Lembranças são vaga-lumes

Lembranças são vaga-lumes

Lembranças são vaga-lumes que acendem e apagam dentro de nós. Basta um fragmento de sonho, uma música, um perfume ou um determinado sabor, para que lembranças adormecidas acendam , transportando-nos àqueles momentos vividos.

Outras se apagam para sempre, levando à morte psíquica. Lembranças que partem sem dizer “Adeus”; memórias que morrem pelo entorpecimento costumeiro, ou pela falta de cuidado consigo mesmo, ou por não ter companheiros com quem atualizar seu passado por meio de narrativas. O fio vital trinca-se como consequência infeliz na trama da vida.

Como regressar à terra natal se as pedrinhas-memórias são subtraídas?

Como se reencontrar vivendo distraído e hipnotizado com tantas possibilidades externas? Como saber sobre si quan- do a preocupação é somente sobreviver?

Além disso, temos o contexto atual que reforça conti- nuamente o afastamento de si próprio: vive-se uma tempora- lidade cada vez mais efêmera que requisita de todos nós uma atenção ampla, porém rasa; uma urgência em acolher o novo e uma destreza frente à multiplicidade de tarefas simultâneas.

Todos esses fatores (internos e externos) colocam em xeque a memória, pois se pressupõe que ela precise de um am- biente onde seja possível uma atenção profunda, um estado de repouso para abstrair-se da ação presente e se aprofundar na contemplação.

Henri Bergson, filósofo e diplomata francês falecido em 1941, sustentava essa relação entre a memória e o tempo, ao afirmar que “a memória é a vida do espírito por excelência”.

Certamente, são tempos impróprios para uma mente em descanso e para um corpo quieto. As janelas da alma estão com suas redes de proteção bem instaladas, de tal forma que não há como vaga-lumes entrarem e serem pontos de luz em nosso cosmo pessoal.

Imagem de capa: Irina Kozorog/shutterstock

Meu luxo é clichê

Meu luxo é clichê

Ontem acabaram minhas férias, quinze dias de puro luxo.

Como já disse Danuza Leão, existem luxos e luxos.
Obedecendo a cartilha da colunista, estive em Buenos Aires com o livro “De malas prontas” debaixo do braço, cheio de dicas.

Seguimos a recomendação de tomar o chá da tarde no Alvear, hotel tradicional do bairro Recoleta. Sentados diante de uma mesa com porcelana centenária e canapés minimalistas, olhava para os lados e me perguntava quem é que estava se divertindo ali. Tudo bem, de vez em quando é bom entrar no clima, tomar uma taça de champagne no meio da tarde com o marido, mas aquilo de beliscar micro-sanduichinhos e comer tortinhas decoradas com frutas em compotas, certamente não faz parte de minha natureza nem do meu “requinte”.

Dias depois, de volta ao meu ninho, o frio chegou a Campinas. Numa tarde de puro ócio com meu filho, partimos para o clássico piquenique na cama. Ele decidiu fazer uma barricada de almofadas e cobertor, enquanto preparei pão de queijo e chocolate quente. Um clichê luxuoso acompanhado da série “Anos Incríveis” (tenho os episódios gravados da ‘Cultura’, e meu menino não conhecia). A poesia do seriado nos preencheu duas tardes inteiras, e lá pelas tantas perguntei afirmando: “Nosso lanche tá melhor que aquele chá do hotel chique em Buenos Aires, não é?” , ao que ele respondeu de boca cheia: “Bemmm melhor…”

Cheguei à conclusão que meu luxo é clichê. Não tem relação com dinheiro, e sim com a forma de usufruir a rotina ou simplesmente pausar o instante a fim de percebê-lo melhor.

Meus luxos são clichês, tão comuns como assistir “Anos Incríveis” na cama, numa tarde chuvosa.

Buscar o filho na escola e comprar um saquinho de pipoca na saída; tomar um café fresco na xícara de estimação enquanto escuto Chico Buarque cantar “Carolina” e pensar que poderia chamar-me Carolina também, e ter aqueles olhos tristes cheios de sentimento e poesia; assistir pela milionésima vez “Era uma vez na América” e me encantar_ de novo _ com Robert de Niro, com a trilha sonora e com a emoção que o filme desperta; ganhar de presente um livro novo, de um autor desconhecido, ficar embasbacada com a forma que ele escreve e querer escrever assim também; tomar uma taça de vinho no jantar, mesmo sendo segunda feira, e ficar engraçada de repente, fazendo o marido rachar de rir; ouvir um elogio sincero; ter vontade de fazer um elogio sincero; colocar o filho pra dormir e ganhar um abraço de urso; sol de inverno no rosto; quentão e vinho quente em copinho térmico na festa junina; lavar a louça do almoço de família enquanto minha mãe enxuga os pratos e confidencia bafos e babados de uma época feliz; assistir à reprise das novelas no “Viva” e perceber que o tempo não poupa ninguém; encontro de primos; visitar a rua que moramos na infância e reparar que a antiga residência continua igualzinha àquela que a memória guardou; ler cartas antigas e relembrar uma amizade verdadeira que ficou pra trás; réveillon na casa daquele tio saudosista que adora vinho e tangos; ganhar florzinha colhida pelo sobrinho pra enfeitar o cabelo; ligar para a avó e ela te tratar como uma criança trinta anos mais jovem; acertar a receita da lasanha e impressionar os sogros e as cunhadas; acordar no meio da noite para cobrir o filho e não perder o sono depois disso; pedir para o cabeleireiro cortar só dois dedinhos e ele cortar só dois dedinhos; receber email do pai; voltar do trabalho pra casa ouvindo Eric Clapton e pensando ‘como a vida faz sentido quando se ouve Change the World…’  ; ir à terapia e notar o olhar orgulhoso da terapeuta comunicando: ‘como você progrediu…’; andar no shopping de mãos dadas com meu menino de oito anos e perceber que logo logo ele irá crescer e esse costume vai passar; ajeitar o cabelo fino de minha mãe e descobrir que preciso ter mais tempo para ajeitar o cabelo fino de minha mãe; ganhar um desenho do filho em que ele me retrata mais linda e mais sorridente do que posso supôr; fazer uma lista de luxos e constatar que tenho tido uma vida luxuosa, ou _ melhor dizendo_ uma vida feliz…

Imagem de capa: LightField Studios/shutterstock

Quando pensar em desistir, lembre-se dos motivos que fizeram chegar até aqui!

Quando pensar em desistir, lembre-se dos motivos que fizeram chegar até aqui!

“Só não consegue o seu objetivo quem acredita que as coisas são fáceis. Todas as coisas são difíceis, todas as coisas têm que ser lutadas. Quando você consegue algo fácil, desconfie. Porque ela não é tão fácil quanto parece.”
― Silvio Santos.

É inevitável. Em tudo que nos dispusermos a fazer, encontraremos dificuldades no meio do caminho. Toda vez que pensarmos em desistir de algo, temos que nos lembrar o motivo que nos fez chegar até ali.

Quando iniciamos um trabalho, um curso, ou qualquer outra coisa, algo nos motiva a passar por tal processo, seja à vontade de alcançar algum objetivo, ou, a paixão em si. De qualquer forma, estaríamos nos iludindo se acreditássemos que seria fácil, e que não encontraríamos obstáculos. Conforme vamos passando por essas pedras, o nível de dificuldade vai aumentando, e em algum momento, podemos nos sentir fracos, e é aí que precisamos respirar fundo e ser mais fortes do que nunca. É questão de superação.
Somos capazes de enfrentar qualquer dissabor, entretanto, se não tivermos força de vontade, não conseguiremos cumprir nosso tão sonhado objetivo.

Um exemplo disso é uma graduação. Sou estudante de jornalismo e sonho com isso desde dos meus 14 anos. Eu sabia que queria ser jornalista, mas devido a pouca idade não imaginava que encontraria barreiras que precisariam ser ultrapassadas. Comecei a entender que nada seria fácil conforme fui criando maturidade.

Quando estou na faculdade e me deparo com um obstáculo, lembro-me daquela menina que dizia com os olhos brilhando que queria ser jornalista. Aquela garotinha que hoje é uma mulher sente-se orgulhosa por ter alcançado esse objetivo.

O mesmo serve para qualquer coisa. Nunca deixe de sonhar. Contudo, não fique apenas imaginando como seria se seu sonho fosse realizado. Corra atrás dele. Invista naquilo que te faz sorrir. Tenha paciência. E quando pensar em desistir, lembra-se do que te motivou a chegar até aqui.

Image3m de capa: Lopolo/shutterstock

Muitos cônjuges dividem a cama, mas não dividem a intimidade.

Muitos cônjuges dividem a cama, mas não dividem a intimidade.

Essa é uma realidade nada romântica, porém, mais comum do que possamos imaginar. Existem casais que dividem a mesma casa, mas, são estranhos no quesito cumplicidade. Eles dividem uma cama, mas não compartilham a intimidade. Como assim? Vou te explicar!

É um pouco complexo, eu sei, mas espero conseguir transmitir o que tenho percebido, baseando-me nos incontáveis desabafos que escuto. Ocorre que, temos essa visão romântica dos relacionamentos amorosos, especialmente, os casamentos. Acreditamos muito nesse mito de que, à partir do momento que duas pessoas dizem “sim”, seja num altar e/ou frente a um juiz de paz, eles passarão a comungar da mais perfeita cumplicidade.

Contudo, lamentavelmente, a realidade destoa muito desse ideal amplamente difundido pelas religiões cristãs, o de que duas pessoas, ao se casarem, tornam-se uma. Obviamente, esse texto não é generalista, visto que devem, sim, existir, casais que honram aquele juramento que fizeram perante a autoridade civil e/ou religiosa e convidados no dia dos seus casamentos.

Paralelamente à realidade dos casais afortunados no quesito cumplicidade, existem aqueles casais cuja convivência é norteada pela hostilidade e indiferença. São aqueles cônjuges que não compartilham segredos, nem medos, nem sonhos. Por alguma razão, eles não confiam um no outro. Não há harmonia e não há torcida de um pelo outro.

São parcerias “amorosas” nas quais os envolvidos não vivenciam a graça e a riqueza de ter, de fato, um ombro amigo à disposição sobre a mesma cama. Pelo contrário, são o ressentimento e a desconfiança que ditam as regras. Imagine a frustração de sentir-se angustiado(a) e não ter a segurança de compartilhar isso com o próprio cônjuge? E a decepção de ver o próprio cônjuge tripudiando em cima daquele desabafo tão doloroso, feito aos prantos? E o hábito de omitir informações financeiras um do outro(esconder dinheiro, comprar escondido, mentir sobre algum ganho etc.)? Pois é, tudo isso é rotina em muitos casamentos.

É fato, existem muitos casamentos que são um verdadeiro cárcere para as emoções dos envolvidos. Ah, muitos deles duram muito, comemoram, inclusive, bodas de ouro. É que nossa sociedade hipócrita insiste em chamar de “casamento que deu certo” aquele que dura muito tempo, a qualidade dele não entra como elemento de análise. Se a pessoa estiver com uma aliança no dedo e com o status de casada, está tudo nos conformes. Pouco importa se está infeliz, amargurada, desrespeitada ou maltratada. É o que fica nas entrelinhas do contrato da hipocrisia social e religiosa.

Em contrapartida, aquelas pessoas que se separam, justamente por se darem conta de que não encontraram no casamento uma atmosfera de harmonia, amor e confiança, são criticadas pelo seu meio social e familiar. É comum essas pessoas serem rotuladas como “inconsequentes”, “irresponsáveis” etc. Ao que parece, há uma parcela da sociedade que defende que o casamento deve ser mantido mesmo com o sacrifício da própria vida.

Percebo alguns segmentos sociais fazendo campanha para o casamento, mas, não vejo campanha para o amor, o respeito, a cumplicidade dentre outros atributos. Especialmente, a cultura machista, defende que a mulher tenha um marido, mas não está nem um pouco interessada se essa mulher vai ser feliz no casamento.

Nessa brincadeira de mal gosto, têm muitas pessoas adoecendo de tanta infelicidade no casamento, mas estão ali presas. A vida passando e elas empenhadas em sustentar essa máscara de “pessoa bem casada”. A saúde indo para o ralo; a autoestima, sepultada; e a dignidade, nunca mais deu notícias.

Imagem de capa: Diego Cervo/shutterstock

Incerteza causa mais estresse que dor, diz estudo

Incerteza causa mais estresse que dor, diz estudo

Segundo um estudo da UCL publicado recentemente na Nature, ficar na dúvida se você vai sentir dor é muito mais penoso do que ter certeza de que a dor realmente vai acontecer. Para os pesquisadores, saber que existe uma pequena chance de levar um choque elétrico, por exemplo, é “significantemente” mais estressante que ter certeza de que o choque virá. Uma chance de 50% de levar o tal choque causa muito mais estresse do que 0% ou 100% de certeza.

Para chegarem a essa conclusão, os estudiosos convidaram 45 voluntários para jogar um jogo em que precisavam virar pedras virtuais. Então, os participantes deveriam adivinhar se haveria ou não uma cobra embaixo da pedra  e se tivesse, levariam um pequeno choque. Quanto mais jogavam, mais percebiam quais pedras eram mais prováveis de dar choque, mas como essa informação variava conforme o jogo, o nível de incerteza era alto  o que aumentou consideravelmente o estresse dos participantes.

“Usando nosso modelo, conseguimos prever quanto estresse nossos participantes sentiram e qual era o nível de incerteza que tinham em relação aos choques”, explicou o autor principal do artigo, Archy de Berker, à Wired. “Descobrimos, então, que é muito pior não saber se você vai levar um choque do que ter certeza se vai ou não”.

Até aí, tudo bem: por mais interessantes que sejam os dados, eles não parecem ter tanta utilidade prática. Mas e quando esse resultado é levado para algo do cotidiano, como uma entrevista de emprego? Para Robb Rutledge, que co-escreveu o artigo, explica: “você se sente mais relaxado se pensa que é uma oportunidade que está fora do seu alcante, ou se sente tão confiante que sabe que o trabalho já é seu. O cenário mais estressante é quando você realmente não sabe“. Para Rutledge, “a incerteza nos deixa ansiosos. O mesmo acontece quando estamos aguardando resultados médicos ou esperando o metrô chegar, por exemplo”.

Mas nem tudo é má notícia. Pessoas que tiveram níveis de estresse mais altos se mostraram mais capazes de fazer bons julgamentos e avaliações – além de ficarem muito mais atentos. “De uma perspectiva evolucionária, descobrimos que o estresse está ligado a incertezas em relação ao ambiente”, explicou Sven Bestmann, outro co-autor do texto. “Respostas apropriadas de estresse podem ser úteis para aprender sobre coisas perigosas no ambiente“.

Imagem de capa: Linda Moon/shutterstock

A dor ensina. Então… seja a melhor aluna e aprenda rápido!

A dor ensina. Então… seja a melhor aluna e aprenda rápido!

Um passo para fora do círculo da dor. A medida de um pé. Seu pé. Pode ser o início de uma nova história para além daquele fim, que parecia tão definitivo. Mas não é!

Se você ainda dói, é porque ainda respira. E se ainda respira, é porque há em seu núcleo de dor, uma vida esperando para ser liberta, desanestesiada, descoberta.

Um passo.

Ainda que seja num andar trôpego e incerto. Com pernas bambas e pés insensíveis… Ainda assim, um passo é muito mais do que estar parado, apagado, sedimentado, no mesmo lugar.

Mover-se fará jorrar em suas veias uma seiva quente e revolucionária. Mover-se desestabilizará o universo ao seu redor.

Uma atitude assim, inesperada, pega o sofrimento de surpresa. Tira seu poder gelatinoso de cima da sua vontade de viver.

Um passo.

Apenas um passo para fora do seu círculo de dor. Seu corpo há de se encantar com a delicadeza da trégua. Seu peito há de ansiar pelo sabor esquecido do prazer de ser. Livre.

E haja o que houver. Aconteça o que acontecer. Não olhe para trás. Não caia na sedução dos sussurros do mal disfarçado de saudade.

O primeiro passo é sempre o mais custoso. Os outros… os outros são as infinitas possibilidades à sua frente.

Tome posse delas. Abençoa o círculo da dor. Agradeça as lições aprendidas. E voa!
O futuro é pra cima! Sempre pra cima!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Uma linda mulher”.

É ruim ser ingênuo?

É ruim ser ingênuo?

Eu acho essa pergunta tão interessante, sabia? Talvez você se surpreenda com esse texto, pois ele traz uma perspectiva bem diferente da qual estamos acostumados.

Se eu fizer essa pergunta aqui no Brasil, creio que recebei um sonoro SIM de pelo menos uns 95% das pessoas!

Mas sabe o que eu digo a você? NÃO! NÃO É RUIM. Vou explicar!

Gosto de conhecer as raízes das palavras. Sabe o que significa “ingênuo”? Aquele que está de acordo com os genes. É a mesma raiz da palavra “Gêneses” da bíblia, ou “Genética” da Biologia!

Ou seja, significa princípio, início, criança, natureza primordial!

Bem bacana não é? As pessoas, de um modo geral, pensam que ser ingênuo é ser infantil, ser bobo, ou no modo mais popular ainda, “ser besta”.

Isso não tem nada, absolutamente nada a ver, com você ser ingênuo.

Ser ingênuo é você ter a coragem de ser você mesmo! Sem máscaras. Sem subterfúgios. Sem complexos de superioridade ou de inferioridade. Sem travas internas. Sem preconceitos ou julgamentos alheios, e por aí vai…

Será que é fácil ser ingênuo? Garanto a você que não! A gente paga um preço muito alto ao fazer essa escolha.

Realmente, como a nossa sociedade vive em um desequilíbrio sem medidas, muitos acham perigoso ser ingênuo. Eu não! Acho uma aventura! Faz a vida ter um gostinho especial! Rsrsrsrs

A ingenuidade está completamente atrelada ao AMOR. Lendo bastante sobre os grandes mestres, principalmente o mestre Jesus Cristo, consigo perceber que ele era ingênuo.

Eu tento, na medida do possível, me espelhar nele e na sua sabedoria. Essa é a grande questão. Para ser ingênuo de verdade, é preciso antes de tudo buscar o AMOR PRÓPRIO.

Quando você se ama, passa a ter o potencial para amar de forma plena as outras pessoas. Lembra a frase? “Amai ao próximo como a ti mesmo”?

Jesus queria falar sobre esse transbordamento em amor. Ele tinha um amor tão grande, tão imenso por ele mesmo, que ele espalhava esse encanto por onde andava. As pessoas olhavam para ele e se sentiam atraídas pela sua aura de paz.

Infelizmente, não foi isso que nós aprendemos sobre ele. As religiões ensinaram algo bem diferente. Elas vêm, em sua maioria, ensinando que devemos aprender com os sofrimentos, que eles são necessários, que o pecado se alastra e vem desde que nascemos, somos herdeiros do pecado de Adão…

Será que é isso mesmo? Quando leio as passagens bíblicas não vejo nada disso em Jesus. Quando leio sobre Buda, sobre Yogananda, o Eckhart Tolle, o Osho e muitos outros iluminados, nenhum deles, acredite! Nenhum fala sobre o sofrimento ser necessário.

Ele não é! Ele é uma criação nossa. Nós criamos os nossos sofrimentos e depois sempre tentamos encontrar culpados. Pode? Se quiser ler um pouco mais sobre isso, compartilho algumas palavras inspiradoras do místico Osho. Vale a pena dar uma lida…

Você cria seus próprios problemas

Esse é um ponto bem interessante. Ao contrário do que você pensa, quem é ingênuo não fica comprando sofrimento para si! Ficou chocado? É! Levei um tempo danado da minha vida para entender isso!

Aí que vem a sabedoria! A verdadeira ingenuidade nos faz sermos mais RECEPTIVOS. Nós passamos a observar mais as pessoas e a entrarmos nos seus mundos de uma maneira bastante sutil. Aí então, quando sentimos que a outra pessoa está de alguma forma invadindo a nossa individualidade, nessa hora dizemos! Espera! Não é por aí não! Vamos esclarecer as coisas?

Ser ingênuo requer um mergulho no autoconhecimento para você identificar bem quais são suas qualidades e defeitos, de forma a buscar melhorar as qualidades e se trabalhar quanto aos defeitos.

Jesus dizia: “Quem não se fizer como uma dessas criancinhas, não entrará no reino dos céus”.

Essas são palavras simbólicas. Ele não quis dizer para ser infantil, como muitos pensam, ele quis dizer ser INGÊNUO, que nas palavras mais bonitas que eu conheço, quer dizer o seguinte: VOCÊ ESTAR NA SUA ESSÊNCIA.

Agora você entende melhor porque as pessoas acham ruim ser ingênuo? Porque o número de pessoas que vive a partir da sua essência é mínimo. Nós temos várias crostas de medos, de traumas da infância, de condicionamentos, de crenças negativas adquiridas…

Enquanto não trabalharmos tudo isso dentro de nós, a ingenuidade se torna cada vez mais difícil ou até mesmo uma utopia!

Agora é engraçado que são poucas as pessoas que tem coragem de encararem a si mesmas para fazerem esse mergulho.

Eu vou lhe confortar, tá bem? Dá muito medo! Pode ter certeza. Às vezes fico com medo de mim mesmo ao olhar para as minhas sombras. Mas pense comigo! Se eu procuro jogar luz sobre as minhas sombras, nesse local sombreado passará pouco a pouco a existir luz, concorda?

Esse é o processo de iluminação! Que todos os mestres ensinam.

O caminho para ser ingênuo é o caminho da ILUMINAÇÃO. Eu quero seguir por ele! E você?

Sei que estou engatinhando nesse processo. Caio, levanto, caio de novo, levanto outra vez. Faço uma besteira aqui, outra ali, magoo alguém! Mas sei que tudo isso é para aprender, para me tornar alguém melhor.

Espero que tenha gostado dessas palavras e que você reflita com carinho sobre elas! Acredite! Ser ingênuo vai fazer de você um ser humano diferenciado nessa sociedade tão cheia de desequilíbrios…

Imagem de capa: EsanIndyStudios/shutterstock

Dicas de como lidar com a falsidade humana

Dicas de como lidar com a falsidade humana

Os animais utilizam a camuflagem para se proteger dos seus predadores ou os predadores usam estratégias falsas para atacar as suas presas, como instinto de sobrevivência. Porém, a falsidade humana é utilizada de forma racional ou passional com objetivo de esconder atos enganosos, emoções fingidas e ações simuladas, a fim de manipular a verdade.

Hoje temos o avanço da falsidade humana, que pulsa no que é contrário à realidade. Se manifesta onde existe mentira, hipocrisia, fraude e adulteração. Conviver com a falsidade não é tarefa fácil, exige cautela – para identificar como funciona as suas engrenagens –, sobretudo, na família, no trabalho, na mídia e nas redes sociais, na política e na religião.

O ambiente de trabalho é o espaço que aprendemos a lidar com gente falsa e não gostamos das atitudes fingidas de certos colegas. Esse tipo de falsidade constrange a vida profissional e destrói reputações no local de trabalho. É preciso ter calma, pois quem não consegue conviver com os conflitos gerados pela falsidade acaba colocando em risco o seu emprego.

Na família, por ser uma situação delicada, no primeiro momento é não desacreditar o parente falso, porque ele poderá reverter os fatos e pôr a culpa em nós. O tempo se encarrega de colocar as coisas no seu devido lugar nas relações familiares, mas isso não significa que nunca possamos impor um limite nesse familiar.

Na mídia e nas redes sociais a falsidade reside na distribuição de fofocas, boatos e difamações, que ainda prejudica a cobertura da imprensa, tornando difícil cobrir as notícias sérias. Assim todo o cuidado é pouco, quando se trata de “fake news”, por isso é importante não compartilhar coisas que tenham um conteúdo sensacionalista ou manipulador.

A falsidade na política tem o caráter sórdido da demogogia, por suas acusações, trapaças e canalhices, todas relacionadas a esquemas de corrupção ou desvios de recursos públicos. É a mesma lógica das falsas religiões, que são especialistas em enganar as pessoas para ganhar dinheiro, em troca da cura das doenças e da prosperidade dos fiéis. Mas Jesus, há dois mil anos, nos alertava para ter precaução com esses “lobos vestidos com pele de cordeiro.”

Para o psicanalista Donald Winnicott a falsidade ocorre quando a pessoa se afasta da sua essência. É um indivíduo que não consegue se demonstrar vulnerável, criando um “ eu falso”, que acredita nas suas próprias mentiras. As pessoas com esse traço patológico criam pontos de vistas falsos da vida, que tentam iludir os demais com as suas necessidades, tornando qualquer relacionamento muito difícil.

Sendo assim, a cautela e a calma são ferramentas eficazes para lidar com a falsidade, como afirmou Bertholt Brecht: “Se se pretende dizer eficazmente a verdade sobre um mau estado de coisas, é preciso dizê-la de maneira que permita reconhecer as suas causas evitáveis. Uma vez reconhecidas as causas evitáveis, o mau estado de coisas pode ser combatido”.

Imagem de capa: Shutterstock/ Lemon Seed

Instante de amor

Instante de amor

Como traduzir um instante de amor?

Como explicar um gesto que abraça e integra todo o seu ser, que é capaz de unir o Céu e a Terra, o corpo e a alma, em questão de segundos?

E para que interpretar, explicar ou traduzir a comunhão de um instante?

Por que não sentir, somente?

Não é suficiente o sentimento capturado e vivido com a máxima intensidade?

Respondo que Não! Concordo com Hannah Arendt, filósofa alemã, quando afirma: Humanizamos o que ocorrer no mundo e em nós mesmos apenas ao falar disso, e no curso da fala aprendemos a ser humanos.

Narrar esse instante de amor é prolongá-lo, é voltar a sentir, é eternizá-lo…

A memória deste gesto – sua mãozinha procurando pela minha- reafirma a certeza de que um amor maior está sendo construído. O calor e a carícia resultante do encontro de nossas mãos, criaram uma intimidade profunda e fecunda que atra- vessou todos os poros, uniu gerações e confirmou o sentido da minha vida.

Mãos que se transformaram em ninhos de alegria, de confiança e de esperança.

É o impalpável sentimento brotando do palpável roçar das palmas de nossas mãos que velará meus sonhos e despertará as raízes de minha vida.

Imagem de capa: Irina Braga/shutterstock

Ausência demais não gera saudade, gera esquecimento

Ausência demais não gera saudade, gera esquecimento

Relacionamentos são inegavelmente um presente, já que permitem trocas de experiências, compartilhamento de sonhos e planejamento a dois. O problema é que, esse presente, está cada vez mais raro e, aos poucos, o molde de “felizes para sempre” está sendo substituído por “quem pode mais, chora menos”.

Bauman já nos ensinava, em seu livro Amor Líquido, que vivemos tempos em que nada foi feito para durar e a consequência dessas relações superficiais é uma solidão sem tamanho: “a solidão produz insegurança — mas o relacionamento não parece fazer outra coisa. Numa relação, você pode sentir-se tão inseguro quanto sem ela, ou até pior. Só mudam os nomes que você dá à ansiedade”.

É da natureza humana: antes de entrar em um relacionamento precisamos sentir a segurança que o outro nos oferece. O problema está em supervalorizar a conquista e esquecer que a relação se consolida nas atitudes das pessoas dispostas e não no marasmo dos acomodados.

Eu sei que te ensinaram a agir com frieza: despreze, desinteresse-se e ignore, já que, na teoria, essas atitudes podem fazer o outro se apaixonar. Caso você tenha 15 anos e acredite em príncipes encantados, isso pode funcionar mesmo. Caso contrário, sem atitude e disposição nenhum amor pode dar certo.

É bonito fazer charme, mas é lindo ter atitude. Pessoas com atitudes são pessoas maduras sentimentalmente que sabem quando agir e respeitam o tempo alheio. São pessoas que não insistem, não forçam e entregam- se de forma comedida na relação. Drummond dizia que” falar é completamente fácil, quando se tem palavras em mente que expressem sua opinião. Difícil é expressar por gestos e atitudes o que realmente sentimos”.

Quando o assunto é relacionamento, sinceramente, não sei o motivo que leva uma pessoa a fazer jogo duro. Acredito que seja para avaliar os sentimentos alheios ou para comprovar a veracidade do amor revelado, mas a verdade é que todo excesso é ruim e que há uma linha tênue entre ser difícil e ser impossível!

Pondere suas atitudes, analise as situações e veja se esse charminho todo vale, realmente, a pena. Lembre-se que ausência promovida é uma faca de dois gumes: por um lado gera saudade, por outro, esquecimento.

Imagem de capa: Sjale/shutterstock

Nunca desista.

Nunca desista.

Você que desistiu de tentar algo na vida por medo, saiba que está tudo bem, é assim mesmo. Mas não deixe isso virar rotina. Parabéns para quem ao menos tentou e que, infelizmente, não conseguiu. A gente sabe que nem tudo é fácil. Todos nós já abandonamos algo em algum momento da vida. Mas, aprendam com cada desistência. Elas não devem ser pra sempre, devem servir apenas como aprendizado para fortalecer o coração e trazer coragem para a alma.

Tentemos de novo, sempre. Não tenha medo de seus medos. Não estão lá pra te assustar. Estão lá pra te fazer saber que o que está além deles, vale a pena ser conquistado. O que está além do muro das derrotas é um tesouro e nunca será inalcançável se assim você o quiser. Se algo é possível para qualquer outra pessoa, também é possível pra você. Jamais ponha numa mesma balança as conquistas de outras pessoas em comparação com as suas derrotas. Quando a gente se mede pela régua dos outros, isso não nos faz maior, nem menor, nem melhor, só nos faz infeliz.

Quando só escutamos as palavras negativas dos outros, isso nos leva pra um buraco quase sem fundo. Buraco, muitas vezes em que nos mesmos nos jogamos dentro, por dar credibilidade à gente pior do que nós. Palavras são opiniões de quem as dá. Não são fatos. Nem sempre são verdades. Ações é que é a única verdade. Ações e atitudes são o que te levam pra cima e te retiram do escuro desse profundo abismo de se julgar pior, somente pelo que pensam de você. Se você não possuir atitude de não dar ouvidos a isso, não há mágica nenhuma no mundo que fará você ser melhor. Não há receitas pra se ter autoestima. É preciso fazer isso nascer ou renascer em sua vida. Autoestima, decisões, ações e atitudes. É preciso tê-las. As palavras presas devem ser ditas e nunca engolidas com um nó na garganta. Nunca deixe que pensem que seu silêncio é fraqueza. Faça mais do que ser apenas ouvinte. Seja livre dos julgamentos. Quem confia em si mesmo, não tem rivais, se torna um conquistador. Conquista a sua própria vida. A análise de consciência não deve ser um debruçar-se sobre erros, mas, sim, uma procura por qualidades, virtudes e conhecimentos que ainda não foram colocados em prática e que têm o poder de refazer todo o seu caminho para um futuro bem melhor. Tropeçar ou errar o caminho algumas vezes, não significa que se está perdido para sempre.

A vida vai fazer você sangrar muitas e essa mesma vida vai fazer você sorrir muitas vezes também. Não tenha raiva dela. Se o coração for forte o suficiente, a alma renasce, a vida floresce e o tempo anda. À medida que o tempo avança, as lembranças vão ficando para trás e se tornando história, faça-as serem as melhores, descarte o passado com suas dores e imagine um futuro com alegrias. Não fique acreditando em inícios e fins. Pare de ficar sempre esperando pra ver no que vai dar e acredite nas continuações. Se refaça, creia e lute por algo que o leve adiante. Lutar para conquistar algo é magnífico e saber que sempre há algo a se perder, é que faz cada batalha ter sentido. Tenha consciência de que a vida é luta, a vida é suar a camisa, é se virar. Se vire com todo o bem que tiver dentro de ti, mas nunca perca um dia na vida sem tentar, pois o tempo passa e o dia não volta. A chance escapa. O hoje é chamado de presente, porque ele é justamente isso, um grande presente. Desembrulhe o seu e faça de tudo para dormir com um belo sorriso no rosto, como um vitorioso. Terão dias ruins, esteja preparado. Remar com o vento contrário é muito difícil, remar com o mar revolto é quase impossível, mas são nessas situações que nos tornamos mais fortes e quando a coragem de enfrentar os grandes problemas é maior do que o medo e a vontade de fugir, a sensação da vitória é gratificante e enorme. Diante das tempestades nunca se desespere, se acalme, ore. Lembre-se que é o tamanho da sua fé que irá fazer com quem você não desista. É quando você precisará de mais confiança, é quando você precisará ser imbatível. Quando a gente acredita nisso, os pães e peixes se multiplicam, o mar vermelho se abre, a gente anda sobre o mar.

O poder para isso tudo está dentro de cada um de nos. Se aceite e jamais projete suas fraquezas e culpas nos outros. Quando a gente se aceita, admite ser dono da própria vida e passa a não ter mais medo dela. Passamos a amar a nós mesmos, passamos a amar a quem nos cerca, passamos a amar até mesmo nossos inimigos e é deste modo, que a gente evolui. Somente quando eu consigo me aceitar com meus defeitos e qualidades, é que consigo de verdade me reconhecer no espelho, sem filtros, sem máscaras, sem temores. Eu penso que a gente só conhece o sentido da vida, quando deixamos de querer compreende-lo pela vida dos outros e pra isso acontecer é preciso ter muito autoconfiança. A confiança em mim mesmo é que me trará as vitorias que busco. Estar de bem com tudo e todos é importante, perdoar e abençoar e essencial. Abençoe a todos, faça o bem, gere gentilezas, distribua carinhos, só assim essa carga positiva que emite ficará livre no universo e o próprio universo se encarrega de fazê-las voltar pra você. Pois, cada vez mais, a gente se torna um grande e bonito foco para receber energias positivas. Seja bondoso, seja corajoso, carinhoso, seja gentil e pra você que um dia desistiu é hora de ter fé, arregaçar as mangas e tentar de novo. Pense, acredite, trabalhe, ore, confie, realize. E não se veja mais desistindo, pois a vida quer te ver sempre sorrindo!

Imagem de capa: KieferPix/shutterstock

A festa mais contagiante do mundo é nossa

A festa mais contagiante do mundo é nossa

Por Ana Carolina Faria Bortolo

Quando janeiro bate na porta, ele vem com a trupe toda: o verão, o calor, a cerveja gelada, os amigos bronzeados, e o amor do carnaval brasileiro. Os primeiros finais de semana do ano batucam com os bloquinhos que, tímidos, começam a cantar pelas ruas. Parece que o coração já acorda cantando “mãe, eu vou no show do Inimigos, mãe”. É maravilhoso.

Então, as redes sociais começam a confirmar todos os bloquinhos de uma festa que só cresce, que só fica mais bonita. Uma festa que, mesmo com a violência das ruas nas entrelinhas, é só felicidade. Todas as ruas das principais cidades do país são infestadas pela energia dessa festa que pára o país e coloca todo mundo pra fora de casa pra comemorar.

Os rabugentos contra-argumentam: “Comemorar o que se esse país está cada dia pior? Olha a corrupção. Olha os impostos. Olha a taxa de desemprego. O povo deveria estar trabalhando ao invés de sambando por ai”.

Meu caro senhor que não sorri há décadas, abre teu olho! O Brasil é encantado, abençoado, e apaixonado, por causa do seu povo. Povo que ri, que chora, que trabalha, que vê a desigualdade dentro da sua própria casa quando o filho mais novo que estudou quatro anos de biologia ganha cinco vezes menos que o irmão mais velho que se tornou advogado. Povo que paga suas contas com suor e que não tem dinheiro para viajar no feriado mas, com criatividade e um sorrisão no rosto, cria uma fantasia engraçada com a toalha velha da mãe e vai pra rua de chinelo, sem celular, com vinte reais pra poder entrar na vaquinha da catuaba e beber com seus amigos.

A vida é boa, amigos, e o carnaval é a prova viva de que esse Brasil é o centro da energia do mundo! Aqui não tem desastre natural. Aqui não tem mais ditadura. Aqui a água é abundante. Aqui o ar puro ainda resiste em nossas florestas. Aqui nossa comida é fresca, fruto da nossa terra fértil. Aqui nosso artesanato é único, vem do coração da nossa cultura regional. Aqui o sorriso da bahiana encanta o gringo que, pela primeira vez, recebe um abraço sem motivo. Aqui o samba no pé do carioca faz os vizinhos argentinos enrolarem os mulets no dedo e tentarem nos imitar. Aqui, o mutirão de pessoas fantasiadas leva ao delírio o alemão que achava que festa grande era a Oktoberfest.

A vida no Brasil não é fácil. Tem trânsito todo dia, tem conta que não bate no final do mês, tem aquele eletrônico que aqui é bem mais caro do que lá fora e ninguém entende direito o porquê. Mas aqui tem o brasileiro, aquele povo mágico que transforma adversidades em soluções. Pensa bem antes de criticar sua pátria amada, idolatrada, salve, salve. É ela que te acolhe, é nela que você nasceu e pra ela que você poderá voltar durante toda a sua vida. É aqui que, com pouco dinheiro, brasileiros criativos criam soluções globais, como o EBANX que agora domina a América Latina. É aqui que, depois de muitos anos de investigação, começaram a prender alguns dos nomes que já nos enganaram tanto enquanto donos do poder. Demora, às vezes demora muito, mas funciona.

Funciona porque aqui o povo não desiste. Aqui o povo coloca um sorriso no rosto e vai pra luta todos os dias. E, em janeiro e fevereiro, vestimos nossas tiaras de unicórnio, pintamos a cara, tomamos banho de glitter – que fica no corpo até a Copa do Mundo -, homem sai de Branca de Neve, e as mulheres se vestem de sete anões. Aqui é carnaval, o nosso remédio anual para curar qualquer problema e transformar toda dor em amor, toda pobreza em abundância, toda lágrima em sorriso. Aqui é carnaval, é tempo de abraçar quem você não conhece, de trocar olhares sem pudor, de ser amor. É carnaval, é no Brasil. O país abençoado por Deus é bonito por natureza, e a melhor, mais simples, e mais contagiante festa do mundo é nossa! VEM 🙂

Imagem de capa: Filipe Frazao/shutterstock

Ela anda cansada de mendigar afeto ao próprio marido

Ela anda cansada de mendigar afeto ao próprio marido

Ela não quer nada demais, quer apenas sentir-se desejada pelo homem com quem divide a vida há vinte anos. Ela sente falta de beijos intensos que a façam sentir arrepios e borboletas no estômago. Sim, as mulheres precisam disso, isso é vida, é ressurreição. Ah, vale lembrar que esse marasmo na vida conjugal dela não é consequência da rotina. Em seu casamento, nunca houve fase intensa, por curta que fosse. O marido dela é, digamos, bem econômico em se tratando de afeto e libido.

Ela vive brigando com esse turbilhão de sentimentos e sensações. Não é fácil. Ora sente-se culpada por se imaginar em outros braços, ora sente-se refém da própria realidade. Ela sente-se como um móvel empoeirado dentro da própria casa. O marido não esboça interesse e desejo por ela. Uma mulher tão bonita e cheia de energia, tendo que brigar com os próprios hormônios porque o companheiro é uma espécie de analfabeto emocional. Verdade seja dita, esse homem entende muito pouco de mulher, quase nada. Ao contrário do que você possa estar imaginando, ele não tem outra mulher. É que ele é apático mesmo, aquele tipo de homem que parece não ter sangue nas veias.

Ela é o tipo de mulher que exala vida. Apesar da miséria afetiva e sexual que vive, ainda consegue sorrir com os olhos. Ela não está querendo nenhum absurdo. Ela só quer viver a sua sexualidade de forma plena. Ela é monogâmica e ama o marido, mas está vivendo abaixo da linha da pobreza nos quesitos sexo e afeto. O marido acha que é perfeito, simplesmente, por não deixar nada faltar em casa. Na realidade, não falta nada na mesa, mas, na cama, a situação está crítica. Um verdadeiro perrengue. A mulher está passando fome, desidratada e desnutrida.

Ela nunca estivera com outro homem, só conhece o marido. Até pouco tempo atrás, orgulhava-se disso. Contudo, já anda percebendo com outro olhar essa situação. A frustração, vira e mexe, a faz sentir-se um desperdício nas mãos desse homem. É que ele não é dado a carinhos, não sabe ou não gosta de demonstrar afeto e o sexo é aquele ritual cronometrado e, desanimadoramente previsível. Ele não tem pegada, ele não sabe lidar com o mulherão que tem nas mãos.

Não pense você que ela nunca se abriu com o marido sobre as suas carências. Ela já rasgou a alma, muitas vezes, aos prantos. Ele sabe, de cor e salteado, das necessidades dela. Contudo, insiste em fazer cara de paisagem. Ela se queixa da ausência de carícias e do sexo, meramente, fisiológico. Sim, ele está a par de tudo o que murcha essa mulher. Mas, nada faz para mudar. Ele acha que a esposa só precisa de um provedor em casa, e, como ela não possui independência financeira, ele deita e rola.

Sinceramente, acho que ele está brincando com coisa séria. Ela é bonita, e cheia de atributos. Sorte a dele que ela é conservadora e não saberia lidar com o peso de uma vida dupla. Oportunidades, para ela, não faltam. E é revoltante, para ela, sentir-se desejada na rua, pelos estranhos, e praticamente, invisível em casa, pelo marido.

Sobre o futuro, ela sente-se desnorteada, por mais que ela se esforce, não consegue enxergá-los juntos lá adiante. As mudanças ocorrerão, elas serão inevitáveis. Toda essa fome de amor e afeto acumulada na alma dessa mulher, há de se manifestar uma hora ou outra. Essa ânsia de vida que rege a sua essência ainda causará uma revolução, fato.

Ela anda cansada de implorar por afeto. Ela já não suporta mais dormir aos prantos de tanta carência. Ela precisa de um homem, não de um mero provedor. De migalhas em migalhas, ela sobreviveu até aqui, mas, ela já entendeu que merece muito mais dessa vida. Uma vez que ela já adquiriu essa consciência, tudo indica que será um caminho sem volta. A vida vai, aos poucos, se descortinando para esse mulher.

Ofereço a ela a minha empatia e todo o meu acolhimento. Desejo que ela seja muito feliz e amada, ela merece, ela nasceu para isso. Acredito que ainda ouvirei de sua boca, não mais os desabafos chorosos, mas, a narrativa eufórica de algo que a surpreenda de verdade.

Imagem de capa: Photographee.eu/shutterstock

A vida é um baile de máscaras

A vida é um baile de máscaras

Deixe suas verdades saírem para brincar lá fora. Dê a elas a permissão necessária para saltitar em poças, lambuzar de brigadeiro, tomar sorvete de canudinho, voar que nem passarinho… e só então… voltar ao poleiro.

Lave suas tristezas com água e sabão perfumado. Deixe-as secar ao sol, pendure-as no varal, deixe a dor evaporar, evoluir, transmutar em lição o que te esmagava o coração.

Mergulhe em águas rasas, para que seu corpo não perca o chão. Deixe-se boiar em águas profundas, para que se sua alma se enamore da imensidão.

Chore suas alegrias, verta lágrimas de risos frouxos, arrepie-se com a luz do dia, relaxe na escuridão das noites lindas. A vida vale a pena ainda, se você aprender a olhar além da opressão.

Perdoa aqueles que não puderam merecer suas entregas, seus olhos vendados, sua alma desarmada. Há gente que leva tempo a mais para aprender que confiança é terra sagrada, que segredos são verdades veladas, que ferir o outro é ter uma arma apontada para o próprio coração.

Deixa. Deixa o outro dançar em seu compasso. Deixa a mágoa dissolver no seu abraço. Deixa o tempo cumprir seu tempo, lavar o pó, desamarrar o nó. Deixa a luz entrar, cegar o medo. Ainda é cedo. Deixa ir o que já não te traz conforto e alegria, deixa a maldição se converter em magia. Olha pra fora! É hoje o SEU dia!

E uma vez liberta do peso… sua alma há de querer dançar. Há de aprender a voar. Ignorar a queda. Engolir o mar com o coração. Fazer o céu caber na palma da mão. Olhar com amor, cada paixão. Olhar com paixão, cada amor vivido. Sentir é dom acolhido, por quem tem coragem de desafiar a mania de se apegar à solidão.

Põe seu melhor vestido. No cabelo, enrola uma flor. Pinta as unhas de vermelho vivo. Põe nos lábios um carmim encarnado. Perfuma o pescoço com gotas de jasmim. A vida é um baile de máscaras. Tira ela pra dançar! Leva ela envolta em seus braços. Mostra pra ela que melhor do que guardar afeto, é espalhar generosidade. Porque não há riqueza nesse mundo que valha a nossa felicidade!

Imagem de capa meramente ilustrativa: cena do filme “Cinquenta tons mais escuros”

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