Pare de fingir que não se importa e comece a não se importar de verdade

Pare de fingir que não se importa e comece a não se importar de verdade

Não se importe tanto. Amores fúteis acabam com um sopro. A gente gera expectativas, faz planos, sonha longe, mas o que não é para ser, a vida dá um jeito de levar.

Aposto que não são raros os momentos em que, nos momentos de desespero, você questionou se um dia essa dor iria passar e eu respondo categoricamente: a cura só acontece quando há uma intenção que objetiva nela. C.S.Lewis dizia de forma metafórica que “Deus sussurra em nossos ouvidos por meio de nosso prazer, fala-nos mediante nossa consciência, mas clama em alta voz por intermédio de nossa dor; este é seu megafone para despertar o homem surdo.

Toda cura envolve dor. Note que nenhuma ferida é cicatrizada, sem antes, mexerem nela. Na área sentimental o processo de cura não é diferente. Quando uma ferida é aberta, tem que doer muito, para não doer nunca mais.

Muitas vezes, focamos em relacionamentos amorosos e os temos como fábrica de frustrações. Porém, quando me refiro a não se importar, refiro-me  à todas as relações sociais que estabelecemos ao longo da vida.

Pode ser que sua frustração esteja baseada em um amigo que te traiu, um sócio que te levou a falência ou um desconhecido que jogou ao vento comentários maldosos sobre seu comportamento. Mesmo assim, o conselho continua sendo o mesmo: não se importe tanto!

Não importa o que falaram a seu respeito, se o outro já está namorando ou se traíram a sua confiança. Isso só revela o caráter de quem cometeu tais atos e, você, não tem nada a ver com isso.

O processo de cura começa quando você entende que ninguém vale a sua paz. Que ninguém vale tanto a pena a ponto de você se perder. Que, ao cair, são poucos os que nos ajudam a levantar.

Começa quando você sai do banco de expectadores e vira protagonista da própria vida. Quando se torna dono de si e não projeta no outro a responsabilidade da própria felicidade. Quando você entende que antes de amar o próximo, você tem que se amar.

Sabe, quando paramos de nos importar com sentimentos pequenos, as coisas fluem de forma natural. Começamos a respeitar o próprio tempo e a entender a própria bagunça.

Quando paramos de dar ouvidos à dor, paramos de arrumar desculpas para justificar a presença do outro em nossas vidas. Não aceitamos metades, relacionamentos mornos e mentiras sutis. Em outras palavras: o pouco não interessa mais.

Importe-se menos. Viva mais. Se é verdade que não existe aprendizagem sem dor, é verdade, também, que nem tudo valha a sua.

Imagem de capa: brickrena/shutterstock

Ei… Diga-me o que você é, uma lagarta ou uma borboleta?

Ei… Diga-me o que você é, uma lagarta ou uma borboleta?

Quero começar esse texto, fazendo um questionamento:

O que você é? Uma lagarta ou uma borboleta? Alguém que traz repulsa ou simpatia. Alguém que destrói ou alguém que edifica?

Existem pessoas que tem o “estranho dom” de afastar outras pessoas. É como se fosse um imã partido quando tentamos juntar os polos, os pedaços na mesma peça. Elas estão sempre carregando em si, algo negativo e fúnebre. Entretanto existem pessoas tão amáveis, que ainda que não digam uma única palavra conseguem cativar outras pessoas, apenas com a sua atitude e seu sorriso. Essas pessoas tem sempre o dom de levar alegria por onde passam.

Eu me atrevo a citar o exemplo das lagartas e das borboletas devido ao seu aparente antagonismo. Enquanto as lagartas destroem as plantas, aquelas mais viçosas e queridas, a borboleta, com sua beleza admirável, transmite vida ao colaborar com a polinização. As borboletas são importantes agentes polinizadores, entretanto não é isso o que nelas nos chama atenção e sim, o seu colorido diversificado, que servem como um documento de identidade. É interessante observar que apenas os pesquisadores querem ter contato com lagartas, considerando o fato de algumas serem tóxicas. Por outro lado, qualquer pessoa, quando não se interessa em tocar, quer ao menos admirar a beleza da borboleta, com curiosidade. E tudo isso devido a uma metamorfose e que acontece com a maioria dos insetos.

Bem, creio que algumas pessoas deveriam passar por esse processo de metamorfose, mas teria que ser uma transformação completa, por dentro e por fora. Sim, porque um estudo realizado numa universidade chinesa mostrou que as pessoas simpáticas são mais bonitas. O que quer dizer que, pode-se economizar com produtos de beleza, apenas exercendo a simpática. Eis ai um dos grandes segredos de algumas pessoas que conhecemos e que fazem parte do nosso dia a dia. Isso é uma realidade. Assim também como é muito comum, encontrarmos pessoas – especialmente aquelas que não se enturmam – que vivem como se fossem lagartas. Isso as torna feias, desinteressantes e até são tratadas com indiferença. Quando essas pessoas aparecem, muitos sentem vontade de saírem do recinto. No entanto, se é uma pessoa que se parece com uma borboleta que aparece, as pessoas se sentem até mesmo encantadas e, muitas vezes, a alegria contagia o recinto. Então, para muitos, esses pequenos seres nojentos e repugnantes, ou atrativos e simpáticos, são a representação daquilo que existe no interior das pessoas com as quais convivemos. Trazendo influência positiva ou negativa ao local onde estão. Trazendo cheiro de vida ou não, dependendo do modo de ser e agir de cada uma delas, individualmente.

O mais importante é nos lembrarmos, no entanto, que muitas pessoas se esquecem de que lagartas e borboletas são o mesmo ser. Elas se diferem apenas por um ciclo da vida, uma transformação. E que para acontecer a metamorfose, a lagarta tem que se trancar num casulo. Então devemos parar de hostilizar as pessoas enquanto estão trancadas nos seu mundo, pode ser que depois de recebem ajuda, elas se transformem numa linda borboleta.

Há então, um desafio sob nova perspectiva. A folha que alimenta a lagarta, o casulo que a esconde para a transformação e a flor que mostra a beleza em sua simplicidade para receber o pouso da borboleta.

Então decida: Lagarta ou borboleta?

Imagem de capa: Doreen Salcher/shutterstock

Ficar sozinho (a) também é assumir um relacionamento sério

Ficar sozinho (a) também é assumir um relacionamento sério

Quem foi que disse que só é amor quando junto de outra pessoa? Não ter ninguém além de si para compartilhar vários inteiros é para os corajosos. Porque ficar sozinho (a) também é assumir um relacionamento sério. É pra valer saber desfrutar do próprio amor.

Tem gente que acha que a vida só faz sentido se tiver uma companhia. Que para ser feliz e conhecer as coisas boas do mundo alguém precisa estar, em diversas ocasiões, participando e completando possíveis lacunas emocionais. Essa gente esquece que, para viver de verdade, tanto faz quem está do lado. É maravilhoso poder contar com pessoas que saibam distribuir reciprocidades, não tenha dúvida. Mas, se em dias solitários você não tiver a coragem para aproveitar momentos seus, ligue o alerta, você não está se dando o respeito que merece.

Porque ficar sozinho (a) exige comprometimento. É uma jornada de autoconhecimento que sempre deve ser levada a sério. Investir nas próprias pernas é um tipo de intimidade que você não encontra em qualquer esquina. É contraditória essa onda de corações que saem por aí correndo atrás de um amor para chamar de seu e que, no fundo, não sabem absolutamente nada dos primeiros cuidados do coração. A solidão também é um relacionamento. Você se leva para sair, para crescer e para, intencionalmente, enxergar todos os melhores lados que possui.

Aprender a se curtir é um exercício leveza. Não ignore os sinais do sim que você cultiva dentro da alma. Cuide-se, valorize-se e, o mais importante, ame-se. Assuma de uma vez por todas um relacionamento sério consigo. Pare de adiar conversas interiores e felicidades particulares com a desculpa de que precisa conhecer o amor em abraços desconhecidos.

O seu amor está aí, não percebe?

Imagem de capa: polinaloves, Shutterstock

Gatos pelados, uma exótica opção para os alérgicos.

Gatos pelados, uma exótica opção para os alérgicos.

Imagine viver em um mundo peludo e fofo, onde os Pets chegam dominando nossos lares, e não poder tocar ou compartilhar o mesmo ambiente com eles? Desesperador, não? Pois esta é a realidade de muitas pessoas extremamente alérgicas que não podem sequer frequentar lugares onde hajam pelos. Mas e se por alguma mágica, ops, ciência, isso fosse possível de se reverter?

Para a alegria dos gatófilos, uma boa notícia. Algumas raças de gatos pelados, como os Shpynxs e Devon Rex, já circulam entre os gatis mais exóticos, proporcionando o que seria um distante sonho em realidade. Cientistas descobriram que um em cada 50 mil felinos não tem a proteína Fel d1, responsável pelas reações alérgicas, dessa maneira iniciaram uma seleção para cruzamentos, isentando filhotes dessa proteína. Muitos acreditam que somente os pelos causam alergia, mas essa proteína também é encontrada na saliva e urina dos animais. Dessa forma fica mais claro entender que mesmo com a ausência de pelagem, algumas pessoas continuavam a ter reações sem entender as causas.

Algumas raças de gatos pelados já não comportam essa proteína, portanto, pessoas alérgicas não desencadeiam o mal ao manusear esses felinos. Os peladinhos não chegam a ser deslumbrantes a lá o gato Persa, mas são dotados de uma peculiar aparência, personalidade amável, brincalhona e muito especial. São gatinhos sensíveis, que demandam alguns cuidados. Por não possuírem pelos, precisam de protetor solar todos os dias, e limpezas com lenços umedecidos para controlar a oleosidade da pele evitando dermatites e odores desagradáveis. Demandam uma certa atenção quanto a temperatura corporal, já que não possuem a pelagem como proteção natural. A alimentação a base de proteínas também auxiliam nesse controle da pele e temperatura.

Há quem sinta repulsa pelo aspecto exótico e quase alienígena desses felinos, em contrapartida, criadores afirmam a paixão que seus clientes relatam por esses pelados, onde não trocam por nenhuma outra raça. Mesmo pessoas não alérgicas se renderam aos encantos desses simpáticos peladinhos.

A pele se assemelha a borracha, são tão ativos quanto os seus primos peludinhos, e necessitam de tanto amor quanto eles. Se alguma falta de esperança batia na porta, e o desejo de ter alguns miadinhos alegrando a vida estava apenas na imaginação, é hora de correr para um gatil especializado e realizar o grande sonho de ter um gato em sua vida.

Imagem de capa: Dmitruj/shutterstock

Existem pessoas que nos impulsionam, outras são o que podemos chamar de “sugadores de alma”.

Existem pessoas que nos impulsionam, outras são o que podemos chamar de “sugadores de alma”.

Gostaria de começar esse texto fazendo uma observação ou mesmo dando um conselho: Não permita que pessoas pessimistas te derrubem, não deixe que inundem de desânimo a sua alma.

Uma pessoa pode ser tecnicamente brilhante, inteligente e com suas habilidades bem ali, transbordando para todo lado, mas acredite… Dependendo das pessoas que estão ao seu lado, tudo pode terminar num rótulo de fracasso. É muito comum vivermos cercados de pessoas que nos admira até que as superemos em algo. Daí então surgem as “más conversações” que podem se tornar um “fardo” na vida de muita gente. Eu diria que são pessoas que costumam semear em terrenos áridos e não querem que a outras semeiem em terreno fértil para que não haja concorrência na venda dos frutos. Porque obviamente, o sucesso alheio lhes traz inveja, ansiedade, etc. Claramente se vê nessas pessoas, o motivo do seu fracasso, são na verdade “sugadores de alma”. Em muitos casos, são pessoas que nunca serão felizes no casamento, que jamais terão sucesso financeiro, que nunca serão promovidas no trabalho e assim por diante, simplesmente porque se sentem impotentes, e como isso as incomoda, não querem ver o sucesso de seus pares. Ficam tristes com a felicidade dos outros, como se o sucesso alheio as incomodasse, por isso tratam o tempo todo, de desanimar outras pessoas, ao invés de motivá-las. Não aplaudem e até se afastam em alguns casos. Toda essa insatisfação na verdade, é fruto de inveja. Lembro-me muito bem que durante o meu tempo num curso profissionalizante, juntamente com mais 51 alunos, ouvi numa palestra, um instrutor desqualificar um aluno, simplesmente pelo fato de ser negro. Ele chegou a afirmar: “Você nunca vai chegar aonde eu cheguei, nunca será um… porque você é negro”. Bem, tudo que ouvimos ali foi um disparate, porque sabíamos que raça alguma tem privilégio numa ascensão profissional. Cito o que já dizia Albert Einstein: “Todos nós somos gênios, mas se você julgar um peixe pela sua capacidade de escalar uma árvore, ele passará o resto da vida acreditando ser um idiota”.A capacidade individual de cada um deve ser medida por si mesmo. Isso é pessoal e tem um papel muito importante no desenvolvimento social e profissional de cada pessoa. Durante os anos, vamos nos especializando e desenvolvendo certos conhecimentos, levando em consideração a capacidade e aptidão daquilo que basicamente está dentro de nós, e isso tem um papel importante e fundamental para o nosso desenvolvimento como ser humano. Enquanto houver um ser determinado a lutar pra vencer, haverá sempre outro que quererá vencer sem lutar. Então eis ai mais um conselho:

Não se entregue, salve a si mesmo desses sugadores de alma. Aproxime-se de pessoas que o veja como vencedor.

Imagem de capa: YuriyZhuravov/shutterstock

Abra os olhos! Não perca os detalhes poéticos nas cenas da vida

Abra os olhos! Não perca os detalhes poéticos nas cenas da vida

É fim de tarde de outono, há uma nuvem enorme cor de rosa no céu e tudo em volta dela é amarelo ouro, um céu de baunilha brilha em cima de sua cabeça e você não vê. Absorvido pelo celular, perdeu o show gratuito.

As paredes descascadas daquela casa antiga que você passa todos os dias formam desenhos de bichos e rostos; a janela quebrada da mesma casa é uma moldura para um jardim selvagem, mas você, imerso em preocupações, nunca olhou para o lado, não perde tempo com terrenos baldios.

No caminho ainda, há uma porta aberta para um brechó antigo e uma senhora idosa, talvez a dona do estabelecimento, toma chá numa cadeira de balanço, quase tornando-se parte do insólito lugar. Mas você não se interessa por lugares tão escondidos, roupas tão velhas e pessoas que já saíram de moda.

Na estrada para a praia, você no carro olhando pela janela e tudo parece monótono, mas as várias espécies de plantas – samambaias, trepadeiras, bromélias… – se emaranham, crescem, sobem umas nas outras, confundindo-se, criando um mutualismo loucamente brasileiro em vários tons de verde e ainda por cima nasce uma flor roxa no meio. Mas você não viu, porque, impaciente, matava o tempo jogando no celular.

Seu amigo fez a janta, colocou folhinhas de manjericão colhidas na hora em cima do simples macarrão com molho vermelho, você nem olhou a refeição que engolia quase sem paladar. Seu amor beijou seus olhos e suas mãos quando você se queixou da canseira do trabalho, mas você não tinha mais energia para sentir e perceber o gesto de carinho.

Uma criança cisma em chamar a sua atenção, subindo e descendo o rosto no banco do ônibus a sua frente, você quase se distrai, mas respira fundo, expira a monotonia que vem de dentro e volta a se embrenhar nas nuvens densas e importantes dos seus pensamentos.

Desenharam um coração com chocolate em pós no seu cappuccino, mas você só consegue ficar mergulhada na lembrança do seu coração machucado.

Tanta coisa a ser resolvida, tanta coisa a ser digerida, é preciso foco no que importa, é preciso seguir rápido, é preciso pensar no amor, no trabalho, nas conquistas a serem atingidas, nas frustrações de não ter chegado aonde queria ainda, é preciso não se deixar perder nas pequenas coisas, o tempo urge, a vida é curta, as pessoas se atropelam, a corrida é injusta, a canseira toma seu corpo e sua alma. É preciso ver a vida em preto e branco por todos os lados cegos que se olha até que, depois de muita luta, você conquiste finalmente o direito de se libertar e apreciar as singelezas da vida. Se é que até lá seu olhar saberá encantar-se novamente.

Mas agora, a vida, os detalhes, as pequenas belezas… ficam para quem tem tempo de se permitir ser criança para sempre. Não é mesmo?

Imagem de capa: HBRH/shutterstock

Resiliência: levantar-se toda vez que a vida ferra com tudo

Resiliência: levantar-se toda vez que a vida ferra com tudo

Constantemente, passamos por situações que esgotam as nossas forças e minimizam os nossos ânimos. Por mais que tentemos escapar, inevitavelmente nos decepcionaremos com as pessoas, seremos rejeitados por alguma paixão, reprovaremos em provas e concursos, seremos preteridos em vagas de empregos ou em promoções em nosso trabalho, choraremos o luto de pessoas especiais, dentre tantos outros reveses pelo caminho.

Estamos sempre preparados para receber o melhor em nossas vidas, ao passo que fugimos à necessidade de estarmos prontos a enfrentar o avassalamento que certos momentos trarão – e eles virão. Parece-nos ser muito natural expormos os sucessos, as conquistas, tudo aquilo que deu certo em nosso caminho, porém, dividirmos nossos equívocos e fracassos chega a ser quase impossível, uma vez que negar algo parece afastar aquilo de nós. Doce ilusão.

Negar nossos fracassos não os impedirá de baterem à nossa porta, obrigando-nos a encarar nossas fraquezas, a refletir sobre o que viemos fazendo de nossas vidas, para que possamos repensar e operar mudanças que nos tornem habilitados a deixar de cometer os mesmos erros. É inevitável despendermos tempo para voltarmos nossas atenções ao nosso pior, digerindo aquilo tudo e renascendo para novas tentativas, com a mente reoxigenada.

O tempo nos ensina a confiar nele e nas verdades que ele sempre nos traz, bem como na infalibilidade da colheita a que todos estaremos sujeitos, de acordo com a qualidade das semeaduras que deixamos pelos caminhos. É preciso que estejamos conscientes de que muito do que sofremos é resultado tão somente de nossas ações, ou seja, agir com vistas às futuras consequências do que fazemos hoje nos poupará de amanhãs dificultosos.

Após as devastações emocionais que passam por nossas vidas, derrubando tudo o que há pela frente, minando nossos sentidos e roubando nosso fôlego, será o momento de decisão, de retomada, de reerguimento. A dor, a revolta e o alquebramento que fatalmente nos invadirão serão úteis, para que esgotemos nossa tristeza, sorvendo-a até que se esvazie e sejamos preenchidos pela construção paulatina de certezas cheias de esperança, com a ajuda dos amigos, da família, do parceiro, de quem, indubitavelmente, estará sempre conosco, junto, disposto, com acolhimento sincero e sorriso verdadeiro.

Trata-se de um processo lento, que requer paciência e resignação, fé e confiança em nós mesmos, em nossa capacidade de nos reinventarmos, de solucionarmos o que parecia impossível, de enxergar refletidamente o mundo à nossa volta, aprendendo e reaprendendo a cada dia. Não poderemos agir e escolher corretamente o tempo todo, mas poder contar com amor verdadeiro nos apoiando fará toda a diferença nos momentos em que a vida não dá certo. É assim que a gente cresce e é assim que a gente vira gente de verdade.

Imagem de capa: Petrenko Andriy/shutterstock

Da vida quero o melhor

Da vida quero o melhor

Houve um tempo em minha vida que eu não sabia desejar.

Desejava pouco, não me achava à altura de receber tanto, e não estava pronta para querer o melhor.

O algodão doce, com aquela textura que desmancha na boca e enche os olhos, não era pra mim. Preferia brincar de riscar o chão com o palito que sobrava a me lambuzar com o açúcar colorido daquela nuvem açucarada.

Imaginava que podia ser feliz sem desejar muito. É certo que podia, mas será que lá no fundo eu não tinha medo de ser feliz por completo?

O medo de desejar e não conseguir, a dúvida de correr o risco de me frustrar e a pequena estima que eu tinha por mim mesma me isolavam de tudo de bom que a vida me reservava.

Mas a vida me surpreendeu, e me deu de presente o algodão doce inteiro, gigante, colorido e muito açucarado.

Aprendi a aceitar os presentes da vida. Aprendi a permitir que a doçura me encontrasse e saciasse meu paladar. Aprendi a não recusar o melhor que pode me acontecer, e finalmente entendi que mereço boas surpresas sem me sentir endividada.

A auto sabotagem é muito perigosa. Diferente da humildade, que aceita e agradece, a auto sabotagem é orgulhosa, afasta as boas surpresas e se presenteia com avareza. Aceita farelos, recusando a fatia inteira por não ter aprendido a reconhecer-se merecedor.

Quero mais nuvens de algodão em minha vida. Quero pedaços inteiros derretendo em minha boca e sujando meus dedos. Quero açúcar colorido borrando meus dentes e enfeitando minha língua. Já não me contento em riscar o chão usando o palito do algodão doce que não provei.

Que você deseje o melhor da vida e descubra que não há mal nenhum em aceitar a felicidade inteira, doce, completa.

Que você recuse o café morno, o vinho insosso, o leite rançoso.

E perceba que merece o dia que começa com um bule cheio de café quentinho, xícara de porcelana, beijo de bom dia, pãozinho da padaria, roupa que serve, sapato que não aperta, cabelo que coopera.

E, enfim, que reconheça que não há mal nenhum em desejar o melhor da vida a si mesmo.

A vida _ e os algodões doces _ agradecem…

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Imagem de capa:r Kseniia Perminova/shutterstock

Pode quebrar a cara, moça, só não pode desistir de amar.

Pode quebrar a cara, moça, só não pode desistir de amar.

Ah, o amor. Tão bom senti-lo, tão amargo afastá-lo. Imponente, arrebatador, gigante, inexplicável. Descrito em poemas, filmes, romances, o amor move a história de cada um de nós, bem como a roda da humanidade, acordando nossos sonhos e enterrando as ilusões. Preenche tão prazerosamente nosso ser, que, quando fere, assola nossos sentidos com força dolorosamente insuportável. E quantas vezes então prometemos a nós mesmos nunca mais amar de novo.

Não escolhemos a quem amaremos, pois independem de nossa razão o sentimento de carinho, a química, a completude que nos toca, quando nos encontramos com certas pessoas. Até poderemos tentar nos forçar a gostar de alguém, para que consigamos conviver pacificamente, na escola, no trabalho, nos ambientes sociais, porém, certas pessoas entram em nossos corações sem pedir licença, sem senão nem por quê, como se já estivesse reservado a eles um lugar especial dentro de nós. Amor que adentra, preenche, amor tempestade de verão, que vem com tudo.

Outros nos conquistam aos poucos, de mansinho, sorrateiramente, à medida que vamos conhecendo melhor. Não fazem alarde, não se destacam em meio aos demais, mantendo a autenticidade ali, silenciosamente, mas sempre presente. Quando nos damos conta, eles já estão dentro de nós, fazendo parte do nosso melhor, assim do jeitinho que são. Nada forçam, nunca se negam, sempre a postos. Amor que se constrói, que se conquista, que se instala e ponto. Que vem feito música.

Inevitável, porém, infeliz certeza, encontrarmos o vazio, a dor, as lágrimas, para além da afetividade gostosa que o amor traz. O tempo esfria as coisas, distancia, revela. O tempo descortina o véu das ilusões, pois ele anseia pela verdade – e ela então chega. Chega muitas vezes de forma desagradável e antipática, mas sempre transparente. E é assim que iremos reafirmar algumas certezas e amargar o que não era, quem nunca deveria ter sido é nada junto de nós.

Infelizmente, traremos para junto de nossas vidas quem nos decepcionará, quem nos trairá, quem não nos ama, porque não se ama, porque não sabe amar. Ficaremos arrasados, descrentes de tudo, rebelando-nos contra o amor, tentando expulsá-lo da gente, fugindo e negando. Pois é, será tudo em vão. O amor não pede permissão, simplesmente acontece.

Sim, iremos amar e amar, de novo e de novo, à revelia de nós mesmos, felizmente. Porque mais triste do que chorar a desilusão amorosa é passar o resto de nossos dias sem partilhar amor. Não desista de amar. Quebre a cara, mas não deixe de amar. Alguém haverá de te devolver inteireza, verdade, riso e lágrima na medida certa, para sempre. É assim que tem de ser e assim será.

Imagem de capa: sergey causelove/shutterstock

A batalha mais difícil é aquela que a gente ainda não lutou

A batalha mais difícil é aquela que a gente ainda não lutou

Nem sempre somos muito espertos em relação ao que deixamos entrar, passar, sair ou continuar em nossas vidas. Em geral, fazemos opções movidos pela emoção. E este, talvez, seja o maior e mais perigoso equívoco sobre o qual temos total e intransferível responsabilidade. Decisões precisam ser tomadas no plano da razão. Depois de tomada a decisão, aí sim, podemos nos emocionar com, e por ela.

Também não é muito do nosso feitio entender, assim de pronto, as coisas que nos acontecem. Corremos o grande risco de supervalorizar ninharias e menosprezar aqueles acontecimentos que de fato deveríamos entender como experiências de conhecimento, autoconhecimento e transformação.

Não raras vezes, o que nos modula é o quanto aquilo que nos acontece causa impactos imediatos em nossas vidas, em vez de buscarmos compreender que absolutamente tudo, tudo mesmo, se dilui e se ressignifica com o tempo. Também não é nada incomum termos percepções doloridas ou cheias de empolgação, baseados num estado de ânimo temporário, em vez de nos lembrarmos que é da nossa natureza a inconstância das emoções e da intensidade naquilo que sentimos.

Quantas vezes já não nos aconteceu de acharmos graça em algo que nos aconteceu no passado; e que, naquele momento parecia ser o fim do mundo, o fim da picada, o fim do fim? Quantas vezes já não nos arrependemos por não termos dado a devida importância à desolação de um amigo, só porque ele andava assim meio melodramático e aquilo já parecia ter virado um hábito a esgotar a nossa paciência? E, quantas outras vezes não nos lamentamos por termos esquecido de lembrar, que para cuidar de quem quer que seja precisamos, antes, estar inteiros, porque não adianta querer curar feridas alheias enquanto as nossas próprias feridas ainda sangram?

É… não é mesmo nada simples conviver. Também não é nada menos complexo viver com a nossa própria pessoa. E não há garantias de acerto, assim como não soam alarmes ou sirenes antes de cometermos algum erro, seja ele pequeno e corriqueiro ou terrivelmente grave. E, não, não há como escapar das coisas inesperadas e nem como prever o último dia de nada, nem de ninguém. Somos todos guerreiros travando batalhas pessoais, encarando novos desafios todo santo dia. E a batalha mais difícil não é aquela da qual ainda guardamos lembranças, arranhões e cicatrizes. A batalha mais difícil é aquela que a gente ainda não lutou!

Imagem de capa: Tomsickova Tatyana/shutterstock

Você deixou saudades, mas não está fazendo falta

Você deixou saudades, mas não está fazendo falta

Sentir saudades de você não machuca, pois significa que foram reais os nossos momentos. Mas é bem diferente de você estar fazendo falta, porque não está. Depois de um tempo, você deixou de ser recíproco e de fazer a sua parte. Você não teve cuidado e nem investiu o que deveria. Fatalmente, cansei e resolvi acreditar que mereço um alguém com o coração mais disposto.

Não vou ser hipócrita, aprendi muito contigo. Todo mundo absorve e deixa algo numa relação, é natural. O que não cabe é quando essa troca deixa de lado o querer para dar lugar aos abusos e egoísmos. Você me teve na plenitude, mas não foi o suficiente para esse seu jeito pequeno de sentir. Foram inúmeras vezes onde te coloquei pra cima e você me puxou pra baixo. Desgaste atrás de desgaste, a minha vontade de ficar foi morrendo aos poucos.

Acho que a gente não pode se deixar anular nesses casos. Por mais que existisse o meu afeto por você, tive que parar e pensar no quanto isso estava me afetando. Não era soma o que você queria e, com certeza, não era amor o que a gente tinha. Mesmo tendo boas lembranças do nosso passado, também sobraram muitas cicatrizes. Chega uma hora que não compensa permanecer e lutar por alguém sem envolvimento. É digno abrir e jogo e dizer – desisto.

Mas tenho gratidão pela nossa caminhada. Não é justo vir aqui e dizer que nada prestou. A saudade que sinto são daqueles instantes nos quais a simplicidade acompanhava os nossos carinhos. Das longas conversas, das risadas, da admiração mútua pelos desejos expostos em quatro paredes e dos silêncios que a gente sabia curtir a dois. Tudo isso vou levar comigo. Não para comparação, mas para uma espécie de maturidade e evolução das coisas que quero num futuro relacionamento, entende?

Agora, não é porque deixei aqui a minha alma nua que quero expressar nas entrelinhas a falta que você faz. Falta nenhuma de você, lamento a decepção. Somos um recorte dos amores que já vivemos, é verdade. Mas não confunda, em hipótese alguma, que cada saudade que tenho é um motivo para reviver uma história que terminou com um ponto final. Se ainda tivesse parado nas reticências…

Imagem de capa: MarinaP, Shutterstock

Então, você vai ser mãe

Então, você vai ser mãe

Então você fez o teste de farmácia, o exame de sangue, o ultrassom, e descobriu que está grávida. Então seu corpo mudou, você passou a se alimentar melhor, está bebendo mais de três litros de água por dia e evita ultrapassar os carros pela direita. Passou a seguir blogs de maternidade, reformou o antigo escritório para ser o quarto do bebê e fez a mala da maternidade. Se programou para amamentar de três em três horas, comprou um sling para carregar o bebê para qualquer canto e tem certeza que, com o exemplo do pessoal de casa, seu filho irá gostar de ler e não dará trabalho para comer beterraba.

Eu gostaria de acreditar que tudo aquilo que sonhamos correrá exatamente como planejamos. Gostaria de pensar que há uma porção de regras que garantirão que nada sairá dos trilhos. Porém, a vida não funciona assim. E na maioria das vezes o que ela quer de nós é evolução, é mudança. E não há algo maior nesse mundo, algo que nos transforme tanto, do que ter um filho.

Ter um filho nos arremessa para bem longe da zona de conforto, da comodidade e do conformismo. Nos faz buscar respostas, decifrar mapas e pegadas na areia, ter soluções para o mistério das nuvens de algodão e do arco íris refletido nas bolhas de sabão. Nos torna heróis da noite para o dia, nos faz ter olhos de simplicidade e poesia. Ter um filho é andar de mãos dadas com uma pessoinha que te vê maior que o mundo, é sentir os dedos melados de açúcar e saliva, é aprender a ser paciente com o suco esparramado no vestido na hora de sair e com as pausas para catar gravetos no caminho para o dentista.

Então você vai ser mãe e eu gostaria que você soubesse que mesmo planejando, organizando, arquitetando e estudando tudo nos mínimos detalhes, ainda assim você irá se surpreender. Ainda assim você ficará perdida em alguns momentos e não encontrará as respostas em nenhum livro, site, palpite ou bula. Seu filho irá exigir que você encontre as respostas dentro de você. Irá lhe fazer entender que é um caso único entre infinitos, e que, de um jeito novo, surpreendente e improvável, contrariando todas as previsões e estatísticas, você dará conta.

Você perceberá que deu conta quando a casa silenciar e você for cobri-lo na penumbra do quarto, e sentada na beira da cama desejar que o tempo congele. Você perceberá que deu conta quando ele tiver onze anos, e no intervalo das lições de ciências ouvir ele dizer um “eu te amo” gratuito, sincero e espontâneo. Você perceberá que deu conta quando notar o olhar aflito de seu pequeno te procurando na plateia da apresentação da escola, e então ser notada e presenteada com olhinhos brilhantes de alívio e amor. Você perceberá que deu conta quando, tarde da noite, o telefone tocar e ele te pedir conselhos para cuidar do próprio filho, pois você foi “a melhor mãe do mundo”.

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Então você vai ser mãe e eu desejo que você possa viver essa experiência intensamente. Que sua casa seja invadida por aviões de papel, alguns rabiscos nas paredes e manchas de Nescau no sofá. Que você passe mais tempo construindo cabanas de cobertor e barcos de sucata do que aspirando o carpete, e não desperdice o tempo que vocês têm juntos com excesso de trabalho e preocupações com o futuro. Lembre-se que a infância é um sopro, e num instante você terá todo tempo do mundo só para você e muita saudade da cama compartilhada depois de um pesadelo, do abraço envergonhado perto da escola, das marcas na parede evidenciando o aumento de estatura, dos verbos conjugados arduamente, da primeira visita da fada do dente.

Eu pensei que tinha planejado tudo. Pensei que poderia ser apenas o tipo de mãe amorosa que conta histórias, cuida, brinca e reza para dormir. Mas meu filho veio me tirar da zona de conforto. Eu tinha me habituado a ser o tipo de pessoa carinhosa que conquista tudo com seu afeto. Mas ele não queria só isso. Ele queria se sentir seguro. E só se sentiria seguro se eu fosse uma mãe posicionada, firme, enérgica e confiante. Ele queria limites. Queria que eu demonstrasse meu amor por meio dos limites. E me transformou. Me tornou uma pessoa mais determinada e cheia de fé em si mesma, muito diferente do que eu era. Hoje sei que nada te prepara para ter um filho. Nada te prepara para ser confrontada por um serzinho que irá lhe tornar mais forte, firme, imbatível. Para te tornar, com sorte, uma pessoa melhor.

Então você vai ser mãe e eu torço para que saiba aproveitar esse momento com alegria. Para que respire vapores do momento presente e não lamente o “trabalho” que as crianças dão. As noites em claro, viroses e birras não irão durar para sempre, e se você tiver doado seu tempo com alegria, interesse e presença verdadeira, terá conseguido desempenhar sua missão com louvor. E talvez um dia, depois de cumprir o ritual dos pijamas e escovas de dentes, você irá respirar fundo e pensar, com antecipada nostalgia, que aquele é um momento mágico; um momento que justifica e valida a vida, um momento que será revisitado e lembrado para sempre…

Imagem de capa: Dubova / Shutterstock

O título desse texto foi inspirado no título “Então, você vai ser pai” de Marcos Piangers

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O verão chegou. Você sabe proteger seu cachorro na estação mais quente do ano?

O verão chegou. Você sabe proteger seu cachorro na estação mais quente do ano?

Seja por falta de experiência ou interesse na hora de tomar algumas precauções, as estatísticas apontam que muitos proprietários de animais são negligentes durante a estação mais quente do ano.

Basta um pouco de atenção a algumas dicas e cuidados, e seu mascote vai curtir um verão mais divertido e refrescante ao lado da família.

Começando pelos passeios: a indicação é que sempre ocorram na parte da manhã até às 10:00 horas, e na parte da tarde após às 17:00 horas. O piso entre 12:00 e 16:00 horas está escaldante, podendo causar inúmeras queimaduras nas patinhas do cãozinho. É importante ressaltar que mesmo utilizando sapatinhos, o cachorro não estará isento de certos desconfortos, já que esses animais também transpiram pelas patas e não somente pela língua. Contudo, isolar as patinhas dentro de sapatos, mesmo que apropriados, não é confortável para o seu peludo.

Ainda no passeio, é indispensável carregar uma garrafinha de água para oferecer aos cachorros durante a caminhada para que não desidratem. Borrifar um pouco dessa água no corpo deles também auxilia no frescor.

Jamais deixe um cão trancado em um carro. Se for parar em algum lugar, que seja breve e deixe os vidros abertos, caso contrário, os animais podem vir a óbito por asfixia ou hipertermia.

Já para alegria da cachorrada uma dica bem legal é congelar carnes e pedaços de frutas, criando um tipo de picolé gigante. Além de aliviar o calor, o alimento congelado será bem divertido para o seu amigo. Colocar cubos de gelo na vasilha de água também é uma ótima opção.

Algumas raças necessitam de maiores cuidados, principalmente cães braquicefálicos (focinho achatado), como Pugs, Buldogues, Shih Tzus, pois o focinho curto implica em uma respiração com maior dificuldade, favorecendo insuficiencia cardíaca, respiratória, e parada cardiorrespiratória.

Também evite deixar seu animalzinho em lugares fechados, pouco arejados e com escassez de água.

Para quem possui cães agressivos, que estão entre as raças obrigadas a utilizar focinheira, opte sempre pelos acessórios de grade, ou seja, abertos, que possibilitam ao cão poder abrir a boca e transpirar pela língua. Nada de colocar focinheiras fechadas e sem a opção para entrada e saída de ar. Um cão, como membro da família, deve desfrutar de todo o conforto e cuidado com responsabilidade.

Imagem de capa: Ross Stevenson/shutterstock

Moço, não use essa mulher como “muleta”. Seja homem para viver o seu luto.

Moço, não use essa mulher como “muleta”. Seja homem  para viver o seu luto.

E então, vai mesmo namorar essa moça? Mas, vem cá, um dia desses, você estava se queixando pelo fim do seu último relacionamento. Ficou claro que você estava profundamente machucado por essa ruptura, não parecia uma dor de cotovelo qualquer, não parecia um ressentimento superficial, tampouco parecia orgulho ferido. Seu sofrimento pareceu-me visceral.

Relacionamento longo que você viveu, né? Mas que acabou e te deixou sem chão. Achei seu desabafo corajoso, sincero e cheio de beleza. Sim, mostrar as nossas fragilidades ao outro nos torna mais humanos. Tirar as nossas armaduras perante o outro, não é algo fácil, requer coragem e humildade, contudo, nessa coragem reside uma beleza descomunal.

Pois bem, preocupa-me essa decisão repentina de se relacionar. De verdade, isso me surpreendeu. Sabe, sou super a favor dos recomeços, todos nós precisamos deles, contudo, ele não pode ser antecipado. Não pode ser precoce. Pelo menos quando se trata de um recomeço amoroso.

Como você vai iniciar um namoro machucado desse jeito? Essa moça sabe do que se passa aí dentro do seu coração? Você foi franco com ela? Contou a ela ao menos a metade do que me contou quando desabafou? Olha, é humanamente impossível você ter finalizado esse luto daquele dia para cá. Sei do que estou falando. Moço, pensa direito.

Não estou vendo nenhum entusiasmo quando você fala dessa moça que você diz querer namorar. Não seria melhor você ser honesto com o que está sentindo? Sabe, o luto amoroso não é uma frescura ou coisa de gente frouxa. Por que não espera essa ferida cicatrizar? Viva o seu luto com coragem, desarme-se, você não precisa provar nada para ninguém. Cuidado com essa história de curar um amor com outro. Isso, nem sempre funciona. O tiro pode sair pela culatra. Isso pode ser uma experiência desastrosa.

Talvez essa moça já venha de um histórico difícil no que tange aos relacionamentos afetivos. Pode ser que ela esteja vendo em você uma possibilidade de reescrever a história dela. Mas você não terá como oferecer o que ela busca. Você está machucado demais para acrescentar algo ao coração de alguém. Não vejo brilho em seus olhos quando fala dela. Parece que está falando de alguém que vai prestar algum serviço a você, sei lá.

Eu pude perceber seus olhos brilhando quando você falou de sua ex, das coisas que vocês viveram. Sim, mesmo em meio às suas lágrimas, esse brilho se manifestou em alguns relatos da história de vocês. É muito provável que, mesmo sem intenção, você machuque essa moça. Pode acontecer de ela se apaixonar e você não ter condições de retribuir. Pode ser que você se esforce para se apaixonar por ela, mas isso não depende de esforço. A paixão e o amor possuem mecanismos próprios para se manifestarem. Eles dispensam planos mirabolantes, ou empurrõezinhos.

Por mais encantadora que essa moça seja, ela não vai conseguir abalar suas estruturas. Sua apatia não permitirá perceber nada de interessante nela. Você até pode perceber, de forma racional, mas o coração estará indiferente. Eu sei que isso dá muita raiva na gente. Ficamos inconformados quando estamos diante de uma pessoa espetacular e o coração faz cara de paisagem. Parece ironia do destino, né?
Não queira se enganar, isso não será possível por muito tempo. Dê um tempo a si mesmo, não tenha pressa. Seja franco com a moça sobre a sua condição atual. Proponha uma amizade, quem sabe, futuramente, o cenário muda. Sim, que você vai superar o luto do que acabou, é fato. Mas, é possível que você se encante por essa moça com verdade, da forma que os romances merecem. Com o coração saindo pela boca. Com taquicardia. Com mãos trêmulas. Com paixão. Com entrega. Com verdade.Com gula… Sem faz de conta.

Imagem de capa: Olga Gu/shutterstock

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