O Déficit de Atenção está no comportamento da nossa sociedade e não nas nossas crianças

O Déficit de Atenção está no comportamento da nossa sociedade e não nas nossas crianças

Por Marcela Picanço

Alguns dados apontam que, nos últimos anos, os casos de Déficit de Atenção triplicaram entre nossas crianças. Eu estou entre uma dessas crianças. Com uns treze anos, comecei a tomar um remédio com tarja preta chamado Ritalina, que, para mim, de fato fazia uma diferença enorme. Quando eu era criança, fui chamada várias vezes de hiperativa, desconcentrada. Meus professores adoravam falar como eu me dispersava rápido. Engraçado, continuo assim, mas hoje tento usar isso ao meu favor. O remédio vai soltando doses ao longo do dia e pode durar até 8 horas. Tomava antes de ir para a escola, para ficar ligada na aula. Nunca fui boa em matemática, física, química, mas me esforçava o bastante pra não ficar de recuperação. Lembro que eu achava que o remédio fazia uma diferença significativa na hora de fazer uma prova. Eu realmente me transformava, durante 8 horas, em uma pessoa mais focada. O déficit de atenção é mais comum do que se imagina.

Assim que entrei na faculdade, resolvi largar o remédio. Fui percebendo, ao longo dos anos, que eu não precisava dele para escrever uma boa redação, ou para ler um livro de que eu gostava, nem para fazer prova de história. Não precisei do remédio para decorar um dos meus primeiros textos de teatro. Eu nem tomava o remédio para ir à aula de teatro e eu era uma pessoa igualmente focada nessas aulas. Foi aí que minha mãe resolveu perguntar à minha médica por que eu ficava concentrada nas coisas que eu gostava de fazer. Ela disse que isso era normal. Nas áreas em que eu tinha mais habilidade, os sintomas não apareciam de modo que me atrapalhassem. Que doença engraçada, né? Mal do século, eu diria. A nossa sociedade está criando doenças para quem estiver fora do padrão de comportamento esperado.

Então, vi que o problema não estava em mim e nem na maioria das crianças que precisa tomar um remédio para entrar num padrão social. O problema está no nosso ensino totalmente precário, que se preocupa mais se o aluno vai passar em medicina do que se ele será um bom cidadão. É claro que, em alguns casos específicos, o uso da Ritalina é de extrema importância e eficácia, mas acredito que, na maioria das vezes, o Déficit de Atenção poderia ser tratado de outras formas. Estudei minha vida toda numa escola diferente, que se importava com a cabeça dos seus alunos e valorizava o que eles tinham de melhor, incentivando a arte, o esporte e a ciência. Lembro que as notas eram divididas em 40% de provas e os outros 60% eram de comportamento. Se você soubesse lidar bem com um grupo, participasse da aula, fosse educado e responsável, já era o suficiente para passar de ano. E ninguém deixava de estudar, afinal, queríamos ter notas boas. Depois, fui para uma escola em que havia tantos alunos, que os professores não conseguiam gravar o nome nem da metade deles. Nunca mais falamos em preconceito ou em direitos humanos. Nunca mais falamos sobre ler livros sem ser por obrigação. Depois, mais tarde, os professores reclamavam que líamos pouco, mas como, se tínhamos tão pouco incentivo? Lembro que, na minha outra escola, ganhei gosto pela leitura quando eu ainda era bem pequena. Devorava livros e mais livros, afinal, a gente tinha uma aula só de leitura.

Mudei-me para essa nova escola porque eu precisava passar no vestibular, mas eu não via sentido nenhum em nada daquilo. Fui me sentindo cada vez mais idiota, porque eu não conseguia ir bem em nenhuma matéria de exatas, mas falaram que, para passar no vestibular, era preciso saber mais exatas do que humanas. Aumentei a dose do remédio Ritalina para poder ficar pelo menos na média. Fico pensando quantas crianças vão ter que se sentir burras e diferentes e tomar um remédio tarja preta para ficar na média na escola, para ficar na média na vida, para ser sempre medíocre, porque a educação não nos dá a oportunidade de sermos brilhantes. No ensino médio, os adolescentes são constantemente comparados, como em uma empresa, para que haja, desde cedo, um espírito de competição. Infelizmente essa competição é completamente injusta, pois as pessoas têm habilidades diferentes. Como já disse Albert Einstein, “todo mundo é um gênio, mas se você julgar um peixe por sua capacidade de subir em árvores, ele passará sua vida inteira acreditando ser estúpido” – e é exatamente isso que nosso ensino faz.

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A qualidade de uma escola é medida pelo número de aprovações que seus alunos têm no vestibular e não pela pessoa que ela está formando para o mundo. Como queremos ter profissionais mais dedicados se, desde pequenos, somos ensinados que se importar com o outro não é o que importa, mas sim ser sempre melhor que todo mundo? Infelizmente, nossa educação forma pessoas cada vez mais quadradas, que pensam dentro de uma caixinha. Não se permitem ir atrás das informações e nem na melhor forma de resolver problemas. As aulas de artes são totalmente técnicas e insuportáveis. Não nos dão oportunidade de sermos realmente quem queremos ser e crescemos adultos chatos, controladores e depressivos.

Infelizmente, nosso comportamento é resultado da educação que tivemos e isso só vai mudar quando todas as áreas foram igualmente valorizadas nas escolas e entre os alunos. Cada vez teremos mais crianças com déficit de atenção. Principalmente agora, com a tecnologia, pela qual todas elas podem ter acesso rápido a tudo. Por que elas ficariam prestando atenção em uma aula chata? Por que elas ficariam prestando atenção em algo que elas podem aprender em um segundo procurando no Google? O nosso sistema educacional precisa mudar rapidamente, pois não podemos achar que o ensino pode continuar o mesmo de 20 anos atrás, quando não existia tanta informação com facilidade. As crianças estão perdendo o interesse pela escola. Elas estão vendo o mundo de possibilidades que existe ao redor delas, vendo tudo o que elas podem criar e transformar e os colégios continuam insistindo naquele velho formato. Todas as pessoas têm uma genialidade, mas o mundo insiste, por algum motivo, que sejamos medíocres, dentro de um padrão. Não valorizam o aluno bagunceiro, nem o que vive no mundo da lua. Esses que, no futuro, provavelmente serão os adultos mais criativos.

A nossa educação mata a nossa criatividade. Na escola, não temos nenhuma oportunidade de nos mostrar e nem de crescer intelectualmente, pois, quanto mais velhos ficamos, mais taxam de ridículo aquilo que fazemos de diferente, mas que, se for estimulado, poderia ser genial. É triste a situação em que vivemos, mas já foram inauguradas escolas com uma proposta totalmente diferente de ensino, onde as matérias não são separadas, mas aprendidas juntas, como se fossem uma só. Os alunos também não são separados por turmas de acordo com a idade, mas sim por habilidades que os alunos apresentam. Espero que esse realmente seja o futuro do nosso ensino e que não criemos mais doenças para fazer as crianças se sentirem anormais. “Somos todos folhas da mesma árvore”, esse era o lema da minha primeira escola. Ainda bem que aprendi assim.

Nota da CONTI outra: a reprodução desse material foi autorizada pela autora.

Imagem de capa: Amir Bajrich/shutterstock

7 grandes vantagens de ser uma pessoa altamente sensível

7 grandes vantagens de ser uma pessoa altamente sensível

Toda minha vida eu me senti como se meu coração fosse uma casca de ovo que se quebraria ao mais leve toque. Isso fazia com que eu me achasse um fracasso, como se eu simplesmente não fosse capaz de suportar o as mazelas da vida normal com tudo o que ela contém.

Durante toda a minha infância e adolescência, eu encontrava nas notícias uma dor angustiante.Famílias mortas em incêndios, acidentes de carro, suicídios, guerra, terrorismo entre outro atos de violência. Passei muitas horas no meu quarto chorando ao sentir a tristeza dessas pessoas.

Meus pais tentaram me ajudar. Eles me disseram para “deixar de ser sensível.” Meu pai dizia: “Você não pode carregar o peso do mundo sobre seus ombros.”

Quando eu tinha 15 anos, um ônibus de crianças em idade escolar caiu em uma represa, e a maioria delas se afogou. Na escola, no dia seguinte, os amigos estavam fazendo piadas sobre esta tragédia. “Como você pode brincar com as crianças se afogando?” Eu perguntei, incapaz de esconder as lágrimas. As pessoas me disseram que eu só não tinha senso de humor.

Por um longo tempo eu imaginei que havia algo de errado comigo. Eu tinha vergonha de como me sentia – mesmo quando a minha própria vida estava indo bem.

Foi somente com 20 anos, quando conheci minha mestre budista e discutimos o meu problema, que encontrei um pouco de alívio.

Ela me disse que a maioria das pessoas tem que trabalhar duro para sentir empatia e compaixão pelo sofrimento dos outros -que isso faz parte do trabalho espiritual. Ela me sugeriu que sentir a dor do mundo era um sinal de uma alma evoluída e, embora eu não tenho nenhuma prova de que isto é assim, pela primeira vez, eu não senti “errada”. Eu comecei a entender a minha sensibilidade como um presente.

Aqui estão algumas das bênçãos de ser sensível. Se você também já se perguntou como a “se corrigir” ou anestesiar um pouco da dor, aqui estão algumas razões para amar o seu coração aberto:

1. Nós podemos dizer como alguém está se sentindo apenas olhando para essa pessoa ou ouvindo ela falar.

Nós não fazemos ouvir “o que” elas dizem e sim sentindo e percebendo o som e as entonações de sua voz. Notamos tristeza, e por causa disso, nós julgamos menos.

2. Se somos escritores, somos capazes de entrar na pele de nossos personagens e imaginar o seu sofrimento, mesmo que nunca tenhamos experimentado isso em nós mesmos.

À medida que escrevemos, sentimos a dor de alguém cuja amante morreu, ou que perdeu um filho na guerra, ou cujos sonhos nunca se tornaram realidade.

3. Nós sentimos gratidão por nossas vidas e por suas bênçãos porque estamos conscientes da dor no mundo o tempo todo.

Quando meus filhos voltam para casa em segurança da escola, ou meu marido pega a minha mão, eu fico chocada com a abundante e simples alegria que eu sinto.

4. Porque nós somos indefesos, não se coíbe de tragédia ou perda.

Quando alguém está sofrendo, nós somos capazes de “ESTAR” verdadeiramente com essa pessoa.

5. Nos sentimos conectados à rede da vida, e com a energia que corre através de todos nós.

Isso nos dá perspectiva de pequenas irritações diárias.

6. Somos facilmente capazes de orar pela segurança, bem-estar e da cura de outras pessoas quando nós mesmos não temos nada a ganhar.

Sabemos que a cura de outras pessoas nos cura.

7. Nunca estamos sem uma história para contar.

Porque nós fazemos parte das histórias que estão em torno de nós.

Pessoas hipersensíveis são facilmente dominadas – especialmente por eventos que estão acontecendo ao seu redor. Eu encontrei a bela prática budista de Tonglen (respirando o sofrimento dos outros e expirando amor e compaixão) que me ajuda quando eu me sinto impotente em face do sofrimento.

Para as outras pessoas altamente sensíveis que estão lendo esta matéria, saibam que vocês não estão sozinhos e que não existe nenhum problema com vocês. Sejam gratos por sua sensibilidade diferenciada.

Por  JOANNE FEDLER  , Via: Mind Body Green 

Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti

Do original: 7 Unexpected Gifts Of Being Highly Sensitive

7 comportamentos que as pessoas acham negativos mas que também são saudáveis.

7 comportamentos que as pessoas acham negativos mas que também são saudáveis.

Os comportamentos mais saudáveis costumam estar relacionados com a sinceridade com que tratamos nossos próprios sentimentos.

Muitas vezes, evitamos alguns de nossos próprios comportamentos  pensando que eles não são saudáveis.

Veja estes comportamentos comuns que muitas vezes são considerados negativos mas que na verdade podem ser muito saudáveis.

1. Raiva

A raiva é algo que muitos de nós evitamos expressar mesmo que muitas vezes ela possa ser libertadora. Estar com raiva e expressá-la de forma saudável pode criar uma mudança positiva e poderosa em nossas vidas. A raiva é simplesmente um tipo de energia emocional que se forma em nós quando somos injustiçados ou quando atravessamos um limite pessoal. Essa energia tem como objetivo desfazer a situação inadequada que causou o nosso sofrimento.

Assim, é possível aprender a abraçar essa energia e direcioná-la para um uso positivo.Quando você ficar com raiva, examine como você pode expressar essa raiva de uma forma que promova uma mudança para melhor. É quando negamos ou evitamos a raiva que ela pode se transformar em formas não saudáveis, tais como explosões mal direcionadas ou até mesmo a depressão. Saber que a raiva é um sentimento também saudável permitirá que você a canalize de maneira libertadora.

2. Sentir-se perdido (a)

Nos sentimos perdidos quando perdemos nosso senso de direção. No entanto, quando estamos perdidos isso nos leva a prestar atenção no momento presente  e em nossos instintos. Se você já esteve perdido em uma cidade grande ou uma terra estrangeira, você provavelmente já fez algumas descobertas maravilhosas, enquanto tentava encontrar seu caminho.

O mesmo é verdadeiro para a vida. É importante nos lembrarmos que o importante é a jornada, e, por vezes, estar perdido e seguir por caminhos que você nunca teria pensado em escolher, nos mostra coisas sobre nós mesmos que são surpreendentes. Podemos descobrir  talentos desconhecidos em nós mesmos, encontrar amigos ou aliados que de outra forma teriam permanecido um mistério. Estar perdido agora não significa que você estará perdido para sempre. Significa simplesmente que você está  analisando perspectivas para encontrar o seu caminho, e também permite que o mundo ao seu redor pare de ditar os seus caminhos. Uma estrada que você nunca sonhou em seguir poderá te colocar em seu caminho verdadeiro.

contioutra.com - 7 comportamentos que as pessoas acham negativos mas que também são saudáveis.3. Chorar

O choro, assim como a raiva, é uma resposta emocional saudável para determinadas situações. Embora poucos de nós gostemos de de chorar, as lágrimas são necessárias para honrar aqueles momentos da vida em que as palavras podem ser inúteis. Há lágrimas de perda, mas também de alegria. Quando choramos, ajudamos a nossa psique a liberar uma energia que, se fôssemos segurar dentro de nós mesmos, poderia se tornar tóxica.

Chorar também suaviza nossas personalidades, bem como a nossa aparência para o mundo exterior, deixando os outros saberem que temos sentimentos. Chorar não só nos permite liberar nossa dor e tristeza, mas também envia um sinal para os outros de que estamos abertos e vulneráveis, como seres humanos, tornando-nos mais atraentes como amigos e parceiros do que aqueles que nunca derramaram uma lágrima por qualquer motivo.

Nota da CONTI outra: quando percebemos choro frequente que excede às situações vividas ou mesmo está presente sem motivo aparente, se acontece uma mudança significativa no humor em relação a como a pessoa era anteriormente afetando sua rotina e também vindo acompanhada de fortes sentimentos de tristeza, a pessoa deve buscar ajuda para uma avaliação profissional. 

4. Estar sozinho (a)

Estar sozinho não tem de ser visto de uma forma negativa senso que muitas vezes pode até significar que estamos cortando algumas das atividades sociais para podermos mergulhar em um nível mais profundo de nosso ser. É verdade que existem algumas situações em que uma pessoa se isolar pode ser um motivo de preocupação, mas também existem formas de ser mais introspectivas. Artistas, escritores e pensadores são exemplos de pessoas que encontrarão um valor supremo na solidão em busca de uma inspiração mais profunda e que ative o seu sentido de criatividade. Às vezes precisamos desligar os estímulos externos para estarmos com nós mesmos.

Se você sente a necessidade de estar sozinho, confie nele. Às vezes, uma caminhada solitária no parque, ou mesmo uma viagem de férias desacompanhada pode levar a um nível de auto-reflexão capaz de renovar completamente o nosso senso de propósito. Em algumas situações, a coisa mais saudável que você pode fazer por si mesmo é estar sozinho.

5. Desligar-se do mundo ao redor.

Não ouvir os outros pode ser visto como uma forma anti-social ou até mesmo arrogante de comportamento. Manter o foco, por vezes, requer que você ignore ou se sintonize à vozes que não sabem ou não estão em alinhamento com a visão. Confie em si mesmo.

Não escutar  também pode exibir um nível de discernimento mais elaborado.  Seja sábio e saiba quando ouvir os outros e quando não. Se um alerta interno diz para seguir seus próprios sentimentos, apesar do que dizem os outros, então confie nele.

6. Quebrar as regras

Quebrar as regras, por vezes, pode melhorar a sua vida, assim como a vida dos outros. As regras são feitas por pessoas imperfeitas como nós. Assim, a confiança em sua própria capacidade de encontrar uma razão por trás da regra pode levá-lo a um caminho melhor. A maioria das inovações na arte, ciência e sociedade aconteceram porque alguém deixou de seguir as regras como elas foram escritas e teve a coragem de desafiá-las. Alguns desses grandes infractores do mundo foram Rosa Parks, Gandhi, John Lennon, e Martin Luther King Jr. Não tenha medo de ser como eles.

7. Não se enquadrar.

Não se enquadrar na sociedade pode ser doloroso e difícil, especialmente durante a adolescência, mas também pode significar que você possui algo inovador e que tem algo a oferecer além da norma. Quando nos encaixamos bem nos contextos isso significa que nossos pensamentos, sentimentos e até mesmo a nossa imaginação está em sintonia com a nossa comunidade. Sair da caixa e romper com o que os outros esperaram de nós pode nos levar a um lugar de exclusão, mas também pode nos permitir explorações que vão além das crenças e dos pensamentos comumente aceitos: esse é o terreno fértil para novas ideias e reais mudanças.

Abrace quem você é agora, mesmo que não se encaixe tão bem com os outros. Saiba que suas inovações podem forjar um novo caminho.

Por  BRETT BEVELL , Via: Life Hack

Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti

Do original: 7 Behaviors Most People Think Are Negative That Are Actually Healthy

Imagem de capa: Peachskin by Nirrimi Joy Hakanson 

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3 biografias para aprender psicologia de maneira empática

3 biografias para aprender psicologia de maneira empática

Por Josie Conti

Antes do contato direto com o “paciente”, os estudos de caso talvez sejam a maneira mais prática e eficiente de trazer a teoria para o entendimento prático. Entretanto, penso que as biografias são as mais ricas fontes de informação para quem quer entender como realmente uma patologia pode afetar a vida de uma pessoa em seus aspectos mais globais. Além disso, as biografias proporcionam a real oportunidade para o leitor compreender empaticamente os sentimentos, dores e dificuldades que uma pessoa passa para se adaptar (ou tentar se adaptar) apesar do adoecimento.

Conhecer a história permite que nos conectemos com o ser humano que existe por trás de um diagnóstico, que sintamos cada etapa de sua jornada.

Definitivamente um bom profissional de psicologia nunca deve abrir mão da leitura de biografias.

Abaixo indico algumas leituras que fizeram diferença na minha vida. Espero que elas possam tocar mais pessoas..

contioutra.com - 3 biografias para aprender psicologia de maneira empática“Uma mente inquieta: memórias de loucura e instabilidade de humor”

Essa biografia apresente com louvor o testemunho pessoal da médica e psicóloga Kay Redfield Jamison, autoridade internacional em doença maníaco-depressiva e uma das poucas mulheres catedráticas de medicina em universidades norte-americanas. A obra é a revelação da sua própria luta, desde a adolescência, com a doença, e de como a doença moldou sua vida.

Nesse livro o leitor será capaz de perceber claramente como as bruscas oscilações de humor acontecem em ondas, mudando drasticamente a rotina e maneira de pensar da autora. Mostra como ela lidou com o tratamento, o abismo dos episódios de profunda depressão e os picos de humor maníaco. Aborda também questões relacionadas ao suicídio.

A mesma autora  escreveu um livro específico sobre o suicídio onde também usa os exemplos pessoais como base para o desenvolvimento teórico do tema chamado “Quando a noite cai: entendendo o suicídio.”

Na minha opinião, uma biografia realmente imperdível para qualquer um (a linguagem é acessível) que tenha interesse pelo tema.

“Os leitores deste livro são transportados, onda após onda, pelo poder de contar história de uma escritora, por sua mente lúcida e consciente de si mesma, por sua corajosa recusa a abraçar a auto-comiseração. Aqui está um sofrimento psiquiátrico tornado acessível, descrito numa prosa vigorosa, carregada, cativante.”  Robert Coles

contioutra.com - 3 biografias para aprender psicologia de maneira empáticaUma menina estranha – autobiografia de uma autista

Sinopse

Autobiografia da engenheira e bióloga Temple Grandin, que bem cedo foi diagnosticada como autista. Conversando com o neurologista Oliver Sacks, ela pronunciou uma frase que dá bem a medida de como o mundo lhe parece estranho: “A maior parte do tempo eu me sinto como um antropólogo em Marte”*.

Até os três anos e meio, Temple só se comunicou por intermédio de gritos, assobios e murmúrios de boca fechada. Sua mãe percebeu que já aos seis meses ela não se aninhava no colo: ficava rígida, rejeitava o corpo que queria abraçá-la. Na escola, batia na cabeça das outras crianças. Em vez de argila ou massinha sintética, usava as próprias fezes para modelar e espalhava suas criações pelo quarto. Às vezes ignorava sons altíssimos, mas reagia com violência aos estalidos de uma folha de celofane. O cheiro de uma flor recém-colhida podia deixá-la descontrolada ou fazê-la refugiar-se em seu mundo interior. Somente quando já tinha quase trinta anos conseguiu dar um aperto de mão e olhar nos olhos de outra pessoa. Construiu uma “máquina de abraço” para pressioná-la sem o desconforto intenso que um outro corpo humano provoca nela.
O grau de autismo de Temple Grandin não é o mais alto, e por isso o mundo que ela criou não se parece com uma fortaleza onde ninguém pode entrar.

Temple se tornou uma profissional extremamente bem-sucedida. Projeta equipamentos e instalações para a pecuária. Todos os corredores e currais que desenha são redondos, pois o gado tem mais facilidade em seguir um caminho curvo – primeiro porque, não vendo o que há no fim do caminho, fica menos assustado; segundo porque o desenho curvo aproveita o comportamento natural do animal, que é descrever círculos. Ela faz uma analogia: com as crianças autistas é preciso agir do mesmo modo, isto é, trabalhando a favor delas, ajudando-as a descobrir e desenvolver seus talentos ocultos.
De certa forma, esta autobiografia nos diz que as pessoas todas podem se tornar menos “estranhas”.

Nota da página: Essa expressão usada por Temple Graudin foi utilizada pelo neurologista Oliver Sacks como título de um dos seus livros mais famosos: “Um antropólogo em marte“. Para quem, como eu, tem interesse por neuropsicologia, esse é um dos autores mais indicados pois, como excelente escritor, é capaz de descrever com maestria casos de extrema complexidade. Foi baseado em um de seus livros que o filme “Tempo de despertar” (estrelado por atores como Robert de Niro e Robin Willians) foi realizado.

Segunda nota: A história de Temple também foi gravada em cinema com o  filme “Temple Graudin”  lançado em 2010.  No filme o enfoque é dado a como Temple revolucionou as práticas para o tratamento racional de animais em fazendas e abatedouros.

contioutra.com - 3 biografias para aprender psicologia de maneira empáticaO Escafandro e a Borboleta

A extraordinária história real de Jean-Dominique Bauby, editor da revista ELLE que, aos 43 anos, sofreu um derrame que paralisou todo seu corpo, com exceção do seu olho esquerdo. Preso em um corpo sem movimento, mas completamente lúcido, ele se adapta para contar sua incrível história de vida.

Essa história mostra como a empatia de um profissional é capaz de proporcionar a ponte que liga uma pessoa lúcida, mas prese em um corpo inerte, de volta a realidade.

Ainda me arrepio ao lembrar das descrições do livro quanto a realidade do autor e de seu mundo paralelo de fantasias. Uma aprendizagem incrível para nos lembrar que NUNCA, jamais devemos subestimar o poder de compreensão de uma pessoa esteja ela no estado em que estiver.

Para os cinéfilos a boa notícia é que o filme homônimo foi lançado em 2007  e também pode ser encontrado.

Nota: Para quem quiser entender mais sobre o AVC existe uma outra biografia interessante chamada A cientista que curou seu próprio cérebro: o relato da neurocientista que viu a morte de perto, reprogramou sua mente e ensina o que você também pode fazer. de autoria de Jill Bolte Taylor.

“Como viver apaixonadamente… Não importa sua idade.” Por Isabel Allende

“Como viver apaixonadamente… Não importa sua idade.” Por Isabel Allende

“Se escrevo alguma coisa, temo que ela aconteça, se amo demais alguma pessoa, tenho medo de perdê-la; no entanto, não posso deixar de escrever, nem de amar… ” Isabel Allende

A escritora chilena Isabel Allende está com 71 anos. Sim, ela tem algumas rugas; mas tem também um incrível ponto de vista. Nesta palestra franca dirigida a espectadores de todas as idades, ela fala de seus temores ao envelhecer e conta como planeja continuar a viver de modo apaixonado.

Nota: com seus 71 anos uma das escritoras mais consagradas da contemporaneidade descreve a sensação de invisibilidade que tem frente a uma sociedade que só valoriza os jovens. Vale conferir.

Versão com legendas em espanhol.

Clique aqui e assista com legendas em PORTUGUÊS.

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7 poemas moçambicanos ilustrados por obras de Malangatana

7 poemas moçambicanos ilustrados por obras de Malangatana

Muitos são aqueles que, em Moçambique, se dedicam à Literatura. Mesmo em meio a dificuldades para a publicação de suas obras, grandes poetas dão voz à poesia moçambicana, como bem poderemos conferir nos versos seguintes.

As obras de arte que intercalam as poesias são de Malangatana, artista plástico e poeta moçambicano reconhecido internacionalmente por suas obras que englobam trabalhos de desenho, pintura, escultura, cerâmica, murais, poesia e música.

AFORISMO

Havia uma formiga
compartilhando comigo o isolamento
e comendo juntos.

Estávamos iguais
com duas diferenças:

Não era interrogada
e por descuido podiam pisá-la.

Mas aos dois intencionalmente
podiam pôr-nos de rastos
mas não podiam
ajoelhar-nos.

José Craveirinha

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Um homem nunca chora

Acreditava naquela história
do homem que nunca chora.

Eu julgava-me um homem.

Na adolescência
meus filmes de aventuras
punham-me muito longe de ser cobarde
na arrogante criancice do herói de ferro.

Agora tremo.
E agora choro.

Como um homem treme.
Como chora um homem!

José Craveirinha

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Moçambique

Quando me sento descalça
sobre o sapato do menino pobre
que me enche o pé
muito mais que outro qualquer
me lembro que existir
não é sozinha
é com toda gente.
E me lembro
que tenho de embebedar-me de ti
Moçambique
Porque tenho saudades de mim

Tania Tomé

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ESTIAGEM

Com o peito em estiagem
chove choro materno .

Na boca ciosa do nado
minhoca o seio murcho.

Nem suor nem ar
lhe salgam a fome.

Amamentar-se só na doçura
das lágrimas da mãe.

Helder Faife

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És a vela içada

És a vela içada
a quilha que contorna
a carne das águas.
És a tempestade
a chuva premeditada
e eu o náufrago
que não se permite afogado. 

Eduardo White

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IDENTIDADE

Preciso ser um outro
para ser eu mesmo

Sou grão de rocha
sou o vento que a desgasta
sou pólen sem insecto
e areia sustentando
o sexo das árvores

Existo, assim, onde me desconheço
aguardando pelo meu passado
receando a esperança do futuro

No mundo que combato
morro
no mundo por que luto
nasço.

Mia Couto

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VERDADES QUE JAMAIS REVELASTE


Olho nos teus olhos mãe, vejo para além dos que me dizes
Mentes-me, sinto, mesmo assim acredito
O que seria do mundo se todas as verdades viessem a branco? Catástrofe, uma catástrofe universal

O lar é pilão, dizes-me tu com os olhos carregados de lágrimas
Vejo mistérios assombrosos nessas palavras
Um silêncio ensurdecedor sobrevoa o meu ingênuo rosto

Olho para ti mãe, o teu rosto segreda-me enigmas que a sua boca recusam-se a dizer
No seu rosto, dilemas tatuados

Hás de servir o teu homem, todos os dias da tua vida
Embora estas palavras fossem doces, no seu íntimo levavam decerto uma agonia sem sujeito
Uma aflição sem (desa) sossego

Se o lar é pilão
Se vou servir o meu homem, todos dias da minha vida, por que choras mãe?
Por que te empalideces, por quê?
Quantas verdades pernoitam no teu vazio?

Hoje, hoje, percebo a razão das lágrimas que te desciam o rosto, do corpo franzido que te cobre a pele, das verdadeiras razões que te calejaram o coração, a alma.

Nada mais tenho para acreditar, senão a realidade que me circunda.
Inútil é ser mulher, o ser a quem recai toda a desgraça do mundo.

Hera de Jesus

Silenciar sentimentos pode colocar sua saúde em risco. Conheça os perigos

Silenciar sentimentos pode colocar sua saúde em risco. Conheça os perigos

Quantas coisas reprimimos diariamente? Guardamos sentimentos como quem esconde um tesouro roubado, no entanto, não roubamos sentimentos, portanto, não faz sentido escondê-los de uma forma tão dura assim. Não é mesmo?

“Você pode se enganar e enganar muitas pessoas fazendo o papel de bonzinho, de coitadinho ou contar mentiras para não ferir essa ou aquela pessoa. Você pode esconder tudo de todo mundo, mas o seu corpo sente e reage as agressões que você tem cometido contra ele.

Se você continua naquele relacionamento que não suporta mais, naquela rotina que tira a sua alegria, naquela sociedade que já se desgastou, naquele emprego que rouba o seu prazer, ou naquela amizade mais falsa que nota de R$ 60,00, o seu corpo vai sentir essas emoções e como uma bateria, vai carregar e armazenar esses sentimentos, até que um dia vai explodir como bomba atômica.

Desde crianças, somos obrigados a segurar ás emoções. Muitos pais ensinam que chorar é “sinal de fraqueza”, “masturbação é pecado”, “sexo é vergonhoso e ter prazer é coisa de pessoas sem vergonha”. Desde muito pequeno, vamos sendo castrados em nossos sentimentos e emoções e quando podemos tomar nossas próprias decisões, em nome de “convenções da sociedade”, seguramos nossa raiva, nossa indignação, não abraçamos nossos amigos, não beijamos mais por uma vergonha besta e ridícula. A menina não abraça a menina por ter medo de ser chamada de “sapatão”, o menino não abraça o menino com medo de ser chamado de “bicha” e os homossexuais, escondem seus sentimentos com medo de serem rechaçados pela família e pela “comunidade”.

Assim, vamos armazenando sentimentos que precisam sair de alguma forma, e normalmente, todas as emoções se traduzem em raiva e/ou tristeza, uma sombra que se esconde por trás de sua aparente figura. Quanto mais tempo você sofrer calado, mais doente vai ficar…” – Paulo Roberto Gaefke

É, de fato, no final das contas, o maior prejudicado é você.

1. O meio-termo entre a necessidade da fala e o silêncio

Sabemos que o silêncio é sábio, e é sempre bom pensar antes de falar, afinal, ante algumas palavras ignorantes, ante um comentário fora do lugar ou ante uma expressão inadequada, optemos sempre por fechar a boca e agir com mais inteligência do que aquele que fala sem pensar.

Mas devemos encontrar um equilíbrio entre o silêncio e defesa de nossas necessidades:

Silenciar nossos sentimentos ou nossos pensamentos deixa que, a pessoa que está na nossa frente, não saiba que está nos machucando, ou que está ultrapassando alguns limites. Ninguém consegue adivinhar o pensamento dos outros, por isso se não dizermos aquilo que nos faz mal ou que nos ofende, as outras pessoas não o saberão.
Existem silêncios sábios e palavras sábias. Saber quando se calar e quando falar é, possivelmente, a melhor habilidade que podemos aprender a desenvolver. Não se trata, de modo algum, de estar sempre caldo ou de dizer aquilo que temos em mente. Os extremos nunca são bons. Mantenha o equilíbrio, mas lembre-se sempre que esconder os sentimentos pode nos machucar. Você permite que outros invadam seu espaço pessoal, que atravessem os limites e que falem por você ou que escolham por você. No final, você será quase uma marionete guiada por fios alheios.

2. As palavras silenciadas convertem-se em doenças psicossomáticas

Você não ficará surpreso em saber que a mente e o corpo estão intimamente relacionados e conectados. A conexão é tão grande que os especialistas advertem que quase 40% da população sofre ou sofreu em sua vida com alguma doença psicossomática.

O nervosismo, por exemplo, altera nossas digestões, causa diarreias ou a clássica dor de cabeça. Muitos herpes labiais são desencadeados por processos de estresse elevados, de nervosismo e febre. Logo, ficar calado todos os dias e internalizar o que sentimos e o que pensamos gera em nosso organismo uma alta carga de ansiedade.

Pense em todas aquelas palavras que não deseja dizer aos seus pais ou aos seus amigos para não ferir seus sentimentos. Eles fazem as coisas por você pensando que estão ajudando, quando na verdade não estão contribuindo. Por que você não conta a verdade?

Tudo isso, no final, irá originar doenças psicossomáticas, enxaquecas, pressão alta, cansaço crônico.

3. Dizer em voz alta suas palavras: a chave do desabafo emocional

Não tenha medo de escutar sua própria voz, e muito menos que os outros também o façam. É algo tão necessário como respirar, como comer, dormir. A comunicação emocional é ideal para o nosso dia a dia, para estabelecer relações mais saudáveis com os demais e, logicamente, com nós mesmos.

Aqui vão algumas dicas básicas para obter sucesso:

– Pense que tudo tem um limite. Se não dizermos em voz alta tudo aquilo que pensamos e sentimos, não estaremos atuando com dignidade, perderemos nossa autoestima e o controle de nossa vida. Primeiramente, tome consciência de que dizer o que está pensando e precisando é um direito.
– Dizer o que você pensa não é causar danos a ninguém. Significa se defender e, por sua vez, informar aos demais de uma realidade que deveriam conhecer.

–Não fique preocupado com a reação das outras pessoas, não tenha medo. Porém, se você se preocupa muito com o que pode acontecer, pode se preparar ante as possíveis reações. Um exemplo: está cansado do fato de que seus pais apareçam em sua casa todos os finais de semana e que não está tendo relações com seu companheiro. De que maneira você acredita que irão reagir? Se você acredita que eles irão ficar chateados, prepare-se para justificar que não existe razão para magoas. Caso você pense que eles ficarão machucados, prepare também o modo como irá argumentar, para não feri-los.

Pense que as palavras, dizer em voz alta aquilo que sentimos e pensamos é, na verdade, o melhor modo de liberação emocional que existe. Pratique-o com sabedoria, cuide de si mesmo.

Referências:

Melhor com Saúde, via Equilíbrio em Vida

E o abraço o que é, laço ou nó?

E o abraço o que é, laço ou nó?

No início são apenas duas linhas solitárias, enroladas sobre si mesmas, até que se avistam descobrindo o tempo do encantamento. A seguir vem o encontro, um tempo de delicadezas ou de intensidades depende, e, então, acontece a paixão, verdadeira atração pelo abismo, é o tempo do mergulho de um no outro, de forma tão completa que parece existir apenas um. E aí, depois de um tempo caminhando juntos, de mãos dadas pela vida afora, as linhas das mãos, que antes eram puro laço, começam se entrelaçar virando nó.

E, com o passar do tempo, e por certas razões, acontece um pequeno afastamento. É o tempo da crise, que acaba se resolvendo com a percepção de que o afastamento é apenas para o acerto do laço e do nó, é o tempo do amor.

contioutra.com - E o abraço o que é, laço ou nó?

Se quase tudo na vida é pulsação, inspiração e expiração; sístole e diástole; encontro e recolhimento, sono e vigília, movimento e repouso, sol e lua, dia e noite, por que a vida amorosa haveria de ser diferente?

O nó também pulsa, é móvel, vaivém, aperta e afrouxa ao sabor de muitas variáveis. A regulagem do nó é um espécie de dança, tem movimentos de contato e momentos de afastamento calculado,  e é somente quando essa dança sutil perde o ritmo, e as pessoas se fixam em um dos polos, congelados, que os grandes problemas começam; solidão, simbiose, dependência, medo do encontro, medo da rejeição, ciúme, possessividade e por aí em diante.

Olhando o gráfico, podemos perceber que a paixão é da ordem da fusão, enquanto o amor é intersecção; quer dizer, para o amor é preciso um pouco de individualidade. coisa que a paixão parece dispensar.

Segundo Sêneca, filósofo romano da escola dos estoicos, devemos aprender a misturar (e a alterar) a solidão e o encontro. Ela nos dá o desejo do convívio social, e ele, o desejo de nós mesmos. Um será o remédio da outra. A solidão cura nossa aversão á multidão, e o encontro cura nosso tédio da solidão.

Por Alfredo Simonetti
Em “O Nó e o Laço: desafios de um relacionamento amoroso.”
p. 31-33

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Sua vida possui mais paradigmas limitantes ou libertadores?

Sua vida possui mais paradigmas limitantes ou libertadores?

“De onde vem essa cegueira eterna que nos faz lidar com o novo  usando os velhos padrões?” nos pergunta Basarab Nicolescu, perplexo. O físico romeno, eleito pela Unesco como uma das vinte personalidades que mais influenciaram a educação no século XX, fala dos modelos mentais que nos incapacitam a viver experiências mais plenas.

Por vezes persistimos em um caminho cheio de dificuldades e barreiras que desaceleram ou até mesmo nos impedem de prosseguir por não sermos capazes de ver outros caminhos, trilhas ou desvios possíveis, as alternativas.

A forma como enxergamos a realidade é que a modela. Vivemos dentro dos limites de nosso olhar, de nossa percepção. Cada um de nós modelou uma lente, uma forma de ver a realidade, ou o que a ciência chama de paradigma. Essa formatação não é a verdade, é apenas um modelo pessoal da verdade.

Não há perda, desafio, problema ou circunstância com a qual não possamos lidar. Tudo é possível de ser integrado a novos níveis de consciência e, dessa forma, seremos capazes de transcender o desafio sem transgredir com nossos valores e posicionamentos. Aliás, só resolvemos verdadeiramente uma questão se estivermos em alinhamento com nossa própria consciência e guiados por nossos valores mais caros.

É preciso coragem para ser feliz. Escolher essa condição como desejável, abrir mão de tudo o que não querermos para sermos capazes de obter o que querermos.

Muitos dos valores herdados e das crenças aprendidas foram construídos a partir da perspectiva de outro tempo, mais restrito, de escassez, de medo ou, até mesmo, de intolerância.

Edificamos uma sociedade baseada nessa escassez e aprendemos a desconfiar do sucesso e a não acreditar na condição de uma felicidade perene. “O que é bom dura pouco.” é algo que repetimos como um mantra ou uma oração, sem ter a noção de que tudo o que se repete o cérebro aprende e opera .

Mesmo em relação àquilo que fazemos com prazer, que é fácil fazer, que adoramos, costumamos dar uma “reclamadinha” para ninguém achar que é fácil.

Esse estado de escassez, a crença de que não há para todos, gera três atitudes pessoais, da seguinte ordem:

1. Se é escasso, então primeiro vou cuidar de mim e de minha família e, só depois, se houver tempo e condições, vou ajudar os outros.

Essa primeira atitude gera o egocentrismo ou egoísmo, em que a solidariedade passa a ser uma prática eventual, sem prioridade, compromisso ou responsabilidade.

2. Se é escasso, então alguém vai ganhar e alguém vai perder, assim precisaremos competir para ver quem vai ganhar ou perder.

Essa segunda atitude gera competição. A competição exacerbada levará a um grande volume de “perdedores” ou excluídos.

3. Se é escasso, um dia vai faltar e é preciso acumular hoje para não faltar amanhã.

Essa terceira atitude gera o acúmulo. Essa necessidade de acúmulo gera o consumismo, que provoca ainda maior escassez para os que não possuem recursos e, assim , uma desigualdade crescente.

Agindo com base no egoísmo, na competição e no acúmulo, criamos uma sociedade desigual, injusta e excludente, que leva a uma realidade violenta e insegura. É por isso que estamos vivendo o estado social atual. Uma crença cria todo um sistema de mundo.

Porém, se sairmos da escassez e acreditarmos na abundância, na ideia de que há para todos, de que o sol nasce para todos, de que “o planeta é uma só nação e cada ser humano é seu cidadão”, como nos ensina o fundador da fé Bahá´´i, então poderemos transformar a realidade vigente .

Se desenvolvermos o paradigma da abundância, teremos atitudes diversas ao paradigma da escassez:

1. Se há para todos, então não preciso me preocupar comigo mesmo e posso contribuir com todos.

Essa atitude gera altruísmo, em que o centro da experiência passa a ser a solidariedade.

2. Se há para todos, não haverá perdedores ou vencedores, portanto a competição não é necessária. Todos podem ganhar.

Essa atitude gera a cooperação, que vai levar a uma nova forma de convivência e de relacionamento, muito mais fraterna e de ajuda mútua.

3. Se há para todos, não é preciso acumular e não há por que ter mais do que se necessita com a confiança de que não vai faltar.

Essa atitude gera a partilha, em que as potencialidades e dificuldades individuais são absorvidas pela comunidade, criando uma condição de mais igualdade de oportunidade.

Se os valores de base das pessoas forem o altruísmo, a cooperação e a partilha, essa será uma sociedade justa, inclusiva e próspera. Esse é o estado-base da paz.

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Por Dulce Magalhães
Em “O foco define a sorte: a forma como enxergamos o mundo faz o mundo que enxergamos.”
Fragmentos da p 24- 32.

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Excesso de permissividade com os filhos pode criar adultos agressivos

Excesso de permissividade com os filhos pode criar adultos agressivos

Quanto os país têm muita empatia sem o equilíbrio de outros atributos, tendem a ser permissivos com os filhos. É comum ouvirmos pais superprotetores dizendo frases como “Não é uma gracinha? Menino é assim mesmo, muito ativo, não é? Puxa, como eles têm energia”, quando essas explicações são apenas justificativas para comportamentos inadequados. Atitudes assim tendem a ocultar problemas de caráter que, se não forem encarados, terão repercussões negativas nas interações sociais da criança.

Todos os dias, pais superprotetores negociam com os filhos em supermercados e shoppings e, na maioria das vezes, a criança conquista um prêmio e mais um reforço a favor dessa limitação emergente. Não deixou de significar não, assim como pare não quer dizer mais pare. Para os pais excessivamente empáticos, as palavras não têm significado e são empregadas sem nenhuma consequência, até que a criança deixa de dar atenção a tantas ameaças vazias.

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Não é de estranhar que uma das limitações mais frequentes em casa sejam os acessos de raiva. Como eles surgem? Por que continuamos tendo dificuldade em controlar nosso temperamento na idade adulta, quando devíamos ter aprendido isso na adolescência? De onde vêm esses problemas e por que eles continuam a se manifestar?

Os problemas pertinentes a cada idade precisam ser abordados nas diversas etapas da vida. Mas o que acontece quando certas questões relativas à idade não são resolvidas no período adequado? Os problemas não desaparecem simplesmente porque envelhecemos. Eles continuam a se manifestar e se tornam mais prejudiciais com a idade, até que tomemos alguma providência. às vezes aprendemos a ocultar algumas questões e a conviver com elas durante anos, ms em algum momento essas limitações virão à tona. Esse é o caso da agressividade. A raiva não vai embora; fica adormecida e explode nos momentos mais inapropriados.

E o pior dessas ocasiões em que as pessoas perdem a cabeça é que muitas vezes dá certo. É como a criança que não quer fazer o dever na sala de aula e acaba brigando com a professora e sendo mandado para a diretoria. Dessa maneira, o truque funciona!

De certo na escola, assim como deu certo em casa. A criança faz um escândalo, briga e é mandada para o quarto, em vez de ter que terminar de lavar a louça. A agressividade dá resultado. Em pouco tempo as crianças percebem que podem se livrar das mais diversas situações armando um chilique monumental , com gritos, chutes e choradeira. Quando crescem, continuam fazendo aquilo que sempre deu certo. Certamente você pensará em um chefe ou um colega de trabalho, ou talvez um parente que mantém o controle das pessoas ou das situações por meio da intimidação ou de sua reputação de estourado.

Para todos os envolvidos, é muito mais fácil encarar a agressividade enquanto ela ainda usa fraldas do que esperá-la amadurecer e ganhar a forma de abuso doméstico, direção agressiva ou crime passional.

Por Flip Flippen

em “Pare de se sabotar e dê a volta por cima:

como se livras de comportamentos que atrapalham a sua vida”

p. 170-173

A história por trás da CONTI outra

A história por trás da CONTI outra

Desde que o site CONTI outra começou a ter mais visibilidade pública é raro o dia em que não recebo um e-mail de alguém que se deparou com a minha descrição de perfil e, ora quer elogiar e relatar admiração, ora quer saber como foi a história e pedir sugestões sobre como também mudar de carreira.

Sou do interior de São Paulo. Nascida em Bragança Paulista e criada em Socorro, cidade da região de Campinas e que fica aproximadamente a 120 km de São Paulo. Estudei em escola pública local e fiz faculdade também no interior.

Transcrevo o perfil:

Josie Conti

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Psicóloga por formação, blogueira por opção.
Abandonou o serviço público para manter seus valores pessoais .
Hoje trabalha prioritariamente na internet com criação e seleção de conteúdo.
É idealizadora e redatora-chefe deste site e da CONTI outra no Facebook.
Trabalha com o que ama.

 

Antes de ingressar no serviço público, morei e trabalhei em cidades como Campinas, onde fui voluntária e depois funcionária de uma ONG destinada à prevenção e tratamento de pacientes HIV e tive consultório particular. Morei no interior do estado do Paraná trabalhando na área da psicologia da educação e depois em Curitiba trabalhando em um site de Recursos Humanos. Nesse percurso fui colecionando cursos e experiências:

Penso que algumas das mais importantes:

– não ter medo de usufruir da liberdade de ir e vir por cidades e cursos assim como de abraçar abordagens de trabalho diversificadas. Eu era voluntária em uma ONG, assistia aulas na Unicamp, fazia Sociedade Lacaniana de Psicanálise, mas minha maior conclusão foi que: profissional recém-formado não escolhe emprego, é escolhido por ele! E penso que isso é bom, pois só a prática realmente dirá onde e por quanto tempo nosso coração quer estabelecer morada em uma função;

– enquanto o ambiente acadêmico pode ser frustrante no que se refere à humanização da profissão (excesso de aulas teóricas desconectas com professores que, muitas vezes, parecem nunca ter visto um paciente e alguns alunos que podem ser um “saco” exibindo seus conhecimentos filosóficos, idiomas e títulos de mestrado e doutorado e que não fazem muito mais além de enfeitar a própria vaidade ), conhecer culturas diferentes e colocar a “mão na massa” promove a desmistificação das teorias, diminui a arrogância do pseudo saber e desenvolve a real empatia e envolvimento com causas e pessoas. Afinal, aprendizagem só tem valor se mudar comportamento.

– estreitar verdadeiros laços de amizade e confiança. Quando vivemos fora, em cidades, estados ou mesmo em países diferentes, aprendemos o que é solidariedade e amizade verdadeira. Muitas vezes, quando estamos na segurança de nossos lares, tudo o que recebemos de nossos familiares pode ser incorporado sem tanta percepção de valor, mas quando estamos fora e, muitas vezes quem nos ajuda é um estranho que não tem nenhum laço afetivo conosco, percebemos o que realmente é o sentimento de GRATIDÃO e como ele é vital em todas as esferas de nossa vida.

Entretanto, havia em mim uma ilusão de que o serviço público poderia promover uma estabilidade financeira que daria um conforto que seria importante no futuro.

Após vários meses estudando, consegui um a boa classificação como psicóloga em uma cidade do interior que fica a 40 km de Socorro. Assumi o cargo e fui direcionada para a área de saúde do trabalhador, setor onde trabalhei com uma das equipes mais sérias, humanizadas e profissionais com que já tive contato na vida. Como todo trabalho, houve momentos de conflitos e transições, mas estes foram resolvidos com justiça e as adaptações foram coerentes e visaram o bem da comunidade. Era uma vida desgastante, pois o salário era baixo, os gastos muitos por tratar-se de outra cidade (o que me obrigou a ter um segundo emprego por 2 anos), mas era tudo tão bem estruturado e os vínculos tão fortes que a vida ia seguindo. Até que um dia, após a troca de gestão política, tudo mudou:

– o setor começou a ser fiscalizado por profissional externo, o que afetou drasticamente a coesão da equipe;

– o setor foi transferido de prédio autônomo para o porão de um hospital da cidade;

– profissionais começaram a ser transferidos sem aviso prévio, principalmente após fiscalizações em empresas de grande porte da cidade.

– Eu, após quase seis anos em um serviço especializado, fui transferida para o CAPs (serviço com o qual eu não tinha nenhuma afinidade profissional). Meus pacientes deveriam ser avisados e outro profissional sem nenhuma formação específica assumiria. Todas as capacitações técnicas (o curso de psicologia não qualifica para as atribuições do cargo que eu tinha) além de um curso de extensão universitário da USP específico em Saúde do trabalhador recém-terminado, tudo seria subutilizado quando a gestão me enviasse para uma área de atendimento com enfoque totalmente diferenciado.

No final:

– Eu não tinha mais vontade de ir para o trabalho;

– Na estrada eu tinha pensamentos fantasiosos como “Puxa, se eu batesse o carro não precisaria trabalhar.”

– Não tinha mais vontade de atender os pacientes, e, quanto chegava a hora do almoço, ficava feliz porque metade do martírio já tinha passado.

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Frente a tudo isso, quais foram as saídas que possibilitaram a mudança de carreira:

– Apoio familiar. Eu moro com a minha mãe e, quando liguei para ela dizendo que tinha sido transferida para uma área na qual eu realmente não queria trabalhar, além de todo o desrespeito com que fui tratada, ela me deu apoio em meu pedido de demissão;

– Saber que o que me vinculava aquele serviço realmente não existia mais e que, a partir daquele momento, continuar naquela cidade seria trabalhar apenas pelo salário- coisa que realmente nunca compensou para mim;

– Saber que lidar com uma gestão política que ia totalmente contra meus princípios e valores pessoais (o meu caso não foi isolado) só seria causa de estresse e possível adoecimento.

E, o mais importante:

– Ter um plano B em execução.

A página do Facebook já existia há cerca de 2 anos. Ela começou como um hobbie, mas, com muito trabalho e dedicação vinha atingindo números consideráveis de fãs. O site surgiu em consequência dela e é administrado em parceria com um engenheiro português que cuida de toda a parte técnica.

A partir do momento que saí do serviço público, comecei a trabalhar em tempo integral no site e nas outras redes sociais vinculadas a ele. Não existe nenhuma fórmula mágica, o trabalho é realizado em longas jornadas e existe toda uma logística de produção e veiculação de conteúdo. A diferença? Eu amo o que faço!

Trabalhar assim permite que sejamos nossos próprios chefes, mas exige muita disciplina pessoal.

Com disciplina é possível ter tempo para ficar mais com a família, viajar e até mesmo ajudar um familiar doente como é meu caso.

Hoje eu acordo tarde e vou passear com o cachorro, mas depois trabalho até quase meia noite. Esse é meu jeito, mas poderia ser diferente.

As lições:

– ter um hobbie que possa ser transformado em fonte de renda. Nossa vida nunca deve se resumir a uma única opção;

– saber que se pode contar com a família em um momento de decisão que poderia envolver riscos financeiros;

– saber que, mesmo que o trabalho atual não desse certo, eu teria total capacidade para realizar outros. Ter tido experiências de vida diferenciadas nos torna menos apegados e mais capazes para múltiplas funções.

– NUNCA, jamais ter medo de abandonar um trabalho que adoece. A sanidade mental vale mais do que qualquer salário do mundo;

-Não ser conivente com políticas públicas que não priorizam a comunidade. Se perdemos nossos valores pessoais, não nos sobra nada.

 Hoje a CONTI outra é um site vem conquistando seu espaço mantendo o objetivo de apresentar informações que fazem pensar, sentir e crescer.

Sejam sempre bem-vindos!

Josie Conti

PROGRAMA ACESSO ESPECIAL: Josie Conti, Psicóloga e idealizadora do site www.contioutra.com

O AMOR NÃO É UM MITO

O AMOR NÃO É UM MITO

Por Nara Rúbia Ribeiro

Era uma tarde escura e preocupante. Nuvens carregadas transtornavam o céu e a tempestade se fazia prenunciar. Sentada junto a mim, minha filha, então com seis anos de idade, observava serenamente o horizonte. Foi quando a questionei: – Meu anjo, o que você está vendo no céu? E ela prontamente respondeu: – Mãe, tem uma nuvenzinha grande, não dá pra ver o céu.

Mariana e seus achados. Ela estava com a razão. O meu céu fora estreitado pela “nuvenzinha”. A nuvem era o “meu” céu naquele instante. Mas o céu da Mariana era outro, infinitamente mais profundo, por trás da nuvem, acima da nuvem, mais elevado e denso, com sua imponência azul.

Há muito se apregoa que se você crê que pode algo ou se crê que não o pode, de qualquer modo você tem razão. Adapto esse pensamento à capacidade sentimental humana e afirmo que se você acredita poder viver o amor em sua mais pura essência ou se não acredita poder vivenciá-lo, também de qualquer forma você está correto. Cada qual observa o seu céu interior com a capacidade dos seus próprios olhos. Alguns enxergam a nuvem, outros, embora saibam que o céu esteja encoberto, conseguem vislumbrar outras galáxias.

Tenho alma de poeta. Já tentei racionalizar, descrer, argumentar comigo mesma acerca da utilidade do pragmatismo dos relacionamentos. Já sofri vezes tantas e outras tantas me fiz afastar de potenciais amores. Mas a alma de poeta tem vetor para sentimentos de desmedidas dosagens.

E é assim que o amor, para mim, não é um mito, pois eu o vivo. Sinto. Não saberia explica-lo, mas me arrisco a asseverar que ele seja infinito, tenha cheiro de relva orvalhada, gosto de iogurte de morango e tenha a densidade inversamente proporcional ao desejo egoístico de “aprisionar” e “possuir” o ser amado.

Não critico, contudo, aquele que se detenha às nuvens tempestuosas. Chuvas e trovoadas podem inspirar paixões ardentes, beijos cálidos e intenções inconfessáveis. E a paixão é um rascunho inacabado, um projeto falho, factível e inconsequente do amor.

A paixão é um amor estreitado. Mas quando se trata de amor, seja ele pleno ou centelha ínfima, ele pode ensinar-nos a ser maiores que nós mesmos.

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Nara Rúbia Ribeiro: colunista CONTI outra

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Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook: Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Mia Couto oficial

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10 pequenos hábitos que ROUBAM a sua felicidade

10 pequenos hábitos que ROUBAM a sua felicidade

Nós somos o que repetidamente fazemos. Se seus hábitos não estão te ajudando, eles podem estar te prejudicando.

Aqui estão alguns exemplos de hábitos que roubam a sua felicidade.

Preste atenção e tente abandoná-los.

1. Manter sua atenção mais direcionada a vida dos outros do que a sua própria vida.

Não adianta ficar satisfeito (a) com as histórias de sucesso dos outros e em como as coisas dão certo para eles se você não escreve a sua própria história. É necessário ter seus próprios sonhos e trazê-los à vida. Você tem tudo o que precisa para se tornar o que é capaz de se tornar. Mudanças incríveis acontecem quando você decide assumir o controle. Isto significa consumir menos do que vem de fora e criar mais. Significa recusar-se a deixar que outros dominem o seu pensamento e suas decisões. Significa aprender a respeitar e usar as suas próprias ideias e instintos para escrever a própria história.

Se você quer que sua história de vida tenha futuro, você tem que abrir o caminho, reduzir os prazos e não se apegar ao que te atrasa e não é importante. Se você realmente se preocupar com o que faz e trabalhar com afinco, não há quase nada que te impeça de realizar seus sonhos.

2. Passar a vida esperando o momento perfeito.

Não acredite no mito de que existe o momento perfeito para que as coisas aconteçam. Momentos não são perfeitos; eles são o que você fizer com eles. Acorde! Estes estados de perfeição são mitos. Eles não existem.

Sua capacidade de crescer e atingir seu maior potencial está diretamente relacionada à sua vontade de agir em face da imperfeição. Prospera quem aprende a lidar com as imperfeições de si e da vida sem deixar de seguir seus planos.

3. Trabalhar apenas pelo salário.

Trabalhar sem interesse é viver em uma prisão. Mesmo que você não seja super apaixonado (a) por seu trabalho, você tem que, pelo menos, ser interessado (a) por ele. Quando você cria um estilo de vida em que o seu trabalho é algo que te faz sofrer diariamente, você acaba gastando toda a sua vida desejando ser um outro alguém.

Pense nisso:

Esta é a sua vida e seu trabalho vai preencher uma grande porcentagem dela. Nem tudo se trata de dinheiro; é sobre você. Ignore a propaganda, especialmente de pessoas que dizem: “Não deixe que seu trabalho defina você.”

Reverse a mensagem inversa e medite sobre ela: “. Eu vou fazer um trabalho que me defina

Quando a essência de quem você é define pelo menos algumas parcelas do trabalho que você faz para ganhar a vida, esse trabalho lhe traz satisfação.

Resumindo: o interesse em seu trabalho lhe fornece qualidade de vida. Não se contente com um salário. Encontre um trabalho que lhe interesse.

4. Nutrir sentimentos de ódio.

Como Martin Luther King Jr. disse: “A escuridão não pode expulsar a escuridão; apenas a luz pode fazer isso. O ódio não pode expulsar o ódio; só o amor pode fazer isso. “Verdade seja dita, quando você elimina sentimentos de ódio, você consegue o melhor de si.

Tudo e todos que você odeia ocupam espaço permanente em sua cabeça e coração. Então, se você quer eliminar algo ou alguém de sua mente, não odeio. Em vez disso, desligue-se, siga em frente e não olhe para trás.

5. Apegar-se a preocupações e medos.

Um dia, quando você olhar para trás, você perceberá que quase todas as suas preocupações e medos nunca aconteceram simplesmente porque eles eram completamente infundados. Então por que não acordar e perceber isso agora? Partindo de hoje, quando você olha para trás, quantas oportunidades de alegria você destruiu com preocupações desnecessárias e negatividade? Embora não exista nada que você possa fazer com relação às alegrias perdidas,  há muito que você pode fazer com o que ainda está por vir.

Você descobrirá que é necessário deixar de se preocupar com algumas coisas pela simples razão de que elas são pesadas ​​demais para seu coração e alma. Não fixe algemas em seus próprios tornozelos.

Deixe de lado suas preocupações e medos, sua raiva e ciúme, sua necessidade de estar sempre certos e controlando tudo. Deixe de lado a sua pretensão e sua necessidade de ter tudo à sua maneira. Quando você começar a apreciar a vida pelo que ela é, ela se tornará maravilhosamente mais gratificante.

6. identificar-se com as dificuldades.

Um dia ruim é apenas um dia ruim. Escolha não torná-lo mais do que isso. Momentos de adversidade, inevitavelmente, afetarão as condições em que você vive e trabalha; Tome nota dos contratempos e ajuste-se a eles, mas não assuma os problemas como parte de sua identidade pesoal, tornando-os uma parte maior de sua vida.

Cada dia traz novas lições e novas possibilidades. Há sempre uma maneira de dar o próximo passo no caminho que você escolheu. Os eventos podem ser terríveis, mas você sempre tem escolha de como lidar com eles.

 

7. Buscar constantemente contentamentos fugazes.

Existem duas variações de contentamento na vida – os fugazes e os duradouros. O tipo fugaz é derivado de instantes de conforto material, enquanto que o tipo duradouro é alcançado através do crescimento gradual de sua mente. Num primeiro momento, pode ser difícil diferenciar um do outro, mas, com o tempo, as diferenças são óbvias e o último se mostra muito superior.

Não se engane, até mesmo os confortos físicos mais elaborados não farão você mais feliz por muito tempo.

8. Tentar fazer uma grande diferença de uma só vez.

Se você quiser fazer a diferença no mundo, comece com o mundo ao seu redor. Fazer uma grande diferença de uma só vez é geralmente impossível. No entanto, fazer uma diferença imediata em algumas vidas é perfeitamente possível e, geralmente, bastante fácil. Você apenas tem que se concentrar em uma pessoa de cada vez e começar com o mais próximo a você.

Trabalhe para fazer um monte de pequenos diferenças, e deixe que seus reflexos se espalhem naturalmente. Se você quer mudar a mente ou o humor de uma pessoa, às vezes você tem que mudar as mentes ou estados de espírito das pessoas que estão ao redor dela primeiro. Comece fazendo alguém sorrir!

9. Apegar-se a pessoas que te machucam.

Às vezes você tem que se afastar de algumas pessoas, não porque você não se importa com elas, mas porque eles te fazem mal. Quando alguém não te valoriza e te machuca repetidamente, aceite o fato de a distância pode ser o melhor remédio. Não se esforce para continuar impressionando essa pessoa. Não perca mais um segundo de seu tempo tentando provar alguma coisa para ela. Nada precisa ser comprovado. Desapegue-se dessa convivência e siga com relações que te ajudam a crescer.

10. Supervalorizar a importância da aparência.

Estar com alguém simplesmente pelo que essa pessoa aparenta por fora é como escolher o seu prato favorito com base na cor, em vez de gosto. Não faz sentido. As características que sustentam relações duradoras costumam ser invisíveis a primeira vista.

Assim como algumas pessoas gostam do cheiro de menta, enquanto outras preferem o cheiro de canela, há um efeito inegável, magnético que atrai para as qualidades de certas pessoas, lugares e coisas. É preciso estar atento (a) a muito mais do que o exterior das coisas e pessoas.

Por ANGEL CHERNOFF, Via: Marc and Angel Hack Life

Traduzido e ADAPTADO por Josie Conti

Do original:10 Little Habits that Steal Your Happiness

7 dicas para amenizar o sofrimento

7 dicas para amenizar o sofrimento

1. O seu mundo interior cria o seu mundo exterior, portanto, você é aquilo que pensa e faz; quanto mais você reforça o discurso e os pensamentos negativos, mais refém se torna deles.

2. As coisas que você ouve sobre dinheiro, sexo, relacionamentos, estudos, política etc. não são necessariamente verdadeiras; ao adotar novas formas de pensar e agir, com base naquilo que você é capaz de fazer, e você é, as coisas mudam naturalmente.

3. Pensar em coisas boas ou em coisas ruins dá o mesmo trabalho, então, opte por coisas que contribuam para a sua felicidade e o seu sucesso e pare de bancar o adivinho, de sofrer por antecipação e procure alimentar apenas pensamentos que lhe fortalecem.

4. Os exemplos que você teve a respeito de muitas coisas eram o modo de agir dos seus pais, entretanto, a sua maneira de ver e fazer as coisas é você quem escolhe; escolha ser mais alegre, mais otimista, mais abastado e a felicidade será apenas consequência.

5. Como diz o Seth Godin, a questão não é se você é capaz de fazer um trabalho digno e interessante, você é, mas a pergunta é: você está disposto? É mais cômodo reclamar do que levantar a bunda da cadeira para fazer algo diferente, mas é isso que você quer?

6. Levante todo o dia disposto a aprender algo novo e diferente, sem qualquer benefício prático aparente; isto vai reforçar a sua predisposição para o aprendizado e redefinir os caminhos neurais para uma nova maneira de ver as coisas.

7. Os medos, os mitos e os sonhos surgem do mesmo lugar, ou seja, da nossa capacidade de alimentar, positiva ou negativamente, os modelos mentais que herdamos ao longo da vida, os quais só serão mudados a partir do momento em que tivermos coragem de experimentar um futuro novo e diferente.

As dicas acima são fragmentos do artigo 7 insights para amenizar o sofrimento de Jerônimo Mendes: acesse o link para visualizar artigo completo.

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contioutra.com - 7 dicas para amenizar o sofrimento

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