Tomar café com um amigo: uma das melhores terapias do mundo!

Tomar café com um amigo: uma das melhores terapias do mundo!

É cada vez mais difícil alguém conseguir ter algum tempinho de sobra ao longo do dia. Tudo é tão corrido, tão urgente, que as pessoas não mais têm tempo para desfrutar de um passatempo, de uma amizade, para não fazer absolutamente nada, apenas descansar. Trabalha-se mais, acumula-se serviço, enquanto os relacionamentos humanos se esvaziam cada vez mais.

Ninguém aguenta, por muito tempo, passar as horas tão somente num pique atarefado e comprometido com responsabilidades que não trazem algum sossego. Por mais que se goste de trabalhar, o corpo e a mente precisam de descanso, de um intervalo em que se consiga tirar um pouco de peso dos ombros. E nada melhor do que um amigo verdadeiro para ajudar essa vida a se tornar menos densa e pesada.

Não há quem possa manter um mínimo de equilíbrio sem ter ao menos uma pessoa com quem dividir momentos de descontração e divertimentos, mesmo que simples, como um cafezinho ou uma cervejinha, para espairecer e se esquecer, por breves momentos que sejam, do montante de dissabores que fazem parte da vida. Rir com verdade, conversar sobre amenidades, lembrar-se de momentos especiais, tudo isso alivia a carga massacrante que o cotidiano nos obriga a enfrentar.

Amigos não devem servir somente para consolar e ouvir nossas agruras, mas também podem ser ótimas companhias para as ocasiões em que dividimos amenidades frugais, sem nada de sério pairando sobre a conversa, apenas sorvendo aquele ócio que recarrega nossas baterias e nossas energias. Amigos nos ajudam nos momentos de escuridão, mas também nos alegram quando precisamos apenas estar com alguém para dividir café e risadas.

Não podemos deixar de lado a necessidade de desfrutar momentos de lazer, junto a pessoas boas e verdadeiras, para que não sucumbamos diante dos inúmeros problemas que lotam nossa vida de entraves. Nosso emocional precisa de refresco e serão as pessoas que nos amam sem ressalvas os calmantes especiais que tornarão nossos passos mais seguros. Nada como um café com a pessoa certa.

O Natal está chegando! Prepare seus melhores sentimentos.

O Natal está chegando! Prepare seus melhores sentimentos.

Estamos vivendo o período mais festivo do ano. Tempo de confraternização, presentes, encontros e reencontros. Deixe-se levar pelos bons sentimentos que estão no ar e aproveite a festa; permita-se contagiar por eles.

Sinta o prazer de estar mais perto, apreciando a companhia de quem lhe quer bem. O Natal é exatamente isso: um tempo em que as pessoas permitem-se ficar mais próximas umas das outras e experimentar as boas emoções de forma mais intensa.

Nenhuma época do ano é tão propícia para reflexão quanto essa. Nesse momento são feitos pequenos balanços e tudo é colocado na ponta do lápis; a alegria pelo que deu certo é exposta, o que faz deste um tempo de sorrisos abundantes; e novas expectativas são lançadas, em favor de acertar o que não deu certo até então. Permita-se entrar neste clima e analisar como foi o desenrolar desses últimos meses.

No Natal as pessoas tornam-se mais abertas ao diálogo e mais dispostas a retomar as relações que não foram bem-cuidadas ao longo do ano. Aproveite para rever as suas e fazer os ajustes necessários para que sejam mais prazerosas daqui para frente. É a época perfeita para resgatar a proximidade com familiares e amigos que andam meio distantes de você.

Aproveite também para fazer as pazes consigo mesmo, com a balança e com o espelho. Não perca tempo contrariando o fato de que você é uma pessoa especial por ser exatamente como é.

Pense também nos sentimentos que quer cultivar. Neste tempo o que mais se quer é Paz e Amor no coração. Projete os mesmos desejos para os meses que se seguirão. Busque acima de tudo, viver de forma pacífica com as pessoas que estão à sua volta. Livre-se de intrigas e relacionamentos pouco saudáveis. Isso o ajudará a viver em paz consigo e a sentir-se mais amado.

Por fim, comemore com entusiasmo e leveza. Pense em quanto você é afortunado em poder celebrar mais este Natal. E seja grato! Você recebeu uma dádiva e deve celebrá-la. Afinal, a vida é o presente mais incrível que existe.

– Para você, Paz e Luz neste Natal!

Imagem de capa:  Roman Samborskyi/shutterstock

Una Furtiva Lácrima

Una Furtiva Lácrima

Era tarde da noite e eu assistia televisão – na verdade zapeava todos os canais, sem nenhuma paciência e completamente entediado –. Não tinha vontade de ver nada, só precisava fingir estar fazendo alguma coisa para não me sentir tão culpado por não estar dormindo. Eu acordaria cedíssimo no dia seguinte. Até que a programação de um dos canais me chamou a atenção, Era o filme “A hora da estrela”, da diretora Suzana Amaral, baseado no romance homônimo de Clarice Lispector. Eu nunca tinha lido o romance, mas, nas aulas de literatura do curso pré-vestibular já tinha ouvido falar sobre a trama e os personagens. O filme já tinha começado e eu fui introduzido a uma cena que, logo de cara, me intrigou: Macabéa, a protagonista da história, tentava, com seus parcos recursos linguísticos, estabelecer um diálogo com Olímpico de Jesus, seu namorado. Pareciam não ter nada a dizer um ao outro, ou ter muito o que dizer, mas sem saber como fazê-lo. A dificuldade de comunicação entre eles me causou uma agonia indescritível. E a agonia me acompanhou nas cenas seguintes, afinal a heroína da história era alguém que eu conseguia reconhecer entre as pessoas do meu convívio; jovem, desamparada, terrivelmente ingênua, muito pobre e ignorante, então os infortúnios dela ao longo do filme me doíam, me envergonhavam… Tive raiva de Macabéa. Como pode ser tão estúpida? Como pode ser tão ignorante? Mas a raiva vinha atrelada à compaixão. Sentimentos controversos despertou em mim a personagem. Em resumo, não consegui desgrudar os olhos da tela da TV.

Mas não é resenhar o filme a intenção desse texto. A intenção é chegar à cena do filme que desencadeou em mim uma série de lembranças, análises e autoanálises. A cena em questão é prosaica para alguns, mas cheia de significados para outros; nela, Macabéa está trancada no seu quarto de pensão ouvindo o rádio relógio pela madrugada, quando começa a tocar Una Furtiva Lácrima, ária do último ato da ópera L’elisir d’amore, de Gaetano Donizetti, composição belíssima e triste. Macabéa, a princípio uma ouvinte displicente, aos poucos se deixa tocar pela beleza da música, se emociona genuinamente e chora, mesmo sem entender ao certo por que o faz. Na cena seguinte, já no outro dia, ela relata ao namorado que na noite anterior escutou uma música linda, cantada por “um homem que já morreu”. Macabéa é uma legítima representante das camadas mais baixas da população brasileira, inculta e ignorante. Mas a sua ignorância não a impede de se emocionar com uma música bonita. A beleza, então, atinge a todos, indiscriminadamente. E foi justamente a partir dessa cena que eu entendi quem é que eu mais reconhecia na figura da protagonista de “A hora da estrela”. Era meu pai.

Homem simples, de origem humilde, com pouquíssimo estudo, meu pai trabalhou como pedreiro por toda a sua vida. – dizia ser essa a única coisa que sabia fazer. Mas, contrariando às expectativas daqueles que imaginam que uma pessoa que ganha a vida fazendo trabalho braçal é alguém que transfere a rudeza das práticas do seu ofício para as relações interpessoais, era doce e carinhoso e tinha uma alma sensível. Era alguém capaz de passar horas em silêncio contemplando um céu estrelado e que se interessava pelas artes, mesmo sem ser um conhecedor do assunto. Me lembro com nitidez de vê-lo todas as noites recolhido no seu quarto assistindo a algum documentário sobre Mozart, Bethoven, Picasso ou Van Gogh, enquanto minha mãe agregava os filhos em frente à TV da sala para ver novelas mexicanas. Às vezes acho que ouço de novo a voz dele me chamando para o quarto com extrema empolgação para acompanhar um programa sobre a Revolução Francesa. Eu sempre atendia ao seu chamado com prontidão, mas o fazia muito mais por obrigação do que por vontade própria. Não tínhamos uma relação muito próxima, afinal ele trabalhava muito e quando estava em casa parecia alheio aos problemas da família. Talvez eu o enxergasse como alguém que não fazia a menor ideia de quem eu era, ou que, na melhor das hipóteses, sabia de mim apenas o pouco que eu revelava. E eu nem sabia ao certo se esse pouco que eu revelava era verdade ou invenção. Mas talvez eu estivesse enganado . Hoje começo a acreditar que meu pai me enxergava tão bem que foi capaz de me decifrar sem que eu tivesse lhe dado nenhuma pista.

No início da minha adolescência eu decidi que queria ser escritor. Não foi uma surpresa para a minha família, que me viu desde criança interessado nos livros e exercitando exaustivamente a minha criatividade, mas era uma decisão no mínimo pouco convencional para um garoto que é filho de um pedreiro que estudou até a quarta-série e de uma dona de casa que nunca demonstrou interesse pela literatura. E eu pus na cabeça que, se eu não podia, por motivos óbvios, ter um computador para produzir meus textos, precisava de uma máquina de escrever, equipamento que há tempos tinha caído em desuso e por isso podia ser comprado de segunda mão a um preço consideravelmente mais acessível. Quando disse isso aos meus pais era uma manhã de domingo. Todas as manhãs de domingo na minha casa eram iguais, nos reuníamos na cozinha. Minha mãe fazendo o almoço, meu pai ajudando como podia – seja preparando a salada ou destrinchando o frango – , meu irmão e eu ao redor da minha mãe perguntando a cada cinco minutos se o almoço já estava pronto, e em cima da mesa da cozinha o rádio de pilhas ligado na Rádio Socorro AM, em que um locutor de voz grave e sotaque interiorano carregado atendia aos ouvintes e anunciava músicas sertanejas. Eu naquela manhã interrompi a já conhecida dinâmica familiar e disse com a maior propriedade do mundo, “Preciso de uma máquina de escrever porque vou escrever um livro.”. Minha mãe achou graça, mas meu pai reagiu diferente, ele quase que imediatamente pegou o telefone e ligou para a Rádio Socorro pedindo que o locutor anunciasse que estávamos à procura de uma máquina de escrever. O locutor fez o anúncio e minutos depois recebemos o telefonema de uma senhora que estava disposta a vender por vinte reais a máquina de escrever que tinha sido do seu filho, falecido há quase vinte anos. Meu pai então me levou à casa dessa senhora no mesmo dia e, com notório orgulho, comprou para mim a Olivetti Studio 46 maltratada pelo tempo e já sem duas teclas, que seria, nas palavras dele, meu instrumento de trabalho. O equipamento e eu, ao contrário das expectativas do meu pai, nunca nos demos bem, mas é claro que eu nunca disse isso a ele. E a partir daquele dia ele passou a me perguntar quase diariamente, “E o livro?”, no passo que eu respondia, “Tá indo, pai…”.

Hoje, seis anos após a morte do meu pai, sinto que o compreendo muito mais do que conseguia quando ele era vivo. Ele pouco fazia por si mesmo, mas dava tudo de si pelas pessoas que amava, pois se realizava nas nossas alegrias e conquistas. O brilho nos olhos dele quando me deu a máquina de escrever é uma lembrança que me emociona profundamente. Que alma sensível e generosa! Às vezes me pergunto, como alguém pode levar uma vida tão dura, cheia de privações e decepções e ainda preservar no espírito a doçura de alguém que vive no melhor dos mundos? Ainda preciso achar essa resposta. Meu pai não me viu chegar à vida adulta, mas no pouco tempo que teve comigo foi capaz de me entender quando eu mesmo não me entendia. Quando me chamava no quarto para ouvir música clássica tocando na TV, por exemplo, ele estava tentando saciar aquela minha fome de cultura, de conhecimento. Sim, ele sabia quem eu era. E ele é parte importante de quem sou hoje. Eu é que não o conhecia. Mas não me culpo. Sei que as coisas acontecem como tem que acontecer. Ainda hoje sinto a presença dele em alguns cantos da casa onde ele deixava as suas ferramentas de trabalho. Não sei explicar, só sei que sinto… E toda vez que eu olho para a Olivetti Studio 46 em uma estante no canto do meu quarto, sinto se renovar dentro de mim a vontade de realizar meus sonhos, afinal não devo isso somente a mim, devo a ele, que acreditava nessa minha vocação. A minha escrita, essa recém adquirida coragem de falar de mim mesmo, essa consciência de coisas que me eram tão confusas, não existiriam se não fosse por ele, se não fosse por Macabéa… E a única palavra que me vem em mente para encerrar esse texto é gratidão.

Imagem de capa:  Pemaphoto/shutterstock

Quem quer, dá um jeito! O amor só dá certo se houver reciprocidade!

Quem quer, dá um jeito! O amor só dá certo se houver reciprocidade!

“Não estou preparado para um relacionamento“. “Não sou a pessoa certa para você”. “Não quero te machucar”. São algumas das típicas desculpas de uma pessoa que não quer se envolver.

Quem já ouviu frases como essas, sabe que não adianta insistir, a pessoa já deixou mais do que claro que não quer nada sério.

Você pode se considerar um cara legal ou uma garota bacana, mas se ouviu frases como essas, sai que é barco furado!

Sei que não é fácil engolir um fora, mas tenho que ser sincera: por mais que você tente, mostre o melhor de si, é um caso ou outro que têm a sorte de dar uma reviravolta.

Penso que coisas que estão destinadas a acontecer, acontecem. E se não for, é livramento.

Acredite, o melhor está por vir e o universo sabe quando será o momento certo de chegar até você.

Esses dias saí com um casal de amigos e os observei. Notei a forma como ele cuida dela e ela cuida dele. A recíproca é verdadeira. A ligação que existe entre eles é linda de se ver. O sorriso bobo estampado na cara de ambos fez-me acreditar ainda mais que o amor existe e que é possível sim vive-lo.

Perguntei a eles como se conheceram. Eles disseram que foi em uma ciclo faixa, sim, em um ciclo faixa. Minha amiga saiu para andar de bike e exatamente nesse dia, a marcha dela resolveu dar problema. E para quem ela pediu ajuda? Sim, para seu atual namorado.

Meus amigos, o amor é assim, chega do nada, e torna-se tudo. Não é necessário correr atrás do amor. O amor vem atrás de você.

Relacionamento é estrada de mão dupla. Há movimento nas duas pistas. Se o afeto só vai ou vem, cuidado, têm acidente na pista!

Por isso, não gaste suas energias investido em alguém que não quer se envolver. Você merece muito mais. O amor só dá certo se houver reciprocidade!

Não é o sol, a chuva, a distância ou falta de tempo, se não tiver sentimento de ambas as partes, siga em frente.

Quem quer dá um jeito, quem não quer inventa uma desculpa.

Imagem de capa: 4Max/shutterstock

Seja fiel a seus princípios e não será difícil ser em seus relacionamentos

Seja fiel a seus princípios e não será difícil ser em seus relacionamentos

Ouso dizer que a infidelidade é um dos piores defeitos do ser humano, já que a falta de princípios abre as portas para outros piores como a mentira, o desamor e a falsidade. Ser infiel é muito mais do que trair. É ferir quem, além de te amar, um dia, confiou em você.

Nem na Literatura, o tema deixou de ser apresentado. De Shakespeare à Jorge Amado, as traições foram temas de várias obras e, curiosamente, eram baseadas em vingança, desamor e morte.

Há várias formas de traição e, em todas elas, há uma covardia sem tamanho envolvida. Há traições amorosas, sociais, familiares e profissionais e, em todas elas, as consequências são definitivas.

Traição nunca foi deslize ou acaso. Quem trai, faz sabendo do mal que irá causar no outro e das consequências da ação. O problema é que o traidor prefere satisfazer um desejo momentâneo à controlar-se a não cometê-lo. Drummond dizia que “no adultério há pelo menos três pessoas que se enganam”.

Engana-se quem acredita que a traição acontece apenas nos relacionamentos amorosos. Disfarçada de negligência, omissão ou medo, faz no trabalho, nos relacionamentos ou na vida social, as relações são mantidas pela reciprocidade que as envolve. Quando isso se quebra, a sensação é de um vazio imenso na alma.

A traição se apresenta de diversas formas: traímos um amigo quando deixamos de avisá-lo do perigo que o cerca. Traímos quando preferimos dizer ‘eu avisei” em vez de ajudá-lo a se levantar. Quando você sabe do mal que virá sobre ele, mas prefere “não se envolver”.

Traímos a nós mesmos quando, por medo da solidão, ficamos em relacionamentos abusivos. Quando negligenciamos os próprios sonhos e deixamos de vivê-los acreditando não merecê-los.

Não traia, não se traia, nem se engane. Lembre-se que a traição dói porque nunca vem de um estranho.

Confiança não é dado da noite para o dia, mas pode ser tirada em um piscar de olhos. John Maxwell , autor de mais de sessenta livros sobre liderança, afirmou exatamente isso: “não esperem que os outros confiem em você se sabe que pode trair essa confiança. Trabalhe seu caráter antes de trabalhar seus relacionamentos”.

Um conselho: não traia e não se traia. Antes de qualquer ação, lembre-se que a traição só dói porque nunca vem de um desconhecido.

Imagem de capa: YuriyZhuravov/shutterstock

O amor e sua natureza incontrolável

O amor e sua natureza incontrolável

É quase impossível falarmos sobre amor, ou sobre histórias de amor, sem fazermos menção a um clássico da literatura: Romeu e Julieta – de Shakespeare. Em todo o seguimento do romantismo, vemos a estrutura do ser humano sendo de certa forma, lapidada, quando se fala do amor romântico.

Não existe cláusula de sanidade para o amor, principalmente quando há a expectativa de uma convivência a dois. Vemos tudo isso no romantismo, que começou a ser difundido no século 19, (Até então, o único amor aceito no mundo euro-centralizado era o amor divino – fonte: Internet) Foi aí que o amor passou a se visto de forma diferenciada, com ideias motivadoras. Um homem e uma mulher num conjunto explosivo de emoções que afloram do coração vindo até a pele, causando arrepios. A adequação desse sentimento então, nos remete ao desejo de “ter um ao outro” e assim, viver a fantástica sensação de amar e ser amado. É reconfortante termos em cada um, individualmente, o amor em sua natureza pura. Vivemos a liberdade de amar, porque cada um tem sua forma e visão característica sobre o amor. À medida que vamos descobrindo suas fontes, a convivência justifica o objetivo a alcançar, porque muitas vezes, o esforço é sempre revestido de um prazer – a conquista da pessoa amada. É humanamente impossível vivermos sem uma pessoa com a qual nos importamos. Percebemos o quão importante é esse sentimento que inunda o coração dos amantes, esse sentimento que faz com que ouçam canções nos lugares mais inusitados e que desperta nos corações, o desejo de falar sobre ternura, sobre felicidade e porque não, sobre paixões impossíveis. Afinal, não se pode controlar a natureza do amor.

Ele chega na hora menos esperada, da forma menos imprópria, porque muitas vezes, deixa um coração despedaçado, noutras vezes, a mais pura alegria. Precisamos tomar cuidado apenas para que o amor encontre aconchego no coração certo, que alcance voo na direção certa, que faça diferença nos pequenos detalhes, que se emocione ao ouvir pequenas palavras, ou mesmo um simples “eu te amo”. Um amor que reverta a situação da lógica, mas que traga a realidade para dentro do coração, com a diferença da entrega consciente da grandeza de amar para fazer feliz, e não apenas ser feliz com esse amor. Porque amar é mais que receber, é principalmente doar. Porque amar exige renúncias e implica em oferecer razões para lutar por algo que pareça perdido. Podemos dizer que o amor tem o controle de tudo, mas não tem a posse de si mesmo, porque o amor “não é possessivo”, tampouco dominador, é apenas diferente. É… O amor é uma probabilidade de felicidade mútua. Sem medo, sem constrangimento, sem lacunas, só observação, mas que pode ser uma também razão, um crescimento individual, porque o relacionamento tende a crescer apenas com o suprimento na medida certa. E nada impede que o amor seja vivido em sua plenitude, porque amar sempre valerá a pena.

O amor é apenas um sonho, que depois de uma noite bem dormida, se torna uma realidade.

Imagem de capa: KatarinaPalenikova/shutterstock

Existem pessoas que enxugam as suas lágrimas, mas não querem te ver sorrindo.

Existem  pessoas que enxugam as suas lágrimas, mas não querem te ver sorrindo.

Eu tenho percebido um comportamento intrigante por parte de algumas pessoas. Há tempos, venho analisando isso. Elas são sempre solícitas e solidárias na hora do sofrimento. Elas são especialistas em enxugar lágrimas e proferir palavras de conforto àqueles que, por alguma razão, compartilham sua dor com elas. Contudo, quando as mesmas pessoas, que foram acolhidas, se refazem e voltam a sorrir, aquelas que as acolheram se escondem, ficam silenciosas e, passam, inclusive, a impressão de que estão ressentidas.

Seria essa, uma impressão equivocada da minha parte? Será que você, querido(a) leitor(a), já vivenciou algo semelhante? Ou seria coisa da minha cabeça? Imagine o seguinte contexto: uma pessoa foi demitida de uma hora para outra e ficou sem chão. E a depressão a visitou no meio dessa dificuldade. Então, alguém muito próximo a ela mostrou-se profundamente comovido e solidário, demonstrando atitudes de encorajamento e otimismo. A pessoa em sofrimento sentia-se profundamente amparada e grata pelo apoio recebido. Daí, as coisas foram se ajustando, a pessoa arregaçou as mangas e foi à luta. Ela foi admitida num novo emprego e a fase difícil ficou para trás.

Que maravilha, né? A pessoa, sentindo-se vitoriosa, saiu, eufórica, atrás da pessoa que tanto a apoiou na fase das vacas magras. Ela queria compartilhar a gratidão dela, ela queria agradecer pelo apoio recebido, enfim, ela desejava ofertar sorrisos àquele que enxugou suas lágrimas. Contudo, nessa hora, estranhamente, algo soou contraditório. Alguma coisa não se encaixou. A atmosfera mudou de repente. A pessoa que enxugou as lágrimas mostrou-se “entalada” diante do contentamento da outra. A alegria de quem superou uma fase difícil não encontrou acolhimento no coração de quem demonstrava solidariedade nos dias sombrio.

Existem casos em que a “amizade” fica estremecida ou acaba se desfazendo. Isso porque o sentimento de superação de um passa a incomodar demais o outro. Muito estranho, não é mesmo? É como se a pessoa que se diz acolhedora se sentisse afrontada ao ver o “coitadinho” alçando voos. Ao que parece, para algumas pessoas, é prazeroso ter alguém vitimizado ao lado. Como se isso representasse o empoderamento delas. Elas sentem-se poderosas ao enxugar lágrimas, contudo, sentem-se frustradas ao perceber que o outro passou a caminhar com as próprias pernas.

Essa postura pode ser percebida nas redes sociais, quando você posta algo triste ou doloroso, os comentários de apoio e solidariedade “bombam”. O oposto do que ocorre quando você posta algo feliz. Nessas horas, a maioria parece fazer cara de paisagem e ignora mesmo. Na realidade, o que fica claro é que notícia boa não dá ibope. Detalhe: as pessoas que ficam silenciosas diante de uma boa notícia a seu respeito, são as primeiras a espalharem acontecimentos que te prejudicam. Espalham e ainda acrescentam mentiras para agravar ainda mais a situação.

Enfim, são comportamentos que fazem parte da complexidade das relações humanas. Contudo, é, por demais, desconcertante perceber que aquilo que tanto nos alegra causa desconforto em quem acreditávamos comemorar conosco. Há casos em que nos sentimos culpados por estarmos felizes, pois a postura do outro provoca isso em nós. Então, optamos por sorrirmos sozinhos ou moderarmos o som da nossa risada para não afrontar o outro.

Entretanto, devemos carregar a certeza de que tudo o que sentimos e expressamos entra em sintonia, por afinidade, nesse universo. Todos os sentimentos humanos funcionam como um ímã. Não devemos nos intimidar com a mesquinhez que se manifesta ao nosso redor. Devemos, sim, pensar grande e compreender que a nossa felicidade há de ecoar em outros corações, ainda que seja nos corações de pessoas que não conhecemos. E essa vibração nos é devolvida e multiplicada.

Eu vivo isso, diariamente, com os meus textos. Recebo incontáveis mensagens de pessoas que se alegram com as minhas mensagens e que me enchem de carinho. São pessoas que eu não conheço, mas, que fazem a diferença em minha vida. É por elas que eu tenho motivação para escrever. É por você, leitor(a) querido(a). Aos meus adoráveis desconhecidos…muita gratidão.

Imagem de capa: Antonio Guillem/shutterstock

Nunca se esqueça disto: você não achou o seu coração no lixo!

Nunca se esqueça disto: você não achou o seu coração no lixo!

Se não conseguirmos estabelecer limites e emitir nossa opinião, acabaremos sufocados pelas imposições de quem se acha dono da verdade. Se não valorizarmos o que somos, nossos sonhos, nossas verdades, aceitaremos qualquer coisa para amizade, para companhia, para amar.

Infelizmente, muitos de nós não nos sentimos confortáveis, quando alguém demonstra estar chateado conosco ou não ter gostado do que dissemos ou da forma como agimos. E, mesmo que estejamos certos, ainda que aquela fosse a única atitude a ser tomada, a única palavra a ser dita, acabamos nos sentindo mal pelo que falamos ou pelo que fizemos.

Isso é um sinal claro de que nossa autoestima está fragilizada. Como é que podemos nos sentir mal por sermos verdadeiros, por termos dito o que nosso coração mandou, por termos agido de acordo com nossa essência? Quem agiu errado, quem fez o que não devia, quem é desagradável, esses é que devem se sentir desconfortáveis, pois são eles que iniciam essa coisa toda. Se não fomos nós os causadores dos contratempos, fiquemos em paz.

E isso deve pautar nossas vidas em todos os setores: no trabalho, em casa, na rua, no amor, na vida. Se não conseguirmos estabelecer limites e emitir nossa opinião, acabaremos sufocados pelas imposições de quem se acha dono da verdade. Se não valorizarmos o que somos, nossos sonhos, nossas verdades, aceitaremos qualquer coisa para amizade, para companhia, para amar. Dessa forma, sempre estaremos caminhando com passos pesados, com a sensação de que falta algo, alguém, alguma coisa.

Se quisermos agradar a todos, teremos que sempre nos sujeitar a acatar as opiniões alheias, em detrimento de nossas verdades, tornando-nos reféns do que os outros esperam que sejamos, que façamos, que digamos. Com isso, anularemos, a pouco e pouco, tudo o que é nosso, tudo o que temos dentro de nós, colhendo sorrisos alheios e matando nossos sonhos mais especiais. Viveremos, então, uma vida de mentira rodeada por falsidade.

Não podemos nos permitir sufocar as nossas verdades, por medo do enfrentamento do mundo lá fora. Não podemos maltratar o nosso coração, a ponto de torná-lo um mero fantoche nas mãos de quem não reconhece o nosso valor. Para que sejamos valorizados e respeitados, teremos que aprender a lidar com a contrariedade de algumas pessoas. Teremos que saber lidar com o fato de que nunca seremos unanimidade. É somente assim que nosso coração se fortalecerá, para repousar suas verdades junto a gente sincera, com a reciprocidade que ele merece.

Imagem de capa: taramara78/shutterstock

Os dispostos se atraem.

Os dispostos se atraem.

Muitas vezes, acabamos nos sentindo atraídos por pessoas que jamais esperávamos, haja vista serem totalmente opostas ao que imaginávamos como o ideal para nossas vidas. São as surpresas que o universo nos prepara, para que possamos ter a chance de ultrapassar a zona de conforto e expandir o potencial que temos dentro de nós.

É preciso coragem para desfrutar de todas as benesses que temos à nossa disposição, uma vez que se lançar ao encontro do que move os sonhos significa impor-se, a despeito de todas as contrariedades que se firmarão pelo caminho. Assumirmos as próprias verdades é dolorido, pois requer encararmos a nós próprios, também no que diz respeito aos fantasmas que habitam aqui dentro.

Poucos estão dispostos a enfrentar o seu pior, a lutar por suas verdades, a experenciar os objetos de seus desejos, porque viver o que se é implica o enfrentamento de muito do que pais, amigos, familiares e sociedade condenam. Construir uma jornada isenta de entulhos emocionais nos cobrará o amargar de muitas decepções com as pessoas que amamos, pois muitas delas deixarão de nos acompanhar nesse trajeto.

Da mesma forma, tomarmos a iniciativa de assumir o que sentimos em relação a alguém pode nos trazer muita dor, uma vez que nem todos nos apoiarão, nem todos concordarão e bem poucos torcerão pelo nosso sucesso. No entanto, temos que estar dispostos a trazer o amor, bem como toda dor e alegria que ele carrega, para junto de nós, para que o arrependimento do não tentar não consiga acumular peso nocivo em nossas vidas.

Caso não estejamos ferindo a ninguém, é preciso que nos entreguemos à paixão que arrepia a pele, gela a espinha, dilata as pupilas, acende fagulhas, pois esses momentos é que eternizarão em nós as lembranças que acalentarão o nosso partir tranquilo. E, se não der certo, sempre haverá novas oportunidades, novos caminhos, novos amores. Precisamos, pois, estar dispostos ao que se encontra à nossa disposição. Porque fomos feitos para amar e sermos amados, com entrega verdadeira e corajosa, dia e noite, noite e dia, sem tardar, sem hesitar.

Imagem de capa: Stock-Asso/shutterstock

Aprenda a se perdoar

Aprenda a se perdoar

A vida é um processo de perdas e ganhos, o que nem sempre é tão fácil de entender e administrar. Planejamos coisas, sonhamos e a vida trata de nos levar por outros caminhos. Às vezes, nós mesmos saímos daquilo que planejamos por erros que cometemos. Assim, a nossa vida parece ficar sem sentido, sem razão de ser. Ficamos distantes daquilo que nosso coração deseja e nos tornamos estranhos de nós mesmos.

Com o tempo, esse estranhamento torna-se permanente, de modo que não conseguimos olhar para o que um dia queríamos da vida. Dessa forma, tornamo-nos almas vazias, incapazes de sonhar. Presos aos acontecimentos do passado, não conseguimos manter a chama dos sonhos viva no presente, para que busquemos realizá-los.

É preciso aprender a se perdoar, para que se possa seguir em frente. Ficar preso àquilo em que erramos apenas nos retira o ânimo de que necessitamos para viver. Todos nós erramos, pois não sabemos de tudo e precisamos cair para aprender a levantar. Além disso, como disse, existem coisas que não controlamos, de maneira que não devemos nos martirizar pelos empecilhos impostos pela própria vida.

Deixar de sonhar e de acreditar que os seus sonhos são possíveis de serem alcançados é tão somente anular-se enquanto ser humano e passar a viver o fantasma de uma vida que outrora tinha fé e sabia sorrir e dançar. Não digo fé do ponto de vista religioso, mas a fé que devemos ter em nós mesmos, a qual é essencial para que nos mantenhamos animados e fortes para enfrentar as dificuldades inerentes a qualquer caminhada.

Por mais que queiramos, o passado não pode ser alterado. Sendo assim, ter excesso de passado apenas retira a energia necessária ao presente. Não se deve esquecer o passado, as memórias, pois os nossos erros servem como crescimento emocional e amadurecimento, a fim de que, em novas situações, saibamos como agir.

Ademais, devemos aprender a olhar para o passado e enxergar onde acertamos também. Ninguém apenas acerta, assim como não existe um erro perene. O suicídio emocional que fazemos cria uma seletividade, na qual apagamos tudo o que fizemos de bom e nossos acertos.

Por mais que tudo pareça não funcionar e ninguém acredite em nós, precisamos manter o tesão pela vida, por aquilo que há de belo, e sermos a nossa própria fonte de energia. Parece besteira, mas é muito mais fácil perdoar os outros do que se perdoar e dar um voto de confiança a si próprio. Se erramos, por mais que queiramos, isso não pode ser modificado, portanto, deixe de ser o seu próprio inquisidor e acredite que, mesmo com asas machucadas, ainda pode voar.

A vida nunca será fácil para quem busca realizar os seus sonhos. Sempre haverá dificuldades, obstáculos e pessoas que lhe farão desacreditar em você mesmo. No entanto, culpar-se não resolve o problema, bem como pode levar a depressões distantes das montanhas.

Perdoe-se, dê colorido aos seus sonhos e se mantenha animado. Não se torne apenas um rabisco, pois, com o tempo, este se torna tão fraco, que passamos a não enxergá-lo. Acredite em quem é e tenha coragem de arriscar, pois, como bem disseram:
“O mundo está nas mãos daqueles que têm coragem de sonhar e de correr o risco de viver os seus sonhos.”

Imagem de Capa: PhotoMediaGroup/shutterstock

Felicidade, Facebook e solidão contemporânea

Felicidade, Facebook e solidão contemporânea

Ou você está no “face” ou não está no mundo. Essa é a era da comunicação, em que se deve estar conectado para que haja o sentimento de pertencimento ao grupo. Todos vivemos na chamada grande rede e nela tudo parece fazer sentido, afinal, todos estão sorrindo. A rede parece garantir a felicidade, logo, se você não está na rede, você não só não está no mundo, como também não é feliz. Mas será que essa “felicidade facebook” é real?

Como dito, no face, todos estão sorrindo (você já viu alguém triste?), tudo parece fazer sentido, é como se a vida real tivesse se tornado uma extensão, um plug-in da rede, melhor, um aplicativo que se baixa no play store. Entretanto, se a vida se deslocou para o face, se a felicidade está no face, o que acontece na vida real?

Esses são questionamentos para quem conseguiu manter-se na superfície. A resposta para as perguntas é simples – a “felicidade facebook” não é real  e apenas esconde a solidão em que nos encontramos. O sucesso do facebook é determinado pela facilidade em desconectar, de modo que não há uma preocupação em criar laços, mas apenas em se manter “conectado”. Sendo assim, como não crio laços, tenho a necessidade de o mundo me oferecer algo novo o tempo inteiro.

Em outras palavras, passamos pela vida sem que nós e os outros tenham importância e, portanto, tentamos substituir a qualidade dos relacionamentos pela quantidade. Desse modo, precisamos postar 48 fotos por dia, como se precisássemos da aprovação do outro, quando, na verdade, vivemos apenas uma representação e, diante disso, não vivemos nada.

Ou seja, como, na verdade, não sou feliz, preciso compartilhar tudo, a fim de que, pelo olhar do outro, haja a aprovação de que a minha vida possui o valor necessário para se sustentar. E, como todos vivem uma fantasia, todos mentem uns para os outros, como se fosse condição necessária para manter a felicidade de todos.

Pelo medo de encarar o vazio que nos tornamos, preenchemos esse vazio com ligações e wathsapp. Assim, toda barafunda do facebook é apenas para esconder aquilo que eu não quero ver, isto é, o meu vazio e como estamos cada vez mais sozinhos, muito embora, paradoxalmente, viva-se na era da grande rede, tenho a necessidade de postar e compartilhar o maior número de coisas a fim de que os likes preencham o meu vazio existencial.

É preciso que as pessoas curtam a vida que eu não estou curtindo; digo mais: é condição necessária ter pessoas legitimando aquilo que eu gostaria que fosse, para que o teatro seja mantido. Buscando o melhor enquadramento nas fotos, escondo o vazio que sou, a solidão que atormenta e o distanciamento das relações.

Essa urgência em ter pessoas legitimando aquilo que eu gostaria que fosse me impede de refletir sobre a própria vida, ou seja, não há uma tomada de consciência, em que o indivíduo é o dono do próprio destino, já que está sempre submetido ao espetáculo, pois este garante aplausos, mesmo que não passe de uma simulação.

Enquanto não acordarmos, estaremos mais ligados à internet, ao teatro, mais sozinhos e, portanto, desligados do real e das pessoas. É necessário ter a consciência do ser, pois não é fingindo ser, e, logo, não sendo, que há relações, tampouco felicidade, pois essa reafirmação de um eu que não existe implica apenas a solidão que nos aflige e as ilhas emotivas que nos tornamos.

Imersos nesse espetáculo, talvez não consigamos perceber que, quanto mais desesperados por likes, mais sozinhos estamos e que, embora a internet e o facebook sejam instrumentos poderosíssimos, os quais podem ser utilizados como ferramentas de aproximação, estamos os usando em troca da vida real e, pior, por uma vida que não existe.

Esse desespero por likes só representa indivíduos cada vez mais solitários. Isso acontece pela dificuldade em estabelecer relações reais e, por conseguinte, fortes; de encarar a si mesmo, a própria consciência, e admitir que a vida não está passando de uma encenação.

A “felicidade facebook” representa uma sociedade doente, mas que busca esconder-se. É necessário coragem para encarar-se e viver o que realmente somos, dizer o que realmente estamos sentido, fazer da rede uma extensão da vida real e não o contrário. Sabemos o quanto isso é difícil, pois temos medo de nos encarar, mas, enquanto esse medo não for superado, continuaremos alimentando o palco em que a vida se transformou, pois, como diz o poeta:

“Esse mundo é um saco de fingimento.”

Ninguém é feliz o tempo todo. E você não precisa ficar triste por isso.

Ninguém é feliz o tempo todo. E você não precisa ficar triste por isso.

Demora, mas vem. Depois do encontro, da festa, do êxtase, das delícias em fila, dos sentimentos em fartura, da esperança vigorosa, da promessa de felicidade, do amor em seus indícios, da saudade e seus inícios, depois de tudo isso ela vem. Uma fria e descabida tristeza sempre vem.

No fim de tanta alegria perfeita dá as caras uma dura, cruel e implacável sensação de desalento. Depois das emoções superlativas vem um quase nada, um vazio dolorido, uma luz amarela, abatida, luzindo acanhada pela fresta da porta, como quem espia um estranho, o quarto do homem sozinho que tropeçou em seu amor ensolarado e morre de medo do escuro.

É que o amor quando vem assim, em avalanche, desabando alegrias dormidas, acordando tanto sonho deixado, desacostuma a gente de sofrer. Aí essa vida tão, mas tão sofrida insiste, não desiste, e no meio de tanta ternura vem um tropeço, um acidente, um desvio involuntário. E toda a nossa imperfeição despenca das madeiras escuras do teto branco e nos machuca os olhos abertos que miram a vida. A felicidade farta de caixa d´água cheia até a boca se enche de folhas tristes, mortas. Um pesar de torneira muda se instala e nos faz infelizes.

Mas ali, bem lá no fundo de nossa noite inicial, na alegria mansa da lembrança do primeiro encontro, repousa cheia de saúde a nossa ventura. Porque a felicidade, ah… a felicidade há mesmo de ser temperada com tristeza e saudade e angústia. A leveza há de vir depois do pesar. E quem há de se saber feliz sem ter caminhado na desdita?

Fortalecer o amor é tarefa que se cumpre olhando a amargura de perto. Os problemas e as crises, as dúvidas e as inseguranças, o lamento e a dor, essas coisas têm de acontecer para lavar de verdade os olhos de cada amante. Tudo muito perfeito não existe. Não é humano. Não é, não.

Quando a perfeição é muita, os amantes desconfiam. É preciso um olhar de repulsa, uma mão que recusa o toque da outra, uma autossabotagem aqui, um ouvido mouco ali, uma explosão de raiva acolá. E uma dúvida, uma dolorosa insegurança abrindo as asas negras sobre o solo bom e verde das paixões em sua manhã. Sim, é preciso tudo isso para consolidar o amor.

De vez em quando me acontece de ser triste. Vai ser assim para sempre. É da vida. Depois passa. A angústia e a tristeza visitarão nossa alegria de quando em vez, como velhos vizinhos indesejados cobiçando nossa louça e nossa mobília e nossos afetos. Então seremos como dois soldados em guerra contra o que nos ameace, protegendo as costas um do outro.

Seguiremos assim até voltarmos a ser nada senão você e eu em nosso ontem, nosso hoje e nosso depois de amanhã. Perdidos em nosso caminho certo, seguindo honestos nosso rumo escolhido, cuidando de nós, tratando dos nossos. Vivendo o amor em sua longa e linda e eterna imperfeição.

Acontece. Essa coisa de não ter felicidade o tempo todo se passa com todo mundo. Vira e mexe passa por aqui, entre nós. E quando nos faz tristes, nos mostra o quanto podemos ser muito, mas muito mais felizes.

Imagem de capa: Marcos Mesa Sam Wordley/shutterstock

Agradeço pelas dores que tive este ano

Agradeço pelas dores que tive este ano

Sim, agradeço pelo ano que tive. Os machucados, as alegrias, os momentos de desespero e os dias de calmaria. Se eu não tivesse passado por tudo isso, acredito que talvez não fosse quem você vê agora. Ter gratidão pelas coisas boas é simples. Complicado é agradecer por todas as cicatrizes que marcaram a minha paz este ano.

Foram muitas despedidas e muitos recomeços. Acho que faz parte de qualquer coração viver esse ciclo de transformações. É desse jeito que a gente aprende a cuidar e a valorizar instantes. Carregar o peso do mundo não resolve nada. É desleal e absurdo transbordar onde não existe uma real importância para nós. Foi sentindo assim que resolvi me guardar um pouco mais. Foi com esse aprendizado que encontrei sossego dentro da minha vida. Não posso dar conta daquilo que não me estimula e troca com os meus sorrisos.

Demorei, mas percebi ainda em tempo do ano terminar que, sem uma felicidade cultivada a cada gesto, reciprocidade alguma é possível. E não falo só do recíproco nos relacionamentos, mas também na forma como a vida irá ou não te aconselhar. Precisei reparar nos sinais para atingir essa espécie de tranquilidade e maturidade dos meus inteiros.

Não nego os erros que cometi. Pedi desculpas, encarei lágrimas, atravessei perdas. Foi um ano de grande desgaste emocional, assumo. Mas é aí que está a lição, a vida continua. Eu não queria o luxo de não me importar, ainda que quisesse que as dores não deixassem marcas. Mas todas deixam. Hoje, sou mais forte.

Para o ano que vem, que venham novos inícios. Que venham novas oportunidades de sentimentos e pessoas para o meu convívio. De expectativas frustradas, não sofro mais. Tive o ano inteiro para entender quem aproxima e quem afasta. Só desperto afetos para quem cumpre a mais importante das entregas, a cumplicidade.

Sim, agradeço pelas dores que tive este ano. Elas me ensinaram – algumas vezes em duras quedas, que se eu não tivesse passado por tudo isso, o meu coração não encontraria a serenidade necessária para enxergar o meu melhor. Um muito obrigado ao ano do autoconhecimento.

Imagem de capa: Pablo Rogat, Shutterstock

Um dia você vai acordar e verá que seus filhos cresceram e que seu mundo mudou.

Um dia você vai acordar e verá que seus filhos cresceram e que seu mundo mudou.

Aqueles que tiveram o privilégio de se tornarem pai ou mãe, com certeza entenderão o que pretendo dizer através deste texto. Talvez muitos não percebam que, com o passar do tempo, os filhos crescem e se libertam. E essa liberdade abrange vários segmentos, tais como financeiro, emocional e inclusive para se tornarem pais também. Em muitos casos, o instinto de proteção maternal/fraternal é tão explícito, que não atentamos para esse processo, o que faz, na maioria das vezes, com que haja um enorme prejuízo na vida pessoal ou profissional dos filhos. Em muitos casos, essa interferência é tão prejudicial ao seu desenvolvimento natural, que a dependência se torna uma fraqueza na vida individual de cada um. Todos nós sabemos que não se pode abdicar da posição de mãe ou pai, porque esse posto é para sempre. É importante ressaltar que a presença, principalmente da mãe, é necessária em qualquer fase da vida, prova disso é que, nos momentos de dificuldades, primeiramente a gente se lembra da mãe, afinal não existe outro ser terreno disposto a amar tanto quanto uma mãe ama um filho. Há, entretanto limites a serem observados quando se trata de proteção. Chega um dia em que o filho quer criar asas e alçar voos por conta própria, uma vez que estão “criados” e precisam de liberdade para viver sua própria vida afetiva ou profissional – Certa vez, fui advertido por chamar de menino, meu filho de 27 anos, que estava na segunda faculdade – Pois é, as coisas mudam muito. Com a independência, muitas vezes, os filhos querem nos expulsar de suas vidas, porque têm novas perspectivas e sempre têm diante de si, novos horizontes. Querem formar novas famílias, o que é salutar, pois faz parte da ordem natural da vida.

A verdade é que os pais temerosos ainda tentam segurá-los, salvo alguns casos, porque ao se “jogarem no mundo”, segundo esses pais protetores, os filhos não tem nenhuma segurança. Mas de que segurança estariam falando? Ninguém começa a própria vida sem viver algo novo, sem arriscar, sem acertar e errar, sem se frustrar e tentar de novo até acertar, sem passar por dificuldades, e por fim aprender como é verdadeiramente a vida. Não pode haver amadurecimento sem passarem por certas experiências, concordam?

Enquanto os filhos observam alguns critérios e analisam possibilidades, eles crescem e evoluem, isso é visível para o mundo inteiro, exceto para os pais. Algumas mães, por outro lado, não veem o tempo passar e continuam se desdobrando para cuidarem todos os dias de “marmanjos” que elas julgam nunca crescerem. Embora alguns ainda não decidiram se querem crescer. Mas chega um dia, no qual cada filho tem que se tornar autônomo, dono do próprio nariz, mostrar-se uma pessoa melhor porque teve tempo com os pais para que tenha formado um bom vínculo com a família, caso contrário, não há como voltar atrás, o tempo passou e tudo se perdeu. E como dizem: “Um dia seus filhos vão dormir pequenos e acordarão grandes.”.

Para finalizar, O ideal é entender que, para os filhos, sentimentos como amor e proteção têm um significado diferente do que para os pais. Com certeza as decepções e os medos serão como um convite a ponderar que o amor é sempre o melhor caminho. E quem ama, deixa livre.

É inútil esperar que os filhos, ou aqueles que estão sob nossa proteção, sigam a mesma trajetória de evolução que seguimos. Esse fato serve, até certo ponto, para mostrar a enorme responsabilidade que é ser pai ou mãe. (Mahatma Gandhi)

Somos apenas doadores para essas criaturinhas chamadas filhos. Doamo-nos por inteiros e recebemos as promessas de estima e amor. Muitas vezes, com o coração aflito, nos induzimos à culpa por não termos feito tudo aquilo que julgamos possível, mas nos permitimos sofrer e mergulhar nas lembranças quando eles se vão. Isso é o que nos diferencia das pessoas comuns. Somos simplesmente pais que convivem amigavelmente com a impossibilidade de crescimento dos nossos filhos. Porque filhos serão sempre, aos olhos dos pais, bebês gigantes. Mas infelizmente os filhos crescem, e o tempo não volta. O amor por eles, entretato, permanece eternamente.

Imagem de capa: Monkey Business Images/shutterstock

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