Mulher faz tattoo sobre sua depressão e imagem se torna viral

Mulher faz tattoo sobre sua depressão e imagem se torna viral

Bastou a americana Bekah Miles, 21 anos, postar sua tatuagem em sua página no Facebook para que a imagem se tornasse viral. Quem olha de frente lê “I’m fine” (estou bem). Quem vê de cima se dá conta de que a mensagem é “Save me” (me salve).

A estudante da Universidade George Fox escreveu: “Para mim, [a tatuagem] significa que outros veem essa pessoa que parece bem, mas, na realidade, ela não está bem. Isso me lembra de que pessoas que podem parecer felizes podem estar em uma batalha consigo mesmas”.

No post, Bekah explica o que depressão significa para ela, como sentir-se triste sem motivo, dormir muito ou pouco, sentir um peso no peito. “Depressão são as lágrimas que eu tenho por não saber o motivo de me sentir tão sem valor, quando eu sei que eu deveria ser feliz”, escreve ela.

Ela diz que foi difícil publicar o texto e a imagem, já que doenças mentais são uma vergonha na sociedade. “Mas isso precisa ser falado”, sinaliza.

A tatuagem, completa Bekah, a força a falar sobre sua própria batalha e porque a conscientização é tão importante. “Você ficaria surpreso em saber quantas pessoas você conhece que lutam contra a depressão, a ansiedade e outras doenças mentais. Eu posso ser apenas uma pessoa, mas uma pode salvar outra…”, destaca.

Por QSocial, via Catraca Livre

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Café com amor

Café com amor

No Centro de Saúde onde trabalho, as pessoas começaram a sentir diferença no gosto do café. Antes ele vinha rançoso, azedo, mal passado, mal digerido. Com as férias da funcionária responsável pelo café, ele passou a vir gostoso, no ponto certo entre forte e não tão forte, quentinho, saboroso.

Conversando na cozinha sobre o novo sabor do cafezinho de todas as tardes, alguém cogitou a hipótese: “o café dela é ruim porque faz com raiva”.

Embora haja controvérsias, há razão nisso. Porque não há café coado no mundo que carregue sabor se não houver amor.

As coisas aspiram uma existência afetuosa, e somos os responsáveis por deixar o mundo com mais amor.

É comum dizermos que algo “não desce”. Aquele café não desce, aquela pessoa não desce, aquela comida não desce, aquele trabalho não desce. Talvez o ingrediente sobressalente em tudo isso seja a raiva. Talvez falte amor. O amor que vem da capacidade de nos entregarmos e gostarmos de cada gesto que fazemos, cada realização de nosso pensamento e de nossas mãos.

Depois do episódio do café passei a rever certas ações do meu dia. Ao entrar no Centro de Saúde, entro com amor? Ou já entro cansada, mal humorada, desanimada? Ao abrir a porta do consultório e começar a atender o paciente, faço com amor? Ou tenho pressa, desgosto, falta de vontade? Ao dirigir de volta para casa, retorno com amor? Ou volto cansada, apressada, sem paciência com o motorista à minha frente? Buscando meu filho na escola, busco com amor? Ou busco como um ato mecânico, rotineiro, banal? Entrando em casa, entro com amor? Ou chego reclamando do meu dia, irritadiça com as lições de casa do meu menino, cansada com tantos afazeres numa única semana? Janto prestando atenção aos sabores do meu prato e ao aroma do meu vinho ou cumpro apenas uma necessidade de existir, passando apressada pelos ingredientes de minha refeição enquanto confiro os videos do whatsapp? Olho nos olhos do meu marido enquanto ele fala ou apenas murmuro reclamações sobre minha segunda-feira infernal?

Viver uma vida que “não desce” é distanciar-se do amor que envolve todas as coisas. É deixar o desânimo e a raiva serem os fios condutores de nossas existências.

Confesso que por diversas vezes me vi seguindo o roteiro tortuoso de minhas realizações. Trabalhando sem amor e seguindo meu caminho com a força da rotina massacrante que permiti me conduzir. Ligando o piloto automático e realizando tudo sem a devida reverência.

Mas o caminho para a mudança vem da consciência. E perceber nossas ações sem o tempero do amor é o primeiro passo para a transformação, quem sabe convertendo a desarmonia em alegria. Tenho parado para pensar desde então. Sabendo que o gosto do café se altera com a raiva, e que posso mudar meu entorno com mais tolerância e amor, só posso desejar mais doçura em minha vida _ a partir do meu próprio modelo, a partir de minhas próprias atitudes e pensamentos.

O mundo da gente começa a mudar pela gente. Não adiante desejar um café gostoso se em nossa própria vida falta encontrar o ponto certo. Não adianta almejar o feijão de caldo consistente e tempero na medida se no decorrer dos dias não nos alegramos com o que há. De nada adianta o querer se não amamos o que temos.

Nem sempre trabalhamos naquilo que amamos, mas buscar satisfação nos pequenos gestos, ainda que seja um exercício difícil, é a receita para sermos mais gentis com nossa própria pele. Maltratamos a nós mesmos quando não ofertamos nosso melhor. E o saldo é sempre negativo: baixa imunidade, tristeza e raiva.

Que nossa receita seja simples: Coloque amor em tudo. As coisas tendem a retornar do mesmo jeito que partiram, e aí quem sabe a gente aprenda a ser mais feliz também, descobrindo que aquele cafezinho bem passado foi o gesto de um amor que floresceu primeiro em nós, fazendo bem ao nosso pensamento e vontade, e depois se espalhou por aí, feito cheirinho de café _ com amor_ coado na hora…

10 frases budistas que podem mudar a sua visão sobre a vida

10 frases budistas que podem mudar a sua visão sobre a vida

O Budismo é uma das religiões mais antigas ainda praticadas e uma que tem mais seguidores, cerca de 200 milhões de pessoas no mundo. Enquanto alguns preferem se referir ao Budismo mais como uma filosofia de vida do que uma religião.

De uma forma ou de outra, o que tem permitido esta filosofia / religião sobreviver ao longo do tempo e continuar ganhando popularidade são suas mensagens simples e cheias de sabedoria que pode realmente melhorar nossas vidas diárias. Na verdade, não é necessário abraçar o budismo para colher os benefícios que ele pode nos oferecer. Basta manter uma mente aberta e o coração disposto.

1. A dor é inevitável, o sofrimento é opcional.

Nós tendemos a pensar que reagimos aos eventos que trazem consigo a semente de tristeza ou da alegria, mas, na verdade, reagimos ao que os fatos significam para nós. Nós só podemos sofrer por aquilo a que demos importância. Portanto, para evitar sofrimento desnecessário, por vezes, apenas um passo para trás, desanexar emocionalmente e ver as coisas de outra perspectiva. É difícil, mas com a prática você aprende. Na verdade, uma outra frase budista nos mostra o caminho: “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos; É fundada em nossos pensamentos e é feito de nossos pensamentos.

2. Alegrai-vos porque em toda parte é aqui e tudo é agora.

Muitas vezes perdemos a vida enquanto estamos amarrados ao passado ou preocupados com o futuro. No entanto, o budismo nos ensina que temos apenas o aqui e agora. Portanto, devemos aprender a estar totalmente presentes, para desfrutar de cada momento como se fosse o primeiro e o último. Não mergulhar no passado ou sonhar com o futuro, se concentrar no momento presente, porque é onde você vai encontrar as chaves para a felicidade.


3. Tenha cuidado com o exterior, bem como seu interior, porque tudo é um.

Somos uma unidade física e espiritual, mas muitas vezes nos esquecemos. Às vezes nos preocupamos muito sobre como cuidar do corpo e esquecemos a alma, enquanto em outras vezes nos preocupamos muito com nosso equilíbrio psicológico e negligenciamos aspectos importantes, tais como dieta e exercícios. No entanto, para encontrar um estado de bem-estar verdadeiro é imperativo que a mente e o corpo estejam equilibrados.

4. Melhor usar pantufas do que tentar colocar tapete no mundo.

Às vezes, ou porque superestimamos nossas forças ou porque não estamos cientes da magnitude da situação, estabelecemos metas que vão além de nossas capacidades. Em seguida, geramos um estresse desnecessário. No entanto, para encontrar a paz interior, é importante estar ciente de nossas forças e nossa dose de recursos, e qualquer caminho tem que começar de nós mesmos, antes de mudarmos o que não gostamos no mundo, mudemos o que não gostamos em nós mesmos.

5. Não ferir os outros com o que causa dor a si mesmo.

Esta é uma das máximas do budismo que, se aplicada ao pé da letra, estaríamos praticamente eliminado todas as leis e preceitos morais. No entanto, esta frase budista vai além do clássico “não faça aos outros o que você não quer fazer para você”, pois envolve, acima de tudo, uma profunda compreensão de nós mesmos e, uma grande empatia para outros.

6. Não é mais rico quem tem mais, mas quem precisa menos.

Apesar de não estarmos conscientes disso, o nosso desejo de mais, seja no material ou emocional, é a principal fonte de nossas preocupações e desapontamentos. Quando aprendemos a viver com pouco e aceitando tudo que a vida nos oferece no momento, podemos alcançar uma vida mais equilibrada e reduzir a tensão e stress. Entender que já temos todo necessário para atingir a paz interna e felicidade é um ensinamento que traz tranquilidade na caminhada e evita a ansiedade e desgaste incessante de sempre achar que a felicidade está logo ali na frente, mas nunca aqui.

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7. Para entender tudo, é preciso esquecer tudo.

Quando somos pequenos, estamos abertos à aprendizagem, não temos idéias preconcebidas. No entanto, à medida que crescemos nossa mente está cheia de condicionamentos sociais que nos diz como as coisas devem ser, como devemos nos comportar e até mesmo o que pensar. Estamos tão imbuídos nesse contexto que não percebemos que nossa mente se tornou uma caixa muito estreita que nos aprisiona. Então, se você quer mudar e ver as coisas de outra perspectiva, o primeiro passo é se separar das crenças e estereótipos que o mantem amarrado. Neste sentido, uma outra frase budista nos ilumina: “No céu, não há distinção entre o leste e o oeste, são as pessoas que criam essas distinções em sua mente e depois pensam que são verdadeiras”.

8. O ódio não diminui ódio. O ódio diminui com o amor.

Gerar violência, raiva produz ressentimento. É algo que quase nunca aplicamos quando nos envolvemos em discussões nas quais somos guiados por nossas emoções mais negativas, respondemos às críticas com outro comentário e um ataque ainda mais forte. No entanto, o ódio só gera ódio, a única maneira de contrariar o seu efeito é o de proporcionar amor, respondendo com emoções positivas. Não se apaga fogo com mais fogo.

9. Dê, mesmo se você tiver muito pouco para dar.

Esta é uma das mais antigas frases budistas, e algumas pesquisas na área da psicologia positiva mostraram que a gratidão e a entrega é um dos caminhos que conduzem à felicidade. Não é sobre dar com intuito de receber algo, mas dar motivado pelo prazer que sente ao ajudar alguém.

10. Se você pode apreciar o milagre que mantém uma única flor, toda sua vida vai mudar.

Nesta frase budista o segredo da mudança está fechado: aprender a valorizar cada coisa e cada pessoa por aquilo que ele é: um milagre único e irrepetível. Quando aprendemos a não criticar, mas aceitar e se maravilhar com as menores coisas que nos rodeiam, nossa vida vai mudar porque estamos deixando aberta a gratidão, a curiosidade e a alegria. Pelo contrário, se pensarmos não há nada de especial sobre as pequenas coisas e estamos no topo do mundo, não apenas estamos fechando a beleza, mas também para a aprendizagem e crescimento. Se você não pode apreciar o milagre que envolve uma flor, é que você está morrendo por dentro. O que resume bem esse ensinamento é um post que já fizemos aqui sobre a visão da abelha e da mosca.

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Fonte indicada: Yogui.co

A sinistra poesia do balé da morte

A sinistra poesia do balé da morte

Nesses mares revoltos nossa hipocrisia atingiu as águas mais profundas.

Em um planeta todos os dias bombardeado por milhões de imagens que vem de todos os lados fica difícil comentar as mais impactantes, ou mesmo refletir sobre elas, dada a velocidade com que nascem e morrem nos dias seguintes. Apesar disso, quero aqui puxar pela memória do leitor e comentar a imagem que mais me impressionou, sobre a mais recente onda de mortes de imigrantes nas águas do Mediterrâneo.

Não estou falando das imagens das muitas crianças mortas que chegaram afogadas à praia. com suas expressões entre a serenidade e a estupefação. Não estou falando dos restos de barcos toscos, de comida, de objetos que flutuam revelando serem inúteis partes desimportantes de vidas dadas como desimportantes. A imagem que mais me entristeceu e chocou na semana passada foi uma tomada de cima, onde uma dúzia de afogados formavam um círculo perfeito, boiando sobre as águas escuras do mar que os matou. Ao centro desse circulo, dois ou três objetos, como pontinhos de uma foto-pintura absolutamente surreal, que não seria imaginada nem na gótica mente de um Bosch contemporâneo. A sinistra poesia de um balé da morte.

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O horror dessa foto paradoxalmente revela uma beleza macabra de composição, que atenua a nossa percepção do quanto aquilo é desumano, absurdo, impensável num mundo civilizado. E mais surreal ainda que esse amontoado de cadáveres em círculo de imigrantes afogados lembre tristemente as estrelas que se vêem na bandeira da União Européia.

Escrever sobre uma imagem amplamente difundida talvez seja inócuo ou dispensável. Muita gente viu. Mas não consigo pensar e nem escrever hoje sobre outra coisa diante da indiferença mundial diante dessa imagem de raro impacto poético. Imagem que representa uma indiferença abissal que temos diante desses milhares à deriva pelos mares do mundo, levados como peixe podre até as praias dos países tubarões, que, na verdade, fabricaram a secular tragédia do colonialismo, origem, ovo da serpente de toda essa tragédia que se dá na costa européia. São humanos como todos nós esses que perecem. Mas ao vê-los assim de cima, mortos à deriva, não se parecem com nada que seja humano. O desumano ao qual são submetidos os transforma em máscaras de horror, para as quais o cinismo do mundo “civilizado” não quer nem olhar. Nesses mares revoltos nossa hipocrisia atingiu as águas mais profundas.

Texto de Ricardo Soares

Fonte indicada: Domtotal

“Um encontro na penumbra”, por Marina Colasanti

“Um encontro na penumbra”, por Marina Colasanti

As flores estavam ali e eu não as olhava. Não as havia olhado sequer ao entrar naquele restaurante de hotel, suspenso sobre a cidade vazia e iluminada em noite de domingo.

Percorri cuidadosamente o cardápio, escolhi o vinho que considerava merecido depois de uma jornada de trabalho. Em seguida me voltei para a paisagem, apaziguada por aquelas ruas sem carros, prenúncio de sono urbano.

As flores não olhei, porque acreditei fossem falsas e não se digna de um olhar aquilo que tenta nos levar ao engano.

E logo a taça de vinho chegou antecedendo a comida. Procurei na bolsa algo para ler ou escrever, bebi um gole, serena com a minha solidão. A bem da verdade, aquele vasinho de porcelana branca que eu intuía pançudo e obediente sob as folhas pontualmente arranjadas, me incomodava. Estava próximo demais da minha mão, era demasiado invasivo para um objeto que eu não havia solicitado. Quase me empatava.

Foi então, só porque desejava afastá-lo, que levantei o olhar.

Sob o meu olhar, tudo permaneceu ordenado e imóvel, a porcelana e o pequeno buquê. Ou, pelo menos, assim me pareceu por um instante. Um instante só. Depois reparei, ainda distraída, que entre as belas folhas luzidias havia uma desgastada na beira, e outra, quase escondida, que dobrava sobre si mesma a ponta seca.

Como a incrédula que era, como a cega que havia sido até então, estendi a mão envergonhando-me do gesto, e as toquei.

Estavam vivas.

Nada havia de parado acima do vaso. Entre o escuro das folhas, as frésias amarelas, tão perfeitas que eu as havia considerado falsas, luziam na penumbra, oferecendo o escuro segredo de seu miolo. E as pétalas emitiam uma vibração que não me atrevi a alisar, talvez cromática, talvez de última vida. No ventre da porcelana, os talos sorviam lentos.

Senti a comoção tomar-me a garganta como se tivesse entrado em um bosque. E já o garçom chegava com a sopeira.

Naquela sala de jantar anódina e penumbrosa, um encontro havia estado à minha espera, uma doação. E eu quase o havia perdido. Minha alma, em defesa contra tanto plástico, tantas imitações, tantas flores chinesas, tanta gota de orvalho eternizada, tantas pétalas falsas cobertas de poeira, tantos pistilos rígidos como antenas de insetos, tanta mistificação aceita e convencionada, havia trancado o olhar, imobilizado a percepção.

Mais terrível é o engodo quanto mais mimética a imitação, aquela produzida por máquinas robóticas, que só na inserção das folhas revela a sua verdadeira natureza, e que tenta se sobrepor à nossa sensibilidade. Muito outra é a graça das flores de papel crepom com seus talos de arame. Sinceras e modestas, não insultam ninguém, não pretendem o engano. Brincam apenas de ser flores ou metáfora de flores, e enfeitam.

Tomei meu vinho, com um olho posto nas frésias, brinde ou cumplicidade. E enquanto estive ali, seu esforço de sobrevivência não foi em vão, nem se perdeu no escuro a vibração das pétalas.

Saí pensando nelas e me perguntando, sem esperar resposta, porque tornou-se tão comum colocar flores falsas em mesas de restaurante, se só as verdadeiras nos nutrem.

Texto de Marina Colasanti

“Só posso me ofender se não me conhecer” – Leandro Karnal

“Só posso me ofender se não me conhecer” – Leandro Karnal

Leandro Karnal – Hamlet -William Shakespeare

Leandro Karnal é professor, historiador, graduado em História pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos) e doutor pela Universidade de São Paulo (usp). Leciona há 30 anos, tendo passado por ensino fundamental, médio, escolas públicas e privadas, cursinhos pré-vestibulares, universidades variadas e hoje leciona na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Trabalha há muitos anos com capacitações para professores da rede pública e publicação de material didático e de apoio para os professores. Pela Contexto publicou como autor, coautor ou organizador Estados Unidos, História da cidadania, As religiões que o mundo esqueceu, O historiador e suas fontes, História na sala de aula e História dos Estados Unidos. Viaja bastante e observa professores e alunos em meios como comunidades indígenas no México, escolas da França, aulas no Norte da Índia, Vietnã e China. Sua meta de vida é ser lembrado como alguém que tentou ser um bom professor.

Só me ofendo porque não me conheço

Como parar de se ferrar

Como parar de se ferrar

Mel Robbins mostra o motivo de as pessoas não conseguirem o que querem: elas se convencem de que estão bem sem aquilo.

Com dicas de como sair da sua zona de conforto ela indica o caminho para que você possa atingir seus objetivos.

“Procure outro trabalho!

Não, vou reclamar desse mesmo.”

Dica de livro: O poder dos quietos

Dica de livro: O poder dos quietos

Com argumentos cativantes, uma extensa pesquisa e repleto de inesquecíveis histórias reais, O Poder dos Quietos mostra como os tímidos e introvertidos são subvalorizados, e como todos perdem com isso.

Partindo da ascensão do Ideal da Extroversão no século XX, Susan Cain questiona os valores dominantes no mundo empresarial de hoje, no qual a colaboração forçada e no qual o potencial de liderança dos introvertidos é frequentemente negligenciado.

De modo inspirador, a autora nos apresenta histórias de introvertidos de sucesso e oferece inestimáveis conselhos sobre como os tímidos podem tirar vantagem das suas características. Em O Poder dos Quietos , Susan Cain contempla também as crianças introvertidas, em capítulo especial com dicas para pais e professores.

Um livros extraordinário, que tem o poder de mudar para sempre a maneira como os tímidos e introvertidos se veem e, talvez mais importante, como as outras pessoas os veem.

Informações Técnicas
Autor(a) Susan Cain
Título O Poder dos Quietos
ISBN 9788522013265
Páginas 36
Edição 1ª
Tipo de capa Brochura
Editora Nova Fronteira
Ano 2012
Assunto Psicologia
Idioma Português

Encontre o livro O poder dos quietos aqui

Veja as 10 frases mais marcantes de Pepe Mujica

Veja as 10 frases mais marcantes de Pepe Mujica

Passou 14 anos preso
“Tive que aguentar 14 anos em cana (…) Nas noites que me davam um colchão eu me sentia confortável, aprendi que se você não pode ser feliz com poucas coisas você não vai ser feliz com muitas coisas. A solidão da prisão me fez valorizar muitas coisas.”

Seu estilo simples de vida
“O que é que chama a atenção mundial? Que vivo com pouco, em uma casa simples, que ando em um carrinho velho, essas são as notícias? Então este mundo está louco, porque o normal surpreende.”

Sobre aposentadoria
O ex-presidente planeja abrir uma escola de negócios agrícolas em um galpão atrás da própria casa.

“Sim, eu estou cansado, mas isso não para até o dia em que me coloquem em um caixão ou quando eu for um velho esquecido.”

Seu discurso na ONU
Mujica, em um dos discursos mais importantes feito por um presidente latino na ONU, representando as “culturas originárias esmagadoras”:

“Sou do Sul e carrego milhões de pessoas pobres na América Latina”.

Sobre o cargo de Presidente
Mujica, ao ser perguntado como se sentia por ser o presidente do Uruguai, surpreendeu a todos com a resposta direta e simples:

“Para mim é um emprego qualquer. Tomo banho e vou trabalhar”

Sobre a descriminalização da maconha
Uma das leis que fez com que Mujica se tornasse mais conhecido foi a que legalizou a maconha. Ele colocou nas mãos do Estado a regulação da produção, venda e distribuição da erva a partir de dezembro de 2013.

“Não é bonito legalizar a maconha, mas pior é dar pessoas ao narcotráfico. O único vício saudável é o amor.”

Casamento gay
Mujica, em agosto de 2013, aprovou a lei do casamento igualitário e fez do Uruguai o segundo país a aprovar esse matrimonio, juntamente com a Argentina.

“O casamento gay é mais velho do que o mundo. Tivemos de Júlio César a Alexandre, o Grande. Dizem que é moderno e é mais antigo do que todos nós. É uma realidade objetiva. Existe. E não legalizar seria torturar as pessoas desnecessariamente”.

Legalização do aborto
Em 2012, o Uruguai tornou-se o único país latino-americano a legalizar o aborto. O ex-presidente disse em entrevistas que a descriminalização poderia evitar as mortes em interrupções de gravidez feitas clandestinamente, como também o numero de abortos se uma mulher sozinha pudesse receber ajuda.
“Legalizando e intervindo, é possível conseguir que muitas mulheres voltem atrás em sua decisão, sobretudo aquelas de setores mais humildes ou que estão sozinhas.”

Crítica ao modo de vida ocidental
Ao comentar o modo de vida ocidental, o ex-presidente ressaltou que as pessoas vivem pelas finanças, no tédio dos escritórios.

“O homem médio às vezes sonha com férias e liberdade. Sempre sonha em pagar as contas, até que um dia o coração para e adeus”.

Índice de aprovação
O ex-presidente, casado com Lucia Topolansky, foi chamado de o presidente mais pobre do mundo por morar na mesma casa de campo e conviver com a cadela de três patas chamada Manuela. Mujica será lembrado para sempre.

“Eu não sou pobre, eu sou sóbrio, de bagagem leve. Vivo com apenas o suficiente para que as coisas não roubem minha liberdade.”

Fonte: Notícias Brasil

Veja também:  Mujica diz que corrupção é doença no Brasil e pede ‘quem gosta de dinheiro’ longe da política

Amar é acreditar. O amor vem do “acreditamento”.

Amar é acreditar. O amor vem do “acreditamento”.

Pois me conta um amigo querido que um dia uma criança sua conhecida, viajando no banco de trás do carro, pergunta à madrinha que dirige cuidadosa:

— Dinda! Você sabe de onde vem o amor?

— Não sei, não, meu querido. Tô tentando descobrir. Por quê? Você por acaso sabe?

— Eu sei! O amor vem do acreditamento…

Do alto de seus quatro anos de idade, o autor da tese entrou para a história de sua família. Fosse o mundo mais atento, entraria para a Academia Brasileira de Letras. E eu fiquei pensando que o maior gênio especialista na alma humana, o filósofo mais desprendido e o poeta mais iluminado não teriam uma suspeita tão acertada. Segundo o menino, o amor vem de lá, do que ele chama de acreditamento. Esse estado intermediário entre o susto inicial e a descrença final do amor. Esse território sublime, fundado para além das bandas da desesperança e da incompreensão.

Amar vem de acreditar. É lá, no lugar seguro onde impera a confiança, que se formam as primeiras possibilidades amorosas. Lá são geradas as populações de borboletas que esvoaçam incômodas no ventre dos apaixonados, as noites memoráveis de lua e conversa, os pássaros e sons que nascem com o dia.

Lá também, nos campos verdes da esperança, as paixões incendiárias refrescam seus ímpetos para aos poucos se transformar no amor que é entendimento, respeito, apreço, afeto e essas coisas que deixam a vida mais leve.

Como a criança e seu olhar generoso sobre a vida, quem acredita no amor não tem medo dos sentimentos ruins que o envolvem e o contradizem. A escassez do nosso tempo, o desespero superficial de suas causas, a pressão raivosa dos incompreendidos, a mágoa dos abandonados, a angústia dos perseguidos, o medo dos condenados.

Para dentro das fronteiras do acreditamento, o amor cozinha seu caldo quente, eterno e sublime que derrete todos os medos. A dor, o desamparo, os pavores de todas as causas. A espera da resposta indesejada, a notícia inesperada, as verdades duras jogadas na cara, as mentiras dolorosas, as sentenças de morte, as declarações de ódio, a intolerância, o abandono, a rejeição. Tudo, tudo isso são cidadelas vizinhas à terra da esperança, a seara vigorosa do amor à qual só tem acesso quem acredita.

Porque quem segue acreditando sabe que a saudade de toda sorte e toda gente, os álbuns de fotos antigas, as velhas mágoas, as ilusões perdidas, as demoras eternas, os longos anos que nos separam e os segundos que nos unem nada são senão degraus na longa escadaria que nos eleva ao amor mais puro e simples.

Quem tem esperança não espera apenas, mas vai em busca. Peregrina até os campos mansos do acreditamento, onde brotam alegrias de todos os tipos e tamanhos, rompendo o solo com força em todos os cantos: a chegada de uma criança ao mundo, o amor cuidadoso nascendo no coração dos irmãos que ganharam um cachorro, os trabalhadores esforçados, a dignidade da vida, as grandes amizades, as paixões fecundando aqui e ali, marias-sem-vergonha explodindo suas sementes invisíveis de amor louco.

Lá, de onde vem tudo isso, se encontra todo o sonho que no mundo ainda resta. Lá se acredita no amor e em todos os seus outros nomes. Na coragem do primeiro encontro contra o medo da morte. Na liberdade contra a opressão de qualquer tipo, na compreensão contra a ignorância, na fartura contra a miséria.

Nos vales onde vivem todos os que acreditam, os caminhos são pavimentados de lembranças. Alegrias furtivas, casamentos inesquecíveis, tardes à beira de um lago de prata, risos, choros, descobertas, reencontros, grandes alívios, almoços de domingo e elas, as primeiras vezes, as tantas primeiras vezes de tudo na vida.

É de lá que vem o amor. Vê ali, naquela janela, o homem viúvo tomado de pesar? Ele vai sorrir de novo. Nota os motoristas cheios de gentilezas e cuidados no trânsito. Percebe as crianças olhando respeitosas para os velhinhos. Contempla toda essa gente servindo ao outro como escoteiros. Eles agem assim porque acreditam.

É assim que é. É de lá que vem o amor, forte, gentil, livre e generoso como a imaginação de uma criança passeando de carro. O amor vem de lá. Agora eu sei. O amor vem do acreditamento.

Eu acredito.

Dancei.

Dancei.
A man and a woman in the most romantic dance: tango. Black and white image with grain film added as effect. Please see more images from the same shoot.

Sexta-feira passada, fui a um baile aqui perto de casa. Isso mesmo. Baile. Na porta, em letras gigantes, estava escrito “Baile para quem quer dançar! O melhor da dança de salão aqui! Toda sexta-feira!”. Do lado de fora, eu ouvia uma banda. Música ao vivo?! Beleza.

Abrindo parêntese:

Desde que a sofrência se apoderou de mim por conta de minha separação tenho indicação para anti-depressivo-tarja-preta. Vejam vocês, eu, a rainha do alto astral, estava com tudo em baixa. Humor, auto-estima, vontade, inspiração, concentração, fome, sono,… eu havia me tornado um bagação ambulante. A saúde já estava para lá de péssima e eu me recusando terminantemente a tomar remédio. Já virei escrava da amitriptilina para dormir. Há quatro anos toda noite tenho que enfiar um comprimido na boca para ter uma qualidade de sono razoável. Há três tento me livrar disso e não consigo. Ficar dependente de outra droga? Nananinha. Estava deprimida mas bem atenta.

Sei que tudo é químico. Felicidade, medo, paixão, tristeza… tudo isso não passa de um desequilíbrio de substâncias dentro de nós que somos vistos pelos psiquiatras como compostos por adrenalina, noradrenalina, feniletilamina, dopamina, oxitocina, serotonina, endorfinas dentre outras ‘inas’ que não sei o nome. No meu caso, por exemplo, precisava de injeções de dois litros de serotonina na veia. A serotonina é um tipo de neurotransmissor que atua no cérebro regulando o humor. O bom humor, para ser mais exata. A minha taxa da serô estava negativa.

A pergunta que me fiz foi: como será que os índios ou os orientais curam a depressão? Esse costume de tomar remédio é universal? Claro que não. Há muitas culturas que abominam o uso de fármacos e resolvem seus problemas de outra forma. Com o pouco de força que me restava, resolvi estudar a fundo tudo isso e percebi que teria, literalmente, que me mexer. A prática de atividades aeróbicas durante trinta minutos pelo menos três vezes por semana, disseram-me vários monges, reduz quase pela metade os sintomas de uma depressão moderada, que era o meu caso. E se associarmos à música, a coisa fica ainda mais eficaz. Isso posto, resolvi seguir o conselho de meu amigo Daniel e me matriculei na melhor escola de dança de salão aqui no Rio. E lá se vão dois meses.

Hoje faço coisas que há dez anos atrás nem sonhava em fazer, tipo dar uma volta para me divertir somente com a minha companhia. Na dança, muito evoluí, ainda não saí do dois para lá e dois para cá na aula, mas já perdi a vergonha e permito-me ser conduzida por ilustres desconhecidos, o que é um avanço, para mim, mais do que considerável.

Fecha parêntese.

Bom, como estava dizendo, na sexta acabei entrando em um “Baile para quem quer dançar! O melhor da dança de salão aqui!”. Qualquer oportunidade de treinar meus passinhos recém-aprendidos é super bem-vinda. Passei um batom, dei umas borrifadas de perfume no cangote e entrei. Sozinha. Mega hiper bem de cabeça.

Estava vestida como sempre. Uma calça, uma bata e uma sandália plataforma que disfarça muito bem minha altura.

Mal adentro o recinto levo um susto com o que vi. Um bando de senhorinha de mini saia e salto agulha circulava e dançava pelo salão. Os cabelos pareciam moldados por bobs, aquele negócio que dona Florinda usa na cabeça. Os decotes iam até o umbigo e as blusas mostravam os ombros sendo que alguns eram tatuados! Os senhorzinhos estavam todos muito bem vestidos com sapatos lustrosos. Eu estava, minha gente, na verdade, em um baile da terceira idade. Muito famoso aqui no subúrbio, diga-se de passagem. Eu que não o conhecia. Ainda bem que a minha cabeça estava super boa…

Enquanto observava e me dava conta de onde havia parado, pensava que se terceira idade é quando eu tiver coragem de sair assim de casa com aquela alegria e desenvoltura toda, a minha aflição por estar envelhecendo tem destino certo: o ralo. Ao meu lado, estava uma senhorinha com meia calça brilhosa dançando sozinha com os braços abertos e cantando alto a música segurando um copo de cerveja. Percebendo a minha timidez e meu zóio atento a tudo, convidou-me para me juntar a ela. Recusei porque compreendi que para minha cabeça melhorar e chegar naquele nível de desprendimento eu precisaria fazer capoeira, dança africana, correr meia maratona e nadar até o outro continente para que meu corpo produza metade da quantidade de serotonina e dopamina que corria no sangue daquela senhora.

Não demorou, no entanto, para um senhor com a barriga protusa me puxar para um forró. Daí, meu irmão, foi irresistível. O rapaizinho mandava super bem e mesmo sem eu saber quase passinho nenhum, ele me colocava para rodopiar como uma bailarina no meio do salão. Só deu eu nos braços do Seu Barriga. Ao final de três músicas, estava já soltinha e me juntei a senhorinha do parágrafo acima e fizemos uma dupla de Beyoncé e Shakira pelo resto da noite. Eu, claro, de cara limpa sem uma gota de álcool ingerida porque, como muitos já sabem, tenho carência de aldolase que é a enzima do fígado que age na segunda etapa da metabolização do álcool. Daí que o subproduto da primeira etapa da metabolização é tóxico e me causa taquicardia e vasodilatação. Fico vermelha como um tomate e se alguém colocar a mão na minha cabeça consegue medir meu pulso. Olha aí a química de novo.

Enfim, eu me rendi. Mergulhei sem medo em um ambiente que jamais havia enfiado sequer a pontinha do dedo do pé. Não me preocupei em justificar a minha solidão e muito menos me envergonhei dela. Pelo contrário, habitei-a com percepções e muita música animada. Não fiquei menos sozinha, é verdade, mas povoei meu deserto.

Não sei se coloquei um ponto final e estou pronta para virar a página. Gosto de usar todos os recursos possíveis das vírgulas e reticências e conjugar o pretérito imperfeito e o futuro do subjuntivo com todos os verbos possíveis. Se ele me ligar… Quando ele me convidar para um cinema… Se eu pedir… Fujo de pontos finais e sigo sonhando, querendo, relevando. Mas estou compreendendo que o expediente de muitas pontuações está se esvaindo e, pela sexta feira passada, percebo-me cada vez menos preocupada com isso.

Ainda não sei andar de mini-saia, mas um vestidinho com uma cintura apertada e um scarpin já foram providenciados para os próximos bailes. Do que restou do meu amor-próprio eu fiz uma muleta; da minha angústia, uma escada, e das minhas quedas, faço agora, passos cada vez menos desajeitados de dança.

Sinta medo e aja mesmo assim

Sinta medo e aja mesmo assim

Forjando a armadura

(tradução Ute Crãmer)

Nego-me a me submeter ao medo
que me tira a alegria de minha liberdade,
que não me deixa arriscar nada,
que me toma pequeno e mesquinho,
que me amarra,
que não me deixa ser direto e franco,
que me persegue, que ocupa negativamente minha imaginação,
que sempre pinta visões sombrias.

No entanto não quero levantar barricadas por medo
do medo. Eu quero viver, e não quero encerrar-me.
Não quero ser amigável por ter medo de ser sincero.
Quero pisar firme porque estou seguro e não
para encobrir meu medo.

E, quando me calo, quero
fazê-lo por amor
e não por temer as
conseqüências de minhas
palavras.

Não quero acreditar em algo
só pelo medo de
não acreditar.
Não quero filosofar por medo
que algo possa
atingir-me de perto.
Não quero dobrar-me só
porque tenho medo
de não ser amável.
Não quero impor algo aos
outros pelo medo
de que possam impor algo a mim;
por medo de errar, não quero
tomar-me inativo.
Não quero fugir de volta para
o velho, o inaceitável,
por medo de não me sentir
seguro no novo.
Não quero fazer-me de
importante porque tenho medo
de que senão poderia ser ignorado.

Por convicção e amor, quero
fazer o que faço e
deixar de fazer o que deixo de fazer.

Do medo quero arrancar o
domínio e dá-lo ao amor.
E quero crer no reino que
existe em mim.

Rudolf Steiner

Em 2004 embarquei para uma aventura ao desconhecido, talvez uma das maiores até então, resolvi passar um tempo em Israel, um país do qual sabia muito pouco e eu estava com medo. Uma amiga querida me deu um livro chamado “Feel the fear and do it anyway” (algo como: sinta medo e aja mesmo assim), sim estava com muito medo, mas fui mesmo assim. E foi uma das experiências mais marcantes da minha vida.

Muito tempo depois deparei-me com esse poema de Rudolf Steiner e colei-o na geladeira. Na época ainda morava com meu pai, ele já estava acostumado com minhas esquisitices, então não estranhou quando coloquei o poema lá, mas depois que ele leu, cuidadoso como era, perguntou se eu estava com medo de algo.

Eu disse que não, mas não era verdade, foi apenas aquelas respostas impacientes para não prolongar o assunto. Medo eu sempre tive, de tipos variados. Mas acho que os meus medos na época eram mais simples do que são hoje.

Eu e meu pai tínhamos uma estranha mania de conversar através de livros, eu gostava de ler os dele e vice-versa. E cada um sublinhava as partes mais importantes, assim quando o outro lia, nós sabíamos os trechos que mais tínhamos gostado. Um dia vi que ele estava lendo o livro que minha amiga havia me presenteado, novamente ele me perguntou do que eu tinha medo e mais uma vez eu não respondi com a verdade.

Acho que é uma grande invenção da vida que nossa mente seja tão limitada que não possa prever o futuro, na época eu não sabia, mas o maior medo que já senti até hoje foi quando descobri que meu pai estava morrendo. Hoje voltei a pensar em meus medos, ainda tenho vários, mas descobri uma coisa sobre eles: eles costumam ser muito maiores em nossa imaginação e quando você é confrontado com aquilo que mais teme, acaba descobrindo que não nada é tão assustador assim. É só assim que descobrimos que somos de fato mais fortes do que imaginamos.

Esses dias conversei com um amigo sobre outro tipo de medo que encontro em muitas pessoas: o medo de ser feliz. Eu estava justamente tentando elaborar de onde vinha todo esse auto-boicote que nos impomos, as armadilhas que nos pregamos, essas rasteiras que nos damos. Eu conheço bem isso. Claro que hoje com um olhar mais atento já consigo aquebrantar mais facilmente alguns desses padrões de comportamento. Então perguntei à ele: “Por que será que nós passamos tantas rasteiras em nós mesmos? Por que boicotamos tanto nossas chances de ser felizes?”. Ele me respondeu com uma simplicidade que nunca havia me ocorrido: “Se nós formos felizes, o que mais nos restará buscar?”

É isso, nós somos desde pequenos condicionados a buscar a felicidade, mas assim como nos contos de fadas, ninguém nos conta o que vem depois. Talvez seja porque felicidade não se busca nem se encontra em lugar algum, ser feliz é um estado de espírito, é uma escolha diária, sem receita pronta; e não existe felicidade eterna, nem permanente, o que existe são momentos felizes. Ser feliz é um ato quase heroico, é preciso muita coragem para ser feliz.

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Muitos costumam transportar esse medo da felicidade para os relacionamentos amorosos e confesso que esse medo ainda não superei, porque amar dá medo sim. Amar dá medo porque para amar é preciso deixar morrer um pouco de nós a cada dia. Amar é não se acomodar, amar é perder batalhas todos os dias em prol do outro e de si; amar é desnudar-se, é criar intimidade, e intimidade também é algo que da medo. Amar é dançar um baile compassado que só se baila a dois (e nem tente ir ao baile sozinho). Amar é mudar, é mudar-se, é transformar, é transformar-se. Amar é perder o controle, amar é perder-se.

É perder-se e entender que nada na vida é permanente, portanto para amar é preciso deixar que o amor seja leve, seja solto e se transforme todos os dias, é preciso reinventá-lo. É preciso deixar que ele morra e volte a renascer para então morrer novamente e assim sucessivamente numa dança eterna. Amar é ganhar e perder. É dar e receber. Amar é deixar ir. E de fato, amar assim de coração tão aberto, é só para os bravos.

Hoje abri o pequeno livro em inglês, com várias passagens sobre o medo sublinhadas pelo meu pai, através delas pude entender melhor seus medos, lembrei da pergunta dele sobre meus medos e que tantos anos depois quando finalmente resolvi falar a verdade já era tarde. Eu nunca consegui falar para ele sobre o medo que tinha de perdê-lo, ele também não soube me dizer como era encarar a morte assim, de maneira tão repentina e dormir com ela todos os dias. Enquanto ele esteve doente, falamos sobre muitas outras coisas, mas tive medo de falar sobre o medo. E então pensei muito nessa resposta que nunca lhe dei, se hoje ele me perguntasse, ela seria:

Eu tenho medo sim, tenho muitos medos e de intensidades variadas. E sei que às vezes eles me paralisam, mas todos os dias fazemos acordos de trégua para que eu possa seguir. Tenho medo de tudo que não posso controlar, tenho medo do desconhecido, tenho medo de perder-me, tenho medo de me encontrar; tenho medo de como vou me sentir quando minha mãe não se recordar de mim, tenho medo de morrer sem saber o que é de fato amar, tenho medo de chegar ao fim da vida e me dar conta que não realizei todos os mais profundos desejos da minha alma.

Hoje sei que para perder o medo é preciso ter valentia para enfrentá-lo, só assim ele vai perdendo força. Portanto, antes de mais nada, quero aprender a amar o medo, porque sei que é preciso senti-lo e ainda assim ter coragem para seguir.

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

Ler um livro pode mudar seu cérebro – pelo menos por um tempo

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas da Universidade Emory, nos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo.

Para chegar a essa conclusão, os pesquisadores analisaram os efeitos da leitura sobre redes cerebrais usando ressonância magnética funcional (fMRI). Até então, os estudos já feitos só focavam os efeitos imediatos da leitura, com voluntários lendo histórias curtas dentro do scanner. Desta vez, foram analisados os efeitos posteriores. Para isso, 21 estudantes da universidade participaram do experimento por 19 dias consecutivos. Todos eles tiveram de ler “Pompeia”, livro de 2003 escrito por Robert Harris e baseado na erupção real do Monte Vesúvio na Itália antiga.

“A história segue um protagonista, que está fora da cidade de Pompéia e percebe vapor e coisas estranhas acontecendo ao redor do vulcão”, diz o neurocientista Gregory Berns, principal autor do estudo. “Ele tenta voltar para lá a tempo de salvar a mulher que ama. Enquanto isso, o vulcão continua e ninguém na cidade reconhece os sinais”. Segundo ele, o livro foi escolhido por ter uma forte linha narrativa e ser emocionante e cheio de suspense, o que era importante para que os leitores pudessem realmente se envolver com a história.
Todas as manhãs, nos cinco primeiros dias, os voluntários tiveram seu cérebro analisado em estado de repouso pelo scanner de ressonância magnética. Depois disso, eles passaram a receber diariamente, por nove dias, uma parte do livro com cerca de 30 páginas cada, sempre para ler à noite. Nas manhãs seguintes, depois de passarem por um teste inicial para garantir que haviam terminado a leitura da noite anterior, eles passavam por outro exame de fMRI. Para completar, os participantes ainda passaram por exames adicionais por mais cinco dias depois de completar todas as nove seções do romance.

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Resultados
Os pesquisadores descobriram que, nas manhãs seguintes às tarefas de leitura, o cérebro dos voluntários mostraram conectividade elevada no córtex temporal esquerdo, uma área associada à receptividade para a linguagem. “Mesmo que os participantes não estivessem realmente lendo o romance enquanto estavam no scanner, eles mantiveram essa conectividade elevada. Chamamos isso de ‘atividade sombra’, quase como uma memória muscular”, diz Berns.

Outra área que apresentou conectividade intensificada estava próxima do sulco central, uma região sensório-motora primária cujos neurônios são associados à representação das sensações para o corpo – o processo que acontece quando pensamos em correr, por exemplo, e ativamos os neurônios associados ao ato físico de correr. Em outras palavras, o cérebro dos leitores estava funcionando como se eles tivessem realizado uma série de atividades físicas que eles não haviam feito – mas o personagem do seu livro, sim.

“As mudanças neurais que encontramos associadas às sensações físicas e sistemas de movimento sugerem que a leitura de um romance pode transportá-lo para dentro do corpo do protagonista”, diz Berns. “Nós já sabíamos que boas histórias podem colocá-lo no lugar do outro em sentido figurado. Agora estamos vendo que alguma coisa pode estar acontecendo também biologicamente”, completa. E é importante notar que essas mudanças neurais não eram apenas reações imediatas já que persistiram não só pela manhã seguinte às leituras, como também durante os cinco dias após os participantes terminarem o romance.

Como o estudo acabou depois desse tempo, não se sabe quanto essas mudanças neurais podem durar. “Mas o fato de que as detectamos por alguns dias para um romance aleatório que as pessoas tiveram de ler sugere que seus livros favoritos certamente podem ter um efeito maior e mais duradouro sobre a biologia do seu cérebro”, conclui Berns.

O estudo foi publicado na revista Brain Conectivity no fim de 2013.

Fonte indicada: Guia do Estudante

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SIGMUND FREUD – por ele mesmo (audio)

SIGMUND FREUD – por ele mesmo (audio)

Sigmund Freud, foi um médico neurologista e criador da Psicanálise.

Suas teorias e seu tratamento com seus pacientes foram controversos na Viena do século XIX, e continuam a ser muito debatidos hoje. Suas ideias são frequentemente discutidas e analisadas como obras de literatura e cultura geral em adição ao contínuo debate ao redor delas no uso como tratamento científico e médico. No entanto sua teoria é de grande influência para psicologia atual.

No audio abaixo, ele conta um pouco de sua biografia.

Vídeo elaborado por CDPSI.

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