretudo porque eles não precisam mostrar a cara nem o nome para fazer das suas, escondidos em pseudônimos e apelidos que só confirmam sua falta de criatividade.

Agorinha mesmo, tem alguém babando fúria nos comentários de uma postagem alheia, vociferando idiotices nos sites de notícias, maldizendo celebridades em seus perfis sociais e o pior: fazendo tudo isso enquanto empunha o salvo-conduto de que tudo isso é um puro e simples direito seu. O sujeito dispara absurdos inúteis para todo lado e depois justifica que só está exercendo o seu “direito de expressão”.

Mais uma vez, confirma o tamanho diminuto de seu cérebro atrofiado. Com tanta coisa nesta vida merecendo reflexão e ponderamento, o sujeito exerce o seu direito de se expressar atacando a opinião alheia, sua orientação sexual, seu jeito de vestir e de pensar. Enfim, investe sua energia odiando o outro sem mais.

Tem nada não. Fiquemos à vontade. Agora, eu tenho a impressão de que o problema não é o excesso de haters nas redes sociais, não. É a falta de lovers na vida real. É a escassez de amantes amando franca e deliberadamente neste mundo de Meu Deus.

Eu acredito. Quanto mais amor a gente pratica em nossas relações pessoais – amor de verdade mesmo, no duro, no olho no olho, nos gestos gentis de cada dia, nas atitudes diárias, na vontade de ajudar, no cuidado com o outro, no pedido de perdão depois do erro, no empenho de acertar – mais a gente se fortalece e mais enfraquecidos ficam os bobocas habituados a atirar pedra no telhado dos outros.

Sei lá. Eu só acho que a melhor forma de combater um hater na Internet é ser um lover na vida. E essa é uma tarefa para cada um de nós. Se não estamos ajudando a tornar o mundo melhor, estamos ajudando a torná-lo pior. Eu só acho.

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Quem teme as pessoas interessantes, que se contente com as interesseiras

Quem teme as pessoas interessantes, que se contente com as interesseiras

Quem não se lança, além das aparências, fica somente ali, paradinho, em relações rasas, desprovidas de entrega e de inteireza. São os que se contentam com a superfície, com o morno, com intensidade pouca.

Li uma citação muito interessante de Marla de Queiroz, que dizia: “para os homens que têm medo das mulheres interessantes, que sejam felizes com as interesseiras”. A partir dela, refleti sobre o temor que certos tipos de pessoas causam às demais, a ponto de serem deixadas de lado e, muitas vezes, serem alvos de preconceito. Simplesmente porque o que não conhecemos pode ser assustador mesmo.

Geralmente, pessoas ousadas, destemidas, que vivem conforme aquilo em que acreditam, não se importando com as censuras alheias nem com o que os outros irão pensar, sendo felizes do jeito que acharem melhor, serão mal interpretadas. Isso porque quem não tem coragem de viver o que possui dentro de si tende a discordar com veemência de todos que demonstram a coragem que lhe falta.

E, mesmo que se caminhe sem pisar ninguém, sem fazer mal, sem prejudicar os outros, basta a pessoa remar do lado contrário do que se prescreve como o mais normal, para ser posta em evidência negativamente. Pessoas que se lançam com mais verdade, além do que está dentro de regras sociais, nunca serão aceitas confortavelmente, porque a multidão obediente se incomoda com tudo o que lhe traz algo de fora de sua zona de conforto.

Muitos, infelizmente, ainda preferem o que é aparentemente cômodo a conhecer outros horizontes, pois isso requer coragem. Além do mais, vivemos a era das aparências, da supervalorização do que se compra, do que se tem, do que se é esteticamente. Nesse contexto, poucos tentam conhecer o outro além do que ele oferece aos olhos. Poucos têm disposição para se demorar e compartilhar as verdades de dentro com o outro.

Na verdade, quem não se lança, além das aparências, fica somente ali, paradinho, em relações rasas, desprovidas de entrega e de inteireza. São os que se contentam com a superfície, com o morno, com intensidade pouca. São os que vivem pela metade, porque quem se contenta com as aparências jamais vivenciará o mergulho intenso e arrebatador na profundidade do amor verdadeiro.

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Sou de dar o coração antes do corpo, a alma inteira antes do sorriso.

Sou de dar o coração antes do corpo, a alma inteira antes do sorriso.

Sou feito do bordado invisível alinhavado pelo tempo, sacudido pelas perdas, ressignificado pelas alegrias. Sou desses poucos, que os tombos não limitam a capacidade de sonhar. A cada queda, levanto mais forte e decidido, com mais projetos do que tinha antes de cair.

Sou da rara natureza dos que amam de graça, e nada pedem por abrir o coração. Acolho também sonhos que não são meus, e insisto em acompanhá-los até que se concretizem.

Sou de dar o coração antes do corpo, a alma inteira antes do sorriso. De bandeja, ofereço os bons sentimentos, porque são eles que me regem e fazem maior, que me tiram do limbo egoísta de pensar somente no que posso ganhar. Adquiro consistência quando pareço que sou a mais fraca das criaturas, e aí, descubro com lágrimas nos olhos, onde moram a minha força e a capacidade de superação.

Sou de renascer depois de cada crise, de confortar no aconchego dos meus braços àqueles que se aproximam com danos na alma. Assim, reúno irmãos, que se fazem mais fortes quando se imaginam em queda livre, é aí que descobrem o dom das asas – em pleno exercício do voo.

Sou feito desse emaranhado de tons inéditos que não estão disponíveis na rica tabela Pantone, e na escuridão das minhas dúvidas, descubro um brilho fosforescente num olho, e no outro, a lágrima esperançosa, que me empurra para o próximo desafio. Cedo, recomponho a postura de quem vai firme na direção dos sonhos, e mesmo com receio, não esmoreço, não cedo à tentação de me esforçar menos do que posso. Sou feito dessa vontade louca de progredir, mesmo quando os caminhos estão abarrotados de placas proibitivas.

Sou desses, corajosos, que desobedecem quando tudo diz não. Refaço os cálculos e contorno os abismos com a desenvoltura de um trapezista, e sigo, porque sou feito de caminhos nunca trilhados, inúmeras possibilidades, e mesmo que, não haja estrada, busco na reinvenção o dom de cavar saídas. Sou feito desse fiapo de esperança, que se fortalece quando os abalos teimam em sacudir o interior.

Sou feito de pontas soltas, retalhos e nenhuma costura visível. O tempo me alinhava por dentro e guarda no meu peito, histórias, amores, risadas, um punhado de sonhos coloridos e um desejo renovável de aprender a amar.

Sou feito do tecido leve que reveste as pessoas de verdade, que amam sem impor condições e se doam sem entender a doação como sacrifício. Promovo incursões pelos labirintos internos e reconheço as vulnerabilidades como partes do que sou, humano. Sou dessas almas fluidas, que guardam pássaros nas pálpebras e rios nos bolsos da camisa. Deposito esperança imortal nas coisas que dão sentido e fazem sentir.

Imagem de capa: nd3000/shutterstock

Violência psicológica é a forma mais subjetiva de agressão contra a mulher;

Violência psicológica é a forma mais subjetiva de agressão contra a mulher;

Por Andréa Martinelli

Diferente do que se imagina, não é preciso ser agredida fisicamente para estar em uma relação violenta. Algumas palavras e atitudes podem ferir a autoestima de uma mulher tanto quanto. E isso tem nome: violência psicológica. Esta é a forma mais subjetiva e, por isso, difícil de identificar.

Para romper esse silêncio, desde 1981 o movimento feminista comemora em 25 de novembro, o Dia Internacional da Não Violência contra a Mulher.

Segundo dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) divulgados na última semana, uma em cada três mulheres é vítima de violência no mundo. E esta violência, de tão latente, chega a ser classificada entre: física, sexual, moral e psicológica.

Por ser subjetiva e, por isso, de difícil identificação, a violência psicológica, na maioria dos casos, é negligenciada até por quem sofre – por não conseguir perceber que ela vem mascarada pelo ciúmes, controle, humilhações, ironias e ofensas.

Segundo definição da OMS ela é entendida como:

Qualquer conduta que lhe cause dano emocional e diminuição da autoestima ou que lhe prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento ou que vise degradar ou controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, ridicularização, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação.
“Em uma briga de casal, o agressor normalmente usa essa tática para fazer com que a parceira se sinta acuada e insegura, sem chance de reagir. Não existe respeito”, explica Maria Luiza Bustamante, chefe do Departamento de Psicologia Clínica da Universidade Estadual do Rio de Janeiro ao GNT.

Esse tipo de violência normalmente precede a agressão física que, uma vez praticada e tolerada, pode se tornar constante. Na maioria das vezes, o receio de assumir que o casamento ou o namoro não está funcionando ainda é um motivo que leva mulheres a se submeter à violência – entre todos os tipos e não apenas a psicológica.

Como identificar?

Dificilmente a vítima procura ajuda externa nos casos de violência psicológica. A mulher tende a aceitar e justificar as atitudes do agressor, protelando a exposição de suas angústias até que uma situação de violência física, muitas vezes grave, ocorra.

A violência psicológica acontece quando ele…

#1. Quer determinar o jeito como ela se veste, pensa, come ou se expressa.

#2. Critica qualquer coisa que ela faça; tudo passa a ser ruim ou errado.

#3. Desqualifica as relações afetivas dela: ou seja, amigos ou família “não prestam”.

#4. A xinga de “vadia”, “imprestável”, “retardada”, “vagabunda”…

#5. A expõe a situações humilhantes em público.

#6. Critica o corpo dela de forma ofensiva, e considera como uma “brincadeira”.

…entre outras formas de violência que são subjetivas e que, muitas vezes, passam despercebidas no dia a dia.

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Quando nosso cérebro escolhe não sentir para não sofrer

Quando nosso cérebro escolhe não sentir para não sofrer

O sofrimento não é uma escolha pessoal; ninguém escolhe a dor ou o isolamento emocional por vontade própria. Infelizmente não existe nenhuma anestesia para não sofrer; as épocas escuras devem ser confrontadas com integridade, valentia e ilusões renovadas.

A vida nem sempre é fácil. Esta frase é dita a nós com muita frequência, e quem até o momento teve a sorte de não ser “tocado” pela adversidade não compreende ainda o realismo destas palavras.

Viver é confrontar provocações, construir um, dois, seis ou mais projetos, é permitir que a felicidade abrace nossas vidas, e aceitar que, de vez em quando, o sofrimento baterá na nossa porta para nos colocar à prova.

E não, nem todos assumimos esses golpes que a vida nos traz da mesma maneira. Há quem confronte melhor as decepções e quem, por outro lado, as interiorize permitindo que minem sua autoestima.

Nenhuma tristeza é vivida de igual maneira, assim como nenhuma depressão tem a mesma origem, nem é sentida igualmente por todas as pessoas.

Mas existe um sintoma muito comum que, de algum modo, todos teremos que experimentar alguma vez: a anedonia.

A anedonia é a incapacidade de sentir prazer e aproveitar as coisas boas. Nosso cérebro, por assim dizer, “decide se desconectar”. Não sentir para não sofrer, isolar-se, ficar anestesiado.

Pode ser que você já tenha sentido isso durante alguns dias, quando é consumido pela apatia e pelo desânimo, mas o que acontece quando isso se torna crônico? O que acontece quando deixamos de “sentir a vida” por completo de forma crônica?

Hoje queremos tratar desse assunto para oferecer a você informações que nos aprofundem no conhecimento deste aspecto tão importante.

A anedonia, quando perdemos o prazer de viver

Como indicamos no início, não existe nenhuma anestesia adequada para a dor da vida.Quando a anedonia aparece em nosso cérebro, como um mecanismo de defesa, ela não está nos causando nenhum bem. Pelo contrário.

Vamos começar esclarecendo alguns aspectos:

  • A anedonia não é uma doença, nem um transtorno: é um sintoma de algum processo emocional ou de algum tipo de doença.
  • Embora seja certo que, na grande maioria dos casos, ela está relacionada de forma íntima com a depressão, ela também pode se manifestar como resultado de uma esquizofrenia ou de demências como o Alzheimer.
  • Todos, em maior ou menor medida, experimentamos anedonia alguma vez: falta de interesse pelas relações sociais, pela comida, pela comunicação com os outros…
    O verdadeiro problema chega quando a anedonia levanta um muro a nossa volta e nos tira todas as nossas características de humanidade: não sentimos nada diante das expressões de carinho, não precisamos de ninguém do nosso lado e nenhum estímulo nos produz prazer, nem a comida, nem a música… nem nada.

Se escolhemos deixar de sentir para não sofrer, não estaremos nos protegendo de nada. Estaremos fechando as portas à vida, seremos almas que vão definhando aos poucos…

A anedonia a nível cerebral

Esta baixa receptividade frente aos estímulos exteriores tem seu claro reflexo em um cérebro deprimido.

É importante levarmos em conta que tipo de processos se desencadeia em nosso interior quando experimentamos a anedonia:

  • Se esse estado se tornar crônico e se prolongar no tempo, nossas estruturas cerebrais sofrem mudanças, e isso afeta nossos julgamentos, pensamentos e emoções.
  • O lóbulo frontal, relacionado com a tomada de decisões, se reduz.
  • Os gânglios basais, relacionados com o movimento, ficam afetados até o ponto em que até nos levantarmos da cama exige um grande esforço.
  • O hipocampo, relacionado com as emoções e a memória, também perde volume. É comum que tenhamos falhas de lembranças, que soframos sem defesa, que fiquemos obcecados por pensamentos negativos.

Frequentemente, a depressão é conhecida como a doença da tristeza. Mas na realidade, ela é uma coisa que vai mais além, ela é a prisão de um cérebro emocional que não encontra respostas para os vazios da vida, a decepção, a perda da ilusão.

contioutra.com - Quando nosso cérebro escolhe não sentir para não sofrer

 

Estratégias para enfrentar a anedonia e a depressão

A depressão não se “cura”, não se enfrenta de um dia para outro. Ela requer múltiplos enfoques, dependendo, como sempre, da realidade de cada pessoa.

Os medicamentos, as terapias, o apoio familiar e, acima de tudo, os recursos próprios que cada um possa usar são elementos fundamentais.

Além disso, queremos convidá-los a refletirem sobre os seguintes aspectos:

Não sentir para não sofrer não é um mecanismo adequado com o qual viver. Ele permitirá que você “sobreviva”, mas estando vazio/a por dentro. Não se permita ser um prisioneiro eterno do sofrimento.

Se há alguma coisa positiva que podemos tirar da anedonia, é que você deixou de lado a capacidade de sentir. Agora que está “anestesiado/a” em relação à dor, é o momento de se perguntar do que você PRECISA.

  • Precisa que a tranquilidade e a felicidade voltem para a sua vida? Volte a criar ilusões consigo mesmo.
  • Precisa deixar de ser prisioneiro do passado? Faça uma mudança rumo ao futuro.
  • Precisa deixar de sofrer? Atreva-se a viver de novo, abra as portas do seu coração, permita-se ser feliz outra vez.

Pense nestes aspectos durante alguns momentos e lembre-se sempre de que viver é SENTIR em toda sua intensidade. Seja no seu lado positivo ou no negativo.

Texto original em espanhol de Valeria Sabater.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

Liberdade de expressão não vale nada se forem consideradas apenas ideias favoráveis às próprias crenças

Liberdade de expressão não vale nada se forem consideradas apenas ideias favoráveis às próprias crenças

Liberdade de expressão não vale nada se forem consideradas apenas ideias favoráveis às próprias crenças. E isso serve para todas.

Preocupa-se mais em mostrar o que é certo ou errado, permissível ou absurdo, do que inspirar o outro a fazer um julgamento pessoal coerente às suas reflexões e histórias. A preguiça é dupla: de pensar por si mesmo e de tentar entender os reais motivos da opinião alheia.

O discurso de aceitação das diferenças será mais uma jogada política para angariar solidariedade em troca de vantagens egoicas, a menos que se torne um hábito incorruptível.

Estar aberto para tolerar algo a si inaceitável é, em teoria, atitude democrática e, na prática, utopia declarada em sociedades que veem malevolência em dogmas opostos, e ainda se dão ao luxo de não assumir deslizes hipócritas naturalizados inclusive dentro de seus círculos de influência. Muita calma no pregar o livre expressionismo, pois há uma diferença entre ter mente aberta para reduzir a potência dos preconceitos e ter mente aberta e propensa à politicagem. Quando o senso partidário ideológico entra em questão, o circo da barbárie está armado e não faltam atores inseguros e dispostos a menosprezar opiniões alheias para tentar alavancar as suas.

Sempre haverá espaço para crítica, pois as pessoas não gostam de desperdiçar sua capacidade de juízo ao tomarem consciência de fatos e boatos que as influenciam. Então, concorda-se que toda essa liberdade de raciocínio precisa ser policiada por critérios éticos, no intuito de manter um mínimo grau de respeito e organização. Mas quem quiser brigar achará adversários igualmente dispostos; há quem pense que suas opiniões só serão ouvidas se enviadas à guerra. A premente insociabilidade do homem está evidente em seu discurso de repressão moral para firmar o silêncio que julga ser benéfico à segurança coletiva, mil vezes preferido à verbalização total de suas incontinências que o faria ser exilado ou até morto.

A máxima da tolerância foi expressa por Voltaire: “Posso não concordar com uma só palavra sua, mas defenderei até a morte seu direito de dizê-la”. Hoje está mais para: “Defenderei seu direito de expressão até a morte enquanto não discordar de uma só palavra sua”.

Despir da mente todas as opiniões sinceras não é uma qualidade tão elogiável quanto imediatamente repudiada em sua própria iniciativa. O medo das consequências do livre expressionismo é muito maior que a necessidade de se dizer exatamente aquilo que se acredita, já que a sinceridade também pode levar à intolerância.

Se a todos fosse dado um aval para dizerem tudo, absolutamente tudo que passa na sua cabeça sobre os outros, sem informações distorcidas ou manipuladas para fins de preservação da imagem civilizada, as verdades individuais viriam à generalização e mesmo os relacionamentos mais pacíficos entrariam em colapso conforme fossem descobertos os segredos imperdoáveis e as mentiras indesculpáveis. Sem um pouco de dissimulação não se vive em paz, por mais indecoroso que isso seja e mais genuinidade se defenda.

Quando a liberdade de expressão não é muito valorizada, inexistem problemas maiores em relação à abordagem de tabus. Quando é valorizada, esses problemas são consequências inevitáveis e fazem parte de qualquer manifestação cultural por liberalidade.

Sem autoridade não há como a liberdade atuar de forma íntegra, já que as pessoas não se mostram nem um pouco preparadas para conviver muito tempo em comunidade sem o medo de certas punições a que se submetem por pura necessidade. A aplicação de restrições legais é fundamental para se validar direitos de expressão, mas isso se aceita até o ponto em que a autoridade seja legítima; não sendo, sobrarão rebeldes para todo tipo de causa liberal.

Uma abordagem de expressão permissiva demais prejudica a própria liberdade para exercitar habilidades orais, independente do contexto em que estejam inseridas.

Há um limite ético em qualquer debate civilizado, seja na sala de reunião corporativa, na igreja, na arquibancada do estádio de futebol, no programa de televisão ou na mesa de jantar, onde as palavras de quem fala serão ouvidas enquanto aquele limite for respeitado, e ignoradas ou reprimidas quando violado. Esse limite varia entre culturas e situações, mas existe, pois do contrário o debate vira confronto. A principal diferença entre debate e confronto é que no primeiro há vontade de aprendizado e abertura a novas perspectivas; no segundo, ciúme das próprias ideias e ódio sobre as do outro. Sem um pouco de ciúme não se deixa claro a correspondência ativa entre autor e ideia, mas com ódio aquele ciúme se transforma num indicador de que o autor está inseguro e sua ideia precisa de fortalecimento.

A questão é que pouquíssimas pessoas estão preparadas para ouvir aquilo que discordam, uma vez que a ignorância é popularmente vista como negativa (burrice) em vez de animadora constante da procura do conhecimento.

Quem tem segurança do que fala não se esforça para execrar pontos de vista contrários, pois sabe que estes são tão importantes quanto aquilo que defende.

Atribui-se a falta de respeito à pessoa em si e não aos dogmas a ela associados, e isso expõe aquilo que Saramago disse sobre a dificuldade de tolerância:

“Eu acredito no respeito pelas crenças de todas as pessoas, mas gostaria que as crenças de todas as pessoas fossem capazes de respeitar as crenças de todas as pessoas.”

As pessoas possuídas por suas crenças – que parecem ter sensibilidade e vida própria – se mostram reféns da autocrítica, agindo como se apenas seu mundo fosse verdadeiro, e todos os outros representações de mentes estúpidas e degeneradas.

Toda sociedade contém sua horda de proselitistas, para os quais há um caminho uno e correto que viabiliza a sobrevivência da humanidade. Alguns pseudossacerdotes metem-se na vida dos outros com tanta fluidez e indecência que devem ter uma solução definitiva para o bem estar geral na ponta da língua, esperando apenas a demanda para usar a saliva. Por melhor intenção que porventura aleguem, não podem simplesmente oferecer fórmulas universais para problemas que não condizem a todos, nem tratar todos como se motivados pelos mesmos incentivos.

A simulação de um cenário de hostilidade pode ser feita juntando-se política com religião. É como carregar um galão de álcool na companhia de uma fogueira. Vai explodir, não adianta quão descolada e evoluída seja a sociedade. Se o povo não fosse de alguma forma corrupto, os políticos não precisariam trabalhar para representá-los. E se todos fossem moralmente imaculados, os religiosos não teriam espaço para exercitar suas cruzadas contra o mal.

O preconceito começa no julgamento que se tem da observação. A lei seriamente aplicada punirá racismo, homofobia, discriminação, etc, mas não pode impedir tal julgamento, até porque sem ele não haveria necessidade alguma de se fazer justiça.

Em certos casos, a melhor atitude é o silêncio, mas quem decide se é melhor ou não, aquele que não quer ouvir ou aquele que precisa falar? Esse impasse é vivido diariamente no universo da arte.

Os discursos repressores que se lê por aí são abarrotados de certezas de cunho religioso, então não dá para ignorar a influência legisladora que a espiritualidade exerce na mente de seus oradores. A arte está sujeita a perguntas interpelativas, interpretações contraditórias, provocações críticas e à dúvida sistemática, mas tudo isso confronta a natureza da religião. Não é porque um artista rebelde questiona a ordem das coisas que não tenha princípios morais bem fundamentados, como também ele pode não os ter, mesmo se os manifesta. Entrementes, curiosamente a arte é igual a religião em dois aspectos importantes: 1) Quanto mais se a reprime, mais ela cresce; 2) São bem-vindas em épocas de crise.

O artista que intencionalmente insulta seu público não se merece, nem aquele preocupado em receber feedbacks cem por cento positivos. Algumas das obras mais relevantes da literatura foram censuradas em suas épocas de concepção e, embora inúmeros autores tenham sacrificado a própria reputação na luta pela sobrevivência de seus filhos culturais, nunca é alto o preço a se pagar por fazer alguma coisa responsabilizada com a verdade, desde que não fira o livre-arbítrio dos outros.

Nenhum artista em sã consciência deseja ferir seu público, mas nenhuma obra poderá agradar todo o público e o artista, se depende unicamente do agrado dos outros e precisa o tempo todo fugir do constrangimento social, não sai do lugar.

O problema não está na defesa de apologias em si, mas na tentativa obstinada de recrutar apóstolos para validá-las, como se o objetivo do trabalho fosse puramente aceitação, e a sua realização, um ideal terceirizado. A espontaneidade em produzir obras livres da perseguição de uma crítica opressora raramente satisfaz os populares influenciadores de opinião, porque a obtenção de fama fala mais alto e as empresas que representam não são ilhas. Mesmo se o fazem por conta própria, precisam disputar influência para não desanimar.

Entre morrer de fome a vender sua originalidade em troca de sustentabilidade financeira, a quase totalidade de artistas já se vendeu há muito tempo. Alguns não se orgulham disso, outros estão honrados enquanto a família tem o que comer e onde dormir, e o restante já se voltou contra o sistema.

A arte sempre foi atormentada por um dilema antigo do qual comumente se reclama: traz um senso lúdico de vitalidade, mas não um justo retorno financeiro. Basta fazer um levantamento na mídia e se verá que os artistas mais consagrados são os mais ricos. Inimiga do dinheiro desde cedo, a arte gera alguma repulsa nos capitalistas ferrenhos. Para grande parte de seus entusiastas, a arte não enriquece em termos monetários, mas ajuda a curar a pobreza de espírito.

Os jovens versados em artes e que estão para ingressar no mercado de trabalho são pouco ou nada incentivados por seus pais, estes que, com seu olhar profético, adiantam uma era de vacas magras para seus pupilos sonhadores. Eles dizem: “Ideologia não paga as contas”.

Por que a necessidade absoluta de reconhecimento social faz muitos artistas infelizes? A arte, em si, está completamente despreocupada com a fama; ela não tem um senso de vaidade, mas os artistas sim. Os melhores nem sempre são reconhecidos, pois, muitas vezes, o melhor depende dos favores pessoais concedidos e não de merecimento puro.

Se uma manifestação artística não satisfaz as exigências éticas de uma pessoa, e ela deseja recriminá-la até a destruição na tentativa de salvar vidas, domar prazeres esquisitos e varrer a imoralidade da Terra, está oferecendo mais insumos à arte em vez de resolver essas pendências.

Na publicidade, diversas campanhas sensacionais são frequentemente rejeitadas por violarem os parâmetros de censura morais baseados no modelo comportamental de família tradicional, especialmente no Brasil. Os conservadores são criticados, mas o fato é que complicações jurídicas estão em jogo e não dá para batalhar por ideais artísticos “diferentes” sem uma possível má interferência na saúde dos negócios. O lucro é reduzido à medida que os criadores de família – que detêm enorme poder e influência de compra – decidem sabotar o produto. Os anunciantes são castigados em não providenciar o que se espera deles.

Somente quando a fala causa uma violação clara e direta aos direitos humanos fundamentais a censura é justificada; aquém disso, não. O cidadão que convenientemente manipula um dizer a si inadmissível a fim de poder denunciá-lo terá tanta moral para se defender quanto alguém que distorce aqueles direitos em favor dos bons costumes.

O ódio que destilam por aí é tão óbvio que precisaria haver um renascimento literal na Terra para todos se darem conta de que a arte não serve a ninguém além de si mesma. Se a beleza está nos olhos de quem vê e gosto não se discute, muitos estão perdendo seu tempo tentando induzir a adoção de um modo de vida pacificamente perfeito que o próprio mundo estranha desde seu reconhecimento.

A pornografia é um dos casos mais explícitos de como a liberdade de expressão pode ser execrada; quando envolve crianças, então, não faltam razões convincentes que justifiquem a sua censura. Assim como o trabalho infantil escravo é um ataque à dignidade humana, expor crianças à sexualidade contra sua vontade também. Mas, se elas se mostram curiosas a explorar o corpo humano e seus responsáveis permitem que o façam, estes estarão formando estupradores potenciais? Para grande parte dos moralistas, sim, pois pensam que é melhor prevenir que remediar. Parece correto, só não se pode ignorar o fato de que muitos dos pedófilos mais inescrupulosos tiveram uma boa educação sexual familiar quando crianças. Mal caráter não vem do berço. O que estabelece um crime moral não é a má intenção de cometê-lo, mas a má intenção colocada em prática por livre e espontânea vontade. As crianças carecem de discernimento sobre o adequado ou inadequado, ainda mais em se tratando de sexo. A censura se torna inquestionável nesse caso única e simplesmente para preservação de sua integridade.

Deve haver censura de idade e não de tema ou espécie. Senão, os filmes de guerra serão banidos porque a guerra é um impedimento da paz mundial; as músicas de funk serão proibidas porque incentivam a vulgaridade e objetificação do corpo humano; as organizações tabagistas serão extintas porque inúmeras doenças são causadas pelo hábito de fumar; as empresas que comercializam bebidas alcoólicas terão que fechar as portas porque o alcoolismo é capaz de destruir famílias e vidas; a indústria pornográfica terá que cancelar suas atividades para evitar que fantasias sexuais perversas ofendam o ideal de vida puritana.

Se um livro apresenta um conteúdo ofensivo, que se o feche. Se um filme está causando indigestão, que se pare de assisti-lo. Se uma música está provocando sensações negativas, que se pare de ouvi-la. Haverá quem goste. Embora incontáveis materiais artísticos ofendam uma parcela da população, não é motivo suficiente para censurá-los.

A moderação parte também do esforço do consumidor para discriminar o que lhe agrega valor e o que lhe prejudica moralmente. A liberdade de uns sensatos não pode ser prejudicada pela insensatez de outros. Bom senso é que nem sexo: a vontade é tanto maior quanto mais se o pratica, mas sem correspondência externa vai bem a autocomiseração.

Dos preconceituosos que julgam como cancerígenas expressões artísticas destoantes de tudo que perfaz seu fantástico complexo de normalidade não se espera que possam se redimir e, mesmo que o façam, mais provável que seja para pôr em prática alguma outra artimanha a favor de seus dogmas engessados.

5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!

5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!

É muito comum que quando nos inclinamos para a psiquiatria, psicanálise ou psicologia busquemos programas específicos que nos tragam informações precisas sobre a área. No entanto, existem séries que não parecem, mas são bastante ricas do ponto de vista psicológico, quando assistidas sem preconceitos. Pensando nisso selecionei 5 séries que merecem nossa atenção especial. Porque nem tudo é tão obvio quanto parece ser.

1- Meu vestido ideal

contioutra.com - 5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!Aqui vemos o dia a dia de uma loja de vestidos de noiva. Entre dicas de moda, histórias de amor e discussões em família, o programa aponta desafios e dramas vividos pelas noivas e seus familiares na escolha do vestido perfeito. Essa série parece não fazer sentido algum para alguém que não pensa em se casar, mas assistida com um olhar psicológico é bastante atraente. Há muito em comum entre a forma como a noiva se relaciona com o seu vestido e com o noivo escolhido. Quando a noiva não encontra nenhum vestido que a agrade em loja alguma, e há noivas que experimentam centenas de vestidos, pode existir algo que a está incomodando não no vestido, mas em sua relação afetiva. Nesse ponto também podemos encontrar problemas específicos ligados à sua própria autoimagem. Há também na série a chance de analisarmos as interações parentais diante da decisão da noiva. Geralmente o que se desenrola ali é uma micro expressão do que acontece no mundo real.

2- O encantador de cães

contioutra.com - 5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!Essa é uma série apresentada pelo especialista em comportamento canino Cesar Millan. O programa se popularizou com o tempo e com ele o lema de Cesar: “Eu reabilito cães e treino pessoas“. Aqui, o adestrador trata de casos, quase sempre, de cães agressivos ou com alguma fobia. Pode ser que você não tenha cães ou se tem, que os seus animais sejam dóceis e obedientes, no entanto essa série é muito válida para aqueles que desejam entender mais sobre o comportamento, não canino, mas humano. Alguns animais têm características que o impulsionam, em alguns casos, de forma agressiva, para a liderança. O animal vê o dono como membro da matilha e, muitas vezes, assume uma posição de dominância com relação a ele. Assistindo à série é possível notar toda a dinâmica comportamental que existe dentro de um lar. Muitas vezes, o animal se expressa alimentado por medos, fobias e comportamentos do humano com o qual convive. O comportamento do cão pode ser o resultado da dinâmica familiar centrada quase sempre em questões psicológicas.

3- Cada coisa em seu lugar

contioutra.com - 5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!Essa série teve dez temporadas e parou de ser produzida em 2013, mas é bastante interessante do ponto de vista psicológico. Cada coisa em seu lugar, é um programa que, por meio de uma equipe de quatro pessoas, promove o restauro, a limpeza, e a organização de casas, além da venda de itens desnecessários das famílias participantes, quase sempre afundadas em meio a uma imensa bagunça. Durante o programa fica evidente que questões emocionais mal resolvidas levaram os moradores a uma situação de quase colapso. Muitos têm propensão para a acumulação outros tiveram questões emocionais negligenciadas por muitos anos. É comum que os apresentadores conversem com os moradores para orientá-los sobre seus medos, suas manias e ações. A questão da venda de itens desnecessários também remete a um tipo de terapia de desapego, no qual o morador vê seu acumulo revertido em dinheiro para a compra de móveis novos. Psicologicamente essa série é muito rica.

4- Esquadrão da moda

contioutra.com - 5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!Essa série, originalmente americana, apresentada por Stacy London e Clinton Kelly, teve dez temporadas e por lá terminou em 2013. Aqui no Brasil a série de mesmo nome está no ar desde 2009 no SBT e tem como apresentadores Isabella Fiorentino e o stylist Arlindo Grund. Resumidamente o programa recebe vídeos de pessoas cujos parentes estão interessados em vê-las com um novo visual. Muitas dessas pessoas se vestem de forma caricatural e bastante longe do convencional, o que incita a indicação ao programa. No entanto, o que parece uma série específica para quem gosta de moda é também um prato cheio para o estudo psicológico. Durante o programa é possível entender que o estilo criado pelo participante tem a ver com seus receios, inseguranças e fobias e que de certa forma o estilo adotado age, muitas vezes, como uma armadura de proteção para que a persona real não seja alcançada. A mudança de estilo é também uma mudança psicológica que implica no desnudamento não só do físico, mas também do emocional.

5- Quilo por quilo

contioutra.com - 5 séries que você não imagina, mas são altamente psicológicas!Quilo por Quilo é um programa no qual pessoas se voluntariam para receber treinamento físico do instrutor Chris Powell. Os participantes recebem orientação para realizarem uma mudança de vida e perder peso no período de um ano. Nesse programa não há competição para ver quem perde mais peso, o que é bastante estressante do ponto de vista emocional. O que acontece é uma orientação, com muito incentivo, para que o participante tenha um estilo de vida mais saudável. Assistindo a esse programa é possível notar quais foram as questões, quase sempre longe das causas meramente físicas, que levaram o participante a uma obesidade mórbida. Assistindo a essa série fica evidente que a empatia e o apoio emocional são determinantes para que as pessoas se reinventem e consigam caminhar, saudáveis, com seus próprios pés.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain.

Não quero um amor pela metade, quero um amor que mate a minha fome

Não quero um amor pela metade, quero um amor que mate a minha fome

Para de mentir! Não diz que vai ficar, porque, na primeira oportunidade, você vai embora e me deixará aqui. Não sussurra no meu ouvido que me ama, porque não estou preparado para mais uma desilusão. Acho que minha cota de sofrimentos acabou. Estou ficando cansado de me decepcionar e de pessoas que só me fazem sofrer. Sei que me jogo de cabeça, mas qual o problema? Qual a graça de ficar nadando no rasinho?

Não tenho problemas em não saber de tudo. Não preciso de um mapa que me conduza o tempo inteiro. Quero me arriscar a descobrir o que me aguarda do outro lado da ponte. Sei que posso me decepcionar e ficar com raiva pelo tempo perdido, mas prefiro isso a viver uma vida com medo de ser vivida. Então, se você não tem coragem para ficar, por favor, deixe-me sozinho. E não adianta me dizer que eu quero demais de você, porque eu queria você por inteiro e não fragmentos que não matam a minha fome.

Mas, sabe o que eu quero mesmo? Eu quero um amor que me faça sorrir, mas que não desligue o telefone quando sentir a primeira lágrima de um dilúvio de dor. Eu quero um amor que me faça feliz e que esteja bem perto de mim quando eu precisar de um abraço forte para me acalmar. Eu quero um amor que tenha colorido e que me faça sentir aquele friozinho no umbigo. Eu quero alguém que coma chocolate, sem vergonha de lamber os dedos depois.

Eu quero sentir aquele cafuné gostoso enquanto estiver deitado no seu colo. Eu quero um amor temperamental, daqueles que nos permitem fazer loucuras. Não quero alguém que pareça não se abalar com nada, que não sinta ciúmes, que esteja sempre sob controle. Eu quero alguém que possa se descontrolar, que faça com eu me sinta vivo e amado. Eu quero um amor que me faça vibrar com a vida.

Eu quero um amor que sempre possa contar comigo, mesmo quando as angústias pareçam insuportáveis e a alma fraqueje. Eu quero um amor que bagunce a minha vida, porque de nada adianta ter uma sala bem arrumada, sem alguém pra dividir o sofá. Eu quero um amor que tenha intimidade e confidência, para que possamos gargalhar das nossas vergonhas.

Acho que você não quer ter esse trabalho e eu quero me sujar, porque, no amor, não existe facilidade, tampouco tranquilidade o tempo inteiro. Por isso, estou construindo uma jangada, onde só cabe o essencial, para que eu possa navegar pelo oceano, à procura de alguém que, como eu, tenha só uma jangadinha, mas que carrega o essencial, e que esteja disposto a enfrentar as tormentas que o mar pode ter.

Não é que eu seja romântico, só não acredito nessa engenharia sentimental e nesses amores burocratizados, que ficam medindo os níveis de envolvimento. Também não quero nada demais, embora você ache isso. O que quero é alguém que esteja por inteiro comigo e que segure forte a minha mão. Você sempre esteve ausente e nunca teve coragem para me segurar, porque tinha medo de que, se eu caísse, levasse você junto. É isso, cansei do café descafeinado. O que eu quero agora? Ah! Um café forte e bem quente. Sabe como é. Se for para queimar a língua, que seja com algo que valha a pena.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Diário de uma Paixão

A dor emocional é a que mais demora a sarar

A dor emocional é a que mais demora a sarar

A dor emocional é a que mais demora a sarar e é a ferida que ninguém vê. Todos nós temos alguma, ou mais que uma. Contudo, em vez de considerá-la como derrota ou símbolo de fraqueza, devemos aprender a reconhecê-la como parte de nossa essência.

Ao longo do nosso ciclo de vida, temos passado por triunfos e decepções.  Ninguém é imune ao sofrimento,  mas só alguns são capazes de transformar esse sofrimento em aprendizagem: em resiliência.

Mas você não é nem suas derrotas, nem suas perdas.  Você é a pessoa que conseguiu olhar cara a cara à adversidade para enfrentá-la e avançar. Contudo, isso é algo que demoramos em descobrir, porque a dor emocional sempre dói e sempre nos lembra “onde está a ferida”.

A dor emocional que ninguém vê e que todos escondem

Podemos dizer, sem equívoco, que nesta vida existem, geralmente, dois tipos de pessoas:

  • Aquelas que interiorizam sua dor emocional e a vão controlando-a dia a dia com valentia e superação pessoal. São personalidades que não se deixam vencer e que mantêm suas cicatrizes, sabendo que são parte de suas vivências e do que aprenderam.
  • Por outro lado, há aquelas outras  pessoas que fizeram de sua dor emocional a sua amargura pessoal. Se sentem tão feridas que provocam mal estar a quem se encontra à sua volta. Deixam de confiar em si mesmas e nos outros e encaram o dia a dia com negativismo.

Costuma-se dizer que quem não sofreu, não sabe o que é a vida. Contudo, não vale a pena cair nesses extremos. Todos nós vivemos a existência que nos toca e devemos aceitar aquilo que o destino nos traz.

A dor emocional é sempre essa ferida interna que, se não for gerida de forma adequada, pode se traduzir, por sua vez, em doenças. É o que chamamos “somatizar”, ou seja,  quando um problema emocional nos supera, todo o nosso organismo sofre as consequências  até ao ponto de sofrer várias doenças.

contioutra.com - A dor emocional é a que mais demora a sarar

Estas são as mais comuns:

  • Enxaquecas
  • Cefaleias
  • Problemas musculoesqueléticos
  • Dor de estômago
  • Problemas digestivos
  • Insônia
  • Ansiedade
  • Tonturas
  • Náuseas

Todos nós, de alguma forma, já vivemos esses momentos difíceis em que o sofrimento passa do pensamento e do mundo emocional para o nosso frágil corpo.

É inevitável que assim seja, mas isso  não significa que devemos nos render a esse mal estar emocional.  A vida segue seu curso e nós merecemos continuar respirando, continuar com a ilusão da esperança. Explicaremos como você pode conseguir isso.

 

Como gerir a dor emocional no dia a dia 

Você tem o direito a chorar de sentir raiva

Você é uma pessoa e, como tal, necessita canalizar suas emoções.  Jamais siga o conselho daqueles que lhe  dizem: não chore, olhe para frente e esqueça tudo, faça como se nada tivesse acontecido…

  • Desde quando temos de virar a cara aos que nos fazem mal? Nunca. Se deve olhar o inimigo cara a cara, compreendê-lo e saber por que prejudicou você. Para fechar uma etapa necessitamos “entender, compreender” e não fugir.
  • Chorar é algo necessário, higiênico e saudável. Assim como sentir raiva e irritação. Tudo isso recebe o nome de  desabafo emocional e, como tal, deve ser vivido durante um curto período de tempo.
  • Quem não desabafa não “descarrega” e isso, a longo prazo, traz consequências.

    Você tem o direito de se priorizar

    Você não só tem o direito de se priorizar, como também é sua obrigação se permitir aquilo que quer e necessita.

    • Necessita de tempo? Dê umas semanas para si mesma.
    • Necessita se sentir útil? Tome suas próprias decisões e defina novos objetivos que a motivem.
    • Necessita de ser feliz? É possível que existam coisas no seu dia a dia que você deva deixar para trás. É o momento de refletir e tomar decisões.

    Acabou de “se encontrar consigo mesma”. Agora você deve “se reinventar”

    Passamos grande parte de nossas vidas procurando “encontrar a nós mesmas”. Agora que você já teve algumas experiências, que já fez suas aprendizagens e que já viveu a dor emocional de várias maneiras, é o momento de se “reinventar”.

    • Você sabe como é. Agora se pergunte que tipo de pessoa você gostaria de ser: Alguém mais forte? Mais seguro? Alguém capaz de alcançar seus sonhos?
    • Para nos reinventar, necessitamos alimentar novas esperanças e ilusões. Nunca é tarde para fazer mudanças, para pegar de novo esse trem que um dia deixamos passar.
    • Se rodeie de pessoas que favoreçam o seu crescimento pessoal, que a ajudam e que não levantam obstáculos à sua identidade ou autoestima.

    A dor emocional se supera com novas ilusões, com novos alentos e esperanças. São feridas internas que cicatrizarão pouco a pouco e que a cada dia doem um pouco menos.

    O desabafo emocional deve ser pontual e não ir além de duas semanas. Se passarmos todo o mês chorando e nos deixarmos levar pelas emoções negativas, corremos o risco de cair em uma depressão. Essa seria uma hora de pensar em procurar ajuda.

Fonte indicada: Melhor com saúde

Imagem de capa: pecaphoto77/shutterstock

Gosto dos amigos que respeitam o tempo, o silêncio e o espaço

Gosto dos amigos que respeitam o tempo, o silêncio e o espaço

Meus melhores amigos podem ser contados nos dedos de uma mão. São poucos, mas são grandes, com sentimentos sinceros e sem duplos sentidos. É uma amizade cúmplice, altruísta, que não sabe de chantagens, que se oferece com liberdade para incentivar, para fazer minha vida mais completa…

E você, quantos amigos tem?

Há quem se orgulhe de ter uma enorme quantidade de amigos, nomes que coleciona nas redes sociais, pessoas que mal conhece e que, no entanto, são aquelas que sempre lhe oferecem uma “curtida” em cada uma de suas publicações.

Os bons amigos não são só nomes e fotografias nas agendas de nossos celulares. São pessoas que atenden nossas palavras e sabem interpretar nossos gestos.

São vidas que se encaixam em nossos cantos vazios, vozes que enchem nossos espaços nos maus e bons momentos, são risadas que relativizam os problemas e pessoas com as quais construímos nossos dias.

Entretanto… como poderíamos definir os bons amigos? Não pense em favores. A amizade não deve se basear somente em “Um dia você me dá, no outro eu te dou”. Às vezes, além do apoio, da diversão ou da ajuda mútua, uma boa amizade, uma GRANDE amizade, baseia-se também no silêncio, no espaço e no tempo.

Vamos refletir sobre isso.

A linguagem dos silêncios

Certamente isso já aconteceu com você alguma vez. Estar em uma reunião com outras pessoas e sentir um verdadeiro incômodo quando surge um silêncio no grupo.

É aí então que fazemos aqueles comentários vazios e ocos com os quais aliviamos o vazio das palavras, que os rostos são examinados sem saber muito bem o que fazer.

É algo que não acontece somente com desconhecidos. Há vezes em que sentimos esse mesmo incômodo com alguns familiares ou com companheiros de trabalho.

É como se o silêncio abrisse as portas para estes pensamentos calados que nos causam medo… “Será que a pessoa está me julgando?” , “O que será que ela está pensando sobre mim?”

Isso não acontece com os bons amigos. Poderíamos dizer também, e como uma reflexão, que as pessoas praticam muito pouco o valor do silêncio.

Lá onde as almas repousam tranquilas, onde a cumplicidade adquire seu autêntico sentido. Somos pessoas que não precisam das palavras para estarmos unidas, para nos sentirmos bem. Os silêncios são cômodos com as pessoas de quem gostamos porque nos permitimos ser nós mesmos, com toda nossa autenticidade, sem sermos julgados.

O silêncio une corações e relaxa nossas mentes.

 

A inexistência do tempo…

“Mas o que está acontecendo com a sua vida…? Parece que você se esqueceu de todo mundo, você sempre está na sua e não se lembra dos demais! Você sumiu!”

Pode ser que alguma das suas amizades seja desse jeito. Você deixou passar um dia de “incomunicação” sem nenhuma razão, simplesmente porque queria ou porque você não se vê obrigado a ter que estar em contato constantemente. E pouco a pouco aparecem as reclamações.

É assim, tem gente que não entende esse tipo de coisa. Há quem pense que a amizade é um noticiário que temos que “atualizar diariamente”, onde temos que comunicar cada coisa que fazemos e pensamos.

No momento em que aparece a pressão da obrigatoriedade, nos sentimos um pouco assediados. Porque quem não respeita um tempo de privacidade e, inclusive, de desconexão, não entende o autêntico valor da amizade.

Há pessoas que, seja por razões pessoais ou de trabalho, ficam distantes durante meses ou até mesmo anos, no entanto, ao se reunirem novamente, a mágica da cumplicidade que tanto aquece nossos corações continua existindo. É como se o tempo não tivesse passado, porque o sentimento continua o mesmo.

Isso já lhe aconteceu alguma vez?

Espaços próprios, espaços comuns

Poderíamos dizer que o problema básico é que muita gente não controla de modo adequado a solidão, suas emoções, nem respeita os espaços pessoais.

Todos nós temos ou tivemos aquelas amizades que precisam estar em contanto constante para compartilhar um pensamento, um medo, uma ansiedade… E, de fato, nós costumávamos dar tudo o que tínhamos para atendê-las.

Pouco a pouco fomos compreendendo que essa pessoa disponia de uma escassa habilidade para controlar seus próprios problemas, até o ponto de projetar nos demais seus medos e sua negatividade.

E, sem dúvidas, damos tudo por eles, mas com um limite: que respeitem nossos espaços pessoais, nossa identidade e nosso equilíbrio emocional.

Apesar de tudo, as pessoas não têm motivos para viver com as pedras que os outros encontram em seu próprio caminho, porque fazer isso, unir tais problemas aos nossos, fará com que seja muito complicado avançar.

As verdadeiras amizades não devem oferecer cargas nem serem tóxicas. Devem harmonizar nossa vida como companheiros de viagem, como confidentes que sabem respeitar espaços, tempos e silêncios. Os bons amigos sempre vivem do lado mais autêntico do nosso coração.

Texto original em espanhol de Valeria Sabater.

Fonte indicada: A Mente é Maravilhosa

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