A lenda do boto rosa, da Série: Recontando as lendas brasileiras

A lenda do boto rosa, da Série: Recontando as lendas brasileiras

Por Nara Rúbia Ribeiro

Dizem que há, nas águas dos rios, botos de extraordinária inteligência e profundo conhecimento da arte encantatória. Eles têm poderes especiais e os utilizam para visitar o mundo dos homens e trazer amor às mulheres.

Nas noites de junho, em meio às festas juninas, quando um boto rosa entende ser o certo momento, ele se transforma num homem forte, alto, de espantosa beleza. Suas palavras são poéticas e a sua voz, embora grave, tem a doçura dos rios em que vive. Seus olhos trazem a sede às mulheres. É assim que ele as convence.

Ele vai a festas juninas, sempre de chapéu para encobrir parte do rosto e esconder o único e último vestígio de sua forma antiga: o seu grande nariz.   Assim ele escolhe, dentre todas as mulheres desacompanhadas, a mais bela. Ele a chama para dançar e diz aos seus ouvidos  o que há de mais terno. Seus olhos de boto a deixam com sede de amor e, então, ele a convida para um passeio no fundo rio. E ela o aceita.

Sobre as águas, num feito mágico, boto e humana se amam. Finda a noite, ela retorna ao mundo dos homens e ele retoma a sua forma de boto e desaparece para sempre nas águas.

Contudo, entrega aos humanos algo sem preço. A mulher apalpa o ventre e compreende: o boto lhe deixara um rebento. E assim a humanidade se vê enfeitada de humanos meio homem, meio boto. E a mulher entrega ao mundo dos botos um coração, pois, diz a lenda, que após provar o amor de um boto rosa, a mulher se faz incapaz de a um homem amar.

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Leia outras lendas em:  Recontando as Lendas Brasileiras

Nara Rúbia Ribeiro: colunista CONTI outra

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Escritora, advogada e professora universitária.
Administradora da página oficial do escritor moçambicano Mia Couto.
No Facebook: Escritos de Nara Rúbia Ribeiro
Mia Couto oficial

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A melhor parte de você já foi amada?

A melhor parte de você já foi amada?

Por Patrícia Pinheiro

Acordei, outro dia, de um sonho um tanto peculiar: eu estava parada, à noite, no meio de uma rua aleatória, quando um grupo de meninas passou cantando – e em inglês – o que seria algo do tipo: ” A melhor parte de mim nunca foi amada”. Era uma música linda, e consigo me lembrar apenas dessa curiosa frase.

As melhores partes de nós já foram amadas? Tenho certeza que já se apaixonaram pela cor ou pelo formato dos teus olhos, mas já se deixaram comover pela maneira única como eles enxergam o mundo?

Já desejaram ser a respiração ofegante que sopra em teus ouvidos, mas conhecem e respeitam o dom terapêutico de escuta que eles têm?

Já te amaram pelos desejos que teus lábios provocam, mas quantos conhecem a fundo os motivos que os fazem desenhar os melhores sorrisos? Quantos te decifram pelo timbre? Quantos te elogiam pela eloquência, ou te emprestam palavras e tranquilidade na falta dela?

Já encontraram sensualidade e conforto nos teus ombros, mas te amam, também, pelo peso que eles já tiveram de carregar? Conhecem e respeitam as dores que, ao longo do tempo, os moldaram?

Já amaram o lindo formato das tuas pernas, mas ovacionam a tua determinação – ainda que fraquejante – para nunca ter desistido de seguir em frente? Te admiram pela coleção de trajetos que te fazem ser quem és?

Muitos valorizam o aperto e a textura das tuas mãos, mas quantos se orgulham verdadeiramente de todas as pequenas mágicas que são capazes de brotar delas? Quantos te amam pelo dom?

Muitos já fizeram teu coração acelerar, mas quantos – por conhecerem cada rachadura dele – o afagam constantemente e garantem que a vida seja bem mais que seus batimentos?

Existe beleza na presença e ausência de cada pedacinho de nós, mas, se for para amar, que nos amem por inteiro; que amem nossas melhores partes, que sempre serão aquilo que o físico pode até transbordar, mas jamais capturar totalmente.

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Animação divertida nos lembra que a água só é presente se respeitados os seus ciclos

Animação divertida nos lembra que a água só é presente se respeitados os seus ciclos

A presenvação das reservas de água e o respeito aos ciclos da vida que permitem a sua existência no planeta têm sido cada vez mais debatidos- embora em quantidade e com mudanças infinitamente aquém do necessário para uma mudança efetiva das administrações governamentais e do comportamento das pessoas que, em sua maioria, enxergam esse milagre da natureza como fonte inesgotável.

A CONTI outra selecionou para vocês uma animação muito divertida produzida pela empresa Evian onde uma gotinha percorre  todo um caminho cantando a música “We Will Rock You”, um grande sucesso gravado pelo Queen.

22 de março: Dia Mundial da Água

Aproveitem o passeio!

Breves considerações sobre a música

Breves considerações sobre a música

Por Luis Gonzaga Fragoso

1. Educação musical. Se o ensino desta disciplina fosse levado a sério pelas escolas, e desde o início, as pessoas hoje talvez falassem menos, e a necessidade de estabelecer comunicação, por meio das mais diversas tecnologias, talvez fosse menos frenética. Tendo em mente a lembrança essencial – de que a música é feita de sons e de pausas –, creio que o silêncio seria hoje mais valorizado.

2. O cancioneiro brasileiro é pródigo em exemplos de casamento perfeito entre melodia e poesia. Mas a beleza particular da música, como forma de arte, é seu alcance universal, que independe da letra para acompanhá-la. Basta ouvir, a título de exemplo, “Palhaço”, de Egberto Gismonti. Ou a “Ária na 4ª Corda”, de Bach.

3. Na primeira audição de um CD de nossa música popular, jamais – ou muito raramente – consigo prestar atenção à letra, por mais que tente. A melodia, os arranjos e o timbre do intérprete é que ganham relevo. Caso um vocalize ou um solo instrumental soe afetado ou excessivo, e não esteja a serviço do conjunto da canção, o ouvido vai acusar, e rejeitar. Em casos extremos, a letra da canção só me emociona depois de inúmeras audições do disco.

4. A frase é de uma amiga, mas descreve o que acontece comigo: “Minha mente é uma espécie de jukebox, que toca o que bem entende, na hora que bem entende. Além de funcionar como um tipo de oráculo”. Descrição perfeita. Por isso presto toda a atenção aos sinais de uma canção que emerge do baú mental, tempos depois de eu a ter escutado ou cantarolado: ela certamente não surgiu à toa.

5. Música e passado afetivo. Criança e pré-adolescente, ouvi muito os Beatles, mas também Elton John e Carpenters. Sou felizardo por ter crescido num meio em que eu absorvia tudo como uma esponja, totalmente alheio a rótulos como “música boa”, “ruim”, “cafona” ou “cult”. Numa fase posterior, a mente tentou se impor, com uma autocrítica severa: “Mas você gosta desta bobagem? Olhe só para esta letra!”. A fase veio, demorou o tempo necessário, e se foi.

6. Música ambiente. Um contrassenso total. Pois, se duas ou mais pessoas estão num lugar, e há a necessidade de uma música de fundo, o recado é claro: a música não é digna de atenção. Se não, para que está tocando? Para preencher um vazio, talvez… As pessoas parecem temer o silêncio, cada vez mais.

7. Música no cinema. Cinco ou dez minutos têm sido o bastante para eu avaliar se um determinado filme me agrada, e o respeito do cineasta pelo espectador. Tenho a curiosa sensação de que as trilhas de cinema são variações disfarçadas de uma única matriz, sobretudo em filmes de ação. Tenho reparado numa espécie de obsessão de não deixar espaço para o silêncio (ideia recorrente neste texto, você já percebeu); fazer com que a música sublinhe cada uma das cenas daquele período de 90 minutos – o que me provoca uma ligeira falta de ar. Como se estivesse lendo Proust ou Saramago, e me visse desesperado, me perguntando: cadê o final desta frase, deste parágrafo?!

8. O canto num grupo vocal. Em situações raras, microssegundos depois de terminada uma frase musical cantada pelo grupo, os harmônicos do acorde final pairam no ar – é quase uma entidade, que se corporifica. Descrevo a cena recorrendo às palavras, mas ciente de que tal descrição é pálida, na comparação com a experiência sensorial.

9. O canto num grupo vocal – um complemento. O ouvinte percebe a harmonia do conjunto quando as vozes do naipe se fundem, quando os diferentes timbres se encaixam; se uma delas se destaca, pelo volume ou potência, é porque algo deu errado. O ouvinte deve percebê-las como se o naipe todo fosse uma só voz. A implicação disso é religiosa, na verdadeira acepção desta palavra. Pois é quando os egos individuais se dissolvem – na ausência dos egos é que surge o amor –, quando uma estrela não tem a necessidade de ofuscar o brilho das demais, quando a (ilusória) separação entre as pessoas desaparece, é então que a beleza plena se manifesta.

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Luis Gonzaga Fragoso

Nascido em Sampa, mora numa chácara. Tradutor, músico amador, tem uma espécie de jukebox na mente, que toca o repertório que bem entende.

“Não pense! Sinta!”, palestra de Robert Happé

“Não pense! Sinta!”, palestra de Robert Happé

No futuro nós vamos olhar para essa época e vamos dizer: “Foi nessa época em que o homem despertou.”

Os sinais já aparecem quando as pessoas olham hoje para suas vidas e percebem que não gostam do que veem.

Despertar significa se tornar consciente do quem você realmente representa….

Vejam a palestra completa e aproveitem, além das sábias palavras, do bom humor de Robert Happé.

Nota da Conti outra: Agradecemos à ByNina por indicar esse vídeo fabuloso para que pudessemos compartilhar aqui em nosso espaço.

Os sapatos de Leminski, uma crônica de José Castello

Os sapatos de Leminski, uma crônica de José Castello

José Castello

Um amigo, que é poeta, muito bom poeta, reclama de um incômodo íntimo, um mal-estar sem nome, que nunca o abandona _ mesmo nos melhores momentos de sua vida. Escondo seu nome porque ele me fez esse desabafo durante um jantar, talvez empurrado pela força de um bom vinho. Não é a primeira vez que ouço de um poeta uma reclamação semelhante. Poesia e mal-estar parecem estar não apenas associados, mas intimamente ligados. Um não existe sem o outro. Um é, de certo modo matreiro, sinônimo do outro.

Recordo-me desse amigo ao reencontrar um comentário de Paulo Leminski a respeito das “condições socialmente adversas, negativas” em que o poeta trabalha. Eu o anotei nas margens de um livro de Sêneca (que relação terei visto entre eles?); parece que algum tempo depois, já que escrevo agora com outra letra e a lápis, acrescentei: “trecho de ‘Poesia: a paixão da linguagem”, citado por Julieta Maria). É tudo muito vago. Já não sei dizer quem é Julieta Maria. A folhas de meu livro de Sêneca estão amareladas; a edição é dos anos 1970. O fato é que a citação de Leminski agora reaparece para me sacudir. E para me fazer lembrar de meu amigo.

Diz Leminski: “Chego às vezes a suspeitar que os poetas, os verdadeiros poetas, são uma espécie de erro na programação genética”. (Também eu pareço ter anotado suas palavras no livro errado – mas será?) Continua: “Aquele produto que saiu com falha, assim, entre dez mil sapatos um sapato saiu meio torto”. Não é nova a ideia do poeta torto. “Vai ser gauche na vida” – as palavras de Drummond, no “Poema de sete faces”, já resumem tudo. Ainda assim, é perturbador ouvir Leminski.

Ele persiste na imagem do sapato _ o que me parece ser, já agora, um salto adiante: “É aquele sapato que tem consciência da linguagem, porque só o torto é que sabe o que é o direito”. É por isso que não faz sentido algum a ideia de “endireitar” um poeta. De domesticá-lo. De enquadrá-lo em um modelo, ou uma norma. A poesia não tem a casa em ordem; ao contrário, certa desordem é necessária para seu nascimento. Pensem no próprio Leminski. Pensem em Vinicius de Moraes. Em Orides Fontela. Em Hilda Hilst. Em Mario Quintana. Diferentes, muito diferentes entre si. Cada um, no entanto, com sua desordem.

Vai em frente Leminski: “Então, o poeta seria, mais ou menos, um ser dotado de erro, e daí essa tradição de marginalidade, essa tradição moderna, romântica, do século XIX, do poeta como bandido, do poeta como banido, perseguido”. Não é que o poeta tenha que levar uma vida errática. Não é isso. Não é tão fácil. Pensem em João Cabral, em seu escritório de embaixador. Em Jorge de Lima, em seu consultório médico. No próprio Drummond, em sua mesa de burocrata no Ministério da Educação. Adelia, que escreve e reza. Manoel de Barros, que escrevia trancado a sete chaves, como um monge. Tudo parece em seu lugar _ mas, por dentro, que turbulência.

Continuo a seguir Leminski: o poeta é aquele sapato que se desvia da série. Aquele a quem, sob certos olhos, estão destinados o descarte e o lixo. Aquele que, fosse mesmo um sapato, seria vendido em “ponta de estoque”, por defeito, ou por ser extemporâneo. Não é por outro motivo que os poetas estão na ponta _ isto é, na parte extrema. Não é por outro motivo que são vistos como extremados e (sigo Leminski) e excepcionais _ ainda que a eles só se dirija o desprezo do esnobismo e sua poesia sequer seja lida, vista como inútil ou abjeta.

Penso nos poetas da nova geração. Marco Lucchesi, em sua mesa de chá da Academia Brasileira de Letras. Lucinda Persona, dando aulas de biologia na universidade. Alberto Martins, em seu escritório de editor. Nuno Ramos, em seu ateliê de artista consagrado. Antonio Cicero, em suas lições de filosofia. O poeta pode ter várias faces. Pode seguir vários caminhos _ até mesmo caminhos retos e respeitados. Por que não? É por dentro que algo se desvia. É na alma que um sapato
torto se desenha e o faz escrever.

Fonte indicada: O Globo

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Três pares de sapatos – Van Gogh

21 de março: Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

21 de março: Dia Internacional Contra a Discriminação Racial

“30 mil jovens por ano são assassinados no Brasil. 77% são negros. Você se importa?”
Brasil Anistia Internacional

No dia 21 de março de 1960, em meio a uma manifestação pacífica na cidade de em Joanesburgo, na África do Sul, cerca de 20 mil manifestantes faziam um protesto contra uma lei denominada “Lei do Passe”. Essa lei obrigava a população negra a usar um cartão que estabelecia os lugares em que os negros poderiam circular, naquela cidade.

Porém, a polícia do regime do apartheid, mesmo observando se tratar de uma manifestação pacífica, disparou contra a multidão de mais de 20 mil pessoas, matando 69 e ferindo outras 186.

O apartheid  significa “separação”, trata-se de um regime de segregação racial adotado de 1948 a 1994 por sucessivos governos do Partido Nacional, na África do Sul. Parte dos direitos da grande maioria dos habitantes (negros) foram cerceados pelo governo formado pela minoria branca.

Para que as lições desse massacre jamais sejam esquecidas, a ONU estabeleceu, em 1969, o dia 21 de março como Dia Internacional Contra a Discriminação Racial.

Estejamos atentos para que os nossos erros históricos não sejam esquecidos, para que nunca mais se repitam, com a velha ou novas roupagens.

No Brasil, desde 1951, a legislação tenta inibir a discriminação racial. A Constituição Federal de 1988 consolidou esse pensamento, fazendo com que a prática de atos discriminatórios em virtude da raça, o racismo, passasse a ser vista como crime imprescritível e inafiançável, sujeitando o infrator a pena de reclusão.

A lei pode até punir, mas o que educa são os bons exemplos que damos aos nossos filhos e aos demais que conosco convivem. Que as nossas almas estejam desprovidas de todo e qualquer preconceito racial, só assim poderemos mudar o mundo: a partir de nós mesmos.

Para pensarmos:

Jovem Negro Vivo, um vídeo da Anistia Internacional Brasil

Assine o manifesto www.anistia.org.br/jovemnegrovivo

Editorial CONTI outra

Campanha em resposta a carta de uma mãe que esperava um filho portador da Síndrome de Down (Fabulosa)

Campanha em resposta a carta de uma mãe que esperava um filho portador da Síndrome de Down (Fabulosa)

Mãe descobre que filho terá Síndrome de Down e envia e-mail para organização de apoio perguntando como será a vida da criança no futuro. Agência de publicidade italiana resolveu responder com um vídeo emocionante.

“Que tipo de vida o meu filho vai ter?”, perguntou a mulher que estava com medo, pois acabara de descobrir que seu filho iria nascer com a doença genética.

O anúncio, feito especialmente para o Dia Mundial da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, traz 15 portadores da Síndrome de Down para responder a pergunta da mãe, mostrando as alegrias e os desafios que o filho possivelmente enfrentará no futuro.

O filme adota o conceito “Todo mundo tem o direito de ser feliz”, a fim de promover a diversidade e integração na sociedade, especialmente na escola e no trabalho.

A filial italiana da Saatchi & Saatchi, agência que realizou a campanha,  aproveitou um e-mail enviado por uma futura mãe para criar a nova campanha da CoorDown, organização nacional de apoio à Síndrome de Down
Este é o terceiro ano de trabalho da Saatchi com a CoorDown. As duas últimas campanhas ganharam 11 Leões em Cannes para a agência.

Fonte indicada: Meio e Mensagem. Publicada originalmente em 14 de Março de 2014.

[TESTE] Descubra quantas cores você é capaz de enxergar

[TESTE] Descubra quantas cores você é capaz de enxergar

O site Mistérios do Mundo publicou um teste muito interessante para que a pessoa consiga saber sobre sua real capacidade para identificar cores e nós aqui da Conti outra achamos tão bacana que vamos reproduzir para vocês:

“Segundo a especialista norte-americana Diana Derval, as nuances de cores que uma pessoa pode ver depende do número e distribuição de cones (que são as células receptoras de cor) em nossos olhos.

De acordo com Derval, somente 1/4 das pessoas possui quatro cones e consegue ver as cores como elas são.

E abaixo está um teste para saber a capacidade de sua visão. Quantas nuances de cor você é capaz de enxerga?”

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Se você conseguiu ver menos de 20 cores, más notícias. Você é um dicromata, isto é, possui somente dois cones. Cerca de 25% das pessoas são dicromatas.

Agora, se você viu entre 20 a 32 cores, você é tricomata, bem como a maioria das pessoas (50%). Isso significa que você possui três cones.

Por fim, se você enxergou entre 33 e 39 cores, você é um quadricromata, isto é, possui quatro tipos de cones (verde, vermelho, amarelo e azul).

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“A Vida na Hora”, mais um lindo exemplo da poesia de Wisława SZYMBORSKA

“A Vida na Hora”, mais um lindo exemplo da poesia de Wisława SZYMBORSKA

A vida na hora.
Cena sem ensaio.
Corpo sem medida.
Cabeça sem reflexão.

Não sei o papel que desempenho.
Só sei que é meu, impermutável.

De que se trata a peça
devo adivinhar já em cena.

Despreparada para a honra de viver,
mal posso manter o ritmo que a peça impõe.
Improviso embora me repugne a improvisação.
Tropeço a cada passo no desconhecimento das coisas.
Meu jeito de ser cheira a província.
Meus instintos são amadorismo.
O pavor do palco, me explicando, é tanto mais humilhante.
As circunstâncias atenuantes me parecem cruéis.

Não dá para retirar as palavras e os reflexos,
inacabada a contagem das estrelas,
o caráter como o casaco às pressas abotoado
— eis os efeitos deploráveis desta urgência.

Se eu pudesse ao menos praticar uma quarta-feira antes
ou ao menos repetir uma quinta-feira outra vez!
Mas já se avizinha a sexta com um roteiro que não conheço.

Isto é justo — pergunto
(com a voz rouca
porque nem sequer me foi dado pigarrear nos bastidores).

É ilusório pensar que esta é só uma prova rápida
feita em acomodações provisórias. Não.
De pé em meio à cena vejo como é sólida.
Me impressiona a precisão de cada acessório.
O palco giratório já opera há muito tempo.
Acenderam-se até as mais longínquas nebulosas.
Ah, não tenho dúvida de que é uma estreia.
E o que quer que eu faça,
vai se transformar para sempre naquilo que fiz.

SZYMBORSKA, Wislawa ( 1923 — 2012), In: Poemas – Seleção, tradução e prefácio de Regina Perybycien – São Paulo: Companhai das Letras, 2011. p.p. 61.62

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Via: Carmen Silvia Presotto

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“A hora de partir”, quando a mensagem da lua não chegou aos ouvidos dos homens

“A hora de partir”, quando a mensagem da lua não chegou aos ouvidos dos homens

Narra uma lenda africana o que abaixo registramos para anais da sabedoria universal:

“Mamãe lua sabia que as pessoas não queriam morrer. Elas desejavam, viver para sempre, como ela: nascendo, crescendo, minguando e reaparecendo toda-poderosa e cheia no céu. Então, em uma bela noite, mamãe lua chamou um lagarto e pediu que ele fosse à terra e dissesse para todos, homens, mulheres, meninos e meninas, que a partir daquele dia todos acordariam e viveriam até o final dos tempos.

─ Pode deixar, mamãe lua! Vou avisar todo mundo ─ disse o lagarto, deixando-a tranquila, pois sua mensagem chegaria para as pessoas rapidamente.

E o lagarto foi caminhando, todo bonito e faceiro, sempre parando para olhar alguma coisa ou conversar com alguém, em vez de se concentrar em sua missão. Quando estava no meio do caminho, encontrou uma árvore carregada de frutas bem madurinhas. Subiu na árvore e comeu, comeu, até ficar com a barriga bem cheia. ” Acho que vou descansar um pouquinho antes de continuar a minha viagem ” , pensou o lagarto. E ali mesmo, debaixo da árvore, dormiu.

A centopeia, que cuida para que a morte chegue no tempo certo para cada um, soube da mensagem que mamãe lua havia enviado para a terra. Preocupada, ela chamou um mongoose, um pequeno animal de pelo curto, muito ágil e esperto, e pediu:

─ Corra até a terra e diga a todos, homens, mulheres, meninos e meninas, que quando morrerem jamis voltarão a viver. Eles devem morrer pra sempre!

O mongoose chegou rapidamente à terra e avisou todas as pessoas que elas morreriam para sempre. Tempos depois, chegou o lagarto trazendo a menssagem da mamãe lua. Mas já era tarde demais. As pessoas estavam muito tristes.

Mamãe lua soube da situação e ficou muito brava com o lagarto:

─ Onde já se viu?

E foi ela mesma falar com todas as pessoas.

─ Eu não posso mudar a situção ─ lamentou. ─ A mensagem da centopeia chegou primeiro. Mas digo que, mais do que nunca, vocês devem viver intensamente cada momento, com muito amor e respeito à vida que existe em cada pessoa, bicho, planta, em cada grão de terra, em todo o universo. Porque todos nós somos um. Estamos ligados pela grande força da vida.

Mamãe lua abriu um grande sorriso e continuou:

─ E quando chegar o dia de vocês partirem para a terra dos espíritos dos seus antepassados vocês viverão para sempre por meio das coisas que realizarem aqui, do amor que alimentarem e da vida que continuará nascendo, crescendo e morrendo neste planeta.

Uma paz imensa encheu o coração de toda a gente. E todos foram dormir porque o dia seguinte sempre será um novo dia.”

E assim fica o registro de que somos eternos e nos imortalizamos na bondade que semearmos aqui.

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O que você está esperando?

O que você está esperando?

Por Gustl Rosenkraz

Sabemos muitas coisas sobre nós mesmos. E sabemos normalmente o que é que nos faz bem ou mal e até mesmo o queremos ou não. É claro que não sabemos tudo, pois tem coisas mais difíceis de se reconhecer, e terminamos nos ocupando mais com isso, com as coisas que não sabemos, correndo atrás, procurando entender, o que é certo, pois precisamos nos conhecer, mas não é bom dedicar-se completamente ao oculto sem cuidar também do óbvio, do que já se sabe, do tanto que já conhecemos de nós.

Costumamos negligenciar a nós mesmos. Tem coisas que são claras, sobre as quais já refletimos, pensamos e repensamos ou sentimos e ressentimos, ou que simplesmente estão tão na cara que nem dá para não percebê-las. Mas preferimos não enxergá-las. E assim, seguimos na vida com coisas mal resolvidas, adiando ou ignorando completamente certos problemas, uns pequenos, outros médios, alguns enormes, fazendo de conta que eles não existem ou querendo acreditar que não há solução, por medo das consequências, por insegurança, por pressão externa, por condicionamento ou por conveniência, na verdade porque somos assim: perfeitamente imperfeitos.

Sabemos que precisamos praticar mais esportes e nos alimentar melhor, mas adiamos por falta de tempo ou outra desculpa qualquer, alguns de nós continuam fumando, mesmo sabendo que a vida encurta um pouco a cada cigarro, consumimos álcool em excesso, mesmo sabendo que a vingança do fígado é certa, permanecemos em relações, mesmo sabendo que o amor acabou, continuamos trabalhando para o mesmo patrão, mesmo sabendo que ele é um tirano ganacioso, comemos açúcar e gordura em demasia, mesmo sabendo que a vingança da balança não falha (a do coração e a do pâncreas menos ainda!), calamo-nos ou dizemos que sim, mesmo sabendo que seria melhor dizer não, sabemos que o portão precisa ser consertado, mas preferimos correr o risco do ladrão entrar de noite no terreno. E o pior de tudo: continuamos vivendo uma vida corrida, estressante, superficial e muitas vezes vazia, mesmo sabendo que seria urgentíssimo cuidar mais de nossa alma, de nossa mente, de nossos sentimentos, centrar-nos, buscando e encontrando um pouco mais de paz interior.

Sabemos de tanta coisa e sabemos que é preciso dar certos passos, que nos ajudarão a crescer e nos libertar, resolvendo algumas coisas que nos sobrecarregam, mas preferimos adiar para amanhã. Ou depois de amanhã? Ou talvez no ano que vem? Quando mesmo? E somos criativos, vinculando a decisão a ser tomada a acontecimentos, datas ou situações – “Vou parar de fumar no ano novo!”, “Vou me separar quando as crianças estiverem grandes”, “Vou repousar mais, assim que a obra na casa estiver pronta” -, e assim prosseguimos até o ano novo chegar, os filhos crescerem ou a casa ficar pronta, para pudermos então buscar novas desculpas e adiar mais uma vez.

Tanto faz quais os problemas que você evita enfrentar, tanto faz o que você sempre vive adiando, seja lá por qual motivo, desista de esperar pelo momento certo, pois ele provavelmente nunca chegará. Se você está sofrendo aqui e agora, é também aqui e agora que você deveria buscar as soluções e promover as mudanças necessárias em sua vida, para que você se sinta melhor, para que você seja livre e mais feliz. Sei que terminar uma relação não é a mesma coisa que consertar um portão, mas tanto faz o tamanho da coisa: adiar não é o caminho. O momento certo é sempre agora.

O poder da literatura em “Minhas Tardes com Margueritte”

O poder da literatura em “Minhas Tardes com Margueritte”

Por Octavio Caruso

“Nas histórias de amor, não há apenas o amor. Nunca dissemos ‘eu te amo’, no entanto, nos amamos”.

A delicadeza inserida nesse poema é a força motriz de “Minhas Tardes com Margueritte” (La Tête em Friche – 2011), de Jean Becker, filho do cineasta Jacques Becker. Conhecemos o personagem de Gerard Depardieu como o estereótipo clássico do bronco, grosseirão, um montanhoso amálgama de Forrest Gump e Kaspar Hauser, incapaz de revidar os ataques debochados diários de seus colegas. É impressionante o contraste visual que se estabelece entre ele e a frágil senhora nonagenária, interpretada com doçura pela veterana Gisele Casadesus, ainda que a aptidão dele com o trabalho suave do entalhe na madeira, aliado à sua maneira simples e pura de enxergar a vida, demonstre que o exterior abrutalhado esconde uma fragilidade existencial quase infantil.

Todas as tardes, enquanto contam os pombos da praça, sem conhecimento algum sobre o passado e o presente do outro, completos estranhos unidos pela casualidade, os dois conversam sobre a vida. Assim como ela inicia a leitura de um livro em qualquer ponto, deixando o folhear da página decidir sua sorte, ambos permitem que o acaso conduza essa amizade. O inexorável tempo é o único inimigo, o ato de desaparecer, minguar sereno em direção ao grande desconhecido, sentindo cada vez mais pesada a luz cálida do amanhecer, por sabê-la representar a incontestável evidência de que mais uma noite terminou. O tempo que se esvai implacavelmente. Como se preparar para exercitar esse desapego pessoal? Aquela complexa máquina que sempre agia em harmonia com seus desejos, quando menos se espera, começa a desaprender dia após dia um antigo hábito. A inevitável perda gradual de visão, a inefável sensação de impotência perante as coisas mais simples, como exercitar a leitura, grande paixão da vida dela. O homem, carente do amor materno, consequência de uma parentalidade irresponsável, começa a depender emocionalmente daquela senhora que conhece apenas pelo nome. A mãe dele, uma estranha que mora ao lado, um enigma que ele encara constantemente, alguém que nunca dedicou um mínimo de ternura em sua criação. A senhora, carente do amor de sua família, que a considera um fardo e a instala em um asilo, começa a depender emocionalmente daquele homem que conhece apenas pelo nome.

contioutra.com - O poder da literatura em “Minhas Tardes com Margueritte”“Não precisam cortar a Floresta Amazônica para fazer dicionários que não ajudam aos idiotas. É como dar óculos para um míope. De repente vemos todas as falhas e defeitos”.

O filme aborda o poder transformador da literatura. A cultura é a única maneira real de libertação, ela conforta e traz segurança, incentiva e ensina um leão a disciplinar seu rosnado e sobreviver na selva. Ela o inspira a ler, por conseguinte, ajuda a formar nele um verniz de autoconfiança e amor próprio, afugentando qualquer intenção de se perder em autocomiseração, o caminho mais óbvio em sua complicada situação. Ela se torna a figura materna que ele nunca teve, bondosa e paciente, o símbolo de gentileza que o impulsiona a melhorar como pessoa, aprendendo a, não somente, apreciar melhor a paisagem, outrora embaçada pela mágoa enrustida, como também tomando coragem de abandonar a passividade, como nós percebemos no emocionante desfecho. Ele toma o controle de sua vida, e, nesse processo, acaba se tornando responsável pela vida dela. E, ao crepúsculo de um longo dia, é bonito perceber que tudo iniciou com a leitura de frases soltas de um livro de Albert Camus, num solitário banco de praça, numa tarde como qualquer outra.

“Nesse mundo estamos de passagem, então te passo esse livro”.

OCTAVIO CARUSO: colunista Conti outra

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Carioca, apaixonado pela Sétima Arte. Ator, autor do livro “Devo Tudo ao Cinema”, roteirista, já dirigiu uma peça, curtas e está na pré-produção de seu primeiro longa. Crítico de cinema, tendo escrito para alguns veículos, como o extinto “cinema.com”, “Omelete” e, atualmente, “criticos.com.br” e no portal do jornalista Sidney Rezende. Membro da Associação de Críticos de Cinema do Rio de Janeiro, sendo, consequentemente, parte da Federação Internacional da Imprensa Cinematográfica.

Blog: Devo tudo ao cinema / Octavio Caruso no Facebook

As várias formas de se vir ao mundo

As várias formas de se vir ao mundo

Por Adriana Vitória

Quando engravida toda mulher que você encontra tem conselhos ou historinhas pra contar, boas e más, e acreditem, foi neste período que me dei conta de que, apesar de todas as qualidades femininas, quando se trata de solidariedade, os homens dão um banho nas mulheres.

Não importa de quem venha, não ouçam! Não vale a pena. Nunca haverá uma historia igual a outra. Cada pessoa é um caso.

Tive uma vida absolutamente normal durante os nove meses da minha gravidez. Trabalhei, me mudei e dirigi ate poucas horas antes da minha filha nascer. Ela veio ao mundo depois de 12 longas horas de trabalho de parto. Foi um dia surreal que nem em meus melhores momentos criativos poderia imaginar.

Fiquei horas em um quarto com cinco homens (2 obstetras, 1 anestesista, 1 pediatra e o pai) a espera de um bebê. Depois de horas de papo e cantorias- o pediatra amava sambas e cantou muito pra mim- ela finalmente começou a vir. Já podia enxergar o topo da sua cabecinha, mas então, ela se moveu um pouquinho e a cabeça ficou presa.

Caos! A primeira vez em que me agarrei ao anestesista e pedi socorro. Era uma dor alucinante que descia pela minha perna.

Mesmo assim não desisti do parto normal, queria continuar tentando.

Pedi que tentassem me segurar de ponta cabeça, quem sabe assim ela não voltaria para descer na posição certa? Eles estavam meio incrédulos, mas concordaram. Acho que ganhei mais dois minutos de chance por merecimento, afinal de contas, quantas mulheres suportariam tantas horas sem reclamar de nada, sem chorar ou gritar ?

A tentativa foi em vão. Ela continuou no mesmo lugar. Não dava mais pra esperar. Dei adeus ao aconchego do quarto e fomos pra sala de cirurgia. Estranhamente não me sentia cansada. Estava ansiosa pra ve-la e, minutos depois, finalmente, ela nasceu. Veio pra mim chorando. Falei com ela e ela se acalmou imediatamente.

Apesar de tudo, foi tudo muito natural pra mim, como se estivesse tendo meu decimo bebê.

Outro dia, o pediatra postou em seu facebook a noticia de que as casas de saude no Rio estavam impossibilitadas de receberem as mulheres em trabalho de parto por causa do enorme número de reservas de partos programados ou cesarianas.

Quando foi que nos distanciamos de nossa natureza feminina? Ninguém é obrigado a sentir dor se não precisa.

Compreendo que algumas mulheres com problemas de saúde tenham que evitar o parto natural, tão defendido corajosamente pelo meu obstetra Marcos Dias, mas chegar a este ponto quando se têm anestesias para amenizar as dores das contrações é demais pra minha compreensão.

Provavelmente não teríamos sobrevivido em outra época ou país, mas estamos aqui e sou grata a todos os que estavam presentes, a Deus e a este dia inesquecível e maravilhoso.

Pra mim, assim como morrer, nascer é um processo que precisa ser vivenciado.

Nota da autora: Para quem quiser saber mais sobre o tema, veja o documentário Partos normal e humanizado

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