Só o amor adianta. O resto é atraso.

Só o amor adianta. O resto é atraso.

Dia desses, viajando para a capital, dei de observar a pressa dos motoristas que costuram de uma faixa a outra, pressionam quem vai à frente acendendo e apagando o farol alto como quem descarrega uma metralhadora, aceleram acima do limite, transformam o caminho numa corrida tensa, inútil, perigosa.

Em minha frente, vejo um quase desastre: um sujeito num carro veloz ultrapassa em zigue-zague seis outros carros em seis segundos, da esquerda para a direita, da direita para a esquerda, e quase se choca com um caminhão.

Por que será que essa alma corre tanto? Para onde vai tão rápido? Será que leva a bordo uma moça grávida em trabalho de parto, um acidentado carecendo cuidado médico, um parente urinando nas calças? Terá ele alguém querido à sua espera e a saudade é tanta que lhe pressiona o pé contra o acelerador?

Quem sabe seja alguém importante, muito aguardado em uma reunião que vai determinar os rumos da humanidade, por isso não pode se atrasar de jeito nenhum, sob o risco de provocar a terceira guerra mundial. Pode ser ainda que ele tenha o pai na forca, prestes a ser estrangulado, e precisa chegar a tempo de tirar o velho de lá.

Mas é quase certo que seja nada além da sanha de se adiantar aos outros, de não ficar atrás, de fazer valer o investimento por um motor de tantos cavalos. Ou nada disso. Pode ser só um irresponsável que saiu de casa mais tarde e agora corre para não chegar atrasado ao trabalho. Então arrisca a própria vida e a dos outros na estrada para não chatear o chefe.

Sei não. Mas eu acho que essa pressa toda, essa corrida assassina que mata tanta gente no trânsito não passa de uma descarada falta de amor. Aqui pra nós, uma tragédia causada por um motorista que excedeu o limite de velocidade, fez uma ultrapassagem proibida, bebeu e dirigiu ou cometeu qualquer outra infração não é um acidente. É um crime. Seu autor sabia muito bem o que estava fazendo. E todo crime é, no fundo e na prática, uma bruta ausência de amor.

Eu tenho a impressão de que um pouquinho só de sentimento amoroso não deixa ninguém fazer burrice na estrada nem em lugar nenhum. Quem tem amor de verdade a alguém, ao seu trabalho, sua família, seus amigos ou à própria vida não vai arriscá-la por meia hora a menos no trânsito. Quem ama não quer chegar mais cedo a qualquer custo. Quem ama quer chegar. Exceto se for uma besta colossal, um estúpido completo, um asno incapaz de reconhecer o que de fato importa. Aí é outra história.

Todos temos pressa, prazos, horários, afazeres, compromissos. E de nada adianta se não fizermos tudo com o mínimo de amor. Gente amorosa faz melhor o que se propõe a fazer e se recusa a fazer o que não deve, o que atenta contra si mesma e contra os outros, o que renega aquilo em que ela acredita.

Quem sente amor aprende a fazer o que é certo, a viver em seu tempo, a cuidar de sua vida sem prejudicar a dos outros, a lidar com a própria pressa e aceitar que correr contra o tempo é inútil, porque o tempo sempre vence. Melhor andar a favor dele, com firmeza, com cuidado e com amor. Porque só o amor adianta. O resto é atraso. Todo o resto sem amor é o maior atraso.

Imagem de capa: g-stockstudio/shutterstock

Os signos do zodíaco classificados do mais difícil de amar até o mais fácil

Os signos do zodíaco classificados do mais difícil de amar até o mais fácil

1- Virgem

Virginianos são indiscutivelmente os mais auto-suficientes de todos os signos do zodíaco.

Eles também tem uma abordagem muito analítica e administrativa da maioria dos relacionamentos.

Mesmo que não seja intencionalmente, as pessoas do signo de virgem mantém um pé atrás de todas as pessoas, até terem certeza de que podem confiar nelas. Dessa forma, não são pessoas fáceis de amar.

Para que um virginiano ame alguém, ele precisa se abrir, o que não é de sua natureza.

Uma vez que eles o fazem, se tornam parceiros incríveis, mas definitivamente pode demorar algum tempo para chegar lá.

2. Escorpião

Escorpianos são os reis e rainhas em não saberem o que querem.

Eles flutuam entre o frio e o quente como loucos, o que os tornam bastante difíceis de ler e, consequentemente, de se relacionar emocionalmente.

Um escorpiano pode ser um parceiro incrivelmente seco e, por isso, muitas vezes eles estão entrando e saindo de relacionamentos.

Francamente, até que um escorpiano amadureça emocionalmente, eles simplesmente não estão prontos para um relacionamento real.

3. Sagitário

Não há nenhum signo mais impulsivo que um sagitariano.

De certa forma, isso os torna parceiros muito interessantes, pois você nunca ficará entediado. Mas, por outro lado, é quase impossível chegar e estabelecer um relacionamento com um sagitariano.

Eles estão constantemente perseguindo a próxima coisa, a próxima aventura, a próxima adrenalina. Eles são terríveis quando estão imóveis, apenas existindo.

Isso não é muito propício a relacionamentos. Um sagitariano só se sente satisfeito quando encontra alguém que não o persiga, mas também corra ao lado dele.

4. Aquário

Aquarianos são naturalmente reservados, pessoas privadas.

Eles não estão inclinados a se abrirem, e deixar as pessoas se aproximarem não está em sua natureza.

Pode ser realmente difícil ler um aquariano que mantém essa distância entre ele e o resto das pessoas.

Um aquariano precisa de alguém que realmente os faça se sentirem confortáveis em ir com tudo e se apaixonar.

5. Capricórnio

Capricornianos são a imagem perfeita de praticidade, eficiência e trabalho duro.

Embora isso os torne incrivelmente confiáveis para um empregador ou colega de trabalho, também pode significar que eles abordam cada relacionamento como um transação comercial.

Nenhum parceiro quer sentir como se estivesse sendo questionado sobre seus prós e contras.

Um capricorniano precisa aprender a confiar tanto no coração quanto na razão, a fim de encontrar um amor real e duradouro.

6. Gêmeos

Geminianos têm a fama de serem indecisos e excessivamente emotivos.
De certa forma, isso é verdade e torna a comunicação com eles cansativa, mas também significa que eles amam com todo o coração e colocam muita fé no que sentem.
Quando um geminiano ama, ele vai com tudo. Não se segura em absolutamente nada, se entregam completamente a seu parceiro.
Isso pode ser um pouco intimidador: ser amado desse tanto. Mas esse nível de vulnerabilidade é algo para se recomendar para alguém.

7. Leão

Não há um signo tão dinâmico e cativante como o signo de leão.
Leoninos são incrivelmente independentes, confiantes e seguros de si mesmo.
Portanto, é importante para quem está com um leonino reconhecer que ele nunca precisará de você.
Mas eles são de um signo tão mágico que é impossível não se sentir atraído por eles. Leoninos tornam tudo mais emocionante e envolvente, por isso não é surpresa que todos o amem.

8. Áries

Ativo, excitante e um sinal de paixão. Arianos tornam seu parceiro o centro do seu mundo.

Eles priorizam seus parceiros e fazem o melhor para serem tudo para eles. Um ariano se esforça para estar presente em qualquer coisa que seus parceiros precisem.

Quem pode não amar alguém assim?

9. Touro

Simplesmente, não há um signo tão fiel e firme como o signo de touro.

Quando um taurino ama alguém, eles estão lá para algo de longa duração. Eles são completamente dedicados e comprometidos com as pessoas que amam.

Um taurino não deixa nada para a imaginação, nada pode permanecer em qualquer tipo de área cinzenta. As cartas estão na mesa e você sempre terá uma ideia clara sobre elas.

Esse tipo de devoção e lealdade é raro de se encontrar e, quando se encontra, não é algo fácil de largar.

10. Libra

Tudo que um libriano quer é que todos estejam contentes e felizes.

Isso serve para praticamente todas as pessoas da Terra, mas especialmente para pessoas por quem eles estão apaixonados.

Um libriano se curvaria para trás para se certificar que seu parceiro está bem. Eles farão qualquer coisa para fazer seu amor mais feliz.

Eles são fáceis de amar porque eles te mostram o tipo de amor que é possível obter de outra pessoa, e isso é algo que vale se esforçar para imitar.

11. Peixes

Piscianos possivelmente tem o mais amável coração de todo o zodíaco. Ele sentem profundamente, são só emoção, e não tem problemas em expressar o que precisam das pessoas que amam.

Um pisciano caminha pelo fogo e volta para agradar a pessoa que ama. É esse tipo de amor que você só experimentará uma vez na vida.

12. Câncer

Cancerianos são os maiores criadores e cuidadores, os mais propensos a amar incondicionalmente de todo o zodíaco.

Eles são muito indulgentes e pacientes. Você pode sempre contar que eles estarão lá por você, dia ou noite, não importa as circunstâncias.

Um canceriano exemplifica perfeitamente o que o amor deve parecer. E, por sua vez, como nós todos deveríamos nos amar.

Este artigo é uma tradução do Awebic do texto originalmente publicado em Thought Catalog escrito por Claire Windsor.

A postagem é categorizada por nós meramente como entretenimento.

Imagem de capa:  Martins Vanags/shutterstock

Eu tinha um medo… mas ele se perdeu no meio das minhas coragens bagunceiras!

Eu tinha um medo… mas ele se perdeu no meio das minhas coragens bagunceiras!

Se a gente não fica atento, acaba criando medos de estimação. Acaba acreditando que é normal nos submetermos às ditaduras alheias acerca daquilo que somos ou não somos capazes de fazer, enfrentar, criar, guardar, alimentar ou deixar ir.

Se a gente não aprende a dar valor às nossas pequenas e grandes habilidades, fica perdido no meio das limitações ou autolimitações e termina por deixar passar oportunidades de escolha; oportunidades que nos livrariam das inúmeras ciladas a que nos candidatamos por inexperiência, teimosia ou falta de amor próprio.

Se a gente não se arrisca, fica boiando naquele lugarzinho do mar, da lagoa, do rio ou da piscina, onde a água não muda de tom, onde os nossos pés ainda alcançam o chão, e onde não há possibilidade nenhuma de mergulho, sob o risco de rachar a cabeça no percurso, por absoluta falta de profundidade.

Se a gente não aprende a dar umas boas enquadradas naqueles que vivem louquinhos para nos aprisionar, é bem capaz que nos transformemos em bonecas ou bonecos de teatro, daqueles que são movidos por cordinhas, absolutamente incapazes de irromper as bolhas de contenção de uma dinâmica de relacionamento que aprisiona e cala.

Se a gente não descobre, lá bem no fundo, do que é que a gente é feita, afinal; para que é que a gente vive, afinal; em direção a que, que vivemos correndo… corremos é o sério risco de nos acostumarmos a uma paisagem que nunca muda, a uma música que se repete eternamente, a uma vida sem risos à toa, sem frio na barriga, sem calor no peito; sem gosto, sem cheiro e sem cor.

Se a gente não olha bem nos olhos profundos dos medos que nos impedem de ir além, acabaremos fechando os nossos próprios olhos, privando-os das imagens ricas e coloridas dessa viagem única que é nossa jornada nesse planeta.

Acabamos ficando quietinhos, bonzinhos, mansinhos, obedientes demais… até que deixamos de nos importar com o excesso de perdas, a falta de ganhos e o vazio no peito.

Eu bem que tinha um medo guardado aqui dentro… mas ele se perdeu de mim, no meio das minhas coragens bagunceiras. Ele não me reconhece mais, porque já não há mais nada em mim que o atraia, que o faça sentir-se em casa, que o acolha nos meus espaços sagrados de transformação. O medo que eu tinha, ainda menina, deve ter morrido de medo da mulher que eu fiz brotar dali, deve ter aprendido a correr para longe. E mesmo que, se algum dia, ele tenha a infeliz ideia de voltar… não encontrará nenhuma pista de mim, porque o caminho que me alcança agora só aporta coragens leves, ousadias breves e uma vontade infinita de voar.

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Amelia Earheart”

O primeiro animal que você vê nesta imagem determinará sua personalidade

O primeiro animal que você vê nesta imagem determinará sua personalidade

A personalidade é composta por uma série de traços que se encontram de uma maneira única e revela sua verdadeira personalidade.

Mas há sempre uma característica central ou o traço primário, que caracteriza o comportamento e a atitude geral de uma pessoa. Essa característica principal determina o tipo de pessoa que você é e como você se comportará em uma situação particular. Sua personalidade treina sua mente para ver as coisas da maneira que você quer que elas apareçam. É um truque que a mente desempenha, mas não de uma forma prejudicial.

Aqui, temos uma ilustração para descrever como ela funciona e como sua mente te engana para ver as coisas baseadas em sua personalidade. Vá em frente, que animal você vê primeiro?

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Pronto? Vamos ver:

Cavalo

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Se o cavalo foi a primeira coisa que você viu, você certamente é um dos ambiciosos. Selvagem e livre, você está destinado a ter sucesso. Você nunca rejeita o trabalho e você não é um daqueles que ficam longe de uma luta. Você está em contato com seu eu interior e está pronto para se destacar. Sua personalidade é sempre a mesma: exemplar, honesta e motivada.

Galo

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Se a primeira coisa que você viu foi um galo, a principal característica de sua personalidade é a perseverança. Um galo não é domesticado por qualquer padrão, é rápido, inteligente, persistente e apesar de seu corpo pequeno, galos são conhecidos por serem criaturas ferozes. Você como eles, pode parecer inofensivo na aparência, mas quando importa, há poucos que podem lutar como você.

Caranguejo

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Duro por fora, macio por dentro. Se a primeira coisa que você viu foi um caranguejo, você compartilha este traço desta criatura. Os caranguejos também são conhecidos por serem extremamente leais. Você sempre colocou as necessidades de seus entes queridos à sua frente enunca em seus pensamentos mais sombrios considerou trair aqueles que confiam em você.

Louva-Deus

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O Louva-a-Deus é professor dos sentidos e da paciência. Ele pode permanecer imóvel durante horas, esperando sua presa e agindo sem aviso para caçá-la. Se um Louva-a-Deus foi a primeira criatura que você viu, então você tem instintos muito fortes. Sua voz interior guia você e está claramente em contato com o seu eu primitivo. Você vai pelos seus objetivos e, na maioria das vezes, você consegue o que deseja. Você é o mestre de seu domínio e, como o Louva-a-Deus, há um espírito de luta que você carrega dentro de ti.

Lobo

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Você é um guerreiro solitário que caminha com a alcateia. Sabe-se que os lobos vivem em bandos, mas também são criaturas solitárias, vagando por ambientes selvagens, sem medo e com ferocidade. Se a primeira coisa que você viu foi o lobo, as chances são de que seu ser interior seja tão feroz e ousado quanto o de um lobo. Você pode andar em uma multidão, mas sua personalidade sempre se destaca. Ser um lobo pode ser uma experiência emocionante como uma questão solitária, mas você está preparado para lidar com tudo.

Cachorro

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Leal, corajoso, protetor e verdadeiramente altruísta, todos sabem os traços associados aos cães, mas há realmente poucos que realmente possuem esses traços. Se a primeira coisa que você viu foi um cachorro, você pode ter certeza de que você é uma das poucas pessoas que podem ser todas acima ao mesmo tempo. Você pode ser leal, mas feroz, generoso e amoroso, protetor e brincalhão ao mesmo tempo. Você tem uma mistura das características mais raras e incríveis do mundo e não é surpreendente que você seja amado por todos os que tiveram a oportunidade de conhecer você.

Ave

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Selvagem, livre e feito para voar nos céus. Se você viu pela primeira vez o pássaro, isso significa que você também está focado e totalmente orientado para o que deseja. Você nunca desiste de suas decisões e, uma vez que você tenha o objetivo em mente, o que mais deseja na vida, você irá diretamente para agarrá-lo e voar com ele, na parte mais alta dos céus, além do alcance de qualquer um.

Borboleta

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Aqueles que veem a borboleta têm uma habilidade para adaptar-se rapidamente às mudanças e perseverar em primeiro lugar. Se você escolheu este animal, você tem um lado profundamente suscetível e você está em contato contigo mesmo. Sua excelência brilha a cada minuto e traz felicidade a todos os que têm a sorte de conhecê-lo.

Pomba

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O Pombo é a imagem incessante da paz, por isso, se essa excelente criatura plumada chamou sua atenção, isso significa que você está consciente de que, ocasionalmente, a abordagem mais ideal para alcançar o que você precisa neste mundo é espalhar suas asas e entregar-se ao aprendizado que a brisa transmitirá para você, desde que tenha a coragem de voar.
Os indivíduos que veem o pombo são provavelmente os mais delicados do planeta. Eles irradiam uma natureza de inocência que atrai um grande número de pessoas.
Nota: testes como esses, amplamente difundidos pela internet, devem ser considerados meramente entretenimento e não substituem a avaliação de um profissional.

Ao casar-se certifique-se de que o escolhido entenda de companheirismo

Ao casar-se certifique-se de que o escolhido entenda de companheirismo

Ainda hoje existe no ar uma ideia, controversa, de que ao casar a mulher ganha um marido e com ele todos os afazeres relacionados ao lar e aos filhos. Ainda hoje vigora uma ideia idílica de que essa mulher cresceu em um ambiente a parte, recheado de compotas de doces por todos os lados e que o serviço de casa é algo compulsório assim como o canto da noviça rebelde. Sinto desapontá-los. Não, não é.

Maridos que se comprometem a dividir as tarefas do lar ainda são raros. Encontramos uma infinidade deles que, de vez em quando, resolvem fazer algo, ou melhor, ajudar, mas se você já leu o texto “Eu não ajudo minha esposa” deve saber que uma ajuda implica na ideia de que a obrigação é do outro, sendo essa ajuda quase sempre um “plus” e não um comprometimento de iguais.

Agora imaginem uma cena: um homem e uma mulher recém-casados acordam em um belo dia de sol e ela vai até a cozinha, por vontade própria, preparar um café da manhã delicioso e o leva até o marido na cama. No outro dia, o marido pergunta onde está o café dele. No dia seguinte ele exige que o café esteja na cama sem demora e a mulher que, à princípio, acreditou que o marido fosse um companheiro, se vê em uma situação desconfortável e desanimadora de “ter” que fazer algo que antes era uma doce opção. Com o tempo aquela atmosfera de amor se transforma em uma cheia de ressentimentos e o café, antes com gosto de carinho, passa a ter um gosto amargo de desapontamento.

As mulheres não nascem com facilidades inatas ligadas às atividades do lar. Não tem mãos mágicas que cozinham melhor ou mais rápido que as mãos masculinas. As mulheres foram condicionadas ao lar por anos, por conta de contratos sociais e, infelizmente, ainda hoje em tempos nos quais a união por amor é gritada aos quatro ventos, ao descobrirem que se casaram com alguém que efetivamente não pretende dividir a vida e as tarefas dela com igualdade, acabam por assumirem sozinhas todas a funções do lar.

Por isso eu lhe peço, ao pensar em se casar certifique-se de que o escolhido, antes de querer ser seu marido, tenha no íntimo, a certeza de que será um companheiro. Alguém que não se comporte como visita em sua própria casa, que saiba que uma união determina responsabilidades para ambos os lados. Alguém que participa de ocupações, atividades, e aventuras ao seu lado e que sabe que uma ajudinha em casa, de vez em quando, está bem longe do ideal.

Quando limpar a sujeira varrida para baixo do tapete for tarefa de todos, homens e mulheres juntos, tocaremos o cerne de um amor respeitoso e gentil. Do contrário ainda estaremos vivendo as desigualdades de um mundo de faz de conta no qual um belo elefante branco é comemorado com júbilo, como um presente real maravilhoso, mas que com o tempo leva o presenteado fatalmente à exaustão.

Acompanhe a autora no Facebook pela sua comunidade Vanelli Doratioto – Alcova Moderna.

Atribuição da imagem: pexels.com – CC0 Public Domain.

 

A minha depressão não é frescura

A minha depressão não é frescura

“Levante aí da cama, dê um jeito”. “Seja forte”. “Não dá pra viver desse jeito, acorda pra vida”.

Eu

sei

disso.

Eu sei que preciso levantar cedo, sentir o amargo do café na boca, arrumar a cama e tomar um banho. Mas se você realmente soubesse como eu me sinto, saberia que essas tarefas se tornam trinta vezes mais difíceis de se realizar quando as sombras invadem a minha história. Eu já não consigo sair de casa como ultimamente e tenho ouvido bastante que não é pra tanto, já que tenho a faca e o queijo na mão. Eu bem queria ser feliz com pouca coisa, rir por bobagens, falar por horas sobre as coisas mais mirabolantes do mundo… mas eu simplesmente não consigo. Não consigo sorrir nem pra foto nem pra quem está comigo. Não consigo sair da cama sem sentir que estou levando um elefante comigo. Eu queria, na verdade, ficar 24h por dia na minha cama, já levanto pensando na hora de voltar pra lá.

Se soubessem que eu sei a essência de cada uma das frases que usam pra me colocar pra cima… eu sei que preciso ser forte, eu sei que preciso levantar, eu sei que preciso tomar banho. Eu sei. Eu só não consigo realizar essas tarefas como se fossem simples, porque pra mim não são. Eu gasto toda a minha energia fazendo o básico, eu não consigo me sentir bem por ter esse tipo de dificuldade. Dói ver a vida passando, as pessoas evoluindo e eu aqui sem conseguir criar coragem para fazer o básico do básico.

Quando me pedem pra ser mais forte, eu tenho vontade de dizer que se eu assim fosse, não estaria nessa. Em alguns momentos fica impossível ser forte. Em alguns momentos as pessoas precisam desabar até mesmo pra crescer (e é uma pena que algumas pessoas precisem disso).

Quando me pedem pra fazer mais uma forcinha, eu tenho vontade de chorar alto, gritar por socorro e esperar que alguma ajuda caia do céu, porque é minha única esperança.

Quando me pedem para acordar pra vida eu tenho vontade de descrever como eu a enxergo e tudo que ela me ensinou na marra. Eu não quero acordar para uma vida como a minha, é tão simples.

As pessoas não entendem que é difícil demais viver uma vida com a sombra da depressão e seus outros transtornos. Tem momentos em que é difícil respirar, se mexer e até mesmo pensar – porque dói. E dói muito, dói em todas as partes do corpo. E é uma dor sobre a qual não temos controle, assim como uma dor de cabeça ou uma dor de estômago. Só que essa é muito mais persistente e geralmente não é tratada com a seriedade que devia ser tratada.

Eu quero melhorar, sabe. Eu não quero ficar no fundo do poço nem viver o resto dos meus dias tirando forças de onde nem sei só pra tomar um banho, comer um prato deou até mesmo sair de casa. Eu não quero conviver com essa doença pra sempre, mas no momento eu preciso de um pouco de compreensão. Um pouco de carinho e de atenção também seriam bem vindos. Quando eu me sinto vulnerável, eu só preciso de um abraço. Quando eu me estresso, só quero alguém pra ouvir minhas preocupações. Quando ninguém me ouve, eu só queria um mega fone pra poder desabafar. Quando eu me sinto mal, eu só preciso de um ombro amigo. E não tô pedindo nada demais, porque eu quero o respeito a minha atual condição. Eu preciso de um pouco de paciência, por tempo indeterminado, pelo menos enquanto eu exercito a minha.

Médicos, terapias, espiritualidade… tudo isso pouco adianta se as pessoas ao redor não entenderem que o que aparenta frescura é dor, é exaurimento de forças, é sofrimento.

Imagem de capa: Tam Patra/shutterstock

O perdão alivia o coração, mas não apaga o erro

O perdão alivia o coração, mas não apaga o erro

Humanos que somos, será inevitável errarmos e sermos vítimas de equívocos alheios. Errar faz parte da natureza humana, sendo extremamente útil em nosso aprimoramento pessoal, no fortalecimento de nossas convicções e em nossa busca pela realização dos sonhos que acalentamos diariamente. Depararmo-nos com erros nossos ou de outrem será algo constante em nossas vidas; caberá a nós encontrar a melhor maneira de lidar com isso tudo em nosso favor.

A melhor forma de enfrentar os equívocos que nos rodeiam é refletir sobre as causas que culminaram nas situações desagradáveis que teremos pela frente, de modo a corrigirmos nossos comportamentos e atitudes, para que não voltemos a cometer os mesmos erros. Da mesma forma, essa reflexão nos ajudará a nos afastarmos de pessoas e de situações que venham a nos colocar em meio a situações embaraçosas e desgastantes.

Infelizmente, quando magoamos ou somos magoados, acabamos acumulando um peso emocional incômodo, que de uma ou de outra maneira, emperra o caminhar sereno, o seguir em frente desanuviado e tranquilo. E jornadas intranquilas fatalmente não se completam, pois não se revestem da verdade necessária ao nosso crescimento diário. É preciso enfrentar essa escuridão, adentrando em seus porões, para clareá-la, no sentido de podermos deixá-la realmente para trás.

O perdão, nesses casos, será a arma mais acertada contra esforços inúteis de enterrar uma verdade que sempre teimará em nos lembrar do mal que fizemos ou de que fomos vítimas. Perdoar, no entanto, nem sempre significa a retomada de tudo como era, do amor como já foi um dia, da amizade tal como nos parecia inabalável. Ninguém nem nada permanece igual após ser alvejado pela carga avassaladora das decepções, da quebra de promessas, da traição, da falsidade, da maldade enfim.

Mesmo que doa, será preciso voltar aos lugares onde fomos feridos, para reviver e encarar o fracasso dos sonhos, as lágrimas da decepção, a nossa impotência diante da maldade do outro, bem como da maldade que dentro de nós cede terreno às nossas fraquezas. Será necessário assumirmos a parcela de culpa que nos cabe pelas tempestades que desabam sobre nossas cabeças, para que nos libertemos definitivamente das amarras emocionais que atravancam o nosso prosseguimento.  Será urgente, sobretudo, perdoar-se.

Somente após nos perdoarmos, entendendo e aceitando nossas limitações e nos conscientizando das mudanças necessárias, estaremos prontos a perdoar a quem nos magoou, nos feriu, nos usou, debilitando o nosso melhor de forma mesquinha. Perdoar nos retira da posição de vítimas, pois assim retomamos de volta o rumo de nossas vidas. Perdoar nos alivia a alma, tranquiliza-nos o coração, suavizando-nos as dores e devolvendo ao outro a carga de responsabilidade que é dele tão somente. Somente assim nos libertamos do que nos fere para prosseguirmos.

Poderemos tentar continuar sem digerir os fardos que nos assolam, sem enfrentar aquilo que nos desagrada, mas então nossos passos muitas vezes parecerão se arrastar sob o peso de algo que teimará em incomodar. Inegavelmente, perdoar a si mesmo e perdoar o semelhante nos trará a lucidez e a tranquilidade necessárias e imprescindíveis para que possamos continuar buscando a felicidade, mesmo que em outras paragens, junto a novas amizades, novos amores, mas sempre ao som das batidas harmoniosas de nosso coração.

Imagem de capa: Tymonko Galyna/shutterstock

Não aceite qualquer companhia por medo de ficar só.

Não aceite qualquer companhia por medo de ficar só.

Crescemos embalados pelos contos de fadas, por filmes e romances que idealizam um mundo onde os romances idílicos permeiam todo e qualquer enredo, passando-nos a mensagem de que necessitaremos encontrar o amor de nossas vidas, caso queiramos ser felizes para sempre. Não que essa procura seja inútil, mas tornar a presença de um companheiro como condição imprescindível à nossa felicidade pode acabar nos levando ao distanciamento do que nos preenche a essência, para que aceitemos menos do que merecemos ao nosso lado.

Todos queremos encontrar nossa cara-metade, alguém que esteja ao nosso lado, de braços abertos, ao final do dia, ajudando-nos a recobrarmos as forças para os amanheceres vindouros. Todos necessitamos de um companheiro para partilhar tudo o que temos dentro de nós e transborda, para receber em troca verdades que venham ao encontro de nossos sonhos e desejos. Sempre foi assim e assim o será, não se foge a isso.

No entanto, a ânsia por encontrar esse amor jamais poderá ser maior do que o nosso amor-próprio, do que as convicções que nos constituem e constituem nossa humanidade, nosso respirar. Lançarmo-nos ao encontro de uma união desigual, sem contrapartida, sem retorno de toques ou de sentimentos, desconstruirá as bases que sustentam as verdades que nos consolidam o caminhar seguro e tranqüilo. Aceitarmos que a escuridão alheia ofusque-nos o brilho que temos e ansiamos por irradiar nos afastará de qualquer possibilidade de sermos felizes.

Antes de tudo, é necessário que solidifiquemos os propósitos que alimentam as nossas esperanças, para que não nos sujeitemos a abrir mão do nosso viver, em favor de uma companhia aviltante, mesquinha, indigna de nossa grandeza. Precisamos nos amar, praticar o bem-me-quero, fortalecendo nossas certezas contra os quereres alheios que não nos somam, não nos agregam, não nos amam verdadeiramente.

Estar sozinho muitas vezes não significa solidão, tampouco tristeza ou incompletude. Podemos muito bem nos sentir felizes e realizados na companhia de ninguém mais do que nós mesmos. Amadurecer nossos sentimentos enquanto caminhamos desacompanhados nos fortalecerá, trazendo-nos a segurança necessária para que deixemos a pessoa certa entrar em nossas vidas. Caso não estejamos lúcidos e seguros o bastante, estaremos sujeitos a dar as mãos ao vazio, à violência e ao egoísmo alheios. Caso não estejamos vivendo em sintonia com o que nossa alma pede, qualquer um será capaz de adentrar nocivamente nossas fraquezas, destituindo-nos da regência de nossas próprias vidas.

A busca por uma companhia de vida estará sempre presente em nossos planos, fazendo parte dos sonhos que impulsionam nossa jornada. Porém, priorizarmos os relacionamentos, em detrimento de nosso bem estar e de nossa dignidade, somente nos trará dor e decepção. Aproveitemos os tempos em que estamos desacompanhados para firmar em nós tudo aquilo que queremos e não queremos em nossas vidas. Somente assim saberemos aproveitar cada momento que integra a nossa caminhada, seja com ou sem alguém do nosso lado. Porque, assim, estaremos felizes e completos, ainda que sós, mas jamais mal acompanhados.

_ Imagem de capa: Kichigin/shutterstock

Não se acostume com o que lhe faz mal

Não se acostume com o que lhe faz mal

Para que possamos nos equilibrar emocionalmente e conseguir segurar as pontas das atribulações diárias que consomem o nosso caminhar, muitas vezes teremos que aceitar resignadamente certas coisas que não podemos mudar, ou então nos perderemos em meio a sucessivas frustrações. Mesmo assim, deveremos sempre estar atentos para que não nos acomodemos e aceitemos os excessos alheios, a ponto de anularmos nossa dignidade e permanecermos feridos e enfraquecidos.

Não se acostume com a tirania alheia, com a imposição de verdades que não são suas, com a neutralidade frente ao incômodo. Temos que nos impor como pessoas que possuem algo a oferecer, pois somos merecedores de conquistar nosso lugar no mundo, de alcançar a felicidade a partir daquilo em que acreditamos. Não podemos engolir pontos de vista que não são nossos, apenas para evitar conflitos e apaziguar o ambiente externo enquanto nosso íntimo é açoitado injustamente.

Não se acostume à intolerância do outro para com seus pensamentos e atitudes. Não aceite não ser respeitado pelo que você vive, pela transparência com que caminha sobre os percalços que são só seus. Ninguém tem o direito de ridicularizar ou menosprezar as suas crenças, as suas vivências, os seus sentimentos. Você é especial e único em sua essência e nada poderá deter a extensão de seus sonhos, a menos que você permita.

Não se acostume ao mendigar por atenção, por carinho, por amor, por qualquer coisa que seja, pois somos todos merecedores de receber sentimentos de forma voluntária e sincera, nada menos do que isso. Esqueça o medo de perder alguém, o medo de não ser amado, de não ser querido. Você tem muito dentro de si para atrair olhares, sorrisos, abraços, sem precisar implorar ou se sujeitar à subserviência que lhe apaga as faíscas de humanidade que borbulham em seus poros.

Não se acostume com as pessoas que já estão ao seu lado, a ponto de se esquecer de cativá-las continuamente, acomodando-se com o que já parece consolidado. Qualquer tipo de relacionamento necessita de atenção e de responsabilidade emocional, ou seja, temos um compromisso com quem nos admira e torce pela nossa felicidade. Não podemos achar que o amor sobreviverá do que já aconteceu, do que o trouxe até nós. Caso negligenciemos os sentimentos alheios, o amor partirá em busca de outras moradas.

Não se acostume com a não existência, com a nulidade, com a invisibilidade perante o mundo. É preciso que sejamos alguém perceptível, alguém admirável, confiável, alguém que seja visto, em casa, no trabalho, na rua, na escola. Não conseguiremos suportar uma vida muda, atuando como coadjuvantes da trama do destino que se descortina diariamente diante de nós. Precisamos falar o que pensamos, lutar pelo que queremos, reclamar contra o que nos incomoda, ou ruiremos por dentro, longe de tudo o que pode nos tornar melhores e mais felizes.

Não se acostume com a corrupção, com a violência, com a miséria social. Não perca a capacidade de indignar-se contra tudo o que avilta o bem estar da sociedade como um todo, contra as injustiças que acometem os desvalidos, por conta de dogmas insustentáveis e/ou preconceitos ilógicos. Não deixe de lutar com paixão em favor dos seus sonhos, atrelando-os sempre ao bem estar do coletivo do qual faz parte e é peça imprescindível. Não se acostume a ser uma ilha isolada, mas integre-se ao todo, sem egoísmo, sem covardia, sem titubear.

Muito do que nos acontecerá independerá de nossas ações e desejos, porém, jamais poderemos nos furtar de evitar que nos tratem com desrespeito, desprezo ou violência. Nascemos para sermos felizes, para buscar a realização de nossos sonhos junto a pessoas que dissiparão nossos medos e acalentarão nossas necessidades íntimas e pessoais. Perder-se dentro de si por temor ao enfrentamento de conflitos parecerá cômodo, num primeiro momento, mas fatalmente nos distanciará de nossa essência, de nossa humanidade, de nosso bem estar. Seja, portanto, você mesmo, ou assista à felicidade esvair-se por entre as escuridões de seus próprios medos.

Imagem de capa: TRIG/shutterstock

Se você não se respeita, os demais se sentirão autorizados a desrespeitá-lo também.

Se você não se respeita, os demais se sentirão autorizados a desrespeitá-lo também.

Na vida é assim, quem não se valoriza o suficiente será sempre tratado como “tapa-buraco” dos outros. Infelizmente é assim que acontece. Quando uma pessoa não se trata com o devido respeito e zelo, ela dá, mesmo sem perceber, autorização para que todos a tratem, também, com descaso. Muitas pessoas confundem autoestima com possuir dinheiro ou ter uma aparência invejável.

Ledo engano, você pode estar vestido com uma roupa bem simplória, não ter um centavo na conta e não ter atributos físicos invejáveis e ainda assim proteger-se de ataques que firam a sua dignidade. Essa proteção é a própria pessoa que evidencia ao tratar-se com respeito, afinal ela se compreende como alguém cujo valor não está atrelado a fatores externos como beleza e dinheiro. É assim que as pessoas com autoestima elevada se percebem e essa era para ser a percepção pertinente à todas as pessoas.

O indivíduo que se trata com respeito emite esse comportamento aonde quer que vá. Isso é explicitado na fala, naquilo que ele permite e naquilo que ele rejeita. Em contrapartida, aqueles que não se percebem como sujeitos valorosos, também emitem essa comportamento. Ainda que estejam vestindo a roupa de grife mais cara do planeta e ainda que sejam esteticamente muito atraentes, num dado momento suas máscaras cairão e virá à tona o conceito negativo que têm de si próprios.

Eu costumo ilustrar uma pessoa que se respeita usando aqueles jardins, seja em via pública ou em condomínios fechados, nos quais existem sempre umas plaquinhas escrito “proibido pisar a grama”. O que acontece quando estamos transitando por esses espaços e nos deparamos com essas advertências? Ficamos atentos, não é mesmo? Redobramos os cuidados para não pisarmos as plantas, as gramas etc. Por mais mal educada que uma pessoa seja, ela terá o mínimo de receio nesses ambientes, seja por concordar com a regra, seja por temer uma possível advertência por parte de alguém que esteja fiscalizando. Traçando um paralelo com as pessoas que se enxergam como preciosas, estas também carregam em si, por meio da sua postura, uma “plaquinha” advertindo: cuidado, trate-me com respeito, aqui é um território sagrado”. E tenham a certeza de que essa “plaquinha” será lida por todos e a mensagem será compreendida.

De modo análogo, as pessoas que não se compreendem como valorosas, parecem carregar um adesivo na testa com letras garrafais dizendo: “eu não valho nada, façam o que quiserem comigo, eu permito”…suas atitudes emitem essa permissão. Então, as pessoas, especialmente as abusivas, sentem-se totalmente à vontade para tratá-las com total desrespeito e hostilidade. Há um ditado popular que diz: “a lagarta sabe da folha que morde”, tradução: a lagarta não morderia uma folha venenosa, pois poderia ser fatal para ela. Dá mesma forma, as pessoas sabem muito bem com quem praticar o abuso e o desrespeito. Creio que sempre é tempo de um despertar acerca do nosso valor. É sempre possível adquirir uma nova percepção sobre si e estabelecer novas formas de se posicionar na vida.

Infelizmente, nem todas as pessoas tiveram a oportunidade de aprender, em suas histórias de vida, sobre o amor próprio. Acontece que, não raro, tudo o que elas aprenderam na vida foi exatamente o oposto desse princípio que funciona como um escudo protetor da dignidade humana. São vítimas de uma conjuntura que envolve muitos aspectos (socioculturais, afetivos, familiares etc).

Contudo, leitor(a) querido(a), eu parto do princípio de que, enquanto estamos vivos, estamos sujeitos à transformações. Sabe, não somos obrigados a nos portar diante de determinadas situações como se elas fossem um diagnóstico de uma doença incurável, praticamente uma sentença de morte. Uma vez que algo te causa desconforto, busque entender a origem disso, investigue sobre o que possa estar por trás da sua falta de autoestima(se for o seu caso).

É possível que você reverta esse quadro e se apaixone pela pessoa que você é. Voltar a estudar, cuidar da aparência e saúde, investir em hobbies que nos agrade, evitar pessoas que nos oprima, etc, são algumas atitudes que contribuem bastante para o fortalecimento do nosso amor próprio.
Trate-se como um jardim sagrado, por onde andar, leve contigo algumas plaquinhas sinalizadoras escritas como essa frase: “sou maravilhoso(a), pratico o respeito e a empatia e faço questão de ser tratado(a)assim também”.

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Não mande nudes, mande rosas.

Não mande nudes, mande rosas.

“Precisamos do amor para nos sentirmos vivos, precisamos da paixão para seguirmos em frente sem sucumbir, precisamos de carinho para suportar o peso do cotidiano em nossas vidas.”

Ao longo do tempo, os comportamentos e valores sofrem rupturas, permanências e novas formas de enxergar o mundo, que tanto podem promover quanto emperrar avanços sociais significativos. A aceitação de novas configurações familiares e a inclusão social de minorias, por exemplo, são exemplos claros de oxigenações bem vindas à dinâmica da vida em sociedade. Por outro lado, a supervalorização das aparências materiais e a banalização do sexo trazem consequências nocivas ao fluxo das relações e interações entre as pessoas.

Os dias estão acelerados, tornando-nos sujeitos cada vez mais apressados e assoberbados de atribulações e compromissos trabalhistas, uma vez que buscamos freneticamente a aquisição de uma qualidade de vida tão somente alicerçada sobre o consumo de bens que possam elevar nosso status social. Essa velocidade errática a que nos entregamos nos desumaniza aos poucos, pois acabamos não dispondo de tempo para prestarmos atenção às necessidades de nossos sentidos, às nossas necessidades humanas e que não estão à venda nem expostas nas vitrines do shopping.

Não prestamos mais atenção em nada de nós mesmos que não possa ser visto e admirado visualmente, como se fôssemos apenas uma carcaça oca, esquecendo-nos de que o vazio não sustenta, não acrescenta, não é. Desacostumados, portanto, a cuidar de nossos sentimentos, de nossa essência, somos incapazes de enxergar também no outro nada além do que podemos ver e tocar. Se não atentamos para os nossos sentidos, não atentaremos para os de ninguém mais.

Temos pressa para chegar ao serviço, cumprir as metas, terminar o almoço, ganhar dinheiro, pois as tarefas se acumulam intermitentemente. Enredados nesse redemoinho de compromissos inadiáveis, agregamos a interação com o próximo à lista de metas a serem cumpridas, agendando, em meio aos compromissos inadiáveis, quando possível, encontros, conversas com amigos, sexo com o parceiro. Tudo acaba virando obrigação, mas obrigação não tem nada a ver com prazer. Nessa toada, agregamos interações humanas ao rol de tarefas diárias, descaracterizando os encontros com o outro, retirando-lhes qualquer traço de prazer.

Não tendo mais tempo para o imprevisto, para paixões súbitas, olhares demorados, abraços mornos, conversa fiada, não mais nos dispomos às interações que não sejam superficiais, ao descobrir e ser descoberto, ao despertar das paixões, a tudo que necessita de demora, contemplação e entrega incondicional. Se estamos condicionados aos objetivos a serem cumpridos, não nos lançamos ao incerto, ao que não tem preço, ao que não depende de aparências visíveis. Como não damos atenção ao que sentimos, estamos fechados aos sentimentos alheios. E assim vamos nos afastando das trocas, dos relacionamentos sinceros e da cota de humanização que nos resta.

Essa pressa que nos conduz e desumaniza perpetua-se e encontra terreno perfeito na velocidade célere proporcionada pela internet. A interação virtual é rápida, fria e manipulável, um lugar onde podemos ser quem quisermos, falar sem censura e repreensão de olhares alheios. Nas redes sociais, podemos fantasiar à vontade, ter o corpo perfeito que todos desejam, esconder o rosto e nos exibir pela webcam. Com isso, os relacionamentos vão dispensando o toque de peles, a troca de calor, o conquistar e cativar, o entrelaçar das mãos e demais preliminares que deveriam anteceder a entrega total – caso não se procure o sexo casual, o qual às vezes pode ser a resposta ao que se quer naquele momento.

As amizades e o amor não são instantâneos, não ficam prontos em cinco minutos, não podem ser comprados, tampouco parcelados em dez vezes no cartão de crédito, pois demandam tempo e disposição para conhecer e entregar-se. Assiste-se a jovens queimando etapas da vida inconsequentemente, perdendo chances de conhecer o outro em suas verdades, de nutrir pacientemente os sentimentos, de desenvolver-se enquanto pessoa, antecipando o sexo ao bom dia, substituindo a caixa de bombons pelos nudes, banalizando, enfim, o “eu te amo”, distribuindo-o a qualquer um que acabou de conhecer.

Precisamos do amor para nos sentirmos vivos, precisamos da paixão para seguirmos em frente sem sucumbir, precisamos de carinho para suportar o peso do cotidiano em nossas vidas. Lançar-se à jornada diária sem prestar atenção em nossos sentidos equivale a negar nossa essência humana, pois, por mais que haja pessoas à nossa volta, dessa forma estaremos solitários e incompletos. Por mais confortável que sejam nossas casas, por mais dinheiro que tivermos no banco, estaremos ainda necessitados de alguma coisa, caso negligenciemos o pulsar de nossos sentidos.

É preciso, portanto, desacelerar nossos passos e prestar atenção em nossos desejos, permitindo-nos a demora no fortalecimento de nossos relacionamentos. Tenhamos de volta o direito a cultivar os sentimentos, a conhecer o outro, a entender o que está se passando aqui dentro de nós, para que não sufoquemos nossas necessidades sob os efeitos superficiais dos ansiolíticos e antidepressivos. O amor a dois, afinal, é algo que se conquista com paciência, entrega, dedicação e que sobrevive não somente do sexo em si, mas também de tudo o que o cerca – o bom dia sorridente, os bilhetes rascunhados, os olhares furtivos, o toque das mãos, o calor que ruboriza, o ouvir atencioso, as flores inesperadas, o compartilhamento das dores e das alegrias. Cultivar o antes nos dará um depois mais prazeroso e sincero, porque então não teremos dúvidas do que e de quem queremos e teremos certeza de quem somos. E, onde houver verdade, lá repousará o amor.

Imagem de capa: David Prado Perucha/shutterstock

Quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem

Quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem

Somos seres livres. Essa é uma premissa irrefutável. No entanto, é sabido que existe a possibilidade de sermos influenciados e condicionados, isto é, de não exercermos a nossa liberdade primordial. Esta, todavia, não significa, necessariamente, escolhas corretas e moralmente aceitas. Diante disso, devemos considerar uma problemática: até que ponto vale, ainda que seja para um bem maior, abdicar da liberdade de escolha?

Esse problema é tratado no filme “Laranja Mecânica” (A Clockwork Orange) de Stanley Kubrick, inspirado na obra homônima de Anthony Burgess. No filme, um jovem chamado Alex e sua gangue de “drugues” praticam todos os tipos de violência, incluindo espancamentos, estupros e assassinatos, em uma Londres distópica. Movidos por puro prazer, ou seja, sem motivações aparentes para cometer tamanha violência, os jovens saem todas as noites praticando o que chamam de “ultraviolência”. Esse comportamento não se reduz à gangue de Alex, sendo praticado por outras gangues formadas por jovens.

Fica nítido, dessa forma, que a “ultraviolência” é um traço marcante daquela sociedade, em que jovens, sob efeito de drogas, libertam toda a violência contida nos seus corpos. Não há um motivo para o que fazem, eles simplesmente fazem porque sentem prazer. O comportamento, sobretudo de Alex, não nos deixa dúvida de que aquela violência é vista como um espetáculo ou, como chamam, “horrorshow”. As suas características cultas, como a sua apreciação por música clássica, principalmente Beethoven, enaltecem o caráter de show ao horror que praticam.

Em uma das suas investidas, Alex é pego pela polícia e condenado a 14 anos de prisão. Preso, ele descobre que estão desenvolvendo um método que promete curar o indivíduo de sua maldade, tornando-o incapaz de praticar qualquer ato de violência. O nosso protagonista é submetido ao tratamento, chamado de “Método Ludovico”, e tem, como prometida, a sua cura, de tal modo que está apto a retornar à sociedade. Ao retornar à sociedade, Alex sofre da mesma violência que praticara, sem que possa retribuir, posto que, todas as vezes que pensa ou tenta cometer algum ato violento, ele sente fortes náuseas que o impedem de fazer qualquer coisa.

O texto até aqui serve apenas para ambientar a história (o que, na maioria das vezes, nem faço, pois prefiro ir direito ao cerne do problema). A problemática se desenvolve em torno da pergunta inicial, ou seja, o condicionamento violento praticado pelo Estado em Alex é satisfatório? Produz resultados benéficos? Obviamente, o comportamento de Alex é reprovável, mas a violência não se restringia somente a ele. Estava na sociedade como um todo, bem como no Estado, já que o método utilizado em Alex também era “ultraviolento”.

Sendo assim, percebemos que, em uma sociedade preocupada exclusivamente em punir, pouco importam as motivações do indivíduo, se ele faz de forma espontânea ou não, o importante é não desrespeitar a lei, mesmo que através da criação de robôs morais. Como diz o Ministro do Interior, o Estado não está preocupado com éticas elevadas, mas apenas com a diminuição da criminalidade. A importância está, portanto, na funcionalidade e não na escolha moral do individuo, na sua motivação para não fazer o mal.

Desse modo, temos o homem mecânico, condicionado e programado para seguir a vontade do Estado. Alex deixa, assim, de ser um homem propriamente dito, pois deixa de ter o poder de escolha e passa a ser a laranja mecânica, incapaz de seguir naturalmente seus instintos. Percebam que a vontade de fazer o mal ainda está presente no nosso jovem “herói”, esta apenas está impossibilitada de ser executada pelo condicionamento que sofrera. Em outras palavras, o fato de ele não ser capaz de cometer a “ultraviolência” é bom para o indivíduo e para a sociedade, mas, na medida em que ele não a pratica tão somente por ter sido programado, passamos a questionar o valor da sua ação, assim como a sua humanidade.

Essa visão é corroborada pelo padre da prisão, que não estando convencido da “cura” de Alex, quando diz – “A bondade vem de dentro, (…) quando um homem não pode escolher, deixa de ser homem”. Ou seja, há uma forte crítica ao método utilizado pelo Estado, que retira o livre-arbítrio e impede o indivíduo de agir por vontade própria, pois, na proporção em que o nosso jovem “Deixa de ser um malfeitor, (…) deixa também de ser uma criatura capaz de escolhas morais”.

Dito de outro modo, o método utilizado não torna um homem bom. Torna o homem inapto para o cometimento do mal, o que é bem diferente. Assim, questionamos o valor das ações de Alex, do homem mecânico, do robô moral, programado para não fazer o mal, mas tão inapto quanto antes para fazer o bem. Será que, naquelas condições, ele era melhor do que antes? Ou, nas palavras do padre – “Será que um homem que escolhe o mal é talvez melhor do que um homem que teve o bem imposto a si? Questões difíceis e profundas, pequeno 6655321”.

 

Não se trata de ignorar a extrema violência que Alex cometia, mas de discutir o valor de uma ação condicionada, contraditória à vontade do indivíduo. A violência da trama não é construída como um elemento qualquer, um atributo de violência por violência, mas é uma metáfora que demonstra a violência de um poder autoritário, controlador e condicionador. Como também não devemos negar que a violência é a demonstração, na obra, de que o homem é violento e difere muito do “bom selvagem” rousseauniano.

Entretanto, se considerássemos apenas o último fator, de que a obra é apenas uma demonstração pessimista da natureza violenta e perversa do homem, todas as discussões que giram em torno do filme seriam incabíveis. E elas não só cabem, como são o mote central da história. Ou seja, a liberdade do indivíduo não pode ser extirpada, pois os seus desejos não podem ser suprimidos. O condicionamento para que o indivíduo não faça o mal age somente na ação final, mas não modifica os meios, as motivações que possui. Além do mais, o condicionamento feito pelo Estado se dá por meio de extrema violência, que, por ser de ordem psicológica, acaba não sendo equiparada como equivalente às atrocidades cometidas por Alex. Todavia, são equivalentes, por isso vejo a violência física do filme também como uma metáfora para a violência psicológica praticada pelo Estado, já que, sem fazer esse elo, torna-se difícil equiparar as duas violências.

Sendo, portanto, iguais, há de se considerar a condenabilidade do condicionamento feito pelo Estado, uma vez que a técnica utilizada é equivalente aos espancamentos e estupros cometidos pelos “drugues”. Assim, a trama, como uma boa distopia, critica ferozmente (e bem) governos autoritários que querem condicionar homens e transformá-los em autômatos, em laranjas mecânicas. O fato de esse condicionamento ser feito em indivíduos inescrupulosos como Alex, que promovem o mal por bel-prazer, não anula a natureza autoritária da medida.

A grande sacada da obra é demonstrar que, independentemente do condicionamento construído, não há a possibilidade de “produzir” homens bons, como se estes fossem biscoitos. Ser bom é uma decisão e não pode ser produzida pela vigilância, punição e condicionamento. Os homens devem, de forma espontânea, viver de forma ética, respeitando os limites do outro. Qualquer programação feita no indivíduo é incapaz de mudar as suas vontades, fato que fica mais claro no filme, visto que neste não há uma redenção do protagonista.

Laranja Mecânica é uma crítica a formas autoritárias de governo que pretendem despersonalizar as pessoas, à extrema violência presente na nossa sociedade, que, para ser entendida, deve ser expandida para além das atrocidades cometidas por Alex, como os preconceitos, os desrespeitos éticos (ou o jeitinho brasileiro não é uma violência?), a falta de empatia e compaixão etc., e, sobretudo, a dificuldade que o homem tem para fazer o bem, sem que, para isso, sofra de violência que o transforme em uma marionete, um autômato ou, como genialmente Burgess escreveu, uma Laranja Mecânica.

Imagem de capa: Reprodução

A maior riqueza de duas pessoas é o que fica entre quatro paredes.

A maior riqueza de duas pessoas é o que fica entre quatro paredes.

Pode vir. Faz as malas, vem. Chega contente, disposta, à vontade. A casa é sua. Entra, senta, fica. Tira os sapatos se quiser, pula na cama, descansa teus pés cansados nestas costas. Repousa tua alma na companhia da minha, encosta teu corpo neste canto do mundo. Chega aqui. Pode chegar.

Enquanto essa multidão de casais felizes passeia lá fora, lotando sessões de cinema, corredores de shopping, festas da uva, lojas de material para construção, parques cheios de luz, nós aqui nos deixamos estar sem mais, desconfiando o mundo pelos desenhos do sol e da lua no teto do quarto entre os vãos da janela, esquecidos do tempo, do vento e da chuva. Entregues a nossas questões pessoais, nossas mecânicas domésticas, nossos movimentos íntimos universais. Distantes da rua lá embaixo, da festa das vozes em grupo, das luzes acesas.

Benditos sejam os amantes afeitos a exibir seu amor ao mundo, empurrar juntos o carrinho do supermercado, beijar em público, esperar a tardinha em sorveterias de bairro. Que sejam felizes como felizes estamos nós, que escolhemos o caminho inverso. Nem piores, nem melhores. Apenas e tão somente nós. O que é nosso, amor, por escolha nossa, há de ficar aqui.

Vem, goza comigo o direito sagrado de fazer, sentir e manter nossas coisas em um paraíso secreto, restrito. Que estas quatro paredes nos guardem, protejam e preservem dos males do mundo, dos olhos alheios, das coisas da vida. Que sejamos assim, você e eu, enquanto der. Enquanto for.

Ninguém mais carece saber de nossos risos e angústias, nossas alegrias desaforadas, nossas horas lentas e silêncios longos. A quem mais interessam nossos cheiros e nossos gostos? Tem coisa que não tem jeito: ainda que se queira, não é possível dividir. Não se deve. Tem coisa que é só nossa, nascida para a intimidade. Se sair ao sol, à chuva, ao olhar dos outros, derrete, definha, desaparece. Tem coisa que nasce, cresce e fica para sempre dentro da gente, no infinito espaço íntimo de um mundo para dois.

A olhos nus, despimos nossos corpos entre quatro paredes de discrição e resguardo. Aqui, aquecidos em nossos fogos, dividimos nossas riquezas escondidas, entregamos nossos mistérios um ao outro. E assim, sem que ninguém nos ouça e nem nos veja, colhemos juntos toda a ternura do mundo.

Nossa disposição generosa para o amor merece o conforto silencioso das horas mudas. Deixa cá entre nós. Conta pra ninguém, não. O que nos é mais caro ninguém há de saber. Nosso tesouro mais valioso, nosso segredo irrevelável, nosso tempo e espaço invioláveis.

Vem. Entra, fica. Em nosso canto suspenso, repletos de alegria e pudor, guardaremos instantes de graça infinita aqui dentro. Por nada, não. Nada senão a sorte de preservar-nos em nossa riqueza de bichos simples, discretos, inteiros, amantes.

Imagem de capa: Mikhail_Kayl/shutterstock

Ansiedade: Meu ser parado em alta velocidade.

Ansiedade: Meu ser parado em alta velocidade.

Não tenho a pretensão de fazer um relato científico sobre as sensações que tenho tido ao longo desses anos, nem descarto outras histórias de vida que possuam os mesmos sintomas. De fato, eu tenho uma biografia de altos e baixos. Vivi situações que eu costumo chamar de classicamente difíceis. Foi dureza ter que escolher entre comer ou ter o dinheiro da passagem pra escola. Presenciar cenas de violência familiar. Viver o luto da perda de pessoas queridas. Mas sei que diversas pessoas vivem a ansiedade e não tiveram estes episódios no caminho. Seriam elas mais fracas do que eu? Penso, com muita convicção, que não.

Aquela história de “a dor é inevitável, mas o sofrimento é opcional” me parece estranha. Aparentemente esta frase me diz que essas inúmeras vezes em que senti meu peito arder, uma intensa ameaça vinda do nada, é fruto de uma seleção minha. Estavam lá várias possibilidades e eu escolhi sofrer. Pois essa afirmativa sendo verdadeira, surge uma questão; Como melhorar nossa capacidade de escolha?

Cá entre nós, eu estou muito interessado em escolher ser mais feliz.

Independentemente de sua história , você é frágil ser humano procurando sossego. Enquanto eu lutava para ter o que comer, o seu problema poderia ter sido um coração partido, uma não-aceitação do nariz, falta de amigos no recreio. Que seja, tudo é problema. Não existe balança. Nossas dores só são vividas por nós mesmos. Até podemos ser solidários com a história do outro, mas é só o outro que sabe exatamente qual o cheiro do ar que respira.

Foram tantas vezes em que simplesmente não consegui mais pensar.

A minha cabeça gira numa velocidade maior do que posso suportar, ou flutua, perde a gravidade, e eu não consigo trazê-la a terra como quero.

Aquela vez, moça, eu não tava sendo grosso, mal educado, era apenas meu corpo pedindo fuga. Do quê? Apenas fuga.

Quando vocês todos falavam na roda e eu não conseguia embarcar no assunto, não era antipatia, pessoal. Eu não estava ali. Enquanto vocês falavam, eu senti minhas ideias correrem sem destino.

E aquela festa que eu voltei mais cedo? Não, eu queria ter continuado lá. Tinha tanta gente legal. Eu pensei  tanto conhecer novas pessoas. Mas não deu, meu peito esquentava e todas as minhas percepções eram negativas. Precisava sair dali.

Houve dias piores. Em que a capacidade do disfarce faltou e eu precisei admitir; eu estou com muita ansiedade, e voltei pra casa.

Os nossos sintomas podem ser causados por diferentes motivos, nossa reações podem ser as mais variadas, como o nosso alívio vem de diferentes formas. O meu é a escrita, o verso, o texto. Nada mais me alivia no mundo que a possibilidade de palavrear, reinventar por meio das letras as perturbações que me cercam. O seu alívio pode ser igual ao meu, pode ser o que tiver de ser e também nem existir ainda. Não se envergonhe das suas dificuldades e logo você o encontrará.

Talvez não dê imediatamente de se sentir menos ansioso, talvez demore pra que consiga realizar essas atividades que deseja. Mas vá, pouco a pouco, passo a passo. Andar lentamente para direção certa é melhor do que ficar parado. Se não deu pra conversar por horas, comemore o Bom Dia. Se não foi possível ficar até o fim da festa, comemore ter ido.

Este são conselhos que dou, antes de tudo, para mim mesmo. A ansiedade me namora há anos, deixá-la parece impossível, melhorar os nossos beijos é essencial. Eu quero ainda estar ansioso pelo futuro, mas sem sentir que o futuro me ameaça.

Voltar pra casa depois da festa ter me festejado bem.

E se você tem sensações semelhantes, saiba lendo esta crônica que não é sua a única cabeça acelerada no planeta. Procure ajuda como se sua sensação fosse uma dor de dente nas ideias. Só você sente e sabe a razão dela te impedir de sorrir. Brega, né? É assim mesmo. Os caminhos podem ser os mais clichés, nem tão originais, mas levam a algum lugar.

Pega aí o que você puder de si e vamos.

Imagem de capa: Reprodução

 

 

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